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quinta-feira, junho 30, 2005

Jogador chega hoje a Lisboa
Terminou ontem o calvário de Karyaka, que encontrou dificuldades para obter o visto que lhe permite deixar a Rússia e viajar para Portugal e para o Benfica. O jogador já tem toda a documentação pronta e embarcou ontem rumo a Lisboa. Uma longa jornada, primeiro de Samara para Moscovo, depois para Frankfurt e, finalmente, rumo ao Aeroporto da Portela. Karyaka é aguardado em Lisboa por volta das 12 horas, se não se registarem atrasos nas várias ligações. Karyaka vem para fazer testes médicos e assinar contrato mas ainda pretende regressar a Samara antes da apresentação do Benfica, agendada para segunda-feira.

Esforço para contratar ponta-de-lança de qualidade
JOSÉ VEIGA intensifica os contactos para contratar um ponta-de-lança de qualidade, com nome no mercado, experiência e provas dadas na arte de marcar golos. Ontem, a imprensa argentina colocou Júlio Cruz no caminho do Benfica, mas esse foi apenas um dos vários nomes equacionados pela SAD, entretanto colocado de parte.

José Veiga sonda vários mercadosJúlio Cruz, argentino de 30 anos, ponta-de-lança do Inter de Milão, foi um dos alvos do director geral José Veiga e da SAD encarnada para reforçar o ataque do plantel, mas, ao contrário do que noticia ontem a imprensa argentina, não virá para o Benfica. O jogador ganha muito e não é certo que abandone o Inter de Milão. Todavia, Cruz tem o perfil que Filipe Vieira e José Veiga pretendem e pelo qual se intensificaram contactos nos últimos dias. A equipa da Luz viaja para estágio na próxima quarta-feira e a SAD gostaria que o plantel para a nova temporada estivesse formado e completo. José Veiga já sondou vários mercados para a contratação do tão desejado matador, sempre em sintonia com o holandês Ronald Koeman, novo treinador da equipa da Luz. Mas os nomes dos eleitos, ou das hipóteses em cima da mesa, estão em segredo. Apenas existem indicadores de que o jogador pode ser sul-americano, certamente experiente e de qualidade.

Olympiakos quer Karadas
Karadas diz que não comenta a possibilidade de sair do Benfica e o seu empresário lembra que o jogador tem contrato com o clube da Luz, mas a verdade é que continuam a chegar à SAD propostas pelo ponta-de-lança norueguês. O Olympiakos está muito empenhado na contratação e, da Turquia, o Besiktas também pisca o olho à possibilidade de negócio.

Karadas, muito pretendido, não deve ficar na LuzÉ cada vez menos provável a continuidade de Azar Karadas no Benfica. De acordo com notícia ontem publicada no jornal norueguês Dagbladet, o destino do ponta-de-lança deve ser a Grécia e o Olympiakos, equipa agora treinada pelo norueguês Trond Sollied e, portanto, com referências sobre a qualidade do jogador que o Benfica recrutou ao Rosenborg, no início da época passada. A BOLA sabe que realmente o Olympiakos sondou o Benfica sobre a possibilidade de negócio, mas este não se tratou do único eco de interesse por Karadas que chegou à Luz. Os turcos do Besiktas também estudam a possibilidade de avançarem para a contratação e o Estugarda, de Giovanni Trapattoni, não perde de vista as intenções do Benfica em relação ao jogador. Existe igualmente a hipótese de colocação em Inglaterra, mas ainda sem dados concretos. Certo é que Karadas tem muito mercado e parece representar uma boa perspectiva de encaixa financeiro para os benfiquistas.

Empresário e jogador despreocupados

Contactado pelo nosso jornal, Jack Karadas, tio e empresário do jogador do Benfica, desvaloriza todos os comentários e notícias a respeito do futuro do sobrinho: "Trata-se de especulação. O que sei é que ele tem contrato com o Benfica e pretende cumpri-lo. A partir daí não farei comentários sobre o que se passa, ou não se passa." Karadas está em sintonia com o seu agente e limita-se a recusar fazer comentários sobre o tema: "Estou de férias e apenas sei que tenho de me apresentar no Benfica."

Fyssas quer ficar na Luz
O Benfica não conta com Fyssas para a nova época mas o lateral-esquerdo grego ainda parece contar com o Benfica. De acordo com o empresário do jogador, Fyssas não sabe que os benfiquistas dispensam os seus serviços e está empenhado em cumprir o contrato que ainda têm com o clube. "Quem disse que Fyssas não vai continuar no Benfica? O que eu sei é que ele tem mais um ano de contrato e quer cumpri-lo", explicou Roberto Calenda a A BOLA. O agente de Fyssas está a par das negociações do Benfica para a contratação de mais um lateral-esquerdo e reconhece que na época passada o seu jogador teve menos oportunidades do que pretendia, mas assumiu com firmeza uma posição que garante ser a de Fyssas. "Ele vai apresentar-se segunda-feira no Estádio da Luz, juntamente com os outros. Tem contrato e será para cumprir. Não sei de nenhum interesse de outros clubes e nem o Benfica me transmitiu essas informações. Portanto... Fyssas fica no Benfica."



quarta-feira, junho 29, 2005

Há possibilidade de ficar
RICARDO ROCHA chegou ontem a Lisboa, após alguns dias de férias em Cuba, e falou sobre a renovação de contrato com o Benfica. O defesa-central admitiu a existência de propostas para sair, mas adiantou que nesta altura estão reunidas condições para continuar de águia ao peito. Basta que as partes se sentem para conversar, o que, garantiu, ainda não sucedeu.

O central esteve de férias em CubaAs expectativas de Ricardo Rocha para a nova época são "as melhores possíveis " e o jogador acredita que existem razões para os benfiquistas estarem optimistas em relação à forma como a equipa vai responder aos desafios que tem pela frente. "Temos um título para defender e a Liga dos Campeões para jogar, prova emque vamos tentar fazer o melhor possível, como sempre." Falta, contudo, definir se o defesa-central continuará a vestir de vermelho, uma vez que publicamente já explicou que pretende um contrato melhor, ou, caso contrário, trocar de clube. "Durante as férias falei com o meu empresário e sei que há a possibilidade de ficar. Temos de falar. Sei que há interesse do Benfica e que há propostas para sair. As pessoas do Benfica sabem disso. Vamos ver, nos próximos dias, o que é melhor para o Benfica e para mim", explicou. Segundo A BOLA apurou, a SAD encarnada estará disposta a rever o contrato de Ricardo Rocha e a oferecer-lhe um vínculo até 2010, tentando, talvez, manter a dupla Luisão/Rocha. "Penso que tudo se deve à excelente época que a equipa fez. Eu e o Luisão temos uma boa relação e todos sabem disso. A época correu bem aos dois e vamos ver se isso sucede também este ano." Trabalhar com Ronald Koeman será um novo desafio, que deixa Ricardo entusiasmado: "Será uma experiência enriquecedora, pois é um treinador com novos métodos. Para mim e para alguns colegas será a primeira vez que vamos disputar a Liga dos Campeões, mas o treinador e alguns dirigentes já viveram essa experiência. O Benfica não joga nessa competição há muito tempo e vamos tentar deixar uma boa imagem."

Estou desejoso de chegar
Esteve para embarcar várias vezes rumo a Lisboa, mas foi sempre impedido de o fazer por motivos burocráticos. Todavia, Karyaka está já na posse do seu visto de entrada em Portugal e não quer voltar a ser travado. "Estou desejoso de chegar", avança o jogador, que tudo vai fazer, porém, para estar de volta a Samara no sábado que vem. É a vontade de estar uma última vez perante o seu público, ávido de uma grande despedida na partida com o Rostow. "Quero dizer adeus aos adeptos", explica.

Karyaka fica dois dias em Lisboa e regressa a Samara para dizer adeus aos adeptosHoje à noite, Karyaka viaja para Moscovo a fim de juntar-se ao director-desportivo do Krylia Sovetov Samara, Vladimir Konstantinov, que o acompanhará até à capital portuguesa e o auxiliará na comunicação com os dirigentes do Benfica. Amanhã, a tarde já será passada em Lisboa e precisamente "com os chefes", como confirmou o futebolista, que continua, no entanto, expectante em relação à presença do treinador, Ronald Koeman, na Luz, para o receber. Andrei, que conta estar em Lisboa dois dias, garante, todavia, que tudo vai fazer para voltar a Samara a tempo de participar na partida que vai opor a sua equipa ao Rostow, em mais um desafio a contar para o campeonato da Rússia: "Quero dizer adeus aos adeptos." Se o seu desejo for cumprido, então, tem já a garantia por parte do treinador de que poderá actuar. Não sabe é por quanto tempo. "Dificilmente poderei jogar os 90 minutos. Talvez entre perto do final da partida, dado que perco pelo menos dois treinos da equipa ", explicou o futebolista, que não tem qualquer receio de se magoar: "Quando temos medo é quando as coisas acontecem. Como não estou preocupado com isso já sei que nada acontecerá." Karyaka não tem ainda confirmada a data em que irá definitivamente para Lisboa, mas assegura que partirá com a equipa para o estágio da equipa em Nyon. Nessa altura estará já, certamente, na posse de todas as informações, uma vez que nesta altura nem sequer tem ainda como certa a assinatura de um contrato válido por quatro temporadas. "Foi isso que ficou pré-acordado, mas ainda tem de ser discutido com os chefes do clube", concluiu

Não mostrei nem metade do meu valor
CARLITOS esteve muito aquém das suas possibilidades na primeira época na Luz, mas mereceu a confiança dos dirigentes, que acreditam nas suas capacidades, e vão mantê-lo no plantel. Reconhecido, o jogador promete fazer uma temporada mais brilhante, assim o permitam as lesões que o perseguiram desde que chegou à Luz.

Carlitos acredita que esta será a época da sua afirmação no BenficaTalvez muitos estivessem à espera de ver Carlitos na lista de dispensas, mas a confiança da SAD no internacional Sub-21 são ilimitadas e esta hipótese nem sequer se colocou. O jogador vai mesmo fazer parte do plantel da próxima época e espera, finalmente, demonstrar todas as qualidades que levaram o clube da Luz a contratá-lo ao Estoril. "Houve muitas circunstâncias que afectaram a minha primeira época no Benfica. Cheguei confiante, mas as lesões começaram logo na pré-época e não mais me largaram", justificou o jogador. Carlitos garante que não mostrou "nem metade" do seu valor e é esta constatação que o leva a querer iniciar rapidamente a época, desejoso que está de pagar esta dívida aos adeptos. "Cada um tem a sua maneira de ver o futebol, mas quero mostrar o que ainda não viram, na Luz. Sou jovem e foi tudo muito rápido para mim. Talvez tenha acusado um pouco a grandeza do Benfica e quando se está sem ritmo competitivo, fica tudo mais difícil", reconheceu. No entanto, agora que já conhece os cantos à casa, o extremo encarnado está disposto a tirar o máximo rendimento das suas capacidades: "Estou mais adaptado e em condições de jogar sem acusar a pressão. Se a oportunidade surgir, saberei agarrá-la, disso não duvidem."

Tive algum receio

A saída do polivalente Miguel está longe de ser um dado adquirido e além de Geovanni, também João Pereira e Alex podem jogar como médios-alas. Mas tanta concorrência não assusta Carlitos, mais confiante nas suas capacidades. "A dificuldade é a mesma do ano passado, a diferença é que vou estar em muito melhor forma. Só espero ter mais sorte em matéria de lesões", referiu. Confrontado com a lista de dispensas, que diz ter ficado a conhecer apenas pela imprensa, Carlitos admite ter sentido algum receio em relação à sua continuidade no plantel. E explicou porquê: "A época não foi brilhante, por isso tinha algum receio. Mas os directores viram- me jogar várias vezes no Estoril e sabem o que valho. Faltou-me apenas um pouco de confiança e ritmo competitivo, mas esta época vai ser diferente.

Novo cartão chega às mãos dos sócios
O departamento de sócios do Benfica vai disponibilizar a partir de hoje os novos cartões de associado a quem já preencheu o formulário para a troca de cartão ou a quem adquiriu o kit. O novo cartão passará desde logo a possibilitar a utilização da totalidade da rede da gasolineira Repsol com acesso ao respectivo desconto de três cêntimos por litro. Recorde-se que a partir desta época os sócios que desejam marcar presença nos jogos do Estádio da Luz apenas o conseguirão fazer desde que tenham em seu poder o novo cartão, razão pela qual os dirigentes encarnados apelam a que os cerca de 35 mil sócios que ainda não devolveram o formulário para troca do pequeno rectângulo o façam o mais rápido possível. Noutro âmbito, saliente-se que estão desde ontem à venda (ou revalidação) os lugares cativos referentes para a época que está prestes a arrancar. Na última temporada o Benfica chegou a ter cerca de 25 mil lugares fixos, desta feita os responsáveis benfiquistas esperam ultrapassar esta meta. Amanhã, dia 30, os sócios do clube terão à sua disposição os bilhetes para o jogo com o Chelsea, dia 17 de Julho.



terça-feira, junho 28, 2005

Benfica pode ser melhor com Koeman
FORAM adjuntos de Van Gaal durante uma temporada e meia em Barcelona, e desse tempo José Mourinho ficou com muito boas recordações de Ronald Koeman, nas mais variadas vertentes. Considerando que o holandês tem todas as condições para ser um grande treinador, à semelhança do que foi enquanto jogador, um dos mais famosos portugueses da actualidade assina por baixo a contratação levada a cabo pelo Benfica.

José Mourinho elogia escolha de Koeman pelo BenficaRonald Koeman foi o treinador eleito pelo Benfica para render Giovanni Trapattoni, e se há alguém no espaço português que bem o conhece, resultado do trabalho conjunto em Barcelona, quando ambos integravam a equipa técnica liderada por Van Gaal, é José Mourinho, que se disponibilizou, em tempo de férias bastante dolorosas, para transmitir a A BOLA a sua opinião sobre o novo responsável pelo futebol benfiquista:
- Estivemos juntos apenas durante uma temporada, era Van Gaal o chefe de equipa, e a convivência foi muito boa, fruto de um relacionamento muito fácil. Porque a empatia entre nós era grande, posso dizer que o respeito era mútuo e bastante amistoso. Depois, no plano profissional, a nossa colaboração no treino era muito forte. Tudo isto somado... ficámos amigos. Uma relação de amizade que mantemos desde essa altura, embora não nos contactemos desde há algum tempo, mas que será reatada, se não for antes, quando o Chelsea se deslocar à Luz no início de época. Referindo-se às características do novo treinador do Benfica, José Mourinho dá maior ênfase às de ordem pessoal, uma vez que no plano futebolístico as decisões pertenciam a Van Gaal, embora o percurso conseguido no Ajax não o tenha surpreendido:
- O Barcelona marcou o início da sua carreira, mas sendo ambos adjuntos, cumpríamos aquilo que Van Gaal ditava. No entanto, tratando-se de uma pessoa que tinha sido grande enquanto futebolista, já evidenciava um grande conhecimento do futebol. Ao mesmo tempo mostrou, também, ser um bom comunicador. Sempre aberto ao diálogo e à troca de opiniões, pois nem sempre eram coincidentes, Koeman tinha um relacionamento fácil com os jogadores, sendo visto, em certa medida, como um jogador mais velho. Mais tarde, porque nunca deixei de acompanhar a sua carreira, por força dos seus conhecimentos, da aprendizagem feita no Barcelona e da sua forma de estar, não fiquei nada surpreendido com o trabalho conseguido por ele no Ajax.

Perfil positivo

No Ajax, Ronald Koeman era para ter ficado três épocas, mas como a derradeira não correu como as anteriores acabou por sair, situação que em nada, segundo a interpretação de José Mourinho, belisca a qualidade do holandês:
- É verdade que a derradeira temporada em Amesterdão não foi como Koeman esperava, mas as duas anteriores foram muitíssimo boas. Por isso, acho que deve encarar o ingresso no Benfica como um ponto de viragem na carreira: foi grande como jogador, também o deve ser enquanto treinador. Por outro lado, chega a um clube que acaba de ser campeão, onde certamente lhe serão dadas as melhores condições e, nessa medida, só tem de criar o espaço necessário a que as coisas lhe corram bem.
Com tudo isto, bem interpretadas as opiniões do técnico que atirou o Chelsea para a ribalta, restam poucas dúvidas de que o Benfica escolheu bem. Colocado perante essa interrogação, José Mourinho não tem dúvidas:
- Acho que sim, que o Benfica apostou bem. É evidente que o trabalho de um treinador nem sempre é fácil, pois os resultados é que mandam, mas Ronald Koeman tem um perfil muito positivo. É um treinador jovem, com experiência, fala castelhano fluentemente, isso é uma vantagem, mas estou convencido de que rapidamente também falará português, a sua experiência internacional também será importante na Liga dos Campeões, onde, tal como o clube, quererá mostrar serviço. Portanto, acho que a aposta do Benfica foi muito positiva.
Mas não terá o treinador dificuldades de adaptação uma vez que o Benfica estava rotinado num modelo de jogo completamente diferente daquele que defende Koeman? Para o nosso interlocutor a questão deve ser vista no plano das culturas:
- O que conheço de Koeman é a sua filosofia, muito influenciada por nomes grandes do futebol holandês, como Van Gaal, Cruyff ou Rinus Michels. A verdade é que no tempo em que estivemos juntos, porque éramos adjuntos, não tomávamos grandes decisões, mas não restam dúvidas de que estamos a falar de dois treinadores com culturas muito diferentes.
Só que, mesmo assim, José Mourinho diz-nos à despedida de que os indicadores que possui o levam a pensar que a equipa do Benfica pode ser melhor em 2005/06:
- Daquilo que tenho apreciado, acho que o Benfica tem todas as condições para ser melhor. Está a reforçar o plantel e a fazer um grande esforço para manter as suas principais figuras, vai jogar na Liga dos Campeões, tem um treinador com uma filosofia mais arrojada num clube campeão, portanto, acho, repito e à distância, que o Benfica pode ser melhor na nova época.

Cativos hoje à venda
A partir de hoje, os sócios do Benfica já podem comprar ou efectuar a renovação dos cativos para a nova época. Os preços são exactamente os mesmos da temporada anterior, ou seja: a partir de 100 euros. Os associados do clube podem igualmente começar hoje a fazer a aquisição dos títulos de época para os jogos da equipa, que se tratam dos títulos fundador e centenário. Estas operações podem ser processadas de diversas formas, à escolha do sócio. Os interessados podem fazê-lo por Internet, por multibanco no caso de se tratar apenas de uma renovação, nas 3 agências Cotacâmbio existentes, directamente no departamento de sócios do Estádio da Luz ou, então, nas casas do Benfica espalhadas pelo País que já possuam terminal de venda de bilhetes. A SAD benfiquista começa, assim, a preparar a nova temporada e pretende chamar cada vez mais pessoas ao estádio. A conquista do Campeonato Nacional na última época, a presença na Liga dos Campeões e a muita expectativa que existe em torno da equipa-dos reforços-e do novo treinador servem de incentivo.



segunda-feira, junho 27, 2005

Esta camisola vai ficar-me tão bem!
Aterrou em Samara poucos minutos antes da meia-noite, 20 horas horas em Portugal, e à uma e meia da madrugada estava, juntamente com a esposa, Ruslana, confortavelmente instalado no hotel que acolhera A BOLA. O Benfica aguarda por um reforço de qualidade, internacional pelo seu país, dotado de grande prestígio na Rússia, mas de uma coisa pode estar já certo: a caminho de Lisboa vai um homem ansioso por começar a grande aventura e um perfeito cavalheiro. Gosta de lançar a sua graça, mas quando chega o momento de falar do seu futuro não está para brincadeiras. Karyaka vem determinado a honrar a qualidade do jogador russo.

«Estou um pouco preocupado porque vou para um país com outros costumes, nova língua e novas leis»A Ucrânia viu nascer Andrei Karyaka no dia 1 de Abril de 1978. Mais precisamente a cidade de Dniepro Pecrovsk, lar do clube com o mesmo nome que o Benfica derrotou na Taça dos Campeões Europeus e na caminhada para uma das suas últimas finais europeias. Criado por uma família humilde, mas a quem nada faltou, se a artigos de primeira necessidade nos referirmos, Karyaka foi um aluno razoável, mas pouco dado a ambições curriculares. Era o futebol a sua grande paixão em miúdo, manteve-se a sua grande paixão em adolescente e não deixaria de o ser quando se tornou homem. Assim, era na área da educação física que se destacava e, depois de atingido um nível educacional muito semelhante ao nosso 12.º ano de escolaridade, meteu mesmo mãos à obra para se tornar naquilo que é hoje-jogador profissional e de alta competição. Karyaka viveu na Ucrânia até aos 22 anos, passou por clubes como CSKA Kyev e Metalurg Zaporojie, mas seria na Rússia que encontraria a sorte grande. Uma delas, aliás, pois há mais duas: Ruslana, a sua bonita mulher, e Lisa, a filha de três anos. A outra sorte grande foi o Krylia Sovetov Samara, clube modesto no âmbito das federações russas, mas amplamente dominador no quadrante de Samara. E foi ali, cinco anos volvidos, que despertou a atenção de Benfica e Jorge Mendes, empresário fundamental na transferência do extremo-esquerdo para Portugal. Não é, pois, sem uma lágrima ao canto do olho que ele e a esposa se despedem da cidade do aço, das árvores e da cerveja. Mas foi também com um suspiro de ansiedade que falaram a A BOLA, horas antes da viagem para Moscovo, primeira escala na longa jornada até Lisboa. Ficou a consolação pela sensação de agarrar a primeira camisola: "Vai ficar-me tão bem!"

Preparado psicologicamente

- Já conta os minutos para chegar a Portugal?
- Sim, estou muito ansioso por chegar a Lisboa e ao Benfica.
- Algum receio?
- Estou um pouco preocupado, porque vou para um país novo, com novos costumes, nova língua e novas leis. Não sei se a polícia portuguesa costuma multar os futebolistas... Mas, seriamente, penso que a língua é o mais difícil.
- Vai, no entanto, ao encontro do Benfica. Um grande clube. É um desafio apaixonante?
- Sem dúvida. Li, há alguns anos, que o Benfica é um dos seis maiores clubes do Mundo no que aos adeptos diz respeito. Sei que tem adeptos por todo o lado, seja em Portugal ou estrangeiro.
- O facto de o presidente do Krylia [German Tkachenko] ter sido fundamental na escolha do clube coloca-lhe algumas reservas?
- Bom, não se pode dizer que a escolha não tenha sido também minha. Afinal, desde há um ano, altura em que se falou pela primeira vez da minha possível transferência para o Benfica, que me preparei psicologicamente para partir. Por isso não considero que se trate de um problema.
- À sua espera está um estádio amplamente elogiado e onde até já jogou. Então, ao serviço da Rússia, teve todo o público contra si. Desta feita, porém, terá toda a gente a ser favor. Sente-se pressionado?
- Não, claro que não, será muitíssimo bom. Gosto muito do Estádio da Luz. Entusiasma. E vai ser giro actuar perante 60 mil adeptos.

Trocou camisola com Miguel

- Muitos dias se passaram desde que chegou a acordo com o Benfica. Já se familiarizou um pouco mais com a equipa?
- Já tinha dito que conhecia bem a forma de jogar de Simão. Mas conheço também Miguel, com quem troquei a camisola no jogo do Euro-2004, e Nuno Gomes. Mas terei tempo de conhecer todos os outros.
- Já falou com Ronald Koeman ou Luís Filipe Vieira?
- Não, ainda não tive essa oportunidade, já que foi sempre o presidente a conduzir as negociações.
- O treinador holandês que o espera é um nome muito respeitado na Europa e um pouco por todo o Mundo. É um estímulo?
- Claro que sim. Gotava muito dele no tempo em que era jogador e penso mesmo que foi no seu tempo o detentor do mais forte pontapé.
- Antes de si muitos russos [Yuran, Kulkov, Mostovoi, Ovchinnikov e Alenitchev] passaram pelo futebol português. Apesar de alguns problemas, todos eles deixaram uma imagem de prestígio e até conquistaram vários títulos. É um legado e uma responsabilidade que o incomodam?
- Refere-se às noitadas ou à carreira dentro de campo? Estou, claro, a brincar, tanto mais que tenho uma família que não me deixa fazer asneiras. Dentro de campo, isso sim, vou tentar honrar a qualidade do jogador russo. Champions? Vamos a isso!
- O presidente do Benfica disse, há pouco tempo, que o seu sonho passa por ganhar a Liga dos Campeões. O clube está a tentar dotar-se de jogadores de muita qualidade para o conseguir. Que pensa disso?
- Os meus planos passam, neste momento, por concentrar-me unicamente no Benfica. Logo, se o sonho do presidente é ser campeão europeu e uma vez que aguardo com grande expectativa a minha estreia nessa grande competição, quero ajudar o Benfica a atingir esse objectivo, a ganhar a Liga dos Campeões.
- Que recordações tem de Portugal que não as do Euro-2004?
- Bom, lembro-me que, em estágios realizados no Algarve, joguei contra o Olhanense.
- O Benfica pode ser um trampolim para uma presença mais forte na Selecção da Rússia. Concorda?
- Claro que sim. Penso que terei uma maior confiança quando estiver na equipa nacional e será certamente muitíssimo importante para mim no que a esse capítulo diz respeito.

Trapattoni quer Karadas
AZAR KARADAS está na lista do Estugarda, a pedido de Giovanni Trapattoni, que foi seu treinador no Benfica. A equipa de Fernando Meira precisa urgentemente de reforçar o sector atacante, após ter perdido, de uma assentada, o internacional alemão Kuranyi, para o Schalke 04 e o húngaro Sabics, para o Colónia. O novo clube de Trap oferece dois milhões de euros, os encarnados querem mais.

Karadas está na lista de dispensados, Trap quere-oPelas contas do Estugarda, a contratação de Azar Karadas implicará apenas um investimento de 2 milhões de euros, valor considerado acessível para um clube que vive uma fase de algum desafogo financeiro. Porém, os alemães já ficaram a saber que os encarnados pretendem mais pelo internacional norueguês, embora tudo aponte para que esta pequena divergência seja rapidamente ultrapassada. Giovanni Trapattoni não abdica de ter nas fileiras do Estugarda um avançado forte fisicamente e bom no jogo aéreo. As partidas de Kuranyi e Sabics tornam mais premente a contratação de reforços para o ataque.

Adaptação lenta

Contratado no início da época passada, o norueguês começou por justificar o investimento nas primeiras jornadas, mas rapidamente fez da irregularidade a sua imagem de marca. Utilizado como titular em15 jogos, mostrou ser limitado tecnicamente e o seu impressionante porte físico não foi o trunfo que a equipa e os adeptos esperavam, tendo apontado apenas quatro golos na SuperLiga apesar de ter sido importante em determinados períodos da época. Transpareceu sempre a sensação de que Karadas era um jogador em fase de adaptação e com larga margem de progressão, podendo vir a ser útil no futuro. O Benfica preferiu não esperar mais, tendo dispensado o norueguês.

Eles odeiam o Benfica!
JOÃO PEREIRA é um jogador irreverente. Em campo defende com intensidade a camisola que veste e fora dele não rejeita responder a qualquer ataque com veemência. De férias no Algarve, o jovem benfiquista afirmou que quem criticou os encarnados só o fez porque "odeia o Benfica".

João Pereira, de férias no Algarve, está confiante em convencer Koeman a entregar-lhe a titularidade. A última temporada foi atípica, já que os três grandes - Benfica, FC Porto e Sporting - perderam muitos pontos. Chegou até a dizer-se que os encarnados foram os piores campeões dos últimos anos. João Pereira discorda e passa ao ataque neste ponto: "Todos sabemos que há muita gente que odeia o Benfica e querem-nos tirar o mérito por aquilo que fazemos. Só por isso ouvimos essas coisas. Toda a gente critica, toda a gente diz mal mas a verdade é que vencemos tudo e todos e vencemos o Campeonato..." O jovem internacional lança alguns exemplos que ajudam a explicar a sua opinião: "Fomos campeões, fomos à final da Taça e só fomos afastados da Taça UEFA pelo campeão. Expliquem-me se isto é falta de qualidade..." E como sente que a qualidade foi grande, João Pereira não tem dúvidas de que os jogadores encarnados estão prontos para defender as quinas de campeões: "Somos campeões e isso dá-nos outras responsabilidades. Vamos entrar como mesmo espírito da época passada: não pensaremos que somos os maiores mas nunca nos consideraremos uns coitadinhos. Temos noção da nossa qualidade e como todos, ou quase todos, os jogadores permanecerão no clube continuaremos muito fortes." E o título de campeão não basta a João Pereira. Ele quer muito mais: "Com os reforços que vão chegando teremos uma capacidade superior. Sinto que poderemos ter capacidade para lutar pela Taça de Portugal, o Campeonato Nacional e a Liga dos Campeões. Temos de pensar assim. Se interiorizarmos que será muito difícil e que as outras equipas são muito fortes nem vale a pena jogarmos..."

É a defesa-direito que me sinto bem

Não fala de Koeman porque diz que não conhece a sua forma de trabalhar, ironiza quando diz que seria bom que pudesse marcar uns livres porque tinha um pontapé fortíssimo, mas lá vai dizendo que "o importante não é atacar muito, mas sim atacar bem". "Ganhar por 1-0 ou 2-1 chegará. O campeonato ganha-se com pontos e não com golos ", diz. Não foi titular tantas vezes como gostaria, mas essa é uma guerra que quer ganhar na era Koeman: "Lutei para poder estar sempre entre os onze que entravam em campo para disputar cada jogo e este ano vou fazer o mesmo. Uma coisa me pode beneficiar: este ano já joguei no lugar que queria, o de defesa-direito. É onde me sinto melhor, onde me dou bem e até joguei muitos jogos. Há que acreditar." Miguel pode estar da saída. Poderá ser essa a chave que abrirá as portas da titularidade? João não quer pensar dessa forma: "Até quero que o Miguel fique porque é uma peça importante para a equipa e faz-nos por isso muito falta. Não é por ser um concorrente directo que vou querer que ele vá embora." A terminar, o jovem benfiquista diz que a política de renovar com os jogadores mais influentes deve ser seguida para que o futuro seja brilhante: "Este ano criámos um grupo fabuloso, fomos campeões e tivemos muitos jogadores na Selecção. Deve ser dada continuidade a esta política, porque se começarmos tudo da estaca zero era andar para trás."

Fica Vieira, fica Vieira, fica!
Por razões de segurança (ou da falta dela) a presença de Luís Filipe Vieira no encontro de ontem com benfiquistas esteve em risco. Porém, depois do OK dos responsáveis, a jornada terminou em apoteose...

Luís Filipe Vieira revelou coragem física e foi engolido por uma multidão ávida de autógrafos ou simples contacto. Mal acabou de discursar, Luís Filipe Vieira foi positivamente assaltado por centenas de jovens, que procuravam um autógrafo, uma lembrança, ou, pura e simplesmente, tocar no presidente encarnado. A páginas tantas, Vieira desapareceu, engolido pela multidão e foi preciso algum trabalho para que a organização do evento acabasse por resgatá-lo, amarrotado mas feliz. Nesse momento, Luís Filipe Vieira podia ter feito uma retirada estratégica, que ninguém lhe levaria a mal. Mas não. Aguentou firme, empoleirado nuns caixotes, o contacto com os adeptos, mostrando, dessa forma, que a emoção que dizia sentir perante a reacção do povo cabo-verdiano não era apenas da boca para fora. A jornada que chegou a estar cancelada, por falta de segurança, não só foi realizada como ainda terminou em grande estilo. Ao falar para uma plateia que exigia a sua continuidade à frente dos destinos do Benfica, entoando "Fica Vieira, fica Vieira", o líder encarnado teve algumas frases marcantes. "Estamos a prestar um grande serviço a Portugal, aproximando os povos e Portugal deve orgulhar-se do Benfica", foi a forma escolhida para a abertura das hostilidades. Depois, foi a promessa -"a casa do Benfica na Praia será uma realidade"-que levou a plateia a aplaudir freneticamente. Finalmente, Vieira deu conta daquilo que entende ser uma realidade relativamente recente e segundo a qual "os jogadores do Benfica já conhecem a mística e respeitam a camisola que vestem ", concluindo com uma das conclusões fortes da visita: "Saio de Cabo Verde com mais força para lutar pelo Benfica." Depois, foi a invasão já relatada, com Luís Filipe Vieira, cumprida a missão, a entrar a toda a velocidade no Mercedes que o aguardava. "Que pena quem só sabe criticar não estar aqui a ver o que é, realmente, ser do Benfica. Isto é uma grande lição", dizia, horas depois, Vieira.

O lugar que ocupo é invejado
Luís Filipe Vieira fez ontem, ao fim da tarde, o balanço da visita a Cabo Verde e aproveitou a ocasião para um ponto de situação sobre vários temas da nação encarnada...

Os responsáveis pela visita de Vieira a Cabo Verde- Vai ser, como deixou a entender no sábado, novamente candidato a presidente do Benfica?
- Sinto que as pessoas se identificam comigo. Não sou doutorado a fazer discursos mas não sou hipócrita e digo o que sinto. Aqui em Cabo Verde vi olhares penetrantes a pedirem-me que continuasse a servir o Benfica e já disse à minha família que não posso abandonar esta gente
- Mas já decidiu se vai recandidatar-se?
- Sei que o meu lugar é muito invejado... Posso dizer que, por respeito ao Benfica, aos funcionários, aos jogadores, aos adeptos, se houver necessidade poderei vir a estar disponível para continuar o projecto.
- Em que circunstâncias?
- Nas próximas eleições aparecerão, por certo, muitos senhores a dizer que vão construir uma grande equipa. Mas digo desde já que estarei na primeira linha de combate aos oportunistas e aos vaidosos. Se, por exemplo, se candidatarem aqueles que derrotei nas últimas eleições, ficam desde já a saber que podem contar comigo. Se forem aqueles que gostam muito de falar nos jornais, também lá estarei. Ficam avisados...
- E se não houver outros candidatos, qual será a sua posição?
- Nesse caso, garanto que não abandonarei o Benfica. Se o fizesse estaria a trair quem confiou em mim...

Cabo Verde

- Que balanço faz desta visita a Cabo Verde?
- Pode ficar na história do Benfica. Estas manifestações de amor ao clube fizeram-me meditar... emocionei-me muito ao longo destes dois dias.
- Daí ter alterado a posição quanto aos 300 mil sócios, já em Outubro...
- Não posso admitir que os sócios não compreendam o pedido que fiz de atingirmos os 300 mil sócios. Houve quem me chamasse chantagista mas eu não pedi nada para mim. Só invejosos e fracassados podiam chamar-me chantagista! A verdade é que está criada uma onda fantástica e acredito que vamos até ultrapassar os 300 mil sócios. Queremos defender o escudo de campeão da nossa camisola, reforçando a equipa e mantendo o núcleo duro. Isso só se faz com dinheiro, daí que seja necessário atingir a meta de sócios a que nos propomos.
- Com que ambição?
- Acredito que teremos dimensão para defrontar qualquer equipa do Mundo.
- Isso não é colocar a fasquia muito alta?
- A fasquia esteve alta quando arrancámos para a construção do novo estádio sem dinheiro. O resto é, decerto, menos difícil.

O futebol do Benfica

- Como é que vão as contratações?
-Temos três jogadores confirmados, o Anderson, o Beto e o Karyaka.
- E os outros?
- Já lá vai o tempo em que se sabia tudo da vida do Benfica. As coisas estão diferentes e somos nós a definir os timings e não a comunicação social.
- O processo de Diego não correu muito bem...
- Serviu para tentarem colocar-me contra José Veiga. Mas não vale a pena tentarem, porque estamos em sintonia. Veiga está a realizar um trabalho muito bom e estamos em contacto permanente.

O futuro encarnado

- Está satisfeito com o que foi conseguido?
- Basta ver o que era o clube há quatro anos e o que é agora. Estamos a caminho de concluir os grandes projectos - cartão com 300 mil sócios, cartão de crédito, canal de TV, entrada na bolsa, centro de estágio... as pessoas não podem ser cegas. Nós temos organização e um projecto. Quantos clubes em Portugal podem dizer o mesmo?
- O que é para si o Benfica?
- É um mundo fascinante. Se todos pensarem como eu, o Benfica será o melhor clube do Mundo.



domingo, junho 26, 2005

Cabo vermelho
Depois do que fez ontem, em Cabo Verde, Luís Filipe Vieira bem merece que o tratem pelo "homem da maratona". A acção do presidente encarnado começou com os primeiros alvores da manhã, na ilha do Sal e terminou já a noite ia muito alta, na cidade da Praia, na ilha de Santiago. Pelo caminho, o líder benfiquista viveu uma experiência humana inolvidável...
Pouco passava das sete da manhã e Luís Filipe Vieira já estava de pé, para um passeio e um mergulho nas águas tépidas da praia do Hotel Belorizonte, em Santa Maria, na ilha do Sal. Satisfeito pela vitória do seu clube no campeonato de futsal, cujo jogo decisivo, disputado à mesma hora que voava para Cabo Verde, não teve oportunidade de acompanhar, Luís Filipe Vieira carregou baterias para a jornada que se avizinhava. Esperançado, dizia, numa "recepção calorosa ". Mas a realidade superou em muito as expectativas mais optimistas do homem forte do Benfica. Logo à saída do hotel multiplicavam-se as viaturas com os altifalantes a debitar a velhinha canção "ser benfiquista", enquanto os empregados aplaudiam o presidente do Benfica e gritavam o nome do clube. A primeira etapa do dia começou com um cortejo automóvel por Santa Maria, findo o qual a extensa comitiva se dirigiu à sede do município, na povoação de Espargos, a 18 quilómetros, onde aconteceu o primeiro banho de multidão, onde entre bandeiras de Portugal e do Benfica, camisolas de Figo misturadas com as de Miki Fehér, a ligação entre os povos de Cabo Verde e Portugal, através do desporto, ia ficando cada vez mais nítida. Arrepiantemente nítida. Gloriosamente nítida.

Etapa do Sal

Na câmara municipal, depois de uma intervenção inflamadamente benfiquista do edil local, Jorge Figueiredo, o presidente do Benfica deu a boa nova da presença da equipa B, no Sal, em Julho, para júbilo dos presentes. Mas foi depois, já na rua, na esplanada, que a "festa" começou, traduzida em emoção e devoção que levavam Luís Filipe Vieira a afirmar amiúde, "o Benfica é mesmo uma nação". Dos benfiquistas, de muitos que confessavam, orgulhosos, terem feito parar a cidade logo que a conquista do título fora conhecida, Vieira ouvia uma exigência: "Queremos continuar a ganhar."Assim, sem mais, ou não fossem a busca das vitórias desportivas, independentemente da latitude ou longitude, a primeira razão da filiação clubista. A todos os incentivos e exigências, feitos por gente muito humilde que luzia a camisola encarnada, algo que surgia desproporcionado com o nível de vida que levavam, mostrando que o Benfica era o seu primeiro e se calhar único luxo, Luís Filipe Vieira ia respondendo, sem promessas mas com a garantia de que "quem nos quiser tirar o escudo de campeões da camisola vai ter de comer muita relva". Amanhã estava a chegar ao fim e a agenda ainda estava muito preenchida. Seguia-se a viagem de avião entre o Sal e a cidade da Praia, não sem antes se ter dado um encontro inesperado, entre o líder encarnado e José Maria Neves, primeiro-ministro de Cabo Verde. O voo para a cidade da Praia foi breve e bem-disposto e aí, as emoções vividas antes, subiram uns degraus. Provavelmente, em poucos locais terá havido uma manifestação exterior de benfiquismo tão forte como a que aguardava Luís Filipe Vieira na capital da ilha de Santiago...

Apoteose na Praia

Mal desembarcou na cidade da Praia, a comitiva encarnada, composta, além de Luís Filipe Vieira, pelo chefe de gabinete João Salgado e pelo assessor Ricardo Maia, notou imediatamente os comentários dos funcionários do aeroporto. "Nunca se viu nada disto, é incrível, se não visse não acreditava..." Referiam-se, é claro, ao que aguardava Luís Filie Vieira no exterior: uma molde imensa, vestida à Benfica, a entoar os mesmos cânticos ouvidos no Estádio da Luz. Não eram dezenas ou centenas de adeptos, mas sim milhares, unidos na mesma fé, indiferentes ao calor e à humidade, em delírio com a possibilidade de poderem participar directamente, por uma vez, na vida do Benfica. Simultaneamente, bandeiras de Portugal e de Cabo Verde tremulavam ao vento, lado a lado, quase 30 anos depois da independência cabo-verdiana, sem complexos de parte a parte, aceitando essa herança que ficou da soberania portuguesa, que permanece e prospera, e que é o amor pelos clubes da antiga potência colonial. E Cabo Verde não é, nem se sente menos independente e soberana pelo facto de uma esmagadora maioria dos seus habitantes serem do Benfica, do FC Porto ou do Sporting.

Contra-relógio

A tarde na cidade da Praia reservava uma prova de resistência, física e emocional, a Luís Filipe Vieira. Ainda antes de um almoço "a fugir", que o tempo não parava, Vieira este, sempre rodeado de uma multidão entusiasta, na Câmara Municipal da Praia (cujo presidente, Felisberto Vieira, é sportinguista) e aí ouviu que os "cabo-verdianos vivem intensamente o futebol português", ao mesmo tempo que ficava a saber que "serão desenvolvidos todos os esforços para que a casa do Benfica na Praia seja, em breve, uma realidade". Foi aí, perante a simpatia e cordialidade do anfitrião, que Luís Filipe Vieira quase "foi abaixo", confessando que acabara "por passar por momentos comoventes e emocionantes, no contacto com pessoas simples e humildes que vivem o Benfica de forma intensamente apaixonada".

Nova corrida...

Seguiu-se a visita ao presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, benfiquista de gema, que antes de receber a comitiva portuguesa seguia, através da TV Cabo, o canal 1 da RTP que transmitia o Alemanha, 2-Brasil, 3 da Taça das Confederações. Foi aí, em pleno parlamento, que Vieira desmobilizou o "ultimato dos 300 mil" (ver página 8), com uma intervenção de excelente nível. Aliás, quem o viu e quem o vê. O presidente do Benfica começa a gostar do contacto com o povo encarnado e está a ganhar-lhe jeito...

Nova viagem

Até ao fim do dia, o líder encarnado ainda foi recebido, em audiência privada, por Pedro Pires, presidente da república de Cabo Verde, esteve no clube Travadores, na churrasqueira Benfica e acabou o dia no Hotel Praia-Mar, num jantar com Benfiquistas (ver página 10). Foi um dia e tanto. Pela qualidade das emoções vividas e pela quantidade dos actos públicos praticados. Um dia que teve, claramente, um protagonista, Luís Filipe Vieira, e dois vencedores: o Benfica e as relações luso-cabo-verdianas.

Sinto que não posso abandonar esta gente
Foi uma autêntica pedrada no charco. A sessão de boas-vindas ao presidente do Benfica, na Assembleia Nacional de Cabo Verde, decorria de forma previsível, entre frases politicamente correctas e elogios mútuos, quando Luís Filipe Vieira atacou de surpresa, alterando, com inegável sentido político, o discurso do ultimato, ainda há pouco tempo oficializado na Luz.
Há algumas semanas, procurando dramatizar a necessidade de os adeptos benfiquistas aderirem ao novo cartão de sócio, Luís Filipe Vieira ameaçou abandonar o clube caso o número de associados não atingisse os 300 mil. Ontem, no gabinete de Aristides Lima, o Jaime Gama de Cabo Verde, o líder encarnado fez uma declaração surpreendente: "Cabo Verde deu-me a volta à cabeça, vi aqui um amor e uma devoção ao Benfica que me comoveram e sinto que não posso abandonar esta gente. Já telefonei à minha mulher a dar-lhe conta da situação e embora acredite, por tudo o que tenho visto, que é possível, até, chegar aos 500 mil sócios, vou pensar em rever a situação dos 300 mil sócios até Outubro como condição para a minha continuidade..." Pronto, a partir de agora, está ultrapassada aquela questão de se saber o que acontecerá se, em Outubro, em vez de 300 mil só forem 290, ou 250 mil, ou outro número, os sócios do Benfica "pós-kit". Luís Filipe Vieira vai continuar a presidir aos destinos do emblema da águia, deixando, inclusivamente, alguns recados que, nas entrelinhas, vão para além do seu mandato: "O Benfica está a tornar-se uma instituição muito acessível e teremos de estar particularmente atentos aos oportunistas".

Lição de Cabo Verde

"Vi crianças com ar muito humilde a vestirem camisolas do Benfica que devem ter sido um rombo no orçamento das suas famílias. Se calhar, alguma coisa ficou para trás para terem o equipamento e isso dá que pensar, em termos de amor ao clube", disse Luís Filipe Vieira, manifestamente emocionado, que não se cansava de dizer que tinha sido "recebido como um verdadeiro chefe de Estado", projectando "como não teria sido, aqui, a noite da conquista do título".

Esperança, ambição

"O Benfica pode vir a ser o melhor clube do Mundo", disse Luís Filipe Vieira ao presidente da Assembleia Nacional cabo-verdiana, um benfiquista assumido, aliás, "bastando para isso que saiba aproveitar o mercado de que dispõe". Pegando no discurso de Petit, "que disse que tudo o que desejava era acabar a carreira no Benfica e que já se encontrava apto a transmitir, a quem viesse, a mística do clube", Luís Filipe Vieira usou-o como alavanca para colocar a fasquia da ambição muito alta, assumindo que "não nos podemos contentar com o campeonato português, queremos mais, muito mais". "A nossa grande meta é regressar ao Benfica europeu ", prosseguiu Vieira, "e isso é possível, basta que todos os benfiquistas queiram ". Dando o exemplo do voleibol, do futsal, do trabalho nas camadas de formação, da nova aposta no andebol, Vieira projectou sempre, nas várias intervenções que teve em Cabo Verde, a conciliação entre o sucesso e a capacidade de aproveitar as consequências desse êxito e do mercado por ele aberto.

Promessas feitas

Mas o presidente do Benfica fez algumas promessas concretas a Cabo Verde e comprometeu-se por tentar agilizar outras situações. Promessas feitas foram as visitas da equipa B de andebol, em Julho, e da equipa de futsal, em Setembro, ao arquipélago cabo-verdiano. Quanto à equipa principal, o grande desejo dos adeptos locais, Vieira garantiu ir estudar a possibilidade de realizar um jogo internacional "um Benfica-Ajax, ou um Benfica-Barcelona", na cidade da Praia, havendo a necessidade de conciliar datas e ainda "a ajuda do governo local". Porém, quanto a essa possibilidade nada há, por enquanto, para lá da própria... possibilidade.

Pronto para novas eleições
NUM jantar com centenas de benfiquistas, Filipe Vieira voltou a soltar a emoção e fez uma revelação: "Se calhar, no próximo ano, vão ter de levar comigo em eleições ". No mais, "Cabo Verde deu uma lição do que é ser benfiquista ".
Depois de um dia cansativo, um jantar com algumas centenas de benfiquistas junto à piscina do Hotel Praia-Mar. Filipe Vieira sentiu o imenso calor dos benfiquistas e manteve as energias. Depois de ter ouvido o excelente discurso de Luís Tavares, um dos responsáveis pela organização desta visita, o presidente encarnado encheu o peito, respirou fundo, e não conteve o que lhe ia na alma: "Esta foi uma viagem emocionante, que recordarei eternamente. Cabo Verde deu lição do que é o Benfica ", referiu, numa justa homenagem à recepção de que foi alvo. Uma ligeira pausa e o inesperado anúncio: "Se calhar, no próximo ano, vão ter de levar comigo em eleições ". Para levar o seu projecto em frente e para evitar que o clube caia em mãos que não deseja. "Os críticos crónicos são incompetentes e fracassados. Há quatro anos encontrámos o clube na bancarrota, hoje tudo é diferente, a começar pela credibilidade e rigor", frisou. E voltou a focar o pensamento na próxima fasquia a atingir: "Não queremos ser só o campeão vindo de Portugal, temos de pensar em grande e à Benfica, um dos maiores clubes do mundo". Passando um pouco pela realidade do Benfica, Luís Filipe Vieira não esqueceu José Veiga, ao referir que "contribuiu muito para o título ", fase que mereceu fortes e sentidos aplausos.

Tanto calor

O ambiente que se viveu durante o jantar foi bastante animado, de um benfiquismo muito acentuado. Filie Vieira não teve mãos a medir, com pedidos de autógrafos, de fotografias, com votos de felicitações e todo o género de solicitações de um povo caloroso e generoso. Antes do jantar teve tempo para uma entrevista à televisão cabo-verdiana, que passa amanhã na íntegra. Falou da vontade de ali ver nascer uma Casa do Benfica, dos projectos em curso, do carinho que encontrou, de tantas emoções.

Portas abertas no primeiro treino de Koeman
O Benfica vai abrir as portas do estádio para que todos possam assistir ao primeiro treino da época, agendado para as 16.30 horas de 5 de Julho. No final, os jogadores serão apresentados. São esperados alguns milhares de benfiquistas.
Será um regresso emotivo para a nova época. As oficinas da Luz reabrem no próximo dia 4 de Julho, uma segunda-feira, sendo que o primeiro dia está reservado para as apresentações, exames médicos, preparar o que faltar em termos de logística para a nova época. Será na terça-feira, dia 5, que Ronald Koeman ministrará o seu primeiro treino. A sessão de trabalho terá lugar no Estádio da Luz e apesar de ser apenas a primeira de várias centenas de treinos que terão lugar ao longo da época, o treinador holandês poderá já emprestar o seu cunho em relação à filosofia de treinos. Sabendo o Benfica que esta é uma fase em que os adeptos andam sequiosos de notícias e novidades, para mais com treinador e alguns jogadores novos, a SAD decidiu que vai abrir as portas do Estádio da Luz e fará uma apresentação sumária da equipa no relvado, em moldes que ainda não foram anunciados. Certo é que são esperados alguns milhares de benfiquistas nas bancadas do estádio. Apesar de ser dia de semana, muitos deverão deixar o trabalho um pouco mais cedo, outros estão de férias e sabe-se que existe já um número significativo de emigrantes de férias, para não falar de turistas. Assim, o Benfica pretende que o arranque da nova época se faça em comunhão com os adeptos, até porque não serão muitas as oportunidades para os benfiquistas assistirem aos treinos. Em especial quando começar a trabalhar no centro de estágio do Seixal.

Depois, estágio

Depois, o Benfica segue para a Suíça na quarta-feira, onde o esperam cerca de nove dias de trabalho, já que o regresso acontecerá a 14 de Julho. Pelo meio dois jogos de preparação, com o Sion e o Étoile Carouge e depois esse grande jogo de campeões, com o Chelsea, a 17 de Julho. Com o aproximar do início da época cresce a expectativa, em especial em relação aos reforços que ainda estão para chegar à Luz. Para já, certas apenas as presenças de Beto, Andersson e Karyaka no primeiro treino de 5 de Julho.

Queremos ser os melhores do Mundo
Rui Cunha, vice-presidente da Direcção e administrador da SAD, juntou-se ontem aos apelos do presidente Luís Filipe Vieira para a mobilização dos benfiquistas. "Se olhar para um Real Madrid, que é uma referência, verá que não tem sequer 200 mil sócios. Se conseguirmos, para já, ultrapassar essa barreira tornamo-nos logo um clube diferente de todos os outros em todo o Mundo. O Benfica tem condições para ser o melhor clube do Mundo", frisou, na Luz, no decorrer do almoço do II aniversário da Cunha Vaz & Associados. Rui Cunha frisou que "o objectivo desportivo é revalidar o título e ir o mais longe possível em todas as outras provas". Elogiou o trabalho da SAD e o treinador Ronald Koeman, "que para estar no Benfica é porque é um dos melhores do Mundo". Rui Cunha congratulou-se ainda pela renegociação do Project Finance do estádio, "que permite ao Benfica ter a vida muito mais tranquila, não comparável com qualquer outro clube em Portugal". Por último a garantia de que a demissão do amigo Rui Santos se deveu a questões "estritamente familiares " e que a Direcção continua a "trabalhar com tranquilidade e união".

Bruno Aguiar perde o estágio
BRUNO AGUIAR não poderá começar a convencer Ronald Koeman durante o estágio de pré-época. O médio aproveitou a paragem do campeonato para curar uma fractura no pé direito, chegaram-lhe mesmo a dizer que com um pouco de sorte poderia retirar o gesso na passada quarta-feira, mas acabou por ter de se conformar com mais quatro semanas de paragem.
Bruno Aguiar foi uma pedra importantíssima na época passada, sendo utilizado como um suplente que nas horas de maior aflição entrava em campo para dar mais força ao meio-campo benfiquista. Depois de um ano de adaptação, o jogador está apostado em fazer uma grande temporada, mas a verdade é que 2005/06 não começará da melhor maneira. A lesão impede-o de ir para o estágio que o Benfica realizará em Nyon, na Suíça, e só bem perto do início do campeonato poderá mostrar a Ronald Koeman todo o seu valor. As recordações de Penafiel são duras, já que para além da derrota que abalou o Benfica e fez com que os encarnados chegassem a temer que ali se tivesse perdido o título, Bruno Aguiar sofreu também uma fractura no pé direito. Mesmo assim, o jogador revela uma força incrível quando diz que "é muito mau perder o comboio logo no início", mas que tem força suficiente para "ultrapassar os problemas e lutar por um lugar"mal os médicos lhe concedam a alta que tanto procura. O facto de só retirar o gesso do pé direito dentro de quatro semanas irá atrasar a sua inclusão na equipa principal. Numa altura que os seus companheiros estarão já em boas condições físicas, o jovem internacional terá ainda de cumprir à risca um rigoroso plano de recuperação, fazer fisioterapia para que possa recuperar da atrofia muscular que sempre provoca um longo período de gesso e só depois começar a trabalhar com bola. Uma situação que está, obviamente, muito longe de ser benéfica numa fase em que entra um novo treinador e que não conhece as características dos seus atletas. Mas a confiança é grande. Bruno Aguiar é um jogador que pode fazer várias posições a meio-campo, sente-se como peixe na água tanto a atacar como a defender e sendo Ronald Koeman treinador que gosta que a sua equipa pratique um futebol vistoso e muito apoiado, o médio acredita que a sua hora pode ter chegado. Falta apenas dizer que Bruno Aguiar acredita piamente que o Benfica tem condições para revalidar o título, que o apoio dos sócios foi determinante no final da época passada como o será na temporada que aí vem e não tem dúvidas de que pode voltar a ser um dos heróis que conseguiram devolver os títulos ao clube da Luz. No fundo revela que "com espírito de sacrifício e muito trabalho" pode confirmar todas as expectativas que se geraram à sua volta desde muito novo.



sábado, junho 25, 2005

Futsal - Campeão com história
CAMPEÃO nacional, assim terminou ontem o Benfica, ao vencer o Sporting por 7-4, após prolongamento.
Tal como no jogo 1 do play-off o Sporting marcou primeiro, desta feita por José Dias, mas, ao contrário dessa final inaugural, o Benfica não lhe permitiu chegar em vantagem ao intervalo. E se o capitão do Sporting aproveitou um livre do companheiro Paulo Roxo para abrir a contagem (5 minutos), Luciano Araújo explorou sem mácula o espaço concedido e rematou, dois minutos depois, para o empate.
Restabelecida a igualdade, renovados os ânimos, nomeadamente da equipa da casa, mais inflamada no que a remates respeita. Pertenceu-lhe na maior parte do tempo a iniciativa de marcar e cedo resolver a contenda. Que o digam Micky, Luciano Araújo ou André Lima.
A seis minutos do intervalo, cinco faltas para cada lado e momentos menos pacíficos no rinque adivinhavam-se. Na sequência da sexta infracção, o Benfica vê-se, pela segunda vez, em desvantagem, depois de Paulo Roxo marcar um livre de dez metros. Sucesso de duração reduzida para o Sporting, que na mesma moeda, leia-se marcação de livre, viu André Lima acertar na baliza às ordens de Bebé, o homem forte dos visitantes nesta matéria.
O descanso não trouxe maior vigor físico mas também não afectou o discernimento, único para as equipas e no sentido da vitória. Recomeçou melhor o Sporting e a testemunhá-lo o golo de João Marçal, aos 25 minutos, numa jogada repartida com André Justino. Seguiram-se segundos de jogo incríveis, sem sossego para a bola, ora nas mãos de José Carlos ora nas mãos de João Benedito. E num desses momentos frenéticos (27), José Maria repõe a igualdade.
Até ao final do tempo regulamentar esteve o Benfica mais perto de vencer. Foi preciso chegar ao prolongamento para o clube encarnado conquistar mais um título nacional, fase em que o capitão André Lima não podia ter sido mais determinante: três golos, aos 45 e 49 (neste minuto bisou), sentenciaram um desafio até então repartido. O Sporting, a perder por 4-5, optou, a cinco minutos do fim, por um guarda-redes avançado (Paulo Roxo) e sofreu as consequências.

Adil Amarante:
"Foi uma época fantástica"

O treinador do Benfica não cabia em si de contente. Depois de uma temporada desgastante, que já tinha valido a Taça de Portugal e agora culminou com o título mais desejado, Adil Amarante começou por um balanço final no qual fez um grande elogio aos seus atletas: "Foi uma época fantástica, os jogadores foram sempre inexcedíveis e deram respostas fantásticas em todos os momentos. Após 300 treinos esta época, o título é uma justa recompensa para o nosso trabalho." Passada a época em revista, o técnico analisou os acontecimentos do jogo de ontem: "Estes jogos decidem-se nos detalhes. Felizmente, estivemos muito concentrados e esse foi um dos segredos da vitória."

Fernando Tavares: "Voltamos às grandes conquistas"

Fernando Tavares, vice-presidente para as modalidades amadoras do Benfica, exultou com mais este triunfo averbado para a sua secção: "Este foi um ano em que voltamos às grandes conquistas. Depois de termos ganho o campeonato e a taça em vólei, chegou a vez de repetirmos o feito no futsal. Esperamos repetir tudo isto na próxima temporada."

André Lima: "Não me sinto um herói"

André Lima foi a figura da noite, ao apontar cinco dos sete golos do Benfica. O capitão, todavia, rejeitou os louros da vitória, preferindo distribui-los pelo colectivo: "É uma hora de grande felicidade para todos nós. Claro que estou feliz por ter sido eu a marcar os golos, mas a vitória é de todos os jogadores. Não me sinto um herói." Na hora de levantar o ceptro, o jogador encarnado não se esqueceu de dar uma palavra ao adversário: "Quero também dar os parabéns ao Sporting. Todos os títulos são especiais, mas ser campeão aqui, no Benfica, é diferente de o ser em qualquer outro clube."

Zé Carlos: "Título saboroso"

Zé Carlos é o guarda-redes do Benfica e foi, de facto, o derradeiro reduto encarnado. Satisfeito com a sua exibição, distribuiu louros pela equipa: "Todos os títulos são saborosos, mas este talvez mais, porque não ganhámos no ano passado. É verdade que fiz uma grande exibição, mas o Zé Carlos não ganha sozinho, fá-lo com a ajuda de todos. Só assim é que alcançamos os êxitos."

Sol algarvio tranquiliza holandês sereno
O treinador do Benfica, Ronald Koeman, está a queimar os últimos dias de férias, em terras algarvias. Vale do Lobo acolheu, mais uma vez, o homem em quem os benfiquistas depositam grande fé e esperança na conquista de títulos para o clube encarnado. Ora, como a família é o grande amor da sua vida e o golfe uma das suas paixões, nada melhor do que juntar o útil ao agradável e descomprimir à beira-mar, ouvindo as gaivotas pensando que são águias a voar...
O Algarve é por excelência um destino turístico que poucos dispensam. Vale do Lobo é um mundo à parte, dado que o requinte das instalações permite sonhar acordado, com o prazer de viver entre a realidade fascinante e a ficção real. O novo treinador do Benfica, Ronald Koeman não dispensa todos estes requisitos, daí sentir que a região algarvia é bastante importante para esfriar a cabeça, principalmente, antes de uma nova etapa da sua carreira de treinador — quem sabe se não é a mais sedutora desde que enveredou pela carreira de treinador — onde todos os amantes do Benfica desejam que seja coroada de muitos êxitos.
Marcando presença assídua há quase décadas no Algarve, Ronald Koeman —que tem recusado todas as abordagens para entrevistas — sabe que os ares algarvios costumam ser um bom pronuncio para encarar a situação profissional, visto que enquanto jogador e mais recentemente como técnico, tem sido à beira-mar, entre o golfe, a praia e a piscina, que o guerreiro holandês descansa, preparando um futuro que até então tem sido bastante auspicioso e interessante, uma vez que em poucos anos de treinador principal, Koeman já venceu o campeonato holandês, com as cores do Ajax, enquanto na UEFA efectuou um trabalho animador, que por pouco, não deu os frutos desejados e ambicionados pelo jovem treinador e seus pares.

Golfe na ementa diária

É no campo de golfe de Vale do Lobo que Ronald Koeman desafia um desporto onde o silêncio é fundamental para praticar uma modalidade onde a concentração não é menos importante, de modo a fazer com que a bola entre nos buracos pouco maiores que a redondinha.
Sendo este um desporto de família e para grandes profissionais, Koeman vai estar durante os próximos dias em Vale do Lobo a jogar golfe com os seus dois filhos. Tim e Ronald Júnior estão a seguir as pisadas do pai, embora ainda estejam longe do handicap do chefe de família, 18. A filha, Debby, por seu turno, também já está a aprender a jogar, mas já com um professor particular, António Sobrinho, oito vezes campeão nacional de golfe.
Apaixonado pelos filhos, o técnico do Benfica está a tentar cativar os miúdos para abraçarem uma modalidade onde é preciso gostar para ser praticante, caso contrário, torna-se complicado percorrer os nove ou 18 buracos. Ontem, Ronald Koeman voltou a incentivar os seus descendentes, percorrendo os circuito mais curto (nove buracos) em pouco mais de duas horas.
Com o sol algarvio a tranquilizar o holandês sereno, o pai não se cansou de falar com os filhos, explicando a maneira mais correcta de colocar o taco perante a bola, e qual a força que por vezes é essencial exercer. A forma delicada como trata os jovens, leva a perspectivar que mais cedo ou mais tarde, podem surgir mais dois craques de golfe. Mas, por agora, ainda estão longe de fazer frente ao pai, embora o filho mais velho indicie algum jeito para a coisa, no entanto, é preciso continuar a praticar para um dia mais tarde fazer frente a um futebolista com enorme jeito para esta modalidade.

Ensinar até se torna divertido

Quem está habituado a lidar com diversas culturas no mundo do futebol não dá por mal empregue o tempo perdido (ganho) com os filhos. Por isso, ensinar não custa... quando o prazer de aconselhar sobressai a léguas de distância, mesmo com o calor abrasador, mas que o mar a meia-dúzia de metros disfarça com a brisa, daí a vida ter mais encanto... O futebol, fica para mais tarde.

KARYAKA testes médicos na próxima semana
O extremo-esquerdo do Krylia Sovetov Samara , Andreii Karyaka, já tem em seu poder um contrato válido para quatro épocas, mas o Benfica pretende submeter o jogador a testes médicos antes de dar por concluída a transferência. Nesse sentido, o presidente do clube russo, German Tkatchenko, informou o futebolista de que deve fazer as malas e viajar para Lisboa quanto antes.
O Benfica e o Krylia Sovetov Samara têm mantido contactos no sentido de definirem a vinda de Karyaka para Portugal.
O jogador já foi informado, na pessoa do presidente do clube russo, German Tkachenko, de que de ve partir o mais depressa possível, a fim de cumprir os habituais testes médicos, mas o facto de a equipa estar ainda em competição está a dificultar a clarificação da viagem.
Hoje, por exemplo, o jogador segue com o Krylia Sovetov para Perm, cidade distante de Samara, onde vai defrontar a equipa local, e o regresso a casa só deve acontecer amanhã à noite, após o encontro. Pouco tempo, pois, para preparar a visita a Portugal, que pode, ainda assim, acontecer segunda-feira, desde que o futebolista consiga resolver questões burocráticas e familiares em tempo útil.
De resto, Karyaka tem já em sua posse o contrato que foi negociado entre Tkatchenko, Benfica e um fundo de investimento (GSI), mas a transferência só será formalizada depois de o atleta pisar solo nacional.

Mistério continua

Defesa-esquerdo, médio-defensivo, médio-ofensivo e ponta-de-lança. Apesar de o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, ter afirmado, recentemente, a uma televisão nacional que o Benfica tem mais um reforço assegurado, o mistério continua em relação a quatro posições do terreno, posições essas que, quando preenchidas, ditarão o encerramento do plantel.
Dedé (defesa-esquerdo) e Ewerthon (médio-ofensivo), ambos do Borrussia Dortmund, interessam, mas estão ainda por acordar, enquanto Diego, já confirmado, pode ser emprestado ao Sp. Braga.

LUISÃO, Vou ficar na Luz
Empenhado na Taça das Confederações, apesar de ainda não ter sido utilizado, Luisão vai seguindo com atenção a actualidade do Benfica. Até porque o seu futuro também está em causa. Com proposta para renovar contrato até 2011, o defesa-central segue à distância as negociações e quase não deixa dúvidas: «Vai tudo ser resolvido.»
Depois de, durante a temporada, ter sido apontado como um dos jogadores que poderiam deixar o Benfica, Luisão está agora perto de renovar contrato até 2011, com os encarnados a adquirirem a totalidade do passe do defesa-central. A proposta apresentada pelo campeão nacional agradou. Luisão ainda não assinou, mas pelo seu discurso, ontem, em Nuremberga, em conversa com A BOLA, ficam poucas dúvidas de que isso irá acontecer.
«Vou continuar no Benfica! », exclama, quando confrontado com os rumores que a imprensa internacional continua a alimentar — que vai para o Inter, que vai para o Real Madrid... «O Benfica apresentou uma proposta e tudo vai ficar resolvido», garante, quase sem dúvidas, acrescentando que tem «ouvido algumas coisas» do empresário Giuliano Bertolucci nesse sentido.
A vontade de Luisão, já o dissera a A BOLA na Alemanha, é ficar na Luz. E jogar a Liga dos Campeões. «É onde o Benfica deve estar», diz, confessando-se «animado» com a perspectiva de poder, finalmente, defrontar alguns dos companheiros de selecção na mais importante prova de clubes do Mundo.
O internacional brasileiro vai também acompanhando o movimento do mercado de transferências, mas prefere não falar na possibilidade de os compatriotas Dedé e Ewerthon serem seus futuros colegas. «Este é o mês de se falar muito, mas até agora o Benfica só contratou o Beto e o russo [Karyaka], não é? Vamos esperar que os contratos estejam assinados.»
Mas apesar de ainda não terem chegado à Luz nomes sonantes, Luisão mostra-se muito optimista para a próxima época. «O Benfica tem tudo para dar certo de novo. A pressão de não ser campeão há 11 anos já passou.»

Sem frustração

Luisão ainda não foi utilizado na Taça das Confederações, tal como já não fora nas partidas de qualificação para o Mundial (então por estar lesionado). Em perspectiva está um mês inteiro em estágio com a selecção sem que faça sequer um jogo, porque hoje, com a Alemanha, também não será titular. Apesar disso, o central não trocava a experiência pelas férias por que também anseia. «Não tenho nada de estar frustrado por não jogar, quem está jogando, o Lúcio e o Roque Júnior, foi campeão do mundo. E sei que, apesar de não ser titular, tenho a confiança do seleccionador. »
A Taça das Confederações termina a 29 de Junho, o Benfica começa a trabalhar menos de uma semana depois. Luisão pediu ao clube para se apresentar mais tarde para que possa gozar alguns dias de férias e aguarda uma resposta. «Vinte dias seria o ideal», confessa.

O Benfica está ao nível dos melhores clubes europeus
A conquista do título nacional funciona como um impulso de, no mínimo, 15 milhões de euros para a recuperação financeira da SAD, mas a saúde da sociedade que gere o futebol já dava sinais tão claros de restabelecimento que a vitória na SuperLiga nem sequer estava... contabilizada, tal como avançou Domingos Soares Oliveira, administrador da Benfica, SAD, em entrevista a O JOGO. Com um caudal de receitas já expressivo a nível nacional, o próximo objectivo passa pela conquista da Europa - e esse é um desafio que os dirigentes querem vencer

P | Desde que os clubes optaram pelo modelo de gestão do futebol através de SAD, estas têm sempre apresentado saldo negativo. Qual é a situação actual da SAD do Benfica?
R | A SAD apresenta resultados em Julho e nós tínhamos apontado para um objectivo que ainda passava por apresentar resultados negativos este ano, mas positivos já no próximo exercício. O objectivo vai ser cumprido e, provavelmente, ultrapassado. A perspectiva aponta para uma melhoria em relação às estimativas e, portanto, poderemos alcançar resultados positivos mais rapidamente do que tínhamos previsto

P | A melhoria dos resultados correntes, acima das estimativas iniciais, tem reflexo imediato na capacidade de investimento da SAD no reforço do plantel?
R | O próprio facto de termos sido campeões origina um aumento das receitas e, por consequência, uma capacidade de investimento distinta. Depois, existem várias situações que também têm influência directa, como o projecto do novo cartão de sócio, o impacto resultante do previsível aumento da média de assistências na próxima época e ainda a performance da equipa na Liga dos Campeões. Estamos à espera que esse acréscimo de receitas nos permita, por um lado, melhorar os nossos resultados e, por outro, desviar uma parte para novos investimentos.

P | Todas essas variáveis somadas podem ser quantificadas em milhões de euros?
R | A conquista do título - e restantes situações daí recorrentes - pode ser traduzida num número a rondar os 15 milhões de euros. Este é um valor estimado pelas assistências previsíveis aos jogos, entrada na Liga dos Campeões e algum efeito adicional do ponto de vista do novo cartão. No entanto, este montante pode ser aumentado se os resultados desportivos na competição europeia forem positivos, se o número de espectadores ultrapassar o que temos previsto, e ainda no caso de a meta dos 300 mil sócios ser atingida, como Luís Filipe Vieira tem apontado com insistência. Sendo assim, há uma série de efeitos multiplicadores que podem permitir que o valor dos 15 milhões seja rapidamente ultrapassado. E estamos sempre a fazer as contas sem a variável da venda de jogadores.

"Evolução da SAD não dependia do título"


P | O êxito desportivo alcançado na última época funciona então como uma importante mola impulsionadora para os resultados a apresentar pela SAD?
R | A SAD tinha uma evolução prevista que não dependia de sermos campeões, e todas as metas traçadas para o exercício de 2004/05 e 2005/06, quando termina o mandato desta administração, não passavam por esse feito. Tendo sido campeões, isso permite-nos acelerar a recuperação financeira da SAD e, por outro lado, ter a possibilidade de proceder a um maior investimento no plantel.

P | Concluídos com êxito todos os projectos em curso, é possível afirmar que o Benfica pode ser já equiparado a outros grandes emblemas europeus?
R | Estamos a seguir um processo em que começamos a ter uma maximização de receitas que o Benfica pode gerar. Deste modo, a dinâmica que estamos a ter já posiciona o Benfica, do ponto de vista empresarial, noutra dimensão que não apenas a portuguesa. Com 200 mil sócios, seremos o maior clube a nível europeu - e não tenho dúvidas de que atingiremos esse número -, enquanto os 300 mil é uma boa admissão. A capacidade de geração de receitas do Benfica está ao nível dos melhores emblemas a nível europeu e a única diferença é que o que conseguimos gerar ao nível das receitas televisivas é diferente do que acontece, por exemplo, em Inglaterra, porque o mercado inglês tem uma capacidade interna maior e consegue gerir muito melhor o mercado asiático. Portanto, a nível interno, a casa está em vias de ficar arrumada; a nível externo, o passo a dar a partir de 2006/07 será o de uma expansão claramente internacional.

P | Um dos projectos mais importantes do actual executivo passa pela conclusão do Centro de Estágio, orçado em 15 milhões de euros. Já existe um modelo de financiamento que, com recurso a patrocínios, atenue este montante?
R | O que necessitamos do ponto de vista de capitais, neste momento, está garantido com uma entidade financeira. Contudo, queremos arranjar um modelo que implique custo zero para o Benfica, através de patrocínios e de uma outra forma de financiamento através da televisão. Queremos concluir a infra-estrutura, mas que isso tenha o menor impacto possível nas contas do Benfica - e é possível que seja zero.

P | Uma das soluções para esse objectivo é encontrar um patrocinador para o Centro de Estágio. Já está escolhido?
R | Temos três entidades com as quais as negociações estão avançadas, e será escolhida uma delas. São entidades de primeiro plano do ponto de vista da sua capacidade financeira, mas só em Julho ou Agosto será feito esse anúncio.

P | O estádio também será alvo de um "naming", como chegou a estar previsto quando foi tomada a decisão de se avançar para a sua construção?
R | Não rejeitamos essa hipótese. O Estádio da Luz é algo que tem um valor violento. Se olharmos para os "namings" de outros estádios na Europa - dado que em Portugal não há nenhum -, essa situação não está ao alcance da esmagadora maioria das empresas portuguesas. Com a projecção do Benfica - nacional e internacional - e do Estádio da Luz, a sua transformação numa marca tem um impacto muito grande, independentemente da performance desportiva da equipa. Não podemos fugir aos novos modelos financeiros dos clubes de futebol e das SAD, pelo que não rejeitamos vir a ter este estádio associado a um nome comercial.

P | Pelo que se depreende das suas palavras, é algo que está já em marcha...
R | Há negociações em curso com empresas internacionais. Contudo, será sempre um processo mais lento que o do Centro de Estágio, pois este é uma necessidade actual, enquanto no caso do estádio não existe essa necessidade. Havendo uma proposta financeiramente tentadora, teremos de a analisar, mas não há urgência em fechar esse processo.

O JOGO | De momento, ainda existe a necessidade de realizar um encaixe de dez milhões de euros com vendas de jogadores, como aliás tinham orçamentado?
DOMINGOS SOARES DE OLIVEIRA | Para que os resultados da SAD passem de negativos a positivos no próximo ano, seria necessário receber dez milhões de euros resultantes da venda de jogadores - ou parte dos seus passes - durante este exercício e no próximo. O que temos vindo a verificar é que, pelo facto de o Benfica ter sido campeão, e se o projecto do cartão permitir ultrapassar as estimativas iniciais, há a possibilidade de não termos a necessidade de realizar já esse encaixe. Dependerá do caminho a ser seguido pelos adeptos, pois, se a sua adesão ao novo cartão for importante, poderemos, de uma vez por todas, libertar-nos dessa obrigatoriedade no imediato. Se não for tão grande, manteremos essa necessidade mais um ano.

P | Luís Filipe Vieira apontou Outubro como prazo para avaliar essa adesão, mas, normalmente, as transferências concretizam-se até final de Agosto...
R | Nesta altura, começamos a ter as primeiras previsões sobre o projecto do cartão. Vendemos cerca de 20 mil kits nos primeiros 15 dias e não consideramos que o mês de Junho seja o de maior impacto, prevemos antes que os dois seguintes terão maior impacto, pelo reforço, nessa altura, das campanhas publicitárias. Vamos anunciar novas parcerias à volta de bens de primeira necessidade e teremos um efeito, do ponto de vista da emigração, que ocorre no final de Julho e durante o mês de Agosto. A manter-se esta tendência até final de Junho, temos garantias de que os dois meses seguintes serão mais fortes. Todas as semanas confirmamos essa tendência e podemos decidir se a venda de jogadores é obrigatória ou se é apenas interessante, pela realização de uma mais-valia muito importante, mas sem ser uma obrigatoriedade.

P | Luís Filipe Vieira admitiu, na quarta-feira passada, em Leiria, a necessidade de vender um jogador no prazo de 15 dias se não entrassem no Benfica determinados montantes. Estas verbas serão, então, as que estão previstas no âmbito do projecto do novo cartão de sócio?
R | Do ponto de vista de receitas, nos próximos meses sabemos bem aquilo que vai entrar. Por exemplo, sabemos o que significa o jogo com o Chelsea e que receitas resultarão da pré-época. Os avisos de venda dos cativos serão lançados nos próximos dias e temos a expectativa de um aumento devido à conquista do título. A variável que não controlamos a cem por cento é a da adesão ao cartão. De qualquer forma, para chegarmos aos 300 mil, precisamos de vender mais 200 mil kits - partindo da base de quase cem mil sócios -, o que, dividido pelos cinco meses, dará 40 mil mensais. Os números que temos confirmam que isso é possível de atingir, mas essa tendência terá de ser confirmada nos próximos 15 dias, daí a referência do presidente.

P | Uma das opções da SAD passa pelo maior investimento no sector da formação. Para "alimentar" o plantel principal ou, principalmente, no sentido de gerar maiores receitas com transferências?
R | É a contar com os dois cenários. O Benfica, ao longo da sua história, teve grande capacidade de criação de valor através dos seus jovens jogadores, e o projecto que Luís Filipe Vieira lançou, sustentado por António Carraça, vai claramente nesse sentido. O Benfica tem de voltar a ser uma escola do ponto de vista de formação, que permita gerar, de uma forma permanente e regular, dois a três jogadores por época para o plantel principal, jogadores esses que depois permitam, se o Benfica assim o entender, gerar mais-valias do ponto de vista da venda. Efectivamente, há outros clubes em Portugal com uma história recente de maior sucesso nesse campo, algo para que olhamos e que nos serve como um dos exemplos a considerar, embora não o único, pois ainda recentemente tive oportunidade de visitar o Ajax e ver o que tem sido feito em termos de escolas por este clube.

P | Mas a aquisição de jogadores não ficará automaticamente excluída...
R | Logicamente que não. Contudo, temos de ter a noção que, para já, não temos a capacidade de investimento que têm alguns clubes ingleses e espanhóis, embora isso não signifique que não possamos fazer aquisições a um determinado preço, valorizar esses jogadores e voltar a vendê-los. O presidente tem insistido que é importante manter a estrutura-base do plantel, e é assim que queremos continuar. O plantel não pode ter dez jogadores a sair e outros tantos a entrar, mas é matéria que permite às sociedades, em determinados momentos, gerar mais-valias. Nunca diremos que vamos abandonar por completo a opção pela venda de jogadores, teremos antes condições para decidir quando o queremos fazer.

P | O regresso dos emigrantes para o período de férias é uma das expectativas encarnadas para o aumento do número de sócios, mas aqueles não terão a sedução dos descontos, visto que estes não se aplicam nos países onde vivem. Está em equação alguma forma de contornar esta situação?
R | Teremos de tratar três mercados que, na política de descontos, não estão bem defendidos: emigrantes, mulheres e crianças. No primeiro caso, temos iniciativas em curso no Luxemburgo, Suíça e Estados Unidos, no sentido de angariar algumas parcerias que terão necessariamente a ver com o comércio lusófono nesses países. Além disso, estamos a estabelecer acordos a nível local para que se possam pagar as quotas. No segundo caso, queremos que determinado comércio orientado para o sector feminino adira ao cartão. No terceiro caso, queremos que, em determinados produtos destinados a crianças, os descontos só possam ser dados a quem tenha a categoria de menor.

P | Depois do cartão de sócio, está também em curso o projecto do cartão de crédito...
R | O cartão de crédito vai avançar em Outubro. Será um produto completamente distinto, que queremos que venha a ter um retorno efectivo para os sócios, e que estará dependente da performance desportiva da equipa. Temos uma meta, em termos de retorno, que passa pela recuperação dos valores de quotas que o sócio paga. Temos um processo aberto com cinco entidades financeiras, temos as propostas em mão e estamos na fase de negociação e decisão.

O JOGO | Uma das iniciativas prevista pela SAD passava por proceder à renegociação do seu endividamento e também do da Benfica.Estádio. Qual é o ponto da situação neste capítulo?
DOMINGOS SOARES OLIVEIRA | Nesse âmbito, avançámos em dois passos. Numa primeira fase, imediata, fizemos a reestruturação do "project finance" pelos montantes actualmente em dívida às instituições financeiras. Recapitulando, o Benfica deve hoje, no âmbito da construção do estádio, cerca de 45 milhões de euros ao sindicato bancário que nos apoiou. Nesta primeira fase, os contratos que temos assinados, relativos ao "naming" - como das bancadas -, alguns contratos comerciais sobre camarotes e de rendas do espaço comercial foram entregues ao sindicato bancário - uma dação "pro solvendo" -, tendo este a certeza de receber essas verbas, enquanto nós antecipamos o prazo de pagamento de oito anos para seis. Esta parte está decidida e o contrato foi assinado hoje [ontem]. A segunda fase demora mais tempo porque envolve entidades internacionais, e trata-se de um cenário em que fazemos um processo de empréstimo que cobre a SAD e a Benfica.Estádio, e que apenas avançará quando as duas sociedades estiverem integradas - o que deverá acontecer no final do Verão. Nessa altura, vamos pegar na tal dação "pro solvendo" dos contratos, como ainda no endividamento que temos da SAD, e faremos um processo único com apenas uma entidade financeira - e por um prazo mais alargado.

P | Esse processo será um empréstimo de 150 milhões de euros, o valor do actual endividamento bancário?
R | O valor, neste momento, é esse, mas tem vindo a ser reduzido. Por exemplo, em relação ao clube, iniciámos o ano com cerca de 18 milhões de euros de dívida e a mesma baixou já para 13. Contudo, a isto acresce o endividamento associado à construção do estádio e outro da SAD, contraído ao longo dos últimos anos no âmbito do reforço do plantel. Com a antecipação da possibilidade de termos resultados positivos, parte deles serão utilizados para amortizar endividamento bancário. Com tudo isto, em Agosto/Setembro é possível que não tenhamos a necessidade de fazer uma operação tão ampla. No fundo, o endividamento passa a ser só a uma entidade, programado a dez ou 15 anos, por exemplo, o que permite aumentar a capacidade financeira do Benfica, porque os pagamentos anuais serão diferentes.

P | Está prevista a alteração da composição do capital social das sociedades do grupo Benfica?
R | O clube é accionista maioritário, de forma directa e indirecta, em todas as empresas do grupo, porque tem cem por cento da Benfica.Estádio, 40 por cento da SAD, directamente, e 15,5 por cento por via da SGPS. Essa posição de maioria do clube nas várias empresas não vai ser alterada. Na integração da Benfica.Estádio na SAD, o clube reforça a sua posição na SAD e os 55,5 por cento passarão a mais de 70 por cento. Não está nada previsto quanto à entrada de novos accionistas. Agora, à medida que a SAD se aproxima do "break even" e de resultados positivos, é natural que apareçam entidades a manifestar interesse do ponto de vista accionista. Ainda há dias uma entidade espanhola me perguntou se encararíamos com bons olhos a entrada de novos accionistas na SAD.

P | O aumento do capital social da SAD vai ser uma realidade imediata?
R | O Benfica não tem previsto o aumento de capital. Depois de arrumar a casa, e o presidente tem razão quando diz que ela está muito próxima de estar arrumada, é natural que haja ambição para uma nova dimensão e, portanto, é possível que então se avance para o aumento de capital, entrada de novos accionistas ou venda de participações. Talvez em Outubro se comece a falar de movimentos na estrutura accionista da SAD.

P | Nesse sentido, a cotação da SAD na bolsa de valores não é ainda um objectivo decidido?
R | Não há nenhum plano nesse sentido, embora me pareça natural seguir esse caminho a médio prazo. Temos cumprido uma série de pressupostos nesse âmbito, e que nos permitiria já estarmos na Bolsa.

P | Em que moldes será lançado o canal de televisão do Benfica?
R | De momento, ainda estamos a analisar as três propostas que recebemos para avançar com o canal de televisão, que será feito pelo Benfica sem qualquer investimento, mas com um retorno que lhe permita investir nas suas infra-estruturas. Está definido que será uma parceria a dez anos, e o valor que pretendemos de retorno é de 1,5 milhões de euros.

P | Quando começará a emitir?
R | Nesse âmbito, tenho de corrigir uma informação que foi tornada pública. Tecnicamente, o canal pode ir para o ar em três meses, mas não é essa a nossa intenção. Ficaremos satisfeitos se isso acontecer até final do ano.

P | O facto de a PT ser um dos principais parceiros do Benfica poderá permitir que o canal seja viabilizado através da TV Cabo?
R | Privilegiamos os parceiros que apostaram no Benfica desde sempre. A PT é, claramente, o nosso maior patrocinador, e não podemos deixar de considerar que também poderá ser um parceiro nesta área, como também no projecto do novo cartão de sócio.

P | A renegociação da dívida com a Somague também era um dos objectivos do Benfica para este exercício. Já está em vigor o novo acordo?
R | Chegámos a acordo com a Somague no início do ano para um pagamento a cinco anos, que começou a ser liquidado a partir de Março. A dívida ascende a 19 milhões de euros. No acordo, estão previstas entregas de receitas adicionais da Benfica.Estádio, como títulos fundador, bilhetes de época, entre outras.



sexta-feira, junho 24, 2005

Renovação de Ricardo Rocha avança para a semana
Petit já renovou até 2010 e para a semana deverá ser a vez de também Ricardo Rocha receber uma proposta semelhante. O defesa encontra-se de férias, fora do País, mas já tem em agenda uma conversa decisiva com o director-geral do clube, José Veiga. Existem interessados no passe do central, mas Rocha deve continuar a vestir de vermelho, ele que começa a tornar-se num dos jogadores mais carismáticos do plantel. Luisão também está próximo do entendimento para assinar até 2011.
Tem mais dois anos de compromisso com o Benfica. Mas já deixou bem claro, na SAD encarnada: pretende um contrato melhorado ou então prefere sair para jogar num clube estrangeiro. Foi neste contexto que Ricardo e José Veiga agendaram uma conversa definitiva para o final das férias. O jogador está fora do País e regressa na próxima semana a Lisboa, altura em que deve receber a proposta para renovar contrato até 2010, com ordenados mais altos e de acordo com os valores que pretende. Ricardo é um dos jogadores mais carismáticos do plantel, de quem os adeptos muito gostam e cujo profissionalismo e empenho é reconhecido, por todos, no clube. É com base nestes argumentos e no talento do defesa que o Benfica fará um esforço para chegar a acordo.

Ecos de Espanha e Rússia

Não está, todavia, colocado de parte o cenário de uma transferência. Ricardo Rocha tem mercado. Durante a época foram vários os clubes que demonstraram interesse em contratá-lo. De Espanha e da Rússia chegam os ecos mais consistentes, embora nesta altura seja mais provável a continuidade na Luz. Luisão, outro dos defesas-centrais da águia, também negoceia a continuidade e esta semana deve assinar contrato até 2011. Nesta caso, o Benfica tenta comprar a totalidade do passa do internacional brasileiro e está perto de o conseguir. Recorde-se que, além de Rocha, para a posição de central o Benfica tem ainda Alcides, Anderson e André Luís. Destes cinco um sairá. Os candidatos mais fortes são André Luís ou Rocha.

DEDÊ pressiona Dortmund
Dedé está entusiasmado com o Benfica e admite pressionar o Borussia Dortmund para facilitar a saída. Dedé pretende que o seu clube seja mais flexível no que ao valor do seu passe diz respeito. Essa seria a única maneira do Benfica contratar o lateral-esquerdo, já que os 10 milhões de euros para a rescisão é uma cifra que os encarnados nem sequer equacionam gastar.
A primeira abordagem do Benfica foi coroada de sucesso: convencer o jogador a mudar da Alemanha para Portugal. O Benfica sabia que tendo o jogador por aliado seria mais fácil convencer o Dortmund a baixar a fasquia. Resta saber se será suficiente, já que se é verdade que o Dortmund tem alguns problemas financeiros, não é menos que está já em marcha um plano de recuperação que poderá retirar pressão para a venda. O facto de Dedé ser considerado o melhor lateral-esquerdo da BundesLiga é argumento de peso para o clube alemão se mostrar pouco receptivo a ceder. Por isso, a SAD do Benfica espera que o jogador dispare as primeiras munições de desgaste. O que vai acontecer na próxima semana, quando o jogador deixar o Brasil, onde goza férias (Belo Horizonte). Dedé vai dizer ao Borussia Dortmund que gostava de mudar para um país onde se sentirá quase como no Brasil e que a possibilidade de disputar a Liga dos Campeões o seduz sobremaneira. O Dortmund até poderá compreender, o problema é qual o grau de flexibilidade que demonstrará quando chegar a hora de falar de dinheiro. O Benfica esperará pois até ao final da próxima semana para saber se tem ou não condições para avançar para Dedé. De momento, os números da operação não merecem aprovação. Ou baixam significativamente ou terá de se avançar noutra direcção. Existe uma lista para o lado esquerdo, é natural até que outros nomes já tenham sido sondados pelo Benfica, no sentido de economia processual.

Disse que um dia voltaria
A história de Fernando Chalana confunde-se com a história do Benfica. Foi um dos mais talentosos jogadores que o clube já acolheu e talvez seja por isso que quando o presidente Luís Filipe Vieira lhe telefonou, a dizer que pensavam nele para adjunto de Ronald Koeman, nem tenha dormido até o contrato estar assinado. Voltaram os dias de felicidade.

— Quando saiu do Benfica, há dois anos, partiu triste?
— Senti uma dor muito forte. Chorei antes de me ir embora, na reunião que tive com Luís Filipe Vieira. Disse-lhe que um dia voltaria a este clube, que só não sabia qual era esse dia. Não esperava que fosse tão rápido.
— O que sentiu no dia do regresso a casa?
— Quando recebi o telefonema de Luís Filipe Vieira senti uma alegria enorme. Não esperava que isso me fosse acontecer nesta altura. Eram 11.30 horas, estava no mercado a comprar peixe e comuniquei à minha mulher que era o presidente do Benfica a convocar-me para uma reunião. Fiquei tremendamente ansioso, dormi muito pouco e sai do Algarve às 6.30 manhã, rumo ao Estádio da Luz.
— Reunião rápida?
— Cheguei mais cedo do que o combinado. Falei meia hora com José Veiga, depois com Simão e andei a ver as instalações. O presidente chegou, entrámos para a sala e o acordo foi fácil.
— Que conversa teve com Simão?
— Quando me viu deu-me os parabéns. Estava contente com o meu regresso. Depois falámos um pouco antes de ele ir treinar e perguntou-me se ainda estava em forma para jogar umas peladinhas. Foi uma brincadeira engraçada.
— Esteve na Luz como treinador do Oriental. Foi uma grande emoção?
— Antes do jogo, foi fantástico ver o cartaz dos adeptos a dizer que era bem-vindo. Fui muito bem recebido e fiquei tremendamente emocionado. Aqueles minutos em que pisámos o relvado, olhámos para cima e vimos as imagens nos ecrãs gigantes... foram arrepiantes. Durante o jogo falou mais alto o profissionalismo do treinador... do Oriental. Fiquei triste por não ter vencido.
— Chega para trabalhar com o treinador de quem se disse que não queria trabalhar com alguém português. Sente que isso pode esvaziar as suas funções?
— Julgo que isso não corresponde à verdade. Sou mais um para ajudar o treinador principal e, sobretudo, o Benfica.
— Liga dos Campeões é algo possível?
— No futebol tudo pode acontecer.
— Como combater aqueles monstros do futebol? Os milhões do Chelsea, do Barcelona, etc...
— É complicado responder, mas lembro-me que há uns anos fomos a duas finais da taça dos Campeões Europeus e esses milhões já existiam. Com maior ou menor dificuldade, chegámos lá.
— Nessa altura havia mais talento no Benfica...
— Olhe que não. Lembro-me que o plantel que foi dirigido pelo Toni nem era muito forte e fomos à final com o PSV. Mesmo com Erikson, quando defrontámos o Milan, não era um Benfica assim tão forte. Quem trabalha bem e com qualidade pode sonhar chegar muito longe.
— O Chalana confunde-se muito com o Benfica. Isso não pode fazer com que o seu horizonte não vá além do Estádio da Luz?
— É capaz de ser assim, mas temos de viver o momento. O futuro responderá a todas as dúvidas. Tenho quase 50 anos e o Benfica continua a mexer muito comigo. Temos de viver com os pés bem assentes na terra e olhar em frente, é só assim que sei viver. Sinto força para fazer tudo o que for possível para que o próximo treinador olhe para mim e sinta orgulho de me ter ao seu lado. É desta forma que eu penso e continuarei a pensar.

Quero ficar no Benfica!
Diego jogou 45 minutos na final da Taça do Brasil e chorou na hora de dizer adeus ao Fluminense. O jogador, já contratado pelo Benfica, afirma que vem para conquistar um lugar na Luz. Encara com naturalidade a hipótese de ser emprestado, mas pede que pelo menos lhe dêem uma oportunidade para mostrar o seu valor.
«O meu desejo é ficar e jogar no Benfica», esclarece o internacional sub-20 brasileiro em conversa com A BOLA. Diego reage com tranquilidade, mas algum desconforto, às notícias que chegam de Portugal e dizem que será emprestado a outro clube ou jogará na equipa B da Luz. «Tenho contrato assinado há muito tempo e só espero ordens do Benfica para embarcar. Não tenho de opinar sobre o que pensa o clube. Considero-me jogador do Benfica e só tenho de me apresentar. O meu desejo é chegar ao Benfica e jogar. Quero ficar e jogar e vou fazer tudo para conseguir isso. Basta que me dêem oportunidades. Até posso ser emprestado, mas primeiro quero uma oportunidade.» Diego vai trazer para Lisboa a família e está muito entusiasmado com o novo desafio que o espera em Portugal e no clube. «Só conheço o Benfica de o ver jogar, mas falei com Abel Braga e já sei que é um clube grandioso e que, portanto, me estimula muito para continuar a carreira.»

Oficialmente no mercado
Apesar de ainda ter mais três anos de contrato com os encarnados, Paulo Almeida vai ser obrigado a interromper a sua aventura europeia. O médio já recebeu de José Veiga a comunicação de que não fará parte do plantel de Ronald Koeman e foi aconselhado a procurar clube no seu país. O empréstimo é o primeiro cenário, embora não esteja fora de hipótese a desvinculação no futuro próximo.
Não foi nada feliz a sua primeira experiência na Europa. Paulo Almeida abandonou o Santos na época passada, a custo zero, transferindo-se para o Benfica a conselho de José Antonio Camacho. Assinou um contrato de quatro épocas, subiu vários patamares na vertente financeira mas em termos desportivos foi um ano frustrante, exceptuando o facto de ter integrado um plantel que se sagrou campeão nacional. Paulo Almeida jogou apenas seis jogos na SuperLiga (três a titular), um na Taça de Portugal, oito nas competições europeias e a Supertaça de Portugal, frente ao FC Porto. Números escassos que se devem ao sub-rendimento do internacional sub-21 brasileiro. Por isso, a conclusão desta história é simples: José Veiga já comunicou ao jogador que não faz parte do plantel para a próxima época, aconselhando-o a procurar clube, preferencialmente no Brasil, onde tem mercado. O empréstimo é a hipótese mais forte, mas a desvinculação no futuro é outro cenário em aberto.



quinta-feira, junho 23, 2005

Acabaram-se as manifestações a favor de Moreira
Quim abriu o coração para falar dos «dias maravilhosos » que tem vivido no Benfica. Com a mesma segurança que mostra entre os postes, não escondeu que sentiu dor nos momentos em que pisava o relvado e via os seus adeptos—aqueles a quem tanto pedia apoio — clamarem pelo regresso de Moreira à baliza. Foi com garra de gigante que diz ter vencido essa guerra e sente que valeu a pena por ter passado por um dos dias mais felizes da sua vida, que foi a celebração do título.

Ganhou o título logo no primeiro ano em que vestiu de vermelho. Quim é um homem realizado, mas continua ambicioso— Quim chegou à Luz e foi campeão logo no primeiro ano. Que sentimentos lhe provocou o fim do longo jejum de 11 anos?
— É lógico que foi sensacional. Nunca senti nada assim. Ou melhor, alegria maior só quando nasceu o meu filho. Poucas pessoas têm o privilégio de chegar onde sempre sonharam e terem imediatamente sucesso.
— Em que aspecto estas mudanças mudaram a sua vida?
— Sem dúvida que me sinto um homem diferente. Não tinha títulos e logo no ano que cumpri o sonho de chegar a um grande ter ganho o campeonato foi fabuloso. Talvez a palavra inesquecível seja amais indicada...
— É difícil para um jogador viver sem títulos?
— É muito complicado. Nestas coisas a ambição é muito importante. Jogar num clube como o Sp. Braga e lutar quase só para não descer não é fácil. A vida torna-se sofrível. No Benfica a meta é ser campeão e jogar na Liga dos Campeões e isso é muito mais aliciante. Felizmente que cheguei aqui e lá estarei nesse grande palco que é a Liga dos Campeões
— Por vezes vemos jogadores talentosos chegarem a um grande clube e falharem devido à pressão. Como é que o Quim lidou com essa necessidade de vencer no Benfica?
— Não acusei minimamente o salto e essa pressão de que tanto se fala. Felizmente que represento a Selecção desde os 14 anos e isso terá facilitado a minha vida. Mas é verdade que o Benfica é um clube diferente e iria mentir se dissesse que no primeiro ou no segundo mês me senti como em Braga. Foi difícil, mas rapidamente tudo regressou ao normal. A ambientação até foi fácil.
— Esteve muitos jogos no banco e mesmo quando passou a titular os adeptos pediram o regresso de Moreira. Foi duro?
— Quando cheguei à Luz sabia perfeitamente com o que contava. Sabia que tinha de lutar com um guarda-redes que toda a massa associativa adorava, com um verdadeiro ídolo dos adeptos. Senti que poderia ser difícil jogar, mas sinceramente isso nunca me preocupou, pois sabia que tinha talento.
— Não terá sido agradável...
— Claro que não. Mas o importante é que trabalhei muito e bem e pensei a minha hora chegaria. As pessoas que me puseram essa pressão em cima — admito que isso aconteceu e que foi complicado ver os adeptos do meu clube pedirem que eu saísse sem que tivesse cometido o mínimo erro — deixaram de ter essa atitude. Viu-se que de jogo para jogo as coisas voltaram ao normal e no fim da época esses cartazes foram desaparecendo. Acabaram as manifestações a favor de Moreira...

As quinas são nossas e isso dói a muita gente
Os jogadores do Benfica não aceitam que se diga que os encarnados são um campeão menor. Em resposta às opiniões de Pinto da Costa, presidente do FC Porto, e Dias da Cunha, seu homólogo do Sporting, Quim defende que teve sucesso quem mais lutou para isso e lá vai dizendo que a dor dos seus adversários até lhe fazem bem à alma.

— O Benfica foi campeão, mas muita gente, como Pinto da Costa e Dias da Cunha, disseram que acabou por sê-lo sem grande mérito. O que sentiu quando ouviu essas opiniões?
— Temos de respeitar o que dizem, mas para o ano somos nós que teremos as Quinas de campeão no braço. Isso dói a muita gente mas têm de saber conviver com o fracasso das suas equipas e com o nosso sucesso. Não concordo minimamente com o que disseram, mas o importante é que só nós podemos dizer que somos campeões. Bem ou mal...
— Mas a época não fica marcada por grandes exibições...
— Jogámos muito bem em vários jogos. Houve até alguns em que estivemos bem demais e acabámos por perder. O futebol é assim, não é nenhum drama. Provavelmente até nem foi um campeonato com grandes jogos, mas fomos os mais regulares, somámos mais pontos e somos campeões com inteira justiça. Ideal teria sido aliar grandes exibições a vitórias, mas quando isso não foi possível os pontos foram o mais importante. Fomos os mais fortes, disso ninguém pode duvidar.
— Dizia-se que o Benfica era uma equipa super-defensiva. Isso deu-lhe trabalho suplementar?
— Não era, lá está essa e ideia errada de novo. Nem pensar. Em alguns jogos, como frente ao Beira-Mar, na Luz, a bola foi à minha baliza duas ou três vezes e acabei por perder quase sem tocar na bola. Essa é a prova que não éramos tão defensivos como se diz. Quando passo um jogo inteiro sem tocar na bola é porque a equipa está ao ataque...
— Como Benfica campeão a responsabilidade é maior?
— Provavelmente aumentará um pouco. Temos de pensar que vai começar tudo de novo e prepararmo-nos para a guerra. No Benfica a história é a mesma de todos os anos: Ser campeão é uma obrigação. É um desafio importante para mim porque estive muitos anos sem ganhar nada e isso é que dói mais. Gostei da festa e quero repeti-la.
— Na recta final do campeonato foi decisivo o estádio estar quase sempre cheio?
— Quando estão 20 ou 30 mil pessoas na Luz é muito complicado, parece que o estádio está vazio. Nas últimas jornadas tivemos o privilégio de jogar com o estádio completamente cheio e esse foi o empurrão que precisávamos.
— Curiosamente, viu o seu ex-clube, o Sp. Braga, na luta pelo título. O que sentiu?
— Ninguém pode ficar surpreendido com isso. Já na época anterior tinham ficado em quinto lugar. Naquele plantel havia talento, reforçaram-se bem e isso fez com que se tenham tornado muito fortes. Fiquei feliz com a época que fizeram. Que bom seria se o Benfica fosse campeão e o Sp. Braga ficasse em segundo...
— Espera sentir grandes diferenças entre os métodos de Trapattoni e Ronald Koeman?
— Não sei como Koeman trabalha. Todos os treinadores são diferentes e nós temos de nos adaptar a eles e não o contrário. Não dou grande importância a isso.
— O facto de Koeman ter um passado tão rico no futebol pode beneficiar de alguma forma os jogadores?
— Com certeza que o seu currículo e a experiência que foi adquirindo ajudarão a transmitir-nos algo de bom. Aprendeu muito com grandes treinadores e agora chegou o momento de nos transmitir esses ensinamentos. Será um prazer enorme trabalhar novamente com um campeão.
— Fala-se muito da união do plantel do Benfica. Era assim tão grande?
— Era! Encontrei um grupo em que todos remavam para o mesmo lado. Quando perdíamos o grupo não se desunia, como acontece muitas vezes e isso foi um grande passo para a conquista do título. Nas horas mais difíceis juntávamo-nos e essa espécie de terapia de grupo foi benéfica. Se tivesse de haver um jantar ou uma reunião... lá estávamos todos. Foi por isso que o ano passado foi tão extraordinário.
— A Liga dos Campeões será muito exigente. Terá o Benfica condições para chegar longe?
— Sem dúvida que será uma época mais exigente para nós. Poucos jogadores do Benfica têm experiência de jogar uma Liga dos Campeões e sabemos que não será fácil. Apesar disso, este plantel tem muita qualidade e podemos fazer uma boa campanha. Era importante para os jogadores e fundamentalmente para o clube.
— É fundamental ao Benfica comprar muitos jogadores?
— O presidente e o treinador é que têm de se preocupar com isso. Quem vier será bem vindo, mas terá vida difícil porque o plantel tem uma qualidade muito grande. É evidente que seria importante contratar dois ou três jogadores que sejam mais-valias e isso está a ser tratado. Vamos aguardar... com a maior confiança possível.

Mostrem o que é ser benfiquista
O presidente do Benfica quer que todas as casas do Benfica se empenhem não só na venda do cartão de sócio como na angariação de parceiros comerciais locais para darem descontos. Agora é que quer ver quanto vale o braço armado do Benfica. Agora quer medir o benfiquismo, de norte a sul.

Luís Filipe Vieira continua a afirmar que esta é a hora da verdade para os sócios se assumirem como talLuís Filipe Vieira socorreu-se ontem do exemplo de um benfiquista para tentar contagiar todos, de norte a sul, em especial os presidentes de casas do Benfica. Falamos de Paulo Santos, dono do restaurante As Descobertas, em Leiria. Ali se deslocou ontem o presidente encarnado não só para assinalar o aumento dos preços das refeições, congelados há oito anos à espera do Benfica campeão, como para agradecer ao fervoroso benfiquista o empenho na promoção do kit de cartão de sócio, ao nível dos descontos e de angariar parceiros comerciais locais. "É importante que as casas do Benfica espalhadas pelo País sigam este exemplo. É que além dos parceiros nacionais e estratégicos, os parceiros regionais são muito importantes e esses passam muito pelas casas do Benfica. Se se envolverem neste processo de angariação de parcerias regionais, o cartão de sócio do Benfica, neste caso sócio correspondente, será amplamente pago pelos descontos e ainda com lucro". Luís Filipe Vieira fez um claro repto aos presidentes das quase duas centenas de casas espalhadas pelo País: "Cada um deles tem hoje uma missão. E uma grande oportunidade de mostrar o que quer para a sua própria Casa e para o próprio Benfica. As pessoas têm oportunidade de demonstrar o que é ser benfiquista, trabalhando em prol do Benfica. Não é trabalhar só para uma inauguração de uma Casa ou quando o presidente do Benfica vai lá. É trabalhar diariamente em prol do Benfica." No fundo, está na hora de mostrar se tem munições para atingir os objectivos do Benfica. "Os actos vão provar se hoje as casas do Benfica estão mesmo com o Benfica. Se querem trabalhar em prol do clube ou se querem ter uma casinha. Se todos entenderem a mensagem e seguirem o exemplo do Paulo Santos o cartão do Benfica será um sucesso enorme", vaticinou.

Só faltam 175 mil

"Não tenho dúvidas de que vamos atingir o número dos 300 mil sócios. Quem conhece a família benfiquista sabe que ela percebeu o apelo do Benfica. Repito: o apelo do Benfica, não do Luís Filipe Vieira. " E o apelo é muito simples e será repetido até à exaustão: "Esta é a oportunidade dos benfiquistas se pronunciarem se querem um Benfica muito grande ou um Benfica pequenino." O presidente do Benfica mostrou-se "feliz" pelo ritmo de venda de cartões de sócio. "Já tínhamos cerca de 100 mil quando lançámos o kit. Já vendemos mais de 25 mil kits, só faltam 175 mil" até atingir a fasquia a que se propôs. A data limite é Outubro. "Em breve vão ser co-parceiros estratégicos", revelou ainda Filipe Vieira. Não anunciou nomes mas acredita que serão o impulso decisivo para que o processo de venda do cartão entre em velocidade de cruzeiro. Resta que em todo o País haja benfiquistas que montem redes locais de parceiros que ofereçam descontos. Luís Filipe Vieira continua entusiasmado.

Dentro de dois anos posso ser campeão europeu
Fez anteontem uma curta viagem a Lisboa para renovar o seu contrato com o Benfica até 2010 e ontem já estava de volta ao Algarve. E foi no regresso à companhia dos filhos que Petit confessou a A BOLA a felicidade por ter chegado a acordo com a SAD, traçando, desde já, os grandes objectivos: renovar o título de campeão nacional e vencer a Liga dos Campeões. «Com o projecto que está em marcha penso que isso será possível dentro de dois a três anos», diz. Ambição é coisa que não falta.

Queria o contrato da sua vida e conseguiu-o. Queria ficar muitos anos no Benfica e conseguiu-o. Queria fazer parte de um projecto ganhador e acredita que pode consegui-lo. Que melhores férias poderia ter Petit? «Estou, de facto, muito feliz», foram as primeiras palavras do médio a A BOLA a propósito da renovação contratual anunciada por Luís Filipe Vieira, anteontem à noite. Consuma-se, desta forma, uma ligação profissional e afectiva do internacional português ao emblema de águia, de tal forma que Petit não imagina jogar em mais lado nenhum até ao final da carreira. «Quando acabar o meu contrato terei 33 anos e depois disso logo se verá, mas gostava de ficar ainda mais tempo e terminar o meu percurso profissional no Benfica», frisou, começando também a mentalizar-se de que terá maiores exigências dentro da equipa. Dentro e fora do campo: «Sei que aumentam as responsabilidades mas estarei pronto para isso e para muito mais, porque começo a ser dos jogadores mais velhos e com maior currículo. Será meu dever explicar aos jogadores que chegam a mística do Benfica, mostrar-lhes o espírito de campeão, uma vez que não é fácil para um atleta transferir-se para este clube e aguentar a pressão de milhões de pessoas.» Adeptos têm de nos ajudar a crescer Luís Filipe Vieira nem precisa encomendar aos jogadores o discurso. O grande objectivo do presidente dos encarnados passa pelo aumento do número de sócios até aos 300 mil (para já...) e quando perguntámos a Petit qual o grande objectivo que traça para os próximos cinco anos de contrato, pegou na luta de Vieira para explanar um raciocínio muito concreto: «Quero revalidar o título de campeão nacional e ganhar a Liga dos Campeões. Penso que isso será possível dentro de dois a três anos porque acredito no projecto do presidente. Mas isso depende, também, da nossa massa associativa, uma vez que devem aderir ao novo cartão de sócio. Se as coisas correrem bem o Benfica poderá ser ainda maior. E a partir daí ganharemos muitas coisas.»



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