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quinta-feira, março 31, 2005
Reuniões altamente positivas para o futuro da marca Benfica Luís Filipe Vieira deve chegar hoje, à tarde, a Lisboa, depois de dois dias de intensas negociações em Israel. O presidente do Benfica mostrou-se satisfeito pelos contactos que efectuou, com diversas pessoas, afirmando que "foram abertas algumas portas muito interessantes para o clube ". Filipe Vieira conversou com os jornalistas, jantou e arrancou para o aeroporto de Telavive. Luís Filipe Vieira e o empresário Jorge Mendes efectuaram diversas reuniões com potenciais investidores para o clubeO presidente do Benfica chegou a Telavive ao princípio da madrugada de terça-feira, já sem a presença de José Mourinho em Israel, posou para as fotografias dos diversos repórteres presentes no aeroporto Ben Gurion e arrancou para o centro da cosmopolita capital israelita. Nunca mais alguém o viu. Luís Filipe Vieira esteve envolvido, desde então, em diversas reuniões e negociações, com a presença do empresário Jorge Mendes e, presume-se, também com a do empresário israelita Pini Zahavi. Só ontem, ao princípio da noite, os jornalistas presentes nesta cidade israelita surpreenderam o presidente encarnado, no momento em que, na companhia de Jorge Mendes (e de dois funcionários da sua empresa, Luís Correia e João Parreira), tinha a última reunião da sua estada em Telavive, horas antes de regressar a Lisboa. As fotografias foram tiradas e, depois de mostrar algum desalento por ter sido descoberto, Luís Filipe Vieira aceitou sentar-se na nossa presença e falar, embora sem grandes pormenores, dos motivos deste raide a Israel: "Que querem que vos diga? Vim a Israel fazer aquilo que tenho feito desde que assumi a presidência do Benfica: preparar o futuro do clube. Tive diversas reuniões fora de Telavive nestes dois dias, estive ocupado durante mais de 16 horas em cada um deles, mas julgo que os objectivos que me trouxeram a Telavive foram alcançados." Luís Filipe Vieira prefere, no entanto, não falar dos objectivos que, em sua opinião, terão sido alcançados: "Os benfiquistas podem estar descansados, pois deixámos abertas algumas portas interessantes para a vida do clube. Não falámos de aquisições, não falámos de contratações, isso é certo. No centro de tudo esteve a marca Benfica, nada a ver com jogadores, nada a ver com empréstimos. Não vos vou adiantar mais que isto, apenas gostaria que, através de vocês, os benfiquistas soubessem que estas reuniões foram altamente positivas." A terminar, antes de embarcar rumo a Lisboa, Luís Filipe Vieira mostrou algum desalento por não ter tido tempo para, entre outras coisas, visitar Jerusalém e o Muro das Lamentações, ao mesmo tempo que enalteceu a dimensão da viagem de José Mourinho a Israel. Aí está PETIT A três dias do jogo com o Marítimo, Petit mostrou estar recuperado, efectuando diversos testes físicos e, inclusive, com bola. À tarde, ficou a trabalhar na Luz com Rodolfo Moura, mas será dado como apto para domingo. Trapattoni parece preocupado mas tem motivos para sorrir uma vez que Petit lhe dá garantias de plena recuperaçãoPetit já tocou, ontem, na bola e deverá ser dado como apto a tempo de integrar a lista dos convocados para o jogo com o Marítimo. Sendo verdade que o médio encarnado não participou no treino vespertino realizado no Jamor, a sessão matinal revelou um jogador francamente motivado, que realizou com sucesso todos os testes físicos que lhe foram ministrados por Rodolfo Moura. Inicialmente, Petit fez corrida à volta do relvado, sempre em bom ritmo e tendo sempre como parceiro do lado o jovem João Vilela, da equipa B, que está também recuperado da delicada intervenção cirúrgica a que foi submetido há já alguns meses. Esta parte da sessão durou mais de meia hora, até o trio se fixar numa zona de terreno contígua a um dos bancos de suplentes para nova fase de exercícios. Hoje, no treino Para Petit e todos aqueles que esperam vê-lo em acção no domingo, esta foi, certamente, a parte mais entusiasmante, já que, pela primeira vez desde que se lesionou fez trabalho com bola. Tratou-se, tão-só, de dominar com o joelho e devolver com um pé de cada vez as bolas que lhe eram enviadas por Rodolfo Moura, mas a desenvoltura com que efectuou os exercícios demonstraram que o jogador está sem moléstias. Acresce dizer que estes exercícios, em que participou igualmente João Vilela, eram alternados com testes de aceleração e velocidade, também realizados sem problemas pelo jogador. A ausência de Petit no treino da tarde não deixou de causar surpresa, mas à semelhança do que aconteceu na véspera, ficou a fazer trabalho de ginásio e no relvado. Hoje, já deverá integrar-se no treino livre, o seu primeiro da semana. 60 mil na Luz ENCHENTE confirmada. O jogo de domingo, frente ao Marítimo, terá nas bancadas uma das maiores assistências da temporada. Serão, seguramente mais de 60 mil as entradas disponibilizadas para esse desafio. Neste momento já estão mais de40mil vendidos. É a prova de que o povo acredita... Jogo com o Marítimo está a provocar grande ansiedade aos benfiquistasA média das assistências registadas esta época na Luz ronda os 32 mil adeptos. Para o jogo com o Marítimo estão já transaccionados mais de 41 mil acessos ao estádio, o que equivale a dizer que tirando os confrontos com FC Porto e Sporting, para a SuperLiga, e Anderlecht, para o acesso à Liga dos Campeões, nunca o recinto benfiquista registou esta época tamanha enchente. É a resposta ao repto presidencial do apoio fundamental para a equipa voar rumo ao título. A manterem-se as vendas diárias (só ontem foram transaccionados 2500 ingressos para o jogo de domingo), nos quatro dias que faltam para o jogo os 24mil bilhetes ainda disponíveis deverão desaparecer por completo. Os responsáveis pelo sector da organização de jogos acreditam que estarão na Luz mais de 60 mil espectadores. Quanto a cativos (que para os últimos quatro jogos na Luz estão a ser vendidos entre 30 e 85 euros), ontem foram transaccionados mais 332, o que quer dizer que no espaço de duas semanas venderam-se 2070 lugares fixos (valor que poderá chegar a 3000 até domingo), aumentando o número de cativos no estádio para 25.600. Todos juntos para o ataque decisivo FINALMENTE, pensará Giovanni Trapattoni. A quatro dias do jogo com o Marítimo, eis que chegam os jogadores que estiveram ao serviço das mais variadas selecções. O tempo é pouco, os minutos preciosos para montar uma estratégia que possa dar ao Benfica mais uma vitória e defender a vantagem de seis pontos na SuperLiga. Ontem o grupo ainda esteve reduzido, mas hoje será reforçado com os internacionaisImagine-se o Benfica sem Quim, Miguel, Simão, Manuel Fernandes, Nuno Gomes, Luisão, Karadas ou Fyssas. Seria, certamente uma equipa bem mais fraca, certamente sem a competitividade que vem demonstrando. Seria, enfim, uma sombra do conjunto que vai liderando a SuperLiga. Mas foi sem todas estas estrelas que Giovanni Trapattoni teve de trabalhar na última semana, o que fez com que ainda não tenha transmitido aos jogadores as ideias que tem para desmontar o esquema do Marítimo. Só no treino que hoje à tarde se realiza no Estádio Nacional o treinador italiano pode contar com os seus jogadores mais influentes, tendo também a felicidade de todos eles se apresentarem sem mazelas. Cansados, certamente, mas sem problemas físicos. A única excepção é Luisão, que só amanhã tem condições de voltar a treinar-se com os companheiros de equipa. O brasileiro defrontou na madrugada de hoje o Uruguai, em Montevideu, e como a viagem é bastante longa não terá condições de acompanhar os outros internacionais, que, jogando na Europa, tiveram a vantagem de ter mais algumas horas para pensar no embate com o Marítimo. Apesar disso, o defesa-central deverá estar entre os eleitos do treinador para o importante jogo de domingo, que deverá ter casa cheia, já que os benfiquistas se sentem cada vez mais eufóricos e vão acreditando na conquista do título. Depois de uma longa corrida em que o Benfica tem sido a equipa mais resistente, chega a recta decisiva e a emoção vem crescendo. Trapattoni tem agora todas as armas para o ataque final. quarta-feira, março 30, 2005
Lotação pode esgotar OS adeptos do Benfica estão a responder ao repto lançado pelo presidente Luís Filipe Vieira para apoiar a equipa enchendo os estádios onde a equipa actuar nos oito jogos que restam disputar na presente edição da SuperLiga. Para o confronto com o Marítimo há pouco mais de 25 mil ingressos disponíveis. Cor e entusiasmo em perspectiva para jogo de domingoInédito! Tirando os confrontos com FC Porto e Sporting, nunca a afluência às bilheteiras da Luz foi tão elevada, esta época, a cinco dias da data aprazada para o jogo. Ao final da tarde de ontem, a lotação do Estádio da Luz para o jogo com o Marítimo (domingo às 20.30 horas) estava já garantida com 38.700 espectadores (entre lugares cativos e bilhetes específicos para este encontro). Ou seja, para que o recinto esteja lotado restam 26 mil ingressos. E os responsáveis pela organização de jogos do Benfica acreditam que o objectivo de ter o estádio completamente cheio pode ser alcançado, tendo em conta que por norma é nas últimas 48 horas que tipicamente o grosso dos ingressos são transaccionados. A média de espectadores no palco encarnado ronda, até agora, os 32 mil adeptos, número que já está largamente ultrapassado. De resto, a assistência de domingo será composta por alguns milhares de jovens provenientes de inúmeras escolas que aderiram às campanhas da Semana da Juventude patrocinadas pela Câmara Municipal de Lisboa. Os apoiantes da equipa dirigida por Trapattoni parecem, enfim, acreditar que este pode ser o ano da águia e querem demonstrar todo o apoio já a partir de domingo. Uma responsabilidade acrescida para os pupilos do italiano. Luz da recuperação para o desejado Petit O Benfica chegou ao Estádio Nacional e todos os olhares se voltaram para o relvado. Onde está Petit? Petit não estava. Nesse segundo aumentaram as dúvidas em relação à sua utilização no jogo de domingo, frente ao Marítimo, no qual os encarnados defendem os seis pontos de vantagem que têm em relação ao quarteto composto por Sp. Braga, Sporting, FC Porto e Boavista. No Jamor, todos procuravam pelo lesionado Petit, mas o médio ficou na Luz a fazer tratamento e corridaPetit é peça fundamental no meio-campo do Benfica mas não há meio de o ver regressar ao trabalho de campo. Depois da contusão na grelha costal sofrida nos primeiros segundos da visita ao V. Setúbal, o médio não voltou a tocar na bola, o que espalha receios entre os adeptos, que sabem como ninguém que o esquema de Trapattoni vive - e muito...- da garra do número seis. Apesar da ausência no Estádio Nacional, chegou mais tarde a informação de que o médio continua a ver a sua lesão a evoluir favoravelmente, tendo ficado na Luz a fazer trabalho de ginásio e logo depois corrida no relvado. O jogador fez trabalho condicionado mas sentiu-se muito bem, havendo a convicção de que, a continuar a evoluir desta forma poderá ser mesmo opção para a exigente recepção ao Marítimo. Já se sabe que Petit é daqueles jogadores de fibra, disposto a sofrer para estar em acção, determinado a vencer qualquer contratempo. Trapattoni sabe-o bem e deve dormir cada vez mais descansado, já que as informações são positivas. Vieira regressará amanhã Nem a sombra do presidente do Benfica foi possível ver ontem, durante todo o dia, em Telavive. Luís Filipe Vieira chegou a Israel ao princípio da madrugada desta terça- feira e às primeiras horas da manhã de ontem deu início a uma séria de contactos com investidores financeiros, que vão prolongar-se por hoje. Só amanhã, o líder encarnado deverá regressar a Lisboa. Filipe Vieira anda em Israel a correr de um lado para o outroO presidente do Benfica procura ainda, nesta fase, manter longe do olhar dos jornalistas os seus encontros com importantes investidores, que o levaram a viajar para Israel. Filipe Vieira tem estado permanentemente em contacto e a ser conduzido, entre outros, pelos empresários Jorge Mendes e Pini Zahavi, agentes-FIFAmas também intermediários na relação com alguns dos investidores há muito interessados no negócio do futebol. Fundos de investimento como o Global Soccer Investments (GSI) que, como A BOLA contou desde o primeiro dia desta semana, negociou com o Benfica, em Janeiro, os financiamentos das possíveis transferências para a Luz dos argentinos Maxi Lopez (entretanto vendido pelo River Plate ao Barcelona) e Lisandro López (que o Benfica ainda tem esperança de ver de águia ao peito na próxima época) podem transformar-se em importantes parceiros financeiros dos encarnados. É nesse sentido que Luís Filipe Vieira procura consertar estratégias nestas reuniões em Israel, analisando possibilidades de negócio, trocas de investimentos, parcerias na contratação ou venda de atletas, para dotar o Benfica de uma mais ampla capacidade de se mexer na indústria do futebol. Claro que o presidente encarnado aproveitou a presença em Telavive do agente-FIFA português, Jorge Mendes, e do empresário e influente homem de negócios israelita, Pini Zahavi, para continuar a estabelecer pontes com aqueles que são, afinal, os homens fortes dos fundos de investimento, os que detêm o poder financeiro. Contactos nunca estarão encerrados Não deve esperar-se a concretização de qualquer negócio nesta ronda de conversações levada a cabo pelo presidente do Benfica. Trata- se de expor e ouvir, lançar desafios e recolher propostas, sabendo-se que se fala com pessoas que vêem no futebol uma oportunidade de negócio como outra qualquer, apenas mais apelativa (apesar do risco) tendo em conta a por vezes fantástica valorização de um jogador, por exemplo. De Jorge Mendes, o empresário português de maior sucesso na actualidade, já muito foi dito. De Pini Zahavi, apenas acrescentar que se trata de um israelita de ascendência russa que já passou a meia idade, ex-jornalista em Telavive, entretanto transformado em empresário de jogadores (mediou, no início dos anos 90, a vinda para o Benfica dos russos Iuran e Kulkov, e mais tarde, por amizade a Souness, de Poborsky, Kandaurov, Brian Deane) e com excelentes relações, por exemplo, com Eriksson, e sobretudo com Abramovich e Peter Kenyon, patrão e administrador do Chelsea de Mourinho. Zahavi (que representa apenas um jogador de futebol, o defesa inglês do Manchester United, Rio Ferdinand, é curioso...) é hoje muito mais um influente conselheiro de negócios. Para já, com óptimos resultados junto do russo Abramovich. terça-feira, março 29, 2005
Petit já corre A recuperação de Petit continua a processar-se em excelente ritmo e tudo aponta para que o médio possa defrontar o Marítimo no próximo domingo. A decisão, contudo, só será tomada no final da semana, depois de uma conversa entre departamento médico e equipa técnica. Ontem à tarde, na Luz, o camisola 6 já correu. Petit empenha-se diariamente na recuperaçãoO traumatismo na grelha costal - contraído aos dois minutos do encontro com o V. Setúbal, num lance com Bruno Moraes - ainda condiciona o desempenho de Petit, mas a evolução tem sido muito positiva. O jogador, que tem trabalhado duas vezes por dia (excepção feita a sábado e domingo, dois dias em que gozou folga), sente cada vez menos dores na zona afectada e ao nível respiratório também regista melhorias. Ontem à tarde, no relvado principal da Luz, já foi possível ver Petit a correr à volta do relvado - para já, naturalmente, ainda de forma ligeira. Antes, e sempre sob as orientações do enfermeiro Rodolfo Moura, o camisola 6 cumpriu vários exercícios específicos, sob intensa chuva e muito frio. Nada que, como se sabe, atrapalhe o espírito combativo de Petit e a sua determinação em regressar à competição já na próxima jornada. Apesar do cenário parecer favorável a esse desejo do médio, não pode afirmar-se com certeza que Petit vai defrontar o Marítimo. Tudo dependerá da sua evolução nos próximos dias, sendo certo que o departamento médico e a equipa técnica estão em permanente comunicação e tomarão a decisão em conjunto. Paulo Almeida e Dos Santos em trabalho específico Petit não esteve sozinho no relvado do Estádio da Luz. Paulo Almeida e Dos Santos não estão lesionados mas realizaram igualmente trabalho específico com Rodolfo Moura. Pedro Mantorras também esteve nas instalações encarnadas. Filipe Vieira em Israel para estudar parcerias O presidente do Benfica era esperado na madrugada de hoje em Israel, onde voltará a manter conversações com representantes de investidores no futebol sobre eventuais negócios envolvendo jogadores. Filipe Vieira vai encontrar-se, nomeadamente, com o empresário israelita Pini Zahavi e o agente-FIFA português, Jorge Mendes, que também representam, por exemplo, investidores do Global Sports Investments, fundo que esteve para financiar as contratações dos argentinos Maxi Lopez e Lisandro Lopez. Jorge Mendes e Pini Zahavi, dois dos homens que reunirão com Filipe VieiraTerá sido já ao princípio da madrugada de hoje que Luís Filipe Vieira aterrou no aeroporto internacional de Telavive, informação impossível de confirmar à hora do fecho desta edição. Como A BOLA ontem noticiou, o líder dos encarnados levará a cabo mais uma série de encontros com representantes de investidores no futebol. O objectivo é estudar e analisar possíveis parcerias na contratação e transferência de jogadores. Hoje, são muitos os clubes que recorrem aos fundos de investimento como forma de aliviarem a carga financeira e o peso económico na construção das equipas. O FC Porto, por exemplo, negociou a contratação do internacional brasileiro Luís Fabiano amparado neste mesmo fundo, o Global Sports Investments (GSI). O clube azul e branco apenas detém, aliás, uma pequena percentagem dos direitos desportivos do jogador. De outra forma, também o Benfica assumiu desde o princípio que detém apenas 25 por cento dos direitos desportivos do também internacional brasileiro Luisão, transferido a época passada do Cruzeiro para a Luz. A outra parte (75 por cento) dos direitos sobre o jogador está na posse dos empresários Juan Figger e Giuliano Bertolucci. Hoje em dia, esse tipo de parcerias é cada vez mais normal, tendo em conta as dificuldades financeiras dos clubes. Foi assim que o Benfica manteve negociações com o GSI no sentido de obter ajuda para contratar, em Janeiro, os argentinos Maxi Lopez e Lisandro Lopez. Esse objectivo falhou porque o River Plate preferiu negociar Maxi directamente com o Barcelona; quanto a Lisandro Lopez, o negócio nunca chegou a estar fechado e é ainda uma possibilidade para Julho. São as conversações com esse fundo que prosseguem agora em Israel. Abanei alguma inactividade e comodismo que existiam "A formação é o coração e a equipa principal o oxigénio do Benfica." O lema foi lançado por António Carraça quando iniciou funções, a 17 de Maio de 2004, na gestão profissional do futebol jovem. Ao longo destes 10 meses, a declaração de princípios ganhou contornos de lei. A lei de Carraça, que teve autonomia para alterar conceitos, práticas e pessoas. Admite que abalou com um certo status quo existente em determinados sectores internos, mas lembra que teve sempre o apoio incondicional de Luís Filipe Vieira, que lhe tece rasgados elogios. Os resultados, diz, começam a aparecer. E existe a profunda certeza de que mais casos como Manuel Fernandes serão uma realidade a médio prazo. «Tudo o que tenha menos de cinco ou dez anos não faz sentido. Estamos a formar jogadores de futebol e homens»- Como está a formação no Benfica? - Quando iniciámos funções tratámos imediatamente de detectar os défices e limitações que o departamento tinha. Fizemos um levantamento quanto à estrutura física e em relação aos quadros existentes. Fiz saber ao presidente do conselho de administração da SAD [Luís Filipe Vieira] que teríamos de ter objectivos definidos, uma estratégia e um projecto. E depois escolhemos as pessoas com o perfil certo para implementar esse projecto. É um trabalho a médio prazo mas cujos resultados já começam a aparecer. A primeira prioridade é criar condições para que dois a três jogadores entrem na equipa principal todos os anos. Na próxima época isso já poderá acontecer. - Que tipo de obstáculos tem encontrado para levar a cabo esse trabalho? - O nosso orçamento, que é reduzido. Depois, o facto de ainda não termos um local para centralizar todas as operações no trabalho diário. Só no terceiro/quarto trimestre deste ano é que vamos ter pronto o centro de estágio e formação. Temos andado com a casa às costas e estamos a falar de 11 equipas, mais de 200 jovens, dezenas de técnicos, médicos, paramédicos, fisioterapeutas, roupeiros. Mas sabíamos que iria ser assim e até tentei criar um lema: não temos problemas, temos soluções. Jogadores desenvolvidos intelectualmente - Qual tem sido a reacção das pessoas ao seu trabalho? - Sempre assumimos que iria ser uma etapa nova neste clube. O rigor iria ser muito, tal como a exigência, competência e profissionalismo. Aos jogadores sempre dissemos que não basta ter qualidade, queremos ajudá-los a crescer, a tornarem-se do ponto de vista intelectual pessoas mais desenvolvidas para poderem assumir o papel que poderão não ter no futuro enquanto jogadores profissionais. Fizemos entender que o Benfica é mais do que um clube, é uma instituição com história, pergaminhos, uma mística, uma imagem universal. Por isso era importante que tivessem consciência do clube que estavam a representar. Definimos um perfil de jogador que vá ao encontro dos desafios que se vão colocar no futuro: tal como o presidente já o disse, quer que o plantel seja composto por jogadores portugueses. É a chamada Geração Benfica. Os objectivos de todos os que trabalham aqui são quase diários, todos os quadros são submetidos a avaliação constante. - Mas teve de lutar contra anticorpos? - Não diria que causei uma reacção estranha, mas fiz abanar alguma inactividade e algum comodismo que existia. Mas se não fosse assim não fazia sentido terem-me convidado para este projecto. Mas este é um trabalho colectivo. Tive de fazer opções, por exemplo, cerca de 90 por cento da área técnica que existia antes de eu chegar foi substituída na definição clara do que era o perfil do treinador para a formação do Benfica. Fiz alguns reajustamentos nas áreas administrativa, prospecção, da análise e acompanhamento, e vou continuar a fazê-lo. Fui sempre sincero com todas as pessoas, todos sabemos que temos de assumir as nossas responsabilidades tendo em conta o que são os interesses do Benfica e do conselho de administração. Não quero que os meus colaboradores sejam meus amigos, quero acima de tudo que sejam quadros competentes, responsáveis, profissionais e dedicados a este projecto. Se assim for vão comigo até ao fim do Mundo. Quem não tiver essa capacidade será substituído. Isto faz parte de uma sociedade cada vez mais competitiva em que os mais aptos são os aproveitados. Em cinco anos teremos um plantel maioritariamente português INVERSÃO da lógica nos contratos, criação de uma rede nacional e internacional de observadores, mentalização dos jogadores para a história e valores do Benfica. São estes e muitos mais os vectores que vão permitir ao clube ter uma margem de erro mínima quando apostar num jogador da casa. É este o caminho, realça, para que se crie um ciclo de cinco a 10 anos de directrizes únicas. "Todos os clubes que venceram títulos fizeram isto", lembra António Carraça. - Diz que o Benfica deve ter um projecto a longo prazo. Quantos anos deve ter esse ciclo? - Tudo o que tenha menos de cinco ou 10 anos não faz sentido. Temos de trabalhar numa lógica temporal para desenvolver as nossas estratégias. Formar jogadores e homens, levar dois a três jogadores para o plantel principal, aumentar o número de jogadores internacionais, criar hábitos de vitória, reforçar a cultura e mística do Benfica, criar uma rede de escolas e protocolos no País e no estrangeiro (depois de Londres vão ser criadas escolas em Paris, no Brasil, na África do Sul, em Angola, Moçambique e Cabo Verde),uma rede de informação activa. Por exemplo, quando cheguei aqui tínhamos uma rede de 18 observadores em todo o País, neste momento temos quase 250 a dar informação quase diária, que nos ajuda a criar uma base de dados interactiva. O nosso objectivo é ter um retorno na qualidade do trabalho e financeiro na eventualidade de uma transferência. Desenvolver e potenciar tudo isto vai originar a tal Geração Benfica que obviamente terá de levar cinco a 10 anos. É importante que assumamos este como um projecto de continuidade e um dos desígnios do clube. - Acabou a ideia de que um jogador sairia facilmente do clube? - Aquilo que nós definimos foi o perfil de jogador do Benfica, tanto assim é que há um tempo ficou definido que iríamos fazer o acompanhamento de todas as grandes competições internacionais e nacionais onde os nossos jogadores representem as respectivas selecções. Tudo isto para criarmos uma base de dados sobre jogadores que possam vir a reforçar o Benfica. E neste momento estamos em condições de tomar decisões rapidamente, porque existe um canal diário e regular entre a formação e o presidente do conselho de administração. No caso de alguns jogadores fomos tomando decisões. Mas tenho de dizer outra coisa: nas várias alterações que fizemos uma delas teve a ver com os vencimentos dos jogadores. Fiz questão de transmitir aos jovens que neste momento a aposta é mútua: nós apostamos neles e eles têm de apostar no Benfica. Porque apesar de a margem de erro ser agora mínima existem sempre dúvidas em torno do jogador em causa e são eles que terão de dizer se tivemos razão em lhe darmos uma oportunidade. Os vencimentos são dignos mas não têm nada a ver com o que o Benfica pagava no passado recente. Não só por causa da recessão mas porque o Benfica habituou os seus funcionários a cumprir com os seus compromissos. Definimos, por isso, o contrato em dois patamares: o vencimento normal e os objectivos definidos, ou seja, número de jogos, internacionalizações, etc. E a partir do momento em que esse jovem assuma um espaço na equipa principal quer eu, o presidente do conselho de administração ou os próprios responsáveis pelo futebol profissional, iremos sentar-nos à mesa para reestruturar o contrato. É o assumir de um patamar novo. - Está a falar de revisão de contratos? - Claramente. Dou-lhe o exemplo: os jovens que possam juntar-se à equipa principal na próxima época. Quando o fizerem ainda terão mais quatro anos de contrato. Ou seja, poderá haver lugar à reestruturação do seu contrato. Se não fizerem carreira ficam benfiquistas - Quando será visível esse trabalho? - Dentro de cinco anos poderemos ter o Benfica maioritariamente português e com jogadores formados no clube, com cultura de Benfica. Estou a desenvolver um pequeno projecto que será uma espécie de livro sobre o que o jovem jogador deve saber sobre o Benfica, sobre tudo o que gira em torno do futebol, sobre doping, sobre as leis do jogo, sobre alimentação, drogas, sobre gestão de imagem, psicologia. Mesmo que não venham a ser jogadores, que sejam bons carpinteiros, médicos, advogados. Que sejam, acima de tudo, benfiquistas. Tenho uma relação cordial com José Veiga É visto como o futuro director geral da SAD, principalmente depois dos fortes elogios públicos de Luís Filipe Vieira ao trabalho já desenvolvido no sector de formação. Apesar de dizer que tem capacidade para ocupar qualquer cargo no futebol português, lembra que é José Veiga o gestor para o futebol profissional e garante só ter olhos para o projecto que está a desenvolver no futebol jovem. "Tudo o que se possa dizer é amais pura especulação", frisa Carraça, pretendendo, com este discurso, contribuir para que o clube se concentre no objectivo prioritário: vencer o campeonato e a Taça de Portugal. «Acredito que com a obtenção do título estarão criadas condições para consolidarmos o nosso projecto e para que possamos atingir outros resultados»- Sente-se capaz de vir a abarcar todo o futebol do Benfica, o de formação e profissional? - Essa questão não se coloca agora, porque fui convidado para ser o gestor para a área da formação durante três anos, tendo exigido que o meu trabalho fosse reportado apenas ao presidente e ao conselho de administração. Em relação a essa questão, digo apenas que o Benfica está num momento privilegiado para ser campeão nacional e ganhar a Taça de Portugal. Mas estou no futebol há 32 anos e o Benfica é sem dúvida nenhuma uma paixão que eu assumi de uma forma clara. Nos próximos três anos serei o gestor para a formação. - Mas muitos já o vêem como director geral para o futebol profissional. Considera-se capaz de desempenhar essa função? - É perfeitamente normal que me sinta com capacidade para assumir qualquer função no futebol português. Tive o privilégio de ter sido jogador de futebol durante 18 anos, fui treinador durante cinco anos, fui dirigente ao mais alto nível como presidente do sindicato, vice-presidente da FIFpro, membro da câmara de litígios da FIFA, membro do Conselho Superior do Desporto, membro do Conselho Nacional contra a Violência e membro do painel de experts da UEFA. Ou seja, todas estas experiências e vivências dão-me capacidade para exercer qualquer cargo ou função ao nível da gestão desportiva. Mas também lhe digo que o mais importante é o presente e o trabalho que desenvolvo. A minha prioridade está neste momento apenas centralizada na área da formação do Benfica. Tudo o que se possa escrever é mera especulação, nada nos vai desestabilizar, porque no Benfica todos sabemos qual é a nossa área de influência e respectivo raio de acção. Sou rigoroso e peço rigor a quem trabalha comigo - Qual é a sua relação com José Veiga? - Perfeitamente normal. As nossas áreas ficaram claramente definidas no organigrama que a SAD aprovou e todo o trabalho tem sido desenvolvido dentro de uma lógica de profissionalismo, cordialidade e respeito mútuo. É assim que irá acontecer. Eu levo o meu trabalho muito a sério, sou muito rigoroso e por isso também peço rigor a quem trabalha comigo. Por isso, as minhas relações no Benfica baseiam-se numa lógica profissional. É assim também com os meus colaboradores. - Qual é a relação existente entre a formação e o futebol profissional? - Durante a reestruturação que levámos a cabo fizemos um conceito, um perfil de jogador, um perfil de treinador, a criação de um departamento de prospecção transversal que abarque um universo nacional e internacional. E se esta área é o coração do clube, é natural que haja uma boa relação. Várias vezes os nossos jogadores da equipa B e juniores treinam-se com a equipa principal. O Álvaro Magalhães é um assistente assíduo dos jogos da equipa B e de alguns escalões de formação, o que quer dizer que essa interligação existe. Mas não nos podemos esquecer que este é um ano muito importante no Benfica, é o ano zero, em que o objectivo assumido é ser campeão. Por isso, a área do futebol profissional está virada para esse objectivo prioritário. Mas acredito que com a obtenção do título estarão criadas condições para consolidarmos o nosso projecto e para que possamos atingir outros resultados. segunda-feira, março 28, 2005
E porque não chamar-lhe MANELELÉ? FOI José Mourinho o primeiro a comparar o talento do jovem médio do Benfica ao do veterano, internacional francês, que é dono do meio-campo do Chelsea, Claude Makelele. A BOLA, que hoje lhe conta a história do menino Manuel Fernandes (ver páginas seguintes), lança também um novo desafio: a partir de agora, chamem-lhe Manelelé! O menino da Luz, cada vez mais em alta, tornou-se já a última estrela da Selecção A e é impossível não reparar como a sua dimensão de futebolista ganha todos os dias mais corpo. Manelelé será, pois, a última das alcunhas a chegar ao balneário da Luz. Já agora, fique a saber como são conhecidos alguns dos jogadores do Benfica. Eusébio fica na História como o pantera negra, Coluna é lembrado como monstro sagrado, José Torres será sempre o bom gigante, apesar de ter sido conhecido nos seus tempos de menino e moço como canada dry, célebre marca de refrigerantes da década de 60 e cuja garrafa era longilínea como o antigo e alto ponta-delança do Benfica. São figuras lendárias, rebaptizadas no balneário da Luz. Hoje, como ontem, mantém-se a tradição das alcunhas. Para começo de conversa, A BOLA sugere mais uma: Manelelé. No Chelsea e na selecção francesa há muito que brilha Makelele. Mas no Benfica e, desde o passado sábado , na Selecção portuguesa está a nascer uma nova estrela: Manuel Fernandes. Desculpem, Manelelé! Até na fisionomia eles são parecidos. Tronco, tartaruga, soneca... O brasileiro Geovanni tem, provavelmente, a alcunha mais consensual do balneário do Benfica: soneca. Ele é o típico mineiro, de poucas falas, tranquilo, que não exagera na forma como exterioriza as emoções. Mas, da baliza ao ataque, podemos facilmente encontrar uma nova equipa para Trapattoni treinar. A Moreira por vezes chamam bocão, o que até dá jeito, porque convém haver diálogo entre a defesa e o guarda-redes. Fyssas ganhou o nome de takis, que é o mesmo que chamarmos alguém de pedrinho ou francisquinho. Foi a avó que começou a chamar assim ao jogador grego. Os brasileiros são mais atrevidos nas alcunhas e Luisão colocou a Alcides o nome de neguitinho, que é uma espécie de negão, mas ao contrário. Tiago já está no Chelsea, mas na Luz deixou uma alcunha ao amigo Ricardo Rocha: tronco. E quem o vê jogar, pela pujança física, perceberá o alcance da comparação... É bom não ir de encontro a ele. Dos Santos é um tanto atarracado, dizem no balneário que parece não ter pescoço. Vai daí a ideia surgiu rapidamente: ficas o tartaruga ninja! Everson a todos chama jôgadô e os companheiros retribuem o cumprimento. Paulo Almeida é o rei do gado...talvez pela fisionomia. É possível. Karadas é o Azar, mas esse é o primeiro nome do norueguês e neste caso das alcunhas deu imenso jeito. O angolano Mantorras ficou o palanquinha e Simão o baixinho, por razões óbvias. Mais escondida estará a razão por que chamam javali a Bruno Aguiar... Mas é melhor nem nos deitarmos a adivinhar... Coluna vertebral Mantorras trouxe consigo a sensação das explosões de Eusébio. Mas ainda não correspondeu às expectativas, amaldiçoado pelas lesões. De Manuel Fernandes não se pedia nada: era novo e da casa. Com brio e garra, lance a lance, Manuel conquistou o seu espaço levando os benfiquistas a terem a impressão do regresso aos tempos do amor à camisola. Na última jornada da SuperLiga, em Setúbal, ele foi, pela quarta vez esta época, o melhor em campo para A BOLA. E voltou a fazer um golo, um ano depois. Sábado, em Barcelos, tornou-se o 7.º mais jovem de sempre a marcar pela Selecção A na sua estreia como titular. Está em grande. Fora dos relvados é também enorme: humilde, discreto e com carácter. No painel da Luz, Manuel Fernandes parece entregar a bola a Eusébio e Simões; o número 37 sabe desde os 9 anos o que é a chamada mística"Pareces o Batman." Os jogadores ficaram impressionados. Logo no seu primeiro treino nos seniores, o míudo – que até hoje tem idade de júnior – ganha lances no corpo a corpo a Fernando Aguiar, conhecido como Robocop, esta época a representar o Penafiel. No balneário, o miúdo Manuel Fernandes tira a camisola diante de Argel. A boca foge para a verdade ao brasileiro: "Pareces o Batman!" Se o ex-central do Benfica lhe tivesse chamado Máscara de Ferro também não erraria na comparação. Manuel Fernandes joga com cara de poucos amigos, que, no crioulo de Cabo Verde, terra dos pais, se diz rostu runho. Um dia destes, perguntaram-lhe porquê: "Desde miúdo que sou assim. É a melhor forma de estar concentrado." Concentração, outra das suas imagens de marca, que lhe permite exibir, aos 19 anos, uma maturidade ímpar dentro de campo. Mas tem mais predicados: rigor táctico, técnica, entrega total. Pode-se dizer que lhe falta arriscar mais no um-para-um, chutar com maior frequência à baliza e com o pé esquerdo, aparecer mais perto da grande área, jogar de cabeça (a maior pecha) e ser menos agressivo nas disputas. Mas ninguém pode negar que o segundo mais utilizado do plantel, batido apenas por Simão, é dos jogadores mais competitivos da SuperLiga. Ninguém pode negar que se trata de um valor seguro. A ascensão, relâmpago, fala por ele e desmente os cépticos. Subiu de juvenil à equipa B, sem passar pelos juniores, caso inédito na Luz, e estreou-se pelos seniores do Benfica, aos 18 anos, pela mão do espanhol Camacho que, tal como Alex Ferguson em relação a Cristiano Ronaldo, se rendeu ao apelo do plantel para ficar com ele. Na Selecção Nacional, em ano e meio, de chamado pela primeira vez aos sub-17 chegou a convocado para a equipa principal. E o futuro é risonho: Scolari gostou do seu carácter quando o lançou no particular em Dublin. Agora, com a lesão de Petit voltou a convocá-lo. Estreou-se sábado a titular, abriu caminho à goleada ao Canadá e tornou-se o 7.º mais jovem de sempre a marcar pela Selecção principal. Os jogos pelos sub-21 têm os dias contados. Até onde irás, Manel? Chovem os elogios dos treinadores. Giovanni Trapatonni chamou-lhe "fenómeno ", afirmou que se o Benfica não renovasse com ele não se importava de o comprar e que é mais completo que o holandês Davids, trinco do Inter de Milão: "Davids só sabe jogar com bola. Manuel Fernandes também joga sem ela." José Mourinho assegurou que, com a sua idade, o francês Makelele, seu pupilo no Chelsea, não seria melhor. É, obviamente, um exagero chamar-lhe o novo Mário Coluna, figura mítica do clube que ganhou, entre outros títulos, dez Campeonatos Nacionais e duas Taças dos Campeões Europeus. Logo aí, uma incomensurável diferença com o monstro sagrado: o número 37 ainda só ganhou uma Taça de Portugal pelos seniores. Os adeptos mais antigos, no entanto, têm razões para começar a ver nele vértebras de Coluna: não é a vedeta da equipa (Eusébio era a estrela no tempo do moçambicano), mas é o homem que faz a ligação defesa-ataque, o jogador que corre os quilómetros que forem precisos para roubar a bola ao adversário e nunca vira a cara à luta. Às vezes, parece da família daquele que terá sido a águia com mais personalidade dentro do relvado. Fora do campo, no dia-a-dia, Manuel Fernandes é igual. Rosto fechado, humilde, discreto, educado, solidário, bom aluno. Íntegro, como se percebe pela história da infância e adolescência do número 37 da Luz que lhe contamos nas páginas seguintes. O menino da Dona Anastácia O pai deixou-o quando ainda era um bebé de colo. A mãe, sozinha, educou-o a ele e aos outros quatro filhos. Lutadora, não deixou que lhes faltasse o essencial. Ensinou-lhes que o trabalho é tudo. Deu-lhes lições de boas maneiras e de como se relacionarem com os outros. Mostrou-lhes que ser humilde pode ser também sinónimo de honra. Manuel Fernandes herdou tudo da sua mãe. Supermãe. O sol por dentro – Eduardo Sá é um psicológo reconhecido. Deu a entender numa entrevista à revista Visão que o maior elogio que ouviu foi de uma «mulher sofrida», já reconciliada com a vida. Disse-lhe que a tinha ajudado a «apanhar sol por dentro». Manuel Fernandes pode fazer uma afirmação sobre a mãe ainda mais profunda: Anastácia Rebelo Tavares é o sol e a âncora da sua existência. Por ele, a fibrosa cabo-verdiana, hoje com discretos 60 anos, sacrificou todos os minutos de descanso depois de criar os outros filhos. Dedicou todo o tempo do seu mundo ao codê, carinhosa expressão crioula que significa filho mais novo. Anos a fio, levou-o de madrugada à escola antes de ir trabalhar, saiu da casa dos patrões a correr para chegar ainda a tempo de lhe dar o lanche antes de agarrá-lo pelas mãos e carregá-lo para os treinos no Estádio da Luz. Nos jogos, resistiu estoicamente ao vento, à chuva, ao frio, ao calor, a tudo, puxando das profundezas do peito os gritos de incentivo, saindo em defesa do filho vezes sem conta. Clamava, sem parar: «Não bate no menino», «vai, vai Manel», «dá-lhe!» Desde que Manuel Fernandes está nos seniores deixou de ir ao estádio. Mas em casa, pela televisão, vibra com a mesma intensidade: tapa a cabeça, tira o som e quando se enerva desliga mesmo o aparelho. Os filhos, a brincar, costumam dizer-lhe que «qualquer dia dá-lhe um ataque». Simultaneamente, Dona Anastácia ganhou o pão que lhe trouxe à boca, ensinou-lhe a escolher os talheres certos na mesa, cuidou-lhe da roupa e do físico, exerceu com excelência o papel de encarregada de educação: reservada, nunca intervinha nas reuniões de pais, preferindo no final chamar à parte a directora de turma e expor as suas ideias e dúvidas. Guarda, desde o início da carreira do filho, com o orgulho que só uma mãe extremosa pode ter, todos os recortes de jornais do seu menino, que entretanto cresceu, apareceu na primeira equipa do Benfica e na Selecção Nacional. Anos difíceis – Mas não foi fácil chegar ao cume, subir a montanha, tantas as pedras soltas encontradas na escalada dos primeiros tempos de Manuel Fernandes, filho de dois naturais da Praia que chegam a Portugal com a ilusão de uma vida melhor do que aquela que levam na capital de Cabo Verde, há sensivelmente três décadas. Tudo corre bem enquanto pai e mãe, operário da Lisnave e empregada doméstica, se dão debaixo do mesmo tecto na margem Sul do Tejo, na companhia dos filhos: Zeferina e Cesaltina, agora com 37 e 32 anos e nascidas em Cabo Verde, José (30) e Paulo Sérgio (28) que vêm ao mundo já em Portugal, tal como Manuel Fernandes, cujo parto ocorre no Hospital Egas Moniz, Lisboa, no dia 5 de Fevereiro de 1986. Tem meses na altura em que os pais se desentendem sem haver um motivo forte que levasse à separação. Manuel nunca chega a conhecer o pai. Numa entrevista que concede a A BOLA, em Agosto de 2003, é esclarecedor: «O meu pai nunca conheci, mas também, como tive sempre a minha mãe Anastácia perto, acho que nunca me fez falta nenhuma. » Aliás, José Ivo dos Santos Fernandes é assunto tabu na família. Nota-se que o perdão é quase impossível: afinal, por mais razões que tivesse, o pai deixou a mãe com cinco filhos nos braços, ao sabor do destino. O mais dífícil de compreender é a razão que leva o operário da Lisnave a cismar, apenas com o intuito de contrariar a mãe, que o filho tem de ter nacionalidade cabo-verdiana, facto que retardará a sua entrada nas selecções. É fácil reconhecer Manuel Fernandes na equipa de iniciados: tem as mesmas expressões faciais de agoraA infância – Por estas e por outras, Dona Anastácia abandona a margem Sul e vai viver com os filhos para a Venteira, na Amadora. Ajudada por Zeferina, que já é enfermeira, não deixa faltar o essencial aos outros: roupa, comida e estudos. Cesaltina tira Gestão e José, conhecido por Tico, completa o 12.º ano. Enquanto isso, Manuel Fernandes especializa-se em corridas de carros «que nunca mais acabam»—como diz Tico com a expressão de quem tropeçou em muitos—e batalhas com os bonecos Power Ranger. Bolas, nem uma. Dona Anastácia tinha más recordações delas em casa: na meninice, José e Paulo Sérgio partiram os vidros e os bibelots todos que havia para partir. Mas, devorados os Chocapic e pé fora da soleira, são horas a correr atrás da bola. Literalmente: «Corria desenfreado e caía imenso. Se alguém o chamasse, virava a cara e lá ia contra qualquer coisa», conta Tico, que confirma a pancada na infância e início de adolescência pela Juventus de Del Piero e Roberto Baggio; seguida de outra por Redondo, quando estava no seu melhor no Real Madrid. Agora tem uma «admiração especial» por Makelele, Lampard e Tiago, do Chelsea, e Gerrard, do Liverpool. Tico revela a queda em criança para os gelados. E confirma: «É verdade: era gordinho. Saudável, no entanto: nunca teve varicela, sarampo, aquelas doenças que apanham os miúdos na curva.» A resistência manteve-se mas os quilos desceram, apesar de já comer cachupa, prato tradicional de Cabo Verde, na casa dos tios do lado da mãe, na Amadora. A adolescência – Depois vem o futebol a sério. Pelo meio, algumas mudanças: Cesaltina emigra para Itália para trabalhar numa empresa automóvel, Tico vira analista comercial da Sonae, Paulo Sérgio segurança. Dona Anastácia e os rapazes vão morar para o Cacém (faz no Verão seis anos), onde continuam. Respira-se melhor: Manuel Fernandes e a mãe passam férias na cidade da Praia para o codê conhecer o resto da família. De repente, Manel já é titular da primeira equipa da Luz. O rapaz introvertido e reservado, que apenas sorri para os amigos, fica à mercê da exposição pública. É o mais económico possível nas palavras quando fala comos jornalistas, mas a fama rouba-lhe a privacidade. Não se livra de passar autógrafos e são cada vez menos os restaurantes que tem para ir com a namorada sem que os olhares de outras mesas se cruzem sobre a sua. O antivedeta – Há coisas que o número 37 não perde. Continua a refugiar-se em casa e a navegar na Internet (adora jogos de futebol na consola) quando o Benfica perde, a conviver com os amigos de infância, apesar de passar mais tempo com os do futebol, a não aderir à moda das tatuagens, a descansar muito, a sair pouco à noite (e quando o faz é nas folgas), a ter pouco jeito para danças africanas, a perceber e arranhar crioulo, a falar um português educado (em vez de emprestar, diz ceder), a tratar toda a gente por você, a andar de transportes. Está agora empenhado em tirar a carta de condução — até leva CD para estudar nos estágios — mas enquanto não conclui o código aproveita as boleias dos companheiros de equipa ou dos funcionários do clube para ir para casa, e apanha táxi ou comboio para os treinos: quando está atrasado vai de táxi; sempre que acorda com tempo apanha o comboio e põe os headphones, ou enfia o boné na cabeça, e completa o sono interrompido. Certa vez, um conhecido questionava como seria possível andar sossegado de comboio sendo ele um titular do Benfica. Manuel Fernandes respondeu, humilde: «Observam-me, comentam, mas não me incomodam. As pessoas estão mais preocupadas em chegar a tempo ao trabalho do que propriamente comigo.» Mente sã em corpo são. A estrela da turma F Andou cinco anos na Secundária Pedro de Santarém e deixou saudades. A directora de turma comove-se quando olha para as suas fotos. Um aluno de nota quatro, barra a Educação Física, a quem as raparigas controlavam as pernas, os rapazes cobiçavam a técnica e os professores agradeciam a ajuda na integração do pessoal das Fontainhas. Orgulham-se dele. Mais à esquerda a professora Adelaide: o número 37 fala dela com carinhoNa parede da pequena cabina dos contínuos que controlam as entradas e saídas da C+S Pedro de Santarém há um recorte de jornal que engrandece a estreia de Manuel Fernandes nos seniores. É o sinal, mal se transpõe a portaria, de que ninguém na secundária da zona de Benfica é indiferente à sua passagem por ali, do 5.º ao 9.º ano. Maniche e o irmão Jorge Ribeiro, internacionais portugueses, estudaram também ali. Nenhum deles atingiu o fenómeno de popularidade do aluno 36.502, inscrito em 96/97 no 5.º ano, turma F, e cuja fotografia da ficha denuncia-o de face bolachuda. Sobram adjectivos aos antigos companheiros de turma: os rapazes idolatram-lhe o fintar "toda a gente", a humildade mesmo já sendo jogador do Benfica e o craque da escola. As raparigas não se esquecem da simpatia na abordagem até quando mandava bocas (Manuel, apesar de reservado, era um gozão) e as pernas que as faziam suspirar. Os professores recordam a educação polida e o "espírito de camaradagem". O carinho que a professora de História e directora de turma até ao 9.º ano tem por ele e pela mãe é muito grande. Maria Adelaide Soares não resistiu enquanto folheava um álbum de fotografias da turma F e ouvia, enternecida, os alunos vasculharem nas memórias as melhores histórias para o definir. Os óculos embaciaram, as lágrimas vieram-lhe aos olhos. No fim, pediu-nos a morada para lhe enviar a carta que há muito tempo está para escrever. Espera agora a volta do correio. O elo mais forte Manuel Fernandes matriculou-se na Pedro Santarém após concluir a primária na escola 52, para os lados do cemitério de Benfica. Naqueles anos inscreveu-se também, na escola secundária, muita gente do bairro das Fontainhas. Viveram-se momentos de tensão: os alunos reclamavam dos roubos e das rixas, os pais indignavam-se. Criou-se o Projecto Integrar. "Muito pessoal das Fontainhas " aderiu com a ajuda de Manuel Fernandes. Era o único que se dava com eles e comos alunos ofendidos: conversava, em crioulo, com os companheiros das Fontainhas, ouvia as suas razões, "mas não entrava nas malandragens ", como sublinha Luís Velez, um dos professores que liderava o projecto. O "Manel das hortas" Nélson e Ângelo foram os seus melhores amigos de carteira. O africano Nélson era o seu concorrente directo à folclórica distinção de vedeta da turma. O português Ângelo, bom toque de bola igualmente, era danado para a brincadeira. O triunvirato avesso a cigarros e semelhantes, governante da boa disposição, formava a espinha dorsal da equipa que papava os torneios. Terá sido um deles a pôr-lhe a alcunha de Manel das hortas, que usavam quando o queriam chatear. Ângelo não se lembra de onde vem. Lembra-se é que ele ficava furibundo. Mas nunca deixou de andar alapado aos manos, sempre alinhados para discutirem o pódio de qualquer modalidade, com a saudável mania de que eram imbatíveis. Susto no Gerês O mito quase ruía na viagem de finalistas do 9.º ano, em Julho de 2001.Oprimeiro a fraquejar foi Nélson. Reza o "diário de bordo" que, no segundo dia, só com muita insistência do professor Velez foi possível vê-lo em cima de um cavalo. Antes disso, medroso, escreveu um testamento para o caso de não voltar vivo. O super-atleta Manuel Fernandes e Ângelo, no último dia de actividades, a seguir à canoagem e aos relaxantes mergulhos, decidiram-se por mais umas braçadas na barragem. O jogador do Benfica sentiu uma cãibra e foi ao fundo. O companheiro entrou em pânico receoso de lhe acontecer o mesmo. Foram salvos pelos mergulhadores. Manuel viu a vida andar para trás, ele que até tinha faltado pela primeira vez aos treinos no Benfica. Aluno dedicado Às aulas, nunca se baldou. "Era um miúdo contido, observador, aplicado e ambicioso. É o exemplo de que é possível ser jogador e passar os anos todos sem reprovar. Levou sempre os estudos a sério ", assegura a professora Adelaide. As melhores notas foram sempre a Educação Física. Em cinco anos, a sua média é... cinco. Manuel Fernandes já assumiu em conversas com os amigos que se não fosse futebolista "se calhar era professor de Educação Física". Nos primeiros três anos, foi aluno de quatro a outras disciplinas como Inglês, História, Educação Visual e Musical, Matemática, Ciências da Natureza e Geografia. Sem cábulas. Com o tempo e as subidas de escalão no Benfica, as notas foram baixando, o futebol tirou tempo aos estudos. Acabou por não completar o 11.º ano, o ano passado, na Secundária Ferreira Dias, do Cacém. Futuro risonho NO Sporting não ficou: já tinham um estrangeiro. A mãe de um amigo levou-o à Luz: nunca mais saiu. Há mês e meio estreou-se na Selecção principal; anteontem, à segunda, fez o primeiro golo: qualquer dia, a equipas das quinas é a sua segunda casa. Uma carreira sempre em curva ascendente. Sorrir para a fotografia não é muito o género de Manuel Fernandes — uma imagem raraComeçou a jogar com oito anos no Futebol Benfica, vulgo Fofó. Findo"um ano e tal" no popular clube alfacinha foi aos treinos de captação em Alvalade. Participou nalguns torneios pelo Sporting mas na hora da inscrição fecharam-lhe a porta. A vaga para estrangeiro estava preenchida. Os dirigentes e treinadores da formação da altura têm uma vaga ideia dele e estão de consciência tranquila. Dizem que, na época, era impossível perceber que seria fantástico: "Só Cristiano Ronaldo, mal tocou na bola, entusiasmou." Após seis meses em Alvalade, Dona Elisabete, mãe de um amigo que jogava no Benfica, fala-lhe da captação na Luz. Agrada ao treinador José Morais, que o aconselha a ficar nas escolinhas. Entra com nove anos no Benfica. Nessa altura, não sabia o que é ter clube: "Gostava mesmo era de jogar. Claro que se me fizer essa pergunta hoje respondo que sou do Benfica", garante na entrevista em 2003.Em1999 sagra-se campeão de infantis e recebe as faixas da mão de Vale e Azevedo, então presidente. Nos juvenis já é o melhor. Os seleccionadores pretendem convocá-lo mas não podem: é cabo-verdiano. O Benfica propõe-lhe naturalização, em2002, e ele aceita. Para todos os efeitos, e apesar de um "grande carinho" por Cabo Verde, sempre se sentiu português. Mal tem os papéis é convocado para o Mundial de sub-17, na Finlândia, em Agosto de 2003. Entra contra o Iémen, marca um golo, é o melhor em campo. Na primeira equipa a pedido dos jogadores Foi preciso chegar à Selecção para que os adeptos reparassem nele. Os empresários notaram antes. Por esta altura já era representado por Jorge Mendes, depois de José Veiga, actual director-geral da SAD, ter tentado ficar com ele. O centro-campista e a mãe foram inclusive ao escritório de Veiga, que chegou tarde, passou por eles, não os cumprimentou e mandou um funcionário recebê-los. Dona Anastácia não gostou: "É a este homem que vou entregar o meu filho?" Em Janeiro de 2004, Camacho, perante a redução do plantel com as saídas de Roger, Carlitos e Andersson, manda recrutar jovens da equipa B. Correu bem a sessão. Após o treino, jogadores como Simão e Petit, impressionados com a sua força e personalidade, insistiram com o treinador para o deixar continuar nos seniores. Hélder (hoje no PSG, França) e Miguel ajudaram à integração. Manuel adapta-se à velocidade dos grandes, que "pareciam todos mais rápidos " que ele, e frequenta com maior assiduidade o ginásio. Um mês depois estreia-se no Restelo, substituindo Tiago. A 7 de Março, o primeiro golo, em Barcelos. Vale três pontos. Passa a ser, com 18 anos e 31 dias, o segundo mais novo a marcar pelo Benfica, batido apenas por Chalana, que festejara com 17 e 226 dias. Há semana e meia, com o V. Setúbal, marcou o segundo: dedicou-o a Petit. Anteontem estreou-se a marcar pela Selecção, no mesmo dia em que nela foi titular pela primeira vez. De novo em Barcelos. O impasse da renovação Em Maio, o melhor e o pior momento na Luz: a conquista da Taça de Portugal e a paragem cardio-respiratória de Bruno Baião, capitão dos juniores. Abdica da participação no Torneio de Toulon para ajudar os colegas a vencer o campeonato em memória do capitão. Com a saída de Tiago para o Chelsea, ganha também na luta pelo lugar a Paulo Almeida, que só é titular na pré-epoca por causa do braço-de-ferro entre o número 37 e a Direcção. Manuel Fernandes tinha contrato até 2006, o clube queria que renovasse até 2010. Os valores não lhe agradaram. Perante o espectro do regresso à equipa B, o médio aceitou as condições propostas. O boato de que estaria comprometido com o FC Porto não passou disso. Acordo estabelecido, Manuel Fernandes volta às contas-correntes de Trapatonni. Em condições normais não sairá do Benfica no final da época. Se acontecer, não é fácil calcular quanto vale. O seu empresário, Jorge Mendes, diz que "qualquer valor é especulativo". Sem preço, dirão os adeptos. Cinco pontos de interrogação ESCOLHER é assumir riscos, em especial quando se fala de jogadores de futebol. No plantel do Benfica cinco pontos de interrogação, cinco dos jogadores que procuram um lugar entre os eleitos de Trapattoni. André Luís ainda nem se estreou e, neste momento, nem campeão seria. Delibasic, outro dos reforços de Janeiro, pouco mais. E se Everson até foi um risco assumido, face às dúvidas iniciais quanto ao estado clínico, já as apostas em Carlitos e Paulo Almeida tinham tudo para ser sucesso imediato. As lesões, no primeiro caso, e dificuldades de adaptação, no segundo, trouxeram na onda espuma de dúvidas. Nesta fase da época, em que não há margem para grandes testes, reconheça-se um cenário de poucas oportunidades para este quinteto. Até Junho, o Benfica tem de dizer o que quer de Delibasic e André Luís. Os outros terão novas oportunidades no futuro. André Luís Para quando a estreia? – É o único jogador que ainda não se estreou. Zero jogos, zero minutos, o maior ponto de interrogação quanto à sua real valia. Chegou em Janeiro, colocado até final da época por um grupo de empresários, ficando o Benfica com direito de opção. É verdade que nunca se esperou que chegasse, visse e... vencesse. Não por causa da sua categoria, mas porque não chegou em condições físicas ideais. Nos treinos, André Luís, uma das torres da defesa, tem mostrado bons atributos no jogo aéreo e sentido posicional apreciável. Mas é o mais lento dos defesas. Tímido, aguarda uma oportunidade, sabendo que não será fácil, já que é o quarto central, atrás de Luisão, Rocha e Alcides. Carlitos Quando se dará a explosão? – Muito se esperava daquele que foi considerado o melhor jogador da edição passada da Liga de Honra, ao serviço do Estoril. Na Selecção de Esperanças também mostrou valor e foi uma das apostas mais entusiasmadas do Benfica, à espera de uma explosão no escalão maior. Diga-se ainda que, em conversas várias, Trapattoni tem feito elogios ao jogador e considera-o um grande valor, talvez apenas pecando por não acreditar mais nas suas capacidades. É também verdade que uma série de lesões o tem afastado da luta pela titularidade, além de que Geovanni está a fazer uma bela época. Dos 13 jogos em que participou, apenas em três foi titular. Fica a dever a si próprio convencer os adeptos. Delibasic Um erro de «casting»? – Há poucos meses o presidente do Maiorca considerou-o um dos jogadores com maior futuro na sua equipa. O certo é que, à míngua de oportunidades, o clube espanhol emprestou-o ao Benfica até final da época. Discute-se este reforço de Janeiro, já que o sérviomontenegrino apenas foi utilizado em dois jogos e muitos foram aqueles para os quais nem convocado foi. Num esquema de um único ponta-de-lança, Nuno Gomes é dono do lugar. Este lesionou-se e Trapattoni preferiu Karadas. O avançado, nos treinos, vai mostrando atributos e, de quando em vez, golos vistosos e muitas habilidades. Naturalmente, nota-se alguma falta de alegria. Verão ainda os benfiquistas o quanto ele vale? Everson Por que o Nice o libertou? – Tal como o Milan (há dois anos), o Benfica tinha as melhores informações de Everson no Nice e elas eram verdadeiras. Pagou por ele 1,5 milhões de euros. Um número com duas leituras: uma das mais caras contratações do Benfica esta época; um valor baixo para o Nice, dada a importância do jogador. À imprensa francesa, o presidente do Nice disse que era um valor razoável face ao estado clínico do jogador. Pubalgia, o que obrigou a operação. Foram vários os problemas clínicos e poucas as oportunidades. Do que mostrou até agradou, como no jogo da Taça com o Oriental. Sabe a muito, muito pouco. Paulo Almeida Um caso de inadaptação? – Aí está um caso estranho. Hoje, há quem já não se lembre que Paulo Almeida foi o mais jovem jogador a usar a braçadeira de capitão do Santos. Titular numa equipa de craques e de campeões brasileiros, veio para a Luz a custo zero, o que levou os responsáveis a esfregar as mãos de contente face ao bom negócio efectuado. Na primeira fase da época até teve oportunidades e a confiança de Trap. Mas nunca convenceu adeptos e a crítica, que apontam por lacunas a falta de mobilidade e aversão ao risco, sempre com passe curto. Será um caso de adaptação? Petit e Manuel Fernandes também são culpados. O tempo passa e até já se repetem as ausências na bancada. Agora, perde também para Bruno Aguiar. Miguel não sai por menos de 10 milhões CONSIDERADO um dos melhores laterais-direitos da Europa, Miguel tem o Velho Continente a seus pés e os responsáveis encarnados têm consciência de que não será fácil segurarem uma das jóias da coroa. A Juventus é, para já, a principal interessada, mas não levará Miguel da Luz por menos de 10 milhões de euros. Exibições abrem portas da Europa a MiguelA posição do Benfica enquanto clube vendedor, no próximo defeso, vai depender muito dos resultados da presente temporada. Manter o núcleo duro é uma linha firme do projecto encarnado, mas o clube não está em condições de considerar inegociáveis todos os elementos da espinha dorsal já existente - Manuel Fernandes, esse, é garantido que não sairá já. À imagem do que aconteceu na temporada passada com Tiago, é fundamental um encaixe financeiro através da venda de um dos activos do plantel. Tal nunca acontecerá, contudo, por valores pouco significativos. Neste contexto surge Miguel, um dos jogadores mais cobiçados no mercado europeu. A Juventus não está sozinha na corrida pela sua contratação, mas parece ser o clube mais determinado em levar o lateral da Luz (já o tentaram no início desta época). Segundo A BOLA apurou, nunca o conseguirá por menos de 10 milhões de euros. Esse é o valor mínimo exigido pelo Benfica e só a partir desta verba os responsáveis encarnados aceitam sentar-se à mesa para negociar. Recorde-se que o Benfica vai perder Luisão (ruma ao Inter de Milão) e jogadores como Moreira, Ricardo Rocha, Petit, Manuel Fernandes e Simão têm despertado muito interesse na Europa. Qualquer decisão terá, por isso, de ser muito bem ponderada, sob pena de o grupo ficar fragilizado. domingo, março 27, 2005
Estamos na frente da luta RICARDO ROCHA não quer ser uma espécie de consciência anticlímax no reino da águia, mas também não deixa de chamar à terra o universo benfiquista, insistindo na ideia de que a euforia desmedida pode ser terrível inimiga na luta a travar nas oito finais que ainda há para cumprir. O defesa-central aproveitou o interregno pascal para dirigir um recado aos seguidores do Benfica. Uma mensagem contida, sem a paixão com que muitos vivem já a vantagem de seis pontos para o pelotão perseguidor, curiosamente encabeçado pelo outsider Sp. Braga. "Obviamente, desejo o melhor para mim, enquanto jogador do Benfica, o melhor para o clube que represento e para o Sp. Braga, emblema que está no meu coração. Mas o importante é o facto de estarmos na luta e estarmos na frente. Porém, ainda faltam muitos jogos, pelo que teremos de continuar a lutar para nos mantermos no comando", adverte, servindo-se do já famoso slogan que usa o mito Muhammad Ali (impossível é... nada) para sublinhar a ambição encarnada. "Tudo é possível! Temos é de pensar num jogo de cada vez, porque cada encontro é uma final. É como digo: ainda falta muito. Neste momento há uma euforia muito grande que terá de ser controlada, pois temos grandes equipas atrás de nós a lutar pelo mesmo objectivo e não será nada fácil chegar na frente ", reforça. Selecção não é fácil Ricardo Rocha analisa, também, as suas possibilidades na Selecção: "Tenho feito o meu trabalho e cumpre-me continuar. O seleccionador está atento a todos os jogadores e depois opta. O problema não é um exclusivo meu, há valores enormes em Portugal e não é fácil lá chegar." Sobre o futuro no Benfica... "Deixo essas questões para o meu empresário. Ele é quem trata desse tipo de problema. Acho que há algumas situações que no final terão de ser ponderadas, quer por mim quer pelo clube. A minha vontade irá sempre de encontro ao que for melhor para mim e para o Benfica", remata. Petit reavaliado amanhã Petit vai ser reavaliado amanhã e se estiver melhor do traumatismo nas costelas começará a fazer corrida, acelerando a recuperação para o jogo com o Marítimo. Lesionado em Setúbal, na última jornada da Superliga, o médio encarnado foi confrontado inicialmente com um diagnóstico que previa duas semanas de paragem, mas, à semelhança do que aconteceu em lesões anteriores, voltou a superar todas as expectativas, deixando em aberto a possibilidade de alinhar no próximo jogo. Sujeito a tratamentos bidiários com o recuperador físico Rodolfo Moura, o jogador tem reagido de forma muito satisfatória aos tratamentos, facto que permitiu ao departamento médico conceder-lhe dois dias de folga, menos um que os companheiros de equipa, que só regressam na terça-feira. Esta não é a primeira vez que Petit antecipa o tempo de recuperação, surpreendendo os próprios médicos, e a sua inclusão no lote de convocados para o jogo com o Marítimo não deixaria de fazer o treinador respirar de alívio. O pitbull é, reconhecidamente, um dos jogadores mais influentes do plantel e, com a equipa a enfrentar o período crucial da época, aquela que poderá determinar a conquista do título que teima em fugir há dez épocas, é um elemento pouco menos que imprescindível. Nesse contexto, amanhã poderá ser um dia importante para o técnico italiano começar, com maior confiança, o trabalho de preparação para o jogo contra a equipa madeirense. Os adeptos merecem viver esta euforia EXISTE contenção no balneário. Técnicos e jogadores estão conscientes das dificuldades e procuram virar as costas ao entusiasmo. Mas o presidente, Luís Filipe Vieira, entende que, sócios e adeptos, esses, não só devem, como merecem festejar a liderança nesta altura do Campeonato. Afinal, já se passaram tantos anos desde a última vez... O presidente do Benfica acompanhou ontem a equipa B do clube, num jogo particular que se realizou em Ferreiras, no Algarve. A presença de Luís Filipe Vieira chamou os adeptos e, no Estádio da Nora, onde decorreu o jogo, marcaram presença mais de 2000 espectadores. Uma verdadeira festa, a lembrar a já famosa onda de entusiasmo benfiquista, que o líder da Luz não se cansa de incentivar. "A onda vermelha tem de demonstrar que quer ser campeã. Os jogadores esperam que no próximo jogo, contra o Marítimo, esteja uma verdadeira multidão no Estádio da Luz", explicou Filipe Vieira. Para o presidente, o caminho está traçado. "Os jogadores do Benfica já assumiram o que pretendem e eu já disse que eles são uns heróis. Queremos assumir o Campeonato, independentemente de sabermos que pela frente temos oito finais!", exclamou. É neste contexto, com a plena consciência de que o título está ao alcance apenas da ambição e da eficácia, que todos, no clube, têm a mesma meta. "Estamos concentrados no objectivo de ganhar o Campeonato, daí que o nosso pensamento esteja virado para cada jogo, um a um. Só dessa forma é que vamos atingir o que pretendemos. A massa associativa deve e merece viver esta euforia, porque há muitos anos que o Benfica não se encontrava em primeiro lugar nesta altura do campeonato", esclareceu Luís Filipe Vieira, pedindo, mais uma vez, para que sócios e adeptos se unam em redor da equipa. Filipe Vieira assume «dossier» Mantorras O processo de renovação de Mantorras vai ser gerido pelo próprio Luís Filipe Vieira, face à relação próxima entre presidente e jogador. Um processo para ser gerido sem pressas nem preocupações, sabendo Mantorras que basta uma palavra do presidente para o acordo se fechar em cinco minutos. Anteontem o avançado angolano manifestou o desejo de que o seu futuro passe pelo Benfica. E, de facto, passará, como frisou ontem, no Algarve, Filipe Vieira, o presidente: "O Mantorras quer continuar no Benfica, nós também. Sou um privilegiado, pois quem irá negociar a situação sou eu". Este, de resto, é um dossier muito especial na Luz, por duas razões especiais: a relação próxima entre Filipe Vieira e Mantorras e a luta do jogador para voltar a jogar. A relação entre presidente e avançado começou já em Alverca. Um caso de empatia pura. A forma de ser de Mantorras, a sua ingenuidade e pureza, a sua alegria contagiante, a necessidade de protecção numa ou noutra situação mexeu com o coração de Filipe Vieira, que tem sido para Mantorras conselheiro, amigo e protector. Em segundo lugar, a luta de Mantorras para voltar a jogar, contra uma lesão gravíssima no joelho direito, estreitou o laço entre ambos, tal como com os benfiquistas e os amantes do futebol em geral. Mantorras é um jogador amado pelos benfiquistas, faz um belíssimo balneário pela sua simplicidade e alegria e comove todos por nunca ter desistido. Renovar é, pois, uma consequência lógica. Sem pressas Se todos os processos fossem tão fáceis de resolver como a renovação de Mantorras poderia a SAD do Benfica dormir descansada. Apesar de ter representante legal, Mantorras nem precisará de mediação para assinar novo vínculo. Basta uma conversa com Filipe Vieira - a quem reconhece uma autoridade praticamente paternal - para assinar, sabendo que os seus interesses serão salvaguardados. Por isso, não há pressa. Assinar novo contrato será uma mera formalidade. sábado, março 26, 2005
Simão pode ser operado na Alemanha É forte a possibilidade de Simão ser operado quando terminar a época e poderá ser no estrangeiro, numa clínica alemã. Por enquanto, os sinais de pubalgia não o impedem de continuar a jogar pelo Benfica e pela Selecção Nacional, mesmo sendo necessário algum trabalho específico, para evitar o agravamento da lesão. Neste momento, Simão está apenas a 60 por cento das suas reais capacidades como jogadorO rendimento actual do capitão do Benfica corresponde a cerca de 60 por cento das suas capacidades e tudo por causa de uma hérnia inguinal, indício de pubalgia, que o afecta desde o final do ano passado. O problema não impede a utilização de Simão em competição e o facto é que continua a jogar pelo Benfica e a representar a Selecção Nacional, equipas onde assume um papel importante. Tem, contudo, de fazer trabalho específico durante e fora dos treinos, para evitar o agravamento e também para aliviar a dor, que é uma constante. Este tratamento poderá não ser suficiente e, se isso se verificar, existe uma forte possibilidade de Simão ser operado quando terminar a época e em data a definir, como já foi ontem noticiado. E essa intervenção cirúrgica poderá decorrer na Alemanha. Existe igualmente a hipótese de não ser necessário operar, como, por exemplo, aconteceu com Tiago. O agora jogador do Chelsea teve um problema idêntico, que acabou por ser resolvido apenas com tratamentos e treino específico. Roger, também viu o seu trabalho ficar condicionado por hérnia inguinal e, ao contrário de Tiago, teve mesmo de se submeter a intervenção cirúrgica. A BOLA contactou o chefe do departamento médico do Benfica, João Paulo Almeida, na tentativa de perceber a dimensão do problema, mas o clínico benfiquista não quis comentar o caso. Causas e consequências Muitos jogos - época está a ser desgastante para Simão. Para todos os jogadores do Benfica, mas especialmente para ele, que é o mais utilizado. É ele o único totalista da equipa na SuperLiga. Esteve presente nas 26 jornadas até agora disputadas, contabilizando um total de 2340 minutos em competição, durante os quais marcou 13 golos (é o melhor marcador dos encarnados). Mas não é só na SuperLiga que soma minutos. Na SuperTaça (contra o FC Porto) jogou os 90 minutos e nas competições europeias (préeliminatória da Liga dos Campeões e UEFA) apenas não completou o jogo contra o Dukla Bystrica, na Luz. Mesmo assim actuou durante 60 minutos, a juntar aos 871 dos restantes encontros. No total marcou quatro golos. Na Taça de Portugal jogou 240 minutos e marcou dois golos. Falhou o jogo contra o Beira-Mar, por castigo, e o Oriental, por opção técnica. Muitas dores - A lesão que afecta o jogador do Benfica tem provocado uma queda de rendimento, que, não sendo vertiginosa, se tornou óbvia nas últimas exibições que realizou de águia ao peito. O facto é que Simão sente dores quando joga, sobretudo quando remata com o pé esquerdo. É por essa razão que o capitão encarnado também tem executado livres com menor regularidade, embora, neste caso, o acerto e as características de jogadores como Petit ou Manuel Fernandes sirva igualmente de argumento para a alternância no cumprimento destas funções. Além das limitações nos jogos, Simão faz trabalho específico todas as semanas e tratamentos diários. Nesta altura está ao serviço da Selecção Nacional e foi o próprio seleccionador, Luiz Felipe Scolari, quem assumiu ser necessário alguns cuidados com a condição física de Simão. Ausências - É certo que Simão vai continuar a jogar e ajudar a equipa encarnada nas oito jornadas que faltam para completar o campeonato da SuperLiga, e que podem valer o título nacional ao clube, onze anos após a última conquista. Mas é provável que o capitão faça um esforço, caso seja necessário, para estar presente na Taça de Portugal e sobretudo na final, se a equipa da águia se qualificar. O jogo está marcado para 29 de Maio. Além dos compromissos do Benfica, Simão poderá ainda ter de responder a futuras convocatórias da Selecção Nacional, se Scolari assim o entender. A equipa portuguesa tem os últimos compromissos, antes das férias, agendados para o dia 4 e 8 de Junho. O primeiro embate será a recepção à Eslováquia e o segundo a deslocação Estónia. Após estes dois jogos, a Selecção apenas em Setembro volta a jogar. O meu desejo é continuar no Benfica A grande atracção da 7.ª edição do Torneio de Páscoa organizado anualmente pelo Ginásio Clube de Corroios, Pedro Mantorras, mostrou-se tranquilo quando confrontado com o tema da renovação, mostrando-se convicto de que vai continuar na Luz. Moreira, Toni e Mário Wilson juntaram-se a Mantorras para fazer a festa de dezenas de crianças, na Parede Nas bocas do mundo devido à renovação do contrato que o liga ao Benfica, até ao final da próxima época, Mantorras está tranquilo. «Toda a gente sabe que gosto de estar no Benfica. Tenho contrato, espero cumpri-lo até ao fim e nessa altura teremos tempo de falar da renovação. Estou num grande clube, o meu desejo é continuar e estou convencido de que é isso que irá acontecer», enfatizou. Antes de partir para a Parede, onde apadrinhou, com o seu colega de equipa, Moreira, outro evento do futebol juvenil, o benfiquista mostrou a sua satisfação pela liderança na Superliga, mas procurou manter alguma cautela no discurso: «É bom estar com seis pontos de avanço, mas é cedo para euforias. Ainda existem muitos pontos em disputa. » Centro de estágio avança Sempre acompanhado do edil do Seixal, Alfredo Monteiro, e do presidente da Junta da Freguesia de Corroios, Brásio Romeiro, o ponta-de-lança angolano solidarizou-se primeiro com a luta que os dois autarcas travam para sensibilizar o Governo no sentido de dotar o campo de jogos do Corroios de um relvado sintético, antes de dar o pontapé de saída no jogo inaugural, que opôs os juvenis do Benfica aos do Sporting. «Para mim é uma grande alegria estar entre pessoas que gostam de mim. Sei o que a minha presença representa. Na idade deles, também tinha os meus ídolos e adorava conviver de perto com eles», referiu. Alfredo Monteiro confirmou o avanço das obras do Centro de estágio do Benfica no Seixal, prevendo que já possa receber a próxima pré-época. Sabe quem é o tesoureiro do balneário? CADA balneário temas suas leis. São para cumprir à risca e, muitas vezes, são também focos de boa disposição entre os elementos do grupo. É o caso das multas. Ninguém escapa, até porque o acumulado é utilizado para almoços e jantares do plantel. Sabe quem é o tesoureiro? Luís Santos, um dos roupeiros. Não há volta a dar, quem deve tem de pagar. É num saudável espírito que a política de multas se processa no balneário do Benfica, com muitas brincadeiras à mistura. Além de uma quota mensal fixa que todos os jogadores têm de pagar, por decisão unânime, o mealheiro vai enchendo à custa das penalizações. Luís Santos, um dos técnicos de equipamentos do plantel, é o responsável por apontar os débitos de cada um e fazer as cobranças. Aliás, no balneário encarnado existe mesmo um placard onde estão todos os registos. Moreira já desempenhou funções Apesar de neste momento não ser um jogador o responsável pela tesouraria no balneário, isso já aconteceu em anos anteriores. Na temporada transacta, por exemplo, era Moreira quem desempenhava essas funções. Numa perspectiva de rotatividade, Luís Santos sucedeu-lhe. Resta saber se será reconduzido no cargo... As multas As multas são aplicadas por várias razões, mas há três fundamentais: os atrasos na chegada aos treinos, a não utilização de caneleiras durante as sessões e a derrota nas habituais peladinhas. Naturalmente que o pé de meia fica à disposição do grupo, sendo gasto na realização de almoços e jantares de todo o plantel. No fundo, o controlo é efectuado por todos os elementos - ninguém perde uma oportunidade para mandar umas bocas ao líder do ranking de devedores – mas é fundamental a existência de um tesoureiro. Para que nada falhe e para que não sejam necessárias cobranças difíceis. E parece que Luís Santos é implacável, não dá sossego aos esquecidos... São situações destas que fortalecem o espírito de balneário. Porque o importante não é o dinheiro, é o convívio e a boa disposição entre todos. sexta-feira, março 25, 2005
«Forcing» por Petit AO contrário do que acontece com os seus companheiros de equipa, Petit terá apenas direito a dois dias de folga, tendo marcado para hoje e segunda-feira duas sessões de treino. Falar em regresso à corrida no relvado é ainda cedo para o departamento clínico, mas o certo é que tudo está a ser feito para que regresse no jogo com o Marítimo, dia 3 de Abril. Para já, Petit sente menos dores na grelha costal, embora ainda tenha dificuldades na respiração. Enquanto os colegas se treinavam no relvado principal do Estádio da Luz, Petit estava a fazer tratamento e trabalho de ginásio. E, depois, viu os colegas partirem para quatro dias e meio de férias, tendo de regressar à tarde, entregando-se às mãos de Rodolfo Moura para mais uma sessão de trabalho de recuperação do forte traumatismo na grelha costal. E hoje mais duas sessões. De resto, o máximo a que Petit terá direito é a dois dias de folga, precisamente sábado e domingo, e só porque a época é especial, ou seja, estamos na Páscoa. Com ordens para não abusar das... amêndoas, Petit estará de novo na Luz na segunda-feira, na véspera do regresso dos restantes jogadores. Cautelas, mas optimismo Conhecendo-se Petit e o seu sentido profissional, não custa acreditar que o médio não perde tempo a lamentar ter metade do tempo de folga dos colegas, já que todas as suas energias estão concentradas na rápida recuperação. No departamento médico do Benfica, a palavra previsão dá sempre lugar a avaliação diária. Ninguém quer avançar com um prognóstico quanto ao regresso à corrida, numa primeira fase, e à competição, numa segunda. Mas tudo está a ser feito para que esteja em condições de regressar à competição no jogo com o Marítimo, agendado para 3 de Abril. Certo é que o trabalho já feito permite ao jogador sentir menos dores na grelha costal, embora ainda sinta algumas dificuldades de respiração. 4 dias de folga EM plena quadra pascal e com o plantel reduzido a metade por força dos jogos das selecções, Giovanni Trapattoni concedeu quatro dias de folga aos seus pupilos. Para descansarem, recarregarem baterias e voltarem preparados para a recta final do campeonato, onde os jogadores podem fazer história. Trapattoni está contente com a entrega dos jogadores nos jogos e treinos, como profissionalismo e concentração de todos, pelo que decidiu conceder folga prolongada para que os seus pupilos possam gozar a Páscoa em família, em especial os demais longe, como os atletas brasileiros. Por um lado, este é um prémio que dá aos seus pupilos. Por outro, um descanso suplementar para que recuperem energias, físicas e psicológicas, antes de se dar início ao sprint da recta da meta, onde se consagrará o próximo campeão nacional. Trap revela ainda enorme confiança nos jogadores, confiando que regressarão sem estragos de maior. Por outro lado, só na próxima quinta-feira voltaria a contar com todos os atletas, devido às selecções, pelo que não existe prejuízo em termos de trabalho. De resto, Alcides e os adjuntos Rossi e Bardin já ontem seguiram viagem, autorizados, respectivamente para Brasil e Itália. ALCIDES contrata cinco guarda-costas Alcides viajou ontem para o Brasil para passar a Páscoa com a famíliaNUMA altura em que o sequestro dos familiares de jogadores brasileiros ganha proporções inimagináveis, o benfiquista Alcides resolveu jogar pelo seguro e contratar cinco guarda-costas para acompanharem a mãe, a irmã e os sobrinhos. Depois de Robinho (Santos) e Grafite (São Paulo), foi a vez de Luís Fabiano e Rogério se verem envolvidos num tipo de crime que tem vindo a repetir-se no Brasil: sequestro dos familiares de jogadores, com a exigência do respectivo resgate. Felizmente, o caso de Rogério acabou por ter um desfecho feliz (ver página 21), mas Luís Fabiano ainda não pode sorrir, uma vez que ainda não há notícias acerca do paradeiro da sua mãe - a progenitora tem sido o denominador comum de todos estes raptos. Face a este cenário, Alcides já tomou algumas medidas. "Tenho cinco seguranças que acompanham sempre a minha mãe, a minha irmã e os meus sobrinhos. Um segurança não impede o rapto, mas pode servir de dissuasão. Quando treino ou jogo tento colocar tudo isto de parte, uma vez que estamos numa altura decisiva do campeonato e procuro manter o máximo de concentração para ajudar a equipa a atingir os seus objectivos", disse o jogador ao Correio da Manhã. O defesa-central do Benfica não terá sido o único a tomar este tipo de precauções, sendo que o risco existe em idêntica proporção à notoriedade de cada jogador. Alguns atletas brasileiros têm mesmo optado por levar os seus familiares para junto de si, na Europa. Sentem-se mais seguros. quinta-feira, março 24, 2005
Cresce a onda Mesmo com o grupo reduzido, a alegria nos treinos tem sido bem evidente CADA vez mais gente a surfar na onda de entusiasmo que está a crescer entre os benfiquistas, por via da liderança isolada e reforçada na SuperLiga. Apesar de não haver campeonato neste fim-de-semana, nos últimos dias as manifestações de esperança na conquista do título têm sido traduzidas das mais diversas formas: desde a aquisição de lugares cativos para os quatro jogos em casa que restam, até às tradicionais palavras de incentivo no final dos treinos. Anteontem , eram poucos mas efusivos os adeptos que esperaram pelo final do treino realizado no complexo do Jamor; ontem, no entanto, foram mais de uma centena os benfiquistas que decidiram assistir ao vivo à sessão. Mas com a particularidade de a maioria ser proveniente de várias zonas do País: muitas crianças de Trás-os-Montes que vieram em excursão a Lisboa e tiveram ponto obrigatório no Estádio Nacional (as selecções A e esperanças também trabalharam naquele complexo), turistas do Norte, Madeira... Após as duas horas de trabalho, os jogadores e o treinador Giovanni Trapattoni foram literalmente engolidos para os habituais autógrafos e fotos para a posteridade, com os protagonistas a revelarem receptividade e simpatia para tantas solicitações, especialmente Nuno Assis, o mais requisitado. Mesmo sem as principais vedetas do plantel (era uma questão de esperarem mais quatro horas e poderiam vê-los no treino da Selecção Nacional), não faltou calor humano a Trap e seus discípulos. Na Luz, por seu turno, a corrida aos bilhetes para o jogo com o Marítimo e aos cativos para os derradeiros quatro jogos na Luz também tem sido interessante. Confirmada está também, para o desafio com os insulares, a presença de mais de seis mil crianças provenientes de diversas escolas de todo o País. É a onda que cresce, cresce... Jogar no Benfica é o maior desafio da minha carreira Pela primeira vez, Anderson fala como jogador do Benfica. Revela-se ansioso pelo primeiro contacto com o Estádio da Luz e com o sonho europeu de encarnado mas demonstra uma confiança inabalável nas suas capacidades e não tem dúvidas de que vai vencer «o maior desafio » da sua carreira. Ele aí está, o futuro xerifão da defesa do Benfica, na primeira pessoa. Ídolo do Corinthians e da Gaviões da Fiel, a maior claque organizada do Brasil, Anderson já pensa de encarnado e promete fazer história no futebol português. «Aqui, no Corinthians, tenho a minha história. No Benfica sei que vou ter de começar do zero, iniciar um trabalho, mas também quero ficar com o meu nome ligado ao clube. Tudo será diferente. Não conheço o treinador, não conheço a maioria dos jogadores, não sei qual o modelo e estilo de jogo que mais agradam aos adeptos. Mas, como tenho características um pouco diferentes do tradicional futebolista brasileiro, como a velocidade e a marcação forte, mais ao estilo do futebol europeu, penso que também não terei problemas.» Em entrevista exclusiva a A BOLA, no final demais um treino no Parque São Jorge, complexo desportivo do Corinthians, Anderson viajou pela sua carreira e pelos desafios que o esperam no Benfica. — O processo negocial com o Benfica foi todo ele muito rápido... — Felizmente, sempre tive alguns convites. Mas a verdade é que das anteriores opções que surgiram nenhuma me agradou. Para jogar no Brasil estava bem no Corinthians e se não fosse, de facto, um desafio bem diferente, o maior da minha carreira, como o que me foi apresentado pelo Benfica, não valeria a pena mudar. Estou num grande clube e vou, felizmente, para outro grande clube, podendo também cumprir o sonho de jogar na Europa. Foi tudo muito rápido e agradeço ao Benfica a oportunidade. O Giuliano Bertolluci [empresário que também colocou Luisão, Paulo Almeida e Alcides na Luz] tratou de tudo e, nesta fase, faltam apenas alguns detalhes relacionados com os exames médicos. Mas, como o Benfica já tem conhecimento dos meus exames aqui no Corinthians e como, felizmente, nunca tive qualquer lesão complicada, não haverá problemas. — Tenciona ir a Lisboa, ainda esta época, realizar exames médicos? — Penso que não. Devo viajar para Lisboa no final de Junho ou nos primeiros dias de Julho, para começar a trabalhar e realizar exames a partir do dia 5. Estou ansioso por esse momento. No primeiro mês, na pré-época, vou ficar num hotel para, então, começar a escolher o apartamento onde vou viver com a minha esposa. Mas tudo com calma. Dignificar a camisola — Tem seguido a carreira do Benfica nas últimas semanas? — Desde que surgiu a possibilidade de assinar pelo Benfica que tenho procurado recolher todas as informações possíveis. Tenho visto todos os resumos, sei que o Benfica lidera o campeonato com seis pontos de vantagem sobre a concorrência e precisa de um título importante depois de tantos anos. A pressão, tal como no Corinthians, é sempre bastante forte, até pelo investimento que é feito todos os anos. — Que mensagem pode transmitir aos adeptos do Benfica? — Estou muito feliz e, dentro de pouco tempo, vou estar em Lisboa para fortalecer o grupo e tentar ajudar o Benfica a conquistar ainda mais títulos. Podem esperar um jogador muito profissional e, de certeza, rapidamente vou fazer muitos amigos no clube. É lógico que vou brigar pela minha posição no onze, com muito trabalho e dedicação. Se tudo correr bem os adeptos podem ter a certeza de que passam a contar com um jogador que tudo vai fazer para dignificar a camisola do clube. Quero fazer história no Benfica, tal como aconteceu com Mozer e Ricardo Gomes, por exemplo, meus ídolos de criança. Sinto-me realizado Profissional de futebol desde os 16 anos, altura em que se estreou pela equipa principal do Grémio de Maringá, Anderson prepara-se para a primeira aventura no exterior. Depois de sete anos de Corinthians, vem aí o desafio «do primeiro mundo», como faz questão de destacar, não disfarçando toda a ambição que o norteia. Anderson define-se como um jogador rápido e sem dificuldades no capítulo aéreoAntes do desafio Benfica Anderson promete continuar a dignificar a camisola do Corinthians, agora sob o comando do argentino Daniel Passarella. «E a aprender sempre mais», reforça, deixando palavras elogiosas a todos os treinadores que o marcaram no timão: Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira e Tite. — Recorde-nos o seu percurso até chegar ao Corinthians. — Comecei a jogar futebol em 1994, no Grémio de Maringá, na minha cidade, no interior do Paraná. Fiquei quatro anos no Grémio e, com apenas 16 anos, já jogava na equipa principal na I Divisão do paranaense, fazia parte dos profissionais do clube. Na época seguinte, em 1998, fui contratado pelo Corinthians. Estou há sete anos no timão. Passei três anos nas categorias de formação e fui logo escolhido para capitão da equipa de juniores. Sempre fui titular e nessa altura já treinava com a equipa principal. — Quando se deu a transição definitiva para a primeira equipa? — A partir de 2000 integrei o plantel principal e desde 2001 tenho sido sempre titular. Tenho cerca de 200 jogos pelo Corinthians e 12 golos. No último ano fui o terceiro melhor marcador da equipa no brasileiro, com seis golos. Costumo marcar na sequência de lances de bola parada e, sobretudo, de cabeça. Essa é a minha especialidade. Há cerca de um ano, por indicação de Tite, o nosso ex-treinador, sou também o capitão. — Não é normal um jogador tão jovem, com 24 anos, ser nomeado capitão de uma equipa com o peso do Corinthians. Será, por certo, mais um motivo de orgulho?... — Sou uma pessoa realizada, como referi atrás. Jogar nos juniores do Corinthians já era uma vitória e, logo no meu primeiro ano, fui titular e escolhido para capitão. Sempre tive o respeito de todos os jogadores, procuro sempre ajudar, e, como disse, o Tite deu-me essa oportunidade há cerca de um ano. Foi a realização de mais um sonho, tal como a presença na selecção brasileira. Tenho a certeza de que, jogando no Benfica, vou ter oportunidade de reforçar a minha presença na selecção e, assim que surgir a oportunidade, não a vou querer desperdiçar. Quero fazer parte da equipa do Brasil no Mundial da Alemanha. O Benfica, tal como o Corinthians, éumavitrina para qualquer jogador. E vou estar a jogar numa equipa do primeiro mundo. Penso que será, até, mais fácil chegar à selecção. Treinadores marcantes — Como se define como futebolista? — Nunca tive dificuldades no jogo aéreo, sou um jogador rápido...O seleccionador brasileiro, Carlos Alberto Parreira, que foi meu treinador no Corinthians em 2002, elogiou bastante essa minha característica, a velocidade. Mas o que quero mesmo é continuar a aprender, o que faço agora com Daniel Passarella. Tenho apenas 24 anos, nunca posso dizer que já sei tudo. Em cada treino e em cada jogo há sempre pequenas coisas que podemos aprender e aperfeiçoar. Graças a Deus trabalhei com grandes treinadores, como Vanderlei Luxemburgo, Parreira e Tite, e fui sempre titular. Dentro de campo tenho tido uma regularidade muito boa, um padrão de jogo acima da média. Sempre foi assim e, felizmente, nunca tive uma lesão complicada. — A presença na selecção principal, no recente jogo em Hong Kong, foi também promovida por Carlos Alberto Parreira... — Nunca tinha tido oportunidade de representar o Brasil nas categorias de base. Falhei a selecção olímpica, de sub-23, por um ano, uma vez que nasci em 1980 e a competição era para futebolistas nascidos em 1981/82. Mas sempre estive tranquilo. Represento um dos maiores clubes do Brasil e sinto-me um futebolista realizado. Dou-me bem com todo o mundo no clube, nunca comprometi o Corinthians em nenhuma situação, felizmente nunca saí de campo de consciência pesada... Sou um cara muito feliz, realizado, e agradecido a Deus por tudo. Príncipe herdeiro adora jogar EUSÉBIO vai comemorar hoje em família o primeiro aniversário do seu primeiro neto, o Luís Pedro... Eusébio. O príncipe herdeiro pisou ontem a relva da Luz pela primeira vez e para aqueles que sonham ter os genes futebolísticos do avô fica a revelação que o Luís adora jogar à bola. Eusébio bem gostaria de festejar o título com o neto, mas para já joga à defesa e apela aos benfiquistas para que apoiem a equipa. Luís Pedro temnome de «rei» e o mesmo gosto que o avô pelos relvados. Ontem«A Bola» juntou-os na Luz"É o meu companheiro, um sentimento que não tem medida", comenta Eusébio, com orgulho e emoção, sobre o Luís Pedro Eusébio Ferreira Paquete. Faz hoje um ano o, para já, único neto, filho de Sandra, a mais nova das duas filhas, e de Pedro Paquete. Ontem, o Luís Pedro esteve na Luz com os pais e avô e pisou o relvado do Estádio da Luz pela primeira vez. Estranhou no início, tocou muita na relva para sentir uma textura nova e, como por magia, até se acalmou, depois de um breve choro provocado pelo stress de se ver, de repente, modelo fotográfico. Será bom sinal ter-se tranquilizado na relva do Estádio da Luz? Surge mais uma revelação: Luís Pedro adora brincar com bolas. Será um novo Eusébio? O rei sorri. Seria bonito, mas o principal é que seja saudável e aprenda a ser um bom homem. Se se juntar o útil ao agradável... Eusébio vai passando o tempo que pode com o neto. Não tarda nada, quando o Luís Pedro começar a correr, tentará acompanhar o seu ritmo e ensinar-lhe os primeiros truques sobre futebol. Hoje a família mais próxima junta-se para um almoço de aniversário. Ontem, na Luz, cumpriu-se um cerimonial antigo, uma tradição que resulta da amizade eterna que sempre uniu Eusébio e o repórter fotográfico de A BOLA, Nuno Ferrari, que registou em película os primeiros momentos de vida das filhas Carla e Sandra. Nuno Ferrari bem gostaria de ser ele a captar o sorriso do Luís Pedro. Para Eusébio, momentos como o de ontem e o do dia do nascimento, são também uma homenagem ao eterno amigo da família. Vamos todos ajudar A BOLA lançou o repto a Eusébio: irá ele à Luz para festejar o título com o neto? "Não planeio festas, ainda não ganhámos nada. Vamos jogo a jogo, final a final", frisa, como que batendo na madeira. Mas está confiante: "Acredito nos jogadores, sinto o balneário unido, sei que têm um espírito ganhador e batalhador. Já foram líderes, já desceram posições, regressaram ao topo, pelo que são fortes mentalmente. " Resta que os benfiquistas cumpram a sua missão: "Os jogadores precisam da ajuda de todos. Temos de aparecer todos para apoiar. Todos lutaremos para sermos campeões." quarta-feira, março 23, 2005
Estamos bem lançados A carreira do Benfica está a ser seguida com atenção um pouco por toda a Europa. Na edição de ontem do L’equipe, jornal desportivo de maior tiragem em França é publicada uma pequena entrevista com Dos Santos. O internacional francês diz que está maravilhado com a experiência, elogia Trapattoni e os seus métodos e garante que o clube está no caminho certo para ser campeão. Saiu magoado de Marselha, diz que os primeiros seis meses em Portugal não foram fáceis e fala com fascínio da realidade que encontrou no Benfica. A título de exemplo, aponta a forma como a equipa é acompanhada. «O número de adeptos da equipa ultrapassa o entendimento. Em Estugarda (na fase de grupos da Taça UEFA), eram cinco mil a incentivar-nos», conta. Diz o jornal francês que para combater a superioridade do FC Porto, o Benfica contratou Giovanni Trapattoni. Dos Santos confessa que ter conhecido o italiano foi uma experiência única: «É muito enriquecedor trabalhar com ele. É um treinador que se preocupa com o mais pequeno dos detalhes. Supervisiona tudo do início ao fim do treino. Dedica-se enormemente ao trabalho e mesmo com a sua idade (66 anos) participa ainda nas sessões físicas...» Falando na possibilidade de o Benfica se sagrar campeão, Dos Santos diz que a equipa está no caminho certo. «Há uma grande esperança. Estamos bem lançados e é muito bom encontrar o Benfica nos primeiros lugares», diz. Descendente de caboverdianos, Dos Santos teve como precioso auxílio o domínio da língua. Apesar disso, foi preciso tempo para se sentir como peixe na água: «Mesmo falando português, tive dificuldades no início. Agora que a minha família está instalada e que conheço o ambiente, sinto-me muito melhor. Assinei por três anos. Os seis primeiros meses constituíram uma fase necessária de descoberta e adaptação. Neste momento estou em plena forma.» Amargura só quando se falou da saída do Marselha: «Gostaria que tivessem tido um pouco mais de frontalidade. Durante três meses ouvi nomes a circular, sabia que o clube procurava substituir-me, mas ninguém me chamou para dizer que não contavam comigo.» As oito finais da águia NESTA altura, o Benfica está confortável no topo da tabela, com mais seis pontos que FC Porto e Sporting, mas, pela frente, tem ainda oito desafios, verdadeiras finais em que jogará a conquista do título nacional. Marítimo, Rio Ave, U. Leiria, Estoril, Belenenses, Penafiel, Sporting e Boavista. Como terá sido a última vez, com os mesmos adversários e nos mesmos palcos? Irá Trapattoni ficar na história do Benfica?Não olhar para os pontos que o adversário pode ganhar, ou deixar de conseguir. Pensar jogo a jogo, encarando cada um deles como uma final, em que é proibido perder. É desta forma que Giovanni Trapattoni quer que os seus jogadores pensem para que seja possível, no final da época, festejar a conquista do título de campeão nacional. Olhando para os resultados que as equipas do Benfica conseguiram na última vez que defrontaram, nos mesmos palcos, os oito adversários que faltam... o quadro não é favorável. Em 24 pontos possíveis, os encarnados conseguiram apenas 11. E venceram apenas na recepção ao Marítimo e na deslocação ao Estoril. De resto só deu empates e uma derrota, para o Sporting, na época passada. Maior personalidade Mas, deixando os números de lado, a equipa do Benfica apresenta, nesta altura do campeonato, maior personalidade. Uma característica que tem sido muito elogiada pelo técnico italiano e que o leva a apostar forte no sucesso do grupo. Por outro lado, há muito que não se via um plantel tão unido e determinado em alcançar o objectivo de ser campeão. Mais importante: há muito que os jogadores não acreditavam com tanta força que, após 11 anos, o Benfica pode voltar a festejar o título que teima em fugir-lhe há dez épocas. Como incentivo, finalmente Trap pode utilizar praticamente todos os jogadores. Não há castigos e apenas Petit recupera de lesão, que até pode ficar resolvida antes do próximo jogo e aproveitando a paragem do Campeonato para os compromissos das selecções. Por isso, venham as oito finais! Exclamam os benfiquistas. Descanso internacional A equipa técnica resolveu dar ontem o dia de folga aos internacionais que vão representar as respectivas selecções. Um repouso que se justifica uma vez que os restantes elementos do plantel terão a oportunidade de descansar da competição durante este fim-de-semana. Ontem marcaram presença apenas 12 jogadores numa sessão orientada por Álvaro Magalhães. Foi o regresso ao trabalho após os dois dias de folga concedidos por Giovanni Trapattoni, na sequência de uma vitória em Setúbal que reforçou a liderança na SuperLiga. Mas houve quem tivesse direito amais 24 horas extra de repouso: os internacionais. A razão é simples: tendo em conta que estes serão postos à prova nesta semana, a equipa técnica optou pela dispensa, pois nesta fase do campeonato é mais importante o menor desgaste que as cargas de treino. Assim, marcaram presença, ontem de manhã, no campo n.º 3 do Complexo do Jamor, apenas 12 atletas. A saber: Moreira, Ricardo Rocha, Alcides, André Luís, Dos Santos, Everson, Bruno Aguiar, Geovanni, Carlitos, Nuno Assis, Delibasic e Mantorras. Petit foi o único dos ausentes por motivos clínicos (Paulo Almeida também ficou na Luz, mas apenas por precaução). O restante rol de ausências foi composto por Quim, Miguel, Nuno Gomes, Simão, Manuel Fernandes e João Pereira (Selecção A e sub-21); Fyssas (Grécia), Karadas (Noruega) e Luisão (Brasil). Regresso de Trap e jogo com Oriental O treino de ontem ficou ainda marcado pela ausência já esperada de Giovanni Trapattoni e do treinador de guarda-redes, Adriano Bardin. Álvaro Magalhães ficou responsável pela orientação de um treino ligeiro, marcado pela circulação de bola e exercícios de pressing. O técnico italiano já estará hoje a ministrar o treino e amanhã haverá um jogo de treino com o Oriental, no Estádio da Luz Petit já apresenta melhoras LUIZ FELIPE SCOLARI vai receber hoje, ao final da manhã, pela altura da concentração da Selecção Nacional, o relatório médico de Petit, na mão do próprio. O diagnóstico é o esperado: não pode defrontar o Canadá e a Eslováquia. Razão: traumatismo nas costelas contraído no Estádio do Bonfim. No entanto, é possível que o médio possa recuperar a tempo do próximo jogo dos encarnados, frente ao Marítimo. Petit apresenta melhoras e já realiza tratamento. Depois do repouso, Petit iniciou, ontem, tratamento e já se sente bem melhorTal como combinado, Petit vai apresentar-se hoje na concentração da turma das quinas, às 12.30 horas, na habitual unidade hoteleira escolhida pela Federação Portuguesa de Futebol. No entanto, não irá permanecer muito tempo no hotel, pois debaixo do braço transportará o relatório passado pelo departamento médico do Benfica que indicará a Luiz Felipe Scolari da sua impossibilidade de ajudar a Selecção no particular com o Canadá e no jogo de apuramento para o Mundial, frente à Eslováquia. O traumatismo na grelha costal (habitualmente denominada por costelas) do lado esquerdo, contraído no encontro com o V. Setúbal, impede-o de representar as cores nacionais mas não deverá ser impeditivo de alinhar na próxima jornada, ao serviço do clube que representa. Uma vez que a partida com o Marítimo realiza-se apenas no primeiro fim-de-semana de Abril, haverá tempo para o camisola 6 se recompor e apresentar-se em condições para jogar. Jogar com a habitual força interior Depois das 72 horas de repouso, Petit iniciou ontem os tratamentos no Estádio da Luz, na companhia de Rodolfo Moura. Inicialmente havia o receio de o baço poder ter sido afectado pelo embate, mas por aquilo que foi possível apurar tal cenário já não se coloca, com o quadro clínico a situar-se apenas no problema ósseo. Espera-se agora que Petit use a sua habitual força interior que o caracteriza para acelerar a sua recuperação. |
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