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segunda-feira, outubro 31, 2005

Os «sonhos» de Edgar: selecção de Angola e Benfica

Há muitos anos no futebol espanhol ao serviço do Málaga, o avançado Edgar admitiu hoje conseguir um lugar na selecção de Angola. «O meu objectivo imediato é representar o meu país no Mundial do próximo ano», assume o futebolista.

Edgar lembra que «continua a amar Portugal» mas frisa que é angolano, nasceu em Angola, os seus pais residem lá e, por isso, «faz todo o sentido defender a selecção dependendo da chamada do seleccionador», referiu o jogador em declarações esta tarde à Antena 1 revelando que «já entrou em contacto com a Federação Portuguesa sobre o assunto».

Também um regresso ao Benfica está nos horizontes do avançado: «É um sonho que acalento desde há muito. Seria óptimo», declara Edgar




Tudo por Simão e Quim
SIMÃO e Quim estiveram ontem no relvado com Rodolfo Moura para realizarem treino específico. Depois fizeram tratamento. O primeiro está praticamente garantido para o jogo com o Villarreal, mas o guarda-redes dá sinais que aconselham máxima ponderação.
Ontem, Simão e Quim subiram ao relvado do Estádio da Luz juntos. E juntos realizaram parte do programa de recuperação. Primeiro com corrida, depois com exercícios físicos variados e, finalmente, para Quim, com bola. Simão só não jogou na Naval por uma questão de precaução, evitando-se o risco de agravamento da mialgia na coxa esquerda. Ontem fez trabalho específico, mas também tratamento no departamento clínico. A sua situação não parece inspirar cuidados de maior e tudo indica que esteja apto a defrontar o Villarreal, quarta-feira, para a Liga dos Campeões.

Gestos de Quim

Quim está a cumprir com o programa de recuperação da intervenção cirúrgica a que foi submetido na Alemanha, segunda-feira passada, para debelar uma hérnia inguinal. E se é certo que o prazo optimista/realista para esta recuperação (8 a 10 dias) já colocariam a recuperação in extremis para o jogo com o Villarreal, o certo é que ontem o guarda-redes deu um ou outro sinal de que ainda sente dificuldades em alguns exercícios, levando constantemente a mão à zona intervencionada. À falta de informações do departamento médico, aceita-se que se tratam de dificuldades naturais de quem ainda está a recuperar e que volte a tempo de jogar. Ontem, Quim correu, fez exercícios físicos e outros com bola. Já com a perna direita, fazendo recepção, troca de bola e até remate. Tudo dependerá de como reagir hoje e amanhã. Em tratamento ficaram Moreira e Miccoli, em fase de recuperação de lesões e até operação, no caso do guarda-redes.

Dois anos de Filipe Vieira
É o 33.º presidente da história do Sport Lisboa e Benfica e completa hoje dois dos três anos do seu primeiro mandato. Nascido há 56 anos no Bairro da Furnas, em Lisboa, casado e pai de dois filhos, Tiago e Sara, Luís Filipe Vieira sucedeu a Manuel Vilarinho no topo da hierarquia do clube da Luz. Vilarinho fica na história como o homem que escolheu Vieira; Vieira fica na história por ter conseguido em apenas dois anos devolver o futebol do Benfica ao sucesso e o clube à linha da credibilidade. Vieira já é um homem de títulos; mas é também um intransigente defensor da instituição, um trabalhador incansável e um lutador obstinado e persistente. Graças a ele (e a um dos seus principais braços na Luz, Mário Dias) o Benfica tem hoje novo estádio e está a caminho de dispor de um moderno e fundamental centro de estágio; graças a ele o Benfica recuperou o entusiasmo, a auto-estima, a confiança e a dignidade; graças a ele o Benfica voltou a ganhar. Luís Filipe Vieira conseguiu tudo, ou quase tudo; graças ao Benfica só não conseguiu deixar de fumar.
V de Veiga de Vieira de vitória
Quando no Verão de 2004 Luís Filipe Vieira, aconselhado então pelo seu vice-presidente Fonseca Santos, tornou oficial a ligação de José Veiga ao futebol do Benfica, ainda os adeptos da Luz estariam longe de imaginar que apenas um ano volvido estariam a celebrar com explosivo entusiasmo o título de campeões nacionais que lhes escapava há onze anos. Filipe Vieira e José Veiga já trabalhavam juntos na Luz praticamente desde que em Março de 2001 Manuel Vilarinho desafiara o ex-líder do Alverca a tomar conta do futebol encarnado. Mas ter apostado em Veiga fez, afinal, toda a diferença. Filipe Vieira provou assim como o seu empenho, simplicidade e rigor, mais a experiência de Veiga seriam a receita indispensável à vitória e em pouco tempo o êxito multiplicou-se na Luz. Hoje, Vieira é um homem orgulhoso mas incapaz de se pôr em bicos de pés. Depois do título e até agora, recusou todas as entrevistas. Não sei se há exemplo igual na história dos clubes.

O retrato de um presidente
NUNCA alguém foi tão consensual, numa eleição livre. Luís Filipe Vieira foi eleito a 31 de Outubro de 2003, com 90,47% dos votos expressos. Faz hoje, precisamente, dois anos.
Não é fácil estabelecer uma linha condutora da personalidade do actual líder do Benfica. Pode definir-se como um homem que nunca tendo abandonado as suas raízes populares — ainda hoje mantém, sempre que pode, uma relação íntima com o povo, com quem sempre se sente melhor e mais à vontade — tornou-se num caso típico de um «self made man», ganhando, sem especial dificuldade, o respeito no mundo empresarial e, sobretudo, no mundo da banca, onde o seu crédito e o seu bom nome foi, de facto, decisivo para a recuperação do bom nome do Benfica, recém-chegado de uma dolorosa viagem aos infernos.

Vieira, o antinotável

Vieira pegou num gigante adormecido, em Outubro de 2003. Conheceu o clube por dentro, ainda durante o consulado de Manuel Vilarinho, que foi o homem — importa não esquecer — que teve a coragem de enfrentar e vencer o populismo demagógico de Vale e Azevedo. Vilarinho foi, pois, o homem que tornou decisiva a possibilidade de transformação do Benfica, caído, como muitas vezes acontece em tempos de indefinição e de caos, na tentação de quem é capaz de fazer mais e melhores promessas com resultados mágicos e imediatos. Vilarinho, um benfiquista de reconhecido amor ao clube, assumiu a liderança num tempo de grandes perturbações, durante o qual, já acompanhado de Vieira, na presidência da SAD, era alvo de ataques indiscriminados e lançados sem dó nem piedade. Cansado de conflitos, vivendo, no clube, uma situação financeira atemorizadora, e sem uma personalidade típica de um incansável combatente, Vilarinho afirmou, a 2 de Julho de 2003, a sua intenção de não se recandidatar à presidência do Benfica e, desde logo, anunciou o seu apoio a Vieira, aproveitando, ainda, para alvoroçar todos aqueles que, então, costumava apelidar de pseudonotáveis : «Nunca fui notável, nem vedeta de TV, nem da cassete pirata, mas fui eu que me candidatei e que derrubei o anterior presidente » — dizia, então, Vilarinho, deixando claro que tinha toda a autoridade do mundo para apresentar Vieira como seu legítimo sucessor. Vieira tinha o caminho traçado. A sua experiência na SAD, apesar de ter de enfrentar muita contestação e muitas dúvidas quanto à sua capacidade para levar o Benfica a ter sucesso, tornou-se importante na visão mais alargada do clube e dos seus adeptos. Vieira apresentou-se, desde logo, não como um notável do clube, mas como um entre qualquer adepto. Um homem simples, que falava com palavras simples e directas, que não se incomodava especialmente por juntar alguns erros grosseiros de português nas suas incursões televisivas, porque sentia que o que mais importava era ser percebido pelo seu povo, e sempre esteve claro para ele, que o povo do Benfica era e é a sua gigantesca massa anónima que faz do enorme clube português um caso de estudo à escala internacional.

País de invejosos

Vieira assumiu, desde o início, uma posição de curioso desinteresse perante o que qualificou de campanhas eleitorais. Quando ouvia outros candidatos, Vieira, que continuava a trabalhar para consolidar uma então ainda mais difícil situação financeira do clube, apenas dizia que se candidatava porque «o Benfica não pode parar». O slogan pegou de estaca e ainda recentemente serviu de mote a alguns candidatos autárquicos, mormente a Fernando Seara, o presidente da Câmara de Sintra, que, curiosamente, fora mandatário de Vieira nas eleições para o Benfica. No seu discurso de apresentação, Vieira recusou um discurso político e de tendência eleitoral. Era, ainda e sempre, o homem do povo benfiquista que falava aos seus consócios: «Muitos de vós nunca tinham ouvido falar de Luís Filipe Vieira, antes do presidente Vilarinho me ter convidado para esta missão de ajudar o Benfica. Confesso que nunca me interessei por protagonismos. Tenho uma vida familiar estável, uma vida empresarial discreta e, perdoem a vaidade, de sucesso. Num país de invejosos como Portugal é, a discrição é um dos segredos do sucesso ». Era este o candidato, o homem, o previsível presidente do Benfica. Igual a si próprio em todas as circunstâncias. Dando a ideia de que não mudava de estilo, de atitude, de carácter, estivesse em frente do mais humilde dos portugueses, do Presidente da República, ou até do presidente de um dos bancos com quem o Benfica tem vindo a ter relações preferenciais e que lhe permitiram marcos históricos como o da construção do novo estádio e, agora, a construção do Centro de Estágio no Seixal.

O incómodo dos jornalistas

Muitos serão os analistas que se demorarão, como é justo e devido, nos sucessos desportivos ( três títulos emdois anos !), nos sucessos de património, nos sucessos da relativa estabilidade financeira do mandato de Vieira. Vou pelo lado humano. Percorro esse desafio, na convicção de que o jornalista tem o dever de ser atento observador. Pessoalmente, a minha relação com Luís Filipe Vieira é suficientemente institucional e, por isso distante, para não poder ser confundida perante um necessário e exigível rigor profissional. Felizmente estivemos algumas vezes em desacordo. Permitiu-me ver o presidente do Benfica teimoso, por vezes, até disposto a atravessar o limiar da discussão civilizada. Mas também o vi, digno, a estender a mão em momentos em que reconsiderava uma atitude ou uma palavra de que manifestamente se arrependia. Incomoda-o, definitivamente, estar de mal com quem sente não ter divergências de fundo. No lado adverso, no ponto oposto da discussão e no outro lado da barricada, Vieira pode ser deselegante, brutal, às vezes, no cúmulo da situação de confronto, até incivilizado. Porém, nunca traiçoeiro. Percebe-se que tem os seus códigos e entende-se que a naturalidade dos seus actos e das suas afirmações não são propriamente peças buriladas no tecido da cultura ou da moda social vigente. No seu código de honra há, porém, e sei bem do que estou a falar, a preocupação de não chegar à ofensa. Não deixo de pensar, por aquilo que por vezes presencio, que o presidente do Benfica poderia ser mais aberto na compreensão das tarefas, bem difíceis e incómodas, dos jornalistas, que tantas e tantas vezes o seguem por toda a parte. É um hábito que um homem do povo, como Vieira, sempre entenderá como incómodo e até limitativo da sua acção natural. Difícil é entender, também do lado de cá, que um protagonista privilegiado do grande teatro do futebol, como é Vieira, pretenda, apesar disso e contra a regra vigente numa sociedade que faz tudo para aparecer nos jornais, nas rádios e nas televisões, continuar a ser um homem discreto, natural e popular. Por isso Vieira escolhia comer no «Barbas», na praia da Costa de Caparica, quando queria estar com Camacho em ambiente mais saudável. Por isso, os seus hábitos de vida são simples e de grande ligação à sua família.

Nascido em berço pobre

Vieira é, pois, o típico lisboeta do bairro popular. Particularmente esperto para o negócio, vivaço, desenrascado, directo, com carácter franco e reservado. Sempre que pode, e mesmo quando parece pouco aconselhável, trata o seu interlocutor por tu e espera que lhe retribuam o hábito. Sente-se mais à vontade, assim. Tem dificuldades evidentes, sempre que se vê obrigado a jogos políticos, com enredos de claustro. Algumas das suas maiores discussões e zangas resultaram em roturas com homens que procuraram trazer a argumentação da diferença para o terreno da dialéctica. Vide o caso de um dos seus principais apoiantes, o dr. Fonseca Santos, com quem, a dada altura, se chegou a incompatibilizar, embora, mais tarde, tenha tido a nobre iniciativa de uma nova reaproximação, que, para já, se ficou no plano pessoal. Mas Vieira também não foge da discussão extremada e feita quase zaragata de bairro. Vítor Santos, um dos seus anteriores amigos, é, hoje, um dos seus inimigos mais activos e persistentes. São ambos filhos dos bairros de Lisboa, sabem ambos quanto custa o sucesso a um homem que foi menino que pouco ou nada teve. Estes são sempre os casos mais drásticos. Ou irmãos de sangue, ou inimigos para toda a vida. Se falo e me detenho nesta área sensível do carácter de um homem que nasceu em berço pobre, no bairro das Furnas, no dia 22 de Junho de 1949, é apenas porque ele é feito de um barro especial, que não se parte e que molda homens de fibra, de génio, de carácter. O curioso é que o sucesso transforma a maioria das pessoas. Sobretudo o sucesso com acompanhamento mediático. Hoje, Vieira tem outra atitude em televisão. Emendou-se, depois de um tempo em que muito resistiu e mais parecia desejar não se emendar, mas não foi isso que fez alterar o essencial. O presidente do Benfica, o homem que decide e negoceia com os bancos é o mesmo que corre o mundo a vender kits de sócios aos adeptos e com eles bebe um copo e come uma sardinha no pão. É o mesmo que chora lágrimas bem reais e muito sentidas em frente ao corpo inerte e já frio de Fehér. O mesmo que se torna indomável, perante aqueles que já se acham capazes de o influenciar nas grandes decisões. O mesmo que sustenta equilíbrios aparentemente impossíveis, para preservar homens que entende decisivos na estrutura, como acontece, por exemplo com José Veiga.

O hábito de ganhar

De tão simples, tão linear, tão arreliadoramente exposto, a figura e o carácter de Luís Filipe Vieira tornam-se, por isso mesmo, profundamente complexos. Os sinais da simplicidade tão evidente, parecem colocar-nos perante um homem algo ingénuo e até facilmente previsível. Depois, olhando os factos e, sobretudo, os resultados, descobrimos um jogador da vida que tem o incrível hábito de quase sempre ganhar. Só não joga em casa. Aí, é o seu cantinho especial no mundo. A mulher, os filhos, a ternura muito especial pelos seus incontáveis cães, tudo a deixar claro que se trata de alguém com grande sensibilidade, profundamente humano e que preserva, entre a família, uma intimidade retemperadora de uma vida que enfrenta com determinação, com empenho, com espírito de missão, e na qual, talvez ainda lentamente, começa a ganhar um certo gosto.

Feliz contradição
CAIU o mito. Um mito que o próprio protagonista ajudou a construir ao longo dos anos, ao afirmar que rendia mais com outro avançado ao seu lado. Mas o que está a acontecer esta época refuta todas as teorias feitas acerca de Nuno Gomes: o 21 está a marcar mais golos jogando sozinho na frente de ataque do que na companhia de Fabrizio Miccoli, o outro ponta-de-lança de referência. Uma verdadeira contradição. Feliz contradição.
Jimmy, Brian Deane e João Vieira Pinto. Três nomes que ajudaram a criar um mito sobre Nuno Gomes: o avançado marcava mais golos quando tinha por companhia jogadores com semelhante aptidão ofensiva. O próprio ponta-de-lança do Benfica ajudou a transformar uma ideia em verdade absoluta, irrefutável, indesmentível. «Sempre disse que prefiro jogar com outro avançado ao meu lado», disse Nuno Gomes, vezes sem conta, em diversas entrevistas. Foi esse o raciocínio que permitiu aos benfiquistas sonharem com o velho Nuno Gomes dos 20 golos por época quando Fabrizio Miccoli chegou à Luz. Afinal, o italiano fala a mesma linguagem futebolística do 21... Mas os números mostram justamente o contrário: 70 por cento dos golos apontados pelo internacional português na presente época aconteceram quando o italiano não estava em campo — já tinha sido substituído ou pura e simplesmente não estava disponível, por lesão. Mais confiança ou melhores assistências?

Qual será, então, o motivo para a queda do mito?

Nuno Gomes já afirmou publicamente estar mais confiante por ter feito uma pré época em condições, algo que não aconteceu nos dois anos anteriores. A eficácia está aí a prová-lo: um golo em dois remates com a Naval, apenas a título de exemplo... Mas a qualidade das assistências será outra das razões e Nélson um dos culpados: há muito tempo que a Luz não via um lateral com uma capacidade de cruzamento como a do cabo-verdiano— junto à linha ou mesmo na zona dos 35 metros.



domingo, outubro 30, 2005

Naval 1 - 1 Benfica

80 m
1-1 por Nuno Gomes. Nélson, numa daquelas progressões que já são a sua imagem de marca, mas que ontem tardaram, colocou a bola na frente da baliza de Wilson Júnior para Nuno Gomes concretizar.

Arbitragem

ANTÓNIO COSTA (6)
Trabalho positivo do sadino, embora claramente prejudicado por um dos seus assistentes, desatento nos foras-de-jogo. Um deles deu golo da Naval.

Melhor em Campo

NUNO GOMES (7)
Nuno Gomes Quase podemos começar a chamar-lhe o inevitável Nuno Gomes. O ponta-delança português está realmente em boa forma e não falha uma oportunidade. Marcou quando devia e durante o jogo tudo fez para que essa hipótese lhe aparecesse mais cedo: de costas para a baliza abriu espaços para os avançados e espreitou sempre nas costas dos defesas a baliza à guarda de Wilson. Dever cumprido

Sala de Imprensa

KOEMAN (Treinador do Benfica)
Treinador fala de injustiça
FOI daqueles jogos que dificilmente vai digerir com facilidade. Ao contrário do que aconteceu no final dos encontros com a Académica, Gil Vicente ou mesmo com o Sporting, no Estádio de Alvalade, nos quais Ronald Koeman surgiu na sala de imprensa apenas comum sentimento de resignação, ontem o holandês estava bem diferente: num estado de irritação latente. As suas palavras ajudaram a compreender a razão por que não estava bem-disposto: considerou injusto o resultado, considera que o golo da Naval tinha sido obtido por fora-de-jogo, não conseguiu a sequência de seis vitórias consecutivas... e não saiu vencedor do duelo com Manuel Cajuda.

— Foi um jogo disputado de muito chuva, viu a sua equipa perder por 0-1. No meio disto tudo considera justo o resultado?
— Acho que é injusto. Fomos a melhor equipa em campo, criámos o maior número de oportunidades de golo e por isso devíamos ser nós a ganhar o encontro. Fizemos grandes jogadas e foi pena termos empatado. Na primeira parte, com o vento a nosso favor, criámos duas ou três grandes oportunidades, principalmente aquela desperdiçada por Anderson. Na segunda parte aconteceu o mesmo: voltámos a criar mais oportunidades que o adversário. O jogo esteve nas nossas mãos. Criámos perigo pela esquerda, pela direita, pelo meio... mas acabámos por sofrer um golo e nessas circunstâncias até não foi mau termos empatado. Foi pena que o golo da Naval tenha sido obtido em claríssimo fora-de-jogo...

Perdida a oportunidade de ultrapassar o FC Porto

— Fica um sabor amargo o facto de o Benfica não beneficiar do empate do FC Porto e ter perdido a oportunidade de ultrapassar o rival?
— Claro! Podíamos ficar à frente deles e merecíamos isso. Mas nem sempre ganha quem joga melhor...
— Com tantos jogos efectuados e depois de terem alinhado num campo com estas condições os jogadores poderão ter mostrado algum cansaço?
— Penso que não. É preciso dizer que a Naval também esteve bem. Mas mostrámos que fisicamente estamos em bom nível como puderam ver no final do jogo. Em forma frente ao Villarreal
— Mas o esforço despendido hoje [ontem] pode prejudicar o jogo com o Villarreal?
— Não creio. Estamos a falar de jogadores jovens que recuperam bem. E é para isso que servem as pré-épocas: preparar uma temporada longa com muitos jogos. Além disso voltaremos a poder contar com Simão e Geovanni. Não houve conflito com Manuel Cajuda
— Terminou o conflito com Manuel Cajuda?
— Não penso que tenha havido qualquer conflito.... Eu limito-me a defender as cores do Benfica e nada mais..

Stop 44 jogos depois
UMA mialgia na face anterior da coxa esquerda quebrou, ontem, um ciclo notável de Simão Sabrosa na Liga. Foram 44 jogos consecutivos e 3960 minutos sempre em campo, desde que, a 24 de Abril de 2004, ainda na temporada de 2003/04, não defrontou o E. Amadora, por castigo. Um recorde para o capitão de equipa dos encarnados, que só por suspensão federativa ou lesão não surgiu na equipa encarnada no último ano e meio, quer com José António Camacho, Giovanni Trapattoni ou Ronald Koeman. Até ontem, passaram-se 554 dias sem falhar um jogo do Campeonato.
Um registo notável. Simão averbou 44 jogos consecutivos na Liga sem uma única substituição, sequer, a titular no onze benfiquista. Depois dos dois golos de encantar apontados ao Leixões, no Bessa, na última quarta-feira, para a Taça de Portugal — vitória do Benfica, por 2-1—Simão Pedro Fonseca Sabrosa teve, à beira de completar 26 anos (amanhã) uma amarga surpresa. Foram enormes os esforços envidados no sentido de recuperar fisicamente o jogador, desde o jogo com os leixonenses, mas, soube-se escassas horas antes do encontro, acabou por não ser possível o número 20 encarnado alinhar na partida de ontem. Um recorde competitivo notável para o internacional português, cuja ausência fica a marcar a partida de ontem, na Figueira da Foz. O facto de o Benfica medir forças, num muito mais decisivo compromisso, para a Liga dos Campeões (4.ª jornada), diante do Villarreal, depois de amanhã, na Luz, também terá ajudado à prudência e aconselhado a poupança do capitão de equipa, que — assim o esperam os adeptos encarnados — deverá estar de volta ao onze de Ronald Koeman na partida de terça-feira, diante da formação de Espanha.

Quatro ausências em 69 jogos

O registo é tanto mais notável se pensarmos que, em termos de jogos oficiais — pré eliminatórias da Liga dos Campeões, Taça UEFA, Supertaça Cândido de Oliveira e Taça de Portugal e Liga — e já somado o encontro de ontem, na Figueira da Foz, foi a quarta ausência de Simão Sabrosa nos derradeiros 69 encontros oficiais do Benfica, desde que, a 24 de Abril de 2004, não jogou na vitória dos encarnados (3-1) diante dos amadorenses. Na última época, somou mais duas ausências em partidas da Taça de Portugal— foi suplente diante do Oriental (3-1), a 27 de Outubro de 2004, na Luz, e não alinhou igualmente nos quartos-de-final, diante do Beira-Mar (1-0), a 3 de Março do corrente ano. O que quer dizer que, com o jogo de ontem, esta foi a segunda vez no ano de 2005 que Simão não jogou.

Sem Simão, «só» nove vitórias em 18 jogos

Simão chegou ao clube encarnado no Verão de 2001, vindo do Barcelona. A sua nuclearidade é atestada pelo número de jogos em que, no total das mais de quatro temporadas já cumpridas de águia ao peito (vai na quinta) não jogou: com o encontro de ontem, as ausências do capitão em partidas do Benfica subiram para 18. Ou seja, falha, em média, quatro jogos por ano. Nas 18 ausências de Simão, o Benfica não ganhou metade dos jogos, como ontem — somaram o sétimo empate, a juntar a mais duas derrotas. O que diz bem da influência de Simão Sabrosa na equipa.



sábado, outubro 29, 2005

Não conheço Cajuda nem me interessa conhecer
A Naval adiou o jogo da Taça para ter mais tempo para preparar a recepção ao Benfica e Koeman sugeriu que talvez fosse um sinal de medo. Manuel Cajuda não gostou e foi pouco elegante na resposta.... José Veiga não achou piada e chamou o treinador da equipa da Figueira da Foz de vaidoso e arrogante. Esta guerra de palavras marcou a semana, mas ontem o holandês do Benfica recusou alimentá-la. Desvalorizou Cajuda e reafirmou vontade de ganhar mais esta jornada. Se o conseguir será o sexto triunfo consecutivo.
— Trocou comentários com Manuel Cajuda e o próprio José Veiga [director-geral do Benfica] criticou o treinador da Naval. Como analisa a situação agora?
— Não tenho mais interesse em meter-me nesse assunto. Dá-me pena este assunto e creio que José Veiga me defendeu e nesse sentido esteve muito bem... Não vou discutir com uma pessoa que não conheço e que não me interessa conhecer.
— Mas tem alguma ideia profissional sobre Manuel Cajuda?
— Não, não tenho. Mas isso não é um problema porque sou treinador do Benfica e tenho é de preparar o jogo e não distrair-me desse objectivo por estar a pensar noutras pessoas.

À espera de Simão

— Simão estará em condições de jogar?
— Bem, ele fez quase todo o treino de hoje [ontem] e temos de esperar para ver como vai reagir. Acredito que tem possibilidades de jogar, mas não saberemos exactamente até amanhã [hoje].
— Geovanni esteve no Brasil durante a semana. Conta com ele para este jogo?
— Não. Se um jogador tem problemas pessoais pode não estar em condições de jogar. E além disso não fez nenhum treino e também temos de ser justos com os outros... Para entrar nos convocados há que treinar e nesse sentido não podes estar fora uma semana e depois chegar e jogar. Não seria correcto.
— O que espera deste jogo frente à Naval?
— Espero um jogo complicado, como quase todos. Sabemos que nesta Liga não há jogos fáceis e é no campo o lugar onde teremos de lutar muito para ganhar. Mas estamos confiantes nas nossas capacidades e acredito que conseguiremos seguir com vitórias, que é o mais importante.
— Para este jogo pensa fazer alterações na equipa?
— Sabemos que temos um plantel grande, onde existem opções. Temos de procurar sempre a melhor equipa para cada jogo. Jogadores que estejam fisicamente bem. Creio que isso é o mais importante quando há um calendário que nos obriga a preparar um jogo em apenas três dias. Num plantel não falamos apenas de 11 jogadores, mas sim de 20 ou 24. Jogadores com características e qualidades diferentes que podem ajudar a equipa em determinado momento quando ela necessitar.

Quim para «Champions»

—Também concorda que, afinal, não é preciso contratar um guarda-redes?
— Não é isso. Uma coisa é se devemos e outra é se podemos contratar. Não queremos falar mais desse assunto porque em princípio teremos Quim recuperado em pouco tempo. Creio que de momento não é necessário contratar.
— Quim estará preparado para quarta-feira?
— Pode ser... porque a sua recuperação está a correr bem. Mas há pouco tempo, temos apenas cinco dias até ao Villarreal. Mas pode ser que recupere, pode ser...
— Já está a gerir o plantel para o jogo com o Villarreal?
— A Liga dos Campeões é outra competição e não sou um treinador que pense em outro jogo que não seja o seguinte. Agora o mais importante é com a Naval. Queremos continuar a lutar pela Liga e para isso há que ganhar.

Manu feliz com interesse da Luz
EM destaque na equipa do Estrela da Amadora, Manu confessa que seria bom voltar à Luz em Janeiro. Apesar de dizer que não foi contactado directamente por ninguém ligado ao Benfica, o jogador admite ter conhecimento de que foi observado várias vezes por olheiros do clube detentor do seu passe.
Manu ouviu com inusitado prazer os elogios que Ronald Koeman lhe dispensou, e confessou a A BOLA que também ele gostaria de fazer parte do plantel orientado pelo técnico holandês, se possível já.
«É sempre bom ouvir os elogios de qualquer treinador e muito mais tratando-se de Ronald Koeman. Sou profissional e é evidente que gostava de ir para o Benfica, que é o clube detentor do m eu passe, mas se isso não suceder, continuarei a ajudar o Estrela a alcançar os seus objectivos», declarou o jogador, admitindo estar a par das observações de que foi alvo por parte de gente ligada ao Benfica: «Sei que isso tem acontecido, mas ninguém me comunicou que iria regressar ao clube.
Ouvi alguns elogios de pessoas ligadas ao Benfica, mas, sinceramente , ninguém falou comigo sobre a possibilidade de regressar em Janeiro.»
Confrontado, por outro lado, com a reacção intempestiva do treinador do Estrela da Amadora, António Conceição, que não se mostrou disposto a perder, a meio da época, a sua jóia da coroa, Manu deixou escapar um riso cúmplice antes de responder: «Bem, primeiro terá de haver entendimento entre os clubes. O meu passe pertence ao Benfica, mas estou emprestado ao Estrela e enquanto aqui estiver, vou dar o máximo para ajudar o clube.»

Quim integra comitiva
O jovem Rui Nereu será hoje titular pela primeira vez num jogo da Liga. Momento de grande responsabilidade e talvez isso explique que a equipa técnica tenha integrado na comitiva alguém mais experiente, um homem a quem o acidental dono da baliza pode recorrer se alguma dúvida lhe assaltar o espírito. Apesar de lesionado, Quim acompanha a equipa e pode dar a necessária serenidade a quem dá os primeiros passos.
O Benfica está a fazer tudo para que Quim recupere da intervenção cirúrgica a que foi submetido na Alemanha para aliviar os efeitos de uma impeditiva hérnia inguinal e defronte a meio da semana o Villarreal num jogo de vital importância para a continuidade na Liga dos Campeões. O guarda-redes é acompanhado por Rodolfo Moura nos exercícios que é obrigado a fazer duas vezes por dia e por isso acompanhou a equipa nesta deslocação à Figueira da Foz.
Mas não será esta a única razão para que Quim tenha viajado para a Figueira da Foz. Mesmo não podendo defrontar a Naval, o homem que é escolha assídua de Luiz Felipe Scolari na Selecção e teve papel importante na conquista do título na época passada pode servir de conselheiro a Rui Nereu. Uma ajuda preciosa para o jovem que iniciou a época na equipa B e nos últimos tempos foi lançado à força como titular do Benfica graças às lesões de Quim e Moreira.
Não é de estranhar que Rui Nereu viva um momento de alguma ansiedade. Cumpriu o sonho de chegar à titularidade com a camisola do Benfica, mas sente-se ainda que não está como peixe na água. Nota-se isso em pequenos gestos: ontem acabou por ser dos únicos que não parou junto dos adeptos que aguardavam a equipa para dar os desejados autógrafos. Uma natural timidez...



sexta-feira, outubro 28, 2005

Simão recuperável para a Figueira
NÃO terá passado apenas de um susto. Simão Sabrosa lesionou-se no final do jogo com o Leixões, para a Taça de Portugal, mas deverá estar apto para defrontar a Naval 1.º de Maio, na Figueira da Foz. O capitão não trabalhou ontem com os colegas apenas por precaução, uma vez que foi melhor para o jogador submeter-se a tratamento e trabalho de ginásio do que integrar o treino.
Exceptuando a grave lesão no joelho esquerdo que o afastou da competição durante vários meses e, por isso, falhou o Mundial-2002, Simão Sabrosa nunca mais teve problemas de índole física ou clínica. Talvez seja por isso que quando o capitão aparenta alguma dor mais grave soe de imediato o alarme, até porque se trata da trave mestra da equipa — anteontem provou o com dois golos sublimes... e decisivos.
Mas o receio de uma eventual ausência do extremo não passará disso mesmo. É certo que não se treinou ontem no complexo do Jamor com os restantes colegas e a 48 horas do encontro com a Naval isso poderia incrementar medos, mas ter-se-á tratado de uma medida de precaução.
Simão deslocou-se ontem ao Estádio da Luz para se submeter a tratamento e trabalho de ginásio, sob a supervisão de Rodolfo Moura, para debelar a mialgia no retro da face anterior da coxa esquerda contraída no Bessa — o mesmo local onde fez a pior lesão da carreira — e hoje já deverá voltar ao relvado, no treino que terá lugar no Estádio da Luz, à porta fechada. Mesmo que não trabalhe a 100 por cento é seguro que amanhã esteja em perfeitas condições para assumir a titularidade na deslocação à Figueira da Foz.

Recuperação começou no Bessa

Mal foi substituído, Simão submeteu-se de imediato a tratamento, ainda no banco de suplentes, com a colocação de gelo, e beneficiou do facto de a equipa ter regressado do Porto de avião, permitindo ao camisola 20 repousar mais cedo do que se a comitiva tivesse viajado de autocarro, como é habitual nas deslocações ao Norte do País.

Não percam a bola!
DESPIU o fato de treinador e porte diplomático para vestir o de operário e assumir postura autoritária. Não se tratou de uma clonagem a técnicos mais duros, o seu estilo também tem esta vertente, mas no treino de ontem viu-se um Ronald Koeman mais agressivo graças a erros tácticos que os seus jogadores estavam a cometer no decorrer do treino. Durante um dos intervalos da peladinha o holandês repreendeu os atletas devido às perdas de bola em zonas perigosas e apresentou-lhes a solução do problema. Literalmente, pois o próprio integrou o jogo.
Um dos erros que Ronald Koeman tem vindo a detectar na sua equipa relaciona-se com as perdas de bola. No final do jogo com o FC Porto o holandês afirmou que não gostou dos lapsos tácticos na primeira parte e no jogo com o Leixões os encarnados também perderam um sem fim de bolas no meio campo.
Terá sido por esta razão que durante o treino de ontem o holandês perdeu um pouco a paciência, uma vez que estava a detectar os mesmos erros na peladinha que os jogadores disputavam a meio campo.
«Abram o jogo, criem linhas de passe pelas alas. Podem perder a bola na frente, que não há perigo, mas aqui atrás, no meio, é que não se pode perder!», foi a mensagem sonora do técnico.

Irritado com o árbitro...

Chalana Mas a lição não ficou por aí. O próprio fez questão de integrar o jogo de treino, criando ele próprio linhas de passe nas zonas laterais e jogando quase sempre ao primeiro toque, como que ensinando aos jogadores o famoso carrossel holandês que tantos êxitos deu ao futebol laranja.
Mas ao colocar a pele de jogador também veio à superfície o seu passado de atleta de alta competição: não gosta de perder nem a feijões, fica irritado quando um passe seu não tem sequência e até protestou com Fernando Chalana, que assumia o papel de árbitro, por uma falta assinalada pelo pequeno genial. Quando parou de jogar voltou o Koeman sorridente. Talvez porque os próprios jogadores brincaram com a situação, afirmando que o holandês estava... a pressionar o árbitro.

Ao ataque para proteger Nereu
KOEMAN já esclareceu que confia no jovem Rui Nereu, mas não existem dúvidas de que a baliza é o sector da equipa que maiores dores de cabeça causa ao treinador. Para diminuir a enxaqueca o holandês conta com o facto de ter o melhor ataque do campeonato e dois goleadores (Nuno Gomes e Simão) com pontaria afinada em todas as provas. O guarda-redes agradece.
Nuno Gomes já marcou oito golos no campeonato (nove no total das provas) e Simão quatro (sete no total). É também com a capacidade destes goleadores que Ronald Koeman conta para minimizar os eventuais problemas de ter lesionados os dois guarda-redes principais do plantel: Moreira e Quim. O Benfica tem o melhor ataque da Liga, com 14 golos marcados e apenas seis sofridos — e uma das melhores defesas, factor que pode trazer alguma tranquilidade ao treinador e também ao jovem Rui Nereu(19 anos) para ganhar confiança.
Manter a bola o mais longe possível da baliza de Nereu é mesmo uma das prioridades da equipa neste momento atendendo à menor experiência do jovem. Até porque a Naval conta com jogadores altos no ataque e lances aéreos, ou confusos, junto da baliza, podem trazer problemas.
O treino de hoje vai decorrer à porta fechada, no Estádio da Luz. Tempo para Koeman treinar o entendimento de Nereu com a defesa. Neste domínio terá especial colaboração o treinador de guarda-redes, Abe Knoop. Quim continua a recuperar... Nereu estará preparado para mais este teste às suas capacidades.

Manu pode entrar em Janeiro
MANU, cedido ao Estrela da Amadora a título de empréstimo até final da época, deve entrar na Luz na reabertura do mercado, em Janeiro. Em troca, o seu actual clube deverá receber um ou mais jogadores do plantel encarnado. Um deles deverá ser o extremo Carlitos.
As boas exibições de Manu no Estrela da Amadora não passaram despercebidas à equipa técnica encarnada e o jogador deverá entrar na Luz em Janeiro. Segundo A BOLA apurou, o actual clube do jogador não coloca entraves à operação, que poderá contemplar uma compensação financeira, ainda que simbólica, além da cedência de um ou dois jogadores encarnados ao Estrela. Carlitos é um dos nomes colocados em cima da mesa.
Manu foi contratado ao Alverca inserido num pacote de jogadores que incluiu também Amoreirinha, Rodolfo Lima, Artur Futre, e Zé Rui. Até agora, Manu foi único a justificar interesse especial da casa mãe, já que os restantes têm tido carreiras intermitentes nos clubes aos quais foram emprestados.
O avançado do Estrela foi também o único a jogar cedido num clube estrangeiro, o Modena de Itália, que por sua vez o emprestou ao Capernedolo, clube da III.ª Divisão local. Curiosamente, foi neste clube que Manu mais evoluiu, regressando a Portugal com um futebol mais maduro do que aquele que antes exibira em Portugal.
Manu começou a dar nas vistas ainda na pré-época e decorridas oito jornadas do início da época oficial afirmou-se como a grande figura do plantel do Estrela da Amadora.

A meio-gás, na Luz

À medida que se sucediam as jornadas, o jogador foi sendo observado pelos olheiros do clube e as informações não podiam ser mais positivas. Nesse aspecto, o jogo com o Marítimo foi determinante, pois o jogador impressionou o próprio adjunto de Ronald Koeman, Tonny Bruins Slot.
No sábado seguinte, na Luz, Manutinha também os olhos de Ronald Koeman a seguirem atentamente todos os seus passos e, apesar de ter actuado diminuído fisicamente, passou com distinção no teste, tendo sido ele o protagonista principal do lance mais polémico do desafio, em que o golo só não foi validado por ter ultrapassado ligeiramente a linha do fundo.
Neste momento, Manu lidera a lista dos melhores marcadores da sua equipa, com três tentos, feito ao qual junta diversas assistências para golo. Veloz e habilidoso, Manu reúne condições para disputar um lugar na ala direita do ataque encarnado, talvez a posição que menos garantias têm dado a Ronald Koeman neste momento.



quinta-feira, outubro 27, 2005

Leixões 1 - 2 Benfica

11 m
0-1, por Simão. Jogada conduzida por Karagounis, da esquerda para o meio, com a bola a chegar, após alguns sobressaltos ao capitão do Benfica que, com muita classe, levantou a cabeça e inventou uma chapelada divina a Marco, impotente para deter a marcha do esférico.

85 m
1-2, por Simão. Após um roubo de bola, o 20 dos encarnados rematou colocado, de pé direito e para a esquerda de Baptista, em arco, sem defesa.

Arbitragem

CARLOS XISTRA
Controlou sempre o jogo, embora tenha cometido pequenos erros. No lance do segundo golo, aplicou a Simão o critério que antes seguira.

Melhor em Campo

SIMÃO (8)
Noite de luxo do capitão do Benfica, num relvado que começa a ser talismã. Na época passada, na jornada decisiva para o título, assinou o golo com o Boavista e colocou o estádio em delírio; neste jogo, de menor carga emocional, foi fundamental ao arrancar dois belíssimos golos. Não fez uma exibição fulgurante — até teve fases de algum apagamento —, mas a nota elevada justifica-se pela forma inteligente como tirou as medidas à baliza e com execução soberba dos lances capitais. Os génios são assim.

Sala de Imprensa

RONALD KOEMAN (treinador do Benfica)
Satisfeito, mas só no final
SEM grandes euforias, uma vez que a exibição não chegou para isso, Ronald Koeman mostrou-se satisfeito pela passagem à quinta eliminatória da Taça, fruto do bom trabalho de Simão, ao apontar os dois golos do Benfica. Rui Nereu começa a ser, segundo o técnico, «um problema » para quando Quim estiver apto a voltar.
— Ficou satisfeito com a exibição?
— No final sim... Claro que passámos a eliminatória, mas custou-nos muito, sobretudo depois do empate do Leixões. Na segunda parte estivemos melhor, com mais velocidade e penso que merecemos passar. Tivemos duas boas oportunidades pelo Karyaka e ainda bem que o Simão esteve extraordinário nos dois golos que marcou.
— Pensa que foi uma vitória fácil?
— Não, se até só marcámos o segundo golo ao minuto oitenta e tal. Foi um grande jogo, em que tivemos que fazer um grande esforço frente a um Leixões que jogou como uma equipa de primeira Liga.
— Ficou satisfeito e tranquilo com a exibição do Rui Nereu?
— Não teve muito trabalho, mas defendeu bem o que tinha a defender. Não sei se poderia ter feito mais no golo do empate do Leixões, mas volto a dizer que temos muita confiança nele, é um guarda-redes com muito futuro. E se o Quim recuperar cedo, vamos ter um problema [para escolher o guarda-redes titular].
—O Leixões deu uma boa réplica?
— Sofremos um pouco nas cobranças de faltas e cantos, o 26 deles [Nuno Amaro, autor do golo] tem bom toque. Na primeira parte faltou-nos velocidade, custou-nos, mas hoje em dia já não há jogos fáceis.
— Acabou por fazer uma gestão de esforço da equipa.
— Sabemos que temos um calendário que não é fácil, com jogos de três em três dias. Utilizámos outros jogadores, tentámos pôr a jogar os que estivessem a cem por cento, e não os limitados. Na Taça há sempre surpresas e eu disse antes que ia ser complicado.
— Mas para resolver o encontro teve de recorrer a Nuno Gomes e Karyaka...
— Sabemos que o Karagounis ainda não está a cem por cento e o Nuno entrou para dar apoio ao Mantorras. Fizemos essas mudanças para ganhar, claro.
— E a lesão do Simão?
— Sofreu um golpe acima do joelho, mas espero que não seja nenhum problema para sábado.
— O que achou dos adeptos do Leixões?
— É sempre melhor jogar em grandes ambientes. Temos sorte com os nosso adeptos e desejo que o Leixões chegue à Primeira Divisão, porque tem adeptos que dão muito apoio.

Capitão com mialgia
Aparentemente tratou-se apenas de um susto, mas a situação será alvo de acompanhamento: Simão contraiu uma mialgia no recto anterior da coxa esquerda. Em linguagem mais corrente, uma cãibra que chegou a preocupar quem estava na bancada. Tudo aconteceu quando o jogador disputou um lance com um jogador leixonense, cujo joelho embateu com violência na coxa esquerda de Simão. À lembrança de muitos terão vindo as imagens da grave lesão que contraiu no Bessa num jogo particular da Selecção portuguesa com a Finlândia (1-4).
De referir que Simão não era substituído num jogo oficial do Benfica desde 30 de Setembro de 2004. Há mais de um ano. Foi com o Dukla Bystrica, na Luz, para a 2.ª mão da 1.ª eliminatória da Taça UEFA.

Benfica desiste de novo guardião
JOSÉ VEIGA, director geral da SAD, anunciou ontem à noite que o Benfica desistiu da intenção de contratar um novo jogador. A UEFA até autorizava, a Liga também ajudaria, mas só para os jogos da Liga dos Campeões. Assim, e porque existe confiança no departamento médico para recuperar Quim o mais rápido possível e também confiança em Rui Nereu, tudo fica como está. A hipótese mantém-se em aberto para Janeiro.
— Como está o dossier dos guarda-redes?
— Já tomámos uma decisão: não vamos contratar nenhum guarda-redes. Por isso, era importante que deixássemos agora de falar de guarda-redes.
— O Benfica chegou a pedir um parecer à UEFA e à Liga?
— Pedimos à Liga e à UEFA e tivemos a confirmação da UEFA. Mas não vamos inscrever qualquer guarda-redes. Acreditamos no que temos. No Rui Nereu. O Quim vamos tentar recuperá-lo o mais rapidamente possível. Temos ainda o Bruno Costa.
— Que respostas obtiveram da UEFA e da Liga?
— A da UEFA foi positiva. A Liga disponibilizou-se para ajudar, mas apenas para inscrever um guarda-redes para a Liga dos Campeões. A partir desta situação entendemos por melhor não fazer nada e manter a confiança nos guarda-redes que temos. Depois de termos conversado com o nosso departamento médico — seguramente um dos melhores do País — temos a convicção de recuperar o mais rapidamente Quim.



quarta-feira, outubro 26, 2005

O interesse também é de Portugal
APESAR do bom momento de forma da equipa, Koeman tem andado com uma grande dor de cabeça: a baliza encarnada. O holandês lembra que uma boa caminhada europeia das águias reflecte-se em benefícios para o futebol português, pelo que, sublinha, «há que ajudar o Benfica». Se a inscrição for igualmente válida para as competições internas, «tanto melhor ». Koeman diz que a lista de guarda-redes está elaborada e falta apenas luz verde para o clube avançar para negociações.
Koeman colocou os seus argumentos em cima da mesa mas sem recorrer a um tom crítico. Apelou, apenas, ao bom senso.
— Está preocupado com a situação em torno dos guarda-redes?
— Sim. Os dois guarda-redes principais estão lesionados e isso é um problema... Quim já foi operado e esperamos que possa estar bem para jogar dentro de duas semanas, mais ou menos. Podem sempre existir problemas quando existem dois guarda-redes no plantel e foi por isso que optámos desde o início da época por ter mais um a trabalhar connosco, como é o caso do Rui Nereu.
— Acredita que o Benfica conseguirá inscrever outro guarda-redes?
— Estamos a tentar... Uma coisa é a Liga portuguesa e os seus regulamentos, outra são as competições europeias. E eu penso que interessa a Portugal que as suas equipas tenham um bom comportamento na Liga dos Campeões. Se o Benfica e o FC Porto ganharem jogos são pontos para o País. Para mim, a Liga dos Campeões é diferente da Liga portuguesa. Temos de esforçar-nos por inscrever um guarda-redes pelo menos para a Liga dos Campeões, uma vez que existe essa possibilidade quando os dois guarda-redes estão lesionados. Como já disse, o interesse também é de Portugal, por isso há que ajudar, nada mais. Se puder actuar no campeonato português tanto melhor.

Há listas para todas as posições

— Já está escolhido o guarda-redes a contratar caso o clube obtenha autorização para a sua inscrição?
— Não está escolhido, mas estamos sempre à procura e a conversar sobre jogadores. Não só guarda-redes mas para todas as outras posições. São nomes pendentes para o dia em que sejam necessários. Nesse sentido, temos uma lista de guarda-redes, outra de defesas, outra de médios e outra de atacantes. É uma forma de estarmos preparados para, a qualquer momento, podermos melhorar o nosso plantel.
— Mas está definido o perfil?
— Não vou falar sobre isso, são assuntos para falar dentro do clube. Primeiro vamos ver se é possível inscrever ou não mais um guarda-redes. Depois decidiremos.

Nereu não tem de sentir-se afectado

— Coloca a possibilidade de rodar os jovens guarda-redes na baliza do Benfica?
— Não. Há que dar tranquilidade e confiança a um guarda-redes. Se Moreira e Quim estão indisponíveis, joga Rui Nereu e jogará até que Quim esteja recuperado ou chegue outro guarda-redes. Queremos ver todos os jogadores que temos e por isso também assistimos a alguns jogos da equipa B, para sabermos que jovens existem por detrás deste plantel. Agora a corrida é entre Bruno Costa e Ricardo Janota. Amanhã o suplente será Bruno Costa, depois poderá ser outro.
— As notícias em torno do desejo de contratação de um novo guarda-redes não podem afectar Rui Nereu?
Não creio. Ele é um guarda-redes muito jovem e que tem de melhorar. Cada um sabe perfeitamente a sua situação neste plantel. Não vejo, por isso, qualquer problema.

Fico feliz por ver que têm medo do Benfica
NAQUELE seu jeito tranquilo, simpático e afável, Ronald Koeman não deixa de ser firme nas convicções e frontal no discurso. Face ao adiamento dos jogos Ovarense- Leixões, da Liga de Honra, e Naval-Pontassolense, da Taça de Portugal (ambos para dia 13 de Novembro), o treinador holandês não deixou de classificar o facto de «curioso», por permitir aos adversários mais tempo de preparação para defrontarem o Benfica.
A crítica ficou bem patente, ainda que expressa de forma irónica. Isto porque, em véspera de jogos com o Benfica, o Leixões não defrontou a Ovarense no fim-de- semana passado e a Naval não joga hoje para a Taça. Koeman não espera facilidades mas acredita na passagem à eliminatória seguinte, até porque jogar no Bessa é uma vantagem.
— O que conhece da equipa do Leixões?
— Analisámos o Leixões e vimos o jogo em casa contra o Beira-Mar. Este fim-de-semana não tivemos oportunidade de os ver jogar porque aconteceu algo que acho muito curioso: adiaram o jogo para terem mais dias de preparação antes de nos defrontarem. Da mesma forma, a Naval não joga amanhã [hoje] para a Taça de Portugal, por forma a ter mais tempo para preparar o jogo com o Benfica, no sábado, para a Liga. Estou contente por ver que têm medo do Benfica. À parte desta situação, será um jogo complicado porque as equipas da Liga de Honra também têm bons jogadores e boa organização. Contudo, teremos de passar porque temos mais qualidade que o adversário.
— Jogar no Estádio do Bessa é uma vantagem para o Benfica?
— É melhor para nós, até porque o relvado é maior. Vamos tentar fazer o nosso jogo.

Uma equipa não se faz com onze jogadores

— Vai fazer muitas alterações na equipa?
— Não, não será uma equipa completamente diferente e não pensem que, pelo facto de jogarem outros jogadores isso significa que para nós não é uma partida importante. Isso não é assim. É um jogo muito importante porque também queremos chegar longe na Taça de Portugal. A verdade é que há jogadores cansados ou tocados e Geovanni também não poderá ser utilizado. É por estas razões que teremos de trocar alguns atletas. Sempre disse que temos um plantel grande e amanhã [hoje] poderão entrar três ou quatro jogadores que têm oportunidade de me mostrar que posso contar com eles também. E conto, porque uma equipa não se faz com onze jogadores, mas sim com um plantel grande. Aqueles que ultimamente não jogavam muito podem agora deixar uma boa impressão.
— Nélson, Luisão e Nuno Gomes serão poupados?
— Não falo de nomes. Procuro sempre a melhor equipa, comos jogadores que estão em melhores condições. Os que não jogarem será por alguma razão. Se há lesionados ou tocados, com o calendário que temos é importante rodar.
— Que comentário lhe merece o jogo de castigo aplicado a Petit?
— Já falámos muito sobre essa tema. Não pode jogar amanhã [hoje], mas à partida no sábado estará em condições de ser utilizado.

Nuno Assis carta fora do baralho
RONALD KOEMAN decidiu dar oportunidade aos jogadores menos utilizados, mas nem assim Nuno Assis foi convocado. Mais um sinal de que o médio ofensivo contratado a meio da época passada ao V. Guimarães deixou, praticamente, de entrar nas contas do treinador.
Nuno Assis voltou a ficar fora dos convocados, apesar de Ronald Koeman ter estruturado uma equipa à base dos jogadores menos utilizados para o confronto com o Leixões. Esta é mais uma prova de que o médio ofensivo contratado na época passada ao V. Guimarães deixou de ter a influência que chegou a exercer na equipa. Na prática, Nuno Assis passou a ser a quarta opção para a posição que ocupa, a seguir a Miccoli, Karagounis e Karyaka.
O pequeno médio ofensivo chegou à Luz no início de Janeiro da época passada e a verdade é que a sua inclusão na equipa coincidiu com o início de resultados que haveriam de lançar o Benfica para a conquista do título. Com o tempo perdeu fulgor, mas a sua titularidade nunca esteve em causa e chegou ao fim da era Trap com15 jogos realizados na SuperLiga. Com Koeman no comando da equipa, apenas realizou três jogos na Liga, tendo 115 minutos disputados. Na Champions o cenário é ainda mais desmotivante para o jogador, pois nem sequer foi convocado nos três encontros já realizados, com Manchester United, Lille e Villarreal.

Dos Santos, outro eclipse

Caso parecido ao de Nuno Assis, embora com algumas nuances, está a ser protagonizado pelo lateral-esquerdo Dos Santos. Titular na época passada, após ter ultrapassado a concorrência de Fyssas , viu-se relegado para o banco com a chegada de Léo. Mas, para o jogador francocabo verdiano, o mais difícil, certamente, é ver que quem discute a titularidade com o internacional brasileiro é um jogador adaptado, Ricardo Rocha

Temos confiança em Rui Nereu
NO final de uma Assembleia Geral da SAD que aprovou, por esmagadora maioria, as contas do último exercício, o presidente Luís Filipe Vieira deu um voto de confiança a Rui Nereu. Mostrou cautelas quanto à contratação de um novo guarda-redes e foi evasivo acerca do alegado interesse em jogadores do V. Setúbal.
Numa altura em que tanto se falta dos guarda-redes do Benfica, ou da falta que eles fazem, Luís Filipe Vieira considera «que se está a especular muito sobre o assunto». E contrapôs: «Temos plena confiança no Rui Nereu. Acho que se está a gerar uma situação de muita pressão sobre um jovem jogador. Ele sabe que nós acreditamos nele, sabemos as exibições que fez, é o guarda-redes do Benfica e está a lutar pelo lugar com os colegas.» Bruno Costa será, hoje, o suplente, «sinal de que o Benfica tem mais dois jovens para ter em conta».
Sobre a possibilidade de o Benfica avançar para a contratação de um guarda-redes já, se houvesse luz verde da Liga e UEFA, o presidente encarnado foi muito cauteloso. «Não sabemos ainda. Vamos disputar os próximos dois jogos e de certeza que o Rui Nereu é o nosso guarda-redes.»
Por último, o alegado interesse em jogadores do V. Setúbal, como forma de ajudar o clube que vive situação económica dramática. «Não há nada... E o que há vocês saberão», respondeu enigmático.

Clube de sucesso

Os cerca de 30 accionistas que estiveram na Assembleia Geral da SAD aprovaram por larga maioria, com dois a absterem-se, todos os pontos da ordem de trabalhos. Aprovadas as contas, foi proposto um voto de louvor ao Conselho de Administração da SAD e ao Fiscal Único. Aqui houve um voto contra, o do conhecido sócio e accionista benfiquista Manuel Boto.
Uma das ideias fortes, à margem das contas, o aumento de capital da SAD, entrando o Benfica em espécie, ou seja, com o capital social da Benfica SAD. O projecto propõe a fusão da Benfica Estádio com a Benfica SAD, passando o clube a deter cerca de 70 por cento da SAD. Projecto ainda em estudo que será apresentado em devida altura. «Temos grandes projectos, todos sabem que o Benfica é um caso de sucesso. Queremos levar o Benfica onde nos propusemos », referiu, em jeito de resumo, Filipe Vieira.



terça-feira, outubro 25, 2005



!! 2 Anos de Glória !!




10 nomes em agenda
OS dirigentes do Benfica já enviaram, através da FPF, exposições para a UEFA e para a FIFA no sentido de sensibilizarem aqueles organismos a permitirem, em regime de excepção, a inscrição de um guarda-redes. Não só para actuar na Liga dos Campeões, mas também nas provas nacionais. Este último cenário parece ser o mais difícil de contornar, mas na Luz reina o optimismo — as respostas chegarão num prazo de 48 a 72 horas — e já estão dez nomes de jogadores em cima da mesa.
Comecemos por citar o ponto 8 do regulamento da Liga dos Campeões. «Se um clube não puder contar com os serviços de pelo menos dois guarda-redes registados na Lista A [jogadores inscritos no plantel principal] devido a lesões de longa duração ou doença, o clube pode inscrever um novo guarda-redes em qualquer altura da época.» Para isso é preciso comprovar através de documentação a indisponibilidade. A BOLA contactou o gabinete de comunicação da UEFA, que confirmou abertura para analisar o processo do Benfica, embora deixando claro que se a lesão de Quim só for impeditiva por um período aproximado de três semanas não deverá ser concedido o regime de excepção.
Na Luz, contudo, reina optimismo em relação às respostas da UEFA e FIFA, que chegarão num prazo de 48 a 72 horas e que serão depois anexadas ao requerimento a enviar à Liga de clubes. A possibilidade de o novo guarda-redes actuar na Liga dos Campeões parece bastante forte — o Benfica vai alegar que a recuperação de Quim pode demorar mais tempo do que o previsto e que existe o perigo de uma recaída —, mas o caso mais difícil de contornar surge na Liga portuguesa, cujos regulamentos não prevêem excepções fora dos períodos normais de inscrição. O Benfica acredita, contudo, que poderá fazer valer os seus argumentos em todas as competições, não só na Europa.
Nesse sentido, os responsáveis encarnados têm já dez nomes em cima da mesa e aguardam luz verde para avançar para a contratação de um deles. O perfil é claro: estrangeiro e capaz de competir com Moreira e Quim pela titularidade. Ou seja, não se pretende apenas uma solução de recurso.
A BOLA contactou vários especialistas em matéria de regulamentos e as opiniões dividem-se. Se alguns acham que dificilmente o Benfica conseguirá um regime de excepção para as competições nacionais, outros defendem que a extensão da inscrição pode ser alargada e não limitar a utilização à Liga dos Campeões. Isto porque, do ponto de vista formal, é incontornável a inscrição na Liga de clubes para o jogador ser inscrito na UEFA.

Quim pode defrontar Villarreal
Foi o sucesso esperado a operação de Quim na Alemanha, dirigida por Ulrike Mushaweck, debelando a hérnia inguinal. A médica está optimista e prevê um tempo de recuperação de oito a dez dias, a tempo de poder defrontar o Villarreal, a 2 de Novembro, para a Liga dos Campeões. Rodolfo Moura, que acompahou o jogador, é mais cauteloso, embora optimista: cada caso é um caso; a integridade de Quim é prioritária; a força que ele tem é decisiva.
«O tempo de recuperação desta intervenção cirúrgica, até o jogador poder treinar-se sem limitações, varia entre os oito e os dez dias. Como o jogo com o Villarreal é no dia 2 de Novembro, Quim tem tempo para recuperar. Espero que jogue. Poderá jogar», reforçou a médica Ulrike Muschaweck, respondendo assim à pergunta que, seguramente, a maioria dos benfiquistas quer ver respondida em primeiro lugar. A médica alemã revelou depois qual o programa de recuperação física (ver tabela), mas o Benfica introduziu mais um dia de descanso, pelo que só na quinta-feira Quim regressará ao trabalho, naturalmente acompanhado por supervisão clínica. «As pessoas ficam admiradas com a rapidez com que os atletas recuperam para a competição, mas tudo se deve a uma técnica que desenvolvemos nesta clínica.» E em que consiste essa técnica? Basicamente, o canal inguinal só é aberto ao longo da zona afectada sem que se toque, com riscos de estragos, nas estruturas intactas, que ficam assim prontas a responder como habitual ao esforço. Mais de 12 mil operações do género nos últimos anos e uma taxa de sucesso de 99,8 por cento atestam o sucesso desta técnica.

Integridade física em primeiro

Quim teve de cumprir as normas de não falar à imprensa, pelo que foi Rodolfo Moura quem, à chegada a Lisboa, reforçou que «a recuperação correu muito bem». Depois, o clínico historiou o processo, que começou com os primeiros sintomas a aparecerem na Selecção, e da primeira aposta num tratamento conservador. Sobre o assunto diria a médica alemã: «Perda de tempo, porque quando regressam as dores vêm com mais força». Após o jogo com o Villarreal, em que Quim foi substituído, o Benfica divulgou que tal se devia a uma mialgia, mas apenas «para salvaguardar o sigilo profissional», já que «o jogador estava a par de tudo e das suspeitas de hérnia inguinal. Com claras melhoras e duas recaídas, foi após o jogo com o Estrela que se avançou então com a decisão de operação.» E agora? Oito a dez dias de recuperação? «Cada caso é um caso. Há doentes e não doenças, pelo que a mesma patologia pode gerar reacções diferentes». Com algumas recuperações surpreendentes no currículo, nem assim Rodolfo Moura, apesar de tudo esperançado, muda o discurso: «Nunca nos comprometemos com prazos. E nunca submeteremos a integridade do atleta a outros interesses. Regressará quando estiver em condições, sem correr riscos. Esta recuperação exige grande sacrifício e dedicação, qualidades que o Quim já mostrou possuir », concluiu.

Tempo de voltar a sorrir
Às cinco e meia da manhã já Quim estava no bloco operatório. Pouco depois das 23 horas estava a chegar a casa. Pelo meio uma operação, uma viagem de avião e tempo para receber os jornalistas no quarto com um sorriso de esperança. «Deviam ver a cara de Quim. Ficou tão feliz por ter desaparecido a dor...», comentava a médica que o operou. Hoje e amanhã descansa, quinta-feira começa um árduo trabalho.
Às 18.30 de domingo chegavam Quim, Rodolfo Moura e Lourenço Pereira Coelho ao Arabella Sheraton hotel, em Munique. No primeiro andar fica a clínica, aberta especialmente para ele. Feitos os exames preliminares e trocadas impressões decide-se pela operação. Com uma agenda preenchida, a médica Ulrike Muschaweck madrugou e colocou Quim no primeiro lugar. Às 5.30 da manhã, uma hora a menos em Lisboa, já Quim estava no bloco operatório para os preparativos para uma cirurgia que se iniciou às 7.15 horas, com Rodolfo Moura a assistir. Bastaram 35 minutos para a médica remover o problema. O jogador ficou no recobro e subiu ao quarto 15 do 19.º andar.
Perto das 12.30 surpreendia os repórteres fotográficos com um sorriso. Já tinha pedido algo para comer e via televisão. Estava com boa cor e a médica alemã cumpria de novo o que prometera: cirurgia sem complicações e sequelas. ...E o desaparecimento da dor.
«Deviam ter visto a cara dele. Estava feliz por ter desaparecido a dor», comentava a médica alemã. «Que alívio, agora vai recomeçar.»


«Como aço»

Quim fez jus à sua personalidade e esteve sempre sereno, sem se queixar. Recebeu alta e foi até ao restaurante do hotel com os companheiros de jornada. Andava tranquilamente, como uma pessoa normal. Tempo de apanhar um táxi. Um momento de pausa no aeroporto para beber uma coca-cola e comer gomas. Tranquilo, como se nada se passasse com ele. No avião, necessidade de caminhar um pouco. E adormeceu, exausto. Tinha à espera um batalhão de jornalistas, evitou falar lembrando a política de comunicação do Benfica. E foi para casa, depois de ter dado todas as informações pelo telemóvel. Vai descansar dois dias. Quinta-feira começa de novo. «Estou como o aço», comentava informalmente a quem lhe perguntava como se sentia. Como aço.

Koeman muda quase tudo
RONALD KOEMAN está atento ao desgaste provocado pela sucessão de jogos e, assim sendo, tenciona apresentar uma equipa totalmente renovada frente ao Leixões. Tudo se perfila para que Simão, Manuel Fernandes e Anderson sejam os únicos da equipa que defrontou o Estrela da Amadora a alinhar de início.
É, literalmente, uma equipa de cara lavada aquela que deverá iniciar o jogo com o Leixões, amanhã, no Bessa, em jogo a contar para a 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, a primeira em que participam equipas da Liga principal.
Ontem, no Jamor, o último treino realizado à porta aberta antes do embate com o Leixões, permitiu a Ronald Koeman ensaiar uma equipa totalmente renovada, na qual Manuel Fernandes, Anderson e Simão foram os únicos dos habituais titulares a figurar na equipa teoricamente titular e, caso o técnico holandês leve avante as suas ideias, Rui Nereu irá estrear-se a titular, após substituir Quim em duas ocasiões consecutivas, ante Villarreal e Estrela da Amadora, tendo à sua frente um quarteto defensivo constituído por João Pereira, Anderson, Ricardo Rocha e Leo. Os dois últimos não foram opções para Ronald Koeman nos últimos compromissos.
No sector intermediário, Manuel Fernandes deverá jogar ladeado por Beto, à direita, e Karagounis, à esquerda e, mais abertos nas alas, Carlitos e Simão, sobrando Mantorras como o elemento mais adiantado da equipa. Será a primeira vez, na presente época, que o internacional angolano começa um jogo oficial e também, uma boa oportunidade para rever a sua popularidade, já que não é utilizado desde o jogo com o Lille, altura em que foi determinante no lance da vitória, ao efectuar o passe para Miccoli. O treino de hoje deverá confirmar a utilização deste onze, mas a a sessão decorrerá à porta fechada.
Carlitos é outro caso especial. À semelhança do que acontecia com Trap, também Koeman vê qualidades no extremo e continua a acalentar esperanças de vêlo explodir a qualquer momento.

Alienação de passes gera mais-valias
OS accionistas da Benfica, SAD vão esta noite apreciar e votar o Relatório e Contas da sociedade que gere o futebol referente ao exercício de 2004/05. Dados significativos, a redução do prejuízo anual para 5,83 milhões de euros e o aumento «residual» do passivo para 125,7 milhões de euros. Entre outras revelações, o Relatório da SAD confirma as alienações parciais de alguns passes de jogadores como forma de gerar mais-valias.
O Relatório e Contas da SAD benfiquista, que hoje à noite será apreciado pelos seus accionistas em Assembleia Geral, confirma aquilo que ao longo do último exercício foi efectuada uma operação de «alienação parcial dos direitos financeiros dos atletas Luís Miguel Monteiro, Manuel Fernandes, Hélio Roque, Tiago Santos e João Vilela, mantendo a Benfica SAD a integralidade dos respectivos direitos desportivos». Ou seja, os encarnados conseguiram com esta operação, em que parte dos direitos financeiros de jogadores como Miguel (entretanto transferido para o Valência) ou Manuel Fernandes, gerar «mais-valias no exercício em análise bem como encaixe financeiro essencial aos investimentos necessários para o reforço do plantel da equipa principal para a época 2005/2006».
Assinale-se que o Relatório faz referência ao facto de tanto Miguel como Alex se terem transferido já depois do fecho do exercício (31 de Julho). Se as verbas resultantes da alienação dos seus direitos desportivos tivesse entrado antes, conclui o documento, o balanço teria sido positivo. Assim, as contas fecharam com resultado negativo de 5,83milhões de euros. Ainda assim, valor inferior ao da época passada em 27%. A demonstração dos resultados da última época desportiva pautou-se por decréscimo nas perdas operacionais que totalizaram 11,89 milhões de euros. O valor arrecadado pelos patrocínios subiu, mas as receitas de jogos, TV e mais-valias com transferências desceram. Os accionistas têm a palavra.




«Correu tudo muito bem» (Quim)
Quim já chegou a Lisboa, depois de esta manhã ter sido operado a uma hérnia inguinal, em Munique (Alemanha). Sob as ordens do fisioterapeuta Rodolfo Moura, o guarda-redes inicia a recuperação na quinta-feira e poderá estar apto a defrontar o Villarreal, a 2 de Novembro, para a Liga dos Campeões.

Caso se confirmem as previsões, a recuperação de Quim ultrapassará todas as expectativas. A médica alemã responsável pela operação apontou um período de oito a dez dias para a recuperação do guarda-redes do Benfica, que foi parco em palavras à chegada a Lisboa: «Sinto-me optimamente, mas não posso falar mais. Correu tudo muito bem.»

Questionado pelos jornalistas, o fisioterapeuta Rodolfo Moura acredita numa recuperação rápida, mas preferiu jogar pelo seguro: «Tudo é possível. Temos a experiência de Mário Jardel, mas nunca poremos a integridade física do nosso atleta à frente de qualquer outra situação adjacente. Tanto pode demorar dez dias como pode demorar mais tempo. Mas tudo faremos, como é nosso hábito, para que o atleta recupere o mais rapidamente possível.»

Quim fica dois dias em repouso, sob tratamento médico, e na quinta-feira recomeça a recuperação, com Rodolfo Moura, que o acompanhou na viagem à Alemanha.



segunda-feira, outubro 24, 2005

Quim operado na Alemanha
NÃO dava para adiar mais. Quim voltou a sofrer durante o jogo com o Estrela da Amadora, foi novamente substituído e a decisão foi imediata: o guarda-redes está desde ontem na Alemanha para esta manhã ser operado a uma hérnia inguinal numa clínica em Munique. Com Moreira também afastado, o futuro, pelo menos, no jogo frente ao Leixões, quarta-feira, está nas mãos do jovem Rui Nereu.
Depois das dúvidas, ficou ontem a saber-se que Koeman não poderá contar com Quim nos próximos jogos (pelo menos frente ao Leixões, na quarta-feira, em jogo da Taça de Portugal e com a Naval, na nona jornada da Liga). O guarda-redes tem a operação marcada para esta manhã e algumas horas depois deverá regressar a Portugal para uma recuperação que deve rondar as duas semanas de paragem.. O guarda-redes encarnado foi acompanhado pelo enfermeiro Rodolfo Moura, que aproveitará para conversar com a médica Ulrike Muschaweck, responsável pela operação, e juntos encontrarem a melhor forma de trabalhar nos próximos dias. Ulrike Muschaweck é uma grande especialista neste tipo de lesões, o que fez com que o Benfica tenha já recorrido aos seus serviços em várias situações. Everson passou também pela Alemanha; Manuel Fernandes também e Simão seguiu o mesmo caminho e até o jovem Bruno Costa (um dos jovens que aspiram agora a chegar à baliza do Benfica) esteve na clínica onde Quim está internado. Depois de ainda ter arriscado frente ao Estrela da Amadora e lançado Quim no jogo, o treinador Ronald Koeman lamenta agora o azar que lhe bateu à porta nas últimas semanas. O guarda-redes, internacional português, falhará o decisivo jogo da Liga dos Campeões, na Luz, frente ao Villarreal. Quando mais se precisava de experiência, eis que surge uma enorme dor de cabeça para atrapalhar uma águia com grandes planos para esta época.

Benfica quer guarda-redes já!

O Benfica vai entrar em contacto — em princípio ainda hoje — com a UEFA e a Liga para fazer um pedido de excepção: dado que a lesão de dois guarda-redes é algo de muito raro pretenderá o clube da Luz inscrever de imediato um guarda-redes que dê garantias e que se possa assumir de imediato como número 1 na Liga e também na Champions. José Veiga já estará no mercado para encontrar uma oportunidade de negócio e sondar jogadores com créditos firmados. Neste contexto, torna-se evidente que é no estrangeiro que o Benfica procura o homem que terá de defender as suas redes. É verdade que nesta altura se torna muito complicado contratar alguém que possa fazer a diferença, mas é imperioso satisfazer a vontade de Koeman, que no início da temporada chegou a pensar que — apesar de ter Moreira e Quim — seria prudente avançar para a contratação de mais um guarda-redes para reforçar o plantel. Nos próximos dias se saberá em que mercado os encarnados irão procurar a desejada solução para a baliza. Com o conhecimento profundo de Koeman dos mais diversos campeonatos pode estar aí a chave para o problema. Mas, numa altura em que os encarnados deixaram de ter excesso de extracomunitários, a América do Sul pode ser a melhor opção. E os guarda-redes brasileiros até estão na moda.

A nova estrela
ESTÃO à venda na maioria das papelarias do nosso país e dão muito jeito nos aniversários de conhecidos e amigos. Em formato de papiro ou até de quadro, encontramos significados e correspondência de qualidades e adjectivos para quase todos, ou pelo menos para muitos dos nossos nomes. É curioso ver o que se diz de Nélson, a estrela que nesta altura mais brilha no plantel da Luz. Nestes textos — baseados não se sabe muito bem em quê — normalmente apenas encontramos boas características... um pouco como acontece com as exibições de Nélson desde que chegou ao Benfica. O lateral-direito caboverdiano — o processo de naturalização está em marcha — já conquistou os adeptos encarnados e começa a despertar a curiosidade dos olheiros dos grandes clubes europeus. No sábado passado estiveram no Estádio da Luz representantes do Bayer e do Milan, e seguramente registaram a qualidade de Nélson. E não é ele o único, pois, como também já foi tornado público, o Manchester United pisca o olho aManuel Fernandes e o Liverpool deve avançar, em Janeiro, para tentar contratar Simão.

Petit em risco
QUATRO amarelos e ainda um jogo de castigo para cumprir: resultado do processo sumaríssimo de que foi alvo na semana passada. Petit está nesta altura numa situação de risco e isso representa uma preocupação extra para o treinador, Ronald Koeman.
A Comissão de Disciplina da Liga instaurou um processo sumaríssimo a Petit e condenou-o a cumprir um jogo de castigo por agressão a Targino, jogador do Vitória de Guimarães. A decisão é comunicada hoje ao Benfica e este problema deverá ficar resolvido já na próxima quarta-feira, dia em que os encarnados se deslocam a Matosinhos para defrontar o Leixões na Taça de Portugal: o médio deve falhar esse desafio e assim limpar a sua folha disciplinar. Mas a situação de Petit continuará pantanosa e Ronald Koeman terá consciência disso. É que o jogador viu, no passado sábado, no encontro com o Estrela da Amadora, o quarto cartão amarelo e está a apenas um de nova suspensão.

Beto no meio-campo para Matosinhos

No jogo da Taça de Portugal deverá ser o brasileiro Beto o jogador que Koeman vai escolher para substituir Petit no meio-campo da equipa. Refira-se que o Benfica já se deslocou quatro vezes a Matosinhos para defrontar o Leixões na prova rainha do futebol português. Venceu duas vezes, empatou uma e perdeu outra. E a última época em que isso aconteceu foi em 1982/83.

Águia «Vitória» já fez testes à gripe das aves
A ameaça da gripe das aves parece avançar terrivelmente pela Europa adentro e o alarme soa um pouco por todo o lado. Inclusive no Estádio da Luz, onde mora uma águia muito especial e que já é um símbolo vivo do Benfica. Todavia, Juan Bernabé, o tratador, garante que Vitória fez todos os testes e que está protegida da possível calamidade.
A águia Vitória voa antes de todos os jogos no Estádio da Luz e já é convidada de honra em festas de casas do Benfica, visitas de adeptos ao estádio e outras iniciativas sociais. Estas são apenas algumas das razões pelas quais o seu tratador, o espanhol Juan Bernabé, não pode esquecer os exames periódicos de saúde, nomeadamente no Laboratório Nacional de Investigação Veterinária. Recentemente fez pesquisas ao vírus da doença de Newcastle - letal para as aves - e à agora famosa gripe das aves. Em ambos os casos o resultado foi negativo, como mostram os documentos anexos. "As pessoas não precisam de ficar preocupados com a Vitória. Além de ela ser uma ave de rapina, portanto muito mais resistente a este tipo de doenças, também não está em contacto com outras aves. Vive no estádio e está isolada", começa por explicar Juan Bernabé. O tratador garante, também, que Vitória "come o mesmo que um humano e é tratada "como tal". Mas, como não convém facilitar, tudo é feito segundo as regras: "Faz sempre os exames e todos deram negativo. Se por acaso as entidades de saúde, por algum motivo, quiserem fazer mais testes, naturalmente que serão feitos."



domingo, outubro 23, 2005

Benfica 2 - 0 Estrela da Amadora

50m
1-0 por Karyaka. Centro de Nélson, da direita, com o pé esquerdo. O médio russo surgiu a cabecear entre os centrais amadorenses e a colocar a bola no canto mais distante, sem hipóteses para Bruno Vale, batido pela precisão do remate

63m
2-0 por Nuno Gomes. Novo centro de Nélson, desta vez mais tenso e com o pé direito. O cruzamento sofre ligeiro desvio de Amoreirinha e, ao segundo poste, surge Nuno Gomes, todo no ar e enquadrado com a baliza, a cabecear em bom estilo e a marcar

Arbitragem

JOÃO VILAS BOAS (5)
Jogo fácil de dirigir, mas nem sempre nas melhores condições. João Vilas Boas abusou do critério disciplinar e tecnicamente esteve mal, perdoou uma grande penalidade ao Estrela da Amadora.

Melhor em Campo

NÉLSON (8)
O menino das tranças negras transformou-se num caso muito sério. Quando a bola lhe chega aos pés o povo acomoda-se, espera algo de mágico, de inesperado. Ontem, a espera durou 50 minutos: o lateral-direito fez uma simulação, depois outra e colocou a bola na cabeça de Karyaka para o primeiro tento. E tinha mais uma oferta para entregar, fazendo um cruzamento fantástico para o golo inevitável de Nuno Gomes.

Sala de Imprensa

RONALD KOEMAN (treinador do Benfica)
Koeman preocupado
A conferência de imprensa de Ronald Koeman no final do jogo foi dominada pela recaída da lesão de Quim [ver página 9] e pela situação de ter perdido os dois principais guarda-redes. O treinador encarnado mostra-se algo preocupado e só a exibição de Rui Nereu, em Villarreal e ontem, na Luz, o deixou algo tranquilo.
— A lesão de Quim foi uma contrariedade...
— É verdade. Para o jogo com o Leixões é muito apertado para jogar. Não posso dizer mais. Temos de falar com os médicos.
— Quim poderá ser operado?
— Não sei. Vamos falar com os médicos.
— Não foi um risco ter apostado em Quim?
— Há sempre um certo risco, até porque só tinha feito um treino connosco. E sabíamos que o único problema é quando tinha de chutar com a perna direita. Havia um certo risco, mas por vezes é necessário assumi-lo.
— Mas não foi um risco elevado, podendo agravar-se a lesão?
— O risco existe sempre. O tempo entre os jogos foi curto. Tentámos que estivesse bem, mas o Quim teve de sair. Mas para mim não foi um risco absurdo. Não estamos aqui para arriscar a integridade dos jogadores. Mas na vida temos, por vezes, de aceitar correr pequenos riscos...
— Neste momento não pode contar nem com Moreira nem com Quim. Está preocupado?
— Por um lado, estou preocupado porque temos dois jogadores lesionados; mas, por outro lado, o Rui Nereu entrou bem e deixou-me tranquilo. Mas quase falta chamar um dos juniores... Trocar um guarda-redes num jogo é uma coisa, mas isto já nos aconteceu segunda vez. E só nesse sentido estou preocupado.
— Rui Nereu jogará na Taça, com o Leixões. Vai ter algum trabalho especial com ele?
— Não é necessário algo especial. O Rui tem trabalhado connosco. Já fez a pré-temporada. Temos trabalhado com vários guarda-redes para saber quem se segue a Moreira e Quim. Rui Nereu demonstrou que é o melhor dos jovens. Tudo isto é muito normal.

Concentração e trabalho

— Tinha pedido aos jogadores concentração para este jogo. Esse foi o segredo para a vitória conquistada?
— Creio que sim. A primeira parte foi muito complicada para nós e, nesse período, não criámos muitas oportunidades de golo. Mas senti que a equipa estava muito concentrada, a trabalhar bem, ciente de que os jogos têm 90 minutos, não apenas 45. Na segunda parte, então, fomos mais velozes, sobretudo no nosso ataque. Depois surgiu o golo de Karyaka e ficámos com mais tranquilidade para controlar o resto da partida. Marcámos o segundo golo e poderíamos ter feito mais dois, já que tivemos oportunidades para que isso tivesse acontecido.

Grandes elogios a Nélson

— Nélson voltou a fazer um grande jogo e a ser decisivo no jogo. Está surpreendido com a rapidez da adaptação do jogador?
— Por um lado estou surpreendido, porque Nélson é um lateral que faz muitas assistências para golo. Essa é uma grande característica para um lateral. Ou seja, Nélson não só cumpre a defender como faz cruzamentos que resultam em golo. Isso sim, surpreendeu-me. Não a sua qualidade, porque sabíamos a sua qualidade quando o contratámos. O Nélson está a assumir um papel importante a defender e também a atacar. Está a revelar grandes qualidades.

Nélson pisca olho à Selecção
NÉLSON foi a grande figura do jogo de ontem à noite: cruzou para os dois golos da sua equipa e rubricou mais uma exibição de qualidade, o que prova o acerto da contratação feita pelo Benfica ao Boavista. No final do desafio, no habitual espaço televisivo para curtas entrevistas aos protagonistas dos desafios, o lateral-direito do Benfica falou com humildade do presente e do futuro. Mas também com muita ambição. Principalmente quando questionado sobre o seu processo de naturalização — o jogador ainda é cabo-verdiano — e a possibilidade de ser chamado a representar a Selecção portuguesa. «É claro que será muito bom se isso acontecer e quando acontecer... Mas agora só penso no Benfica, em ajudar a equipa a alcançar os seus objectivos no Campeonato e na Liga dos Campeões. Penso também em melhorar as minhas qualidades naquilo que considero ser necessário», explicou o jogador. O processo que permitirá ao jogador ser considerado cidadão português foi colocado e mandamento ainda no Boavista e em breve ficará concluído. E, a julgar pelas boas indicações que tem deixado nos relvados... Scolari pode sorrir a mais uma boa alternativa para o lado direito da Selecção Nacional. Nélson tem consciência de que atravessa um momento profissional muito bom e que já é um dos jogadores mais acarinhados pela massa associativa da Luz. «Sei que estou a atravessar uma boa fase, mas ela deve-se ao grupo, que tem muita qualidade e permite isto. A equipa começou mal a época mas, com muita união, conseguiu dar a volta.» Sobre o presente Nélson não tem dúvidas do que há a fazer, mas... sobre o futuro? «Trabalho cada dia para melhorar as minhas capacidades e tornar-me mais forte, só isso. Depois é seguir em frente.»





Nélson
Centros que semeiam o pânico na área adversária



sábado, outubro 22, 2005

É proibido relaxar
CONFIANTE e a jogar bom futebol. Foi desta forma que Koeman analisou ontem, em conferência de imprensa, o actual momento da equipa. Mas alertou para os perigos de relaxamento neste regresso à Liga e concretamente no jogo de hoje, frente ao Estrela da Amadora. O treinador não quer passos atrás e pede ambição aos jogadores. E por falar em jogadores: Quim recuperou e entra no onze. Ricardo Rocha também será titular mas na esquerda da defesa. Pelo menos assim deixou entender o holandês.

— Quim está ou não em condições de jogar?
— Treinou esta manhã [ontem] e estará em perfeitas condições para jogar, se não tiver nenhuma recaída.
— Com a lesão de Moreira será necessário contratar outro guarda-redes?
— É cedo para falar disso mas a possibilidade existe, porque a lesão de Moreira é para seis meses, o que é bastante tempo, quase até final da temporada. Até Janeiro não temos possibilidade de contratar. Precisamos e temos tempo para pensar e tomar uma decisão.
— Fala-se do regresso de Yannick. Conhece o jogador?
— Sim. Vi-o aqui na Luz, no início da época. Mas falar agora é prematuro.
— Está tranquilo?
— Sim. Quim é muito bom guarda-redes, para a Selecção e para jogar no Benfica. Nereu fez uma bela exibição em Villarreal. É mais jovem e tem muito para aprender mas tem qualidade.
— Como gerir a situação de Quim?
— Ultimamente, até por causa dos jogos na Selecção, têm surgido alguns problemas... Temos de pensar bem nos treinos. Não podemos correr riscos e o importante é falar muito com os médicos e saber o que fazer para Quim estar em boas condições para jogar.
— Teme desgaste físico frente ao Estrela?
— Não. Estamos fisicamente muito bem, com confiança e tranquilidade. E damos descanso aos jogadores: se vejo que algum não está bem tenho de o trocar e é para isso que temos um plantel grande. A questão é mais mental que física. Agora temos de nos concentrar noutra competição e a única preocupação que posso ter é se a equipa vai relaxar. Teremos de entrar concentrados e revelar a ambição das últimas semanas. Não estamos ainda numa posição em que possamos jogar tranquilamente, necessitamos dos pontos. Estamos num bom momento mas cada jogo começa do zero e o adversário vem para complicar. Esperemos que os adeptos nos ajudem.
— Este Benfica já está como o queria?
— Estamos no bom caminho e a equipa melhorou muito, como se viu, principalmente nos jogos fora de casa que realizámos na Liga dos Campeões. Demonstrámos tranquilidade. Temos de estar mais atentos na definição das jogadas de ataque, no rendimento, mas creio que estamos bem.
— Gostaria de ver mais adeptos no estádio?
— Vêm mais ou menos 35 mil, o que para mim não é pouca gente. Vejo menos noutros campos.
— O Estrela nunca ganhou na Luz. O que conhece desta equipa?
— Mas nós há muito que também não ganhávamos no Porto, não era? Estas tradições são para quebrar. Conhecemos bem o Estrela, vimos jogos. É uma equipa que joga bem no contra-ataque, com dois jogadores rápidos. Temos de estar muito atentos. Temos de ser nós a marcar o ritmo e não eles.
— Ricardo Rocha joga na esquerda?
— É uma possibilidade. Coloquei-o em Villarreal porque queria um lateral que pudesse ajudar os centrais. Amanhã [hoje] será diferente mas tenho intenção de não mudar muito a equipa, porque está bem.
— Preparado para perder Petit se houver castigo?
— Não creio que castiguem Petit. Se deram dois jogos ao jogador do FC Porto pelo que fez... Não podem dar nenhum a Petit.
— Conhece Manu, dos melhores no Estrela?
— Disseram-me que é jogador do Benfica e os últimos relatórios são positivos. Se jogar, que jogue tranquilo.

Nélson terá grande futuro se tiver pés bem assentes no chão

— Os espanhóis elogiaram muito Nélson. Está surpreendido com o rendimento do jogador?
— Por um lado sim. Porque está aqui há pouco tempo e já demonstrou que é um grande jogador. Veio do Boavista e a sua adaptação foi muito rápida e muito boa. É um jogador muito importante para nós, sobretudo porque ajuda a atacar na direita. Se for capaz de manter os pés bem assentes no chão terá um grande futuro.
— O Sporting tem problemas e o FC Porto também atravessou fase complicada. Entende que o Benfica é a equipa mais forte?
— Não sei. Penso que se trata apenas de momentos de uma Liga. No início da temporada era ao contrário. O que temos de fazer é continuar a trabalhar na linha do que temos feito ultimamente. Se estamos bem, confiantes, só temos de trabalhar porque temos equipa para ganhar o título. E isso é mais importante que olhar para os adversários.
— Em entrevista num jornal espanhol falou sobre a experiência portuguesa. Está satisfeito?
— Também disse nessa entrevista que estava muito contente. Pensava treinar em Espanha mas aceitei o convite do Benfica e estou muito contente por ter tomado essa decisão.

QUIM apto para jogar
QUIM vai fazer hoje o derradeiro teste para saber se pode ser titular frente ao E. Amadora. Deverá estar apto, embora sejam mais que muitas as cautelas dos médicos. Fica, assim, adiado o sonho do jovem Rui Nereu, que depois de se mostrar em Villarreal seguramente já se via a voar para a estreia na baliza na Liga portuguesa. Noutro plano, Petit está na lista de convocados e Koeman não vai mudar a equipa que entrou em campo no último jogo.
O jovem Rui Nereu (19 anos), da equipa B, jogou e brilhou em Villarreal, no desafio da Liga dos Campeões, mas ainda não será hoje que vai dar continuidade ao sonho na Liga portuguesa: Quim recuperou de lesão e deverá ser o titular frente ao Estrela da Amadora. Ontem de manhã, Quim já se treinou no relvado do Estádio da Luz, onde decorreu a sessão de trabalho, à porta fechada. O guarda-redes fez trabalho específico e até regressou mais cedo ao balneário, mas a mialgia no adutor direito não incomodou muito, o que permitiu a inclusão do seu nome na convocatória. Hoje faz teste definitivo que permitirá a Koeman saber se pode mesmo contar com ele. Os médicos e treinadores da equipa têm algumas reservas sobre a situação de Quim. Nos próximos tempos o esforço do jogador será rigorosamente controlado, evitando males maiores, nomeadamente o aparecimento de uma hérnia inguinal, lesão de que também já padeceram outros atletas - como Simão e Manuel Fernandes. O esforço extra de representar a Selecção não ajuda neste plano de contenção. Partindo do princípio de que Quim joga hoje, Koeman não vai alterar a equipa titular de Villarreal: Nélson será o lateral-direito, a dupla de centrais escolhida é a formada por Luisão e Anderson e Ricardo Rocha joga na esquerda. No meio-campo aparecem Petit e Manuel Fernandes, com Geovanni a descair mais para a direita, o grego Karagounis no centro e Simão para a esquerda. Na frente: o motivadíssimo Nuno Gomes. Foi esta a fórmula para Villarreal e será este o mesmo esquema que Koeman vai apresentar hoje, frente à equipa da Amadora.

Ricardo Rocha na esquerda

Ricardo Rocha é defesa-central mas jogou na esquerda em Villarreal e vai voltar a ocupar esse posto no encontro de hoje, na Luz, frente ao Estrela. Esta é uma situação que continua a ter um prejudicado que é o cabo-verdiano Dos Santos, lateral-esquerdo de raiz que cada vez mais perde o seu espaço no plantel. Dos Santos nem sequer foi convocado para o jogo da Liga dos Campeões, mas voltou agora a ser chamado, muito por culpa do castigo de Léo - o defesa-esquerdo brasileiro viu cartão vermelho durante o jogo da última jornada, frente ao FC Porto e hoje não pode jogar.

Clube já tem 130 mil sócios
POUCO mais de 50 sócios aprovaram ontem por unanimidade o Relatório e Contas de 2004/2005. O Benfica apresentou um prejuízo de 2 milhões 295 mil euros, mas há que destacar o facto de o passivo do clube ter sido reduzido em perto de 3 milhões e 800 mil euros. O presidente Luís Filipe Vieira congratulou-se com os números apresentados, fez um balanço positivo do último ano e prometeu trabalhar para que o clube tenha «mais cem anos de sucesso ». Os sócios já aumentaram.
Contas transparentes, aumento de receitas, um esforço enorme para resolver contenciosos do passado e liquidar dívidas a homens como Ericksson — há quanto tempo (!) —, João Pinto ou Carlos Lisboa. De tudo isto falou Luís Filipe Vieira e com tudo isto o presidente convenceu uma plateia pouco numerosa. O esperado aconteceu: o Relatório e Contas foi aprovado por unanimidade. O presidente sabia que tal aconteceria, fez um discurso sereno e disse: sucesso. Falou de êxito desportivo e financeiro. Das muitas palavras do presidente, duas foram repetidas à exaustão: «Consolidação e desenvolvimento ». A ponte passado e o presente: «Consolidámos a estratégia iniciada por Manuel Vilarinho e com a qual nos identificamos. Na vertente do desenvolvimento lançámos as fundações do futuro através do que designámos como Mais Cem Anos de Sucesso.»

Sócios aumentam

Repetiram-se os termos, mudou o sentido do discurso: «Desportivamente, temos motivos para estar orgulhosos com os êxitos alcançados. O Benfica é, com toda a certeza, o clube em Portugal que maior número de troféus conquistou ao longo da última época.» Luís Filipe Vieira voltou a referir-se ao novo cartão de sócio: «Na última actualização tínhamos já ultrapassado os 130 mil sócios. O crescimento do número de sócios deve ser aplaudido já que nos situa, de acordo com os últimos dados publicados pela UEFA, entre os cinco maiores clubes que participam na Liga dos Campeões.» «Têm sido favoráveis os números que nos têm chegado », referiu ainda Luís Filipe Vieira, que voltou a mostrar-se optimista: «Estamos no caminho certo. Já uma vez me referi a números e parece que as pessoas não entenderam. Espero chegar aos 300 mil sócios...»

Sucesso empresarial

Voltando ao Relatório e Contas, o presidente deixou escapar alguma emoção: «Constatarão que os objectivos de resultados que tínhamos para o exercício 2004/05 [480 mil contos de lucro] não puderam ser alcançados. Apesar de termos diminuído o prejuízo, a constituição de provisões e a regularização de acordos que estavam em contencioso, impediu-nos de alcançar já o break-even. De qualquer forma, ninguém ousará criticar medidas que são da mais elementar prudência relativamente ao futuro do clube. Saliente-se que o passivo foi reduzido, o que vem confirmar que estamos no caminho certo.» A conclusão chegou depois: «O que começou há cinco anos como uma tentativa desesperada de salvar o Benfica é hoje um dos projectos de maior sucesso, tanto desportivo como empresarial.»



sexta-feira, outubro 21, 2005

FC Porto tentou tudo para que não jogasse no Dragão
«Espero não apanhar qualquer jogo de castigo! », assim o disse Petit, aos jornalistas, ontem, no final da audiência que manteve com o instrutor do processo sumaríssimo de que o jogador benfiquista foi alvo na sequência do lance com Targino, na partida com o V. Guimarães. Petit alegou não ter a intenção de magoar, afirma-se de «consciência tranquila» e lembra, a propósito, «o que aconteceu no último fim-de-semana entre o Bruno Alves e o Nuno Gomes...»
«Acho que não vou ser castigado», fartou-se de dizer o médio encarnado à saída da Liga, no Porto, ontem, após ter prestado declarações na Comissão Disciplinar, perante o instrutor do processo, dr. Correia de Castro. Petit deslocou-se ao início da tarde à sede do órgão que gere o futebol profissional depois de várias testemunhas citadas pelo Benfica o terem feito, com destaque para Jaime Pacheco e Tiago Targino. Ao fim de cerca de meia hora de interrogatório, o jogador aceitou falar aos repórteres e não escondeu a sua satisfação pelo facto de "ter corrido tudo bem". "Estou de consciência tranquila", insistiu, para logo dar conta da sua expectativa: «Espero não ser castigado.» E, na ocasião, lembrou o ocorrido no FC Porto-Benfica entre Bruno Alves e Nuno Gomes: «Todos viram o que se passou. Se depois disso alguém apanhou dois jogos de castigo, seria estranho se eu levasse algum...»

«Não sou maldoso»

Aliás, Petit quis ir mais longe nos seus comentários: «Tentaram tudo para que eu não jogasse com o FC Porto no Dragão! Felizmente, joguei e ganhámos, o que me encheu de satisfação. » Quem terá então tentado afastá-lo do clássico?, pergunta-se. A resposta sai célere: «Toda a gente sabe que foi o FC Porto que enviou um faxe para a Liga a apresentar queixa...» Saboreada a vitória no Dragão, que «encheu» o jogador de motivação, Petit aproveitou a oportunidade para tentar, de certa forma, limpar a sua imagem, já que se considera vítima de alguma injustiça. «Nunca fui expulso por agredir um colega de profissão ou por magoar alguém. As vezes que fui expulso foi sempre por protestos junto dos árbitros. Nunca lesionei um adversário e, pelo contrário, já fui muitas vezes magoado e nunca me queixei!» Questionado sobre essa tal imagem de jogador violento que transparece para o exterior, é o próprio quem remata o desmentido: «Toda a gente sabe como jogo. O mister Jaime Pacheco, que me treinou durante dois anos, também já disse que sou duro mas leal e que nunca procuro magoar. Essa fama de sarrafeiro não é justa. Sou um jogador que dou tudo em prol da minha equipa, vou sempre até aos limites, mas sem intenção de lesionar os adversários. Não sou maldoso!»

Simão e Manuel Fernandes não foram ouvidos

O Benfica prescindiu de Simão e Manuel Fernandes enquanto testemunhas do processo sumaríssimo movido a Petit. O capitão e o jovem médio benfiquistas constavam dos autos e deveriam ter sido ouvidos ontem na Liga, mas o clube da Luz entendeu que a defesa ficaria bem entregue apenas a Petit e, para não prolongar o processo no tempo, retirou as demais testemunhas de cena. A convicção da inocência de Petit e a crença de que, a serem mantidos os dois jogos de suspensão propostos pela CD da Liga, o prejuízo será sempre menor do que uma eventual falha no encontro com o FC Porto — que não chegou a verificar-se —, podem ter determinado a alteração da estratégia.

Ricardo Rocha mantém-se na esquerda
Ronald Koeman não deve mudar quase nada na equipa que empatou em Villarreal para o embate de amanhã com o E. Amadora, incluindo a presença de Ricardo Rocha no posto de lateral-esquerdo, face ao castigo de Léo. Apesar de Dos Santos estar em boas condições físicas o técnico holandês sente que o central lhe dá mais garantias.
Os titulares frente ao Villarreal gozaram ontem um dia de folga e por isso não foi possível observar qualquer intenção de Ronald Koeman no que ao onze para amanhã diz respeito. No entanto todas as informações apontam para que não haja mudanças relativamente ao que aconteceu na última jornada da Liga dos Campeões. A continuação de Ricardo Rocha a lateral-esquerdo será a nota que mais importa realçar quando estamos a pouco mais de 48 horas antes do encontro com o clube da Reboleira. Apesar de ter sido o autor do penalty contra o Villarreal, Ronald Koeman deve manter a aposta e voltar uma vez mais a prescindir de Dos Santos, apesar de o franco-cabo-verdiano estar em boas condições físicas - recorde-se que o lugar está em aberto devido à expulsão de Léo no Estádio do Dragão. Esta será também uma forma harmoniosa de manter os três centrais no onze face à grande concorrência que existe no sector, principalmente entre o central português e Anderson - Luisão, esse, é titular indiscutível.

Onze dos campeões

Ao conservar a mesma equipa, outro dado que merece destaque diz respeito a Geovanni. O brasileiro parece ser, até agora, o substituto de eleição do lesionado Miccoli, até porque permite a Ronald Koeman apresentar um 4x4x3 puro, tal como o holandês gosta. Se não existirem alterações os encarnados devem apresentar-se amanhã com uma equipa muito semelhante aos dez jogadores de campo habituais que se sagraram campeões [ver peça sobre os guarda-redes nas págs. 24 e 25]. Apenas Nélson, Anderson e Karagounis não participaram na conquista - nos seus lugares actuavam Miguel, Dos Santos e Nuno Assis.

Miccoli está em repouso

Fabrizio Miccoli continua o processo de recuperação da rotura muscular na face posterior da coxa direita. No entanto esta ainda está numa fase inicial, pois neste momento o italiano limita-se ao repouso e às idas ao departamento médico, na Luz. O trabalho de ginásio só está previsto nos próximos dias. Por esta razão o avançado não esteve presente no treino que Ronald Koeman agendou para ontem de manhã, no Estádio Nacional, em cuja sessão se notaram as ausências dos titulares em Villarreal, que tiverem direito a uma folga (à excepção de Karagounis) e a de Tonny Bruins Slot. «Está ausente em trabalho», foi a informação oficial avançada. Sabendo da importância do adjunto de Koeman na observação a jogadores, é provável que no futuro surjam novidades na sequência do «trabalho » do holandês...

Encarnados admitem contratar guarda-redes
Ainda é cedo, mas Janeiro pode trazer novidades no que se refere à contratação de mais um guarda-redes. Rui Nereu deixou bem representados os jovens guardiões da equipa B, mas as responsabilidades nas três competições em que a equipa se encontra empenhada são enormes e a lesão de Moreira quase não deixa outra alternativa aos responsáveis da SAD. Que equacionam também a vinda de mais um ou dois reforços.
A indisponibilidade de Moreira obriga a SAD a equacionar a contratação de mais um guarda-redes, na reabertura do mercado, em Janeiro. Para já, nada está definido, mas esta é uma hipótese que dificilmente deixará de converter-se em realidade, face às circunstâncias criadas pelo infortúnio que bateu à porta do habitual titular. Quim é um guarda-redes de créditos firmados, que oferece todas as garantias à equipa técnica e, se houvesse a certeza de que estaria sempre disponível, não seria necessário reforçar o sector. Porém, o último jogo da Liga dos Campeões demonstrou, precisamente, ser impossível prever quando o infortúnio bate à porta de um guarda-redes. Esta é apenas mais uma evidência que leva os responsáveis pelo futebol dos encarnados a acautelar o futuro próximo, em ano de intensa luta pela renovação do título. Em Villarreal, a lesão de Quim abriu portas a uma das páginas mais clube, ao proporcionar a um jovem da equipa B uma exibição de sonho na prova rainha do futebol europeu, que deixou muita gente boquiaberta. Esta será, provavelmente, a única razão que pode levar a SAD a hesitar na contratação de mais um guarda-redes, mas um jogo é insuficiente para retirar ilações definitivas, enquanto a Liga é uma prova de regularidade, onde o factor experiência não pode ser subestimado.

Avançado... talvez

Mas não é só na baliza que poderão surgir novidades. A SAD está igualmente a estudar a possibilidade de contratar mais um ou dois jogadores, sobretudo um avançado, no mercado de Inverno, caso surjam negócios aliciantes. Até porque em Janeiro o Benfica ficará privado durante algumas semanas de Mantorras que participará na CAN.

Corropio no hospital

Ainda a recuperar da intervenção cirúrgica no bloco operatório, Moreira recebeu, ontem, durante todo o dia, a visita de familiares e amigos, tendo Bruno Aguiar e o capitão Simão Sabrosa escolhido o final da manhã para dirigir-se à unidade hospitalar onde o companheiro de equipa se encontra internado. Também o presidente do clube e da SAD, Luís Filipe Vieira, passou pelo local a seguir ao almoço, para uma breve visita, seguindo-se, por esta ordem, Shéu-Han, Nuno Assis, Nuno Gomes, José Veiga e Rodolfo Moura, acompanhado do assessor da SAD, Lourenço Pereira Coelho. À saída, apenas palavras de circunstâncias, para dizer que Moreira estava a recuperar bem. Quanto ao momento da equipa, nada a dizer, pois o silêncio continua a ser de ouro para os lados da Luz. Moreira deverá deixar o hospital apenas na segunda-feira, ficando com a perna imobilizada durante um mês. Mesmo no hospital, já começa a efectuar os primeiros passos inerentes à recuperação, aos quais dará sequência, a partir da próxima semana, na Luz.



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