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sexta-feira, dezembro 31, 2004

Reforços
O tabu permanece
SÓ em 2005 serão conhecidos os reforços de Inverno que vão chegar para o plantel comandado por Giovanni Trapattoni. Os alvos estão perfeitamente identificados, com negociações bastante adiantadas, mas na Luz o tabu apenas será desfeito depois de os contratos passarem pelo notário.

Um médio, um ponta-de-lança e um atacante versátil. Eis os jogadores que Trapattoni pretende, tal como A BOLA revelou em tempo oportuno. Os contratados chegarão no início da próxima semana, segundo garantem fontes da administração da Benfica SAD e estarão à disposição da equipa técnica já para o confronto com o Sporting, agendado para dia 8 de Janeiro no Estádio de Alvalade.
Nos últimos dias, os contactos entre os responsáveis da SAD encarnada, nomeadamente Luís Filipe Vieira e José Veiga, com os representantes dos jogadores pretendidos têm sido intensos, há acordos celebrados mas nada estará ainda no papel, o que deverá acontecer seguramente durante o dia de hoje. O tabu prolonga-se, assim, até 2005. Recorde-se que a equipa comandada por Trapattoni regressa ao trabalho no dia 3, dia em que os reforços poderão igualmente ser apresentados.

Três entradas, três saídas?

Com o ingresso desta nova vitamina, os encarnados esperam encontrar maiores capacidades para enfrentar a segunda fase do calendário da SuperLiga, bem como da Taça de Portugal e Taça UEFA. O calendário, recorde-se, é exigente, abrindo com a deslocação a Alvalade e a recepção ao Boavista. Daí até à visita ao Dragão é um pequeno passo. Ou seja, o campeonato poderá decidir-se logo nos primeiros meses do ano.
Mas as reformulações não ficarão pela chegada de sangue novo. Segundo os dados apurados por A BOLA, para três entradas deverão corresponder outras tantas saídas. Resta saber em que condição, se por empréstimo, venda ou desvinculação pura e simples. A Luz fervilha.

Nunca fui contestado
TRAPATTONI não esquece os lances polémicos do jogo com o FC Porto. O treinador do Benfica, em entrevista a um jornal italiano, fala em «roubo clamoroso », lamenta as lesões de Nuno Gomes e outros jogadores e pede tempo, pois a equipa é muito jovem.

Giovanni Trapattoni aproveitou a quadra natalícia para dar um salto às Caraíbas, mas nem assim resistiu a falar de futebol. Em entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport, Trap falou do problema da arbitragem nos países onde já trabalhou, abordou alguns temas do futebol italiano e, claro, falou do seu Benfica, «uma equipa formada por jovens», lamentando a lesão de Nuno Gomes e queixando-se de um «roubo clamoroso» no golo anulado frente ao FC Porto.
Começando por comparar as polémicas da arbitragem portuguesa com a italiana, Trap considerou: «Não é como na Alemanha, onde quase não existe o replay, mas em Portugal fala-se menos. Um episódio grave extingue-se em poucos dias. Não é como em Itália onde não se fala durante meses, mas sim durante anos», observou.
Confrontado com o desagrado dos adeptos sobre a carreira do Benfica, Trapattoni respondeu com tranquilidade: «Sinto-me bem, estamos em segundo lugar, a um ponto do FC Porto e roubaram-me um golo clamoroso e ficou um penalty por marcar no confronto directo. Continuamos na corrida em três competições, incluindo a Taça UEFA. Infelizmente, Nuno Gomes lesionou-se e outros estão KO. É verdade que ouvi alguns assobios, mas nenhumacontestação fora de campo. É preciso tempo, mas estou sempre optimista.»
Trapattoni explicou ainda as razões que o levam a manter-se no banco, divergindo de funções como a que Arrigo Sacchi foi desempenhar no Real Madrid. «Apraz-me dar corpo à ideia, aos 65 anos continuo a amar o futebol. EmItália, a idade é uma desvantagem, mas fora, anos e sucessos são sinónimos de respeito e riqueza de trabalho.»

O «reveillon» dos craques
Chegou ao fim 2004, viva 2005! Os jogadores aproveitam para descomprimir e recarregar baterias para os desafios que se avizinham e, como se sabe, não são poucos. Os desejos dos craques encarnados não deixarão de ser os mesmos de sempre, conquistar títulos e não sofrer lesões e é imbuídos nesse espírito que escolhem o lugar onde vão retemperar forças. Destinos para todos os gostos e feitios, com o treinador Giovanni Trapattoni a dar o mote, escolhendo como destino as cálidas águas das Caraíbas. Entre os portugueses, a maioria ficou por cá, à excepção de Simão Sabrosa, que se encontra no Brasil.

Trapattoni, o timoneiro, cumpriu a promessa feita à família quando trocou a squadra azzura pelo Benfica, logo a seguir ao Euro-2004, e aproveitou a quadra para viajar até às Caraíbas. Argel escolheu, como sempre, Porto Alegre, para passar o último dia do ano junto dos seus, e Simão optou por uma luxuosa e recatada estância balnear no Rio de Janeiro, na companhia da mulher, ao contrário de Azar Karadas, que optou pelas frias paragens da Noruega para visitar o Pai Natal e festejar a passagem de ano. Luisão recupera de uma lesão que o obrigou a regressar mais cedo a Lisboa, onde vai passar o revéillon em casa com amigos. Miguel vai também ter uma noite tranquila, em casa, com a família, uma vez que a lesão no joelho e uma pequena cirurgia dental, que o obriga a usar um aparelho, não lhe permitem grandes extravagâncias. Em Lisboa, ficará também o jovem Manuel Fernandes, mas Petit já se encontra no Algarve, onde festejará 2005 com família e amigos. Os restantes integrantes do contingente brasileiro Alcides, Giovanni, Paulo Almeida e Everson continuam no Brasil, sendo possível que alguns se juntem a Simão Sabrosa no Rio de Janeiro, destino bem mais quente que a Croácia, onde Sokota não deixará de meditar sobre o futuro. Na Grécia, está o lateral Fyssas, bem longe do seu concorrente directo Dos Santos, que escolheu o país adoptivo, França, para o reveillon. Bom ano!



quinta-feira, dezembro 30, 2004

Roger o desejado
O Boca Juniors aumentou para quatro o número de clubes interessados em Roger. O problema é que nenhum dos candidatos parece estar em condições de satisfazer as condições pretendidas pelo Benfica.

Decididamente, Roger é um dos jogadores brasileiros mais pretendidos do momento. A juntar-se a Corinthians, São Paulo e Cruzeiro, também o Boca Juniors, da Argentina, entrou em contacto com o seu empresário, Mauro Azevedo, para dar-lhe conta do interesse no jogador.
Mas, à semelhança do que acontece com os restantes pretendentes, o problema esbarra no dinheiro, já que o Benfica não aceita vender o passe do Roger por menos de três milhões de dólares e o salário do jogador é elevadíssimo para a realidade sul-americana. E empréstimo está fora de equação.
Neste contexto, apenas o Corinthians, que contratou recentemente Carlos Tevez ao Boca Juniors, poderia pagar o valor pretendido pelo Benfica, graças à parceria com a empresa MSI.

Parecido com Alex

O interesse dos argentinos é tão real, que Roger é, desde ontem, manchete em toda a imprensa local. Mário Zagallo, actual coordenador técnico da selecção canarinha, foi um dos traçou para os media argentinos o perfil do jogador, confirmando tudo o que Roger mostrou em Portugal. «A sua aparição no futebol brasileiro fez muito ruído em 1999. Houve quem lhe chamasse Maradoninha mas, pessoalmente, acho que não pode comparar-se a Maradona. Seria o mesmo que comparar um jogador com Pelé. Posso dizer que é um futebolista com muita capacidade técnica, pode ser o nº 10 que o Boca Juniors procura,mas os adeptos devem saber que Roger não está talhado para lutar e correr atrás dos adversários. Se tivesse de fazer comparações, diria que é parecido a Alex, que se transferiu do Palmeiras para o Besiktas. »

Objectivo Alvalade
VÁRIOS jogadores encarnados anteciparam o final das férias, para preparar de forma adequada o derby. Petit, Manuel Fernandes e Carlitos querem estar a 100 por cento no confronto com o Sporting, enquanto Nuno Gomes e Ricardo Rocha intensificam o ritmo de trabalho. Situações mais complicadas vivem Miguel e Luisão, regressado ontem do Brasil...

Os jogadores encarnados só regressam ao trabalho no duro no próximo dia 3 de Janeiro, cinco dias antes do jogo com o Sporting, mas na Luz o derby já mexe. À excepção dos jogadores que se encontram no estrangeiro, todos os restantes se apresentaram ontem, no estádio, embora por razões diferentes.
O grupo constituído por Petit, Carlitos e Manuel Fernandes efectuou trabalho específico, com exercícios físicos e trabalho de ginásio e fizeram corrida à volta do relvado, no qual foram secundados por Nuno Gomes. O trio está operacional para o derby, mas todos eles decidiram encurtar as férias, para preparar-se de forma adequada para o embate do dia 8 de Janeiro.
No caso de Petit, a sua presença não será alheia ao toque sofrido ante a Oliveirense, na sequência de um lance que causou visível apreensão ao banco encarnado. Carlitos esteve muito tempo parado e precisa readquirir rapidamente o ritmo competitivo ideal, tal como Nuno Gomes, que está fora de competição desde o jogo com o V. Setúbal. Restam ainda Manuel Fernandes, que se queixou de dores na região abdominal e antecipou o fim das férias , para evitar males maiores, Pedro Mantorras, que está apto, mas tem de continuar a fazer trabalho específico e Ricardo Rocha, este com presença quase certa no derby.

Luisão regressou ontem

Situação mais delicada vivem Miguel e Luisão, dois titulares por quem os benfiquistas suspiram. Os diagnósticos sobre o lateral-direito continuam a ser muito reservados, mas subsistem esperanças de que possa estar à disposição de Giovanni Trapattoni no dia do jogo. A ideia é fazer o máximo possível para recuperar Miguel, mas sem forçar, pelo que o jogador só será utilizado em Alvalade se a lesão for totalmente debelada. Ainda mais complicada está a situação de Luisão, que regressou ontem ao trabalho com Rodolfo Moura, de acordo com o plano pré-estabelecido.
O brasileiro já recomeçou os tratamentos, mas não se afigura fácil a sua utilização na próxima jornada, já que período de tempo que medeia entre a data da lesão e o dia do jogo é escasso. Ambos vão continuar a fazer tratamentos bi-diários na esperança de que as respectivas lesões evoluam de forma satisfatória e possam treinar-se com bola, quando o plantel regressar ao trabalho, no próximo dia 3.

Eles querem conquistar Trapattoni
A caminhada para o estrelato está ainda longe, mas a equipa B do Benfica tem jogadores que já despertam muita atenção dos adeptos. Como exemplos aparecem Fernando Alexandre (já foi convocado para o jogo com o Penafiel, apesar de não ter tido o privilégio de se estrear na equipa principal) ou Tiago Gomes e Hélio Roque (ambos estiveram no estágio de pré-época na Suíça e assinaram contrato profissional recentemente). O primeiro revela uma segurança e ambição poucos vulgares, os outros dizem que se sentem próximos de cumprir o sonho de sempre. Todos querem conquistar Trapattoni...

Sinto que tenho qualidade para estar no plantel principal.» É assim, sem receios que Fernando Alexandre responde quando questionado sobre o que espera do futuro. E para que a manifestação de ambição não seja excessiva o jovem procura explicar melhor onde quer chegar com tão surpreendente frase: «Sei que é difícil, que aquele plantel tem grandes jogadores, mas também sou obrigado a pensar que deveria estar lá. Não só no jogo com o Penafiel, mas em todos os outros. Se não formos ambiciosos, tudo se torna mais complicado...»
A segurança de Fernando Alexandre salta também à vista quando lhe é perguntado se ficou surpreendido por ter sido chamado por Giovanni Trapattoni: «Não! Tínhamos jogadores tão importantes como Manuel Fernandes e Zahovic lesionados e a escolha tinha de recair num de nós que estamos na equipa B. Pensei que poderia ser eu e isso aconteceu. Foi bom mas não sinto que tenha sido nada do outro mundo. Quero mais, muito mais. Podem pensar de outra forma, mas eu acho que devia estar lá e vou lutar para isso.»
Apesar de tudo, o médio Fernando Alexandre aponta um factor que pode ser impeditivo para cumprir de imediato o sonho que acalenta. «É evidente que gostava de ser chamado mais vezes à equipa principal, mas neste momento o Benfica precisa de ganhar, tem mesmo de ganhar. Isso faz com que a aposta nos jovens seja mais complicada», defende. Enquanto espera, Fernando agarra-se a dois exemplos motivadores: «Manuel Fernandes é um fenómeno e João Pereira é também um grande jogador. Senti desde que os conheci que chegariam onde estão agora. O que aconteceu incentiva-nos a trabalhar para seguir o rasto destes dois companheiros.»

O orgulho dos novos profissionais

Os objectivos de Tiago Gomes e Hélio Roque são exactamente os mesmos, apesar de nestes dois casos as palavras serem ditas com menos chama. Para começar um olhar sobre um dia inesquecível e uma ideia partilhada por ambos: «Foi um orgulho enorme vermos os contratos profissionais à frente dos nossos olhos. É bom sentir que gostam do nosso trabalho e nos vêem como jogadores de futuro. Todo o trabalho e sacrifícios foram recompensados.»
Hélio Roque recorda outra situação que ambos partilharam e não deixou de ser também muito marcante. Para o virtuoso médio ofensivo tudo terá começado no dia em que embarcaram para a Suíça com a equipa principal: «Deu-nos mais força termos ido para estágio. Mostraram-nos que merecíamos essa recompensa pelo que tínhamos feito durante a época. Para um jovem que está neste grande clube isso é tudo...
Tiago concorda, mas lá lança uma provocação ao companheiro: «Procurámos também demonstrar ao treinador que lutamos para chegar o mais longe possível. O Hélio conseguiu, enquanto eu... me lesionei [risos]. »
Trapattoni não teve com eles qualquer conversa, mas ambos diziam que foi bom sentir o apoio do italiano. «Não nos isolou para falar connosco, mas nos treinos sentiamos que não passávamos despercebidos. Muitas vezes nos chamou para corrigir erros e dizer-nos o que pretendia», conta Hélio Roque.
Os dois foram partilhando ideias e sentimentos, até que chegou a altura de dizerem que nem ficariam tristes se o Benfica decidisse que deveriam ser emprestados mesmo que a um clube mais modesto. Tem a palavra Tiago Gomes: «É evidente que o sonho é jogar no Benfica, mas acredito que podia ser bom se estivéssemos um ano numa equipa a ganhar ritmo de SuperLiga e aprendermos que para estarmos neste clube ao mais alto nível a competitividade tem de ser grande.»
Nos olhos destes três jovens a luz intensa da ambição. Nas palavras, um espírito de conquista enorme. No clube olham para eles como esperanças. Na rua observam-nos como futuras estrelas.



quarta-feira, dezembro 29, 2004

Vem aí um novo Benfica
A um ponto do líder da SuperLiga, apurado na Taça de Portugal e à espera do CSKA na Taça UEFA, o Benfica está a preparar a segunda metade da temporada com toda a ambição. Na próxima semana, três novos jogadores estarão na Luz às ordens de Giovanni Trapattoni; com este upgrade do plantel, o técnico italiano estará habilitado para reformular o sistema de jogo: os novos equilíbrios dos encarnados estarão virados para o 4x3x3. Alvalade será o primeiro teste do novo Benfica...

O Benfica não nada em dinheiro e a SAD encarnada não está disposta a hipotecar o futuro embarcando em políticas económicas aventureiras. Significa isto que o clube da Luz não gastará o que não tem para reforçar a equipa no mercado de Inverno. Contudo, torna-se evidente que, se o Benfica pretende discutir o título nacional, defender a Taça de Portugal e chegar ainda mais longe na UEFA, os meios existentes à disposição de Trapattoni são insuficientes. As últimas jornadas da SuperLiga serviram para mostrar, quiçá até à exaustão, que perante lesões e castigos de alguns jogadores titulares, os encarnados não têm substitutos à altura. E raramente se tratou de um problema de atitude da equipa. Giovanni Trapattoni conseguiu quase sempre (Restelo foi excepção) manter a sua equipa dentro de patamares de aplicação absolutamente decentes. A questão, que a SAD da Luz se prepara agora para atacar, tema ver com a introdução de mais qualidade no plantel. Depois de aturadas pesquisas de mercado, o Benfica prepara-se para apresentar, no princípio da próxima semana, três reforços: um médio, um ponta-de-lança e um avançado versátil, capaz de actuar igualmente bem pelas alas e pelo meio. São estas as apostas de Luís Filipe Vieira e José Veiga, que contam com a concordância de Trapattoni que, em Alvalade, já poderá até apresentar alguns destes jogadores na equipa titular.

Sistema de jogo

O Benfica vai abandonar, muito rapidamente, o 4x4x2 (provavelmente será mais correcto falar em 4x2x4, tal a falta de vocação defensiva de Simão e Geovanni) que tem usado desde que Zahovic passou a ser carta fora do baralho e Geovanni não passou no «teste do meia-ponta», para abraçar um 4x3x3 que deverá ser interpretado à semelhança do que é feito, nos dias que correm, pelo Chelsea de Mourinho, por exemplo. As opções tomadas pela SAD no que diz respeito a reforços têm como base a tentativa de implementação desta filosofia. Com Sokota inexplicavelmente apagado ao longo da temporada, incapaz de dar garantias a Trap de uma produção atacante semelhante à que manteve em 2003/04 e sabendo que Azar Karadas, jovem e voluntarioso, será um boa solução de recurso, para quando o Benfica precisar de impor um tipo de jogo mais físico e nunca uma solução de base, a contratação de um ponta-de-lança explica-se pela vontade de ter alguém, para além do infortunado Nuno Gomes, que possa actuar na zona por onde passam todas as decisões.

Dar maior equilíbrio

Quanto ao outro avançado, capaz de jogar pelas alas, que vai reforçar o Benfica, as necessidades encarnadas radicam na ausência no plantel de alguém que, além de Simão, o melhor dos encarnados, não só chegue à linha de fundo como seja capaz de se juntar ao ponta-de-lança criando maior pressão na área encarnada. Tomando as equipas de Mourinho como farol, o Benfica vai apresentar um jogador que actue dentro das características de um Damien Duff ou de um Derlei dos bons tempos. Finalmente, a questão do médio. Há, na Luz, plena satisfação quanto a Petit—atitude competitiva inexcedível e futebol de primeiro mundo nos pés—e Manuel Fernandes, um jovem que tem mostrado enorme qualidade. Porém, numa lógica de 4x3x3 os encarnados precisam de mais um médio, que não destoe dos nomes já referidos.
A juntar a toda esta operação, a SAD benfiquista estuda eventuais dispensas, porque evidentemente há um orçamento para cumprir. A BOLA já anunciou que Sokota deverá ser um dos jogadores a colocar em Janeiro, até porque termina o seu contrato no final da época e não há já condições para que renove o seu vínculo, deixando, por isso, de fazer sentido manter-se no clube no período mais exigente e quando a equipa jogará tudo nas diferentes competições; outras situações estão a ser igualmente alvo de análise.
Feito este diagnóstico, os responsáveis benfiquistas contaram as balas e dispararam para os alvos possíveis. Dentro de poucos dias se saberá a caça que a águia matou.

Estágio na terra de Peseiro
O plantel orientado pelo italiano Giovanni Trapattoni vai realizar um estágio de preparação para o jogo contra o Sporting. Os jogadores benfiquistas viajam no dia 5 para Coruche e ficam na Estalagem do Sorraia, onde esteve instalada a selecção da Croácia durante o Euro-2004. Curiosamente, esta é a terra de José Peseiro, treinador dos leões...

Curioso. O Benfica vai estagiar precisamente na terra onde cresceu o treinador da equipa do Sporting, adversário no encontro marcado para o dia 8 de Janeiro, em Alvalade.
Os encarnados regressam ao trabalho no próximo dia 3 e dois dias depois viajam para Coruche, onde vão permanecer até ao dia do grande derby. José Peseiro cresceu em Coruche e os pais do técnico leonino ainda têm um restaurante na localidade.
A comitiva ficará instalada na Estalagem do Sorraia (fica a cerca de 20 quilómetros da vila) que também já acolheu a Selecção Nacional, antes do jogo de preparação com a Rússia; e a selecção croata, durante o Euro-2004. Sokota já conhece o espaço. Tranquila e rural, a estalagem apresenta excelentes condições para o trabalho de um plantel de futebol e dois campos relvados em anexo. Será neles que Trapattoni vai preparar a estratégia para o primeiro grande desafio após o período de férias pelo Natal e passagem de ano.

Marítimo deu-se bem...

O Marítimo estagiou em Coruche antes do jogo com o Sporting e deu-se bem com os ares do Sorraia. A equipa treinada por Mariano Barreto foi a Alvalade ganhar por 1-0 — golo do brasileiro Manduca — e este triunfo bem pode servir de tónico para os benfiquistas.

Ponto de viragem

Os responsáveis pelo departamento de futebol, o plantel e os próprios jogadores acreditam que o jogo com o Sporting pode marcar um ponto de viragem nos maus resultados e na má imagem deixada pela equipa nos últimos desafios.
Tudo isto aumenta a expectativa para o encontro, numa altura em que Trapattoni e todos os benfiquistas acreditam que alguns dos melhores jogadores podem regressar à equipa, além da esperança de poderem ver, já em acção, alguns dos reforços que o Benfica vem prometendo para o resto de campeonato da SuperLiga. O jogo contra o Sporting torna-se, por isso mesmo, num conjunto de expectativas que já mexe, e bastante, com a família da Luz.

Cruzeiro sondou empresário de Roger
O Cruzeiro de Belo Horizonte demonstrou interesse em Roger, jogador que tem contrato com o Benfica até 2006 e que se apresenta na Luz em Janeiro, após ter jogado por empréstimo no Fluminense. Os contactos foram confirmados pelo representante do jogador, Mauro Azevedo.

Após o interesse declarado do Corinthians, agora é o Cruzeiro que parece cobiçar Roger. A confirmação partiu do próprio empresário do jogador benfiquista, ao revelar uma conversa com o presidente do clube de Belo Horizonte, Alvimar de Oliveira Costa: «Ele me procurou, querendo saber do salário de Roger e da sua situação contratual.» Apesar de Roger ser um médio com muito mercado no Brasil, eventuais negociações nunca seriam simples. O jogador tem contrato com o Benfica até 2006.
«Alvimar me perguntou, inclusive, se o Roger aceitaria ganhar menos para continuar jogando no Brasil. Porém, não passou disso. Por enquanto não há nada de concreto ainda», explicou Mauro Azevedo.
O empresário acrescentando, ainda, qual será o futuro imediato do jogador: «Certo é que o Roger se apresentará ao Benfica no início do ano para cumprir seu contrato. Agora, se aparecer algum clube interessado em comprá-lo a situação pode mudar de figura a qualquer momento»

Benfica sem propostas e inflexível

São muitos os ecos de clubes que potencialmente podem avançar para a tentativa de contratação de Roger, mas, até agora, nenhum deles — ou mesmo através do empresário — apresentou ao Benfica qualquer proposta concreta. A SAD encarnada está inflexível num aspecto: não aceita novo empréstimo e apenas admite vender. Roger ganha perto de 125 mil euros por mês e esse é um dos vários aspectos que afastam os pretendentes.

Alcides ao lado de Rocha
AGUARDADO esta madrugada em Lisboa, Luisão tem poucas possibilidades de alinhar no derby de Alvalade. Passaram-se apenas três semanas desde que o central brasileiro fez a entorse no ligamento interno do joelho esquerdo, tempo insuficiente para recuperar. Assim, Alcides pode ser a escolha para formar dupla com Ricardo Rocha frente ao Sporting.

Luisão, afinal, só chega hoje a Lisboa, às primeiras horas da manhã. Poucas horas depois inicia trabalho com o enfermeiro Rodolfo Moura, mas as possibilidades de o gigante brasileiro ser utilizado frente ao Sporting são muito escassas.
O jogador fez uma entorse no ligamento lateral interno do joelho esquerdo frente ao Estoril, em jogo disputado a 6 de Dezembro último, e desde então tem se limitado a fazer tratamentos.
Nesta quadra festiva recebeu autorização para passar o Natal junto dos familiares, no seu país, mas levou na bagagem um programa de trabalho elaborado pelo departamento médico do clube, para ser cumprido no Brasil. Esta manhã, os médicos e recuperadores terão oportunidade de confirmar se Luisão seguiu as instruções recebidas na Luz, mas por mais que as melhorias possam ser visíveis, a data do derby surge como demasiado próxima para que o jogador possa estar presente em Alvalade. Até à data do jogo ter-se-ão passado apenas quatro semanas desde que Luisão se lesionou, tempo escasso para debelar este tipo de lesões.
A provável ausência de Luisão no eixo da defesa será compensada com o regresso de Ricardo Rocha, que foi operado após fracturar dois dedos da mão esquerda. O central vai jogar com protecção e por companheiro de sector deverá ter Alcides, que só recentemente apareceu na equipa do Benfica mas já deu mostras de quem tem qualidade suficiente para convencer Trapattoni. As outras alternativas são Argel e Amoreirinha, mas Alcides deverá ser o escolhido.



terça-feira, dezembro 28, 2004

Miguel com bola esta semana
MIGUEL prossegue os tratamentos e trabalho de ginásio bidiários, na esperança de defrontar o Sporting. O lateral direito tem previsto iniciar treino com bola ainda esta semana e os restantes dias serão dedicados à recuperação da condição física.

Contra as previsões iniciais, Miguel pode mesmo vir a defrontar o Sporting, no próximo dia 8 de Janeiro. O jogador tem-se limitado a fazer tratamentos e trabalho de ginásio, mas, a menos que surja algum contratempo, deverá iniciar trabalho com bola ainda no decorrer desta semana, embora só a partir do dia 3 de Janeiro possa treinar em conjunto com os companheiros. Ontem, o lateral direito voltou a cumprir na íntegra o programa de reabilitação traçado pelo enfermeiro Rodolfo Moura, com o jogador fortemente empenhado em dar uma alegria aos adeptos, com a sua presença no derby.
Caso se confirme a recuperação, nos timings previstos, readquirir o ritmo competitivo passaria a ser o principal obstáculo, mas o trabalho desenvolvido no ginásio e a resistência física, acima da média, de que sempre deu mostras, servem para tranquilizar Giovanni Trapattoni a esse respeito.
Apesar de haver razões para optimismo, o habitual titular do lado direito da defesa só deverá ser utilizado se estiver a cem por cento. Desta vez, nem o jogador, nem o próprio Trapattoni, querem que se repita o episódio do jogo como Rio Ave. Nessa altura, o técnico italiano preferiu apostar em Miguel, um dos pupilos em quem deposita maior confiança, apesar de saber que o lateral-direito não se encontrava nas melhores condições físicas. As dificuldades foram mais do que evidentes no segundo tempo e quando o treinador do Rio Ave se apercebeu disso pediu aos seus jogadores para explorarem o corredor defendido pelo internacional português. Desde então, Miguel nunca mais voltou a jogar e foi operado ao joelho direito no passado dia 25 de Novembro.

Ricardo Rocha está apto

Praticamente confirmada a presença de Nuno Gomes no derby, também Ricardo Rocha deverá recuperar a tempo de lesão na mão esquerda. O central fracturou dois dedos antes do jogo com o Belenenses e foi-lhe estabelecido um período de paragem prolongado, mas neste momento usa uma protecção e já se encontra a treinar.
No dia 3 de Janeiro, data em que o plantel regressa ao trabalho, Ricardo Rocha deverá incorporar-se nos treinos sem limitações, pronto para voltar a alinhar ao lado de Luisão no eixo da defesa. Situações mais complicadas vivem Paulo Almeida e, especialmente, Everson, que continua a recuperar de operação.

Trapattoni lança dúvida Moreira ou Quim?
DESDE o início da época que Moreira guarda a baliza do Benfica e este é um sector da equipa que os adeptos nunca questionaram... até agora. A dúvida foi lançada pelo próprio Giovanni Trapattoni, ao deixar o jovem guarda-redes de fora do jogo com o Penafiel para ceder a titularidade a Quim. Nesta altura a questão é pertinente e a resposta não é imediata, quem joga frente ao Sporting: Moreira ou Quim?

Giovanni Trapattoni escolheu Moreira para titular da baliza encarnada desde a primeira jornada do campeonato, argumentando que esse era um direito que o jovem guarda-redes conquistara na temporada anterior. Mas o treinador italiano também avisou que a época é longa, que o Benfica tinha três guardiões de grande qualidade (Moreira, Quim e Yannick) e que certamente todos iriam ter as suas oportunidades.
A confiança e o talento mostrados por Moreira — contabiliza 1260 minutos em campo e 16 golos sofridos na SuperLiga—nunca permitiu que se colocasse a questão sobre quem iria ser titular na baliza. Mas o caso agora mudou de figura, desde que para o lugar entrou Quim, no jogo contra o Penafiel, o último do campeonato antes das férias de Natal e Ano Novo.
Era preciso mudar alguma coisa na equipa, mexer no domínio psicológico dos jogadores, explicou Trap quando questionado sobre a opção tomada. Escolha, aliás que se manteve no jogo da Taça de Portugal, frente à Oliveirense.
Como Quim não é propriamente um novato nestas andanças e até é um dos guarda-redes escolhidos por Luiz Felipe Scolari para representar a Selecção Nacional... tem todas as condições para legitimamente lutar pela titularidade. Assim sendo, e tendo em conta que nos dois jogos em que actuou o Benfica acabou por vencer (embora de forma pouco convincente, é verdade), é grande a dúvida sobre qual será o nome que Trap tem na cabeça para o regresso à competição.
E o próximo jogo, no dia 8 de Janeiro, é só um dos mais importantes da época, frente ao Sporting. Quem jogará? Quim é mais experiente, Moreira é talentoso e o habitual titular....

Luisão regressa hoje
TERMINARAM as férias para Luisão. O defesa-central chega hoje a Lisboa e prossegue de imediato o programa de recuperação do seu joelho esquerdo, no qual se lesionou durante o jogo contra o Estoril. Mesmo no Brasil o jogador continuou a tratar-se e é quase certo que estará disponível para jogar em Alvalade.

Luisão lesionou-se sozinho durante o jogo com o Estoril, no dia 6 de Dezembro. Fez uma entorse no ligamento lateral interno do joelho esquerdo, muito por culpa do mau estado do relvado do Estádio da Luz, que entretanto já se encontra em tratamento — a relva encontra-se neste momento nos cuidados intensivos e ninguém está autorizado a pisá-la para que esteja em boas condições no regresso à competição.
O defesa-central, internacional brasileiro, regressa hoje a Lisboa, precisamente para acelerar os tratamentos e treinos, de forma a estar às ordens de Trapattoni no confronto com os leões. Tudo indica que isso acontecerá, até porque Luisão seguiu para o Brasil, onde passou o Natal, com um plano de trabalho definido pelo enfermeiro Rodolfo Moura.
A confirmarem-se as melhores perspectivas dos responsáveis pelo departamento médico, Trap poderá reeditar a dupla de centrais formada por Luisão e Ricardo Rocha, a que mais possibilidades de titularidade tem, em condições normais.
Os outros jogadores estrangeiros do plantel regressam a Lisboa apenas no dia 1 ou 2 de Janeiro, de forma a estarem presentes na apresentação ao serviço, agendada para o dia 3. O mesmo acontecerá com o treinador italiano do Benfica. O primeiro treino após as férias ainda não tem hora nem local definidos.

Brezovacki à experiência
BlAZ BREZOVACKI, internacional Sub-17 da Eslovénia seguiu ontem com a equipa B do Benfica para um estágio em Seia. O compatriota de Zahovic procura aproveitar a estada naquela localidade, bem no coração da Serra da Estrela, para provar que tem talento suficiente para convencer os encarnados a prolongarem a experiência.

O Benfica B levou para um estágio que ontem começou em Seia um jovem esloveno, na expectativa de que este demonstre que tem talento quanto baste para que os encarnados lhe possam dar oportunidade de procurar o sucesso que o seu compatriota Zahovic encontrou em Portugal. Blaz Brezovacki é um jovem nascido a 29 de Abril de 1987 (17 anos), que actua no Olimpya Ljublijana e é visto como um médio muito promissor, o que já lhe valeu a representação na selecção de Sub-17 do seu país.
Uma cara nova, que acabou por dar nas vistas devido ao poder físico que deixam adivinhar o 1,84 metros e os 74 quilos, entre um conjunto de jovens que olham cada vez com mais ambição para o futuro —os contratos profissionais assinados com Hélio Roque, Tiago Gomes e João Vilela vieram servir de tónico. João Santos, treinador da equipa B do Benfica, confessou que ainda é muito cedo para tirar conclusões e que, inclusive, tem por hábito dizer aos jogadores que integram a sua equipa à experiência que nem lhes presta muita atenção nos primeiros treinos porque nessa fase o importante é a adaptação aos companheiros, afastando o nervosismo que poderia trazer a obrigação de mostrar imediatamente o valor que possam ter.

Três portugueses também observados

Mas não se pense que só ao esloveno o Benfica concedeu a oportunidade de mostrar atributos a João Santos. Com ele vieram três jovens portugueses movidos pelo mesmo desejo de triunfar numa grande equipa do futebol europeu: Cláudio (guarda-redes do Gouveia), Filipe (Tondela) e João Alves (G. Alcobaça).
Provado fica que os encarnados começam a dar grande atenção à formação e à detecção de talentos longe dos grandes centros urbanos de Portugal. E, evidentemente, não descuidam o que de bom pode chegar da Europa comunitária.



segunda-feira, dezembro 27, 2004

As recordações de Camacho
O jornalista da RTP, Gabriel Alves, é o autor de um livro com cerca de 140 páginas sobre a vida de José Antonio Camacho durante o período em que o treinador espanhol esteve a trabalhar em Portugal. O título da obra, aliás, diz quase tudo: Um ano e meio à Benfica. Segundo Gabriel Alves, «fala também de Portugal e de Lisboa, da Selecção portuguesa, do Euro-2004 e de quem foram para Camacho os melhores treinadores e jogadores do último Campeonato da Europa». O livro vai ser apresentado em Janeiro em Lisboa e A BOLA antecipa-lhe algumas das partes mais interessantes.

A vida de Camacho na Luz: é esse percurso que fica relatado agora num livro da autoria do jornalista Gabriel Alves, cujo trabalho envolveu naturalmente uma longa conversa com Camacho, em Madrid. O livro, editado pela FUBU e que conta com prefácio do presidente encarnado, Filipe Vieira, é apresentado a 4 de Janeiro na loja da TBZ, no Estádio da Luz (esperam-se as presenças de Filipe Vieira e Camacho), e conta, na primeira pessoa, como o técnico espanhol viveu e sentiu a sua experiência em Portugal.
Os primeiros momentos de Camacho na Luz ficaram marcados, segundo o próprio, «pela constatação do espírito benfiquista», algo que «é extremamente difícil de igualar seja por que clube for». Para Camacho, «a paixão e o constante sonhar em que os adeptos encarnados estão mergulhados fazem com que o emblema se mantenha vivo, de marcando-se claramente dos restantes. Ao mesmo tempo que encontrei, de imediato, algo de extremamente positivo, não demorei muito a deparar-me como que de mau existia no Benfica nessa altura.» «Duma maneira geral—diz Camacho— acho que agradei e que os sócios e adeptos do Benfica gostaram da minha passagem pelo clube. (...) As pessoas gostam da verdade e da sinceridade e quem diz sempre a verdade, por muito difícil que às vezes esta seja, está sempre bem.»

Nunca pensou desistir do Benfica...

O treinador espanhol recorda: «Normalmente, em Lisboa, deslocava-me de táxi, andava pelas ruas e fui percebendo que os adeptos do Benfica conversavam muito entre si. Mostravam-se pessimistas em relação aos muitos problemas do clube e a toda uma imensidão de assuntos que acabavam por se tornar do foro público.» E confessa: «Desistir do Benfica foi algo que nunca me passou pela cabeça. O que aconteceu é que quando terminei a minha primeira época senti necessidade que os adeptos encarnados soubessem quais eram, verdadeiramente, os problemas do Benfica. Caso contrário, tornava-se impossível trabalhar.» Na sua opinião, «o Benfica tem agora uma equipa formatada. No entanto, ainda são necessários alguns retoques para que esta formação se possa tornar campeã. Trata-se de uma equipa repleta de jovens futebolistas que, como é óbvio, precisam de tempo para se tornar jogadores ganhadores. Por outro lado, acho que o Benfica ainda precisa de dois ou três futebolistas que se destaquem um pouco pela sua qualidade, dando mais capacidade ao conjunto».

Ronaldinho, Filipe Vieira...

Noutra passagem do livro, Camacho fala de jogadores: «A contratação de Rui Costa sempre me pareceu difícil de ser concretizada, desde logo porque ele tem um contrato com o Milan! Já no que diz respeito a Ronaldinho Gaúcho, considero que no ano em que o Benfica estava a festejar o seu centenário deveria ser contratado um grande jogador. Estava absolutamente seguro de que se o clube contratasse uma estrela iria criar-se uma dinâmica muito forte, arrastando muito público ao estádio e motivando toda a equipa. Recordo que nessa época o Ronaldinho jogava no Paris Saint-Germain. Quando falámos com ele, estava disponível para vir para o Benfica e o acordo com o PSG bem encaminhado. Para completar a operação, só nos faltou o apoio dos bancos.»
A propósito, Camacho conta: «Quando nos interessávamos por um determinado jogador, rapidamente a notícia chegava aos jornais. Sei que as fugas de informação são um lugar-comum no mundo do futebol actual, mas se um clube não tem capacidade financeira, como era o caso do Benfica, a importância do sigilo aumenta substancialmente.» Mas Camacho manifesta toda a sua satisfação pela vida no clube encarnado: «Estou, e estarei, eternamente grato ao Benfica e aos seus adeptos, esperando, sinceramente, que este seja um sentimento recíproco. Apesar de considerar que não devo ser sócio do clube, devo confessar que continuo adepto do Benfica.» E o técnico espanhol dedica palavras particulares a Filipe Vieira: «É muito difícil liderar umclube assim, a não ser que se comprometa o seu próprio património e o da sua família para ajudar o Benfica. E o presidente Luís Filipe Vieira fê-lo. Isto foi o que mais valorizei nele.»

Luisão, Nuno Gomes, Fehér, Baião...

José António Camacho aborda também alguns casos individuais de jogadores do clube em frases como: «Foi possível afirmarem que o Luisão não era um bom jogador para o Benfica; sobre o Benfica pode dizer-se tudo, mesmo os maiores disparates. (...) Petit é um todo-o-terreno (...). Não é fácil encontrar um jogador como o Simão (...). Tenho pena de não ter visto o verdadeiro Nuno Gomes.» E comenta assim o facto de não ter conseguido ser campeão: «Ao Benfica não faltou nada para que pudesse ter sido campeão. O que sucedeu foi que nos deparámos com um FC Porto muito forte, talvez anormalmente forte.» São muitas as frases significativas de Camacho ao longo do livro: «As mortes de Fehér e de Bruno Baião são difíceis de esquecer onde quer que eu esteja.»
«Parece-me que se pode afirmar que o Benfica e o Real Madrid são clubes com muitas semelhanças.» «Acredito que, no futuro, o Benfica poderá vir a vencer a Liga dos Campeões ou a conquistar a Taça UEFA.» E sobre a UEFA, lá vem a recordação da eliminatória perdida com o Inter de Milão: «Em San Siro, o Benfica deu um festival de futebol, mas os italianos, no contra-ataque, derrotaram-nos.»

José Mourinho, o Euro, Scolari...

No livro, Camacho dedica palavras a outras personalidades. Por exemplo: «Considero que José Mourinho é um treinador que marcou uma época no futebol português e que merece ser reconhecido pelos portugueses. Demonstrou ser um dos melhores treinadores da Europa e isso é uma referência para Portugal.» Sobre o Euro-2004, diz Camacho que «Portugal, parece-me, teve alguma sorte na parte final do jogo contra a Espanha », mas nem por isso deixa de elogiar o seleccionador português Luiz Felipe Scolari: «Para mim, foi, sem dúvida, o melhor treinador.» E num auto-retrato: «Considero-me uma pessoa atípica no futebol. Normalmente quando alguém se envolve no mundo do futebol parece que está às ordens dos demais. Eu estou sempre por minha conta. (...) Por isso, só aceito contratos por um ano, porque não quero ficar onde estou se não me sentir bem.»
O livro está cheio de recordações de Camacho e o treinador espanhol procura claramente mostrar como parte do seu coração continua benfiquista. Chega a afirmar: «Esta forma de estar, de viver e de sentir o Benfica é algo muito bonito e muito difícil de igualar.»

Ainda há esperança por Miguel
OS responsáveis pelo departamento clínico do Benfica ainda acreditam que seja possível recuperar Miguel a tempo de o lateral-direito participar no importante jogo contra o Sporting, no dia 8 de Janeiro. A esperança é ténue, mas o jogador está a responder bem ao tratamento e — à semelhança dos outros lesionados do plantel — tem menos férias e trabalha duas vezes por dia durante esta quadra festiva. Em breve iniciará contacto com a bola e começará a acelerar para encarar os leões.

Operado ao joelho direito no passado dia 25 de Novembro, Miguel está neste momento a realizar tratamento e trabalho específico, duas vezes por dia e na companhia do enfermeiro Rodolfo Moura. Segundo apurou A BOLA, o jogador está a cumprir as etapas de recuperação de acordo com o previsto e os responsáveis clínicos da Luz acreditam que Giovanni Trapattoni , o treinador italiano do Benfica, ainda pode ter uma réstia de esperança de poder convocar Miguel para o primeiro jogo após as férias de Natal, em Alvalade, frente ao Sporting.
Neste momento ninguém pode afirmar se o lateral-direito estará, ou não, pronto para jogar, mas o que realmente é verdade é que estão a ser feitos todos os esforços para que esteja disponível para o derby, sem prejuízo da sua condição clínica e física.
É provável que ainda esta semana Miguel recomece a trabalhar com bola e, consoante a resposta do joelho direito, será possível dizer se Trap pode contar com ele para o ataque ao covil do leão.
Nuno Gomes, Ricardo Rocha, Paulo Almeida e Luisão são os outros lesionados do plantel e todos eles podem recuperar a tempo do embate de dia 8. Os portugueses, após o fim-de-semana, retomam hoje as sessões de tratamento e trabalho específico, enquanto os estrangeiros (Luisão e Paulo Almeida) regressam amanhã. Everson foi operado na sequência de uma pubalgia e é uma baixa segura para os próximos desafios.

Manuel Fernandes persegue na Luz o talento de Makelele ou Edgar Davids... mas o ídolo é Redondo
NÃO é todos os dias, nem são todos os jogadores que merecem elogios como os de José Mourinho. «Tenho dúvidas que Makelele, com a idade de Manuel Fernandes, tivesse o seu talento», disse o treinador português do Chelsea. Não são para todos as palavras de Giovanni Trapattoni: «É um fenómeno. Davids só sabe jogar com bola, Manuel Fernandes também joga sem ela.»

É ainda um menino, cabo-verdiano, naturalizado português. Tem apenas 18 anos, mas apesar de ter atingido a maioridade ainda lhe falta percorrer muito caminho no mundo do futebol. E tudo indica que ele será longo e bem-sucedido. Foi lançado na equipa principal por José Antonio Camacho, na 23.ª jornada da época passada, frente ao Belenenses. Nesse desafio esteve apenas um minuto em campo. O primeiro de muitos. O único golo que contabiliza na SuperLiga também aconteceu sob comando do técnico espanhol, frente ao Gil Vicente (2-1), igualmente na temporada de 2003/04. Esta época, com Trapattoni, já realizou 13 jogos e contabiliza 1095 minutos em campo...
Manuel Fernandes é um dos pilares deste Benfica e um dos maiores activos da SAD no que ao plantel diz respeito. Certamente que olheiros de muitos clubes de dimensão mundial o seguem. Seguramente que em breve será um dos jogadores mais cobiçados do plantel. Sabendo disso, os dirigentes renovaram contrato com Manuel Fernandes até 2010.
O menino que recebeu rasgados elogios de José Mourinho, e também de Trapattoni, é tranquilo. Personalidade forte, mas humilde. Não discute com os árbitros e pouco liga aos confrontos de palavras com adversários. Viaja de comboio para os treinos e não gosta muito de falar com a Comunicação Social.

Benfica descansa mais
NÃO se pretende aqui fazer juízos de valor, apenas uma constatação: o Benfica é a única equipa da SuperLiga que só volta a trabalhar em Janeiro, mais precisamente no dia 3. Dos restantes 17 clubes, 8 regressam hoje às lides, 5 amanhã (entre os quais o Sporting), 3 na quarta-feira e um na quinta (FC Porto).

Com excepção dos atletas que se encontram lesionados — Luisão, Miguel, Ricardo Rocha, Paulo Almeida, Everson e Nuno Gomes regressam esta semana de férias para continuar a cumprir os respectivos programas de recuperação—o grupo encarnado terá direito a maior período de descanso do que os demais emblemas da SuperLiga.
As águias entraram oficialmente de férias no dia 23 (quinta-feira passada) e só voltam a pegar ao serviço no dia 3 do novo ano. Uma situação única entre os 18 clubes que disputam a SuperLiga.
Vejamos: Boavista, Sp. Braga, U. Leiria, Belenenses, Beira-Mar, Gil Vicente, Estoril e Moreirense regressam hoje aos treinos. Amanhã será a vez de Sporting, Rio Ave, V. Guimarães, Nacional e Académica e na quarta-feira de V. Setúbal, Marítimo e Penafiel. No dia 30 segue-se o FC Porto, embora os atletas que se deslocaram para fora do país tenham direito a mais um dia de tolerância, devendo apresentar-se na sexta-feira, último dia do ano.

Polémica no ano passado...

A opção do Benfica, que se ficará a dever ao elevado número de lesionados e, em consequência, ao desgaste a que o plantel (muito espremido) tem sido submetido, é uma reedição do que aconteceu na temporada transacta.
Recorde-se que, então com Camacho, o Sporting voltou mais cedo ao trabalho (inclusive treinou-se no dia 1) e acabou por vencer na Luz por 3-1, naquele que foi o primeiro compromisso do ano. Coincidência ou não, a situação gerou alguma polémica, com os adeptos a criticarem as férias extra dos encarnados em relação aos rivais.



domingo, dezembro 26, 2004

Nuno Gomes é o primeiro reforço para « derby»
PARECE ser um dado cada vez mais adquirido. O primeiro reforço para o derby e para o resto da época vem de dentro. Nuno Gomes deve recuperar a tempo do encontro de Alvalade (dia 8) e aí poderá ter a oportunidade para quebrar um duplo enguiço: marcar no reduto do leão e fazer o eterno golo 100 no campeonato.

Enquanto a SAD não apresenta nomes que possam fazer sorrir de esperança os adeptos benfiquistas para o resto da presente época, a palavra reforço tem de ser adaptada às circunstâncias. Parado há quase dois meses após um choque com Marco Tábuas no decorrer do jogo com o V. Setúbal, na Luz, a 7 de Novembro, Nuno Gomes parece ser o reflexo de uma nova onda positiva que as férias natalícias vão proporcionar ao plantel encarnado, fustigado com muitas contrariedades. Quando se lesionou, o tempo de paragem previsto rondava cerca de um mês, mas inesperadamente o camisola 21 foi obrigado a estender o tratamento por mais algumas semanas. Chegado a este ponto, na Luz todos acreditam que Nuno Gomes já está praticamente apto.

Titular ou trunfo

À semelhança dos outros lesionados, o internacional português volta a trabalhar amanhã. Ao que tudo indica, já realizando muito trabalho com bola, de maneira a que no dia 3, quando regressarem os restantes atletas, se treine sem limitações. Devido ao longo tempo de paragem, é provável que o ponta-de-lança não esteja em condições para Giovanni Trapattoni o colocar a titular. Mas à falta de ritmo competitivo Nuno Gomes pode compensar com a experiência (mais de 400 jogos como sénior), um dado que pode fazer o técnico reflectir bastante na preparação do encontro com o Sporting.

Só um tiro aos leões

Nuno Gomes é o máximo goleador a actuar no campeonato português (167 golos) mas tem uma dívida para com os adeptos: nunca marcou em Alvalade em jogos para o campeonato — só facturou frente aos leões por uma única vez, a 30 de Maio de 1999, na velha Luz (3-3). Outro dos motivos de interesse é saber se o ponta-de-lança atingirá o eterno golo 100 na SuperLiga, o qual persegue desde o dia 24 de Abril , quando fez o 99.º remate certeiro ante o Estrela da Amadora, decorria a época 2003/04. A meta dos 100 golos ao serviço dos encarnados já foi alcançada e ultrapassada com o bis frente ao Heerenveen, mas por uma questão de honra pessoal certamente que o avançado quer chegar a esse patamar o mais rápido possível.

Miguel de fora

Se Nuno Gomes representa uma boa notícia para os benfiquistas, o mesmo não se aplica a Miguel. O lateral foi operado ao joelho direito a 25 de Novembro e ainda nem se treina com bola. É uma carta fora do baralho para o derby.

Golos não salvam Sokota
A frieza dos números não deixa dúvidas, goste-se ou não das qualidades de Tomo Sokota: o Benfica vai dispensar o segundo melhor marcador das últimas quatro temporadas (28 golos), sendo que nas duas primeiras o croata pouco jogou, devido à grave lesão com que se debateu.

Foi em Junho de 2001 que o Benfica apostou nas qualidades do melhor marcador do campeonato croata: 21 (99/00) e 20 (00/01) golos, respectivamente. Uma folha de serviço que já havia despertado igualmente o interesse do rival Sporting.
A verdade é que Sokota não foi feliz nos primeiros passos na Luz, cedo debatendo-se com uma grave lesão no tendão de Aquiles do pé direito. Uma situação que obrigou a duas operações e que chegou mesmo a colocar a sua carreira em risco, afastando-o dos relvados durante cerca de ano e meio.
Assim, o prometedor início de época em 2001/2002 (dois golos) teve de ficar adiado para a recta final da temporada de 2002/2003, já com Camacho no comando técnico. Jogou mais, marcou mais (4 golos). Explosão O ano passado esperava-se a explosão em definitivo do croata e este somou 14 golos (11 deles na SuperLiga e 3 na Taça de Portugal). Nada de extraordinário, mas ainda assim um registo assinalável para quem não é o típico matador, conjugando finalização e construção. Por aí se percebe que o seu rendimento tenha sido quase sempre superior num esquema de dois avançados, sobretudo com Nuno Gomes a seu lado. Oscilação Esta temporada, a última de ligação contratual ao Benfica (depois de uma presença muito discreta no Euro2004), Sokota tem-se pautado pela irregularidade exibicional e pela menor utilização, contabilizando, ainda assim, um total de sete golos (4 na SuperLiga, 3 na Taça de Portugal), decorrido menos de metade do período competitivo.

Atrás de Simão

Quinto melhor marcador na temporada 2002/2003 (a par de Fehér, com quatro golos), o croata, 27 anos, saltou para o segundo lugar do ranking na temporada passada: Simão apontou 12 golos na SuperLiga e 15 em todas as competições, Sokota marcou 11 na SuperLiga e 14 no total. Este ano mantém a viceliderança (8 golos contra 15 de Simão e, por exemplo, 5 de Karadas).
Contas feitas às últimas quatro temporadas (a presente ainda em curso), Sokota, com 28 golos, é o segundo melhor marcador do clube, atrás de Simão (59) e à frente de Tiago (25) e Nuno Gomes (24). Estes dois, contudo, contabilizam menos uma época. Será a sua dispensa um luxo ou uma medida acertada (face à falta de acordo para a renovação)? A verdade é que Sokota está de saída, já em Janeiro (como pretende o Benfica) ou no final do contrato, a custo zero. O Hertha de Berlim é o principal interessado, entre outras propostas, e também se fala de Portugal.

Roger mais perto de ficar na Luz
O Corinthians era o clube que maior interesse demonstrou em contratar Roger, mas neste momento já pensa noutro jogador. O médio brasileiro do Benfica tem contrato até 2006 e indicações para se apresentar na Luz nos primeiros dias de Janeiro. São cada vez mais fortes as possibilidades de ficar no plantel de Trap até final da época, embora não faça parte dos planos e o Benfica permaneça firme na intenção de o vender em definitivo.

A SAD benfiquista continua firme na intenção de não voltar a emprestar Roger e apenas aceitar propostas para a compra do médio, cujo contrato termina em 2006. Após finalizar a campanha no Fluminense — onde jogou esta época por cedência do Benfica — o Corinthians aparecia como o clube melhor colocado para a compra do passe do brasileiro. Todavia, o cenário alterou-se. O actual treinador da equipa de São Paulo, Tite, tem uma proposta do Japão e ainda a opção de ficar no Corinthians (esta é a mais forte) e vai tomar uma decisão já amanhã. É Tite quem vai definir o plantel e, nomeadamente, se o clube deve, ou não, avançar para a compra dos direitos desportivos de Roger. Como alternativa aparece Felipe, jogador para a mesma posição que se libertou do Flamengo e tem o passe na mão. Felipe é, portanto, um jogador mais barato que Roger e representa uma transferência de processo mais simples, pelo que é muito possível que o Corinthians avance neste sentido.

Apresentação no dia 3

Caso não seja encontrada uma solução para o jogador, Roger tem se apresentar na Luz no próximo dia 3, à semelhança dos outros jogadores do plantel benfiquista. Nessa altura a SAD analisará com Roger qual é a melhor solução. Tendo em conta a falta de alternativas concretas, ganha consistência a possibilidade de o jogador ficar mais algum tempo na Luz, reforçando o plantel às ordens de Trap. Roger é um médio muito bem cotado no Brasil e não faltam clubes que gostariam de o contratar. O problema é o ordenado que ganha — perto de 125 mil euros por mês. Outro ponto da questão é a irregularidade que apresenta nas equipas em que joga e que já lhe trouxeram dissabores. No Fluminense, por exemplo, acabou por sair em litigio com o treinador a apenas três jornadas do final da época.
As namoradas, a vida pessoal instável, prejudicam-no no Benfica, como no Brasil. Apesar do seu talento continuar a ser admirado, o seu espaço no futebol diminui.



sexta-feira, dezembro 24, 2004

Fim da linha para Sokota
É definitivo, o Benfica não vai renovar contrato com Tomo Sokota. Quase quatro anos depois de ter chegado à Luz, é o fim da linha para o ponta-de-lança croata. A partir de Janeiro o camisola 25 pode comprometer-se com outro clube, embora tenha ainda seis meses de vínculo para cumprir. O interesse dos responsáveis encarnados é vender já o seu passe.

Sokota não faz parte dos planos do Benfica para a próxima temporadaÉ um dado adquirido que Sokota vai sair do Benfica, restando a dúvida em relação ao timing em que tal acontecerá. Isto é, o ponta-de-lança pode rumar a outras paragens já em Janeiro, por uma verba que nunca seria muito significativa, ou em Julho, altura em que termina o seu contrato com o Benfica. Apesar do empresário do jogador ter prevista uma deslocação a Lisboa, no início do ano, a verdade é que a decisão dos responsáveis encarnados está tomada: não contam com Sokota para a próxima época. Nesse sentido, é de todo o interesse do clube vender o passe de Sokota durante o mês de Janeiro, conseguindo assim ganhar algum dinheiro com a transferência. Nunca seria um encaixe significativo, dado tratar-se de um jogador em final de contrato. Tudo aponta mesmo para que Tomo Sokota permaneça na Luz até final da época, uma vez que os clubes interessados na sua contratação não estão dispostos a abrir os cordões à bolsa nesta fase, sabendo que dentro de seis meses poderão contar com o jogador a custo zero. As negociações para a renovação contratual arrastaram-se durante vários meses, mas esbarraram sempre na divergência de verbas. Face ao impasse, os responsáveis do Benfica resolveram sair de campo e começar a pensar em alternativas. Isto apesar de ambas as partes, sobretudo Sokota, sempre terem manifestado o desejo de entendimento.

Obras paradas à espera de nova empreitada
As obras do centro de estágio do Seixal estão totalmente paradas há mais de duas semanas. A BOLA visitou o estaleiro e deparou-se com um vazio total de homens e máquinas, o que é justificado por questões técnicas e financeiras. A empreitada relativa às terraplanagens e construção de estruturas base está terminada e agora espera-se pela outra fase, a qual está dependente de verbas libertadas pelo próprio clube, o que deverá acontecer no início de Janeiro.

Drenagens, terraplenagens, bancada e balneários do campo principal estão prontosLuís Filipe Vieira tem vindo a prometer que o futuro centro de estágio do Benfica, no Seixal, estará totalmente pronto em Setembro de 2005 e utilizável em meados de Julho— enquanto a equipa trabalha ultimam-se as acessibilidades e o edifício de apoio. No entanto, será uma corrida contra o tempo se esse prazo continuar como meta, uma vez que neste momento as obras estão totalmente paradas. A BOLA visitou o local há uma semana e constatou o que os próprios responsáveis benfiquistas não têm problemas em confirmar: nem homens, nem máquinas, nem barreiras de protecção que impeçam a entrada de um qualquer transeunte no estaleiro são visíveis. É, por agora, este o estado do futuro centro de formação estágio dos encarnados.

Falta um «click»

A explicação é simples: a fase das terraplanagens, drenagem dos terrenos e construção das estruturas-base está feita — as bancadas e balneários do campo principal — o que foi levado a cabo pela construtora que edificou o novo Estádio da Luz, a Somague. Mas agora é necessário iniciar a fase seguinte, só que desta feita será o próprio clube a custear. Conhecendo as dificuldades financeiras existentes no seio da águia, percebe-se o óbvio: sem dinheiro não há máquinas e homens. Ao que A BOLA apurou, é desta que os encarnados estão em condições de dar luz verde para o arranque definitivo das obras, ou seja, a partir do início de Janeiro. Segundo explicaram ao nosso jornal, a paragem existente não é positiva mas não representa um «problema de maior gravidade». A segunda fase dos trabalhos é considerada «mais fácil e mais rápida» e o Benfica «ainda está a tempo» de cumprir os prazos estipulados pelo próprio presidente. Um estádio construído em dois anos explica a relativa serenidade da águia sobre este tema.



quinta-feira, dezembro 23, 2004

Atitude dos jogadores terá de ser outra
Luís Filipe Vieira esteve ontem na cerimónia de assinatura de contratos profissionais de três jovens da formação encarnada—Tiago Gomes, Hélio Roque e João Vilela— mas acabou por abordar também a guerra de palavras com Pinto da Costa, os novos contornos das relações entre Fisco e Liga clubes ou o facto de Zahovic ter tirado a camisola aquando da substituição durante o jogo de anteontem. O discurso acabou, porém, por centrar-se na forma de estar da equipa, que não deixou saudades entre os benfiquistas. E o presidente até deixou um aviso — aquela atitude que não se repita com os leões.

Luís Filipe Vieira esteve a tratar de assuntos pessoais e não assistiu ao encontroA causa era boa, ou não se tratasse da assinatura de contratos profissionais com as mais recentes esperanças encarnadas, mas a passagem de Luís Filipe Vieira pela sala de Imprensa do Estádio da Luz acabou por trazer consequências à equipa principal do Benfica. O presidente começou por usar alguma diplomacia, comentando que nem sequer tinha visto a partida, mas depressa chutou a contenção para canto. «Aproveitem que estou aqui e estou bem disposto», disse, logo que Hélio Roque, Tiago Gomes e João Vilela abandonaram a mesa. A deixa foi aproveitada para passar uma revista pela actualidade benfiquista.

À defesa

«Não estive na Luz. Tive uma reunião de uma empresa minha e não vi o jogo. Nem sequer ouvi o relato. Mas vai sucedendo... e a memória das pessoas é curta... Há dois ou rês anos, determinado clube foi eliminado por uma equipa da segunda divisão e ninguém fez perguntas. Foi mais um jogo de futebol, em que o Benfica eliminou uma equipa que soube respeitar e ponto final parágrafo.»

Contenção

«Acho que as equipas respeitam o Benfica, mas dentro das quatro linhas... Já dissemos que o campeonato está bastante competitivo, as equipas hoje em dia estão desinibidas e uma equipa que vem ao Estádio da Luz, ainda por cima da III Divisão, não podia pensar, obviamente, de outra maneira que não dar tudo o que tem lá dentro»

Ao ataque

«Compete aos nossos jogadores assumirem as suas próprias responsabilidades e saberem que têm de respeitar todos os adversários. No caso de ontem [anteontem] é lógico que houve alguma inércia por parte da jogadores, o que é condenável. Qualquer jogador nosso deve respeitar qualquer adversário. Em nossa casa temos demandar e era uma equipa amadora. Não voltará a acontecer, de certeza absoluta»

«Derby»

«Os nossos jogadores têm dignificado a camisola e tem existido um flagelo de lesões. Obviamente que a atitude dos jogadores terá de ser outra, pelo menos em relação ao jogo com uma equipa da III Divisão. De certeza que essa atitude, nomeadamente a da primeira parte — o nosso treinador até disse que mereceram os assobios — não vai repetir-se. Aliás, no jogo com o Sporting a motivação até será outra»

Relações

«Benfica e Sporting nunca estiveram de costas voltadas e brevemente haverá mesmo hipótese de aprofundar as relações entre os clubes»

Zahovic

«Quando alguém não respeitar o clube de certeza que tomaremos medidas, seja Zahovic ou outro qualquer. Se houve um caso no jogo com a Oliveirense então mais tarde a Administração irá pronunciar-se»

Fisco

«Somos um clube da Liga e vamos seguir as directrizes da própria Liga, pois o acordo foi feito entre a Liga e o Governo. Mas o Benfica tem os impostos em dia, não está preocupado»

Formação

«Temos aqui três jovens, Tiago Gomes, Hélio Roque e João Vilela, que a partir deste momento estarão periodicamente perto do plantel principal para assim evoluírem, casos, aliás, idênticos aos de João Pereira e Manuel Fernandes. São valores que um dia mais tarde iremos ver, seguramente, com a camisola principal do Benfica. Assim eles entendam, assim eles saibam aqui estar e o desafio que lhes lançámos é bastante importante. Depende apenas deles, mas qualidade eles têm-na. Depende deles, da cabeça deles, mas pensamos que eles têm os pés bem assentes no chão, que querem lá chegar e singrar na equipa do Benfica. Cabe ao técnico [Giovanni Trapattoni] decidir se integrarão já o plantel principal. Contratos têm a duração mínima de cinco anos»

«Guerrilha»

«Não merece comentário algum, para não dizer que dá vontade de rir»

Gostava de continuar a lateral-direito
Desde que recuou no terreno e passou a jogar no seu lugar de origem a qualidade das exibições melhorou bastante. João Pereira tem sido um dos melhores elementos do sector defensivo desde que Miguel se lesionou e assim quer continuar, apesar da forte concorrência, pois garante que é a posição onde mais se sente à vontade. Definitivamente, não lhe agradaria continuar a alimentar uma ilusão que o deixa frustrado: a médio direito nunca mais... a não ser que as necessidades da equipa o obriguem.

«Derby» bem-vindo!Foi com José Antonio Camacho que deu um pulo de gigante no que toca à notoriedade, pois o espanhol apostou naquele pequeno lateral-direito da equipa B logo na primeira jornada do campeonato 2003/04, no Estádio do Bessa, para o lugar de médio direito. Aí continuou, marcou golos, os adeptos viram nele a nova geração de jogadores da casa, foi convidado a assinar o primeiro grande contrato profissional, mas à medida que o tempo foi passando as exibições foram decrescendo de nível até que, na presente época, já com Trapattoni, deu o estoiro, a ponto de muitas vezes o seu nome provocar imediatos assobios da exigente massa associativa. Ontem, João Pereira deu a grande explicação para este looping de virar tripas que muitos dos jovens elevados precocemente a estrelas são protagonistas. Afinal, tentaram fazer dele um extremo que decidisse jogos quando essa não é a posição para que está realmente talhado, tornando a ilusão cada vez mais angustiante para o próprio atleta. «Fui adaptado a médio direito e tentei desenrascar-me o melhor que pude. Mas quem me acompanha desde as camadas jovens sabe que sempre fui lateral direito», afirmou João Pereira, numa reacção óbvia à constatação que todos fazem: é a defesa-direito que pode fazer carreira no Benfica e será ele o substituto natural de Miguel caso o camisola 23 abandone o clube. João Pereira não se escuda no habitual chavão jogo onde o mister quiser e não tem receio de garantir o que quer para o futuro: «Gostava de continuar a lateral-direito. É a posição que mais gosto. É complicado mas há que acreditar.»

Solidário com necessitados

João Pereira prestou estas declarações após associar o seu nome ao Cartão Solidário, do qual fazem parte, entre outros, Rui Costa e Vítor Baía, numa cerimónia que decorreu num centro comercial em Santarém. Depois deslocou-se à unidade de pediatria do hospital local para distribuir sorrisos e prendas. «Não custa nada ajudar os mais necessitados. Mas é pena que muita gente só se lembre destas pessoas no Natal», frisou.

Trapattoni prepara «derby» a partir de 3 de Janeiro
Os jogadores do Benfica entraram ontem em férias. Para hoje estava marcado mais um treino, mas Giovanni Trapattoni resolveu cancelar a sessão. O plantel apenas volta a concentrar-se no dia 3 de Janeiro, para preparar o jogo contra o Sporting. Nessa altura, esperam os benfiquistas, já estarão disponíveis muitos dos atletas que agora se encontram a recuperar de lesões. E, quem sabe, alguns reforços.

A maioria dos estrangeiros viajou ontem e os lesionados são os primeiros a regressar para prosseguirem tratamentosO plantel benfiquista treinou-se ontem, na Luz, já sem alguns dos seus jogadores, como Luisão, Geovanni e Argel, que seguiram para o Brasil para passar o Natal. A sessão foi, pois, condicionada, e não só para Nuno Gomes, Paulo Almeida e Ricardo Rocha, que trabalharam sob as ordens do enfermeiro Rodolfo Moura. Outros houve ainda que correram no relvado ou fizeram trabalho de ginásio. Foi assim o último treino dos encarnados antes das férias, pois Trap resolveu cancelar a sessão agendada para hoje. O plantel volta então a concentrar-se apenas no dia 3 do próximo mês, de forma a preparar o importante encontro de dia 8, com o Sporting. Os lesionados (Miguel, Nuno Gomes, Luisão, Paulo Almeida e Ricardo Rocha) regressam um pouco mais cedo, de forma a continuarem os programas de recuperação. O departamento de futebol encarnado está muito esperançado de que estes atletas possam apresentar-se em condições de defrontar o Sporting.

Argel e Fyssas jogam nas férias

Argel viajou ontem e ainda a tempo de participar no jogo de despedida de Narciso — jogou com Argel no Santos — que se realizou em Porto Alegre. A SAD encarnada foi informada. O mesmo se passa em relação a Fyssas, que vai representar a Grécia num jogo particular, cuja receita reverterá a favor das vítimas de uma cheia que se registou em Salónica. É no dia 28.



quarta-feira, dezembro 22, 2004

Benfica 4 - 1 Oliveirense
(após prololgamento)

49m
1-1 Sokota é derrubado na área contrária e Simão na cobrança do penalty restabelece a igualdade.

96m
2-1 Já no prolongamento, Cristiano coloca o Benfica em vantagem com um autogolo.

112m
3-1 Sokota marca de cabeça e acaba com o jogo.

114m
4-1 Geovanni remata de longe e fecha a contagem.

Arbitragem

BRUNO PAIXÃO (4)
Assinalou três penaties e em todos está bem posicionado para ver as infracções, ainda que a Oliveirense tenha protestado vigorosamente no terceiro. Disciplinarmente começou condescendente e acabou muito severo para os visitantes, que viram dois jogadores expulsos por faltas banais.

Melhor em Campo

MANUEL FERNANDES (Benfica)
O miúdo lançado na época passada por José António Camacho transformou-se num senhor jogador e já faz parte do tal núcleo duro da equipa. Com apenas 18 anos, Manuel Fernandes é um poço de força, tem técnica apurada e pode até dar-se ao luxo de perder passes para recuperar de uma forma quase felina e está a especializar-se em remates do meio da rua. Quase no final levou a bola a embater no poste esquerdo. Na sequência da jogada, Sokota concretizou.

Sala de Imprensa
GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Trapattoni não gostou da sesta
Sentiu que as palavras na palestra caíram em saco roto e por isso Giovanni Trapattoni estava bastante insatisfeito com o rendimento da equipa na primeira parte. No intervalo lembrou aos seus pupilos que os jogos não se ganham com as camisolas e que era preciso colocar outra atitude para levar de vencida uma equipa da III Divisão. O alerta resultou e no final do jogo o técnico italiano acredita que os atletas «aprenderam uma lição». Foi esta a leitura que o treinador do Benfica fez dos 120 minutos jogados, dividindo o encontro em duas partes bem distintas— o antes e o pós-intervalo. «Estiveram todos a dormir durante a primeira parte. Graças a Deus despertámos no segundo tempo. Fomos muito presunçosos nesse primeiro período e desta vez dou razão aos adeptos por terem assobiado», começou por dizer o italiano na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo. Trap tinha avisado, com base em várias observações dos jogos do adversário, que a AD Oliveirense tinha «jogadores experientes e com grande atitude» e pior que isso foram os próprios tiros nos pés dados pelos jogadores encarnados. «O golo da Oliveirense foi fruto de uma desatenção », exemplificou, não atribuindo explicações para 45 minutos tão maus devido às ausências de Giovanni e Petit — «o problema foi a mentalidade e espero que todos tenham percebido que é importante jogar sempre da mesma maneira, seja o adversário da primeira ou da quarta divisão. Creio que os jogadores aprenderam hoje [ontem] uma lição», frisou. Mas Trapattoni virou a página e diz que gostou da resposta ao repto: «Mostrámos uma atitude completamente diferente e o jogo mudou. Conseguimos criar muitas oportunidades de golo e vencemos justamente. »

Falei com Zahovic e ele compreendeu

Sem que lhe perguntassem, Giovanni Trapattoni teve depois a necessidade de explicar a substituição de Zahovic por Sokota. «É sempre uma pena tirar um jogador aos 25 minutos. Comecei o jogo com mais um médio, mas depois decidi que era preciso ter um jogador com mais peso na área. Já falámos e Zahovic compreendeu», afirmou.

Não tenho medo do Sporting

O próximo jogo é o grande derby e Trapattoni fez também questão de realçar as diferenças: «Hoje era um jogo especial. Com o Sporting a motivação é completamente diferente e o estado psicológico também. Regressam alguns lesionados e por isso não tenho medo desse derby!»

Não me considero um fenómeno
Foi mais uma vez o melhor jogador da equipa e o melhor em campo. Regressado de castigo, Manuel Fernandes voltou a transmitir a agressividade e agilidade ao meio campo encarnado e não só A BOLA como os adeptos do clube elegeram-no o mais valioso do jogo. Estas considerações parecem cada vez mais dar razão a Giovanni Trapattoni que o considera «um fenómeno».

Manuel Fernandes voltou a destacar-seNo entanto, o internacional sub-21 parece não deixar subir à cabeça as parangonas. «Não me considero um fenómeno. Mas se o mister disse isso fico muito satisfeito», confessou Manuel Fernandes no final do jogo de ontem, em conferência de Imprensa. Com a mesma clareza e ideias sintéticas respondeu a um alegado interesse do Celtic de Glasgow: «Sinceramente não sei de nada.»

Trapattoni está cá para nos dar lições

É raro ouvir declarações de Manuel Fernandes. Ontem foi uma oportunidade para perceber como o médio encara tudo o que envolve o jogo. Sem se alongar nas respostas mas com um inesperado sentido crítico apurado, o camisola 37 explanou as suas razões para que os encarnados tivessem encontrado tantas dificuldades perante um adversário que milita na III Divisão. «Nós é que criámos as dificuldades », atirou, a seco, desenvolvendo o raciocínio: «Podíamos ter resolvido o jogo muito mais cedo. Faltou-nos atitude na primeira parte mas na segunda mudámos esse aspecto e conseguimos vencer.» Momentos antes Giovanni Trapattoni tinha afirmado que os jogadores tinham aprendido uma lição. Também o afirmara no final de outros encontros, nomeadamente frente a Belenenses ou Estoril, num indício claro de que as más exibições não são casuísticas. Mas mais uma vez Manuel Fernandes conseguiu surpreender com grande frontalidade e simplicidade raras num futebolista de 19 anos. «As lições são necessárias. É para nos dar lições que o mister está cá!», disse, não dando hipótese a contra-ataque, tal como faz em campo. O centro-campista que o técnico italiano considera ser mais completo que Edgar Davids teve ainda oportunidade para abordar, ao de leve, o próximo jogo frente ao Sporting, agendado para 8 de Janeiro: «Penso que foi um bom ensaio geral para o derby.»




Até já, VALDO!
Aos 40 anos, Valdo colocou, enfim, um ponto final na sua longa carreira de futebolista. Um exemplo, enquanto profissional, mas também como ser humano, o antigo jogador do Benfica nunca baixou os braços e, até ao derradeiro apito, entregou-se ao que mais gostava, ajudando o Botafogo a conseguir a salvação. Agora, o próximo passo será dado em Portugal, onde chegará em Janeiro.

Missão cumprida: o último jogo de Valdo permitiu ao Botafogo manter-se no Brasileirão. Agora sim, adeusValdo chegou à Luz em Agosto de 1988. O Benfica sarava ainda as feridas de uma derrota na final da Taça dos Campeões Europeus, ante o PSV Eindhoven, depois de um tristemente inesquecível desempate por grandes penalidades. O jovem brasileiro, então com 24 anos, trazia no currículo a presença no Mundial do México e fazia renascer as esperanças benfiquistas na continuação de um futuro risonho. Não se enganaram os que nele acreditaram. Com o seu futebol perfumado e tacticamente próximo da perfeição, o franzino brasileiro ajudava o Benfica a conquistar dois títulos nacionais (1988/89 e 1990/91) e nova presença na final dos Campeões, desta vez frente ao Milan, em 1990. Uma vez mais, porém, a águia caía no derradeiro instante, saindo derrotada por 1-0. Um ano depois, Valdo, ao lado de Ricardo Gomes, partia rumo à aventura francesa no PSG, abrindo as portas a um jovem que começara a despontar nas camadas jovens e que, na época anterior, representara, por empréstimo, o Fafe: Rui Costa. «Não precisam de contratar nenhum número 10. Têm um de enorme qualidade nos quadros», disse Valdo, antes de partir para Paris, onde jogou durante três temporadas, ao fim das quais regressava ao Benfica. Tinha, então, 31 anos. Corriam os boatos de que estava velho, de que estava lento. A resposta deu-a nos relvados, realizando uma das suas melhores épocas de sempre. Anteontem, depois de seis anos em alta no Brasil, colocou ponto final na grandiosa carreira. O regresso a Portugal é o próximo passo. «Para ser treinador», diz.

Um dia, vou treinar o Benfica
Valdo parecia eterno mas, aos 40 anos, colocou mesmo um ponto final na sua longa carreira de futebolista. Aconteceu anteontem, depois de derradeiros 90 minutos de dramatismo na luta pela permanência do Botafogo entre a elite do Brasil. Objectivo cumprido, o antigo jogador do Benfica já está a pensar no futuro imediato. Por agora, tem como certo o regresso a Portugal, que acontecerá em Janeiro. E, em entrevista a A BOLA, Valdo revela que nos seus planos está o sonho de um dia treinar o Benfica.

Marta, a mulher de Valdo, é portuguesa e foi determinante para a decisão de regressar Ao longo de quase duas horas de conversa, as dúvidas ficaram totalmente dissipadas: Valdo continua a guardar o Benfica no seu coração e é com carinho, emoção e muita saudade que, hoje, fala da sua antiga equipa e dos amigos eternos que deixou para os lados da Luz. Dois dias depois de, coma camisola do Botafogo, ter-se despedido da carreira de futebolista, a águia voltou, como nunca, ao pensamento do número 10. Ao ponto de ter surpreendido a reportagem de A BOLA com uma camisa vermelha e branca propositadamente vestida para a sessão fotográfica:
— Vivi momentos inesquecíveis na Luz. Foram anos gloriosos que ficaram para sempre no meu coração. Obviamente, tive épocas maravilhosas noutros clubes, mas o Benfica significou sempre algo diferente na minha vida. Quase como um filho que deixei para trás e no qual penso muitas vezes. Há muito que acalento um sonho e sei que um dia vou treinar o Benfica.
— O que recorda desses tempos?
— Cheguei à Luz com 24 anos, cheio de aspirações e de sonhos. Quando deixei Porto Alegre, o Manuel Barbosa [empresário que intermediou a transferência] falava- me da grandiosidade que me esperava em Lisboa, mas nunca imaginei que fosse assim. Depois, vi que ele tinha razão. Foi no Benfica que me fiz jogador e que criei a minha independência. E foram tantas emoções.
— Mas passaram tantos anos... Será que, pelo meio, não se perderam algumas memórias?
— Nem pensar! Seria quase ingrato deixar fugir as recordações que guardo do Benfica com tanto carinho. Pelos vários clubes por onde tenho passado, falo sempre com orgulho da minha passagem pela Luz.
— Por que aspectos passa esse orgulho?
— O Benfica do meu tempo era conquistador, vitorioso. No meu primeiro ano, em 1988/89, fomos logo campeões. Tínhamos uma bela equipa e chegámos à final da Taça dos Campeões Europeus, com o Milan [derrota dos encarnados por 0-1]. Em 90/91, voltei a ser campeão. Foi, então, que saí para o PSG. Mas estava no meu destino que voltaria. Aconteceu em 1995. E voltei a ser muito feliz, mesmo sendo questionado a torto e a direito. Diziam que estava lento, que estava velho, mas acho que dei uma boa resposta, ao ponto de vencer o prémio de A BOLA para o melhor jogador do campeonato.
— Diziam que estava velho?
— Em todo o Mundo, o futebol está sempre rodeado verdade, mas, como já disse, acho que dei a melhor resposta, tentando dar sempre o melhor de mim.

«Benfica de hoje merecia mais»

— Continua a acompanhar o Benfica?
— Sempre que posso. Sei que tem alternado bons e maus momentos. O Benfica de hoje merecia mais, pela imensa torcida que tem e pelo historial magnífico.
— Gostaria de ter encerrado a sua carreira na Luz?
— Teria sido divino, mas, neste caso, o destino não me conduziu nesse sentido.
— A sua mulher diz muitas vezes que era esse o seu desejo...
— Por ela, eu iria agora para Lisboa para terminar a minha carreira no Belenenses, seu clube do coração e de toda a família. Fica para outra oportunidade [risos].
— Então, porque terminou no Brasil?
— Mesmo quando estava em alta na Europa, fez sempre parte dos meus planos voltar a jogar no futebol brasileiro. A ideia era jogar no Brasileirão uma ou duas épocas e, depois, voltar a Portugal. Acabei por ficar seis anos. Não me arrependo, porque vivi muitas experiências e situações variadas que me serão úteis no futuro.
— Que balanço faz da sua carreira?
— Acho que a minha conduta representa o maior legado para um profissional. Sempre cumpri os meus deveres e honrei todas as camisolas que vesti. E, no Benfica, obviamente não foi diferente, pois é uma grande honra para qualquer jogador vestir aquela camisola sagrada.



terça-feira, dezembro 21, 2004

Estádio quase pago!
O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, concedeu ontem uma extensa entrevista ao programa Estádio, transmitido em directo pela RTP Internacional e RTP África, na qual passou a pente fino toda a actualidade do Benfica. Durante hora e meia, o líder encarnado defendeu o plantel, reconheceu lacunas, reafirmou o rigor orçamental e prometeu surpresas agradáveis aos benfiquistas já em Janeiro. Anunciou ainda uma mini-cimeira com o presidente do Sporting no dia do derby, nos primeiros dias do novo ano, e lembrou que os dois rivais de Lisboa só têm a ganhar se estiverem unidos. A BOLA passa em revista, no discurso directo do presidente, o que de mais significativo ficou dito.

CRÍTICAS

Luís Filipe Vieira falou da actualidade encarnada«Como presidente do clube, não gosto de rebater as críticas. Os comentadores do FC Porto e Sporting falam sempre bem dos seus clubes, enquanto os nossos passam a vida a falar mal do Benfica. As pessoas falam mas nunca apresentam soluções. Estou habituado a isso, o importante é que temos um projecto para a área do futebol, para as modalidades e para a área comercial. Em Janeiro apresentaremos essa estratégia à Comunicação Social. Sou um homem de projectos, que detesta protagonismos. Elaboro e defino o perfil das pessoas que devem estar à frente desses projectos e, como sabem, não é fácil encontrar pessoas competentes e discretas que queiram trabalhar na área do futebol, que é muito mais mediática. »

PLANTEL

Apresentámos um plantel recheado de bons valores, capaz de lutar com os nossos adversários directos pelo título. Dizem que só temos o Simão, mas ainda há dias diziam que Argel era uma besta e depois do golo ao Belenenses já mudaram de opinião. Os benfiquistas não podem ter a memória curta. Há três anos, quando chegámos ao clube, a primeira coisa que me disseram é que não havia dinheiro. Ainda não há, mas agora há imaginação. Por exemplo, temos um estádio que nos custou 165 milhões de euros e já pagámos 100 milhões. Em relação à equipa, não me lembro, no futebol português, de um flagelo tão grande como o que atingiu o Benfica. São lesões surpreendentes, como os casos de Ricardo Rocha, Miguel ou Carlitos. Todos gostaríamos de ter mais, se porventura não houvesse compromissos a cumprir. A construir e destruir não vamos a lado nenhum.»

LACUNAS

«Em qualquer equipa, seria difícil substituir os titulares da época passada. As pessoas não podem falar muito. Há uma ou outra lacuna visível, mas não podemos estar a criar expectativas, sabendo as nossas limitações financeiras. Há uma ou outra lacuna e vamos colmatá-las, mas por respeito a todos os profissionais do Benfica não vou revelar os nomes dos reforços. FC Porto e Sporting devem andar preocupados porque, com toda esta onda de lesões, ainda estamos nos primeiros lugares. No último jogo, com o Penafiel, havia dois jogadores (Carlitos e Alcides, n.d.r.) que não estavam em condições de jogar mas tiveram de sacrificar-se. Não acredito em bruxedos, mas acredito que há bruxedo no estádio. Em Janeiro estaremos muito mais competitivos. Dois reforços de vulto? Ou se é demagogo ou sério e eu não sou demagogo. Se hoje temos credibilidade junto da banca é porque seguimos um projecto. Quando apresentamos um orçamento não podemos dizer não chega, queremos mais. Ronaldinho esteve perto do Benfica, é verdade, só não veio porque o Simão, que estava em trânsito, não saiu do clube por se ter entretanto lesionado. Se ele saísse nessa altura, vinha outro. As contratações tiveram critério, o plantel devia ter 16 ou 17 jogadores de grande qualidade e, depois, apostar-se na formação. João Pereira e Manuel Fernandes, por exemplo, foram promovidos porque sempre houve um acompanhamento dos novos valores do clube. Vamos renovar agora com três jovens da equipa B e dois deles vão fazer parte do plantel na próxima época. Paulo Almeida? Foi uma contratação de Camacho e tem de ter valor. Quando trouxemos o Luisão, também diziam que tínhamos contratado um basquetebolista, e agora elogiam-no. O Paulo Almeida é internacional, foi capitão do Santos, de certeza que tem valor. Carlitos foi revelação da Divisão de Honra, mas quase não jogou ainda devido às lesões. Em relação ao Everson, toda a gente reparou na sua lesão, mas o FC Porto contratou um jogador que foi logo operado (Leandro, n.d.r.) e ninguém fala disso. Temos um orçamento muito inferior ao do FC Porto, temos de apostar na formação.»

LESÕES

«As pessoas devem estar mais atentas. Que eu me lembre, à excepção das lesões de Miguel e Petit, todas as outras se deveram ao azar. No balneário, até digo aos jogadores para não escorregarem. São lesões incompreensíveis. Temos 9 jogadores lesionados, não podemos ter a veleidade de construir dois plantéis. O que se fez no Benfica foi um autêntico milagre, porque o clube já não existia quando chegou a Direcção do Manuel Vilarinho. Pessoalmente, não posso fazer mais, mas se há out r a s soluções que as apresentem. Estamos no topo da classificação e continuamos em prova na Taça UEFA e Taça de Portugal. Não ponham em causa o que está feito, há muito que o Benfica não estava assim. Estamos desejosos que chegue Janeiro. »

REFORÇOS

«Os benfiquistas nunca me ouviram falar de Robinho e eu é que mando no Benfica. Quando disser que vem, tudo bem. Mas o segredo é a alma do negócio. Digo apenas que estamos a fazer um esforço para reforçar a equipa em Janeiro. O Roger recebeu instruções para se apresentar no clube e não voltará a ser emprestado. Quanto a Jorginho, não faz parte dos nossos planos.»

UNIÃO

«Falo por mim. Nunca vi um balneário tão unido como este. Os jogadores têm tido grande dignidade todos os domingos. Após a derrota com o Belenenses, pessoas que me davam palmadinhas nas costas deixaram-me mensagens que nem dava para acreditar, levando-me a pensar que vivemos, de facto, num mundo de hipócritas. Mas muita gente vai engolir sapos no final da época. Moreira e Quim? Tratou-se de uma opção técnica. Moreira tem personalidade forte, superou a pressão do Ricardo e vai superar este momento. É um produto das escolas do Benfica e estamos satisfeitos com ele. Na época passada jogou muitas vezes lesionado porque Bossio também andava lesionado. Nessa altura, para salvaguardar que a situação se repetisse, ficou definido, ainda antes da saída de José Antonio Camacho, que esta época teríamos três bons guarda-redes no plantel. Qualquer um deles pode jogar.»

NÚCLEO DURO

«Petit sabe que vai acabar a carreira no Benfica. Comigo, vamos manter o núcleo duro. Queremos chegar ao limite de 17 jogadores de nível e o resto virá da formação. O Miguel pertence a esse núcleo duro, disse-lhe isso. Se aparecer uma proposta irrecusável, pensaremos no assunto, mas sei quanto ganha Miguel e hoje ele tem umbom contrato. Com Tiago foi diferente, pelo que ele ganhava e por me ter pedido para não lhe cortarmos as pernas. Depois houve o tal fantasma de José Veiga.»

TRAPATTONI

«Após a saída de Camacho, Trapattoni foi a nossa primeira opção. No primeiro contacto pediu-nos para deixarmos acabar o Euro, mas ficámos logo com a sensação de que queria treinar o Benfica. Especulou-se muito, mas não houve nada com ninguém, nem com Scolari. Perguntei apenas ao seleccionador, no hotel Altis, o que achava de Paulo Almeida, que já estava contratado. Agora falam no Robson. Faz algum sentido contratar outro treinador tendo o Trapattoni? Um manager? Alguém que venha dar-lhe lições de futebol? Ele é a continuidade de Camacho, embora alguns digam que são diferentes. Mas não vou falar de questões técnicas.»

ARBITRAGEM

«Há que distinguir as coisas. Por que razão a FIFA penalizou o fiscal de linha envolvido no lance do golo mal anulado ao Benfica, frente ao FC Porto? Por algum motivo deve ter sido. Quando fomos falar com o senhor ministro (Henrique Chaves, n.d.r.) não foi para discutir esse lance. Apresentámos assuntos sérios a uma pessoa que até é benfiquista e, por acaso, não teve a oportunidade de ir ao estádio para ver esse jogo. Não foi, contudo, por isso que solicitámos a audiência. E certamente que não terá pedido demissão do Governo por causa desse episódio, já devia estar chateado com alguma coisa e queria sair. Seja como for, não se atira nada do Benfica pela janela fora. Temo-nos batido pela arbitragem e também apresentámos propostas sérias ao major Valentim Loureiro. Fomos nós a propor, por exemplo, que entregassem a arbitragem a gente do futebol. Mas, à excepção do Sp. Braga- Sporting, nunca vimos assumirem a responsabilidade dos erros.»

RIVAIS

«No Sporting-Benfica (agendado para dia 9 de Janeiro, n.d.r.)vamos conversar seriamente sobre as relações entre os dois clubes. Nunca houve animosidade da minha parte em relação ao presidente do Sporting e acho que Benfica e Sporting só tinham vantagem em estarem unidos. Relativamente ao processo Apito Dourado, seria uma cobardia da minha parte atacar Pinto da Costa neste momento. Normalmente, quando alguém morre diz-se coitado, era boa pessoa. O processo está em segredo de justiça, ele saberá defender-se.»

A Taça é nossa temos de defendê-la!
As primeiras palavras do treinador encarnado foram para sublinhar o «carácter» e «equilíbrio psicológico e físico» da sua equipa. Trapattoni quer que os seus jogadores encarem o jogo desta tarde com a mesma mentalidade de sempre, pois o entusiasmo do adversário é uma arma poderosa e o Benfica não quer correr riscos no caminho para a ambicionada reconquista do troféu. Para tal a equipa será refrescada.

Trapattoni não quer que os seus jogadores olhem ao valor inferior do adversárioComo habitualmente, foi Giovanni Trapattoni quem primeiro tomou a palavra. «Depois de sábado, ficou provado que esta equipa tem carácter e muito equilíbrio psicológico e físico. Têm faltado jogadores importantes, mas mesmo assim ficou demonstrado que temos plantel, temos força. Esta equipa pode ganhar todos os jogos, ou pelo menos tentar», começou por dizer, apontando o desgaste inerente ao jogo com o Penafiel: «A primeira parte teve um ritmo muito elevado e intenso.» Trapattoni passou então ao tema forte, o encontro desta tarde com a AD Oliveirense, da III Divisão Nacional. «É muito importante não pensarmos que vamos defrontar um adversário inferior. Eles vão entrar em campo com 110 por cento de entusiasmo e seria um erro enorme pensarmos que já ganhámos antes de jogarmos os 90 minutos. A nossa mentalidade e atitude não pode ser essa, pelo contrário. E isto diz respeito a todos os jogadores, os que vão actuar de início e os suplentes», frisou, lembrando que a Taça de Portugal é pertença do Benfica. «O objectivo de vencer a Taça é muito importante para nós. A equipa conquistou este troféu no ano anterior, foi algo de excelente para os nossos adeptos. Devemos jogar para defender este título», alertou.

Dar força à equipa

Trapattoni não vai mexer muito na estrutura da equipa, mas vai refrescá-la. «Vão reentrar dois ou três jogadores que descansaram no domingo, casos do Fyssas e do Manuel Fernandes, uma vez que a equipa precisa de força. Temos também Zahovic disponível, mas primeiro quero ver o DVD da AD Oliveirense para decidir se jogamos com um ou dois pontas-de-lança», disse.

Se o jogo correr bem Mantorras será utilizado

É um dos momentos mais aguardados pelos adeptos do Benfica: o regresso de Mantorras à competição. No jogo com o Penafiel a dúvida manteve-se até final, mas o desenrolar dos acontecimentos não se mostrou propício à utilização do internacional angolano, mesmo que o público não se tenha cansado de gritar o seu nome. Desde anteontem (primeiro treino da semana) que Trapattoni começou a preparar o camisola 9 para o encontro de hoje, inclusive com trabalho específico e individual, pelo que era inevitável a pergunta. «Mantorras esteve muito tempo parado, é um caso especial, mas se as coisas correrem bem e o resultado estiver bom poderá entrar e começar a ganhar o seu espaço», disse o técnico italiano. Muita prudência, portanto, uma vez que Mantorras leva apenas semana e meia de treinos livres. O avançado não joga desde 7 Dezembro de 2002 em jogos oficiais (vitória por 2-0 em Alvalade, sob o comando técnico de Camacho), mas a sua última aparição foi no dia 1 de Agosto deste ano, no encontro de preparação com o Sp. Braga (1-1). Trapattoni disse ainda que Carlitos deverá ter também a sua oportunidade esta tarde.

Lobo ataca cordeiro em força
A estrutura do Benfica vai sofrer alterações mínimas no encontro desta tarde, até porque as opções disponíveis limitam o desejo de rotatividade. Será, por isso, um Benfica de primeira linha, um lobo sem dó do cordeiro. Trapattoni volta a ter 18 jogadores na convocatória, sem ter de recorrer à equipa B, e aposta nos regressos de Fyssas e Manuel Fernandes, com Zahovic em standby. Moreira ficou de fora por opção técnica.

Manuel Fernandes, após dois jogos de castigo, reedita a dupla com Petit no meio-campo O Benfica que hoje entra em campo não é o dos serviços mínimos. Prova disso é que, mesmo que o adversário fosse outro, teoricamente bem mais forte, o onze seria sensivelmente o mesmo. Uma situação que se deve às várias ausências, ainda que o panorama tenha ficado bem mais animado com os regressos de Manuel Fernandes, Zahovic (estes dois cumpriram castigos disciplinares) e Fyssas (encontrava-se lesionado). Com as férias à porta, a sobrecarga da equipa deixa de ser motivo de preocupação, embora exista natural desgaste pela proximidade com o último compromisso: foi na Luz, no sábado, diante do Penafiel. Dos três atletas acima referidos, são certas as inclusões de Fyssas (por Dos Santos) e Manuel Fernandes (por Bruno Aguiar).No restante, a estrutura base da equipa vai manter-se, permanecendo apenas duas dúvidas.

Quim ou Yannick, Zahovic ou Sokota

Com Moreira fora dos planos (já lá vamos), desde logo se levanta a questão: Quim ou Yannick? Se Quim é o novo dono das redes, então tudo leva a crer que a escolha recaia no francês. Seria até uma espécie de prémio. Trapattoni pode, contudo, optar por dar mais minutos e confiança ao português. A primeira hipótese parece a mais provável. João Pereira, Alcides, Argel, Fyssas, Manuel Fernandes e Petit formarão a defesa e meio-campo. No ataque reside a outra dúvida. Foi o próprio Trapattoni quem, na conferência de Imprensa de ontem, revelou estar indeciso entre a utilização de um ou dois pontas-de-lança. Tudo leva a crer que Sokota e Karadas voltem a actuar juntos, mas se o treinador italiano optar pela colocação de Zahovic, por estar mais fresco, então um dos dois será sacrificado, muito provavelmente o norueguês, a julgar pelo treino de ontem. Situação normal, uma vez que Karadas tem sofrido maior desgaste nos últimos tempos.

Moreira excluído

A principal surpresa da lista de 18 convocados foi mesmo a não inclusão de Moreira, ele que, frente ao Penafiel, perdeu o estatuto de totalista na SuperLiga. Trata-se de uma opção puramente técnica, supostamente para dar descanso ao jovem. Recorde-se que Trapattoni justificou a troca de Moreira por Quim, no último sábado, devido a uma «questão psicológica» e que se prende com o número de golos sofridos pelo camisola n.º1 nos últimos jogos. Manuel Fernandes, Fyssas, Zahovic e Yannick são as quatro novidades da lista ontem divulgada, registando-se as saídas de Moreira, Tiago Gomes e Fernando Alexandre (os três últimos são atletas da equipa B). Contas feitas, os eleitos passam de 17 (frente ao Penafiel) para 18. A equipa do Benfica seguiu para estágio ontem à tarde e depois do encontro da Taça de Portugal estão previstos mais dois dias de trabalho. As férias têm início na sexta-feira, o regresso está agendado para 3 de Janeiro.



segunda-feira, dezembro 20, 2004

Trap prepara Mantorras
Ainda não foi com o Penafiel que Mantorras regressou à competição . Tudo aponta, contudo, que o adiamento seja breve — três dias — uma vez que Trapattoni está a preparar o jogador, física e psicologicamente, para defrontar durante alguns minutos a AD Oliveirense, amanhã, em jogo a contar para a Taça de Portugal. Será desta, Pedro?

Trap sabe que Mantorras é um caso muito especial e merece que nele concentre a sua atençãoA chamada de Mantorras para o jogo com o Penafiel surpreendeu tudo e todos. Já se sabia, contudo, que o angolano só seria utilizado em caso extremo, mesmo que o público tenha gritado insistentemente o seu nome. Amanhã, frente à AD Oliveirense, para a Taça de Portugal, o cenário é bem diferente e bem mais propício ao tão aguardado regresso do avançado. Aliás, era em idênticas circunstâncias que Trapattoni pretendia lançar Alcides pela primeira vez, mas as contingências inerentes a tantas ausências forçadas levaram o treinador a alterar os planos. Em boa hora, diga-se, porque Alcides deixou água na boca na estreia, anteontem. No final do treino de ontem, quando todos os jogadores já haviam regressado aos balneários, Trapattoni e Mantorras permaneceram no relvado do Estádio da Luz, junto a uma das balizas. Horas extraordinárias — permita-se a expressão, na verdade foram quinze minutos — que serviram para vários exercícios específicos, nomeadamente no capítulo do passe e recepção. O preparador físico Fausto Rossi também deu uma ajuda, perante o olhar atento do secretário técnico Shéu Han e dos jornalistas. Um forte indício de que, amanhã (18 horas), frente a um adversário da III Divisão, série A, Mantorras pode ter a sua oportunidade (por poucos minutos que seja) e, assim, partir para férias com outra disposição. Tudo dependerá, contudo, do decorrer do encontro e do próprio resultado.

Que saudades!

Desde o dia 7 de Dezembro de 2002 que Mantorras não actua em jogos oficiais. A última vez foi em Alvalade, na vitória por 2-0, com José Antonio Camacho no comando técnico. Jogou 77 minutos. O angolano voltou aos relvados durante a pré-temporada, mas ainda a meio gás. Um total de 151 minutos de utilização, distribuídos por quatro adversários: Étoile Carouge, Real Madrid, Bétis de Sevilha e Sp. Braga. Foi mesmo na cidade dos arcebispos (1-1) que teve o seu último registo: 10 minutos em campo no dia 1 de Agosto. Seguiu-se nova intervenção cirúrgica ao joelho direito, cinco dias depois. O calvário parece agora, novamente, perto do final, mesmo que a condição física esteja longe de ser a ideal.

Alcides altera panorama
A promissora estreia de Alcides encheu de esperanças Giovanni Trapattoni, que via a equipa debater-se com grande instabilidade defensiva, a partir do momento em que Luisão e Ricardo Rocha se lesionaram com certa gravidade.

Argel, no comando do pelotão, retribuiu confiança do treinador com uma grande exibição e um... beijo. Está de volta!Luisão e Ricardo Rocha actuaram juntos em doze dos 23 jogos oficiais que a equipa já efectuou desde a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, com o Anderlecht, e as estatísticas demonstram que mesmo com eles em campo, a média de golos encaixados (10) nunca foi totalmente tranquilizador. Salvaguarde-se, no entanto, que quatro desses golos foram consentidos frente a Estugarda (3) e FC Porto (1), nas duas únicas ocasiões em que os encarnados foram derrotados com os dois centrais titulares em campo. Acresce dizer ainda, a favor da dupla luso-brasileira, que à excepção dos alemães, apenas Beira-Mar (3-2) e Heerenven (5-2) marcaram mais que um golo ao conjunto de Trapattoni, com eles em campo.

E agora Trap?

Se a eficácia defensiva já deixava algo a desejar com os dois titulares, o cenário passou a ser muito mais sombrio sem eles. A goleada no Restelo foi apenas o corolário de uma situação que há muito se vinha desenhando e é neste contexto que o regresso de Alcides assume uma importância transcendental. Pelo que se viu frente ao Penafiel, o internacional sub-20 brasileiro é daqueles que não enganam e advinha-se o reacender de uma luta titânica entre ele e Ricardo Rocha, já que Luisão é neste momento intocável. O jogo com os penafidelenses permitiu também a Argel reconciliar-se com o público, pelo golo e, sobretudo, pela exibição de raiva. Trapattoni aproveitou a oportunidade para lembrar aos adeptos que o guerreiro é um grande profissional. Para já, a primeira consequência da agradável surpresa que constituiu a estreia de Alcides, assim como a subida de cotação de Argel, é que os dirigentes da SAD vão poder centralizar as atenções noutros sectores mais carenciados. Um problema a menos...

Início de um novo ciclo
Nunca Giovanni Trapattoni teve todo o plantel à sua disposição, desde que chegou à Luz. No momento de virar a página e iniciar um novo ciclo—falta o jogo de amanhã, para a Taça de Portugal—há que contabilizar 32 (!) lesões numa maré de azar que conheceu o período mais negro nas últimas seis jornadas. Entre lesionados e castigados, a manta ficou curta de mais e disso se ressentiu o rendimento da equipa. As férias estão aí e trazem um suspiro de alívio.

Não é uma coreografia, faz parte do trabalho de recuperação de Ricardo Rocha, Nuno Gomes e Paulo AlmeidaApós a vitória sobre o Penafiel, que marcou a despedida encarnada da SuperLiga, em 2004, Giovanni Trapattoni expressou os seus votos de boas festas. «Saúde para a família e que regressem os lesionados», soltou. É fácil de compreender o desejo do treinador italiano, que se tem debatido com inúmeros problemas para formar o melhor onze possível. Isto, claro está, independentemente da discussão em torno da mais valia (ou não) dos reforços e da culpa que possa assistir (ou não) a Trapattoni na gestão do plantel e exibições da equipa. Não são esses vectores de discussão apaixonada (e apaixonante) que aqui estão em causa. A realidade é que, desde que começou a época (e pré-época), o Benfica nunca se apresentou na máxima força, Trapattoni nunca teve oportunidade de contar com todos os jogadores ao mesmo tempo, sobretudo devido a lesões. Decorridas quinze jornadas, são 32 os registos clínicos totais, situação que muito tem condicionado o trabalho.

Período negro

Trapattoni foi jogando com as peças disponíveis, procurando manter o barco em águas calmas, mas o panorama acabou por assumir contornos aflitivos. No que à SuperLiga diz respeito, foi sobretudo após o jogo com o V. Setúbal (4- 0) que a manta curta se começou a reflectir nos resultados da equipa, colocando a nu evidentes limitações (ver quadros em baixo). Privada de peças fundamentais (por lesões e castigos), a turma encarnada foi-se afundando em resultados negativos e exibições sofríveis que conheceram o ponto crítico no Estádio do Restelo (1-4). Com a vitória sobre o Penafiel, anteontem, o Benfica consegue chegar às férias natalícias com danos mínimos na SuperLiga. Trapattoni pode agora respirar de alívio. O momento é de repor energias, ganhar fôlego, reagrupar tropas e... reforçar. Depois do jogo de amanhã, com a AD Oliveirense e das férias, vai iniciar-se um novo ciclo em Janeiro.

Trio acelera

Neste momento são seis os lesionados no plantel (não há castigos a registar): Luisão, Miguel, Everson, Ricardo Rocha, Nuno Gomes e Paulo Almeida. Os três últimos voltaram ontem a subir ao relvado para, sob orientação do enfermeiro Rodolfo Moura, intensificarem o processo de recuperação das respectivas lesões. Apenas Everson (operado a uma pubalgia) é ausência certa para a deslocação a Alvalade, dia 9 de Janeiro. Quanto aos outros cinco, reside a esperança de que possam ser utilizados.



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