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terça-feira, fevereiro 28, 2006
Cada vez mais convencido de que podemos chegar ao título JOSÉ VEIGA, director-geral da Benfica SAD, voltou ontem a manifestar confiança na reconquista do título, esperança alicerçada face à vitória com o FC Porto. Veiga elogia os jogadores comandados por Koeman e enaltece o trabalho desenvolvido durante «uma semana extraordinária». José Veiga gostou da actuação do árbitro João Ferreirano clássico, embora, em sua opinião, este não tivesse assinalado uma grande penalidade a favor do Benfica. Em declarações a A BOLA, reforçou aquilo que já de manhã dissera à Rádio Renascença. «É óbvio que as pessoas viram que houve um penalty (no lance entre Lucho e Petit), mas antes do jogo tinha dito que o senhor João Ferreira era um bom árbitro, dos melhores, e mantenho o que disse», considerou, ilibando o juiz de quaisquer responsabilidades: «Errar é humano e penso que se o senhor João Ferreira não marcou penalty foi porque não viu. Mas prefiro ganhar desta forma porque assim os nossos adversários reconheceram a vitória do Benfica como merecida. A nossa equipa entrou para ganhar com todo o mérito, esteve unida e provou no campo que tem condições para revalidar o título.» Mostrando enorme confiança em todo o grupo, Veiga expressou a sua satisfação pelos resultados alcançados numa semana fundamental para o Benfica. «Foi semana extraordinária, reveladora de carácter dos nossos jogadores e também dos técnicos. Era terrível, mas provaram que têm estofo para grandes jogos. Estou cada vez mais convencido de que podem chegar ao título e fazer boa figura na Champions », garantiu. No que se refere ao facto de Pinto da Costa ter sido impedido de sentar-se no banco, José Veiga remeteu para os regulamentos. «O delegado da Liga tem de cumprir os regulamentos. Que eu saiba, na ficha de jogo não consta o nome do presidente do FC Porto. Como tal, não tinha de estar no relvado », disse, ao mesmo tempo que lançava farpas a uma reunião entre Luís Guilherme e Pinto da Costa. Vamos estar atentos JOSÉ VEIGA, director-geral da SAD do Benfica, denunciou ontem uma reunião realizada na semana passada entre Luís Guilherme, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, e Pinto da Costa, à qual, disse ainda, esteve presente Valentim Loureiro, presidente do organismo dirigente do futebol profissional. O dirigente da SAD benfiquista só agora veio a pública falar sobre esta reunião, por si classificada de «lamentável», porque, justificou também em declarações a A BOLA, «não quis ser acusado de incendiar o clássico, e procurei, acima de tudo, salvaguardar os interesses do futebol». Segundo José Veiga, para além da «gravidade» dessa reunião ter sido «apadrinhada » por Valentim Loureiro, alguém que «sempre apregoou a independência dos órgãos da Liga», há outra questão a merecer-lhe crítica, o facto de a mesma se ter realizado «antes da nomeação do árbitro» para o jogo da Luz. «Esperamos que a Comissão de Arbitragem não repita situações destas, para bem do futebol. Faltam 10 jornadas para o campeonato acabar, vamos estar atentos, porque casos destes não podem acontecer, tanto por parte do presidente da Arbitragem como do presidente da Liga». «Não aceitamos lições de ética», diz Luís Guilherme Luís Guilherme reagiu a esta declarações. Disse, a propósito, que «a ética nada tem a ver com este caso, porque se trata de um procedimento normalíssimo». Mais, recusa-se a aceitar lições desse âmbito do «sr. José Veiga». E sustentou o seu procedimento: «Ainda hoje (ontem) recebi a Direcção do Desp. Aves. Estamos sempre disponíveis para receber dirigentes que manifestem vontade de discutir situações relacionadas com a arbitragem. Fizemos como FC Porto o que fazemos com qualquer outro clube». Afastando qualquer «apadrinhamento » de Valentim Loureiro, explicou o processo que levou à reunião. «Há uma semana, o FC Porto pediu uma reunião, via faxe, para tratar de assuntos relacionados com arbitragens e teve o cuidado de salientar nada ter a ver como jogo com o Benfica. Respondemos, via faxe, e marcámos a reunião para o dia seguinte (terça-feira), às 15 horas. Valentim Loureiro, por cortesia, recebeu o presidente do FC Porto, mas não esteve na reunião, que terminou por volta das 16 horas. Não foi abordado o jogo da Luz e o presidente do FC Porto só teve conhecimento do árbitro às 17.30 horas, altura em que habitualmente revelamos as nomeações». «Não recebemos lições de moral», responde José Veiga Reacção de José Veiga a estas declarações, ainda a A BOLA. «No Benfica não estamos interessados em dar lições de ética ao sr. Luís Guilherme, mas também não recebemos lições de moral da sua parte. Ao longo da época podem receber um clube, mas penso que poderia ter recebido o presidente do FC Porto noutra semana que não a do clássico. Não pense o sr. Luís Guilherme que pode atirar com areia aos olhos das pessoas porque as pessoas do futebol não andam a dormir nem andam distraídas». Únicareacção de Valentim Loureiro a este caso: «Não apadrinhei nem estive presente a essa reunião.» ROBERT Meu querido pé esquerdo UM pontapé como há muito não se via no Estádio da Luz. Desde o tempo do sueco Schwarz que os benfiquistas não se gabavam de um canhoto capaz de apontar livres directos em potência. Laurent Robert, decisivo no jogo como FC Porto, acrescenta essa faceta ao plantel e começa a justificar o estatuto de cabeça de cartaz dos reforços de Inverno. Os menos crentes já duvidavam do acerto da contratação. Laurent Robert chegou ao Benfica em Janeiro, carregado de prestígio e ambição, e logo foi apontado como o principal dos jogadores adquiridos no mercado de Inverno. Depressa deu nas vistas, através de um golo ao Tourizense, em partida relativa à Taça de Portugal, mas a falta do ritmo competitivo tão necessário a quem precisa de impor-se numa nova equipa dificultou a integração e a normal evolução do francês no onze de Ronald Koeman. Anteontem, finalmente, diante do FC Porto, no clássico dos clássicos, Robert, mesmo não fazendo uma grande exibição, começou a justificar o motivo pelo qual foi contratado. O Benfica foi buscá-lo ao Portsmouth, de Inglaterra, naquela que foi uma mudança de realidades abrupta para o jogador, que trocou a luta pela manutenção pela luta por um título de campeão e a possibilidade de uma carreira longa na Liga dos Campeões. E como os benfiquistas ansiavam por um homem assim... Desde que Schwarz se mudou para Inglaterra, no final da temporada de 1993/94, que não via na Luz um canhoto capaz de rematar forte e potente. Zahovic, especialista em livres, mas pouco feliz ao serviço do Benfica, marcava em jeito. Antes dele, também Pacheco apontava as faltas com o pé esquerdo, mas apostando na colocação. Agora, finalmente uma solução credível para aquele flanco, dado que para o outro lado até há Simão, Petit e Manuel Fernandes. Gosto muito de te ver ao sol COMEÇA a ser um hábito, jogo após jogo... Léo, para muitos Leozinho, face à sua estatura, tem-se apresentado a um nível muito elevado, pautando-se de momento como um dos melhores laterais-esquerdos da Liga. Será que do lado de lá do oceano Parreira está atento? Se Caetano Veloso tivesse visto os últimos jogos do Benfica e focasse a atenção no seu compatriota Léo, seguramente começaria a cantarolar um dos maiores êxitos sua carreira: «Gosto muito de te ver, Leãozinho, caminhando sob o sol...» Leozinho, como muitos o tratam face à sua estatura, ultrapassou todas as desconfianças e começa a ser visto como um dos melhores laterais-esquerdos a jogar na Liga. Jogo após jogo, a sua determinação, preponderância na partida e abnegação têm sido uma boa surpresa para os muitos que duvidavam do sucesso desta contratação. Léo esteve anos a fio no Santos, nunca arriscou uma aventura no estrangeiro apesar dos vários convites. No início desta época, o Benfica seduziu-o e conseguiu a sua contratação a custo zero. Depois de convencer o próprio Ronald Koeman a entregar-lhe a titularidade, Leozinho conseguiu meter no bolso jogadores como Cristiano Ronaldo, do Manchester, Luis Garcia, do Liverpool, Quaresma, do FC Porto... Um currículo de fazer inveja. Parreira atento? Do lado de lá do oceano, Carlos Alberto Parreira, seleccionador do Brasil, conhece bem as características de Léo. Levou-o à última Taça das Confederações, que se realizou no Verão na Alemanha, mas as hipóteses de ser chamado ao Mundial são escassas face à muita concorrência: Roberto Carlos é uma instituição e há Gustavo Nery, que também se apresenta em bom momento de forma. Se Caetano Veloso assistisse às últimas exibições de Léo... sabe-se lá que música poderia dedicar-lhe... segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Benfica 1 - 0 Porto 40 m 1-0, por Laurent Robert. Ainda muito longe da baliza do FC Porto, Paulo Assunção fez falta sobre o internacional francês e este encarregou-se da execução do castigo. Especialista de renome internacional nos lances de bola parada, Laurent Robert aplicou, a 40 metros das redes dos dragões, um forte remate com o pé esquerdo, que levou a bola a descrever um arco para a direita, mudando a seguir de direcção. Baía, mal batido, fez-se ao lance para a esquerda, junto ao poste, mas a bola entrou pela sua direita. Arbitragem JOÃO FERREIRA (5) Bem pode agradecer aos jogadores o aparentemente perfeito controlo emocional do jogo. Erros menores, muitos, deixando ainda imagem de indesejáveis hesitações; erro maior, não ter punido com castigo máximo uma falta de Lucho Gonzalez sobre Petit, em plena área, claro, de Vítor Baía, em cima do minuto 90. Melhor em Campo MANUEL FERNANDES (8) Saiu-lhe a fava, no caso, Lucho, normalmente o pilar do jogo portista. E o jovem internacional português entregou-se a uma vigilância apertada ao argentino. Nessa missão, foi quase um absoluto sucesso, porque Lucho teve dificuldades em libertar-se. Manuel Fernandes andou sempre no caminho da bola, matou muito trabalho dos portistas, cortou linhas de passe, levantou sempre a cabeça para ver onde melhor servir o jogo. Teve tempo para compensar as saídas dos companheiros para o ataque. Num espectáculo que não foi de alta qualidade, Manuel Fernandes assinou uma das excepções. Poucos lhe seguiram os passos. Sala de Imprensa RONALD KOEMAN (treinador do Benfica) KOEMAN diz que mereceu Ronald Koeman venceu novamente um duelo individual com Co Adriaanse. Afirmou que montou a estratégia perfeita para continuar cem por cento vitorioso frente ao outro holandês do futebol nacional, reconheceu que apostou em Karagounis para ter um jogador no meio-campo mais dotado tecnicamente e afirmou sem rodeios que a sua equipa foi a mais forte em campo, a que teve mais posse de bola e construiu as melhores oportunidades. — Foi uma semana muito positiva. Qual o segredo? — Depois de um início complicado, começámos a pressionar muito e não deixámos jogar o nosso adversário. Considero que este terá sido um dos melhores jogos da época e a vitória justa. Criámos mais oportunidades, fomos mais fortes e o resultado mostra-o. O jogo com o Liverpool, na terça-feira, foi muito duro, extremamente exigente em termos físicos, mas os jogadores conseguiram mostrar uma atitude fantástica. — O Benfica não terá de defrontar novamente Sporting e FC Porto. Isso aumenta a capacidade de a equipa chegar ao título? — Temos capacidade para voltarmos a ser campeões, mas para que isso se torne possível temos de manter a agressividade nos próximos jogos. Temos, no entanto, de reconhecer que estamos a cinco pontos do primeiro e que não será fácil. — Qual a chave desta vitória? — Acredito que o mais determinante foi a pressão que fizemos ao FC Porto, sobretudo aos jogadores que normalmente constroem desde os terrenos mais recuados. Marcámos muito bem McCarthy, Adriano e também Ricardo Quaresma. Foi essencial. — Alguma coisa o surpreendeu no FC Porto? — Não. Pensámos que o seu treinador não é homem de mudar muito. Não tinha razões para o fazer porque a sua equipa tem jogado bem. — Foi a oitava vitória sobre Co Adriaanse... — Sim, venci-o mais uma, mas isto não é uma questão pessoal. Estou contente, mas podemos ganhar os dois jogos ao FC Porto e não sermos campeões. De que valeria isso? — Porque entrou Marco Ferreira? — É um jogador com mais velocidade que Manduca. Pensei em lançar alguém que viesse buscar a bola mais atrás para depois criar espaço nos últimos metros. Um jogador como Marco Ferreira era o que precisávamos. — O onze que lançou hoje em campo é o que dá mais garantias? — Quando ganhas, tens de dizer que sim. Mas não sei. Com Karagounis há mais futebol a meio-campo e mais apoio a Nuno Gomes. Não quero destacar um só jogador porque sinto que toda a equipa esteve muito bem. E com Beto tivemos mais luta a meio-campo nos últimos 15 minutos. — Simão estará ausente frente ao Estrela. Novo problema? — Ainda falta uma semana, vamos desfrutar da vitória e só depois trabalhar a pensar no Estrela da Amadora. — Com o adversário a jogar com três defesas, a sua equipa ocupou espaços de forma diferente do habitual? — É esse o sistema do FC Porto. Paulo Assunção joga perto da defesa para se incorporar depois no meio-campo. Nós jogamos com quatro, é diferente. Nem sempre é o sistema que torna o jogo mais atractivo ou ofensivo, os jogadores é que mandam nisso. Veja: temos dois laterais ofensivos numa defesa de quatro, se eles sobem muito, acabamos por jogar com dois defesas. Há muitas maneiras de chegar a Roma... — Porquê a aposta em Karagounis no jogo de hoje [ontem]? — Para termos um jogador diferente em qualidade, com mais toque de bola e outro recursos técnicos. Mas Manuel Fernandes também fez um grande jogo com Lucho por perto. Petit ficou à frente dos centrais e houve mais jogo para os avançados. Lutar até que as forças se esgotem Nuno Gomes considerou que a vitória do Benfica sobre o FC Porto foi mais do que justa. Em declarações na flash interview da Sport TV, o melhor marcador da Liga (14 golos), que desta vez ficou em branco, louvou o trabalho da equipa nesta segunda vitória sobre o FC Porto no campeonato: "Foi uma vitória justa, sem sombra de dúvida. Na segunda parte podíamos até ter aumentado a vantagem. Acima de tudo ficam os três pontos conquistados, que era o que precisávamos e foi aquilo por que lutámos durante os noventa minutos ", salientou. Assim, o Benfica continua a ter hipóteses de lutar pela revalidação do título, desejo que ficaria muito comprometido em caso de derrota com os dragões - com este resultado, o FC Porto fica com mais cinco pontos e o Sporting com mais três. Além disso, o Benfica é o único clube que continua activo nas três competições: está na Taça de Portugal e a meio de uma eliminatória da Liga dos Campeões com o Liverpool. Nuno Gomes reconheceu que é bom continuar com hipóteses de ganhar as três competições. Mas pode uma situação destas ser cansativa de mais e o Benfica correr o risco de não ganhar nenhuma, como aconteceu, por exemplo, com o rival Sporting na época passada? "O que podemos fazer é lutar pelas três frentes até que as forças se esgotem. Estamos aqui para servir o clube, orgulhosos por estarmos ainda envolvidos nas três competições, que continuam em aberto", disse, para logo reforçar: "Enquanto tivermos forças, vamos lutar, porque queremos ir o mais longe possível." Título em aberto Feitas as contas, o triunfo sobre os dragões «anima a competição» na opinião de Nuno Gomes e relança novas contas para saber quem chega ao final da Liga em primeiro lugar: «Foi bom para o nosso campeonato termos ganho ao FC Porto. Anima a competição. Espero que o Benfica possa continuar a fazer boas exibições e a obter bons resultados », concluiu. Simão e Petit de fora Ronald Koeman não vai poder utilizar nem Simão, nem Petit, no jogo da próxima jornada, frente ao Estrela da Amadora, na Reboleira. Estes dois jogadores viram ontem cartão amarelo e completaram a série de cinco que, na Liga, resulta em punição disciplinar. Outros dois jogadores estão em risco de suspensão no plantel encarnado mas ontem escaparam ilesos: Manuel Fernandes e Marcel. O último nem sequer chegou a entrar em campo. O substituto mais lógico para Petit será Beto, que foi suplente utilizado no desafio de ontem. Para o lugar de Simão é provável que entre o brasileiro Manduca. Beto não merece ser assobiado NO almoço do 102.º aniversário do Benfica o presidente Luís Filipe Vieira assumiu como próximo grande desígnio encarnado a projecção do clube a nível internacional. «Reconquistada a credibilidade » e «assumida a liderança nacional» em todas as frentes, Filipe Vieira quer que todos contribuam nesta grande missão para «mais 100 anos de glória». E quando pediu apoio de todos não deixou de se mostrar desalentado pelos assobios que Beto recebeu no jogo com o Liverpool. Aos 102 anos, que se cumprem amanhã, «o Benfica revela grande vitalidade, saúde e estabilidade para mais 100 anos de glória», enfatizou Luís Filipe Vieira. Fruto de «um trabalho que devolveu a credibilidade e o clube às suas origens».Em termos empresariais «está a caminho do equilíbrio», sendo que «o rigor não impede que se esteja a investir fortemente no futuro». Um Benfica «de todos» e que tem nos seus dirigentes «pessoas ambiciosas» e «com um rumo». Um Benfica que «reassumiu a liderança nacional em termos desportivos, empresariais, sociais e culturais». E que, como tal, iniciou o segundo centenário pronto para novos voos. «Estamos em condições de assumir de forma indiscutível uma dimensão internacional.» O clube «é respeitado na Europa» e tem «capacidade de projectar internacionalmente a sua marca». O trabalho de «aproximação aos benfiquistas no estrangeiro» foi assumido como uma missão importante e «o grande ponta-de-lança desta estratégia é o kit», com uma aposta forte que se está a realizar na América do Norte e se espalhará pelo globo. «Os benfiquistas espalhados pelo mundo devem ajudar no kit e nas parcerias estratégicas. Com a ajuda de todos podemos olhar para o futuro com confiança. E o futuro será tanto maior quanto o envolvimento de todos», concluiu Filipe Vieira. Os assobios a Beto Quando pediu o apoio de todos os benfiquistas Luís Filipe Vieira não deixou de se mostrar desgostoso com o que se passou com o jogador Beto no jogo com o Liverpool, assobiado quando foi substituído. «Temos de estar unidos e apoiar a equipa. Não posso esquecer os assobios que se ouviram para Beto. Ele não merece ser assobiado. Temos de continuar a apoiar a equipa e todos os jogadores», resumiu. domingo, fevereiro 26, 2006
Koeman não mexe? TODOS os caminhos conduzem à repetição do onze que abriu caminho à vitória no jogo de terça-feira na Liga dos Campeões. Beto deve manter-se na equipa, permanecendo Karagounis no banco de suplentes, ele que impulsionou a equipa para vencer o Liverpool. Chegou o dia do grande clássico, sem que haja razões para pensar que Koeman vai mexer no onze que há apenas cinco dias tanto empolgou os adeptos, ao derrotar o Liverpool, uma das equipas que menos golos consente na Europa. Momentos há em que a história se repete e, encarnando as esperanças de todos os benfiquistas, o treinador holandês será o primeiro a querer reviver as emoções da última terça- feira. Para isso, Ronald Koeman terá à sua disposição quatro torres nos dois sectores mais recuados da equipa, ou seja, Moretto na baliza e Alcides, Luisão e Anderson no quarteto defensivo. No lado esquerdo mora o elemento mais baixinho da equipa, Léo, que é no entanto um dos mais seguros, pelo elevado nível patenteado desde que regressou à titularidade, a seguir ao jogo com o Sporting. A registarem-se surpresas, seria no meio-campo, onde Karagounis tem algumas hipóteses de alinhar de início, numa posição mais adiantada em relação a Manuel Fernandes e Petit. Nesse caso, Beto seria o sacrificado, mas o brasileiro de cabelos aloirados é um dos homens de confiança de Koeman, não propriamente pelos dotes técnicos mas, sobretudo, pela raça e abnegação com que disputa os lances, transmitindo grande consistência ao sector intermediário. Saem Mantorras e Karyaka por Manduca e M. Ferreira Sendo certo que a necessidade de vencer poderá empurrar Beto para o banco, por troca com um jogador mais ofensivo, nesse caso Karagounis, são remotas as hipóteses de esta troca acontecer logo de início. E posto isto, Simão, Laurent Robert e Nuno Gomes serão os restantes titulares. Em relação aos convocados para o último jogo registe-se as saídas de Mantorras e Karyaka, para as entradas de Manduca e Marco Ferreira. Tónico grego de prevenção Karagounis, um jogador que apenas foi utilizado em nove jogos por Ronald Koeman, é a grande dúvida na equipa encarnada para o jogo de logo à noite. Tal como Miccoli, o grego chegou à Luz já com a Liga em andamento e foi imediatamente lançado no jogo seguinte, nada menos que o empolgante derby de Alvalade, com a vitória a sorrir ao Sporting. Claramente fora de forma, Karagounis viu agravarem-se nesse jogo os problemas físicos que trouxe da selecção grega, entretanto afastada do Mundial, e a primeira consequência foi a ausência nos jogos seguintes, com Leiria e Penafiel. Regressaria para jogar os últimos 24 minutos da vitória tangencial sobre o Vitória de Guimarães (2-1), jogo que lhe serviu de rampa de lançamento para o clássico do Dragão, na jornada seguinte. Titular, foi substituído aos 54 minutos, mas a vitória num recinto tão difícil suavizou a exibição pouco convincente. Depois disso, o grego só voltou a saborear a titularidade em três jogos, contra Rio Ave, Vitória de Setúbal e Penafiel, entre lesões e presenças no banco. Com os sadinos, registou a sua única presença de 90 minutos em campo, com a camisola encarnada. Muito pouco para um jogador do seu gabarito, é certo, mas com uma subida progressiva de forma, a exigir novas oportunidades. Relvado preocupa SE chover hoje em Lisboa o mesmo que ontem à tarde, o clássico perderá muita cor. Litros de água empaparam o relvado da Luz e aconselharam os técnicos do Benfica a transferir parte do último treino antes do jogo para um campo sintético, no interior do estádio. Para ontem à tarde estava marcado um treino no relvado da Luz, o último antes do clássico e que decorreria à porta fechada. Mas a chuva intensa—que se manteve durante toda a tarde e parte da noite — condicionou o trabalho, na medida em que era prudente não massacrar o terreno para o jogo com o FC Porto. Aliás, mesmo que Koeman fizesse questão de trabalhar horas no relvado seria difícil: estava tão empapado que até custava fazer a bola rolar. Perante estas condicionantes, o treinador holandês do Benfica optou por dar o treino no campo sintético que existe no interior do estádio. Alguns jogadores chegaram, todavia, a subir ao relvado para uma corrida curta. Existe algum receio, na Luz, que a chuva não dê tréguas ao relvado e, se assim for, prejudique de forma directa o espectáculo. Refira-se, ainda, que Geovanni e Miccoli, jogadores que recuperam de lesões musculares, continuaram ontem a fazer trabalho específico para o regresso em pleno. O primeiro recupera de uma rotura na coxa direita e o segundo uma lesão nos gémeos na perna direita. Têm ambos condições para reaparecer a treinarem-se sem limitações durante a próxima semana. Talvez mesmo entrar nas contas do treinador para a próxima jornada, frente ao E. Amadora. KOEMAN – Vamos até ao limite para vencer este jogo O empate não serve e a derrota praticamente significa o adeus à conquista do título nacional. Koeman não tem dúvidas e apresenta este cenário, fala dele abertamente. Sem complexos, com humildade mas também com ambição e confiança de que é possível derrotar, hoje, o líder da Liga. Mas para isso a equipa terá de lutar até ao máximo das suas possibilidades, das suas forças. É isso que pede o treinador holandês. — O que podemos esperar do Benfica neste clássico? — Vamos ao limite das nossas possibilidades e forças para ganhar este jogo. Temos de mostrar vontade de ganhar e tentar encurtar a distância de pontos. Depois veremos... porque antes de um jogo temos uma ideia e depois sai outra coisa, há muitas coisas que podem influenciar um jogo e um resultado. — Como está a equipa depois de vencer o Liverpool? — Essa vitória foi importante. Continuamos com possibilidades de passar a eliminatória... Creio que as vitórias trazem sempre confiança, não tranquilidade, porque estamos a bastante distância do FC Porto e temos de encarar este jogo com muita vontade. — Se perder, o Benfica pode ficar arredado do título. Teme os efeitos psicológicos de uma eventual derrota? — Estamos em três competições... Claro que nunca penso em perder, apenas em ganhar, mas se não formos capazes de vencer amanhã [hoje] não digo que seja o adeus ao título, mas quase. — Se ganhar seria como um novo começo do Campeonato? — Talvez... se o Sporting ganhar logo à noite [ontem] à Académica. Então ficaria muito próximo do FC Porto. Temos de ganhar para termos possibilidades. Continuaremos a lutar e eles ainda têm de jogar em casa do Sporting... Mas, claro, isso apenas conta para nós se ganharmos amanhã [hoje], ou as possibilidades não serão muitas para nós. Temos de anular Quaresma KOEMAN não diz que irá fazer marcações especiais, mas reconhece que o FC Porto tem jogadores em «bom momento de forma» e para os quais está destinada um pouco mais de atenção. O talento de Quaresma, por exemplo, tem de ser anulado. O argentino Lucho González também enche as medidas ao holandês, que confessa não estar muito preocupado se o compatriota vai apresentar, ou não, uma estratégia com apenas três defesas. Aliás, Koeman confessa que o Benfica até poderia estar a jogar nesse sistema se não tivesse perdido com o Gil Vicente (0-2). — Acredita que será bom para a sua equipa se o FC Porto jogar com um esquema de três defesas? — Eles jogam num sistema por vezes arriscado, mas os últimos resultados mostram que também não sofrem muitos golos. Isto quer dizer que os adversários não conseguem aproveitar os espaços que poderiam aparecer quando se joga só com três defesas. Tenho dúvidas se o FC Porto vai jogar dessa forma connosco, porque é um jogo diferente, contra um adversário mais forte... Mas logo veremos, o treinador do FC Porto tem mantido a mesma linha e tem poucas razões para trocar, porque tem ganho os seus jogos. — Mas está a preparar-se para isso? — Para mim é igual como vêm jogar, o que temos de fazer é prepararmo-nos para a forma como têm jogado e preparar, também, uma troca de posições ou de táctica que possa haver. Temos de saber o que fazer. — Era o esquema de três defesas que queria para o «seu» Benfica? — Há momentos em que se pode jogar com três defesas. Se o adversário jogar com dois pontas-de-lança ou no plantel tivermos médios alas que não são bem extremos, como tem o FC Porto. Se calhar, se no jogo com o Gil Vicente em casa tivéssemos aproveitado as oportunidades da primeira parte, o que nos levaria para o intervalo a ganhar três a zero, ainda estaríamos a jogar com três defesas. O mais importante num sistema são os jogadores. Se queremos um sistema com alas mas não os temos... então para quê jogar com alas? Temos de encontrar o melhor sistema e penso que temos utilizado o melhor sistema para a equipa do Benfica. — Mas tem sido criticado... — As críticas aparecem depois dos resultados. Como treinador podes inventar ou usar qualquer sistema que se ganhas és os maior, se perdes não se pode jogar assim. É a vida. — Joga em casa. Vai arriscar mais? — Num jogo há tempo suficiente para arriscar. O FC Porto é forte e nós temos mais pressão para ganhar. Para eles o empate pode ser bom, para nós não. Temos as nossas armas e qualidade. O FC Porto também e há alguns jogadores que estão em boa forma. Temos de fazer pressão para não os deixar fazer o jogo deles. — Vai jogar de início com Karagounis? — Não vamos mudar muitos jogadores, é a única coisa que posso dizer. — Como classifica o actual momento de forma do FC Porto? — Não vi todos os últimos jogos deles, mas têm um sistema definido, às vezes o rendimento no ataque não é óptimo porque não marcam muitos golos, mas pressionam e criam muitas oportunidades. Estes jogos são especiais. Ganhámos em casa deles e vamos tentar repetir, mas preocupa-me mais o Benfica do que o FC Porto. — Vai marcar alguém em especial? — Especialmente não, mas claro que sabemos que Quaresma está em grande forma e que temos de o anular, jogue na esquerda ou na direita. Sabemos que têm jogadores que fazem cruzamentos perigosos para os pontas-de-lança. E, para mim, Lucho González é um grande jogador. sábado, fevereiro 25, 2006
Aposta no mesmo onze RONALD KOEMAN deverá apresentar no clássico de amanhã a mesma equipa que derrotou o Liverpool na última terça-feira. A registar-se qualquer alteração, passará seguramente pela entrada do grego Karagounis para o lugar de Beto ou Manuel Fernandes. Outro jogo, o mesmo grau de exigência. O encontro com o FC Porto é a contar para a Liga, mas Koeman deverá manter a fórmula que tão bons resultados lhe têm dado na Liga dos Campeões, residindo a chave da estratégia no trio do meio campo, onde Beto se junta a Petit e Manuel Fernandes, com este a ocupar uma posição mais adiantado no terreno. O técnico holandês procurará tirar partido do incentivo psicológico proporcionado pela vitória sobre o Liverpool, e assim sendo, nada melhor que apostar no mesmo grupo de heróis que vergou os ingleses na última terça-feira. Ou seja: Moretto, Alcides, Luisão, Anderson e Léo, Petit, Beto e Manuel Fernandes, Robert, Nuno Gomes e Simão têm vantagem. O jogo com o FC Porto exige elevado grau de concentração, e Koeman privilegia a concentração defensiva para desgastar e tirar proveito de eventuais falhas do adversário. Foi o que se passou na terça-feira. E é por temer perder alguma consistência defensiva no meio campo que Karagounis não tem entrado nas contas do treinador para jogar de início, porque Beto, entende Koeman, defende melhor que o internacional grego. Mas com este, além de manter o desejável equilíbrio no sector, a equipa ganharia, por outro lado, maior pendor ofensivo. Karagounis, por outro lado, tem vindo a ganhar o carinho dos adeptos, muitos dos quais discordam da pouca frequência com que é utilizado na equipa titular. Vantagem para Koeman no duelo com Adriaanse O clássico de amanhã tem um cartaz bastante apelativo, mas as atenções estão também centradas para dois dos principais protagonistas: Koeman e Adriaanse travam um duelo que teve início na Holanda e que conhece novos capítulos na Liga portuguesa. Neste particular o treinador do Benfica está em grande vantagem nos números, contabilizando sete vitórias e dois empates nos nove jogos disputados até agora (oito na Holanda, um na Liga portuguesa). Adriaanse nunca conseguiu vencer o seu compatriota nos clubes que já treinou, nem mesmo quando orientava o Ajax, clube de onde sairia para dar lugar ao agora treinador do Benfica. O último confronto, no Dragão, Koeman foi quem voltou a festejar com os dois golos apontados por Nuno Gomes. No que diz respeito ao número de golos, Koeman já fez a festa em 20 ocasiões, contra apenas oito do seu compatriota. Amanhã, irão cruzar-se pela décima vez. Voltará Koeman a sorrir ou conseguirá Adriaanse a sua primeira vitória? MICCOLI e GEOVANNI trabalham com bola GEOVANNI e Miccoli estão a responder de forma «muito positiva » ao aumento da carga de treino e ontem até fizeram, no relvado do Estádio da Luz, algum trabalho com bola. Não são opção para o jogo com o FC Porto, mas existe a esperança de que possam estar à disposição de Ronald Koeman no jogo da jornada seguinte, na Amadora, frente ao Estrela, na Amadora. A informação oficial do departamento médico do Benfica, ontem divulgada no site do clube, dá conta de um manifesto optimismo em relação às recuperações clínicas de Geovanni e Fabrizio Miccoli. Ambos fizeram "trabalho específico em terreno, ginásio e piscina, tendo elevado o trabalho em terreno a patamares de treino com resposta muito positiva por parte dos jogadores ", pode ler-se no boletim clínico. Para além do ginásio e piscina, Miccoli e Geovanni estiveram ontem no relvado do Estádio da Luz e começaram por fazer corrida. Depois, sob supervisão do departamento médico, fizeram alguns exercícios específicos, alguns deles com bola. Ainda de forma bastante controlada e leve, mas indicadora de uma evolução positiva, no limiar da alta que podem receber em breve para a reintegração no grupo. Amadora e Liverpool no horizonte Já se sabia que ambos estariam clinicamente inaptos para o jogo com o FC Porto. Geovanni está a recuperar de uma rotura na coxa direita, Miccoli de problemas musculares nos gémeos da perna direita. Mas consolida-se a expectativa de ambos poderem ser dados como aptos para o jogo com o Estrela, na Amadora. A utilização dos jogadores no jogo da Liga dependerá não só da plena recuperação clínica mas também da física e da análise que Koeman fizer para o jogo de Liverpool, da Liga dos Campeões. Ou seja, pode ser entendido numa lógica de gestão do plantel e da necessidade de não se correrem riscos que ambos sejam apostas claras apenas para Anfield. Luz vai esgotar FALTAM seis mil ingressos para que a lotação do Estádio da Luz esgote por completo, transformando as bancadas do recinto encarnado em mais um grande mar de gente pronta para incentivar a equipa de Koeman. A expectativa é que nas próximas horas os ingressos que restam sejam todos vendidos. As previsões dos encarnados apontavam para que os bilhetes para o jogo de amanhã estivessem já todos vendidos, mas a derrota da última semana, em casa do V. Guimarães, refreou um pouco os ânimos dos adeptos e as vendas dos ingressos praticamente pararam. Só depois da terça-feira europeia, em que os homens de Koeman bateram o campeão da Europa na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, a corrida aos bilhetes para o clássico voltou a conhecer alguma emoção. Nos últimos dois dias venderam-se perto de cinco mil ingressos e ontem ao início da noite sobravam cerca de seis mil bilhetes. Os portugueses gostam de guardar tudo para a última hora e diz a tradição que é nas últimas 48 horas que se vende o maior volume de acessos ao recinto. Se as vendas continuarem processar-se como nas últimas horas, os responsáveis encarnados acreditam que amanhã de manhã as bilheteiras possam dar a lotação como esgotada. No espaço de uma semana será a segunda grande enchente, precisamente em dois dos jogos mais importantes da época para a equipa da águia. Na terça-feira o apoio do público foi determinante para o desfecho do desafio, tal como já tinha acontecido em Dezembro quando o Manchester foi eliminado na Luz. Amanhã o resultado pode ser determinante para classificar se a turma de Koeman pode ainda almejar à reconquista do título. E tudo indica que o terceiro anel pode ter uma palavra a dizer. Perguntem-lhes como se marca ao dragão ESTE Benfica do holandês Ronald Koeman tem muitas caras novas, no clube e até no futebol português, o que acaba por justificar a escassez de jogadores deste plantel que já marcaram golos ao FC Porto. Mesmo assim identificámos nove, sendo que nenhum deles conseguiu marcar mais do que dois golos, nem sempre com a camisola do Benfica. Neste top encontram-se quatro atletas, todos com dois tentos festejados nas barbas do dragão: Nuno Gomes, Simão, Petit e Beto. Não deixa de ser curiosa a entrada do último neste lote, ele que nos últimos tempos tem sido muito criticado e desde o início divide o país benfiquista sobre a sua qualidade. Depois aparecem Geovanni, Mantorras, Nuno Assis e os reforços de Inverno Manduca e Marcel. No total, estes jogadores marcaram 13 golos ao FC Porto, em representação de vários clubes da Liga. Querem saber como se faz? Perguntem-lhes, que estes nove sabem qual o segredo e a que sabe fazer sofrer o actual líder do campeonato. 1 – Geovanni Costuma aparecer nos jogos grandes, nos desafios mais importantes para a equipa. Frente ao FC Porto não tem um historial de goleador, mas foi Geovanni quem, na época passada, garantiu o empate a um golo no Estádio do Dragão. O Benfica embalou, então, para a conquista do título. 2 – Nuno Gomes É o líder dos marcadores deste campeonato e mantinha um duelo particular com o FC Porto: nem um golo na baliza da equipa azul e branca, seja em casa ou fora; com a camisola do Benfica ou com a do Boavista. Mas esse rabo preso deixou de o ser na visita que os benfiquistas fizeram ao Dragão esta época, onde Nuno marcou dois golos e selou a vitória da águia por 2-0. 2 – Petit Em 2001/02, quando representava o Boavista, Petit marcou dois golos ao FC Porto. Um na deslocação ao estádio rival, onde perdeu por 1-4; e outro no Bessa, onde festejou vitória por 2-0. Pelo Benfica ainda não conseguiu marcar ao FC Porto mas pertence-lhe o não golo mais famoso da história do clube: na época passada, quando Vítor Baía para alguns defendeu dentro da baliza e para outros fora. O árbitro está no segundo grupo. 2 – Simão O capitão da equipa encarnada não marcou ao FC Porto quando representava o Sporting, mas já leva dois golos desde que é aplaudido pelos adeptos da Luz. O primeiro foi em 2001/02, num entusiasmante jogo em casa do adversário, que se traduziu numa derrota que o Benfica vendeu cara: por 2- 3. O segundo aconteceu já em 2003/04, num desafio não menos frenético que terminou em empate a uma bola. 2 – Beto É um dos jogadores mais controversos do plantel, na medida em que divide os adeptos entre os que o consideram útil e os que não lhe reconhecem qualidade para jogar no Benfica. Mas a verdade é que também Beto já sabe o que é marcar golos ao FC Porto. Primeiro numa derrota pelo Paços de Ferreira (1-2), em 2002/03; depois a vencer pelo Beira-Mar (1-0), em 2004/05. 1 – Mantorras Tem ficado fora dos convocados de Koeman e pode continuar nessa condição para o clássico de amanhã. Todavia, o ponta-de-lança angolano já apagou o fogo do dragão. Apenas uma vez: em 2001/02, quando a equipa encarnada perdeu no Porto por 2-3. 1 – N. Assis Está suspenso por suspeita de doping e não entra nas contas do holandês Ronald Koeman para mais este clássico. Mas Nuno Assis já marcou ao dragão. Pelo Vitória de Guimarães, não pelo Benfica. Foi apenas uma vez, em 2001/02, numa vitória em casa vimaranense por 2-0. 1 – Manduca Chegou à Luz apenas no passado mês de Janeiro mas o brasileiro trouxe da Madeira, do Marítimo, onde jogava, o sabor de ter marcado golo num empate (2-2) com o FC Porto. Aconteceu já esta temporada, pelo que terá fresco na memória o precioso segredo. 1 – Marcel Veio para acrescentar qualidade ao ataque e apresentou referências como goleador. Ainda não se conseguiu impor na Luz mas já reconhece na cara de Baía a expressão do desalento: quando marcou o tento solitário (1-5) da visita da Académica ao Dragão, esta época. sexta-feira, fevereiro 24, 2006
MICCOLI voltou ao relvado MICCOLI e Geovanni já se treinam no relvado e ontem, dia de folga para o plantel, trabalharam na Luz. Em breve devem ser reintegrados mas nenhum dos dois deverá recuperar para jogar no domingo, frente ao FC Porto. A história poderá mudar de figura para a visita à Amadora e, depois, para a segunda mão da Liga dos Campeões, dia 8 de Março, em Liverpool. Geovanni tem uma rotura na coxa direita e Miccoli também enfrenta um problema muscular, nos gémeos da perna direita. Ambos deram passos importantes no processo de recuperação e já fazem trabalho no relvado, além de piscina e ginásio. Ronald Koeman deu ontem folga ao plantel mas Geovanni e Miccoli prosseguiram o trabalho no Estádio da Luz e até é possível que pelo menos o italiano volte ainda esta semana a treinar-se com o grupo encarnado. Apesar das boas notícias, ambos os jogadores falham o importante confronto com o FC Porto. Mesmo que Miccoli — que está mais avançado na recuperação — seja considerado apto, não tem ritmo competitivo. Ninguém quer correr riscos Miccoli tem sofrido consecutivas lesões, o que leva médicos e técnicos a não quererem correr riscos. O jogador poderá estar apto a defrontar o E. Amadora, na jornada que antecede a deslocação a Liverpool. Mas apenas jogará se houver completa certeza da sua disponibilidade física. O mesmo se passa com Geovanni. Ainda no domínio médico, o guarda-redes Moreira trabalha sem limitações mas ainda sob vigilância médica. Foi operado ao joelho direito e, também neste caso, os médicos do Benfica querem assegurar-se da sua total recuperação. Estou bem em Portugal mas seria o máximo voltar a Itália Miccoli recupera em silêncio de lesão mas, na página pessoal que tem na Internet, confessa que está feliz no nosso país, embora sonhe com um regresso ao calcio. Apesar de empenhado em voltar à competição, Miccoli não perde de vista uma oportunidade no campeonato italiano, até mesmo na Juventus, clube detentor do seu passe (está no Benfica por empréstimo, com opção de compra). «Estou bem em Portugal mas voltar a Itália seria o máximo. Falarei em Maio com os dois clubes.» O discurso de Miccoli vai também de encontro a um possível regresso à selecção e a uma presença no Mundial da Alemanha, que vê cada vez mais difícil. «Jogar na selecção é o objectivo de qualquer jogador e gostava muito de voltar a fazer parte do grupo no Mundial. Como sou uma pessoa realista, creio que será muito difícil convencer Lippi... Por infortúnio não posso lutar por isso como desejava.» De olho em LUISAO A Liga dos Campeões é a montra ideal para Luisão se valorizar e mais ainda quando tem, quase certa, a presença no Mundial da Alemanha, pela selecção brasileira. O central já constava da lista de jogadores referenciados por vários clubes, em Espanha e Itália, sobretudo, mas a recente exibição frente ao Liverpool, e o golo que marcou, deram-lhe ainda maior visibilidade. De Inglaterra também chegam ecos de cobiça no benfiquista Em apenas duas semanas, Luisão subiu dos inferno ao céu. Considerado o pilar da defesa encarnada, desde a época transacta, o gigante brasileiro viu repentinamente o seu valor posto em causa por ter estado aquém do seu nível nas derrotas, consecutivas, contra Sporting e União de Leiria. Foram momentos difíceis para um jogador que, após o calvário vivido nos seus primeiros tempos no Benfica, pensava ter já ultrapassado a desconfiança dos adeptos, mas a sua reacção não podia ter sido mais positiva. Começou por estabilizar frente ao Penafiel, jogo em que se cotou como um dos melhores em campo, além de ter tido acção directa no auto-golo de Roberto, esteve isento de culpas em nova derrota com o Vitória de Guimarães e, por último, a segurança e o golo alcançados ante o Liverpool foram a cereja no topo do bolo. Ingleses gostaram Não é de hoje que se fala da curiosidade de alguns dos grandes clubes europeus, nomeadamente Real Madrid e Inter de Milão, no internacional brasileiro, mas nos últimos tempos esse interesse parecia ter esmorecido e há que muito que não se falava na possibilidade de ser transferido para o estrangeiro. Convocado para a selecção e com a exibição da última terça-feira, a cotação subiu em flecha e o Benfica tem novamente a oportunidade de obter um importante encaixe financeiro. De Inglaterra, onde se recordam dos jogos do brasileiro frente a Manchester e Liverpool, chegam ecos de interesse. O próprio Liverpool pode estar de olho no jogador, avançou ontem a Rádio Renascença. O director desportivo do clube britânico, Rick Parry, recusou comentar o tema. Governo aprova centro de estágio O centro de estágio do Benfica, no Seixal, já está construído mas faltavam definir algumas questões legais relacionadas com o uso dos terrenos. Ontem, o Governo revogou o decreto-lei, datado de 1965, que impedia a construção nos terrenos da Quinta da Trindade, incluída numa área que seria destinada ao prolongamento da linha férrea da margem Sul do Tejo. Mas porque esses projectos «há muito que deixaram de apresentar viabilidade», já não fazia sentido impedir a edificação do complexo dos encarnados. Tratou-se de uma formalidade, mas que institucionaliza de vez o centro de estágio e formação do Sport Lisboa e Benfica. Em reunião de Conselho de Ministros, realizada ontem, o Governo revogou o decreto-lei de 1965 que definia as faixas de terreno protegidas para o prolongamento da linha férrea a sul do Tejo, nas quais se incluía a Quinta da Trindade, no Seixal, onde foi construído o complexo dos encarnados. A revogação vai permitir, assim, «a utilização daquele espaço para outras finalidades», indo de encontro ao «desenvolvimento integrado da área» e à «instalação do centro de estágios do Sport Lisboa e Benfica», refere-se, em comunicado. LAURENT ROBERT quer voltar a marcar em Anfield LAURENT ROBERT afirmou à imprensa inglesa que gostaria de voltar a marcar um golo ao Liverpool no Estádio Anfield, onde apontou um dos mais bonitos da sua carreira. Manifestou ainda surpresa pela exibição dos britânicos e considerou justa a vitória do Benfica. E mostrou-se ambicioso sobre as hipóteses dos encarnados na Liga dos Campeões: «Se o Liverpool surpreendeu a Europa na última época porque não pode o Benfica fazê-lo este ano?» Estas declarações foram proferidas no rescaldo do jogo com o Liverpool e publicadas no jornal inglês Daily Post. O francês começou por referir que «o Liverpool não pôde contar com Gerrard e não jogou muito bem, de todo». De resto, Robert revelou-se «surpreendido com a exibição do Liverpool». E justificou: «Alguns jogadores pareciam cansados, talvez devido a jogos difíceis que tiveram. »De qualquer forma, «o Benfica trabalhou muito e marcou um golo de forma merecida». Para o jogo da segunda mão não falta confiança. E mostrou-se premonitório: «Lembro-me de ter marcado em Anfield um dos mais bonitos golos da minha carreira. Porque não repetir o feito?» Em Inglaterra, Robert considera que «o Liverpool vai atacar bem mais». «Sei que vão dizer que podem jogar muito melhor, mas o Benfica também pode repetir a boa exibição e tem possibilidades de voltar a ganhar», frisou. Porque não vencer a Liga dos Campeões? Robert garantiu aos ingleses que «o Benfica vai trabalhar muito, pelo que não há nenhuma razão para o Benfica não se qualificar». Confiança que voltou a manifestar em dose reforçada quando questionado sobre o sonho de ganhar a Liga dos Campeões. «O Liverpool surpreendeu muitas equipas na última época ao ganhar a Liga dos Campeões. Porque não pode ser o Benfica a fazê-lo desta vez? Nós estamos confiantes de que podemos surpreender a Europa.» quinta-feira, fevereiro 23, 2006
NUNO GOMES – Espero que Gerrard jogue lá! AINDA não foi desta que Nuno Gomes marcou na presente edição da Champions, mas em termos colectivos não faltam ao avançado razões para sorrir. No rescaldo da vitória sobre os campeões da Europa, o camisola 21 recordou a possibilidade que teve de se transferir para o Liverpool, em 2002, e projectou o encontro da segunda mão, em Anfield, onde espera ter Gerrard como adversário. O subcapitão do Benfica sabe que Gerrard é a alma e o motor do Liverpool, pelo que manifestou à imprensa inglesa o desejo de ver em campo o capitão dos reds na segunda mão (Na Luz apenas actuou os 13 minutos, devido a lesão). "Gerrard é um dos melhores jogadores do mundo e foi um pouco estranho não ter jogado. O Liverpool tem uma estratégia definida e não ficámos surpreendidos com a estratégia que apresentaram, mesmo sem Gerrard, mas espero que ele jogue em Anfield para não dizerem que passámos a eliminatória porque o Liverpool não tinha Gerrard", referiu o avançado. Nuno Gomes confessou que "esperava mais" do campeão europeu na primeira mão - "provavelmente pensavam que o empate a zero seria bom" - mas mostra-se consciente do ambiente terrível que o Benfica vai encontrar em Liverpool. "Nunca joguei em Anfield, mas é um grande estádio, com uma atmosfera especial, e é nesses ambientes que gosto de jogar. Não vai afectar a nossa equipa", frisou. A terminar, o camisola 21 recordou os tempos em que chegou a estar perto de assinar pelos reds: "Recebi um contacto de Gérard Houllier, quando saí da Fiorentina. Conversámos, mas a transferência falhou e resolvi regressar ao Benfica." O gigante marcou e foi dormir a sesta APÓS os erros que cometeu frente ao Sporting e União de Leiria, Luisão voltou a ouvir assobios e, durante as últimas semanas, recuou no tempo e recordou as críticas, duras, que teve no início da carreira no Benfica. Depois pestanejou, acordou, sorriu como se não houvesse amanhã, olhou para o relógio e viu que era hora de se pôr a caminho do treino. O primeiro depois da vitória sobre o Liverpool... Esta época já tinha marcado um golo, à Académica, mas foi o terceiro de uma vitória tranquila (3-0) e nem por sombras festejado com a emoção do que anteontem conseguiu na baliza de Reina, o guarda-redes do Liverpool. A felicidade de Luisão foi tão grande, e sentiu tanto orgulho, que no final nem fez questão de trocar a camisola com algum jogador da equipa adversária. Seguiu directo para o balneário e recordou o golo que marcou e valeu a vitória: passe milimétrico de Petit, ligeiro salto para ganhar terreno a Hyypia e Finnan e muita classe no cabeceamento que deixou Reina pregado ao chão. Jantar de grupo Depois do banho tomado e muitas palmadas de cumplicidade trocadas, a maioria dos jogadores foi jantar, como acontece a seguir a qualquer outro jogo. Luisão foi com eles e de sorriso estampado no rosto. Tinha colocado um ponto final nas críticas menos lúcidas. E não apenas com o golo, mas também com uma boa exibição. Sesta e a namorada Na manhã de ontem, a seguir ao jogo com o Liverpool, Luisão acordou e foi directo para o treino, que estava marcado para as 11 horas, no Estádio da Luz. Na manhã que sucedeu à derrota frente ao Sporting (1-3) a sessão foi triste e marcada pelos «puxões de orelhas» que recebeu de Koeman. Ontem tudo foi diferente e mais tranquilo. Do treino seguiu para casa e dormiu uma boa sesta, para descansar o corpo e a cabeça. A companhia da namorada também serviu para adocicar o momento. Resposta à crítica Luisão sentiu algumas dificuldades de adaptação na época de 2003/04 e foi muito criticado. Em entrevista ao nosso jornal confessou que chegou a pensar em ir embora, voltar ao Brasil. Mas ficou, ganhou terreno e hoje é uma referência neste Benfica. Além do trabalho no Benfica, Luisão tem os olhos postos no Mundial. Deve ser um dos escolhidos de Carlos Alberto Parreira para a selecção do Brasil. Na segunda-feira viaja para a Rússia, onde jogará o último particular antes da fase final na Alemanha. MOREIRA sem limitações QUATRO meses após ter sido operado ao joelho direito, Moreira mostrou-se ontem num treino em que trabalhou sem limitações. Ainda faz ginásio e piscina e está enquadrado no chamado treino integrado sob vigilância médica mas quem não soubesse do seu quadro clínico dos últimos meses diria que Moreira está a 100 por cento para poder jogar. Não é propriamente uma novidade absoluta, já que após o jogo com o V. Guimarães treinou-se com os companheiros, só que à porta fechada. Ontem a sessão teve lugar no relvado n.º 3 do Estádio Nacional e, como tal, aberta a quem a quis observar. E algumas bocas abriram-se de espanto e satisfação por terem visto Moreira a treinar-se sem qualquer tipo de limitação. Pelo menos aparentes, já que fez todos os exercícios ministrados também a Quim. No início ambos fizeram o aquecimento e colocaram-se alternadamente entre os postes para defender os remates um do outro e de Abe Knoop, treinador do guarda-redes. Moreira lançou-se a todas as bolas sem dificuldades. Mesmo a rematar para o companheiro não revelou dificuldades, quer utilizando um pé, quer utilizando o outro, portanto, sem denotar precauções face ao joelho operado. Recuperação favorável A parte final do treino foi destinada a uma peladinha de cinco para cinco, num curto espaço de terreno, com Quim e Moreira a defenderem cada um a sua baliza. Uma vez mais, com trabalho intenso e remates constantes, Moreira treinou-se sem limitações, revelando a qualidade que lhe é reconhecida. No final da sessão falou um pouco com Abe Knoop e com o médico António Barata, aparentemente para dar conta da forma como se sentia após uma sessão de treino exigente. Para quem não soubesse de nada e visse o treino diria que Moreira está pronto para regressar à competição. O boletim médico arrefece alguns ânimos, já que enquadra o guarda-redes em «treino integrado sob vigilância médica». É que, para além do trabalho de campo, Moreira continua a ser acompanhado pelo departamento clínico, faz ginásio e piscina. Operado a 18 de Outubro de 2005, para excerto de cartilagem do joelho direito, Moreira recebeu a previsão de seis meses para recuperação total, comprometendo de forma irremediável esta temporada. Mas quem o vê a treinar-se não deixa de se congratular pela forma como a recuperação está a correr e pelo esforço que está a fazer, junto com o departamento clínico, para ficar a 100 por cento muito em breve. Quem ganha ao Liverpool... TERMINADO o jogo em que o Benfica ganhou ao Manchester United, na Luz, por 2-1, portanto ainda antes do sorteio para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, Luís Filipe Vieira, numa manifestação de incontrolável confiança no plantel, sentenciou alto e em bom som: «Quem vier a seguir morre!» Anteontem, consumada a vitória sobre o Liverpool, o presidente foi à cabina dar os parabéns aos jogadores e dizer-lhes que só precisavam de acreditar neles próprios para continuar em prova. Mas esta mensagem tem igualmente a ver com... o FC Porto. Luís Filipe Vieira não vai à cabina benfiquista só no final dos jogos em que o Benfica ganha, dirige-se a ela quando a derrota ou o empate complicam os objectivos da águia. Exemplo mais recente, neste particular, o desaire em Guimarães. Com ele o Benfica viu dificultada a vida relativamente à luta pelo título de campeão nacional, mas o presidente não deixou de, ainda nas instalações do Estádio D. Afonso Henriques, transmitir uma palavra de conforto e de esperança aos jogadores, simultaneamente alertando-os para o facto de nada estar definitivamente comprometido a nível interno. Mais: que o Liverpool estava a bater-lhes à porta e o jogo com os campeões europeus era o momento crucial para transformar a desilusão em alegria. Viu-se... Para pegarmos na citada profecia do presidente benfiquista, diga-se que o Liverpool não morreu, naturalmente em sentido figurado. Mas ficou ferido. E tendo ficado ferido, coisa que muitos não acreditavam fosse possível, ficou de pé a expectativa — grande, enorme mesmo — para o jogo em Anfield, daqui por quinze dias, sensivelmente. Então se verá se Luís Filipe Vieira tem razões para sentenciar outra vez: «Quem vier a seguir morre!» Acontece, porém, que o FC Porto, entretanto, vai estar na Luz. É no próximo domingo. Trata-se de um jogo que poderá clarificar, e muito, o deve e haver do título nacional. Daí que o regozijo e a confiança manifestados por Luís Filipe Vieira ao plantel, logo após a brilhantíssima vitória para a Liga dos Campeões, tivesse, naturalmente, também funcionado como um claro e inequívoco incentivo para o compromisso com os portistas. À espera de baptismo AQUILO que Luís Filipe Vieira tem dito ao longo dos últimos tempos A BOLA teve oportunidade de confirmar esta semana: o centro de estágio e formação do Sport Lisboa e Benfica está pronto, bem como todas as acessibilidades e sinalética. Cabe agora à Direcção escolher a data para a inauguração, a qual está dependente apenas do acordo com a empresa que dará o seu nome ao recinto, a troco de 15milhões de euros. Os 15 hectares de terra que há menos de três anos estavam cobertos de caniçais e ervas de pasto é hoje um local que projectará o futuro do campeão nacional. A fábrica de sonhos está à espera apenas do baptismo. Domingos Soares Oliveira, administrador executivo do grupo empresar i a l do Benfica, teve oportunidade de esclarecer, em entrevista recente a A BOLA, as duas razões que levaram ao adiamento da inauguração do centro de estágio na Quinta da Trindade, no Seixal: não fazia sentido mudar o plantel e a respectiva logística para outro lado num momento em que se caminha para a fase mais importante da época; a segunda razão (talvez a mais importante) relaciona-se com a falta de acordo relativo ao naming. Ou seja, não vale a pena, segundo os dirigentes benfiquistas, inaugurar algo que mudará de nome posteriormente, tal como se verificará na Academia leonina de Alcochete—para a próxima época passa a chamar-se Academia Puma. Por 15 milhões de euros a SAD encarnada vai ceder a denominação por um período de 10 anos. De fácil acesso A primeira impressão que se tem ao chegar às proximidades do centro de estágio é semelhante ao que sucedeu com a zona da Expo, em Lisboa: do nada nasceu uma nova cidade. Desde o dia 2 de Junho de 2002, quando entraram as primeiras máquinas para remover o lixo, até ao presente. Porque se o centro de estágio já está concluído, o mesmo se passa com os arruamentos e vias circundantes, prontas a ver o crescimento de uma zona habitacional composta por condomínios destinados à classe média alta. A facilidade de acesso também se deve à sinalética. A mais de dois quilómetros já se encontram tabuletas que apontam o sentido a percorrer—apesar de não escaparem ao vandalismo dá para perceber o Sport Lisboa e Benfica no fundo laranja das placas. Não dá para enganar. De barco ou de metro Quem não tiver viatura própria e pretender visitar o centro de estágio tem uma excelente alternativa: o terminal fluvial do Seixal encontra-se a 500 metros — meio a brincar, o vice-presidente Mário Dias já aconselhou a empresa de transportes a baptizar um dos catamarans com o nome Benfica. A curto prazo o Metro do Sul do Tejo também terá uma estação bem próxima e o comboio é sempre uma possibilidade a considerar. quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Benfica 1 - 0 Liverpool 83 m 1-0, por Luisão. Karagounis, quem havia de ser! Estava-se no melhor período do Benfica. O médio internacional grego rompe pela zona central do terreno em direcção à grande área, em dribles. É derrubado por Hamann. Petit simula o remate forte na marcação do livre, opta porém por colocar a bola em diagonal na grande área, e Luisão, antecipando-se a Finnan e Hyypia, cabeceia muitíssimo bem, pondo a bola a entrar na baliza pelo lado direito de Reina. Um cabeceamento que deixou o guarda-redes do Liverpool sem reacção para esboçar a defesa... Arbitagem KONRAD PLATZ (Áustria) A actuação da equipa austríaca esteve entre excelente e impecável. Lição de muito bem arbitrar. Melhor em Campo LÉO (8) A convincente acção do brasileiro fica traduzida em dezenas de subidas à área contrária, que só por si criaram desequilíbrios na estrutura defensiva do Liverpool. Em jogo cerrado, o lateral-esquerdo foi um abalo permanente para o esquema montado por Rafa Benítez, que talvez não estivesse à espera de um defesa tão forte, quer no plano defensivo quer atacante. Com todo o stock de pilhas de longa duração gastas, Léo seria substituído aos 86 minutos, pouco depois do golo encarnado, rendição útil mas que também chegou como justa homenagem a peculiar figura do jogo. Bravo, bravíssimo... Sala de Imprensa RONALD KOEMAN (treinador do Benfica) KOEMAN diz que foi perfeito RONALD KOEMANrespirou melhor depois da vitória sobre o Liverpool, por 1-0, resultado que considerou perfeito. Não só porque o jogo foi muito estéril em oportunidades mas, sobretudo, por tudo o que obriga o Liverpool a fazer em Anfield dentro de duas semanas. — Este é o resultado que mais lhe agrada? — Creio que sim. O encontro foi muito disputado, não teve muitas oportunidades de golo. Criámos duas com livres de fora da área, mas não aproveitámos. Faltou-nos alguma tranquilidade mais atrás. Jogámos com três centro-campistas para lutar contra uma equipa forte e, na segunda parte, o domínio foi nosso, mesmo sem grandes oportunidades. — Vai mais tranquilo para o segundo jogo? — Um pouco, mas não na totalidade. Pelo menos, este resultado existe e, se marcarmos um golo em Anfield, eles terão de marcar três. Antes, disse aos meus jogadores que qualquer resultado sem sofrer golos seria bom, mesmo um 0-0. A importância de Karagounis — Quando Karagounis entrou, o jogo melhorou. Vai pensar melhor na sua utilização, talvez a titular? — Ele tem tido um papel importante ultimamente. Mas já se sabe que um jogo se ganha com mais de onze jogadores. Optámos por controlar de início, falei com Beto e Petit, mas disse a Karagounis para estar preparado, porque, se fosse preciso dar mais apoio no meio-campo, teria de entrar. Na segunda parte, o Liverpool baixou o ritmo e era importante chegar à frente. Como estávamos em casa, tínhamos de tentar. A entrada dele foi importante para jogarmos mais à frente no terreno. — Este resultado dá alento para o jogo com o FC Porto? — Esse é outro jogo, vai termais futebol. É diferente do Liverpool, mas também complicado. Temos de lutar muito. Esta vitória dá-nos moral. Por isso, a partir de domingo temos de ganhar para encurtar distâncias. — Surpreendeu-o a forma como o Liverpool se apresentou? — Não creio que se tenham poupado. Para o Liverpool, a Liga dos Campeões é importante, mas não sei porque deixaram Gerrard ou Crouch no banco. Afinal, não é só no Benfica que há rotatividade...O jogo não foi fantástico, mas fomos fortes mental e fisicamente, frente a uma equipa que não deixa jogar muito. Talvez alinhe lá de maneira diferente. — Como interpreta os assobios a Beto? — Todos o conhecemos, não espero que faça 20 assistências por época. Não esteve muito acertado e teve alguns passes errados, mas é um jogador honrado, que trabalha. As pessoas só olham para os jogadores que passam, nunca para os que recuperam. — O Benfica é favorito? — Talvez um bocadinho mais agora. Antes, era o Liverpool, mas as coisas mudaram um pouco. Já ganhámos ao Manchester United, agora ao Liverpool, talvez o façamos de novo daqui a duas semanas. Demos um passinho SENSAÇÃO déjà vu. Petit marca um livre, Luisão lança-se num voo para um golpe de cabeça triunfante. O Benfica vence por 1-0. Na época passada a vítima foi o Sporting. Ontem, caiu o Liverpool no Estádio da Luz. «Foi um lance perfeito», resumiu, de forma simples, o gigante brasileiro. Mais um golo decisivo pelo Benfica. Luisão era um homem realizado no final do jogoE revelou os bastidores de um momento que lançou a euforia nas bancadas: «Conversei com Petit para fazermos essa jogada. A bola foi excelente e eu tive a felicidade de marcar. No futebol actual, estes lances são muito importantes. Tínhamos preparadas algumas surpresas, mas o maior mérito é do mister Koeman, que tem insistido nesta jogada.» Um golo e uma vitória classificadas por Luisão como «muito importantes» devido ao momento negativo que o Benfica atravessou. «O grupo mostrou ser forte na hora decisiva», reforçou o defesa, perspectiva já o confronto com o FC Porto, domingo, no Estádio da Luz, para a Liga: «Temos de esquecer a Champions. Enquanto tivermos possibilidades vamos lutar pelo Campeonato. Temos de jogar da mesma forma como fizemos contra o Liverpool. Queremos ganhar.» A vitória sobre os ingleses é encarada por Luisão como apenas «um passinho » para a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. O camisola 4 lembrou que é preciso não esquecer que o Benfica enfrenta um adversário muito forte. «Teremos de jogar com maior respeito em Liverpool. Do outro lado estará o campeão europeu. Em Inglaterra vai tudo começar do zero», vincou. Sem medo da responsabilidade O golo ajudou Luisão a ultrapassar dois jogos infelizes, contra Sporting e U. Leiria. «Dá moral», frisou. Mas o internacional brasileiro fez questão de salientar que o sucesso de ontem não é exclusivamente seu. Nem podia ser. «É um prémio para o que todos fizeram durante os 90 minutos. Agradeço a Deus e aos meus companheiros pelo que me aconteceu», disse. Para a segunda mão, em Liverpool, Luisão já sabe que vai ter muito trabalho. Nada que o assuste. Pelo contrário. «Isso, para mim, é bom. Gosto dessa responsabilidade », atirou, com a mesma certeza que cabeceou para bater Reina. Luisão sublinha que o triunfo sobre os campeões da Europa «reforça a confiança da equipa». Agora, é preciso jogar «a segunda parte como o Benfica fez na Luz». «Está tudo em aberto », alertou. Luisão trava o sorriso. Sente-se a sua felicidade. Controla-a por saber que Anfield é um inferno para os adversários. Jogadores do Benfica calaram as más-línguas «OS jogadores do Benfica estão de parabéns. Acabaram de dar um grande exemplo de profissionalismo. Aliás, o plantel estava plenamente convencido de que ganhava este jogo, um jogo em termos tácticos e estratégicos excelentemente preparado pela equipa técnica», afirmou José Veiga a A BOLA. O director-geral da SAD destacou, igualmente, que o Benfica «provou que, contrariamente ao que por aí se ia dizendo, não está morto, está bem vivo e de saúde, pronto para atacar de frente e confiante os próximos desafios». Relembre-se que, em termos de campeonato, segue-se o FC Porto, na Luz. Ainda segundo José Veiga, esta vitória «prova, igualmente, que a estrutura do nosso futebol profissional é forte, que há unidade no balneário ».E sublinha: «Depois das derrotas sofridas ultimamente e das violentas críticas de que foram alvo, os jogadores do Benfica calara mas más-línguas. Foi a melhor resposta que lhes podiam dar.» José Veiga escusou-se a abordar o jogo da segunda mão porque, justificou, «a partir de agora só pensamos no Campeonato, pois a conquista do título continua perfeitamente ao nosso alcance». Os assobios que se lixem FRENTE ao Manchester United foi elevado ao estatuto de herói, por ter marcado um golo decisivo. Ontem, Beto conheceu o reverso da medalha e saiu de campo debaixo de um couro de assobios. O brasileiro não gostou e com as palavras passou a jogar ao ataque: «Que se lixem os adeptos que me assobiam.» A conversa começou em tom ameno, com Beto a falar do que mais gostou no encontro. «Foi muito difícil, mas o golo de Luisão foi fantástico. Beto correu muito como sempre, mas neste lance Riise corta a jogadaTínhamos estudado aquela jogada e acabou por dar frutos na melhor altura. Em Inglaterra, sabemos que teremos de jogar num ambiente muito adverso, mas vamos ter força para suportar esse facto e seguirmos em frente na Liga dos Campeões», disse. Depois sim, comentou as manifestações pouco simpáticas dos adeptos e da forma como reagiu a isso. E deixou claro que não gostou. «Estou me lixando para os assobios. O Benfica tem a maior massa de adeptos de Portugal e quem me assobia é apenas metade. Os outros gostam de mim porque sabem que faço o meu trabalho, que deixo tudo em campo e luto muito», justificou. Tornou-se evidente que Beto ficou triste com o que se passou ontem no Estádio da Luz, mas o médio garantiu que não se deixa afectar: «Podem assobiar-me durante 90 minutos que não vou perder a tranquilidade. Entra por um ouvido e sai pelo outro. Tenho a certeza que o treinador e a Direcção do Benfica estão satisfeitos comigo e isso sim é importante. Começo a estar habituado a ouvir estes assobios e já nem ligo.» Beto começa a ser uma espécie de patinho feio do Benfica e admitiu que se sente como tal. «Desde os primeiros jogos que alguns adeptos pegam no meu pé. Sinto-me um patinho feio desde o início da época. Não percebem que sou um jogador importante, que faço o que o treinador me manda, que defendo muito e pressiono sempre os adversários. Quando marquei ao Manchester era o maior, hoje já não presto. Não entendo, esses que me assobiam. São treinadores de bancada que nunca devem ter dado um pontapé numa bola. Não me posso deixar abater por isso», lamentou. A encerrar o tem, Beto mostrou-se sensibilizado pelo facto de uma das claques ter gritado o seu nome, enquanto os restantes adeptos o assobiavam. Além disso, aproveitou para pedir esculpas a Sissoko pela lesão provocada: «Apareceu nas minhas costas e, infelizmente, acertei-lhe no olho. Queria pedir-lhe desculpa porque foi sem intenção. Espero que não seja nada de grave.» Luz foi um caldeirão, segundo Léo O melhor jogador em campo, para a A BOLA, foi Léo que, no final, considerou o estádio «um caldeirão » que empurrou o Liverpool. «A nossa equipa teve muita força. Parabéns aos adeptos. O treinador disse-nos como jogavam e conseguimos anular os pontos fortes deles», afirmou, remetendo toda a motivação para o jogo com o FC Porto: «Estamos muito vivos e cientes da responsabilidade que temos. Respeitamos o FC Porto, mas vamos para cima deles.» Moretto augurou novo ciclo positivo O guarda-redes Moretto desejou que a vitória de ontem seja «o início de um ciclo vitorioso do Benfica», reforçando, de seguida, que é importante «ganhar o próximo jogo». «Se entrarmos como hoje, vamos vencer o FC Porto», concluiu. terça-feira, fevereiro 21, 2006
KOEMAN Simão vai querer mostrar porque é pretendido em Inglaterra OS adeptos ingleses estarão hoje de olhos postos na Luz. Depois de eliminar o Manchester United, o Benfica enfrenta o Liverpool, campeão europeu em título... e o clube que no Verão e assediou intensamente Simão. O capitão pode mesmo estar de partida para Inglaterra na próxima época e Koeman espera que isso o motive ainda mais para o jogo de hoje. Primeiro foi o Liverpool a mostrar-se atento às características de Simão Sabrosa. No Verão tentou contratá-lo, mas o Benfica inviabilizou a sua saída. Tudo indica que o campeão europeu em título desistiu da corrida, mas fala-se agora do interesse do Chelsea, com quem poderá já ter tudo negociado. — Acredita que Simão poderá mostrar-se afectado por defrontar o Liverpool, clube que tanto interesse demonstrou em contratá- lo? — É verdade que se falou e continua a falar muito da possibilidade de Simão ir para Inglaterra. Espero que isso o motive ainda mais, que jogue bem e demonstre que efectivamente tem potencial para jogar em Inglaterra. Que seja mais uma razão para que demonstre o porquê do interesse que o Liverpool demonstrou. A equipa está muito motivada, mas por vezes é bom ter outro tipo de incentivos. Se jogar bem será bom para ele e também para nós. — De que jogadores sentirá maior falta para este encontro? — Não temos Geovanni, Miccoli e Moreira, e também não podemos utilizar Manduca e Marco Ferreira, porque apenas podiam ser registadas na UEFA três contratações de Inverno. Mas tendo em conta o jogo que vencemos com ao Manchester United, Miccoli e Geovanni são as principais baixas. Geovanni tem estado muito bem, agora não podemos contar com ele por isso há que explorar outras oportunidades. Robert precisa de ser mais agressivo Koeman admite que conta com Laurent Robert para o jogo de hoje, garante que o francês está motivado, mas não deixou de lhe pedir mais agressividade. — Perspectivam-se novas alterações na equipa… —Sim, farei algumas porque temos jogadores que vieram em Janeiro e não estão inscritos. Tacticamente também é possível que mude alguma coisa para obter o máximo rendimento. —Robert poderá voltar a ser titular? — Treinou bem nos últimos dois dias, após recuperar de uma ligeira lesão, e está em condições de jogar. —Ele vai querer mostrar aos ingleses o seu valor, apesar de estar ainda a um nível elevado no Benfica… — Creio que Robert precisa de tempo. Mas está muito motivado para este jogo e por isso será um elemento importante para nós. Ele tem um excelente pé esquerdo mas precisa de um pouco mais de agressividade, além de que está ainda a adaptar-se ao futebol português. São coisas que levam o seu tempo. Quando se entra numa equipa a meio da época demora-se mais a adaptar. Espero que possa mostrar que também ainda podia jogar em Inglaterra. Oxalá o Liverpool tenha um dia mau SERENO, discurso tranquilo, com optimismo, mas consciente das dificuldades. Sem revelar ponta de pressão, Koeman garantiu que a sua equipa, não sendo favorita, tem uma palavra a dizer neste jogo. Serenamente optimista. Ronald Koeman apresentou-se, ontem na conferência de imprensa para lançamento do jogo com o Liverpool, com um sorriso tímido, mas longe de acusar qualquer pressão face aos últimos resultados na Liga. Diz que jogar com o Liverpool será «muito mais complicado que com o Manchester United», mas o Benfica «tem equipa para vencer qualquer adversário ». — Após mais uma derrota na Liga, como se apresenta a equipa em termos anímicos? — O mais importante é que a equipa esteja agora bem em termos psicológicos, pois temos pela frente uma partida complicada. Devemos esquecer os maus resultados obtidos na Liga. Este jogo é de outra competição e temos de tirar proveito disso. É uma boa oportunidade para demonstrar que estamos fortes e motivados, pois vamos bater-nos com o campeão europeu. — Tem gostado da atitude da equipa nos últimos jogos? — Não posso queixar-me. Há algo que não podemos esquecer nunca: todas as equipas portuguesas quando jogam com o Benfica dão sempre mais que em outros jogos. Porém agora este jogo é diferente. Teremos de ser nós a dar o tudo por tudo diante do Liverpool, até porque não somos favoritos. E não o sendo temos de tirar proveito disso. — O que está em jogo neste encontro com o Liverpool? — Se passar o Liverpool será algo de normal. Mas nós queremos causar uma surpresa e fazer algo que deixe todo o mundo feliz, como aconteceu contra o Manchester. Na altura também não éramos os favoritos. Mas sinto que ganhar ao Liverpool é mais complicado que ganhar ao Manchester. — Sendo ambas equipas inglesas têm um estilo de jogo idêntico? — Penso que este é um adversário superior ao Manchester United porque possui uma enorme capacidade na sua linha defensiva e no meio campo, jogam de forma bastante compacta. O MU tem melhores valores individuais no ataque, mas o Liverpool é mais equipa. Os seus quatro defesas mais os quatro médios trabalham muito e depois fornecem futebol directo para Peter Crouch. Eles são favoritos porque têm melhor equipa e mais dinheiro... mas se o V. Guimarães nos ganhou também nós acreditamos que podemos vencer o Liverpool. — Será, então, mais difícil vencer o Liverpool do que foi ultrapassar o Manchester? — Sim, será mais duro do que foi com o Manchester. Mas também acredito que este Benfica pode vencer qualquer equipa. — Com Geovanni lesionado, quais as hipóteses de criar oportunidades de golo ou até mesmo de marcar? — Acho que conseguiremos criar oportunidades de golo, mesmo sem Geovanni, que se revelou fundamental nessa partida. O Liverpool está efectivamente muito forte, e basta ver que nos dois últimos jogos que tiveram o Arsenal e o Manchester United não criaram oportunidades de golo flagrantes em 180 minutos de futebol contra eles. Mas o futebol é imprevisível, e tudo é possível. Todas as equipas têm os seus dias maus. Recordo-me que quando o Liverpool jogou com o Luton sofreu três golos. São coisas do futebol... esperamos que connosco o Liverpool esteja também num dia mau. — Acredita que a eliminatória apenas ficará resolvida na segunda mão? — Penso que sim. Neste primeiro jogo não deverá existir uma diferença muito grande entre as duas equipas, por isso é natural que apenas em Liverpool a eliminatória se decida. NUNO GOMES Difícil mas não impossível NUNO GOMES é a voz da esperança no plantel encarnado. Vice-capitão e melhor marcador da Liga, admite que o momento é de profunda tristeza, devido aos últimos resultados , mas assegura que a equipa vai entrar em campo disposta a repetir a façanha levada a cabo contra o Manchester United. O avançado encarnado inspira-se na vitória das formações nacionais sobre as congéneres inglesas nos últimos confrontos, para continuar a sonhar. Melhor marcador da Liga portuguesa, Nuno Gomes tem no jogo frente ao Liverpool a oportunidade de estrear-se a marcar na presente edição da Liga dos Campeões. O vice-capitão da equipa encarnada diz ser esse o seu desejo, e apesar de reconhecer que ganhar ao Liverpool não será fácil, sublinha que está longe de ser impossível. — Vai defrontar defesas altos e, por isso, lentos. Jogar rente à relva será a melhor estratégia? — Para nós, poderia ser uma vantagem mas eles são bem dotados tecnicamente, apesar de serem altos. Consentem poucos golos, mas tentaremos fazer o nosso futebol, pois não ligamos muito a esses aspectos. Acima de tudo, espero que entremos de cabeça limpa, para conseguirmos os nossos objectivos. — Como espera superar uma defesa tão forte como a do Liverpool? — Nós, atacantes, apanhamos pela frente defesas fortes, sobretudo na Liga dos Campeões. Estamos habituados a defrontá-los e esperamos sempre ultrapassá-los. Não há fórmulas mágicas e, assim sendo, lutarei com as armas que tenho. — É o líder dos marcadores da Liga portuguesa, mas ainda não marcou na Liga dos Campeões. Isso provoca-lhe ansiedade? — Gostava de marcar na Liga dos Campeões e, se possível, que fosse neste jogo. Mas não sinto ansiedade. Que se repita a tradição — Tem sido utilizado muitas vezes numa posição mais recuada. Neste jogo, em que posição prefere actuar? — Não tenho preferência. Mais à frente ou atrás, acima de tudo quero jogar, independentemente da posição em que o treinador me colocar. — O jogo de Guimarães foi muito duro, os jogadores já recuperaram do esforço? — Temos mais 24 horas para descansar, por isso estaremos a cem por cento. O jogo de Guimarães foi complicado, mas somos profissionais e estamos preparados para jogar duas vezes por semana. O Liverpool jogou também no sábado e por isso está na mesma situação que nós. — Geovanni marcou ao Manchester United, mas não vai estar presente neste jogo... — É pena que Geovanni se tenha lesionado e falhe este jogo. Mas temos outros jogadores bons para aquela posição. — Nos últimos jogos, as equipas portuguesas e a Selecção têm-se superiorizado às equipas inglesas aqui na Luz. Isso pode ser um incentivo? — Oxalá se mantenha a tendência. Respeitamos o Liverpool que é o campeão da Europa. Sabemos que será uma missão difícil, mas não impossível. segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Tem a palavra o inferno da Luz ESTÁ mais que confirmado: o Estádio da Luz está esgotadíssimo, não sobra nem mais um bilhete, e estão reunidas todas as condições para se acenderem as caldeiras do inferno da Luz. A venda dos ingressos decorreu no período em que a equipa vencia jogos em série, mas, mesmo assim, não se espera uma reacção negativa por parte dos adeptos por causa dos desaires frente a Sporting, U. Leiria e V. Guimarães. A equipa está sob pressão, mas a tampa também ameaçava saltar a 7 de Dezembro e, com a ajuda de 65 mil nas bancadas, o Manchester United baqueou frente ao campeão nacional. Que a história se repita! Parece ser uma equipa de ciclos este Benfica versão 2005/06. Tão depressa a águia assume voo imperial lá nas alturas como depressa cai a pique, sem etapas intermédias ou redes de protecção. O período que vive actualmente é negativo, no limiar da depressão colectiva. As derrotas com Sporting, U. Leiria e V. Guimarães voltaram a ressuscitar os fantasmas dos finais de década de 90, não só pela série de resultados negativos, mas também pela apatia e vazio de ideias postas a nu - leiam-se as declarações de Petit, no final do jogo na Cidade-Berço, ao alertar para a necessidade de melhorar a atitude sob pena de muitos dos objectivos delineados esta época caírem no mar do esquecimento. Mas esta é a mesma águia que parece gostar de sofrer para, nos grandes momentos, bater asas e subir aos céus. Basta recordar o que aconteceu depois das primeiras quatro jornadas da Liga, nas quais o Benfica conquistou apenas um ponto: cinco vitórias consecutivas, uma das quais no Estádio do Dragão; vitória sobre o Lille, empate e excelente exibição em Villarreal. Crise? Qual crise? Este terá sido o grito de guerra do plantel quando, a 7 de Dezembro, recebeu o Manchester United. O ciclo anterior não fora nada famoso: uma vitória em sete jogos - quatro empates e duas derrotas complementaram o quadro. Contrariando as expectativas, o Benfica ganhou e pôs o gigante inglês fora da Champions. Assim se espera amanhã. Tem a palavra o inferno da Luz, até para voltar a equilibrar a história: o triunfo sobre o Manchester foi inédito, face às derrotas no passado; uma vitória sobre os reds ajudará a abafar a derrota por 1-4, em Lisboa, em Março de 1984. Voa águia! Koeman volta a mudar RONALD KOEMAN tem conseguido inverter o conceito de notícia: a novidade é quando não muda de equipa. Para a recepção ao Liverpool, amanhã à noite, prevê-se mais do mesmo: novo jogo, mais um punhado de jogadas no xadrez do técnico holandês. Pela 19.ª vez em 33 partidas oficiais, o treinador deverá trocar de centrais, vai trocar de médio-ala direito e poderá promover nova transformação no meio-campo ofensivo. Em todos os balanços que se fizerem sobre o trabalho de Ronald Koeman à frente da equipa técnica do Benfica, há um dado que irá emergir, independentemente do sucesso ou insucesso da sua primeira aventura no estrangeiro como treinador: as constantes alterações na equipa que inicia cada encontro - em 33 jogos oficiais, apenas por uma ocasião o holandês repetiu o mesmo onze em dois compromissos consecutivos. Todos os sectores têm passado por mexidas (na baliza, por exemplo, já foram utilizados quatro guarda-redes)mas é no eixo defensivo que se encontra o verdadeiro paradigma da rotatividade em série: 18 alterações na dupla de centrais - e raramente por constrangimentos de lesões ou castigos. Luisão é o pêndulo, enquanto Anderson e Ricardo Rocha alternam jogo sim jogo não, mediante a análise que o técnico faz das movimentações dos avançados da equipa adversária. E não deixa de ser curioso recordar que Ronald Koeman fez (brilhante) carreira como defesa central. Alcides pode voltar Não tem sido fácil encontrar um critério para explicar as constantes alterações no onze, mas há pelo menos um dado que parece ser claro relativamente à posição de lateral-direito: Alcides pode render Nélson naquele posto para o jogo com o Liverpool. A razão é simples: o holandês usou sempre a altura do brasileiro quando jogou com equipas com forte poder aéreo, como é o caso do campeão europeu. Posto isto, é provável que Nélson suba para médio-ala direito. Não só porque foi esta a fórmula de sucesso utilizada frente ao Manchester United, mas porque Marco Ferreira, titular em Guimarães, vai sair do onze porque não está inscrito na Liga dos Campeões, tal como Manduca. No resto da defesa espera-se a inclusão de Anderson no lugar de Ricardo Rocha (a 19.ª mexida) e a manutenção de Léo, enquanto no meio-campo deve imperar a dupla Petit/Manuel Fernandes. A "ajuda" de Robert Poupado para o jogo de Guimarães, Laurent Robert pode merecer nova oportunidade. A favor do francês joga o facto de conhecer a fundo o adversário de amanhã, pela experiência que acumulou na Premier. Karagounis também tem hipóteses de ser titular, caso o técnico coloque Marcel no banco - o grego apoiaria Nuno Gomes e assumiria o jogo ofensivo da equipa. Outro cenário, apesar de menos crível, é a colocação de Simão numa zona mais central, para deixar em Nélson e em Robert a exploração das laterais. Como vai ser, mister Koeman? Os bastidores da crise PETIT pôs o dedo na ferida ao dizer que os jogadores do Benfica deviam pedir desculpa aos adeptos pela desastrosa exibição em Guimarães, acrescentando ainda que se continuar a entrar nos jogos como fez neste, o Benfica não será campeão. Não seriam necessárias as palavras de Petit para que imperasse um silêncio sepulcral no voo que transportou a equipa até Lisboa, pois a frustração após a terceira derrota em apenas quatro jornadas é geral. Como é natural, as suas palavras tiveram eco diferente no espírito dos companheiros, a maioria dos quais parece não compreender bem o que se está a passar a uma equipa que todos reconhecem ter muita qualidade. Há quem atribua esta série negativa à mera falta de sorte, mas também quem se sinta lesado pelas opções de Ronald Koeman, no que toca a oportunidades. Esta insatisfação foi mais evidente na fase da chegada dos novos reforços, alguns deles lançados sem o mais pequeno entrosamento com os companheiros. No entanto, mais do que contestar as trocas e baldrocas na equipa, é na rigidez táctica que alguns encontram justificação para os desaires. O holandês não abdica de jogar com apenas dois médios, seja qual for o adversário, mas sem elementos nas alas vocacionados para defender e perante a matreirice típica de adversários que apresentam um meio campo superpovoado, a equipa fica em inferioridade numérica e claudica, de nada valendo a vantagem, meramente estatística, na posse de bola. A escassas horas do jogo com o Liverpool, o ambiente é de profunda frustração, mas simultaneamente de enorme esperança em que a passagem aos quartos de final propicie novo ponto de viragem, à semelhança do que aconteceu com o Manchester United. No entanto, a tarefa não se afigura fácil e os jogadores têm perfeita consciência de que os primeiros vinte minutos serão cruciais para o desfecho do jogo com os reds. domingo, fevereiro 19, 2006
Guimarães 2 - 0 Benfica Arbitragem LUCÍLIO BAPTISTA (6) Com aquele piso escorregadio e traiçoeiro não se esperava que Lucílio tivesse a tarefa facilitada. Tentou andar próximo dos lances, mas era inevitável algum descontrolo em situações de bola dividida. Sala de Imprensa RONALD KOEMAN (treinador do Benfica) KOEMAN vê fugir o título NÃO atira com a toalha ao tapete mas admite que as hipóteses de o Benfica revalidar o título de campeão nacional serão remotas se o FC Porto ganhar hoje ao Marítimo, no Estádio do Dragão. A derrota de ontem frente ao V. Guimarães provocou em Ronald Koeman um sentimento de algum conformismo, visível na entrevista rápida à Sport TV a seguir ao jogo, e mais latente já na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, depois do banho tomado e com as ideias mais clarificadas. Ao contrário do que se passou na véspera, em cuja conferência de imprensa o treinador do Benfica se apresentou irritado, a conversa com os jornalistas após a derrota com os vimaranenses decorreu sob um clima de serenidade. — O resultado deste jogo deve-se ao mérito do V. Guimarães ou ao demérito do Benfica? — Quando uma equipa ganha tem sempre mérito. O Vitória entrou muito forte no jogo e adaptou-se mais rapidamente ao relvado. Fez o 1-0 com alguma sorte, uma vez que a bola bateu na cabeça do Ricardo Rocha, mas a verdade é que o jogador chutou... Depois do golo do adversário tentámos reagir, melhorámos relativamente ao que fizemos nos primeiros 15 minutos mas não foi suficiente. Mas gostei da atitude dos jogadores. — Face a este resultado o título fica mais afastado? — Está mais complicado. Se o FC Porto ganhar fica com mais oito pontos e já é uma distância grande. Teremos a possibilidade de encurtar a distância na próxima semana [recepção aos dragões no dia 26], depois ainda vão restar mais pontos para disputar, mas fica realmente muito difícil. Cléber não devia ficar em campo —Mas o que se passa na equipa? Não conseguiu construir muitas oportunidades e golo... — Não é fácil ganhar quando não se criam oportunidades. É verdade que não criámos. Conseguimos criar algum perigo mas a verdade é que a partir do primeiro golo, o V. Guimarães fechou-se muito e fez um montão de faltas. Não me quero queixar do árbitro mas naquela falta do Cléber [sobre Nuno Gomes, à entrada da área, na primeira parte] devia ter sido mostrado o cartão vermelho. Se uma entrada daquelas não dá expulsão então não sei para onde vamos... o Cléber não merecia ter ficado em campo. Liverpool é outra história Com o objectivo do título mais longe, a cabeça da equipa técnica parece estar agora mais concentrada na Liga dos Campeões. Mesmo que o grau de dificuldade seja elevado e o nome do adversário dos encarnados se chame Liverpool, o campeão europeu em título. Mas, como diz Koeman, «há que tentar»... — Até que ponto esta derrota pode influenciar o jogo de terça-feira, com o Liverpool? — Trata-se de um outro jogo, outra competição, outro adversário. É uma eliminatória. Não será fácil, pois o Liverpool é o campeão em título, mas há que tentar... Assim não seremos campeões PETIT foi, uma vez mais, lutador incansável no meio-campo encarnado, mas a decepção face ao resultado estava bem estampada no seu rosto no final do jogo. Sem rodeios, o pitbull pôs o dedo na ferida, criticando a forma como a equipa encarou o início do jogo e, embora alertando para a quantidade de pontos em disputa, previu muitas dificuldades na revalidação do título, se não houver uma mudança de atitude. "Sabíamos que iríamos encontrar um ambiente muito difícil e, também, defrontar um adversário que joga bem e troca bem a bola. O Guimarães tem uma excelente equipa, a posição que ocupa na classificação não corresponde ao seu valor. Estava apenas sem confiança, mas a vitória sobre o Marítimo na Madeira deixou-os mais confiantes, enquanto nós não entrámos bem na partida. Facilitámos demasiado nos primeiros 15 minutos ", admitiu, alertando os companheiros para uma consequência evidente: "Quando uma equipa que quer ser campeã entra desta maneira... penso que assim não podemos ser campeões ", encarou com frio realismo. Nada está perdido Se o FC Porto vencer hoje o Marítimo, o fosso para o líder do Campeonato aumentará para oito pontos. A recuperação implicará, certamente, uma tarefa gigantesca, mas Petit diz que ainda é cedo para atirar a toalha. "Pedimos desculpa aos nossos adeptos, temos é de continuar a trabalhar. A vida continua e temos já um jogo na próxima terça-feira, que procuraremos ganhar para lhes dar uma grande alegria", manifestou. Perspectivando o que resta do Campeonato, Petit deixou uma mensagem de optimismo aos benfiquistas: "Ainda falta muito campeonato, hoje em dia já não há equipas fracas. Toda a gente trabalha bem, a prova vai ser difícil para todos os candidatos. Há muitas jornadas pela frente, na próxima semana recebemos o FC Porto em nossa casa e nada está perdido. Continuaremos a trabalhar e espero que os adeptos encham o estádio na terça-feira, para nos apoiar." Protagonista do episódio que irritou Ronald Koeman no último treino, Petit retirou importância ao assunto. "Não há nenhum problema. Trabalhamos dia a dia e o episódio foi mais empolado pela comunicação social que por qualquer outra pessoa", frisou. Relembrar Fehér Fehér, ponta-de-lança húngaro do Benfica que perdeu a vida no relvado do Estádio D. Afonso Henriques há pouco mais de dois anos, foi mais uma vez recordado e alvo de singela homenagem pelo plantel encarnado, que depositou uma coroa de flores precisamente no local onde o jovem goleador caiu sem consciência. O capitão benfiquista, Simão Sabrosa, liderou o grupo e carregou a coroa de flores, mas todos os atletas que entraram de início em campo pelos encarnados, mesmo aqueles que ainda não estavam na Luz ou sequer conheciam Fehér, reuniram-se no local da tragédia. Nas bancadas a cerimónia não passou, obviamente, em claro e Guimarães recordará para sempre o jogador. De um lado, onde estava a maioria dos adeptos do Benfica, podia ler-se uma faixa, enorme, com as palavras 'Eterna Saudade'. Do lado vimaranense, além do respeito do momento, um estrondoso aplauso, talvez o único minuto dentro do estádio em que ambos os lados estiveram de acordo. A solidariedade e união entre ambas as forças esgotou-se, porém, com a homenagem ao malogrado futebolista, dado que os adeptos vimaranenses não olharam a meios para conduzirem a sua equipa ao triunfo. Bonita foi, por exemplo, a coreografia montada pelo público minhoto, que cobriu de branco quase todas as bancadas. sábado, fevereiro 18, 2006
Não podemos falhar SE dúvidas houvessem em relação à importância desta deslocação a Guimarães... Koeman encarregou-se ontem de as esclarecer. Para continuar na luta pelo título e querer mais, nas competições nacionais ou na Liga dos Campeões, a equipa não pode falhar esta jornada. Simão, Marcel e Manuel Fernandes têm quatro cartões amarelos e estão à beira da suspensão; outros jogadores têm pequenas lesões... mas não haverá poupanças. O técnico holandês quer agressividade e não reconhece legitimidade ao grupo para estar nervoso. A hora é esta. E o Benfica não pode falhar. Palavra de Koeman. - Pensa mudar muito a equipa para este jogo, tendo em conta depois os jogos contra Liverpool e FC Porto? - Não. Não penso noutro jogo que não seja no que temos com o V. Guimarães, que é o mais importante. Vamos jogar com a melhor equipa que temos disponível. Não há nada para resguardar, nem jogadores com cartões a mais ou com pequenas lesões... Quero os jogadores a cem por cento para este jogo, porque temos de ganhar. Não podemos falhar se queremos continuar na luta pelo título. Por isso disse aos jogadores que o jogo de amanhã (hoje) é o mais importante. Depois pensaremos no que fazer. - A equipa está pronta para este ciclo decisivo? - Creio que estamos preparados. Não temos de ter dúvidas ou estar nervosos. Somos os únicos que ainda estamos nas três competições e isso é motivo para estarmos contentes. Sabemos que será complicado, que o jogo em Guimarães será muito complicado porque o Vitória não está na situação que merece. Mas ganharam o último jogo, estão mais confiantes e seguramente que vão fazer tudo para ganhar ao Benfica. - O grupo tem consciência de que a carreira da equipa se complicará muito em caso de derrota? - Sempre penso em ganhar. Nunca penso em perder. - Como analisa o V. Guimarães? - É uma equipa muito complicada. Estranho estarem tão abaixo na tabela porque têm um plantel com muita qualidade, que normalmente estaria mais acima. Sabemos que é uma equipa muito agressiva e que será muito complicado ganhar. Venceram o jogo em casa do Marítimo e estão mais confiantes. O V. Guimarães tem o seu estilo, joga no limite e o árbitro será quem vai dizer qual é o limite. Também teremos de ser agressivos e estar muito concentrados para conseguirmos os três pontos. - Os pedidos de exigência que fez nos treinos são reflexo do momento importante da época? - A situação é muito clara: tens de ganhar amanhã (hoje). Se queres algo mais... passa por ganhar o jogo em Guimarães. - Há lesões. Fará muitas alterações na equipa? - Pode ser, vamos ver. - Robert está em condições? - Está lesionado e não pôde ser convocado. KOEMAN ameaça fechar a porta O holandês do Benfica não gostou de ver nas televisões, ouvir nas rádios e ler nos jornais notícias sobre uma conversa supostamente privada que teve em público com alguns jogadores, durante o treino de quinta-feira, e ameaça trabalhar à porta fechada a partir de amanhã. Na conferência de imprensa de ontem, Koeman recusou comentar quase todos os temas que não estivessem relacionados com o jogo em Guimarães, deixando aqui e ali - num discurso sempre tranquilo mas seco -pistas de um desconforto latente em relação à crítica desportiva portuguesa. Em pleno treino realizado anteontem no Jamor, na presença de jornalistas e adeptos, Ronald Koeman parou a sessão e alertou os jogadores para a necessidade de maior concentração. Pediu-lhes maior agressividade e empenho; e falou especialmente com Petit, elemento que considera muito importante e que pode ter influência sobre os outros. O episódio foi destaque em todo lado; jornais, rádios e televisões relataram e reproduziram as palavras do treinador, em grande parte audíveis para quem presenciou o treino. Terá sido este o facto que, para Koeman, representou a gota num copo de água que o holandês vem, aparentemente, enchendo desde há algum tempo. O técnico holandês considera que os treinos à porta aberta têm prejudicado a equipa e diz que os outros não têm o mesmo tratamento. - Fez exigências aos jogadores no treino. Foi a forma que encontrou de lhes dizer que não podem falhar? - É o meu trabalho, por isso sou treinador. Mas a partir de domingo fecha-se a porta e deixa de haver problemas nesse sentido. - Vai passar a fazer treinos à porta fechada, é isso? - A partir de amanhã é importante para não perdermos a possibilidade de lutar pelo título, depois veremos. - É seu estilo falar frequente mente com os jogadores, individualmente, já falou com Simão sobre o momento de forma que atravessa? - Falo como todos falam, a diferença é que vocês estão ali ao lado e no Porto e no Sporting não estão. - Mas porque razão tem esta atitude agora? - Há muitas coisas que não gosto, mas não vou discutir isso convosco. Foram estas as respostas que claramente revelam o desagrado do treinador. Amanhã deverá haver treino de manhã, mas à porta fechada. Na segunda-feira terá de ser aberto nos primeiros 15 minutos, segundo as regras da UEFA, uma vez que no dia seguinte se joga a primeira mão dos oitavos de final da champions. Depois logo se verá, como muito bem diz Koeman! Gosto da atitude de Simão O momento de forma de Simão é um dos temas que marca a actualidade benfiquista, que é discutido pelos adeptos e se tornou legítimo, tendo em conta a enorme importância que o jogador tem no plantel e na equipa. Koeman não passa ao lado desse debate. - Já falou com Simão sobre o abaixamento de forma que tem revelado? - Falo com todos os jogadores. É importante, até para o próprio jogador, que ele saiba que não está bem, ou que não está ao nível que pode. - Mas falou especificamente com Simão? - Simão é o capitão da equipa e quer demonstrar que é um jogador muito importante para esta equipa e que pode ser peça chave, que pode sentenciar e decidir jogos. Nesse sentido, gosto da sua atitude. Nuno Gomes acompanhado por Karagounis ou Marcel A escassas horas do jogo, Ronald Koeman apenas hesita entre colocar Karagounis nas costas de Nuno Gomes ou apostar em Marcel, jogando, nesse caso, o avançado português numa posição mais recuada. Karagounis e Marcel disputam a única vaga em aberto na equipa que vai defrontar, logo à noite, o V. Guimarães. Um encontro à partida dificílimo e que o próprio treinador encara como decisivo para esclarecer as possibilidades de a equipa revalidar o título. Com Moretto garantido na baliza, o técnico voltará seguramente a apostar em Alcides, até porque o jogo realiza-se fora de casa e terá de haver alguma contenção ofensiva, Luisão deverá voltar a formar dupla com Ricardo Rocha, mais vocacionado para as tarefas de marcação que Anderson e Léo à esquerdo. Manuel Fernandes, a jogar finalmente ao seu melhor nível, reeditará a dupla com Petit, tendo Simão à sua esquerda e Nuno Gomes mais adiantado no terreno. Karagounis surge como favorito a jogar nas costas de Nuno Gomes, mas se for Marcel o eleito, será o internacional português a jogar numa posição mais recuada. Nos dois últimos jogos, o grego mostrou duas caras, mas no fundo a intermitência das suas exibições permitiu ao treinador retirar ilações definitivas acerca do lugar em que mais rende. Sendo um jogador de excelente capacidade técnica e que gosta de ter a bola nos pés, Karagounis precisa sentir as costas protegidas, como aconteceu frente ao Nacional, para rentabilizar o seu jogo. Manduca ou Nélson para a direita Jogando numa posição mais recuada, Karagounis não revela a mesma confiança e sucedem-se passos transviados, além de fragilizar a capacidade defensiva do sector intermediário. Foi o que se viu no jogo com o Penafiel. Com Marcel, será o tudo ou nada, justamente por ser um jogo em que só a vitória interessa. Falta ainda preencher o corredor direito, onde Manduca surge como principal favorito. Mas também Marco Ferreira ou Nélson poderão ser alternativa. Karyaka convocado Karyaka voltou ao lote dos convocados, o que não acontecia desde a chamada para o jogo com o V. Setúbal, na 16.ª jornada. O russo, além de raramente aparecer como primeira escolha a seguir aos habituais titulares, esteve suspenso na sequência de uma polémica entrevista - publicada por um jornal russo - em que terá dito mal do clube e de Portugal. O jogador respondeu a um processo disciplinar e acabou por ser ilibado, apesar da multa que teve de pagar. Fora das escolhas do treinador holandês, para esta deslocação a Guimarães, está Laurent Robert. O francês ainda não recuperou totalmente de uma contractura na coxa esquerda. O ponta-de-lança Pedro Mantorras volta a falhar uma chamada. Já é a terceira desde que voltou da Taça das Nações Africanas (CAN). O espaço do angolano na equipa e no plantel está a ficar cada vez mais reduzido. UEFA suspende Nuno Assis Nuno Assis foi suspenso preventivamente pelo Comité de Controlo e Disciplina da UEFA de todos os jogos organizados por esta entidade, tendo esta medida efeito imediato. O jogador encarnado acusou positivo num controlo antidoping realizado no Funchal, após o jogo com o Marítimo, a 3 de Dezembro último. O produto detectado foi norandrosterona, substância que faz parte da lista de substâncias proibidas da UEFA e também da FIFA. A notícia da suspensão foi revelada ontem no site da UEFA e acrescenta que Nuno Assis permanecerá suspenso de todas as competições internacionais de clubes e selecções até que as autoridades portuguesas tomem uma decisão sobre o assunto. No entanto, o jogador poderá apresentar o apelo até às 23 horas (hora portuguesa) da próxima segunda-feira. De acordo com o comunicado, a UEFA decidiu sancionar o jogador ao tomar conhecimento da suspensão preventiva aplicada pela FPF a Nuno Assis, que já actuou em duas partidas da Liga dos Campeões, mas irá falhar os dois próximos jogos com o Liverpool. |
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