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segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Sete defesas, Nuno Gomes e Karadas
GIOVANNI TRAPATTONI foi cauteloso a elaborar a lista de convocados para o jogo com o FC Porto. Pela primeira vez desde que passou a contar com quatro avançados, o técnico só chamou duas das lanças, deixando Delibasic e Mantorras de fora. Por sua vez, chamou sete defesas e quatro médios-centro, um dos quais Everson, novidade quase absoluta.

Tal como no Maiorca, Delibasic não é sequer opção de segunda linha. Eainda sorri...Delibasic foi uma contratação de Inverno, com o objectivo de colmatar a vaga do dispensado Sokota, mas ficamais uma vez afastado da convocatória, à semelhança do que aconteceu no encontro com o V. Guimarães - na Taça UEFA não pôde ser utilizado porque não foi inscrito. O sérvio-montenegrino é um dos avançados de que Trapattoni prescindiu para a deslocação ao Estádio do Dragão, algo que poderá causar alguma surpresa, não tanto pelo jogo em si, mas porque se trata de um acumular de ausências inesperadas de quem foi adquirido (por empréstimo) para marcar golos. De resto, o italiano também deixou de fora Pedro Mantorras. O angolano ainda não tem os índices físicos para realizar muitos minutos, pelo que o técnico optou por poupá-lo num embate que se prevê de alta intensidade. Nuno Gomes e Karadas foram desta forma os únicos dois pontas-de-lança que viajaram. Desde que o plantel passou a contar com quatro avançados (a chegada de Delibasic coincidiu com o regresso de Mantorras), é a primeira vez que Trap convoca apenas dois homens de área. Passaram-se os jogos com Académica, Sp. Braga, V. Guimarães e os dois com o CSKA e Trapattoni sempre chamou três avançados.

Rocha regressa

No oposto, o treinador optou pela abundância. Ricardo Rocha está de regresso depois de se lesionar na deslocação a Braga, no dia 13, e reforça um contingente de defesas composto por mais seis elementos. O meio-campo é reforçado pelo regresso de Everson (ver peça à parte), ou seja, rumaram ao Norte quatro médios-centro. Posto isto, depreende-se que Trap deposita enorme confiança no onze inicial. Afinal, é o técnico que faz menos substituições na SuperLiga...

Everson dois meses depois
Giovanni Trapattoni decidiu dar a oportunidade que Everson há muito pedia desde que regressou aos treinos sem limitações após a intervenção cirúrgica a que foi submetido para debelar uma pubalgia, no dia 14 de Dezembro. Há muito que o médio tem vindo a treinar-se com afinco, mas demonstrava alguma revolta, em pequenos sinais, durante as sessões de trabalho. Pois bem, o médio contratado ao Nice teve agora uma prenda de novo ano, justamente na deslocação mais escaldante dos encarnados. Foi ainda em 2004 que Everson foi convocado para o grupo dos 18 que vêem entrar o seu nome na ficha de jogo, num encontro de má memória para o Benfica: derrota com o Belenenses, por 1-4, no Estádio do Restelo. Os números do brasileiro no campeonato traduzem uma quase nulidade no que toca ao aproveitamento. Jogou apenas 12 minutos frente ao V. Setúbal, na nona jornada, numa noite de inspiração colectiva dos seus colegas: goleada por 4-0.

Trap nega tensão... e recusa perguntas
SURPREENDENTE. O que se esperava que fosse uma conferência de Imprensa transformou-se num monólogo de Giovanni Trapattoni...

«Já que falo mal é melhor que fale eu para ver se nos entendemos já.» Estava dado o mote para o monólogo que se seguiria, com Trapattoni a dar voz às suas queixas e a explicar o porquê de não responder a perguntas dos jornalistas.

As razões

Eis a declaração na íntegra. «Hoje não queria estar aqui a falar, mas estou por respeito profissional. Li no outro dia, depois do jogo com o CSKA, que estava com ira, sob pressão e tensão. Não... Podem escrever o que quiserem, mas eu tenho o direito de explicar as situações. Se vocês [jornalistas] pensam que têm sempre razão, eu também tenho o direito de pensar que a tenho. Não estou sob tensão. Há 30 anos que estou lá em cima na montanha, onde está frio e vento. Num país novo é difícil aprender rapidamente todas as palavras, talvez seja fácil existirem mal-entendidos. Por isso não quero falar do FC Porto e do jogo, para não ser mal-entendido.» Ainda assim, deixaria algumas palavras de circunstância sobre o clássico (ver peça em baixo). A primeira referência de Trapattoni — estar ou não sob tensão—deve-se a um artigo publicado num diário desportivo com base no seu comportamento na conferência que se seguiu à eliminação com o CSKA: mostrou-se irritado com uma pergunta, batendo inclusive com as mãos na mesa.
Quanto ao problema de expressão, nasceu das suas palavras sobre arbitragem, antes do Benfica-V. Guimarães. O nome do FC Porto surgiu na resposta (a Manuel Machado), Couceiro não gostou. Trap considera ter sido mal interpretado. No que concerne às alegadas más interpretações, saliente-se que Trap tenta expressar-se da melhor maneira, mas acaba por misturar português, espanhol e italiano, deixando por vezes pouco claras as ideias.

Caça-dragões
FERNANDO RIERA, José Augusto, Mário Wilson e John Mortimore. Quatro homens que tiveram o privilégio de gritar vitória nas Antas. Treinadores que viveram na Luz momentos de brilho e que não esquecem. Individualidades que sabem bem o que representa o grande clássico que é o FC Porto-Benfica. Ainda hoje, mesmo muito longe do banco, falam apaixonadamente do grande encontro e sabem melhor que ninguém o que representa uma vitória sobre o grande rival. Vale mais que três simples pontos. Muito mais!

Parecem duas palavras mágicas. Mal se soltam as palavras FC Porto-Benfica os homens do futebol como que mudam a expressão facial. Soltam a emoção, falam apaixonadamente. Podem ter nascido longe como Riera ou Mortimore. Podem ter o Benfica no coração desde sempre, como José Augusto ou Mário Wilson.
A reacção é a mesma: «Oh! O grande jogo.» A BOLA sentiu esse frenesim quando abordou os quatro treinadores — que raro privilégio...—que venceram nas Antas de águia ao peito. Eles, que esbracejaram no banco, que quase perderam a voz de tantas indicações darem. Eles que sofreram mas souberam acabar o jogo e gritar vitória, dão uma pequena ajuda ao italiano Giovanni Trapattoni, que ainda não sabe o que representa e tudo o que pode acontecer num jogo em casa do dragão.Nesta página ficam alguns conselhos e memórias que o tempo não consegue apagar. Muitas, muitas memórias...

Veiga no banco e Vieira na tribuna
CONFIRMADO. José Veiga vai sentar-se hoje no banco de suplentes do Benfica, pela primeira vez em jogos da Liga, e Luís Filipe Vieira estará na tribuna presidencial do Dragão, juntamente com mais algumas personalidades do clube encarnado. Vários pormenores que tornam ainda mais empolgante o clássico de hoje à noite.

O presidente do Benfica viajou ontem desde Lisboa e já se encontra na companhia dos jogadores e técnicos em Gaia, onde a comitiva vai permanecer até à hora de seguir para o estádio do FC Porto, o que deve acontecer cerca de duas horas e meia antes do início do encontro.
Filipe Vieira vai sentar-se na tribuna presidencial do Dragão, juntamente com o vice-presidente do clube e administrador da SAD, Rui Cunha, o vice-presidente Mário Dias, a vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, Paula Pinho, e ainda o chefe de gabinete da presidência, João Salgado.
Esta decisão torna-se especialmente interessante tendo em conta a enorme rivalidade existente entre os dois clubes e até animosidade, como facilmente se percebeu pela troca de palavras, entre Filipe Vieira e Pinto da Costa, que marcou a semana. O presidente benfiquista está, no entanto, disposto a cumprir todas as regras de protocolo e a dar uma prova inequívoca da sua presença junto dos jogadores e no apoio à equipa. Uma indicação, também, de que este desafio é de capital importância para os objectivos traçados nesta temporada.

Olhos postos no banco

Com o presidente na tribuna de honra, caberá ao director-geral para o futebol sentar-se no banco de suplentes benfiquista e alimentar ainda mais o carrossel de emoções que se prepara para esta noite. José Veiga há muito que não entra nas instalações do FC Porto e que se tornou, pelo menos publicamente, persona non grata para Pinto da Costa e para muitos adeptos do clube. Hoje estará ao lado de Trap e dos não titulares, depois de na Luz, no confronto entre as duas equipas que marcou a primeira volta do campeonato, se ter envolvido num episódio de insinuações, acusações e quase confronto físico entre responsáveis das duas instituições. Será interessante, a vários níveis, acompanhar o comportamento de Veiga no estádio do FC Porto, sendo quase certo que vai merecer, por parte dos adeptos azuis e brancos, uma atenção especial. Tudo se prepara para um clássico monstruoso. Como todos são.



domingo, fevereiro 27, 2005

A tarde em que a mística matou saudades na Luz...
O Benfica homenageou ontem, no Estádio da Luz, mais de centena e meia de campeões. De dirigentes a jogadores. De todas as gerações. Uma tarde de encontros, de reencontros, de risos, lágrimas, histórias, lembranças, beijos, brincadeiras. De emoções à flor da pele. Um encontro do passado glorioso no palco do futuro do Benfica.

Outrora duros e intratáveis para os avançados adversários, Mozer e Ricardo Gomes deram um cúmplice abraço até não poderem mais e selaram com um beijo no rosto o reencontro. «Meu Deus, precisava de uma semana para colocar a conversa em dia...», desabafava Ricardo Gomes, sem saber para onde se virar tantas as caras que se cruzavam no seu caminho, outrora cúmplices companheiros de armas, sacerdotes de um espaço sagrado a que se chama balneário e que só quem o cheirou até às entranhas sabe o que significa este reencontro.

Honrar o passado

O Benfica decidiu juntar mais de centena e meia de campeões e prestar-lhes a devida homenagem, no fecho das festividades do centenário. Juntou-os no Estádio da Luz, palco de sonhos e de futuro, para um almoço de confraternização e entrega de lembranças. Tal como Ricardo Gomes e Mozer, muitos foram os encontros, anunciados quase sempre por uma sonora gargalhada, por abraços do tamanho de um mundo sem medida, por vozes exaltadas, por sorrisos que resultam, acima de tudo, de um estado de alma.
O Benfica decidiu juntar mais de centena e meia de campeões e prestar-lhes a devida homenagem, no fecho das festividades do centenário. Juntou-os no Estádio da Luz, palco de sonhos e de futuro, para um almoço de confraternização e entrega de lembranças. Tal como Ricardo Gomes e Mozer, muitos foram os encontros, anunciados quase sempre por uma sonora gargalhada, por abraços do tamanho de um mundo sem medida, por vozes exaltadas, por sorrisos que resultam, acima de tudo, de um estado de alma. Naturalmente, os convidados foram-se juntando conforme as afinidades de cada um. Um dos grupos mais divertidos foi o dos vencedores da Taça Latina, a primeira grande conquista internacional do Benfica. Homens como José Bastos, Joaquim Fernandes, José Corona, José Rosário, Raul Pascoal ou Rogério Pi-Pi.

Pai, filho e Espírito Santo

Os campeões europeus também não se fizeram rogados na hora de algumas saudáveis picardias. Coluna não perde a oportunidade de se meter com o miúdo. Falamos de Eusébio, pois claro, que retribui com genuina reverência, tal como se de pai e filho se tratassem. De resto, ao lado destes estava Espírito Santo e até os mais ortodoxos em matéria de religião não se incomodarão por alguém se ter lembrado, vendo este trio junto, da Santíssima Trindade. Mais tarde, enquando Espírito Santo e Pedro Henriques conversavam, tudo fazia sentido: de um lado o mais antigo futebolista do Benfica ainda vivo, do outro o mais jovem campeão, ainda em actividade, na Académica. Porque entre ume outro uma mística tricotada a ouro, gerações de homens que se dedicaram de corpo e alma ao Benfica, tantas conquistas, tantos troféus, tantos sonhos. Para sermos justos, a geração dos últimos campeões pelo Benfica era talvez a mais animada. E não foi difícil perceber que as cumplicidades que ontem se viveram, e que nem os próprios conseguirão explicar, só podem resultar da união que, o passado, se tornou elo que o tempo não foi, nem será nunca, capaz de quebrar. E talvez nos sorri intimidades, nos segredos e nos códigos que só eles percebem resida, afinal, uma das razões pelas quais oBenfica ganhou tudo o que havia para ganhar. Os homens também choram Eles vieram de todos os lados. De terras de Sua Majestada chegou John Mortimore. «Até chorei quando recebi o convite.» Chorou mister? «Chorei, tal a emoção. O que sinto? Nem sei que palavras escolher», frisou. Em inglês, que o português está «enferrujado».E reforçou: «Este convívio, este encontro com amigos que não via há tanto tempo, é algo de absolutamente inolvidável », reforçava. E o que faz mister? «Jogo golfe, descanso um pouco. Ah... E fizeram-me presidente do Southampton, depois da morte do presidente.»Eriuse, nada condizente com a fleuma britânica, antes de cumprimentar Alberto, que Carlos Manuel lembrou ter sido autor de uma lesão no treinador inglês. Do Brasil chegavam Ricardo Gomes, William e Isaías. Da Suécia Schwarz e Mats Magnusson, que parecia um miúdo. «Eu adoro a Suécia mas o que eu gosto mesmo é do Benfica e de Portugal », desabafava. As lágrimas bailavam nos olhos de homens de barba rija. Toni emocionava-se ao falar dos que já partiram e daqueles que, tendo servido o Benfica, estavam em dificuldades. Basta abrir os olhos, alertar e lançou o repto para a ajuda. Humberto Coelho falava de «um dos grandes momentos » da sua vida, depois de ter reencontrado gente que não via há tantos anos. E revelava a chave do seu Benfica, do Benfica de todos os que estavam naquela sala: solidariedade. «A mística não morreu, mas está adormecida. É preciso recuperar essa alma. Inflamar os próprios benfiquistas. A paixão está adormecida, é necessário acordar o mais rapidamente possível», desabafava Humberto Coelho, entusiasmado, olhando para o lado e sentindo em todos aqueles campeões a razão de ser de uma mística que não pode morrer.

Rosas, eclectismo, Macarrão e crianças

Da mais de centena e meia de homenageados, nem todos eram ex-jogadores. Manuel Damásio e Ferreira Queimado representavam os ex-presidentes. Águias de Ouro e de Prata também eram muitos.O passado glorioso do Benfica também se fez no feminino, com entrega de medalhas a ex-atletas. Por ser um clube ecléctico, a mística passou também pelas modalidades, como o basquetebol, o atletismo, o râguebi, o hóquei ou o voleibol. E se alguém quiser saber o que é mística, pode também perguntar a Joaquim Macarrão, o mais antigo funcionário do Benfica. Houve também tempo para Luís Filipe Vieira lançar as linhas programáticas para «mais 100 anos de glória ». Para se evocar figuras que, para quem acredita, só em espírito puderam marcar presença no almoço. Aúltima imagem que fica é a das crianças das escolas do Benfica e os jovens dos sectores de formação convidados para o almoço.Tantas vezes nos questionámos se perceberam o alcance de tudo o que se passou ontem na Luz. Podem nem ter percebido, mas sentiram.Erespiraram essa mística que neles é depositada por quem, no passado, levou o Benfica aos quatro cantos do mundo. Assim a saibam honrar.

Modelo de jogo único, aumento de capital e um canal de televisão
LUÍS FILIPE VIEIRA aproveitou a presença de tantos e tão ilustres personalidades do clube para anunciar um novo empurrão ao projecto empresarial que tem vindo a implementar no clube. A estabilidade financeira continua a ser um imperativo, mas o presidente da Direcção reiterou que tal depende do êxito desportivo. Por isso, prometeu que todo o universo benfiquista mover-se-á em torno do futebol e não o contrário. «Mais 100 anos gloriosos» foi o slogan adoptado para um conjunto de medidas a tomar nos próximos tempos, que vão desde a contínua aposta na formação, passando pelo aumento de capital de algumas empresas do grupo Benfica e terminando na criação de um anal de televisão próprio. Foi num discurso longo que Vieira deu a conhecer a estratégia. Perceba a fundo as promessas que foram feitas.

Águia de ouro a João Santos

O momento era de alegria mas Luís Filipe Vieira recordou o desaparecimento, nos últimos meses, de várias personalidades ligadas ao clube. A morte de João Santos foi a mais recente e na memória de muitos benfiquistas perdura a não atribuição da águia de ouro ao ex-presidente. Vieira quer «corrigir essa injustiça» e vai propor em Assembleia Geral a atribuição do galardão a título póstumo. Assegurou também que vai pedir à AG que distinga os campeões europeus com a águia de ouro. «Protagonizaram o maior feito desportivo da história do Benfica, determinante para a projecção internacional do clube», justificou.

«Slogan» para ficar no ouvido

«Mais 100 anos gloriosos » é o nome que a Direcção decidiu colocar ao projecto empresarial em marcha. «Não é apenas uma frase, é a tradução de uma visão sobre o futuro e o lema sobre o qual será desenvolvida a estratégia do nosso Benfica para as próximas décadas», lembrando Luís Filipe Vieira que os alicerces estão criados: «Novo estádio, centro de estágio em andamento, credibilidade reconquistada junto dos agentes financeiros, estabilização das contas e maior capacidade competitiva da equipa de futebol e de várias modalidades.»

20 pontos para o sucesso desportivo e financeiro

O dirigente pretende «vitórias no capítulo financeiro e desportivo». Diz que uma coisa não vive sem a outra masque na primeira parte do seu mandato deu primazia à vertente dos números. Com os cofres mais equilibrados, o clube avança agora para uma aposta clara em vencer campeonatos e participar na Liga dos Campeões. Para isso, diz Vieira, é fundamental cumprir dez pontos:

1 — O futebol deve ser assumido como o eixo central da actividade do clube e as modalidades como actividades complementares
2 — O Benfica deve definir um conceito de jogo estável, independente de equipas técnicas e assimilado pelos jogadores desde as camadas jovens.
3 — Aposta forte na formação como fonte de alimentação do plantel sénior.
4 — Centro de estágio de elevada qualidade.
5 — Integração estruturada e continuada entre o plantel juvenil e a equipa principal.
6 — Estratégia continuada de observação de valores externos.
7 — Aquisição de jogadores com inquestionável qualidade e potencial e identificados com os valores e a mística do clube.
8 — Gestão profissionalizada.
9 — Equipas técnicas de inegável valor, identificadas com os princípios desportivos do Benfica.
10 — Estádio cheio.

São também dez os pontos anunciados para o equilíbrio financeiro:

1 — Política rigorosa na compra de passes de jogadores: poucos e de elevado potencial.
2 —Venda de passes de jogadores definidas com antecedência e emfunção das disponibilidades e entradas previstas.
3 — Aumento do número de sócios.
4 — Estádio e pavilhões cheios.
5 — Elevada capacidade de captação de patrocínios (estáticos e dinâmicos).
6 — Maior capacidade negocial ao nível dos direitos televisivos.
7 — Maiores receitas de merchandising.
8 — Aumento do número de eventos extradesportivos.
9 — Rigor na contenção de custos, em especial os que não são afectos ao futebol.
10 — Participação na Liga dos Campeões.

Negociação da dívida

Luís Filipe Vieira fez também questão de lembrar o trabalho feito: definição de uma nova estratégia comercial, a estabilização dos sistemas informáticos, em especial o que está relacionado com os bilhetes, e a reformulação da estratégia de comunicação. Mas medidas de maior vulto estão prometidas para os próximos tempos:
— Uma única estrutura para área administrativa e financeira de todo o universo empresarial.
— Reestruturação da dívida num plano de médio/ longo prazo, em conjunto com os parceiros financeiros do clube, cujo projecto estará concluído no final de Março.
— Aumento de capital nas empresas do grupo que o justifiquem, até final de Junho.

Parceiro estratégico condiciona

Tempo ainda para esclarecer como está o tão propalado novo cartão de sócio, com o qual Luís Filipe Vieira espera angariar meio milhão de sócios. «É o único projecto que regista atraso face às metas inicialmente previstas. Isso deve-se às negociações em curso com um dos nossos parceiros estratégicos que poderá vir a assumir o financiamento do centro de estágio [banca]», assumindo o desejo de criar um canal de televisão próprio, implementar o voto electrónico nas Casas para as eleições no clube e construir o museu do Benfica.

Rocha pode ser a surpresa para o Dragão
COM bola, sem limitações e pronto para jogar de início amanhã, frente ao FC Porto. Ricardo Rocha está completamente recuperado de lesão e pode regressar à titularidade, fazendo dupla com Luisão no centro da defesa. Talvez seja esta a grande surpresa de Giovanni Trapattoni para o empolgante clássico no Dragão.

O defesa-central, internacional português, treinou-se ontem normalmente e não sentiu dores, após duas semanas a recuperar de uma rotura no adutor da coxa esquerda.
A lesão surgiu durante o jogo contra o Sp. Braga e afastou-o dos dois encontros com o CSKA (Taça UEFA) e ainda da última jornada da SuperLiga, frente ao V. Guimarães.
A gravidade do problema levantou muitas dúvidas sobre a disponibilidade de Rocha para o jogo de amanhã, mas, de forma surpreendente, uma vez que ainda não tinha recomeçado a trabalhar com bola, o jogador participou em todos os exercícios realizados e apresentou bons resultados. Passou no teste, tudo o indica, e é forte a possibilidade de Giovanni Trapattoni lhe devolver a titularidade já no jogo contra o FC Porto.
Ricardo Rocha teve uma lesão idêntica (rotura, mas no adutor da coxa direita) durante o jogo frente ao Sporting, na Taça de Portugal, mas, no momento em que voltou aos treinos, recuperou o lugar no onze. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Trap deve voltar a fazer o mesmo amanhã, até porque a dupla Luisão/ Rocha é a que maiores garantias de segurança tem apresentado durante a temporada.
Alcides, jovem brasileiro (19 anos), mostrou ser um bom jogador e à altura de assumir a titularidade na defesa encarnada, mas tudo aponta para que não seja ele a primeira escolha do treinador italiano. Muito dependerá, também, das garantias que Rocha der a Trapattoni durante o treino de hoje, o último antes do clássico.

Vídeos e palestra na ementa para o clássico
MUITA mentalização e conhecimento do adversário. São estes alguns dos argumentos com que o técnico italiano conta para o confronto com o FC Porto. Hoje e amanhã, já em Espinho, os jogadores vão ver vídeos e jogadas do adversário, previamente seleccionadas por Trapattoni. A habitual palestra também está em agenda e, em altura determinante para o resto de Campeonato, as palavras do treinador devem soar mais importantes do que nunca.

Os jogadores ainda se treinam hoje em Óbidos, durante a manhã, mas ao final da tarde chegam a Espinho e, após descanso, a equipa técnica encarnada deve começar imediatamente o trabalho de preparação emocional e mental para o jogo. Neste domínio, Trap terá de tentar ultrapassar vários obstáculos. Entre eles, os efeitos negativos do adeus à Europa, frente aos russos do CSKA, que muito irritou os adeptos mas, seguramente, ainda mais os jogadores. Outro ponto importante é conseguir minimizar o desgaste físico, que se nota em jogadores como Petit e Simão, aumentando, ao mesmo tempo, os níveis de confiança de outros, como é o caso de Miguel.
No hotel, os benfiquistas vão visionar alguns vídeos de jogos do FC Porto e estudar, sob a orientação de Trapattoni, várias jogadas do adversário que podem revelar-se importantes, sobretudo no capítulo defensivo. Embora sobejamente conhecidas, as características dos portistas foram analisadas, durante a semana, por Trap e Álvaro Magalhães, para agora serem escalpelizadas em conjunto. Os últimos acertos na estratégia serão dados amanhã de manhã e também a última palestra do treinador, que representará a palavra final sobre a forma como a equipa vai entrar em campo.
Existe muito em jogo neste desafio e a águia tem consciência de que pode ganhar ou perder a época nos 90 minutos de emoções fortes agendados para amanhã à noite.



sábado, fevereiro 26, 2005

SIMÃO na caça ao dragão
A Liga Portuguesa de Futebol profissional confirmou, ontem, que Simão pode jogar contra o FC Porto, após ter apresentado recurso no âmbito do processo sumaríssimo de que é alvo por alegada agressão a um jogador do V. Guimarães. Esta é a concretização de uma boa notícia para Giovanni Trapattoni, que já tem dores de cabeça de sobra na tentativa de combater o desgaste físico do capitão benfiquista, absolutamente determinante na equipa.

Em comunicado oficial, a Liga deu ontem conta que recebeu o recurso apresentando pelo Benfica, em nome de Simão, no processo sumaríssimo n.º 10-04/05 aplicado ao jogador encarnado por alegadamente ter agredido Alex, durante o jogo entre o Benfica e o V. Guimarães, no passado dia 21 deste mês. Assim, os dois jogos propostos pela Liga como castigo não se convertem em decisão definitiva e imediata, continuando o processo a ser analisado durante a próxima semana. Ou seja, Simão está disponível para jogar no Estádio do Dragão e, apesar de certamente já o esperar, Giovanni Trapattoni pode suspirar de alívio e contar - para o confronto com o FC Porto - com um dos seus jogadores mais influentes para a estratégia da equipa.

Desgaste físico começa a ser visível

Nesta altura da temporada, Simão já leva 3526 minutos nas pernas, distribuídos por todas as competições (SuperLiga, Taça de Portugal e competições europeias) e também ao serviço da Selecção Nacional. Sem lesões que o tenham impedido de actuar e também sem castigos, conseguiu tornar-se o jogador mais influente, no melhor marcador do plantel (13 golos na SuperLiga) e aquele em que os benfiquistas mais esperanças depositam na hora de resolver jogos. Simão já decidiu muitas situações complicadas para o Benfica mas, nos últimos desafios, começa a notar-se cansaço nas exibições do capitão. E, por arrasto, falta de criatividade e objectividade no ataque encarnado. Simão não jogou bem contra o V. Guimarães mas nessa altura apareceu Geovanni. Voltou a não estar bem frente ao CSKA, na Taça UEFA, e a equipa da Luz disse adeus à Europa. "Nesta altura, não podemos viver sem Simão." A frase é do próprio Trapattoni, que bem pode pensar nela para o jogo contra o FC Porto e na melhor forma de recuperar fisicamente o seu tão precioso número 20.

Sem substituto

Até tacticamente é complicado substituir Simão Sabrosa. Não existe, no plantel, outro extremo-esquerdo. Pode ser um dos avançados, ou Geovanni... mas sempre e apenas opções de recurso

Titularidade para Miguel
Miguel deverá regressar à titularidade no encontro com o FC Porto, depois de Giovanni Trapattoni tê-lo utilizado apenas 30 minutos com o CSKA. Por uma questão de gestão, o lateral foi poupado no jogo com a formação moscovita e por isso é mais que certa a sua presença no onze que subirá ao Dragão. Miguel foi um dos elementos utilizados no treino que marcaram a preparação da deslocação à Invicta, que decorreu ontem de manhã, no Estádio da Luz. Karadas e Mantorras, que também saltaram do banco no encontro com os russos, cumpriram a totalidade da sessão, que ficou marcada pela ausência de Simão, Luisão e Alcides. O trio permaneceu no ginásio para corrigir fadiga muscular. Os restantes titulares subiram ao relvado, mas apenas para efectuar corridas durante um período de 20 minutos. O central da equipa B, Eduardo Simões, foi mais uma vez chamado aos trabalhos da equipa principal, e seguramente será convocado para o jogo como FC Porto, face à ausência de centrais. Novidade foi a integração do guarda-redes da formação secundária, Bruno Costa.

Luz mística
HOJE, o Benfica vai celebrar as suas maiores glórias. Pelo camarote presidencial da Luz, durante um almoço englobado nas cerimónias de encerramento das celebrações do centenário do clube da águia, vão desfilar os campeões nacionais de futebol, os vencedores da Taça Latina e os campeões europeus. Presentes, igualmente, estarão figuras emblemáticas de várias modalidades de alto rendimento e ainda dirigentes, actuais e passados, juntamente com "águias de ouro" e águias de prata".

Eusébio, Coluna, José Torres, Nené, Valdo, Ricardo Gomes, Guilherme Espírito Santo, Rogério "Pipi" e Magnusson, são alguns dos ex-jogadores benfiquistas que já confirmaram presença no almoço que hoje decorre no Estádio da Luz, inserido no encerramento das festividades do primeiro centenário do clube da águia. Ao todo, o Benfica reunirá cerca de 300 pessoas que fizeram a história da colectividade, numa manifestação, sem precedentes, que pretende reafirmar e relembrar as virtudes que fizeram dos encarnados uma grande potência do desporto mundial. Na ocasião, serão homenageados, de forma particular, aqueles que estiveram ligados aos maiores feitos da história encarnada, nomeadamente, a conquista da Taça Latina de 1950, as vitórias nas Taças dos Campeões Europeus de 1961 e 1962 e ainda os 30 títulos nacionais, entre 1936 e 1994, que constam do palmarés benfiquista.

Expresso 1008
AS duas claques do Benfica vão viajar juntas, pela primeira vez , no mesmo meio de transporte, rumo à Invicta. Diabos Vermelhos e No Name Boys já fretaram um comboio que levará os detentores dos 1008 bilhetes disponibilizados pelo FC Porto ao Benfica. Ou seja, não houve venda directa de ingressos na Luz, decidindo a Direcção entregá-los aos dois grupos organizados. Mais uma vez, as forças de segurança terão trabalho árduo pela frente, pois existe o receio de forte retaliação por parte de adeptos azuis a brancos ao que aconteceu na Luz, na primeira volta. Um expresso de alto risco.

O FC Porto decidiu pagar com a mesma moeda e disponibilizar apenas 1008 bilhetes ao Benfica, tal como aconteceu, na ordem inversa, no jogo da primeira volta, em Lisboa. E tal como os dragões fizeram na deslocação à Luz, os encarnados também tomaram a decisão de não vender os escassos ingressos aos sócios, optando por endossá-los directamente às duas claques organizadas do clube, Diabos Vermelhos e No Name Boys. Pela primeira vez, ambos os grupos vão viajar juntos, depois de terem celebrado uma espécie de pacto de não agressão, e por isso já alugaram um comboio que partirá da capital bem cedo rumo ao Porto. Quer isto dizer que a grande falange de adeptos benfiquistas presentes no Estádio do Dragão não será composta por civis — poderão haver benfiquistas espalhados nas bancadas, mas seguramente uma minoria comparada com o contingente que viajará de Lisboa.

PSP em alerta máximo

O facto de ambas as claques deslocarem-se em conjunto traz vantagens e desvantagens às forças de segurança. A dispersão é menor e por essa razão os elementos da PSP podem concentrar esforços no mesmo sentido; mas por sua vez tornam-se um grande alvo para os conjuntos rivais. Segundo informações recolhidas por A BOLA, membros ligados a grupos organizados dos azuis e brancos já prometeram acções de forte hostilidade ainda antes de o comboio chegar ao Porto, como forma de retaliação do tratamento recebido no Estádio da Luz, na primeira volta. O alerta é, pois, vermelho.

É bom que McCarthy jogue
LUÍS FILIPE VIEIRA quer um clássico em grande e, por isso, deseja que estejam presentes "os melhores". O presidente do Benfica manifestou-se satisfeito com a utilização de McCarthy. "Gosto que os bons jogadores defrontem o Benfica, do mesmo modo que acredito que os portistas vão querer que Simão também esteja presente. " Sobre Trapattoni, deixou uma frase esclarecedora: "O balanço do seu trabalho é positivo. "

Numa incursão pelo concelho de Espinho, Vieira foi deixando ideias sobre o clássico de depois de amanhã. O presidente do Benfica sublinhou a sua convicção de que "na segunda-feira, vamos conseguir ganhar", apontando a vitória no Dragão como "um grande objectivo ". Sem ignorar a eliminação da Taça UEFA, Vieira ressalvou que "apesar do que aconteceu nessa partida, o Benfica está no bom caminho. Estamos a trabalhar bem e a fazer tudo o que está ao nosso alcance para voltarmos a viver grandes dias". O líder dos encarnados criticou a justiça desportiva, deixando no ar a ideia de que "há muito a mudar". Quanto ao sumaríssimo a Simão, voltou a defender o capitão encarnado: "Se ele fosse castigado, muitos teriam de ser irradiados. O Simão e o Alex são amigos, nem faria sentido que tivesse havido qualquer agressão." Sobre McCarthy, Vieira surpreendeu ao defender: "É positivo que possa jogar. Gosto que os bons jogadores defrontem o Benfica."

Tinoco admite «ligeira divergência»

O presidente da AG do Benfica, Tinoco Faria, admitiu divergir "ligeiramente " da opinião de Vieira sobre McCarthy: "Independentemente de McCarthy ser um bom jogador, a questão é que se merece apanhar três jogos deve cumprir o castigo." Apesar desta diferença em relação à posição do presidente do Benfica, Tinoco subscreve as críticas de Vieira ao estado da justiça desportiva: "Há, de facto, muito a mudar".



sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Benfica 1 - 1 CSKA

63 m
1-1 por Karadas. Canto apontado por Petit, do lado direito do ataque benfiquista, a bola voou pela área russa e o avançado norueguês saltou mais alto que toda a gente cabeceando para o fundo das redes.

Melhor em Campo

LUISÃO (6)
O brasileiro fez tudo o que lhe competia, aparecendo nas dobras por João Pereira e desarmando muitas vezes o irrequieto e perigoso Wagner Love com limpeza. Dos mais inconformados, tentou várias vezes a sorte lá na frente e, aos 50 minutos, ofereceu uma oportunidade de ouro para marcar golo a Karadas, que preferiu tentar um passe de calcanhar em vez de rematar à baliza. Uma vez mais, mostrou o porquê de a sua cotação estar a subir e de estar a ser observado por grandes clubes europeus.

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Trapattoni grita e bate na mesa
ÀS vezes Giovanni Trapattoni tem assomos de fúria. Ontem, no final do jogo, o italiano irritou-se de tal forma com uma simples pergunta e foi verdadeiramente aos arames, batendo na mesa enquanto ia respondendo à questão, em decibéis muito elevados e que deixou a tradutora de serviço e os jornalistas russos verdadeiramente surpreendidos, sem perceberem o que tinha acontecido para o prestigiado treinador sair do tom diplomático. Mas, afinal, o que provocou a ira de Trap? A explicação é simples: o técnico começou a conferência de Imprensa justificando-se com o azar na hora do remate e afirmando que o Benfica deveria ter chegado ao intervalo a vencer. Mas foi perguntado posteriormente ao treinador dos encarnados se não terá faltado audácia. Aí, a velha raposa explodiu e apenas podemos aconselhar o leitor a ver as imagens deste momento, pois no papel não podemos descrever com exactidão o estado de alma de Giovanni Trapattoni: «Se não tivéssemos estado no meio-campo do CSKA nos primeiros 45 minutos, aí poderia dizer que não tivemos audácia. Eu estive cá no ano passado, como seleccionador italiano, vi os jogos com o Inter e coma Lazio e posso dizer que o Benfica não jogou tão bem como hoje [ontem]! Nunca jogámos tão bem como hoje [ontem]! [À medida que ia gritando batia violentamente com a palma da mão na mesa]. Apenas não tivemos sorte na hora do remate, os meus jogadores deram tudo e demonstraram uma grande atitude!»

Depois vi que já não dava

Pergunta seguinte: Trapattoni pediu o apoio do público, o público assobiou-o. A situação pode ficar insustentável? A resposta foi, porém, polida, justificada com queda vertiginosa de adrenalina, tão depressa se irritou, tão depressa se acalmou. «Eu compreendo os adeptos. O Benfica teve grandes jogadores no passado e os benfiquistas habituaram-se a ganhar muita coisa», limitou-se a dizer. Voltando à análise do jogo, Trapattoni admitiu que depois da primeira parte deixou praticamente de acreditar na reviravolta da eliminatória. «É verdade, comecei a pensar no jogo de segunda-feira. Com uma desvantagem daquelas era difícil marcarmos quatro golos ao CSKA, que jogou muito fechado, vi que praticamente já não dava. Mesmo assim a reacção dos meus jogadores foi muito boa, marcámos um golo, não tenho nada a apontar a esse respeito. O Geovanni saiu para termos mais poder aéreo, com a presença de Karadas [o norueguês entrou, no entanto, para o lugar de Nuno Assis]», concluiu.

Outros teriam de ser irradiados
O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, perdeu a calma. E perdeu a calma quando a questão que lhe foi colocada incidiu sobre o processo sumaríssimo que a Comissão Disciplinar da Liga instaurou a Simão na sequência de um lance em que o jogador atingiu o colega de profissão do Vitória de Guimarães, Alex, durante a partida da última segunda-feira. O dirigente encarnado não queria falar do assunto e começou por ser moderado, mas não resistiria perante a questão: qual a opinião em relação ao castigo de dois jogos inicialmente aplicado a Simão Sabrosa? "Vamos respeitar, mais nada. Apenas respeito e sem interferências. Independentemente desta posição, a opinião pública tem de tirar as suas ilações em relação ao que está a ser feito. O futebol tem de ser credibilizado e assim está a perder toda a sua credibilidade. Só a título de referência, penso que se o Simão for penalizado por este jogo, por aquilo que se passou, então outros teriam de ser irradiados", comentou o presidente do Benfica, que não quis alongar-se sobre uma questão que o deixou visivelmente incomodado. Ainda houve oportunidade para tentar colocar uma derradeira questão, em torno da situação de Roger, mas Luís Filipe Vieira recusou o convite: "Estamos a falar de coisas mais importantes."

Dia de Plenário dos Órgãos Sociais

Luís Filipe Vieira participou em mais um Plenário dos Órgãos Sociais do Benfica, que decorreu ontem à tarde, antes do jogo com o CSKA, na Luz. O dirigente fez questão de sublinhar, por altura da presença à mesa onde foi oficialmente apresentado o livro sobre a vida de José Águas [ver peça em baixo], que o facto de se falar constantemente das questões em torno da recuperação financeira do Benfica não pode inviabilizar a valorização de outros ícones: "A minha Direcção tem de humanizar a instituição. Vou propor a entrega da águia de ouro a todos os campeões europeus, quer a título póstumo, quer ainda em vida."

Não saio triste do Benfica
ROGER é hoje apresentado, em São Paulo como o mais recente reforço do Corinthians, um dos mais representativos clubes brasileiros, após o acordo com o Benfica ter sido alcançado na quarta-feira à noite. O médio viajou ontem de manhã para o seu país e na hora da despedida, Roger, que se comprometeu com a equipa paulista para as próximas quatro temporadas, admitiu a A BOLA estar entusiasmado com a opção que tomou, reconhecendo, contudo, alguma insatisfação com a situação que vivia nas últimas semanas no Benfica: "Não saio triste do Benfica porque a vida de um profissional de futebol é mesmo assim. Não estava a jogar e obviamente não podia estar satisfeito. Mas ainda tenho muitos desafios pela frente e, felizmente, com a componente financeira praticamente resolvida, vou representar um dos maiores clubes da América do Sul e espero conquistar muitos títulos." Benfica bem, Benfica mal... Terminado o período de empréstimo ao Fluminense, o médio ofensivo regressou a Lisboa, em Janeiro, durante o período de reabertura do mercado de transferências. Todavia, não voltou a vestir a camisola encarnada. Questionado sobre o actual momento do Benfica, Roger preferiu não entrar em grandes considerações. "Estive pouco tempo em contacto com a actual equipa do Benfica para ter uma opinião muito profunda. Vi algumas boas exibições, outras sofríveis", recordou. Chave da SuperLiga está no Dragão Ainda assim e porque difícil seria ignorar o clássico da próxima segunda-feira, no Estádio do Dragão, Roger considerou que o resultado do jogo entre primeiro e segundo classificados da SuperLiga poderá revelar-se decisivo na corrida ao título de campeão nacional. "O clássico com o FC Porto é um jogo-chave para o Benfica. Certamente que não vai definir o próximo campeão, mas estou seguro de que quem vencer vai ficar muito moralizado até ao final da SuperLiga. E essa vantagem emocional de uma forma geral também ajuda a conquistar campeonatos", considerou o internacional brasileiro, que se mostrou ainda muito optimista em relação à conquista da SuperLiga pelo Benfica: "Este ano, e em comparação com a primeira vez que cheguei a Portugal, parece-me que o Benfica dispõe de uma oportunidade única para se sagrar campeão. Qualidade no plantel, pelo menos, não falta", assegurou, despedindo-se em definitivo da equipa da águia.



quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Acredito na reviravolta
MISSÃO possível. É este o mote de Trapattoni para o encontro com o CSKA. O treinador italiano acredita que o Benfica tem solidez física e psicológica para marcar dois golos e anular a vantagem russa, embora alerte para os perigos do contra-ataque. Apesar do discurso confiante, a velha raposa deixou claro que o título que mais deseja é o de campeão nacional. Aconteça o que acontecer, o mundo não acaba esta noite.

Como é seu hábito, Trapattoni tomou a palavra para projectar a recepção ao CSKA. "Depois da derrota na Rússia, a equipa mostrou, frente ao V. Guimarães, que tem solidez psicológica e física. Sofremos um pouco na segunda parte, mas também jogámos bem, podíamos ter feito mais um golo. Acredito na reviravolta, estou certo que temos possibilidades de marcar dois golos ao CSKA, da mesma forma que o podíamos ter feito na Rússia. Ainda não decidi quem vai jogar, temos várias possibilidades e temos de avaliar a recuperação física de cada atleta", expressou. Seguiu-se a fase de perguntas dos jornalistas.
- Este é o jogo mais importante da época, até ao momento?
-O mais importante não é, são todos. Queremos seguir em frente na Taça UEFA, é sempre um objectivo importante para uma equipa famosa, e penso que podemos consegui-lo. Esta é uma semana importante em outras competições, uma vez que depois temos o FC Porto, para a SuperLiga, e em seguida a Taça de Portugal. Aqui estão em jogo 180 min u - tos, dos quais faltam disputar 90, mas é apenas uma competição, se as coisas não correrem como desejamos não vamos ficar fora de todas as competições. Uma equipa importante deve, no mínimo, conquistar um título. Eu preferia a SuperLiga, mas o jogo de amanhã é para a Taça UEFA e vamos tentar passar.

CSKA sem segredos

- Espera alguma surpresa do adversário?
- Em termos de jogadores não há surpresas. Temos de estar preparados é para o contra-ataque. Jogadores como Wagner e Olic, que também deve jogar, são muito rápidos na frente. Regressa também Zhirkov, que esteve castigado na primeira mão e é uma peça muito importante. O CSKA vai tentar marcar golos mas apenas em contra-ataque. Na segunda-feira sofremos um golo de cabeça com o V. Guimarães e poderão pensar que não somos muito bons nesse aspecto. Não lhes podemos dar espaço para isso, temos de ter muito cuidado com estas situações. Conheço todos os jogadores adversários , nesse aspecto não nos conseguirão surpreender, independentemente de quem forem os escolhidos.

Fazer... o habitual

- O que tem o Benfica de fazer?
- O que fazemos em todos os jogos. Lá também começámos bem, mas o relvado estava muito mau para nós, precisávamos de mais um ou dois segundos de controlo de bola para o nosso movimento de jogo habitual. Ainda assim, perdemos algumas oportunidades de golo. Amanhã [hoje], se jogarmos como na primeira parte do jogo com o V. Guimarães, ou como na primeira parte do encontro em Krasnodar, tenho a certeza de que podemos fazer dois golos.
- Mas não se afigura uma tarefa fácil...
- Vamos ver de novo o DVD do primeiro jogo, mas tenho a certeza que na frente e no meio-campo somos mais rápidos do que eles. Precisamos de ter muita lucidez, da mesma forma que tivemos com o V. Guimarães. Se jogarmos da mesma forma que o fizemos na primeira parte do jogo em Krasnodar, assim como frente ao V. Guimarães, temos qualidade, geometria e rapidez de jogo para causar dificuldades ao nosso adversário.

Falar com Miguel

- Miguel está em condições de jogar?
- Sim, está em condições. Vamos ver é se joga de início ou se entra depois, no decorrer do jogo. Vou falar com ele e tenho de ver como está também a condição de outros jogadores. Depois decidirei.

Revolta por processo sumaríssimo a Simão Sabrosa
Assim tem de haver 20 ou 30 jogadores castigados por jornada!
- Que comentário lhe merece o processo sumaríssimo a Simão Sabrosa?
- Já tive oportunidade de dizer que em Portugal vejo coisas que... Se esta situação merece castigo, então todas as jornadas há 20,30 jogadores que têm de ser castigados. E eu vejo todos os jogos, todos! Aqui joga-se de forma diferente dos outros países da Europa, já tive oportunidade de o dizer. A avaliação para amostragem de cartão amarelo, por exemplo, é diferente dos outros países. E eu não treinei apenas em Itália, há 30 anos que trabalho na Europa. Se o lance do Simão merece esta decisão, então todas as jornadas, em todos os jogos, há no mínimo 10, 20 jogadores na mesma situação! Acho que é o primeiro ano que a comissão disciplinar está a adoptar estas medidas, mas em Itália há muito, muito tempo que o fazemos. Temos um juiz para julgar com objectividade o lance, não apenas o gesto, pois a intenção é muito importante.
- O Benfica vai apresentar recurso e em princípio poderá defrontar o FC Porto...
- Temos de esclarecer esta situação com as pessoas que ajuizaram o lance. Depois logo se vê. Pessoalmente, e pelo meu conhecimento, penso que o Benfica deve apresentar recurso.

Miguel é a única dúvida
Miguel é a grande dúvida de Giovanni Trapattoni para o jogo com o CSKA. Embora tenha sido dado como apto pelo departamento médico, cumprindo, inclusive, os 90 minutos do jogo com o V. Guimarães, foi visível que o lateral-direito ainda não se encontra nas melhores condições físicas, factor que poderá levar o treinador a poupá-lo logo à noite. As cãibras que Miguel sentiu na fase final do jogo e que levaram companheiros e adversários a prestar-lhe o devido auxílio foram reveladoras das dificuldades que sentiu para aguentar uma partida tão intensa, cenário que deverá repetir-se esta noite. O Benfica precisa de três golos para ultrapassar a eliminatória e só com muito suor e sacrifício será possível alcançar este objectivo. No fundo, terá de ser o próprio Miguel a esclarecer Geovanni Trapattoni sobre a sua condição física e dizer, de forma explícita, se está preparado para suportar as exigências de uma partida tão importante para o futuro imediato da equipa. Ontem, tanto o preparador físico como o técnico principal estiveram muito atentos a Miguel, que acabou a treinar normalmente com os companheiros. Primeiro, foi Fausto Rossi a acompanhar, a um passo de distância, os exercícios específicos que o jogador esteve a fazer, afastado do círculo onde os companheiros trocavam a bola e depois, talvez no detalhe mais importante do treino, foi Giovanni Trapattoni quem chamou o seu pupilo para uma conversa a dois. O mais provável será Miguel alinhar apenas numa parte do encontro. Provavelmente, começará no banco, podendo ser utilizado no decorrer da segunda parte, se o jogo assim o justificar. Nesse âmbito, Geovanni ou João Pereira, jogadores que actuam na direita, são os primeiros candidatos a serem substituídos, mas se for possível poupar o lateral-direito titular para o jogo com o FC Porto, Trapattoni não hesitará. Nesse caso, Miguel só regressaria segunda-feira à noite, no difícil teste do Dragão.

Pontaria afinada
GOLOS. Aí está a palavra que esta noite se espera ver pronunciada várias vezes... e em português. Os encarnados precisam de anular uma desvantagem de dois a zero acumulada no desafio da primeira mão, em Krasnodar, e a tarefa não se adivinha nada fácil. Trapattoni e os seus pupilos acreditam que será possível aos encarnados seguirem em frente rumo aos oitavos de final. Assim a pontaria esteja afinada... e as redes de Quim permaneçam invioladas.

Não é uma tarefa fácil a que espera o Benfica esta noite. Depois da derrota por 2-0 no encontro da primeira volta, na Rússia, mais concretamente em Krasnodar, a águia precisa de golos para alimentar a esperança de marcar presença nos oitavos de final da Taça UEFA. Jogará, então, Trapattoni deliberadamente ao ataque? É um risco que dificilmente o treinador italiano aceitará correr. O CSKA é uma equipa que explora bem os lances de contra- ataque, tem jogadores que concretizam na perfeição essa filosofia, e Trap sabe que se a sua equipa sofrer um golo estará tudo praticamente perdido. Jogadores e equipa técnica dos encarnados acreditam que será possível marcar dois golos aos russos, empatando a eliminatória e deixando tudo em aberto. Este é, por isso, um jogo decisivo para as ambições europeias dos encarnados. Miguel ausente Para o ataque aos russos, Giovanni Trapattoni deverá apostar na mesma equipa que jogou de início em Krasnodar, ou seja trocando Miguel por João Pereira em relação ao confronto de segunda-feira à noite, com o V. Guimarães. O internacional português não se encontra ainda fisicamente nas melhores condições e tudo indica que o treinador não desejará arriscar de início a colocação de um jogador que procure resguardar-se. João Pereira jogou poucos minutos na segunda, está mais fresco e seguramente que receberá instruções para explorar os lances ofensivos rápidos. Situação idêntica no flanco oposto. Fyssas actuou no último encontro da SuperLiga, e tudo leva a crer que cederá hoje o seu lugar a Dos Santos, igualmente mais fresco para apostar no apoio às investidas de Simão Sabrosa rumo à baliza defendida por Akinfeev. Apoucos dias de um exigente compromisso no campeonato português, com a deslocação ao Dragão, o Benfica terá de dar o tudo por tudo na UEFA. Lutando contra o cansaço de jogos consecutivos, contra o estigma histórico que diz que os encarnados nunca deram a volta a um resultado desfavorável por 2-0 e, acima de tudo, contra a falta de paciência dos adeptos. Pontaria afinada, exige-se.

Adeus, Roger!
ROGER é o mais recente reforço do Corinthians, após o enviado do MSI a Lisboa, o empresário Giuliano Bertolucci ter quase tudo acertado, com a SAD encarnada, para a transferência para o clube paulista se concretizar. O contrato é de quatro anos. A namorada do jogador, Adriane Galisteu, foi a primeira a divulgar publicamente a notícia, no seu programa televisivo.

Foram muitos os sorrisos naquele que terá sido o último treino de Roger no BenficaGiuliano Bertolucci encontrava-se em negociações adiantadas com os dirigentes encarnados desde terça-feira, mas o facto de o MSI pretender pagar apenas 3 milhões de dólares, contra os 3 milhões de euros pretendidos pelo Benfica provocaram um impasse. Os números finais não foram divulgados, mas terá sido a pronta intervenção do presidente do MSI, o iraniano Kia Joorabchian a desbloquear a situação. Aliás, perante o silêncio dos clubes, foi a namorada de Roger quem deu em primeira mão a notícia da transferência no seu programa televisivo. Desta maneira chega ao fim o calvário de Roger em Portugal, iniciado na época de 2000-01, quando serviu de bandeira eleitoral a Manuel Vilarinho. Nessa época, com Toni no comando técnico da equipa, Roger foi utilizado em 12 ocasiões, tendo apontado apenas dois golos. Razões mais que suficientes para ditar o seu empréstimo ao Fluminense, equipa de onde se tinha transferido para a Luz. O menino do Rio, como ficou conhecido, regressaria ao Benfica em 2002-03, mas as estatísticas voltaram a ser-lhe desfavoráveis. Em 13 jogos, voltou a apontar dois golos e após iniciar a época seguinte na Luz, o Fluminense voltou a ser o seu destino. Regressou agora, em Janeiro último para ser inscrito, mas sem ter jogado um único minuto.

Inadaptado à Superliga

Senhor de excelentes recursos técnicos, Roger nunca se adaptou, no entanto, ao futebol português. Algumas jogadas reveladoras da sua qualidade técnica e alguns golos de levantar o estádio, não foram suficientes para convencer nenhum dos treinadores com que trabalhou na Luz. O principal obstáculo residiu sempre no facto de ser um jogador que gosta de ter a bola nos pés, mas pouco dado a compensações defensivas. A velocidade também não é o seu forte, pormenor relevante para quem quer vencer no futebol europeu. Acresce ainda dizer que o salário principesco de Roger está longe de condizer com o baixo rendimento atingido entre nós. Por tudo isto, a transferência para o Corinthians acaba por deixar todas as partes satisfeitas. O clube brasileiro aguarda apenas que o jogador faça os necessários testes médicos para anunciar a concretização de um velho sonho, o Benfica liberta-se de encargos onerosos com um jogador que nenhuma contribuição tem dado à equipa e Roger vai, finalmente, poder mostrar os seus dotes num dos maiores clubes do seu país.



quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Sumaríssimo a Simão mas joga no Dragão
UM lance, aparentemente casual, com Alex, do Vitória de Guimarães, colocou Simão sob a alçada da Comissão Disciplinar da Liga. Mas o Benfica vai recorrer do sumaríssimo, pelo que a sua presença no clássico não está em causa.

Simão Sabrosa viu a Liga instaurar-lhe um processo sumaríssimo, mas a sua presença no clássico do Estádio do Dragão não está em risco. O capitão do Benfica foi protagonista de um lance aparentemente casual com o jogador do Guimarães, Alex (minuto 83),mas assim não o entendeu a Liga de Clubes que ontem emitiu um comunicado, dando conta de que foi instaurado um processo sumaríssimo ao jogador encarnado, ao abrigo dos artigos 172, nº 5 e art. 189, ambos do regulamento disciplinar da Liga, sendo proposta uma punição de dois jogos de suspensão e multa de mil euros. No lance em questão, transmitido pela televisão, Simão salta com Alex e o vimaranense cai no relvado, queixando-se de dores na face. Na repetição não se vê, no entanto, qualquer intenção de o jogador encarnado agredir o adversário. O próprio Alex considerou o lance normalíssimo, saindo em defesa do capitão encarnado (ver caixa).

Benfica recorre

O Benfica tem 48 horas para contestar a decisão da Comissão Disciplinar da Liga. A acontecer esta medida, o processo será de imediato suspenso até decisão final. Ou seja, não corre, por isso, Simão Sabrosa, o risco de falhar o jogo com o FC Porto, que se disputa na segunda-feira. Mas, a manter-se a decisão da Comissão Disciplinar e se houver celeridade no processo, o capitão ficaria impossibilitado de defrontar o Nacional da Madeira, na 24.ª jornada da Superliga. Neste contexto, Simão Sabrosa ficaria ainda impedido de defrontar o Gil Vicente no jogo seguinte, mas tudo vai depender do timing em que a disciplina da Liga tomar uma decisão decisiva sobre o seu caso. Desde o início da época, esta é a primeira vez que um jogador encarnado é vítima deste tipo de processo. Até agora, apenas se tinham aplicado sumaríssimos a jogadores do FC Porto, com Benni MacCharty reincidente, e depois, Pedro Emanuel e Seitaridis. Nem, do Sp. Braga, também já foi alvo da justiça baseada em imagens televisivas. Na Luz, a indignação é a palavra de ordem. Os dirigentes preferem, para já, accionar os mecanismos legais para defender o atleta.

É um exagero
Alex, lateral-direito do Vitória de Guimarães, foi protagonista do lance que ditou a abertura do processo sumaríssimo a Simão Sabrosa, mas ele próprio não esconde a surpresa perante a decisão da Comissão Disciplinar da Liga. "Em minha opinião, é um exagero. Não houve qualquer maldade da parte de Simão, foi apenas um lance normalíssimo no futebol", considerou. Recordando o lance para A BOLA, Alex considera que os dois saltaram e Simão apenas usou o braço para tentar chegar mais alto, atingindo-o sem querer. E acrescenta: "Se a Liga começasse a punir os jogadores por causa deste tipo de lances, todas as semanas haveria dezenas de sumaríssimos. Pessoalmente, acho despropositada esta decisão. " Alex confessou também ter falado ontem sobre o assunto com Simão, que considera um amigo, até porque foram colegas de quarto quando representou o Benfica e volta a defender a inocência do adversário directo. "Sou amigo do Simão, alguma vez ele iria agredir-me? É um grande profissional e não teve qualquer intenção de me atingir", reiterou. Alex garantiu ainda não ter havido qualquer lesão resultante desse lance, presumindo que se tratou, tão-só, de um choque entre os dois, num lance aéreo. "Este tipo de situações é normal e se tivesse havido uma agressão premeditada tê-la ia reconhecido ".

Sorri Ricardo
RICARDO ROCHA apareceu ontem no relvado do Estádio da Luz para fazer corrida. Sorria e abria sorrisos nos benfiquistas que desejam o seu regresso à competição no jogo com o FC Porto, dia 28.

Quando subiu ao relvado do Estádio da Luz Ricardo Rocha concentrou em si as atenções. O defesa está a recuperar de uma lesão muscular na coxa esquerda contraída em Braga e a evolução está a ser francamente positiva. Atrás de Ricardo Rocha vinha o incansável Rodolfo Moura, que supervisiona a recuperação do central. Rocha começou então a fazer corrida, numa primeira fase acompanhado pelo jovem João Vilela, depois sozinho. Cerca de 20minutos de trabalho físico, que ontem conheceu uma nova etapa, a entrada numa fase mais próxima da recuperação total. Neste momento, a discussão em torno de Ricardo Rocha refere-se à possibilidade de recuperar para o jogo do Dragão, na próxima segunda-feira. Apesar da míngua de informações, conhecendo-se o natural conservadorismo em matéria de previsões, as previsões apontam para a existência da possibilidade de Ricardo Rocha recuperar até esse jogo. Ou seja, pode nem ser o cenário mais provável, mas não deixará de ser viável. O que aumentaria o leque de opções de Trapattoni, que tem Luisão e Alcides disponíveis, além de Eduardo Simões, da equipa B, de prevenção.

André Luís em tratamento

Depois de ter feito trabalho de campo no relvado, Ricardo Rocha regressou ao importante trabalho de bastidores, onde se cruzou com o brasileiro André Luís. O também central do Benfica foi a única ausência na sessão de trabalho de ontem. Ou melhor, o único jogador que não esteve no relvado, já que se encontra a fazer tratamento e treino específico para debelar a lesão muscular na coxa da perna direita.

Luz despede-se do centenário
NO próximo dia 28, o Benfica encerra as comemorações do Centenário e cumpre o 101.º aniversário. Para fechar em beleza, em dia de clássico com o FC Porto na Invicta, haverá muita música e a transmissão do jogo em ecrãs gigantes.

Segunda-feira termina a festa do Centenário e assinala-se o 101.º aniversárioA equipa principal estará no Porto a discutir a liderança da SuperLiga com os dragões, mas em Lisboa, no Estádio da Luz, haverá uma prolongação da festa. No dia 28, segunda-feira, vai cantar-se os parabéns ao Benfica. A festa vai marcar o encerrar das comemorações do Centenário do clube, que foi assinalado pelo lançamento de livros, de um novo equipamento e até de uma sinfonia de meia hora escrita pelo maestro Vitorino D'Almeida, entre outras iniciativas. Ao mesmo tempo, claro, assinala também o 101.º aniversário do clube encarnado. Para esta festa, a música vai ser servida em grandes doses e espera-se que o futebol sirva também uma grande dose de entusiasmo para uma noite em grande.

Música para todos os gostos

Assim, estão convidados para a festa vários artistas que habitualmente animam as festas dos encarnados, alguns deles adeptos confessos do clube, como os Anjos, os Gig, José Cid, os Pólo Norte, os UHF, que têm um dos hinos do clube, a Ala dos Namorados, os Killers, os Toranja e Francisco Menezes. Além disso, três gatos fedorentos, Miguel Góis, Ricardo Araújo Pereira e Tiago Dores, habituais colaboradores nas noites dos jogos, vão participar também com alguns sketches humorísticos. Para que nada falte e os adeptos.



terça-feira, fevereiro 22, 2005

Benfica 2 - Guimarães

12 m
1-0, por Geovanni, que inicia e conclui a jogada, depois de passagem de luxo por Nuno Gomes.

43 m
2-0, por Nuno Assis. Petit, aproveitando distracção da defesa vimaranense, marca rapidamente um livre para Geovanni na direita. O cruzamento atrasado é óptimo, Nuno Gomes ajeita e Nuno Assis fuzila.

Arbitragem

HÉLIO SANTOS (5)
Perdeu-se no meio de tanta apitadela. Começou bem, seguro, mas sobretudo na segunda parte parou o jogo vezes de mais e teve erros de julgamento, ainda que nenhum determinante. Regular na disciplina

Melhor em Campo

GEOVANNI (8)
Chamam-lhe o Soneca, pela forma tranquila de ser que o caracteriza e também por, muitas vezes, transportar para dentro de campo essa particularidade. Pois bem, ontem foi ele que acordou o jogo. Brilhante na mudança de velocidade, no drible e no entendimento com Nuno Gomes. Foi excelente toda a jogada do primeiro golo. Também foi Geovanni que cruzou para os dois Nunos fabricarem o segundo golo. Como se não bastasse, o Soneca esteve de olho vivo a defender. Grande exibição do brasileiro.

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Trapattoni gostou da resposta
ALIVIADO e com a consciência da gestão possível dos jogadores, muitos deles fatigados com tantos jogos acumulados. Giovanni Trapattoni surgiu na sala de Imprensa satisfeito com a qualidade da sua equipa, principalmente pelos primeiros 45 minutos, nos quais o Benfica «jogou muito bem e marcou dois bons golos. A vitória foi justa ». «Foi uma boa resposta à derrota com o CSKA. A principal barreira que se colocava à nossa equipa prendia-se com uma questão de moral e penso que globalmente conseguimos voltar a ter confiança. Ainda para mais o FC Porto tinha ganho o seu jogo e era muito importante colarmo-nos ao nosso adversário. É este o caminho que temos de seguir até Maio», vincou o técnico, sorridente.

Miguel esforçado

Mas o Benfica sofreu para amealhar os três pontos. Tudo por causa de «um golo infantil» que o impediu de gerir a equipa como queria. «Com dois a zero teria possibilidade de poupar alguns jogadores. Eu tinha dito ao Miguel, por exemplo, que o iria retirar de campo aos 15 minutos do segundo tempo, mas depois tive de repensar. Também queria poupar Simão, mas só tive possibilidade de fazer descansar Nuno Assis», explicou Trapattoni, dissecando depois o tal «golo infantil sofrido»: «O problema não foi no facto de Miguel saltar ou não saltar. O problema vem de trás, pela forma como os jogadores do Vitória conseguiram prosseguir com a bola e fazer o cruzamento para a área. Amanhã [hoje] vamos rever em grupo esse golo.»

Vamos marcar dois golos ao CSKA

Vencido o V. Guimarães, segue-se o CSKA, para a Taça UEFA, e a certeza de que a equipa vai ter menos pressão que no jogo de ontem, além da confiança exacerbada na capacidade dos seus jogadores em dar a volta à eliminatória. «Se jogarmos na quinta-feira como jogámos na primeira parte hoje [ontem], acredito que vamos marcar dois golos. Três não sei, mas dois marcaremos de certeza», disparou o treinador italia - no, num raro rasgo de optimismo para o exterior, mas que também encontra ecos nas paredes da Luz.

Não façam mau augúrio! Podemos vencer o FC Porto!

O facto de Benfica e FC Porto estarem agora colados no primeiro lugar já começa a criar grande expectativa para o encontro (decisivo?) no Dragão. Trapattoni não quis alongar-se muito, mas confrontado com a história, reagiu: «Não façam mau augúrio! Sou positivo. Podemos vencer o FC Porto!» A equipa treina-se hoje na Luz, às 11 horas.

Treinador condena agressão
Giovanni Trapattoni não escondeu a tristeza quando chegou ao balneário e viu João Pereira a sangrar da boca, depois de ter sido agredido no relvado, já no final do jogo, por Rafael. "É pena, muita pena, uma agressão daquelas. O jogo foi duro mas foi correcto", frisou o italiano. A cena foi captada pelas câmaras de televisão e testemunhada pelo auxiliar. De resto, coube a Alcides a tarefa de acalmar o jovem João Pereira, que estava revoltado e foi mostrar ao árbitro os estragos do soco que levou. Por outro lado, Quim agarrou de imediato Rafael e protestou por tão impensado e condenável gesto. Os dois jogadores ainda se cruzaram no túnel de acesso aos balneários e uma câmara da SportTV captou uma correria de jogadores do relvado para o túnel como se algo se passasse entre ambos. Testemunhas oculares garantem que nada de especial se passou.

Nuno Assis
«A nossa primeira parte foi muita boa»

«O objectivo era ganhar e isso foi conseguido. Vínhamos de um derrota na Taça UEFA e não queríamos perder a liderança do campeonato. Sabíamos que o jogo iria ser complicado uma vez que tínhamos jogado a meio da semana. Foi visível que alguns jogadores estavam cansados. A nossa primeira parte foi muita boa, mas no segundo tempo acusámos o esforço que despendemos na passada quinta-feira, frente ao CSKA.

Agora vamos pensar na partida da segunda mão com o CSKA. Penso que temos boas possibilidades de seguir em frente na Taça UEFA. Vamos descansar bem e preparar convenientemente o jogo da próxima quinta-feira».



segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Árbitros não devem ter medo!
TRAPATTONI considera que a equipa atingiu um bom "equilíbrio" entre as vertentes "física " e "anímica", razão pela qual está optimista para o jogo com o V. Guimarães. E, se a arbitragem saltou para o centro das atenções, Trap pede aos árbitros que cumpram o dever e sejam corajosos, ao mesmo tempo que estranha não ter sido marcada grande penalidade contra o FC Porto, no Restelo.

Trap continua a dizer que vê emPortugal coisas que não se passamno resto da Europa e é da opinião que ficou por marcar um penalty no Restelo, contra o FC Porto- Como avalia o estado da equipa para o jogo com o Vitória?
- Normalmente falo com os jogadores depois de cada jogo. Quis avaliar o equilíbrio psicológico e físico dos jogadores. Em véspera de mais um jogo importante disse-lhes que para o ganhar é necessário ter esse equilíbrio. E penso que nesta altura nós temos esse equilíbrio. A SuperLiga é difícil para todos, em todos os jogos existe um grande equilíbrio táctico e técnico. Ganha quem tenha esse equilíbrio físico e psicológico e, naturalmente, um pouco mais de sorte. Contra o Guimarães é sempre um jogo muito difícil. Ganhámos em Guimarães num jogo muito difícil e demonstrámos ter qualidade para voltar a ganhar.
- A equipa está em condições de reagir bem à derrota com o CSKA?
-Penso que sim, porque já falei com os jogadores. Uma equipa que está a crescer, uma equipa experiente como o Benfica, não pode ficar a pensar no que aconteceu no último jogo. Tem de pensar sempre positivamente em relação ao futuro. Se podemos igualar o FC Porto no topo, temos de manter esse equilíbrio. Apesar das dificuldades na Taça UEFA, na SuperLiga, melhorámos muito de Agosto até hoje.
- O que pensa do V. Guimarães?
- Vale como equipa, como um todo. É certo que perderam Nuno Assis mas têm outros jogadores de qualidade. Em contra-ataque é uma equipa muito difícil, com uma atitude muito boa. Vi o jogo que fizeram com o FC Porto, empataram muito bem. Nós jogamos na Luz. Vamos jogar para ganhar e teremos de ter cuidado no contra-ataque
- Era importante ir às Antas defrontar o FC Porto em igualdade pontual?
-Nós pensamos assim: e porque não ganhar no Porto? O que nos impede disso? Eles ganharam na Luz porque não validaram um golo nosso. Nós também podemos ganhar no Porto. Há que ter essa confiança, positiva.
- Viu o Belenenses-FC Porto?
-Vi.
- O que achou da arbitragem, em especial do polémico lance entre Ricardo Costa e Lourenço?
- Já disse uma vez que cada país tem os seus usos, os seus hábitos. Ando há 30 anos pela Europa e vejo coisas cá que não se passam lá fora. Pela televisão parece que é grande penalidade a favor do Belenenses. E lembrei-me logo do jogo do Benfica em Guimarães, em que o árbitro [Jorge Sousa] marcou uma grande penalidade por lance entre Luisão e Romeu, em que o Luisão apenas pôs o braço assim [encostado] no Romeu.
- Houve dualidade de critérios?
- Não quero polémica. Quero que os árbitros façam o seu trabalho. Repito: que façam o seu trabalho. Não quero ouvir o que dizem deles, que isto, que aquilo...
- Manuel Machado, treinador do V. Guimarães, disse que não tinha vontade de se deslocar a Lisboa, reagindo à escolha do árbitro Hélio Santos. Quer comentar?
- Respondo assim: se fosse dar ouvidos ao que falam do FC Porto teria de dizer que não vou entrar em campo, que não vamos sequer começar a SuperLiga. Mas não posso ligar ao que dizem do Porto. Ao meu colega Manuel Machado digo: por vezes eu também acho que os árbitros marcam mal algo contra nós mas cabe ao árbitro decidir. Não sou preconceituoso com nenhum árbitro. Digo que um árbitro tem um coração, dois olhos e não deve ter medo. Não devem ter medo de nada, de nenhuma equipa. Quer se chame Porto, Benfica ou outra qualquer. Repito o que disse à pouco: na televisão parece que houve penalty contra o FC Porto mas o árbitro não apitou. Mas em Guimarães apitaram...

Viram o Real Madrid?
Giovanni Trapattoni defendeu ontem Nuno Gomes, apesar de a crítica lhe apontar estar longe da forma ideal e que já mostrou no passado. "Seguramente vai continuar a jogar. Nuno Gomes tem confiança com Simão ou mesmo Nuno Assis. Está a jogar bem. Falta um golo, é certo. A um avançado não é fácil marcar sempre. Nem sempre se pode marcar, importante é procurar a oportunidade e o Nuno Gomes procura", frisou o treinador. Questionado sobre outras opções, referiu Karadas mas nem se alongou em comentários por considerar que "a equipa neste momento está equilibrada ", logo não equaciona o regresso ao esquema de dois pontas-de-lança. E não pensará o treinador dar mais poder ofensivo à equipa? Trap empertiga-se com a pergunta e responde célere: "Equipa mais ofensiva? Se calhar o Real Madrid é a equipa mais ofensiva do Mundo e perdeu 2-0 no último jogo. Não são os nomes ou número de avançados que definem se uma equipa é ou não ofensiva. É a atitude da equipa."

Miguel e Petit vão jogar
MIGUEL já está 100 por cento recuperado de lesão, Petit chegou a ser poupado mas as queixas musculares não o impedem de continuar a jogar. Ambos estarão hoje no relvado da Luz para defrontar o Vitória, garantiu Trapattoni. A maior dúvida no onze vai para o lado esquerdo da defesa: Dos Santos ou Fyssas. O grego parece levar alguma vantagem pelo número de vezes que, esta semana, foi testado.

Trapattoni pode contar com dois jogadores fundamentais na estratégia da equipa: Petit e MiguelEm relação ao onze base dos últimos jogos, os benfiquistas não deixarão de saudar o regresso de Miguel, depois de ter debelado a lesão muscular na coxa direita. O jogador, em termos clínicos, até já poderia ter defrontado o CSKA mas entendeu o treinador não arriscar. No treino de ontem Miguel foi utilizado na equipa titular, o que indicia desde logo que é no onze que Trap o pretende incluir, sendo que segura é a vontade do treinador em utilizá-lo, sem desvendar se de início se com o jogo em andamento. Dúvidas desfeitas também em relação a Petit, que foi poupado no treino de anteontem. O médio, tal como Miguel, envergou colete no jogo de ontem e alinhou ao lado dos prováveis titulares. Como não apresentou queixas de maior será titular. O jogador ressentiu-se de esforço muscular, foi poupado e avaliado e ontem já se sentia melhor o suficiente para se treinar com os companheiros de plantel. Fyssas... ou Dos Santos? Uma das dúvidas no onze do Benfica reside no lado esquerdo da defesa. Dos Santos tem sido o eleito nos últimos jogos mas Fyssas, no balanço de toda a época, leva vantagem. Esta semana foi o próprio treinador a alimentar a dúvida nos jornalistas - que não obrigatoriamente uma dúvida pessoal - ao testar, alternadamente, Fyssas e Dos Santos na equipa titular. No último ensaio da semana a escolha foi para o grego, que, neste contexto, se apresenta como favorito à titularidade no jogo desta noite. No mais não se esperam novidades. Quim senhor da baliza; Luisão e Alcides no centro da defesa; Petit e Manuel Fernandes no miolo; Geovanni, Assis e Simão em cunha com Nuno Gomes.



domingo, fevereiro 20, 2005

Alarme por Petit
Ainda a recuperar de uma pancada na coxa direita, o jogador revelou cansaço muscular e abandonou o treino de ontem, para realizar trabalho apenas no ginásio. É provável que esteja em condições de jogar amanhã, mas a dúvida é se Trap o vai poupar neste desafio para o ter a cem por cento frente ao CSKA e, principalmente, no confronto com o FC Porto.

O jogador falou com os médicos, também com José Veiga e Trapattoni, e abandonou a sessão passados cinco minutosFundamental a meio-campo, Petit tornou-se numa das maiores preocupações dos benfiquistas para os próximos jogos. O médio esteve ontem no Jamor, onde a equipa se treinou, mas saiu quando estavam decorridos apenas cinco minutos. Ficou a falar com os médicos do clube, junto à carrinha de apoio, correu mais um pouco com os companheiros e acabou por regressar à Luz, de carro e para realizar trabalho no ginásio. Durante o jogo contra o Sp. Braga, sofreu uma pancada e desde então que utiliza uma coxa elástica na perna direita, para se treinar e também para jogar, como aconteceu na Rússia, frente ao CSKA. Provavelmente na sequência desta lesão, acusou ontem cansaço muscular e, por precaução, os clínicos do clube entenderam que se seria melhor poupá-lo. A mesma opinião terá Trapattoni, que falou um pouco com Petit antes de retomar os trabalhos com o grupo e sem o médio. O enorme espírito de sacrifício deste jogador e a natureza da lesão, que não parece ser grave, indicam que provavelmente estará em condições de ser utilizado amanhã, frente ao V. Guimarães. Mas há semanas que Petit sente algumas limitações, até visíveis em campo, e é possível que o técnico italiano o deixe de fora deste desafio... para o ter a cem por cento na próxima quinta-feira, no duelo com o CSKA, e dia 28 no Dragão.

Miguel já tem colete de titular
COMPLETAMENTE recuperado. Miguel treinou-se em ritmo intenso e, depois de ficar na bancada frente ao CSKA, tudo indica que vai recuperar a titularidade já amanhã, frente ao V. Guimarães. Esta época, o lateral-direito já falhou 11 jogos por lesão.

Miguel continua a ser dos jogadores mais acarinhados pelos adeptosGiovanni Trapattoni levou Miguel para a Rússia e para o compromisso europeu frente ao CSKA, mas, depois de algum trabalho específico com o defesa, acabou por deixá-lo na bancada. Ontem, no treino que o plantel realizou no Jamor, durante a manhã, acabaram- se as dúvidas: Miguel já não tem limitações, não precisa de cuidados especiais e está pronto para voltar à equipa. A sua influência na estratégia de Trap faz acreditar que será titular no jogo de amanhã, frente ao V. Guimarães, relegando João Pereira para o banco de suplentes encarnado. Esta época, Miguel já falhou 11 jogos por lesão e, o mais curioso, é que quando regressou foi sempre titular e cumpriu os 90minutos na SuperLiga. Ou seja, o treinador italiano não prescindo internacional português, sempre que ele se apresenta em boas condições. Na sessão de ontem, para o lateral esteve reservado um colete branco, provavelmente de titular. Luisão e Alcides também tiveram direito à mesma cor e Dos Santos foi o defesa esquerdo que mereceu essa atenção. Tendo em conta a habitual rotatividade no plantel e que Fyssas já recuperou de gripe, é possível que Trapattoni opte por jogar com o grego, mas, pelo que se viu ontem, Dos Santos leva vantagem.

Rocha e André Luís em tratamentos

Ricardo Rocha e André Luís são, neste momento, os únicos dois jogadores lesionados. Continuam na Luz, em tratamentos, como tem sido habitual nos últimos dias. Ambos recuperam de roturas e fica a dúvida, forte, se voltam a tempo de jogarem frente ao FC Porto, no próximo dia 28. Tendo em conta estas ausências, Trap continua a trabalhar com Eduardo Simões - defesa-central da Equipa B - integrado no plantel. O técnico italiano insistiu no treino com a circulação de bola num curto espaço de terreno. Foi, portanto, uma sessão de muito contacto e intensa, tornando possível avaliar melhor a actual condição física de Miguel.

Empresário traz propostas para Luisão e Roger
ROGER está perto de dizer adeus em definitivo ao Benfica. O empresário Giulliano Bertolucci chega hoje a Lisboa, mandatado pelo Corinthians e pelo MSI, para negociar o brasileiro... Mas também traz na mala o interesse do Inter de Milão por Luisão e podem ser dados alguns passos importantes para a transferência no final da temporada.

O Corinthians está determinado em contratar o menino do Rio, através do MSI, grupo empresarial responsável pela injecção de capital. Nesse sentido, o empresário Giulliano Bertolucci foi escolhido como intermediário da operação. Recorde-se que Bertolucci - responsável pelas transferências de Luisão e Alcides para a Luz - tem excelentes relações pessoais com os dirigentes encarnados. O emissário esteve ontem à tarde na Holanda, para assistir ao encontro entre o PSV Eindhoven e o NEC Nijmegen, tendo rumado depois a Portugal. Bertolucci vai sentar-se hoje à mesa com José Veiga e a intenção das partes é não deixar arrastar mais a situação, até porque as inscrições para o Paulistão encerram no dia 25. A B O - LA contactou Paulo A n g i o n i , director do futebol do clube brasileiro, que se mostrou optimista . "A reunião será amanhã [hoje]. Há obstáculos a ultrapassar, mas acredito que tudo vai correr bem. O Roger é um jogador que nos interessa desde que compatível com os valores que entendemos ser razoáveis. Temos tido várias conversas com o Benfica, mas sempre por telefone, esta é a primeira vez que vamos sentar-nos frente a frente", disse. O nosso jornal falou igualmente com Mauro Azevedo, representante de Roger. "Estou a aguardar novidades", referiu. Quanto à possibilidade do jogador baixar o salário, jogou à defesa: "Primeiro vamos ver se há acordo entre clubes". O vice do Corinthians, Andrés Sanchez, falou ontem sobre o mesmo tema. "Ainda não falámos com Roger , mas sabemos que quer jogar no Corinthians. Ele ganha 175 mil dólares lá [134 mil euros] e sabe que aqui o valor será mais baixo", esclareceu, acrescentando que o negócio já teria sido fechado se o Benfica pedisse três milhões de dólares [2,3 milhões de euros] em vez de três milhões de euros.

Inter avança por Luisão

Bertolucci também é o representante de Luisão e A BOLA sabe que o empresário tem conhecimento do interesse do Inter de Milão no internacional brasileiro e, na reunião de hoje, vai também discutir a possibilidade de transferência no final desta temporada. O Benfica tem apenas 25 por cento do passe do jogador.



sábado, fevereiro 19, 2005

Nem tempo há para ir a casa

Os jogadores do Benfica vão entrar numa fase em que quase não vão ter tempo para ir a casa. Chegaram ontem de madrugada e às 10.30 horas já se treinavam na Luz (situação que não terá sido bem recebida no grupo, atendendo ao cansaço do jogo e viagem desde a Rússia). Entre estágios e jogos, a competição vai apertar.

O plantel benfiquista já se encontra a preparar o encontro com o V. Guimarães e, daqui para a frente, contam-se pelos dedos de uma mão os dias e as noites disponíveis que os jogadores vão poder dedicar às famílias. Chegaram da Rússia ontem de madrugada e às 10.30 horas já trabalhavam na Luz, depois de poucas horas dormidas num hotel.
No próximo domingo entram novamente em estágio, para o jogo contra o V. Guimarães. Segue-se um «olá» rápido aos familiares e toca a preparar o jogo de quinta-feira, frente ao CSKA. A seguir, sem tempo para respirar, estágio em Óbidos para o jogo no Dragão, frente ao FC Porto. Realmente, nem tempo há para ir a casa.

Sem margem de erro
O BENFICA ainda não ganhou qualquer jogo desde que se iniciou o ciclo diabólico Fevereiro/Março, durante o qual esgrime forças em três frentes. Depois do empate em Braga, para a SuperLiga, e da derrota em Krasnodar, diante do CSKA Moscovo, a trilogia que segue — V. Guimarães, CSKA e FC Porto—não permite margem de erro.

Giovanni Trapattoni tem pela frente três desafios, nos quais o «seu» Benfica não pode falhar. A palavra também pertence, agora, ao treinadorO Benfica saiu ferido das duas primeiras batalhas, mas a guerra não está perdida. Os dois pontos cedidos em Braga e a comprometedora derrota com o CSKA não têm carácter decisivo, embora na Taça UEFA a tarefa dos encarnados tenha ficado complicada.
Foi o próprio Giovanni Trapattoni quem classificou de decisivo o período competitivo que preenche o calendário do Benfica até aos primeiros dias de Março, altura em que os homens da Luz poderão respirar fundo e fazer o balanço intermédio dos prejuízos ou ganhos nas três frentes.
Se é verdade que nada está perdido, deve reconhecer-se que a margem de erro é, agora, substancialmente reduzida, para não dizer nula. Os dois primeiros compromissos vão jogar-se no Estádio da Luz: V. Guimarães e CSKA de Moscovo. No primeiro caso, o Benfica não pode dar-se ao luxo de perder pontos em casa no actual contexto da luta pelo título; no segundo caso, joga-se a continuidade das águias numa prova em que se esperava que chegassem mais além. Ainda é possível. Depois, o jogo quente da jornada 23: FC Porto-Benfica. Um resultado menos positivo do Benfica poderá colocar o título mais longe, ao passo que uma vitória seria tónico importante para a recta final. No caso de empate, os dragões têm a seu favor a vitória na Luz, na primeira volta, ganhando por isso vantagem no confronto directo (situação relevante face ao equilíbrio que se tem registado no topo da tabela classificativa).

Beira-Mar, Nacional e... respirar fundo

Depois da trilogia acima referida, o Benfica vai dar cartas na Taça de Portugal, recebendo o Beira-Mar, hóspede que não esteve com cerimónias aquando do jogo da SuperLiga (vitória por 2-0 em pleno Estádio da Luz).
E porque a dança só pára quando acaba a música, o ciclo diabólico obriga a equipa de Trapattoni a nova deslocação tradicionalmente complicada, para defrontar um Nacional em franca recuperação. Tempo então para respirar fundo, contar espingardas e ver até que ponto as aspirações do Benfica foram ou não beliscadas com vista à não menos exigente recta final da temporada.

Mudanças laterais
O eixo defensivo mantém-se mas as alas devem registar alterações. Esta deverá ser a grande novidade que os benfiquistas podem esperar para o próximo encontro, frente ao V. Guimarães. Miguel deverá, finalmente, regressar à titularidade, ao passo que Fyssas poderá render Dos Santos, segundo a lógica de rotatividade operada por Giovanni Trapattoni naquela posição. Ambos treinaram-se ontem sem limitações na ressaca russa...

Muito dificilmente o Benfica irá apresentar-se, segunda-feira, frente à formação comandada por Manuel Machado, com o mesmo onze que perdeu (0-2) em Krasnodar, com o CSKA. Não se trata de qualquer medida correctiva pela derrota, antes a gestão de um plantel que começa a acusar fadiga competitiva, pois é a única equipa portuguesa que se encontra nas três frentes. E é no lado canhoto do sector recuado que a lógica da rotatividade encontra justificação. Tudo indica que Fyssas ocupe o lugar de Dos Santos, face ao que Trapattoni tem vindo a processar para aquele lugar: ora joga um, ora joga outro. O ex-jogador do Marselha actuou anteontem e está naturalmente mais desgastado que o grego, ausente dos dois últimos encontros devido a uma gripe. E como ontem reapareceu em pleno no treino é natural que o técnico italiano proceda ao turnover.

A vez de Miguel

Mas o regresso que os benfiquistas mais saudarão será o de Miguel. O jogador estava clínica e fisicamente apto para o embate com os russos, mas ficou de fora apenas por precaução. Foi , deste modo, uma maneira de resguardar o lateral-direito para os três desafios importantes que a equipa tem pela frente, o primeiro frente aos vimaranenses.

Petit não preocupa

As alterações deverão ficar por aqui, a não ser que Trapattoni decida mudar a frente de ataque. Petit poderia causar preocupação devido ao facto de ter jogado na Rússia com uma coxa elástica, mas desta vez não são os problemas musculares a assombrar a Luz: o sub-rendimento do médio deveu-se a uma entrada mais dura sofrida na Irlanda ao serviço da Selecção. Com o V. Guimarães estará totalmente recuperado.



sexta-feira, fevereiro 18, 2005

CSKA Moscovo 2 - 0 Benfica

Arbitragem

ALEXANDRU DAN TUDOR (Roménia)
Sem erros de monta. Na parte final, porém, pareceu interessado em meter respeito aos jogadores encarnados.

Melhor em Campo

LUISÃO
Merece o destaque porque, não obstante a tremedura da primeira parte, soube, como poucos, manter a calma nos momentos em que, já a vencer por 2- 0, o CSKA ameaçava, com perigo, alargar ainda mais a vantagem e decidir, aí sim de forma definitiva, a eliminatória. Na última meia hora, sobretudo, foi ele o bombeiro de uma equipa em brasas, apagando todos os fogos que, aqui e ali, iam surgindo. Impossível pedir-lhe mais numa noite em que não teve Alcides do seu lado e em que Petit só no segundo tempo apareceu.

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Infelizes mas fortes
Apesar da derrota por dois golos sem resposta, Giovanni Trapattoni mostrou-se nada preocupado e até bastante confiante para a segunda mão em Lisboa. O técnico recusou que a equipa não tenha tido atitude e «estofo europeu» em Krasnodar: «Não, jogámos com personalidade e fizemos 30 minutos muito bons. Esta equipa tem agora mais confiança do que no passado. É verdade que sofremos dois golos, mas a nossa equipa está diferente. Foi um jogo infeliz, mas estamos mais fortes.» Trapattoni referiu também não ter problemas com a falta de golos registada nos últimos dois jogos, ressalvando as oportunidades criadas. «Não marcámos porque faltou calma por duas vezes. A primeira grande oportunidade de jogo foi nossa — é importante procurar criar oportunidades e isso nós temos feito, por isso não estou preocupado», sublinhou.

Relvado mau, em Lisboa tudo muda

Uma das razões apontados para o insucesso encarnado foi o relvado, com Trapattoni a insistir bastante no assunto, ao mesmo tempo que lembrava que em Lisboa as coisas serão diferentes. «Este resultado não espelha o que fizemos neste jogo. Antes do primeiro golo tivemos uma oportunidade flagrante e mais tarde voltámos a ter uma boa ocasião, mas no futebol ganha quem marca. Este é um resultado de que podemos recuperar em Lisboa com um campo melhor, porque o Benfica foi a equipa mais penalizada com o mau estado do terreno. Precisámos de três toques para conseguir controlar a bola e no relvado da Luz isso não acontecerá», analisou, para exemplificar de seguida: «Não quero dar desculpas, mas temos jogadores muito tecnicistas por exemplo o Nuno Gomes, que ficou muito fatigado por causa do relvado. Estou seguro que será melhor em Lisboa, porque quem sabe jogar futebol vai sentir-se mais à-vontade no segundo jogo.»

Fazer mais e melhor

Além disso, o treinador italiano também pareceu seguro da passagem do Benfica, apesar de o CSKA poder fazer alterações na equipa para o jogo de Lisboa na próxima semana: «O CSKA vai apresentar uma equipa diferente em Lisboa pois deverá recuperar o Olic, mas mesmo assim podemos fazer mais e jogar melhor. Há que ter confiança.» E nem o anunciado jogo em contra-ataque dos russos assusta. «Acho que é possível não sofrermos golos de contra-ataque, hoje [ontem] eles também não conseguiram. O primeiro golo resultou de um livre que criou dificuldades ao Quim... Penso que vão surgir fechados, mas a nossa atitude será ainda mais forte.»



quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Eles estão loucos com o Benfica
Os jogadores do Benfica aproveitaram o início da tarde de ontem para um curto passeio pelas ruas de Krasnodar. A tranquilidade esperada foi, porém, rapidamente substituída por uma onda de euforia. Num ápice, as estrelas da águia foram rodeadas por uma centena de jovens que, durante 15 minutos, não mais lhes deu descanso. Autógrafos, fotos, tudo serviu para guardar uma recordação do momento. Estes russos estão mesmo loucos com o Benfica.

Krasnodar, 12 horas, menos três em Portugal. Junto à porta do Hotel Moscovo, algumas dezenas de jovens esperam ansiosamente por um autógrafo, por uma foto de algum jogador do Benfica que (por sorte) decida dar um saltinho até à rua. O que este animado grupo de adolescentes ainda não sabe é que, dentro de instantes, todos os elementos do plantel, todas as estrelas da águia, vão sair para um curto passeio pelas ruas do centro da cidade que, hoje, acolhe o desafio dos 16 avos-de-final da Taça UEFA, entre os encarnados e o CSKA Moscovo. Como passar dos minutos, o número de curiosos aumenta. Enquanto aguardam pelos ídolos — os nomes mais mencionados são Nuno Gomes e Simão —, os jovens vão-se divertindo, pedindo assinaturas a alguns elementos do staff do Benfica que, por esta hora, já acederam ao exterior da unidade hoteleira. No hall está já Giovanni Trapattoni, acompanhado de alguns dos jogadores. Cá fora, as emoções estão ao rubro, prontas a explodir. Algumas jovens não se contêm perante a visão de tão famosas personagens e avançam, de caneta e papel na mão, rumo ao interior do hotel. Durou pouco a aventura. Deforma cordial, os elementos de segurança, ajudados pelo treinador do Benfica, repuseram a ordem, mas apenas no interior, porque, no exterior, a loucura foi infernal.

Mantorras, onde estás?

De Quim a Simão, de Manuel Fernandes a Nuno Gomes, num ápice as estrelas da águia foram rodeadas pelos jovens que, durante os 15 minutos da caminhada, não mais lhes deram descanso. Divertidos e bem dispostos, os jogadores encarnados foram respondendo às solicitações com largos sorrisos. Porém, o assédio foi tal que, a certa altura, alguns começaram a ficar para trás. Mantorras foi um deles, necessitando, inclusive, de fazer corta-mato para juntar-se ao grupo. Logo depois, o apanhado foi Miguel que, instantes antes, conversava animadamente com Trapattoni. Estava na hora de regressar ao hotel, para o almoço de grupo. No coração dos benfiquistas ficava, certamente, o carinho do emotivo e afectuoso povo de Krasnodar. Lentamente, a cidade volta ao normal.

Quem me dera começar agora a SuperLiga
Cauteloso como sempre, mas com uma dose de confiança poucas vezes vista. Foi assim que Giovanni Trapattoni enfrentou ontem os jornalistas. Elogios quanto baste para reforçar o moral. «Este jogo chega numa altura em que tenho muita confiança na equipa. Nestes últimos tempos crescemos muito em mentalidade, em atitude, em equilíbrio. Estamos a atravessar uma fase em que se vê que esta equipa joga com muita personalidade. É por isso que digo que será um grande jogo de futebol», defendeu o treinador encarnado.

O Benfica vem de um empate na última jornada. Uma alfinetada na confiança da equipa? Não, diz a velha raposa. Olhe-se para o que de bom aconteceu na cidade dos arcebispos: «Em Braga só nos faltou o golo. Jogámos com muita personalidade e revelámos uma boa condição física e mental.» Muita confiança e nem sinal de secretismos ou mistérios. Trapattoni não poderia ser mais transparente na hora de esclarecer dúvidas sobre o onze que irá apresentar. «Alterações? Não vou fazer. Vai começar a equipa que no domingo defrontou o Sporting da Braga. Sem Ricardo Rocha devido a lesão mas com Alcides no centro da defesa», disse, para espanto de alguns dos russos. Miguel viajou, está bem fisicamente. Jogará? Não. Trapattoni é homem prevenido: «Miguel está certo que pode jogar mas não podemos correr esse perigo. Vamos ver antes do jogo como ele está e se precisamos dele para eventualmente entrar. Estamos num mês demasiado importante para podermos arriscar. Vem aí o CSKA, o Vitória de Guimarães e depois o FC Porto e muita coisa está em jogo nestes encontros... »

Equipa perdeu medo e está melhor mentalmente

Foi em nome da gestão que Trapattoni explicou uma substituição que os adeptos sublinharam com assobios no jogo de Braga. «Foi a pensar nesta fase intensa que tirei Nuno Gomes a 25minutos do final do último jogo, substituindo-o por Delibasic. Os jogadores têm de respirar um pouco. A equipa que jogará é a que neste momento é mais equilibrada.» Trocar Moscovo por Krasnodar, a neve e o frio por um clima ameno é coisa que o treinador do Benfica diz não ser determinante para o desfecho do jogo. «O clima é óptimo nesta altura do ano. Quando o jogo se iniciar, estará frio, mas nada que impeça os jogadores de renderem o habitual. Importante é que, com duas equipas que estiveram a lutar por um lugar na Champions [o CSKA foi afastado no grupo do FC Porto e Chelsea e o Benfica na pré-eliminatória pelo Anderlecht], está garantido um grande espectáculo.» E nem o facto de o CSKA não competir há mais de dois meses por o campeonato russo estar parado nesta fase de Inverno pode ser encarado como vantagem para o Benfica. Quem o diz é Trapattoni: «Têm feito alguns jogos durante este período e estão em boa forma física. Vão ver como eles vão correr amanhã... »

Miguel quase "OK"
Giovanni Trapattoni terá, em breve, mais uma bela opção para o onze inicial. Não ainda hoje, provavelmente, mas a curto prazo, Miguel deverá regressar à titularidade. O internacional português veio até à Rússia integrado na equipa, não parece crível que alinhe no jogo de hoje, mas deu ontem mostras de estar para breve o retorno à condição de dono do lado direito da defesa. Miguel ainda trabalhou, durante a fase de aquecimento, à parte dos restantes companheiros, parte significativa do tempo sob o olhar atento do treinador italiano, mas depois, quando chegou a altura do treino de conjunto em meio campo, o defesa juntou-se aos companheiros e provou estar quase a cem por cento: João Pereira que se cuide.

Águia não quer riscos
Giovanni Trapattoni já traçou o objectivo principal para o jogo de hoje: marcar pelo menos um golo e, sobretudo, não perder. Ou seja, empatar com golos. Obviamente, o treinador do Benfica não descurará a hipótese de regressar a Lisboa com uma vitória, ouro sobre azul na caminhada encarnada para os quartos-de-final, mas o italiano quer, acima de tudo, não correr riscos. E não correr riscos é ficar na expectativa e atacar pela certa.

Hoje, pelas 18 horas, pelo menos meio Portugal estará de olho na transmissão da RTP 1: o Benfica tentará garantir um resultado que depois, na Luz, lhe permita assegurar mais uma passagem aos quartos-de-final da Taça UEFA. É, pois, tempo de concentração. É mesmo isso que quer Giovanni Trapattoni: muita atenção, nada de riscos. O que, em linguagem trapattoniana, significa jogar para não perder e, se possível, marcar golos. Se assim for, com um empate com golos o Benfica terá dado importante passo para a fase seguinte. Mas, quase a terminar a conferência de imprensa de ontem, o técnico italiano lançou o alerta: o CSKA é mais perigoso fora de casa. Ou seja, nada de optimismos exagerados se o jogo de hoje terminar com um resultado que, na aparência, favoreça os encarnados, pois a segunda mão pode ser ainda mais perigosa.

Altura certa

O jogo parece ter chegado na altura certa para o Benfica. A equipa aparenta bem mais consistência, física, estratégica e, até, mental, e o CSKA vem de longa paragem competitiva que indicia vantagem benfiquista para os 90 minutos de hoje à noite. Giovanni Trapattoni avançou ontem, na conversa com os jornalistas, a constituição a equipa titular. Sem qualquer surpresa, o treinador vai apostar no mesmo onze que iniciou o jogo da última jornada da SuperLiga, em Braga, com a óbvia alteração do lesionado Ricardo Rocha pelo brasileiro Alcides no centro da defesa. É a equipa que, neste momento, mais garantias dá à velha raposa italiana. O treinador parece conhecer muito bem as características do CSKA. A equipa esteve a estagiar no último mês em Itália e em Israel e, pelo que se percebeu dos sorrisos de Trapattoni, alguns amigos seus forneceram-lhe as indicações consideradas necessárias para a melhor avaliação dos russos. Ou seja, o CSKA não terá segredos para o italiano. É uma equipa jovem e que corre muito, afiançou Trapattoni, pelo que o Benfica deverá estar preparado para um jogo de grande intensidade competitiva, sobretudo na primeira meia hora. Depois, se as coisas estiverem a correr de feição, será hora de os encarnados atacarem. Sempre de olho no tal empate com golos.

Homenagem ao presidente que nunca se cansava
FOI o sócio que quando se candidatou a presidente do clube usou o lema Por um Benfica Europeu. Foi com ele que os encarnados se qualificaram para as últimas finais da UEFA do seu historial. João Santos despede-se dos vivos justamente no dia em que as águias têm um teste de fogo na alta voltagem do futebol do velho continente. No entanto, a imagem que o 28.º presidente do Benfica deixa é a de um homem com perfil conciliador, dignidade inatingível e um trabalhador incansável, aquele que às cinco da manhã ainda tinha energia para continuar as reuniões de Direcção...

António Sequeira apresenta as condolências ao filho de João Santos, José Luís SantosUma cerimónia discreta, com a presença de poucas figuras ligadas ao clube, mas com os amigos que com ele travaram muitas lutas ao serviço do Benfica. O velório iniciou-se às 18 horas, na Igreja Santa Joana Princesa, à Av. Estados Unidos da América, e aos poucos foram surgindo várias personalidades que quiseram dar o último adeus a João Santos. O Sporting enviou uma coroa de flores, mas também a Associação Naval de Lisboa, agremiação da qual foi dirigente durante largos anos- a canoagem era outra das suas paixões. O general Almeida Bruno, o ex-jornalista de A BOLA, Aurélio Márcio, o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Vítor Vasques, o comandante António Sequeira, e o presidente que sucedeu a João Santos naLuz, Jorge de Brito, foram os primeiros que se deslocaram à igreja. Seguiu-se o presidente do conselho fiscal, Walter Marques, o ex-presidente da mesa da Assembleia Geral, Adriano Afonso, o exdirigente Gaspar Ramos, o vice-presidente Mário Dias, o presidente da mesa da Assembleia Geral, Tinocode Faria, e a família de Luís Filipe Vieira, representada pela esposa Vanda Vieira e pelos filhos Tiago e Sara - o líder dos encarnados, como se sabe, estánaRússia a acompanhar a equipa.

Muito mais que as finais

O que no futuro dirão de João Santos foi aquilo que Walter Marques fez questão de frisar: "Um presidente muito dedicado e que marcou uma época áurea do Benfica. Mesmo nestes últimos tempos ele estava sempre presente no camarote presidencial, apesar das dificuldades motoras, a apoiar o clube." Jorge de Brito, vicepresidente para o futebol à altura, e quem lhe sucedeu no cargo, destacou a sua energia e o perfeccionismo que emprestava a cada acção desenvolvida. "Chamava-nos a atenção para pormenores que escapavam a todos, mas corrigia-nos de uma forma muito subtil. Mas também me recordo de muitas reuniões que tivemos até às cinco da manhã e ele era aquele que estava menos cansado", afirmou. A opinião é corroborada por Adriano Afonso. "Participava em tudo o que era necessário e nunca desistia. Também estive com ele nas duas finais da Taça dos Campeões Europeus", declarou, pouco antes de Neno também honrar o seu nome: "Era muito amigo dos jogadores, dava-nos tudo o que precisávamos. Era o presidente na verdadeira acepção da palavra." O corpo de João Santos sai hoje da Igreja Santa Joana Princesa para o cemitério de Alto S. João, às 10.30 horas, depois da missa solene que terá início meia hora antes.



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