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terça-feira, maio 31, 2005

Trapattoni diz hoje adeus
Giovanni Trapattoni marcou para hoje uma conferência de imprensa mas o teor da conversa que pretende manter com os jornalistas já não é segredo. Apesar da esperança que há semanas deixa no ar, o treinador italiano dirá adeus aos benfiquistas e ao clube que tornou campeão, após 11 anos a esfregar as mãos e a dizer é para o ano. O destino português de Trap foi coroado de sucesso, poliu o orgulho da águia e enriqueceu um currículo que coloca a velha raposa no restrito lote de técnicos vencedores de três campeonatos em diferentes países da Europa.

Termina hoje. A BOLA está em condições de garantir que Giovanni Trapattoni não será o treinador do Benfica na próxima época e prepara-se para anunciar a decisão aos benfiquistas, depois de já a ter comunicado aos dirigentes. Durante algum tempo o técnico deixou no ar a possibilidade de continuar, porque tem «o Benfica no coração » e também porque o seduz a ideia de treinar a equipa encarnada na Liga dos Campeões. Por outro lado, explicou sempre que teria de falar com a família para ver qual a melhor solução, afirmou sempre que sentia saudades da mulher e dos netos, que tinha, enfim, saudades de casa. O apelo de Itália foi intenso e a velha raposa vai mesmo dizer adeus, para continuar a sua carreira no país que o viu nascer para um trajecto notável no mundo do futebol. Tem hipótese de se tornar, brevemente, treinador da Lazio e a Roma também lhe pisca o olho. Ainda não há certeza, além daquela que coloca o seu destino longe da Luz. Giovanni Trapattoni marcou para sempre o Benfica, fez dele campeão nacional após 11 anos de jejum. Tornou-se, ao mesmo tempo, um dos únicos treinadores que conquistaram campeonatos em três países europeus (Itália, Alemanha e Portugal), os outros foram Béla Guttmann, Lajos Czeiler,Max Merkel, Sven-Goran Eriksson, Christoph Daum e Vujadin Boskov.

Pagadores de promessas
Miki Fehér partiu do mundo dos vivos há quase ano emeio. Porém, a sua memória segue viva, bem viva, na nação benfiquista. Ontem, ainda a remoer as agruras da derrota na Taça de Portugal, o grupo de trabalho encarnado, jogadores, técnicos, dirigentes e funcionários, dos roupeiros à «tia» Anabela que, trata dos pequenos-almoços, rumaram ao coração da Hungria com uma missão «sagrada». Dizer a Miki Fehér que ele também tinha sido campeão pelo Benfica...

Sete e um quarto da manhã, no Aeroporto da Portela. Caras fechadas, ou não se fizesse sentir o peso do desaire da véspera frente ao V. Setúbal e muitas olheiras, a noite tinha sido mal dormida e o despertar demasiado brusco, eis que chegam os jogadores do Benfica, os novos campeões nacionais, acompanhados pela versão mais alargada do grupo de trabalho encarnado. Cerca de uma hora volvida, o Boeing 737 da Euro Atlantic ganhava altura rumo ao aeroporto internacional de Budapeste onde aterraria três horas e meia depois. O objectivo da viagem, cumprir a promessa feita sobre a campa de Fehér de regressar a Gyor com o título nacional conquistado, estava mais perto de ser conseguido. No avião, as conversas não foram muitas e enquanto alguns jogadores passavam o tempo a ver DVD’s, outros acertavam contas com o sono. Só faltaram Luisão, Fyssas, Karadas e João Pereira, a contas com trabalhos de selecção, enquanto que Zlatko Zahovic (a estudar para ser treinador!), também ele campeão pelo Benfica, se juntou aos seus excolegas nesta viagem longa, extenuante mas, sobretudo, de enorme carga emocional. A chegada a Budapeste provocou enorme reboliço, as TV’s e restantes media não largavam o Benfica, com Trap, Simão e Nuno Gomes a funcionarem como cabeças-cartaz. E que dizer do calor de mais de 30 graus que esperava a comitiva encarnada? Uma desagradável surpresa, para um dia de emoções fortes! Gyor, onde Miki Fehér cresceu, dista 160 quilómetros de Budapeste e a viagem foi feita em hora e meia, uma vez que, apesar da excelente auto-estrada que liga as duas cidades, na Hungria cumprem-se os limites de velocidade...

Intenso, muito intenso

Quem entra em Gyor, sente-se recuar no tempo, as casas alinhadas e cuidadas, as pessoas a passearem tranquilamente e o stress a não fazer, pura e simplesmente, parte do quotidiano. No cemitério, paredes meias com uma torre de telecomunicações futurista, que contrasta com a pacatez do burgo, uma pequena multidão aguardava a chegada do Benfica. À cabeça, vestidos de preto, Anniko e Miklós, pais de Miki Fehér, lavados em lágrimas mal deram de caras com a filha, Oshy, que fez a viagem desde Lisboa. Era a hora da verdade, o reencontro dos benfiquistas com o amigo precocemente desaparecido estava iminente e as emoções deixaram de ser controladas. Ainda antes de entrarem no cemitério, Luís Filipe Vieira, José Veiga, Paula Pinho e os jogadores do Benfica, cada um e todos com os olhos marejados de lágrimas, cumprimentaram os pais de Miki. Depois, em romaria, seguiram as coroas de flores que tinham chegado de Lisboa, que embelezariam a última morada do eterno 29 do Benfica. Trapattoni, que não trabalhou com Fehér, estava nitidamente emocionado e uma e outra vez confessou-se incapaz de formular qualquer opinião sobre o piedoso acto a que assistia. Com toda a equipa do Benfica abraçada em torno da campa de Miki, uma imagem vista durante o velório, na Nova Catedral, e depois, no dia do funeral, em Gyor, Luís Filipe Vieira, voz embargada e lágrimas a correrem pela face rude, explicou as razões da presença encarnada na Hungria. «Prometemos e aqui estamos a entregar a Miki o título nacional e a Taça da última época », disse, comovido. Seguiram- se algumas palavras pelo padre Delmar Barreiros, que defendeu que quem morre com um sorriso no rosto, como aconteceu a Fehér, tem de estar ao lado de Deus... Foi então que os jogadores de uniram ainda mais, num abraço apertado e cortaram o silêncio do cemitério de Gyor com um grito, a uma voz, arrepiante: «Miki!» E, como se tivessem perdido a força, aí se deixaram ficar, à volta da campa do camisola 29, em oração e lembrança. Uma cena que quem viu jamais esquecerá, a campa repleta de flores e outras oferendas e uma camisola dos novos campeões nacionais, mais um cachecol do Benfica, de vermelho berrante — as «papoilas saltitantes » da inspiração de Paulino Gomes Júnior — a lembrar a cor do jersey benfiquista que Miklós Fehér envergava, naquela noite fatídica de 25 de Janeiro de 2004, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.

Missão cumprida

Antes de regressar a Budapeste, a comitiva benfiquista fez mais uma paragem, na casa-museu de Miki Fehér, que funciona paredes-meias com o restaurante dos pais do malogrado jogador. Foi tempo para alguma descompressão, para visitar todas e cada uma das salas que são capítulos da vida de Miki e para toda a gente ter oportunidade de mostrar carinho, ternura e solidariedade aos pais e à irmã do internacional húngaro. Às cinco e meia da tarde, a comitiva abandonou Gyor e duas horas depois voava para Lisboa, onde aterrou já passava das dez da noite. Em15 horas «à Benfica», a família encarnada pagou a promessa que fizera a Fehér. E, no regresso, já não se via tanto cansaço no rosto dos jogadores campeões nacionais. A visita à última morada do amigo que já partiu, fez bem à alma dos craques encarnados. Cada uma a sentir que tinha cumprido bem o seu dever. E que era digno de continuar a gritar «Miki!» antes de entrar em campo. Se, como diz Richard Bach «não há longe nem distância », a memória de Miklós Fehér acompanhará sempre o Benfica. Seja onde for. É disto que são feitos os mitos...

3 propostas para Miguel
Real Madrid, Juventus e Inter já apresentaram propostas para a compra do passe de Miguel.

A SAD pondera a resposta, mas é quase certo que o lateral-direito irá envergar outra camisola na próxima época. A SAD já recebeu três propostas para a cedência do passe de Miguel, apresentadas por três dos maiores colossos do futebol europeu: Real Madrid, Milan e Inter de Milão. Os números não foram tornados públicos, mas são suficientemente credíveis para levar a SAD a ponderar sobre a proposta que mais satisfaz as aspirações do clube. Luís Filipe Vieira gostaria de manter todas as unidades nucleares no plantel, mas, como o próprio Luís Filipe Vieira admitiu na entrevista concedida à TVI a semana passada, o Benfica precisa fazer 10 milhões de euros para saldar compromissos. Alcançar esse objectivo passa por vender pelo menos um jogador. A saída de Miguel poderá, inclusive, abrir portas à continuidade de Luisão, jogador que tinha como segura uma transferência no final desta época.

Manter os melhores

Face à firmeza do interesse manifestado pelos dois clubes italianos e o mais emblemático clube espanhol, tudo aponta, pois, para que seja Miguel a preencher a tal quota de jogadores transferíveis que o clube pretende institucionalizar, anualmente, de modo a obter receitas que lhe permitam encarar a temporada sem sobressaltos. Se Miguel for negociado para o estrangeiro, dificilmente a estrutura que superintende o futebol benfiquista permitirá a saída de outro elemento do plantel, já que é política da SAD evitar que se repitam situações do passado, quando saíam inúmeros jogadores no final de cada época, para dar lugar a igual número de reforços. Renovado o contrato de Mantorras, não existe neste momento nenhum jogador do plantel em final de compromisso, prevendo-se apenas que Petit e Ricardo Rocha obtenham melhorias salariais nos contratos, que seriam prorrogados até 2010. Para a SAD, este é o caminho certo.

Filipe Vieira não desiste de Luisão
Luís Filipe Vieira continua empenhado em manter Luisão no plantel durante a próxima temporada, tendo consciência de que não será fácil se aparecer uma boa proposta. O inter de Milão mostrou interesse e avançou de forma determinada, mas o negócio ainda não está concretizado e a esperança encarnada mantém-se acesa. A SAD benfiquista já detém 25 por cento do passe do defesa-central brasileiro e está, nesta altura, a tentar comprar mais 25, de forma a poder exercer maior pressão para que o jogador continue na Luz, ele que foi considerado um dos líderes e bons valores da equipa durante a época. Luís Filipe Vieira tem boas relações com o empresário do jogador, Giuliano Bertolucci, e este pode ser um dado importante neste processo. Bertolucci esteve recentemente em Portugal e é natural que tenha falado com o Benfica sobre o futuro de Luisão. Certo é que Filipe Vieira tudo fará para manter um atleta que foi, sem dúvida, um dos pilares da equipa que se sagrou campeã nacional.



segunda-feira, maio 30, 2005

Benfica 1 - Setúbal

4m
1-0 por Simão. Geovanni internou-se na área pela meia direita, Moretto saiu-lhe ao caminho e do contacto entre os dois resultou, no entender do árbitro, falta do guarda-redes merecedora de penalty. Simão, tranquilo e com a paradinha da ordem, colocou rasteiro junto ao poste direito

Arbitragem

PAULO COSTA
Primeira final da Taça para este internacional do Porto. Trabalho positivo, apesar de ficar a dúvida no lance do penalty assinalado sobre Geovanni e de um ou outro erro de menor impacto.

Sala de Imprensa
GIOVANNI TRAPATTONI era um homem triste naquela que poderá ser a sua última conferência de imprensa enquanto treinador do Benfica. O italiano revelou que se "perdeu uma grande oportunidade de conquistar a dobradinha [vitória no campeonato e Taça]", principalmente porque a sua equipa apareceu no Jamor com "falta de energia". Trapattoni chegou ao Jamor determinado em somar ao seu currículo a Taça de Portugal depois de ter conquistado um título histórico ao serviço do Benfica. Ideia reforçada pouco tempo depois de Paulo Costa ter apitado para o início do encontro. "Estavam apenas decorridos três minutos e tivemos a grande oportunidade de nos adiantarmos no marcador. Quando Simão fez 1-0 de grande penalidade todos pensámos que iríamos ter uma excelente tarde", disse. O que se viu depois não foi uma festa encarnada e Trapattoni acabou por reconhecer que a sua equipa esteve muito longe de fazer uma exibição agradável. Para ele o motivo é claro: "A equipa não estava fresca, parece que tinha as baterias descarregadas. Foi visível que os meus jogadores não tiveram as energias de outros jogos e isso fez com que o jogo terminasse com uma derrota" Apesar disso, o treinador derrotado saudou a atitude do adversário, acabando por reconhecer mérito ao Vitória de Setúbal: "Foi uma equipa muito organizada e não se limitou a esperar por nós e jogar em contra-ataque. Nós ainda conseguimos reagir e no final da primeira parte desperdiçámos uma excelente oportunidade, quando o remate de Nuno Gomes foi desviado para fora por um defesa." Nova atitude de fair play no momento em que falou da importância que o resultado tem para o treinador do Vitória: "Estou muito feliz por José Rachão, que é um bom treinador, tem muita experiência e uma humildade fora do comum. É uma pessoa que prezo muito por ter todas estas qualidades, por saber ser um homem do futebol."Trapattoni voltou depois a falar da sua equipa e da falta de frescura física dos seus jogadores: "Não estávamos soltos. Depois do jogo do título, no domingo, deixámos de ter aquela energia. Depois de termos marcado primeiro pensámos que seríamos nós a fazer a festa, mas depois disso não tivemos a determinação e atitude que nos acompanhou durante toda a época."

Festejos não influenciaram

Consequência de excessos nos festejos? O treinador encarnado refuta por completo essa ideia: "Dois dias de festa parece-me normal. Não foi por isso que o Benfica perdeu. Trabalhámos quarta e quinta-feira, depois fomos para estágio, trabalhámos bem e tudo decorreu de forma normal. A única coisa que falhou é que a equipa não conseguiu ter a mesma velocidade de jogo que teve em outras situações." E Trapattoni não se despediu sem dizer que nem as alterações feitas na equipa podem servir de desculpa: "Na véspera vi uma equipa provável num jornal e disse logo que não saberia se seria assim porque tinha algumas dúvidas. Essa é a prova que temos várias soluções. Não foi por ter alinhado com Moreira ou Fyssas que não alcançámos os nossos objectivos."

Na terça saberão o meu futuro
Continua o tabu. Giovanni Trapattoni voltou a jogar à defesa quando lhe foi perguntado se já tinha tomado a decisão sobre a sua continuidade no Benfica. E ainda não foi ontem que acabou com as dúvidas: nem sim nem não... "Terça-feira tomarão conhecimento da minha decisão ", disse. Mal começou a conferência de Imprensa o assessor do Benfica advertiu que Trapattoni só falaria sobre o jogo, como que adivinhando que todos queriam saber se o treinador já tinha alguma certeza sobre a continuidade na Luz. Mas a pergunta acabou por surgir naturalmente e a velha raposa voltou a deixar a indecisão no ar. "Não é verdade que tenha dito aos jornais italianos que queria regressar ao meu país. Revelei somente que estava com saudades da minha família e equacionava por isso a possibilidade de voltar a casa." Encerrando o assunto, Trapattoni repetiu outra das frases que lhe têm servido de escudo: "Tinha prometido que vos informava depois deste jogo e agora esse momento ficou mais perto. Vamos esperar até terça-feira..."

Vitória mereceu... vitória
De rosto fechado mas com sobriedade e espinha direita na hora de analisar a derrota frente à formação do Sado. Petit estava naturalmente triste por não ter conseguido ajudar o Benfica a revalidar o título de vencedor da Taça de Portugal, conquistada na época passada ao FC Porto, e consequentemente alcançar a dobradinha, mas a verdade é que os encarnados venceram algo mais importante, nomeadamente o campeonato nacional, esse sim o grande objectivo da época traçado pelos atletas, equipa técnica e administração da SAD.
Por esta razão os (poucos) jogadores encarnados que se disponibilizaram para falar aos jornalistas não aparentavam expressões dramáticas. O médio fez mesmo questão de elogiar o adversário, numa demonstração de grande fair play: «O Vitória de Setúbal mereceu ganhar a Taça de Portugal e por isso temos de dar os parabéns aos seus jogadores e à sua grande massa associativa. »

Vencemos a prova mais importante

Petit não minimizou a derrota na segunda maior prova do futebol português mas deu claramente a entender que no balneário encarnado não houve lágrimas. «Vencemos o campeonato, que foi o mais importante», declarou o internacional português, endossando os parabéns à «massa associativa do Benfica», que mais uma vez acompanhou a equipa no último jogo oficial da época que, de qualquer modo, ficará na história pela conquista do título. Mesmo assim, e porque o Benfica ainda esteve perto de vencer o jogo, houve lugar a alguma frustração. «Tivemos o jogo na mão. Marcámos o primeiro golo, podíamos ter voltado a marcar no final da primeira parte, já depois de o Vitória ter empatado, mas não conseguimos. Falhámos a dobradinha, é pena», afirmou o camisola 6 da Luz. Triste mas resignado. O Vitória mereceu... a vitória.



domingo, maio 29, 2005

Uma grande equipa luta para ganhar tudo!
TRAPATTONI quer que os seus jogadores «esqueçam rapidamente» a conquista da SuperLiga e se concentrem apenas na Taça. Fala na «responsabilidade» de a defender, quer «a mesma atitude» que já demonstraram durante a época. Quer, essencialmente, que os atletas nunca estejam satisfeitos e lutem por mais vitórias.
Pela terceira vez consecutiva, Giovanni Trapattoni limitou-se a fazer uma declaração, desta feita sobre a final da Taça, com o V. Setúbal. Começou por esclarecer que «todos querem fazer a dobradinha», palavra que parece ter apreciado. «Este não será um jogo fácil porque o Setúbal trabalhou muito esta semana para ganhar. É uma equipa que tem jogadores importantes, como Meyong, Jorginho, Igor e outros que podem fazer golos», frisou. Para Trapattoni, o Benfica tem de «esquecer a vitória na SuperLiga e concentrar-se a cem por cento». Isto porque «seria um erro pensar que vai ser um jogo fácil só porque se é campeão». E acrescenta: «A equipa precisa de jogar muito bem».

Será uma honra ganhar de novo

Após uma época desgastante, Trap pede mais um esforço. «Disputamos este último jogo e temos a responsabilidade de defender a Taça», sublinhou. Todos os jogadores têm de pensar que «seria uma honra repetir essa conquista». O treinador lembrou ainda que «uma grande equipa, famosa, ou gloriosa como dizem aqui , deve sempre ganhar todos os jogos que puder». Logo, «estes jogadores devem ter a atitude de partir para a conquista da Taça da mesma forma que o fizeram na SuperLiga. Os jogadores ganhadores, normalmente, nunca se contentam. Nunca estão satisfeitos. Devemos esquecer o passado e só pensar no futuro. E o futuro do Benfica vai começar amanhã [hoje].»

Luisão em dúvida Alcides à espreita
LUISÃO está a contas com uma mialgia no adutor esquerdo e passou a estar em dúvida para a final da Taça de Portugal. Alcides está de prevenção e será ele o eleito caso Luisão não seja dado como apto. Por outro lado, João Pereira lesionou-se no treino de ontem, fez uma entorse no joelho direito, sendo mais uma dúvida no leque de disponíveis.
Causou surpresa ver Luisão entregue a Rodolfo Moura, fazendo apenas corrida e exercícios físicos. Logo se reparou que usava uma coxa elástica na perna esquerda e ali levou a mão como que indicando de onde lhe vinham as dores. A meio do treino sentou-se no banco e não chegou a juntar-se aos companheiros. A informação clínica veio no final do, com a indicação de que Luisão está a recuperar de uma mialgia no adutor esquerdo. Está em dúvida. Logo, durante o dia de hoje será permanentemente avaliado e fará os testes físicos necessários para que o departamento clínico dê o seu veredicto. Trap encontrou logo uma alternativa e no treino de conjunto apostou em Alcides para jogar ao lado de Ricardo Rocha, no centro da defesa.

João Pereira azarado

Já com o treino a decorrer, uma disputa de bola dividida entre João Pereira e Manuel Fernandes chamou a atenção, pela violência do embate. Manuel Fernandes continuou em campo, sem problemas de maior, João Pereira teve de ser assistido. Ainda tentou continuar, mas logo teve de abandonar o relvado. Foi assistido e o diagnóstico resultou claro: entorse no joelho direito. Foi-lhe colocado gelo no joelho e também está em dúvida para integrar a lista de convocados para o jogo de hoje. No mais, refira-se que Miguel voltou a fazer trabalho específico, mas, tal como na véspera, integrou o treino de conjunto. Já Manuel Fernandes limitou-se a alguns exercícios preliminares e continuou a treinar-se sem limitações visíveis.

Com mais sócios conquistaremos a Europa
LUÍS FILIPE VIEIRA reafirmou na inauguração da Casa de Arruda dos Vinhos que só continuará a ser presidente do Benfica se os adeptos aderirem em massa ao novo cartão de sócio. E diz mesmo que se continuar na cadeira do poder não se contentará com conquistas internas, que quer conquistar a Europa, voltar aos anos de ouro e ser campeão europeu. Utopia? Não, diz o líder encarnado, defendendo que aqueles que o criticaram, quando apontou como meta os 500 mil sócios, terão a mesma resposta que os que duvidaram que iria vencer a SuperLiga esta época.
Trapattoni disse um dia que para ser campeão em Portugal a sua equipa teria de ser como um Ferrari que seguisse sempre a 300 quilómetros por hora, sem nunca reduzir a velocidade, ou acelerar em demasia. Luís Filipe Vieira, abriu ontem as fronteiras. Quer o sucesso na Europa e para isso sabe que terá de conduzir um veículo de dimensões bem superiores, ao jeito do camião que ontem teve nas mãos. E o combustível para tamanha tarefa está identificado: o novo cartão de sócio. Diz que não é utopia pensar em ter o maior clube do Mundo em número de associados e voltou a falarem500 mil sócios. Filipe Vieira é homem de desafios enormes. O último de que falou aos benfiquistas é, no mínimo, arrojado: «Estão criadas as condições para sermos campeões europeus, mas isso depende dos simpatizantes do Benfica. Chegou a hora de se tornarem sócios, até porque o novo cartão dá vantagens que permitem que os nossos simpatizantes tenham retorno das quotas. Acabará por ser benéfico ser sócio do Benfica. Será uma forma de poupança.» Chegou a hora de os benfiquistas contribuírem para o esforço que tem sido feito, adverte Luís Filipe Vieira. É essa a única forma de continuar como presidente, garante. E, como garantia de sucesso, apresenta o passado próximo: «Sempre disse que era uma grande honra ser presidente do Benfica, mas encarei esta tarefa com espírito de missão. Fiz promessas na campanha eleitoral e um ano e meio depois estão todas cumpridas. Temos um estádio fabuloso, com pavilhões e piscinas, porque o ecletismo é para ser privilegiado; o Centro de Estágio está em construção, deve estar concluído em Outubro mas em Agosto a nossa equipa já pode treinar-se lá; o rigor e transparência são agora uma realidade e isso é muito importante, pois somos novamente um parceiro apetecível em operações financeiras; as nossas empresas estão agora organizadas e os muitos contenciosos que herdámos estão liquidados ou negociados e a serem cumpridos religiosamente.» E os adeptos de Arruda dos Vinhos, eram cerca de 200 na sala, queriam também ouvir falar da última conquista. E Vieira não defraudou a expectativas: «Este título é fruto do trabalho, da humildade, da amizade, mas também de muito sofrimento. Merecemos ser campeões e foi nas quatro linhas que o provámos. Fomos os mais regulares, não fomos levados ao colo como muitos têm sugerido. Nenhuma equipa foi líder mais vezes, estes jogadores são os nossos novos heróis porque foram sérios. Bem mereceram a fabulosa festa do título que se fez ordeiramente por todo o Mundo. Foi um momento inesquecível.» Uma força imensa durante o discurso deu no final lugar a uma ponta de emoção. Caiu-lhe uma lágrima na hora da despedida: «Os últimos dias têm sido loucos. Estou cansado e quero dedicar este título à minha mulher e aos meus filhos. »

Benfica segue Aruna e Wilhelmsson
DOIS alvos possíveis. Para já é neste patamar que se encontram Aruna Dindane — avançado da Costa do Marfim, 24 anos — e Christian Wilhelmsson — extremo sueco, 25 anos. A dupla do Anderlecht ficou na retina dos responsáveis encarnados desde que os dois clubes se defrontaram na pré eliminatória da Liga dos Campeões, no início da época, e desde então os olheiros do clube da Luz deslocaram-se em várias ocasiões à Bélgica para recolher mais informações, tendo já na sua posse uma série de relatórios sobre as qualidades técnicas e o perfil dos dois atacantes. Para já, contudo, não houve qualquer contacto, uma vez que o Benfica só avançará para dispensas e contratações a partir de amanhã.
Há muito que o Benfica pisca o olho a Aruna Dindane e Christian Wilhelmsson, jogadores do Anderlecht. O primeiro é avançado, natural da Costa do Marfim, tem 24 anos (completa 25 em Novembro). É veloz, tecnicista e possante fisicamente. Os benfiquistas devem lembrar-se bem dele, uma vez que apontou os dois primeiros golos da derrota encarnada em Bruxelas (0-3), na pré eliminatória da Liga dos Campeões, no início da temporada. Tem despertado a atenção de vários clubes europeus e tem vontade de abraçar outra aventura num campeonato com mais competitividade e visibilidade que o belga. De acordo com informações recolhidas por a BOLA, o Anderlecht já chegou a pedir 5/6 milhões de euros pelo seu passe, mas baixou o preço para 2,5/3 milhões, até porque o dianteiro tem apenas mais um ano de contrato. Quanto a Wilhelmsson, extremo sueco que já havia dado nas vistas no Euro- 2004, é considerado a jóia da coroa e o Anderlecht tudo fará para evitar a sua saída, pedindo por isso uma verba a rondar os 10 milhões de euros. O extremo, que também se exibiu em excelente nível contra o Benfica, tem contrato até 2007. Com 25 anos (faz 26 em Dezembro), impressiona pela velocidade e capacidade técnica. Um desequilibrador nato em qualquer dos flancos. O Inter de Milão tem-se mostrado o principal interessado. Apesar das sucessivas observações na Bélgica, por parte de olheiros do Benfica, não terão existido ainda contactos entre as partes, pelo menos formais.

Em «stand-by»

Os responsáveis do Benfica decidiram aguardar pela final da Taça para definirem as saídas e entradas no plantel. Estão referenciados vários jogadores para várias posições e os avanços dependerão das necessidades, da vontade do futuro treinador e das verbas envolvidas.



sábado, maio 28, 2005

Título valeu quatro mil euros por jogo disputado
HÁ muito que ficou estipulado o prémio para cada jogador em caso de vitória na SuperLiga. Quatro mil euros por encontro efectuado, numa lógica muito clara: quem jogou mais vai receber mais. Neste capítulo o grande beneficiado é Simão Sabrosa. O capitão fez a proeza de cumprir, na íntegra, os 34 encontros da prova. Por isso, as contas são simples, o Benfica vai pagar 136 mil euros ao camisola 20. Muito mais que Everson, que só disputou uma partida.
São os prémios por objectivos, medida muito em voga nas gestões modernas das sociedades desportivas europeias. No caso dos encarnados, a lógica não podia ter funcionado melhor: se vencessem um título teriam a devida recompensa. Desde o início da época que agora está a terminar ficou decidido que a vitória no campeonato iria render um prémio significativo para cada jogador. O argumento era básico: quanto mais jogassem e vencessem, mais iriam ganhar, em termos financeiros, no final da longa batalha.

Nuno Assis ainda foi a tempo

Quatro mil euros é quanto a SAD vai pagar a cada jogador por encontro efectuado na SuperLiga. Os grandes beneficiados são, naturalmente, aqueles que mais jogaram. Petit, Luisão, Manuel Fernandes, Geovanni, Ricardo Rocha ou João Pereira, apenas para citar os nomes de quem acumulou mais de 25 encontros, terão boa recompensa pelo esforço dedicado à equipa. Mas é Simão Sabrosa quem vai ganhar mais pelo simples facto de ter sido o único totalista da equipa: 34 jogos equivalem a 136 mil euros. Pela lógica, os menos utilizados não vão engordar tanto a conta bancária. Everson e André Luís vestiram a camisola apenas por uma ocasião durante toda a época - o primeiro esteve muito tempo lesionado e o segundo chegou na reabertura do mercado de Inverno, pelo que os dois têm de esperar pela próxima época e por um título para receberem um cheque com mais zeros... Já Nuno Assis, apesar de ter chegado à Luz em Janeiro, foi sempre titular - menos frente ao Gil Vicente, na 25.ª jornada, devido a castigo - e por isso ainda chegou a tempo de receber 60 mil euros. É a recompensa aos novos heróis do Benfica.

Regresso ao Jamor só com três alterações
O actual plantel do Benfica conseguiu fazer história com a conquista do título nacional, onze anos depois. O virar de página começou, contudo, ainda na temporada passada, com a conquista da Taça de Portugal a colocar ponto final no jejum de sucessos. Um ano volvido, os suspeitos do costume voltam ao Jamor para tentar repetir a tarde de glória. Entre o onze utilizado em 2004 e o que se prevê que entre em campo em 2005 apenas três diferenças.
Luís Filipe Vieira, presidente encarnado, sempre carregou forte na tecla da estabilidade. Tentar criar um núcleo duro na equipa de futebol e mantê-lo junto pelo máximo de tempo possível. Apostar nos acertos pontuais e necessários ao invés das revoluções anuais. Assim tem sido, assim nasceram frutos. Face a isto, não causa estranheza que o onze tipo do Benfica 2004/2005 seja praticamente idêntico ao da versão anterior. Da mesma forma, não causa estranheza olhar para o onze que conquistou a final da Taça de Portugal no ano passado, frente ao FC Porto (2-1, após prolongamento) e constatar que são apenas três as alterações em relação ao jogo de amanhã. Vejamos: Armando, Tiago e Sokota alinharam pela equipa então treinada por José Antonio Camacho. Os dois primeiros deixaram o clube por significativo encaixe financeiro, ao passo que Sokota foi colocado na equipa B a meio da época e vai sair do clube a custo zero. As vagas são ocupadas por Geovanni (Miguel actuou a extremo o ano passado, mas agora jogará mais atrás, no lugar que então foi de Armando, entrando o brasileiro na equipa), Manuel Fernandes (por Tiago) e Nuno Assis (por Sokota). Em relação ao onze base que o Benfica tem apresentado deve apenas referir-se que não vão actuar Quim e Dos Santos, dois dos reforços do grupo de trabalho durante o defeso. Ou seja, um ano depois a estrutura mantém-se e foi mesmo reforçada.

Mar de gente na praia
CERCA de sete centenas de benfiquistas invadiram ontem Pedras d'El Rey apenas para assistirem a perto de 20 minutos do treino vespertino. Uma autêntica romaria familiar, da geração dos avós aos netos, todos para darem força à equipa. E todos acataram as instruções de forma ordeira: não fizeram barulho e respeitaram as instruções dos seguranças, à entrada e saída.
O treino estava marcada para as 17.30 horas, mas as televisões e rádios foram avisando para a antecipação de uma hora. Quinze minutos antes do início já as imediações da entrada para o relvado se encontravam cheias de carros, num movimento de todo inusitado para este pacato resort turístico, pelo menos nesta fase do ano. Quando a equipa chegou teve direito a palmas e, ordeiramente, as pessoas percorreram cerca de 100 metros em piso de gravilha até chegarem ao relvado. As instruções eram claras: apenas 15 minutos de treino à porta aberta e necessidade de recato nas manifestações de alegria, já que se por uma alguma razão a equipa está aqui em estágio é pela necessidade de concentração absoluta. É pois preciso esvaziar um pouco o balão da festa, para que todos se concentrem ao máximo no jogo da Taça de Portugal. Neste capítulo, as pessoas foram exemplares. Entraram de forma ordeira, não perturbaram o treino e saíram como entraram, facilitando o trabalho de quem zelava pelos atletas.

Segurança discreta

Foram cerca de 700 as pessoas que estiveram junto ao relvado. Famílias inteiras que aproveitaram o final de tarde para um passeio. Avós, pais, netos, uns mais coloridos do que outros. Gente feliz por estar em contacto com os seus ídolos, muitos deles, seguramente, com vontade de cantar que Ninguém pára o Benfica. Mas todos respeitando a concentração dos benfiquistas, pelo que a presença de tanta gente num cenário de quase total silêncio e serenidade acaba também por impressionar quem ali está como observador. O Benfica tinha, de resto, protecção policial. Dois carros da GNR deram apoio com alguns guardas, um terceiro trazia agentes à paisana, havia ainda os seguranças de serviço ao relvado. Segurança que apostou na discrição e que nem precisou de actuar face ao comportamento correcto dos benfiquistas. Já depois das portas fechadas, continuavam a chegar adeptos, convencidos de que o treino se mantinha às 17.30 horas. Já não chegaram a tempo....

Cuidados especiais com Miguel
MIGUEL foi ontem alvo de trabalho físico específico com Rodolfo Moura. Depois, integrou o treino de conjunto e voltou a provar que está em condições de ser titular no jogo com o V. Setúbal. E Trap voltou a mostrar que vai escolher Moreira e Fyssas para o onze titular.
Sempre que começa um treino, os adeptos colocam os olhos em jogadores como Miguel ou Manuel Fernandes, que nas últimas semanas têm feito trabalho condicionado. Ontem, Manuel Fernandes ainda esteve alguns minutos a fazer exercícios específicos, mas depressa integrou os trabalhos de grupo. Um pouco mais pausado e incisivo foi o trabalho físico de Rodolfo Moura com Miguel. Muitos exercícios , de natureza muscular, que o jogador necessita depois de uma época com algumas lesões e de enorme desgaste, uma espécie de almofada, se a expressão nos é permitida, que possibilita que responda ao resto do trabalho da melhor forma possível. E, de facto, Miguel saltou das mágicas mãos de Rodolfo Moura para as de Trap e integrou de imediato treino de conjunto, vulgo peladinha.

Colete não engana

Em relação ao treino da tarde, o treinador italiano confirmou todas as previsíveis apostas que têm sido avançadas. Na divisão dos jogadores, entregou os coletes aos prováveis titulares e, nesse lote, como se previa, estava incluído Fyssas, que substituirá Dos Santos. Enquanto as portas estiveram abertas, os guarda-redes ainda faziam trabalho específico, mas também aqui é praticamente garantida a aposta em Moreira, ficando Quim no banco. No final da sessão, de acordo com o relatório da assessoria de imprensa, o treinador italiano insistiu no ensaio das bolas paradas. Situação de jogo cada vez mais determinante, até sabendo-se que existem alguns especialistas na matéria, como Petit e Simão.

O trilho da raposa
COM a conquista do título português, Trapattoni tornou-se num dos poucos treinadores a ganhar campeonatos em três diferentes países europeus. Uma elite onde habitam outros grandes nomes, de Guttmann a Eriksson, na senda de Happel e Ivic, vencedores em quatro ligas. Esta é a história de alguns desses grandes nomes que fazem dos bancos quase um espaço sagrado.
A conquista de um campeonato é um marco que figura a letras de ouro na carreira de um treinador. Mais do que qualquer outro titulo, ele traduz o trabalho de uma época, onde é a regularidade exposicional que molda os campeões. Quando essas conquistas saltam fronteiras, a dimensão da proeza, por ser lograda em diferentes habitas, atinge maior projecção. Ao levar o Benfica ao titulo português, Trapattoni, a velha raposa de Cusano, entrou na restrita elite dos treinadores que se sagraram campeões em três países europeus, onde já estavam, cada qual na sua época, Guttmann, Czeizler, Merkel, Eriksson, Daum ou Boskov. Se vencer na Ucrânia, com o Shaktar Dontesk, depois da Roménia eTurquia, Lucescu também entrará neste núcleo restrito. Numa galáxia superior estão outros velhos caminhantes, vencedores de títulos nacionais em quatro diferentes campeonatos do Velho Continente, como o trota-mundos Tomislav Ivic e o já falecido mestre Happel, de quem Trapattoni recorda ter recebido uma das maiores lições tácticas da sua carreira, quando, na final da Taça dos Campeões de 1983, em vez de marcar individualmente Platini, como era usual em Itália, optou pela marcação à zona, e, assim, anulou o mago francês e toda a máquina da Juventus. Filho do mais profundo futebol italiano, Trapattoni está na antítese do típico treinador trota-mundos. Ao longo demais de 30 anos de carreira, como treinador, apenas quatro foram passados fora de Itália. Três na Alemanha, no Bayern Munique, e uma em Portugal, a que agora termina como campeão no Benfica. Comunicativo e emotivo, ver, analisar ou falar com Trapattoni é como que entrar numa outra dimensão do futebol, quando o jogo se discutia sobretudo com paixão.

Empírico e defensivo ou científico e realista?

Apesar dessa componente iminente empírica que emerge da sua postura, Trap não fica, no entanto, nada a dever aos treinados ditos científicos do futebol moderno. Discípulo directo de Nero Rocco, profeta do cattenacio, Trapattoni começa a pensar a equipa em termos defensivos, mas isso não faz dele um defensivista puro. É tudo uma questão de equilíbrios e gestão dos recursos táctico-técnicos do plantel. Quando todo o Estádio pede mais um ponta-de-lança para tentar o golo, Trap pondera, sobretudo, os danos que tal alteração poderá terno equilíbrio da equipa. Por isso, já dizia a Platini que o importante não era termais jogadores no ataque, mas sim a bola nessas posições mais avançadas. Ora essa construção nunca depende dos pontas-de-lança, mas sim daqueles que actuam nas suas costas. Trapatonni pertence à classe que profetiza esquemas que começam a defender a meio-campo, em frente à defesa, com a chamada primeira linha de contenção, pelo que sempre quis, nas suas equipas, trincos ou médios defensivos recuperadores de bola e marcadores natos, como são, no seu Benfica, Petit e Manuel Fernandes. Foi sobretudo quando eles não jogaram que o projecto táctico de Trapattoni na Luz sentiu um abalo. Na forma de comunicar, Trap tem o estilo dos treinadores do antigamente. Na abordagem do jogo, manteve-se, no entanto, sempre na vanguarda, actualizando métodos de treino e adoptando-se às novas tendências. Mescla, por isso, o melhor de duas eras, sem cair na excessiva vertente científica do jogo, nem, pelo contrário, deixar-se guiar apenas pela intuição. Ele sabe, como poucos treinadores, qual o momento certo no futebol para a razão e a para a emoção. É esse o segredo da longevidade do seu sucesso.



sexta-feira, maio 27, 2005

Veiga fica de certeza e vamos sensibilizar Trapattoni
Trapattoni só sairá se não conseguir ultrapassar a pressão que a família exerce para que regresse a Itália. Quanto a José Veiga... nem se coloca a hipótese de poder sair. Foram garantias deixadas por Luís Filipe Vieira, ontem, em entrevista no Jornal da noite, da TVI. O presidente falou, também, de vários temas que marcaram a época e dizem respeito ao futuro da águia.

Líder benfiquista aposta forte no cartão de sócioLuís Filipe Vieira analisou toda a época, destacando episódios e comprometendo-se a tudo fazer para que a continuidade de Giovanni Trapattoni seja uma realidade. Mais confiante ainda se mostrou sobre a continuidade de José Veiga, que considera ter sido fundamental na caminhada para o título.
— O que é que pensa dizer a Trapattoni?
— Vou falar com o Sr. Trapattoni após a Taça de Portugal. Há todas as condições para ele ficar. Sei que está bastante feliz e sensibilizado com as manifestações de carinho. Ele próprio já disse que tem o Benfica no coração e o único problema que o leva a hesitar é de índole familiar. Tal como José Veiga, creio que o vou sensibilizar.
— Chegou a pensar demitir o treinador?
— Penso que a maioria dos benfiquistas votaram numa liderança forte, quando me elegeram. Os que lidam comigo sabem que sou um homem de convicções fortes. É verdade que houve muitas pressões, mas é melhor esquecer essa fase. Penso que os benfiquistas devem reflectir sobre tudo o que aconteceu. No passado, foi devido à falta de estabilidade que os objectivos ficaram por cumprir.
— José Veiga também fica?
— Além de fazer parte deste projecto, José Veiga foi fundamental. Não se coloca sequer a hipótese de ele sair. Quando cheguei ao Benfica, há quatro anos, vi como era o balneário e sei como é hoje. Não há comparação possível. Introduziu rigor e disciplina. Veiga é, essencialmente, alguém que dedicou todo o seu tempo ao plantel. É um grande profissional e tenho a certeza de que vai ficar.
— Mas sempre se falou num esfriar de relações entre os dois...
— Pode ter havido uma ou outra divergência. Isso é normal na vida empresarial e as pessoas nem sempre estão de acordo em todos os pontos. Mas naquilo que diz respeito aos valores que ambos defendemos, não houve nenhum problema. A nossa relação preocupa muita gente. O nome dele era problemático para alguns benfiquistas e para um presidente de clube que até confundiu Vitor com Luís Fernandez.
— É verdade que os jogadores fixavam recortes de jornal no balneário para se moralizarem?
— Um dos fundamentos do nosso sucesso foi blindar o balneário. Nunca deixámos que os nossos jogadores sofressem com certas coisas. Mas era no balneário que desabafavam. Muitas afirmações eram da responsabilidade de certos benfiquistas, mas essas pessoas deviam reflectir, porque fizeram-nos muito mal. Só um balneário unido permitiu que tudo fosse ultrapassado.
— Existe um pré-acordo assinado com Camacho ?
— Não, desminto isso. Quero, convictamente, que Trapattoni seja o treinador. Tenho uma relação de grande amizade com a família Camacho, mas só isso. E nunca faria nada à revelia da administração da SAD, ou de José Veiga.
— Afinal, o que é que aconteceu no balneário após o jogo em Penafiel?
— Os jogadores estavam tristes, naturalmente, mas disse-lhes que só dependíamos de nós e que iríamos conseguir o título na última jornada. Depois saiu uma notícia de que tínhamos comprado 15 mil bilhetes para o Bessa e perceberam que era uma prova de confiança de que iríamos ser campeões.

Se o cartão falhar a missão termina

— Por vezes dá a entender que pode deixar o clube...
—As pessoas têm de compreender que fui eleito por maioria esmagadora e uma missão tem de começar e ter um fim de ciclo. Cumprimos tudo o que prometemos, excepto o Conselho Consultivo, porque os estatutos ainda não nos permite. Sei o que conversei com a minha família, até onde estarei disponível. O cartão é muito importante, é o grande desafio que temos pela frente.
— Quer dizer que se o cartão não for um sucesso, se vai embora?
— Tenho vivido o Benfica intensamente. Os nossos quadros têm perspectiva de carreira. Todos têm orgulho em estar no clube, mas temos outros desafios pela frente e o cartão é muito importante. Se a campanha não for um sucesso, significa que os sócios entenderam que a minha missão terminou. E nesse caso termina mesmo.
— Nunca se esquece de Féher...
— Na segunda-feira, vamos entregar-lhe a Taça que ganhámos na época passada e, se derrotarmos o Vitória de Setúbal, a desta época. Mas o grande objectivo é entregar-lhe a Taça de Campeão.

Reforços? Depende dos sócios

— O clube tem de vender um jogador?
— O Benfica tem de fazer esta época 10 milhões de euros para equilibrar as suas contas. Mas depende essencialmente dos sócios o Benfica campeão europeu. Se os sócios aderirem a este projecto, teremos condições de lutar pela Liga dos Campeões.
— Quantos jogadores pensa contratar?
— Estamos felizes com este plantel. Pode ser necessário um ou outro reajustamento, mas a época ainda nem terminou. O futuro da equipa depende dos sócios e não de nós ou dos jogadores. O cartão do sócio é o grande desafio, nem que eu tenha de bater porta a porta. Fizemos quatro anos de trabalho de recuperação e aproveito para deixar uma palavra ao presidente Manuel Vilarinho, que encetou a recuperação, e a Fonseca Santos, que saiu, mas sabe que sou amigo dele. Também fazem parte das vitórias que alcançamos.

3,6 milhões para começar
O campeonato já lá vai, a final da Taça de Portugal está à porta, mas os encarnados já estão a pensar na próxima época e nas receitas que estão previstas, nomeadamente com a entrada na Liga dos Campeões, sete anos depois da útil ma presença. À cabeça, a SAD irá encaixar 3,6 milhões de euros provenientes dos chorudos cofres da UEFA, mas é muito mais o que o Benfica pode arrecadar. Basta fazer uma boa campanha na fase de grupos. É o regresso da águia à alta roda do futebol europeu.

A conquista do campeonato nacional não representou apenas o quebrar de um jejum de 11 anos, mas simultaneamente o regresso à Liga dos Campeões – na pior das hipóteses, os encarnados poderiam ter ficado em segundo lugar e teriam acesso directo à prova ganha pelo Liverpool -, sete anos após a última presença, então sob o comando de Graeme Souness, que bateu o Beitar de Jerusalém na pré-eliminatória. Por isso, a SAD começa já a fazer contas. E serão contas por alto. À cabeça estão já garantidos 3,6 milhões de euros, como prémio de presença na prova milionária. Verbas que andaram afastadas da Luz nas duas épocas anteriores, por força da eliminação na pré-eliminatória, frente a Anderlecht e Lazio, respectivamente.

Cada ponto vale mais de 30 mil contos

É sem dúvida uma realidade diferente aquela em que o Benfica volta a estar inserido. É muito melhor aceder, apenas, à Liga dos Campeões, que vencer a Taça UEFA, competição onde os encarnados participaram nesta época e foram eliminados pelo CSKA de Moscovo, nos 16 avos de final. Para perceber melhor a discrepância em termos financeiros, diga-se apenas que os 3,6 milhões de euros pagos no imediato ao Benfica é uma verba superior àquela que os russos receberam por terem vencido o troféu em Alvalade... Mas os euros não deverão ficar por aqui. A formação da Luz não será candidata a vencer a Champions, mas terá condições para realizar uma prova equilibrada e arrecadar vários milhares para os seus cofres. Cada vitória na fase de grupos vale 325 mil euros, ao passo que o empate garante 162,5 mil euros, mais de 30 mil contos na moeda antiga por, somente, um ponto.

Fyssas no palco de sonho
Taça servida com novidades. Trapattoni não abre mão da estrutura que deu o título ao Benfica, mas vai fazer alterações no onze, lançando Moreira e Fyssas (jogadores que têm sido suplentes) na equipa que tem a responsabilidade de defender o título conquistado na época transacta.

Fyssas marcou o ano passado no Jamor e o grego continua em alta...O Estádio do Jamor é palco de sonho para Fyssas. O ano passado, quando o Benfica defrontou o todo-poderoso FC Porto de José Mourinho, o grego marcou um golo, ajudando o clube a conseguir uma conquista importante depois de longo período de jejum. Fyssas afirmou, há dias, que Portugal tem sido talismã e que não conheceu felicidade igual em nenhum outro local do Mundo. Fácil de perceber, já que ajudou o Benfica a ganhar uma Taça de Portugal, sagrou-se campeão da Europa em representação da Grécia e ainda há pouco acabou por celebrar um título histórico para o Benfica. Talvez por o grego estar em maré de felicidade, Trapattoni decidiu que seria altura de lhe devolver a titularidade que era de Dos Santos, esperando que disso não se ressinta o rendimento da equipa. Como garantia, o facto de esta ter sido uma situação várias vezes repetida durante a época, o que significa que o jogador não terá grande falta de ritmo. O grego espera fazer novamente a festa e dar continuidade às celebrações que o acompanham desde que chegou a Lisboa. A outra alteração que Trapattoni guardou para esta final da Taça de Portugal acontecerá na baliza. O italiano dará novo voto de confiança a Moreira, que depois de ter sido titular na primeira metade da época acabou por perder a titularidade para Quim, decisão que acabou por causar contestação dos adeptos mas que o ex-bracarense fez questão de justificar com exibições francamente positivas. O Benfica é servido por dois guarda-redes de valor muito semelhante, o que acaba por facilitar a rotação que o treinador italiano tem vindo a fazer. Nas mãos de Moreira estará a defesa da dobradinha.



quinta-feira, maio 26, 2005

Trio eléctrico
Luís Filipe Vieira diz que Veiga pertence ao projecto de futuro do Benfica, ambos dizem que Trapattoni é o treinador preferido para a próxima época. O italiano diz que tem o clube no coração mas que precisa de pedir a opinião da família. Um trio eléctrico ainda com futuro indefinido. A BOLA sabe que muito dificilmente Trap continuará de águia ao peito, apesar da esperança ainda alimentada pela SAD encarnada. Quanto a Veiga... apostou tudo e ganhou o desafio. E agora, irá mesmo deixar o futebol profissional da Luz?

Trapattoni, Luís Filipe Vieira e José Veiga lideraram o Benfica na conquista do campeonatoVieira, Veiga e Trap formam um trio eléctrico, fundamental no sucesso desta época, mas para o qual muitos vaticinaram um fim prematuro. Os próprios protagonistas revelaram, durante a época, alguma indecisão quanto ao futuro. A temporada está a terminar e uma nova questão surge no universo benfiquista: como manter a chama do campeão.

Luís Filipe Vieira

Apesar de várias vezes ter admitido que estaria para breve o seu adeus ao Benfica, o presidente é encarado como imprescindível para concretização do projecto que Manuel Vilarinho iniciou e ele próprio conduziu. Veiga, anteontem, disse-o claramente. A «missão » ainda está longe de terminada. O homem forte do clube da águia, por seu lado, está empenhado em ficar com José Veiga na sua equipa.

José Veiga

José Veiga colocou o seu pescoço pela equipa e poucos acreditaram que reuniria condições para ficar no clube mais do que um ano. Ao sagrar-se campeão nacional, lutando contra muitas desconfianças, muitas delas no seio do próprio clube, Veiga parece estar agora numa posição privilegiada, abrindo a porta para a continuidade. Vieira, nestes dias, já admitiu que o seu director geral é uma figura essencial.

Giovanni Trapattoni

Há pelo menos um mês que o italiano tomou a decisão de deixar o clube, mas a conquista do título e o encanto da festa amoleceram a velha raposa. Já admite ficar, necessitando para isso do consentimento da família. Dificilmente isso acontecerá, apesar do convencimento de Luís Filipe Vieira de que Trap é o homem certo para treinador na Luz. Após a final da Taça de Portugal tudo ficará definido e abrem-se as portas para um novo ciclo, tudo indica.

Veiga falou com Trap
Óbidos, a cidade talismã dos encarnados, recebe novamente a visita dos pupilos de Giovanni Trapattoni, já a partir de amanhã e com os olhos postos na final da Taça de Portugal, no próximo domingo. O treino de ontem, ainda na Luz, foi tranquilo e contou com o regresso de Amoreirinha, que fora emprestado ao Estoril. José Veiga também esteve no relvado, em conversas com Trapattoni...

Amoreirinha treinou-se na Luz. Trap e Veiga em debateA situação não é nova e muitas vezes Veiga e Trapattoni conversaram em pleno relvado, como ontem. Todavia, ainda são muitas as dúvidas sobre a continuidade do treinador na próxima época, assim como a do director-geral. Além da final da Taça, é natural que os dois tenham debatido o futuro, nos últimos dias. E poderão continuar a fazê-lo até final da semana, durante o estágio que a equipa vai realizar, já a partir de amanhã, novamente em Óbidos. Aos jogadores falta agora fazer um interregno nos festejos que se estenderam desde a madrugada de Domingo até anteontem e franquear as portas da história, repetindo a proeza dos heróis de 1986-87, os últimos a juntar a Taça de Portugal ao título de campeão. Foi, pois, com a serenidade de espírito possível, que o plantel se entregou a trabalho, ontem, na Luz, com a particularidade de todos os jogadores terem estado à disposição do técnico. Trapattoni improvisou uma partida de andebol, em que os golos só podiam ser obtidos de cabeça até dar por concluída esta fase do treino, meia hora depois

Amoreirinha voltou

Seguiu-se uma ligeira sessão de exercícios físicos, com o preparador físico Fausto Rossi no comando das operações, mas, vinte minutos depois, os jogadores voltaram ao contacto com bola, disputando a tradicional peladinha, com nova duração de meia hora. Os últimos minutos foram dedicados à finalização, com Carlitos, Paulo Almeida, Alcides e Geovanni como protagonistas. Em fase de decisões pacíficas, a única dúvida de Giovanni Trapattoni em relação ao onze que vai defrontar o Vitória de Setúbal parece ser a opção entre os guarda-redes Quim, habitual titular, e Moreira, mais mediático. Refira-se que Amoreirinha, emprestado esta época ao Estoril, regressou ao clube e treinou-se ontem. O jovem central deverá terminar a época mais tarde que os companheiros, já que integra a lista dos jogadores convocados da selecção Sub- 20, para o Torneio de Toulon.

Simão operado no dia 10
Simão Sabrosa vai, finalmente, ser operado à hérnia inguinal, que o obrigou a jogar com enorme sacrifício durante grande parte da época. A intervenção cirúrgica terá lugar na Alemanha, no próximo dia 10 de Junho, dois dias após o jogo que a Selecção Nacional irá disputar na Estónia e na qual o capitão encarnado deverá tomar parte. Simão começou a sentir os sintomas em Dezembro mas, colocando à frente os interesses do clube, continuou a jogar, à espera que chegasse o final da época, altura ideal para debelar o problema. Se tudo correr de acordo com o previsto, a estrela da equipa já deverá estar em condições de participar nos primeiros jogos oficiais da próxima época. Simão Sabrosa não deverá ser o único jogador a ter de cumprir programas de recuperação durante o defeso. Mantorras é um caso crónico, abrindo-se a possibilidade de ser acompanhado por Rodolfo Moura na deslocação a Angola e também Miguel, que terminou a época em grandes dificuldades físicas, deverá ter cuidados especiais durante as férias. O mesmo sucede em relação a Ricardo Rocha, que continua a treinar-se com uma protecção no joelho direito Igualmente precária é a condição física actual de Manuel Fernandes. Imitando o exemplo de Simão, o benjamim da equipa sacrificou-se nos últimos jogos, mas precisa urgentemente de férias.

O título também é teu Miklos Fehér!
Desde o dia que Miklos Fehér morreu, em pleno relvado, que no Benfica nasceu o sonho de lhe oferecer um título com grande significado. Na época passada a vitória na final da Taça, frente ao super-campeão FC Porto de José Mourinho, não foi suficiente. Por isso, mal terminou o encontro do Bessa que deu o campeonato aos encarnados todos disseram que a conquista era para o húngaro que tantas saudades deixou. A homenagem acontece na segunda-feira, em Gyor, terra natal de Fehér.

Benfica viaja segunda-feira para GyorTodo o plantel do Benfica segue viagem para a Hungria na próxima segunda-feira. Missão: dedicar o título de campeão a Miklos Fehér, que morreu com a camisola da águia vestida num jogo de dor, no Municipal de Guimarães. Chegou a hora de oferecer ao avançado que fez chorar o País o que sonharam os benfiquistas. De sofrimento se fez a caminhada para o feito que o Benfica não conseguia há 11 anos e sofrimento será certamente o que se poderá ver em Gyor, quando a comitiva do Benfica dedicar a Fehér a conquista do campeonato. Será certamente inesquecível o dia naquela localidade húngara que há muito elegeu Fehér como um dos seus heróis. Vão correr lágrimas, certamente vão aparecer sentimentos arrepiantes à flor da pele, mas mais uma vez o Benfica celebra a vida de um jogador que nunca sairá da memória dos benfiquistas e de dois países que se uniram em torno da dor que se sentiu: Portugal e Hungria estarão novamente juntos numa homenagem bonita. Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, afirmou desde a primeira hora que aquele momento fatídico vivido em Guimarães não cairia no esquecimento e este é mais um gesto bonito que acabará por celebrar a carreira de um jogador que deixou muito cedo a sua terra natal em busca do sucesso e conseguiu jogar em equipas de grande dimensão como o FC Porto e Benfica. A equipa do Benfica estará em peso em Gyor (só faltará Luisão porque parte para o Brasil para se juntar à selecção), bem como os altos quadros da SAD. A mensagem será apenas uma: o título é teu, Miki.



quarta-feira, maio 25, 2005

Decido depois da final da Taça
O plantel do Benfica juntou-se ontem à noite para um jantar de amigos, com a presença das respectivas esposas. Luís Filipe Vieira também esteve, assim como vários técnicos do grupo. Mas Giovanni Trapattoni não. O treinador italiano pediu para ficar em casa com a família, quem sabe se a discutir a continuidade no Benfica... A velha raposa prometeu uma decisão para depois da final da Taça de Portugal.

"Tenho de falar com a minha mulher, porque a família é muito importante para mim. Mas tenho o meu coração no Benfica. Gostava de estar com estes jogadores e estes adeptos a disputar a Liga dos Campeões, uma competição muito importante para todos. Quando decidirei? Na próxima semana, após o jogo da Taça de Portugal", frisou ontem o treinador italiano na recepção concedida ao Benfica na Câmara Municipal de Lisboa. Ao que A BOLA apurou, Trapattoni comunicou oficialmente ao Benfica, há cerca de um mês, a sua vontade de não cumprir o segundo ano de contrato, que era de opção para ambas as partes. Mas, hoje, esmagado pela festa do título, pela grandeza do clube, pelos apelos de adeptos e vontade dos dirigentes e seduzido por voltar a disputar a Liga dos Campeões, os pratos da balança estão a inverter-se e Trap deverá estar a tentar convencer a família a apenas mais um ano de separação. E Luís Filipe Vieira dá o mote: "É o nosso treinador de hoje e vai ser o treinador do futuro do Benfica. Camacho? Tenho muito respeito e amizade por Camacho, mas garanto que não houve contactos."

Glória aos campeões!
As gargantas não se calam e os benfiquistas vivem emoções sustidas há 11 anos.Ontem deram mais uma prova do quanto sofreram para aqui chegar...LISBOA homenageou ontem os campeões. E também os milhões de adeptos benfiquistas, ontem representados por alguns milhares, na Praça do Município. Os jogadores, mais uma vez, pularam ao som de cânticos emocionados.

Mais uma vez, o troféu da SuperLiga bailou de mão em mão, em ritmo de festa encarnada. À noite, foi altura de um jantar em família, mais uma vez bem revelador da união e amizade que uniu este grupo durante a época. E ponto final. Hoje é dia de trabalho e, provavelmente já amanhã, o plantel segue para Óbidos, onde trabalhará para conquistar a dobradinha e, novamente, sair à rua para festejar uma temporada como há muito a águia não vivia. Estes dias são marcantes para os benfiquistas. Glória aos campeões!

Vieira cumpriu promessa a Santana
Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi ontem à Câmara de Lisboa mostrar a Taça de Campeão recebida, na véspera, na SuperGala, cumprindo uma promessa que fizera a Santa Lopes: ser campeão no seu mandato e agradecer o apoio que deu para a construção do novo estádio. Consigo estava o plantel e na Praça do Município muitos benfiquistas que ainda não pararam de contar Ninguém pára o Benfica e Campeões, campeões, nós somos campeões!

Simão e Filipe Vieira, com Nuno Gomes e Trapattoni por perto o, mostram à multidão o troféu de campeão recebido, na véspera, na SuperGalaPor se encontrar a recuperar de uma intervenção cirúrgica a uma hérnia inguinal, Santana Lopes não pôde estar presente na recepção do Benfica nos Paços do Concelho, ontem à tarde. Foi ao número dois, Carmona Rodrigues, que Filipe Vieira exibiu o troféu de campeão, conforme tinha prometido, revelou, ao edil, depois de mais uma das reuniões que acabaram «para lá das cinco da manhã» e nas quais Carmona Rodrigues também esteve prestes. Reuniões que resultaram na solução encontrada pela Câmara para ajudar na construção da nova catedral. "Prometi a Santana Lopes que aqui viria, ainda no seu mandato, mostrar título de campeão. Estou a cumprir a promessa", revelou Filipe Vieira.

A festa continua

Cerca de 48 horas depois da conquista do título, os jogadores ainda têm forças para andarem aos pulos. Nuno Gomes é dos mais exuberantes, Luisão é o cantador de serviço e entusiasma a multidão. Mais calmo está Delibasic. Parece muito tímido, com os olhos bem abertos, e deixa-se impressionar por tanta loucura. Já Trapattoni passou todo o tempo a sorrir. Por vezes, parece um miúdo embevecido, de sorriso transparente e feliz, e até apostamos que na sua cabeça, seduzida e inebriada por toda esta festa encarnada, já pesa tanto ou mais a vontade de ficar. E não pára de sorrir.

Dignidade na festa

Uma vez mais, o Benfica empresta dignidade às celebração do título. Um título da "humildade, solidariedade e amizade", nas palavras de Filipe Vieira, que pediu aplausos para os "verdadeiros heróis, os jogadores ". Um discurso positivo, onde também os adversários têm sido elogiados. Sem palavras de rancor, sem se cobrar nada a ninguém, inclusive de quem sempre duvidou ou criticou. Sem criticar quem ainda não cumprimentou o Benfica pelo título: "A família benfiquista já deu os parabéns aos jogadores. Isso é que conta. Há muitas maneiras de estar na vida, tirem as vossas ilações". Depois dos discursos, foram abertas as varandas da Câmara e os jogadores partilharam com a multidão a alegria do título. Entre os cânticos, um muito sentido grito por Miki Fehér. Agora, pede-se a Taça. Como se podia ler num dos cartazes, com muita graça e usando um conhecido anúncio, É já a seguir. É que é já... a seguir.

Dobradinha nas mãos de Moreira
Até agora foi assim: o guarda-redes que assumia a titularidade na SuperLiga deu a vez ao companheiro nos jogos da Taça de Portugal. Moreira não disputou as primeiras três eliminatórias, Quim ficou de fora nas duas últimas. Uma vez que coube ao ex-bracarense defender a baliza benfiquista no Bessa, Moreira será o titular no Estádio Nacional, desde, claro está, que Trapattoni não altere o seu critério.

A dobradinha está nas mãos de Moreira. Assim parece, pelo menos fazendo fé no critério que o treinador italiano do Benfica, Giovanni Trapattoni, seguiu durante toda a temporada.
Moreira, recorde-se, foi o guarda-redes titular na primeira parte da época, condição que deu oportunidade a Quim de jogar as eliminatórias frente a Oriental (3-1), Oliveirense (4-1, após prolongamento) e Sporting (3-3 — 7-6, após marcação de grandes penalidades).
Veio então o jogo com o Belenenses, que custaria a titularidade na SuperLiga a Moreira, não obstante ter ficado impune nos quatro golos sofridos pelo Benfica no Restelo, e Quim não mais actuou em jogos da Taça.
Nos quartos-de-final, diante do Beira-Mar, na Luz (1-0) e nas meias-finais, ante o Estrela da Amadora, na Reboleira (3- 0), já coube a Moreira defender a baliza, algo que vai acontecer no domingo, frente ao V. Setúbal, no Jamor, se Trapattoni não alterar a sua forma de pensar.

Camacho mudou de ideias na final

Na temporada passada, José Antonio Camacho concedeu quase sempre a Bossio a oportunidade de jogar na Taça de Portugal.
O treinador espanhol também privilegiou a rotatividade, mas, chegado à final, com o FC Porto, mudou de ideias e apresentou Moreira na baliza benfiquista, em detrimento do argentino.



terça-feira, maio 24, 2005

Magia no ar
DEIXEMOS o pior de parte. Porque a festa foi bonita de mais para se destacar o triste episódio que foi a invasão de campo. Uma situação, porém, que poderia ter graves consequências, mas que não pode, por si só, ofuscar a loucura que na madrugada de ontem se viveu durante horas no Estádio da Luz, onde os adeptos do Benfica deitaram cá para fora a alegria própria de quem esteve onze anos sem conquistar o título de campeão.

A festa estoirou por todo o Portugal mal o árbitro Pedro Henriques terminou o jogo no Bessa, mas ninguém pode negar, e os próprios jogadores enalteceram essa situação, o ponto alto aconteceu precisamente no ninho da águia, ou seja, em pleno Estádio da Luz.
Num ápice, cerca de 60 mil adeptos nas bancadas que, durante largas horas, foram alternando os cânticos entre «Benfica! Benfica », «campeões, campeões, nós somos campeões» ou ainda «ninguém pára o Benfica...».
Loucura total, alegria imensa, própria de quem nunca desistiu e esperou onze anos por aquele momento.
No meio do relvado o palco estava montado, as luzes estrategicamente colocadas e o espectáculo preparado. Por lá passaram dezenas de artistas, que foram animando uma noite que, apesar de fresca, ferveu no que à paixão clubística diz respeito. Sempre com um enorme respeito e a enaltecer o feito do Benfica. Nunca, em nenhum momento, se ouviram provocações aos rivais.

Vou levar-te para casa...

Mas, entre os vários artistas presentes, entre eles Dina, Rute Marlene, Anjos e por aí fora — na folha entregue à comunicação social constavam cerca de 33 nomes de cantores ou bandas... —, o melhor estava mesmo guardado para o fim. Os penúltimos a entrar em cena, os Da Weasel, levaram ao rubro aqueles milhares. Os pulos começaram aos primeiros acordes e quando o vocalista da banda, Pac Man, que envergava uma camisola do Benfica, com o número 23, começou a cantar vou levar-te para casa, tomar conta de ti... deve ter-se arrepiado com a resposta pronta que chegou das bancadas.
Os UHF, última banda a entrar em cena, fecharam em beleza o espectáculo. Também eles tiveram preciosa ajuda no Sou Benfica.
Nesta fase, e porque a noite já ia longa, eram muitos aqueles que, devido aos inevitáveis excessos, encostavam a cabeça ao vizinho. Outros, porém, andavam... apoiados. Encharcados em álcool, perderam o melhor.

Que entrem os artistas

Faltavam cerca de oito minutos para as quatro da madrugada quando o autocarro do Benfica chegou ao estádio. Os écrãs gigantes do recinto permitiam aos adeptos acompanhar o momento. O ambiente aqueceu. E ferveu quando um dos speakers de serviço começou a chamar os campeões. Primeiro o departamento médico; depois o staff de apoio, entre eles o histórico Shéu. Os jogadores entraram pela seguinte ordem: Alcides, Luisão, André Luís, Delibasic, Petit, Karadas, Bruno Aguiar, Everson, Carlitos, Geovanni, João Pereira, Quim, Moreira, Miguel, Dos Santos, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Nuno Gomes, Fyssas, Paulo Almeida, Mantorras, Ricardo Rocha e Simão (o capitão, um dos mais aplaudidos, com Luisão, Petit, Mantorras, Manuel Fernandes, Nuno Gomes e Ricardo Rocha, assinou entrada acrobática, com uma cambalhota). Por fim, equipa técnica, José Veiga e Luís Filipe Vieira. Loucura total. Algumas mulheres dos jogadores, a escassos metros ao lado, assistiam orgulhosas e sorridentes ao que se passava. Até que chegou a invasão...

Salve-se quem puder
DEPOIS de horas e mais horas de vigilância ao relvado, a desilusão tomou conta de mais de 50 mil benfiquistas, que não tiveram mais do que alguns minutos de comunhão com os craques. O relvado da Luz tornou-se, subitamente, um espaço perigoso, obrigando jogadores, técnicos e dirigentes do Benfica a refugiarem-se nos balneários. Por causa de algumas centenas de indivíduos, que de invasões de campo em dia de celebração de título nacional pouco parecem saber.

A madrugada estava linda, o ambiente a ferver, o estádio a rebentar pelas costuras, com excepção dos anéis mais requintados, que nem sequer foram abertos ao público, quando o impensável aconteceu: uma invasão de campo.
Jogadores e restante staff faziam a festa no palco, abrindo várias garrafas de champanhe, num estado de euforia nunca antes visto naquele grupo, em perfeita comunhão com os apoiantes, quando se deu o impensável.
Luisão e Karadas tinham- se aventurado até perto da bancada Norte, de onde já saira um Jimmy Jump à portuguesa, salvo da fúria dos seguranças pela intervenção de alguns jogadores e José Veiga, mas voltaram para trás. Na sua direcção corriam já algumas centenas de adeptos, a que se juntariam, em segundos, muitos outros vindos de todo o lado, dispostos a tudo para alcançarem os homens do título.
Isto depois de desviarem uma barreira metálica muito pouco segura que ali tinha sido colocada precisamente para evitar uma situação daquelas. Os jogadores, assim que perceberam que a situação poderia tornar-se grave, esqueceram o cansaço e sprintaram em direcção ao balneário. Infelizmente para alguns, a intercepção foi feita. E não foi uma daquelas invasões dos bons velhos tempos, em que as pessoas procuram apenas despir os atletas e dar umas palmadinhas nas costas. Foi agressiva e perigosa, como ilustrava a cara de alguns jogadores.
Geovanni, por exemplo, tinha o desespero estampado na face quando se dirigia, aos repelões, para o túnel de acesso aos balneários. Já Everson diria depois: «Podíamos ter corrido riscos e preferimos recolher-nos para evitar qualquer caso mais grave.»

Bom senso? Não, obrigado

Em poucos minutos não havia mais no relvado senão jornalistas, alguns stewards, impotentes para travar tão grande vaga, e adeptos pouco diplomáticos. A polícia, em esmagadora inferioridade numérica, ainda aparecera no tapete verde, mas recebeu ordens para não actuar. A zona estava então aberta a todas as vontades. O speaker de serviço tentava, pela voz, apelar ao bom senso. Não estraguem a festa , os jogadores assim já não voltam — no auge do desepero: o relvado, o relvado, vai jogar-se aqui o Portugal- Eslováquia!
Um chorrilho de disparates tomou, pois, conta daquele que era, minutos antes, o palco de uma festa espectacular. Os artistas que actuaram antes da chegada dos jogadores também já se tinham posto a andar. Ficaram os infractores. Nalguns casos envolveram-se emcenas de pancadaria. Nas bancadas já não estavam mais de 50 mil benfiquistas. A maior parte deles já se fizera, e bem, às escadarias de acesso à rua. O fogo-de-artifício previsto para o fim de festa ficou por lançar.

Contar anéis para não perder dedos
PELO menos um jogador vai ter de ser vendido no final desta época. E provavelmente deste lote de cinco: Miguel, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, Luisão e Petit. O primeiro será a possibilidade mais concreta, tendo em conta que o Benfica pretende encaixar um mínimo de 10 milhões de euros. Haverá cautela, no entanto, para que o plantel não perca os dedos, além de alguns anéis.

Há algumas semanas, quando apresentava as medidas para um futuro económico e financeiro equilibrado, no âmbito do projecto Mais 100 anos de Glória, Domingos Soares Oliveira, homem forte das finanças das empresas universo Benfica, falou de duas prioridades, entre outras alternativas: presença assídua na Liga dos Campeões e... venda de activos, leia-se jogadores, para um encaixe mínimo de 10 milhões de euros. Se a liga milionária é já uma realidade, a venda de jogadores será um processo mais delicado. Na última época o activo vendido foi Tiago (12,5 milhões de euros), esta época quem será?

R. Rocha

Tem ainda contrato com o Benfica, mas sabe-se que o jogador aguarda há muito por uma revisão da sua folha salarial. Chegou do Sp. Braga com ambições e garantiu estatuto de titular indiscutível, pelo que sempre emitiu sinais de que gostaria de uma aproximação do seu vencimento ao de outros companheiros de equipa. Aparentemente ultrapassadas divergências passadas com o ex-empresário José Veiga, entretanto homem forte do futebol encarnado, as perspectivas são animadoras. O Benfica quer que Ricardo fique, este até quer ficar, ambas as partes estarão disponíveis para a melhoria do contrato. Sob pena do central ser o primeiro a desejar a transferência para um dos clubes que o têm acompanhado de perto, como o Dínamo de Moscovo.

Luisão

Luisão é um dos processos mais delicados. Por um lado, o Benfica gastaria muito que ficasse. Porque é um bom jogador e um líder natural no balneário. E porque só detém 25 por cento do seu passe, pelo que qualquer venda do jogador não resultaria num encaixe significativo. Logo, manter-se-ia a pressão para vender outro atleta. O Benfica tenta, assim, negociar a titularidade de mais 25 por cento do valor do passe e diminuir a pressão de venda. Clubes como o Inter de Milão estão muito interessados no jogador e será difícil mantê-lo. Talvez por isso os encarnados até se precaveram com a contratação do central Andersson, capitão do Corinthians e com grande cotação no Brasil.

Petit

O Dínamo de Moscovo foi apenas o último dos clubes amostrar interesse em contar com Petit. Mas ao longo das últimas semanas tem sido o Marselha, de França, o mais entusiasta com a possibilidade de contratar Petit. De resto, quem pode dizer que não gostaria de contar com a raça, a generosidade e entrega de Petit? Até agora, o Benfica nunca se mostrou impressionado com tudo o que foi sabendo sobre o interesse em Petit . E, em boa verdade, o jogador também não parece nada interessado em deixar a Luz, rumo ao estrangeiro. Ao garantir, no final do jogo com o Boavista, que ficaria no Benfica fez mais do que uma profissão de Fé. Manifestou o profundo desejo de ficar. A não ser que lhe acenassem com números de tirar o sono. A ele e ao Benfica.

M. Fernandes

Este menino vale ouro, diz-se. O Benfica sabe que vendê-lo é uma questão de tempo. Chegará o dia em que nem o jogador nem o Benfica poderão dizer não a uma proposta milionária. É o mais vendável dos jogadores do Benfica, mas existe a consciência de que ainda é cedo para que o Benfica negoceie esta jóia. Mais duas ou três épocas em alto nível, com a montra da Liga dos Campeões, e a fasquia subirá bastante, para valores talvez inéditos na Luz e nada usuais no futebol português. Resumindo: a pressão para a venda poderá até subir, mas, salvo algum dado novo ou situação inusitada, a SAD vai querer manter este activo por mais algum tempo.

Miguel

Miguel deverá mesmo ser o activo a vender no final da época. Por várias razões: pelo facto de vários grandes clubes, nomeadamente de Itália, há muito o terem referenciado e se prepararem para apresentar propostas concretas e sedutoras; por ser um jogador que renderá, pelo menos, a tal fasquia mínima de 10 milhões de euros. Com isso, o Benfica libertar-se-ia da pressão de ter de vender mais algum activo. Pelo menos dos mais importantes, já que os encarnados não deixarão de tentar fazer negócio com alguns dos jogadores menos utilizados, conscientes de que a verba resultante desses negócios mais não seria do que uma almofada para as contas da SAD.
Há muito que Miguel aguarda pela oportunidade de dar o salto não só para um dos campeonatos europeus com maior visibilidade, como pela possibilidade de auferir valores verdadeiramente excepcionais. É um jogador com cotação e o que reúne, no momento, melhores condições para ser vendido. Por muito que o Benfica gostasse de manter no plantel um jogador com a sua qualidade.

a primeira dobradinha do Século XXI ?
COM a vitória na SuperLiga, a formação da Luz tem agora a oportunidade de fazer a 10.ª dobradinha da sua história, vencendo o V. Setúbal, na final da Taça de Portugal. Curiosamente, os sadinos foram os adversários da primeira final da Taça conquistada pelos encarnados depois de vencerem o campeonato. Se triunfar no Jamor, Trapattoni engrossa uma lista composta por apenas sete nomes...

Janos Biri, Otto Glória, Lajos Czeizler, Jimmy Hagan, Lajos Baroti, Sven- Goran Eriksson e John Mortimore. O que têm estes nomes em comum? Além de serem todos estrangeiros, foram os treinadores que conduziram o Benfica à dobradinha, com Glória a fazê-lo por duas vezes. Foram nove as ocasiões que os encarnados conquistaram os dois títulos na mesma época (as mesmas que Sporting e FC Porto em conjunto), a última na temporada 1986/87, com a vitória na Taça sobre o Sporting.
Giovanni Trapattoni tem assim a oportunidade de inscrever o seu nome numa lista de elite: porque iria repetir um feito com 18 anos e seria o timoneiro da 10.ª dupla vitória dos encarnados, algo que o Sporting só conseguiu por cinco vezes no seu historial e o FC Porto por quatro.

Bombos da festa ou carrascos?

Quis o destino que os encarnados procurassem a sua décima dobradinha frente ao mesmo adversário que testemunhou a primeira conquista da águia do género. Foi a 20 de Junho de 1943, no Campo das Salésias, que o Benfica defrontou a formação sadina e cilindrou por 5-1. Era a vitória na prova rainha depois de arrecadar o título de campeão nacional. A primeira dobradinha do clube.

Sempre houve um campeão no banco
ASSIM que o árbitro deu por terminada a partida, Trapattoni fundiu- se num abraço cúmplice com Álvaro Magalhães. Foi um reconhecimento ao apoio e lealdade que sempre sentiu da parte do adjunto.

Quem o visse a incentivar os adeptos com fervor e espontaneidade, dificilmente imaginaria que guarda no curriculum dois títulos de campeão nacional, com a camisola da águia ao peito.
Mas Álvaro Magalhães, adjunto de Giovanni Trapattoni não é homem de esconder emoções. Sempre foi assim. O primeiro a verter lágrimas nos momentos de alegria ou de tristeza, além dos abraços efusivos que distribui por aqueles com quem ele divide os louros. São já uma imagem de marca. Na verdade, a ligação de afectiva de Álvaro Magalhães com o clube da Luz começou há mais de vinte anos, quando trocou a Académica, o outro clube do coração, pelo Benfica. Longe estavam os adeptos de imaginar que o jovem reforço iria a formar com Fernando Chalana o flanco esquerdo mais mediático de que há memória no clube.
Quando Álvaro Magalhães chegou à Luz já se esboçava o domínio do FC Porto no futebol português. Mas, em oito épocas, sagrou- se campeão duas vezes (1983-84 e 1984-85) títulos aos quais somou duas Taças de Portugal. Figura incontornável na estrutura técnica encarnada, pela qualidade do apoio prestado a Trapattoni e relação estreita que mantém com os jogadores, Álvaro foi distinguido pelo seu chefe de equipa com um abraço especial na hora da celebração, o primeiro que Trap deu, antes de correr para o relvado. Uma imagem de cumplicidade e dedicação ao clube e ao trabalho de uma época. Um prémio da velha raposa pela sua lealdade.



segunda-feira, maio 23, 2005

O regresso do Benfica
ESTE será um campeonato falado e recordado por muitos anos. Para os que perderam, será sempre um campeonato de menor dimensão; para os que ganharam, será um campeonato maior e de campeão apurado com inteiro mérito.

Não é, nunca será, disso ninguém tenha dúvidas, um campeonato de consensos, como aqueles que estavam jogados a meio da época, com campeões consagrados no Natal.
Mas sejamos claros e definitivos: numa prova de 34 jornadas, não há campeões sem merecimento. O Campeonato é uma prova de regularidade. Ganha o que conquista mais pontos, ou, numa versão mais conflituante, ganha o que perde menos pontos. Vai dar no mesmo. O Benfica ganhou o Campeonato com três pontos de avanço sobre o FC Porto e quatro sobre o Sporting. Por ironia do destino, como que a fazer questão de não deixar dúvidas quanto ao mérito do vencedor, a última jornada foi esclarecedora: dos quatro primeiros classificados, o único que atingiu um resultado que servia, de facto, os seus objectivos foi o Benfica. O FC Porto precisava de ganhar, em casa, à Académica e empatou; o Sporting e o Braga perderam. Com o descansadíssimo Nacional e com o despromovido Moreirense.
Claro que por muito tempo continuarão as vozes e os artigos daqueles que se sentem reconfortados com o discurso avassalador do campeonato da mediocridade, ou, pior, o discurso doentio do campeão beneficiado pelas arbitragens.
Portugal é, cada vez mais, um país de asneira fácil e seria uma oportunidade única para retoma da economia que o governo substituísse o despacho do abate dos sobreiros por outro que penalizasse a asneira. Temo que não seja assim...

Vilarinho, Vieira e Veiga...

Camacho e Trapattoni Há onze anos que o Benfica não ganhava o título de campeão nacional. Julgo, sinceramente, que o começou a ganhar muito antes do início desta época.
Depois da experiência traumatizante de Vale e Azevedo, o recomeço ainda algo titubeante de Vilarinho. Mas foi aí que o Benfica começou a ganhar este campeonato. Na ideia da estabilização do plantel e, sobretudo, no conceito de recuperação da credibilidade.
Vieira foi a sequência natural do projecto de recuperação e Veiga é um caso ainda por analisar com suficiente distanciamento histórico, mas que nos parece decisivo, sobretudo, na bem sucedida capacidade de fechar o balneário à bagunça tradicional de um Benfica tão democrático que se tornava caótico e, não raras vezes, anárquico.
Não tenho a certeza se a fórmula é repetível por muito tempo. Talvez sim, desde que as pessoas sejam inteligentes e saibam evoluir com a natural evolução dos tempos e da situação.
Mas o Benfica não ganhou este Campeonato apenas à custa dos seus gestores principais, ganhou-o, também, à custa do aproveitamento integral de um plantel diminuto e desequilibrado. Por isso, ganhou-o à custa dos seus treinadores. O que quer dizer que o Benfica começou a ganhar este Campeonato com Camacho, e com a sua ideia de prioridade à reconquista da identidade única da fantástica dimensão do clube. E concluiu o objectivo, com a solidez invulgar da experiência, às vezes desesperante, de Giovanni Trapattoni.
Ganhou também o título à custa daqueles que o perderam ? Mas não é essa, afinal, a parte repetida da longa história dos campeonatos nacionais ? E assim sendo, com toda a legitimidade, honra ao vencedor de um campeonato histórico

Lotação esgotada na Luz
FORAM muitos os curiosos que vaguearam, durante o dia de ontem, pelo Estádio da Luz na esperança de poderem aceder ao relvado ou às bancadas para festejar o tão desejado título encarnado. As portas, contudo, mantiveram-se fechadas, com excepção para quem teve acesso ao jantar de campeões promovido pelo Catedral da Cerveja. Ainda assim, a festa estava preparada no Estádio da Luz, com um palco central e as colunas em redor do recinto. E foi vivida com bancadas repletas durante a madrugada.

Muitos nervos depois, o Benfica sagrou-se campeão nacional e todos os caminhos foram dar à Luz. Num ápice, a nova catedral preparou-se para receber os heróis. O trânsito na Segunda Circular, uma das vias com maior movimento do país, chegou mesmo a parar no sentido aeroporto-Luz. Centenas de pessoas caminhavam entre os carros, num cenário impensável.
No estádio, o primeiro anel encheu sem que ninguém desse conta e, pouco depois, era a vez de abrirem as portas do terceiro anel. Com o Estádio da Luz quase cheio (excepção feita ao segundo anel, destinado aos cativos) actuaram mais de 40 artistas, entre os quais Canta Bahia, Fernando Pereira, Da Weasel, Fernando Tordo, José Cid, Anjos, Dina, UHF e João Gil, entre tantos outros que se associaram à festa encarnada.
E a partir daí a festa foi por conta dos benfiquistas, com direito ao habitualWe Are The Champions», música que habitualmente consagra os vencedores, e muita alegria nas bancadas. Abraços, lágrimas, sorrisos, de tudo um pouco se viu antes da tão ansiada chegada dos protagonistas da festa, os jogadores do Benfica. Cachecóis ao vento e gritos de alegria por parte de quem não quis perder pitada da festa. «Ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica», gritou-se até de madrugada...

Milhares em festa até ao aeroporto
O Benfica começou a festejar o título nas ruas do Porto, num ambiente verdadeiramente louco, num cenário absolutamente vermelho, no trajecto escolhido para seguir até ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro. E desde que os jogadores em festa saíram do Bessa foi uma marcha lenta com vivas constantes.

Para fugir às zonas quentes da cidade, o trajecto do trio eléctrico — com os jogadores em constante comemoração com os adeptos, atirando papéis vermelhos e brancos, garrafas de água e motivos alusivos ao Benfica— contemplou a descida da Avenida da Boavista até à zona do Castelo do Queijo, Rotunda do Senhor de Matosinhos, e subida pela Circunvalação, até uma outra rotunda, a AEP, e depois a entrada na chamada Via Rápida, rumo ao Aeroporto.
Um trajecto que não é fácil fora dos dias de festa... imagine-se, então, como foi ontem à noite! É que por todo este caminho houve benfiquistas a saudar os jogadores; nas rotundas juntou-se sempre muita gente e ao longo da estrada o cortejo foi animado por automobilistas que estacionaram nas bermas e deixaram os carros para bater palmas aos novos campeões nacionais.
Nem sempre, no entanto, as coisas foram pacíficas. Houve provocações quando o cortejo se cruzou com adeptos portistas, embora sem grande aparato ou consequências lamentáveis. Inevitável, contudo, o libertar de emoções com adjectivos menos abonatórios, de parte a parte, mas como a festa era crescente e vermelha o povo rapidamente desmobilizava quando se pressentia algum problema. Os batedores fizeram um trabalho difícil desde que o veículo deixou o Bessa, cerca das 23 horas. Havia carros da polícia não identificados para precaver problemas nas zonas onde a marcha tinha de ser muito reduzida.

Obras complicam

Para além do povo que se juntou aos milhares, principalmente nas rotundas por onde o trio passou, o mais difícil ainda teve a ver com a Avenida da Boavista, que está em obras já perto do Castelo do Queijo. Com uma faixa apenas, nem os batedores conseguiram fazer milagres e, então, a marcha foi mesmo lenta.
Mas quem se importou com isso? O trio vermelho deixou a cidade e entrou pela madrugada, rumo a um aeroporto que estava pintado de encarnado, onde chegou duas horas depois.

Ser campeão é espectacular e foi tão difícil!
SIMÃO foi original nos festejos ainda no balneário do Bessa, ao puxar de um rádio para pôr a tocar o clássico dos Queen, We Are The Champions, entoado desafinadamente por vários jogadores. Mais tarde, na sala de imprensa, estava ainda bastante animado com a conquista do título. «Uma palavra para definir o que sinto? Impressionante! É uma sensação indescritível, foi tão difícil depois de tanto trabalharmos para sermos campeões. Vencer o campeonato por este clube é algo de espectacular», começou por contar.

Simão e Nuno Assis — rostos de querer e determinaçãoSimão cumpriu os 34 jogos pelo Benfica sendo, naturalmente, um dos mais cansados. Mesmo assim, nesta altura, pouco importou: «Fui trabalhando durante toda a época e se joguei as 34 jornadas é porque tentei dar o máximo, não só para debelar o problema que tenho [princípio de pubalgia] mas para ajudar os meus companheiros. Esta é uma época que jamais esquecerei! »
O campeonato durou mesmo até ao fim, com a decisão a ficar suspensa entre FC Porto e Benfica, depois de os encarnados terem derrotado o Sporting na Luz. Qual o adversário mais difícil? A resposta foi actual: «Foi o Boavista, que também é um grande clube e foi com quem jogámos hoje [ontem], mas se tiver que escolher entre os outros dois diria que foi o Sporting.»
Simão confessou que os jogadores «sempre acreditaram nesta conquista», apesar da sucessiva perda de pontos e do aproximar dos adversários. «Não sei definir, mas sempre acreditámos. Não queríamos morrer na praia. Se gostava que Trapattoni continuasse? Agora não é altura para falar sobre isso, nem temos de ser nós a falar, agora é tempo de festejarmos! », concluiu.
Antes, no relvado, as emoções estiveram mais à flor da pele: «Foi muito trabalho, todos merecemos. É um dia inesquecível, sofremos até ao fim porque temos adeptos fantásticos. Passámos por fases menos boas, mas por este clube podemos sofrer e ter esta braçadeira de capitão é um orgulho. »

Finalmente sou campeão!
HÁ muito que Nuno Gomes, um dos símbolos do Benfica, perseguia o título de campeão nacional.

Nuno Gomes levou a filha, Laura, à festa do título
Não o conseguiu ao serviço do Boavista, não o conseguiu na primeira vez que representou as cores da Luz, não o conseguiu na Fiorentina e estava muito difícil levantar o caneco na terceira temporada que leva de águia ao peito, depois do interregno italiano.
No sexto ano a sentir Benfica, a cantar Benfica e marcar golos pelo Benfica, tantas vezes parecendo um simples adepto, Nuno Gomes pode dizer: «Finalmente sou campeão!»
O avançado foi dos que mais exultaram com a vitória. Foi ele quem mais rodou a camisola no ar, com a mão direita, em pleno relvado, que nem um menino louco, louco de alegria.
Precisamente no mesmo palco, agora mais moderno, mas mantendo a alma de sempre que o viu nascer: o Estádio do Bessa.

Sempre sem medo

Na sala de Imprensa, com muito humor, e na companhia de Simão Sabrosa e Nuno Assis, o camisola 21 do Benfica não teve problemas em expressar o que lhe ia na alma.
«Tudo isto é fantástico! Nunca tivemos medo algum de perder o campeonato e penso que essa foi a nossa grande arma. Por tudo aquilo que fizemos e pela força e fé que os nossos adeptos nos deram ao longo do campeonato. O mérito da vitória também é deles! Foi outra arma que tivemos, pois foram incansáveis », disse Nuno Gomes, antes de estender o discurso: «Além do mais considero uma sensação fantástica poder festejar o título de campeão nacional pelo Benfica precisamente neste Estádio do Bessa, que muito me diz, precisamente por ser o palco onde dei os primeiros passos na minha carreira de futebolista.»

Mérito partilhado com todos os benfiquistas

Na hora de partilhar alegrias partilham-se também os elogios. Nuno Gomes não quis especificar o mérito. O resultado de um campeonato ganho 11 anos depois é fruto do trabalho de todos: «Dos jogadores, treinadores, equipa médica, de todos, sem faltar, até do assessor de Imprensa! »

Estabilidade faltou noutras temporadas

Com tantos anos de carreira feita no Benfica, o internacional português percebe agora o que falhou nas épocas anteriores: organização, um grupo conhecedor de si mesmo, uma estrutura forte, em suma, estabilidade.
«Este ano trabalhámos para atingir este grande objectivo. Passámos por momentos muito complicados no passado, desde mudanças de Direcção, problemas internos, etc. Agora existe um projecto sólido no Benfica, um grupo de jogadores que trabalha em conjunto, que o faz já o há muito tempo por isso tivemos sucesso», explicou o ponta-de-lança, antes de voltar... à festa.

De coxos e coitadinhos a campeões com justiça
EMOCIONADO, não poucas vezes com as lágrimas quase a escorrerem-lhe dos olhos. Luís Filipe Vieira falou ontem com orgulho e muito sentimento. «Agradeço a todos os benfiquistas, mas primeiro aos meus, desculpem-me. A minha mulher e os meus filhos sabem o que eu passei para ser campeão. Eles merecem esta festa.»
E, na hora de agradecimentos e festejos, o líder da Luz lembrou um episódio que marcou toda a família benfiquista: «Prometi a mim mesmo, logo após a morte de Fehér, que iríamos ser campeões. Esta é uma vitória de todos os benfiquistas. Vencemos este campeonato de forma limpa e totalmente justa», começou por afirmar o presidente encarnado. Filipe Vieira assegurou que, da parte do Benfica, não existiu qualquer «jogada ilícita », seja em que sentido for. «Fomos sempre sérios, dentro e fora do campo. Um dia destes conto umas histórias engraçadas sobre este campeonato, mas não agora. É um grande momento para nós e pedimos a todos os benfiquistas para que sejam grandes também na vitória. Agradeço a todos os adversários, sem eles não haveria campeão.»
O presidente, sem presunção, elogiou o trabalho que desenvolveu, juntamente com a sua Direcção: «Tenho a noção que reactivei alguns dos grandes valores do Benfica e, já tinha dito, quase no início da época, que iríamos festejar o título de campeões no Estádio do Bessa. Quase que chegaram a chamar-nos coxos e coitadinhos, mas merecemos ser campeões.»
Quanto ao seu futuro na frente dos destinos do clube, o presidente encarnado foi apenas enigmático: «Tenho a noção que esta é uma missão quase cumprida. Mas esta não é a melhor altura para responder a essas perguntas.»
Filipe Vieira fez questão, ainda, de agradecer a forma como foi recebido no Bessa: «Temos e sempre tivemos boas relações».



domingo, maio 22, 2005

BENFICA !!


Benfica Campeão





Estes jogadores merecem o título
GIOVANNI TRAPATTONI, treinador do Benfica, fez ontem apenas uma curta declaração sobre o jogo de hoje, como Boavista. E apenas por «respeito ao trabalho dos jornalistas». Porque o tempo não é de falar, no seu entender, antes de total concentração, falou dos «90 minutos mais importantes de 10 meses de trabalho» e da sua convicção sobre a conquista do campeonato: «Os jogadores merecem o título».
Se dependesse apenas da sua vontade, Trap não estaria ontem na habitual conferência de imprensa nas vésperas dos jogos do Benfica .
«Por respeito ao trabalho dos jornalistas» foi a justificação para ter comparecido na sala de imprensa do hotel, nas Pedras d’El Rey.
Limitou-se a proferir uma curta declaração, sem a fase de perguntas e respostas, à semelhança do que acontecera na semana anterior, na véspera do jogo com o Sporting.
«Nesta altura não há muito para dizer. Há cerca de dois meses disse que faltavam oito jogos, oito finais. Amanhã [hoje] temos o jogo mais delicado de toda a temporada», frisou. E resumiu o estado de espírito no que à SuperLiga diz respeito: «Os jogadores sabem da importância deste jogo. E penso que os jogadores merecem este título. »
Giovanni Trapattoni enfatiza que «faltam agora 90 minutos, os mais importantes de 10 meses de trabalho». E nestes momentos, o que se pode dizer? «Não devemos dizer nada. Estamos num nível máximo de concentração». Depois, independentemente do resultado, de haver ou não direito a festa, será então o tempo de Trapattoni se disponibilizar para todas as perguntas. «Após mais estes 90 minutos, após mais este jogo, teremos muito tempo para falar», concluiu, recolhendo para o interior do hotel onde se juntou às suas tropas.
Certo é que a posição de ontem já era esperada. Porque já a tinha tomado antes do jogo com o Sporting e porque a entrevista que deu ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, onde reconhecia, entre outros aspectos, a vontade de regressar a Itália, seria sempre alvo de uma série de perguntas dos jornalistas portugueses. Para evitar dispersões e ruídos provocados pela própria entrevista, que deu para Itália, Trap optou então por um compreensível discurso minimalista. Onde assume que ser campeão é uma questão de justiça para os seus jogadores.

Trap aposta no onze que mais gosta
RICARDO ROCHA confirmou no treino de ontem que se encontra apto para o jogo com o Boavista, tal como Dos Santos, Manuel Fernandes e Miguel, que fizeram uma preparação específica para o treino, mas trabalharam de novo sem limitações. Ou seja, Trap vai apostar de novo na sua equipa preferida. No mais, uma sessão em que o treinador realizou uma ligeira palestra e ensaiou lances de bola parada.
Quim; Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos; Manuel Fernandes e Petit; Geovanni, Nuno Assis e Simão; Nuno Gomes. É este o onze preferido de Trap, aquele em que o treinador italiano aposta se tiver todos os jogadores disponíveis. Por isso, dormiu descansado por considerar que tem todos os principais trunfos em condições, num dia em que se decide o próximo campeão nacional.
Já anteontem Ricardo Rocha, a principal dúvida, se tinha treinado sem limitações. Ontem, a boa notícia da confirmação do estado clínico do central, sem precisar de trabalho específico antes da peladinha. Melhores parecem estar igualmente Manuel Fernandes e Miguel. Quer dizer, estão aptos a jogar, mas têm feito treino físico condicionado, face ao enorme desgaste que sentem nesta fase da época. Ontem, sob o comando de Rodolfo Moura, ambos fizerem um ligeiro condicionamento da parte física, mas mais leve do que na véspera, pelo que também se treinaram sem limitações.
Em relação ao dia de trabalho, tudo começou com os habituais meiínhos. Depois, o treinador reuniu os jogadores à sua volta para uma curta palestra e submeteu os seus pupilos, comandados pelo preparador físico Fausto Rossi, a exercícios físicos com obstáculos.
Já longe dos olhares de jornalistas e público, realizou-se o treino de conjunto e, a finalizar, o apuro de situações de bola parada. E assim terminou o último treino do campeonato.

Segurança máxima na viagem do grande sonho vermelho
NUNCA o Benfica teve tamanha protecção policial numa viagem de autocarro. Escolta de carros patrulha, pontes controladas, sigilo sobre o hotel que iria acolher a comitiva. Máxima segurança, tratamento ao nível de chefe de Estado. É o que dá tentar ser campeão em território inimigo...
Onde dormirá o Benfica? A pergunta foi colocada por A BOLA durante esta semana, com uma justificação: a SAD iria fazer tudo por tudo para o autocarro do clube efectuar uma viagem tranquila entre o Oeste e o Norte do País. Daí manter total sigilo sobre o hotel e localidade escolhidos pelos para passar as últimas horas de estágio, que precedem o encontro com o Boavista.
E confirmou-se: os jornalistas apenas souberam que a águia ficou em Santo Tirso porque... seguiram a viatura do clube. Evitaram-se assim eventuais iniciativas de adeptos rivais, surgiu, isso sim, uma espontânea manifestação de apoio benfiquista dos tirsenses, muitos deles sem acreditar que os seus craques de eleição estavam bem perto de casa. Cerca de meia centena juntou-se nas imediações daquela unidade hoteleira num espaço de três minutos (!), soltando Benfica, Benfica...

GNR e PSP elásticos

Mas as medidas de segurança não ficaram pela informação que não surgiu. A GNR colocou de pronto duas viaturas a acompanhar o autocarro da equipa desde a saída do hotel na Praia d’El Rey, em Óbidos.
Um batedor à frente e uma viatura civil, mas devidamente identificada com a respectiva sirene. Chegados ao final da auto-estrada A8, entrou-se na A1, em Leiria, e aí percebeu-se que as forças de segurança tinham tudo planeado: três brigadas de trânsito num espaço de um quilómetro mostravam a todos que ia ali alguém importante e que não podia ser incomodado...
Na estação de serviço da Mealhada. Um banho de multidão, muitos autógrafos, boa disposição dos jogadores e treinadores, e uma passagem de testemunho: o batedor e a viatura civil que viajara de Óbidos dava lugar a outro par igual, mas da divisão de Coimbra.
Avança o autocarro e os sinais de máxima segurança aumentam: surgem um, dois, três (!) carros patrulha na Auto-Estrada, acompanham a caravana alguns minutos e depois aceleram. Percebia-se mais tarde: iriam estar em pontos estratégicos, tal como muitos outros elementos da GNR e da PSP: não houve ponte sobre a A1 sem a presença de forças policiais.
Chegados a Santo Tirso, manteve-se a sensação de segurança. Rua fechada, movimentos controlados e elementos da PSP em permanência.
Terminava uma viagem de três horas e meia sem mácula, digna de chefe de Estado. A viagem do sonho vermelho, a cor do autocarro que concentrou todas as atenções, até a quem passava... junto ao Estádio do Dragão.

Fica, Trap!
EUSÉBIO gostava de ver Trapattoni continuar no Benfica. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o grande embaixador do futebol português considerou o italiano um dos melhores treinadores do Mundo e elogiou o seu trabalho à frente da equipa encarnada, ao serviço do qual pode conquistar o seu 8.º título de campeão.
Para Eusébio, Giovanni Trapattoni é um treinador que sabe de táctica, técnica e, como antigo jogador, conhece bem a mentalidade dos jogadores. «Aqui no Benfica, fez um grande trabalho, disso não haja dúvidas », afiançou.
Deixando claro que a decisão de contratar o técnico italiano não passou por ele, Eusébio lembrou que Trapattoni é alguém que não precisa de recomendações. «Pelo que sei, apenas teve azar no Japão e como director técnico. De resto, ganhou tudo e está perto de repetir o êxito em Portugal. Mas vamos aguardar pelo jogo com o Boavista. Eu, no lugar do Giovanni, benzia-me antes de entrar em campo», aconselhou, reforçando a ideia: «Se ele conseguir conquistar o campeonato e a Taça de Portugal, logo no primeiro ano, será um enorme sucesso. Mas mesmo que falhasse esse objectivo, repito, fez uma grande época. O Benfica está muito contente com Trapattoni e eu também.»

Talvez ganhasse a Taça UEFA

Confrontado pelo jornalista com a reacção dos adeptos e da imprensa às substituições de avançados por jogadores mais defensivos, Eusébio saiu novamente em defesa do italiano. «Respeito os pensamentos de toda a gente, mas não estou de acordo com essas críticas. Felizmente, Giovanni tem a experiência e carácter suficiente para não acusar essa pressão. Essa história de Trapattoni e o futebol italiano serem muito defensivos é antiga e falsa. Para se vencer um campeonato há que marcar muitos golos e para isso é preciso jogar ao ataque. O Benfica fê-lo, à sua maneira, de uma forma menos ingénua.
Conhecedor da vontade do técnico em regressar a Itália, Eusébio deixou-lhe uma mensagem: «Peço-lhe para ficar, pois pode abrir um novo ciclo com o meu querido Benfica! Mas é um homem inteligente e sensato. Se decidiu, deve ter boas razões para isso. Se sair, resta-me dizer-lhe obrigado », culminou.



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