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terça-feira, agosto 31, 2004
O bom rebelde NUM ápice tudo muda: as dúvidas em torno das suas capacidades deram lugar a cânticos personalizados das claques do clube. Ao marcar dois golos e dar outro a marcar em Aveiro, Azar Karadas ganhou a admiração dos adeptos. Pelo menos, já deixou de ser um ilustre desconhecido. A BOLA dá-lhe agora a conhecer quem é este jovem de 23 anos, filho de uma paixão proibida, com um carácter explosivo dentro de campo mas sereno fora das quatro linhas. É o bom rebelde da Luz. Minuto 42: após muita luta entre os centrais, no seu jeito muito peculiar, finalmente a sorte vem na sua direcção. Ou melhor, a bola. «Esperei que ela viesse e esta bateu-me no joelho. Acho eu...», assim narrou, na primeira pessoa, o primeiro golo obtido pelo novo clube que representa. A frase, simples, representa a sua forma de estar fora do relvado: humilde, tímido mesmo quando ainda não se encontra totalmente integrado no seu meio ambiente, como é o caso. Mas Azar Karadas é o típico exemplo da maturação de um jogador. Na Noruega for a m conhecidos alguns problemas que viveu à margem do futebol. Em Novembro de 2000, celebrando numa discoteca a vitória com um colega ao serviço da formação que representava, o Brann, foi detido. Uma noite na prisão para refrescar as ideias. Tinha então 19 anos. Pai Eggen Segue-se a transferência para o Rosenborg. O melhor que lhe podia ter acontecido. No comando técnico estava um senhor chamado Nils Arne Eggen, cabelos brancos, muita sabedoria e percursor de uma disciplina construída à base do respeito pelo outro e em que a palavra vedetismo não entra no vocabulário colectivo. O caldeirão arrefece, Karadas torna-se mais moderado. A excepção deu-se num jogo de treino em La Manga, Espanha, onde o clube norueguês realiza todos os anos estágios de pré-temporada. Num jogo frente a uma formação russa, o avançado envolve-se numa verdadeira luta de ringue com um defesa. «Ele batia como uma menina», disse, no fim do jogo... a priori amigável. Está bem onde está o sol O espírito rebelde não é próprio de um nórdico. Mas a verdade é que Karadas não é o exemplo do cidadão norte-europeu. A sua educação é norueguesa mas o sangue que lhe corre nas veias é mediterrânico. Filho de um amor proibido à luz da história — mãe grega e pai turco, duas nacionalidades que não se conjugam — Karadas sempre demonstrou vontade em sair da Noruega. «Quero jogar num país onde haja sol», disse a dada altura. Na tranquilidade da família O jogador que marcou dois golos ao Beira-Mar e que cometeu a proeza de bisar no jogo de estreia no campeonato — nos últimos dez anos apenas Paulo Nunes o tinha conseguido — é agora um homem diferente. Está mais calmo, mais maduro e mantendo o profissionalismo de sempre. A adaptação a Portugal tem sido a melhor e o nascimento da filha, a qual baptizou de Tea, foi determinante para repensar prioridades. Não é casado mas está junto com a namorada de longa data. Ambas já se encontram em Portugal. E foi na tranquilidade da família que viveu o day-after de Aveiro. Terá recebido um beijo por cada golo? Acelera Nuno! NUNO GOMES acelerou a recuperação nas últimas semanas e é provável que já comece a treinarse sem limitações antes da próxima jornada, frente ao Moreirense. A paragem no campeonato joga a favor do ponta-de-lança e Trapattoni já pode começar a fazer contas. Neste momento brilha Karadas masGiovanni Trapattoni terá, em breve, mais um influente jogador na corrida pela titularidade no lugar de ponta-de-lança da equipa. Nas últimas semanas Nuno Gomes acelerou a recuperação (de uma rotura parcial no joelho direito) e preparação física, também já fez alguns esquemas de exercícios com bola e dá mostras de poder começar a treinar-se sem limitações antes do encontro da segunda jornada do campeonato, na Luz, frente ao Moreirense. A paragem da SuperLiga—devido a compromissos das selecções nacionais— joga a favor do internacional português, que assim pode acelerar ainda mais, com o objectivo de regressar em pleno e entrar nas contas do treinador italiano. E depois? quem se senta no banco? Será curioso analisar as opções que Trapattoni irá tomar quando tiver todos os pontas-de-lança disponíveis. Neste momento Sokota está lesionado, e antes já não atravessava um bom momento de forma, mas Azar Karadas marcou dois golos na jornada inaugural do campeonato, frente ao Beira-Mar, e é o homem do momento no plantel benfiquista. Quando regressar Nuno, e tudo indica que se trata de uma questão de dias, o técnico italiano da equipa terá de decidir, partindo do princípio de que a velha raposa continuará a utilizar uma estratégia com apenas um ponta-de-lança em campo. À procura do onze ideal GIOVANNI TRAPATTONI alterou profundamente a equipaem Aveiro, comparativamente ao jogo com o Anderlecht, mas só o tempo dirá se a equipa tipo do Benfica está finalmente encontrada. Para já, nos quatro jogos oficiais disputados, o técnico italiano nunca repetiu o mesmo onze... Em Aveiro, jogadores como Argel e Sokota ficaram de fora, devido a problemas físicos, mas outros jogadores foram vítimas da necessidade que o treinador sentiu de alterar o rumo dos desaires sofridos na Supertaça e Liga de Campeões. A revolução começou pela baliza, onde o técnico italiano prescindiu de Quim para apostar na segurança do titular indiscutível da época passada, Moreira. E continuou no sector defensivo, onde o lateral-esquerdo Dos Santos cedeu o lugar a Fyssas. No meio-campo, estava reservada outra surpresa: Paulo Almeida, utilizado em quase todos os jogos desde o início da pré-época, cedeu o lugar a Manuel Fernandes e só entrou nos minutos finais para ajudar a segurar o precioso resultado. Por fim, no ataque, Azar Karadas estreou-se a titular, aproveitando a lesão de Sokota. Autor de dois golos e da assistência para o terceiro, apontado por Petit, o norueguês merece, certamente, mais oportunidades. Porém, a verdade é que nos quatro jogos oficiais já disputados, Trapattoni nunca repetiu a mesma equipa, sobressaindo a ideia de que o onze ideal ainda não está encontrado. Nessas quatro ocasiões, apenas Miguel, Petit e Simão foram totalistas, enquanto Sokota pode gabar-se de só ter ido para o banco por não se encontrar nas melhores condições físicas. Mas contra o croata joga o facto de apenas ter marcado um golo, na pré-época, ao modesto Carouge, e, a ter em conta, a excelente exibição de Karadas na única oportunidade de que dispôs. Também Luisão parece estar de pedra e cal desde que entrou na equipa. O central brasileiro regressou à equipa no jogo da Supertaça, com o FC Porto, e, desde então, nunca mais deixou a titularidade. Nos dois primeiros jogos teve Argel como parceiro, mas em Aveiro voltou a alinhar ao lado de Ricardo Rocha, reeditando a dupla da época passada. A perder o comboio está Yannick, que de titular no primeiro jogo com o Anderlecht passou a não convocado na 1ª Jornada do Campeonato. sexta-feira, agosto 27, 2004
Zahovic continua goleador TRAPATTONI viu em acção os jogadores menos utilizados, num jogo de treino com os juniores, que nada de novo acrescentou. Everson continua por aparecer e Karadas é, por enquanto, um corpo estranho na estrutura da equipa... Trapattoni aproveitou a tarde de ontem para ver em acção os jogadores menos utilizados (os titulares em Bruxelas ficaram na Luz, no ginásio), num jogo de treino com os juniores. O resultado, uma vitória dos mais velhos por 3-0, é o que menos interessa, mas o técnico italiano não terá tido grandes motivos para sentir-se satisfeito com a exibição do onze escalado, especialmente na primeira meia hora. Nessa fase, Yannick defendeu a baliza da equipa principal, sendo o quarteto defensivo constituído por João Pereira, Amoreirinha, Ricardo Rocha e Fyssas, jogando Bruno Aguiar e Everson no miolo, ladeados por Carlitos e Geovanni e, finalmente, Zahovic no apoio a Karadas. Em consequência, assistiu-se a um jogo morno, em que elementos como Everson confirmaram não ter na velocidade o seu forte e, acima de tudo, os pontas-de-lança continuam a ter problemas de finalização. Aí está Moreira Só no segundo tempo (meia hora), com Geovanni no meio e Bruno Aguiar à esquerda (Moreira defendeu a baliza dos juniores na primeira parte e dos seniores na segunda), é que surgiu a supremacia da formação favorita, primeiro com um golo de João Pereira, que correspondeu a um cruzamento do jovem médio português e, logo a seguir por Zahovic, após lance individual. Finalmente, Manuel Fernandes fixou o resultado final, um minuto depois de ter entrado em campo. Para lá dos pormenores de Carlitos, que deu muito trabalho aos seus jovens opositores, não haverá muitas ilações positivas a tirar deste jogo, mas interessa referir as dificuldades de adaptação de Karadas ao estilo de jogo da equipa. O norueguês é temível no jogo aéreo mas parece ser algo limitado com os pés, sensação que se confirma quando recua no terreno para vir buscar jogo. Na primeira meia hora, andou perdido entre os centrais, mas na segunda, quando começaram a surgir os cruzamentos, especialmente vindos de Bruno Aguiar, teve duas ou três boas oportunidades. Carlitos saiu mais cedo, mas tratou-se apenas de cansaço muscular. O jogador vem de uma longa paragem, mas foi utilizado de início em Bruxelas e ontem, acusou fadiga. Dez passos para superar a crise SOOU o alarme na Luz, depois de em poucos dias a equipa ter perdido a Supertaça e o acesso à Liga dos Campeões. Os adeptos já dão sinais de impaciência, na proporção directa da impotência mostrada pela equipa. Falar em esperanças num amanhã diferente é fácil. Percorrer o caminho estreito para que esse amanhã acorde sorridente é bem mais difícil. Todos no Benfica enfrentam um verdadeiro teste. Teste à capacidade, à coesão e, não menos importante, à vontade de todos. Autocrítica O primeiro passo para se inverter um percurso negativo é... parar. Para pensar, para ver o que correu mal, mas fazer a necessária autocrítica. Não para encontrar culpados, porque se todos remam para o mesmo lado isso será o menos importante. Autocrítica para que se detectem falhas, para que cada um, individual e colectivamente, possa perceber o que fez mal para melhorar. Sem melindres, porque uma ferida não se cura fingindo-se que não existe. Responsabilização Jogadores, treinadores e dirigentes devem assumir as responsabilidades que lhes cabem, como em todas as actividades. Com coragem. Dar a cara sempre foi melhor do que escondê-la debaixo da almofada. Sem dedos apontados e sempre de boa fé. Sem condenações sumárias. Assumir as responsabilidades é meio caminho andado para que o grupo se respeite a ele próprio, para que as coisas possam mudar no futuro. Trabalho Há que sublinhar bem o que quer o Benfica para o futuro. E como pensa lá chegar. Ou seja, clarificar. Emendar o que correu mal. E isso passa também pela questão táctica e gestão de grupo. Que papel para Ricardo Rocha? Ele quer ou não ficar? Zahovic é ou não fundamental? Um ou dois avançados? Moreira, Quim ou Yannick? Que papel para os miúdos? A equipa está ou não cansada, como admitiu Trapattoni? Falamos igualmente do aperfeiçoamento do modelo de jogo. Quanto mais afinada a máquina, mais as hipóteses de sucesso. Recuperação Lá diz o povo que o trabalho é a melhor terapia. No futebol, esse trabalho a que damos o nome de treino é não só essencial para que nos jogos tudo corra da melhor maneira como é um espaço em que treinador e jogadores podem exorcizar as suas mágoas, fazendo aquilo que, estamos certos, todos mais gostam. Quanto melhor a qualidade do trabalho, maior a confiança para os jogos. Não duvidamos que treinador, jogadores e dirigentes estão na primeira linha dos que se sentem desiludidos com a perca da Supertaça e de um lugar na Liga dos Campeões. E ao grupo depara-se-lhe uma escolha entre duas vias possíveis: sucumbir à desilusão ou recuperar animicamente. Não há fórmulas mágicas nem instantâneas. O tempo dá uma ajuda, o trabalho outra, a união de grupo fará o resto. E, já agora, uma ajudinha dos benfiquistas também vinha a calhar. Concentração Depois destas etapas, o Benfica entra na fase de executar de novo. Domingo jogará em Aveiro e pede-se ao grupo que entre em campo com cabeça limpa, com ideias bem definidas e um plano de ataque. A concentração será decisiva. A mesma que falhou em momentos importantes dos jogos com FC Porto e Anderlecht. Em alta competição, uma distracção paga-se, por norma, muito cara. Atitude Deve ter sido duro para os jogadores terem ouvido adeptos condenar a atitude que tiveram. Ou a condenação do treinador, ou as dúvidas quanto ao benfiquismo dos dirigentes. Para já, é redutor medir a atitude pelo número de quilómetros percorridos em campo. A atitude começa nos treinos e sente-se ainda antes do apito inicial do árbitro. A atitude é cultura de vitória, é uma aura que envolve todo um grupo e que os adversários cheiram mal entram no relvado. É, em campo, dizer ao adversário que terá de ser muito melhor para vencer. Objectividade Que interessa saber tudo no papel, ter atitude e, na prática, faltar objectividade? Objectividade nas escolhas, nas opções e na concretização. Inteligência, no fundo. Um exemplo: o Benfica, em três jogos oficiais, marcou apenas um golo e sofreu quatro. Na hora de rematar, objectividade é algo que falha redondamente. Consciente do que tem de fazer em campo, o grupo tem de procurar ser cada vez mais objectivo. Superação A pressão é elevadíssima sobre o Benfica. Sobre os dirigentes, pelas escolhas que fizeram e pela gestão do grupo; sobre o treinador, que não teve direito a viver um verdadeiro estado de graça; sobre os jogadores, os melhores na pré-época, agora questionados sem benefício de dúvida. Gerir essa pressão é um dos segredos da recuperação. Há necessidade de um espírito de superação. Já em Aveiro, onde mora um Beira-Mar que preparou este jogo de forma tranquila. Vitória Se o Benfica percorrer com sucesso as etapas anteriores, estará em excelentes condições para chegar à vitória. E essa é a verdadeira mola para que se inverta o ciclo vicioso, para que os problemas deixem de o ser, para que o bom ambiente em redor da equipa se restaure. Há estragos que já não têm arranjo, mas há tanto por conquistar que sobra ainda espaço para a glória. quinta-feira, agosto 26, 2004
SAD descontente A SAD do Benfica começou ontem a digerir o afastamento da equipa da Liga dos Campeões e a trabalhar em cenários alternativos. Há que encontrar outra via para o rombo financeiro, ou seja, o dinheiro que o Benfica deixou de ganhar. A pressão para a venda de Miguel aumenta. Em termos desportivos, espera-se bem mais de treinador e jogadores. Está a ser uma digestão difícil para o Benfica. Muito difícil mesmo. E se não duvidamos que os jogadores estão tristes, imagine-se como não se sentirá quem tem por missão gerir o clube e tem de governar tão exigente casa sem as preciosas verbas da Liga dos Campeões. E esta é uma linguagem restrita, já que o Benfica perdeu mais uma oportunidade para regressar aos grandes palcos da Europa, para recuperar prestígio e visibilidade entre os maiores. Na SAD reina um ambiente de grande insatisfação. Entre diversos responsáveis, a dificuldade de engolirem uma derrota como aquela que aconteceu na Bélgica. Não foi azar, não foi culpa do árbitro, não foi uma noite infeliz. Foi a falta de estofo e também de personalidade revelada pela equipa que mais entristeceram a SAD. As opções tácticas do treinador continuam a merecer margem de manobra e o respeito dos dirigentes. Existe margem de manobra. A SAD procurará fazer sentir aos jogadores, de forma tão pedagógica e eficaz quanto possível, que o que se passou em Bruxelas não é para repetir. E terá de combater esse sentimento de impotência de ter investido tantas esperanças numa nova época e ter sofrido dois rombos em menos de uma semana. É tempo de pedir responsabilidades, mas também de preservar o grupo, de salvar o que de muito bom ele tem e de esperar que a SuperLiga e a Taça UEFA tragam os sucessos agora perdidos. E o dinheiro? Para o futuro, o Benfica vai ter de fazer frente aos enormes encargos financeiros sem a confortável almofada das verbas da Liga dos Campeões. Mesmo que não fizesse uma grande campanha, seis milhões de euros seria uma verba ao alcance do Benfica. Por baixo. Por isso, a SAD vê aumentar a pressão para a venda de Miguel e os interessados sabem-no. A dúvida é legítima: conseguirá o Benfica resistir a 10 milhões de euros? Certo é que se acentua o esforço para o encontro de alternativas e se pede, cada vez mais, rigor e imaginação na gestão. Plantel joga às escondidas O primeiro dia após o desastre de Bruxelas não foi , afinal , tão agitado como se temia. Tanto mais que a chegada ao aeroporto da Portela, em Lisboa, já havia sido atribulada. No Jamor, local previamente anunciado para a sessão de trabalho de ontem, estavam algumas dezenas de adeptos, que, ainda assim, não puderam cruzar-se com jogadores e treinador em virtude de uma alteração de última hora: o treino passou para a Luz, onde a porta esteve fechada e o sossego imperou. O treino de ontem à tarde estava marcado para o Estádio Nacional, mas tal acabou por não acontecer. O relvado principal, logo ficou a saber-se, não iria ser utilizado, mas a carrinha conduzida pelos técnicos de equipamentos do Benfica, que transporta, habitualmente, material de treino, águas e outros acessórios, chegou mesmo a entrar num dos campos secundários do complexo do Jamor, deixando antever que a sessão iria desenrolar-se no local previamente anunciado. Benfiquistas «fintados» No local, andavam já Simão e Roger. Ou seja: adeptos com os nomes destes jogadores nas camisolas, além de outros, sem identificação, mas igualmente interessados em observar de perto o preparo do Benfica. Não eram mais do que algumas dezenas de pessoas e tão pouco se adivinhava qualquer acto menos razoável em relação a jogadores ou treinador. Todavia, essa é uma dúvida que acabaria por ficar sem resposta. Tão rapidamente como chegara, a carrinha do Benfica abandonou o Jamor e encaminhou-se para destino (in)certo. Um telefonema depois, ficou a saber-se que a sessão, afinal, iria ter lugar no Estádio da Luz. Faltava pouco para as 18 horas quando começou. Mais de 30 minutos depois os jogadores entravam finalmente no tapete verde, rodeado por bancadas praticamente desertas, excepção feita aos jornalistas e alguns funcionários que colocavam cadeiras na bancada PT. Era, pois, o cenário ideal para uma equipa que se despistara na noite anterior, para uma equipa que passara momentos difíceis no aeroporto, em Lisboa, face à contestação dos adeptos, e para uma equipa que temia, certamente, reacções melindrosas oriundas do exterior. José Veiga esteve no relvado Nada disso viria, porém, a verificar-se, face a uma jogada táctica de última hora. A versão oficial justificava que a mudança de local de treino ficara a dever-se ao facto de se tratar de uma sessão ligeira, que não motivaria uma viagem de autocarro. O preparo acabaria por durar hora e meia. Enquanto decorreu o treino, a normalidade imperou e nem mesmo a entrada em campo do director-geral, José Veiga, para conversar com Trapattoni, ou dialogar (já fora dele) mais de 20 minutos com Simão Sabrosa, quebrariam a monotonia. O jogo das escondidas tinha dado certo. Diferente, mesmo, só a presença de um segurança do Benfica na bancada Sagres, sempre disponível para encontrar, recuperar e devolver as bolas que Manuel Fernandes rematava para uma baliza sem rede. Nem mesmo fato o impediu de ser prestável! Almoço só para jogadores É uma ideia que ainda está a ser amadurecida, mas os jogadores do Benfica estão a pensar combinar um almoço, sem a presença de treinadores, técnicos, médicos, directores, dirigentes ou qualquer outra pessoa que não jogue futebol. Recuperar forças, levantar o ânimo e fortalecer o espírito de grupo são os objectivos para o arranque na SuperLiga. Naturalmente que os jogadores sentem que falharam em Bruxelas, frente ao Anderlecht, que faltou concentração, que existe muita ansiedade, que não pode voltar a acontecer. Que defraudaram as expectativas dos adeptos, treinadores e dirigentes. E também as que eles próprios alimentaram. Neste momento, além da tristeza, o que existe no balneário do Benfica é também muita raiva, mais ainda do que a que ficou após a derrota com o FC Porto (0-1) na Supertaça, como disse Trapattoni. Os jogadores falaram bastante durante o dia de ontem e em perspectiva está a realização de um almoço. Uma espécie de reunião vedada a qualquer outra pessoa que não pertença a esta classe no Benfica. Nem Trapattoni, nem directores, mais ninguém deverá estar presente. Nesse almoço, o objectivo é desabafar, discutir pontos de vista e reunir forças para o ataque ao jogo com o Beira-Mar, em Aveiro, marcado já para o próximo domingo. O almoço ainda não está agendado e por enquanto é apenas uma ideia, mas é um bom exemplo do sentimento de solidariedade e alguma revolta de um plantel que sente que pode fazer muito melhor... mas ainda não está a conseguir. O estigma do golo Marcar um golo. Não apareceu com o FC Porto, nem frente ao Anderlecht. Os jogadores benfiquistas já sentem falta e desesperam por festejar o melhor momento de um jogo de futebol. Trapattoni sabe isso e por isso diz que falta calma e tranquilidade na hora de atirar à baliza. Esse é um defeito a corrigir. Presença de Veiga Ontem, o homem-forte do futebol encarnado esteve no treino e falou demoradamente com Simão Sabrosa, o capitão de equipa. José Veiga nem sequer estará presente no sorteio da Taça UEFA—irá o seu braço direito Lourenço Pereira Coelho — para apoiar o plantel benfiquista. Um sinal claro de empenho dos dirigentes, que pretendem fazer ver aos jogadores que mudar a situação está... nas mãos do plantel. A impaciência dos adeptos é perfeitamente compreensível e os jogadores sabem que depende deles a reconquista da confiança dos benfiquistas. quarta-feira, agosto 25, 2004
Pode dizer-se que foi um pesadelo Luisão não escapou à onda de desilusão que se abateu sobre a equipa encarnada no final do encontro. «Olhando para o resultado, pode dizer-se que foi um pesadelo. A nossa primeira parte foi boa, mas errámos na segunda e isso saiu caro. Faltou atenção e, sem dúvida, esse foi o ponto mais importante do jogo. Toda a equipa falhou, não foram só um ou dois», disse. Os adeptos benfiquistas, no final do encontro, mostraram-se tremendamente desagradados com o comportamento dos jogadores . O internacional brasileiro concordou com a ideia de que os simpatizantes «têm direito a estar chateados com a equipa». «Não conseguimos entrar na Liga dos Campeões, que era o nosso grande objectivo, mas a UEFA também é uma boa prova. Só temos de agradecer o apoio que os nossos adeptos e os emigrantes nos deram nesta deslocação à Bélgica», acrescentou. Após a tremenda desilusão que constituiu o afastamento da Champions League, Luisão entendeu que agora só resta levantar a cabeça, até porque a SuperLiga se inicia já este fim-de-semana, com o Benfica a deslocar-se a Aveiro para defrontar o Beira-Mar. «Estamos chateados, mas o Benfica continua a ser um grande clube e esta não é a hora de baixar a cabeça. Temos de ir buscar energias para entrarmos bem no campeonato já no domingo », considerou. E salientou as qualidades que, em seu entender, a equipa de Giovanni Trapattoni continua a ter: « Sabemos que temos uma boa equipa, que já conquistámos a Taça, sabemos que temos qualidade!» A noite foi de grande desilusão na família benfiquista, mas, ainda assim, Luisão pediu aos adeptos para os compromissos que se avizinham. «Uma das maiores qualidades dos adeptos do Benfica é que estão sempre do nosso lado. Que nos cobrem, porque isso ajuda-nos a crescer», revelou, numa mensagem de esperança em dias bem mais risonhos do que o de ontem. O defesa-central foi mais longe nos elogios que teceu aos adeptos. «Esta equipa sem o apoio dos adeptos não é nada», concluiu. GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica) - Trapattoni lamenta desperdício Giovanni Trapattoni, treinador do Benfica, escolheu como momento-chave do encontro o segundo golo do Anderlecht. «Matou-nos», disse. Trap surgiu na sala de Imprensa do Estádio Constant Vanden Stock visivelmente triste com o afastamento do Benfica da Liga dos Campeões. Ainda assim, o treinador italiano começou por elogiar a atitude da equipa nos momentos iniciais do encontro, com as críticas a dirigirem-se apenas para o ataque. «Entrámos em campo como eu pretendia, com muita pressão. Tivemos duas ou três boas ocasiões para marcar, mas, à semelhança do que aconteceu com o FC Porto, não concretizámos. Aliás, também já tínhamos revelado este defeito no encontro em Lisboa. Estamos muito tristes, porque poderíamos ter feito pelo menos um golo, que seria muito importante », sublinhou. A falta de tranquilidade na hora de rematar à baliza é o principal defeito que Trapattoni aponta à sua equipa. «Falta-nos tranquilidade na zona do golo. Não temos cabeça fria para marcar e esse é um defeito que temos de corrigir. Com um pouco mais de calma teríamos conseguido um golo», lamentou. No que se refere ao descalabro benfiquista na segunda parte, o técnico italiano entendeu que os encarnados acabaram por pagar a factura do desgate. «Falámos no balneário ao intervalo e alertei os meus jogadores que tinham de entrar em campo de forma diferente do que tinham feito com o FC Porto, mas a pressão que fizemos na primeira parte, na qual o Anderlecht praticamente não teve oportunidades, além do golo, cansou-nos. Esgotámo- nos», vincou. P. ALMEIDA Excelente primeira parte, período em que funcionou como travão a todo o jogo do irrequieto e sublime Dindane, evidenciando aí poder de choque incomum mas também leitura muito apreciável de todas as situações. Nessa fase antecipou quase sempre as jogadas do adversário e foi roubando bolas atrás de bolas... até que foi substituído por imperativos tácticos, já quando o Benfica nada podia fazer para recuperar a história da eliminatória. Esforço total mas sem glória. terça-feira, agosto 24, 2004
Senhores jogadores hoje não há desculpas! O Benfica decide hoje à noite, a sua entrada na Liga dos Campeões, partindo para a segunda mão da terceira pré-eliminatória, agora no campo do Anderlecht, com uma vantagem que indicia um mar de sofrimento, mas que não deixa de assumir-se como vantagem e... preciosa. Há quinze dias, um súbito ataque de nervoso miudinho que bloqueou física e mentalmente os jogadores encarnados, impedindo-os de construirem um vitória por números mais expressivos e tranquilizadores, colocou o Benfica numa espécie de colete de forças, do qual apenas conseguirá libertar-se com muita paciência, igual quantidade de serenidade e não menos coragem e audácia. Sem mais espaço de manobra, é fácil de prever um Anderlecht sôfrego e arrasador na tentativa de cedo anular a diferença no marcador que lhe é desfavorável e depois, já como fiel da balança equilibrado e procurando retirar eventuais benefícios do ambiente que lhe é aliado, lutar por um segundo golo que lhe garantiria o sucesso na eliminatória. Em teoria será este o cenário, mas da mesma maneira que não custa admitir qualidades e soluções ao representante belga para alcançar esse objectivo também deve creditar-se ao Benfica capacidade suficiente para fazer funcionar a sua artilharia, como forma de manter favorável um saldo de golos que não sendo de ricos é, no entanto, mais valioso do que possa imaginar-se. Não contesto que o Anderlecht seja capaz de marcar dois golos, do que duvido é que o Benfica regresse a Lisboa de mãos abanar, reeditando, agora em sentido inverso, o quadro da final da Taça UEFA, em que, depois de derrotado por zeroum, na capital belga, a questão de fundo que emergiu para o jogo da Luz não residiuna falta de argumentação do encarnados para também marcarem, mas sim no facto de conseguirem evitar que os belgas, então com uma equipa fabulosa, o fizessem de novo. E foi isso que aconteceu, para mal dos pecados das gentes benfiquistas... Hoje, vamos assistir aum filme semelhante, embora rebobinado ao contrário. Comformações menos poderosas, quer um, quer outro, o Anderlecht, mesmo assim, pode muito bem apontarum ou dois golos, o problema dele é que só uma catástrofe exibicional de todo inaceitável numa situação de tão enorme significado, para os jogadores e para o próprio clube, poderá retirar ao Benfica a possibilidade de festejar as vezes que forem necessárias para carimbar o acesso àLiga dos Campeões.. Este esboço de antevisão oferece como suporte a pior das hipóteses, isto é, um desenho de derrota tangencial com o desfecho na eliminatória a ter de resolver-se à custa do suplemento dos golos obtidos fora, mas nada obriga a que tenha de ser assim. Em defesa do rigor e da coerência Pode acusar-se Luís Filipe Vieira, e a administração por ele presidida, dos erros que cada um quiser endereçar- lhe, mas pelo menos no rigor e na coerência a homenagem é-lhe devida, por ter agitado a bandeira da recredibilização da instituição e por, até agora, não se ter desviado um milímetro do objectivo traçado, resisitindo a toda e qualquer acção propagandística, porventura geradora de simpatias mas inevitavelmente desajustada à realidade financeira da sociedade, como seja o caso de investimentos apressadosem contratações onerosas só para encher de sorrisos as caras dos adeptos mais excitados ou menos esclarecidos. Em vez de promessas de maupagador, naLuz tem-se privilegiado a via do desenvolvimento consistente, comprando o que se pode e como se pode em benefício da chamada prata da casa. É este o caminho por ele escolhido, com progressos porventura mais vagarosos, mas seguros, de aí que seja tempo de os jogadores perceberem que vestir a camisola doBenfica é sinónimo de prestígio e ainda de retribuições generosas, pagas com esforço mas atempadamente, o que, nos tempos que correm, deve ser merecedor de elevada consideração. Por isso, é chegada também a altura de os praticantes reconhecerem que está na hora de corresponderem no campo e de retribuirem com resultados o sacrifício do emblema que os projecta no mundo e perceberem que o acesso à Liga dos Campeões a todos engrandece e a todos permite ampliar horizontes que ora não se vislumbram. Este Anderlecht, apesar de suscitar cuidados e preocupações, em nada é comparável a um bicho de sete cabeças. Oque estáemdiscussão, desportiva e financeiramente, não se compadece com boas intenções, nem com vitórias adiadas. Acreditamos que oBenfica vai passar, porque é melhor, mas é lá dentro, no relvado, que tudo se resolve. A palavra aos profissionais, hoje semmargem para desculpas e certamente com a plena consciência de que este jogo exige deles tãosomente o sucesso. Mistérios do mestre da táctica Se no jogo da primeira mão Giovanni Trapattoni surpreendeu tudo e todos ao revelar o onze que elegera para lançar no Estádio da Luz, desta vez o italiano prefere adensar o mistério, responder de forma lacónica quando questionado sobre as suas opções, lançar a confusão durante os treinos. A velha raposa é assim, imprevisível. «O mestre da táctica», como o caracterizava ontem Hugo Broos, o treinador do Anderlecht. Um verdadeiro perito na ilusão, diremos nós... Nova estratégia de Giovanni Trapattoni. «Quem vai jogar? Vamos ver, disse ontem aos meus jogadores que esta equipa tem 22 jogadores titulares...», afirmou ontem o italiano. Feito o ponto prévio, o que o leitor irá ler de seguida é apenas um exercício lógico de quem tem vindo a acompanhar os encarnados. Comecemos pela baliza. No jogo da primeira mão da terceira pré-eliminatória, em Lisboa, Yannick foi titular porque o seu treinador considerou que a sua experiência era muito importante. No segundo jogo oficial, em Coimbra, frente ao FC Porto foi Quim o escolhido e a sua exibição foi positiva. Uma aposta: vale a segunda escolha e o exbracarense continuará a defender as redes da águia. Na defesa voltam a existir dúvidas. Miguel e Luisão estarão certamente em campo, mas resta saber se Ricardo Rocha ocupará o lugar de Argel e se Dos santos manterá a posição na esquerda em detrimento de Fyssas. Nova suposição: jogarão o português e o francês de origem cabo-verdiana. Paulo Almeida e Petit serão certamente escolhas para o meio-campo, mas as alternativas voltam a ser muitas. O homem-golo deste Benfica, o esloveno Zahovic, pode muito bem manter a titularidade, mas a verdade é que ontem Trapattoni testou Bruno Aguiar neste sector, o que daria mais consistência defensiva à equipa. Neste caso a arte do último passe dava lugar a luta intensa pela posse de bola no miolo. Dúvida que ficará dissipadas só esta noite. Simão é peça fundamental no tridente ofensivo. Sokota, apesar de andar infeliz na hora de rematar à baliza, também deverá garantir o seu estatuto de titular, mas a verdade é que nas últimas horas surgiu uma questão importante: João Pereira permanecerá como extremo-direito ou pretende Trapattoni lançar aí uma das suas surpresas? Apesar de não ter feito ainda nenhum jogo, Carlitos é hipótese—a sua velocidade pode cair como uma luva num esquema de contra-ataque—,mas o brasileiro Geovanni também está na corrida e também aqui a experiência pode ser decisiva. Muitas questões por responder, mas aqui fica o último vaticínio: Zahovic e Geovanni estarão mesmo em campo desde a primeira hora. Temos muita raiva! O treinador italiano do Benfica respeita muito o Anderlecht, mas alerta que a sua equipa está convicta de que vai passar a eliminatória e que está na Bélgica para, pelo menos, marcar um golo. O resultado do jogo frente ao FC Porto foi injusto, na opinião de Giovanni Trapattoni, e os jogadores ainda sentem muita raiva da falta de sorte na Supertaça. Isso pode servir de incentivo para o desafio europeu de hoje à noite. — O Benfica está preparado para este jogo? — Já tínhamos avisado que este confronto com o Anderlecht é um jogo de 180 minutos. Já jogámos a primeira parte e estamos a ganhar por 1-0, mas não vencemos. Não devemos pensar isso. Tenho muita confiança nesta equipa. Perdemos o jogo da Supertaça, frente ao FC Porto, mas jogámos bem e tivemos muitas oportunidades para marcar. Foi um resultado injusto e merecíamos pelo menos o empate. Mas serviu para perceber que a equipa está a subir. — Vai fazer alterações? Joga Manuel Fernandes ou Zahovic? — Disse aos jogadores, e é assim que gosto de pensar, que tenho 22 jogadores titulares. Nuno Gomes está lesionado, Mantorras também, mas todos são titulares. A bola no relvado é só uma e só pode estar do lado do Anderlecht, ou do Benfica. Vamos fazer tudo para que esteja do nosso lado. Com o FC Porto conseguimos ter a bola durante mais ou menos 60 minutos. Temos jogadores de muita qualidade e temos capacidade para jogar bem. O problema muitas vezes está só na mentalidade, pois parece temos de saber defender bem e contra o FC Porto acabámos por sofrer um golo de contra-ataque. Mas na Bélgica acredito que vamos conseguir marcar. Com o FC Porto tivemos três boas oportunidades... — Quem vai jogar? Quim ou Yannick? — Temos três guarda-redes muito bons, guerreiros. Disse que iria dar oportunidade a todos eles. Moreira não está cá, mas Quim sim e Yannick também. Um deles vai jogar, não vou dizer qual. Tristes mas com vontade de vencer — Como sente o ambiente no balneário? — Desde o último adepto até ao presidente que toda a gente no Benfica acredita e quer a vitória e a entrada na Liga dos Campeões. É onde estão as melhores equipas, embora a Taça UEFA também seja muito forte. Mas queremos entrar na Liga e o Anderlecht também. Respeitamos isso, mas o Benfica é um clube que apenas pode pensar em ganhar e eu, como treinador, também. No balneário ainda estamos um pouco tristes com a derrota com o FC Porto, pois sentimos que poderíamos ter conseguido outro resultado. Ainda temos muita raiva porque a sorte não esteve do nosso lado. Disse aos jogadores que umas vezes perdemos e outras ganhamos, mas o que é importante é estarmos convictos de que estamos a jogar bem e que poderemos jogar os próximos 90 minutos com a mesma atitude. — Que adversário considera mais difícil, o FC Porto ou o Anderlecht? — São diferentes, mas ambos muito bons. O Porto tem um estilo mais latino e o Anderlecht mais nórdico, embora tenha jogadores de grande qualidade técnica. Nuno Gomes de longe Nuno Gomes não é opção para Giovanni Trapatonni, mas acabou por acompanhar os seus companheiros nesta deslocação à Bélgica. O avançado, que continua a evoluir de lesão, fez o trabalho de recuperação no relvado e depois de terminar seguiu com muita atenção as movimentações dos seus companheiros. Num jogo em que é preciso marcar, os conselhos do internacional português aos atacantes certamente que serão bem vindos. Seria uma pedra preciosa para uma equipa que precisa de marcar em Bruxelas para garantir um lugar na milionária Liga dos campeões. O destino assim não quis e Nuno Gomes será forçado a ver da bancada um dos mais importantes jogos da época. E verá o jogo da bancada porque a equipa técnica não prescindiu da sua presença para dar ânimo aos seus companheiros ao mesmo tempo que se fortalece o espírito de grupo. A verdade é que o facto de ter estado no Euro-2004 faz com que Nuno Gomes seja sobejamente reconhecido além fronteiras e esse é um capital que os encarnados não quiseram perder. Aliás, foi curioso ver, ainda no aeroporto de Bruxelas um repórter da televisão belga a filmar toda a comitiva e a perguntar a quem passava onde estava Nuno Gomes. Quando apareceu, a câmara voltou-se de imediato para o avançado, foram recolhidas muitas imagens e algumas das pessoas que passavam abeiravam-se dele para lhe pedirem um precioso autógrafo. Se no caso de alguns o francês não enganava — com aquela pronúncia só podiam mesmo ser belgas —, houve também quem falasse na língua de Camões, tirasse uma fotografia de Nuno Gomes e guardasse a assinatura do craque como se de uma verdadeira relíquia se tratasse. O jogador sorria à medida que todos lhe desejavam boa sorte e um rápido regresso aos relvados. As saudades do avançado já apertam. O apetite aguça-se a cada dia que falta. É uma das baixas mais importantes da esquadra do treinador italiano Giovanni Trapattoni, outro dos que foi bastante acarinhado na chegada à capital belga. Poucos minutos depois chegavam ao hotel os jogadores. Tempo para recolher aos quartos para um breve repouso. Seguiu-se a partida para o Estádio Constant Vanden Stock e foi nesse momento que se percebeu que Nuno Gomes não vinha somente a passeio. Correu bastante ao lado do enfermeiro Rodolfo Moura — sempre atento a cada exercício, sempre activo na orientação do trabalho—e quando o seu sacrifício acabou foi vê-lo no banco a divertir-se com as incidências do jogo-treino que os seus companheiros realizaram. Entre o sorriso notou-se um olhar distante. Ninguém duvida que as saudades de Nuno Gomes já apertam... segunda-feira, agosto 23, 2004
CARLITOS – que grande fim-de-semana! QUE treinaço! Ainda na última sexta-feira integrava o lote de jogadores que trabalhavam com limitações e já ontem deixava Giovanni Trapattoni com água na boca, depois de uma sessão de trabalho verdadeiramente espectacular. Bastaram dois treinos para convencer Trap a colocá-lo pela primeira vez numa lista de convocados para um jogo oficial do Benfica. Foi, por isso, um fim-de-semana em grande. Confirmada também a inclusão de Geovanni na comitiva que hoje segue para Bruxelas. Se o treinador italiano do Benfica, Giovanni Trapattoni, chamara 19 jogadores para a partida da Supertaça, frente ao FC Porto, agora não fez a coisa por menos e acrescentou mais dois, o que diz bem da importância do encontro com o Anderlecht, que vai determinar se o futuro dos encarnados passará pela fase de grupos da Liga dos Campeões. As novidades dão pelos nomes de Carlitos e Geovanni, dois jogadores que costumam ocupar posições muito semelhantes no terreno, nomeadamente nos flancos de ataque da equipa. O brasileiro até era esperado, uma vez que completara há já algum tempo a fase final de recuperação, mas quanto ao jovem português a história é bem diferente. Afinal, ainda na última sexta-feira Carlitos pertencia ao leque de atletas que trabalhavam com limitações e já hoje, ao fim de apenas dois treinos sem condicionalismos, justificou um lugar entre os convocados para a partida de Bruxelas. Surpresa? Muita, mas apenas para quem não viu a sessão de trabalho de ontem, durante a qual Giovanni Trapattoni deve ter ficado com água na boca. Por conseguinte, não tirou os olhos do jogador, que marcou, deu a marcar, correu, driblou... enfim, fez tudo o que não se esperava de quem esteve parado algum tempo.No final da sessão, o técnico até chamou o atleta para junto de si, passando-lhe o braço pelos ombros e trocando dois dedos de conversa. Foi mesmo um fim-de-semana em grande, não Carlitos? Do 8 ao 80 SÃO oito os jogadores que parecem ter, nesta fase, lugar cativo na equipa. Miguel, Luisão e Dos Santos na defesa, Paulo Almeida, Petit e Zahovic no meio campo, Simão e Sokota no ataque. Quanto ao resto, pode dizer-se que está...à venda. E compra quem tiver melhores argumentos. Giovanni Trapattoni ainda há dias tinha défice de opções, mas agora pode queixar-se do inverso. As inclusões de Carlitos e Geovanni na lista de convocados para o jogo com o Anderlecht são boas notícias para o treinador italiano e deixam bem patente que a luta vai aumentar. Se o onze que actuou frente ao FC Porto, na partida da Supertaça, tinha apenas duas novidades em relação àquele que Trapattoni mais utilizou, nomeadamente as inclusões de Quim, na baliza, e Luisão, na defesa, a verdade é que para Bruxelas se esperam outras surpresas. O guarda-redes de serviço, pela lógica, deve ser Yannick, uma vez que foi o mais regular na pré-temporada e fez uma boa exibição na Luz, ante a turma belga. Parece ter saído da equipa ao abrigo, somente, do sistema de rotatividade normalmente imposto quando existem guardiões da mesma igualha. Não parece existir outra explicação. Na defesa, Miguel, Luisão e Dos Santos terão, salvo qualquer percalço, lugar cativo. À frente deles, poucas — ou nenhumas — dúvidas. Paulo Almeida, Petit e Zahovic têm sido os indiscutíveis. No ataque, Sokota continua a ser o mais que provável ponta-de-lança, já Simão nem necessita de referências... É, pois, na baliza, no centro da defesa e no lado direito do ataque que residem as dúvidas. Yannick concorre com Quim, Argel disputa uma vaga com Ricardo Rocha, que saiu da equipa para dar lugar a Luisão, mas sem que lhe possam ser apontadas quaisquer falhas. Face à menos conseguida exibição do brasileiro diante do FC Porto, talvez recolha favoritismo. Finalmente, o ataque. João Pereira, Geovanni e Carlitos. Este último fez um grande treino ontem de manhã e até pode ser titular. Mas pode, também, ficar de fora dos 18, tanto mais que Trapattoni chamou 21. Três deles terão de ir para a bancada. Na sexta- feira aconteceu a Manuel Fernandes, que até fez ontem um grande treino. Desempatem, senhores! O Benfica está pela terceira vez numa pré-eliminatória de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões. O que se pede agora à equipa portuguesa é que desempate. Sim, que desempate a seu favor, já que na primeira vez que tal aconteceu eliminou os israelitas do Beitar de Jerusalém facilmente, mas na outra foi afastado pelos italianos da Lazio. Volte-se, pois, à primeira fórmula... Esta é a terceira vez que os encarnados participam numa pré-eliminatória da ChampionsA época passada começou com um momento de dor. No caminho para a Liga dos Campeões calhou em sorte ao Benfica a poderosa Lazio. Desilusão, a esperança deu lugar à amargura. 1-3 em Roma e 0-1 no Estádio do Bessa, casa emprestada do Benfica. Eliminados... à porta da corrida aos milhões. Era grande a esperança do Benfica de José Antonio Camacho. Difícil, dizia o espanhol. Não há impossíveis, esta Lazio não é um papão, pensavam os adeptos. Enganaram-se os mais optimistas. Benfica afastado, não se podia esperar mais que uma caminhada digna na Taça UEFA, onde a equipa portuguesa acabaria novamente por ser afastada por uma formação italiana: o Inter, nos oitavos de final. Se no passado Itália significou fracasso, hoje é — o futebol tem destas curiosidades— nas mãos de um italiano que está a chave para o sucesso. Giovanni Trapattoni, é homem com vício de ganhar e esse pode ser um factor determinante para o Benfica. A sua fama percorre o Mundo, não espantando que Hugo Broos tenha dito que com a velha raposa se sofrer um golo será o fim... Recordar Israel Para vermos novamente o Benfica a ter de disputar uma pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões temos de recuar ao ano de 1998. Plenomês de Agosto, os encarnados recebem o Beitar de Jerusalém e vencem folgadamente por 6-0. Ponto final na eliminatória. A viagem à capital de Israel seria quase turística. Só não era preciso que os jogadores levassem tão à risca o conceito de turismo. «Falta de profissionalismo», dizia Graeme Souness no final do encontro em que o Beitar surpreendeu com uma vitória por 4-2. Mas o mais importante estava conseguido. Seguiu em frente a equipa portuguesa rumo à fase de grupos, algo que os encarnados querem repetir nesta viagem a Bruxelas. A vantagem é de apenas um golo, mas há que saber sofrer. É que o Anderlecht é uma formação com importante historial europeu. Do Ninho da Águia...10/08/2004
Mais duas semanas de preparação no nosso futebol passaram com o Anderlecht e a consequente passagem à Champions League na mira. Foram duas semanas de relativa acalmia, tirando os dois jogos de preparação em que as coisas correram não tão bem como até aqui. Não é alarmante mas há situações que me preocupam. Vejamos: - Mantorras Mais um revés na incrível carreira do Pedro. Mais uma operação. Exige-se respostas: quem mandou o Pedro voltar a jogar? Que condições tinha ele? Qual era a percentagem de probabilidade dele se magoar novamente? Os médicos e especialistas não analisaram isto? Se analisaram, fizeram-no cuidadosamente? Este Sr. de Barcelona saberá realmente o que anda a fazer? De uma vez por todas, sejamos responsáveis e faça-se as coisas sem pressa. Só o Pedro e o Benfica perdem com estes anseios de relançar o rapaz às feras. Tenhamos calma. Trabalhemos com mais atenção! - Equipa Depois de uns belos ensaios não se percebe como aconteceu o que aconteceu em Braga e muito menos em Ayamonte. Se o jogo contra o Bétis foi o descalabro total em termos defensivos porque se cometeram 3 erros imperdoáveis no centro da defesa, o jogo de apresentação da equipa de Braga foi um total equívoco no meio-campo. Estranhos jogos de preparação em que ainda não entendi se o que falta é pernas aos internacionais, se é ainda o entrosamento destes com os que iniciaram o estágio logo no início ou se será mesmo uma inadaptação às ideias preconizadas pelo nosso técnico e, se fôr esta última a correcta é alarmante. O que eu vi no jogo com o Bétis foi uma defesa que parece que não existiu. Desde o nosso Fyssas que não se entende com o Joaquim, passando pelo Argel - uma nulidade -, até o Amoreirinha desiludiu e o Miguel esteve irreconhecível - ainda assim o menos mau. Foram 3 erros clamorosos na zona mais proibida do terreno, erros infantis a fazer lembrar qualquer coisa muito repetida nos último anos... O jogo de Braga mostrou uma total incompatibilidade entre TODOS no meio-campo. Petit não se deu com Paulo Almeida (é este o verdadeiro Paulo Almeida?), Zahovic que não tem estado mal foi completamente tapado por investidas ao centro do Bruno Aguiar (confirma-se que é bom de bola e atrevido - excelente remate ao início do jogo) e do Simão. Houve ali qualquer coisa que não funcionou na táctica preparada para o jogo por Trap. De positivo ficou a estreia de Karadas que em 35 minutos participou em duas mãos cheias de boas jogadas, uma delas com um remate de cabeça consequência de um salto de peixe bem junto à relva bem defendido pelo keeper bracarense e culminou a exibição assistindo de cabeça um Amoreirinha muito bem posicionado para restabelecer uma igualdade que limpou um pouco a imagem pálida que deixámos no belo Municipal de Braga. - Lesões Teremos a repetição da época passada? Ainda agora iniciou a época e já temos "n" jogadores parados! Geovanni, João Pereira, Nuno Gomes, Alcides, Luisão, Mantorras. Como é. O que se passa com os nossos jogadores? São mais fracos que os outros? Estão menos preparados? O que se passa? -Pontas-de-lança Não vou levantar a eterna questão que se põe sempre que é q de se usar apenas um ou dois homens lá na frente. Não quero ir tão longe, ou seja, se o treinador entende que é assim que se deve jogar, é assim que se deve jogar. Se não é assim, compre-se outro treinador. De qualquer forma, acho que nunca seria demais se se testasse esta solução. Para um dia de aperto, para um dia em que as coisas estejam a correr menos bem e que entremos a perder o jogo. Para dar a volta penso que se devem usar mais homens lá à frente, mas isso vai fazer-se se não foi convenientemente testado? Ou melhor...testado foi, mas com Karadas e Mantorras por 20 minutos. Parece-me insuficiente. Continuo a acreditar neste treinador e nesta equipa, afinal nunca me atemorizei com resultados de pré-épocas, mas gostava de ter deixado melhor imagem nestes dois últimos jogos, gostamos sempre de vencer. Importo-me pouco de perder agora se isso depois não acontecer. Agora, mudando um pouco de assunto, resta-me falar na - até há 4 dias - grande revelação do futebol italiano, o melhor treinador que Itália viu nascer nos últimos anos para as pessoas de um certo clubezeco, passou disto a maior porcaria da história. É de rir a forma como os sócios e simpatizantes do Futebol Clube do Costa lidaram com a situação, até porque bateram o record de velocidade em tornar um treinador de bestial a besta, foi só o guia espiritual abrir a boca, nem foi preciso jogar. Lindo. Só pessoas da qualidade do Sr. Jorge Nuno, e só os sócios daquele clubezeco para uma destas. Imperdível. (O Epílogo desta história, então é de morrer a rir... À Experiência Sr. Jorge Nuno?!?!? Lindo!) Em festa anda o clube do Campo Grande. Já ganharam um troféu, em Inglaterra, onde Ricardo foi muito acarinhado... Andam todos eufóricos e já se esqueceram da pré-época angustiante e vergonhosa que passaram. São assim, os meninos. Do Campo Grande. Saudações Benfiquistas. sexta-feira, agosto 20, 2004
Quatro mil no treino Quatro mil benfiquistas assistiram ontem ao treino do Benfica em Cantanhede, o último ensaio antes do jogo de hoje com o FC Porto. Até a GNR teve de impor alguma ordem. Felizmente, o comportamento dos benfiquistas foi cívico e caloroso. No final, os jogadores foram engolidos pela multidão . Impressionante. O aperitivo foi servido à chegada ao hotel, em Cantanhede, onde a equipa se encontra a estagiar. Cerca de cem adeptos deram as boas vindas aos jogadores, ao final da manhã. Por volta das 17 horas, já mais de duas centenas se acotovelavam à entrada da unidade hoteleira para verem a saída dos jogadores para o autocarro. Foi mesmo necessária a intervenção de quatro agentes da GNR e dos dois assessores de segurança do Benfica, além da colocação de uma pequena barreira, para desobstruir a entrada do hotel e a passagem dos jogadores para o autocarro. Aloucura estava guardada para o Parque Expo-Desportivo de S. Mateus, em cujo relvado o Benfica se treinou. Quatro mil pessoas assistiram ao treino, número fornecido por responsáveis do complexo, mais habituados a estes cálculos. Muitos deles, percebia-se, eram emigrantes, que tinham uma oportunidade única de estar perto dos jogadores. Jogadores engolidos Foi difícil a tarefa das autoridades para impedir que as pessoas praticamente entrassem no relvado. Houve palmas, cânticos e incentivos. No final, impossível impedir que os jogadores fossem engolidos pela multidão, em especial os mais jovens, em busca de um autógrafo, de uma fotografia. Alguns jogadores tiveram de ser alvo de operações de salvamento pelos assessores de segurança do Benfica, com Shéu a dar uma ajuda, conseguindo furar entre a multidão. Isto porque havia horários a cumprir. Caso contrário, passe o exagero, ainda hoje lá estariam a dar autógrafos. Por pouco não assistimos a um desmaio de uma adolescente benfiquista, depois de mil gritos agudos e de outros tantos suspiros por ter conseguido um autógrafo de João Pereira. A confusão estendeu-se para a zona de saída do campo. Naquelas artérias parecíamos estar numa grande cidade, à hora de ponta. Impressionante. Sabem bem quem nós somos Trapattoni delegou em Álvaro Magalhães a antevisão da SuperTaça. E o adjunto não reconhece favoritismo ao FC Porto e garante que o Benfica está preparado para dar espectáculo logo à noite... nem que fosse num pantanal. «Adiar o jogo? Ora essa, estamos aqui para dar espectáculo...»Apesar da importância do jogo, Giovanni Trapattoni delegou no adjunto, Álvaro Magalhães, a responsabilidade de transmitir aos adeptos as expectativas da sua equipa, na disputa do primeiro troféu oficial da época. Com grande convicção e até algum sentido de humor, nomeadamente ao abordar a questão das bolas diferentes que vão ser utilizadas durante o jogo, Álvaro Magalhães preferiu não imitar o desassombro do seu chefe de equipa, que anunciou, na véspera, o onze a ser utilizado frente ao Anderlecht, explicando, em seguida, as razões: «Só amanhã (hoje) anunciaremos a equipa que vai alinhar. Primeiro, anunciá-lo-emos aos jogadores duas horas antes.» Álvaro Magalhães negou, no entanto, que esta inversão da estratégia tivesse a ver com dúvidas que Trapattoni possa ter em relação à equipa em que tenciona apostar. «Dúvidas, há sempre, mas o importante é que trabalhámos bem durante a semana e sabemos o que temos a fazer para ganhar o jogo. Os jogadores sentem-se bem e estão preparados para defrontar a melhor equipa europeia da época passada. Vai ser um grande jogo de futebol», frisou. «Quem estiver melhor ganha» Confrontado com as palavras do técnico do FC Porto, Victor Fernandez, que assumiu o favoritismo da sua equipa, o adjunto de Trapattoni discordou dessa opinião. «Temos de respeitar a opinião do treinador do FC Porto, mas eles sabem quem é o Benfica. Nestes grandes jogos não há favoritos, quem estiver melhor ganha. Respeitamos os jogadores do Porto, assim como eles nos respeitam a nós», corrigiu. Álvaro Magalhães minimizou o facto de o adversário ter vários jogadores indisponíveis para o encontro de logo à noite. «Tanto o Benfica como o Porto vão entrar em campo com onze jogadores. Estaríamos a ser enganados se uma equipa que é campeã europeia dissesse que só tem onze jogadores. Costinha, Carlos Alberto, Diego, Hélder Postiga, todos são grandes jogadores e opções não faltam ao treinador deles. Vão entrar onze e ficam outros no banco», observou. A nota de humor chegou quando Álvaro Magalhães foi confrontado com a hipótese de o jogo não se realizar, devido ao mau estado do Municipal de Coimbra: «Adiar o jogo? Ora essa, estamos aqui para jogar e dar espectáculo. O Municipal de Coimbra é um excelente estádio, há relvados melhores e piores, estamos preparados para jogar, seja num pantanal, terreno encharcado, ou lá o que for. Amanhã (hoje), lá estaremos!» Incompetência total... José Veiga, homem forte do futebol benfiquista, não poupou ontem Gilberto Madail, presidente da Federação, por ter admitido adiar o jogo da SuperTaça se uma das equipas considerasse que o (mau) estado do relvado colocaria em causa a integridade dos jogadores. «Brincadeira de mau gosto», frisou. «Incompetência», juntou. O Benfica nem admite que o jogo não se realize. Por respeito aos clubes, ao público, ao futebol. E se o estado do relvado estiver assim tão mau, pedirá responsabilidades a quem tinha por missão averiguar do seu estado. «Provavelmente terão de rolar cabeças...», concluiu. José Veiga não poupou Madail por causa da alegada possibilidade de adiar jogoIndignado. Foi assim que se revelou José Veiga, ao final da tarde de ontem, quando chegou a Cantanhede para se juntar à equipa, que ali se encontra em estágio para o jogo com o FC Porto. — Como reage às declarações de Gilberto Madail, presidente da FPF, que admitiu o adiamento do jogo em função do estado do relvado do Estádio Cidade de Coimbra? — Em primeiro lugar, o Benfica não tem conhecimento oficial de nada. Limitei-me a ouvir essas declarações na rádio e acho que temos de levar essas declarações como brincadeira de mau gosto. Falta um dia para um jogo tão importante como uma final da SuperTaça. As pessoas deveriam ter muito mais respeito pelos adeptos das duas equipas. Acho que isto é um acto de incompetência total. Estamos no terceiro mundo, com certeza. Temos de ter em conta que há milhares de emigrantes que compraram bilhetes e que não vão cá estar noutra data, pelo que o Benfica vai jogar de qualquer forma. — O Benfica estará no relvado à hora marcada, correcto? — Correcto. O Benfica vai apresentar-se, seja qual for o estado em que se encontre o relvado. Agora, vai é ter de haver o apuramento de responsáveis. Vai ter de haver quem responda por não ter havido preocupação para a verificação do estado em que se encontra o relvado. — Que tipo de consequências espera? — Provavelmente terão de rolar cabeças. — Foi a Federação quem escolheu o estádio, caberia a ela fazer a verificação do relvado. É isso que pensa? — Tudo o que se está a passar é fruto de uma incompetência total. Já começa a haver escândalos a mais. Depois do que se passou nos Jogos Olímpicos, agora isto. Só posso garantir que, seja lá de que maneira for, haverá jogo. — Admite que possa haver por parte do FC Porto pressão para que o jogo não se dispute? — Nem quero acreditar nisso. Agora, se o relvado está em péssimas condições alguém tem de ser responsável. Não é na véspera de um jogo tão importante que o presidente da Federação levanta uma questão destas. Deveria estar calado. Não brinquemos mais com coisas sérias, não estamos no 1.º de Abril. O presidente da Federação deve ser responsável por aquilo que diz. Luisão contraria Trapattoni Zahovic e Karadas sofreram pequenas mazelas no último treino, mas estão aptos. Em relação ao onze, as dúvidas estão localizadas na baliza e no eixo da defesa... Trap tem testado Argel e Ricardo Rocha, mas Luisão tem uma palavra a dizer... Equipa de Trapattoni efectuou ontem treino de adaptação... às duas bolas com que hoje disputará a SupertaçaÉ provável que Trapattoni já tenha escolhido os jogadores que vão iniciar o jogo hoje, em Coimbra, mas para o exterior transparecem pequenas dúvidas, que só ficarão dissipadas à hora do jogo. Umadelas diz respeito à utilização de Luisão, que no treino de conjunto realizado anteontem, alinhou ao lado dos elementos que menos probabilidades têm de alinhar de início. No entanto, o internacional brasileiro tem aproveitado todas as oportunidades para de monstrar que atravessa grande momento de forma e emerge, claramente como figura incontornável no sector defensivo. Ontem, observado por quatro mil adeptos, Luisão voltou a dar mostras de grande tranquilidade, posicionamento e jogo aéreo irrepreensíveis, que levam muita gente a considerar que dificilmente ficará de fora. No treino realizado em Cantanhede, voltou a alinhar ao lado de Argel, algo que vem sucedendo com alguma frequência, mas certezas, de momento, não há. Outra questão que só será esclarecida à hora do jogo refere-se ao guarda-redes a quem Trapattoni irá confiar a titularidade. Se Yannick jogar hoje e voltar a contar com a confiança do técnico italiano em Bruxelas, Quim terá perdido, irremediavelmente, a corrida, sujeitando-se ainda a uma luta cerrada com Moreira, regressado dos Jogos Olímpicos. Mas o internacional português pode também ser o eleito hoje, e ficar no banco na próxima terça-feira. Em menor escala, levantam-se também algumas interrogações sobre o dono do lado esquerda da defesa. Fyssas só se juntou aos companheiros ontem, a seguir ao almoço, mas treinou-se com entusiasmo. Dos Santos continua a ser o favorito, para alinhar de início, mas o grego está longe de ser uma carta fora do baralho. De resto, a equipa não andará longe daquela que defrontou o Anderlecht. Zahovic foi assistido, no decorrer do treino, mas regressou após ter-lhe sido ligado o tornozelo esquerdo e continuou a trabalhar sem problemas. Também o norueguês Karadas esteve à conversa com Rodolfo Moura no final da sessão, tendo-lhe sido recomendado gelo, mas ao que tudo indica, tratou-se de uma pequena mazela, que não o impede de alinhar se Giovanni Trapattoni assim o entender. quinta-feira, agosto 19, 2004
Trapattoni não mexe na equipa Trapattoni ensaiou, ontem, à porta fechada, a estratégia para a final da Supertaça. Não serão muitas as mexidas, mas Luisão pode ficar no banco, enquanto João Pereira manterá a titularidade... Treinador italiano deve manter a mesma estrutura utilizada no desafio com os belgasTrapattoni optou, novamente, por afinar a estratégia para o jogo com o FC Porto longe de olhares curiosos, repetindo uma estratégia que já tinha seguido em vésperas do encontro com o Anderlecht. A sessão arrancou por volta das 18 horas, começando os jogadores por trabalhar sob as ordens do preparador físico, Fausto Rossi e só depois começou o trabalho com bola. A julgar pelas ideias de Trap, a equipa não deverá andar longe daquela que defrontou o Anderlecht, apesar de Luisão já se encontrar em perfeitas condições físicas. Embora só haja confirmação em cima da hora, o treinador parece inclinado a apostar na dupla Argel/ Ricardo Rocha, talvez por estarem melhor sintonizados nesta altura, por terem feito a pré-época, ao contrário do brasileiro, que se encontrava ao serviço da selecção brasileira. Por outro lado, defrontar o campeão europeu exige muito mais que jogar com o Estoril, e é possível que o técnico queira poupá-lo, de momento, a um jogo aéreo muito mais intenso. Seja como for, Luisão está convocado e reúne todas as condições para alinhar de início, amanhã à noite, em Coimbra. Amoreirinha apto Ontem, o brasileiro alinhou quase sempre ao lado de Amoreirinha, que se encontrava parado vai para uma semana, mas já superou o traumatismo na face externa do joelho esquerdo e viu o nome ser incluído na lista dos convocados para a SuperTaça. No sector intermediário, Petit e Paulo Almeida estão de pedra e cal, e João Pereira tem garantida a inclusão no onze, até porque Geovanni não está convocado, apesar de ter participado sem limitações no treino. No que se refere à estratégia, em nada deverá diferir do 4x2x3x1 em que o treinador tem vindo a apostar, pelo que Zahovic terá a responsabilidade de assistir Sokota, o homem mais adiantado da equipa. Significa que ainda não é desta que Karadas será titular, em jogos oficiais. Outra posição em que se regista forte concorrência é a ala esquerda defesa, mas face à ausência de Fyssas, ao serviço da selecção, restam poucas dúvidas de que Dos Santos manterá a titularidade. Questão fulcral continua a ser a baliza, onde Quim e Yannick disputam, palmo a palmo, a liderança entre as redes. Desta feita, Quim parece reunir uma pequena vantagem, logo se verá. Para a deslocação a Coimbra, Trapattoni chamou 19 jogadores: Luisão, Argel, Paulo Almeida, Petit, Bruno Aguiar, Zahovic, Quim, Fyssas, Dos Santos, Everson, Simão, Karadas, Miguel, Yannick, Sokota, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes, João Pereira e Amoreirinha. Temos de estar numa grande noite Luisão já se sente preparado para ser titular num grande jogo como o da SuperTaça, com o FC Porto. Desconfia das alegadas dificuldades que o adversário está a atravessar e, numa partida em que considera ser impossível apontar um favorito, avança com a receita para vencer os dragões: «Temos de estar numa grande noite». Seguro que «o Benfica é grande o bastante» para derrotar tão poderoso adversário. «Apesar do respeito pelo FCPorto, o Benfica é grande o bastante para vencer»- Já se sente fisicamente em condições para disputar um jogo tão exigente como o de sexta-feira, com o FC Porto? - Já me sinto bem. Depois da lesão, só fiquei alguns dias no Brasil e voltei logo para me treinar. A minha forma não será ainda a ideal, mas está perto. Depois de algum trabalho, era só uma questão de confiança. E já me sinto confiante para colocar a cabeça na bola e disputar qualquer tipo de lance. - Está pois preparado para ser titular... - Desde que cheguei estou disponível. Temos um grande treinador, ele sabe o que é bom para a equipa. Quero ajudar os companheiros e estou à disposição, independentemente de jogar ou não. FC Porto debilitado? Nem pensar! - Esta pré-temporada tem sido atípica para o FC Porto, com diversos problemas. Isso torna o Benfica favorito? - Tratando-se de um Benfica-FC Porto não tem como apontar um favorito. O FC Porto pode estar a atravessar um período de dificuldades, mas não deixa de ser grande, tal como o Benfica. As duas equipas prepararam-se para estarem muito fortes no jogo. - O FC Porto não vai poder jogar, por exemplo, com Derlei. Menos uma dor de cabeça para o Benfica? - O Derlei é um grande jogador, é ídolo em Portugal, só que na ausência dele entra outro de grande qualidade, com vontade de mostrar que tem lugar na equipa. Logo, a atenção do Benfica tem de ser redobrada. - O que precisa o Benfica fazer para vencer o FC Porto? - Temos de estar numa grande noite. Fazer o que Trapattoni pedir e ter cuidado. Apesar do respeito que temos pelo FC Porto, o Benfica é grande o bastante para vencer o jogo. - Que conclusões tiraram do que viram dos vídeos do FC Porto? - Isso fica connosco. Num jogo como este, qualquer detalhe que nos escape poderá ter um elevado custo. Há muitos detalhes em jogo. Temos de ter cuidado com alguns e aproveitar outros. - Viu o polémico Boavista-FC Porto? - Só alguns lances. - Teme que o Benfica-FC Porto possa assumir contornos idênticos? - Acredito que não. Apesar da rivalidade entre os dois clubes, ambas as equipas têm grandes jogadores, de nível mundial. Acredito que será um jogo muito disputado, mas sempre com grande lealdade. Como aconteceu na final da Taça de Portugal. Balneário está unido - O Benfica disputará em poucos dias dois dos jogos que podem marcar uma época, com o FC Porto e Anderlecht. Como está o balneário a gerir estes momentos decisivos? - Estamos muito unidos. Sentimos ainda que os adeptos estão do nosso lado. Quando uma equipa com a grandeza do Benfica se encontra unida deste jeito tem tudo para vencer a SuperTaça e passar à fase de grupos de Liga dos Campeões. - O Benfica está mais forte do que a época passada? - O Benfica reforçou-se bastante. Mas é difícil no início de uma temporada avaliar o impacto dos novos jogadores. Chegaram grandes profissionais, com qualidade. Não só jogadores, mas também treinadores e staff técnico. Espero que o Benfica desta época seja melhor do que o da última temporada, onde conquistámos a Taça de Portugal. A expectativa maior é ser campeão. Lutaremos bastante. Nuno já se treina com bola Nuno Gomes já trabalha com bola há uma semana e perspectiva-se o seu regresso aos treinos dentro de alguns dias. Boa notícia para Giovanni Trapattoni e os adeptos, que ainda não viram esta época um dos seus ídolos... Não deixará de ser uma boa notícia para os adeptos. Nuno Gomes já se treina com bola, sinal de que o regresso à equipa está perto de acontecer. Aliás, há uma semana que o avançado encarnado tem vindo a fazer este tipo de exercícios, sempre longe de olhares curiosos, e quase sempre com o apoio do enfermeiro Rodolfo Moura. Por enquanto, Nuno Gomes limita-se a dar toques, dominar e passar, mas a sua reintegração nos treinos orientados por Giovanni Trapattoni deverá acontecer dentro de dias, muito provavelmente antes do jogo com o Anderlecht. Mesmo que isso venha a acontecer, Nuno Gomes não deverá ser opção para o jogo com os belgas, mas a sua presença não deixará de constituir boa notícia para o treinador, que passa a ter mais uma opção, de vulto, para o ataque. Com Nuno Gomes recuperado, as atenções concentram-se agora em Carlitos e Alcides, sem esquecer Mantorras, que voltou a ser operado, quando se esperava que voltasse a deliciar os adeptos com os seus dribles e golos. Carlitos protagonizou um caso estranho, ao lesionar-se sozinho. Um toque de calcanhar mal medido levou-o a golpear o próprio joelho e desde então, está em tratamentos. Para já, não há informações sobre a data em que poderá voltar a trabalhar normalmente, mas Trapattoni considera-o um elemento importante e conta com ele, para uma posição onde João Pereira não tem tido concorrência, uma vez que Geovanni se lesionou, igualmente, num dos jogos disputados na pré-época e só recentemente iniciou treino livre. Por outro lado, o brasileiro já fez saber que é no meio que se sente mais à vontade, desejo que vai ao encontro da opinião de Trap, que também gosta mais de vê-lo no papel de playmaker, como se viu na pré-época. quarta-feira, agosto 18, 2004
Ninguém sai! Já depois de A BOLA ter falado com José Veiga a propósito da noticiada proposta da Juventus por Miguel, foi a vez de Luís Filipe Vieira defender a estabilidade do clube, no Algarve, onde assistiu ao jogo da equipa B com o Imortal de Albufeira. O presidente encarnado garante que o Benfica tem o melhor grupo de trabalho dos últimos anos e que as portas estão fechadas a mais saídas. Aponta ainda o dedo aos abutres, que acusa de tentarem desestabilizar o plantel com puro oportunismo. «Não vão conseguir!», avisa. Luís Filipe Vieira na festa do Imortal de Albufeira, ao lado do secretário de Estado do Desporto, Hermínio LoureiroLuís Filipe Vieira quebrou o silêncio em nome da coesão. As notícias em torno da existência de uma alegada proposta por Miguel foram o mote para um discurso que abordou outros temas da actualidade benfiquista. — Fala-se de uma proposta da Juventus por Miguel... — Dentro das linhas de orientação que planeámos, conseguimos um grande grupo de trabalho. Sobre aquilo que se tem passado ultimamente, tentámos criar alguma estabilidade ao plantel. Refiro-me ao que se passou esta semana e, recentemente, com um jogador nosso, dizendo-se que tinham aparecido grandes ofertas por ele. O Benfica não está vendedor e já dei essas instruções a José Veiga. Não estamos interessados em vender nenhum jogador, independentemente de sabermos que, nesta altura, aparecem alguns abutres para desestabilizar. Mas o grupo está muito coeso, é o melhor grupo do Benfica nos últimos anos. Está preparado para ganhar e para aquilo que se vai desenhar ao longo dos tempos difíceis que temos pela frente. Nesta nossa ambição, assumimos um compromisso perante a massa associativa: queremos ganhar. Não somos candidatos pelo nome, pois temos qualidade mais do que suficiente para sermos candidatos reais. — Mas quem anda a desestabilizar? — Os jornalistas sabem quem dá as informações. O nosso plantel está bastante sereno e sabe que nunca iríamos prejudicar quem quer que seja. Não vai sair mais ninguém. O plantel está fechado. Só quando o entendermos, na altura própria para clube e jogadores, é que isso sucederá. Não vamos destruir aquilo que assumimos, independentemente de fazer muito jeito a qualquer instituição o que possam oferecer ao Benfica. Não é a melhor altura. Todos os números que já foram propostos revelam puro oportunismo. Já estávamos a imaginar que isto iria suceder. Miguel quer jogar no Benfica — Falou com Miguel? Qual o desejo do jogador? — O único desejo que manifestou é que quer jogar no Benfica. Se aparecer uma grande proposta, para o Benfica, para o Miguel ou outro, de certeza que tomaremos posição sobre isso. Agora, a poucos dias do jogo da Supertaça, da pré-eliminatória da Liga dos Campeões e do início do campeonato, não é altura de alguns abutres, sabem a quem me refiro, nomeadamente um abutre, apareça daquela maneira a tentar desestabilizar alguns jogadores do Benfica. Garanto que não vai conseguir. Desejo muito sucesso a Tiago — Foi com Tiago que se iniciou este processo de destabilização? — O Tiago é caso consumado para o Benfica. Entendemos que foi uma boa oportunidade para o Benfica e uma grande oportunidade para o Tiago. Logo, ninguém lhe complicou a vida. Não vou esconder que o Tiago teve a oportunidade da vida dele. Quem está no futebol como eu e encara a família como principal objectivo, não era capaz de cortar as pernas a ninguém, desde que as condições do Benfica sejam salvaguardadas. — Mas ficou magoado com as palavras do jogador quando José Veiga chegou ao clube? — Não foram palavras dele. Um dia, mais tarde, saberá reconhecer isso mesmo. De certeza que Tiago deixou a Luz com alguma saudade. Como pai, vou desejar-lhe o que se deseja a um filho: que tenha o maior sucesso na vida, que seja titular no Chelsea, na Selecção e que ganhe muitos títulos. Que a Supertaça seja espectáculo — Como perspectiva o jogo da Supertaça? — Desejamos que seja um grande espectáculo e que estejamos à altura dele. Que as claques do Benfica dêem o exemplo dos últimos jogos. — O Benfica está em condições de ganhar todas as competições em que está envolvido? — Não sei quantas vamos ganhar, mas onde entramos é para ganhar. Todos os jogadores têm espírito ganhador. No final faremos as contas. — Que comentário lhe merece o último Boavista-FC Porto, a que o Sporting se juntou no coro de protestos? — Não quero comentar aquilo que vi. A nossa atitude é falar para dentro e pensarmos em nós próprios. De certeza que iremos mostrar a todos os adeptos do futebol que estamos disponíveis para proporcionar grandes espectáculos e colocar em prática aquilo que sabemos: jogar bom futebol. Proposta da Juventus? Só para desestabilizar... O responsável pelo futebol do Benfica, José Veiga, desmentiu ontem a existência de qualquer proposta de interesse da Juventus por Miguel. Categórico, Veiga diz que «especulações dessas só servem para desestabilizar» numa semana importante como a do jogo da Supertaça, com o FC Porto. José Veiga indignado com notícias sobre Miguel«O Benfica não recebeu qualquer proposta para Miguel. É absolutamente falso», disse ontem José Veiga a A BOLA, confrontado com os rumores sobre o eventual interesse daquele clube italiano no lateral-direito encarnado. «Já estava a estranhar que não acontecesse nada de anormal numa semana importante como esta, a da decisão da Supertaça com o FC Porto. Mas lá chegaram os rumores sobre um falso interesse da Juventus no Miguel. Só mesmo para desestabilizar», adianta José Veiga. José Veiga alertou já, aliás, o grupo de trabalho do Benfica para a necessidade de total concentração nos importantes jogos que se seguem (Supertaça com o FC Porto na sexta-feira, e 2.º mão da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, com o Anderlecht, na terça-feira seguinte), e para a atenção indispensável que é preciso todos terem, como diz o responsável pelo futebol da Luz, «com informações falsas que visam mexer com a estabilidade dos jogadores e com os interesses e objectivos da equipa». As notícias postas ontem a circular (pelo diário Record e pela Antena1) davam conta de uma proposta (de 9 milhões de euros, anunciou a estação de rádio) apresentada pela Juventus ao Benfica e até de uma conversa mantida em Lisboa entre responsáveis dos dois clubes. José Veiga limita-se a garantir que «tudo é falso» e a classificar essas informações de «manobras de diversão» sem, contudo, adiantar qual será, na sua opinião, a fonte dessas informações. «Não conseguirão é desestabilizar, fiquem descansados, porque o grupo do Benfica é unido e forte». Declarações de Miguel Confrontado com essas mesmas informações, Miguel reiterou a A BOLA a posição que assumira às rádios: «Estou bem no Benfica. Sei do interesse da Juventus, mas, como nesta altura ainda nada é concreto, estou apenas concentrado no jogo de sexta-feira», afirmou o jogador encarnado. «As coisas têm que passar primeiro pelos dois clubes, se os dois clubes chegarem a um entendimento, será mais fácil». «Quando terminei o Euro-2004 estava mais entusiasmado com uma possível transferência, mas, agora, com a época a decorrer, o entusiasmo baixou um pouco. De qualquer forma, vejo sempre com bons olhos uma possível transferência para a Juventus, agora é uma questão dos dois clubes chegarem a um acordo». Miguel acrescentou ainda: «Não fico triste se as coisas não se concretizarem; pela ambição e o entusiasmo com que vejo uma possível ida para o estrangeiro e querer disputar outros campeonatos, ainda para mais quando se trata da Juventus, que se encontra entre os cinco melhores clubes da Europa, se calhar fico um bocado triste; por outro lado, fico extremamente contente se continuar no Benfica, porque é um grande clube e porque a vontade de ganhar algo pelo Benfica é muito grande». Ricardo Rocha e Luisão contra o fogo do dragão A julgar pelo ensaio ontem realizado, Trapattoni mantém a confiança na equipa que iniciou o encontro com o Anderlecht. Uma única excepção: Luisão deve substituir Argel e formar dupla com Ricardo Rocha. Geovanni, ainda que recuperado, acusa falta de ritmo. Após muito empenhamento de todos, os vencedores da peladinha fizeram a festaA menos que surja algum imprevisto ou que o técnico encarnado tenha alguma surpresa na manga, está definida a equipa que vai defrontar o FC Porto, depois de amanhã, em Coimbra. Trapattoni pretende manter a estrutura que derrotou o Anderlecht (1-0), sendo que, pelo que foi dado a ver na sessão vespertina de ontem, a única alteração provável prende-se com a inclusão de Luisão no onze, por troca com Argel. Para o central brasileiro será o primeiro jogo oficial da época com a camisola do Benfica, depois de já ter defrontado o Estoril no amigável do último sábado, no qual provou estar em boas condições físicas. Reedita-se assim a dupla Luisão/Ricardo Rocha. Nove ausentes e Geovanni sem ritmo Depois de uma sessão matinal unicamente dedicada à componente física, foi no palco principal do Estádio Nacional, à tarde, que Trapattoni levantou o véu. As ausências de Nuno Gomes, Carlitos, Alcides, Amoreirinha, Mantorras (lesionados), Fyssas (selecção grega), Moreira (Selecção Olímpica), Manuel Fernandes e João Vilela (ambos ao serviço da equipa B, que ontem defrontou o Imortal de Albufeira) levaram o italiano a chamar cinco juniores, por forma a ter 22 jogadores à sua disposição. Karadas a marcar Depois de vinte minutos de finalização, na sequência de jogadas pelas alas, Trapattoni procedeu à divisão. De um lado ficaram Quim, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Silvio Pereira (júnior), Paulo Almeida, Petit, Zahovic, Éder (júnior), Telmo Oliveira (júnior) e Karadas. Neste grupo encontram-se os defesas e médios titulares, com excepção de Manuel dos Santos e, provavelmente, Yannick (deve, também ele, manter a titularidade). No lado oposto estiveram Yannick, José Almeida (júnior), Argel, Rafael Teixeira (júnior), Manuel dos Santos, Everson, Bruno Aguiar, Geovanni, João Pereira, Simão e Sokota (os três últimos formam a frente atacante). A peladinha durou uma hora e rendeu apenas dois golos. O jovem Telmo Oliveira fez o 1-0, Karadas o 2- 0, num golpe de cabeça. Mantorras já está em casa Fintando os jornalistas que o aguardavam à entrada, Mantorras deixou, ontem, o hospital onde se encontrava internado. Os próximos dias serão de repouso absoluto, mas na próxima semana entrará noutra fase do processo de recuperação... Tens de continuar a ter paciência, Pedro Mantorras...Pedro Mantorras deixou, ontem, a unidade hospitalar onde passou os últimos 12 dias, coberto por um manto de secretismo que o levou a sair por uma porta das traseiras, evitando a entrada principal, onde se encontravam os jornalistas à sua espera. Sabia-se que o futebolista do Benfica ia ter alta no período da manhã, mas obter informações, em concreto, sobre a hora em que tal aconteceria, tornou-se missão impossível. Tanto as funcionárias de serviço, como a própria mulher, que por duas vezes foi ao carro e voltou, fizeram questão de nada dizer, apesar de esta última nunca ter perdido a boa disposição, quando foi questionada sobre o assunto. Assim, à medida que aumentava o número de profissionais da comunicação social, as informações sobre o jogador escasseavam, na mesma proporção. Finalmente, por volta das 11 horas, surgiu a informação, não oficial, de que Mantorras ia finalmente sair e, pelos vistos, assim foi. Só que, uma vez mais, a notícia surgiu em forma de rumor, vindo a ser confirmada, poucos minutos depois, pela Relações Públicas da unidade hospitalar, para dizer que o jogador já tinha saído. Todas as tentativas para obter informações adicionais resultaram infrutíferas e não houve a mais pequena hipótese de ouvir o médico que o operou. Repouso em casa... Sabe-se que o jogador viajou para casa, com a recomendação de se manter na máxima tranquilidade até ao final da semana. Depois, sim, no início da próxima, entrará noutra fase do processo de recuperação, que teve início no próprio hospital, sob a orientação do enfermeiro Rodolfo Moura. Para Mantorras, desta feita, a recuperação psicológica será tão importante como a física, por ser a quarta vez que reinicia um processo deste género. As palavras do médico catalão Ramon Cugat, confirmando que Mantorras vai voltar a poder jogar futebol, não deixarão de ser reconfortantes, mas o jogador vai, uma vez mais, ter de dar mostras de uma grande força mental para regressar em pleno em Outubro, altura em que se prevê poder voltar aos relvados. Para tal, não lhe faltará apoio, de Cugat e dos elementos do departamento médico da Luz, dos companheiros, que o visitaram no hospital, e de Luís Filipe Vieira, que o jogador considera ser um segundo pai. Quase três anos depois de ter sido obrigado a parar, devido à lesão na cartilagem, o calvário prossegue. Mas Mantorras já provou várias vezes que, para ele, a esperança é mesmo a última a morrer... terça-feira, agosto 17, 2004
Geovanni nas contas de Trap No regresso dos encarnados ao trabalho, Geovanni foi reintegrado sem limitações e passa a fazer parte dos planos de Giovanni Trapattoni para o embate com o FC Porto. A lista de lesionados fica, assim, resumida a cinco elementos, sendo que Amoreirinha ainda pode recuperar. Com a Supertaça a aproximar-se a passos largos, as hostes encarnadas receberam ontem uma boa notícia: Geovanni, que se lesionou no dia 28 de Julho, no encontro de preparação com o Bétis, em Ayamonte, voltou ao convívio dos companheiros. O brasileiro apresentou-se a cem por cento, tendo cumprido todos os exercícios com o restante plantel. Apenas durante a peladinha o dianteiro pareceu resguardar-se um pouco ao nível do contacto físico, situação perfeitamente normal para quem realiza o primeiro treino após mais de 15 dias de paragem. Seja como for, a lesão na face anterior da coxa direita está debelada. Menos uma dor de cabeça para Trapattoni que, se é verdade que não conta ainda com o plantel na máxima força, convive com um cenário positivo, sobretudo quando comparado com o do FC Porto. Feitas as contas, o treinador italiano tem, neste momento, 20 jogadores disponíveis para o encontro de sexta-feira. Fyssas na selecção, Vilela e Fernandes na equipa B No treino de ontem à tarde, no Estádio Nacional, que marcou o regresso do grupo encarnado ao trabalho, estiveram presentes apenas 17 atletas, à imagem do que acontecerá nas duas sessões previstas para hoje. Facto que se justifica pela presença de Fyssas na selecção grega— defronta amanhã a República Checa, em Praga, voltando a treinar-se comos companheiros apenas na quinta-feira — e pela chamada dos jovens Manuel Fernandes e João Vilela à equipa B, que hoje defronta o Imortal de Albufeira num encontro de carácter amigável, que assinala a inauguração da iluminação artificial no estádio do clube algarvio. Esta dupla deve voltar a treinar-se sob as ordens de Trapattoni na quarta-feira, embora deva referir-se que Manuel Fernandes faz parte do plantel principal, ao passo que João Vilela integra a equipa B. Tal não invalida que este último seja chamado, sempre que Trapattoni o entender, aos trabalhos dos principais. É o que se tem verificado até agora, com João Vilela a deixar excelentes indicações — veja-se, como exemplo, o amigável com o Estoril, no último sábado, em que apontou um dos dois golos da vitória encarnada e foi a figura do encontro. Deve, por isso, ser colocado nas contas de Trapattoni. Amoreirinha recuperável Até sexta-feira é bem possível que a equipa técnica venha a contar com mais um reforço: Amoreirinha (mialgia na face externa do joelho esquerdo). Tudo dependerá, contudo, da evolução do ex-Alverca nas próximas horas. Do lote de lesionados, o defesa é o único recuperável para o encontro com o FC Porto. Nuno Gomes, Carlitos, Alcides e Mantorras são cartas fora do baralho, tal como Moreira, este ao serviço da Selecção Olímpica, que se encontra em Atenas. Mantorras tem alta hoje Pedro Mantorras terá hoje alta hospitalar. O angolano esteve internado uma semana e meia e depois da observação feita na manhã de ontem os médicos decidiram que o jogador está em condições de voltar para casa. Isto no dia em que Geovanni aproveitou para fazer uma visita ao companheiro de equipa e desejar-lhe as rápidas melhoras. Geovanni aproveitou a manhã livre para visitar o amigo Mantorras no último dia de hospitalO treino de ontem do Benfica foi adiado das 9.30 para as 18 horas, o que levou o brasileiro Geovanni a aproveitar para se deslocar ao Hospital Amadora/Sintra e ver como está o amigo Pedro Mantorras. Um dia especial para o angolano, que se encontra internado há uma semana e meia, mas terá sentido que os seus companheiros não o esquecem. Geovanni entrou ao início da tarde e esteve com Mantorras bem mais de meia-hora. Uma oportunidade para contar as novidades ao seu companheiro e transmitir-lhe algumas mensagens da restante equipa. Quando abandonou as instalações do hospital, o extremo brasileiro pediu desculpa por não poder falar aos jornalistas — são ordens superiores que só excepcionalmente são quebradas —, mas não deixou de confessar que tinha gostado bastante de ver a força com que Mantorras está a enfrentar esta situação difícil. O gesto do brasileiro vem também provar que quando os jogadores do Benfica dizem que a união é muito grande dentro do balneário não estão a falar de uma ficção e que a lesão de Pedro Mantorras não deixa de ser acompanhada de perto por todos os que dia-a-dia trabalham com ele. Pouco depois de Geovanni chegou Rodolfo Moura, enfermeiro do Benfica. O jogador fez os exercícios que foram estabelecidos para que a recuperação seja rápida, foi depois observado e o resultado acabou por ser satisfatório. Ficou desde logo decidido que se nada de anormal acontecesse durante a noite o jogador poderia finalmente deixar o hospital e passar a nova fase de recuperação. O angolano tem agora pela frente longos dias de muito trabalho. Para que recupere os índices físicos, Mantorras será obrigado a fazer exercícios no ginásio para recuperar o tempo perdido. Para já, é ainda uma incógnita quanto tempo levará até que o jogador possa pisar novamente pisar o relvado e entrar em contacto com a bola. Rodolfo Moura tem tido um cuidado especial com a recuperação de Mantorras e nos próximos dias continuará a acompanhá-lo muito de perto, orientando o plano de recuperação que foi elaborado em colaboração com Ramón Cugat, médico espanhol que esteve presente na artroscopia, e pela equipa médica do Benfica, dirigida por João Paulo Almeida. Começa hoje a corrida para jogo da Supertaça O Benfica coloca hoje à venda os 9615 bilhetes a que teve direito para o jogo da SuperTaça, com o FC Porto. Nova corrida ao ingresso, a obrigar a cuidados especiais: venda só a sócios e ao próprio. Entre dois a três mil bilhetes irão para as casas. Corrida aos bilhetes para o jogo de Coimbra começa hoje; a procura é maior do que a ofertaO jogo com o FC Porto, agendado para a noite de sexta-feira, está a despertar natural entusiasmo junto dos benfiquistas. Não só por se tratar de mais um grande clássico do futebol português, como por estar em causa a disputa do primeiro troféu da época, a SuperTaça Cândido de Oliveira. Ora como o jogo se disputa em Coimbra e existe a necessidade de equidade na distribuição dos ingressos entre os adeptos de ambos os clubes, o Benfica decidiu introduzir restrições à compra dos 9615 bilhetes que recebeu por parte da Federação Portuguesa de Futebol, que organiza a competição. A primeira é a venda de ingressos apenas a sócios do clube. E com uma alteração à prática do passado recente: cada ingresso só deve ser vendido ao próprio que se apresentar na Luz, não valendo pois que sócios comprem bilhetes com cartões de outros associados, o que no passado se prestou a situações ilegais de candonga, embora se compreenda que nem sempre seja fácil que as pessoas se desloquem para comprar ingressos. As bilheteiras no Estádio da Luz, na Praça Centenarium, abrem hoje às 9.30 horas e fecham às 19. Haverá uma bilheteira específica só para atender os que adquiriram Título Fundador e Lugar Cativo. As casas do Benfica deverão receber entre dois e três mil ingressos. Face à exiguidade, apenas três farão venda de bilhetes para o jogo da SuperTaça: Famalicão, Felgueiras e Coimbra. As outras casas deverão entrar em contacto com estas. Os preços variam entre os 20 euros (Topo), os 30 (Lateral) e os 40 (central). Não se podem considerar preços simpáticos, mas a procura será, seguramente, grande. segunda-feira, agosto 16, 2004
SAD não autoriza ida de Sokota à selecção Tomo Sokota foi chamado à última hora pela federação do seu país, com vista ao Croácia-Israel de quarta-feira, na cidade de Varazdin, mas a SAD encarnada não autorizou a presença do jogador no amigável. Uma decisão defendida pelos regulamentos — os clubes têm de ser notificados das convocatórias internacionais com 15 dias de antecedência e o faxe só chegou anteontem à Luz — e que, acima de tudo, evita uma grande dor de cabeça a Trapattoni, tendo em vista o jogo da Supertaça. Sokota vai manter-se sob as ordens de TrapattoniO ponta-de-lança encarnado, titular da selecção croata durante o Euro-2004, não fazia parte da lista de 26 jogadores inicialmente chamados pelo novo seleccionador, Zlatko Kranjkar, mas um problema físico com um dos eleitos levou-o a convocar de imediato o camisola 25 do Benfica. O faxe, contudo, chegou ao Estádio da Luz apenas anteontem, pelo que os responsáveis da Benfica SAD, no seu pleno direito, não autorizaram que Sokota se juntasse aos compatriotas para o encontro a realizar em Varazdin. Os clubes devem ser notificados com 15 dias de antecedência da chamada dos seus atletas internacionais, mesmo os que se encontrarem de prevenção, o que não aconteceu neste caso. Acresce que Tomo Sokota tem sido a aposta de Giovanni Trapattoni para a frente de ataque. Com Mantorras e Nuno Gomes lesionados e com Karadas ainda em fase de adaptação, o croata é, para já, uma peça fundamental na estrutura do treinador italiano e, quase certamente, será titular, no encontro da Supertaça, com o FC Porto, na próxima sexta-feira. Como é natural, se Sokota alinhasse pela selecção, na quarta-feira, ficaria com muito pouco tempo de descanso: chegaria a Lisboa na quinta-feira, a pouco mais de 24 horas do importante compromisso com o FC Porto. Assim, fazendo-se valer das regras, o Benfica recusou essa hipótese e poupou o desgaste do jogador, contando assim com Sokota a cem por cento para a partida de Coimbra. Isto numa altura em que o próprio técnico tem procurado poupar os atletas mais utilizados na pré-época. Fyssas em Praga O caso de Fyssas é bem diferente. O grego foi chamado por Otto Rehhagel para o primeiro encontro dos campeões europeus, após o Euro-2004, e vai mesmo vestir as cores da sua selecção na cidade de Praga, frente à República Checa. Este caso, contudo, acaba por não ser tão preocupante, uma vez que Manuel dos Santos leva, para já, vantagem na luta pela titularidade. Mesmo assim, Fyssas voltará a tempo. Golo para Baião No momento em que marcou o golo ao Estoril, João Vilela sentiu uma emoção forte. Tão forte que poucos podem imaginar. Ninguém naquele momento se apercebeu do turbilhão de sentimentos que lhe invadiu a alma. Correu para a linha lateral. Feliz. Parou depois. Tirou a camisola e apontou os polegares para as costas. Ninguém percebeu mas naquele momento dedicava o golo a Bruno Baião, o amigo desaparecido com quem partilhou muitas alegrias na equipa de juniores. Vilela não esquece o companheiro. João Vilela acabara de marcar o seu primeiro golo com a camisola principal do Benfica, anteontem ao Estoril, e fez questão de o dedicar a um dos seus melhores amigosSe tirou a camisola, porque terá João Vilela apontado para as costas após ter marcado o seu primeiro golo pela equipa principal do Benfica? O seu nome não estava lá, mas estava o do amigo desaparecido Bruno Baião. Tatuado. O amigo estará com ele para sempre e foi a ele que dedicou o melhor momento da sua carreira... até agora. A morte de Bruno Baião provocou uma dor imensa a João Vilela, a toda a equipa júnior e mesmo a toda a família benfiquista. Mas o menino que agora começa a brilhar com a águia ao peito sentiu que chegou o momento de a consternação dar lugar a outros sentimentos. O importante agora é partilhar com o amigo desaparecido os momentos de maior felicidade. Foi precisamente o que aconteceu na Amoreira. Doze anos de águia ao peito A homenagem está feita, mas o que ficará para a história é que no jogo de apresentação do Estoril houve um jovem que aproveitou a oportunidade para sair do anonimato, abrindo com o seu talento espaço para se transformar numa opção muito válida para Giovanni Trapattoni. A exibição de João Vilela espantou os adeptos do Benfica que estavam preparados para ver brilhar as sonantes contratações — Karadas e Everson, principalmente — mas acabaram por se render à arte de um jovem que — poucos o sabem — tem 12 anos de Benfica. João Vilela entrou no clube muito novinho, para jogar nas escolinhas e chega agora ao patamar que milhares e milhares já sonharam mas só uma elite consegue: vestir a camisola na equipa principal. Álvaro Magalhães, treinador adjunto do Benfica, dizia anteontem que Vilela está a ser seguido atentamente há dois anos e que a sua evolução não é surpresa para a equipa técnica. Aliás, desde muito cedo que os treinadores do Benfica que trabalharam com ele se aperceberam que era jogador de grande talento. Foi por isso mesmo que apenas uma época esteve fora do Benfica neste últimos 12 anos. Foi cedido ao Damaiense, mas no clube ninguém o esqueceu, o que fez com que tenha regressado na temporada seguinte. Até hoje. Os sonhos vão-se cumprindo um após outro... O trajecto de João Vilela no Benfica não passou também despercebido aos treinadores das selecções jovens de Portugal, o que faz com que o jovem encarnado tenha já no currículo qualquer coisa como 23 internacionalizações nos mais diversos escalões. A última delas foi nos sub-19, mas para ele o ciclo é para cumprir, pelo que vai alimentando a ambição de continuar a vestir a camisola das quinas por muitos anos. Com apenas 18 anos, João Vilela passou a ser uma grande esperança para os adeptos benfiquistas. Sempre viveu o clube. Quantas semelhanças com o ídolo Rui Costa. Bilhetes precisa-se O Benfica tem recebido muitas chamadas de pólos benfiquistas na Europa a perguntar por bilhetes para o jogo com o Anderlecht, a 24 de Agosto. Na Luz espera-se que o Anderlecht diga quantos bilhetes disponibilizará, sendo que apenas confirmou um sector de 609 lugares para adeptos benfiquistas, atrás da baliza, ao preço de... 50 euros. Eis o ambiente que espera os encarnados emBruxelasÉ do Luxemburgo que têm chegado mais telefonemas, por razões geográficas, já que faz fronteira com a Bélgica. Da Suíça também chegam perguntas sobre bilhetes para o jogo, em especial de Zurique e de Lausana. Sempre será mais fácil garantir os ingressos junto do Benfica que ir a Bruxelas. Por parte do Benfica a posição é de expectativa, dependente do número de ingressos que o clube belga venha a disponibilizar. Esta informação deverá ser fornecida hoje ou amanhã. De qualquer forma, o clube da Luz é sensível aos pedidos de reserva das casas, filiais e delegações da Europa. E de Portugal, claro. Em relação às casas europeias a metodologia deverá ser a mesma seguida aquando do jogo com o Inter de Milão, na época passada, da Taça UEFA: o Benfica leva os ingressos e entrega-os em mão em Bruxelas. Bilhetes a 50 euros O Anderlecht já colocou os bilhetes à venda. Depois do período de reserva para os lugares cativos, começará a vender hoje para o público em geral, mas só a partir de amanhã disponibilizará ingressos para adeptos do Benfica. Segundo informação no site belga da Internet, foi destinado um sector para os benfiquistas numa das bancadas de topo. Esse sector leva apenas 609 pessoas, pelo que o Benfica não deverá ter direito a muito mais que isso. De qualquer forma, como há muitos portugueses em Bruxelas, a táctica será comprar como se de adeptos belgas se tratassem por forma a dar maior peso à falange de apoio benfiquista, num estádio que alberga 26.361 adeptos. O maior problema poderá ser o preço de 50 euros destinado a adeptos encarnados... sábado, agosto 14, 2004
Este será o nosso ano Petit é um homem confiante. O médio garante que a maturidade da equipa permite corrigir erros do passado e não tem dúvidas em afirmar que este pode ser o ano do Benfica. A cultura de futebol italiano de Trapattoni aliada ao valor dos reforços fazem sonhar com o título. «Chegou a hora de retribuir o apoio que os adeptos nos têm dado»— A instabilidade no FC Porto pode ser uma ajuda para o Benfica chegar ao título já esta temporada? — Não nos preocupamos com o que acontece com os outros. A nossa obrigação é concentrarmo-nos unicamente com o que acontece na nossa equipa. Este tem de ser o ano do Benfica. Temos condições para conquistarmos o título. A Direcção é muito forte, a estrutura que está a rodeá-la é sólida e o treinador tem um currículo invejável. Tudo isto me parece determinante. — Como contrariar o favoritismo do FC Porto? — O Benfica tem uma estrutura forte e uma base que começou a ser construída há dois anos. O FC Porto tem muitos e reforços e já teve dois treinadores desde a saída de José Mourinho e isso pode ser uma vantagem para a nossa equipa. Apesar disso, repito que temos de olhar para nós e nada mais. Importante agora é conseguirmos chegar a Coimbra na próxima sexta-feira e vencermos a Supertaça. Seria um bom início da caminhada e uma alegria para os sócios. — Assume-se como favorito à conquista do título? — O Benfica é sempre favorito, a história obriga-nos a isso. Mas a história já não dá pontos. Temos de ser maduros ao longo da época para lutarmos sempre pelo primeiro lugar. Espero que este seja o ano do Benfica. Ao longo destes anos os adeptos têm-nos ajudado bastante, chegou a hora de lhes retribuirmos com um título. — Não basta o Benfica da época passada... — Fizemos uma boa temporada, apesar de não termos sido campeões e eliminados da Taça UEFA. Fizemos coisas bonitas e, mais importante, aprendemos com os erros que cometemos nas competições europeias. No campeonato também falhámos em algumas situações em que isso não podia acontecer, mas serviu para ganharmos maturidade. Isso não voltará a acontecer. Repito, este será o ano do Benfica. Chegou a altura de compensarmos os sócios pelo apoio que nos têm dado. — O que o deixa tão optimista? — Nós, os mais velhos, temos tentado mostrar a quem chega o que representa jogar no Benfica. O balneário é uma família e quando isso acontece um clube ganha condições para ganhar qualquer competição. É no balneário que se começa a construir o sucesso. Hoje, o Benfica é um clube que voltou a ter referências e desta forma poderemos ganhar as condições para sermos campeões que anteriormente não existiam. Quem trabalha num clube com estruturas tão sólidas tem de estar confiante. Prefiro jogar com dois trincos A partida de Tiago abalou os benfiquistas. Porém, Petit, seu companheiro de sector, sente-se mais apoiado com Paulo Almeida ao lado, um jogador que diz ter «grande cultura táctica». Petit diz que o Benfica marca sempre golos fora de casa, por isso tem todas as condições para eliminar o Anderlecht em Bruxelas— É este ano que o Benfica conseguirá assumir-se como forte candidato ao título? — Conseguimos manter a base da equipa e reforçarmo-nos com jogadores de grande qualidade. Para além disso, chegou ao clube um treinador com grande experiência, o que nos dá todas a condições de crescermos ainda mais. O jogo de sexta-feira, contra o FC Porto, é para ganhar. É muito importante que isso aconteça para que o apoio dos adeptos seja ainda maior. Este ano, temos todas as condições para ganhar títulos, É fundamental para o Benfica. — Parece confiante... — Os jogadores do Benfica são muito experientes, a maioria deles internacionais. O treinador vem da escola italiana, o que nos pode dar mais solidez. Temos vindo a assimilar os novos métodos de trabalho e espero que isso dê frutos no futuro. — O modelo de jogo difere muito do que foi implementado por José Antonio Camacho? — O sistema é muito idêntico ao do ano passado, apesar de este ano ter mais um trinco a meu lado [Paulo Almeida]. No ano passado, o Tiago subia mais no terreno e por vezes eu acabava por ficar mais desapoiado. Agora, eu e o Paulo estamos mais fixos e esse facto torna a equipa mais sólida defensivamente. — Sente-se melhor com este sistema? — Sempre gostei de jogar com mais um trinco. Lembro-me que há quatro anos, no Boavista, jogava com Rui Bento e fiz duas excelentes épocas. Este ano, tenho o Paulo Almeida, que é um jogador bastante experiente e tem uma cultura táctica muito boa. É sempre bom garantir segurança à frente dos centrais e dar auxílio aos jogadores que jogam mais à frente. — Não se perde em poder ofensivo? — No ano passado fazíamos muitos golos, mas também sofríamos mais do que o desejável. Íamos muito para a frente e a retaguarda ficava desprotegida. Temos de jogar com mais cabeça; com mais frieza. Se queremos estar na Liga dos Campeões e andar até ao fim na corrida para o título, temos de jogar com precaução. — Poderemos esperar um futebol menos espectacular? — O futebol moderno é assim. Se fizermos um ou dois golos, não nos poderemos deixar surpreender, o que nos obriga a termos mais atenção lá atrás. Na temporada passada, fazíamos um ou dois golos e continuávamos a atacar, isso não pode acontecer; temos de ser mais espertos. Somos obrigados a perceber que, quando não dá para marcar mais golos, há que defender bem. O mais importante é o resultado. Mais opções para Trap A apresentação do Estoril-Praia constitui um bom pretexto para Trapattoni ver em acção alguns dos jogadores até agora menos utilizados e outros que ainda não se tinham estreado. O jogo é mais importante do que parece... Manuel Fernandes terá hoje a sua oportunidadeVários jogadores encarnados, especialmente os mais jovens, vão ter oportunidade de provar que podem ser opção, sempre que Giovanni Trapattoni assim o entender. O técnico italiano tem a intenção de ver em acção jogadores como Karadas ou Everson, que não desfrutou, por enquanto, de um único minuto, e jovens como Manuel Fernandes ou Bruno Aguiar, de quem se espera uma contribuição importante na concretização dos objectivos que a equipa persegue, para a época que está prestes a começar. A primeira alteração deverá começar pela baliza, onde Quim vai ter oportunidade de mostrar porque razão fez parte do seleccionado nacional no Euro- 2004. Amoreirinha seria, certamente, o lateral direito, se estivesse nas melhores condições físicas. Mas a sua lesão põe em evidência a falta de um lateral de raiz que possa substituir Miguel e, perante este quadro, o habitual titular deverá ser incluído na formação inicial, justamente por não haver uma alternativa natural. No meio, abrem-se igualmente algumas dúvidas sobre a dupla que irá ser utilizada, mas tudo aponta para que sejam Argel e Ricardo Rocha os eleitos. Amoreirinha está lesionado e Luisão suscita ainda alguns cuidados. Garantida parece estar a presença de Fyssas no lado esquerdo. Esta época, o internacional grego tem um concorrente de peso e todas as oportunidades são boas para impor respeito. No sector intermediário estarão alguns dos principais pólos de atracção, a começar pela novidade Everson. Ao seu lado, mais à direita, poderá estar Manuel Fernandes, que partiu para esta época como substituto natural de Tiago, mas tem sido pouco utilizado desde que começou a pré-época. Caso se confirme esta ideia de Trapattoni, caberá a Bruno Aguiar voltar a jogar no flanco esquerdo, à semelhança do que aconteceu em vários dos jogos disputados na Suiça. Zahovic poderá jogar de início, atrás de Karadas, que faz a sua estreia a titular. Amoreirinha de baixa Amoreirinha elevou para seis o número de jogadores indisponíveis no plantel de Giovanni Trapattoni. O defesa sofreu uma mialgia no joelho esquerdo que o deverá impedir de treinar nas próximas semanas... Amoreirinha é mais uma preocupação para os médicosAmoreirinha contraiu uma mialgia na face externa do joelho esquerdo e está entregue aos cuidados do departamento médico. O polivalente defesa perde assim a oportunidade de defrontar logo à noite o Estoril- Praia, no jogo de apresentação dos canarinhos aos seus associados. Apesar das boas indicações deixadas na pré-época, Amoreirinha ainda não conquistou o estatuto de titular e esta seria uma boa oportunidade para mostrar a treinador e adeptos que podem contar com ele, sempre que for necessário. Com esta lesão, o Benfica passa a ter seis jogadores indisponíveis, número elevado, se tivermos em conta que quase todos podem ser primeira opção para Giovanni Trapattoni. Há razões para acreditar que o período de tempo em que o jovem central vai ficar parado não será muito prolongado, embora só possa haver certezas a partir do momento em que o departamento clínico se pronunciar sobre o assunto. No que se refere às lesões mais antigas, Nuno Gomes regista franca melhorias, podendo regressar ao convívio dos companheiros na próxima semana, enquanto se mantém a incerteza sobre a recuperação de Carlitos, cuja chegada ao Benfica suscitou muita euforia, mas ainda não teve oportunidade de estrear-se. Mantorras recupera Internado no hospital onde foi operado há uma semana continua Mantorras, que já iniciou a fase de recuperação sob a supervisão do enfermeiro Rodolfo Moura. Tanto Ramón Cugat como o departamento médico do clube não querem precipitações e o avançado está em constante observação, para que nada falhe nesta fase tão delicada da recuperação. Além destes casos, Rodolfo Moura supervisiona ainda as recuperações de Geovanni e Alcides, que está francamente melhor. |
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