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sábado, abril 30, 2005
Será que Trap vai voltar a mudar? NA última jornada, Trapattoni surpreendeu meio mundo: voltou a colocar Moreira como titular da baliza depois de ter dado esse posto a Quim durante 15 jornadas consecutivas. Agora, esperava-se que Trap mantivesse a sua aposta e a manifestasse na sua conferência de imprensa de ontem. Engano. O treinador italiano voltou a surpreender e assumiu a dúvida: em boa verdade, disse não ter decidido ainda se joga Moreira ou Quim. O Benfica tem os dois guarda-redes em grande forma e a luta promete ser intensa. Mas nem eles esperariam isto na ponta final do campeonato. "Joga ele ou jogo eu?" Esta a pergunta que Quim e Moreira devem ter feito a si próprios vezes sem conta, nos últimos dias. E quando se esperava que Trapattoni acabasse com as dúvidas, elas aumentaram ainda mais, ontem, quando o treinador chegou à conferência de imprensa e baralhou os jornalistas: o treinador ainda não decidiu quem vai para a baliza. Depois das palavras do treinador italiano sobre esta matéria [ver pág. 6 e 7] a interrogação ganhou mais consistência, uma vez que a porta ficou aberta a ambas as possibilidades: pode voltar a jogar Moreira, pode regressar Quim. Trapattoni trocou Moreira por Quim por razões psicológicas; foi o que disse. Aparentemente, devolveu a titularidade ao primeiro pelos mesmos motivos. Manda a lógica que Moreira volte a ser o escolhido, mas o treinador não quis confirmá-lo, transmitindo mesmo a ideia de poder voltar a trocar de guardião. No treino ontem realizado à porta fechada, Moreira foi o eleito para alinhar pela equipa que será titular, mas informações recolhidos mais tarde por A BOLA dão conta de que o treinador está de facto indeciso. Curiosamente, foi depois da humilhante derrota no Restelo (1-4), na primeira volta, que Trapattoni optou por trocar Moreira por Quim. Esta temporada, recorde-se, e em todas as competições, Moreira tem 22 golos sofridos no mesmo número de jogos e Quim 24 em 23 presenças. Depois de ter optado por Moreira frente ao Estoril, será que Trap vai volta a mudar? Derrota humilhante deve servir de lição SE Giovanni Trapattoni já não esperava facilidades na deslocação ao Algarve para defrontar o Estoril, com o Belenenses muito menos. O técnico italiano ainda tem bem guardado na memória as imagens da humilhante derrota (4-1) sofrida no Restelo e, tal como os seus jogadores, prevê mais um jogo de elevado grau de dificuldade logo à noite, apesar de a sua equipa beneficiar do factor casa. Se os pupilos falharem novamente, não será por falta de aviso. "Não é fácil falar do confronto com o Belenenses, porque até 22 de Maio vão ouvir-me repetir o que sempre disse, ou seja, o próximo jogo é importante, muito difícil e temos de manter a atitude. " Trap pede, acima de tudo, a máxima concentração aos seus jogadores ante a equipa que lhes infringiu a derrota mais humilhante na presente edição da SuperLiga: "Faltaram-nos três ou quatro titulares, mas foi, sem dúvida, humilhante. Espero que os jogadores tenham aprendido a lição. Todos os jogos são difíceis e o último com o Estoril é um bom exemplo. Aproveito para felicitar Litos pela atitude que a sua equipa teve em campo." Conhecedor das características do Belenenses, Giovanni Trapattoni tirou uma radiografia ao adversário, indicando a seguir qual a estratégia ideal para neutralizar os pontos mais fortes da equipa de Carlos Carvalhal: "É uma equipa vocacionada para o contra-ataque. Quando sofremos aquela derrota tão humilhante, o treinador deles disse que assim era fácil ganhar ao Benfica. Ficou a lição, agora vamos confirmar se os meus jogadores aprenderam mesmo com os erros cometidos no Restelo. Lá, Antchouet foi um desastre para o Benfica e Juninho, que eu só conhecia por Petrolina, foi outra dor de cabeça. Mas Paulo Sérgio e Lourenço são também muito velozes. " Miguel só jogará a cem por cento Embora Trap tenha falado em quatro jogadores, foram sete dos actuais titulares a falhar a deslocação ao Restelo. Miguel foi um deles, mas tudo indica que o lateral-direito fará parte do onze titular logo à noite. "Um jogador de 24 ou 25 anos deve saber se está em condições de jogar. Miguel treinou-se bem e antes do jogo irá fazer um derradeiro teste. Antes, vou falar com ele. Uma coisa é certa, só será utilizado se estiver a cem por cento." O italiano valorizou, por último, as capacidades dos outros candidatos ao título, esquivando-se a opinar se o Sporting lhe parecia uma equipa cansada nesta altura: "Devemos pensar apenas em nós, olhar sempre para a frente e enfrentar cada jogo com mentalidade vencedora. Todos os candidatos têm qualidade, somos equipas diferentes. Quando estava no Inter, o Milan tinha Baresi, Rijkaard, Van Basten e outras estrelas, mas defrontámo-los e ganhámos. No final da Liga, tínhamos mais 15 golos." Jovens dominam sócios UMA das conclusões mais animadores do processo de renumeração dos sócios do Benfica foi a constatação de que mais de metade tem menos de 35 anos. Se fosse possível fazer um retratorobot dos actuais 94700 sócios, o sócio-tipo teria 30 anos, viveria em Lisboa, era da classe média e tinha o ensino secundário por habilitações literárias. Feito o estudo, o Benfica avançou com um plano de intervenção em quatro áreas: novo cartão, ligação ao clube, apoio continuado e pertença. Durante o mês de Março o Benfica pediu aos associados com as quotas em atraso que regularizassem a situação, já que pretendia fazer uma renumeração de sócios, a base para o lançamento do novo cartão e para fazer um retrato do seu universo de associados. Feita a recontagem, o Benfica ficou com 94700 sócios com ligação real ao clube, um número considerado reconfortante. Depois, foi elaborado um estudo para se conhecer melhor esse universo. A conclusão mais animadora vai para a idade dos sócios. Perto de 57 por cento dos associados têm menos de 35 anos. Uma realidade prometedora do ponto de vista do investimento do Benfica na força e na capacidade mobilizadora. De resto, o escalão maioritário situa-se entre os 25 e os 35 anos. Falamos de população activa, do alvo preferencial de muitos dos parceiros actuais e potenciais do clube da Luz. Falando de distribuição geográfica, naturalmente que o distrito de Lisboa esmaga, com 69 por cento, seguido de Santarém, a mais de 60 por cento de distância. Aqui, pretende o Benfica alterar o status quo. Não só procurando em cada distrito as melhores vantagens comerciais e financeiras para quem aderir ao novo cartão de sócio, como trabalhando forte nas Casas do Benfica, concedendo a todos os sócios, em todo o Mundo, a possibilidade de, por exemplo, elegerem o próximo presidente. Apostar no aumento do número de sócias é outra das prioridades. Quatro planos de acção Feito o estudo, foi elaborado um plano de intervenção junto dos sócios, em quatro planos fundamentais: 1 - Introdução de um novo cartão de sócio, com descontos [ver outra peça]; 2 - Incrementar a ligação dos sócios ao clube, através de newsletter, e-mail, Jornal, Benfica TV (projecto em negociação). 3 - Alimentar o sentimento de pertença, com maior proximidade aos jogadores e presidente, com cartas personalizadas, alargamento do direito de voto a todos os sócios de todo o Mundo e um projecto ainda em segredo, para crianças, o kids club. 4 - Incentivar o apoio continuado dos sócios, quer através das quotas, da quota suplementar, da aquisição de cativos, etc. Um plano com um lema sugestivo: Cultivar a Paixão e Emoção, sem Esquecer a Razão. O balneário quer ser campeão A presidência aberta continua. Em Tomar, onde se festejou o 50.º aniversário da terceira casa mais antiga do Benfica, Luís Filipe Vieira, reafirmou, perante mais de três centenas de benfiquistas, o desejo de unir a família encarnada em torno da equipa e de um sonho bem conhecido. O balneário quer ser campeão, reafirmou o presidente. O leilão da camisola do Benfica autografada pelos jogadores não ilustrou com justiça o fervor que se encontrava na sala. 100 euros apenas, porque o novo proprietário se deixou sensibilizar por um speaker esforçado, acabaram por pecar por defeito, ao invés do que sucedeu com a afluência de benfiquistas à festa. Não eram mais que duas dezenas, no início, quando Luís Filipe Vieira marcou presença na Comissão de Iniciativa e Turismo de Tomar, e, depois, na visita à casa do Benfica naquela cidade, mas no momento da verdade, durante o jantar do 50.º aniversário da Casa, presidida por Virgílio Saraiva, celebrado anteontem, estavam mais de 300 pessoas na sala, ávidas de palavras gloriosas ou apenas de uma palmadinha nas costas do seu presidente. E Luís Filipe Vieira não desiludiu. Não obstante o cariz pedagógico do seu discurso, menos inflamado do que em outras ocasiões, e mais direccionado para a obrigatoriedade de "apoiar o Benfica", as palavras foram recebidas como se de oxigénio se tratasse. O recentemente apresentado projecto empresarial, com críticas dirigidas ao negativismo dado pela Imprensa ao passivo, que ronda os 324 milhões de euros, o cartão do adepto, o apelo à presença massiva de sócios nas reuniões magnas - "Custa-me que não estejam mais de 300 ou 400 pessoas nas assembleias gerais. Não pode ser! Têm de se mobilizar!"-marcaram a primeira parte de um discurso que não acabaria sem as palavras mágicas: "Amanhã [hoje] temos mais uma final na caminhada que desejamos rumo ao título. Aquele balneário quer ser campeão. Temos de dar o exemplo, ainda que nos jogos as coisas nem sempre corram da melhor maneira, e se todos estivermos em sintonia e não assobiarem os jogadores hão-de ver que eles têm capacidade e garra mais do que suficiente, contra tudo e todos, para serem campeões nacionais." O antigo secretário da mesa da assembleia geral do Benfica, no tempo de Vale e Azevedo, Correia Leal, esteve presente no jantar e apertou a mão de Luís Filipe Vieira. Acto significativo, se recordarmos que não há muito tempo a actual Direcção propôs, em reunião magna, a expulsão de associado de Correia Leal e de outros membros do elenco de Vale e Azevedo. sexta-feira, abril 29, 2005
Em nome de 14 milhões LUÍS FILIPE VIEIRA, presidente, e Domingos Soares Oliveira, administrador da SAD e homem forte das finanças das empresas do universo Benfica, apresentaram ontem o projecto "Mais 100 Anos Gloriosos". Os segredos para a recuperação financeira e desportiva são revelados. Efectuada uma curta viagem sobre a obra feita, apresentado o novo cartão de sócio e até revelado um estudo em que se mostra ter o Benfica mais de 14 milhões de adeptos espalhados pelo Mundo, todos esperam um Benfica glorioso. Obra feita "O Benfica está muito diferente, melhor e mais forte". Eis como Luís Filipe Vieira resume a evolução do clube a que preside. Tempo para uma curta viagem ao que foi feito. Como o estádio novo, o complexo comercial e desportivo que honra o ecletismo (pavilhões e piscinas); o centro de estágio que emerge no Seixal, pronto até final do ano e que já receberá a equipa na pré-temporada; o museu que será inaugurado até final do ano. Noutro plano, orgulhou-se dos ordenados em dia; das contas acertadas com o fisco; da contratação dos "melhores gestores"; da definição de políticas comerciais, financeiras e económicas; da resolução de "95 por cento" das situações litigiosas; das propostas para "moralização do futebol "; do trabalho para o lançamento do novo cartão de sócio; do incremento das relações com as casas. Vincou a "evolução positiva dos resultados económicos e financeiros". Enfim, um Benfica gerido com mais "racionalidade", "profissionalismo". Exemplos. Objectivos 2005/06 Em termos financeiros o objectivo é chegar ao equilíbrio de todas as empresas no final de 2006; manter a já alcançada estabilidade de tesouraria; concluir a resolução de situações que afectam o passivo. No plano comercial, incremento de receitas. No plano externo, aumentar a credibilidade do universo Benfica, posicionar a marca Benfica em Portugal e estrangeiro; incrementar a relação com os simpatizantes. No plano interno, terminar o centro de estágio; emprestar a maior eficácia à gestão, nomeadamente pela informática; identificar colaboradores com objectivos do Benfica. E são quatro as linha orientadoras para que se cumpram os objectivos económicos: 1 - Implementar o novo cartão de sócio, obtendo 10 milhões de euros durante 2005/06 e 20 milhões a partir de 2006/07; 2 - Garantir receita anual de 10 milhões de euros com a venda de jogadores. 3 - Estabilizar as receitas associadas ao Benfica Estádio. 4 - Manter a política de contenção de custos Sucesso desportivo As bases para o sucesso desportivo assentam em vários vectores: Definição de conceito de jogo do Benfica, independentemente dos treinadores, desde a formação aos seniores; Aposta na formação; Centro de estágio de qualidade; Integração continua entre formação e equipa principal; Estratégia na prospecção; contratação de jogadores e treinadores de inegável qualidade, identificados com a mística e valores do Benfica; Gestão desportiva profissionalizada; Estádio cheio. Equilíbrio financeiro Espera o Benfica atingir o equilíbrio financeiro pelo cumprimento das seguintes orientações: Rigor no reforço da equipa; venda planificada de jogadores; Incremento de sócios; Estádio cheio; Elevada capacidade de captação de patrocínios; negociação mais exigente dos direitos televisivos; incremento das receitas de merchandising e em eventos extra-deportivos; participação continuada na Liga dos Campeões; Contenção de custos. Será o início do ciclo vicioso: equilíbrio financeiro gera capacidade de investimento, que resulta em sucesso desportivo e este no incremento de receitas. 10 projectos estratégicos São dez os projectos para o futuro, unidos num único lema: "Mais 100 anos gloriosos". A saber: 1 - Novo cartão de sócio (ver peça à parte); 2 - Nova estratégia comercial; 3- Implementação de política continuada de venda de jogadores; 4- Reestruturação da dívida num PUBLICIDADE plano de médio-longo prazo, 5 - Reposição e equilíbrio dos capitais próprios; 6 - Definição de modelo de governo; 7 - Implementação dos serviços partilhados para funções de Back-Office; 8 - Reformulação das políticas e meios de comunicação; 9 - Estabilização dos sistemas de informação; 10 - desenvolvimento de uma política integrada de Recursos Humanos. Alguns dos projectos estão concluídos, outros em vias de conclusão, o mais atrasado é o do cartão de sócio. Contas a melhorar Foi ainda apresentado o balanço consolidado de 2003/04 e oito meses de 2004/05. Principal conclusão: um balanço negativo de 11,4 milhões de euros, bem melhor do que os 21,6 milhões negativos de 2002/03. Objectivo? Chegar a zero em 2005/06. 3 Regressos MIGUEL voltou ontem a treinar-se sem limitações, reforçando assim a disponibilidade para marcar presença no jogo de amanhã. Mas o lateral-direito não constitui a única novidade no onze de Trap. Manuel Fernandes regressa após ter cumprido castigo e Dos Santos volta a ganhar o lugar a Fyssas. Com todo o plantel disponível, permanecem dúvidas em relação à baliza e em relação à situação disciplinar de Luisão, que tem nove cartões amarelos. Trapattoni volta a ter disponíveis, para o jogo com o Belenenses, todos os jogadores. Miguel está recuperado da lesão que o afastou do encontro com o Estoril - dores musculares na coxa direita - regressando assim ao seu habitual posto, por troca com João Pereira. O lateral cumpriu todos os exercícios do treino de ontem, sem qualquer tipo de condicionalismo, incluindo a peladinha. Mostrou-se algo cauteloso em alguns lances de maior contacto físico, mas por simples e natural precaução. Prova disso mesmo é que o camisola 23 teve direito a receber, logo no início da sessão, o colete de titular. O mesmo aconteceu com Manuel Fernandes, que não defrontou o Estoril por castigo disciplinar (dez cartões amarelos), e Dos Santos, que foi surpreendentemente relegado por Fyssas para a bancada, no jogo do Algarve, preparando-se agora para recuperar o estatuto de titular. Dúvida na baliza Além destas três alterações, o resto do cenário não sofre mexidas: Moreira, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Geovanni (foi reintegrado depois de ter faltado na véspera, por ter sido pai pela segunda vez),Nuno Assis, Simão e Nuno Gomes. Foi este o onze ontem testado por Trapattoni e que deve entrar em campo amanhã. A principal dúvida reside, por isso, na baliza. Moreira é o provável titular, mas já ninguém arrisca prognósticos neste tema. Na peladinha, Trapattoni fez questão de colocar os dois concorrentes a jogar pelos titulares, meia parte cada um. Primeiro Moreira e depois Quim. Atenção Luisão! A situação disciplinar de Luisão tem de ser gerida com prudência e inteligência por parte dos responsáveis técnicos do Benfica. É que o gigante brasileiro tem nove cartões amarelos nas competições portuguesas. Se a décima cartolina não surgir de forma natural, de acordo com as incidências do jogo, Luisão deverá forçar a amostragem com o Belenenses para limpar o castigo frente ao Penafiel e poder defrontar o Sporting. As outras hipóteses são simples: tentar arrastar os nove cartões até ao jogo que pode decidir o título ou ser poupado por Trapattoniem Penafiel. Mas isso não resolve o problema, apenas o adia. E depois da recepção ao Sporting vem a deslocação ao Bessa, que pode ser tanto ou mais importante que o duelo com os rivais da Segunda Circular. quinta-feira, abril 28, 2005
Contem com ele! BENFICA na máxima força para receber o Belenenses e tentar manter os três pontos de avanço para os directos perseguidores. Trapattoni poderá contar com Miguel, ausente do jogo no Algarve devido a lesão. O lateral não se treinou ontem com os colegas no Jamor porque ficou na Luz a fortalecer a zona debelada, o que lhe permitirá apresentar-se em boas condições no sábado. Hoje é possível que já se treine sem limitações. Os adeptos e, principalmente, Giovanni Trapattoni, podem contar com ele. Miguel não esteve disponível na última jornada devido a uma mialgia na coxa direita (o termo reflecte apenas dores musculares, nada de muito grave), mas até esteve perto de dar o seu contributo à equipa na difícil vitória sobre o Estoril. O lateral chegou inclusive a fazer um teste minutos antes do jogo, mas entendeu-se que seria arriscar uma lesão bem mais grave. Ao descansar no jogo algarvio, Miguel ficou com tempo para recuperar e apresentar-se sem quaisquer limitações no encontro seguinte. É isso que o camisola 23 tem feito. Por esta razão não acompanhou os colegas na curta viagem ao complexo do Jamor, onde decorreu o único treino do dia, de modo a realizar trabalho específico no ginásio e no relvado do Estádio da Luz (na sua companhia esteve Rodolfo Moura e o avançado da equipa B, João Vilela, também ele a recuperar de lesão). O objectivo é muito simples: fortalecer a zona desgastada e ficar em totais condições para alinhar frente ao Belenenses, ao princípio da tarde de sábado. Ao que A BOLA apurou, é certa a presença do internacional português na partida com os azuis do Restelo. Falhou 18 jogos por lesão Miguel tem sido perseguido por várias lesões na presente época. O lateral já falhou 18 jogos pelos encarnados (SuperLiga, Taça UEFA e Taça de Portugal) devido a problemas físicos, desde roturas e microrroturas musculares até entorses, uma delas no joelho direito que o empurrou para a mesa de operações: foi a 25 de Novembro que se submeteu a uma artroscopia no Hospital Amadora-Sintra, razão pela qual esteve um longo período fora dos relvados. Será por esta razão que Miguel não tem apresentado a mesma regularidade comparativamente à época passada, em que foi dos jogadores mais utilizados do plantel. Mesmo assim, tem sido importante para a equipa e continua a despertar o interesse de vários clubes europeus. Quim vs Moreira O tema discute-se em cada café de Portugal, em cada conversa entre benfiquistas e amantes do futebol em geral. Quim ou Moreira, quem é o melhor, quem merece ser titular na baliza do Benfica? A BOLA apresenta uma grande comparação estatística entre os dois guarda-redes, na qual a frieza dos números dá ligeira vantagem a Moreira, embora o equilíbrio seja notório. A forma mais justa de analisar o comportamento de Moreira e Quim passa por tomar em consideração o somatório de todas as competições que o Benfica disputou e ainda disputa esta temporada. Limitar a análise unicamente à SuperLiga ou aos jogos europeus, por exemplo, é olhar apenas para partes do todo. Nada melhor, por isso, do que fazer ambas as coisas. Naturalmente que, depois de lerem este trabalho, os defensores de Quim e Moreira continuarão fiéis aos seus argumentos, mas o objectivo não passa por dizer quem é o melhor ou merece ser titular. Pretende-se antes colocar todas as cartas em cima da mesa e retirar as conclusões objectivas a que os números obrigam. O resto continuará a fazer parte da discussão apaixonada, na qual até pode argumentar-se individualmente cada um dos jogos dos dois concorrentes. Mas essa é a parte subjectiva da questão. Na SuperLiga Seguindo a ordem dos quadros e tomando como referência as carreiras na SuperLiga (antes de nos centrarmos no Benfica e na presente época), Moreira (média de 0,8 golos sofridos por jogo) leva clara vantagem sobre Quim (média de 1,2): mas este ângulo de análise é injusto uma vez que Quim defendeu a camisola do Sp. Braga nos últimos anos, estando por isso sujeito a sofrer mais golos. Na Luz No que ao serviço do Benfica diz respeito, Moreira continua na frente - média de 0,8 contra 1, 04- mas tem mais 86 jogos do que Quim com a camisola encarnada. Ainda assim, continua a ter menos golos sofridos do que número de jogos, o inverso do que sucede com Quim. Mas continua a não ser este o palco mais justo, embora a análise seja válida. Esta época Chegamos então ao patamar mais importante: a presente época, em todas as competições. Moreira tem 22 golos sofridos em outros tantos jogos (média de 1); Quim foi utilizado em 23 encontros e foi buscar a bola ao fundo das suas redes em 24 ocasiões (média de 1,04). A vantagem de Moreira é muito ligeira, mas ainda assim evita o empate técnico. Esta será, porventura, a análise mais justa. Contudo, analisando competição a competição (vamos excluir aqui a SuperTaça), constatamos que Quim tem melhor média na SuperLiga (0,8 contra 1,1), nos mesmos 15 jogos, mas Moreira vence na Taça de Portugal (não sofreu qualquer golo nos dois jogos efectuados) e nas competições europeias. Mais vitórias e menos derrotas para Moreira Em relação aos resultados obtidos no somatório de todas as competições, Moreira esteve presente em mais vitórias (14 contra 13 de Quim) e registou menos derrotas (4 contra 6), tendo cada um deles quatro empates. De referir que o empate entre Benfica e Sporting (3-3), para a Taça de Portugal, foi creditado como vitória para Quim, uma vez que os encarnados seguiram em frente na competição, após desempate por penalties. Feito o somatório dos pontos (na Taça de Portugal inclusive, embora seja uma competição a eliminar), Moreira apresenta 46 pontos e Quim 43. Mais uma vez, ligeira vantagem para o camisola 1,mas com números muito próximos. Quim leva vantagem na SuperLiga (30 pontos contra 28) e na Taça de Portugal (9 contra 6),mas tem mais um jogo disputado), mas perde claramente nas competições europeias, onde regista menos uma presença que Moreira (12 pontos contra 4). E agora, Trap? Estes registos estatísticos ajudam a perceber as dúvidas que o próprio Giovanni Trapattoni tem tido. Primeiro Moreira, depois Quim, agora novamente Moreira. A luta promete durar e a discussão deve manter-se acesa nas conversas dos adeptos benfiquistas. E agora, Trap? Quem jogará até final da época? Tudo indica que seja Moreira a acabar como começou. quarta-feira, abril 27, 2005
Não temos medo de ninguém! MANTORRAS é o homem do momento, depois de ter marcado, ao Estoril, mais um golo decisivo. Não puxa dos galões, antes elogia o colectivo. Mas confessa que os golos lhe lavam a alma. Pelo que sofreu e pelo carinho que sento dos adeptos. Para quem teve de lutar tanto, não estranha que diga que o Benfica não tem medo de ninguém. E que está confiante na luta pelo título. «Há muito que não estava aqui. Vamos lembrar como era», desabafou quando se sentou na sala de imprensa. Sorria com timidez, tinha saudades de falar livremente aos benfiquistas, não da sua dor mas da alegria de jogar. — Marcou mais um golo decisivo, frente ao Estoril. Como se sente? — O Pedro não joga sozinho. Todo o grupo está de parabéns. Ultrapassámos mais um objectivo, temos agora de pensar no Belenenses. — O que sentiu ao marcar mais um golo? — Foi mais um momento de grande alegria, mas mais importante que o golo foram os três pontos. — Depois do que passou, os golos não têm um sabor especial? — Foram dois anos de sofrimento. Quando marco um golo, penso no que já passei. Por isso, foi uma grande alegria dar mais três pontos ao grupo. E a todos benfiquistas, que enchem os estádios onde jogamos. — Nesses momentos lembra-se do que passou? — Lembro-me, lembro-me. Eu sei o que me custou. Tenho de agradecer à equipa médica do Benfica que me devolveu a alegria de jogar. Agradeço também ao doutor Cugat. E a Rodolfo Moura, uma pessoa muito importante, que conhece o Mantorras como ninguém. Encontrei neste processo de recuperação as pessoas certas e no momento certo. Do departamento médico aos dirigentes. — Como responde aos que já não acreditavam na recuperação? — Aos que pensavam que eu estava acabado para o futebol digo que sou uma pessoa que acredita sempre. Quando entro numa coisa é para vencer. Sempre acreditei em mim, em Deus e que voltaria a jogar. Meti na cabeça que poderia vencer a lesão. Trabalhando com fé. — Está em condições de jogar os 90 minutos? — Estive parado dois anos. Foi uma lesão muito grave de cartilagem. Que exige muito trabalho, dois treinos por dia. Há que ter calma. As pessoas perguntam porque é que o Pedro não joga os 90 minutos. Porque não é fácil. Porque ainda não estou disponível para tanto. Para já estou em condições de ajudar o Benfica e isso já é uma alegria e um orgulho muito grande. — Aceita que o Benfica tem tremido nos últimos jogos, acusando ansiedade pelo título? — Não acho que exista tremedeira. Estamos confiantes e concentrados. Não temos medo de ninguém. Estamos a fazer o nosso trabalho, o nosso dever, que é ganhar. O campeonato está muito competitivo. E todas as equipas que jogam com o Benfica encaram o jogo como uma final. — A equipa acredita no título sem hesitar? — Queremos ganhar a Taça e ganhar o Campeonato. É esse o objectivo de todos os jogadores do Benfica, é nisso que acreditamos. — Equaciona regressar à selecção de Angola? — Tenho falado com os dirigentes do meu país. Todo o jogador angolano espera jogar na sua selecção. Esse dia vai chegar, mas antes é necessário falar muito bem com o Benfica, com o departamento médico e entre o clube e a selecção. Eu apenas digo que estou disponível. Quero acabar a minha carreira no Benfica «Já estava à espera que me fizessem essa pergunta», comenta Mantorras, com um sorriso matreiro. Que pergunta? Como está o processo de renovação do seu contrato? — Tenho mais um ano de contrato. Pormim, acabava a minha carreira no Benfica. O grande salto na carreira foi quando cheguei ao Benfica. E aqui podia acabar a minha carreira. Se vou renovar? De certeza que vou ficar. Este dossier está a ser gerido pelo presidente, que tem com Mantorras, há muitos anos, uma relação de quase paternidade, e já foi discutido, também, com o empresário Jorge Manuel Mendes. Um processo que se prevê de fácil resolução. O Benfica quer ficar com Mantorras, o jogador quer permanecer e os adeptos exigem a sua permanência. De resto, Mantorras não esquece o carinho dos benfiquistas, determinante para se sentir feliz na Luz: — Nos últimos dois anos os benfiquistas viveram de perto a minha lesão. Puxaram muito por mim. Hoje cheguei aqui e agradeço muito aos sócios do Benfica que puxaram por mim. Tenho a noção de que eles gostam de mim e esperam muito. É uma honra muito grande partilhar desta alegria e euforia muito grande dos adeptos do Benfica. O que sinto em meu redor não tem explicação. Logo, só tenho de entrar dentro de campo e vencer. Miguel ainda limitado MIGUEL fez ontem tratamento e treino específico no relvado do Estádio da Luz, recuperando ainda de uma mialgia de esforço contraída na coxa direita e que o impediu de estar entre o lote de disponíveis para o jogo com o Estoril, no passado sábado. De qualquer forma, tudo indica, face à pouca gravidade da situação, que regresse à competição no jogo desta jornada, frente ao Belenenses. A primeira fase de trabalho de Miguel foi tratamento no departamento clínico. Quase três quartos de hora depois dos colegas, Miguel subiu então ao relvado para 10 minutos de corrida. Leve. Na companhia de Frederico Runa, jovem da equipa B. Depois, mais 10 minutos de exercícios físicos na relva, regressando depois aos balneários. Uma sessão ligeira, com ritmo de trabalho progressivo ao longo da semana, até ser dado como 100 por cento recuperado. Regresso de Alcides Miguel foi a única baixa clínica na sessão de ontem. Sessão que contou já com o central Alcides, regressado do Brasil, onde integrou a selecção de sub-20. No mais, Giovanni Trapattoni orientou ontem uma sessão de trabalho-a primeira após o jogo do Algarve - a dois ritmos. Os titulares no jogo com o Estoril começaram com os habituais meiinhos, passando depois a corrida. Este grupo abandonou o relvado mais cedo, enquanto os não titulares aperfeiçoaram o cruzamento e remate. No final, Everson e Dos Santos ficaram a fazer treino específico. Destaque ainda para uma curta mas animada palestra de Trapattoni aos seus pupilos, no relvado. terça-feira, abril 26, 2005
Futuro de Mantorras é risonho MANTORRAS voltou a ser herói do Benfica numa vitória sofrida frente ao Estoril. Ontem, no Seminário Nacional de Medicina e Traumatologia Desportiva-organizado pelo clube da águia-quando Rodolfo Moura começou a sua palestra sobre reabilitação do joelho todos suspiraram, pensaram que se falaria do caso do jogador angolano. Não deu esse exemplo, o sigilo profissional não o permite, mas no final falou com felicidade do momento que atravessa o avançado que espalha alegria em cada toque ou em cada golo. Rodolfo Moura, enfermeiro do Benfica, tem passado horas atrás de horas a cuidar de Mantorras. Nos últimos tempos diz que se tem sentido contentíssimo com a recompensa. Os golos do angolano são para ele uma dádiva. "Ele merece tudo isto e muito mais. Depois do que sofreu é bom vê-lo assim", disse. Cada golo, cada sorriso do avançado, é vivido de forma especial pelo enfermeiro da equipa encarnada: "Sou por natureza um optimista e sempre senti que Mantorras teria um futuro risonho. É bom vê-lo a dar tanto ao Benfica e ao futebol português e sinto que vai continuar a ser assim." Para explicar o optimismo, socorre-se de uma frase que tinha utilizado antes: "o joelho dele está funcional, indolor, móvel e estável. É isso que se pretende quando se trata um jogador com problemas semelhantes. " Desde Dezembro que Mantorras se treina sem limitações. No entanto faz diariamente trabalho específico. "Terá de ser assim durante toda a vida", diz Rodolfo Moura, acrescentando que o atleta está disposto a esse sacrifício. Das palavras do especialista conclui-se que o angolano tem condições para jogar 90 minutos. Ou seja, é arma secreta de Giovanni Trapattoni por opção técnica. Ou melhor: arma mortífera... Ainda estamos dependentes de a bola entrar ou não FALTAM quatro finais e o futuro da águia joga-se, e muito, em 360 minutos. Luís Filipe Vieira admitiu ontem que o Benfica necessita urgentemente de vencer o campeonato sob pena de o projecto empresarial em curso conhecer um revés. A marca é forte, mas o clube ainda depende da banca. Por isso, uma bola que bate na barra tem consequências bastante mais complexas. Isso mesmo fez questão de realçar o líder dos encarnados, mostrando-se, no entanto, francamente optimista na conquista do título. A atitude dos jogadores dá-lhe essa esperança. "Esta equipa já provou que sabe dar a volta a tudo e todos". Foi este o elogio colectivo de Luís Filipe Vieira aos jogadores encarnados, durante o discurso dirigido aos benfiquistas de Tavira, que ontem viram estrear a sede social da Casa local. O optimismo que reina entre os adeptos é grande, a ânsia de voltar a vencer um título desaparecido há 11 anos provoca comportamentos por vezes histéricos e é justamente a frustração que o presidente do Benfica teme. Frustração que poderia significar um forte travão no projecto empresarial que será apresentado quinta-feira, em conferência de Imprensa, no Estádio da Luz. A explicação é simples: Vieira quer chegar à meta dos 200 mil sócios com a chegada do novo cartão, que promete trazer grandes benefícios a quem aderir, e isso seria a mola impulsionadora para a consolidação da marca Benfica. E por inerência a forma de libertar o clube das dívidas à banca, a única forma encontrada pela Direcção para combater outras dívidas que vinham do passado. Por esta razão Luís Filipe Vieira usou um discurso realista quando falava aos jornalistas, fazendo um retrato da situação financeira do clube, numa confissão inesperada: "Eu estava muito tenso durante o jogo enquanto estávamos a perder. Mas não era pelo resultado em si mas porque estava a pensar nas consequências futuras que esse resultado poderia ter. Ainda estamos dependentes de a bola entrar ou não na baliza. Mas felizmente os jogadores souberam dar a volta. Eles estão determinados na conquista do título e é por isso que estou convicto de que vamos ser campeões." Regras para o futuro O projecto empresarial é uma promessa antiga de Luís Filipe Vieira e aposta pessoal. Mas admite que tem encontrado obstáculos e ontem evidenciava algum cansaço, voltando a deixar nas entrelinhas que não se recanditará à presidência. "Quando há uma derrota há pessoas que falam logo das coisas negativas, mas não se lembram de tudo de bom que temos feito ao longo destes últimos cinco anos. Temos os salários em dia com todos os atletas e colaboradores e a isso temos de somar mais 400 mil euros mensais que pagamos por acordos referentes a dívidas passadas. Há muita coisa que temos feito e se somássemos tudo isso dava para contratarmos três ou quatro nomes sonantes para o plantel. Mas eu não sou assim e os benfiquistas têm de gostar de mim assim. Se levarmos por diante este projecto financeiro, que começa por chegarmos à barreira dos 200 mil sócios, quem vier depois de mim terá criadas as linhas mestras deste clube e condições para fazer do Benfica um dos melhores clubes do Mundo, pois tem adeptos para isso", frisou. Contratações em marcha Mas se a situação financeira do Benfica não é a melhor, isso não significa que o clube não se reforce com algum peso na próxima época. Luís Filipe Vieira separa as águas e lembra que "a marca Benfica é muito forte e todos querem colaborar com o Benfica. Hoje em dia, no futebol não é preciso ser financeiramente forte para contratar bons jogadores. Temos uma grande marca e isso será fundamental", disse, reportando-se às parcerias estratégicas que está a levar a cabo fora de portas. Moreira na baliza até final da época? As razões que estiveram na origem da saída de Moreira da baliza, após a derrota com o Belenenses (1-4), no Restelo, a 12 de Dezembro do ano passado terão sido exactamente as mesmas que levaram Trapattoni a optar por nova mudança, desta feita no sentido inverso, frente ao Estoril. Ambas as situações foram surpreendentes, incompreensíveis mesmo a muitos olhos, sobretudo os daqueles que discutem apaixonadamente o tema. Quim sofreu cinco golos nos últimos três jogos pelo Benfica, na SuperLiga, e aos olhos de Trap terá perdido alguma consistência exibicional, ainda que não lhe seja imputada culpa nos golos sofridos. Da mesma forma que Moreira não teve qualquer culpa da goleada no Restelo-até evitou uma humilhação maior, de acordo com a apreciação feita pelo nosso jornal à sua exibição -ou dos golos que a equipa vinha sofrendo nos encontros anteriores. O italiano terá então decidido que era preciso mudar outra vez. Pelas mesmas razões psicológicas que invocou para justificar a troca de Moreira por Quim. De acordo com dados recolhidos por A BOLA, Trapattoni terá ficado extremamente agradado com a exibição de Moreira frente ao Estrela da Amadora, tendo esse facto contribuído muito para a nova mudança. De acordo com as mesmas fontes, será intenção de Trapattoni manter a titularidade de Moreira até final da época, mas trata-se de uma questão em aberto. Rectificação Na edição de ontem do nosso jornal, por lapso, foram trocados os golos sofridos pelos dois guarda-redes. Em 15 jogos cada, para a SuperLiga, Quim encaixou 12 tentos e Moreira 17. segunda-feira, abril 25, 2005
Estoril Praia 1 - 2 Benfica 75m 1-1 por Luisão, na sequência de canto apontado por Simão. O central brasileiro aproveita uma aberta na área para assinar o empate 82m 1-2 por Mantorras, na hora do sufoco total. A bola chega da esquerda e no remate há raiva, estrelinha e vitória. SuperMan no seu melhor... Arbitragem HÉLIO SANTOS (1) Melhor em Campo LUISÃO (8) Num jogo verdadeiramente excêntrico, a necessitar de muitos tranquilizantes, o central brasileiro teve a vitamina necessária para acalmar os seus colegas. Fez o 8 golo, num cabeceamento como mandam as regras, mas antes disso já ameaçara marcar (24) também de cabeça. E foi na sequência de mais um remate perigoso (81) que surgiu o canto concretizado por Mantorras. Luisão tem perfil de líder, puxou como poucos pelo apoio das bancadas. Notável. Sala de Imprensa GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica) Ficámos muito ansiosos Giovanni Trapattoni admitiu que o jogo de ontem o fez sofrer. Talvez tenha sido essa a razão que o levou a não falar aos jornalistas na sala de imprensa, mas logo depois do jogo teceu alguns comentários interessantes em directo para a TVI. «Foi muito complicado dar a volta, porque quando se sofre um golo assim as equipas fecham-se no seu meio campo e torna-se difícil encontrar espaços», disse. O treinador italiano elege Jorge como uma das figuras do jogo. «Criámos algumas oportunidade em jogadas bonitas mas o guarda-redes deles foi fantástico», considerou. Trapattoni reconhece que a exibição não foi das melhores, mas encontra um motivo para tal: «A equipa ficou ansiosa porque estava a perder e os minutos passavam. Foi isso que não nos deixou praticar um bom futebol. Mas neste caso julgo que o mais importante foi termos vencido.» DRAMÁTICO NÃO deixa de ser irónico: o líder do campeonato seria há um ano, com os mesmos 58 pontos, apenas quarto classificado, oito pontos à frente do Nacional, com 50. Tão equilibrada está esta edição da SuperLiga que o Benfica só bateu o Estoril (com dez e depois com nove elementos) por 2-1 já na parte final dos 90 minutos. O jogo teve, de resto, a pontinha de dramatismo em que este campeonato é mestre. E quando estão em disputa apenas doze pontos, só duas equipas dependem apenas de si próprias para chegarem ao título: Benfica e Sporting. Há um ano, à passagem da mesma 30.ª jornada, o FC Porto comandava (75 pontos), seguido de Benfica (70) e Sporting (64). Agora, tremenda cambalhota deu o campeonato: o dragão perdeu 21 pontos, a águia tem menos seis e o leão apresenta-se com menos 15. Ou seja, o futuro campeão nacional apresentará, como já se sabia, o mais débil rendimento da história do futebol português. Os três grandes já sofreram, este ano, 19 derrotas em conjunto. Em 2003/04, na mesma ronda 34, tinham sido batidos apenas por nove vezes. FC Porto, Benfica e Sporting estão, pois, claramente abaixo da cotação de há um ano. E, no entanto, mantêm-se na luta pelo título. Tal como o Sp. Braga. Que na jornada 34 do ano passado tinha 48 pontos e, agora, sem ter ainda jogado tem 54. Brilhante e ainda bem dentro da luta pelo título máximo... Emoção ao rubro Nunca o Benfica terá sofrido tanto como neste jogo com o Estoril, nunca o Benfica jogou em superioridade numérica durante tanto tempo, nunca uma vitória terá sido tão dramaticamente desejada e alcançada pelos benfiquistas. Depois de duas jornadas em que apenas somara um ponto e 24 horas depois de ter visto o Sporting tropeçar frente à Académica, nada melhor que somar três pontos para alargar a vantagem. domingo, abril 24, 2005
MIGUEL tem mialgia de esforço MIGUEL tem mialgia de esforço e só hoje saberá se está em condições de alinhar de início. Para a eventualidade de o lateral-direito titular ficar de fora, Trapattoni convocou Carlitos, mas João Pereira é a primeira alternativa... Uma pequena dor muscular pode impedir Miguel de defrontar hoje o Estoril. O lateral-direito está a contas com uma mialgia de esforço, tendo-se limitado a fazer exercícios específicos e tratamentos, com Fausto Rossi e Rodolfo Moura, nos últimos dois dias. Assim sendo, a sua utilização continua em dúvida e só hoje saberá se o departamento médico autoriza a sua utilização, o que é bastante provável. Caso a equipa técnica decida poupar Miguel, o caminho ficará aberto para o regresso à titularidade de João Pereira, que ocuparia o seu lugar, voltando a formar dupla com Geovanni na asa direita. Confirmada a utilização de Bruno Aguiar ao lado de Petit, pelo próprio treinador, a dúvida sobre Miguel ou João Pereira é a única que subsiste e só deverá ser desfeita à hora do jogo. Partindo do princípio de que Quim deverá ocupar o lugar que foi de Moreira no jogo da Taça, com o Estrela da Amadora, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos deverão ser os outros escolhidos, apesar de Trapattoni ter, igualmente, testado Fyssas na equipa principal ontem, no treino à porta fechada. Geovanni e Simão vão ocupar as alas e Nuno Assis voltará, tudo indica, a jogar no apoio a Nuno Gomes. Carlitos e Everson entre os convocados Mas a nota de alegria foi dada pelo reaparecimento do jovem João Vilela, seis meses depois de ter contraído uma lesão gravíssima. O promis sor avançado trabalhou inicialmente como recuperador Rodolfo Moura, mas depois integrou-se na peladinha, alinhando pela equipa dos possíveis suplentes no treino de ontem. No que se refere à lista dos convocados, meia surpresa constituiu a chamada de Carlitos, preterido nas últimas jornadas, e Everson, que só a espaços se tem sentado no banco. "Estava previsto que Carlitos alinhasse pela equipa B, mas dado o cansaço (ou lesão) de Miguel, achámos melhor que seguisse connosco", esclareceu Trapattoni. Quanto a Everson, deve a sua presença no Algarve à ausência de Manuel Fernandes, mas sobretudo à qualidade dos treinos que efectuou durante a semana. Limitado por uma pubalgia desde o inícioda época, o médio brasileiro teve poucas oportunidades na equipa mas, ultimamente, tem sabido aproveitar a oportunidade para demonstrar que chega a esta fase da época em boas condições físicas. Everson é possante, viril quanto baste e remata fortíssimo. Falta saber se ainda vai a tempo de ser útil à equipa. Quem nunca pecou que atire a primeira pedra GIOVANNI TRAPATTONI tentou simplificar. "Nem vale a pena dizer o que é preciso fazer", atirou. No meio de um discurso calmo, em que nem sequer quis adiantar um canditato ao título, o treinador italiano só se indignou com a polémica em torno de o jogo de hoje com o Estoril se realizar no Algarve. "Porque falam disso agora? Já aconteceu, quem nunca pecou que atire a primeira pedra", recordou. Impôs-se saber o que achava o treinador italiano da mudança de casa do Estoril e das opiniões polémicas que tal atitude da SAD estorilista, que vai garantir a maior receita de sempre. O técnico falara até então em tom pausado, mas transfigurou-se. "Conhece a Bíblia? ", indagou junto do jornalista que o questionara. "Diz que quem nunca cometeu um pecado que atire a primeira pedra. Parece-me que outra equipa, noutra altura, noutro ano, trocou certamente um jogo sem polémicas e sem problemas. Qual é o problema? Em Portugal acontece sempre isto... Num ano uma equipa, noutro ano, outra equipa. Os clubes decidem assim, porque precisam, e a Liga permite, por isso não é um problema meu. Falam desta situação agora, e por que é que não falam de outras alturas? Em Itália não se faz assim, atirar a pedra e esconder o braço. Em Itália isto não se faz", referiu um pouco agastado. "Entenderam? Está nos Evangelhos: quem não cometeu pecado, que atire a primeira pedra. Outras equipas já fizeram o mesmo", fez questão de reforçar. Regressando ao futebol, Trapattoni resolveu simplificar, adiantando que Bruno Aguiar vai substituir o castigado Manuel Fernandes. "Vai entrar o Bruno porque não temos o Manuel Fernandes. Sabemos o que temos de fazer, porque tirei essa dúvida na quarta-feira com o Estrela. Nesta altura é inútil dizer que precisamos de ganhar. Com respeito por todos, claro, mas recordo que todos os jogos são finais. Se há um mês faltavam nove finais, agora é sempre um amenos". É o discurso possível nesta altura, sem levantar ondas, elogiando, como sempre, os seus jogadores: "Mas o mais importante é que a equipa tem confiança. Não conseguimos dois resultados importantes, com o Rio Ave e o U. Leiria, mas a mentalidade dos jogadores e a qualidade de jogo mostrou que a equipa tem confiança para ganhar. Sabemos que esse é o caminho que temos de fazer em todos os jogos." Para o Estoril não faltaram elogios. "No primeiro jogo tivemos muitas dificuldades e eles agora têm dificuldades na classificação. Por isso é que temos de fazer o nosso caminho. O Estoril tem uma boa atitude geral. Os jogadores correm muito, sabem o que fazer. Têm vontade e qualidade, como o Vargas, o Moses, o João Paulo, como Fellahi, são todos jogadores muito bons e muito rápidos. Não podemos diminuir o valor do adversário porque contra a camisola encarnada têm cem por cento de atitude. O maior risco que podemos correr é diminuir o adversário. Temos de correr o mesmo, jogar com confiança ", sublinhou o treinador. Cabeça fria vai dar o título Mesmo como Sporting a jogar antes, Trapattoni recusou que a equipa entre em campo com mais pressão. Falou, claro, antes do jogo dos leões à noite, mas recordou que não é uma situação inédita: "Isso já aconteceu: o Sporting já ganhou e nós depois fizemos um grande jogo. Não ganhámos por falta de sorte, mas jogámos muito bem. O importante é entrar em campo como nosso jogo. Agora começamos a rodar a 350, 360 à hora." O técnico não quis apontar um adversário mais difícil que o outro nesta luta pelo título. Não há garantias e a sorte é também um factor importante. "Não há um adversário mais perigoso, porque mudam todos os dias. Pelo que vi nos últimos jogos, todas as equipas podem ganhar. Quem tiver a cabeça mais fria e não perder a concentração pode ganhar. Depois é preciso um pouco de sorte. Temos uma dívida com a sorte por causa do que nos aconteceu últimos jogos... Não costumo falar muito disso, mas tenho de dizer que nos últimos jogos ela tem faltado um pouco pelo menos ..." Recebidos pelas amendoeiras em flor FOI no cenário característico do Algarve primaveril, onde as flores das amendoeiras desabrocham e nos dão a sensação de que os montes e planícies estão cobertos de neve, que o Benfica concluiu uma viagem tranquila de autocarro, com partida no Estádio da Luz. À chegada ao hotel não estavam muitos adeptos, mas de imediato o staff daquela unidade fez questão de lembrar algo que ficou na mente de todos: foi ali que os encarnados se hospedaram na última vez que se sagraram campeões... O Algarve volta a sentir as emoções da SuperLiga e o bate-bate-coração dos benfiquistas da região mais sulista do País, saudosos de ver o seu clube do coração ao vivo. De imediato as recordações de quem vive ali e torce pelo vermelho saltam ao último jogo oficial do Benfica em Faro, frente ao Sporting local: foi a 26 de Outubro de 2001, com a vitória a sorrir à equipa de Toni (2-0) e palco do primeiro golo marcado por Simão ao serviço dos encarnados. Passados quase quatro anos, muita coisa mudou. O estádio não é o mesmo, é novo, melhor, mais funcional e situado numa zona muitíssimo mais respirável; o adversário também dá pelo nome de Estoril, que recorreu a casa emprestada para fazer uma receita de superior a 600 mil euros, a maior da sua história. Prevê-se, por isso, 30 mil pessoas a colorir de vermelho (e amarelo) as bancadas do estádio que faz lembrar uma nau dos Descobrimentos. Um pouco de Chelsea Depois do almoço no Estádio da Luz, onde os jogadores tiveram a oportunidade de visionar um pouco do Chelsea-Fulham, seguiu-se uma viagem de três horas e meia. Faltavam cerca de 15 minutos para as 18 horas quando a comitiva, liderada por José Veiga e pelo administrador Rui Cunha, chegou ao Hotel Ria Park, em Vale do Lobo. À chegada não eram muitos os adeptos presentes, talvez porque a zona não convida a grandes aglomerações, mas os vários trabalhadores da unidade hoteleira fizeram questão de recordar que foi ali que o Benfica ficou hospedado no ano em que foi campeão pela última vez, apesar do empate verificado a uma bola, frente ao Farense. O apoio popular, esse, foi visível durante a viagem, com muitos acenos na auto-estrada A2 dos muitos turistas que foram passar o fim-de-semana prolongado à terra da praia e do sol - prevêem-se temperaturas acima dos 25 graus no eixo Albufeira-Faro. Na paragem na estação de serviço de Aljustrel, única na viagem, foi igualmente confortante os incentivos de muitos benfiquistas, que se viram surpreendentemente a pagar a gasolina no mesmo local que Simão ou Nuno Gomes compravam jornais. Para hoje de manhã está previsto um ligeiro passeio matinal nas proximidades do hotel e cerca de duas horas antes do jogo a comitiva parte rumo ao Estádio Faro/Loulé, num trajecto de pouco mais de 20 quilómetros. Simão é muito importante Já se sabe que Trapattoni não é adepto de fazer muitas substituições. Frente ao E. Amadora, na quarta-feira, não tirou Simão, que pareceu um pouco cansado. O treinador justificou prontamente as opções que tomou: "Não tirei o Simão porque tinha outros jogadores importantes para tirar, como Geovanni e Assis... E para quê ter três avançados de fora? Assim deu para manter a pressão sobre o E. Amadora e depois deu para colocar Delibasic no relvado que já cá está há três meses e não tinha oportunidades. Se não o fizesse agora, já não o podia fazer noutro momento. Sei que Simão joga sempre, até pode estar um pouco cansado, mas é um jogador muito importante tacticamente, porque dá confiança aos outros jogadores e porque quando se troca muito a equipa, o seu estilo de jogo e a sua eficácia podem mudar. Quando falo nisto dou o exemplo da Fórmula 1. Quando se muda um pneu, demora-se sete ou oito segundos e aí... "adeus amigos". Na Superliga é assim. Devemos estar muito atentos - não é que tenha medo de mudar - aos jogadores que temos para cada posição e que tenham substituto e àqueles que são muito importantes para nós." sábado, abril 23, 2005
Simão 150 jogos à Benfica CHEGOU à Luz no início da temporada 2001/2002. Rapidamente conquistou o seu espaço e hoje é uma das principais referências do clube, envergando mesmo a mítica braçadeira de capitão. Amanhã, frente ao Estoril, completa 150 jogos com a camisola encarnada, em todas as competições. Um registo tão simbólico quanto bonito para quem tanto tem dado ao clube. Formado em Alvalade, depressa se libertou do estigma, depressa se adaptou à nova realidade, depressa se tornou num ídolo para os adeptos. Ao olhar para trás, Simão pode orgulhar-se do bonito caminho que tem percorrido no Benfica. Um caminho que não pode ser julgado apenas à luz dos títulos conquistados -apenas uma Taça de Portugal, na época passada - mas sim pela capacidade que teve de ajudar a equipa a crescer, a ganhar outra dimensão. Homem-golo No seu voo pela águia, que vai já na quarta temporada, o camisola 20 tem mostrado também que é um verdadeiro homem-golo: 63 golos em 149 jogos. Notável! Melhor só mesmo Nuno Gomes-210 jogos/109 golos - mas trata-se de um ponta-de-lança e está já a cumprir a sexta temporada com as cores do Benfica. 48 jogos esta época! Muito se tem falado dos problemas físicos de Simão, - deverá ser operado a uma pubalgia no final da temporada, na Alemanha - mas a verdade é que, apesar do jejum de jogos sem marcar - não o faz desde 6 de Fevereiro, dia em que fez um bis à Académica, na 20.ª jornada-o extremo tem apresentado uma disponibilidade física que não deixa de ser impressionante. É preciso não esquecer que Simão Sabrosa é totalista na SuperLiga e leva um total de 43 partidas pelos encarnados, em todas as competições, sendo que apenas não completou uma. E só não foi utilizado em dois jogos oficiais da temporada (Oriental e Beira-Mar, para a Taça). Devem ainda somar-se os cinco encontros pela Selecção, o que dá um total de 48 jogos. Gestão de esforço O tempo não é de grandes correrias e intenso trabalho físico. Giovanni Trapattoni, treinador do Benfica orientou ontem um treino bastante ligeiro - um dos mais leves desde que chegou a Portugal -, pretendendo claramente que os futebolistas não façam demasiado esforço nesta fase delicada do campeonato. Quem foi ao Jamor para ver quais as opções de Giovanni Trapattoni para o jogo com o Estoril não ficou minimamente esclarecido. No treino de ontem, os habituais titulares limitaram-se a correr durante alguns minutos e pouco mais de uma hora depois de se ter iniciado a sessão já o autocarro dos encarnados estava preparado para regressar ao Estádio da Luz. Ahabitual boa disposição do plantel do Benfica só se viu numa altura em que o grupo foi dividido em dois para um exercício de posse de bola onde houve muitos sorrisos e uma contagiante alegria de Mantorras, André Luiz (que se estreou frente ao Estrela da Amadora no jogo que carimbou a passagem do Benfica à final da Taça de Portugal) e companhia. Um dos dados mais importantes da manhã acabou por ser os cuidados da equipa técnica com Miguel, que fez alguns alongamentos e foi permanentemente vigiado por Fausto Rossi, o preparador físico que Trapattoni trouxe de Itália. Referência ainda para o empenho de Bruno Aguiar, que no jogo do Algarve frente ao Estoril deverá ter a responsabilidade de substituir Manuel Fernandes no meio-campo. A quebra de monotonia acabou por acontecer quando Delibasic, Manuel Fernandes, Everson e Karadas fizeram alguns remates à baliza que era defendida por Moreira e Quim. O trabalho táctico ficou guardado para hoje. O Benfica treina-se a partir das 10.30 horas no Estádio da Luz e aí as portas estarão fechadas. Boas razões para Trapattoni apostar em Bruno Aguiar MANUEL FERNANDES é só o médio-centro mais utilizado por Giovanni Trapattoni e aquele que participou em maior número de vitórias do Benfica. Daí que a sua ausência no jogo de amanhã, frente ao Estoril, dê que pensar ao treinador italiano. Os números, porém, serão boa solução para o problema, desde que Trap entenda dar-lhes o devido valor. É com base neles que se encontra um substituto óbvio para o jovem Manuel. Naturalmente, falamos de Bruno Aguiar, que tem uma percentagem de triunfos de 75 por cento e pode dar conta do recado. Petit e Manuel Fernandes formam a dupla de médios-centros mais rotinada do Benfica, mas no Algarve, frente ao Estoril, Giovanni Trapattoni não pode dispor dela, dado que o jovem Manuel foi castigado com uma partida na sequência de ter visto o décimo cartão amarelo da temporada. Um olhar atento sobre as apostas do treinador italiano mostra também que a solução natural para o problema passa pela utilização de Bruno Aguiar, que tem um saldo de três triunfos e uma derrota em quatro jogos na posição mais recuada do meio-campo, ele que foi titular em outras ocasiões, mas do lado direito do rectângulo. Curiosamente, foi ao lado de Petit, o mais que provável companheiro de luta amanhã, que o jogador perdeu o seu jogo. Bruno Aguiar nem sempre foi, porém, a primeira aposta de Trapattoni no que à rendição dos seus homens-muralha diz respeito. Numa primeira fase, e que tão maus resultados deu, como os números bem o comprovam, foi Paulo Almeida o preferido. O brasileiro, todavia, perderia 50 por cento dos jogos disputados a titular e, assim, perderia também o lugar para o português. O outro homem do plantel talhado para ocupar a posição de Manuel Fernandes é compatriota de Paulo Almeida e dá pelo nome de Everson. Tem apenas 12 minutos realizados na SuperLiga, durante a partida com o Vitória de Setúbal, e tem feito quase sempre companhia ao colega... no momento de ver o jogo da bancada. sexta-feira, abril 22, 2005
Do Ninho da Águia...
1 ponto muito importante Este fim-de-semana o nosso Benfica foi Grande. Digam o que disserem, gostei. Gostei muito. Podíamos ter ficado com os 3 pontos, sem dúvida, aliás, jogámos o suficiente nas duas ultimas jornadas para ganhar os 6 pontos, mas a estrelinha parece que não nos quer bafejar, ou estará a reservar o melhor para o fim? Veremos. Dizia eu que gostei muito do que vi no Domingo, na nossa Majestosa casa. Apesar de continuar a achar que a equipa está a jogar muito pouco à Trap e muito à Camacho e que a sofreguidão pelo espectáculo e pelos golos estão a prejudicar a nossa campanha via título, sinto que há muitos anos os jogadores do Benfica não mereciam os ordenados como estes heróis merecem. Vi, do início ao final do jogo uma entrega que há muito andava arredada dos nossos planteis. Vi uma dedicação e uma vontade enormes, apenas contrariadas por uma exibição ilógica de um Costinha endiabrado. Ilógica porque não é normal um keeper que faz o seu segundo ou terceiro jogo (não seguido) na época engatar daquela forma. O que nos falta então para sermos campeões. Primeiro que tudo parece-me que o jogo com o vizinhos da 2ª circular assume uma importância capital nesta luta. O derrotado desse jogo, caso haja, ficará em maus lençóis até na luta pelo acesso directo à Champions, é que o Braga não vai facilitar e joga a favor deles o facto de não terem a pressão de ser campeões como Benfica, Sporting e mesmo o Porto. Falta jogar mais friamente, mais à italiana. Falta despachar o Estoril que, neste momento é o jogo mais difícil que temos pela frente na Superliga por ser o próximo, por ser absolutamente necessário dar uma resposta aos últimos resultados e porque o Estoril está aflito. Depois disso ficam a faltar quatro jogos dificílimos. O Belenenses é um adversário tradicionalmente difícil, não é preciso recuar muito no tempo para provar esta dificuldade, basta voltarmos à primeira volta e lembrarmo-nos do resultado que obtivemos no Restelo. O Penafiel, bem, o Penafiel vai ter o jogo da vida deles, além da aflição na tabela há que ajudar o clube que o Presidente quer dirigir nos próximos tempos. Dos últimos dois jogos teremos tempo para falar e logo se verá em que condições os disputaremos. Depois de analisado o nosso calendário para as duas jornadas que aí vêm, tenho que falar também nos jogos que o Sporting e o Braga vão realizar, um deles em que se vão defrontar e aqui se verá o estofo do Braga para entrar na luta e a capacidade de resposta do Sporting perante o desgaste da taça Uefa. Na próxima não espero perca de pontos de nenhum dos nossos rivais, já que o Sporting vai jogar com a Académica (em ascensão de resultados) e o Braga vai ter o Penafiel pela frente. O Porto vai a Aveiro visitar mais um aflito e receberá um sempre difícil Marítimo. Os nossos heróis, um a um : Quim: Depois do jogo com o Marítimo em que me deu a sensação que poderia ter feito mais e melhor, passando pelo jogo com o Rio Ave do qual não teve responsabilidades no golo, apareceu contra o Leiria muito atento e a demonstrar muita concentração perante um jogo que se pode tornar muito ingrato para um keeper. Miguel: O nosso Ferrari está com problemas de transmissão. As pernas parece que não respondem e tem grandes responsabilidades no lance do golo do Leiria. Depois de ter subido pelo corredor recuou a passo e foi o que se viu. Subiu de rendimento na segunda parte. Dos Santos: Este senhor é certinho. Há anos que não passava pelo Benfica um lateral esquerdo deste calibre. O último que me lembro chama-se Álvaro Magalhães. Sem querer comparar um com o outro, porque o Álvaro é o Álvaro, Dos Santos cumpre bem. Notei-lhe algum receio de meter o pé no último jogo. Luisão: Um relógio nos dois últimos jogos. Sempre no lugar certo, sempre com um toque de classe. A nossa torre mostra esta época porque é titular na selecção do Brasil. Fantástico. Ricardo Rocha: Não entendo. É barracada atrás de barracada. Parece que é o elemento que mais acusa a pressão (juntamente com Petit). Sofremos golos com o Marítimo e com o Leiria por causa dele e podia ter feito mais no lance do Rio Ave. (Embora me pareça que é empurrado pelas costas no golo do Leiria). À atenção de André Luis. Petit: Anda de cabeça quente. Mais do que qualquer outro, este homem luta e apesar de estar a acusar muita pressão, ao contrário do Ricardo, as suas funções dentro de campo continuam a ser cumpridas como só ele sabe. Livrou-se da expulsão no jogo com o Leiria graças a alguma vontade do árbitro (algo raro quando mete Benfica) e foi deselegante nas declarações após o jogo com o Rio Ave. Ele, melhor que ninguém, devia saber que, contra o Benfica, qualquer adversário se transcende. Manuel Fernandes: Depois de dois jogos em que andou perdido apareceu em grande frente ao Leiria. Foi ele que marcou o tempo e o ritmo da nossa equipa, principalmente quando a equipa mais precisou dele. Fantástico. Nuno Assis: O ex-vimaranense nunca me seduziu e, para piorar a situação as coisas não lhe andam a correr bem. Melhorou frente ao Leiria, mas com o passar do tempo foi desaparecendo do terreno de jogo. Ponto positivo? Dá tudo o que tem, apesar de me parecer que está em fase descendente. Geovanni: Quem diria? O brasileiro “soneca” corre que se farta. Achei que não devia ter saído contra o Leiria porque na segunda parte era ele que estava a carregar o piano atacante da equipa e a equipa logo se ressentiu da sua saída. Simão: O nosso capitão apesar de tudo está em grande. Não marca golos, mas joga e faz jogar. Mesmo lesionado mostra uma disponibilidade digna de um Capitão à antiga! Fora das quatro linhas mostrou também que a braçadeira está no sítio certo. Excelente conferência de imprensa Simão, grande sinal para dentro e para fora que podemos contar convosco. Nuno Gomes: Este é um jogador que, pela forma de jogar do Benfica tem um papel que se adora ou se odeia. Eu adoro. Gosto daquele estilo de jogo, ao primeiro toque, gingão, rápido, prático. Nem sempre as coisas lhe saem bem, mas tudo o que tem, ele dá e tem dado muito. João Pereira: Apesar de não estar onde devia no golo do Rio Ave acho que o miúdo cresceu um pouco na segunda metade deste campeonato. O golo da Taça frente ao Beira-Mar deu-lhe mais confiança e ele está a crescer. Vamos lhe dar tempo e oportunidades, ele tem feito por merecer. Karadas: O gigante norueguês é incompreendido pelos árbitros portugueses, como seria de esperar. Tem sido muito útil a entrada dele em campo, tem sido esforçado. Não sabe jogar com a bola controlada, mas não é essa a sua função. Mantorras: O que há a dizer? Todos merecem o título, mas ao Pedro ele caía que nem uma luva pelo calvário que viveu. Tem marcado golos decisivos, mas nem é isso que eu louvo nele, mesmo sendo extremamente importantes. É que depois de uma lesão daquelas o Pedro não tem medo de nada. Parte para o um contra um (ou dois ou três) com uma vontade incrível! Grande reforço para esta e principalmente para a próxima época! O público: Fantástico. Os Benfiquistas embora sem muitas razões para sorrir nas duas últimas jornadas têm sabido reconhecer o esforço feito pelos atletas. Os atletas merecem que o público este com eles e o público merece a dedicação dos atletas. Bonito de se ver! A Taça: Amanhã é dia da festa do futebol português com a nossa deslocação à Reboleira para defrontar o Estrela. Se não sabem ficam a saber que não é uma competição que me atraia muito, como tal acho que seria de extrema importância dar hipótese a alguns jogadores pouco utilizados que se podem mostrar de extrema importância para esta recta final da Superliga e deixava a descansar titulares que necessitam de descanso. Posto isto o meu 11 para amanhã seria: Moreira, João Pereira, Fyssas, Rocha, André Luis, Petit, Almeida, Geovanni, Carlitos e Delibasic. No banco deixava os habituais titulares: Quim, Miguel, Luisão, Manuel Fernandes, Simão, Nuno Gomes e Mantorras. Apito Dourado: Antes de entrar no tema propriamente dito tenho que confessar perplexidade pelas últimas declarações de alguns presidentes de clubes: João Bartolomeu: Passou-se! Só ele não viu a falta sobre o Karadas. Se para o ajudar a ver precisa de um sistema informático vamos todos fazer uma colecta para lhe realizar o desejo. Não sei porquê, mas sinto que a empresa que vende esse sistema informático deve ter alguma participação dele. Dias da Cunha: Será que ainda não aprendeu a estar calado? Os anos e anos de idade que já tem não lhe ensinaram nada? Quer que lhe grave a repetição do golo limpo do Beira-mar, para quando voltar a falar do sistema se lembrar? Veja lá, eu faço-lhe o jeitinho, não me custa nada! Pinto da Costa: Já nem vou recorrer a 20 anos de arbitragens vergonhosas a favor do seu clube, mas vir falar de uma arbitragem do Benfica-Leiria, vir falar que o golo do Benfica nasceu de uma falta inexistente? A memória deste senhor é fantástica...ele que veja a falta que deu origem ao golo do empate no jogo com o Vitória! (Vitória que foi vergonhoso na forma como se apresentou neste jogo, esperava um pouco mais de brio dos jogadores e treinadores de uma equipa que ainda não tem a manutenção assegurada, enfim...). Apesar do que se está a passar no nosso futebol ser grave, não é nada que a maioria não esperasse. Só faltava saber o Modus Operandi. Depois de suspeitas sobre almoços no Canal Caveira, levantam-se as nuvens sobre conversas telefónicas entre os rostos do Sistema (o Major e Pinto da Costa) com um intermediário que, por sua vez combinava encontros entre senhoras de inegável e elevada reputação (uma delas promovidas e esposa do Senhor Jorge Nuno – deve ter sido promovida após um serviço de qualidade a um árbitro qualquer) e alguns árbitros. Lentamente vamos todos vendo o que se passou durante os 20 gloriosos anos do Azul, lentamente vamos ver que os alicerces do sucesso do azul são de barro e os telhados são de vidro. Fica-me uma pergunta, se tudo isto se provar vão só ser o Pinto da Costa e o Major a pagar (se pagarem)? E os clubes? Será que vai haver a mesma coragem que houve em França aquando da condenação de Tapie e consequente descida de divisão do Olympique de Marselha? Veremos. Eu cá não acredito! Momax Já ninguém o leva a sério O homem forte do futebol do Benfica, José Veiga, dirigiu ontem algumas palavras em resposta às acusações feitas na véspera pelo presidente do Sporting, Dias da Cunha, a propósito da alteração para o Estádio do Algarve do jogo Estoril-Benfica desta 30.ª jornada. "Esse senhor deve estar a olhar-se ao espelho quando insinua promiscuidades na relação do Benfica com o Estoril", disse Veiga a A BOLA, ontem ao fim da tarde, à saída da reunião da Direcção da Liga, na qual marcou presença pela primeira vez. José Veiga solta uma gargalhada quando se lhe pergunta se está tranquilo perante as acusações do presidente do Sporting, Dias da Cunha, que esta quarta-feira insinuou, sem referir o nome de Veiga, alegada promiscuidade entre o homem forte do futebol do Benfica e a SAD do Estoril. "Já ninguém leva a sério esse senhor, ainda esta semana ouvi um jogador do seu clube desautorizá-lo; e quando um jogador desautoriza o próprio presidente, está tudo dito, mais palavras para quê?", diz Veiga, sem esclarecer se se referia a Rui Jorge e à sua declaração de que no Sporting sempre existiu a exigência de ganhar todos os jogos em contraponto à afirmação de Dias da Cunha, exigindo que a equipa leonina ganhe todos os jogos até final. "Não me façam rir" "Não estou preocupado comas declarações do senhor Dias da Cunha. Deve estar a referir-se à equipa técnica do Estoril, que é toda sportinguista. Mas esse problema não é do Benfica, é do Sporting ", acrescentou José Veiga. À pergunta se está tranquilo, o homem forte do futebol encarnado soltou sonora gargalhada: "Não me façam rir." Veiga, que adiantou esperar-se lotação esgotada no Estádio do Algarve para ver o Estoril-Benfica, deu ainda resposta firme à questão de se saber se teme que a equipa benfiquista sinta em demasia a pressão nestas últimas jornadas: "De modo algum; tenho a certeza absoluta de que o Benfica vai ser campeão." Na Liga José Veiga marcou ontem presença pela primeira vez na reunião da Direcção da Liga. Em representação do Benfica (um dos 12 clubes que compõem a Direcção do organismo), José Veiga fez questão de estar nesta reunião (acompanhado de Andrade e Sousa, do gabinete jurídico da Luz), na qual se previa que o presidente do U. Leiria, João Bartolomeu, levantasse questões sobre arbitragem, como prometera nos últimos dias. Não se sabe, evidentemente, como decorreu a reunião, sabe-se apenas que, à saída, Bartolomeu não disse uma única palavra. 18 finais de Giovanni Trapattoni CONSUMADA a vitória sobre o Estrela da Amadora, Giovanni Trapattoni prepara-se para disputar a 18.ª final, em todas as competições, da sua longa e brilhante carreira. Entre as vítimas da "velha raposa" está o FC Porto, derrotado na final de Basileia, na extinta Taça das Taças, em 1983/84, por 2-1. Fora destes números estão também os sete títulos de campeão nacional conquistados em Itália e o campeonato da Alemanha, que o Bayern Munique arrecadou sob o seu comando. Em Portugal, Trap pode ajudar o Benfica a chegar à final da competição pela 33.ª vez e a arrecadar este troféu pela 25.ª ocasião. E está em condições de arrebatar a dobradinha. Trap começou a conquistar a fama de especialista em finais na época de 1978/79, já como treinador da Juventus, ao derrotar o Palermo por 2-1. Foi também ao serviço do colosso de Turim que se sagrou vencedor da mesma prova em 1982/83, derrotando o Verona. Disputou ainda mais duas finais, ambas com o Parma, mas perdeu ambas, primeiro pela Juve (91/92) e depois pela Fiorentina (98/99). Em matéria de Taças, o veterano treinador tem muito a contar do seu país, começando pela conquista de uma Supertaça, ao comando do Inter de Milão. A vítima foi a Sampdória, que perdeu 2-0, em 1988/89. Antes disso, já tinha conquistado uma Taça dos Campeões Europeus (1984/85), pela Juventus, naquele que terá sido, paradoxalmente, um dos dias mais tristes da sua vida. Em Heysel Park, frente ao Liverpool, os hooligans ingleses escreveram uma das páginas mais tristes do futebol, ao provocar a morte de 39 adeptos italianos e centenas de feridos. Venceu a Juve, mas o resultado passou para plano secundário. Ainda no que se refere a Supertaças, o técnico encarnado venceu duas na Alemanha, com o Bayern Munique, e foi também ao serviço do clube bávaro que levantou a Taça, em 97/98, derrotando o Duisburgo. FC Porto no caminho Menos feliz esteve Trap nas finais da Taça das Taças que ditaram as derrotas da Juventus frente ao Hamburgo, em 1982/83 e Milan, ante o Magdeburgo, da antiga RDA, em 1973/74. Mas haveria de enriquecer o seu currículo com mais cinco títulos, três deles na Taça das Taças e dois na UEFA, à conta de Atlético de Bilbau e Borussia Dortmund. Entre as vítimas do actual treinador do Benfica estiveram o FC Porto, derrotado em Basileia (1983/84) na final da Taça das Taças por 2-1, Roma e Liverpool, numa Supertaça europeia disputada um ano antes de Heysel. Resta acrescentar a estes números a Taça Intercontinental ganha ao Argentinos Juniors, na marcação de grandes penalidades, em Tóquio, e, já agora, os sete títulos de campeão de Itália e outro, da Alemanha. Everson dificulta escolha TRÊS galos para um poleiro. O castigo de Manuel Fernandes abre vaga no meio-campo encarnado e a luta promete. Paulo Almeida parece fora da corrida e Bruno Aguiar é o favorito, mas Everson voltou ontem a demonstrar que tem argumentos para discutir a titularidade. A equipa do Benfica que vai entrar em campo, no Algarve, para defrontar o Estoril, não encerra surpresas. Quim vai regressar à baliza, Luisão e Dos Santos entram para os lugares de André Luís e Fyssas, respectivamente. De resto, se não surgir qualquer imprevisto, mantém-se o sistema e os seus intérpretes. Com uma excepção. Manuel Fernandes está castigado e não vai poder dar o seu contributo à equipa. Assim sendo, está aberta a luta para ocupar a vaga. Os candidatos são três: Paulo Almeida, Bruno Aguiar e Everson. O primeiro tem poucas possibilidades de ser o escolhido, ele que não joga desde o dia 22 de Janeiro, não tendo sido chamado sequer para o encontro da Taça de Portugal, na Reboleira, anteontem. Bruno Aguiar tem sido o terceiro elemento do meio-campo, sobretudo na hora de Trapattoni refrescar o sector, durante os jogos, e após o encontro com o Estrela da Amadora o treinador italiano soltou mesmo um elogio ao jogador. "Bruno Aguiar está bem", disse. Por estas palavras e pelo que tem sido dado a ver, não é necessária muita perspicácia para chegar à conclusão de que o jovem médio é o candidato natural à sucessão pontual de Manuel Fernandes. Boa marcação, boa técnica Contudo, pelo que foi possível observar no treino de ontem, Everson está disposto a dificultar ao máximo a escolha de Trapattoni. O brasileiro tem melhorado cada vez mais a sua condição física e mesmo ao nível técnico vê-se que está mais solto. É claramente um jogador melhor na marcação do que Bruno Aguiar, mas não lhe falta também habilidade na hora de tratar a bola, tem excelentes pormenores e um remate poderoso. Everson tem provado ser alternativa muito válida, mas perde para Bruno Aguiar no facto de ter menos ritmo de jogo. quinta-feira, abril 21, 2005
Estrela 0 - 3 Benfica 37m 0-1, por Nuno Gomes. Passe de Manuel Fernandes para a direita, Geovanni, que parece em fora-de-jogo por milímetros, recebe e vai à linha. O centro é perfeito, Nuno Gomes finaliza sem problemas. 66m 0-2, por Nuno Assis. Manuel Fernandes simula o passe para Simão, mas tabela com 66 74 Nuno Gomes. Recebe mais à frente e liberta para Geovanni. O brasileiro centra ao segundo poste, Assis, sozinho, cabeceia. 74m 0-3, por Nuno Gomes. Balão de André Luís do seu meio-campo, Nuno Gomes foge nas costas de Santamaria e desvia a bola de Paulo Lopes. Arbitragem DUARTE GOMES Globalmente bem. Terá escapado à sua visão mão de Carlos na área depois de remate de André Luís (27). No primeiro golo do Benfica Geovanni parece ligeiramente adiantado, mas trata-se de um lance muito difícil de julgar, até com recurso à televisão. Pior o mesmo auxiliar nos descontos, quando tirou um fora-de-jogo disparatado a Henrique. Melhor em Campo Nuno Gomes Nuno Gomes Ontem, Nuno marcou e deu a marcar, fazendo uma exibição de garra e grande acerto. Aos 19 minutos falhou de cabeça quando os adeptos já festejavam e temeu-se, nas bancadas, nova noite de má pontaria do ponta-delança. Puro engano. Marcou o primeiro, ofereceu outro que Nuno Assis falhou, esteve envolvido na jogada do segundo e, para final de conversa, marcou o terceiro. Pelo meio, muita bola ganha, muito passe certo e uma atitude e agressividade de louvar. Seja num jogo da Taça, frente a equipa de menor dimensão, ou numa final. GIOVANNI TRAPATTONI Falta 50 por cento O treinador do Benfica estava naturalmente satisfeito com a vitória da sua equipa. Contudo, alertou, o caminho ainda não terminou. "Estamos na final, mas isso representa apenas 50 por cento do objectivo. Fomos os vencedores da prova na época passada e por isso era muito importante voltarmos a marcar presença no jogo decisivo. Vamos ver como corre", disse. Sem se suster, passou à análise do encontro. "A equipa mereceu. Foi um jogo muito duro, mas os jogadores interpretaram muito bem o que lhes pedi. Na primeira parte as coisas não estavam fáceis, o Estrela estava a fazer um pressing asfixiante, mas tivemos uma grande oportunidade, fizemos um golo e estivemos sempre cem por cento concentrados. Nunca perdemos a confiança e o controlo do jogo e na segunda parte acabámos por fazer mais dois golos", expressou, sublinhando: "A equipa apresenta uma boa condição geral, psíquica e física, pelo que temos razões para seguir o nosso caminho com muita confiança." O técnico italiano reconheceu que o Benfica não praticou um futebol deslumbrante e justificou. "Houve muito pouco espaço para jogar. Na primeira parte os jogadores não conseguiam ter a bola nos pés mais de um ou dois segundos. Foi, acima de tudo, um jogo de atitude, de muita luta", frisou. Há opções para lugar de Manuel Fernandes Confrontado com o facto de Manuel Fernandes ter visto o décimo cartão amarelo da temporada, nas competições nacionais, que o coloca fora do jogo com o Estoril, a velha raposa desvalorizou. "Foi azar, mas felizmente temos opções para o lugar dele. Temos Petit, Bruno Aguiar também está bem, Paulo Almeida e Everson. Não é nada por aí além. O mais importante era vencer hoje [ontem]", disse. Elogios para André Luís Pergunta seguinte, a estreia de André Luís. "Teve uma boa oportunidade, até porque o Luisão também tem 9 cartões amarelos. Queria dar-lhe confiança e jogou bem, entrou bem, sempre com muita confiança ", elogiou. Balanço positivo Sobre o seu trabalho no Benfica, até ao momento, Trap faz um balanço positivo. "Penso que temos feito uma grande SuperLiga, juntamente com outras equipas. Estamos na luta. As equipas famosas têm de fazer sempre grandes campeonatos, têm de ser protagonistas ", referiu. E será que Trap tinha preferência para a final do Jamor. "Não. Uma final é uma final. Quem lá está é porque merece", rematou. Diga 33... em encarnado DEPOIS do V. Setúbal, o Benfica é o outro finalista da Taça de Portugal, como se esperava, sem qualquer menosprezo para o empertigado E. Amadora, que fez o que podia, mas mostrou-se incapaz para travar a dupla goleadora de Nunos. Benfica que chega à final da competição pela 33.ª ocasião, onde já soma 24 triunfos e tem a concorrência bem distante, defendendo o título conquistado na última temporada frente ao FC Porto. É caso para dizer 33 em encarnado, ou vermelho vivo, não importa, tantas são as presenças do Benfica na final da Taça de Portugal, competição onde já conseguiu 24 vitórias - o clube que se encontra mais perto, o Sporting, tem menos 11 triunfos... - e, em boa verdade, se apresenta como favorito para somar nova conquista, muito embora o reencontro com o V. Setúbal, vencedor sofrido diante do Boavista, nos faça recuar no tempo para lembrar que nas três finais em que os dois finalistas de agora se encontraram, os encarnados só conseguiram dois triunfos, merecendo referir-se que na última vez em que se defrontaram, a 4 de Junho de 1965, estava na baliza sadina Félix Mourinho, pai de José Mourinho, o treinador do FC Porto, equipa que o Benfica bateu na final passada. Pode dizer-se, igualmente, que esta meia-final da Taça realizada na Amadora - o recinto esteve quase lotado devido à numerosa claque benfiquista, servindo igualmente de aperitivo para a nova temporada, pois o Estrela está a um curto passo de garantir o regresso à SuperLiga- foi um bom bálsamo para o Benfica, uma vez que nos dois derradeiros encontros do Campeonato esbanjou cinco pontos e viu aproximarem-se perigosamente os seus adversários na corrida ao título, num jogo em que Nuno Gomes, autor de dois golos, e Geovanni, que fez duas assistências, só tiveram direito a descansar mais cedo após o número 21 ter fixado o resultado - Simão, por exemplo, jogou todo o tempo -, sinal do respeito evidenciado por Trapattoni relativamente aos amadorenses. Na final, a 29 de Maio, que V. Setúbal encontrará o Benfica? A equipa que ultrapassou o Boavista mostrou uma capacidade de luta notável, podia ter conseguido um resultado mais desnivelado e teve alguns jogadores em grande plano. Um deles foi Jorginho, que deve despedir-se no Jamor dos setubalenses e que a exemplo de todos os que ali vão estar... deve estar a sonhar com a possibilidade de pregar uma partida. quarta-feira, abril 20, 2005
Temos de marcar mais golos O Estrela da Amadora milita na Liga de Honra mas nem por isso Giovanni Trapattoni se deixa iludir por esse facto. O técnico italiano diz ter observado dois jogos deste adversário e alerta para a velocidade dos seus jogadores. Em relação à sua equipa, diz estar satisfeito com as duas últimas exibições, reconhece a necessidade de maior acerto na finalização e lamenta alguma falta de sorte. Giovanni Trapattoni não acredita em facilidades no jogo que hoje vai opor os encarnados ao 2.º classificado da Liga de Honra. O técnico italiano confessa ter observado por duas vezes o Estrela da Amadora e alerta os seus jogadores para a velocidade dos adversários, assim como a propensão para o contra-ataque, que diz ser mortífero. Trap não se mostra assustado com os cinco pontos perdidos nos últimos dois jogos do campeonato, que permitiram ao Sporting reduzir para um ponto a diferença na tabela classificativa, porque, diz, a equipa arrancou excelentes exibições nesses jogos e só faltou um pouco de sorte na finalização. "Queremos todos os títulos e defenderemos com orgulho a nossa condição de detentores da Taça de Portugal. Não podemos pensar que uma equipa da II Liga é fraca porque se está a disputar a meia-final tem de merecer-nos muito respeito. Não devemos esquecer a nossa forma de jogar e tenho a certeza de que se jogarmos como no domingo, ou na segunda parte do jogo com o Rio Ave, o resultado vai acabar por aparecer", sublinhou. Trapattoni tocou, então, na questão da finalização, provavelmente a principal lacuna da equipa nesta fase crucial da SuperLiga: "Obviamente, não podemos continuar a criar tantas oportunidades sem marcar golos mas estou confiante porque, em muitos anos de trabalho, conheci grandes pontas-de-lança que numa época marcavam 22 golos ou mais e noutras só 9 ou 10. É uma regra que se impõe mas também é importante praticarmos um bom jogo. Se isso acontecer sempre, os golos vão aparecer." Falta um pouco de sorte Mau grado o desejo de minimizar as várias falhas na finalização que tanto têm penalizado a sua equipa, a velha raposa não conseguiu esconder alguma preocupação. "Os jogadores sabem que são os detentores da Taça e, como tal, devem jogar com a mesma mentalidade, acreditar no que fazemos para poderem seguir em frente, num caminho tão difícil. Falta-nos marcar mais golos, não quero falar muito na sorte mas parece-me que também precisamos de um pouco de sorte", referiu, mais uma vez confiante de que os seus jogadores têm capacidade de resposta. No que se refere ao jogo com os amadorenses propriamente dito, Trapattoni teceu rasgados elogios ao adversário, destacando a velocidade de quase todos os seus elementos: "Vi-os jogar duas vezes e pude constatar que têm jogadores rápidos em várias posições. É uma equipa de topo na II Liga, tem o Henrique e um esquerdino [não especificou] que também me causou boa impressão. São perigosos no contra-ataque, jogam em casa e estou convencido de que vão conseguir subir de divisão. Mesmo no sector mais recuado da equipa têm jogadores agressivos e igualmente rápidos." Três alterações na equipa estão confirmadas Para enfrentar este desafio, que considera ser muito importante, sem perder de vista os compromissos que se avizinham, no que se refere à SuperLiga, Trapattoni vai poupar alguns titulares. Três alterações estão confirmadas mas Bruno Aguiar tem francas possibilidades de também entrar de início. "Fyssas está muito motivado e vai jogar, André Luís terá a vida facilitada pela presença de Ricardo Rocha e há ainda o Moreira, que está muito bem. Tenho dúvidas entre Manuel Fernandes e Bruno Aguiar mas não quero mudar muito", advertiu, reforçando o respeito pelo adversário: "No início de cada época entramos a competir em três provas: SuperLiga, Taça de Portugal e competições da UEFA. Neste momento todos os jogos que se seguem são autênticas finais e esta é uma das finais que não podemos perder. Devemos jogar com a mesma atitude, sempre no mesmo ritmo, criar ocasiões de golo e concretizá-las." Mantorras não aguenta 90 minutos Pedro Mantorras continua a deslumbrar os adeptos, com golos oportunos, mas ainda não é desta que vai começar um jogo na condição de titular. Confrontado com a situação do ponta-de-lança angolano, Giovanni Trapattoni explicou as razões. "Para Mantorras é difícil jogar 90 minutos e também não pretendo mexer na geometria de jogo que fazem Nuno Gomes, Simão, Giovanni e Nuno Assis. Não vamos provocar a justiça divina. Tenho dúvidas em relação a Manuel Fernandes mas Petit já alinhou uma vez com quatro cartões amarelos antes de um jogo muito importante e esteve bem, não acusando a responsabilidade", disse. O técnico italiano do Benfica fez muitos elogios às exibições do quarteto de ataque da equipa: "Na segunda parte do jogo com o União de Leiria jogámos só ao ataque. Os jogadores não devem perder esta confiança. Não se pode jogar sempre assim e não marcar golos, por isso tenho a certeza de que os golos vão aparecer." Ganhar uma Estrela para não perder o céu Foi na época passada motivo de orgulho e justificação para enorme festa vermelha. O Benfica não ganhava a Taça de Portugal desde 1995/96 e a alegria dos adeptos foi legítima. Hoje, frente ao Estrela da Amadora, a equipa de Trapattoni joga o direito a defender, no palco do Jamor, um título que lhe pertence e do qual não está disposto a abdicar. Mas do outro lado estará um adversário motivado, quase a subir de divisão. Do outro lado estará, também, o perigo de, mesmo que inconscientemente, tirar o pé do acelerador como consequência da enorme pressão que tem na SuperLiga. Vencedor da última edição da Taça de Portugal, após ganhar ao FC Porto na final, por 2-1, o Benfica defronta hoje o Estrela da Amadora na condição de favorito. Este é um estatuto que a equipa não recusa e que o próprio treinador, Giovanni Trapattoni, sublinhou na conferência de imprensa que deu ontem. Ganhar na Reboleira significa, no entanto, muito mais do que a presença na final. Significa para os jogadores e também para os adeptos, que se encontram em sobressalto, na iminência de poderem festejar uma época de enorme sucesso... ou chorarem um fracasso como provavelmente não sentiram nestes últimos dez anos, em que não ganharam o Campeonato Nacional. A águia não quer perder a possibilidade de conseguir a dobradinha, mas terá de lutar, no desafio de hoje, contra os riscos de não conseguir tirar da cabeça a pressão e as responsabilidades que tem, como líder, no campeonato da SuperLiga. Trap vai fazer algumas alterações no onze titular. Mas vai fazê-lo, com o cuidado de não perder equilíbrio da estrutura. A equipa treinada por António Conceição, muito perigosa, advertiu Trapattoni, certamente não renunciará, em sua casa, de lutar pela presença na final da Taça. Isso aconteceu apenas uma vez na história do clube, na época de 1989/90, quando o brasileiro marinho Peres comandou a equipa da Amadora na vitória sobre o Farense (2-0), conquistando o troféu. Delibasic à espera de mostrar trunfos DELIBASIC deverá ter hoje nova oportunidade para mostrar trunfos, ou seja, quanto vale. Para já, regressa aos convocados com a vontade de mostrar em campo o que sempre revelou nos treinos: técnica apurada e sentido de baliza. Depois de uma lesão contraída no treino de domingo, Delibasic realizou as duas últimas sessões antes do jogo com o Estrela sem qualquer limitação e integrou a convocatória de Trapattoni. O treinador italiano, depois de alguns elogios ao jogador, pretende dar-lhe mais algum tempo para se mostrar, não como titular, antes como suplente utilizado. Isto se o evoluir da partida ou algum contratempo não inviabilizar o desejo do treinador italiano. De resto, a pressão para a aposta em Delibasic vem subindo à medida que os jornais vêm dando conta dos treinos de Delibasic, onde tem marcado golos e revelado capacidades técnicas acima da média. Nesta fase da época não será fácil a Delibasic substituir Nuno Gomes, sabendo-se que Trap rendeu-se ao sistema de um só ponta-de-lança, mas há que confirmar em jogo as indicações dos treinos, além de que é necessário tomar uma decisão quanto ao exercício, ou não, da opção de compra do passe ao Maiorca, de Espanha. A SAD já terá uma posição formada a esse respeito, mas os adeptos pedem para também eles validarem a escolha que venha a ser feita em função do que virem do jogador em campo. Os cerca de 50 minutos na SuperLiga em 10 jogos possíveis sabem a pouco. Manuel Fernandes ou Bruno Aguiar? Durante a conferência de imprensa de ontem, Trapattoni confirmou três das quatro alterações que mostrara no treino da véspera: Quim por Moreira; Luisão por André Luís; Dos Santos por Fyssas. Apenas a quarta permanece em dúvida: Manuel Fernandes por Bruno Aguiar. Se por um lado o treinador do Benfica gostaria de poupar Manuel Fernandes, uma vez que o mesmo se encontra a um cartão amarelo da suspensão - pela mesma razão vai poupar Luisão -, por outro Trapattoni receia a perda de equilíbrios, trocando, de uma assentada, quatro jogadores do onze base. Trap poderá apostar, pois, em Manuel Fernandes. Por outro lado, se o médio for advertido com um cartão amarelo sempre evita que ele e Luisão possam ser advertidos no mesmo jogo e ficaria sem os dois em simultâneo. Enfim, dúvidas a esclarecer. Dúvidas não, conforme já frisou uma vez Trapatonni: opções. Opções. terça-feira, abril 19, 2005
Contra nós os guarda-redes não saem ao intervalo! JOSÉ VEIGA respondeu ontem ao ataque feito por Pinto da Costa, em que o dirigente azul e branco afirmou que as arbitragens estão a beneficiar os encarnados. Em declarações a A BOLA, José Veiga contra-atacou, puxou do bloco de notas e ainda recordou a célebre substituição de Helton ao intervalo num encontro entre dragões e leirienses, em contraponto à exibição de Costinha na Luz, no passado sábado. "Quem tiver visto o que se passou no último minuto do Benfica-U. Leiria dirá mesmo que é impossível chegarmos ao título." Estas foram as declarações de Pinto da Costa ao jornal O Jogo, utilizando a expressão apito encarnado para consubstanciar as suas queixas e atacar o rival lisboeta. A resposta surgiu de pronto, na voz de José Veiga, em declarações a A BOLA. "Pinto da Costa deve ter a memória curta. Em vez de discutirmos os últimos 20 dias devíamos discutir os últimos 20 anos. Quem foi beneficiado sucessivamente no passado? O FC Porto, sempre o FC Porto. Com o U. Leiria não fomos beneficiados em nada", começou por dizer o homem forte do futebol benfiquista, mostrando depois as notas que tem vindo a tirar ao longo do campeonato: "O golo anulado ao Petit frente ao FC Porto foi, curiosamente, com o mesmo árbitro que não viu a mão de Jorge Costa na sua área no jogo com o Gil Vicente [ndr: Olegário Benquerença]. Recordo também um penalty de Ricardo Costa sobre Lourenço, no Restelo; lembro o golo de Luís Fabiano como Marítimo em fora-de-jogo e ainda as partidas com Estoril, V. Setúbal ou V. Guimarães, em que o adversário foi beneficiado." "Tem de explicar o café com leite" A "preocupação" de Pinto da Costa, na óptica de Veiga, é simples: "Preocupa-se porque deve ter visto o nosso jogo com o U. Leiria, em que fizemos uma grande exibição e demonstrámos ter uma grande equipa, tal como aconteceu com o Rio Ave. Não vencemos estes dois jogos por manifesta falta de sorte. Ele já percebeu que não vai ser campeão." A confiança no título é forte: "Queriam todos estar no nosso lugar. Só nos faltam cinco jogos e teremos de os vencer para nos sagramos campeões. É esse o nosso objectivo, é isso que todos pretendemos e por isso aproveito para pedir aos sócios para seguirem a ideia de Luís Filipe Vieira e continuarem esta bonita onda vermelha. " José Veiga não parou nos contra-ataques: "Apito encarnado? Pinto da Costa tem de falar, sim, de apito azulado. A claque oficial do FC Porto falou de administradores comissionistas e ele tem de explicar que negócio é esse do café com leite, pretas, brancas e mulatas. Ele que assuma os erros, pois também não somos nós que criámos um cemitério de treinadores." A terminar, a frase mais polémica, que envolve também o U. Leiria: "Contra nós os guarda-redes fazem sempre grandes exibições, como o Costinha ou o Mora. Contra outros os guarda-redes saem ao intervalo..." ANDRÉ LUÍS titular na Taça TRAPATTONI ensaiou ontem quatro alterações no onze para o jogo com o Estrela da Amadora: saem Quim, Luisão, Dos Santos e Manuel Fernandes, entram Moreira, André Luís, Fyssas e Bruno Aguiar. A confirmar-se, a maior novidade seria a estreia do central André Luís. Para já são conclusões retiradas do treino de conjunto de ontem mas fazem todo o sentido no contexto da necessidade de gestão do plantel por parte de Giovanni Trapattoni, numa fase crucial da época e frente a um adversário da Liga de Honra. Para a baliza Trap escolheu, ontem, Moreira. Se é verdade que o treinador não defendeu a alternância campeonato/Taça no jogo com o Sporting (oitavos-de-final),mantendo Quim, já com o Beira-Mar, na Luz, a escolha foi para Moreira. Nas meias-finais, frente ao Estrela da Amadora, o jovem guarda-redes que iniciou a época como titular deverá ter nova oportunidade. Gerir os amarelos Temos depois os casos de Luisão e Manuel Fernandes, ambos a um cartão amarelo de terem de cumprir um jogo de suspensão. Havia quem defendesse que deveriam ter provocado o amarelo no último jogo. Tal não aconteceu e, aparentemente, Trap estará mais preocupado com o jogo frente ao Estoril, pelo que equaciona a possibilidade de os poupar na Amadora. As alternativas são as esperadas: André Luís, o outro central disponível, já que Alcides está na selecção sub-20 do Brasil, pode ter agora oportunidade de se estrear. Já para o meio-campo, Bruno Aguiar faria dupla com Petit. No treino de ontem Trapattoni confirmou igualmente a suspeita de que poderá trocar Dos Santos por Fyssas. Se é verdade que o primeiro ganhou vantagem depois de várias trocas, o treinador considera serem dois jogadores de nível semelhante, pelo que troca apenas por gestão, sem preocupações desportivas. Minutos para Delibasic Depois de anteontem ter abandonado o treino mais cedo, por lesão, ontem Delibasic trabalhou sem limitações. E, apesar de se esperar que seja Nuno Gomes o titular, Trap vai querer dar minutos a Delibasic frente ao Estrela. Taça morna, SuperLiga quente O Benfica decidiu ontem alargar a venda dos bilhetes cedidos pelo Estrela da Amadora a todos os benfiquistas e não só aos sócios. Sendo certo que a Reboleira deverá esgotar, na Luz a corrida ao ingresso tem sido morna. Quente, quente, deverá ser a procura para o jogo com o Estoril. Só as casas do Algarve vão vender 20 mil ingressos. O Estrela da Amadora enviou para a Luz quatro mil bilhetes para o jogo da Taça de amanhã. Em princípio, só para sócios, mas uma vez que a procura tem sido morna e há que escoar todos os bilhetes, entendeu o Benfica alargar deste ontem a venda de ingressos na Luz para este jogo a todos os benfiquistas. As bilheteiras estarão abertas durante todo o dia. É certo que o Estádio José Gomes deverá esgotar e que a maioria será benfiquista, mas, pelo menos na Luz, tem sido morna a afluência às bilheteiras. Bem diferente deverá ser o ambiente que antecederá o jogo com o Estoril, no Estádio do Algarve, no próximo domingo, para mais véspera do feriado de 25 de Abril. A partir desta tarde já poderão ser adquiridos na Luz, a preços que variam entre os 15 e os 35 euros. Amanhã seguem para o Algarve 20 mil bilhetes, a serem vendidos pelas casas de Portimão, Albufeira, Silves, Faro, Olhão, Loulé, Tavira e Vila Real de Santo António, além do Sport Lagos e Benfica. Tendo em atenção que a lotação do Estádio do Algarve ronda as 30 mil pessoas, não custa perceber que o Benfica, mesmo sendo um jogo organizado pelo Estoril, se responsabilizará pela venda da esmagadora maioria dos bilhetes. De resto, o sucesso de bilheteira foi uma das razões que presidiram à escolha do Estoril pelo Estádio do Algarve, sendo o Benfica o primeiro a ajudar nesse sucesso, já que tem condições operacionais para o fazer com eficácia. E se o grosso do público deverá ser algarvio, por ser fim-de-semana alargado muitos benfiquistas podem deslocar-se de outras regiões. Repetir história em palco inédito A história só relata um encontro entre Benfica e Estrela da Amadora para a Taça de Portugal. Foi no Estádio da Luz, na temporada passada. Desta vez o palco é outro, inédito nestas andanças, mas na SuperLiga o Benfica costuma dar-se bem com os ares da Reboleira. Dia 22 de Novembro de 2003. Benfica 3, Estrela da Amadora 1. É este o único registo de jogos entre os dois clubes, para a Taça de Portugal. Foi na temporada passada, na Luz, ainda os visitantes estavam no escalão principal, sob o comando de Miguel Quaresma. João Pereira, Tiago e Roger (Bernardo para o Estrela) construíram a vitória encarnada na IV eliminatória da competição. O Benfica chegou à final e... venceu. Desta feita o palco é outro, o Estádio José Gomes, mas a equipa de Trapattoni quer repetir a história: vencer e chegar ao Jamor. E se é verdade que nunca Benfica e Estrela da Amadora se encontraram na Reboleira para um jogo da Taça, já no campeonato contam-se 12 jogos. Bons ares Oito vitórias, dois empates e duas derrotas é o saldo das águias. Bem positivo. Na temporada passada o Benfica venceu por 3-0, com golos de Nuno Gomes, Tiago e Sokota. É preciso recuar até à temporada 99/00 para encontrar um triunfo estrelista. E logo por 3-0, com golos de Gaúcho (2) e Kenedy. O outro remonta à época 97/98: 2-0, com Jorge Andrade e Chainho a fazerem o gosto ao pé. Os jogos de Taça têm, contudo, como se sabe, uma atmosfera completamente diferente em comparação com os da SuperLiga. E nesse aspecto, mesmo com o Estrela da Amadora na Liga de Honra, os dados estatísticos valem o que valem. Ainda assim, resta saber se o Benfica mantém a tradição dos bons resultados. |
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