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quinta-feira, setembro 30, 2004

A noite das oportunidades
Hoje é dia de revolução na Luz. Trapattoni deixou Moreira, Miguel, Ricardo Rocha e Sokota fora dos convocados e deverá apresentar sete novidades no onze inicial. O descanso de uns é a oportunidade de outros, mantendo-se, ainda assim, a espinha constituída por Luisão, Petit e Simão, com Nuno Gomes como quarto sobrevivente, ele que actuará sozinho na frente pela primeira vez esta época.

É a linha alternativa do Benfica que hoje entrará em campo para defrontar o Dukla Bystrica, embora com a manutenção de três peças chave no onze — Luisão, Petit e Simão — por forma a equilibrar a revolução. Nuno Gomes, ainda à procura da melhor forma, fecha a turma dos repetentes, em relação ao encontro com o Sp. Braga. De referir, de resto, que é a primeira vez, esta época, que Nuno Gomes alinha como titular num sistema que contempla apenas um ponta-de-lança (Zahovic será o seu apoio mais directo). A não ser que Trapattoni altere os planos, o treino de ontem e o discurso do italiano apontam para que a equipa do Benfica alinhe da forma expressa no quadro em baixo, com sete novidades (coluna da esquerda) e sete ausentes, entre poupados e não convocados (coluna da direita).

Simão e Petit reintegrados

Simão e Petit foram poupados ao longo da semana, o que deu força à ideia de que seriam poupados, mas ontem os dois jogadores reintegraram os trabalhos sem quaisquer limitações e deverão ser titulares, actuando pelo menos os primeiros quarenta e cinco minutos. A única dúvida prende-se com a possibilidade de ser Manuel Fernandes a jogar de início, deixando para Petit a segunda parte, mas a primeira fórmula parece ser a preferida de Giovanni Trapattoni. Bruno Aguiar limitou-se ontem a correr à volta do relvado, mais uma vez, mas o seu nome consta da lista de 19 convocados. Além do médio, Amoreirinha, Carlitos, Yannick e Everson são também novidades nos convocados e, no caso de Amoreirinha, no onze encarnado. Num encontro que servirá para Trapattoni fazer algumas experiências e rodar os jogadores menos utilizados, é natural que, na segunda parte, jogadores como Carlitos, Everson e Karadas sejam lançados na noite das oportunidades.

Trap volta a ver Carlitos
Trapattoni vai aproveitar este jogo para observar os jogadores menos utilizados e Carlitos é um deles. O técnico italiano aprecia as qualidades do extremo, mas estranha a sua demora em afirmar-se...

Trap procura transmitir confiança a Carlitos para que possa mostrar o que vale Carlitos protagoniza um caso especial na equipa de Giovanni Trapattoni. Considerado o melhor jogador da Liga de Honra, na época passada, a sua contratação despertou grandes expectativas junto dos dirigentes da SAD e nem faltou um folhetim hollywoodesco nos dias que antecederam a assinatura do acordo, quando foi, alegadamente, visto a jantar com dirigentes do FC Porto. O arranque na Suiça não podia ser mais prometedor e rapidamente Trapattoni passou a considerá-lo um elemento importante. Ninguém mais que o veterano treinador lamentou a lesão que o impediu de participar em todos os jogos realizados no país helvético. A convicção de Trapattoni no valor de Carlitos é tanta, que não hesitou em lança-lo no decisivo jogo com o Anderlecht, alguns dias depois de o extremo-direito ter regressado aos treinos, vindo de uma paragem de dois meses. Toda a equipa falhou nessa noite, mas Carlitos parece ter ficado particularmente afectado com o desaire e não mais se reencontrou. A segunda oportunidade surgiu com o Moreirense, mas acabaria por ser substituído, sem conseguir redimir-se da apagada exibição de Bruxelas. O treinador tem conversado com o jogador, procurando estimulá-lo, mas como ele próprio já reconheceu publicamente, sabe que Carlitos está a acusar a responsabilidade ou, muito provavelmente, a ansiedade de em mostrar todos os seus atributos no mais curto espaço de tempo.

Ansiedade a mais?

Nos treinos, Carlitos tem-se revelado um jogador destemido, sem medo de ir para cima dos defesas, pecando apenas no egoísmo, característica próprio de quem gosta de ter a bola nos pés. No fundo, foi a destreza no um contra um, aliada à velocidade e acerto na finalização que aconselharam à sua contratação. Por qualquer razão que o próprio Trapattoni desconhece, Carlitos tarda em afirmar-se. Já mostrou lampejos de classe no jogo amigável com o Belenenses e, apesar de começar no banco, com o Bystrica, irá ter nova oportunidade. Trap confia nas suas qualidades, mas começa a ser hora de retribuir essa confiança.

Sem pensar no 3-0
São claros os objectivos do treinador do Benfica para esta noite: vencer, manter a atitude e rodar jogadores. Tudo isto com um alerta que se impõe: o jogo não está ganho e a equipa não pode entrar em campo a pensar que será fácil ou que a eliminatória ficou resolvida em Banská Bystrica.

Treinador do Benfica alerta os jogadores para os perigos do excesso de confiançaNa mais curta conferência de imprensa desde que chegou à Luz, Giovanni Trapattoni tomou, como habitualmente, a palavra para uma breve introdução. «Amanhã [hoje] temos três objectivos muito importantes. O primeiro: conseguir ganhar o jogo e fazer uma boa exibição. Penso que temos todas as possibilidades para que isso aconteça. O segundo: manter a mesma atitude, a mesma mentalidade, não podemos pensar que será fácil e que já ganhámos 3-0 no primeiro jogo. Isso é o pior erro que pode ser cometido por uma equipa que tem os objectivos do Benfica. O nosso adversário não tem nada a perder, ao passo que nós vamos jogar diante dos nossos adeptos e devemos exibirnos bem. O terceiro: a possibilidade de utilizar jogadores que têm menos minutos. É a oportunidade de mostrarem o seu valor, pois temos um bom plantel, no qual os suplentes podem substituir os habituais titulares com a mesma qualidade», disse. E prosseguiu, levantando o véu sobre a equipa que entrará em campo: «Na baliza é certo que jogará o Quim. Na defesa vou mudar algumas coisas. O Ricardo [Rocha], por exemplo, tem uma pequena dor e é melhor não arriscar, embora não seja um problema muscular. Temos o Argel e o Amoreirinha. No meio-campo também vamos dar descanso a alguns jogadores. Talvez jogue primeiro o Petit e depois o Manuel [Fernandes], ou vice-versa, vamos ver. O meu objectivo é experimentar novas situações, que até aqui não tive possibilidade de colocar em prática, uma vez que alguns jogadores recuperaram recentemente de lesão e não estavam em condições de jogar 90 minutos.»

Experiências e equipa de ataque

— Pensa então fazer alterações profundas?
— Como já disse, vão entrar alguns jogadores que, até agora, têm tido poucas oportunidades. Estão em boas condições e merecem. Quim é um desses casos mas há outros nas várias posições. São jogadores menos utilizados mas que conheço bem e sei que podem substituir os titulares com a mesma qualidade.
— Vai utilizar um ou dois pontas-de-lança?
— Jogaremos com dois avançados em alguns jogos. Seguramente que amanhã [hoje] teremos uma equipa muito ofensiva, embora com um único ponta-de-lança. No domingo, por exemplo, jogámos com dois avançados e não marcámos nenhum golo mas penso que amanhã será diferente. Normalmente, nos encontros internacionais, as equipas querem mostrar o seu valor. O nosso adversário não tem absolutamente nada a perder, vai tentar ganhar, são jogos distintos dos da SuperLiga.

Já a pensar em Guimarães

— Também vai poupar Simão?
— Simão está a jogar muito bem, é seguro que vai jogar. Contudo, se tudo correr bem na primeira parte e estivermos a ganhar, procurarei dar-lhe algum descanso, assim como a outros. No domingo temos um jogo muito, muito difícil, em Guimarães.



quarta-feira, setembro 29, 2004

O serviço que o Bystrica pode prestar a Trapattoni
O Benfica está a ultimar a preparação do jogo da segunda mão da primeira eliminatória da Taça UEFA, frente ao Bystrica, da Eslováquia, que se realiza amanhã à noite na Luz. Depois de três golos sem resposta na primeira ronda, aos encarnados resta gerir a vantagem, o plantel, o esforço dos jogadores. À primeira vista, o adversário até poderia estorvar que tem pela frente compromissos muito importantes, mas a verdade é que os eslovacos até podem prestar um bom serviço a Giovanni Trapattoni, para refrescar e rodar a equipa.

A fase de grupos da Taça UEFA, tão aliciante do ponto de vista desportivo como financeiro, está a um pequeno passo dos jogadores do Benfica e será muito importante para o Benfica mitigar o impacto do afastamento da Liga dos Campeões. Por este e outros motivos, como o brio, o profissionalismo, ou o respeito por adeptos e adversários, os encarnados não tirarão o pé do acelerador. Mas quem escolherá Trapattoni para carregar no pedal?

Quem disse que o Bystrica é estorvo?

Muitos aspectos, começando pelo resultado do encontro da primeira mão — três golos sem resposta —, passando pelo desgaste dos jogadores e terminando nos compromissos de vital importância que se avizinham, poderiam dar a ideia de que o Bystrica só vem estorvar a vida ao Benfica. Mas esta equipa eslovaca até pode prestar um bom serviço ao treinador italiano, Giovanni Trapattoni. A final, quem desdenharia a oportunidade de conquistar mais um triunfo, desprezaria a possibilidade de experimentar futuras apostas e conceder minutos a um imenso rol de jogadores pouco utilizados ou enjeitaria a hipótese de poupar alguns trunfos para o importante e difícil encontro em Guimarães, relativo à próxima jornada da SuperLiga, frente ao Vitória?

Simão e Petit serão exemplos?

O treino matinal de ontem, no Estádio Nacional, em nada facilitou a vida a quem procura adiantar, com bases lógicas, a equipa que entrará em campo na partida de amanhã à noite. Apenas foi possível observar que Simão Sabrosa e Petit estão sujeitos a um programa de recuperação muscular e justificam todas as cautelas. Durante 40 minutos, apenas correram e sempre na companhia de Bruno Aguiar, e do treinador adjunto, Álvaro Magalhães. Pode ser, pois, um indício de que Giovanni Trapattoni está na iminência de poupar dois dos seus mais influentes jogadores para a partida com o Vit. Guimarães. Todavia, se não deixa de ser verdade que atletas como Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Petit, Simão, João Pereira ou Sokota têm sido sujeitos a um esforço intenso e regular, a verdade é que de certezas só Trapattoni pode falar. E só ao italiano cabe também decidir se a oportunidade é boa para dar minutos a Dos Santos, Argel, Amoreirinha, Everson, Paulo Almeida, Zahovic, Geovanni e, entre outros, Karadas. Mas que o momento parece perfeito para a gestão do plantel, lá isso parece. Ou seja: pela primeira vez o Benfica tem um jogo oficial em que pode gerir o plantel como muito bem entender, sendo que na conferência de imprensa de hoje se poderá levantar o véu sobre qual a política de Giovanni Trapattoni neste tipo de situações. Ao lado, um quadro com os jogos disputados pelos jogadores, num máximo de oito (4 da SuperLiga, 3 das competições europeias, 1 da SuperTaça). Há claramente jogadores sobrecarregados e outros a precisarem de rodagem. A gestão destas situações pertence ao pelouro de Giovanni Trapattoni.

Faltam golos ao Nuno
Nuno Gomes ainda não se estreou a marcar na época 2004/05 e nota-se à légua, no goleador encarnado, uma ansiedade inibidora. Na última jornada da SuperLiga o número 21 do Benfica jogou 56 minutos, sendo então substituído por Azar Karadas. O jogo correra mal ao internacional português que, após ter dado o lugar ao norueguês, nem parou no banco de suplentes, resguardando-se no silêncio da cabina...

Nuno paga a factura de ter perdido a pré-época e terá de trabalhar pacientemente para encontrar o melhor ritmoAos 28 anos, Nuno Gomes não é um jogador qualquer. Internacional A em 46 ocasiões, com 21 golos apontados ao serviço da equipa de todos nós, matador com 99 tentos obtidos em 231 partidas da SuperLiga, Nuno Gomes não deveria estar a ser, como está, afectado por tanta ansiedade: o seu reencontro com os golos dependerá, em primeiro lugar, da melhoria da sua condição física; depois, de ter mais minutos nas pernas (só actuou em 163 minutos nos quatro jogos incompletos que leva); finalmente, do enquadramento que tiver na equipa... Giovanni Trapattoni ainda procura o melhor enquadramento para as peças que tem à disposição e, se na defesa já está implementada uma boa solução, enquanto, mais à frente, Petit e Manuel Fernandes vão aumentando o conhecimento e o rendimento, na frente de ataque as dúvidas ainda são mais que as certezas. Nas alas, Simão manda na esquerda, estando a direita em aberto, com Geovanni, finalmente, a poder recuperar o lugar que já foi seu. E quanto aos pontas-de-lança? Que deve fazer Trapattoni? Na época passada Camacho colocou 13 vezes a dupla Sokota/Nuno Gomes, com bons resultados traduzidos numa média de 2,4 golos por partida. Mas em 2003/04 o Benfica tinha Tiago, que se encarregava da organização do jogo, deixando os avançados mais libertos para as tarefas de finalização. As outras soluções de Camacho passaram por introduzir Zahovic e Nuno ou Sokota, numa lógica de 4x2x3x1, o que dotava o meio-campo anda de maior lucidez. O que tem acontecido este ano, sempre que Zahovic não joga, é que o Benfica fica sem quem paute e pense o jogo; se essa tarefa for entregue a Nuno Gomes, os encarnados perdem o poder de fogo do amarantino; se for Sokota a baixar no terreno, falta ao croata qualidade para desempenhar essa função. Provavelmente, em Janeiro próximo o Benfica acautelará a falta, não colmatada, de Tiago e a partir daí Trap terá mais e melhores soluções à sua disposição. Porém, enquanto o mercado não reabre, o técnico italiano deverá olhar o passado recente do Benfica e atentar na importância de Zahovic (que, fazendo dupla com Nuno Gomes, proporcionou o futebol mais atraente e elaborado da era Camacho) como par do ponta-de-lança que eleger. Quanto a Karadas, a utilização em simultâneo com Sokota é, de todo, desaconselhada, porque tem como consequência um Benfica de pontapé para a frente, desarticulado e descaracterizado. Pode ser uma solução de recurso para os momentos finais de algumas partidas. Dificilmente será uma boa opção de base.

Feher homenageado em Guimarães
A deslocação a Guimarães implica voltar ao palco onde se deu a tragédia que vitimou Miklos Féher. Um momento que a SAD encarnada pretende assinalar, sem afectar emocionalmente o estado anímico dos jogadores...

O jogo da 4ª jornada, com o Vitória de Guimarães, terá um significado especial para a equipa encarnada. Foi no mesmo estádio onde as duas equipas se vão defrontar que se deu a morte de Miklos Féher, que tanto comocionou o mundo do futebol. Oito meses se passaram desde o trágico acontecimento daquela chuvosa noite de 25 de Janeiro de 2004, mas o impacto das imagens televisivas que retrataram a morte em directo ainda perduram na memória dos benfiquistas, em especial os colegas que com ele privavam no balneário e nos terrenos de jogo. Disposta a não deixar passar em branco um acontecimento que tanto uniu os benfiquistas, a direcção encarnada vai levar a cabo uma homenagem ao malogrado jogador no dia do jogo e em Guimarães, embora consciente da especificidade que rodeia uma iniciativa desta natureza. A ideia é assinalar com a devida honra a morte de Féher, mas sem perder de vista o facto de a equipa sentir-se afectada emocionalmente, perante o reviver de um momento que terá sido, para maioria dos elementos do plantel, o momento mais difícil que enfrentaram, desde o início da carreira.

Perpetuar Miklos

Só por essa razão não se definiu ainda o tipo de homenagem que se irá realizar, dilema extensivo às claques da equipa, que também vão homenagear Miklos Féher. A iniciativa terá continuidade nas próximas épocas, sendo intenção dos dirigentes da SAD perpetuar a memória do seu jogador, criando um ritual na mesma linha do que acontece com Pepe, no Belenenses, ou Rui Felipe, no FC Porto. No entanto, para já, a preocupação é levar a cabo uma cerimónia sentida e simultaneamente pouco ostensiva, à qual deverá juntar-se a direcção vimaranense.

Bilhetes à venda
Os bilhetes para o jogo como FC Porto, da 6.ª jornada da SuperLiga, foram ontem colocados à venda. Partida agendada para as 19.45 do dia 17 de Outubro e que será transmitido pela Sport TV. Apesar de não ter sido anunciado com antecedência, já bastantes pessoas que passavam pelo Luz compraram o ingresso. Nas bancadas Cola Cola e Sagres, os bilhetes variam entre os 10 (piso 0 inferior) e os 35 euros (piso 1) para os sócios, e entre os 20 e os 45 euros para público em geral, nos mesmos lugares. Já nas bancadas PT e Sapo, os preços oscilam entre os 13 (piso 3 superior) e os 45 euros (piso 1) para sócios e os 23 e os 55 euros para não sócios. Os ingressos estão à venda no Estádio, em 25 casas do Benfica e nas agências Cotacâmbios.



terça-feira, setembro 28, 2004

O que lhe dói é olhar para a classificação
José Veiga continuou ontem a guerra de palavras com Pinto da Costa e afirma que o continuará a fazer enquanto o presidente do FC Porto atacar o Benfica. O homem forte do futebol encarnado diz que o que mais dói a Pinto da Costa é olhar para a classificação e ver a diferença pontual entre as duas equipas.

José Veiga compara Pinto da Costa a um «batanete»...Pinto da Costa falou de José Veiga, de pontapés na gramática e de figuras tristes do homem forte do futebol encarnado. Veiga reagiu. «O meu português está relacionado com 23 anos a viver no Luxemburgo mas há quem lá vá menos vezes e com maior proveito... Sei que ele tem vários cursos e alguns deles tirados à noite... », disse Veiga a A BOLA, acrescentando: «Foi com estes árbitros, com este Conselho de Arbitragem e com esta Liga que o FC Porto teve sucesso nos últimos 10 anos, não percebo porque vem agora Pinto da Costa atirar-se a este sistema!» Para José Veiga a resposta apenas pode ser uma: «O que lhe mais dói é olhar para a classificação e ver o Benfica à frente do FC Porto, com quatro pontos de vantagem! Enquanto for para defender os interesses do Benfica não deixarei Pinto da Costa sem resposta.» A guerra de palavras acentua-se e, em resposta a uma suposta aula do Tonecas (foi assim que Pinto da Costa definiu o discurso de Veiga), vem agora uma outra série humorística da televisão portuguesa: «Fartei me de rir quando o ouvi dizer isso... Como sei que ele é um brincalhão de primeira, até me pareceu estar a ouvir falar um batanete.» De acordo com a opinião de José Veiga, o líder portista tenta apenas «continuar a atirar poeira para os olhos das pessoas», utilizando «tácticas velhas» e que «todos já conhecem muito bem». Veiga diz, também, que terá muita curiosidade em verificar se Pinto da Costa se vai «atirar à arbitragem» no final do jogo com o Chelsea, amanhã, a contar para a Liga dos Campeões. Estão abertas as hostilidades entre os responsáveis dos dois clubes.

Petit e Simão no ginásio
Petit e Simão foram ausências notadas, ontem, no treino, mas estão aptos para o jogo com o Dukla Bystrica. Isto se Trapattoni não decidir poupá-los, para apostar em jogadores menos utilizados.

Karadas pode regressar à titularidade no jogo com o Dukla BystricaPara lá da perda dos dois primeiros pontos na Superliga, o jogo com o Sporting de Braga deixou também outras marcas na equipa encarnada. Foi nesse âmbito que Petit e Simão Sabrosa primaram pela ausência no treino realizado ontem, no Jamor, tendo ambos os jogadores permanecido no ginásio do Estádio da Luz. Aparentemente, trata-se de pequenas mazelas que, no entanto, não deverão impedir os dois jogadores de tomar parte no jogo com o Dukla Bystrica, da próxima quinta-feira. Isto se o treinador não decidir poupá-los para o encontro da 5.ª jornada, com o Vitória de Guimarães. Este jogo em Guimarães afigura-se difícil e tendo em conta a vantagem confortável em relação ao Dukla, arrancada no jogo da 1.ª mão, tudo aponta para que Trapattoni dê descanso a algumas das principais figuras da sua equipa. Ontem, primeiro dia de trabalho, a seguir ao empate com os bracarenses, não foi possível retirar ilações sobre as ideias do técnico italiano, até porque os titulares estiveram no relvado apenas durante 50 minutos. Enquanto estiveram sobre as ordens de Trapattoni, participaram no tal jogo de andebol, em que só era permitido apontar golos de cabeça. O treino de hoje já será mais revelador das ideias de Trap.

Pólvora seca
Aprodução dos homens-golo do Benfica tem deixado um pouco a desejar, nos oito jogos oficiais já disputados pelos encarnados. Sokota atravessa dramática crise de confiança, Nuno Gomes está fora de forma e Karadas ainda procura adaptar-se à nova realidade. Ainda assim, o norueguês tem a melhor folha de serviço.

Os pontas-de-lança vivem de golos, são eles que os tornam fortes ou, ao invés, os fragilizam. Ao cabo de oito jogos oficiais (dois para a Liga dos Campeões, um para a Taça UEFA, um para a Supertaça e quatro para a SuperLiga), Sokota, Nuno Gomes e Karadas apresentam números aquém do esperado. Mas cada caso é um caso. Sokota, a crise de confiança Na temporada passada foi o segundo melhor marcador da equipa, em todas as competições, tendo apontado 11 golos na SuperLiga, menos um do que Simão. A verdade é que o ponta-de-lança, de longe o mais utilizado dos três existentes no plantel (501 minutos), ainda não encontrou o caminho da baliza. À medida que a sua ansiedade aumenta, a crise de confiança vai assumindo proporções dramáticas, como se percebeu diante do Sp. Braga. E nem a falta de resolução da sua situação contratual justifica tudo, apesar da evidente falta de tranquilidade. Seja como for, na temporada passada Sokota também não começou bem: dois golos marcados à 13.ª jornada. Seis vezes titular e duas suplente não utilizado (nas duas primeiras jornadas da SuperLiga), esperava-se bem mais. A sua coroa de glória foi em Banská Bystrica: duas assistências para Simão Sabrosa.

Nuno Gomes, a falta de forma

O caso de Nuno Gomes é bem distinto. O internacional português não integrou os trabalhos da pré-época, por motivo de lesão, e só há pouco tempo regressou à competição. Na temporada passada fez o gosto ao pé por sete vezes, na SuperLiga (falhou vários jogos por problemas físicos), mas, para já, acusa ainda uma gritante falta de ritmo, facto já publicamente reconhecido por Trapattoni. O camisola 21 é, ainda assim, o elemento menos utilizado do trio (163 minutos).

Karadas, o estranho eclipse

Azar Karadas ainda não está totalmente familiarizado com a nova realidade, mas tem, apesar disso, a melhor folha de serviço, toda ela preenchida nas duas únicas vezes em que foi titular: Beira-Mar (dois golos e uma assistência para Petit) e Moreirense (uma assistência para Simão). Desde então, e com alguma estranheza, não voltou a ser titular: quatro vezes suplente não utilizado e duas suplente utilizado, num total de 284 minutos.

Situação não é grave
O director-geral do Benfica, José Veiga, assistiu à vitória da antiga equipa sobre o Belenenses, na bancada VIP do Estádio Coimbra da Mota e, no final da partida, reagiu à picardia que ocorreu, no treino da tarde, entre os brasileiros Argel e Everson. «Não tive conhecimento mas são coisas que podem acontecer em qualquer treino. É bom sinal. Sinal de que se treina de forma agressiva no bom sentido, é sinal que se está a treinar com força. Não acredito que seja assim tão grave. Vou saber, mas não acredito que seja uma situação de preocupação. Não deve ser assim tão grave como as pessoas pensam», disse.



segunda-feira, setembro 27, 2004

Benfica 0 - 0 Braga

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATONI (treinador do Benfica)
Elogiou Sp. Braga
A organização apresentada pelo Sp. Braga f o i a razão principal para o Benfica não ter vencido o jogo. Um elogio que Jesualdo Ferreira certamente gostará de ouvir, mas não os adeptos, que esperavam ontem assistir à quarta vitória consecutiva da equipa na SuperLiga. «Era importante marcar um golo, mas o adversário complicou-nos muito o trabalho. Este tipo de jogos são perigosos porque o adversário pode marcar num contra-ataque», foi a introdução de Giovanni Trapattoni, na sala de Imprensa, momentos após o jogo. O técnico italiano lamentou, no entanto, a falta de acerto na concretização, «em duas ou três bolas de cabeça». Mas não terão sido poucas as ocasiões para marcar, perguntou-se. «Pode ser pouco mas perante as dificuldades que encontrámos acabou por não ser», respondeu, explicando quais os obstáculos que os seus jogadores enfrentaram: «Não conseguimos produzir um futebol vertical porque o Nuno Gomes ainda não se encontra na melhor forma física. Ou seja, tínhamos de procurar mais o futebol junto às linhas e foi nesse tipo de jogadas que criámos mais perigo. » Mensagem aos adeptos Trapattoni reconhece, porém, que a exibição poderá ter causado sentimento de desilusão nos adeptos. Mas porque o italiano prefere ter um pássaro na mão que dois a voar, não se estranharam as palavras que proferiu imediatamente: «Este resultado pode desiludir os adeptos mas é preciso dizer que nestes jogos é muito fácil perder-se porque o meio-campo não fica resguardado e o adversário tem mais espaço para produzir contra-ataques. Colocámos Karadas junto de Sokota mas não conseguimos marcar. Mas também não sofremos golos.»

Este é um teste ao carácter da equipa

Reforçando que o campeonato português está cada vez mais competitivo e torna-se mais difícil marcar golos — aludiu, inclusive, ao V. Guimarães-FC Porto, como exemplo — Trapattoni mantém-se na expectativa sobre aquilo que a sua equipa pode fazer no futuro. Afirma mesmo que, após o empate verificado ontem, «esta é a grande oportunidade para testar o carácter da equipa». E acredita que os bons resultados vão continuar: «Continuamos líderes e a atitude demonstrada pelos meus jogadores neste jogo deixou-me satisfeito. Teremos sempre de melhorar. Geovanni, por exemplo, ainda não está bem, mas são nestes jogos que lhe tenho de dar minutos, não posso ficar sentado no banco sem fazer nada.»

O primeiro lugar incomoda - José Veiga
José Veiga, homem forte do futebol do Benfica, esperou ontem pelo final do jogo com o Sp. Braga para lamentar as declarações de Pinto da Costa, que classificou de infelizes.

A seu ver, as críticas do presidente do FC Porto às arbitragens até pecam por tardias. «Já estava a estranhar que ainda não tivesse incendiado a estrutura do futebol. Até que o fez, contestando o futebol e a liderança do Benfica. Curiosamente não falou após os jogos com o Sp. Braga, U. Leiria ou Estoril. Falou sexta-feira, na véspera do jogo do FC Porto, para, assim, fazer pressão sobre o árbitro», desfiou José Veiga, dizendo saber o porquê de tanta insatisfação. «O primeiro lugar do Benfica incomoda muita gente. Só não esperava que à 4.ª jornada já se registassem estas situações de críticas à arbitragem e apelos à Comissão Disciplinar da Liga», anotou, garantindo tudo fazer para defender o clube. «Acho lamentável que durante a semana se fale de arbitragem. Mas vamos ficar atentos e vir a terreiro sempre que seja necessário defender o Benfica. Anda muita gente nervosa. Todos temos razões de queixa mas não devemos vir a público manifestar descontentamentos. É importante que os dirigentes se calem, que não sacudam de si as responsabilidades, usando para tal a arbitragem, para explicar as contratações milionárias que não rendem», prosseguiu o dirigente que, antes mesmo da conferência de imprensa, chamou a comunicação social à boca do túnel para ripostar contra a atitude de Pinto da Costa. «Acho também estranho que não tenha mencionado o penalty que ficou por assinalar do Jorge Costa sobre o Krpan no jogo frente à U. Leiria», questionou Veiga, sublinhando que apenas estava a reagir às farpas portistas e a defender o seu emblema. «Vão ter de habituar-se a ver o Benfica em primeiro, talvez até ao final», alertou, dizendo nunca ter, afinal, percebido, o que era o tão propalado sistema. «Deixem os jogadores jogar e os árbitros apitar. Estou aqui a pedir calma e contenção», resumiu.



domingo, setembro 26, 2004

Quanto mais alto se está mais forte o vento sopra
Os portugueses começam agora a perceber as razões por que lhe chamam velha raposa. Não são só as tácticas que adormecem os adversários ou a diplomacia que demonstra antes de abordar cada jogo. É também o papel de controlador de emoções que desempenha, agora mais do que nunca, pois se os encarnados lideram o campeonato, uma desconcentração pode provocar um efeito de dominó. Ontem, Giovanni Trapattoni foi claro: é preciso ter os pés assentes na terra e demonstrar raça, inteligência e humildade. Porque o Sp. Braga, tal como todos os futuros adversários, querem, mais do que nunca, ganhar ao Benfica.

Trap não se cansa de avisar os jogadores para os perigos da euforia«Quanto mais alto se está mais forte o vento sopra.» Foi a expressão que Trapattoni levou ontem para a conferência de imprensa que serviu para a antevisão do encontro de hoje. Porque a carreira vai longa, o técnico não fica minimamente deslumbrado com o primeiro lugar e a vantagem que leva sobre os principais concorrentes ao título. «Ainda vamos em Setembro, o campeonato acaba em Maio», avisa. São muitos os perigos que cercam o ninho da águia: «Agora todos os adversários nos conhecem melhor e vão dificultar ao máximo a nossa tarefa. Felizmente tive, na minha carreira de treinador, jogadores que souberam estar no topo sem cair.» Os destinatários são óbvios: Trap espera agora o mesmo. Pelo conhecimento que já leva da realidade benfiquista, o treinador transalpino percebe a real grandeza do clube. E no rol de mensagens de cautela inclui-se, justamente, o peso das camisolas. Ou melhor, é preciso ignorar a simbologia. Esta é para os que enchem as bancadas: «Os adeptos têm de perceber que não se ganha um campeonato só porque se veste de vermelho. Porque se nós temos entusiasmo e trabalhamos como um grupo, as outras equipas também têm paciência. Não se ganha com a graça de Deus mas sim com trabalho, concentração e determinação. Essa tem sido sempre a minha filosofia e graças a Deus tive equipas com essa mentalidade.»

Plantel dá garantias

Trapattoni está satisfeito com a equipa e garante que todos estão em perfeitas condições. «No treino de ontem [anteontem] tive conhecimento de que quer física quer psicologicamente todos os jogadores estão em condições. Nesta semana tivemos de fazer um trabalho particular com eles, não foi um descanso, mas uma outra forma de trabalhar, pois na semana anterior os atletas desgastaram-se», explicou. Trapattoni acredita, assim, que pode somar a quarta vitória consecutiva na SuperLiga e a quinta em jogos oficiais.

Aos vossos lugares!
Continua sem se saber qual a resposta dos sócios e adeptos ao repto lançado recentemente pelo presidente do Benfica. Luís Filipe Vieira pediu muita gente no estádio para o jogo com o Sp. Braga, mas até ao princípio da noite de ontem registavam-se números modestos. É certo que mais de 30 mil lugares estão garantidos, mas com um estádio para 65 mil pessoas acaba por ser... pouco. Os responsáveis encarnados acreditam, no entanto, que a correria ao bilhete aumente hoje, até porque esse ainda é um hábito bem português.

As horas que precedem o jogo de hoje serão determinantes para saber se estas bancadas vão ficar repletasForam reforçados os postos de venda, 25 casas do clube ficaram apetrechadas com o equipamento informático para emitir ingressos na hora, à semelhança do que se passa nas bilheteiras do Estádio da Luz, mas a boa resposta dada pelos sócios e adeptos até anteontem não conheceu grande evolução no decorrer do dia de ontem. As bilheteiras da Luz, verdadeiro barómetro para perceber a procura, não registou grande afluência, pelo que tudo dependerá da resposta dada pelos benfiquistas na manhã e tarde de hoje. As expectativas dos dirigentes encarnados aponta para números superiores aos 25.009 espectadores que marcaram presença nas bancadas no último jogo, frente ao Moreirense (para já são mais de 30 mil), mas não querem avançar para um cenário de casa cheia, pois diz o passado recente que nem sempre a resposta da massa adepta encarnada foi aquela que os responsáveis esperavam.

Média de 37 mil espectadores

Pelos primeiros dados retirados, o Estádio da Luz vai apresentar hoje uma casa mais composta do que se passou no encontro com o Sp. Braga na época passada, cuja assistência se cifrou em 27.117 espectadores. O contexto é, desta feita, diferente, pois os encarnados lideram a tabela classificativa, mas diz a verdade que a média de presenças no Estádio da Luz, ao longo de 23 partidas (particulares e oficiais), é de 37 mil espectadores (mais precisamente 37.067), números que andam perto dos bilhetes que já tinham sido vendidos até ontem. Na presente época, o jogo com maior assistência verificou-se na primeira mão para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente ao Anderlecht: 62.007 a gritar Benfica.

Nuno e Zahovic discutem lugar
Apenas um lugar está em aberto no onze do Benfica para a recepção ao Sp. Braga. O colete da sorte andou entre Nuno Gomes e Zahovic, durante o último treino, com Trapattoni a admitir depois que ainda não tomou a decisão sobre quem jogará ao lado de Tomo Sokota. Geovanni, apesar do crescendo de forma, não rouba, para já, o lugar de João Pereira.

Trapattoni não resiste a uma pontinha de mistério: Nuno Gomes ou Zahovic, à partida só um deles jogará. Se o treino havia deixado clara a indecisão do treinador italiano, seria o próprio, pouco depois, em conferência de imprensa, a confirmar os dois cenários possíveis. Se a opção recair em Zahovic, Trapattoni repetirá pela primeira vez o mesmo onze, em dois jogos consecutivos. Caso contrário, Nuno Gomes reedita com Sokota a dupla que actuou em Banská Bystrica. No restante, não deverão registar-se surpresas: Moreira, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Fyssas, Petit, Manuel Fernandes, Simão, João Pereira e Sokota vão fazer parte do onze que procurará consolidar a liderança isolada da SuperLiga. Chegou a ganhar alguma força a possibilidade de Geovanni deitar mão à titularidade de João Pereira, sobretudo depois da excelente exibição do brasileiro no Restelo, a meio da semana, no particular com o Belenenses, mas Trapattoni prefere jogar pelo seguro e dar mais tempo ao camisola 11. Uma última referência, neste âmbito, para a convocatória: Trapattoni chamou 18 elementos, o que significa que, em relação à deslocação a Coimbra (20 eleitos), foram preteridos dois elementos. No caso, Bruno Aguiar e Amoreirinha.

Italiano muito interventivo

Com apenas duas baixas a registar no plantel — Mantorras no ginásio e Alcides a trabalhar com bola no relvado, sob orientação do enfermeiro Rodolfo Moura — Trapattoni esteve particularmente interventivo na sessão de preparação de ontem (10 horas, na Luz), a última antes da recepção ao Sp. Braga. O técnico italiano interrompeu por algumas vezes a peladinha entre titulares e reservas, por forma a dar indicações tácticas. Petit, Nuno Gomes, Sokota e Simão apontaram os golos da goleada dos titulares.

Canhão de Manuel Fernandes

No período de alongamentos, Trapattoni aproveitou a ocasião para trocar algumas palavras com o grupo, gesticulando de forma intensa. Os últimos minutos no relvado foram aproveitados por muitos jogadores para treino específico e individual. Destaque para o show de Manuel Fernandes na marcação de livres directos. O camisola 37 mostrou força e precisão, sob o olhar atento de Trapattoni, que muito tem puxado pelas suas qualidades.



sábado, setembro 25, 2004

132 jogos 20 golos e muita luta
PELA simpatia e sentido de humor, é uma das figuras mais acarinhadas pelo plantel e por isso hoje será dia de festa no balneário encarnado. Petit celebra 28 anos. Um dia normal como os outros, como gosta de dizer, mas é nestas ocasiões que recorda o que já passou e projecta o que ainda está a caminho. No plano profissional, o camisola 6 da Luz já tem muito para contar. Já foi campeão nacional, participou num Campeonato do Mundo, num Campeonato da Europa, ganhou uma Taça de Portugal e apresenta um cúmulo na SuperLiga extremamente positivo: 132 jogos e 20 golos. Números que promete aumentar, envoltos no desejo de mais títulos de águia ao peito. Parabéns!

Calçado desportivo, jeans da moda e casaco de linho branco. É com esta indumentária que se apresenta junto da equipa de reportagem de A BOLA, no relvado da Luz. As bolas, essa companhia de sempre, desta vez servem apenas de adorno. «28 anos? Sou mais novo, amanhã só faço 26!», atira, naquele jeito sempre brincalhão, como que desejando recuar no tempo. Mas não há aqui qualquer sentimento angustiante de quem caminha para os 30, essa barreira que nos jogadores de futebol provoca reservas na planificação do futuro. Bem pelo contrário, Petit sente-se um miúdo. Está a realizar um início de época ao nível do melhor que já fez na carreira, cansa vê-lo correr em cada jogo e pelos vistos assim será nos próximos tempos.
«Tenho de me deitar aqui? Mas a relva está molhada, vou-me sujar!», diz, quando lhe pedimos para completar o dígito 2 com o próprio corpo. «Bem, então tenho de tirar o casaco. Vamos lá a isto», é a resposta pronta que lhe ouvimos. Nada que surpreenda, pelo contrário. Afinal, não o alcunharam de pitbull em vão. Nas acções do dia-a-dia age como se estivesse em campo, pouco incomodado se tiver que sujar seja que equipamento for.

Jogador multifuncional

Petit surgiu no início da presente época num plano elevado. Muito contribuiu para as três vitórias na SuperLiga, marcando um golo ao Beira-Mar e outro ao Moreirense, um registo que se assemelha ao verificado na primeira temporada ao serviço do Benfica, em que marcou a V. Setúbal e Gil Vicente. Tem-se tornado cada vez mais num especialista em bolas paradas, a ponto de dividir agora a função com o influente Simão Sabrosa, algo que representa uma evolução como jogador. Com Trapattoni, e fruto da saída de Tiago, o internacional português tem assumido funções mais abrangentes em campo, não causando surpresa, por isso, que surja mais vezes junto da área adversária, qual varredor de costa a costa.

Só falta ser campeão pelo Benfica

Aos 28 anos, Petit pode orgulhar-se de já ter participado num Mundial (Coreia/ Japão, 2002), num Europeu (Portugal, 2004), sagrou-se campeão nacional pelo Boavista (2000/01), venceu uma Taça de Portugal pelos encarnados (2003/04) já ultrapassou a barreira dos 100 jogos no campeonato e marcou 20 golos, num trajecto de self made man, subindo desde o Esposende (com Álvaro Magalhães) até à Luz. Há muito que o médio diz que só lhe falta ser campeão pelo Benfica. E garante que tudo tem feito para isso. Lutando muito e sujando todos os equipamentos que veste. Mas ontem nem foi preciso: a relva estava seca.

Não temos medo de ninguém!
DISCURSO pragmático e confiante, nas medidas certas. Fyssas não se viu grego na hora de falar com os jornalistas, garantindo que os jogadores do Benfica não estão preocupados com FC Porto e Sporting, mas sim com aquilo que têm de fazer para continuar a ganhar, manter a liderança e provar que são os melhores da SuperLiga. Pés no chão e cabeça erguida, sem promessas.

—Antes de começar a época imaginava possível esta liderança destacada do Benfica, à terceira jornada?
— Entrámos a ganhar, somos líderes e, neste momento, temos de pensar apenas em nós. O importante é continuarmos a vencer. Estamos a pensar no Benfica e não no FC Porto e no Sporting. Estamos na frente, é isso que interessa.

Trapattoni quer pés no chão

— Não deixa de ser, contudo, uma vantagem importante...
— Claro que a vantagem é importante, mas o fundamental é o facto de termos um grupo muito bom, muito unido, com uma mentalidade muito boa. Para isso contribui o mister Trapattoni, um treinador muito experiente. Ele tenta manter-nos com os pés bem assentes no chão, porque ainda vamos no terceiro jogo do campeonato. Claro que estamos felizes pelos seis pontos de avanço e pela liderança, se é isso que querem ouvir (risos), mas a minha experiência diz-me que temos de conter a alegria e fazer com que nos dê força.
—Como encara a condição de suplente que, por vezes, tem vivido?
—Isso não é importante. Estou aqui para ajudar o Benfica. Ninguém gosta de estar no banco, mas somos todos amigos. Se a equipa ganha, a felicidade é de todos, independentemente de quem jogou. Temos de pensar no Benfica e não em nós próprios.
—Já se sente nas melhores condições físicas?
— Estou muito bem, sinto muita força para continuar a ajudar o Benfica a ter sucesso.
—Quais as diferenças entre Camacho e Trapattoni?
— São ambos bons treinadores, com muita experiência. Sou muito pequeno para falar deles (risos)...
— Mas gosta dos métodos de Trapattoni?
— Sim, tem mentalidade vencedora. Ajuda-nos a continuar neste caminho, sem demasiadas ilusões, tentando ganhar cada jogo.
— Acredita na conquista do título?
— Sim, acredito. Temos espírito vencedor e pensamento positivo. Sinto que algo mudou no Benfica. Acreditamos que somos os melhores e não nos preocupamos com os outros. Não temos medo de ninguém. Temos a melhor equipa, mas é lá dentro que temos de o provar.

Benfica diferente da selecção grega

— O pragmatismo do Benfica é idêntico ao da selecção grega?
—O Benfica é mais ofensivo. Temos uma boa equipa e jogamos com muita união, em bloco.

Geovanni lança a dúvida
A exibição de Geovanni realizada frente ao Belenenses, em jogo particular, poderá ter causado algumas dúvidas a Trapattoni no que à equipa a apresentar frente ao Sp. Braga diz respeito. Diz a lógica que o brasileiro deverá começar no banco, até porque no treino de ontem nem sequer participou nos exercícios tácticos ministrados pelo treinador com os prováveis titulares, mas ainda restam mais de 24 para decidir. Ricardo Rocha e Petit estão recuperados e aptos para o encontro de amanhã.

Na única sessão do dia, realizada no campo n.º 3 do Complexo do Jamor, sob um sol matinal, não foi possível retirar ilações sobre as intenções do técnico. A recepção ao Sp. Braga é já amanhã, mas devido ao jogo de véspera frente ao Belenenses, Trapattoni não pôde trabalhar com todo o grupo, pois os que alinharam no Restelo submeteram-se a um treino diferenciado, menos exigente, acabando por regressar à Luz mais cedo. Entre eles, Geovanni. Ou seja, só hoje poderão extrair-se maiores conclusões acerca do onze que subirá ao relvado da Luz para tentar vencer os bracarenses. A dúvida poderá recair no homem que desempenhará as funções de playmaker. Zahovic é, por enquanto, o dono do lugar, mas a forma como Geovanni surgiu anteontem no Restelo, assumindo semelhantes tarefas, pode baralhar, pela positiva, as ideias de Trap. O mais provável, no entanto, é que o camisola 11 inicie a partida no banco, sendo o primeiro a entrar se for necessário recorrer a outras soluções, um pouco à semelhança do que acontecerá com Nuno Gomes.
Tudo aponta para que os encarnados alinhem com a mesma equipa que começou o jogo com a Académica, até porque Ricardo Rocha e Petit, que não se treinaram anteontem devido a pequenas lesões, estão recuperados. Moreira, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Fyssas, Petit, Manuel Fernandes, João Pereira, Zahovic, Simão e Sokota deverão ser os escolhidos para a equipa titular de Trapattoni.



sexta-feira, setembro 24, 2004

I Ano de Glorioso Jornal
Faz hoje 1 ano que criei este blog, para 1 amigo que por não conseguir aceder aos sites de futebol do local de trabalho vêm aqui se informar das notícias do Glorioso, inicialmente privado resolvi depois tornâ-lo público puderá haver por aí mais alguém que esteja em situação similar ou só queira ver as notícias do Glorioso (como eu) e este é 1 bom local espero eu.

Este Blog sempre foi 1 acervo das notícias do Glorioso nos pasquins nem eu nunca tive qualquer pretensão a mais não tenho nem tempo nem talento para fazer mais do que isto, ultimamente temos tido alguma opinião (qdo o escriba de serviço resolve escrever alguma coisa, editor sofre !! ;) ).

Foi 1 ano movimentado no Glorioso em que por 1 lado quebrámos 1 Jejum (e mais tarde ou mais CEDO iremos quebrar mais), por outro vimos falecer 2 atletas, o Miki Féher e o Bruno Baião.

Continuaremos a coleccionar aqui as noticias do Glorioso para memória futura, porque quem não têm passado não têm futuro e nisso o Benfica têm de sobra.

Tomaremos Iniciativas que consideremos importantes para o Benfica tal como o de apelar a participação na próxima Assembleia Geral dO Benfica para votar a expulsão de sócio do Benfica do V.A.

E por falar em Assembleias Gerais esperámos para breve o regresso do Fialho Gouveia ao seu cargo na condução das mesmas, as melhoras.

ET PLURIBUS UNUM




Reservas de primeira linha
FALTOU calor nas despidas bancadas do Restelo, mas quem se deu ao trabalho de viver as emoções do 85.º aniversário dos azuis deu, certamente, por bem empregue o seu tempo e dinheiro. É certo que as duas equipas se apresentaram sem algumas das suas principais figuras, em especial o Benfica, que tinha dez potenciais titulares placidamente sentados nas primeiras filas. Mas, numa altura em que os treinadores procuram ainda afinar as máquinas, para delas obterem o máximo rendimento, tanto Carlos Carvalhal como Giovanni Trapattoni devem ter retirado ilações muito positivas deste jogo, de carácter amigável. Aliás, quem pode dizer, com propriedade, que Nuno Gomes é suplente? E Geovanni? Ou o próprio Karadas, que paulatinamente se vai convertendo na alma gémea do internacional português? Agora eu, depois tu Por tudo isto, havia razões de sobra para este jogo ser encarado com alguma curiosidade e, sentindo isso, os jogadores de ambas as equipas meteram mãos à obra com grande entusiasmo, dando o melhor. Começou melhor o Benfica, graças a uma movimentação atacante muito dinâmica, que baralhou por completo as contas da defensiva azul. Colocado sobre a esquerda, Geovanni afirmava-se como um verdadeiro playmaker, aparecendo à toda a largura do terreno a impor a sua velocidade e visão de jogo, Nuno Gomes, mesmo sem bola, arrastava os defesas, abrindo espaço para os companheiros e foi assim que Carlitos, aos 2m, e Karadas, aos 6 m, criaram as primeiras oportunidades do desafio. O Belenenses equilibrou a contenda a partir do minuto 20 e a partir daí, até final, entrou-se numa fase de domínio alternado, que se espelhou no número de golos: dois para cada lado.

Valeu, Geovanni!

Como é hábito, em partidas desta natureza, registaram-se diversas substituições após o intervalo, mas só da parte da equipa da casa, cujo treinador colocou em campo seis dos sete jogadores que tinha no banco. Só faltou o titularíssimo Marco Aurélio. Mais comedido, o velho Trap só quis ver Yannick e os jovens Tiago Gomes e Manuel Curto, que mal tiveram tempo de mostrar-se. Longe de causarem transtornos, as muitas alterações dos azuis refrescaram ainda mais a equipa azul e a defesa, até então muito segura, tremeu com a força e velocidade de Antchouet, o apoio que Rodolfo Lima precisava para aparecer no jogo. A entrada de Lourenço tornou ainda mais penosas a missão dos defesas encarnados e prova disso foram o livre e o penalty que deram origem aos golos azuis. Quanto a Trapattoni, se o objectivo principal era testar Geovanni, tendo em vista o jogo com o Sp. Braga, o brasileiro tem lugar cativo nesse onze. Ontem, passeou a sua classe pelo Restelo e só Brasília lhe seguiu o exemplo. Até na forma como executaram os livres que valeram os segundos golos. A única diferença foi Geovanni ter marcado com o pé direito e Brasília com o esquerdo. No que se refere a Pedro Proença, não teve influência no resultado. Retardou ao máximo a amostragem dos cartões, mas deu para segurar o jogo. Algumas dúvidas no penalty cometido por Everson, mas o juiz estava muito perto.

Fiquei satisfeito e estou em condições para jogar
O sorriso não enganava. Geovanni estava orgulhoso dos 90 minutos que realizara frente ao Belenenses, nos quais ofereceu um golo (canto para o remate de Argel) e proporcionou excelente momento de futebol numa brilhante execução de um livre directo que deixou Pedro Alves pregado ao relvado, limitando-se apenas a contemplar uma obra de arte. Confrontado pelos jornalistas, as primeiras palavras expressavam satisfação e uma mensagem clara para Giovanni Trapattoni: «Estou muito feliz, muito satisfeito pelo que fiz. Joguei na minha posição preferida. Estive muito tempo parado, já não fazia um jogo quase inteiro desde o embate com o Real Madrid e posso dizer agora que estou em condições de ajudar a equipa nesta caminhada que temos pela frente. Só espero não ter mais lesões.» O brasileiro não actuou, no entanto, os 90 minutos. Pouco depois de marcar o 2- 1 pediu para sair. O cansaço era visível. «Tenho de me acautelar porque estive parado. Mas foi apenas precaução, não é nada de grave, e se o treinador entender posso jogar já no próximo jogo», acrescentou.

Estamos no bom caminho

Os encarnados estão na frente do campeonato, com uma vantagem pontual de seis pontos para os principais concorrentes ao título (FC Porto e Sporting) e o estado de espírito no balneário só podia ser o melhor. Palavra de Geovanni: «Estamos todos muito satisfeitos com o que está a acontecer. Estamos no caminho certo. Mas temos de pensar jogo a jogo porque vai ser uma guerra permanente. Se estava à espera desta vantagem? No Benfica não pensamos nos outros.» Segue-se agora o Sp. Braga e, provavelmente, com estádio cheio. Os olhos brilham quando se fala no assunto: «Espero que sim e que nós façamos tudo para os benfiquistas ficarem felizes, pois merecem.»

Em defesa que ganha não se mexe
A equipa do Benfica que domingo defronta o Sp. Braga não deverá apresentar alterações de monta em relação àquela que derrotou a Académica. Ainda assim, mudanças, a acontecerem, só mesmo do meio-campo para a frente, já que em defesa que ganha... não se mexe.

Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Fyssas vão, seguramente, formar o quarteto defensivo do Benfica frente ao Sp. Braga. Na baliza é também muito fácil adivinhar: Moreira. À frente do sector recuado, Petit e Manuel Fernandes têm selo de garantia. Depois... depois começam as dúvidas. Giovanni Trapattoni pode apostar em Zahovic, na posição de médio distribuidor de jogo, Simão, na esquerda, João Pereira, na direita, e Sokota, na frente de ataque, mantendo o onze que defrontou a Académica. Ou pode, em alternativa, tirar o esloveno e actuar em 4x4x2, utilizando as duplas Sokota/Nuno Gomes, Karadas/ Nuno Gomes ou Karadas/ Sokota, embora esta seja a menos credível das possibilidades. É também possível a manutenção de Zahovic ou a introdução no seu lugar de Geovanni e a equipa jogar, somente, com um ponta-de-lança. Ontem, durante o treino, o técnico italiano dividiu o plantel em dois. Manteve até final do ensaio um grupo de jogadores normalmente utilizados de início — Moreira (que trabalhou com o treinador de guarda-redes, Adriano Bardin), Miguel, Luisão, Fyssas, Manuel Fernandes, João Pereira, Simão e Sokota — e dispensou mais cedo os restantes, tanto mais que havia jogo com o Belenenses à noite. Nem mesmo a exclusão de partes dissipa, no entanto, estas dúvidas para o jogo com o Sp. Braga.

Ricardo Rocha e Petit ausentes
Trabalho de ginásio e tratamento a bolhas no pé direito motivaram, por esta ordem, as ausências de Ricardo Rocha e Petit na sessão de trabalho realizada ontem de manhã no Estádio da Luz. O defesa-central, que sofreu uma entorse no tornozelo direito durante a partida com a Académica, do passado domingo, nem sequer pisou o relvado e cumpriu um programa denominado por repouso activo. Quanto ao médio, quem esteve a assistir ao treino ainda teve oportunidade de avistá-lo no tapete verde, embora por poucos instantes, uma vez que rapidamente recolheu aos balneários para que o movimento em campo não agravasse o problema com as bolhas, que se revela muito mais incómodo que impeditivo. Finalmente, Pedro Mantorras e Alcides, que se encontram ainda longe da recuperação, realizaram apenas trabalho de ginásio e piscina mas sempre com a companhia do enfermeiro Rodolfo Moura.

Procura de bilhetes obriga a reforços
O dia de ontem foi o mais movimentado nas bilheteiras do Estádio da Luz pela procura de bilhetes para o jogo entre o Benfica e o Sp. Braga. A partir de hoje haverá um reforço de pessoal nos pontos de venda e tudo aponta para uma casa bem composta no jogo de domingo. O número de ingressos vendidos já ultrapassa os 25 mil.

Ainda não se formam filas, mas o dia de ontem foi marcado por grande afluência de pessoas junto às bilheteiras do estádio para comprarem bilhetes para o jogo da 4.ª jornada da SuperLiga. De manhã à noite, houve sempre gente e isso levou a que os responsáveis pela organização dos jogos decidissem colocar mais pessoal em alguns pontos de venda, nomeadamente nas bilheteiras junto ao Colombo e à Praça Centenarium, com entrada pelo Alto dos Moinhos. A procura das casas do clube espalhadas pelo País também tem sido intensa e já estão planificadas várias excursões, para, na Luz, garantir o apoio ao líder do campeonato no confronto com o Sporting de Braga. O apoio dos adeptos à equipa tem sido mais visível nas últimas semanas, à medida que a equipa vai ganhando jogos e os concorrentes directos — FC Porto e Sporting—perdem ou empatam. Nos treinos têm sido muitas as faixas de apoio ao Benfica e o número de curiosos tem rondado a centena. Todo este clima leva os dirigentes e directores do clube a acreditarem numa casa bem composta para domingo, apesar de ainda ser muito cedo para se apontar para casa cheia. Meia é o esperado, pelo menos. Hoje já será possível ter uma ideia mais concreta da moldura humana que vai formar-se na Luz e principalmente amanhã, sábado, altura em que tradicionalmente as pessoas compram mais bilhetes. A instalação de máquinas automáticas em várias casas tem facilitado todo este processo.



quinta-feira, setembro 23, 2004

Chegou a hora de Everson
VÁRIOS focos de interesse para o jogo de hoje à noite com o Belenenses, com a titularidade de Everson como principal cartaz. O brasileiro parece estar em condições para, finalmente, mostrar aos benfiquistas as características que motivaram a SAD a contratá-lo ao Nice: combatividade, técnica de passe e um remate poderosíssimo. Os outros reforços também terão oportunidade de acumularem minutos, sucedendo o mesmo com outro regresso esperado: Geovanni.

A priori poderia ser prejudicial para os trabalhos com vista à preparação do encontro com o Sp. Braga, mas o jogo de hoje com o Belenenses surge no momento exacto para Trapattoni e para muitos jogadores do plantel, especialmente aqueles que têm jogado pouco — ou mesmo nada. O caso de Everson é o que mais expectativa cria junto dos adeptos. De todos os reforços, o esquerdino foi aquele que nunca actuou oficialmente pelos encarnados, fruto da pubalgia que o obrigou a uma paragem de quatro meses. De resto, Trap sempre entendeu preservar a condição física do médio brasileiro, razão pela qual nunca o tem incluído nas convocatórias. O encontro com os azuis será, assim, o palco ideal para Everson brilhar pela primeira vez de águia ao peito — actuou alguns minutos em jogos de pré-época, porém num plano bastante modesto.

Venham os reforços

As novidades não acabam por aqui. Mais nove caras que vieram reforçar o plantel neste defeso deverão surgir no Restelo, numa equipa totalmente nova. A lógica fundamenta esta antevisão — são justamente os reforços que menos têm surgido na formação titular — a sessão de ontem confirma estes dados: no decorrer de um jogo de treino, Trapattoni dividiu o plantel em duas equipas, uma delas muito próxima daquela que subirá hoje ao relvado do clube da Cruz de Cristo, cujo jogo serve para celebrar os 85 anos do histórico emblema lisboeta: Yannick na baliza, João Pereira a lateral-direito (o único sobrevivente dos titulares), Argel e Amoreirinha a centrais, Dos Santos a lateral-esquerdo, Everson e Paulo Almeida a médios-centro, alas compostas por Carlitos e Bruno Aguiar e Geovanni a apoiar o ponta-de-lança Karadas. Uma segunda equipa, pode dizer-se, mas que tentará baralhar as ideias de Trapattoni para o futuro próximo.Eainda há a possibilidade de Nuno Gomes e Zahovic jogarem uns minutos...

O líder está confiante
O ciclo de jogos que se segue não se afigura fácil, mas na Luz reina a tranquilidade. Dirigentes e jogadores, todos entendem haver razões para acreditar que este vai ser o ano do Benfica.

Líderes da classificação, à entrada para a 4ª jornada, os encarnados sabem que a procissão ainda vai no adro, mas é com grande confiança e tranquilidade que encaram os próximos compromissos, a começar pelo jogo do próximo domingo frente ao Sporting de Braga. Os bracarenses foram os primeiros a pôr a nu a crise de resultados do campeão nacional, FC Porto, e anteontem mostraram estar em boa forma, vencendo de forma categórica o derby do Minho, batendo pela diferença mínima o Vitória de Guimarães. Todos os cuidados são poucos, mas reina a confiança entre o plantel e este optimismo tem como base de sustentação a clara convicção de que o grupo é agora mais competitivo que o da época passada, por se terem mantido todos os jogadores, à excepção de Tiago, cuja posição está a ser bem colmatada pelo jovem Manuel Fernandes, a subir de produção a olhos vistos.

Fé de Veiga

Apesar do rude golpe que constituiu a eliminação na 3ª pré-eliminatória da liga dos Campeões, a convicção manifestada pelos dirigentes é a de que este é o ano do Benfica e constitui, igualmente, um forte estímulo para os jogadores, que começam a ter razões para acreditar. Neste aspecto, José Veiga tem tido papel relevante. Desde o início da pré-época e numa altura em que os rivais se reforçavam com nomes sonantes, Veiga transmitiu para o interior do balneário a sua fé na conquista do título. À excepção do Bystrica, que não parece ter argumentos para contrariar o resultado da 1ª mão na Eslováquia, o ciclo de seis jogos que se seguem não se afigura fácil. Começa com o Sp. de Braga, pelo meio está a deslocação a Guimarães, que precede a visita dos dragões, terminando a série com o Nacional da Madeira, em casa.

Contrato de Roger só termina em 2006
Processo novo para José Veiga e seus pares resolverem. Roger está emprestado ao Fluminense, mas o contrato de cedência expira em Dezembro, facto que obrigará o Benfica a tomar decisões. O jogador está ligado ao clube da Luz até... 2006.

O médio brasileiro, Roger, vai reentrar na agenda do Benfica. O jogador está emprestado ao Fluminense, emblema que representava quando foi contratado, mas o contrato de cedência expira em Dezembro, o que levanta nova questão para o director-geral, José Veiga, e seus pares. Que fazer com o jogador? Admitir o regresso com o intuito de reforçar o plantel? Procurar negociar definitivamente o seu passe em troca de uns bons euros? Ou tentar acordar novo empréstimo? A esta situação acresce o facto de o contrato de Roger com os encarnados só expirar em 2006.

Roger expectante

O brasileiro foi envolvido na campanha eleitoral do Fluminense, já que um dos prováveis candidatos, Roberto Horcades, pretende adquirir o passe. Roger, tranquilo, prefere aguardar: «Não quero falar do assunto. É cedo e o futuro a Deus pertence. Estou bem no Fluminense e queremos chegar à Taça dos Libertadores. Estou a atravessar o melhor momento da minha carreira e quero regressar à selecção.» O médio garante, ainda, que não é «bandeira eleitoral de ninguém», que a sua imagem é que «está a ser usada» e está «atento» ao que se passa em Portugal: «Tenho visto os jogos do Benfica e estou na expectativa. Mas não é o momento certo para falar. Vou fazê-lo oportunamente.»



quarta-feira, setembro 22, 2004

Palmas para Trap
A alegria provocada pela liderança na SuperLiga já se fez sentir, ontem, no Jamor, onde cerca de 200 adeptos assistiram ao treino.
Trapattoni, assobiado no encontro com o Moreirense, ouviu desta vez aplausos e sabe, melhor de que ninguém, o que tem a fazer para manter este estado de espírito dos tiffosi...

Depois dos assobios, os aplausos. A liderança na Superliga é motivo de alegria para os adeptos, que ainda na jornada anterior tinham demonstrado descontentamento pela exibição frente ao Moreirense, dispensando também um coro de assobios ao treinador numa das substituições.

Tanto Trapattoni como os jogadores tiveram a oportunidade de sentir, no ar, durante o treino de ontem, esse ambiente de felicidade.

Uma questão de respeito

No caso particular do treinador, começou por promover uma curta palestra aos jogadores e bastou-lhe dar uns toques na bola para ouvir fortes aplausos vindos de alguns dos cerca de 200 simpatizantes do clube, que se deslocaram, ontem, ao Jamor. Trapattoni sabe que esse momento simbolizou, fundamentalmente, o respeito e a simpatia que os adeptos passaram a sentir pelo seu trabalho, graças à série de quatro jogos (incluindo a partida com o Bystrica) sem derrotas, começando a dissipar-se a desconfiança inicial, provocada pela surpreendente eliminação na 3ª eliminatória da Liga dos Campeões, às mãos dos belgas do Anderlecht. A chamada de atenção do presidente, que se mostrou desagradado com o comportamento do público no encontro com o Moreirense não terá deixado de ter algum impacto junto dos adeptos, mas é sobretudo a série de vitórias, reforçada pelo facto de a equipa ocupar o 1º lugar no campeonato, que, aos poucos, começa a empolgar o universo benfiquista. Como se não bastasse, esta série vitoriosa dos encarnados coincide com um período de menor fulgor dos principais rivais, FC Porto e Sporting, cujos resultados têm sido decepcionantes. Por agora, as palmas vão, certamente, substituir os assobios na Luz. Mas Trapattoni leva uma vida inteira no futebol e, certamente, também conhece a velha máxima de MárioWilson: todos os treinadores são escravos dos resultados...

Ricardo Rocha sem limitações
GIOVANNI TRAPATTONI tem todos os jogadores disponíveis para o jogo com o Sporting de Braga, sem contar com Alcides e Mantorras há muito lesionados. A única preocupação dava pelo nome de Ricardo Rocha, mas o central treinou-se sem limitações, deixando plenamente satisfeito o técnico.

Ricardo Rocha está totalmente recuperado da lesão que quase ditava a sua substituição no jogo frente a Académica e estará às ordens de Giovanni Trapattoni no próximo domingo. O central esteve particularmente motivado no treino realizado ontem à tarde, no Jamor, e aproveitando a despreocupação com aspectos de ordem táctica jogou numa posição mais adiantada, sobre o lado esquerdo, com Geovanni a dispensar-lhe uma apertada marcação. Face à recuperação de Ricardo Rocha, dificilmente o sector defensivo deixará de ser formado pelos jogadores que alinharam em Coimbra e que, à semelhança do que aconteceu nas duas últimas jornadas, não consentiu qualquer golo aos adversários. À parte esta boa nova, para treinador e adeptos, o primeiro treino da semana decorreu normalmente, voltando o técnico italiano a insistir num jogo de andebol, em que os jogadores só podiam concretizar de cabeça.

Duas horas no duro

Terminado este período, começou então a peladinha, com suplentes e habituais titulares misturados e em ambiente de total descontracção.

Durante quase uma hora, os jogadores empenharam-se ao máximo no desafio improvisado pelo treinador, até serem entregues ao preparador físico, Fausto Rossi, para um prolongado período de flexões, alongamentos e abdominais. Depois, regressaram, mas já sem os elementos utilizados de início em Coimbra, que fizeram corrida à volta do relvado e recolheram aos balneários. Os que permaneceram no relvado, entre eles os
substituídos e os que entraram no decorrer do jogo, foram divididos em dois grupos, com o próprio Trapattoni a integrar um deles, e prosseguiram o animado despique, prolongando-se o treino por mais uma hora. Ainda houve tempo para apurar o controlo e condução de bola, com a ajuda de estacas colocadas no solo, para esse efeito. Ao todo, duas horas de intenso trabalho, no qual os três guarda-redes tiveram, também, a oportunidade de mostrar os dotes de futebolistas em posições mais adiantadas. Hoje, o dia será igualmente preenchido com novo treino, à mesma hora no Jamor, mas na parte da manhã os jogadores têm apenas programado trabalho de ginásio, à partir das 10 horas, no Estádio da Luz.

Alcides e Mantorras no ginásio
Após um início de época em que se registaram muitos problemas físicos no plantel, o número de clientes do departamento médico foi diminuindo drasticamente e hoje apenas Alcides e Mantorras constam no boletim médico. A situação do brasileiro decorre dentro da normalidade, já que Outubro foi sempre o mês apontado como sendo o do regresso e, a julgar pela evolução que tem tido, o timing para a integração plena no
plantel mantém-se. Neste momento, Alcides já faz trabalho específico com bola e a massa muscular aumentou muito desde a sua chegada a Lisboa, em Julho passado. Situação mais complicada passou a viver Mantorras, operado pela quarta vez ao joelho direito. O jogador foi reavaliado anteontem em Barcelona e o médico que o operou, Ramon Cugat, mostrou-se plenamente satisfeito com o que viu. Está melhor, tem de trabalhar a massa muscular, data para regresso é ainda cedo para aventar.



terça-feira, setembro 21, 2004

Operação estádio cheio
LUÍS FILIPE VIERA lançou o repto aos benfiquistas: encham o estádio frente ao Sp. Braga. Os adeptos estão entusiasmados com a liderança na SuperLiga e com os tropeções de dragões e leões. Está montada a maior operação de venda de ingressos: 25 casas de Norte a Sul e o Estádio da Luz. Nova enchente a caminho...

O presidente encarnado começou há algum tempo a subir o tom dos reptos lançados aos benfiquistas para que encham o Estádio da Luz. A começar pelo jogo com o Sp. Braga. Não são só os jogadores que têm a missão de mostrar que querem e merecem ser campeões. Os adeptos, frisa o presidente, têm igual responsabilidade e cabe-lhes responder de forma positiva ou negativa ao repto que lhe é endereçado. Com o Braga e em todos os outros jogos, criando se onda de entusiasmo.

Casas dão grande ajuda

Os bilhetes para o jogo com o Sp Braga já estão à venda, mas só esta semana os benfiquistas se vão movimentar. A derrota do Sporting, ontem, também dará uma ajuda. O Benfica tem já seis pontos de avanço sobre o Sporting e, mesmo que o dragão ganhe amanhã ao U. Leiria, quatro sobre o FC Porto. Para este jogo com o Sp. Braga está montada a maior operação no que à venda de ingressos diz respeito: pela primeira vez 25 casas vão emitir e vender bilhetes. De Norte a Sul do País. O primeiro sintoma de sucesso é o número de excursões que começa a ser comunicado ao Benfica. Se milhares de adeptos farão centenas de quilómetros para estarem na Luz — até a hora do jogo, 19.15 de domingo, ajuda—os da grande Lisboa deverão responder de forma muito positiva para a segunda enchente da época. A onda cresce...

O melhor arranque de Simão
SIMÃO apontou em Coimbra o quarto golo desta época, o melhor registo, nesta fase, nas três que leva na Luz. Deve ser ainda creditado com mais três assistências e o reconhecimento de que está a subir de forma.

Simão foi o melhor marcador da equipa nas duas últimas temporadas. Há duas perdeu mesmo o título de melhor marcador da SuperLiga, com 18 golos, os mesmos do vencedor Fary. Simão tem esta temporada o melhor arranque em termos de golos marcados. Em 2002/03 Simão tinha apontado três golos cumprida a terceira jornada. Todos na SuperLiga, já que o Benfica não participou nas competições europeias. Mas, convém frisar, todos marcados de grande penalidade. Na última época, nesta fase, Simão tinha um golo no Campeonato e dois nas competições europeias, número superado esta época com dois na SuperLiga e dois na Taça UEFA. E todos de bola corrida, que até um penalty Simão já desperdiçou, este domingo, em Coimbra. Aos tentos apontados juntem-se mais três assistências para golo, participando Simão em 7 dos 10 golos marcados pela equipa esta temporada (6 na SuperLiga e 4 nas competições europeias).

O abraço de Álvaro revela «união»

Não terá passado despercebido o forte abraço entre Simão e Álvaro Magalhães nos festejos do golo de Coimbra. O treinador adjunto encarnado correu para Simão, este saltou-lhe para o colo e deu-lhe um forte abraço. No final, Álvaro tinha os olhos humedecidos pelas lágrimas e um rosto que misturava alegria, alívio e raiva. Algum significado especial naquele abraço? Álvaro explica: — Foi um gesto espontâneo. Quando o Simão marcou, depois de ter falhado um penalty, corri para ele para fazermos a festa com os colegas. Aqueles abraços e as reacções após o golo são espelho da união que existe no balneário do Benfica. Lutámos muito, sofremos e fizemos a festa em conjunto. Simão soma. E segue.

Mantorras está muito melhor
RAMON CUGAT, o médico que operou Mantorras em Agosto último, está satisfeito com a evolução favorável do joelho direito do angolano. O médico observou ontem o jogador encarnado, que chegou a Barcelona acompanhado de Rodolfo Moura, e autorizou-o a aumentar a carga de trabalho...

Pedro Mantorras deslocou-se ontem a Barcelona e ficou a saber que já pode ser submetido a um aumento da carga de trabalho. O jogador chegou acompanhado do cinesioterapeuta Rodolfo Moura e foi reavaliado pelo médico Ramon Cugat, que se fazia acompanhar do recuperador Emili Ricart. Os três trocaram informações sobre o estado do joelho do internacional angolano e a conclusão não podia ser mais positiva. «O Pedro está melhor, muito melhor mesmo e vai jogar», congratulou-se Ramon Cugat, contactado por A BOLA. Pragmático, o clínico catalão escusou-se a traçar metas para o regresso do jogador aos relvados, mas sempre indicou a metodologia a seguir até à sua recuperação total: «Gostei de ver o joelho, mas ainda lhe falta força. Há que aumentar um pouco a carga de trabalho para ganhar potência, fazer piscina, caminhar um dia na praia e outro na montanha, e seguir a terapia aconselhável neste tipo de casos.» «Estamos à disposição» Apesar do processo de recuperação decorrer em Portugal, Ramon Cugat garante que irá estar em contacto permanente com o jogador e o departamento médico do Benfica. De resto, à semelhança do que tem acontecido. «Iremos manter-nos informados da evolução da lesão e pelo menos uma vez por semana falaremos com o Pedro e o Rodolfo Moura», assegurou. Referindo-se à possibilidade de Mantorras voltar a trabalhar com o recuperador físico Emili Ricart, que deu uma contribuição assinalável para o aumento da sua massa muscular, Ramon Cugat aconselhou calma: «De momento não se coloca essa hipótese, estamos em sintonia com Rodolfo Moura e tudo está a correr bem. No fim, se precisar da nossa ajuda, estaremos à disposição. Tudo vai depender do joelho de Mantorras», sentenciou.



segunda-feira, setembro 20, 2004

ACADÉMICA 0 – 1 BENFICA

73m
0-1, por Simão. João Pereira cruza de trivela da direita para a área, na direcção de Nuno Gomes. O avançado encontra-se em posição de fora-de-jogo, a bola não chega lá, é verdade, mas apenas porque é interceptada de calcanhar por Danilo, que se encontra imediatamente à sua frente. O árbitro nada marca e o corte do defesa da Académica faz a bola chegar a Simão, na área, sobre a esquerda, sem oposição. O capitão do Benfica domina e remata cruzado, batendo Dani.

Arbitragem

PAULO PARATY (3)
Foi pena que o árbitro portuense não tivesse estado à altura do jogo, sobretudo nos instantes mais delicados. Falhas em momentos importantes (grande penalidade não assinalada a favor do Benfica aos 49 minutos, fora-de-jogo de Nuno Gomes no golo encarnado), conduziram a actuação de Paulo Paraty para um plano exibicional francamente muito baixo.

Melhor em Campo

MANUEL FERNANDES (7)
Sempre o primeiro na perseguição da bola, sempre o primeiro a colocá-la no chão para tentar jogar com inteligência. Seja quando está sozinho ou rodeado de uma catrefada de adversários. Este miúdo é impressionante, pela qualidade que coloca em campo e pela forma como ontem, como em outros jogos, correu e lutou até ao último segundo. Sempre da mesma maneira, sempre com o mesmo fulgor. E ainda lhe falta aparecer na zona de remate, onde também promete.

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Elogia atitude
Giovanni trapattoni gostou, obviamente, do resultado, que coloca a sua equipa à frente da classificação, mas acima de tudo, elogiou a atitude dos seus jogadores, que, em seu entender, começam a ter a verdadeira noção da qualidade que a equipa tem. A presença de Luís Filipe Vieira na sala de imprensa acabou por atrasar por alguns minutos a conversa de Giovanni Trapattoni com os jornalistas e por isso, o treinador italiano falou menos de que habitualmente. Porém, a velha raposa não deixou de fazer uma leitura pragmática do jogo e do desempenho da sua equipa nas três primeiras jornadas. Sem revelar sinais de euforia desmedida, Trapattoni classificou de difícil a vitória obtida em Coimbra, mostrando ter profundo conhecimento do adversário de ontem à noite. «Foi difícil, mas merecido. Jogámos na quinta-feira, regressámos tarde e houve um grande dispêndio de energia, a nível físico e psicológico. Estudámos bem a Académica e sabíamos ser um adversário difícil, bem organizado, com carácter e que, ainda por cima, jogava em casa», observou. Confessando-se satisfeito com o resultado, Trapattoni atribuiu o sucesso à forma como os jogadores encararam a partida: «Estou contente, mas sobretudo com o carácter dos meus jogadores. Entraram determinados, o penalty falhado criou alguma perturbação, mas reagiram muito bem.» Para o técnico italiano, esta vitória teve também um sabor especial, pela mudança que poderá introduzir na mentalidade dos jogadores, no futuro próximo. «Vão ganhar mais confiança nas suas capacidades. Cada equipa tem as suas características e os jogadores do Benfica começam a conhecer as suas qualidades. O resultado é importante, porque coloca-nos no topo. Sei que todos os jogos são duros, mas este é o caminho certo», considerou.

Momento importante

Valendo-se da sua própria experiência, adquirida na sua Itália e aquando da sua passagem pela Alemanha, Giovanni Trapattoni reforçou o significado deste resultado, não propriamente pelo valor do adversário, mas acima de tudo pelo timing em que se deu: «Este é um momento muito importante, se a equipa interiorizar que este é o caminho certo para mantermos este ciclo vitorioso.» Trapattoni confessou, por último, a dificuldade que teve em deixar Nuno Gomes fora da equipa titular, explicando, em seguida, as razões que o levaram a tomar essa decisão. Uma delas foi, certamente, escolher entre Zahovic, que acabou por jogar de início, e o internacional português. «Tive uma ou duas dúvidas ao escolher o onze titular. É minha vontade lançar Nuno Gomes na equipa, porque é um elemento muito importante, mas encontra-se ainda à procura da melhor condição física», afirmou, antes de concluir a ideia final: «Torna-se difícil querer ganhar e simultaneamente dar ao jogador a possibilidade de ganhar essa condição, em competição. O Zahovic também estava um pouco cansado, mas tive uma conversa com o Nuno e chegámos à conclusão de que é melhor para ele seguir o plano de trabalho que lhe permitirá regressar muito rapidamente ao seu melhor.



domingo, setembro 19, 2004

Não sei o que é o sistema de que tanto fala
Luís Filipe Vieira reagiu, também ontem, em Viseu, às palavras de Dias da Cunha: «Temos de respeitar o Sporting e o seu presidente, Dias da Cunha. Mas eu não sei o que é o sistema de que tanto fala. Vejo que há erros de arbitragem, mas isso é normal. Dias da Cunha deveria ter publicamente dito se não é o mesmo sistema quando o Sporting foi duas vezes campeão. Como a amizade e respeito que Dias da Cunha merece, não me dê lições de vida, porque essas não recebo de ninguém. Ou de alguém que após o jogo com o Vit. Setúbal dizia que tinha havido uma grande penalidade e dias depois vem dizer que, afinal, não tinha sido...»

Geovanni testado a titular
GRITOU com ele, pediu-lhe para pressionar mais o adversário que tem a bola e aplaudiu quando conseguiu chegar à linha e cruzar. Trapattoni dedicou especial atenção a Geovanni, durante o treino, e é bem possível que o brasileiro substitua João Pereira na equipa titular que hoje vai jogar em Coimbra, frente à Académica. Mas Trap ainda não decidiu.

Quem viu o treino de ontem ficou sem dúvidas: é Geovanni que vai jogar na direita do ataque do Benfica. Mas Trapattoni tem por hábito baralhar o que parece óbvio e poucas vezes a equipa que treina é aquela que joga de início. Todavia, após recuperar de lesão, o avançado brasileiro já está em boas condições e, à semelhança do que aconteceu com Nuno Gomes, apenas precisa de minutos de competição. O ponta-de-lança português jogou cinco minutos frente ao Moreirense e depois 78 frente ao Banská Bystrica, na Taça UEFA... Geovanni jogou sete minutos frente ao clube eslovaco e a ideia do treinador italiano pode muito bem ser a de dar mais minutos ao brasileiro, hoje, em Coimbra, frente à Académica. Ontem, Trap acompanhou de perto todos os movimentos de Geovanni e várias vezes parou a sessão para lhe pedir maior pressão sobre o adversário, ou para que fosse mais racional antes de entregar a bola. O regresso de Geovanni à competição — após estar lesionado mais de 15 dias — pode acontecer já hoje.

Dúvidas no ataque

Jogando Geovanni sai João Pereira do onze. Simão fica na esquerda e no meio deverá regressar o jogador esloveno do Benfica, Zahovic. Mais à frente, como ponta-de-lança, foi testado Sokota, mas é mais provável que jogue Karadas se Zahovic estiver em campo. Trapattoni acredita que neste esquema o norueguês dá mais força ao ataque. Não está, contudo, excluída a possibilidade de jogarem Nuno Gomes e Sokota. A verdade é que o próprio Trapattoni ainda não decidiu a frente de ataque que hoje entrará em campo. Certo está o habitual quarteto defensivo: Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Fyssas; e a mesma dupla no meio-campo: Petit eManuel Fernandes.

É fundamental liderar o campeonato
HÁ muito tempo que não se ouvia um elemento da equipa técnica perspectivar a liderança isolada na classificação da SuperLiga. Os inícios de temporada eram sempre titubeantes, em oposto ao que acontecia aos rivais directos, e, desta vez, as águias podem afirmar categoricamente: uma vitória em Coimbra colocará o nome do Benfica no primeiro lugar. «Psicologicamente será muito importante», afirma Álvaro Magalhães. Trapattoni diz que em Março se decide tudo mas não fará mal nenhum um Setembro gordo...

O Benfica está dependente de si próprio para se isolar no topo da tabela classificativa, depois do empate registado anteontem entre Boavista e V. Setúbal, as outras duas equipas que entravam nesta terceira jornada com seis pontos conquistados. Uma vitória ante a Académica significará, sem dúvida, uma injecção de moral à equipa, ávida de vitórias do dia-a-dia. Ontem, Álvaro Magalhães admitiu a importância deste jogo e do que pode trazer de positivo nos dias que se seguirão: «Assumir a liderança é muito importante. Para os jogadores, dirigentes e massa associativa será fundamental. Quando o Benfica aparece no primeiro lugar os sócios e adeptos ficam mais confiantes e apoiam mais a equipa, o que é sempre bom. Ainda estamos no início da prova, mas liderar o campeonato é sempre bom. Por isso, vamos tentar aproveitar essa oportunidade. »

A lição de Coimbra

Os encarnados jogam amanhã com a Briosa, mas preferiam fazê-lo dias depois. Os dirigentes academistas não acederam ao pedido de adiamento e a polémica surgiu. Álvaro— que surgiu diante dos jornalistas na vez de Trapattoni — separou as águas. Pagam-lhe para treinar... e as recordações de Coimbra impedem-no de atacar seja o que for: «Diz-se que Coimbra é uma lição e eu aprendi a lição quando representei a Académica. O jogo está marcado e vamos entrar para ganhar. Tivemos um desgaste físico e psicológico com a viagem à Eslováquia, mas o Benfica vai estar em boas condições para defrontar uma Académica que não teve um jogo a meio da semana.» A confiança é grande, independentemente dos minutos extra de quinta-feira. A equipa técnica está francamente optimista: «Se mantivermos esta atitude e concentração vamos vencer o jogo.»

Palestra para a vitória
MAIS do que treinar cruzamentos, remates ou livres, a situação desportiva levou a que Trapattoni decidisse usar da palavra. Palestra de 45 minutos com uma mensagem clara: reduzir a ansiedade e reforçar a importância de vencer a Académica. Persegue-se a liderança.

Estava previsto para as 10 horas, mas o treino começou 45 minutos mais tarde. Razão: uma longa palestra de Giovanni Trapattoni aos jogadores no balneário do Estádio da Luz. 45 minutos de mensagens positivas aos jogadores, alertas para controlar a ansiedade que surge sempre quando um normal jogo de campeonato redunda na possibilidade de colocar a equipa isolada no primeiro posto da tabela classificativa. Além de aspectos tácticos que importa acertar. Apesar de o campeonato conhecer agora apenas a 3.ª jornada, os responsáveis benfiquistas estão conscientes da importância, em termos anímicos, que a ascensão ao primeiro lugar proporciona. Nos últimos anos desde cedo as águias começavam a prova a ver os outros lá em cima, numa cansativa luta de perseguição que duraria vários meses — e o máximo conseguido foi o segundo lugar. Agora, o cenário pode inverter-se, o que será considerado um incentivo extra para o decurso da época.

Estímulo como arma

O discurso de Álvaro Magalhães, na conferência de imprensa de ontem, revela justamente a importância que este facto encerra. E por ser crucial, é natural que os jogadores possam sentir maior responsabilidade. A mensagem de Trapattoni também terá versado essa situação, como que mentalizando os atletas para a necessidade de responderem à altura, e desta feita numa situação inversa ao que se registou no passado recente: se a equipa venceu Beira-Mar, Moreirense e FK Basnká Bystrica para ultrapassar a frustração da eliminação da Liga dos Campeões e a derrota com o FC Porto para a Supertaça, cabe agora aos encarnados mostrarem que têm condições para dar seguimento a um ciclo positivo e utilizar o estímulo como arma. Foi, por isso, uma palestra para a vitória.



sábado, setembro 18, 2004

Relvado de Bystrica massacrou tornozelos
O mau estado do relvado do Estádio Stavnicky deixou marcas em alguns jogadores do Benfica, nomeadamente os do meio-campo, pela missão específica que desempenham. Felizmente, não se registaram lesões, mas os homens da Luz foram submetidos a um desgaste extra, facto que ganha importância face ao pouco tempo de descanso do grupo.

Foram vários os jogadores que precisaram de fazer gelo após o jogo na EslováquiaPetit foi o rosto mais visível da dor provocada pelo piso do Dukla Bystrica nos jogadores do Benfica, naturalmente pouco habitua dos a um terreno tão irregular. Os receios de lesões musculares acabaram por não se confirmar, mas a verdade é que os atletas encarnados ficaram um pouco mal tratados, tendo sido submetidos a um enorme desgaste. Além de Petit, substituído aos 79 minutos por precaução (de imediato pediu um saco de gelo), também Manuel Fernandes acabou o jogo com dores. A dupla do meio-campo acabou por sentir mais na pele os efeitos do mau estado do piso, mas outros jogadores se mostraram queixosos das articulações da tibiotársica, nomeadamente os que arregaçaram mangas na zona do meio-campo.

Recuperação mais difícil

Apesar do massacre a que os tornozelos foram submetidos, assim como os músculos, o relvado do Bystrica não originou lesões no grupo de trabalho de Giovanni Trapattoni, para alívio do treinador italiano. Ainda assim, tendo em conta o curto espaço de tempo entre o encontro da UEFA e a deslocação a Coimbra, o desgaste não deixa de ser motivo de preocupação para a equipa técnica da Luz. Por aí se justifica, por exemplo, a saída prematura de Petit. A recuperação física é, por isso, um aspecto que preocupa Giovanni Trapattoni, que pretende apresentar a equipa na máxima força em Coimbra, com energia para 90 minutos que, mais uma vez, prometem ser exigentes. Tudo leva a crer, por isso, que o treino de hoje também não seja de grande exigência.

Simão marcou três em apenas seis dias
Um ao Moreirense e dois ao Dukla Bystrica. Três golos em apenas seis dias e em duas competições diferentes sublinham a influência de Simão na equipa do Benfica. Um aviso de que corre por fora pelo título de melhor marcador da SuperLiga? A época passada marcou 12...

O filho de Simão fez um ano e correu para os braços do pai. O plantel também se rendeu aos encantos de Martim Não é ponta-de-lança mas marca golos que se farta e normalmente decisivos para o Benfica. Esta semana Simão mostrou que a pontaria está mais afinada e marcou três em apenas seis dias: O segundo da vitória por 2-0 frente ao Moreirense (e um grande golo) na 2.ª jornada do campeonato nacional; e os dois primeiros da vitória por 3-0 na Eslováquia, contra o Dukla Bystrica, que podem valer a qualificação para a fase de grupos na Taça UEFA. Mas já na temporada passada os golos de Simão contribuiram para a campanha europeia da equipa. O avançado alinhou em todos os jogos — Lazio, La Louvière, Molde, Rosenborg e Inter de Milão — e apenas num não completou os noventa minutos (a 2.ª mão do encontro com o Molde), marcando dois golos. O primeiro foi em Roma, casa da Lazio; e o segundo na Bélgica, frente ao La Louvière. A pontaria do capitão da equipa benfiquista parece estar cada vez mais certeira, o que deve criar alguma expectativa nos adeptos benfiquistas. Na SuperLiga, a temporada passada, Simão marcou 12 golos... Como será esta época? Teremos o jogador na luta pela bota de prata?

E brilha João Pereira

Destaque, na noite da passada quinta-feira, no jogo contra o Dukla Bystrica, merece também João Pereira. Além de ter realizado um boa exibição, o jovem avançado marcou o terceiro golo da vitória — um belo chapéu ao guarda-redes após correr sozinho durante alguns metros e o primeiro nas competições europeias para a sua conta pessoa, ao serviço do Benfica. Só boas razões para os encarnados não se esqueceram desta curta deslocação à Eslováquia.

Mexer contra o relógio
A equipa do Benfica chegou a Lisboa na madrugada de ontem, tendo de imediato rumado ao Hotel Marriott, iniciando o estágio de preparação para a deslocação a Coimbra. O desgastante contra-relógio deve levar Trapattoni a rodar algumas peças da equipa, nomeadamente no ataque.

Rotatividade para melhor gestão dos recursos do plantel deve novamente ser visível no jogo frente à AcadémicaGiovanni Trapattoni é um fiel adepto do turn-over, ou rotatividade se preferirem. O próprio treinador italiano admitiu, no final do encontro com o Bystrica, que nas semanas em que a equipa jogar duas vezes (é o caso), pode alterar algumas das peças do xadrez, por forma a gerir o cansaço individual e manter uma boa chama física no colectivo. Um dos objectivos de Trapattoni é, por isso, o bom entrosamento das várias unidades, nos diferentes cenários, por forma a que, em qualquer altura, os jogadores estejam preparados para entrar no onze sem qualquer estranheza. Esta teoria é válida para todos os sectores, ganhando contornos mais especiais no ataque, onde as opções são agora muitas e todas elas válidas. O treinador do Benfica ainda não apresentou o mesmo onze em dois jogos consecutivos, nuns casos por questões físicas, noutros por opção técnica. Tudo leva a crer que, frente à Académica, amanhã, a turma que vai a exame não seja cem por cento composta por repetentes. Diz o adágio que em equipa que ganha não se mexe, mas o pensamento de Trapattoni deverá ser outro, embora não existam, para já, quaisquer certezas.

Mais dúvidas no ataque

Moreira estará de pedra e cal na baliza, ao passo que na retaguarda não se perspectivam alterações de vulto. A mais previsível prende-se com a possível troca de Fyssas por Dos Santos. No meio-campo, o patrão Petit também surge como intocável, com Paulo Almeida a espreitar uma eventual poupança de Manuel Fernandes. Mas é no ataque que se registam mais dúvidas. João Pereira e Simão devem manter-se nas alas, sobrando cinco elementos para dois lugares na zona central: Zahovic, Geovanni, Nuno Gomes, Sokota e Karadas. Uma das possibilidades é o regresso de Karadas, ao lado de Zahovic ou Nuno Gomes, apesar da excelente exibição de Sokota em Bystrica.

Convite para jantar
A Académica recusou adiar o jogo de amanhã, contra o Benfica, e isso motivou uma guerra de palavras entre dirigentes dos dois clubes que marcou a semana. Mesmo assim, à Luz chegou um convite para que as Direcções jantem juntas e para que Luís Filipe Vieira se sente no camarote presidencial. A presença do líder benfiquista no estádio, pelo menos, já está confirmada.

Eusébio comJosé Veiga e Luís Filipe Vieira, que acompanhama equipa a CoimbraO Benfica ficou indignado com a recusa da Académica em adiar o jogo de amanhã da SuperLiga. Consideram os dirigentes encarnados que as boas relações entre os dois clubes e o bom senso de perceber que o Benfica representou Portugal nas competições europeias na noite da passada quinta-feira (na Eslováquia, frente ao Dukla Bystrica) seriam argumentos mais do que suficientes para justificar o adiamento. O que se seguiu foi uma troca de palavras e acusações entre responsáveis dos dois clubes, que acabam por marcar negativamente este encontro. Apesar disto, Luís Filipe Vieira vai a Coimbra para assistir ao encontro e vai sentar-se no camarote presidencial, juntamente com outros dirigentes benfiquistas. Resta saber se será ao lado do presidente interino da Académica, José Eduardo Simões. De acordo com informação do departamento de comunicação academista, é dessa forma que consta no protocolo do clube.

Convívio na agenda

Juntamente com os convites destinados à Direcção do Benfica, a Académica enviou também um convite para que as duas Direcções jantem antes do desafio, o que, aliás, é normal nos jogos de SuperLiga. Apenas as acusações durante a semana lançam alguma expectativa sobre como se vão relacionar os dois líderes antes, durante e no final do jogo de amanhã. Lembre-se que a Académica acusou o Benfica de não respeitar uma promessa para a realização de um jogo particular durante a pré-época, o que causou melindre.



sexta-feira, setembro 17, 2004

Bystrica 0 - 3 Benfica

37 m
0-1 por Simão. Tabela do capitão do Benfica com Sokota, recebendo isolado no interior da área. Simão finaliza com classe, colocando a bola para o lado esquerdo do guarda-redes Zajac.

65 m
0-2 por Simão. Recuperação de bola no meio-campo adversário, Sokota progride, lança Simão na área, sobre a esquerda, o capitão finta para o meio e finaliza de pé direito.

72 m
0-3 por João Pereira. Simão ganha um ressalto ainda no seu meio-campo, domina a bola e faz um passe extraordinário, a rasgar, aparecendo João Pereira, a fazer a diagonal da direita para o meio, a receber sozinho e a picar a bola por cima do guarda-redes.

Arbitragem

MAT MESSIAS
O árbitro inglês exagerou claramente nos cartões amarelos. Num jogo correcto, aproveitou qualquer falta mais aparatosa, mesmo sem grande perigo, para ir ao bolso, com prejuízo para as duas equipas, mas sobretudo para Miguel. Terá deixado um penalty por marcar por falta sobre Simão, empurrado pelo braço esquerdo de Vyskoc, já com o resultado em 0-3, mas de resto conseguiu não complicar um jogo fácil de dirigir. Palavra de apreço para os seus dois auxiliares: impecáveis!

Melhor em Campo

SIMÃO (8)
Nem estava a fazer uma grande primeira parte quando inaugurou o marcador. Mas é assim que se vêem os jogadores-chave: aparecem nos momentos certos. Mas depois decidiu fazer mais, muito mais: marcou o segundo e deu a marcar o terceiro. A partir daí, e mesmo com um relvado pouco propício para o seu estilo de jogo, resolveu encher o campo: na esquerda, no meio e na direita. A genialidade do pequeno Simão foi o suficiente para derrubar os gigantes eslovacos, que ainda vão estar nos próximos dias à procura do norte...

Sala de Imprensa

GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica)
Trapattoni e o golo da viragem
Análise lúcida e pragmática de Trapattoni, no final do encontro. Com a eliminatória resolvida, ao cabo de meio caminho, o italiano tinha razões para estar satisfeito. «Os adeptos viram um bom jogo. Já falei com o meu colega do Dukla Bystrica e disse-lhe que merecemos vencer, seguramente », começou por dizer, admitindo que o adversário eslovaco não se apresentou na máxima força. «Sabíamos que não podiam contar com três ou quatro jogadores muito importantes, mas ontem, quando os jornalistas portugueses disseram que éramos favoritos, respondi que essa palavra não existia no meu vocabulário. A razão é simples: se dissesse que éramos favoritos podia acontecer que a equipa não entrasse concentrada em campo. Com todos os jogadores disponíveis, o Bystrica seria uma equipa mais forte», admitiu. Para a história fica o resultado, praticamente intocável numa competição a duas mãos. Ainda assim, Trapattoni lembra que a missão não terminou, faltam 90 minutos. «Ficámos contentes, esta noite, mas é importante pensarmos que ainda falta um jogo. Todos os adeptos pensam que o jogo no Estádio da Luz vai ser fácil, mas não podem ver as coisas assim, por respeito a nós próprios e ao adversário. Isto não é demagogia », sublinhou.

Lembram-se de Bruxelas?

De regresso às incidências da partida, o treinador encarnado reconheceu que o Benfica não entrou a dominar. Pelo contrário. «Não entrámos bem no jogo. Na primeira parte a equipa não estava a corresponder ao desejado. Acabámos por criar uma boa oportunidade de golo, concretizada pelo Simão, o que foi muito importante para a nossa equipa. Permitiu-nos entrar com muita confiança na segunda parte», expressou. Novamente questionado sobre as importantes ausências no Dukla Bystrica, desta feita por parte dos jornalistas eslovacos, Trapattoni fez uma comparação com um exemplo bem recente e de má memória para os benfiquistas. «Foi um problema para o Bystrica, mas contra o Anderlecht também perdemos por isso, faltavam-nos jogadores importantes. Neste caso, esse factor jogou a nosso favor, foi um ponto de sorte para nós», frisou.

Dúvida Nuno Gomes

A titularidade de Nuno Gomes não era esperada, mas Trapattoni explicou a opção: «Ontem [anteontem] ainda tinha algumas dúvidas sobre a sua titularidade. Falei com Nuno Gomes e ele também as tinha, mas optámos por colocá-lo de início. Se houvesse algum problema tínhamos possibilidade de o substituir.»

Denunciar a hipocrisia
Estes são daqueles jogos em que ganhar é uma banalidade, perder seria uma catástrofe. Por isso, o presidente da SAD e Direcção benfiquistas não surgiu diante dos jornalistas radiante com a vitória. Reconheceu, isso sim, a forma como os jogadores entraram em campo, «revelando humildade », pois na perspectiva de Luís Filipe Vieira, «só assim se vence, pensando jogo a jogo e encarando todos os adversários da mesma maneira».

Presidente gostou do que viu na Eslováquia; e prometeu denunciar hipocrisias em Coimbra, após jogo de domingoO dirigente não quer, por isso, começar a pensar muito alto na Taça UEFA, pois ainda há um longo caminho a percorrer, mas admitiu que a equipa tem hipóteses de poder fazer algo com substância na prova. As condições, afirma, são diferentes daquelas que existiam no passado: «Foi uma desilusão o que aconteceu com o Anderlecht mas a vida continua. Temos vindo a desenvolver um trabalho profundo para mudar mentalidades retrógradas que existiam no clube e era por isso que o Benfica não ganhava!»

A promessa de Coimbra

Segue-se agora a Académica de Coimbra, já no domingo. Um jogo que os encarnados quiseram adiar, mas cuja pretensão a Académica não anuiu. Viu-se na expressão de Luís Filipe Vieira que o tema lhe causa algum incómodo. «Não quero alimentar polémicas », começou por dizer, mas na medida em que o assunto continuava a ser falado, o líder dos encarnados acrescentou: «Não quero confundir a instituição Académica, a qual aprecio muito, com o seu presidente. Mas direi o que penso sobre este assunto no fim do jogo.»
A curiosidade estava alta, Vieira alimentou mais a chama. António Simões poderá ser um dos visados. «Vou dizer algumas verdades porque quando alguém é hipócrita tem de ser denunciado. » A promessa está feita.



quinta-feira, setembro 16, 2004

Uns pozinhos de Portugal
Sol a gozar folga, mercúrio a apontar 23 graus, um Mig a olhar de perto o avião da TAP e uma estância de esqui como último destino após mais de três horas a rasgar os céus da Europa. Foi assim a recepção da comitiva encarnada, que mesmo assim tinha à espera dois dirigentes do Bystrica e alguns populares eslovacos, admiradores do Benfica, da Selecção Nacional e de Trapattoni. Algo que assume algum relevo quando nesta cidade o futebol é parente pobre comparado com o hóquei no gelo...

Para os pilotos da TAP era uma novidade aterrar no pequeno Aeroporto Sliac, situado a 15 quilómetros do centro de Banská Bystrica, com uma pista de 2500 metros, a qual apenas recebe um voo internacional por dia, proveniente de Praga, na República Checa. A aterragem foi, no entanto, perfeita, à semelhança de todos os passos que viriam a ser dados até a comitiva chegar ao hotel. À saída do antigo aeroporto militar (a presença de um Mig e de um helicóptero Albatroz são vestígios dos tempos do Pacto de Varsóvia) não se registou grande confusão, pois eram poucos os que tinham a curiosidade de apertar a mão ao famoso Trapattoni ou a jogadores como Nuno Gomes, Zahovic e Simão Sabrosa (os mais reconhecidos pelos eslovacos). Mesmo assim os suficientes para trazer um cheirinho a Portugal. É que mesmo a 3000 quilómetros de distância e numa zona em que o futebol é modalidade secundária (para estes eslovacos importa mais saber o que está a acontecer no Campeonato do Mundo de Hóquei no Gelo, que decorre no Canadá), ainda houve quem se vestisse a rigor para apadrinhar a estreia do Benfica nesta cidade, não só o jovem que envergava a camisola de Cristiano Ronaldo—«é o meu jogador preferido, gosto muito como ele se mexe», justificou — mas também outro adepto, mais velho, que vestiu a propósito um blazer com o símbolo da Juventus, clube italiano já treinado pela velha raposa, agora líder da equipa benfiquista que ontem aterrou em Banská Bystrica

Seis mil quilómetros de automóvel

Mas quem animou o timing da chegada foi mesmo um grupo de quatro jovens portugueses. Não quiseram identificar-se por questões pessoais, mas mesmo assim não esconderam a cara na hora de incentivar. Simão Sabrosa, mais extrovertido, perguntou-lhes como tinham chegado...«Viemos de carro. Partimos na segunda- feira e chegá-mos ontem (anteontem).Fizemos seis mil quilómetros! » O capitão não escondeu a admiração e a brincar tocou com o indicador várias vezes na testa. «É o Benfica! », retorquiram.
De seguida deu-se a partida para o hotel, como o autocarro escoltado pela polícia. Uma unidade situada na estância de Ski de Donovaly a 30 quilómetros do centro da cidade, com muitas curvas pelo caminho e muitos metros acima do nível da água domar. Por enquanto não há neve mas pelo menos ali houve chuva, nevoeiro e temperaturas mais baixas. A paisagem é bucólica, mas inspiradora. Pelo menos é o que desejam os benfiquistas.

Quem sou eu para pôr em causa Trapattoni?
Luís Filipe Vieira pediu ontem aos adeptos (antes de embarcar para a Eslováquia) que parem com os assobios e apoiem a equipa. O presidente do Benfica diz que o mundo do futebol não tem segredos para Trapattoni e que o treinador é realista. Afirma, também, que este é o plantel que a Direcção apresenta para tentar ganhar o campeonato, objectivo prioritário. «Fui eleito para mandar no Benfica e o caminho está traçado. Não vamos mudar.»

Luís Filipe Vieira lidera a comitiva benfiquista que ontemviajou para a EslováquiaFilipe Vieira lidera a comitiva benfiquista que ontem viajou para Bystrica, na Eslováquia, e o objectivo é voltar com uma vitória. «Esse é o espírito que existe neste grupo e o que queremos sempre é a vitória, neste ou em qualquer outro jogo», afirmou o líder encarnado, avisando que a equipa «vai conseguir vencer mais vezes esta época do que aquelas que as pessoas pensam».

«Não vamos mudar»

As opções do treinador, Giovanni Trapattoni, durante o jogo com o Moreirense, na SuperLiga, foram contestadas pelos adeptos. O presidente explica a posição da Direcção sobre isso: «O que posso dizer aos sócios do Benfica é que temos um grupo muito coeso, com objectivos definidos. E assumimos que queremos ser campeões. Cada vez mais o Benfica tem de ser abordado com realismo e um jogo de futebol também deve ser realista. Não vamos pela parte lírica... O ano passado estávamos a ganhar 1-0 ao Moreirense, os adeptos também assobiaram, o treinador que cá estava meteu mais um ponta-de-lança e empatámos. Se calhar este treinador é mais realista e aconteceu ganharmos.» Luís Filipe Vieira, defende, assim, a posição de Trap. «Teremos de abordar com humildade todos os jogos e respeitar outro Moreirense qualquer. A massa associativa tem de perceber que não é com assobios que vai motivar a equipa, pelo contrário, é acarinhando-a, porque é com estes jogadores que vamos ganhar.» Luís Filipe Vieira diz que sabe muito bem as opções que tomou e as pessoas que escolheu. «Não vamos mudar. As pessoas que trabalham no Benfica sabem qual o pensamento. Não vale a pena pressionarem-nos. Como pode o passado de Giovanni Trapattoni sofrer alguma contestação? O passado fala por ele e ele sabe muito de futebol. Quem sou eu, um dirigente do futebol, para pôr em causa esse passado? O Benfica definiu um perfil para o treinador que queria e entre eles estava Trapattoni. Foi ele que escolhemos e em quem confiamos para atingir os objectivos traçados. Não pensamos mudar de rumo e não adianta pressionarem com contestação ou reforços. Este grupo está unido e é nele que apostamos.»



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