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terça-feira, janeiro 31, 2006
Desceram à terra O regresso aos treinos do plantel teve um registo emocional como há muito não se via: a cara da derrota. A vitória do Sporting no derby teve o efeito de terminar com a excelente série de nove vitórias consecutivas e quem esteve ontem na Luz ficou com a ideia de que os jogadores desceram à terra e perceberam que também podem perder, mesmo num jogo de tripla. A terapia, entretanto, já começou, com uma palestra de Ronald Koeman, na qual esmiuçou os erros mas também lambeu feridas, recordando que foi a seguir à derrota com os leões, na primeira volta, que os encarnados iniciaram o primeiro grande ciclo da época no campeonato. Altura de parar para pensar, senhor Ronald KoemanEstava previsto para o Estádio Nacional mas a SAD decidiu passar o treino de ontem para o Estádio da Luz, sem adeptos e apenas com a presença dos jornalistas. Além de logística, a medida foi também estratégica, pois ficou o plantel mais resguardado. Um regresso ao trabalho diferente do que aconteceu nos últimos 70 dias. Há mais de dois meses que os encarnados não perdiam e criou-se na Luz uma aura de invencibilidade proporcionada por nove triunfos consecutivos, entre os quais o épico 2- 1 sobre o Manchester United. Por esta razão foi notório o quadro de emoções pintado a cores escuras. Opós-derby iniciou-se com uma palestra de meia-hora de Ronald Koeman no balneário da Luz. Na conversa com os jogadores o técnico terá feito questão de evocar todos os erros individuais e colectivos a nível técnico, táctico e no tocante à concentração e dedicação ao jogo. Uma situação comum, embora o holandês tenha por hábito reunir os jogadores no relvado e não entre paredes. Mas a mensagem não foi apenas crítica. O empate na véspera do FC Porto terá servido para evitar níveis depressivos maiores e sublinhar a ideia de que quatro pontos de desvantagem dissolvem-se como um monte de areia ao vento, até porque os encarnados ainda vão receber os dragões. U. Leiria «despertou» Nuno Gomes Não é a primeira vez que a águia cai frente ao leão. Na primeira volta os equívocos de Koeman redundaram numa derrota em Alvalade mas curiosamente foi este o click que catapultou o Benfica para o primeiro grande ciclo de vitórias na presente temporada no que respeita ao campeonato. Foi como U. Leiria (ainda treinado por José Gomes), adversário de sábado, que os encarnados iniciaram um período positivo de cinco triunfos consecutivos, incluindo o 2-0 no Estádio do Dragão. Na recepção à formação do Lis, a 18 de Setembro, o Benfica conseguiu não só a maior goleada da época (4-0) como viu renascer a veia goleadora de Nuno Gomes — autor de um hat trick. Será este o argumento que poderá motivar os comandados de Koeman a reerguerem-se, agora que voltaram a descer à terra. Moretto com queixas MORETTO apresentou-se ontem no Estádio da Luz com algumas queixas na anca. O guarda-redes lesionou-se durante o derby e por enquanto não se sabe a que ponto as dores que o acompanham podem ditar o seu afastamento do jogo de Leiria. Novidade foi o regresso ao relvado de Miccoli, afastado da recepção aos leões devido a dores no gémeo direito. Miccoli, Moreira e Moretto aceleram para a recuperação e ontem estiveram no relvado, antes do regresso ao ginásioMoretto foi ontem reavaliado pelo departamento médico e o diagnóstico foi o mais clínico possível: «contusão na crista ilíaca esquerda». Ou seja, dores na anca. O guarda-redes magoou-se ainda na primeira parte do encontro com o Sporting, quando se atirou para o lado esquerdo na tentativa de defender um remate de Carlos Martins que viria a bater no poste. A forma como bateu no relvado na sequência da estirada ter-lhe-á provocado a contusão. Por este motivo o brasileiro não se treinou ontem com os colegas. Limitou-se a realizar corridas em redor do relvado, alguns exercícios na companhia de Rodolfo Moura e depois dirigiu-se para o ginásio, onde completou o programa de recuperação. Por enquanto é prematuro afirmar que Moretto pode estar em dúvida para a deslocação a Leiria. O cenário mais provável, aliás, é a recuperação total e hoje ou amanhã o ex-V. Setúbal já deverá trabalhar sem limitações. Até lá, o júnior Ricardo Janota ocupa a sua vaga nos treinos. Miccoli reaparece Novidade foi a presença de Miccoli no relvado. O italiano acompanhou Moretto nas corridas, o que representa uma ligeira evolução face ao quadro clínico traçado nas vésperas do derby — uma mialgia no gémeo direito colocou-o fora das opções de Ronald Koeman. Tal como Moretto, o avançado não tocou na bola a rumou para o ginásio para trabalho suplementar, local que Moreira bem conhece. O guarda-redes português acompanhou ambos os colegas nos exercícios e nas corridas no rectângulo verde. segunda-feira, janeiro 30, 2006
Moretto reavaliado hoje O guarda-redes brasileiro ficou lesionado durante o jogo com o Sporting, quando se esticou para tentar travar um remate de Carlos Martins. Moretto caiu e magoou a zona das costelas, do lado esquerdo. Terminou o jogo com dificuldades e faz medicação desde ontem. Moretto será hoje reavaliado, pelos médicos do Benfica, mas o caso não parece grave. Fabrizio Miccoli, que falhou o derby devido a uma mialgia no gémeo direito, continua em tratamento e deve recomeçar a treinar-se sem limitações durante a semana. Moreira, o outro lesionado do grupo encarnado, recupera de operação ao joelho direito. A pior derrota O inferno da Luz remeteu-se ao silêncio a partir do momento em que o Sporting se colocou na posição de vencedor porque, para os benfiquistas, tal como, aliás, acontece com os sportinguistas, se qualquer derrota é difícil de ser digerida, um desaire frente ao eterno rival, pior ainda se em casa, nem sequer consegue passar-lhes na garganta. Fica de pé a expectativa imediata quanto a duas reacções relativamente a este tropeção: a da massa associativa e a da equipa. Na certeza, porém, de uma depender sempre da outra. Não há, aqui, vivências paralelas... Indisfarçável o estado de espírito dos jogadores benfiquistas. Sá Pinto tem gesto simpático para com Nuno Gomes mas o desalento espelha-se também em Simão e Petit«É duríssimo perder um derby em casa.» O desabafo tem a assinatura de Ronald Koeman. E o treinador do Benfica, com larga experiência enquanto futebolista e outra menor, mas, naturalmente, não menos importante, na suas actuais funções, sabe do que está a falar. Conhece o que se passa no seu país, entre o Ajax e o Feyenoord, em Espanha, com Real Madrid e Barcelona, em Itália, nos duelos dos emblemas de Milão, isto é, Milan e Inter, em Inglaterra, com Manchester United e Liverpool, ou ainda, para citarmos só mais um exemplo no futebol europeu, com os gregos Olympiakos e Panathinaikos. Nem todos derbies, seguramente todos grandes clássicos. Para a nação benfiquista, perder com qualquer emblema, independentemente da prova, seja ela nacional ou de carimbo uefeiro, é coisa de deixar os nervos em franja, mas quando o desaire acontece frente ao Sporting, e na Luz, então a alma benfiquista entra em desespero, o sorriso transforma-se, num ápice, em tristeza e desconsolo lavados em lágrimas. Não havendo vencedores antecipados, muito menos em jogos entre os dois maiores rivais do futebol português, quase se poderiam contar pelos dedos os benfiquistas que admitiam outro resultado que não fosse a vitória do seu clube diante do Sporting. As incertezas cingiam-se, unicamente, aos números, ou seja, com quantos golos sofridos regressariam os leões a Alvalade. Foi o que se viu. E o que se verá ao Benfica daqui para a frente? Qual a reacção da equipa comandada por Koeman a esta dolorosa derrota? Qual a reacção da massa associativa benfiquista a um desaire que dificilmente aceita diante de qualquer adversário mas que não consegue engolir quando do outro lado está o Sporting? Os responsáveis benfiquistas têm assumido uma empatia entre a massa associativa e a equipa, especialmente depois da vitória frente ao Manchester, um fio condutor vitorioso a passar das bancadas para o relvado. Daí a expectativa, face ao descalabro de anteontem, sobre como os dois lados vão reagir. O futuro do Benfica, tanto entre muros como na Liga dos Campeões, dependerá da rapidez com que o desalento e a frustação sejam pontapeados. Gosto é de jogar na frente GEOVANNI revelou ao diário espanhol Mundo Deportivo porque tem no Benfica as hipóteses que rarearam no Barcelona: Koeman coloca-o em terrenos mais avançados, onde se sente melhor para desenvolver o seu futebol. Mas guarda boas recordações da Cidade Condal e até admite ali regressar quando terminar o seu contrato. A peça jornalística fala no Espanhol... Geovanni não coloca de lado uma saída do Benfica e chegamecos do Espanhol de BarcelonaUma jornalista do Mundo Deportivo, em reportagem em Portugal, cruzou-se com o brasileiro e o motivo de conversa só poderia ser Barcelona e Benfica. Geovanni chegou ao país vizinho rotulado de estrela, mas à míngua de oportunidades acabou por aceitar o empréstimo ao Benfica, clube ao qual se vinculou, depois, a título definitivo. «Não triunfei no Barcelona porque não me colocaram a jogar na minha posição. Aqui, Koeman coloca-me a jogar como avançado. O Barcelona deu tanto dinheiro por Saviola que me puseram de lado», acrescentou. Ficaram as saudades. «Tenho mantido contacto com alguns jogadores, Gabri, Puyol e Valdés. Messi é impressionante. Nunca tinha visto um jogador jovem com tanto talento. Joga a uma velocidade impressionante e tem a sorte de jogar ao lado de jogadores como Deco e Ronaldinho.» A preto e branco NÃO seria minimamente justo colocar em causa o percurso de nove vitórias do Benfica devido à derrota no derby, mas seria igualmente redutor afirmar que foi apenas uma noite infeliz. Mais do que o resultado, que poderia ter sido mais pesado, impressionou, sobretudo, a exibição cinzenta, sem ideias e sem força, qual presa à mercê do predador. «Quando perdemos, perdemos todos», afirmou Ronald Koeman no final da partida. É verdade que a desinspiração dos jogadores foi geral e gritante, mas é importante reflectir sobre algumas das opções do treinador holandês. Mesmo mantendo a estrutura táctica, Koeman tem optado por uma rotatividade de intérpretes em muitas das posições, o que nem sempre tem resultado plenamente, mesmo nas horas de vitória. E, claro, a derrota com o Sporting colocou a nu a fragilidade de algumas opções. Por exemplo: porquê Nélson na esquerda se é na direita que rende mais e se Léo é extremamente regular no lado canhoto? Porquê Geovanni na direita se tem brilhado a ponta-de-lança? Porquê Manduca no apoio ao homem mais avançado quando Nuno Gomes desempenha tão bem a função? Porque não jogam Karagounis e Robert? Nélson Alternativa Leo Afinal o que se passa na esquerda? Por lá já passaram Dos Santos (entretanto saiu do clube), Ricardo Rocha, Léo e Nélson. Nos últimos tempos este último tem sido chamado várias vezes a desempenhar a função, algo que já tinha sucedido no início da temporada, no 3x4x3 então utilizado por Ronald Koeman. Apesar de Nélson ter capacidade para alinhar no lado canhoto, rende mais como lateral-direito, sua posição de raiz. E Alcides, embora já tenha realizado boas exibições no lugar (frente ao Sporting esteve desastrado), não dá ao flanco a mesma profundidade do que Nélson. Do outro lado, Léo parecia ter conquistado definitivamente a confiança de Koeman, com exibições muito regulares a defender e a atacar, mas nos últimos tempos vai aparecendo e desaparecendo de cena. Beto Alternativa Manuel Fernandes É inequívoco que Beto teve papel preponderante na subida de forma do Benfica, pelo espírito batalhador que imprime no meio-campo, ao lado de Petit. Com Manuel Fernandes longe da forma que o notabilizou, a opção pelo médio brasileiro ganhou contornos de naturalidade, mas a verdade é que, com Petit e Beto, o meio-campo encarnado perde em imaginação na condução do jogo, mesmo ganhando em consistência defensiva. Numa altura em que Manuel Fernandes parece estar a subir de produção, terá chegado o momento de Ronald Koeman ponderar o render da guarda, colocando o jovem português na posição de Beto e dando outra capacidade e dimensão a um sector fundamental que, por exemplo, frente ao Sporting, foi anulado. Seria, assim, reeditada a dupla Petit/Manuel Fernandes, que brilhou na temporada passada ao serviço do Benfica campeão nacional. Alcides Alternativa Nélson Torna-se impossível deixar de tocar em alguns pontos já referidos a propósito do lado esquerdo da defesa, uma vez que as opções se tocam, não estivesse o lateral-direito por excelência do Benfica (Nélson) a ser frequentemente utilizado no lado aposto. Alcides é uma opção a considerar como lateral, (apesar da fraca exibição no derby), mas as suas características e rotina não deixam de ser de central. Percebe-se o porquê de Koeman ora colocando Alcides na direita, ora optando por Rocha na esquerda, uma vez que ganha em altura, mas foi o próprio holandês quem desvalorizou a falta de centímetros de Nélson e Léo, quando os dois começaram a actuar juntos e, diga-se, com bons resultados. Se Léo é a opção óbvia para a esquerda, Nélson também o é para a direita. Foi nessa posição que fez esquecer Miguel, que despertou a cobiça de grandes clubes europeus e encantou o público da Luz. Na esquerda, está visto, Nélson não é o mesmo. Manduca Alternativas Nuno Gomes, Karagounis O treinador do Benfica gosta de ver Manduca a actuar no apoio ao ponta-de-lança, mas os atributos do brasileiro adequam-se mais à posição de extremo-esquerdo, pela sua velocidade e capacidade de efectuar centros perigosos. Além disso, há opções com mais rotina no lugar. Nuno Gomes, por exemplo, desempenhou muito bem a função, sempre que chamado, de tal forma que chegou a ser publicamente elogiado por Ronald Koeman. Uma referência ainda a Karagounis. O grego revelou algumas dificuldades iniciais nos primeiros passos na Luz, situação agravada pela paragem por lesão, mas surgiu em grande na vitória em Setúbal. Depois, inexplicavelmente, eclipsou-se e só voltou a actuar alguns minutos. Goste-se ou não do estilo, Karagounis é mestre na arte de segurar a bola e pautar os ritmos de jogo em cada momento. Geovanni Alternativa Simão Koeman surpreendeu tudo e todos quando colocou Geovanni como ponta-de-lança, frente ao Manchester United. Aposta ganha, o brasileiro recuperou a alegria de jogar e, sempre que utilizado nessa posição, tem acumulado boas exibições e golos. Esperava-se que a fórmula Nuno Gomes/Geovanni estivesse para durar, mas tal não se confirmou e o ex- Barcelona tem sido várias vezes utilizado na direita, optando o treinador do Benfica por Miccoli ou Nuno Gomes (e agora também Marcel entra nestas contas). Embora a preferência de Simão seja actuar no flanco esquerdo, onde se notabilizou nos últimos anos, ao serviço do Benfica, o capitão tem qualidade de sobra para desequilibrar na direita, lugar que conhece bem, abrindo espaço no flanco canhoto para Laurent Robert ou até mesmo Manduca. Simão Alternativa Robert Koeman já reconheceu publicamente que Simão actua melhor na esquerda do que na direita, mas também mencionou que as características do camisola 20 se adaptam à direita. Face à chegada dos reforços de Inverno, seria natural a reorganização das peças. Não porque Laurent Robert seja melhor que Simão na esquerda, mas sim porque Simão pode fazer a direita melhor do que qualquer das outras alternativas existentes no plantel, deixando o lado canhoto para o francês. A tentativa de colocação de Robert como extremo-direito saiu frustrada (não está claramente rotinado para o lugar) e se Simão continuar na esquerda ao ex-Newcastle só resta mesmo o banco de suplentes, perdendo a equipa titular uma unidade com recursos para desequilibrar nas bolas paradas, nos cruzamentos e nos remates de meia distância. Nuno Gomes Alternativas Geovanni, Marcel, Miccoli Nuno Gomes pode desempenhar com a mesma qualidade as funções de ponta-de-lança ou playmaker, no apoio ao elemento mais avançado. O ataque ganhou quando Ronald Koeman o colocou atrás de homens como Miccoli ou Geovanni e nem por isso o camisola 21 perdeu o apetite pelo golo. Agora, o treinador do Benfica tem ainda mais uma opção para o lugar de ponta-de-lança, o brasileiro Marcel, pelo que faz todo o sentido que Nuno Gomes se assuma, definitivamente, como o pivot do futebol ofensivo da equipa (a não ser que Koeman opte por entregar a Karagounis esse papel). Geovanni, Marcel e Miccoli ficariam, assim, como opções de luxo para o cargo de ponta-de-lança, sendo que o italiano também pode ser utilizado num dos dois flancos, como chegou a acontecer na Juventus. domingo, janeiro 29, 2006
Benfica 1 - 3 Sporting 27 m 1-0 por Simão na conversão de uma grande penalidade cometida por Custódio. Bola para um lado e Ricardo para outro... Arbitragem PEDRO HENRIQUES (7) O melhor elogio estará no facto de ter sido um jogo com dois penalties e, no entanto, sem... casos. Irrepreensível na forma como acompanhou o jogo. Sala de Imprensa RONALD KOEMAN (treinador do Benfica) Koeman vê título a fugir HÁ dias assim, parecia dizer o semblante resignado de Ronald Koeman no final da partida. «Não estivemos bem, nem antes do 1-0. E a partir daí, sobretudo, o Sporting foi muito melhor, criou mais oportunidades e o resultado é justo», começou por referir o holandês no flashinterview da Sport TV, acrescentando. «O Sporting esteve mais fresco do que nós, as segundas bolas foram sempre deles. Não estivemos bem na defesa, no meio campo e no ataque.» Sobre a luta pelo título, Koeman admitiu que o cenário se complicou. «Esta derrota pode ser decisiva porque se o FC Porto ganha amanhã [hoje] ficamos a seis pontos. É complicado, são muitos pontos. O resultado de hoje foi um duro golpe», sublinhou. Estas ideias foram depois desenvolvidas na sala de imprensa da Luz. Sporting melhor resultado justo — Esperava uma vitória assim do Sporting? — Não, não esperava, mas nos derbies qualquer equipa pode ganhar. O Sporting foi melhor e o resultado é justo. — Terá existido euforia nos jogadores? — A euforia dos adeptos era normal pela nossa trajectória até aqui, mas não considero que tenha havido euforia nos jogadores porque sabiam que defrontávamos uma boa equipa, com jogadores de qualidade na frente. Simplesmente não estivemos bem... Mal em todos os sectores — O que falhou então? — Volto a dizer, jogámos mal. Faz parte do futebol que o adversário possa ser superior e vencer. Não estivemos ao nosso nível em nenhum sector e o Sporting jogou bem. Assim é fácil perder um jogo. — A equipa pareceu mal fisicamente... — Penso que estivemos normais a esse nível. O Sporting é que esteve muito bem, pareceu mais fresco e mais agressivo do que nós. Isso viu-se nas segundas bolas. Foi por isso que sofremos três golos. Se o FC Porto vencer será difícil recuperar — Um possível atraso de seis pontos para o FC Porto é irrecuperável? — Se o FC Porto ganhar, seis pontos de atraso são muitos pontos e é difícil de recuperar. — Acha que falhou nas substituições? — Quando se perde, perdemos todos. Podia ter trocado outros jogadores porque no essencial a equipa esteve fraca. Sem uma única ocasião de golo — Os jogadores entraram nervosos? — Não sei... Penso que estavam como noutros jogos. Não faltou motivação, mas não estivemos bem, não criámos qualquer oportunidade de golo. As coisas não resultaram e assim é impossível ganhar. — A época do Benfica tem sido de ciclos. Teme o início de uma sequência negativa? — Foi um golpe muito duro mas não há que baixar a cabeça, temos de reagir porque o plantel é forte. Perder um jogo faz parte do futebol, embora seja muito duro perder um jogo destes em casa. Temos de voltar ao que fizemos antes deste encontro. Ainda continuamos na luta Moretto nas alturas, com Alcides e Petit atentos... e o pequeno gigante leonino chamado Liedson à espreita NOITE negra para o Benfica e também para o guarda-redes Moretto. Na jornada passada, na vitória (3-1) frente ao Gil Vicente, em Barcelos, o brasileiro sofreu golo após um ciclo de 369 minutos sem tentos na baliza encarnada... Ontem, na Luz, sofreu pela primeira vez três golos num só jogo do campeonato português. «É verdade, há muito tempo que isso não me acontecia. O Sporting foi feliz nas oportunidades que teve», reconheceu Moretto, em entrevista no flashinterview da Sport TV. Pensar já no próximo jogo Apesar de triste com a derrota, ainda para mais num jogo de tanto peso emocional como o de ontem, Moretto tentou manter um discurso pragmático e assumiu a conquista do futuro, com confiança. «A nossa equipa também teve oportunidades, mas não conseguimos concretizar. O Sporting conseguiu. Sofri três golos mas isso acontece. Temos de levantar a cabeça e começar a pensar já no próximo jogo.» Venha o FC Porto O guarda-redes brasileiro do Benfica não tem dúvidas sobre qual deverá ser o caminho da equipa encarnada, já a partir da próxima semana, esquecendo, em certa medida, o que aconteceu ontem no Estádio da luz. «O nosso pensamento é o mesmo que temos tido nos últimos 10 jogos, que foi uma sequência muito boa. Só pensamos na vitória. E ainda vamos jogar em casa com o FC Porto. Estamos na luta pelo título. » Relação com Quim é normal Analisado o encontro de ontem, frente ao Sporting, Moretto não recusou falar sobre um dos temas que aqueceram a realidade benfiquista: a titularidade na baliza. Quim era primeira escolha mas Koeman tirou-o mal chegou Moretto ao clube encarnado. «A minha relação com Quim é normal», começou por explicar o guardião que jogava em Setúbal e agora mora na Luz. «Trabalhamos juntos todos os dias e procuramos não misturar isso no nosso trabalho. São coisas que acontecem. Somos profissionais, foi opção do treinador e estamos cá é para jogar. Cada treinador escolhe aquele que pensa que está melhor. Depende do treinador e nós temos de respeitar.» sábado, janeiro 28, 2006
Este jogo é vital para... o Sporting O treinador do Benfica, Ronald Koeman, espera que o derby de hoje seja «um bom jogo», «atractivo», «limpo». Que exista «respeito» entre os jogadores. Por ser um derby, ninguém é favorito. Mas sempre lembra que o factor casa e o apoio do 12.º jogador podem ser importantes. Admite o desejo de vingança da derrota de Alvalade e considera que a sua equipa está mais forte que nesse jogo. E não deixa de sacudir um pouco de pressão para o adversário, ao considerar que o jogo só é vital para... o Sporting. Discurso calmo, gestos tranquilos, criterioso na escolha de palavras. Ronald Koeman mostra-se moderadamente optimista para o jogo com o Sporting desta noite e espera dar continuidade à senda de vitórias dos últimos sete jogos da Liga. — O que espera do jogo com o Sporting? — Espero um bom jogo. Espero um jogo atractivo, porque Benfica e Sporting são duas equipas que buscam o ataque. Ambas têm jogadores de qualidade. Esperamos um jogo limpo, embora haja sempre muita emoção à flor da pele. Os jogadores têm de estar mental e fisicamente concentrados no jogo. Controlar muitas coisas. Nós procuramos a vingança do jogo de Alvalade. — Quando manifestou o desejo de ser um jogo limpo, a que se refere? — Espero uma atitude de respeito pelas duas equipas, sabendo que as faltas e as entradas são parte do jogo. O que for à margem das regras que seja sancionado pelo árbitro, mas o mais importante é o respeito entre os jogadores. Sporting joga título — O Sporting está a seis pontos do Benfica e a nove do primeiro lugar. Que tipo de adversário espera? — Espero um Sporting que lute pela vitória. Qualquer que seja o resultado para nós, continuaremos na luta pelo título, mas para o Sporting é diferente. Se perde, na minha opinião, fica de fora das possibilidades de ganhar o campeonato. O Sporting pode ficar a 12 pontos do líder e não vejo o FC Porto perder tantos pontos até final do campeonato. A pressão existe para as duas equipas, mas este jogo é vital para o Sporting. Por isso vai jogar para ganhar. Tem jogadores de qualidade e pode contribuir para um jogo bonito. — Para si, quem é o favorito para este jogo? — Penso que nestes jogos não há favoritos. É um derby. Há muitos exemplos de jogos em que uma equipa está muito melhor que outra, ou tendo muitos mais pontos, e o resultado não foi o esperado. Pode ser um factor de vantagem jogarmos em casa, termos o ambiente a nosso favor, mas não vejo o Benfica com muitas mais possibilidades de vencer do que o Sporting. Ambas as equipas têm qualidade, pelo que antevejo um jogo deveras interessante. — Apesar disso, os adeptos do Benfica são os primeiros a considerar que o Benfica é favorito. Como lida a sua equipa com este estatuto? — Por um lado isso até é bom, porque quer dizer que os adeptos acreditam na equipa que temos. Esperamos um grande ambiente e contamos que os adeptos sejam, de facto, o décimo segundo jogador. De qualquer forma, falar de favoritismo é uma coisa, demonstrar é outra. Temos muitas ganas de demonstrar o que todos pensam, que somos favoritos. Mas primeiro há que jogar. Benfica mais forte que em Alvalade — José Peseiro foi substituído por Paulo Bento. Que opinião tem do treinador do Sporting? — Não sei. Não assisto aos treinos do Sporting, não vejo muitos jogos, não posso opinar além do que vejo de fora. Por isso não gosto de falar disso. — Este Sporting é mais forte do que aquele que defrontou em Alvalade? — Não creio que o Sporting esteja mais forte ou mais fraco. Está mais ou menos igual. Nós perdemos esse jogo. Posso é dizer que o Benfica está mais forte do que aquele que perdeu em Alvalade. — O que há de melhor e pior no Sporting? — Não quero entrar muito por esse assunto. O trabalho de análise está feito, foi discutido internamente. Todas as equipas têm os seus pontos fortes e fracos. Tentaremos aproveitar as debilidades que encontrámos. E essa qualidade regista-se, essencialmente, no meio campo e no ataque. — Se o Sporting jogar com dois homens mais avançados, como tudo indica que acontecerá com Deivid e Liedson juntos, admite rever a sua estratégia defensiva? — Não, porque estamos preparados para todas as possibilidades e opções de jogo do Sporting. Se é Deivid com Liedson que jogam, ou Liedson com Sá Pinto... Contrataram mais um avançado, não sei se pode jogar ou não... Não me interessa, porque sabemos como joga o Sporting e o nosso adversário sabe perfeitamente como joga o Benfica. Não há segredos para ninguém. Tem uma defesa temível Um cavalheiro no trato com a imprensa, aquele sorriso e olhar que se perdem no horizonte ao recordar os bons tempos que brilhou em Portugal. O antigo defesa central do Benfica e da selecção brasileira Ricardo Gomes, hoje treinador de Beto no Bordéus, fica a torcer, à distância, por uma vitória dos comandados de Ronald Koeman. «Derby é derby, mas o Benfica é favorito, cresceu muito e reforçou-se bem. E tem uma defensiva temível, Luisão e Anderson. Torço por eles, apesar de ter aqui o Beto». É assim Ricardo, um velho amigo de A BOLA e um sofredor de coração pelos encarnados. As lembranças do derby fizeram inverter os papéis: o entrevistado estava tão ou mais curioso do que o jornalista. «Como é que está o melhor do mundo [risos]? Que saudades daqueles grandes jogos, de Portugal, daquela bela comida em Cascais, onde comemorávamos as grandes vitórias!... Continua tudo lindo? Óptimo. Prometo voltar lá muito em breve. Aliás, de vez em quando tiro uns dias de férias para ir até lá ver os muitos amigos que deixei. Tenho muita pena de não poder estar sábado, na Luz, o Bordéus tem jogo com o Lens, mas mande o meu abraço para todos. Estou a torcer pelo Benfica», afirmou-nos o novo treinador de Beto, minutos antes de ministrar ao internacional português o seu segundo treino com a camisola dos girondinos. Para atribuir o favoritismo ao Benfica, Ricardo, ainda um técnico bastante jovem (41 anos) — percebeu que tinha de deixar de jogar quando se deu conta que Jimmy, então no Campomaiorense, «corria cinco vezes mais rápido»... — recorda a enorme evolução qualitativa do clube da águia nos últimos anos. «O Benfica está muito forte, mais estruturado e organizado, cresceu muito e reforçou-se bem. No fundo, como aconteceu com o Sporting aí há uns três anos. Tem grandes jogadores. Aliás, se tivesse de eleger os centrais que mais admiro no futebol de hoje, teria que confessar que a zaga do Benfica, com o Luisão e o Anderson, dois jogadores que conheço muito bem, é temível. São muito bons e fortes», afirmou-nos o técnico, sempre atento ao futebol português (como o demonstra a aquisição de Beto) e do seu País. Marcel estreia nos convocados MARCEL já ganhou a primeira batalha no Benfica: foi convocado por Koeman e tem possibilidades de jogar o derby. Mas não de início. O brasileiro deve começar o grande jogo de amanhã no banco de suplentes. Nuno Gomes será o jogador mais avançado, com Geovanni encostado à direita e Manduca novamente no centro, no apoio ao ponta-delança. O treinador holandês do Benfica chamou Marcel para o desafio frente ao Sporting. Pelas palavras de Ronald Koeman, ontem, em conferência de imprensa, dificilmente o ponta-de-lança contratado à Académica jogará como titular, mas está no banco... e dele pode saltar a qualquer altura do jogo. Falta-lhe ritmo competitivo, mas tem características importantes, diferentes no plantel, que muito jeito podem dar a Koeman neste clássico, e derby lisboeta, de todas as paixões. Muitos dos olhos dos benfiquistas estarão, hoje à noite, postos neste brasileiro de 1,87 metros. Manduca provável no onze Partindo do princípio de que Marcel não entra no onze, a lista de titulares para o Sporting não deve apresentar muitas diferenças, relativamente ao desafio da última jornada do campeonato, frente ao Gil Vicente. Moretto continuará na baliza e a estrutura defensiva mantém-se igual: Alcides na direita, Luisão e Anderson ao centro e Nélson na esquerda. Ao meio-campo deve regressar Beto, que cumpriu castigo e já está em condições de retomar o lugar a Manuel Fernandes, fazendo novamente dupla com Petit — o português sentiu, durante a semana de treinos, dores no adutor direito mas está apto para jogar. Na frente, Geovanni deverá começar a jogar de novo na posição de extremo-direito, com Simão na esquerda, em paralelo. No centro e nas costas de Nuno Gomes, segurando e soltando a bola de forma inteligente — pretende a equipa técnica — continuará Manduca. sexta-feira, janeiro 27, 2006
Fórmula Manchester RONALD KOEMAN não abre o jogo, mas são fortes as hipóteses de o técnico holandês apostar na dupla Nuno Gomes/Geovanni na frente de ataque para a recepção ao Sporting, fórmula que começou a ser utilizada no encontro com o Manchester United e com resultados bastante positivos. Marcel não deverá ser titular mas será o primeiro a ser chamado para um eventual plano B. As dúvidas em torno do onze que entrará amanhã, no Estádio da Luz, persistem, principalmente depois de Ronald Koeman ter testado, no treino de ontem, três equipas com muitas variáveis, desde o centro da defesa à dupla de avançados. Mas é na frente de ataque que reside a maior curiosidade, graças à disponibilidade física de Marcel. O ex-Académica chegou a alinhar junto de Nuno Gomes, mas deverá ser resguardado para a eventualidade de pretender abrir mais a linha ofensiva no decorrer do encontro. O escolhido para as combinações com o indiscutível 21 deverá ser Geovanni. Não só porque tradicionalmente marca aos leões - dois golos na época passada, na Taça de Portugal, e o célebre pontapé de 30metros em Alvalade, em 2004 -, mas porque a sua mobilidade e espontaneidade poderão ser fundamentais na estratégia do cerco ao leão. Trata-se, basicamente, de reeditar a fórmula Manchester United, pois foi a partir dessa partida que Koeman ganhou verdadeiramente um avançado de eleição e reforçou-se ainda mais a ideia de que o camisola 11 está talhado para os grandes jogos. Beto de regresso Na defesa também continuam as dúvidas. Foram muitas as trocas mas é sólido o cenário de um quarteto composto por Alcides na direita, Luisão e Ricardo Rocha a centrais e Nélson no flanco esquerdo. No meio-campo, com a aptidão de Petit, Manuel Fernandes pode perder a titularidade para Beto (regressado de castigo). As alas do ataque deverão ser entregues a Simão (esquerda) e Laurent Robert (direita). O francês entrou bem no jogo com o Gil Vicente e Koeman deve apostar nas suas diagonais para baralhar o sector recuado leonino. Petit em condições para o «derby» Petit será presença certa no derby. O médio queixa-se de uma pubalgia e, por essa razão, soou, no treino de anteontem, o estado de alerta, quando o médio esticou em demasia a perna direita e agarrou-se à virilha, com dores. As dúvidas reforçaram-se ontem, depois de se perceber a ausência do camisola 6 no treino, realizado no Jamor, mas pelas informações recolhidas por A BOLA o internacional português estará apto e hoje deve treinar-se com os companheiros. Petit realizou ontem duas sessões de tratamento (fortalecimento dos músculos circundantes) e submeteu-se a um exame complementar, cujo diagnóstico foi positivo. À terapia junta-se a sua vontade em jogar o derby e o resultado é menos uma dor de cabeça para Koeman. Miccoli, a contas com dores no gémeo direito, também se submeteu ontem a duas sessões de tratamento. Que o inferno da Luz seja uma constante! CONFIANTE na onda vermelha renascida após a vitória frente ao Manchester United, Luís Filipe Vieira acredita que o Estádio da Luz vai reviver, amanhã, mais uma noite escaldante. "Estão reunidas todas as condições para ser um grande espectáculo", afirmou o presidente dos encarnados, pedindo aos adeptos que façam das bancadas "um inferno", para ajudar a equipa na batalha frente aos leões. Um adversário cujos dirigentes serão "bem recebidos ", numa sã convivência que já se tinha verificado no jogo da primeira volta, em Alvalade. Não disponibilizou muito tempo aos jornalistas para falar sobre algumas questões importantes do clube, mas no pouco que foi possível captar do líder dos encarnados percebeu-se que Luís Filipe Vieira quis deixar uma mensagem aos benfiquistas nas vésperas do derby e ao mesmo tempo deixar um toque diplomático na abordagem ao jogo, ou as relações com a Direcção leonina não fossem de cordialidade institucional. "Vamos receber os dirigentes do Sporting, num convívio que já se tinha registado em Alvalade", frisou o presidente do Benfica, a propósito do convite endereçado a Filipe Soares Franco para assistir ao encontro na tribuna de honra. Um derby que o dirigente espera resultar "num bom espectáculo ". "Estão reunidas as condições para isso", reforçou, naturalmente esperançado numa vitória das águias. "Queremos ganhar e dedicar a vitória à memória de Fehér", afirmou Vieira, que nos instantes anteriores colocou uma coroa de flores no busto do húngaro, na porta 18, em homenagem ao segundo aniversário da sua morte. Prosseguindo num discurso positivo, Luís Filipe Vieira pediu aos adeptos para apoiarem a equipa. "Não será um jogo fácil, o Benfica tem de respeitar o adversário. Por não respeitar já tivemos algumas surpresas. Mas acredito na força dos adeptos. A onda vermelha está aí novamente, os sócios e adeptos têm de ser o 12.º jogador. O estádio vai estar cheio e só peço aos benfiquistas para incentivarem os nossos jogadores, tal como aconteceu frente ao Manchester, e que o inferno da Luz seja uma constante!" quinta-feira, janeiro 26, 2006
Disputa crucial no miolo É no meio-campo, mais concretamente ao lado de Petit, que se localiza a posição que mais dores de cabeça deve causar a Koeman, numa altura em que a equipa está em fase de graça. Há poucos meses seria impensável ver Manuel Fernandes como suplente, pois o jovem médio era já considerado a maior revelação do futebol encarnado desde Rui Costa e a sua cotação, interna ou no estrangeiro, subira tanto que já se convertera em figura intocável na equipa. Veio a nova época e tudo se alterou para Manuel Fernandes, que perdeu quase toda a pré-época, ao ser operado à hérnia inguinal. Nesse espaço de tempo, surgiu um surpreendente Beto, considerado a grande revelação da pré-época. Restabelecido, Manuel Fernandes regressou à condição de titular, mas as dores persistiram, fazendo oscilar as suas exibições e voltou a parar. Beto não manteve o encanto dos primeiros jogos, mas o treinador só prescindiu da sua generosidade em campo ante o Gil Vicente, por estar castigado. E agora, como será? Será que estás pronto MARCEL? MARCOU dois golos no treino de ontem e teve direito a mais uns minutos de conversa com Koeman, à semelhança do que já aconteceu em outras sessões, esta semana. Que vai ser convocado para o jogo com o Sporting existem poucas (ou nenhumas) dúvidas, mas são consistentes os sinais de que tem possibilidades de ser titular. Outro reforço que caminha para a titularidade é Robert. O pé esquerdo do francês é temível em lances de bola parada, argumento suficiente para o técnico holandês o considerar para jogar de início. O ponta-de-lança brasileiro é o único dos cinco reforços contratados no início do mês (Moretto, Manduca, Robert e Marco Ferreira são os outros) que ainda não se estreou com a camisola do Benfica. Pode acontecer já este sábado, frente ao rival de Lisboa e num derby que aquece, e de que maneira, o Campeonato Nacional. Ontem, Marcel não brilhou de forma especialmente intensa, mas marcou dois golos no jogo de treino, afinal, a função para a qual foi contratado. No final da sessão, numa altura em que os jogadores já faziam alongamentos, para abandonarem o Estádio Nacional, Koeman falou alguns minutos com o avançado. Já o havia feito no início da semana, seguramente para decidir, com maior segurança, se o brasileiro joga, ou não, de início frente ao Sporting. Pé esquerdo de Robert soma pontos O treinador holandês tem trabalhado a sua equipa de forma aparentemente desconcertada, sem que seja possível concluir de que forma vai entrar em campo no sábado. De qualquer maneira, é bem possível que, além de Marcel, esteja a considerar a titularidade de Laurent Robert. O avançado francês é excelente em lances de bola parada, que não raras vezes decidem estes grandes jogos. Como um feriado espiritual TODO o universo benfiquista fez questão de celebrar ontem o segundo aniversário da morte de Miklos Fehér. Um minuto de profundo silêncio no início do treino, realizado pela manhã, e uma missa em honra ao dono do número 29, ao princípio da noite, confirmaram que nasceu, definitivamente, um feriado espiritual na Luz. Porque se as feridas ainda estão frescas, o tempo que passou já permite a quem lidou com o húngaro olhar para o dia 25 de Janeiro com as emoções controladas e lembrar que foi Miki a motivar os jogadores na conquista do título. A isto também se chama... mística. Dois anos passados sobre a trágica noite de 25 de Janeiro de 2004, em Guimarães, as emoções estão mais estáveis e já há quem se recorde do desaparecimento de Miklos Fehér com um sorriso, a mesma expressão que o húngaro fez antes de partir. Foi graças à presença espiritual do jogador que os seus colegas se uniram para lhe dedicar a vitória na Taça de Portugal, em 2004, e o campeonato, em 2005 - a sua camisola é uma presença constante no balneário, a ponto de quem não privou com ele sentir a mesma força. É por esta razão que se pode afirmar que 25 de Janeiro será sempre um dia diferente na Luz. Ganhou a força e expressão de um feriado espiritual. As lágrimas deram lugar à motivação e à vontade de vencer e terá sido esta a mensagem que Simão Sabrosa, na condição de capitão de equipa, transmitiu a todos, no início do treino de ontem, realizado no Estádio Nacional, no qual jogadores, técnicos, médicos, enfermeiros e demais elementos do staff se reuniram no centro do relvado e, depois das palavras - Koeman também falou - cumpriram um minuto de silêncio. Ao princípio da noite, na Igreja da Luz, o mesmo Simão fez questão de comparecer, acompanhado de Nuno Gomes (sub capitão), numa missa com o objectivo de lembrar Miki. Na cerimónia compareceram Luís Filipe Vieira e José Veiga, diversos elementos dos órgãos sociais, o departamento médico através de António Barata e Rodolfo Moura, e ainda a irmã de Fehér, a modelo Orsi. Os rostos estavam naturalmente fechados mas a força da vida foi lembrada, ao ponto de o padre frisar a longevidade dos aniversariantes Eusébio e Fernando Martins. quarta-feira, janeiro 25, 2006
Estar no Benfica é uma paixão! Pedro Mantorras espera pela oportunidade para provar, a quem duvida, que pode jogar 90 minutos. Não obstante admitir sair, caso surgisse uma boa proposta que agradasse a todas as partes, argumenta que seria injusto para os benfiquistas. Em dois anos de calvário, revela ter tomado noção da grandeza do clube, que considera um mundo. E reafirma o desejo de acabar a carreira na Luz. - Consegue jogar 90 minutos? - Consigo. Mas temos de ter calma e não vamos ter pressa. Se dissesse que não conseguiria estaria a mentir. Mas, por não estar a jogar, é impossível dizer que não aguento. - Os médicos disseram-lhe, depois das operações ao joelho, que podia voltar a ser o mesmo? - O dr. Cugat, que tem acompanhado a minha recuperação, disse que tenho de ir por etapas e passar por várias fases fundamentais. Tenho a noção de que não pode haver pressa. - Mas não gostava de ter a oportunidade de jogar com regularidade noutra equipa? - Estou bem no Benfica e tenho um contrato a honrar. Já disse que o meu sonho é acabar a carreira no Benfica. Poderia sair, mas seria injusto pelo que os benfiquistas fizeram por mim. Estive dois anos parado e o Benfica sempre honrou os compromissos. O Benfica é um grande clube. Estar no Benfica é um orgulho e uma paixão. Nestes dois anos em que fiquei fora dos relvados apercebi-me mais da grandeza do clube. Tive a oportunidade de ver de fora e tomar noção de que o Benfica é um mundo. Hoje, graças a Deus, estou recuperado e agradeço muito àquela casa. Tenho a noção de que os benfiquistas gostam de mim e estou bem servido no clube. Preciso de oportunidades mas não vou baixar a cabeça. Essa altura vai chegar. - Seria difícil decidir entre uma boa proposta e o Benfica se as coisas corressem bem no Mundial? - O Mundial é o sonho de qualquer jogador e poucos têm a oportunidade de o jogar. Se tiver uma proposta boa para o Benfica e boa para mim tudo é possível. Mas não estou a dizer que vou sair. Tenho contrato por mais cinco anos e tenho de respeitá-lo. - Já disse que não tem medo da concorrência mas não lhe custa, estando na CAN, ver o Benfica contratar jogadores para o ataque? - Claro que custa. Mas respeito as opções da equipa técnica e da Direcção. Repito que estou no clube para servi-lo. Sofro mais é se o Benfica perde ou empata. Não estou preocupado com quem é contratado. Táctica escondida EXERCÍCIOS físicos e a mistura de titulares e suplentes têm despistado os interessados em conhecer os 11 eleitos para o jogo com o Sporting. Koeman irá, certamente, alimentar as dúvidas até ao dia do jogo. Assim tem acontecido nos últimos tempos e muitas foram as vezes em que alguns pupilos só tiveram a certeza de que jogariam no último momento. Consequências do aumento de concorrência no plantel. Quase sem se dar por isso, a hora do derby aproxima-se a olhos vistos, mas nem mesmo assim Ronald Koeman não deixa transparecer qualquer indício sobre as suas ideias para este jogo, nos dois treinos já realizados. À semelhança do que tem acontecido nos últimos jogos, o técnico parece preferir esconder o jogo até à última hora, apenas revelando o onze que vai iniciar a partida em cima da hora do jogo. Para hoje está marcada nova sessão de trabalho, mas são poucas as probabilidades de o treinador satisfazer a curiosidade dos adeptos, dando a conhecer a equipa. Olhos em Marcel Irremediavelmente, o principal motivo de curiosidade prende-se com Marcel, por ser o único dos reforços que ainda não se estreou e por ocupar a posição mais conotada com a marcação de golos. O avançado proveniente da Académica parece ter ultrapassado a timidez de que deu conta nos primeiros dias e está cada vez mais integrado, faltando saber se o trabalho extra que tem vindo a cumprir já lhe devolveu índices físicos necessários para aguentar um jogo deste calibre. Outra dúvida, que ameaça prolongar-se é sobre o parceiro de Petit no meio-campo. A titularidade de Beto só foi interrompida pelo jogo de suspensão, mas Manuel Fernandes não desaprendeu, certamente, e pode manter-se no onze, tal como em Barcelos. Adversário, não inimigo! Está para durar a guerra de palavras entre Pinto da Costa e José Veiga. Após o líder do FC Porto ter identificado o Benfica como o "inimigo" do seu clube, dirigindo acusações implícitas ao director da SAD encarnada, a resposta deste último chegou ontem, a seguir ao treino. "Não é a minha figura que está ligada, nos últimos 25 anos, aos Calheiros, Guímaros, quinhentinhos, Silvanos, Chicos Silvas e viagens ao Brasil. Estava também à espera que explicasse o papel de António Garrido, há tanto tempo a trabalhar para o FC Porto, a ligação a António Araújo e ao Apito Dourado." Sempre corrosivo, Veiga disse estar, simultaneamente satisfeito e triste: "Fico satisfeito por saber que sou o pesadelo do sr. Nuno. Ele deita-se e levanta-se a pensar em mim. Sonha comigo. Mas fico triste porque o Benfica não tem inimigos e sim adversários. Mas gostamos de ter adversários fortes, e o que vemos é um adversário cansado, desgastado e preocupado. Isto é o desespero de quem sente que vai ser ultrapassado em breve na classificação, apesar do orçamento de 60 milhões, o dobro do Benfica." Recordou que o presidente do FC Porto passou meses a criticar Scolari por não ter convocado o seu "irmão" (Vítor Baía), pelo que ficaria à espera que "criticasse agora Co Adriaanse por tê-lo deixado no banco, ou o seleccionador do Brasil por não levar Helton ao Mundial." Por último, negou ter acções na SAD do Estoril. "Vou falar disto pela última vez. Não tenho os 80 por cento desde 2004. Não tenho acções no Estoril." terça-feira, janeiro 24, 2006
MARCEL Estreia à vista O treinador holandês do Benfica, Ronald Koeman, gosta de lançar jogadores recém-chegados e não costuma hesitar nem mesmo perante os jogos mais exigentes. Foi assim com Miccoli e Karagounis, que se estrearam frente ao Sporting, em Alvalade, e com Moretto, que alinhou de início frente ao Paços de Ferreira. Agora é a vez de Marcel, caloiro que deve apresentar-se aos adeptos encarnados no derby de sábado. Ontem de manhã, altura em que o Benfica realizou o seu primeiro treino de preparação para a partida com o Sporting, os olhares estavam postos em Marcel, ponta-de-lança que trocou recentemente a Académica pelo clube da Luz. O brasileiro ficou de fora da partida com o Gil Vicente, porque Ronald Koeman entendeu não estar ainda em condições físicas de actuar. Agora, porém, com outro ritmo, com a desejada integração e habituação aos colegas, tudo se afigura favorável à estreia do caloiro da equipa encarnada, que pode conquistar poder dentro da grande área com a utilização daquele que é um dos melhores goleadores da Liga. Parece mesmo exequível, sem pena de sofrer prejuízos, fazer Marcel alinhar de início como homem mais adiantado, deixando Nuno Gomes numa posição que tem desempenhado com sucesso, precisamente como segundo ponta-de-lança. Além disso, Simão, do lado esquerdo, e Geovanni (ou Robert), do lado direito, estão em condições de municiar convenientemente um futebolista que faz bom uso da sua cabeça quando está perto da baliza adversária. Ronald Koeman tem privilegiado a rotação do plantel com grande sucesso, mas esse tão saboroso efeito não foi imediato. Problemas na integração de reforços na equipa foram bem visíveis na partida com o Sporting em Alvalade, que os encarnados perderiam, mas que ficaria também marcada pelas estreias de Miccoli e Karagounis. Criticou-se a estratégia de Koeman, mas não pôde criticar-se a coragem do holandês, que gosta de arriscar. Assim fez também em relação a Moretto e mais tarde no que concerne a Laurent Robert e Manduca. Das caras novas, apenas Marco Ferreira ainda não experimentou a titularidade. Além de Marcel. Mas o brasileiro pode muito bem ser a surpresa reservada pelo treinador para a partida de sábado e não têm sido poucas as ocasiões em que tem recebido conselhos do técnico. Os seus golos (muitos) nos treinos também podem facilitar a decisão. Pena por Manduca Tal como se esperava, Koeman decidiu que Marcel, Moretto e Robert serão os eleitos para preencher as três vagas em aberto para participação na Liga dos Campeões. Ou seja, dos reforços de Inverno ficaram dois de fora: Manduca e Marco Ferreira. As escolhas de Koeman não foram surpresa -- há alguma tempo que A BOLA as anunciara -mas, de qualquer forma, o treinador holandês não deixou de manifestar, internamente, alguma pena por também não poder incluir no rol um quarto elemento, neste caso Manduca. O treinador holandês está bastante agradado com o brasileiro contratado ao Marítimo e no final do jogo com o Gil Vicente elogiou a exibição de Manduca, depois de lhe ter concedido a titularidade. Manduca fez um jogo positivo onde o maior destaque foi ter lançado de forma superior Nuno Gomes no lance de que resulta o golo de Geovanni. Depois de muita ponderação, Moretto nem se questionava, Robert é considerado um elemento muito experiente na alta roda do futebol europeu e profundo conhecedor do Liverpool, enquanto Marcel dá mais poder de fogo, de choque e mais possibilidades no jogo aéreo para a difícil eliminatória com o clube inglês. A Manduca e Marco Ferreira não faltarão oportunidades na Liga. Benfica pede 7 milhões a Miguel e Paulo Barbosa O Benfica intentou no Tribunal do Trabalho, no início deste mês, uma acção contra o ex-jogador Miguel e seu representante, Paulo Barbosa, onde reclama uma indemnização de sete milhões de euros: dois referentes aos vencimentos do jogador até final do contrato; cinco por danos patrimoniais e de imagem. Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, bem avisara que a venda dos direitos desportivos de Miguel ao Valência não colocara ponto final no diferendo que opôs o jogador ao clube em Julho último. Por isso, entende que o Benfica, confirmou ontem a A BOLA na sequência de notícia avançada pelo site Maisfutebol, deve ser ressarcido pelo facto de o jogador ter rescindido contrato e pelos eventuais danos que o litígio causou ao clube da Luz. A primeira parcela do pedido de indemnização refere-se aos dois milhões de euros que o Benfica pagaria ao jogador até final do contrato, em2008.Miguel contestou a validade desse acordo, mas a Comissão Arbitral Paritária deu razão ao Benfica, reconhecendo por válido o documento. Para todos os efeitos, Miguel rescindiu e o Benfica recorre à legislação de trabalho para ser indemnizado no valor dos ordenados até 2008. Os outros danos O Benfica vendeu os direitos desportivos do jogador ao Valência por oito milhões de euros. O clube da Luz apresenta como argumentação o facto de esta venda ter sido condicionada pela situação de pressão exercida pelo jogador, lembrando que tinha em mãos pelo menos uma proposta superior em quatro milhões de euros. Além disso, alega que teve danos ao nível da sua imagem interna e a nível internacional. Da soma destes dois factores surge então uma nova parcela de cinco milhões de euros. segunda-feira, janeiro 23, 2006
Difícil mas não impossível Koeman delegou no adjunto Tonnie Bruins Slot a análise ao encontro a que ambos tiveram oportunidade de assistir ontem, em Old Trafford. A dupla trocou muitas impressões durante os 90 minutos, tendo confirmado as indicações já recolhidas dos vídeos: o Liverpool é uma equipa muito organizada e agressiva, sólida a defender e rápida no contra golpe. Em suma, um adversário difícil de bater, mas não impossível. "Se o Manchester United os venceu, nós também podemos conseguir", sublinhou Slot. Ronald Koeman e o seu adjunto Bruins Slot (à esq.) nas bancadas de Old Trafford"O senhor Koeman nunca fala sobre os adversários que observa, sou eu que o faço. É um hábito antigo que temos", começou por explicar Slot, acrescentando. "Foi bom termos esta oportunidade. Falámos muito durante o jogo e assim tive possibilidade de explicar melhor ao senhor Koeman as ilações que já tinha retirado sobre o Liverpool, através dos vídeos que temos, nomeadamente os dos últimos jogos, desde Janeiro." O adjunto passou então à análise do encontro. "Confirmámos os dados que já tínhamos recolhido. Foi um jogo equilibrado, muito físico e agressivo. O Liverpool actuou no habitual 4x4x2, que rapidamente transforma num 4x2x4 quando ataca. É uma equipa muito bem organizada desde a retaguarda. A defesa é sólida e é aí que muitas vezes é lançado o ataque, com passes longos. Não dão espaço ao adversário, algo típico do estilo de Benitez, que conhecemos bem dos tempos em que trabalhámos em Espanha. É uma equipa muito difícil de bater", expressou, sem perder o optimismo: "Se o Manchester United os venceu, nós também podemos conseguir. Temos as nossas armas." Sobre os jogadores dos reds, Slot destacou Gerrard. "É a estrela, o jogador mais importante, mas a força do Liverpool está na forma como actua em bloco." Marcel renasceu para o futebol PAULO AFONSO, empresário de Marcel, diz que o avançado chegou ao Benfica apenas a 80 por cento da sua forma física. Mas acredita que num curto espaço de tempo o ponta-de-lança estará em condições de jogar. Talvez já no sábado, frente ao Sporting. Marcel, assegura o representante, está nas nuvens e sente que renasceu para o futebol. Marcel trabalha duas vezes por dia para alcançar a melhor forma físicaMarcel chegou ao Benfica a 70 ou 80 por cento das suas capacidades físicas. A afirmação pertence ao seu empresário, Paulo Afonso, que acompanhou o jogador no difícil período que passou sem competir, a partir do momento em que assumiu a ruptura com a Académica. "O Marcel não teve oportunidade de treinar-se com bola, apenas fazia trabalho específico físico num ginásio, em Coimbra. Daí o treinador ter determinado um programa de trabalho para ele", sintetizou. Paulo Afonso sublinhou, no entanto, que o ponta-de-lança está felicíssimo com esta nova etapa da carreira: "Marcel tem forte personalidade, esteve sempre optimista quanto ao desfecho das negociações com o Benfica e ficou felicíssimo com o desfecho. Apesar de ter demonstrado na Académica que é um grande jogador, diria que o Marcel renasceu para o futebol. Sente-se como se estivesse a recomeçar a carreira. Futebol ele tem, e acredito que tudo vai dar certo." Cair nos braços dos adeptos Paulo Afonso diz desconhecer se o objectivo de Koeman é utilizar Marcel no jogo com o Sporting, mas não dúvida que o seu representado vai aproveitar bem o programa delineado pelo preparador físico. "Marcel está a trabalhar neste momento para agarrar a oportunidade assim que ela aparecer. Ele está muito contente com a forma como os dirigentes do Benfica trataram da sua transferência e quer retribuir com golos e boas exibições ", garantiu, acrescentando ainda: "Ele está mesmo determinado em ajudar o Benfica. O Marcel sabe que o Benfica é o maior clube de Portugal, aquele que tem mais apoiantes e isso constitui também uma motivação extra. Quer cair nos braços dos adeptos." O empresário não avança com palpites sobre uma hipotética chamada à selecção brasileira: "É a primeira vez que vai jogar num grande clube e vai mostrar o seu nível." Se Vieira não se candidatar avanço eu AINDA hoje, dois anos e meio depois de deixar o Benfica, lhe chamam presidente. É um título que ficou, talvez para sempre, e tão visível como os 10 ou 12 emblemas que tem do clube e com orgulho exibe na lapela - um para cada fato. "Sinto agora que fiquei no coração dos benfiquistas, "afirma Manuel Vilarinho, 57 anos, provavelmente um dos mais populares presidentes da história da águia. É este homem que aguarda serenamente pelo acto eleitoral de Outubro e afirma com convicção. "Se Luís Filipe Vieira não voltar a ser presidente volto eu, porque estes seis anos de trabalho não se deitam fora. Não vai vir aí outro artista qualquer. " Entrevista A BOLA com revelações importantes de um benfiquista peculiar. «Tenho 57 anos de idade e 57 de sócio»Deixou o Benfica cinco dias depois da inauguração do estádio e teve oportunidade de fazer o discurso e elogiar as pessoas que trabalharam no projecto, inclusivamente o actual presidente, que teve intervenção decisiva em toda aquela obra. - Hoje em dia tudo aquilo me parece um milagre. - Milagre pelo gigantismo, pela dificuldade? - Não é o gigantismo que me impressiona, o que coloca um pouco os pêlos arrepiados é o facto de o Benfica ter avançado para a obra na situação económico-financeira em que se encontrava na altura e o resultado ter sido um sucesso. - Obra também erguida em pouco tempo. - Em pouco tempo e sem derrapar, até pelo que me parece o custo ficou abaixo do orçamentado. Pouco, mas ficou! - O grande momento da sua gerência de Benfica é esse? - Não, não. É uma satisfação, como foi a resolução dos problemas televisivos coma Olivedesportos e a SIC, por exemplo, mas principalmente por o Benfica ter entrado no caminho a que o clube estava habituado e como o meu pai me ensinou. Foi a minha equipa como podia ter sido outra. Contudo, do que não tenho dúvidas, e aproveito a oportunidade para o expressar, é que a nossa Direcção foi uma das melhores que passaram pelo Benfica. - Foi então a partir da sua época que o Benfica voltou a encontrar-se com o passado? - Sim, dentro da modernidade, porque os tempos não são os mesmos, o Benfica passou a ser mais parecido com as suas tradições e a sua cultura. Nos últimos anos, infelizmente, o clube estava a desvirtuar-se. E aí sim, sinto uma ponta de orgulho, porque fui líder de uma equipa que conseguiu que os benfiquistas começassem a pensar em tempos modernos sem postergar as históricas cultura e tradição. - É também nessa fase que revela uma ideia curiosa: trocava títulos pela estabilidade enconómico-financeira... - Trocava. Porque sem saúde económica não poderíamos aspirar a títulos desportivos. O Benfica para lá caminha a passos largos, mais depressa até do que eu pensava, porque eu perspectivei seis/sete anos, mas com três títulos a nível nacional já conquistados quer dizer que a coisa aconteceu mais depressa. Não há nada na vida, infelizmente, que se faça sem dinheiro e para o arranjar precisávamos de tempo. Havia que pagar as inúmeras dívidas e, ao mesmo tempo, com muita dificuldade, quer tentar investir em infra-estruturas quer em atletas, principalmente jogadores de futebol. Foi mais rápido do que eu previa. Em tudo na vida tem de se ter sorte e o Benfica teve. Se calhar também porque foi bem dirigido, o que continua a verificar-se actualmente. - Refere-se ao trabalho de Luís Filipe Vieira, que chegou do Alverca para trabalhar consigo... - Ficámos amigos e ele quis ajudar-nos no verdadeiro serviço cívico que realizámos no Benfica. Ele era presidente do Alverca na altura, mas calhou trabalhar connosco e calhou muitíssimo bem. O Benfica está muito bem, segundo a linha de orientação que tratámos, na qual participou o actual presidente. Naturalmente, Luís Filipe Vieira, na execução da gestão, pensa pela sua cabeça, tem personalidade própria e, embora aproveitando o que antes foi feito, continua, agora ao seu estilo, a trabalhar muito bem. Oxalá que o SLB não o perca. Mas se o perder desde já aqui digo que se ele não voltar a ser presidente volto eu, porque estes seis anos de trabalho não se podem deitar fora. Não vá vir aí outro artista qualquer. O tempo dos artistas do Benfica acabou... Não é que tenha havido presidentes artistas (na generalidade), mas que muitas Direcções eram feitas em cima do joelho disso ninguém duvide. Houve muita gente , muitas equipas de dirigentes, que deixou lá a pele e não se pode permitir que meia dúzia destrua o trabalho de centenas ou milhares. Benfica estaria sempre salvo - Usa constantemente o emblema na lapela? - Sim, uso-o todos os dias. Tenho 10 ou 12, um para cada fato, mesmo em casamentos e baptizados uso-o. Agora não sei onde pus a Águia de Ouro, é muito bonita, mas se não a encontrar mando fazer outra. - Quer dizer que Benfica acompanha-o toda a vida. - Tenho 57 anos de idade e 57 de sócio. - É um ano mais velho do que Filipe Vieira. - Sim, ele faz anos a 22 e eu a 23 de Junho, não me posso esquecer, até porque o meu filho faz a 24 e o Bento a 25... - Um dos seus slogans de campanha era: salvar o Benfica enquanto é tempo. Salvou-o? - Não, o Benfica estaria sempre salvo. Se não tivéssemos aparecido nós aparecia outro, o Benfica seria sempre salvo. É uma instituição que nunca vai morrer, por muito mal que passe, como passou, durante muitos anos. - Arrependeu-se de alguma coisa enquanto foi presidente? - Não me lembro de nenhuma em particular. Às vezes pensava comos meus botões, mais a frio, que se não tivesse dito determinadas coisas não se teria perdido nada. Mas já estava dito... era o que me vinha na alma e não havia nada a fazer. - É verdade que não preparava os discursos? - Preparei o debate com Vale e Azevedo, estive dois dias em casa a estudar como se fosse para um exame. Depois disso, no dia-a-dia, era tudo de improviso, porque não havia tempo nem paciência para cuidar da imagem. - Foi esse debate com Vale e Azevedo que o lançou para a presidência do Benfica? - Catapultou-me esse debate e o apoio de Eusébio. Somos amigos desde miúdos, desde os meus 20 anos. Está tudo convencido de que Eusébio recebeu dinheiro para me apoiar, mas ele apoiou-me por amizade e benfiquismo. - Como cativou as massas? - Durante a campanha pensei: vou ganhar e... largo. E foi assim, não foi à rasca. Como disse na altura, os sócios perceberam que eu ia ser útil ao clube, porque como eles não são uma cambada de burros sentiram rapidamente que ali estaria solução para o problema. Nunca recebi telefonemas anónimos - O que ganhou sendo presidente do Benfica? - Nada, só perdi. Perdi dinheiro e saúde, além de ter arranjado algumas inimizades. Mas com essas posso eu bem. Ainda hoje tenho problemas, e graves, por causa do Benfica, mas espero guardar para mim as causas desses problemas. Espero não ter de revelar quer os problemas quer as causas, mas se tiver, se me obrigarem, vai ser o bom e o bonito. Por ora fico por aqui. - Ser presidente do Benfica é mais importante do que ser Presidente da República, como por vezes se comenta? - Não acho. Isso é uma conclusão popular e que interpreto como querendo dizer que, talvez, o presidente do Benfica seja mais conhecido do que o presidente da República. Obviamente, não estou de acordo com essa conclusão. - Sentiu isso? - Não só não senti como nunca configurei essa situação. O que senti, principalmente fora de Lisboa, foi um grande carinho popular. Toda a gente continua a chamar-me presidente, é um título que ficou. Sinto também que fiquei no coração dos benfiquistas. E isso dá-me muito prazer, mas também me dá muito prazer que os adeptos dos outros clubes não sintam animosidade para comigo. Passeio-me no País (e até no Porto) à vontade, ouço alguns piropos, bocas com graça, e por vezes respondo. Durante os 3 anos de presidente e até hoje nunca tive telefonemas para casa a insultar-me e o meu nome está na lista telefónica... Faz-me certa confusão nunca ter recebido telefonemas anónimos, admirou-me, julgava sempre que os iria receber. Se calhar tenho imagem de um gajo porreiro, que para defender o seu clube não precisa de hostilizar os outros. Eu quero os outros fortes, porque o Benfica nunca perde, às vezes os outros é que ganham. - Revê-se como um dos presidentes mais importantes do Benfica? - Sei que os benfiquistas gostam de mim mas não me considero o mais importante. Eu, tal como Luís Filipe Vieira, encontrámos o clube num caos. O próximo presidente não vai passar o que nós passamos. domingo, janeiro 22, 2006
Cada vez pensamos mais no Liverpool Todas as energias encarnadas estão neste momento concentradas no derby do próximo fim de semana, frente ao Sporting, mas a eliminatória da Champions com o Liverpool - 21 de Fevereiro na Luz e 7 de Março em Anfield Road - já começa a mexer com os corações dos benfiquistas e com a mente de Koeman, como o próprio admitiu ao nosso jornal. Ávido defensor do trabalho de casa, o holandês viajou ontem para Manchester onde hoje assistirá, na companhia do adjunto Bruins Slot, ao clássico entre o United de Alex Ferguson e os Reds de Rafa Benitez. Os treinadores holandeses do Benfica vão unir o útil e o agradável neste fim-de-semana britânico. Viajaram ontem e voltam hoje ao final do diaPrimeiro em Lisboa, depois em Manchester, A BOLA seguiu os passos de Ronald Koeman e Tonny Bruins Slot na importante viagem de espionagem a Inglaterra. O passado recente (Manchester United) e o futuro próximo (Liverpool) do Benfica na Liga dos Campeões cruzam-se hoje em Old Trafford, num clássico que desperta paixões em terras de sua majestade. Com a simpatia e disponibilidade que sempre o têm caracterizado, Koeman falou à nossa reportagem sobre a missão de observação. - Não quis perder a oportunidade de observar o Liverpool ao vivo... - Sim, é uma boa oportunidade de ver jogar o nosso adversário da Liga dos Campeões, uma vez que possivelmente não terei possibilidade de o voltar a fazer. O facto de termos jogado ontem [sexta-feira] facilitou esta deslocação e é claro que é mais vantajoso analisar um adversário nestas circunstâncias. - Quer dizer que não voltará então a assistir in loco a jogos do Liverpool? - Eu não. O Tonny [Bruins Slot] pode ser que sim, mas eu não por questões de calendário. Por isso mesmo quis aproveitar este fim de semana. - E é sempre um jogo interessante de seguir... - Manchester-Liverpool? É claro, é fantástico e podemos aproveitar também um pouco deste fim-de-semana, com as nossas mulheres. Aproveitamos para descansar um pouco e desfrutar de um jogo que é muito entusiasmante e entre grandes equipas. Reuniram-se boas condições para esta viagem e resolvemos fazê-la. Concentrados no Sporting - Já falou com jogadores ou treinadores que conheçam bem este adversário, casos de Laurent Robert ou José Mourinho? - Não, não falei com ninguém porque ainda faltam quatro semanas para o jogo. É tempo suficiente para analisar o Liverpool e preparar a eliminatória com tranquilidade. E de momento há outro jogo mais importante para nós, com o Sporting. É nisso que estamos concentrados. - Adormece a pensar no Liverpool ou é apenas o Sporting que o preocupa neste momento? - Depois do encontro com o Gil Vicente, é claro que agora estamos a pensar no derby com o Sporting. Depois vamos pensar no U. Leiria e assim sucessivamente, mas com o aproximar dos jogos da Champions também vamos pensando cada vez mais no Liverpool. - Sente já a responsabilidade desse jogo? - Naturalmente que é um jogo muito importante, para todos, e agora, como disse, já podemos pensar mais no Liverpool. Mas o próximo jogo é sempre o mais importante e temos essa consciência. Mas vamos preparando o jogo com o Liverpool, desde há muito que o fazemos. É um jogo muito, muito importante. Muitos vídeos para analisar - Já tiveram oportunidade de analisar outros jogos do Liverpool? - Sim, temos os vídeos de todas as partidas dos últimos meses, incluindo, por exemplo, os dois jogos realizados com o Chelsea para a fase de grupos da Liga dos Campeões. - Vai tentar assistir pela televisão aos jogos de hoje à noite do Sporting e do FC Porto? - Não (risos)... Interessa-me o resultado, obviamente, mas vamos é tentar jantar bem (risos)... - Mas certamente alguém do Benfica está a observar o Sporting, próximo adversário na Liga? - Sim, Peres Bandeira foi a Alvalade. - Como perspectiva o derby? - Sobre isso falarei apenas na próxima semana. MARCEL corre para o Sporting KOEMAN quer Marcel em perfeitas condições físicas para o derby e, por isso, não há tempo a perder. Ontem, o avançado brasileiro fez trabalho extra na Luz, tendo por companhia Moreira. Amanhã, irá dar continuidade ao programa especial de trabalho. Marcel vai treinar duas vezes por dia durante a semanaMarcel foi, a par de Moreira, o único jogador encarnado que ontem não gozou o dia de folga. No entanto, tanto o avançado contratado à Académica como o guarda-redes que se encontra lesionado trabalharam apenas no período matinal, no relvado e no ginásio, tendo ambos desfrutado da tarde. Hoje, Marcel e Moreira voltam a ter dia livre, mas amanhã realizam duas sessões de treino. No caso do guarda-redes para dar sequência ao programa de recuperação após operação ao joelho direito, e, do avançado, para atingir o mais rapidamente possível um nível competitivo que lhe permita marcar presença no clássico com o Sporting. Dos cinco reforços contratados no Inverno, Marcel é o único que ainda não se estreou. Marco Ferreira, que foi lançado no jogo com o Tourizense, para a Taça, estreou-se na Liga anteontem; enquanto Laurent Robert, Manduca e, especialmente, Moretto, têm jogado com regularidade. O último jogo confirmou que Karagounis e Miccoli estão a perder espaço e a chegada de Marcel vem complicar-lhes ainda mais a vida. sábado, janeiro 21, 2006
Gil Vicente 1 - 3 Benfica 17 m 1-1 por Simão, através de grande penalidade provocada por Gregory, ao interceptar com o braço um passe de Nélson 34 m 2-1 por Geovanni. Bonito lance: Manduca, Petit, Nuno Gomes na desmarcação e a colocar a bola para o remate do brasileiro 55 m 1-3 por Marcos António (p.b.). Atraso para o seu guarda-redes, pontapé na atmosfera e... golo Arbitragem PAULO BAPTISTA (8) Apenas dois deslizes: um fora-de-jogo a Nuno Gomes que não foi e outro a Carlitos que foi e ficou por assinalar. No resto, um trabalho excelente. Melhor em Campo SIMÃO (7) Começou mal a noite para o capitão benfiquista, que deixou fugir Carlitos e cometeu grande penalidade. 1-0 para o Gil Vicente e a certeza de que seria preciso muito trabalho para dar a volta ao marcador. Mas o capitão tinha o remédio para evitar outro resfriado, restabelecendo depressa a igualdade, também de penalty. Fez ainda duas interessantes tabelas com Geovanni e solicitou Nuno Gomes em duas situações. Não fez uma grande exibição, mas foi fundamental na transformação da partida e nos seus momentos decisivos. Sala de Imprensa RONALD KOEMAN (treinador do Benfica) Koeman até se riu... KOEMAN irónico e crítico em relação às queixas do Gil Vicente à arbitragem. Na sua opinião o Benfica foi superior, teve o mérito de virar um resultado negativo e ponto final. — Há poucos minutos, nesta sala, o treinador adversário disse que o árbitro teve uma fatia de responsabilidade na derrota do Gil Vicente. Quer comentar? — [um momento de pausa para ver se tinha percebido bem a pergunta e uma gargalhada] Já começo a estar habituado a esses comentários. Se o Benfica ganha há sempre responsabilidade do árbitro. É uma tontice falar sobre esse tema. Acontece que fomos melhores. Também poderia estar aqui a queixar-me do penalty assinalado contra nós... Mas parece que é moda um treinador acusar o árbitro da derrota. Assim o trabalho do treinador é fácil: se ganha é mérito seu, se perde a culpa é do árbitro... Estou contra este costume que ainda não sei se é ou não um hábito português. — Como analisa o jogo? — Durante uma hora o Benfica dominou e controlou o jogo e o resultado. Depois, o Gil Vicente teve uma boa reacção e tentou inverter o resultado e reconheço que lhe faltou sorte na bola que enviou ao poste. Foi uma partida atractiva. Uma vitória alcançada num campo muito complicado em que apenas nos últimos 20 minutos não fizemos tudo para matar o jogo. — Que predicados teve o Benfica de mostrar para virar um resultado que começou por ser adverso? — Quando se sofre um golo cedo é necessário ter tranquilidade e confiança para mudar o jogo. É mais fácil gerir uma partida quando se está em vantagem, desta vez isso não aconteceu e a equipa mostrou tranquilidade e confiança. Foi superior e venceu com justiça. — O Benfica colou-se ao FC Porto e coloca, agora, pressão na equipa portista. Satisfeito? — Estou, acima de tudo, satisfeito com a nossa vitória. Reagimos bem ao golo do Gil Vicente, fomos superiores e vencemos. É certo que estamos com os mesmos pontos que o FC Porto e é claro que colocámos pressão no adversário. Eles terão de a gerir, mas também têm uma grande equipa e grandes jogadores. Mas claro, é preferível estar com os mesmos pontos do que com um atraso de oito. — Por falar em pressão, vem aí o jogo com o Sporting... — Pressão também para os jogadores do Sporting. O Benfica está muito forte, na senda das vitórias. — José Veiga falou de intranquilidade do FC Porto e de manobras de pressão que podem acontecer até final do campeonato. Que comentário lhe merece? — Uma equipa grande passa, durante a época, por momentos felizes e por momentos difíceis. Quando as críticas são muitas e os resultados não aparecem é necessário manter a tranquilidade. Foi o que nos aconteceu no início. Os jogadores reagiram com tranquilidade, trabalho, honradez e deram a volta. Agora é diferente, mas temos de estar atentos a tudo. No mais, não posso comentar. Fico com muito gosto Marcos António empurra Simão e fica dono e senhor do lanceSIMÃO voltou ontem a ser determinante na conquista de mais três pontos. O capitão encarnado, que até começou o encontro com o Gil Vicente da pior maneira, fazendo a falta que haveria de proporcionar a grande penalidade que adiantou a equipa da casa no marcador, empatou poucos minutos depois e foi decisivo na reviravolta do resultado. Simão estava naturalmente feliz e no flash interview da Sport TV falou do primeiro lugar (ainda que provisório), do reencontro com o Sporting e do aproximar do final do período de transferências sem que novidades surjam sobre uma eventual saída da Luz. E afirmou que se continuar no Benfica o fará com muito gosto. — Começou o jogo da pior maneira, cometendo a falta que deu origem à grande penalidade contra o Benfica, mas depois foi importante na reviravolta... — O futebol é mesmo assim. O árbitro decidiu assinalar penalty e não há mais nada a dizer... O mais importante é que fizemos um excelente jogo, frente a uma boa equipa e conseguimos vencer um adversário que na primeira volta nos foi ganhar ao Estádio da Luz. — Com esta vitória o Benfica ascende ao primeiro lugar da Liga e caso o FC Porto perca com a Naval assume a liderança. Tem esperanças em que isso aconteça? — Acho que o mais importante é continuarmos a fazer o nosso trabalho. Estamos a conseguir vencer os nossos jogos e vamos esperar para ver aquilo que os nossos adversários vão fazer amanhã [hoje]. — Vem aí a partida com o Sporting. Que expectativas tem a equipa para o derby? — O mais importante neste momento é descansar e recuperar bem. É isso que nesta altura nos preocupa mais. Claro que derby é sempre derby e vamos tentar entrar bem no jogo e ganhar. — O período de transferências está a chegar ao final e ao contrário do que se supunha o Simão continua no Benfica. Espera sair para o estrangeiro até ao final de Janeiro ou é certo que vai permanecer no Benfica? — Sou profissional, tenho contrato até 2010 e por isso só tenho de jogar. — Mas se ficar irá fazê-lo com gosto? — Claro que sim, com muito gosto. sexta-feira, janeiro 20, 2006
Quero uma equipa dominadora RONALD KOEMAN é homem ambicioso. Bem ao estilo das gentes do Norte da Europa, dá opiniões sem medo que delas se faça interpretação arrevesada. Não gosta de olhar para baixo e foi isso que o levou a dizer que neste momento só o FC Porto o preocupa. Preocupa-o porque é forte, mas sobretudo porque está no lugar que o treinador holandês tanto deseja, o primeiro. Di-lo, frontalmente, sem pruridos. — Aproxima-se o «derby» com o Sporting, não teme que os seus jogadores se poupem? — Não há qualquer razão para começar já a pensar no jogo com o Sporting. O de amanhã [hoje] é muito importante. Encurtámos distâncias para o FC Porto e se nesta fase perdêssemos de nada valeria tê-lo feito. Neste momento só o FC Porto me preocupa porque está à nossa frente. Temos de olhar para quem está acima e não para quem vem lá atrás. — ... — O nosso objectivo neste momento é chegar ao FC Porto. Eles perderam na semana passada e nós não podemos facilitar. Temos de fazer tudo para vencer e assim continuarmos a pressionar. Neste momento é a equipa que mais conta... — O Gil Vicente foi a primeira equipa a derrotar o Benfica. Este jogo não vem em boa altura... — Não penso assim. É uma equipa complicada e sabemos que nos pode surpreender, mas não será mais difícil do que qualquer outro adversário. Sei que estão confiantes por terem ganho na Luz, por 2-0, mas eles também sabem que temos neste momento uma equipa bem mais forte. Somos diferentes, somos uma formação mais séria e com mais capacidade. — A confiança é grande? — Não nos esquecemos que na Luz eles nos enganaram, mas já disse que se virmos o vídeo desse jogo poderemos verificar que nos primeiros 30 minutos poderíamos ter resolvido o jogo. Falhámos muitas oportunidades, inclusivamente uma grande penalidade e acabámos por perder daquela forma... Quero uma equipa dominadora — Os jogadores já estão avisados? — Temos de estar concentrados e não estarmos ansiosos. Isso é determinante. Quero que a minha equipa domine e tenha cautelas. O Gil Vicente é uma equipa que explora bem os lances aéreos, como se pode ver pelo facto de terem marcado na Luz de canto. A altura pode ser importante, mas também aí temos soluções para defendermos bem e evitarmos o forte jogo de cabeça do adversário. Guardado para o «derby» SÃO grandes as esperanças que os benfiquistas depositam no instinto de goleador de Marcel, mas Ronald Koeman entendeu que o melhor seria não o convocar já para o jogo com o Gil Vicente por estar ainda com falta de ritmo. Fica guardado para... o Sporting. Ainda não chegou a altura de Marcel ser convocado. Ronald Koeman pede calma e explica a decisão: — Não foi convocado porque está há demasiado tempo sem se treinar. Esteve parado mais de três semanas e por isso não posso contar com ele. — Foi sempre o avançado que desejou? — Sim, há muito que procurávamos um jogador para aquela posição e com as características de Marcel. Estamos muito contentes com a sua chegada. — Acredita que pode estar apto para o derby? — Acredito que estará em boas condições muito rapidamente. Temos tempo e vamos fazer com ele um trabalho especial. Vai treinar-se amanhã [hoje], sábado e durante a semana trabalhará duas vezes por dia. É evidente que espero contar com ele para o jogo com o Sporting. — Marcel dá-lhe mais opções? — É um jogador muito diferente, por exemplo, de Miccoli. Com Marcel poderemos explorar mais o jogo aéreo da equipa, o que é muito importante. É um jogador alto, joga mais à frente e facilitanos vida quando necessitarmos de fazer mais cruzamentos para a área do adversário. Nesse sentido melhorámos e isso pode dar frutos. — Com a chegada dos reforços fica com mais problemas na escolha... — Estou muito satisfeito com as contratações que fizemos. Temos um plantel mais equilibrado. Desejava ter dois jogadores de qualidade para cada posição e agora tenho. O Benfica está em três competições e tem ambições de conquistar títulos. Isso obriga-nos a ter este tipo de soluções. — O Benfica está preparado para os meses que se seguem? — Em Fevereiro teremos muitos jogos e todos eles com adversários fortes. É evidente que uma equipa com este nível, que quer ganhar todas as competições, tem de ter um plantel assim. — Já decidiu quem vai inscrever na Liga dos Campeões? — Por mim já estão escolhidos os três dos reforços que poderão jogar na Europa, mas faltam ainda duas semanas e sinto que ainda é muito cedo para falar disso. Escondidos em Vila do Conde FOI mais uma visita do Benfica ao Norte do País marcada por desvios de rota. A primeira indicação apontava para que Santo Tirso fosse o local de acolhimento da águia, afinal o destino dos campeões nacionais acabou por ser Vila do Conde. Nem os jogadores quando entraram para o autocarro, em Lisboa, conheciam o destino. A preocupação em evitar encontros indesejados terá estado na origem desta mudança de planos... Faltavam poucos minutos para as 18.30 horas quando o autocarro do Benfica estacionou à entrada do Hotel Santana, unidade situada a poucos quilómetros de Vila do Conde, na localidade de Azurara, que serviu de quartel-general da selecção da Grécia, durante o Euro-2004. Se ao conjunto helénico o hotel acima referido deu muita sorte durante o Europeu (mais seria impossível, de facto...), este talvez seja um bom augúrio para a formação de Ronald Koeman, que escolheu, de surpresa, o espaço, por forma a preparar o embate de logo à noite, em Barcelos. As indicações iniciais apontavam no sentido de que o Hotel Cidnay, em Santo Tirso, fosse o destino eleito pelos campeões nacionais para descansar um pouco, antes do desafio com o Gil Vicente. Dado que se trata de uma escolha frequente quando o Benfica participa em desafios a norte do Porto, algumas dezenas de adeptos benfiquistas da região (sobretudo jovens) arriscaram o palpite e dirigiram-se para a porta da unidade hoteleira acima referida. Em vão! Perante a demora da espera, alguns dos simpatizantes benfiquistas não escondiam a sua frustração e comentavam: «Voltámos a ser despistados! Queríamos ver os craques, mas parece que quando eles vêm cá acima têm de ter cuidado...» Paz e tranquilidade Foram mesmo essas as prioridades assumidas pelos responsáveis benfiquistas, ao escolherem Vila do Conde: paz e tranquilidade absolutas, a fim de evitar encontros indesejados. No momento da chegada da comitiva benfiquista a Azurara, um jeep da GNR acompanhou o autocarro benfiquista, que não se deparou com quaisquer factores perturbadores. A águia entrou em sossego no hotel e pôde, enfim, descansar. Lotação esgotada ESGOTARAM os bilhetes para o eterno derby com o Sporting, dia 28 próximo. Os últimos ingressos foram vendidos ontem cerca das 16 horas. Os não sócios não chegaram a ter oportunidade de adquirir bilhetes. Já não há bilhetes para o derby, pelo menos para os sócios e adeptos do Benfica. Os últimos ingressos foram ontem transaccionados, cerca das 16 horas, altura em que as bilheteiras colocaram os anúncios de «lotação esgotada» para o jogo com o Sporting. E desta feita, a venda foi feita exclusivamente a sócios do clube, pelo que os não sócios não chegaram a ter oportunidade de comprar bilhetes. Existe, ainda assim, uma derradeira oportunidade para tentar a sorte e entrar na Luz: as casas do Benfica reservaram ingressos e estão a promover excursões diversas, e têm ainda alguns bilhetes disponíveis. Isto para além dos habituais acessos que o Benfica disponibiliza para o seu rival, que devem rondar os cerca de dois mil ingressos. Garantido é que o Estádio da Luz terá nas suas bancadas 65 mil espectadores, naquela que constituirá a maior lotação da época no que se refere a jogos da Liga, atendendo a que nos últimos desafios a média de espectadores se cifrou na casa dos 50 mil. Este jogo marca igualmente uma nova aposta por parte dos dirigentes encarnados, que passa por privilegiar cada vez mais os detentores de cartão de associado. Como aconteceu neste jogo, em que somente os sócios tiveram acesso aos bilhetes, embora podendo adquirir quatro ingressos para acompanhantes. quinta-feira, janeiro 19, 2006
Nuno no apoio a Marcel MARCEL como homem mais adiantado e Nuno Gomes no apoio ao avançado brasileiro? Eis um cenário que Ronald Koeman deixou em aberto no último treino aberto ao público antes do jogo com o Gil Vicente. O avançado apenas terá dois treinos com os novos companheiros no dia do jogo com o Gil, mas o holandês pode querer vê-lo já em acção. A chegada de Marcel vem aumentar a concorrência no ataque, que poderá voltar a sofrer alteração táctica já no jogo com o Gil Vicente, caso Koeman decida arriscar na utilização de um jogador que ontem participou no primeiro treino, após ter sido apresentado anteontem. O caso de Quim, trocado por Moretto, indicia que o técnico holandês não terá contemplações se entender que Marcel está em condições de jogar, mas isso implicará a saída de um peso pesado, quase certamente Miccoli, que tem formado dupla no ataque com Nuno Gomes. Embora Koeman tenha misturado titulares e suplentes, deixando para hoje, no treino à porta fechada, a possível definição da equipa que vai iniciar o jogo em Barcelos, não passou despercebida a colocação de Nuno Gomes no apoio a Marcel, sinal que tem de ser levado muito a sério nas contas sobre os planos do holandês. Afinal, foi para esse fim que o avançado brasileiro foi contratado e chega claramente à Luz com o estatuto de parceiro do líder dos marcadores do campeonato. Manuel Fernandes no lugar de Beto Outra grande dúvida prende-se com a luta particular entre Nélson e Alcides. No último jogo, o lusocabo-verdiano relegou o esguio brasileiro para o banco, mas a partida realizou-se em casa e perante a obrigação de atacar, Koeman apostou num jogador mais ofensivo. Em Barcelos, tudo irá depender da avaliação que o treinador fizer sobre o adversário, decidindo se a estratégia é de claro pendor ofensivo ou de alguma contenção. Neste caso, a vantagem poderia ser de Alcides, que ontem saiu do treino magoado, coxeando ligeiramente, embora nada de grave. Falta ainda saber se Ricardo Rocha vai manter o lugar, ou se Anderson voltará a ser o parceiro de Luisão no eixo da defesa. Certa é a presença de Manuel Fernandes ao lado de Petit, que não terá a concorrência de Beto, punido com um jogo de suspensão. Esta é uma das lutas mais curiosas do plantel, entre um dos jogadores mais preponderantes da equipa na época passada e outro que ainda não caiu nas boas graças dos adeptos mas emerge como imprescindível para o treinador. MARCEL Um golo para começar MARCEL marcou um golo no seu primeiro treino pelo Benfica, arrancando fortes aplausos dos muitos adeptos que ontem de manhã marcaram presença no treino dos encarnados. O brasileiro revelou estar bem fisicamente mas mostrou apenas detalhes da sua fama de goleador. Marcaram-se muitos golos no regresso ao trabalho dos encarnados. Nove no total. Um deles pertenceu a Marcel, o último reforço conquistado pelo Benfica. E pode-se dizer que a goleada só não foi maior porque o avançado esteve particularmente perdulário nesse capítulo, tendo desperdiçado, pelo menos, três ocasiões. Aliás, o possante brasileiro pareceu ainda algo tímido, apesar do ambiente descontraído e de aparente felicidade que norteou, ontem, a presença da equipa no Jamor. Na retina ficaram alguns pormenores interessantes, como um passe de calcanhar para Nuno Gomes, que deixou o colega de equipa livre de adversários, mas na sua primeira intervenção a sério, o desvio de cabeça saiu ao lado. A equipa onde Marcel alinhou chegou a estar a vencer por 7-0,mas poucas vezes a bola chegava ao novo reforço, também ainda à procura de conhecer os cantos à casa. Depois de Koeman ter ordenado a troca de campo, Karagounis iniciou uma jogada, tocando para Nuno Gomes que, com um passe subtil de calcanhar, deixou Marcel na cara de Nereu. Desta vez, Marcel não perdoou revelando, com um desvio oportuno, a veia goleadora que levou o Benfica a contratá-lo. Depois disso, desperdiçou novas oportunidades flagrantes, embora em todas elas tivesse revelado grande intencionalidade. Um remate à queima-roupa, com o pé esquerdo, encontrou na trajectória o corpo do guarda-redes, outro com o pé direito roçou o poste direito e, por último, um cabeceamento passou, igualmente, a mesma trajectória. Enfim, uma estreia marcada por detalhes. Comprar em casa NO tempo do futebol global, na era em que as fronteiras parecem não existir no desporto-rei fruto da célebre lei Bosman, o Benfica decidiu mudar de política e fazer compras... em casa. O reforço da equipa foi feito em Portugal, mas também aqui o talento existe. Moretto (V. Setúbal) chegou e assumiu-se como número um; Manduca (Marítimo) vai jogando e até já fez uma assistência; Marco Ferreira (Penafiel) já fez uns minutos na Taça de Portugal; Marcel (Académica) promete golos. A excepção é Laurent Robert, vindo de Inglaterra. Longe vão os tempos em que chegava Dezembro, o Benfica se encontrava emaranhado em crises desportivas mais ou menos graves e encontrava como solução ir a clubes estrangeiros comprar jogadores com nomes sonantes mas que raramente faziam a diferença. Este ano tudo mudou e a maioria dos que chegaram à Luz são jogadores adaptados ao futebol português e com rendimento sempre elevado. E mesmo não atravessando fronteiras, o Benfica conseguiu fazer uma das mais badaladas transferências dos últimos anos. Com a chegada do guarda-redes Moretto abriram-se feridas antigas, tornou-se mais acesa a rivalidade com o FC Porto, houve cenas de filme policial em pleno aeroporto e trocas de acusações de arrepiar. Talvez toda a novela tenha feito com que o guarda-redes que brilhou no V. Setúbal, e que continua a ser o menos batido de toda a Europa, chegasse e lhe entregassem de imediato o trono da titularidade. Justificou depois a opção e já leva três jogos de águia ao peito sem sofrer golos e com actuações unanimemente elogiadas. Os outros portugueses vão lutando por um lugar e pela aprovação que o guarda-redes já conquistou. Manduca parece neste campeonato pela titularidade o que mais vantagem conquistou, já que frente à Académica poucos minutos lhe bastaram para fazer com o pé esquerdo um cruzamento fantástico para Nuno Gomes somar à sua conta pessoal mais um golo (já são 13 esta época). MasManduca pode ter algo que lhe pode prejudicar um pouco a caminhada nos primeiros meses de Benfica. O brasileiro não será inscrito na Liga dos Campeões, o que pode ser um entrave a uma aposta mais séria de Koeman. Situação idêntica é a de Marco Ferreira, que não entra também nas contas do treinador nas competições europeias. É por tudo isto que se torna evidente que o avançado Marcel é uma das apostas fortes da SAD encarnada. O homem que na Académica fez nove golos e chega a ser apresentado como um dos melhores pontas-de-lança do futebol português pode mesmo viver uma situação idêntica à de Moretto, que poucos dias depois de ter chegado já se apresentava em campo como titular. Tudo indica que na deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente o Benfica contará já com Marcel. E Ronald Koeman até já o coloca a treinar-se entre os homens que iniciarão a partida. Recordando que também José Fonte foi contratado dentro de portas — veio do V. Setúbal mas foi emprestado ao P. Ferreira —, é curioso verificar que a excepção nesta nova política de contratações é Laurent Robert, o homem que veio de longe... Ali nasceu ouro negro QUIS o destino que Manuel Fernandes regressasse ao onze na deslocação a Barcelos, cidade que apadrinhou a estreia do médio a marcar pelos encarnados. Ali nasceu ouro negro, como escrevia A BOLA, e agora cabe ao internacional português tentar fazer esquecer Beto e manter a tradição de vitória do Benfica no terreno do Gil Vicente: nove vitórias em 13 encontros realizados. Se Ronald Koeman não surpreender, Manuel Fernandes deverá voltar à titularidade amanhã, frente ao Gil Vicente, alinhando no lugar de Beto, castigado devido a acumulação de amarelos. Será uma coincidência feliz para o jogador, pois foi em Barcelos que, lançado a meio do jogo por José Antonio Camacho, Manuel Fernandes se estreou a marcar pelos encarnados (7 de Março de 2004). O golo foi importante não só para Manuel Fernandes como para a própria equipa, já que o médio desfez, ao minuto 79, o empate a uma bola que teimava em manter-se. As deslocações a Barcelos têm sido, aliás, simbólicas. Que o diga Moreira. O guarda-redes estreou-se a titular frente ao Gil Vicente, a 9 de Março de 2002, e manteria o estatuto durante mais de dois anos, até surgir Giovanni Trapattoni e optar por Quim — hoje nenhum dos dois é opção, já que Moretto é actualmente a primeira escolha. Vingar derrota Para lá da motivação habitual, os encarnados têm mais um factor extra para tentar vencer o encontro de amanhã. Ronald Koeman e os jogadores não esquecem a humilhação que os galos provocaram na Luz, ao vencer o jogo da primeira volta, por 2-0. O técnico holandês ainda estava a construir a equipa à sua imagem (usou um sistema de três defesas) e os comandados de Ulisses Morais aproveitaram as indefinições para vencer o encontro. Mas a tradição nos jogos disputados em Barcelos é claramente favorável às águias. Em 13 partidas, o Benfica venceu nove, empatou dois e perdeu por duas ocasiões, a última das quais na época 2000/01 — 3 golos sem resposta dos gilistas, pelos pés de Paulo César, Sérgio Lomba e Pinheiro. Aumentam as dores de cabeça para Koeman A fartura trouxe mais dores de cabeça para Ronald Koeman que teve de enfrentar uma crise de nervos, após a chegada de quatro reforços de uma assentada, espelhada em alguns incidentes entre jogadores no decorrer dos treinos. Neste momento, o plantel é maioritariamente constituído por jogadores com estatuto consumado e sabe como, nestes casos, a sensibilidade é maior. Curiosamente, o treino de ontem decorreu em ambiente de grande descontracção, muitas brincadeiras, muitos sorrisos, mas certo é que a chegada de Marcel vai revolucionar o ataque, onde a concorrência já era mais forte que noutros sectores. Ver-se-á o que fará Koeman para satisfazer os egos de Marcel, Nuno Gomes, Miccoli e Mantorras, sem contar Karagounis e Nuno Assis, que também actuam nas costas dos pontas-de-lança e já se encontravam sem espaço na equipa e até nas convocatórias. Talvez a pensar nisso, Koeman seguiu ontem a parte do treino com bola, sentado e encostado a um dos postes da baliza, sem interferir, praticamente, no que se passava no relvado. Apenas a observar com ar pensativo. Uma conclusão óbvia: se o onze fica mais forte, o banco de suplentes também ganha maior concorrência. quarta-feira, janeiro 18, 2006
Marcel já tinha a cabeça no Benfica MARCEL assinou mesmo e foi apresentado ontem, ao final da manhã. Vem por empréstimo até final da época, mas o clube assegurou opção de compra. O ponta-de-lança brasileiro, de 24 anos, diz que tinha o Benfica na cabeça há muito tempo e, agora que conseguiu atingir o objectivo, promete lutar, com humildade, para ganhar o lugar na equipa. Marcar golos é o seu trabalho. E é esse o cartão-de-visita que apresentou para entrar na Luz. Fato cinzento, camisa azul clarinha e sapatos pretos. Um brinco muito brilhante na orelha esquerda, um relógio com pulseira a condizer e um colar, igualmente brilhante, a apertar-lhe o pescoço. Na cara um sorriso estampado. Foi desta forma, suave mas marcante, que se apresentou na sala de imprensa o goleador brasileiro. É a última contratação e aquela em quem os dirigentes, e treinadores, depositam muitas esperanças. Marcel, para já, jogou, com as palavras, mais à defesa do que propriamente ao ataque. — Como encara esta aventura, Marcel? — Para mim é uma honra imensa poder participar da vida de um grande clube como é o Benfica, um dos maiores clubes europeus. Quero agradecer aos directores e treinadores pela confiança que demonstraram no meu futebol, através desta contratação. O meu pensamento, agora, é o de trabalhar com humildade, respeitar os meus companheiros e ganhar o meu lugar com bastante trabalho. — Quando é que decidiu e soube do Benfica? — Oficialmente, os meus representantes falaram comigo há duas semanas, mas tenho a cabeça no Benfica desde sempre. O Benfica é um clube muito conhecido, não só em Portugal mas em todo o Mundo. Todo o jogador tem o Benfica na cabeça e eu não sou excepção. — Não teme a concorrência forte? — Tenho confiança no meu futebol. Existe respeito pelos colegas. Todos querem jogar e trabalham para isso, o que é sinal positivo. Traz mais opções para o técnico e qualidade para a equipa. — Não defrontou o Benfica pela Académica porque já sabia da transferência? — Não... as coisas estavam a ser conduzidas pelos meus representantes. Realmente tive um problema, no início do ano, que me impediu de comparecer no meu trabalho, depois as coisas já estavam bem encaminhadas e decidi continuar e aguardar para que tudo ficasse definido. — Vem por empréstimo. Sente que tem de mostrar trabalho, que está em teste? — Claro que temos sempre de procurar dar o melhor. Tenho de trabalhar para fazer golos, que é o que sei fazer e o que sempre tive a felicidade de fazer. Quero fazer o mesmo aqui, mas em primeiro lugar quero fazer um bom trabalho e ajudar o Benfica. Candidatos a ganhar a Liga dos Campeões ERA a peça que faltava para completar o puzzle e Luís Filipe Vieira considerou fechado o plantel. Apresentou Marcel, confessou estar satisfeito e assumiu a vontade de conquistar o campeonato, a Taça de Portugal e a Liga dos Campeões. O presidente do Benfica fez uma curta intervenção, antes da apresentação formal de Marcel, para esclarecer alguns pontos. «Estamos a apresentar o último reforço e é o fecho completo do plantel», esclareceu, explicando, de seguida, as razões que levaram a SAD a optar pelo brasileiro da Académica: «É um jogador que, de acordo com a nossa estratégia e objectivos, que são os de ganhar tudo pelo que estivermos a competir, era a última peça do puzzle que faltava. Contamos com ele para marcar muitos golos e acreditamos que vamos conseguir atingir os nossos objectivos: ganhar a Taça de Portugal, o campeonato e queremos assumirmo-nos como sérios candidatos a ganhar a Liga dos Campeões. Para isso este é o último reforço. Desejo-lhe muitas felicidades para este seu percurso no nosso Benfica. » Luís Filipe Vieira sublinhou que Marcel é a última contratação, nesta reabertura de mercado, até final do mês de Janeiro. Mas foi menos claro no que diz respeito a possíveis saídas. Nomeadamente a de Simão, cujo nome continua a ser apontado como eventual reforço de clubes ingleses. O último é o Chelsea de José Mourinho. «Não fazemos futurologia neste clube e já assumimos que queremos ganhar tudo neste grupo. Por isso, vai ser mesmo muito difícil sair algum jogador do Benfica, neste momento. » Seis meses de empréstimo «Marcel veio por empréstimo, com opção de compra. A transacção é clara e é empréstimo até final da época, para terminar com todas as especulações», esclareceu Luís Filipe Vieira. Embora não tenha sido referido na sala de imprensa, a SAD, através do assessor de imprensa, explicou que foi a Académica quem emprestou o jogador, uma vez que é o clube de Coimbra que detém os direitos desportivos. Existe uma outra versão que aponta para um terceiro elemento, não identificado, que terá adquirido os direitos financeiros com quem a SAD terá acertado o empréstimo e o valor da opção de compra no final do contrato de cedência. Para a Académica seguiu parte dos 3,5 milhões de euros que representavam a cláusula de rescisão, até porque o presidente dos estudantes voltou ontem a garantir que os direitos da Académica «foram salvaguardados». Marcel era o preferido, nesta fase final de uma pesquisa de mercado, de uma lista de quatro avançados. Os nomes de dois deles nunca foram divulgados, mas o quarto elemento era o mexicano Borgetti, que joga no Bolton. A perspectiva de investimento futuro (Borgetti tem 32 anos) e o dinheiro terão sido dois dos factores que pesaram na escolha. «Temos a certeza que iremos exercer a opção de compra», afirmou Filipe Vieira. O maior contingente brasileiro de sempre MARCEL entrou, sem o saber, para a história do Benfica. Porque a sua contratação engrossa para nove o número de brasileiros no plantel, contingente inédito na história dos encarnados desde que os estatutos do clube permitiram a aquisição de jogadores estrangeiros, em 1979. Se João Pereira e Nuno Assis abandonarem, o Brasil fica a ser o país mais representado no grupo comandado por Koeman. Nunca houve tanto sotaque na Luz. Foi há 27 anos que o presidente do Benfica da época, Ferreira Queimado, convocou uma Assembleia Geral para alterar os estatutos do clube a respeito de um tema: permitir que o Benfica pudesse contratar jogadores estrangeiros. Em 1979 os sócios aprovaram a moção da Direcção e o brasileiro Jorge Gomes foi adquirido ao Boavista— na mesma altura outro brasileiro chegava à Luz: César. Quase três décadas passadas, a realidade é bem distinta. Portugal é o maior importador de jogadores brasileiros (em 2005 vieram para o nosso país mais de 120, distribuídos pelas várias divisões) e o Benfica, na qualidade de campeão nacional, representa o retrato mais mediático desta travessia do Atlântico que normalmente apenas se faz num único sentido (Dominguez representou, há bem pouco tempo, uma excepção no trajecto inverso). O papel de Vilarinho Com a chegada de Marcel aumentou para nove o número de brasileiros no plantel. O maior número de sempre na história do clube. A reabertura do mercado, de resto, foi marcada pela presença do verde e amarelo, ou a maior novela da passagem de ano não tivesse como epílogo a viagem de Luís Filipe Vieira ao Brasil para acompanhar Moretto — Manduca, entretanto, tinha sido contratado ao Marítimo. Esta viragem ao Brasil não surpreende. A tendência foi retomada já nos tempos de Manuel Vilarinho (pelas mãos de Jorge Mendes, que trouxe Roger e André), quando venceu as eleições a Vale e Azevedo, cujo legado foi marcado pela presença de jogadores ingleses e de outros países da Europa — o central Ronaldo chegou a ser o único canarinho no plantel. Com a entrada de Luís Filipe Vieira na SAD e com a ajuda do então empresário José Veiga chegaram Argel e Júlio César, seguindo-se nas épocas seguintes Cristiano, Éder, Geovanni, Luisão, Paulo Almeida (este trio pedido por Camacho), Alcides, Everson e André Luiz. Com a mesma dupla, mas em funções diferentes, além dos já citados Marcel, Manduca e Moretto, rumaram à Luz Anderson, Léo e Beto. |
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