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quinta-feira, julho 27, 2006
Fonseca chega hoje e vai assinar por 3 épocas ESTÁ contratado o avançado que o Benfica procurava: chama-se Francisco Fonseca, faz 27 anos em Outubro, vem do Cruz Azul e marcou o golo do México contra Portugal, no Campeonato do Mundo. Foi José Veiga quem viajou até ao México para fechar o contrato, por três épocas, com o jogador; Veiga e Fonseca terão saído ainda ontem da Cidade do México para uma viagem de avião de cerca de dez horas até Madrid e deverão chegar hoje a Lisboa. Porta fechada a Di Vaio, o avançado que o Valência queria envolver no negócio de Simão. José Veiga passou os últimos quatro dias no México a negociar com os dirigentes do Cruz Azul a contratação de Fonseca. Ontem, o director-geral da SAD benfiquista pôde, enfim, respirar fundo e fechar a operação. Segundo as informações de A BOLA, Fonseca custou ao Benfica cerca de 2 milhões de euros, vai assinar contrato por três épocas e pode ser apresentado ainda hoje. O Benfica contava, no entanto, fazer chegar o jogador a Lisboa em segredo, mas, antes que pudesse controlar a notícia, a confirmação surgiu precisamente no México, feita pelo vice-presidente do Cruz Azul, Alfredo Alvarez. Depois do acordo com o clube mexicano, Veiga e Fonseca estiveram ainda reunidos no Hotel Royal Pedregal, na Cidade do México, a acertar os últimos detalhes do contrato do jogador. Formado quinteto encarnado Fonseca é, pois, o avançado que o Benfica escolheu e seguia, pelos vistos, há já algum tempo. A aquisição do mexicano fecha, assim, em definitivo a porta a Di Vaio, o atacante italiano que o Valência quis envolver no negócio-Simão desde o início das conversações com o Benfica. Esse facto pode mesmo complicar ainda mais a possibilidade de entendimento entre Valência e Benfica, uma vez que o clube espanhol, querendo muito Simão, só aceita negociar incluindo um jogador e não mais de 15 milhões de euros e os encarnados exigem 20 milhões em dinheiro. Preparado está o Benfica para dar por concluído o reforço do seu ataque. Fonseca foi o escolhido por Vieira, Veiga e Fernando Santos e agora melhor se percebe a recusa dos encarnados em aceitar a proposta do Valência de incluir Di Vaio na operação-Simão. O atacante mexicano não será o último reforço do Benfica mas é dos mais apetecidos pelo treinador. Fonseca junta-se aNuno Gomes, Miccoli, Mantorras e Marcel, num quinteto que promete dar a Fernando Santos as soluções que desejava. Revelação sul-americana Francisco Fonseca é um atacante possante, com facilidade de remate e bom jogo de cabeça. Foi aliás de cabeça que marcou o golo a Portugal no Mundial. Nascido a 2 de Outubro de 1979, Fonseca (a caminho pois dos 27 anos) tem 1,84 e pesa 80 kg. Tornou-se profissional no Yucatán, há sete anos, passando depois, sucessivamente, por Curtidores, La Piedad, Pumas e, por fim, Cruz Azul, ao ritmo de quase um clube por ano. El Kikin, como é conhecido, é dos mais populares jogadores do futebol mexicano e os seus 20 golos em 33 jogos na selecção fizeram dele uma das grandes revelações sul-americanas dos últimos dois anos. Ao intervalo é que se mexe FERNANDO SANTOS vai ter vida difícil, hoje e amanhã, no decorrer do Torneio do Guadiana. Com jogos em dias seguidos, diante de Sporting e Deportivo da Corunha, o treinador do Benfica apenas poderá fazer três substituições no decorrer da primeira e da segunda parte juntas. Só ao intervalo é que se pode mexer na equipa sem limitações. Com 25 jogadores no Algarve mas quatro deles com apenas dias de preparação — os mundialistas Quim, Petit, Nuno Gomes e Luisão, que terminaram as férias no passado fim-de-semana —, Fernando Santos terá de gerir com pinças o esforço dos atletas nestes dois jogos do Torneio do Guadiana, primeiro como Sporting, hoje, e logo no dia seguinte com o Deportivo. Para melhorar a qualidade do futebol e evitar que as segundas partes caiam naquela monotonia de serem interrompidas de cinco em cinco minutos para substituições, a organização decidiu limitar o número de alterações no decorrer do jogo a três — o habitual em jogos oficiais. Com uma excepção: ao intervalo os treinadores podem mexer livremente. Será uma contingência a afectar todas as equipas, mas que ganha especial relevância para o Benfica que, tal como o Corunha, joga em dias consecutivos — o Sporting terá um dia de descanso entre o primeiro e o último jogo. Neste momento, as opções dos encarnados não são muitas, particularmente no sector recuado. Fernando Santos tem apenas seis defesas no Algarve: Nélson, com algumas limitações físicas, Luisão, que só agora reiniciou os trabalhos, e ainda Alcides, Ricardo Rocha, Anderson e Léo. Por opção, José Fonte e Tiago Gomes, que não entram nos planos para esta época, ficaram em Lisboa. O extremo-direito Marco Ferreira tem sido frequentemente utilizado como lateral. Perante a impossibilidade de mexer muito na segunda parte, há apenas duas opções à disposição do treinador: ou faz os últimos 45minutos de cada jogo com uma equipa altamente improvisada; ou alguns atletas, particularmente na defesa, acumularão, no espaço de 24 horas, cerca de duas horas e quinze minutos de futebol nas pernas. Um dilema de difícil solução... Como encaixar Petit e Katsouranis O onze base do Benfica está praticamente definido, podendo apenas sofrer alterações em virtude dos reforços que estão para chegar. O principal dilema de Fernando Santos reside no meio-campo, pois tanto Katsouranis como Petit possuem características que se adequam ao vértice mais recuado do losango. O grego até já actuou na direita, mas é à frente da defesa, onde mais rende, que o treinador o pretende colocar... O cenário configura aquilo a que os técnicos normalmente chamam de boa dor de cabeça. Ou seja, ter várias opções de qualidade para a mesma posição. Mas na hora de tomar opções e construir a equipa, este tipo de concorrência não deixa de ser um enorme dilema para qualquer treinador. No caso de Fernando Santos, a questão prende-se com Katsouranis e Petit, ambos talhados para actuar no vértice mais recuado do losango do meio-campo. O grego é uma das apostas fortes do treinador, ao passo que o internacional português tem sido um dos indiscutíveis do meio-campo encarnado nos últimos anos, além de ser já considerado um homem da casa. Uma das possibilidades, já ensaiada por Fernando Santos, passa pela colocação de Katsouranis na direita, mas a verdade é que o ex-AEK não rende tanto nessas funções e, segundo o nosso jornal conseguiu apurar, é no centro do terreno, como médio defensivo, que Fernando Santos pretende ver em acção o jogador helénico. Poderia pensar-se, então, em colocar Petit na direita, por exemplo, mas parece evidente que as características do camisola seis não se adequam a uma missão em que é preciso atacar e defender com consistência. No Torneio Internacional do Guadiana, a realizar hoje e amanhã, Fernando Santos ainda não terá de resolver esta questão, uma vez que os jogadores que marcaram presença no Mundial e que só segunda-feira integraram os trabalhos — Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes — apenas serão utilizados durante alguns minutos (ver peça à parte) devido à débil condição física que ainda apresentam. Quatro «reforços» entram hoje em campo INTERESSE extra para o derby de hoje na perspectiva benfiquista: os jogadores presentes no Mundial da Alemanha deverão actuar alguns minutos frente ao Sporting, sucedendo o mesmo na partida de amanhã, com o Deportivo da Corunha. Fernando Santos deverá conceder uma oportunidade a Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes, não só para proporcionar ritmo competitivo ao quarteto mas porque é necessário distribuir bem o tempo de jogo pelo maior número de atletas possível para amenizar o cansaço de dois jogos num curto espaço de 24 horas. Fernando Santos está a encarar o derby com a seriedade que se exige a um jogo com estes contornos mas o técnico estará mais preocupado em gerir fisicamente o plantel para o grande objectivo a curto prazo: ultrapassar o adversário que o sorteio de amanhã, na sede da UEFA, em Nyon, irá determinar aos encarnados na terceira e última pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Por esta razão é previsível que hoje, à noite, frente ao Sporting, e também amanhã, ante o Deportivo da Corunha, o engenheiro coloque em campo o maior número de jogadores possível (mas as trocas em massa só poderão ser feitas no intervalo, como A BOLA explica na página 7), para não provocar muito cansaço na equipa, submetida a 180 minutos de jogo em apenas 24 horas. Para o Algarve viajaram 25 jogadores — os mesmos que foram oficialmente apresentados no jogo de apresentação aos sócios, no sábado, frente ao Bordéus, no Estádio da Luz. Há muita vida depois do Mundial Se rotatividade é algo que Fernando Santos irá promover, isso implica a utilização dos quatro jogadores que participaram no Mundial: Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes — Simão é o quinto mundialista mas já não faz parte dos planos da equipa técnica por estar prestes a transferir-se para o estrangeiro. Quatro reforços que, no entanto, não serão titulares nos dois jogos. Por terem apenas três dias de trabalho, só deverão actuar pouco mais de 15 minutos em cada partida, mas serão quartos-de-hora preciosos para readquirirem ritmo competitivo entretanto perdido em 15 dias de férias. Além da participação nas partidas frente a Sporting e Deportivo da Corunha, Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes deverão efectuar dois treinos matinais com o preparador físico Bruno Moura no âmbito do programa específico traçado pela equipa técnica. Karyaka é caso à parte Fernando Santos deverá, portanto, dar minutos aos 25 jogadores que chamou para o Algarve, incluindo Karyaka. Apesar de o técnico já ter afirmado publicamente que não conta com o médio russo, a verdade é que continua integrado. Porém, a SAD apenas está à espera que surja um clube interessado nos serviços do jogador — o Dínamo de Moscovo está interessado mas o Spartak da capital russa também poderá ser o destino de Karyaka numa eventual troca com Kalinichenko, médio esquerdo e internacional ucraniano que os encarnados estão a seguir. quarta-feira, julho 26, 2006
Filipe Vieira só quer dinheiro JÁ passava da meia-noite e meia quando o presidente do Benfica, Filipe Vieira, saiu de um famoso restaurante de Lisboa, acompanhado do director-geral do Valência, Amedeo Carboni. Por agora, sem fumo branco, estão suspensas as negociações por Simão. Os passos seguintes serão dados por... faxe. Carboni regressa hoje a Valência. Não há acordo entre Benfica e Valência para a transferência de Simão. O clube espanhol quer envolver um jogador na operação e o Benfica exige dinheiro apenas. No entanto, um bom e rápido desfecho destas negociações pode estar dependente de reforços que o director-geral da SAD benfiquista, José Veiga, possa conseguir nas próximas horas. Se Veiga não contratar um ponta-de-lança, então ficará mais fácil ao Valência seduzir o Benfica com o nome do avançado italiano Di Vaio. Caso contrário, os espanhóis vão mesmo ter de abrir os cordões à bolsa para levar Simão. A ronda de conversações entre Vieira e Carboni já conheceu três etapas e várias horas. Começou na noite de segunda-feira, num hotel da capital; prosseguiu ao almoço de ontem, no Guincho e terminou num prolongado jantar num famoso restaurante do centro da capital. Para já, muita conversa e nenhuma decisão. Mas Vieira já fez conhecer, mesmo aos jornalistas, qual é a sua posição. Vieira é claro Foi antes do jantar que Filipe Vieira assumiu publicamente pela primeira vez a negociação com o Valência por Simão. «Não vamos escondê-la, mas as pessoas estão a fazer especulações muito grandes sobre uma coisa que não existe. O Benfica sabe o que quer e somos intransigentes: só falamos de valores, nunca falámos de jogadores, não inventem jogadores para o Benfica. Se alguma situação se passa com algum jogador nada tem a ver connosco, mas sim com o Valência. Eles podem ter interesse em negociar jogadores com o Benfica, nós é que não estamos interessados », disse o presidente do Benfica, que tem conduziu todo o processo em nome dos encarnados, dando a entender que não pretende mesmo baixar a fasquia dos 20 milhões de euros pelo passe de Simão. Mais evasivo mostrou-se quando confrontado se existiria mais alguma proposta além da do Valência: «Não vou falar sobre isso, Simão é dos melhores jogadores europeus, ele sabe o que vale. O Valência a nós nunca nos pode propor nada, sabe do que falamos, vou continuar intransigente naquilo que queremos.» Carboni regressa a Espanha hoje Pois essa intransigência resulta, para já, no adiamento das conversações. O Valência continua a querer envolver um jogador na operação, o Benfica, até ao momento, recusa-o. Mas é possível que tudo esteja condicionado pelos reforços que José Veiga conseguir (ou não) para os encarnados. O director-geral dos encarnados está no estrangeiro e tentar um avançado e um médio-esquerdo. Se os conseguir, o Valência vê reduzida a sua margem de manobra e se quiser levar Simão terá mesmo de pagá-lo em dinheiro apenas. O que se sabe é que Amedeo Carboni regressa hoje de manhã a Valência, de mãos a abanar mas cheio de esperança, e daqui para a frente, até ver, as negociações continuarão ao ritmo de faxes. Fortalecer a unidade à beira do Sado A Avenida estava praticamente deserta e, por isso, poucos se aperceberam da presença do plantel do Benfica em Setúbal, para um almoço que visou fortalecer o espírito do grupo de trabalho, em vésperas de dar o pontapé de saída nos jogos oficiais. Apenas alguns curiosos, clientes de restaurantes vizinhos, conseguiram identificar os ilustres visitantes, a começar pelo técnico Fernando Santos, que chegou acompanhado dos membros do seu staff, Jorge Rosário e Fernando Justino. Rui Costa foi o último a chegar, não escondendo algum incómodo pela presença de jornalistas no local. A ideia era realizar o almoço no mais completo sigilo, estratégia inserida no desejo de fortalecer e blindar o balneário ao longo da época. Nada melhor que um encontro à mesa para solidificar a união de grupo. Que o diga o plantel do Benfica, que ontem se reuniu num restaurante de Setúbal, ao final da manhã, para um almoço convívio com forte carga simbólica. Os jogadores começaram a chegar em pequenos grupos por volta das 13.30 horas, já depois de terem deixado o Seixal, onde treinaram ontem, de manhã. Primeiro, José Fernando, o segurança que costuma acompanhar os jogadores a todo o lado, e, logo depois, os craques, que chegaram agrupados, evitando levar tantos carros para um lugar tão concorrido como a avenida Luísa Tody, em Setúbal. Talvez porque José Veiga se encontrava no estrangeiro, a resolver questões ligadas com o reforço do plantel, apenas a equipa técnica e os jogadores estiveram presentes no animado repasto, incluindo os jovens João Coimbra e Tiago Gomes, que vão ser emprestados, para rodar. terça-feira, julho 25, 2006
Gosto do sistema de Fernando Santos LUISÃO passou a noite a viajar de São Paulo para Lisboa. Ninguém diria, muitos sorrisos e nem ponta de cansaço estampado no rosto. Parou uns minutos para falar com os jornalistas, correu depois para se preparar para o primeiro treino da nova época e, às 10 horas, lá estava ele no Seixal, equipado a rigor e a correr para recuperar o tempo perdido. Luisão não trazia consigo muitas malas quando aterrou no Aeroporto da Portela. Um sinal de que o brasileiro não colocou seriamente a hipótese de deixar o Benfica, mesmo antes de estar com a selecção brasileira no Campeonato do Mundo. «Claro que nunca coloquei a hipótese de sair. Falou-se muito numa possível transferência, mas eu pensei sempre no Benfica. A minha cabeça sempre esteve aqui, tive sempre consciência de que tenho contrato com o Benfica e espero cumpri-lo.» Está mentalizado para continuar no Benfica e está também empenhado em conquistar títulos. Não fala nessa ambição apenas como sendo um desejo, mas sim uma obrigação. «Estou preparado. As férias foram óptimas, mas chegou o tempo de trabalhar para cumprir o primeiro objectivo que é garantirmos um lugar na Liga dos Campeões e, depois, sermos campeões. Como já disse, um clube como o Benfica não pode estar dois anos sem conquistar o título.» Com Fernando Santos os jogadores terão de se adaptar a um sistema bem diferente daquele que foi utilizado por Ronald Koeman na temporada passada. Luisão acredita que se adaptará facilmente. «Gosto da forma como vamos jogar. Confesso que não vi ainda nenhum jogo, mas vou sentar-me com o treinador e conversar para ver o que será melhor. No Brasil utilizamos muito este sistema e, por isso, estou habituado. Espero que dê certo.» Alguém disse um dia que um bom ataque ganhava jogos e uma defesa forte conquistava campeonatos. Ponto de partida para o defesa-central sublinhar que por aí não há espaço para preocupação: «Se a defesa não foi muito reforçada é sinal de que o treinador gostou do que viu na época passada e confia em nós. Acredito que lá atrás o Benfica é muito forte, está bem servido.» Rui Costa é uma referência Se a saída de Simão pode causar alguma tristeza a Luisão, o regresso ao Benfica de Rui Costa é apontado pelo brasileiro como um passo firme para o sucesso. «É um jogador muito importante, uma referência para todos os jogadores. Foi uma excelente contratação para a nova época.» Luisão acrescenta que o maestro é importante fora de campo, mas também precioso para a equipa. «É um grande jogador, mas é também um grande homem. Isso é muito importante para o grupo», afirmou. Enfim, todos juntos! O plantel está ainda incompleto, mas Fernando Santos já teve à sua disposição todos os jogadores que o integram neste momento. Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes aceleram o passo para recuperar o tempo perdido. Pela primeira vez desde que assumiu o comando da equipa, Fernando Santos teve à sua disposição todos os jogadores, à excepção de Simão e Manuel Fernandes que, até ver, não farão parte do plantel para a época 2006-07. O treino matinal começou às 10.00 horas, no relvado nº 3, sendo notadas as ausências de José Fonte, Mantorras e Beto. Os dois primeiros fizeram trabalho específico no ginásio, enquanto o médio brasileiro se viu obrigado a deslocar-se a um estomatologista, por estar a contas com um problema nos dentes. No relvado, Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes trabalharam sem limitações, apesar de ser o primeiro treino para todos eles, devido ao facto de terem participado no Campeonato do Mundo. O central brasileiro, chegado a Lisboa poucas horas antes, não acusou o cansaço que uma viagem de oito horas normalmente provoca e entregou-se ao trabalho de corpo e alma, realizando todos os exercícios ministrados pelo jovem preparador físico Bruno Moura. Hora e meia no duro Inicialmente marcado para as 17.30 horas, o treino da tarde só começaria 45 minutos depois, pelo menos no que diz respeito ao relvado, porque a primeira parte do trabalho foi realizada no ginásio. Mesmo assim, o apronto estendeu-se durante hora e meia, com os jogadores novamente envolvidos numa peladinha, que não contou, no entanto, com três mundialistas. Luisão, Petit e Nuno Gomes trabalharam à parte, enquanto os companheiros disputavam mais uma peladinha, com Fernando Santos a assumir um papel muito interventivo e a corrigir, sistematicamente, os seus pupilos. Entres eles, Tiago Gomes e João Coimbra que, apesar de saberem que não vão fazer parte do plantel, continuam a trabalhar sob as ordens de Fernando Santos. Presentes, desta feita, Mantorras e Beto, este já refeito do problema dentário, enquanto José Fonte trocou o ginásio pelo relvado, embora continuando a fazer trabalho específico. Apesar de o treino ser à porta fechada, dezenas de adeptos seguiram, a partir do gradeamento circundante ao centro, as incidências da sessão. Nélson e Miccoli limitados Operado no defeso, Nélson reapareceu totalmente recuperado na pré-época e só não alinhou de início em alguns jogos por opção técnica. No entanto, é visível que o lusocaboverdiano continua a suscitar as atenções do departamento médico, prosseguindo um plano de recuperação dividido entre o relvado e o ginásio. Ontem, cumpriu a parte física da sessão e ainda participou na peladinha, mas acabou por sair mais cedo, rumo ao ginásio, e à tarde, apesar de a informação oficial confirmar a sua participação no treino, não foi possível vê-lo na peladinha. Outro jogador que não concluiu o treino vespertino foi Miccoli. A dada altura, o italiano deixou o relvado em passo de corrida, aparentemente rumo ao ginásio, já que não chegou a abandonar as instalações do centro de estágio. Recorde-se que o italiano foi, a par de Nélson e Manuel Fernandes, um dos jogadores que mais paragens por lesão teve na época passada. Embora integrados, também os quatro mundialistas alternaram, neste primeiro dia de treino, o trabalho em colectivo com o específico, nomeadamente, corrida à volta do relvado. segunda-feira, julho 24, 2006
1.º Dia dos homens do Mundial O Benfica tem a partir de hoje todas as suas estrelas a trabalhar. Os dois treinos que hoje se realizam no Centro de Estágio do Seixal (10 e 17.30 horas) ficarão marcados pelo regresso de Nuno Gomes, Petit, Luisão e Quim, que depois da participação no Campeonato do Mundo se apresentam a Fernando Santos e assim prepararem os grandes duelos que se avizinham. Petit e Nuno Gomes estarão a partir de hoje no SeixalNo dia da apresentação aos sócios, Petit, Nuno Gomes e Quim fizeram questão de estar no Estádio da Luz e participar na festa dos adeptos. Repousaram alguns dias do intenso esforço do Mundial da Alemanha e começam agora a aprimorar a forma para puderem lutar pela titularidade num plantel que se prevê bem mais competitivo do que na temporada passada. Luisão não esteve no jogo com o Bordéus, mas o seu número e nome foram ditos quando os jogadores seguiam para o palanque montado no centro do terreno (recorde-se que apenas Simão foi esquecido...), o que deixa claro que o brasileiro deverá estar hoje no Seixal para o início desta temporada. Fernando Santos terá certamente preparado um programa de treinos especial para estes quatro elementos, que são sem dúvida dos mais importantes da equipa. O treinador afirmou já que as férias dos mundialistas condicionaram um pouco a preparação da equipa para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, acrescentando, no entanto, que espera vê-los em boas condições e dessa forma lutarem em igualdade de circunstâncias pela titularidade. Quim pode ser entre este grupo o jogador com mais dificuldades em convencer o treinador, já que a concorrência de Moretto e Moreira é grande e até pelo facto de durante o defeso se admitir como válida a possibilidade de o guarda-redes se transferir para outro conjunto. Quanto a Nuno Gomes e Petit — dois dos mais determinantes jogadores do plantel nas últimas temporadas — diga-se que têm agora de enfrentar uma concorrência muito maior, já que para o meio-campo foi contratado o grego Katsouranis e para o ataque ainda se espera a apresentação de um jogador com provas dadas no futebol europeu. Mesmo assim, Fernando Santos conhece bem o talento de ambos e ninguém espera que passem a ter papel menos importante no onze encarnado. No campo teórico, Luisão será o que mais razões tem para estar tranquilo, já que tem sido o patrão da defesa do Benfica e resistiu ao interesse de vários clubes europeus e sempre afirmou que se sente muito bem na Luz. Surpreendente seria que Luisão — único homem do futebol português a ser convocado pelo Brasil para este Campeonato do Mundo da Alemanha — não mantivesse esta época o estatuto de intocável no conjunto encarnado. Este quarteto tem até quinta-feira para recuperar um pouco do tempo perdido e quem sabe se o reaparecimento não está marcado para o jogo frente ao Sporting, esta quinta-feira, no Torneio do Guadiana. Sempre a abrir até à Champions os jogadores do Benfica regressam hoje ao trabalho e não mais terão descanso até ao jogo da primeira mão da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Pelo meio, três jogos de preparação com elevado grau de dificuldade (Sporting, Corunha e AEK) e a missão, segundo as contas do treinador, de subir dos 60/70 por cento até o mais próximo possível dos 100 por cento de forma. O dia de ontem, para mais um domingo, serviu para todo o grupo de trabalho descansar e ganhar fôlego para duas semanas de intenso trabalho, que culminam na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Um objectivo tão ou mais importante quanto acabará por moldar toda uma época, quer em termos desportivos, quer financeiros. Fernando Santos considerou após o jogo com o Bordéus que a equipa está apenas a 60/70 por cento do seu potencial e de tudo quanto espera dela. Para toda a época, mas também para já, dada a importância de uma entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões. O objectivo é, pois, continuar a desenvolver um trabalho que permita à equipa estar o mais perto possível dos 100 por cento no final da primeira semana de Agosto. Para ultrapassar o adversário que o sorteio ditar e dar a embalagem suficiente para o Benfica estar em posição confortável em termos físicos, anímicos e desportivos quando começar a Liga. Três testes importantes O Benfica terá três importantes testes até ao jogo europeu, que terá lugar a oito ou nove de Agosto. Sporting e Corunha são os adversários do Torneio do Guadiana, no Algarve, triangular que se disputa entre esta quinta-feira e o próximo sábado. Os encarnados defrontam os leões na quinta-feira e os espanhóis na sexta, o que obrigará Fernando Santos a uma gestão cuidada do plantel. Veremos com que critério dividirá os jogadores pelos dois jogos em dias consecutivos, sendo certo que haverá oportunidade para todos. No próximo dia 1 de Agosto o Benfica estará em Atenas, capital grega, para defrontar o AEK, a antiga equipa de Fernando Santos. Um jogo com cheiro a competições europeias, num ambiente que se espera quente, o que também pode ser um bom ensaio para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Neste período de jogos de preparação, o técnico encarnado dissipará todas as dúvidas quanto a permanências e saídas e já deverá contar com os reforços. Ao mesmo tempo, há um trabalho paralelo com os internacionais, para recuperarem, tempo. A primeira semana de Agosto será então para limar as arestas, se possível com todos os ovos no cesto. A Liga dos Campeões é o primeiro grande objectivo da época. domingo, julho 23, 2006
Benfica 2 - 0 Bordeús 15 m 1-0, Por Miccoli 65 m 2-0, Por Marcel Melhor em campo MICCOLI Está de volta a fantasia do pequeno rato Miccoli, que contagia os adeptos e traduz o jogo ofensivo da equipa em espectáculo e golos. Aos 9 minutos assustou os franceses, aos 13 ofereceu a Mantorras a possibilidade de marcar, aos 15 marcou golo após confusão dos defesas e aos 31... bem, aos 31 fez um chapéu monumental para defesa de Ramé. Sala de Imprensa FERNANDO SANTOS (treinador do Benfica) F. Santos quer mais agressividade FERNANDO SANTOS gostou de ver a evolução do seu Benfica mas quer mais. O treinador diz que faltou agressividade nos minutos finais e que quer uma equipa que quando esteja a vencer por uma vantagem de 2-0 saiba controlar o jogo sem deixar de procurar o terceiro golo. Sobre o tema do dia, disse que a ausência de Simão é coisa que deve ser explicada pela direcção e revelou ainda que a lista completa de dispensados só será conhecida nos próximos dias. — O Benfica venceu o jogo mas o dia acabou por ficar marcado pela ausência de Simão. É a prova de que vai ser transferido? — O mais importante é que o Benfica jogou e venceu o Bordéus por 2-0. A questão de Simão é coisa que deve ser esclarecida pela direcção do clube. Se não esteve aqui hoje é porque alguma coisa há... — Jogadores como Diego ou Manu demonstraram hoje que têm valor suficiente para não serem dispensados? — Não diria que todos os jogadores que aguardam por uma decisão minha conquistaram o direito de fazer parte do plantel. Disse no final do estágio que mereciam mais uma oportunidade e esse tempo ainda não acabou. Quinze dias é muito pouco para fazermos uma avaliação rigorosa sobre qualquer jogador, até porque alguns deles eu não conhecia. — Ainda não tomou decisões, é isso? — Nos casos que requerem uma decisão mais definitiva precisamos de mais algum tempo. Bem diferente foram as situações, por exemplo, de João Coimbra e Tiago Gomes. São jovens com talento e por isso entendi que o melhor seria serem cedidos a outros clubes porque o que precisam é de jogar. Não podem ficar sem ritmo muito mais tempo. A prova de que contamos com eles para o futuro é que nos próximos tempos tentaremos que renovem os contratos que têm com o Benfica. — Voltando ao jogo, gostou da resposta dos seus jogadores? — A equipa fez coisas extremamente positivas. Fiquei agradado com o facto de os jogadores terem revelado maior conhecimento sobre o que pretendemos de organização do jogo colectivo. Mas temos ainda muito para melhorar. Quero uma equipa mais agressiva quando não tem a bola em seu poder, é necessário não deixar o adversário jogar. — Foi o único erro que identificou? — Sim. Pretendo que quando estivermos a vencer por 2-0 a equipa procure controlar o jogo, mas não deixe de ser dominadora. Nessa situação temos de continuar a procurar aumentar a vantagem, mas isso é coisa que se melhora com os treinos. Temos 17 dias de trabalho muito desgastante e é por isso natural que ainda existam algumas questões para aprimorar. Neste momento a equipa está a 60 ou 70 por cento das suas reais capacidades, o que é natural nesta fase de preparação. — Voltemos ao caso Simão. É um jogador com o qual já não conta? — Volto a dizer que esse é um assunto que deve ser explicado pela direcção. Se estivesse aqui comigo é evidente que contaria. Como não está... Que seja o primeiro de muitos golos na Luz O melhor marcador do Benfica na pré-época dá pelo nome de Marcel, que ontem se estreou a marcar na Luz. O ponta-de-lança brasileiro, contratado à Académica no último mercado de Inverno, tinha bisado no primeiro encontro de preparação, frente ao Stade Nyonnais, na Suíça, e ontem apontou o terceiro golo da sua conta pessoal no defeso, depois de ter ficado em branco diante de Shakhtar Donetsk e Sion. «Foi uma boa vitória. A época está a começar e o mais importante agora é ganharmos ritmo. Foi bom ter marcado, fico feliz e espero que seja o primeiro de muitos golos aqui no Estádio da Luz», disse Marcel no final da partida, em declarações aos repórteres de pista das rádios. Foi, de resto, o único jogador do Benfica a falar à comunicação social na noite de ontem. Recorde-se que Marcel não foi feliz nos primeiros meses ao serviço do Benfica e ainda não fez o gosto ao pé em jogos oficiais, mas parece determinado em inverter a situação e a retomar a veia goleadora que levou o Benfica a pagar três milhões de euros pela sua contratação. Nuno Assis voltou a jogar Afinal, o Benfica pôde utilizar Nuno Assis no jogo de ontem, situação que se manteve em banho-maria e que só mesmo no limite foi desbloqueada. Ou seja, o Benfica aguardou toda a semana por uma confirmação da FIFA para poder utilizar o atleta, depois de o Conselho de Justiça ter anulado a decisão de suspensão do jogador por parte da Comissão Disciplinar da Liga. Depois de mais de seis meses sem pisar os relvados, eis Nuno Assis de regressoAté final da tarde de ontem, como A BOLA noticiara, a informação disponível era a de que não tinha chegado à SAD qualquer comunicado oficial da FIFA, pelo que os encarnados se preparavam para não utilizar o jogador, à cautela. Mas, in-extremis, a luz verde chegou e Fernando Santos pôde então colocar Nuno Assis em campo, ele que tem assumido um papel importante no esquema montado pelo treinador. Sete meses de ausência Nuno Assis voltou assim a jogar, mais de sete meses depois de ter disputado o último jogo. Referimo-nos à partida com o Nacional, na Luz, disputada a 17 de Dezembro de 2005. Ou seja, 217 dias depois o jogador voltou a vestir a camisola do Benfica, desta feita num jogo particular. Após esse jogo com o Nacional, a ausência de Nuno Assis em competição deveu-se a uma questão de opção do treinador Ronald Koeman. Isto porque só a 3 de Fevereiro de 2006 foi divulgado o resultado positivo na análise anti-doping a que se submeteu após o jogo com o Marítimo, na Madeira, precisamente dois meses antes. Conhecido o resultado, o jogador ficou de imediato suspenso a título preventivo, enquanto decorria o correspondente processo. A decisão da Comissão Disciplinar da Liga foi conhecida a 9 de Junho de 2006: seis meses de suspensão, dos quais quatro já estavam cumpridos. Ou seja, Nuno Assis apenas poderia voltar a competir no início de Agosto. O Benfica, naturalmente, recorreu para o Conselho de Justiça, órgão que, a 14 de Julho último, anulou a decisão condenatória da Comissão Disciplinar. Ou seja, Nuno Assis passou a estar disponível para jogar, faltando apenas a FIFA dar luz verde. Ao longo da última semana o treinador utilizou-o nos treinos em função da titularidade que pretendia atribuir-lhe no jogo de ontem e Nuno Assis começa a recuperar o espaço perdido com Koeman. sábado, julho 22, 2006
Aí está o Benfica de RUI COSTA AÍ está o Benfica versão 2006/07. Ainda incompleto, a aguardar mais alguns reforços, mas com Rui Costa como grande atracção, grande cabeça de cartaz. O maestro, depois de mais de uma década encantando no futebol italiano, voltou à casa onde desde muito cedo começou a ser idolatrado e os efeitos da sua presença já se fazem sentir. Dentro e fora do campo. No esquema táctico idealizado por Fernando Santos, Rui é peça chave no vértice mais ofensivo do losango do meio-campo, ele é o homem que cria espaços para os avançados aparecerem na cara do golo. Mas é também o homem que empolga as bancadas, que representa a mística, a velha mística benfiquista. Hoje à noite, frente ao Bordéus, jogo que marca a apresentação da nova águia aos sócios, Rui Costa, camisola 10, será garantidamente uma das grandes figuras da noite. Mas não estará sozinho. Tirando os reforços que ainda são esperados, na Luz estará um plantel muito aproximado ao que Fernando Santos terá para enfrentar a exigente época que aí vem. Miccoli será outra das atracções, mas também Petit, Nuno Gomes, Luisão, Quim e ainda Simão Sabrosa, jogador cujo futuro poderá não passar pelo Benfica. Mas para já... Reforços à vista SÃO várias as indefinições no plantel e a SAD está a trabalhar em várias frentes para resolver algumas questões: a contratação de reforços e a gestão de casos como o de Simão, cuja saída está prevista mas ainda não concretizada. Para já, o capitão da Luz marcará presença na festa de apresentação do plantel aos adeptos, hoje à noite, no Estádio da Luz. Existe expectativa de surpresas no relvado, mas é pouco provável que os dirigentes consigam, nas próximas horas, desatar todos os nós dos processos em curso. José Veiga acelera contactosUm médio, um avançado e possivelmente um lateral-esquerdo. São estes os últimos objectivos da SAD para reforçar o plantel treinado por Fernando Santos, mas que dificilmente serão alcançados a tempo de poderem ser surpresas hoje à noite, durante a festa de apresentação do plantel preparada para os adeptos encarnados. Restam algumas expectativa de que o presidente e o director geral, Luís Filipe Vieira e José Veiga, respectivamente, consigam desbloquear situações e possam abrilhantar a festa com algum reforço de última hora para agitar as bancadas da Luz. Saídas também atrasam entradas Fernando Santos confessou, publicamente, a esperança de ter o plantel fechado até final desta semana, mas assim não deverá acontecer. Este atraso estará também relacionada com a indefinição em redor de algumas saídas de jogadores importantes, entre os quais Simão Sabrosa, o capitão da equipa encarnada. Simão esteve a representar a Selecção portuguesa no Mundial da Alemanha e depois gozou férias. Ontem regressou a Lisboa e vai apresentar-se hoje na Luz, consciente de que o seu futuro é ainda incerto. De Inglaterra chegam ecos do interesse de vários clubes, de Espanha também, mas quem acompanha de perto o processo assegura que propostas concretas... ainda não entrou nenhuma na SAD. Fasquia alta pelo capitão O Benfica anunciou que quer 20 milhões de euros pelo jogador, mas é possível que tenha de baixar a fasquia se pretender fazer negócio. Simão está empenhado em tentar nova aventura no estrangeiro, mas também ele, outrora determinado, começa a encarar a possibilidade de ficar. São muitos euros que o Benfica pode encaixar ou deixar de amealhar, que naturalmente condicionam maior ou menor ambição nas contratações ainda por fazer. Maestro garante festa Haja ou não surpresas esta noite, para os adeptos, um facto garantirá, seguramente, a festa nas bancadas: Rui Costa. O eterno menino bonito dos benfiquistas voltou a casa. Eis a dupla Mantorras Miccoli PERSPECTIVA-SE dupla de ataque inédita esta noite, frente ao Bordéus, na Luz. Miccoli e Mantorras são os homens escolhidos por Fernando Santos para os tão desejados golos na festa de apresentação. À espreita estão mais dois jogadores com nomes iniciados em M: Manduca e Marcel. Se Fabrizio Miccoli é, neste momento, um dos indiscutíveis no ataque do Benfica, já a inclusão de Mantorras no onze inicial, esta noite, não pode deixar de causar alguma surpresa. Depois de uma época de pouca utilização, sob as ordens de Ronald Koeman, em que chegou mesmo a pairar a possibilidade de empréstimo, seguiu-se um Mundial igualmente pouco feliz para o avançado angolano. O camisola 9 acabaria, contudo, por garantir precioso balão de oxigénio no terceiro encontro de preparação do estágio realizado na Suíça, diante do Sion (derrota por 3-2), ao apontar o primeiro golo encarnado e ao fazer a assistência para o segundo, da autoria de Rui Costa. Uma exibição alegre que cativou Fernando Santos. Manduca e Marcel na segunda linha Os brasileiros Manduca e Marcel são os principais concorrentes de Mantorras no que diz respeito à titularidade, mas a verdade é que o primeiro provou, durante o estágio, que é um flanqueador e não um avançado centro, ao passo que Marcel, apesar dos dois golos apontados ao Stade Nyonnais (3-0) e do penalty arrancado no encontro com o Shakhtar Donetsk, continua à procura da desejável regularidade exibicional. Cedo se percebeu, esta semana, que a luta para a vaga ao lado de Miccoli seria entre Mantorras e Manduca. Se o ex-Marítimo começou por ser opção para o onze testado nos treinos, a verdade é que nos últimos dois dias a escolha recaiu em Mantorras e, a menos que Fernando Santos mude de ideias até à hora do jogo, será mesmo esta a dupla que entrará em campo. De referir que Miccoli e Mantorras nunca actuaram juntos de início, durante o reinado de Koeman, pelo que é grande a curiosidade em ver como os dois atletas se complementam naquela que será, sem dúvida, uma oportunidade de ouro para o angolano. sexta-feira, julho 21, 2006
Mentiram descaradamente! LUÍS FILIPE VIEIRA respondeu ontem, em conferência de imprensa realizada no Estádio da Luz, à posição assumida anteontem pelo secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, a propósito do arquivamento do caso de doping que envolve o nome do jogador benfiquista Nuno Assis. O presidente do clube diz que Laurentino Dias foi «induzido em erro» por «mentiras descaradas» de Luís Sardinha e Luís Horta, os dois principais responsáveis pela luta antidoping no nosso país. Com esta convicção, o Benfica continua a assumir a defesa do atleta até às «últimas consequências», fala de incompetência e má-fé, e pede demissões. O secretário de Estado do Desporto, juntamente com o presidente do Instituto do Desporto e do Conselho Nacional Antidopagem, Luís Sardinha, e também do director do Laboratório de Antidopagem, Luís Horta, defenderam publicamente o processo que resultou no castigo de seis meses de Nuno Assis por doping. Mas criticaram sobretudo, e violentamente, o acórdão do Conselho de Justiça que, na passada quinta-feira, deliberou absolver o jogador e arquivar o caso. Laurentino Dias falou de vergonha nacional e afirmou recorrer ao Ministério Público e a instâncias internacionais para conseguir a revisão do processo (FIFA; UEFA, Agência Mundial Antidopagem). A resposta não demorou muito e chegou ontem, pela boca de Luís Filipe Vieira. E foi igualmente dura. «Concordamos que este processo é uma verdadeira vergonha nacional e é desde o início, mas o senhor secretário de Estado fez afirmações induzido em erro por informações falsas. Luís Sardinha e Luís Horta mentiram descaradamente. Os erros do Conselho Nacional Antidopagem (CNAD) são grosseiros e por demais evidentes», sustentou o presidente do Benfica, ao mesmo tempo que reiterou confiança na justiça portuguesa e solidariedade com o Conselho de Justiça por «ter tido a coragem» de ilibar o jogador. Não omitam nada deste processo Filipe Vieira até diz apoiar a decisão, que anunciou Laurentino Dias, de enviar o processo de Nuno Assis para apreciação internacional, mas chama a atenção para um pormenor: «Que todas as peças processuais deste caso sejam enviadas, não tentem omitir nenhuma delas! E, já agora peçam também uma avaliação da competência técnica do próprio CNAD. Que se investigue tudo até ao fim e que os culpados sejam punidos.» O dirigente assegurou, ainda, que ninguém vai calar o Benfica neste caso. «Não pretendemos politizar esta questão, mas não nos obriguem a ir por caminhos que não queremos! Estamos abertos para um debate nacional e iremos até ao fim.» Diego vai continuar debaixo de olho DIEGO SOUZA deverá receber do treinador Fernando Santos mais uma semana para o convencer de que poderá ser útil para já. Dois bons jogos na Suíça e o revelar de qualidades técnicas estão num dos pratos da balança, contra uma partida pouco conseguida e um processo de adaptação ainda não consolidado. Com várias situações por definir, poderá até ficar. Caso contrário, será emprestado, porque nestas contas o denominador comum é o reconhecimento do seu potencial. Diego Souza justificou, para já, que Fernando Santos coninue a observá-lo...Muito se falou deste jovem jogador quando foi contratado ao Fluminense. Na altura, aparentes desinteligências ao nível directivo levaram a que a única solução fosse o empréstimo ao Flamengo. Este início de época seguiu com a equipa para estágio e é um dos jogadores que luta por convencer Fernando Santos a ficar no plantel para a próxima época. Os primeiros dois jogos de preparação na Suíça correram-lhe de feição e fizeram aguçar o apetite dos adeptos encarnados. Indicações que não se confirmaram na derradeira partida do estágio, com o Sion, o que não deixa de ser encarado com naturalidade, mantendo-se o saldo, para já, positivo. As informações que o treinador já tinha sobre o jogador confirmam-se, já que ninguém nega a Diego Souza qualidade e potencial de crescimento. Mas a definição da lista final dos 25 jogadores com quem Fernando Santos vai trabalhar ao longo da época obedece também a outros critérios, como o grau de maturação, a perspectiva de adaptação imediata ao futebol europeu e o jogo de equilíbrios nos diversos sectores do plantel. Neste contexto, Diego deverá continuar em exame, em princípio mais uma semana. Pode também acontecer que Fernando Santos admita uma possibilidade aventada no início da pré-temporada a título excepcional: a de integrar um 26.º elemento que, não estando no pelotão, tenha potencial para nele se integrar o mais rápido possível. O empréstimo é uma alternativa, pois o Benfica acredita que se trata de um jogador com futuro. Mantorras mostra-se o treinador do Benfica deu ontem oportunidade a Mantorras de integrar a equipa de prováveis titulares. No final, falou separadamente com ele, e com Marcel, dando indicações. Nos últimos três treinos de conjunto do Benfica, Fernando Santos mostrou que tem já ideias definidas para esta fase dos trabalhos, pelo menos enquanto não conta com os internacionais e com potenciais reforços. Tem mantido o mesmo onze do lado dos previsíveis titulares, praticamente sem mexidas. Ontem fez apenas uma alteração, trocando Manduca por Mantorras na frente de ataque, ao lado de Miccoli. O angolano entregou-se ao treino sem limitações. No final, Fernando Santos conversou alguns minutos com ele e com Marcel, discutindo aspectos técnicos e tácticos. Nélson de regresso Nélson tinha sido uma das ausências notadas no treino vespertino de anteontem, mas ontem regressou ao relvado. Apenas para parte da sessão, algo já previsto e enquadrado no programa específico de recuperação clínica e física. Por seu lado, José Fonte continua a recuperar de estiramento. No mais, refira-se que o treino de ontem teve uma forte componente táctica. quinta-feira, julho 20, 2006
Marcel perde terreno O treinador do Benfica, Fernando Santos, insistiu ontem no onze que ensaiou no treino da véspera e duas conclusões principais se podem tirar, mesmo que a título provisório: na baliza mantém- se a rotatividade até nos treinos; no ataque,Marcel perde espaço para Manduca. No mais, a dúvida Nuno Assis, que defrontará o Bordéus caso o parecer da FIFA seja positivo. É certo que, nesta fase, Fernando Santos se limita a fazer esboços. Porque Luisão e os internacionais portugueses ainda não chegaram; porque, pelo menos até à primeira eliminatória da Liga dos Campeões, há tempo para fazer diversos testes. Mas o certo é que o treinador encarnado praticamente repetiu no treino de ontem o mesmo onze da véspera, alterando apenas Moreira por Moretto na equipa de potenciais titulares frente ao Bordéus, sábado, na Luz. O 4x4x2 Para já, este esboço que se desenha para o jogo de apresentação aos sócios obedece a um 4x4x2. Alcides, Anderson, Ricardo Rocha e Léo na defesa; um losango no miolo com Katsouranis, Nuno Assis, Karagounis e Rui Costa, este no vértice superior e no apoio a Manduca e Micolli. Ou seja, Marcel parece estar a perder terreno na luta pela titularidade, apostando o treinador num ataque mais móvel e que pretende acutilante. No treino matutino de ontem, Fernando Santos foi muito interventivo, interrompendo o treino diversas vezes para rectificações e incentivar a assimilação de processos, sempre com vista à afinação da máquina encarnada. Rotação na baliza Mais dúvidas quanto à baliza. Não é só nos jogos que o treinador aposta na rotatividade, nos treinos também tem acontecido entre Moretto e Moreira. Está a chegar o momento da decisão e o treinador não revela preferências. E falta Quim... Nélson e José Fonte ausentes José Fonte está a cumprir um programa de tratamento e trabalho específico devido a um estiramento na face posterior da coxa esquerda, contraído no último jogo de preparação no estágio realizado na Suíça, frente ao Sion. Por isso, passou o dia de ontem entre o departamento clínico e o ginásio. Uma lesão que não se reveste de especial gravidade, pelo que, em breve, o jogador deverá regressar aos treinos sem limitações. A confirmação desta lesão muscular aconteceu depois dos exames complementares a que o central se submeteu anteontem e cujo resultado foi divulgado ontem, de manhã. Nélson abandonou o treino matinal mais cedo e não se treinou durante a tarde, numa medida de prevenção motivada pela recente operação a uma hérnia inguinal a que o lateral se submeteu. Entendemos a protecção ao CNAD... O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, dará hoje uma conferência de imprensa para reagir às declarações do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, sobre o caso de doping que envolve Nuno Assis. Mas ontem, à saída de uma reunião na Liga de Clubes, no Porto, o líder benfiquista já deixou alguns indicadores sobre qual é a sua opinião: «A vergonha é do CNAD (Laboratório Nacional Antidopagem), ele disse uma grande verdade. Era importante para o futebol português um debate a nível nacional sobre o que se passou com o Nuno Assis. Quando peritos nomeados mandam arquivar o processo e depois pessoas que nada entendem do assunto aparecem a dizer o contrário é porque alguma coisa está mal. E isto é grave», disse Filipe Vieira, para de seguida especificar mais as críticas: «O que se passa aqui é que o CNAD é um organismo do estado e há que dar alguma dose de protecção, entendemos perfeitamente uma situação dessas. Quando a verdade tem de vir ao de cima tem mesmo de vir ao de cima. Vamos até às últimas consequências. E acho bem que se diga que foi uma vergonha, porque de facto foi uma verdadeira vergonha.» quarta-feira, julho 19, 2006
... E o povo lá invadiu o treino o Benfica cedeu à pressão de mais de cinco centenas de adeptos e abriu as portas do centro de estágio para o treino vespertino da equipa. Uma medida excepcional, a colorir uma tarde quente e cinzenta, que trouxe enorme alarido a um local de trabalho que primará pela tranquilidade e privacidade. O povo venceu no round de ontem, manifestou-se alegria e pautou o treino com palmas. Hoje regressa a privacidade. Duas horas e meia antes do início do treino da tarde já havia benfiquistas com os corpos colados à cancela que controla o acesso ao centro de estágio. E aos poucos aquele transformou-se, pelo segundo dia consecutivo, um local de romaria. Os jogadores foram chegando a conta-gotas. Alguns bem cedo, aproveitando para passar o tempo na sala de convívio. Houve quem conseguisse passar por entre as pessoas sem grandes problemas. Outros lá acederam a abrir o vidro do automóvel, sendo logo submersos por dezenas de pedidos de autógrafos, por mãos, blocos e canetas em riste, fãs que nada mais desejavam que regressar à origem com um rabisco que fosse. Na véspera, os benfiquistas ficaram desiludidos por não poderem entrar. Ontem, as primeiras informações não foram nada animadoras. A maioria dos sócios continuava a não compreender que tivessem de ficar de fora, o que se percebe por ser o centro de estágio uma estrutura nova, que a todos orgulha e que todos gostariam de ver por dentro. A chuva chegou a ameaçar e o certo é que ninguém se assustou. Meia hora antes do treino a informação de que estariam autorizados a ver 15 minutos de treino. Não satisfez, mas do mal o menos. Mesmo em cima da hora a boa nova por todos esperada: havia autorização para ver o treino na bancada do relvado principal. As pessoas amontoaram-se junto a uma das portas de entrada e mal se abriram as portas parecia que vinha do céu aquele trovão de vozes de gente que se apressava para tomar o seu lugar. Os próprios jogadores se desconcertaram um pouco com tal alarido. Eram, seguramente, mais de 500 as pessoas sentadas na bancada. E cedo se percebeu que privacidade e tranquilidade eram coisas que os jogadores não teriam. A sede de bola era tanta que o treino passou a ser pautado pelo ritmo das palmas. Cada gesto mais bem conseguido, cada defesa mais apertada de Moreira, cada golo marcado entrava de imediato no mercado da intensidade das palmas. Os intervalos para se beber água provocavam o pequeno maremoto de adeptos que se debruçavam no varandim e chamavam pelos jogadores. Até água pediam aos jogadores (!), que o calor a todos fustigava, mesmo para quem estava confortavelmente sentado, como se se cansasse apenas por ver os jogadores correr. O Benfica acabou por ceder à pressão de meio milhar de benfiquistas, compreendendo que o efeito novidade os deixava em ânsia, tal como uma nova época que se aproxima e que a todos embala de esperança. Mas o ambiente de alvoroço que se viveu é a antítese do espírito de privacidade que está subjacente a um centro de estágio, pelo que não haverá mais excepções. Acordo inovador com Caixa Geral de Depósitos o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, elogiou a parceria com a Caixa Geral de Depósitos que vai muito além do naming do centro de estágio. A promoção do kit de sócio, o lançamento do cartão de crédito clube e a Fundação Benfica são outras áreas deste abrangente acordo. «Uma parceria entre duas grandes instituições», assim definiu Luís Filipe Vieira o acordo com a Caixa Geral de Depósitos que vai muito além do naming do Centro de Estágio. «A Caixa foi quem mais garantias nos deu, pelo que os benfiquistas têm de lhe estar gratos», juntou. O presidente encarnado revelou que «este inovador acordo está associado a outras iniciativas, como o cartão de crédito Benfica, a ser lançado em breve» e que será comercializado pela Caixa. Por outro lado, «esta parceria estende-se também a áreas como a promoção do kit de sócio e a Fundação Benfica, um projecto de forte intervenção social que defendemos». O acordo aguarda conclusão até ser apresentado em plenitude, sendo que o nome do Centro de Estágio poderá nem chamar-se Caixa Geral de Depósitos, antes um dos produtos da instituição bancária. Canal Benfica e «naming» da Luz O presidente falou, ainda, do processo de naming do Estádio da Luz e reconheceu que «em relação a este mandato [que termina em Outubro], deverá ficar para segundas núpcias». Já o Canal Benfica poderá ser uma realidade em breve, «sendo necessário aguardar mais algum tempo». terça-feira, julho 18, 2006
Campeões este ano LUISÃO continua de férias no Brasil e apresentar-se-á na Luz com os outros mundialistas. Mas o central já projecta a nova temporada, assumindo que um clube com o historial do Benfica não pode ficar duas épocas sem conquistar títulos. Luisão continua de férias no Brasil, enquanto não chega a hora de regressar ao Benfica. Enquanto almoçava em companhia de pessoas amigas, o central brasileiro falou rapidamente a A BOLA, mostrando-se esperançado numa época que devolva ao Benfica o caminho do título. «Sim, eu disse e reafirmo que o Benfica não pode ficar dois anos sem ganhar títulos. Temos uma boa equipa, que foi bem reforçada e estou convencido de que iremos fazer uma grande época», sublinhou. A convicção de Luisão é também reforçada pela presença de Fernando Santos, que considera ser um treinador com muita experiência e trabalho feito: «É a primeira vez que vou trabalhar com ele, mas é um técnico que dispensa apresentações. Pelo que me dizem, é muito boa pessoa. Temos todas as condições para conseguir o título.» O central não se mostrou surpreendido com a preponderância de Rui Costa. «Estou a descansar numa cidade costeira com a minha família e não vi os jogos. Mas Rui Costa pode fazer a diferença. É um grande jogador», elogiou. A nova paixão vermelha ACLAMADOS por cerca de quinhentos adeptos, que esperavam poder assistir ao primeiro treino da equipa no novíssimo centro de estágio do Seixal, os jogadores tiveram de passar por um autêntico teste à popularidade. Rui Costa arrebentou a escala, seguido de Mantorras, mas Moreira está igualmente bem cotado no coração dos benfiquistas. O entusiasmo tomou conta dos benfiquistas, que acorreram em massa ao centro de estágio do Seixal para assistir à estreia absoluta do recinto que passará a ser o local de treinos e de estágios das equipas de futebol do Benfica. Em dia histórico, foram cerca de quinhentos os adeptos, muitos deles emigrantes, que se colocaram estrategicamente junto à enorme porta de entrada do complexo desportivo, formando um corredor humano por onde os craques eram obrigados a passar, não sem antes assinarem autógrafos e ouvir palavras de incentivo proferidas com pura fé clubista. Fernando Santos deu o exemplo, sendo o primeiro a chegar ao Seixal, mas, entre os jogadores, Marco Ferreira foi o primeiro a agitar as cercanias da enorme porta de entrada do centro de estágio com a sua presença. Seguiu-se Manuel Fernandes no seu potente automóvel desportivo, com o amigo Tiago Gomes ao lado, e, logo depois, Moretto, ar circunspecto, mas claramente menos acarinhado que Moreira, decididamente mais popular junto dos sócios encarnados por estas alturas. Fenómeno de popularidade continua a ser Mantorras, cuja empatia com os benfiquistas há muito deixou de ser surpresa. Assim que foi reconhecido, gerou-se uma correria em direcção ao seu automóvel, os gritos subiram de tom e até aplausos se fizeram sentir. Vou tocar Rui Costa! Mas se o angolano pôde comprovar que em tempos de alguma conturbação na sua carreira, continua a ter um lugar especial no coração dos benfiquistas, desta vez teve de vergar-se à evidência da maior popularidade de Rui Costa, principal pólo de atracção da equipa encarnada desde que se iniciou a pré-época. O ex-jogador do Milan foi o penúltimo a chegar ao centro de estágio, pouco antes de Paulo Jorge, e esse momento fez aumentar a efervescência, resultando infrutíferas as suas tentativas de fazer ver aos seus indefectíveis fãs que a hora limite para a apresentação, 17.00 horas, estava prestes a expirar. «Vou tocar-lhe», gritava, mal conseguindo acreditar, um dos mais fervorosos, ainda o bólide de Rui Costa se encontrava a uns bons 10 metros de distância. A entrada do grande ídolo foi também o toque para a dispersão da imensa mole humana, que passaram a procurar uma posição que lhes permitisse ver melhor o que se passava lá dentro. O espaço, muito aberto, até servia os interesses dos curiosos, mas a respeitável distância só fez crescer a frustração, de resto bem perceptíveis nas declarações recolhidas pelas câmaras da televisão, de todos os que não puderam conhecer as entranhas da última grande obra da direcção presidida por Luís Filipe Vieira. Coração do Seixal bate forte com sangue encarnado As festas de São Pedro «foram um fracasso», dizia, inconsolável, Ana Santos, proprietária da pastelaria Casinha das Delícias, mesmo no centro do Seixal. Pretendia a senhora explicar que o comércio da cidade «está a morrer» e que se nada for feito a vida social e económica do coração do concelho não resistirá muito mais. E é precisamente aqui que o Centro de Estágio do Benfica pode tocar. Comerciantes e pessoas de outros sectores dividem-se entre o optimismo e o cepticismo, mas todos reconhecem que a vida do coração da cidade não mais será a mesma. A oficina encarnada ameaça mudar o dia a dia daquela antiga vila piscatória, hoje elevada a cidade e... cada vez menos piscatória. O primeiro sinal evidente de que nada será como antes apareceu ontem, dia de estreia do centro de estágio encarnado, que levou muitas centenas de pessoas a passar pelo Seixal. O problema, para muitos, é, porém, esse mesmo: as pessoas limitar-se-ão a passar. Esta é, todavia, a versão pessimista, já que A BOLA recolheu depoimentos muito mais optimistas. Aqueles que acreditam que a oficina do Benfica não deixará morrer o coração do Seixal, ferido que está pela construção de grandes superfícies e, como foi dito por quase todos, pelo acesso difícil ao centro do concelho, que só pode, praticamente, ser feito de automóvel, dado que o barco, depois de ter mudado de instalações, já não entrega os seus passageiros na baixa seixalense. Os cépticos Turismo, pouco, muito pouco mesmo. Ainda assim, para azar de A BOLA, algum. «Não sou daqui, nem sei onde é que fica o centro de estágio... Vim só passar férias», justificou o primeiro alvo, falhado, da nossa abordagem. Seguimos então caminho. Ana Santos, proprietária da pastelaria Casinha das Delícias, situada na principal rua de comércio do Seixal, acedeu, porém, a falar, queixando-se da crise e palpitando por bons reflexos da obra encarnada: «Não sei se as coisas melhorarão, mas se continuarem assim vai tudo por água abaixo. Espero que o Benfica traga gente para aqui, porque estamos mesmo a precisar. O problema é que quem tem carro não pára e quem vem de barco fica longe daqui. Estamos a morrer a pouco a pouco.» Susana Marques, face — que a custo aceitou tirar fotografias, tal a timidez — de uma loja dos 300, disse também que não era a pessoa indicada para falar sobre o assunto, mas tinha, afinal, uma opinião. Só que não era das optimistas. «Eu, pessoalmente, não acredito em grandes mudanças. Quem vem para o centro de estágio não pára aqui, vem de passagem...», explicou. À frente dela, estava a Sapataria Madalena. E as expectativas de Maria Madalena, que se queixava de ficar «sempre mal nas fotografias», não eram melhores. «Não sei se esta parte velha será beneficiada. Isto está a morrer. Falta sinalização para o centro de estágio. Ainda por cima tiraram-nos o barco...», disse, com nostalgia. Os optimistas Avançámos na avenida e encontrámos o minimercado Rosinha, ganha pão de Rosa Gonçalves. E as expectativas alteraram-se: «Julgo que vai ser muito bom para nós, ainda por cima eu sou do Benfica! Mas será também um apoio às crianças, que terão um local para se dirigirem e enveredarem pelos bons caminhos. Vão poder ver os ídolos!» Rosa Gonçalves que nem pestanejou perante a hipótese de posar para a fotografia à frente do estabelecimento e anunciar que «aos domingos» vende A BOLA. «Os outros sítios estão todos fechados, por isso... E se calhar até vou passar a vender mais!», exclamou, antes de passar a... bola ao rival da venda de jornais. Na Tabacaria Catraio, Francisco Félix mostrou-se intransigente. «Não me tirem fotografias! Não tirem, não tirem! Tirem à loja, mas a mim não!», pediu. E assim foi. Quanto a palavras, não se negou: «Pelo que vi penso que a vinda do centro de estágio não terá um grande impacto, mas, ainda assim reconheço que há algum entusiasmo. Está é distante do centro. O que pode trazer realmente coisas boas para nós são os fogos de habitação, 1200, que irão nascer lá perto. Serão mais alguns milhares de pessoas...» Mais confiante, muito mais, estava o jardineiro sportinguista da autarquia, José Laginha, ele, que trabalha tantas vezes com o verde bem tratado do jardim do Seixal. «Penso que sim, que o Benfica vai fazer com que as coisas melhorem por aqui. Acredito nisso, bastante», afirmou, antes de acrescentar um vincado aceno de cabeça quando uma colega de profissão se aproximou e comentou: «O futebol está na moda!» E a senhora partiu, sem que dissesse o nome. segunda-feira, julho 17, 2006
Quero equipa a funcionar à Rui Costa DIRECTO, frontal, sem fugir ou rodear nenhuma questão. Eis Fernando Santos no balanço do estágio de pré-temporada, realizado na Suíça, que ontem terminou. O treinador do Benfica deixou bem claras as suas ideias sobre o que pretende para a equipa encarnada, tanto no âmbito de reforços (mais três jogadores), como nas saídas de Manuel Fernandes e Simão, casos que espera ver resolvidos rapidamente. Dia 22, no jogo de apresentação aos sócios, espera ter o plantel «praticamente» fechado. E não tem dúvidas sobre a forma como quer ver os jogadores empenhados: que sigam o exemplo de Rui Costa. Foi ainda na Suíça, logo após o jogo com o Sion, que Fernando Santos efectuou o balanço do estágio de 13 dias realizado em solo helvético. Para o treinador encarnado chegou a hora de tomar decisões a vários níveis. — Os 13 dias na Suíça foram suficientes para formar a sua opinião sobre quem fica e quem sai do plantel? Já pode avançar nomes? — Não o farei, como compreendem, sem falar primeiro com os jogadores e com a administração da SAD e com José Veiga, o que farei ainda hoje ou amanhã [anteontem, ou ontem]. Pretendo expor as minhas ideias e depois segunda-feira farei o mesmo em relação aos jogadores. — Mas já tem ideias definidas sobre esse assunto? — Sim, claramente definidas. Tenho uma opinião formada em 99 por cento daquilo que deve ser o plantel do Benfica para esta época, que é uma temporada em que queremos vencer as provas em que entramos. — Está já a contar com os reforços que possam ainda chegar? — Sei que a SAD está a fazer tudo para construir uma boa equipa e para apresentar, no dia 22, o plantel praticamente completo. Dentro de oito dias também estarão jogadores que não participaram neste estágio, casos de Luisão, Petit, Nuno Gomes... — E Simão? — Sim, também. Até agora ele é jogador do Benfica e ainda continuamos a contar com ele e com os outros que aqui não estiveram e aguardamos que os jogadores que se lesionaram, o Léo, o Manuel Fernandes e o Alcides, recuperem depressa. — (...) — Mas estes são os jogadores com que já contamos, quanto a reforços esperamos ainda ter possibilidades de contratar mais dois ou três jogadores. — Para que posições? — Creio que temos necessidade de encontrar um avançado, com características diferentes dos que temos actualmente. Temos necessidade de encontrar uma opção clara a lateral esquerdo, isto porque neste momento as opções Nélson ou Tiago Gomes não constituem totalmente aquilo que eu quero e por isso sinto que será bom encontrar um lateral esquerdo que seja alternativa ao Léo, porque se o Nélson faz muito bem o corredor direito, na esquerda apresenta algumas dificuldades naturais. Penso que há outro jogador que pode trazer coisas muito positivas para o Benfica e tive pena de não ter contado com ele durante este estágio: estou a referir-me ao Nuno Assis. Conto com ele para o futuro e estou muito satisfeito pela vitória que ele teve na justiça no processo de doping... — (...) — Relativamente ao lado esquerdo do meio campo, se fosse possível, gostava igualmente de encontrar mais alguém para aquele sector. Isto porque entendo que o Benfica deve ter um plantel muito competitivo, se possível dois jogadores para cada posição, para dar competitividade. Ao longo da época a equipa pode evoluir graças a essa concorrência interna e é isso que vamos procurar fazer. — Simão e Manuel Fernandes: gostava de ver as situações deles resolvidas rapidamente? — Sim, claro, é o melhor! Acho que em cima da ponte, como se costuma dizer, não serve, e já tive oportunidade de dizer isso a algumas pessoas. Ou se vai para um lado ou para o outro. Ou é sim ou não, o nim é a pior coisa que pode haver para a equipa e para o Benfica também. Contar com os jogadores e depois deixar de contar não traz qualquer benefício. É preferível resolver definitivamente esta questão. — O Benfica irá manter-se fiel ao 4x4x2 ou com a eventual chegada de mais jogadores poderá evoluir para outro modelo? — Creio que face às características dos jogadores que o Benfica tem não existem muitas soluções para mudar. Se calhar em vez do losango podemos usar um 4x4x2 mais clássico, mas como não temos extremos claros, e como temos de apostar numa solução ofensiva, penso que este é efectivamente o melhor modelo de jogo para esta equipa. Isto porque permite ter Rui Costa mais livre de acções defensivas porque depois existem três jogadores encarregues de criar grande força no meio-campo para o libertar. O desejo é que depois os alas saibam apoiar o meio-campo e o ataque. Durante os jogos no estágio houve ocasiões em que isso saiu bem, outras menos bem. O Léo, por exemplo, é um lateral que faz isso muito bem, aparece no ataque, na linha de fundo e com possibilidades de cruzamento. No lado direito tanto o Alcides e o Nelson fazem isso também, mas quando não temos Léo temos mais dificuldades no nosso jogo. E para a equipa ser ofensiva temos de assumir claramente que os nossos dois laterais têm de se disponibilizar para subir no campo e ajudar nas tarefas ofensivas. Mas naturalmente que se tivesse outras opções estudaria a hipótese de alterar o modelo base da equipa em termos de posicionamento de campo. — O Benfica procura, portanto, um lateral bastante ofensivo... — Procuramos um lateral que saiba defender, mas que tenha características ofensivas. — Katsouranis chegou com o rótulo de jogador de características defensivas, mas nestes jogos desempenhou outras tarefas... — Há jogadores que não estão ainda no Benfica, e com outros jogadores poderei voltar a colocar Katsouranis no vértice mais recuado do meio campo, em missões defensivas. Alterei o seu posicionamento porque entendi existir a necessidade de verificar como é que a equipa funcionava jogando de outra forma, jogando com ele do lado direito. É nesta fase da época que temos de fazer mudanças, experiências e analisar todas as questões. — Marco Ferreira a lateral direito é para continuar? — Jogou nessa posição para lhe dar minutos de competição. Nunca pensei nele para jogar nesse sector, mas era importante dar-lhe tempo de jogo e tendo em conta que temos outros que actuam no meio-campo, como o Manu ou o Paulo Jorge, pareceu-me que a oportunidade para o observar seria colocá-lo numa ala onde ele podia actuar de acordo com as suas características, que são as de extremo clássico. — Sente que Paulo Jorge ainda está inibido? — Ele chegou mais tarde que os outros e ainda não está à vontade nem na melhor forma física. Não é propriamente como o Rui [Costa], que chega e para ele é tudo normal. Agora para um miúdo que dá o salto existe alguma inibição, sem dúvida. — Karyaka parece estar com a cabeça longe... — Faz parte desta estrutura. E aquilo que pretendo é que toda a equipa funcione à Rui Costa, ou seja, em termos de capacidade (porque em termos de capacidade técnica não é fácil imitar Rui Costa, embora seja possível tentar lá chegar), de empolgamento, de Benfica à Benfica, de uma equipa que quer ganhar sempre e que não aceita de maneira nenhuma um resultado menos bom. — Diego é uma opção válida? — Temos de ponderar bem. Nos dois primeiros jogos mostrou coisas positivas, no último com o Sion sentiu algumas dificuldades... vamos pensar bem. — Rui Costa foi capitão. Continuará a desempenhar essa tarefa? — Até dia 22 serão Rui Costa e Ricardo Rocha os capitães. Depois, quando estiverem todos, vamos decidir. Frieza na chegada ao calor de Lisboa OS adeptos do Benfica não ocorreram ao Aeroporto da Portela a fim de receberem a comitiva do clube, que cumpriu 13 dias de estágio na Suíça, mas também jogadores, treinadores e dirigentes chegaram demasiado cansados e ansiosos por reencontrar lares e famílias para que o momento fosse mais intenso. Temperaturas altas, pois, somente no exterior da aerogare, pois o sol brilhava com intensidade quase insuportável, ou não assinalassem os ponteiros do relógio as 13 horas. O avião com proveniência de Genève, Suíça, chegou a Lisboa um pouco depois das 12.30 horas, mas os primeiros rostos familiares só meia hora depois começaram a aparecer na porta de desembarque das chegadas. José Veiga e Fernando Santos vinham próximos, mas logo se separaram. O director-geral virou à esquerda, seguindo rapidamente na direcção do parque de estacionamento, enquanto o treinador seguiu, em passada tranquila, o caminho do autocarro do Benfica, estacionado perto, mas fora da zona mais confusa do aeroporto. Jorge Rosário, um dos adjuntos de Fernando Santos, acabou por passar o seu líder, também atrasado pela boa educação. Travou um pouco a sua passada para dizer aos jornalistas que não iria prestar declarações e, depois, despedindo-se amavelmente, prosseguiu caminho. Depois, os jogadores. Um a um, tranquilamente, mas em silêncio e com os rostos muito fechados, cumpriram a centena de metros em direcção ao exterior. Uns ao telemóvel, como foi o caso de Rui Costa, que tinha à sua espera o pai, Vítor Costa, e o filho mais novo, Hugo Costa, outros apenas concentrados em atingir o transporte. Na ausência da viatura principal, que fazia a ligação Suíça-Portugal, aguardava-os um autocarro já com várias anos de circulação, aquele que para um punhado de jogadores do plantel ainda é familiar. Ali perto, junto a essa viatura, já não se ouvia o burburinho das pessoas — os adeptos do Benfica, como referimos, não ocorreram em número significativo, mas entre a plateia que aguardava familiares e amigos de destinos vários, estavam, certamente, algumas dezenas —, mas sentia-se já o bafo quente e tórrido das 13 horas. O sol brilhava com intensidade, quase insuportável, a maioria dos jogadores já se encontrava abrigada, mas uns poucos ainda resistiam no exterior, ao calor, só para dar uma alegria aos adeptos que, entretanto, se aproximavam. A sessão de autógrafos do costume, dominada por Rui Costa. Minutos depois, o autocarro arrancava, rumo à Luz, onde se encontravam as viaturas dos jogadores, que seguiram para os seus lares. O calor lisboeta contrastava com uma chegada fria, de quem estava cansado de quase duas semanas de trabalho intenso e de uma viagem de duas horas e meia e só pensava num outro calor, aquele que vem do seio das suas famílias. domingo, julho 16, 2006
É melhor cometer erros agora Rui Costa continua a ser o jogador mais procurado pelos adeptos e, verdade seja dita, tem correspondido com exibições à medida do seu estatuto às manifestações de carinho que tem recebido. Ontem, após brindar o público com exibição de encher o olho, a estrela encarnada desdramatizou, no flash-interview da RTP, a primeira derrota sofrida pela equipa de Fernando Santos, apontando o jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões como o momento verdadeiramente importante para a equipa. «Foi um teste importante porque cometemos erros. E esta é a melhor altura para os cometer porque temos tempo de os emendar até ao primeiro jogo oficial da época», afirmou, evidenciando, quase inadvertidamente a sua longa experiência nestas andanças. Na mesma linha de pensamento que o seu treinador, Rui Costa atribuiu, igualmente, as dificuldades encontradas ao cansaço provocado por duas semanas de intenso trabalho: «É natural que as pernas estejam ainda um pouco pesadas. Foram duas semanas de treinos intensos e os efeitos fizeram-se sentir hoje.» Derrota é normal A este respeito, Rui Costa reforçou ainda: «Também é normal não jogarmos tão bem frente a equipas que têm a preparação mais avançada que nós, como é o caso do Sion, que inicia a participação no campeonato suíço na próxima quarta-feira.» Já virado para os compromissos oficiais, que terão início no próximo mês, Rui Costa salientou a importância do jogo que as águias vão disputar no início de Agosto e que determinará a presença, ou não, da equipa na Liga dos Campeões. «Ainda estamos a criar mecanismos, mas acredito que no primeiro jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões estaremos mais entrosados. Não podemos falhar nesse jogo, vai ser muito importante para o Benfica», concluiu. Voltar a marcar doze anos depois O golo marcado ao Sion fica na história como o primeiro de Rui Costa desde que regressou ao Benfica. O anterior data de há doze anos, mais concretamente de 22 de Maio de 1994, num jogo em que o Benfica recebeu o União da Madeira. Os encarnados venceram por 1-0, com o tal golo de Rui Costa a fazer a diferença. Itália haveria de atravessar-se depois entre o menino querido dos benfiquistas e o clube do coração, mas o regresso não podia ser mais empolgante! Para ele e para os adeptos. Alguém vai ter de pagar Acabou a agonia para Nuno Assis. O Conselho de Justiça da FPF arquivou o processo em que estava envolvido na sequência de um controlo anti-doping positivo, acabando por dar razão aos argumentos do jogador, que sempre clamou por inocência. Assis queixa-se de que ninguém lhe conseguirá devolver os meses que esteve sem competir, vai exigir responsabilidades, mas está feliz por tudo ter terminado. — Como se sente agora que o caso de que era alvo por doping ter sido arquivado? — Senti uma tremenda sensação de alívio, pois passei seis ou sete meses muito complicados. Feliz ou infelizmente deram-me razão, é pena que tenha sido só agora. Em Portugal é assim, deixa-se andar e depois quem paga... neste caso fui eu. É bom ter sido absolvido, não vou limpar a minha imagem completamente, mas sem dúvida que é muito bom ver chegar este processo ao fim. Agora vamos ver quem mais vai sofrer consequências. — Vai mover algum processo contra quem o obrigou a estar todo este tempo sem jogar? — Já paguei por uma coisa que não fiz e agora alguém vai ter de pagar por tudo o que me fizeram passar. Quando chegar a Lisboa vou conversar com o meu advogado e analisar o que vamos fazer. Espero que o meu caso seja um exemplo para que não se repitam outros processos. Mas não desejo a ninguém aquilo por que passei. — Acreditou sempre que lhe seria dada razão? — Houve uma certa altura em que praticamente perdi as esperanças de ser despenalizado. Nunca pensei que uma coisa destas me pudesse acontecer, no fundo sabia que tinha a razão do meu lado mas era difícil provar que estava certo. — Como andou o seu estado de espírito durante estes meses? — No princípio, não se tem noção do que é isto. É muito complicado não só para mim, mas para a minha família. As únicas alturas do dia em que não pensava nesta situação era quando estava a treinar-me, em que procurava divertir-me e fazer o que mais gosto, que é jogar à bola. — Os seus pais sempre acreditaram em si, como é que eles se sentem agora? — Eles não tinham noção do que isto era, andavam um bocadinho à toa... toda a gente perguntava o que se passava e como não sabiam explicar foi difícil para eles. Já falei com eles, ficaram muito contentes, pois não estavam à espera de outra coisa. Estão muito contentes. — Sente que a sua imagem ficará irremediavelmente manchada... — Hoje já não será tanto como antes, em que ninguém tinha a noção do que isto era. Sinto por isso o dever de agradecer a todos os que me apoiaram, de Andrade e Sousa ao José Veiga, ao presidente e ao doutor João Paulo Almeida. Quanto à minha imagem, estou tranquilo porque sei que nada fiz. Se alguém me quiser picar nos jogos, e haverá de certeza desafios onde isso acabará por acontecer, terei de ouvir e calar, não tenho qualquer problema nisso. Sempre andei na rua normalmente e nunca tive qualquer problema, sempre fui apoiado. Sei de colegas que passaram por situações idênticas e quase não conseguiam sair de casa, passaram muito mal. Eu ia a locais públicos, a ver jogos, e sempre sem problemas. — Está pronto para dar a volta por cima e tentar conquistar um lugar na equipa? — Pior época que aquela que tive é impossível. Agora sinto que as pessoas confiam em mim, estou a trabalhar e quero recuperar o tempo perdido, embora ninguém me consiga devolver esses meses. O que mais quero é desfrutar do que mais gosto de fazer, e ter prazer em fazê-lo... porque nunca se sabe o que pode acontecer no futuro. — Sente que está neste plantel como Rui Costa estava para Kaká no Milan, uma vez que é visto como seu suplente? — Creio que no futebol actual esse conceito já não existe, todos os jogadores são compatíveis. A decisão de jogar ou não pertence ao mister... Manuel depende de Manuel Já não há qualquer dúvida sobre a proposta do Portsmouth para a contratação do médio Manuel Fernandes: o clube inglês oferece ao Benfica qualquer coisa como 8,5 milhões de euros pelos 50 por cento do passe detidos pelos encarnados e ao jogador um salário muito acima do actual. Ir para Inglaterra só depende agora do jogador. É o que se conclui reunindo todos os dados. Ainda na noite desta última sexta-feira, o presidente do Benfica, Filipe Vieira, não podia ser mais claro. «Se Manuel Fernandes quiser sair que o assuma aos sócios; se quiser ficar, fica», disse Vieira na assembleia geral do clube. A estratégia do líder da Luz é deixar nas mãos do jogador a despesa da decisão, sendo certo que o Portsmouth está disposto a pagar ao Benfica qualquer coisa como 8,5 milhões de euros pelos 50 por cento do passe detidos pelos encarnados e que essa verba é muito bem-vinda aos cofres da Luz. O Portsmouth quer, o Benfica tem de o vender (por força também do acordo com o tal fundo de investimento) e só Manuel Fernandes pode fazer fracassar a transferência. A BOLA sabe que o jovem jogador tem algumas dúvidas sobre deixar a Luz. É legítimo que Manuel Fernandes tivesse expectativa de sair para um clube europeu de maior dimensão. Segundo fontes próximas do jogador, Manuel Fernandes hesita por receio de ter de ficar no Portsmouth mais tempo do que desejaria. A verdade é que jogando na Premier League, o jogador coloca-se num palco mais próximo dos grandes clubes ingleses. Ficando no Benfica, consideram algumas fontes próximas do jogador, o cenário não é propriamente cor-de-rosa: Petit e Katsouranis estarão provavelmente à frente do jovem médio e isso poderá significar jogar muito menos do que nos dois últimos anos. Apesar disso, A BOLA sabe também que, no estágio na Suíça, têm sido feitas várias tentativas para convencer Manuel Fernandes a manter-se, pelo menos, mais uma época no Benfica. sábado, julho 15, 2006
Cansado mas feliz! Regressado a casa 12 anos depois, Rui Costa esteve ontem na sala de imprensa para expressar as sensações dos primeiros dias de trabalho. Cansado mas muito feliz, o maestro discursou com a mesma elegância com que joga e deixou claro que continuar a ser ou não capitão do Benfica, como tem acontecido durante o estágio, é algo que não o preocupa. A sua braçadeira é a do inesgotável carinho e respeito dos adeptos e a sua motivação é ajudar o clube que sempre amou dentro e fora dos relvados. Sempre muito bem-disposto, brincalhão, sorridente, disponível, com um discurso equilibrado e ao mesmo tempo apaixonado. Foi assim, igual a si próprio, que Rui Costa respondeu às questões dos jornalistas. — Como é que tem vivido estes primeiros dias de trabalho depois do regresso ao Benfica? — Bem, muito feliz. Cansado, como é normal, mas isso estamos todos, faz parte deste período. É um cansaço feliz, aquele cansaço que esperava há muitos anos. E a motivação de estar aqui faz-me ultrapassar isso. — Como se sentiu como capitão do Benfica pela primeira vez, no jogo com o Shakhtar Donetsk? — Fui capitão do Benfica há 12 anos, dez minutos, num jogo em casa. Foi o meu pai que me lembrou disso (risos)... Sinto-me contente por poder estar aqui, por poder participar, por fazer parte deste grupo e deste clube. Essa satisfação é igual sendo ou não sendo capitão. Aquilo que eu conquistei foi o respeito e a admiração que as pessoas têm por mim por eu ser do Benfica e todos saberem que estou no clube que sempre amei. Essa é a minha maior braçadeira, o respeito e o carinho que as pessoas me transmitem. Para ser capitão do Benfica não é necessário ter uma braçadeira. — Mas as funções de capitão são para manter ao longo da época? — Eu acho que o mister Fernando Santos foi claro quando disse que tinha escolhido os capitães para o início de época, para este estágio, e as funções seriam divididas entre mim e o Ricardo [Rocha]. Creio que a escolha terá sido feita pelos anos de clube e pela responsabilidade que podemos ter com o grupo. Mas isso não interfere minimamente no meu comportamento com os colegas e com todo o ambiente. Ser ou não ser capitão não me estorva nada e sinceramente nunca pensei em ter de ser o capitão do Benfica. É indiferente. O que não me é indiferente é poder ajudar no que puder, dentro e fora do campo. Para isso não é necessário ter uma braçadeira de capitão, não me parece que seja o mais importante. Não digo que não fiquei contente por ter sido capitão naquele jogo, mas não penso muito nisso. — Simão tem sido o capitão do Benfica... — O Simão é o capitão do Benfica, não vale a pena estar a repetir o que já disse. Fui escolhido para capitão no último jogo mas isso não quer dizer que tenha sido um pedido meu ou que seja intenção do Benfica fazer-me capitão. Como já disse, não é uma coisa que me preocupa, não quero saber. Hoje o capitão é o Simão e pelo que sei tem feito um óptimo trabalho como tal. Depois do Simão temos o Nuno Gomes, o Ricardo [Rocha], o Petit, temos muita gente que pode liderar o grupo e portanto isso não é de maneira nenhuma o meu objectivo. Emoção quando jogar na Luz — Como será entrar no Estádio da Luz para jogar pelo Benfica? — Será muita emoção e orgulho por ter voltado a casa com a admiração e carinho das pessoas. — O que pode dar ao Benfica? — Darei ao Benfica tudo o que tenho para dar ao futebol. Eis que surgem Diego e Miccoli Último desafio de preparação deste estágio, mais uma oportunidade para Fernando Santos incutir na equipa a sua filosofia de jogo. E esta noite, em Fribourg, frente ao Sion, Miccoli deve estrear-se e Diego Souza terá oportunidade de aparecer na primeira equipa. Na véspera do regresso a Lisboa, os encarnados despedem-se da Suíça apadrinhando a apresentação da equipa do Sion, de Carlitos e João Manuel Pinto, vencedora da Taça deste país na última época. Embora não sendo um adversário tão exigente como o Shakhtar (adversário da passada quarta-feira), é mais uma oportunidade para Fernando Santos observar como estão os jogadores a assimilar as suas ideias, para perceber se o modelo trabalhado com exaustão resulta num bom aproveitamento prático. E tudo indica que o treinador já se prepara para fazer alinhar Miccoli, avançado que esta semana integrou o estágio depois de acertada a sua transferência com a Juventus. O italiano tem feito treinos bastante intensos, tendo em conta que chegou mais tarde que o restante grupo, mas já mostra disponibilidade física e certamente Fernando Santos não desdenhará a hipótese de observar as suas movimentações na companhia de Marcel, ponta-de-lança que também poderá beneficiar com a presença de um jogador mais móvel nas suas costas. Outra novidade deste jogo poderá prender-se com a presença de Diego Souza no lugar que Beto ocupou no desafio de quarta-feira, contra os ucranianos. O jovem brasileiro tem sido uma das boas revelações deste estágio, já foi elogiado por Fernando Santos e não será estranha a entrada no onze que mais se aproximará daquele que o treinador pretende constituir como base para a época que aí vem. Depois há dúvidas para esclarecer, face às lesões que começam a surgir: Moreira será novamente titular, mas é possível que Bruno Costa tenha uma oportunidade, uma vez que Moretto voltou para Lisboa. E falta saber se Alcides recupera. Benfica é a minha segunda pátria O regresso de Miccoli foi uma alegria para os adeptos. Para o jogador foi simplesmente fantástico sentir que na Luz estavam dispostos a fazer tudo para que não deixasse de vestir a camisola da águia. «O Benfica é a minha segunda pátria», disse o italiano ao site Goal.com. A entrevista é extensa e o Benfica o assunto principal. «Estou maravilhosamente bem no Benfica. Tem gente fantástica, adeptos estupendos e é um grande clube. O estádio é magnífico, provavelmente o mais bonito onde joguei», diz. O avançado falou ainda na possibilidade de continuar no seu país — a conversa aconteceu antes de assinar pelo Benfica —, mas sempre com o Benfica no pensamento: «Não restem dúvidas, gostava de continuar em Itália. Amo muito a minha nação; aqui vive a minha família e todos os meus amigos. Senti nostalgia por estar longe de casa, apesar de ter sido uma experiência fantástica. Caso não continue aqui, considero uma única alternativa; o Benfica. Para mim existe só o Benfica, é a primeira escolha.» Miccoli referiu ainda que também em Portugal a pressão é grande, lamentando apenas que só «o Benfica, o FC Porto, o Sporting e o Boavista garantem um bom espectáculo». 200 mil sócios no próximo ano OS sócios do Benfica aprovaram ontem, em Assembleia Geral, o orçamento para o próximo exercício, em que se prevê um lucro de 300 mil euros. Menos do que no último exercício porque o centro de estágios vai implicar custos acrescidos de 720mil euros para o clube. De destacar a continuada aposta nas modalidades (5,8milhões de euros) e o aumento das receitas com quotização. Até Julho do próximo ano a Direcção espera por mais 50 mil sócios, ultrapassando-se os 200 mil. A proposta de orçamento e plano de investimentos para o Benfica (não a SAD) contém cinco pontos: saldo positivo de 307.903 euros; crescimentos de receitas em 16 por cento; receita de quotas acima de 14 milhões de euros; auto-sustentação das modalidades; forte investimento nos sistemas de informação. No final, apenas um dos mais de cem associados presentes na Assembleia Geral se absteve. Centro de estágio custa 1,8 milhões Em termos gerais, o Benfica, clube, vai gastar cerca de 28,5 milhões de euros. Menos 300 mil euros do que as receitas previstas, ou seja, será mais um orçamento com lucro. Em relação ao último orçamento, há uma diminuição substancial da previsão de lucro e a explicação é simples: o Centro de Estágio do Seixal vai ter encargos no próximo ano de 1,8 milhões de euros, sendo que 60 por cento são suportados pela SAD e 40 pelo Benfica, clube. Ou seja, cerca de 720 mil euros. Mais 50 mil sócios O aumento da quotização em 17,3 por cento, para valores acima de 14 milhões de euros é uma das metas traçadas e que assenta na convicção do aumento de 50mil novos sócios até Julho do próximo ano. Ontem, às 12 horas, o número era de 151.464, dos quais cerca de 136 mil pagantes. Dentro de um ano o número previsto é de 200 mil. «Namings» Também a questão dos namings terá um papel relevante, com mais de um milhão de euros de proveitos, confirmando-se a notícia de alguns meses de A BOLA quanto aos acordos celebrados com EDP e Vodafone para darem o nome, respectivamente, ao Pavilhão 2 e piscinas. Modalidades em alta O Benfica prevê gastar nas modalidades 5,8 milhões de euros, apostando forte nas mais tradicionais, com o objectivo de formar e competir em condições de ganhar. O objectivos da sustentabilidade está alcançado, com receitas de 5,8 milhões (naming, quotização, lucro das piscinas, patrocínios e publicidade, bilhética, outros). sexta-feira, julho 14, 2006
Recandidate-se! um grupo de 40 benfiquistas jantou ontem com o presidente do Benfica para lhe pedir que se recandidate às eleições de Outubro próximo. Um jantar que surpreendeu o próprio Filipe Vieira, que apenas esperava um encontro informal. O líder encarnado ouviu elogios, um pedido claro e deu as suas explicações em privado. Aos jornalistas reconheceu o seu papel no Benfica, que não gostaria de deixar o trabalho a meio, mas terá de pensar bem. Em nome da família, dos negócios e de uma maneira de estar no futebol que pretende que seja diferente. Filipe Vieira recebe incentivo de Fernando SearaLuís Filipe Vieira foi apanhado de surpresa quando chegou ao restaurante Las Brasitas. Pensava que iria para um jantar de negócios com seis pessoas e ele próprio tinha marcado mesa de manhã, mas à sua espera estavam não meia-dúzia mas perto de 40 convidados, além da presença de alguns jornalistas. O líder benfiquista começou por não achar muita piada «mas quando se está com amigos tudo se aceita», reconheceu o próprio. O facto de não querer retirar protagonismo ao lançamento da nova campanha de angariação de sócios (que decorrera de manhã) também contribuiu para o torcer de nariz inicial. O presidente encarnado esteve mesmo para se ir embora mas Brás Frade, ex-dirigente, demoveu-o e Filipe Vieira lá regressou. Primeiro de rosto cerrado, depois abrindo o sorriso à medida que cumprimentava pessoas que, afinal de contas, lhe são queridas. Pessoas como Manuel Vilarinho, Fernando Seara, Ferreira Queimado, Domingos Soares Oliveira, Telmo Correia, Rui Cunha ou Jo Berardo. Apelo de Móia Carlos Móia foi o anfitrião e leu uma mensagem em nome de todos os presentes e, acreditam, da esmagadora maioria dos benfiquistas. «Onde estava o Benfica há meia dúzia de anos? À beira do abismo. Filipe Vieira chegou de rompante para colocar o clube no lugar a que tem direito. Ganhou o campeonato da credibilidade, desviando o Benfica da bancarrota.» Feito o elogio, veio o apelo: «Todos sabemos do sacrifício pessoal, familiar e profissional do presidente. Mas, em nome dos benfiquistas, pedimos-lhe para alargar esse sacrifício em nome da gloriosa história do Benfica. A missão não está esgotada.» Vieira agradece O presidente ouviu e pediu aos jornalistas para abandonarem a sala por entender que deveria ser privada a resposta. À saída do restaurante, lá admitiu que o jantar fora uma surpresa, mas o certo é que não deu resposta pública a uma possível recandidatura. Apenas avança com reflexões: «Fiquei bastante feliz por este gesto, mas não me quero alongar. Sei o que represento para os benfiquistas mas por vezes as pessoas têm dificuldade em perceber o que é estar no futebol, onde até parece que pessoas que fazem crimes são homenageadas.» Uma pausa e mais uma reflexão: «Não gostava de deixar o trabalho a meio mas têm de entender que também tenho família, negócios e uma maneira própria de estar no futebol»... Qualquer decisão parece ficar para bem mais tarde. Águia de Ouro para Filipe Vieira OS sócios do Benfica devem votar hoje a atribuição da Águia de Ouro a Luís Filipe Vieira. O presidente será o 37.º a receber o mais alto galardão do clube. De resto, em 33 presidentes, apenas 10 receberam a Águia de Ouro e, desses, só cinco em exercício de funções. Na festa da conquista do título, em 2004/05Algumas centenas de sócios juntaram assinaturas e foi entregue ao presidente da Assembleia Geral o pedido de apreciação e votação da atribuição da Águia de Ouro a Luís Filipe Vieira. Esse é, de resto, o terceiro ponto da ordem de trabalhos da Assembleia Geral que terá lugar esta noite, a partir das 20 horas, no camarote presidencial do Estádio da Luz. Uma vez que bastam 50 por cento dos votos para a proposta ser aprovada, não custa pois antecipar uma vitória anunciada da proposta e a entrada do presidente para o restrito leque dos que receberam ao longo de mais de cem anos de história o galardão máximo. Uma distinção honorífica atribuída a quem tenha revelado excepcionais méritos em prol do Benfica. Décimo presidente galardoado, apenas o quinto em funções Filipe Vieira deverá ser o 37.º a receber a Águia de Ouro. E da lista, contando com Vieira, constam apenas 10 dos 33 presidentes da história do Benfica. Com um reparo: Ferreira Bogalho recebeu o galardão em especial pelo excelente trabalho desenvolvido na reestruturação da estrutura financeira do clube, sendo que só mais tarde foi eleito presidente. Dos outros, apenas quatro receberam a distinção em exercício de funções: Maurício Vieira de Brito; António Borges Coutinho, José Ferreira Queimado e Fernando Martins. Filipe Vieira poderá ser o quinto. Por seu lado, Manuel da Conceição Afonso e Adolfo Vieira de Brito receberam a Águia de Ouro entre diferentes mandatos, enquanto Manuel Vilarinho, Fezas Vital e Júlio Ribeiro da Costa viram o seu trabalho reconhecido após termo de mandato. O caso de Júlio Ribeiro da Costa é mesmo curioso, já que foi presidente entre 1938 e 1939, tendo acumulado mais de quatro décadas de serviços ao Benfica em diversas funções e missões, e foi distinguido pelos consócios em 1991, um ano antes da sua morte. Ele que já tinha chegado a sócio número um com 94 anos. Os sócios têm hoje a palavra, embora a altura do ano não convide a uma presença massiva, os actuais corpos sociais poderão ficar com dois águias-de-ouro: Filipe Vieira e Mário Dias. Fórmula Karagounis Katsouranis Graças a Fernando Santos, o meio-campo encarnado será esta época preenchido por dois internacionais gregos, campeões da Europa a nível de selecções, jogadores com experiência reconhecida. Karagounis e Katsouranis entendem-se na mesma língua, mas também ao nível das ambições as personalidades comungam ideias: desejam vencer na Luz em todas as competições e começam desde já a mostrar bons pormenores no relvado, correspondendo às exigências do modelo táctico escolhido pelo treinador. No jogo com o Shakhtar Donestsk foram eles que colocaram o marcador em marcha e dos que mais se evidenciaram na equipa. Karagounis tem-se mostrado mais extrovertido, mais sorridente, talvez por já conhecer todos os companheiros e por já se expressar num português entendível. Katsouranis é mais reservado, mas afinal também acabou de chegar, está ainda em fase de reconhecimento. Mas ambos demonstram que a fórmula K está aí para durar! Karagounis Foi o meu golo mais bonito — Pela segunda época na Luz, Karagounis realiza o seu primeiro estágio e tem recebido instruções de Fernando Santos para jogar como médio esquerdo. Tem correspondido e já marcou um golo que o próprio considera dos mais bonitos da sua carreira. — Na última temporada acabou por não jogar tanto como pretenderia. Jogará com mais regularidade esta época? — Assim espero. É para isso que aqui estou e também para ajudar o Benfica a vencer o campeonato e fazer boas coisas na Europa, tal como já aconteceu na época passada. — O que acha que lhe correu mal na época de estreia no Benfica? — Cheguei quando o campeonato já tinha começado, e depois tive um problema num pé que me limitou fisicamente. Só ao fim de dois meses estava novamente em forma, mas aí já era um pouco tarde... e acho que o treinador também não tinha muita confiança em mim, mas procurei sempre ajudar a equipa. — Fernando Santos já o conhece, sente que será mais fácil a sua entrada na equipa? — Eu faço o meu trabalho e não tenho qualquer problema com nenhum treinador. Este ano estou a começar desde o início e por isso espero que os problemas físicos não se repitam e os adeptos vejam o verdadeiro Karagounis. Farei o que treinador me pedir para ajudar o Benfica a vencer. — O golo de ontem (anteontem), como o descreve? — Talvez como um dos melhores que já marquei. Recebi a bola de Rui Costa, vi o guarda-redes adiantado e tentei o chapéu. Saiu bem. — Cedeu a camisola 10 sem dificuldades a Rui Costa... — Não tive problema nenhum em dar a camisola 10... não são as camisolas que jogam. Para mim é indiferente jogar com a camisola 10, a 20 ou a 30, é preciso é ter saúde e estar bem fisicamente. Elogios ao 4x4x2 — Em que sector gosta mais de jogar, como o fazia no ano passado nas costas dos avançados, ou como Fernando Santos o tem colocado a jogar? — Prefiro jogar como tenho feito agora, no meio-campo, sob o lado esquerdo. É assim também que costumo jogar na selecção da Grécia, e não há dúvida de que sinto poder render mais neste sector. — Então este sistema de 4x4x2 em losango, introduzido por Fernando Santos, é o melhor para si? — Sim, é o melhor para mim, de facto. — É bom para si ter outro companheiro grego na equipa? — Sim estou muito contente por isso ter acontecido. Katsouranis é actualmente um dos melhores jogadores da Grécia, muito culto tacticamente e tenho a certeza de que vai ajudar muito o Benfica a conquistar os objectivos. Por outro lado é bom ter alguém com quem conversar na nossa língua. É bom para nós e para as nossas famílias. — Se tivesse de recomendar mais algum jogador grego para o Benfica, quem seria? — Há muitos bons jogadores na Grécia, mas não me compete a mim referenciar nomes. — Já jogou em Itália, vem do campeonato grego, como define o futebol português? — O campeonato português é mais forte do que se pensa no estrangeiro. É difícil ganhar mesmo contra equipas mais pequenas. E as equipas que marcam presença nas competições europeias costumam chegar longe, atingir algumas finais. A própria selecção portuguesa esteve muito bem no Mundial, o que significa alguma coisa. Katsouranis Joguei em vários sectores — Diz sentir-se cada vez melhor, mais adaptado à equipa. Já conhece os métodos de Fernando Santos e as suas preferências tácticas e refere que joga onde lhe pedirem. — Como está a decorrer a integração na equipa? — Estou aqui há 10 dias e sinto-me cada vez melhor, mais confiante a cada dia que passa. Conhecia alguns jogadores, mas não toda a equipa e tenho procurado adaptar-me rápido. Aos poucos vou conhecendo melhor os jogadores, a forma como se movimentam e por isso estou a ficar contente. Creio que o Benfica tem uma equipa com grandes jogadores. — Como se define como jogador, nota-se que é bastante agressivo quando ataca a bola? — Prefiro que sejam os outros a definir-me, mas acho que é cedo para tirar conclusões, quer sobre mim quer sobre a forma como a equipa se tem comportado. É preciso dar tempo para tirar mais conclusões. — Prefere actuar mais recuado, junto à defesa, ou como neste último jogo, descaído sobre a direita? — Na Grécia jogava em vários sectores, ora à frente dos centrais, a trinco, ou mais frente como no jogo com o Shakhtar. Não tenho problemas. — Conhece alguma coisa de FC Porto e Sporting. — Conheço algumas coisas, via os jogos na TV. Sei como jogam, mas nada mais em especial. — Vai ser o marcador oficial de grandes penalidades? — Não sei... Neste jogo o mister Fernando Santos antes do jogo decidiu que seria eu a marcar, mas não sei o que acontecerá no futuro. — Como se sentiu quando voltou a entrar no Estádio da Luz. — Para mim foi algo especial, pois vencemos lá o campeonato da Europa e foi muito, muito bonito. — Já sabe dizer alguma coisa em português? — Estou a tentar aprender. Não digo quase nada ainda, mas há muitas coisas que já entendo, até devido à convivência com Fernando Santos quando ele esteve na Grécia. Moretto em repouso Após ter realizado exames complementares de diagnóstico, já em Lisboa, Moretto foi aconselhado a ficar em repouso absoluto até a segunda-feira, dia em que os encarnados regressam ao trabalho findo o estágio. Tudo indica que a lesão é menos grave do que se temia. Moretto deixou a comitiva em sobressalto na Suíça. A lesão nas costas ocorreu quarta-feira, durante um treino, e inspirava apreensão, sendo necessários exames complementares para averiguar a fundo a extensão da mazela. Daí a opção pelo abandono da Suíça rumo a Lisboa, para realizar os testes médicos na companhia de um neurocirurgião. De acordo com os exames, a lesão não é tão grave como parecia mas os médicos, ainda assim, optaram por recomendar repouso absoluto e um «tratamento medicamentoso». Na segunda-feira, o guarda-redes brasileiro será reavaliado e até pode voltar a treinar-se com o grupo encarnado. Moreira será assim o guarda-redes escolhido para jogar amanhã frente à equipa suíça do Sion, em Fribourg. |
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