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terça-feira, novembro 30, 2004

A hora dos reforços
O Benfica possui, nos seus quadros, seis jogadores com entrada habitual nas convocatórias das respectivas selecções nacionais: Miguel, Luisão, Fyssas, Petit, Nuno Gomes e Simão. Em Leiria, os encarnados apresentaram-se amputados de 66 por cento do seu nicho de qualidade e as consequências fizeram sentir-se, de forma gritante.

A três pontos do FC Porto, Trapattoni sabe que o Benfica não pode perder mais tempoComo tem sido dito deste o início da temporada, embora a contratação de alguns jogadores — Dos Santos, Karadas, Bruno Aguiar — tenha dado alguma consistência ao plantel encarnado, a diferença entre os «indiscutíveis» e os outros ainda é muito grande, o que limita a acção do treinador. Também no que respeita a lesões, os últimos tempos do Benfica têm sido infelizes. Miguel é extraordinariamente importante para a dinâmica atacante e Petit é absolutamente fundamental para a recuperação da bola e relançamento do jogo; nem um, nem outro têm substitutos à altura. A estas baixas sensíveis soma-se a de Nuno Gomes, o melhor avançado dos encarnados e o único que é capaz de integrar-se, com sucesso, nas acções de circulação da bola. Vê-se, assim, que a quebra de rendimento do Benfica face às primeiras jornadas da Superliga tem muito a ver comas limitações de um plantel... apenas possível. O que torna cada vez mais actual a questão dos reforços no mercado de Inverno.

Robinho, e mais alguém?

O Benfica resolveu mal a saída de Tiago, na presunção de que, tanto Petit quanto Zahovic poderiam resolver a situação. Visto o erro, torna-se imperiosa a contratação de dois jogadores para tão sensível zonado terreno, um com características de box to box, afinal aquilo que Tiago tão bem faz, e outro que possa jogarem apoio a ponta-de-lança, uma posição que o Benfica não preenche convenientemente desde que João Pinto foi dispensado. Para estes lugares, Karagounis (será possível?) e Robinho são boas soluções. E por mais que a SAD encarnada esteja limitada por imposições do Banco com que trabalha, a verdade é que no negócio do futebol, se não se partir de uma base de sucesso desportivo, o melhor é mudar de ramo de actividade. Provavelmente, esta é a verdade que os gestores benfiquistas têm de explicar à sua tutela bancária... Mas as necessidade de reforço do plantel do Benfica— caso o título seja uma meta real e não uma mera quimera — não se ficam por um box to boxe um mezza punta. Na Luz, apesar da SAD ter apenas olhos para o ataque, faz falta mais um defesa-direito de qualidade e de um extremo-direito. Porque, até ver, nenhuma das soluções ensaiadas por Trapattoni para essa banda se mostrou à altura das necessidades. Com a defesa reforçada por Alcides — as expectativas quanto ao seu desempenho são altíssimas — e o ataque, numa lógica táctica de 4x3x2x1, anão se poder queixar dos meios existentes (Nuno Gomes, Sokota e Karadas), o Benfica tem de ir às compras, para os lugares referenciados, se ainda quiser ser campeão. E não pode ir apenas com caramelos, como nos tempos de Damásio; sob pena de permanecer longe do retorno ao galarim nacional.

Rostos fechados
Os jogadores do Benfica voltaram ontem aos treinos para preparar a deslocação a Beveren para a Taça UEFA, mas nos seus rostos fechados, sem sorrisos, esteve ainda a marca da derrota de domingo passado, em Leiria (0-1).

Recuperar a forma física foi a principal preocupação numa manhã de trabalho muito cinzentaO treino de ontem estava agendado para as 11 horas, mas a viagem tardia da noite anterior, desde Leiria, permitiu que os jogadores apenas por volta das 11.30 começassem a trabalhar, no campo principal do complexo do Jamor. A sessão começou como sempre, com uma pequena conversa de Giovanni Trapattoni com os seus atletas. Depois, o plantel trabalhou essencialmente a condição física, que será necessário recuperar para o encontro europeu de quinta-feira, na Bélgica, frente ao Beveren. Ganhando este desafio contra os belgas os encarnados carimbam o passaporte para a fase seguinte da competição. Durante o tempo em que os jogadores estiveram juntos no relvado, esteve sempre no ar um clima pesado, triste, tão perceptível que quase o podíamos tocar com as mãos. Os rostos do plantel estiveram quase sempre fechados, com poucos sorrisos, naturalmente um sintoma do peso que a derrota e a má exibição realizada frente ao União de Leiria teve no grupo. Os próprios técnicos estiveram, também, reservados, concentrados no trabalho e com um espírito de ressaca desportiva. «Não podemos estar felizes... Porque fomos os primeiros a jogar, porque perdemos uma oportunidade de ganhar mais três pontos e possivelmente conseguir a liderança no campeonato... Não foi um bom dia para nós e por isso temos de estar tristes.» Foram estas as palavras do capitão de equipa, Simão, após o encontro de domingo. E ontem tiveram eco no treino.

Titulares poupados

Os jogadores que foram titulares frente ao União de Leiria regressaram mais cedo à Luz, à excepção de Paulo Almeida, que foi titular apenas 45 minutos e continuou a trabalhar no Jamor com os restantes elementos do grupo.

Três tiros nos pés
Se é comum dizer-se que é nos momentos certos que se mostram as grandes equipas, o Benfica desperdiçou já três excelentes oportunidades para mostrar credenciais e reivindicar o estatuto de candidato ao título. Três tiros no pé que, no entanto, ainda nada determinaram. O campeonato é longo e os adversários já mostraram que, nesta matéria de tiros nos pés, não há quem passe incólume.

Muito do que o Benfica fez de bomtemassinatura...Foi à sexta jornada que o Benfica teve o seu primeiro teste de fogo nesta SuperLiga. Comandava com 13 pontos, mais quatro que o FC Porto. Na Luz, o Benfica tinha oportunidade de oiro de ficar a sete pontos do campeão nacional e gerir essa vantagem com tudo o que de psicológico essa vitória representava. Como não acontecia há anos, o Benfica recebia o FC Porto em vantagem e tinha pela frente o teste ideal em relação à sua capacidade para se afirmar, de pleno direito, como candidato ao título. Ora o Benfica perdeu... seis pontos nesse jogo. Em vez de sete, passou a ter apenas um de vantagem. É verdade que foi claramente prejudicado pela equipa de arbitragem, que anulou golo limpo a Petit. Mas foi o resultado que ficou para a história e no final a desilusão— e sentimento de injustiça — por tão grande oportunidade desperdiçada. Foi em Barcelos, frente ao Gil Vicente, que o Benfica teve novo teste, já que o FC Porto empatara com o Nacional e o Benfica poderia fugir de novo do FC Porto, passando de um para quatro pontos de vantagem. Os encarnados jogavam em casa do último da classificação e não fora Simão no sopro final do jogo e teriam perdido o jogo. Mas perderem o primeiro lugar, em igualdade pontual com o V. Setúbal. Terceiro teste ao estofo do Benfica: jogo com o Rio Ave, em casa. O FC Porto perdera na véspera com o Boavista e uma vitória guiaria o Benfica, de novo, ao primeiro lugar, isolado. Seria psicologicamente muito importante. Os encarnados empataram a três, depois de estarem a ganhar 3-1, e o FC Porto manteve-se no comando. Pelo meio, é verdade, o Benfica fez alguns jogos positivos, e a goleada imposta ao sensacional V. Setúbal (4-0) parecia mostrar um Benfica autoritário e que, cansado de passos trocados, punha ordem à mesa: somos candidatos, diziam. É verdade que não deixou de o ser, com tanto jogo por disputar e adversários também eles com vários tiros nos pés. Mas perder sete pontos nos últimos três jogos é preocupante. É verdade que têm faltado jogadores importantes e o Benfica ressente-se. É altura da SAD também jogar e lançar trunfos em Janeiro. É nisso que tem trabalhado.



segunda-feira, novembro 29, 2004

União Leiria 1 - 0 Benfica

Arbitragem

ANTÓNIO COSTA (6)
Impecável excluindo o toque nas costas (não assinalado) de Renato sobre Sokota. Na grande área leiriense...

Sala de Imprensa
GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Trapattoni quer cabeça calma
O treinador do Benfica não estava, no final do encontro, muito convencido com o resultado. Considera que «não espelha o que se passou em campo», e fez uma análise em que alternou as críticas à exibição da equipa com alguma falta de sorte. «Ganhou quem marcou, mas o adversário também teve em campo um grande guarda-redes. Merecíamos, no mínimo, empatar. Na primeira parte o adversário esteve melhor, conseguiu um golo em contra-ataque em que, mais uma vez, nos faltou concentração... Já os conhecíamos mas ficámos parados naquela situação. Pela segunda parte merecíamos o empate», explicou o técnico italiano.

O campeonato é longo...

Trap continua a não desesperar com as más exibições e resultados e opta pela ponderação: «O importante é manter a cabeça calma, porque o campeonato é longo. Não me quero desculpar mas acho que também acusamos algum cansaço. Faltou um pouco de força na segunda parte, apesar de termos jogado quase sempre no meio-campo do adversário. Ontem foi, também, a segunda vez consecutiva, na SuperLiga, que o Benfica sofre golos na sequência de um canto a favor, na área do adversário... «Falámos sobre o assunto, observámos a situação durante a semana... Mas hoje [ontem] foi diferente porque estávamos quatro para três. Evidentemente isso não serve de desculpa porque ficámos parados», explicou Trapattoni.

Não somos campeões do mundo

Para o treinador, o campeonato está a ser «muito equilibrado» e ontem faltou ao Benfica a sorte do jogo. «Não somos campeões do mundo, mas com as oportunidades que tivemos e com um penalty que terá ficado por marcar, ainda não vi na televisão, poderíamos ter criado situações favoráveis. Mas considero que os jogadores reagiram bem à desvantagem, mostraram carácter. Sokota podia ter feito golo... Faltou-nos lucidez.»

Substitutos à altura

Apesar de tudo, Trapattoni não ficou desiludido com a sua equipa, desvalorizando, em certa medida, a ausência de jogadores tão importantes como Petit, Luisão e Miguel. «Normalmente não costumo encontrar desculpas para as derrotas. Temos estes jogadores e é com eles que contamos. Zahovic apenas ontem [anteontem] regressou aos treinos, praticamente não se treinou durante a semana... Um titular é sempre um titular, mas considero que os substitutos estiveram à altura da situação.»



domingo, novembro 28, 2004

Graças a Deus temos Simão
A vitória sobre o Dínamo Zagreb serve de tónico às águias para a difícil deslocação a Leiria. Denotando grande confiança, Giovanni Trapattoni promete que os erros cometidos frente ao Rio Ave não voltarão a repetir-se.

Treinador italiano apreensivo mas «confiante» para a difícil deslocação a LeiriaGiovanni Trapattoni continua moralizado pela vitória sobre o Dínamo Zagreb, estado de espírito que entende ser extensível a toda a equipa, e é com muita confiança que encara o jogo de logo à noite, com o União de Leiria. Antevendo muitas dificuldades na deslocação ao Lis, o técnico italiano garante que os erros cometidos frente ao Rio Ave não voltarão a repetir-se, ao mesmo tempo que faz questão de reafirmar que para o Benfica, todos os jogos são para ganhar.
— Como encara o jogo com o União de Leiria?
— Espero um jogo difícil, porque vamos defrontar uma equipa muito complicada, com grande atitude. Mas estamos moralizados e muito confiantes. Na passada quinta-feira demonstrámos estar em boas condições físicas e psicológicas e na próxima semana voltaremos a jogar, mas para já, vamos pensar no União de Leiria.
— Quando jogou sem Miguel e Petit, a equipa empatou duas vezes na SuperLiga e perdeu com o Estugarda...
— Estugarda foi um teste ao crescimento da equipa até aqui. Lembro-me que estivemos melhor que eles na primeira parte, mas depois perdemos. O resultado com o Rio Ave não foi normal, como aconteceu por exemplo com o Braga. Houve dois momentos de grande ingenuidade que o Rio Ave aproveitou bem... mas esses erros não voltarão a repetir-se.
— Não teme que esses resultados voltem a repetir-se?
— Os substitutos não se chamam Miguel ou Petit, mas já tivemos oportunidade de ver João Pereira no lugar de Miguel e esteve sempre bem. No meio-campo, acontece o mesmo com Paulo Almeida. Há sempre jogadores que substituem outros, mas graças a Deus nunca faltou Simão. Estou tranquilo, sem o empate de domingo estaríamos agora no 1.º lugar. É nestes momentos que se vê se uma equipa é forte. Mesmo que haja uma perda de capacidade, terá de ser uma margem pequena.

Muita confiança neste grupo

— Conhece bem a equipa do União de Leiria?
— É um adversário muito difícil, por ser disciplinado, ter atitude e dominar bem os conceitos de jogo. Os seus jogadores são rápidos, jogam com grande determinação e contribuem para o equilíbrio da equipa. Fredy, Krpan ou Caíco são jogadores rápidos e jogam juntos há dois ou três anos. Não os conhecia antes, mas vi-os nos jogos com Sporting, Porto e outras equipas e sei que têm qualidade.
— Confirma que Miguel só voltará a jogar em Janeiro?
— Só o médico poderá confirmá-lo. Ele tem esta pequena lesão, vamos ver como evolui.
— E quanto tempo ficará Petit parado?
— Julgo que oito dias serão suficientes. Não é uma lesão grave, é mais uma grande inflamação. Com quatro ou cinco dias de descanso e a trabalhar com o doutor e Rodolfo Moura, deverá poder voltar a trabalhar normalmente. Mas neste caso, o melhor médico será o próprio Petit.
— A lesão de Miguel poderá acelerar a contratação de um lateral-direito?
— Além de Miguel, há outros jogadores para aquela posição. Amoreirinha, por exemplo. O problema não é esse e sim precaver o futuro. Amoreirinha pode não ter estado bem no último jogo em que foi utilizado, mas esteve bem em muitos outros. Vamos ver se Miguel regressa em breve ou não. Se houver necessidade, conversaremos com a Direcção, mas tenho muita confiança neste grupo.
— O Boavista está provisoriamente no primeiro lugar. Pensa que poderá intrometer-se na luta pelo título?
— Há o campeão, que é o Porto, e o Sporting também é forte candidato. Penso que podemos ser campeões, mas só em Março ou Abril, altura em que algumas equipas estarão mais cansadas, haverá uma definição sobre o campeão.

O eclipse de Zahovic
Começou a época como titular, mas rapidamente saiu da equipa e nos últimos jogos foi suplente não utilizado. Está convocado para o jogo de hoje, contra o U. Leiria, mas o seu espaço na equipa parece reduzido. E o eclipse pode tornar-se ainda maior... Em Janeiro os benfiquistas esperam Robinho e outro jogador para a posição de número 10.

Desde que chegou ao Benfica, na época de 2000/01, que Zahovic se tornou num dos mais controversos jogadores do plantel. Esta temporada não foge à regra. Giovanni Trapattoni começou por confiar na sua experiência e no arranque da SuperLiga foi titular indiscutível, embora nunca tivesse completado os 90 minutos. Frente ao Beira-Mar esteve em campo 86 minutos, 68 no desafio com o Moreirense e 59 no encontro com a Académica. Começaram nesta jornada, a terceira, as oscilações de Za.

Pontos contra e reforços a caminho

O criativo esloveno (de 33 anos) foi suplente não utilizado na 4.ª jornada, frente ao Sp. Braga; jogou 70 com o V. Guimarães, apenas 18 na recepção ao FC Porto, 50 com o Nacional e 45 em Barcelos, frente ao Gil Vicente. Nos três seguintes (V. Setúbal, Marítimo e Rio Ave) foi apenas suplente não utilizado. Durante este período, o jogador sentiu alguns problemas físicos que o limitaram na corrida pela titularidade e também questões da sua vida particular que o influenciaram nas últimas semanas—morte de um familiar que o obrigou a uma deslocação à Eslovénia. Todavia, parece claro que estamos perante um eclipse e que os responsáveis do clube pretendem reforçar o meio-campo, a posição que no início da temporada pertenceu a Zahovic de forma igualmente indesmentível. Robinho é o craque, Karagounis o desejado; mas certo é que virá um reforço para a posição de playmaker. Ou seja... ainda menos espaço para Za.



sábado, novembro 27, 2004

Miguel foi operado
MIGUEL submeteu-se anteontem a uma artroscopia no joelho direito e só regressará à competição em Janeiro, provavelmente ainda a tempo de defrontar o Sporting, na primeira jornada de 2005.

Muitos relacionam ainda os problemas físicos evidenciados por Miguel no jogo com o Rio Ave com a lesão na coxa esquerda que já o mantinha afastado dos relvados há largas semanas. Todavia, foi ao efectuar um remate que contraiu a entorse no joelho direito, problema que haveria de levá-lo, anteontem, à mesa de operações. Segue-se um período de tratamento e trabalho específico até Miguel ser considerado apto, algo que só deverá acontecer em Janeiro.
Recorde-se que o lateral-direito esteve em dúvida para o jogo com os vilacondenses até ao último momento e só após um teste efectuado, já no relvado e com o preparador físico Fausto Rossi, foi definitivamente incluído no onze inicial. Antes disso, o jogador tivera uma conversa com o treinador, na qual o informou que o único problema que sentia era arrancar em velocidade, por sentir os tendões presos. Perante esta conversa, Trapattoni decidiu arriscar, utilizando o argumento de que mesmo sem estar a cem por cento o internacional português lhe oferecia garantias suficientes.
A primeira parte do desafio nem lhe correu mal a Miguel e Evandro, o adversário directo, foi substituído ao intervalo. No reatamento, houve mais conversas entre Trapattoni e Miguel—sobretudo após a substituição de Karadas —procurando o técnico inteirar-se das condições físicas do pupilo. A resposta foi sempre satisfatória.
No entanto, provavelmente por estar já muito sobrecarregado, seria o joelho direito a ceder, na sequência de um remate à baliza do Rio Ave. Miguel acabou o jogo em dificuldade e, indirectamente, foi apontado pelo treinador como um dos culpados pelo empate a três golos.

Tenham paciência !
O Benfica bateu anteontem o Dínamo de Zagreb por 2-0 e ocupa a primeira posição do Grupo G da Taça UEFA a par do Estugarda, mas mesmo assim, Trapattoni e os jogadores tiveram de ouvir alguns assobios. Não pelo resultado, claro, mas pelo esforço, a espaços, de controlar o jogo, mesmo que isso obrigue a um jogo menos bonito. No final da partida, em declarações à RTP, Simão sublinhou isso mesmo, pedindo paciência aos adeptos. Afinal, «o Benfica está em todas».

O capitão encarnado foi um dos alvos dos assobios dos 20 mil adeptos nas bancadas da Luz na quinta-feira, mas talvez seja o jogador que menos merecia e mereça pelo que fez já esta temporada. E, talvez por sentir isso, reagiu logo no final da partida, até mesmo sem que lho tivessem perguntado: «Hoje [ontem] o mais importante era ganhar para continuar a acreditar na qualificação para a fase seguinte na UEFA. Compreendemos os adeptos [que assobiaram], mas têm de ver que somos humanos, jogamos à quinta-feira e ao domingo. O jogo estava controlado e temos uma partida importante no domingo frente ao União de Leiria. Quando se tem uma vantagem, temos de fazer tudo para controlar o jogo.»
Nota-se que Simão tentou alertar os adeptos para o facto de o Benfica estar a controlar operações, ao mesmo tempo que pediu crédito para uma equipa que continua envolvida em três competições. Por outro lado, fica a consciência de que se pode sempre fazer mais, sobretudo depois do empate a três golos com o Rio Ave na última jornada. «Sei que devíamos ter marcado mais um golo [ao Dínamo Zagreb] e as pessoas vêm para ver espectáculo e pagam para isso, mas temos de controlar as coisas », justificou.
Tal empenhamento merece, portanto, mais compreensão. E se o sente Simão, melhor marcador da equipa com oito golos (a par de Liedson e Antchouet), também o sentirão os outros jogadores. «Continuamos na frente da SuperLiga, na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Está a ser positivo e quando se trabalha com dedicação os resultados aparecem e voltaram a aparecer», lembrou.

Simão no centro ?
FARÁ Giovanni Trapattoni uma revolução na equipa para o jogo de Leiria? A possibilidade é real e para isso muito contribui a vaga de lesões que afecta o Benfica e ainda o castigo de Luisão. O treinador poderá transformar Simão em maestro da equipa se optar por voltar a utilizar apenas um ponta-de-lança — em princípio seria Karadas—e ninguém se admire se Dos Santos aparecer na posição de extremo-esquerdo para dar mais solidez ao onze.

Tudo de novo no reino da Luz? Talvez sim. A equipa que será utilizada em Leiria nesta jornada da extrema importância será completamente diferente da que o treinador do Benfica tem utilizados nos últimos tempos. Entre castigos e lesões, as baixas são muitas e ninguém se pode abster de pensar que depois de alguns resultados menos positivos Trapattoni altere um pouco algumas rotinas de ordem táctica e obrigue alguns dos seus jogadores a desempenharem funções algo diferentes.
E tudo pode mudar se desta vez o italiano voltar à primeira fórmula e utilizar apenas um ponta-de-lança — a acontecer talvez fosse Karadas o eleito por ter um poder de choque bem superior ao de Sokota e maior facilidade no jogo aéreo. Se assim for ninguém se pode espantar que Simão deixe o lado esquerdo para ocupar posição no centro do terreno. Estando a equipa órfã de um verdadeiro número 10 desde que Zahovic deixou de ser utilizado com frequência, poderemos conhecer agora um novo motor para acelerar o jogo.
De Trapattoni se diz que é o mestre da táctica e será neste âmbito — sempre no pressuposto de Simão vestir a pele de maestro — que Dos Santos pode aparecer como extremo-esquerdo. Com Fyssas nas suas costas, o francês poderia garantir maior apoio ao lateral, o que significaria que o conjunto se tornaria mais compacto, como gosta o treinador italiano. Faltaria por ali o virtuosismo de Simão, mas o conjunto ganhava outros méritos.
Se no caso de se verificarem estas alterações estaríamos perante alterações de ordem puramente táctica, o mesmo não se pode dizer em relação às muitas alterações que Trapattoni será mesmo obrigado a fazer—e aqui se começa a falar de lesões e do castigo a Luisão. Com Miguel impedido de jogar, o lateral-direito será João Pereira — como se verificou frente ao Dínamo de Zagreb —, enquanto os centrais serão Argel e Ricardo Rocha. Passemos para o meio-campo, onde a ausência de Petit fará com que Paulo Almeida volte ao onze, formando com Manuel Fernandes um duo que terá a responsabilidade de proteger a defesa e dar dimensão ao jogo.

Política de preços vai ser alterada
O Benfica prepara-se para introduzir algumas alterações na política de venda de bilhetes para os jogos realizados no seu recinto, entrando em vigor já para o confronto com o Penafiel. Medidas que para já abrangerão sobretudo os mais jovens, que terão direito a bilhetes a preços mais acessíveis. A aposta passa por chamar mais gente ao Estádio da Luz, onde as médias de assistências rondam os 30 mil espectadores.

Ter um estádio com 65 mil lugares sentados tem as suas agravantes. A principal é que a lotação apenas esgota em jogos que despertem elevado interesse aos adeptos. E o que se tem assistido na Luz durante esta época é que raros têm sido os encontros em que a lotação ultrapassou os 40 mil espectadores, mesmo tendo em conta que a equipa tem liderado a tabela classificativa e luta acerrimamente pelo título da SuperLiga como há alguns anos não acontecia.
É para combater o número de bancos vazios que os responsáveis pela política de ingressos se preparam para introduzir algumas alterações já a partir da venda de bilhetes para o confronto com o Penafiel. Enquanto até agora não existia qualquer distinção no valor dos ingressos para jovens e crianças, com esta alteração as crianças com menos de 14 anos passarão a ter um preço especial de cinco euros (sócios) e sete euros (não sócios), sendo que terão de estar acompanhadas por um adulto. Para que o controlo se processe de forma eficaz passarão a existir torniquetes especiais para crianças.
Outra alteração passa pela aposta no mercado dos jovens entre os 14 e os 23 anos e os estudantes (obrigatório cartão escolar), sendo que passará a existir um sector do estádio reservado para este segmento (sector 20 no piso 0 da bancada SAPO/ADSL, bancada central), com preços a oito e 14 euros para sócio e não sócio, respectivamente (lugares habitualmente cobrados a 23 e 29 euros). Ainda no que aos estudantes diz respeito, estão previstas acções com diversas universidades e as que aderirem terão bilhetes disponíveis a dez euros. m estudo está a criação de bilhetes a preços reduzidos para mulheres e idosos.



sexta-feira, novembro 26, 2004

Benfica 2 - 0 Dínamo Zagreb

11m
1-0 por Sokota. Jogada rápida de ataque, com a bola a viajar para o lado esquerdo, onde se encontrava o atacante. Sem perder tempo, Simão levantou a cabeça, viu Sokota na área e num excelente cruzamento colocou a bola onde queria, surgindo o atacante croata a cabecear de 28 forma exemplar, com a bola ainda a beijar a face interior do poste.

28m
2-0 por Simão, na transformação de uma grande penalidade. Falta indiscutível do defesa croata, que desviou a bola com o braço após cabeceamento de Ricardo Rocha. Simão não deu hipóteses.

Arbitragem

GIANLUCA PAPARESTA (Itália) (7)
Excelente arbitragem.

Melhor em Campo

MANUEL FERNANDES (7)
Trapattoni exigiu atenção permanente e o médio respondeu à letra. Irrepreensível tacticamente, o segredo da segurança defensiva do Benfica esteve em grande parte no número 37. Claro que esta obrigação de, mesmo no ataque, nunca perder de vista os adversários retira profundidade ao seu futebol. Com dois avançados sabe que, se subir no terreno, a sua ausência dificilmente é compensada. Não fez sequer um remate, mas bateu o livre direitinho à cabeça de Ricardo Rocha no lance que deu o penalty.

Sala de Imprensa
GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Treinador gostou da atitude
GIOVANNI TRAPATTONI ficou satisfeito com a exibição da sua equipa, congratulando-se pelo facto de o empate com o Rio Ave não ter deixado marcas na mente dos seus jogadores. «O Benfica continua em todas as frentes... » O público pode não ter gostado da exibição, especialmente no segundo tempo, em que se ouviram muitos assobios na Luz, mas para Giovanni Trapattoni , os seus pupilos estiveram muito melhor que no encontro com o Rio Ave, provando-se que o resultado desse jogo não passou de um acidente de percurso. «A equipa cresceu muito em relação ao último domingo. Disse aos meus jogadores que face a todo o trabalho desenvolvido até aqui deviam dar uma demonstração cabal de que o jogo com o Rio Ave não passou de um momento de pouca lucidez », afirmou, lamentando que assim tivesse acontecido: «Se não tivesse havido alguma ingenuidade da nossa parte, estaríamos agora à frente da classificação. Mas a vida continua, os jogadores puderam ver no DVD os erros cometidos nesse jogo e sabem que não devem repeti-los.» Em todo o caso, o técnico encarnado congratulou-se pelo facto de o resultado com os vila-condenses não ter condicionado a exibição da equipa com o Dínamo Zagreb. «Foi importante constatar que esse empate não teve a mais pequena influência neste jogo. Mantemo-nos na luta pela SuperLiga, Taça de Portugal e UEFA. Este jogo começou da mesma forma que o de domingo passado, pois marcámos cedo e tudo ficou mais fácil.» Fomos superiores Questionado pelos jornalistas croatas, que contaram com a preciosa colaboração de uma conterrânea radicada há muito no nosso país, Giovanni Trapattoni mostrou ter estudado bem o futebol do Dínamo Zagreb nos dias que antecederam o jogo. «Vi quatro ou cinco jogos do Dínamo em DVD e conheço todos os seus jogadores, mesmo alguns que não estiveram hoje. Sabia que tinha jogadores dotados tecnicamente, com muita fantasia, mas a minha equipa enfrentou este jogo com muita concentração. O Dínamo perdeu o último jogo com o Rijeka e não esteve muito bem. Mas se pensássemos que íamos enfrentar a mesma equipa que vimos em DVD, podíamos ser surpreendidos. É uma boa equipa, mas o Benfica foi superior», recalcou. Mais comedido esteve quando foi instado a analisar a prestação de Niko Kranjkar, considerado a estrela do Dínamo de Zagreb. Curiosamente, a mesma pergunta já tinha sido colocada ao treinador da formação croata, apesar de o filho do seleccionador nacional ter estado algo discreto neste jogo. «Conheço bem Kranjkar, Pranjic, Da Silva e outros. O Dínamo tem bons jogadores no seu plantel, mas não vou estar a analisá-los individualmente », esquivou-se, preferindo elogiar o jogo colectivo da sua própria equipa: «Esta noite, a nossa equipa e os nossos jogadores foram superiores e mereceram esta vitória.» Trapattoni abriu apenas excepção para falar de Tomo Sokota, levando em consideração o facto de o seu pupilo ser croata e figura grada do Dínamo Zagreb.

Não merecia, Sr. ministro!

LUÍS FILIPE VIEIRA, presidente do Benfica, afirmou ontem «lastimar muito ser confrontado com as declarações de Henrique Chaves », o ministro agora com a pasta do Desporto, que disse quarta-feira só não ter deitado o DVD do Benfica pela janela «por cortesia». As declarações do ministro foram feitas na sequência da reunião da passada segunda-feira com uma delegação do Benfica, que integrava o presidente Filipe Vieira, o líder da AG, Tinoco de Faria, João Salgado e Cunha Vaz. Entre muitos outros documentos, o Benfica levou um DVD com o último Benfica-FC Porto, mas o ministro disse anteontem que não discutira arbitragem como Benfica e que «só não atirou o DVD pela janela por uma questão de cortesia ». «Digo ao senhor ministro que a Instituição, o seu presidente e o presidente da Assembleia Geral não mereciam essa observação».Cunha Vaz, director de comunicação, telefonou ontem para o gabinete do ministro. A resposta que recebeu é que «os jornalistas deturparam as declarações de Henrique Chaves». Certo é que «por respeito ao primeiro-ministro o Benfica não vai dizer mais nada».«O que nos levou a essa reunião foi participar no esforço de construção de um edifício legislativo para o desporto e o futebol em particular. Entregámos um documento e abordámos durante duas horas assuntos tão importantes como um Tribunal Desportivo, corrupção, doping, bem estar no futebol. É verdade que entregámos outros documentos, como o DVD do Benfica-Porto. Mas não para falar dos erros de arbitragem, antes para mostrar ao senhor ministro, uma vez que não tinha visto o jogo, para que visse que os adeptos do Benfica não causaram um único acto de vandalismo no estádio, respondendo assim aos receios do próprio governo. Os sócios e adeptos do Benfica portaram-se com civismo. No final, recebemos os parabéns e reiterámos o propósito de aprofundar estas matérias». Depois desta declaração, Luís Filipe Vieira voltou a mostrar-se inconformado: «Se é verdade que o ministro fez aquela declaração, então tenho de concluir que não tivemos capacidade para lhe explicar os nossos pontos de vista».No final, foi distribuído o documento discutido como Governo. Depois de um preâmbulo no qual o Benfica frisa a necessidade de mudanças legislativas e «coragem » para intervir, deu duas ordens de sugestões: a nível legal defende a criação de um Tribunal Desportivo; fiscalização da legalidade dos regulamentos pelo Ministério Público; poder de recurso de decisões disciplinares para o Conselho Superior do Desporto; possibilidade dos membros do órgãos jurisdicionais serem encontrados por designação externa das associações, como a ordem dos advogados ou faculdades de direito. A nível da arbitragem: autonomia completa; acompanhamento e fiscalização pelo Instituto do Desporto da formação e promoção dos árbitros, auxiliares e observadores; regulamentação pública dos instrumentos de classificação dos árbitros; código deontológico dos árbitros e sua responsabilização.

Petit lesiona-se sem gravidade
Petit voltou a lesionar-se ontem, logo no início do jogo com o Dínamo Zagreb. Quando o Benfica inaugurou o marcador, aos 11 minutos, o médio encarnado dirigiu-se ao banco para pedir uma coxa elástica que protegesse a sua perna esquerda. Petit ainda tentou aguentar, mas perante as visíveis dificuldades Trapattoni optou pela substituição. Foi o próprio treinador italiano quem, na conferência de imprensa após o jogo, explicou a situação do internacional português: «Parece tratar-se de uma pequena lesão no adutor esquerdo. Amanhã [hoje] vai fazer uma ressonância magnética, mas parece ser uma pequena lesão muscular », afirmou Trap. O departamento médico do Benfica suspeita que Petit tenha feito uma contracturamuscular, cenário a confirmar pelos exames de hoje. Se for esse o caso, o tempo de paragem será necessariamente curto (bem mais curto do que se se tratar de uma microrrotura ou rotura), embora a proximidade do próximo jogo (com o União de Leiria, no domingo) não permita garantir a sua utilização.



quinta-feira, novembro 25, 2004

Evitar ingenuidades na Europa
Com uma vitória e uma derrota na fase de grupos da presente edição da Taça UEFA, a equipa de Giovanni Trapattoni tem hoje importantíssimo teste frente a um incómodo adversário croata. Jogando perante o seu público, os encarnados esperam obter resultado positivo de modo a garantir uma viagem tranquila na última ronda, a Beveren, na Bélgica.

Grego Fyssas regressa à titularidadeNoite europeia na Luz, rumo à tranquilidade na fase de grupos da Taça UEFA. No terceiro confronto nesta etapa da competição (vitória em casa ante o Heerenveen e derrota em Estugarda com a equipa de Fernando Meira) e apenas com três pontos amealhados, a equipa de Trap não se pode dar ao luxo de relaxar ou cometer as «ingenuidades », utilizando o termo ontem repetido, durante a conferência de imprensa, até à exaustão pelo treinador italiano, referindo-se aos erros que permitiram ao Rio Ave empatar na Luz neste fim-de-semana. O mesmo é dizer que, hoje à noite, um resultado que não a vitória pode obrigar os encarnados a matemática desnecessária e sobressaltos vários no último desafio agendado para esta fase, na próxima semana com o Beveren, da Bélgica. Se é certo que passam aos dezasseis avos de final os três primeiros classificados de cada grupo, os que obtiverem pior score apanharão pela certa os papões que entretanto forem expulsos da Liga dos Campeões, situação que por certo Trapattoni e seus pupilos desejarão evitar, pelo menos para já.

Desconfiados

Em crise profunda no campeonato croata, o Dínamo Zagreb apresenta-se na Luz com uma nova equipa técnica mas com a pesada herança de ultrapassar uma marca nada simpática: há quatro meses que a formação de Zagreb não vence fora de portas. Depois das observações efectuadas pelos responsáveis benfiquistas poderá ter permanecido a ideia que os encarnados são tacticamente superiores, mas Trapattoni já deu a entender que o ambiente que rodeia o balneário é de... desconfiança face às fragilidades evidenciadas por uma equipa onde pontificam algumas estrelas da selecção croata. Para evitar surpresas, Trapattoni não vai dar azo à habitual rodagem de jogadores, apostando na máxima força, efectuando apenas alterações pontuais na defesa, com o regresso de Fyssas para a esquerda, de Ricardo Rocha para o centro, por troca com Argel, e João Pereira para a direita.

Já disse aos jogadores que temos de ter cuidado
Trapattoni desconfia da crise do Dínamo Zagreb e, por conhecer o novo treinador, espera muitas dificuldades e outra atitude dos croatas. Falou muito com os seus jogadores, alertou-os e só espera que as ingenuidades com o Rio Ave não se repitam.

Experiência é grande conselheira de Trapattoni— O que espera do jogo com o Dínamo?
— Espero um jogo muito difícil, em que o resultado é muito importante para as duas equipas. Nós temos a vantagem de jogar na Luz.
— O Dínamo Zagreb vem de uma copiosa derrota (2-4) no campeonato e vive em crise...
—... É certo. Álvaro Magalhães viu o Dínamo e disse-me que está em baixo de forma. Mas, entretanto, mudou de treinador. Eu conheço pessoalmente o novo treinador. Tem muita experiência internacional e seguramente que defrontaremos uma outra equipa. Com outra motivação, outra atitude.
— Que atenções deve ter o Benfica?
— Num jogo internacional, com um adversário como o Dínamo, que tem jogadores internacionais, de qualidade e experientes, não se podem cometer erros por ingenuidade.
— O jogo com o Rio Ave serviu de aviso?
— Ainda ontem [anteontem] voltei a visionar esse jogo. Creio que jogámos bem, mas falhámos numa ou duas ingenuidades. O Rio Ave mereceu empatar, mas demos de presente um ou dois golos. Amanhã [hoje] vamos falar. Ver onde errámos e o que temos de melhorar.
— Considera o Benfica favorito?
— Num jogo de futebol, em especial internacional, não há favoritos. O Dínamo perdeu o último jogo, mas vi outros em vídeo e vi outra equipa muito diferente. Eles têm bons jogadores. Já os vi fazer bons jogos.
— Lançou algum alerta aos seus jogadores?
— Disse-lhes: tenham cuidado. O jogo com o Rio Ave foi a prova de como de um momento para o outro pode acontecer o que não estamos à espera: sofrer golos por ingenuidade. Por falta de atenção.
— No treino mostrou-se enérgico quando chamou a atenção para questões tácticas e cantos. Ficou zangado pelos erros com o Rio Ave?
— Não podia estar zangado, porque a atitude foi muito boa, especialmente no primeiro tempo. Fiz a análise do jogo com os jogadores, apontando os erros. Individuais e tácticos. Precisamos de um pouco mais de personalidade: quando se está a ganhar 3- 1 em casa temos de ter mais atenção. Não podemos sofrer um golo a dez minutos do fim, de contra-ataque, na sequência de um canto nosso... Que grande ingenuidade.... Não nos faltou atitude, faltou atenção.

Sokota? Claro

Os jornalistas croatas tinham uma questão sensível:
— Sokota jogará?
— Claro, é croata [risos]. Ele está muito motivado, o que é normal. Gostaria muito de disputar este jogo. Com grande profissionalismo, mas com emoção.
— Vai jogar com dois pontas de lança?
— Sim. A equipa que jogou domingo merece nova aposta. Porque marcou três golos e jogou bem. Vamos pois apostar na mesma equipa e no mesmo esquema, com dois ou três jogadores mais frescos fisicamente, contra uma boa equipa europeia.

Trapattoni refresca a defesa
O treinador Giovanni Trapattoni vai refrescar quase toda a defesa. Em relação ao jogo com o Rio Ave, apenas Luisão se mantém. No mais, tudo na mesma, incluindo a utilização de dois pontas de lança.

Ricardo Rocha regressa à titularidade, relegando Argel para suplenteSegura era apenas a troca no lado direito da defesa. Miguel lesionou-se no jogo com o Rio Ave, restava apenas saber quem o substituiria. No passado recente a escolha do treinador italiano incidiu em Amoreirinha, mas as dificuldades de adaptação a um lugar que não o seu, de central, e exibições menos conseguidas levaram o treinador italiano a mudar para João Pereira, jogador que está «motivado». Uma aposta que acaba por ser mais natural dado ter sido essa a posição de João Pereira durante toda a sua formação, passando a avançado direito quando chegou aos seniores. As outras duas alterações acontecem por opção. Por um lado Ricardo Rocha regressa ao seu posto após a lesão de Estugarda, considerando-se que está em condições físicas de regressar à competição. Menos óbvia será a troca no lado esquerdo da defesa: Dos Santos vinha merecendo a confiança do treinador. Ontem, Trapattoni revelou que Fyssas só ainda não tinha regressado frente ao Rio Ave porque vinha cansado da selecção grega. Hoje jogará como titular. No mais, Trapattoni não fará qualquer alteração. Conclusão a tirar das escolhas no treino e das declarações produzidas na conferência de imprensa. Mantém os automatismos, mas refresca a defesa.



quarta-feira, novembro 24, 2004

Nuno Gomes já corre
Novo e importante passo na recuperação de Nuno Gomes. O avançado já iniciou o processo de corridas no relvado, sinal claro de que evolui favoravelmente a lesão contraída no joelho esquerdo durante o encontro com o V. Setúbal. O regresso aos relvados ainda é uma incógnita, mas é provável que o avançado volte a jogar antes da paragem do campeonato, a 19 de Dezembro.

Nuno Gomes deve voltar a competir em DezembroNuno Gomes já entrou numa nova fase da recuperação da entorse que sofreu no joelho esquerdo no decorrer do Benfica-V. Setúbal, realizado do passado dia 7. Foi esta a informação prestada ontem pelo clube, a qual pode considerar-se uma boa notícia, pois isto significa que a inflamação no ligamento lateral interno está a passar. Nos dias que se seguiram ao encontro com os sadinos o avançado submeteu-se a tratamento bidiário sob a orientação de Rodolfo Moura e agora entra num patamar que em termos psicológicos é animador: o contacto com o relvado depois de vários dias dentro das paredes do ginásio do Estádio da Luz.

Mais duas semanas a treinar-se à parte

Por enquanto ainda é prematuro apontar-se uma data precisa quanto ao regresso do camisola 21 à competição. Mas se não ocorrer qualquer revés na recuperação, é possível que daqui a duas semanas possa receber alta médica para se treinar sem condicionalismos. A recepção ao Estoril (dia 5), a contar para a 13.ª jornada, poderá ser um ponto de referência. Certo é que mesmo lesionado, Nuno Gomes vai acompanhar a equipa na deslocação a Leiria, no domingo (18.45 horas), em encontro referente à 12.ª jornada da SuperLiga. Quanto a Carlitos, e ainda segundo informações oficiais, continua a realizar tratamento médico e trabalho de ginásio, à semelhança de Pedro Mantorras.

Semana decisiva para contratar Robinho
A contratação de Robinho está dependente da resposta que o Santos vai dar ao Benfica até ao final do mês. São justamente sete dias que separam o dia de hoje até ao final do prazo estabelecido pelos brasileiros para que os encarnados apresentem as garantias bancárias necessárias para a efectivação do negócio. O Real Madrid também está na corrida. Resta saber quem vence.

O prazo foi dado ao Benfica e aos intermediários no negócio: final de Novembro para o clube português confirmar a proposta com as respectivas garantias bancárias. Sete dias faltam para o deadline e José Varandas, o agente português que representa o fundo de investimento que está a apoiar os encarnados na transferência do craque do Santos, fará nos próximos dias a viagem que pode ditar um fim satisfatório para Vieira, Veiga, Trapattoni... e benfiquistas em geral. Tal como A BOLA adiantou ontem, as águias foram obrigadas a subir a proposta inicial de 12 milhões de dólares (9,2 milhões de euros) para 15 milhões de dólares (11,5 milhões de euros), precisamente os números que o Real Madrid ofereceu ao clube paulista. Para isso apresentaram dois trunfos: a cedência de Roger (um alvo apetecido no Brasil) e outro jogador brasileiro, ao que tudo indica Argel—o Benfica entraria em acordo com o central, ligado ao clube até Junho de 2006, e com grande prestígio no Santos, emblema que representou durante duas épocas e onde chegou a ser capitão.

Rapto condiciona

Trava-se uma disputa intensa entre Benfica e Real Madrid pelo concurso de Robinho. Até se equaciona um eventual acordo à posteriori entre portugueses e espanhóis, mas o jornal madrileno Marca dava ontem conta de um acordo assinado entre os merengues e o jogador, válido por cinco anos. Algo que foi prontamente negado pelo avançado [ver peça à parte], pelo seu empresário, Wagner Ribeiro, e pelo presidente do Santos, Marcelo Teixeira. Mas todos estes cenários podem estar dependentes de um factor extra-desportivo: Robinho quer sair do Brasil o mais rapidamente possível, mas só depois de resolvido o rapto da sua mãe. O que pode acontecer num dia, numa semana ou num mês. São muitas as incógnitas, mas o Benfica não desiste de contratar a estrela do campeonato brasileiro.

Miguel só em Janeiro
Miguel tem uma entorse no joelho direito e provavelmente só em Janeiro estará em condições de competir. A má experiência do jogo com o Rio Ave, em que o lateral alinhou os 90 minutos com visíveis condicionalismos físicos, terá servido de exemplo aos responsáveis pelo plantel, que, agora, só com totais garantias autorizam a utilização de Miguel.

Dribles de Miguel talvez só em 2005... frente ao Sporting!A ausência no treino da véspera só não causara estranheza de maior porque Miguel terminara o jogo com o Rio Ave em clara inferioridade física. Teria estado a fazer trabalho específico, essencial depois de várias semanas a recuperar de lesão. Afinal, não se tratara de uma simples medida de poupança. Miguel voltou ontem a faltar à sessão de trabalho e mais tarde foi divulgada a sua situação clínica, no site oficial do Benfica: «Entorse de média gravidade no joelho direito. Realiza tratamento bidiário». Miguel passou a manhã no departamento clínico, enquanto a equipa se treinava no Estádio Nacional. Regressou à tarde para mais uma sessão, sob orientação de Rodolfo Moura.

Até 2005?

O tempo previsto de paragem, de acordo com o diagnóstico elaborado e a evolução normal para este tipo de lesões, é de três semanas. Ou seja, tudo indica que Miguel não possa defrontar o Dínamo de Zagreb e Beveren (Taça UEFA), U. Leiria, Estoril e Belenenses (SuperLiga). Em teoria, deverá estar recuperado para o jogo com o Penafiel, na Luz, a 19 de Dezembro. Mas há ainda a questão da recuperação física até estar em boas condições para voltar a jogar. Apesar de ser uma lesão diferente, este contratempo mostra que teria sido preferível esperar mais um pouco. Depois do jogo com o Penafiel, seguem-se três semanas de interregno, pelo que não é inesperado o cenário de Miguel regressar no primeiro jogo de 2005, frente ao Sporting, em Alvalade

Dínamo traz boas memórias
Benfica e Dínamo Zagreb já se defrontaram para a Taça UEFA nos idos anos 80. A eliminatória sorriu aos encarnados, mas já na altura os croatas colocaram muitas dificuldades. E amanhã, como será?

Shéu-Han... Antes no relvado e agora no bancoBenfica e Dínamo de Zagreb são velhos conhecidos. As duas equipas defrontaram-se em Setembro de 1980, para a extinta Taça das Taças, numa altura em que a formação croata era ainda parte integrante da ex-Jugoslávia. A eliminatória sorriu aos encarnados, que obtiveram um nulo no jogo da primeira mão, em Zagreb, e garantiram a passagem à fase seguinte com uma vitória a duas bolas, em Lisboa. Nené e o brasileiro César foram os autores dos dois golos que eliminaram o Dínamo Zagreb. Curiosamente, a grande figura daquela equipa e capitão da equipa era o actual treinador da Croácia, Zlatko Kranjcar, cujo filho usa o mesmo nome e joga no Dínamo [ver pags. 16/17]. Orientada pelo veterano técnico húngaro, Lajos Baroti, a equipa encarnada alinhou com Bento na baliza, seguindo-se um quarteto constituído por António Bastos Lopes, Humberto Coelho (substituído aos 30 m por Alberto Bastos Lopes), Laranjeira e Frederico, ficando o meio-campo entregue a Carlos Manuel, João Alves, Shéu e Chalana, com Nené e César como homens mais adiantados. Na Luz, o central Frederico voltou a ser adaptado a lateral, desta feita do lado direito, entrando Minervino Pietra para o lado esquerdo.

«São» Bento...

Os dois golos que decidiram a eliminatória podem fazer passar uma imagem de facilidades, mas o Dínamo de então foi um adversário extremamente complicado, especialmente no seu reduto. Para sair de Zagreb sem derrota, foi preciosa a espectacular exibição de Bento, que evitou por duas ou três vezes que a equipa da ex-Jugolsávia chegasse ao golo. A lesão do líder da defesa, Humberto Coelho, tornou ainda mais difícil amissão dos companheiros, mas no final, o próprio reconheceu que o sector defensivo tinha demonstrado muita solidez sem ele em campo. Chalana, o mais talentoso jogador da equipa também não deixou os créditos pormãos alheias, tendo sido considerado o melhor, a seguir a Bento. Na segunda mão tudo foi mais fácil, até porque o golo madrugador de Nené tranquilizou a equipa. César fixou o marcador em 2-0 aos 56 m, numa noite que ficou marcada por um incidente insólito. Chamado a substituir César, o brasileiro Jorge Gomes recusou-se a entrar, pelo que Lajos Baroti decidiu apostar em Vital. Hoje é tudo diferente. No mapa e no futebol. A Jugoslávia dispersou-se por vários países. Mas a sua escola de futebol continua a ser temível...



terça-feira, novembro 23, 2004

Benfica insiste em Robinho e quer Karagounis
ROBINHO E KARAGOUNIS. Estas são as duas prioridades do Benfica para o mercado de Inverno, sendo certo que outros jogadores estão referenciados e podem passar a objectivos concretos a qualquer altura. Tal como A BOLA noticiou, um médio criativo é o que pretende Trapattoni e poucas dúvidas existem de que o plantel vai ser reforçado em Janeiro. A concorrência por Robinho é forte e o próprio jogador, em declarações aos media espanhóis, deixa perceber alguma simpatia pela possibilidade de representar o Real Madrid. Em Inglaterra dizem que é o Chelsea. O Benfica confia nos contactos que José Veiga já efectuou no Brasil, junto do Santos e principalmente junto do jogador e da sua família. Confia, pelo menos, que seja possível contratar o craque em Janeiro e até final da época. Karagounis é o médio ideal para reforçar a equipa e os dois anos que leva no Inter de Milão, onde não tem sido feliz, podem servir convenientemente os interesses dos encarnados.

Grego é amor antigo de Trap
Karagounis, médio grego do Inter de Milão, é o jogador que Giovanni Trapattoni gostaria de ver na Luz já em Janeiro e a SAD encarnada tem conhecimento do desejo do treinador italiano. Pode jogar pelas alas, recuar no meio-campo, ou funcionar como o tão desejado número 10 que a equipa encarnada precisa. Karagounis é um amor antigo de Trap e neste momento existem boas condições para que o negócio se torne possível. Karagounis é um suplente utilizado por Mancini apenas a espaços—esta época só jogou 130 minutos, dois jogos para o campeonato e um para a Taça de Itália—e o interesse do Inter por Luisão pode reforçar a posição benfiquista. Ganha perto de 180 mil euros por mês e esse é sem dúvida um grande obstáculo, mas numa perspectiva de empréstimo, com o clube italiano a suportar parte do bolo e eventualmente a conseguir primazia pelo passe de Luisão no final da época... a operação torna-se viável para a bolsa da Luz. O empresário de Karagounis é Roberto Calenda, que também representa Fyssas, e este pode ser um dado importante para seduzir o campeão europeu que na temporada passada foi um dos carrascos do Benfica na pré eliminatória da Liga dos Campeões; além de ter sido um dos melhores jogadores da Grécia no jogo de abertura do Euro-2004, frente a Portugal. Com 27 anos e muito futebol para dar, Karagounis é uma das prioridades do Benfica no mercado de Inverno.

Roger e mais um pelo craque
O Benfica pode ceder Roger e mais um jogador do plantel benfiquista ao Santos. Esta deve ser a última jogada da SAD encarnada para convencer em definitivo o presidente do emblema paulista, Marcelo Teixeira, de modo a que Robinho venha para a Luz já em Janeiro. Os encarnados apresentaram ao peixe uma proposta inicial a rondar os 12 milhões de dólares, conseguindo também um acordo escrito com o jogador. Mas a entrada em cena do Real Madrid terá causado uma renegociação transantlântica, tendo em conta que os merengues terão apresentado uma oferta de 15 milhões de unidades da moeda norte-americana. Terá sido por essa razão que Luís Filipe Vieira e José Veiga optaram pela contenção verbal acerca do assunto, exceptuando a ocasião em que Vieira afirmou, no final da Assembleia geral da SAD: «Só falo de [Robinho] jogadores quando assinar contrato.» Mas nos últimos dias surgiram indicações de que o Benfica se mexeu para, de alguma forma, se tentar aproximar da proposta do clube de Figo. Para compensar os três milhões de dólares de diferença, o Benfica propôs a cedência de Roger (emprestado ao Fluminense até ao final do ano e com o desejo de permanecer em São Paulo, onde trabalha a noiva Adriane Galisteu) e, apurou A BOLA, mais um jogador do plantel. É desta forma que o clube português pode tentar convencer o Santos (dono de 60 por cento do passe do internacional brasileiro) a libertar Robinho para a Luz na reabertura do mercado de transferências. Ainda segundo as informações recolhidas pelo nosso jornal, o outro elemento que pode entrar nas negociações é brasileiro e com cartel de simpatia no Santos. Argel ou Paulo Almeida são hipóteses lógicas, sendo o primeiro a mais forte..

Miguel poupado
MIGUEL poderá vir a ser poupado para o jogo de quinta-feira, frente ao Dínamo Zagreb. O lateral nem sequer se treinou ontem de manhã, devido a fadiga muscular, e é natural que seja apenas opção para o encontro frente ao Leiria. O seu jogo número 150 no campeonato!

A menos de três dias da terceira jornada da fase de grupos da Taça UEFA, Miguel volta a representar uma incógnita. O lateral-direito nem sequer se deslocou ontem de manhã ao campo principal do Estádio Nacional, onde decorreu um treino ligeiro no qual os titulares frente ao Rio Ave se limitaram ameia hora de corridas e alongamentos. Miguel permaneceu no ginásio do Estádio da Luz para se submeter a trabalho específico, devido a «fadiga muscular», segundo informaram os responsáveis do clube. Isto acontece num momento em que se discute as reais capacidades físicas do internacional português. O defesa voltou a jogar anteontem, após quase um mês de paragem, mas evidenciou notórias deficiências e acabou por não trazer à equipa a agressividade e velocidade que Geovanni Trapattoni tanto desejava.

Marca histórica

Posto isto, é provável que Miguel descanse depois de amanhã, frente ao Dínamo Zagreb, e regresse à competição apenas na partida seguinte, no domingo, em Leiria. Será a oportunidade para o médio-ala que se tornou um dos melhores laterais da Europa cumprir uma marca histórica: 150 jogos no escalão principal, 32 ao serviço do Estrela da Amadora, clube que o lançou para a ribalta.

Petit ausente

Petit foi outro dos titulares com o Rio Ave que não marcaram presença no Complexo do Jamor. O médio também se ressentiu de problemas musculares, provavelmente resquícios da rotura muscular que contraiu frente ao Heerenveen e o afastou dos quatro encontros seguintes. Mas tudo indica que, ao contrário de Miguel, Petit possa alinhar frente à formação croata e diminuir assim as dores de cabeça do técnico italiano.



segunda-feira, novembro 22, 2004

Benfica 3 - 3 Rio Ave

3m
1-0 por Simão, com um remate para a esquerda de Mora

23m
2-0 por Simão, isolado perante Mora, após partir em posição irregular

30m
3-1 por Sokota, à boca da baliza, a passe de Luisão

Sala de Imprensa

TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Treinador critica ingenuidade
A equipa ainda não tem a maturidade desejada por Giovanni Trapattoni. O treinador dos encarnados não se conforma com a passividade demonstrada pelos seus jogadores no terceiro golo do Rio Ave, o qual gelou a Luz e hipotecou a possibilidade de a equipa saltar isolada para o primeiro lugar da tabela classificativa. Na conferência de Imprensa que se seguiu ao jogo, o técnico italiano frisou que vai «mostrar em vídeo a jogada do golo de Jacques». «O primeiro golo do adversário foi de cabeça, num canto, e segundo foi uma bela jogada e um bom remate. A esses golos não tenho muito a apontar. Mas o terceiro nasceu de um canto nosso e não podemos sofrer um golo em contra-ataque, pois este tem de ser evitado», foi a crítica lançada por Trapattoni aos jogadores e a justificação para o empate cedido perto do final do jogo. «Perdi a voz de tanto gritar para o relvado para dar indicações nesse golo», acrescentou a propósito, visivelmente triste pelo resultado.

Tinha de compensar o meio-campo

Trapattoni teve depois oportunidade para explicar a substituição de Karadas por Bruno Aguiar. «Tinha de compensar o meio-campo pois o adversário estava a ser dominador nesse sector. Tínhamos um vazio para preencher e por isso achei que o Bruno Aguiar iria dar mais equilíbrio à equipa. Considerei naquela altura que era a alteração que eu tinha de fazer», justificou. Mas também percebeu que a mexida não trouxe quaisquer resultados, bem pelo contrário: «É difícil para um jogador entrar num jogo que está a ser praticado com grande velocidade e o Bruno Aguiar não conseguiu acompanhar. »

Equipa está cansada

Outra das questões postas a Giovanni Trapattoni visou uma eventual pressão que os jogadores possam ter sentido pelo facto de o FC Porto ter perdido na véspera. O técnico não quis admitir com toda a clareza que tal se verificou, mas também não fugiu ao tema. Também no encontro com o Gil Vicente os encarnados tiveram a oportunidade de partir para a frente na tabela após o empate dos dragões ante o Nacional da Madeira. Trap preferiu contornar a questão e disse que a equipa está «cansada ». «Isso tira alguma lucidez aos jogadores», acrescentou. «Amanhã [hoje] vou falar com o plantel. Há muitas coisas que temos de melhorar», frisou.

Rio Ave tem qualidade

O discurso do treinador italiano teve sempre como base a ingenuidade colectiva no terceiro golo dos vilacondenses, mas Trapattoni não terminaria a conferência de Imprensa sem falar do valor do adversário. Afinal, o Rio Ave demonstrou sempre uma crença no empate, nunca desistiu, praticou bom futebol e conseguiu marcar três golos no Estádio da Luz. «Foi um jogo com muita emoção. Mais para nós porque nos deixámos empatar. O Rio Ave revelou ser uma equipa de grande qualidade e nunca deixou de acreditar que podia discutir o resultado. Vi isso quando estávamos a ganhar 3-1. Mas a verdade é que pagámos um pouco o esforço que fizemos na primeira parte, pois pressionámos bastante e fomos a melhor equipa.»

TOMO SOKOTA (jogador do Benfica)
Temos de estar mais unidos
GRITO de alerta de Tomislav Sokota logo após o final da partida, durante o flash interview à Sport TV. O empate a três golos com o Rio Ave parece ter deixado marcas na equipa. O avançado croata, que salientou ser «difícil falar a quente», afinal tinha acabado de deixar o relvado há muito pouco tempo, reconheceu que o Benfica acabou por perder «pontos importantes em casa, devido à derrota do FC Porto e ao empate do Sporting » na véspera. Sokota, porém, vai mais longe e alerta que os «jogadores têm de ter carácter para suportar a pressão » resultante da possibilidade, entretanto perdida, para ascender ao primeiro lugar da SuperLiga, sem a companhia dos dragões. «Não podemos ter pressão. Há muito que se fala nisso. Temos de suportá-la e ultrapassá-la com trabalho e com muita força», sentencia o autor do terceiro golo dos encarnados, que na altura colocava o marcador em 3-1, estavam decorridos apenas 30 minutos. Depois tudo mudou, com o adversário dos encarnados a encetar recuperação. A avaliação de Sokota ao desempenho colectivo e à quebra do Benfica é, ao contrário do que fez questão de salientar no início das declarações, fria. «Acho que assim é muito difícil o Benfica ganhar o campeonato. Temos de estar mais unidos e trabalhar mais», atira. O avançado croata considera ainda que «a conquista do título é mais difícil este ano», embora não concretizasse as razões. Para o internacional croata, os jogadores apenas têm um caminho a seguir depois da comprometedora igualdade com a equipa de Carlos Brito: «Temos de levantar a cabeça e falar.» Sobre o seu futuro — recorde-se que pode comprometer-se com qualquer outro clube no próximo mês sem que o Benfica possa interferir—Sokota preferiu fintar a pergunta. «Fala-se muito disso», desabafou, para acrescentar que essa não é, de momento, a sua principal preocupação. «Em primeiro lugar, quero jogar. Depois vamos ver», disse.



domingo, novembro 21, 2004

Está tudo em aberto
O empate a uma bola frente ao Marítimo não abalou minimamente os objectivos da equipa nem os princípios de jogo de Giovanni Trapattoni. O técnico considera estar tudo em aberto nas contas do título (disse-o sem saber da derrota que o FC Porto viria a averbar frente ao Boavista de Jaime Pacheco) e garante que continuará a jogar com dois avançados nos próximos tempos. O 4-4-2 chegou e ficou de vez e caberá a Sokota e Karadas darem razão ao treinador...

Trapattoni não vai utilizar Ricardo Rocha a titular porque considera um risco; prefere guardar o central para o jogo de quinta-feira, com o Dínamo Zagreb, e para o "mês complicado" O Benfica perdeu a liderança à 10.ª jornada graças ao empate na Madeira e à vitória do FC Porto frente ao Gil Vicente, mas o moral continua intacto. A atitude demonstrada no Funchal e ainda os episódios ocorridos no Benfica-FC Porto servem para tranquilizar Trapattoni. «A equipa esteve muito bem frente ao Marítimo. Quase que demos a volta ao marcador e os jogadores demonstraram carácter. Podíamos ter perdido mas também podíamos ter ganho. Nos últimos quatro meses a equipa demonstrou que tem condições para manter o braço-de-ferro até ao fim. Também houve um golo que não foi assinalado... A SuperLiga é muito longa para entrarmos em vitimização », vincou o treinador do Benfica, reforçando que não é no Inverno que se decidem campeonatos—Trapattoni falou ao final da manhã de ontem, sem saber que o FC Porto viria a perder, à noite, com o Boavista de Jaime Pacheco, como que prevendo uma boa notícia para as águias... Apesar dos espaços criados pelo meio campo encarnado na partida com o Marítimo, fruto da inclusão de dois avançados , Trap não vai mudar a estratégia. Mais uma vez veio a história das incompatibilidades , mais uma vez o italiano sustentou que Karadas e Sokota podem e devem continuar juntos: «Há um mês eu dizia que eram incompatíveis pois a sua forma de jogar era muito semelhante, ficavam muito centrados e não davam profundidade. Mas temos treinado esse aspecto e neste momento estão melhor. »

Mudar só no decorrer do jogo

A lesão de Nuno Gomes veio trazer algo de novo à equipa. Ao que parece, Trapattoni decidiu enraizar nos encarnados um 4- 4-2 puro. «Não podemos alterar agora o esquema», frisa o técnico. «No decorrer do jogo, eventualmente, mas não no início», acrescenta, para depois abrir o livro sem qualquer mistério: «O 4-4-2 é para continuar. Com Geovanni e Simão nas alas podemos ter dois pontas-de-lança em campo. Sem problemas. O importante é que Sokota e Karadas façam o que fizeram frente ao Vitória de Setúbal e o que tentaram fazer com o Marítimo.»

Preparados para comprar
Prontos para ir às compras. Os encarnados necessitam de se reforçar e a SAD já terá reunido todas as condições para trazer, pelo menos, um médio. Trapattoni não quis especificar a posição, mas foi com toda a naturalidade que reagiu à notícia de A BOLA de ontem que dava conta da prioridade do técnico em apetrechar o meio-campo.

Médio poderá estar a caminho, para satisfação de TrapA pergunta de A BOLA não o surpreendeu. Nem fez cara feia. Pelo contrário, o treinador do Benfica quase que admitiu o cenário: a contratação de mais um elemento para o meio-campo ofensivo é praticamente uma necessidade adquirida. Só não o confirmou com todas as letras porque manda a prudência não levantar todo o véu. «Vamos ver qual a posição que necessitamos de reforçar e se vamos reforçar com mais um jogador», afirmou Trapattoni, numa clara manobra de encobrimento. Mas não teria sucesso, pois o modo como iniciou a resposta deixa antever que tudo já está totalmente pensado: «Já falei bastante com o presidente e com José Veiga sobre essa possibilidade. Hoje não necessitamos de mais ninguém, pois temos jogadores importantes, mas naturalmente que o clube está muito atento a todas essas pequenas coisas que podem passar-se aqui.» Apesar da natural recusa em apresentar todos os dados, o discurso de Trapattoni não deixa dúvidas: «Se em Janeiro necessitarmos de reforçar o plantel o clube está preparado para fazê-lo. Vamos ver o que acontece...»

Negócio oportuno

Giovanni Trapattoni veio dar sequência à notícia de ontem de A BOLA. O treinador já terá identificado algumas lacunas no centro do terreno, tendo indicado à SAD a prioridade de contratar um médio ofensivo que faça a transição defesa-ataque como um verdadeiro número 10 e que dê o equilíbrio na zona intermediária. A avaliar pelas declarações do treinador, José Veiga estará perto de assegurar um negócio oportuno e proporcionar mais um trunfo na luta pelo título nacional.

Miguel é quem decide
Miguel foi convocado para o jogo com o Rio Ave mas até ao início da tarde de ontem não era claro que o lateral estaría em condições de actuar frente aos vila-condenses. Trapattoni deu a entender na conferência de imprensa que iria ter uma conversa com o jogador e que seria o próprio a ter um papel importante na decisão. «A dúvida está na sua cabeça», afirmou o técnico, deixando nas entrelinhas que o camisola 23 está bem em termos físicos e que o único problema será de índole psicológica...

Lateral realizou ontem um teste positivo no treino efectuado à porta fechada, na LuzO teste a que Miguel se submeteu ontem de manhã, no treino realizado no Estádio da Luz à porta fechada, foi positivo. Era uma espécie de tira-teimas para aferir a sua disponibilidade para jogar esta noite e, pelo que foi possível apurar, o lateral pode ser utilizado ante o Rio Ave. No entanto, Trapattoni não quis abrir demasiado o jogo. Lembrou que existe sempre o perigo de uma recaída—recorde-se que o camisola 23 contraiu uma microrrotura na coxa esquerda na partida com o Oriental, a 27 de Outubro, já lá vai quase um mês — mas de acordo com o italiano o receio do atleta parece ser a grande razão para que a 24 horas existam apenas certezas relativas quanto à sua inclusão no onze. «Vou falar com ele hoje [ontem] à noite. Miguel está melhor e a dúvida está na sua cabeça», afirmou o treinador. Ou seja, Miguel estará com algum receio de voltar a lesionar-se depois de uma paragem de quase um mês e caberá a Trap gerir as informações clínicas e as emoções do jogador para fazer a ficha do jogo.

Karadas e Sokota na frente de ataque

A única dúvida acerca da equipa a apresentar-se frente ao Rio Ave prende-se apenas no lado direito do sector defensivo. Se Miguel não jogar, será Amoreirinha o seu substituto, tendo como colegas de sector o guarda-redes Moreira, os centrais Luisão e Argel e o lateral-esquerdo Dos Santos. Petit e Manuel Fernandes serão os centro-campistas, enquanto Geovanni e Simão (ambos totalmente recuperados depois de se terem treinado condicionados durante esta semana) ficarão encarregues das alas. Na frente manter-se-á a mesma dupla: Karadas/Sokota. Significa isto que os dois avançados vão jogar o terceiro jogo consecutivo juntos, depois da vitória por 4- 0 ao V. Setúbal, em casa, e do empate a uma bola ante o Marítimo, na Madeira.

Mantorras já remata
Pedro Mantorras já trabalhou ontem no relvado, juntamente com os companheiros de plantel. Continua a recuperar de operação ao joelho direito e por isso mesmo continua a fazer tratamento e treino condicionado, mas ontem de manhã, na Luz, fez remates fortes e parece estar no bom caminho para o regresso em breve.

Nuno Gomes continua a recuperar de uma lesão no joelho esquerdo e nem sequer subiu ao relvado. O mesmo se passou com Carlitos, que se lesionou no joelho direito e também continua a fazer tratamento. O avançado não voltará a competir antes do final do ano, mas Nuno tem ainda uma possibilidade de reaparecer. Para hoje está marcado um treino, às 11 horas, no Estádio da Luz, apenas destinado aos jogadores que se encontram a recuperar de lesões e para os não convocados—Alcides, e Yannick. Refira-se que o primeiro recuperou de lesão e aguarda agora que Giovanni Trapattoni o convoque pela primeira vez.

Arranque para o título pode começar no Porto
A Grande Gala que a Casa do Benfica no Porto organizou anteontem à noite, no Teatro Sá da Bandeira, reuniu perto de três dezenas de artistas e entrou pela madrugada de sábado. Luís Filipe Vieira, que se recusou a responder às perguntas dos jornalistas, foi chamado ao palco já perto da uma da manhã e lançou um desejo, em forma de profecia, aos benfiquistas: «Pressinto que vai ser aqui, na cidade do Porto, que vamos começar a festejar o título!»

Luís Filipe sorri para um futuro que considera ser auspicioso para o Benfica e os seus adeptosVieira não estava para grandes discursos, mas numa intervenção aos sócios, que durou cerca de dois minutos, lançou uma ideia que deixou a assistência ao rubro. Para o presidente do Benfica, pode ser na cidade do Porto que o clube da Luz arrancará para a conquista do título. «Já esta época, apesar de tudo o que nos têm feito», afirmou. Embora não tenha especificado os contornos desta espécie de promessa, uma consulta pelo calendário da SuperLiga deixa em aberto duas possíveis leituras: a mais óbvia tem a ver com o facto de o Benfica terminar o campeonato no Bessa, na terceira semana de Maio. Mas três meses antes a águia visita o Dragão, à 23.ª jornada, num jogo que poderá decidir muita coisa. Terá sido esse o «arranque» imaginado por Vieira? O líder benfiquista revelou que «há poucos dias, um jogador do plantel confessou ter a mesma esperança », referindo-se ainda a esse desejo de resolver o campeonato na cidade do Porto.

No bom caminho

Luís Filipe Vieira, que falou aos benfiquistas pouco depois de ter sido feita uma homenagem a Fernando Caiado, elogiou o «excelente trabalho desenvolvido pela Casa do Benfica no Porto», dando os parabéns à responsável, Rosa Lima. E acrescentou: «É intenção desta Direcção reforçar o apoio às diversas casas do Benfica espalhadas pelo país. A partir de domingo, esse apoio será mais forte.» Num discurso optimista mas contido, deixou bem claro o seu estado de alma: «O Benfica encetou um trabalho de recuperação. Estamos a recuperar e queremos continuar no bom caminho».



sábado, novembro 20, 2004

Simão apto e Miguel faz teste decisivo
Voltou a treinar-se e voltou a não convencer. Miguel continua com muitas limitações físicas e apenas hoje, após um teste decisivo, saberá se está em condições de defrontar o Rio Ave. Simão é presença certa num onze que ainda não deve contar com Ricardo Rocha na defesa.

Miguel treina-se mas com cautelas a mais para estar em condições de jogar amanhãO lateral-direito participou no treino de conjunto que revelou parte das intenções de Trapattoni para o jogo de domingo, frente ao Rio Ave... Mas não convenceu. Miguel correu pouco, furtou-se ao choque e na altura em que os jogadores foram chamados para remates à baliza fez treino específico com o preparador físico Fausto Rossi. Depois conversou demoradamente com o adjunto, Álvaro Magalhães e também com Petit. Miguel não deverá estar em condições de alinhar no jogo de amanhã, mas tem feito tratamento diário (ontem à tarde esteve na Luz) e ainda existe uma réstia de esperança. Hoje, altura em que o Benfica se treina à porta fechada, o defesa vai realizar um teste decisivo. Giovanni Trapattoni decidirá, então, se arrisca a utilização do jogador.

Simão regressa

Se existem dúvidas em redor da disponibilidade de Miguel... elas deixaram de fazer sentido em relação a Simão. O capitão benfiquista reapareceu ontem no relvado e treinou-se de forma intensa, sem limitações após o traumatismo no pé direito. Geovanni, João Pereira e Ricardo Rocha, que também recuperavam de problemas físicos, também se treinaram, embora com algumas cautelas. Perante as opções e o que parece provável, a equipa titular de Trapattoni para o jogo com o Rio Ave não deverá ser muito diferente da que os adeptos viram jogar e empatar na Madeira, frente ao Marítimo.

Dois pontas-de-lança e Rocha no banco

Moreira continua na baliza e deve ter como apoio o quarteto defensivo da última jornada. Não jogando Miguel, Amoreirinha será o lateral-direito, com Luisão e Argel no centro. Ricardo Rocha recuperou de lesão mas deve começar o jogo no banco de suplentes. Dos Santos será o defesa-esquerdo. No meio-campo mantém-se a dupla formada por Petit e Manuel Fernandes, com o apoio de Simão no lado esquerdo e de João Pereira — deve ganhar a corrida a Geovanni — no lado direito. Na frente a dupla de pontas-de-lança que ainda deixa com reservas alguns benfiquistas: Karadas e Sokota. É imperativo ganhar ao Rio Ave e os jogadores estão mentalizados.

Queremos a liderança
Dos Santos carrega nos ombros a responsabilidade de lutar com Fyssas pela titularidade no lado esquerdo da defesa benfiquista. Sente-se cada vez melhor, aperfeiçoou o entendimento com Simão e afirma que também sente a equipa a evoluir. Aliás, para o jogador o objectivo imediato apenas pode ser um: recuperar a liderança no campeonato o mais rápido possível.

Dos Santos vai marcando pontos na concorrência com Fyssas pela titularidade— Considera que a sua integração na equipa está completa?
— Sinto que estou melhor a cada dia que passa. No início foi um pouco difícil, não conhecia ninguém e tinha de me adaptar ao futebol português, mas agora estou muito melhor.
— E a equipa? Como está no momento?
— Está também a melhorar e a acumular experiência, o que é muito importante para alcançar o nosso objectivo de ganhar o campeonato.
— Quando chegou ficou surpreendido com a qualidade do plantel?
— Não. O Benfica é um grande clube e, como tal, tem de ter um plantel de muita qualidade para conseguir atingir os objectivos.
— Como encara a concorrência na sua posição?
— Sabia que seria muito difícil, pois teria de lutar com Fyssas, que é campeão europeu. Mas queria muito vir para o Benfica e ajudar. sabia que teria de trabalhar muito e é isso que faço, com prazer. No início tive de me adaptar, conhecer as movimentações dos meus companheiros, para fazer tabelas no campo. Agora já conheço melhor Simão e ele já me conhece melhor. Mas sei que tenho de trabalhar, recomeçar do zero em todos os jogos. Não posso facilitar.

Campeonato é longo

— O objectivo é regressar ao 1.º lugar no campeonato?
— O objectivo é recuperar a liderança o mais rapidamente possível; um lugar que ocupámos desde o início. Para isso temos de ganhar, já no próximo jogo.
— Concorda com Trapattoni quando ele diz que o empate frente ao Marítimo foi positivo?
— Fomos para a Madeira com intenção de ganhar os três pontos, mas quando vimos como jogou o Marítimo na primeira meia hora, em que teve três ou quatro oportunidades de golo, temos de pensar que o empate foi positivo.
— A equipa ficou afectada com o empate?
— Triste. Mas sabemos que isto podia acontecer, que as equipas tem momentos altos e baixos durante o campeonato, que é muito longo. Por vezes, quando as equipas estão mais cansadas, principalmente quando é altura de jogos das competições europeias, é natural que estejam pior. Mas estamos confiantes e optimistas na conquista dos nossos objectivos.
— O que pensa da equipa do Rio Ave?
— Como todas as equipas que vêm à Luz, deve jogar fechado na defesa e tentaremos deslocar esse bloco. Nestes jogos o papel dos laterais é muito importante, pois têm de fazer muitas combinações para ajudarem o máximo possível os extremos.
— Quem está mais forte neste campeonato?
— O Sporting só vi na televisão e por isso não posso falar... Já defrontámos o FC Porto... Mas os três grandes são os candidatos, embora também acredite que Marítimo e Braga possam entrar nessa luta.

Guerra aberta à falsificação
Os produtos oficiais do Benfica vão passar a ser identificados por uma nova etiqueta holográfica com o intuito de combater falsificações. Nos últimos meses foram apreendidos milhares de produtos e instaurados cerca de uma centena de processos crime.

Responsáveis pela marca unidos contra produtos falsosÉ uma autêntica guerra à contrafacção de produtos oficiais do Benfica. O clube da Luz e a TBZ, empresa gestora desta marca, têm solicitado à Brigada Fiscal e à Inspecção-Geral das Actividades Económicas diversas acções de fiscalização e que já resultaram na apreensão de grandes quantidades de produtos com etiquetas falsas. Ainda recentemente foi instaurado um processo contra uma empresa de Braga, responsável pela colocação no mercado de milhares de bonés e cachecóis falsificados, sendo considerada como a maior burla jamais cometida com a marca Benfica. Só durante o ano em curso foram instaurados mais de 100 processos-crime e cíveis a empresas e indivíduos a quem foram apreendidos artigos contrafeitos. Com o intuito de intensificar esta luta a TBZ e o Benfica vão colocar em vigor novas etiquetas de segurança holográfica, produzidas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda e que apresentam maior segurança quanto a evitar falsas reproduções.

Médio ofensivo em agenda
Robinho continua a ser prioridade, mas Trapattoni pediu também um médio ofensivo à SAD e José Veiga está em campo. O perfil e os nomes estão definidos, e se os cofres da Luz o permitirem o Natal poderá trazer boas prendas.

Trapattoni faz o sinal: mais dois jogadores encaixariam que nem uma luva no plantelO Benfica está mesmo decidido em reforçar-se já em Janeiro e, nesta altura, já estão perfeitamente definidos os alvos. A prioridade continua a ser Robinho, mas para além do brasileiro os encarnados estão no mercado à procura de um médio ofensivo, não se apresentando como premente a contratação de um lateral-direito, embora estejam, também, a ser efectuadas prospecções nesse sentido. A SAD já tem em cima da mesa nomes de médios ofensivos que se enquadram nas pretensões de Trapattoni e, neste aspecto, a ordem de prioridades obedece a critérios financeiros. Sabe-se que o dinheiro não abunda na Luz, pelo que a primeira solução será tentar reforçar o sector intermediário com um jogador que possa constituir um negócio oportuno e é nesse sentido que o mercado está a ser sondado. A escassas semanas da reabertura do mercado de transferências, poderão surgir novidades.

Robinho em stand-by

Os encarnados estão igualmente atentos ao mercado à procura de um lateral-direito, mas esta aposta está longe de constituir prioridade. Trata-se apenas de equilibrar uma posição onde existe um único jogador de raiz, Miguel. Amoreirinha tem suprido as ausências do internacional português, mas trata-se de um central adaptado. Quanto a Robinho, o negócio parece estar em stand-by. Tal como tinha sucedido após a reunião com o Real Madrid, Wagner Ribeiro, empresário do jogador continua a apregoar que não haverá acordo com nenhum clube enquanto não se resolver a questão do sequestro da sua mãe. «Apenas estou preocupado com a situação da mãe do Robinho. Ninguém do Benfica me telefonou e qualquer negociação, só depois de resolver esse problema.»

A noite em que Vieira foi aplaudido no Porto
Em silêncio para a comunicação social, Luís Filipe Vieira inaugurou a ampliação das instalações da Casa do Benfica no Porto, que ontem festejou os seus 16 anos. Acompanhado por Eusébio, Vieira assistiu ainda à Grande Gala realizada no Teatro Sá da Bandeira, em plena baixa portuense. Recebeu muitos aplausos e o dispositivo policial que permaneceu à porta do teatro acabou por ter uma noite muito tranquila.

Presidente Rosa Lima foi a cicerone de Luís Filipe Vieira no 16.º aniversário da Casa do Benfica no PortoLuís Filipe Vieira chegou à hora marcada (20.30 horas) às instalações da Casa do Benfica no Porto, na Rua de Camões, acompanhado por Eusébio. A sua entrada na sala principal foi marcada por um aplauso e vivas ao Benfica das poucas dezenas de simpatizantes presentes no local. Os mais novos não perderam tempo e foram pedindo autógrafos ao rei Eusébio. Rosa Lima, a presidente da Casa do Benfica no Porto (ver peça à parte), serviu de cicerone e foi explicando a Vieira alguns dos pontos de interesse existentes na sede dos benfiquistas na Cidade Invicta: uma grande fotografia de Miki Fehér; as fotografias de todos os presidentes da história do Benfica expostas na parede da sala principal; o onze benfiquista que venceu a final da Taça de Portugal no passado Junho frente ao FC Porto; alguns posters de equipas do Benfica que arrecadaram o título nacional.

A pedra encaixilhada

No andar de cima, entre medalhas e recordações alusivas ao centenário do Benfica destacava-se um objecto um pouco estranho numa estante como aquelas: um pedregulho, de dimensões bem razoáveis, que estava colocado num local bem visível e se apresentava protegido por um vidro. Perante a estranheza do presidente do Benfica, Rosa Lima explicou: «Isto é a recordação de um incidente que ocorreu em Novembro de 1999, no Palácio de Cristal. Organizámos o terceiro encontro de Casas do Benfica de todo o País e alguns adeptos do FC Porto decidiram brindar-nos com esta pedra...» Felizmente, o incidente não provocou danos pessoais. Seguiu-se a Grande Gala no Teatro Sá da Bandeira, na qual actuaram cerca de três dezenas de artistas. Além de Vieira, Eusébio e Caiado, marcaram presença vários benfiquistas residentes no norte do País, entre os quais Celso, antigo futebolista do clube encarnado.



sexta-feira, novembro 19, 2004

O que mudou na Luz com José Veiga
AOS 41 anos, José Veiga deixou a carreira de empresário de jogadores para assumir a gestão desportiva de uma grande equipa de futebol. Pela mão de Luís Filipe Vieira, de quem está próximo desde Maio de 2001, Veiga é hoje uma espécie de tutor de todo o futebol profissional do Benfica. Nenhuma decisão é tomada sem ele; e muitas decisões só a ele competem. Foi para isso que Luís Filipe Vieira o chamou e nem Veiga aceitaria trabalhar de outra maneira.

LUÍS FILIPE VIEIRA e José Veiga começaram uma ligação antes do Verão de 2001. Vieira acabara de ser convidado por Manuel Vilarinho para tomar conta do futebol do Benfica e José Veiga era não apenas empresário de alguns jogadores da Luz como também credor do clube. Era preciso encontrar soluções para resolver as dívidas a Veiga e o então presidente encarnado, Vilarinho, pediu a Vieira que falasse com o empresário. Ao mesmo tempo, o Benfica precisava de refazer a sua equipa de futebol e de renovar a sua dinâmica desportiva. Filipe Vieira encontrou então em José Veiga um parceiro privilegiado e à solução para saldar as dívidas do clube ao empresário juntava-se a sua utilidade na construção de um novo caminho para o futebol benfiquista. Juntos, Filipe Vieira e José Veiga trouxeram em três anos para a Luz jogadores como—dãose apenas exemplos — Simão, Nuno Gomes, Zahovic, Argel, Petit, Tiago, Ricardo Rocha ou Sokota, e os mais recentes Luisão, Fyssas ou Karadas.

CONCORDE-SE ou não com as opções, as estratégias ou os métodos, a verdade é que o Benfica (futebol) dos últimos três anos se modificou: relançou-se desportivamente, ganhou por duas vezes direito a discutir o acesso à Liga dos Campeões, conquistou uma Taça de Portugal, e passou a ter incomparavelmente mais jogadores nas selecções nacionais. Há muitos anos que isso não acontecia. A relação de Filipe Vieira e José Veiga passou do plano meramente profissional para o plano da profunda confiança, amizade e convergência de pontos de vista. Quando Filipe Vieira conquistou a presidência do clube, já era para muitos um dado adquirido que mais tarde oumais cedo José Veiga seria convidado a receber o testemunho directo do comando do futebol profissional da Luz. Era a sequência lógica do trabalho em conjunto dos anos anteriores.

AO aceitar pôr fim à carreira de empresário e lançar-se no ambicioso desafio de gerir no terreno a equipa profissional de um grande clube, José Veiga cumpriu provavelmente um sonho mas também assumiu os fortes riscos já amplamente conhecidos. Ele sabe, melhor do que ninguém, que do sucesso do seu trabalho depende o seu futuro no clube. E sabe ma i s : só ganhando conquistará, por fim, a confiança dos benfiquistas. É assim no futebol. Num clube que nos últimos dez anos derivou pelas ondas demuitos dirigentes, treinadores e jogadores, foi navegando ao sabor de uma frágil cultura profissional e ganhou hábitos e vícios muito amadores, nunca é fácil organizar, impor regras e disciplina e estimular a capacidade competitiva e a ambição. No futebol actual, raros são os vencedores por acaso. Para se ganhar é preciso muito mais do que uma boa equipa de futebol; é preciso uma filosofia de clube. Goste-se ou não das pessoas, concorde- e ou não com os seus estilos, certo é que com José Veiga alguma coisa já mudou no futebol profissional do Benfica. A começar por alguns hábitos.

PORmotivos pessoais (nomeadamente, conflitos que o opõem ao fisco português) José Veiga pediu para não ser ratificado como administrador da SAD encarnada mas manteve, como seria de esperar, a confiança dos altos responsáveis do clube. A gestão financeira e desportiva do futebol está a seu cargo, submetendo-se evidentemente José Veiga ao orçamento de 22 milhões de euros (cerca de 4,5 milhões dos antigos contos) imposto para a época de 2004/2005 (contra os quase 60 milhões de euros de orçamento, para se estabele- que o FC Porto partiu para a temporada).

DESDE logo, José Veiga foi obrigado a reforçar a equipa dentro dos rigorosos limites orçamentais. Dos nove reforços para a nova época, quatro foram contratados a custo zero e os restantes a custo manifestamente moderado. Por outro lado, tornou-se indiscutível a solução técnica de substituição de José Antonio Camacho: a contratação de Giovanni Trapattoni mereceu amplos elogios, justificados pela dimensão da figura do técnico italiano e, sobretudo, pelo seu magnífico e quase incomparável currículo. Montada a estrutura, o passo seguinte era o de impôr algumas novas regras e alterar procedimentos. Seguem-se alguns exemplos.

PRÉMIOS. José Veiga discutiu apenas prémios por objectivos. Não há prémios por jogo e só o primeiro lugar no campeonato é premiado. Mesmo dando esta época o 2.º lugar acesso directo à Liga dos Campeões, a gestão de José Veiga retira a essa classificação qualquer prémio. Entende-se que o segundo posto no Benfica deve ser considerado um mau lugar, uma derrota. Além do mais, esse é um modo de impor aos jogadores a perspectiva de um novo espírito de conquista.

JOGADORES. Passaram a ser obrigados a treinar-se de caneleiras. A velha questão de se treinarem nas mais próximas condições possíveis do próprio jogo.

Menos de 5 milhões em reforços

O rigor orçamental impôs a José Veiga naturais limitações na política de contratações do Benfica para a nova época. Os encarnados não gastaram cinco milhões de euros com a equipa de futebol e facturaram 12,5 milhões com a venda de Tiago ao Chelsea. Eis o custo dos reforços: A ausência de caneleiras dá direito a pesada multa (250 euros). A partir da saída do hotel de estágio, é proíbido aos jogadores o uso de telemóvel. A disciplina e o rigor profissionais são considerados absolutamente indispensáveis à formação do espírito de grupo e ao objectivo de vencer. Por isso, jogadores lesionados acompanham a equipa, em particular nas viagens ao estrangeiro. Por isso, os jogadores e equipa técnica são acompanhados diariamente por José Veiga (por norma, o primeiro a chegar à Luz e o último a sair). Qualquer problema é resolvido em dois minutos e procura-se até acompanhar e cuidar de questões pessoais de atletas ou técnicos, mantendo conversas (igualmente diárias) com todos eles.

DIRIGENTES. À excepção do presidente, nenhum outro dirigente tem acesso ao balneário ou mesmo aos corredores próximos. Deixaram ainda os dirigentes (ou restantes funcionários administrativos ou outros) de ter acesso, no estádio, à zona de pequeno-almoço dos jogadores, perderam a possibilidade de se instalar no mesmo hotel da equipa ou de se deslocar no autocarro dos jogadores.

PREPARAÇÃO. José Veiga fixou o trabalho da equipa no Estádio Nacional. Na ausência de um centro de estágio, a equipa não teve nos últimos anos local certo para trabalhar. Ficaram conhecidas as constantes mudanças de campo para treinar no tempo de Camacho. Agora, técnicos e jogadores sabem onde se preparam: ou na Luz ou no complexo do Jamor. Isso é fundamental para a consolidação da equipa e para tornar possíveis bons níveis de rendimento. O hotel de estágios em Lisboa é o mesmo que acolheu a selecção de Inglaterra no Euro-2004, em Linda-a-Velha. Recorre-se ao estágio até em momentos de desaire (como aconteceu em Estugarda). Após a derrota, é considerado importante manter a equipa concentrada para que a derrota não passe despercebida aos jogadores e todos sintam a necessidade de aumentar ainda mais o empenho. A comitiva do futebol benfiquista passou ainda a contar com um cozinheiro a tempo inteiro sempre que se desloca para fora da capital. DEPARTAMENTO clínico . Muito transformado. A equipa passou a ter, pela primeira vez, um médico a tempo inteiro. De manhã à noite. É ele António Barata e trabalha em regime de absoluta exclusividade. Mais dois em part-time: João Paulo Almeida, o director clínico, e Vítor Coelho, ortopedista no Hospit a l Amadora-Sintra. Rodolfo Moura e Vítor Saraiva foram contratados ao Sporting e são homens da confiança de José Veiga, habituados a uma disponibilidade para o trabalho de 24 horas. Manteve-se o enfermeiro Duarte Pinto. Ao todo, foram dispensadas qualquer coisa como 16 pessoas que directa ou indirectamente funcionavam na área do futebol. José Veiga reduziu a três o número de pessoas próximas de si: Lourenço Pereira Coelho, Shéu e Carlos Garcia. Baixaram-se os custos e procurou-se uma maior rentabilização dos recursos humanos.

SALÁRIOS. Sem prémios, para José Veiga era essencial o compromisso de honra de pagar os salários rigorosamente no dia previsto. Medida considerada indispensável para poder manter-se a autoridade e um elevado nível de exigência. Esse pressuposto tem sido cumprido à risca e só assim os responsáveis ganham legitimidade para impor disciplina e aplicar, sempre que necessário, as respectivas multas.

AMBIÇÃO. São estimuladas as vozes no balneário, a força dos gritos, a importância do diálogo como meio de fortalecer o espírito de equipa e a sua ambição. Esse espírito é permanentemente cuidado, com vigilância apertada sobre atitudes negativas ou de falta de carácter.

REFORÇOS. Pelos limites orçamentais, o recurso ao investimento privado é uma solução. Só assim o Benfica pode aspirar a estar na corrida (como ainda está) à jovem estrela brasileira Robinho. Cumprido o enorme esforço de apenas ceder à venda de Tiago ao Chelsea, mantendo assim o forte núcleo da equipa (mesmo tendo recebido propostas para Miguel, Petit, Nuno Gomes, Luisão, Ricardo Rocha ou mesmo Fyssas, logo após o Euro), José Veiga (bem como Filipe Vieira)mantêm pública a promessa de voltar a não ceder qualquer jogador em Janeiro. Pelo contrário, procurarão reforçar. Com Robinho e, se possível, mais um jogador ainda de qualidade inquestionável. Sem vitórias, nada do que mudou na Luz ganha importância, e, aparentemente, as mudanças parecem até elementares. Mas sem elas, poucas vitórias serão possíveis. Talvez o Benfica estivesse ainda demasiado atrasado.

Dúvidas
É a fase da época em que palavra faz mais sentido: dúvida é um termo que neste momento deve estar a arreliar Giovanni Trapattoni, a três dias do encontro com o Rio Ave. São vários os jogadores que suscitam interrogações quanto à possibilidade de defrontarem os vilacondenses. Miguel é um deles, Simão também, Geovanni e João Pereira idem. No entanto, é possível que recuperem a tempo para domingo...

Simão não representou Portugal mas deverá estar apto para defrontar o Rio Ave. Resta saber em que condições Boas notícias a chocarem com as más. Resultado: dúvidas, muitas dúvidas sobre o onze que tentará os obter os três pontos ante a formação de Carlos Brito e perseguir o líder FC Porto (cenário novo, este). A três dias do jogo, o técnico depara-se com vários condicionalismos cuja clarificação só será encontrada nas vésperas do confronto com o Rio Ave. Se no treino de ontem Geovanni, João Pereira e Ricardo Rocha surgiram praticamente sem limitações e para espanto de todos, já Miguel e Simão Sabrosa não conseguiram tranquilizar Giovanni Trapattoni. O lateral-direito continua a debater-se com alguns problemas na coxa esquerda e no jogo frente à equipa B abandonou precocemente, submetendo-se depois a tratamento com gelo. Começou a sessão no lugar de lateral-direito (Amoreirinha ficou no banco, o que indicia as intenções do treinador quanto à partida com o Rio Ave) mas tentou sempre evitar o choque e refrear as subidas pelo corredor. Pelas informações recolhidas por A BOLA o camisola 23 poderá alinhar no domingo e caberá ao próprio ter uma palavra final quanto à titularidade—foi ele quem transmitiu a Trap a indisponibilidade de alinhar frente ao Marítimo.

Simão em sacrifício?

Outra das interrogações prende-se com a utilização de Simão. O capitão nem sequer surgiu ontem no campo principal do Estádio Nacional, permanecendo no ginásio do Estádio da Luz. O problema que o afecta já vem de há duas épocas, pelo que já está habituado a lidar com a lesão. O camisola 20 deverá jogar, restando saber se em sacrifício ou totalmente recuperado com a semana que teve para contornar a mazela. Já Geovanni e João Pereira parecem estar recuperados. Jogarão?

SURPRESAS
As presenças de Miguel e, especialmente, Ricardo Rocha, Geovanni e João Pereira no treino surpreenderam tudo e todos. Afinal, há ala direita... Surpresa geral no treino das águias, realizado ontem à tarde no Jamor.

Geovanni, Ricardo Rocha e Miguel voltaram ontem a treinar sem aparentes condicionalismos. Trap respira de alívio Quando nada o fazia prever, compareceram todos os jogadores da ala direita (à excepção de Carlitos), que eram tidos como indisponíveis para o embate com o Rio Ave, e todos participaram no jogo de treino com a equipa B. Do trio composto por Miguel, João Pereira e Geovanni, só o primeiro acabou por sentir alguns problemas, devido a um pequeno derrame que ainda tem na face posterior da coxa esquerda, tendo feito gelo. Refira-se, no entanto, que os primeiros 20 minutos do lateral-direito foram excelentes e só depois abrandou, passando a jogar mais adiantado, com João Pereira mais recuado.

Ricardo Rocha apto!

Mas se as inclusões de Miguel, Geovanni e João Pereira chamaram a atenção de todos, mais surpreendente ainda foi o reaparecimento de Ricardo Rocha. Catorze dias depois da lesão, frente ao Estugarda e as previsões iniciais apontavam para um mês de paragem. Mas Ricardo Rocha apresentou-se ontem sem problemas e tudo indica que está apto para defrontar o Rio Ave. Caberá a Trapattoni decidir se o central apresenta índices físicos ideais para voltar já à competição, ou se Argel irá manter a titularidade. Karadas foi o único dos internacionais que estiveram em competição a meio da semana a marcar presença. Fez trabalho específico com Trapattoni e ainda jogou alguns minutos.

Luzes e sombras nas balizas
A matéria é delicada e ultrapassa a disputa entre emblemas, já que se centra no interior de um clube, onde o jogador normalmente escolhido pelo treinador para suplente merece honras de chamada à Selecção Nacional e o titular não.

Se Moreira permanecer titular e a exibir-se em bom plano, Scolari não terá muitos argumentos para continuar a preferir Quim. Mas este, na Luz, não é uma carta fora do baralhoLuís Felipe Scolari dá muito valor à coesão do grupo de jogadores com que trabalha. Esta abordagem do seleccionador nacional ficou, aliás, bem à vista no lento processo que culminou com a lista final para o Euro-2004 e a filosofia perfilhada por Felipão permanece inalterada. Assim se explica que Quim, apesar de ser suplente de Moreira, continue a ser chamado à turma das quinas. Quando decidiu trocar Braga pela Luz, o guarda-redes de Vila Nova de Famalicão sabia bem os riscos que corria. Moreira tinha uma posição sólida no clube, merecia o carinho dos adeptos (especialmente depois das exibições de Trondheim e de Alvalade) e mostrava uma capacidade evolutiva que lhe permitia sonhar com os mais altos voos. Provavelmente, Quim não contaria com um outro atributo de Moreira: o estofo que lhe permitiu não tremer perante a concorrência de um guarda-redes tão consagrado, segurando o lugar e marcando pontos sobre o rival. Quim terá apostado, ao assinar pelo Benfica, numa estratégia de risco que teria como objectivo não só o clube da Luz mas também, a partir de uma posição firme de águia ao peito, «assaltar» a titularidade de Ricardo na Selecção Nacional. A ver vamos se o passo não foi maior que a perna

E os jogadores de campo?

Poder-se-á dizer que a questão da titularidade não é muito relevante, o que importa é o valor do jogador em causa, na óptica do seleccionador. No que respeita as jogadores de campo, esse é o caminho muitas vezes seguido pelos responsáveis das equipas nacionais. Ainda na recente convocatória de Portugal para o jogo com o Luxemburgo foram incluídos alguns suplentes habituais nos seus clubes: Tiago (Chelsea), Hélder Postiga (FC Porto), Hugo Almeida (FC Porto) e Caneira (Valência), além do já citado Quim. E não foi pelo facto de ser muitas vezes suplente na Lazio, quando Mihajlovic e Nesta ainda moravam em Roma, que Fernando Couto deixou de ser convocado, acontecendo o mesmo com Rui Costa, reserva de Kaká a partir de 2003/04. Ora, o que é quase normal relativamente aos jogadores de campo (Gutí e Morientes, da Espanha, ou Owen e Alan Smith, em Inglaterra, também são actualmente bons exemplos de não-titulares absolutos que entram nas contas de Aragonés ou Eriksson) já o não é tanto quando se fala de guarda-redes, especialmente quando o técnico do clube não advoga o princípio da rotatividade, como é o caso de Trapattoni, até agora apenas disponível, a partir do momento em que Moreira se englobou nos trabalhos, para lançar Quim em partidas «menores » (Bystrica, Oriental...). A vez de Scolari Portugal encerrou, no Luxemburgo, um ciclo importante de jogos e só dentro de mais de quatro meses a Selecção Nacional regressará aos confrontos «a doer». Até lá, o assunto de Moreira e Quim fica em stand-by, dependente daquilo que um e outro fizerem no Benfica. Se Moreira permanecer titular e a exibir-se em bom plano, Scolari não terá muitos argumentos para preferir Quim. Mas ninguém tem o direito de dizer que, na Luz, Quim é desde já uma carta fora do baralho. Trapattoni, o primeiro a escolher, tem uma palavra importante neste imbróglio. Scolari terá a última palavra. Moreira e Quim têm de fazer pela vida...

Já posso jogar 90 minutos
ALCIDES está recuperado de lesão e entusiasmado, pronto para mostrar o seu futebol. Defesa-central de posição, vai ter concorrência forte. Mas não a teme. Vem para somar e não para dividir, resume, ao mesmo tempo que assegura já se sentir em condições para jogar 90 minutos.

Há fortes possibilidades de Alcides ser convocado pela primeira vez já no domingo, frente ao Rio Ave. Jogar talvez não mas estará para breve a estreia do defesa-central brasileiro, que se lesionou ainda antes de vestir a camisola da águia. Uma grave lesão no joelho direito, meses de recuperação e agora uma certeza, deixada pelo próprio jogador, em entrevista ao site oficial do clube: «Já me sinto em condições de jogar os 90 minutos. Estou com muita ansiedade de poder voltar a jogar. Os adeptos querem conhecer as minhas características e vou dar o melhor para não os decepcionar. »
O defesa está confiante e elogia o trabalho de Trapattoni. Lembra os dias «tristes» que passou e fala sobre a concorrência: «É mais um grande obstáculo que tenho de ultrapassar. Quando o mister me der uma oportunidade não a vou desperdiçar. O Benfica tem bons centrais mas estou aqui para ajudar. Vim para somar e não para dividir.» Para começo de conversa, ontem, no jogo-treino com a equipa B, Alcides marcou um golo...



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