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sábado, julho 31, 2004
Um passo fantástico na minha carreira EVERSON PEREIRA DA SILVA, médio brasileiro de 28 anos, foi ontem apresentado ao final da tarde como reforço do Benfica. Directo no discurso, comedido nas palavras e na revelação de sentimentos, falou do Benfica como um clube com «muito prestígio» e de ter dado um passo «fantástico» na sua carreira. Não promete nada, apenas trabalho. Ajudar é o seu lema. É com o número 19 que Everson, apresentado por Luís Filipe Vieira, espera ter sucesso no BenficaPouco faltava para as 20 horas quando Everson entrou na sala de imprensa no Estádio da Luz, acompanhado por Luís Filipe Vieira, o presidente encarnado, e José Veiga, o homem forte do futebol. Chegara a hora de se dar um pouco a conhecer aos benfiquistas, para quem o seu nome é ainda desconhecido. — O que conhece do Benfica? — Conheço o Benfica pelo seu prestígio. Todos sabem que em Portugal há três grandes equipas. No Brasil todos sabem quem é o Benfica. — O que pode prometer aos adeptos? — Não prometo nada a ninguém. Estou aqui para trabalhar e para dar continuidade a um percurso que nos últimos anos passou pelo Nice. Tenho consciência do trabalho que tenho pe l a frente e da responsabilidade que é vestir esta camisola . — Como se define como jogador? — Sou a pior pessoa que existe para me analisar. — Mas quais as suas características? Em que posição do terreno se sente mais confortável? — Sou o que se designa no Brasil por cabeça de área. Um segundo volante que joga à frente da defesa. — Existe algum jogador, a título de referência, que se possa comparar consigo? — Não gosto de me comparar com ninguém. Mas acredito que não existem jogadores parecidos comigo. —Confirma ser especialista nas bolas paradas? — Nos últimos dois anos fui vice-artilheiro do Nice. Na última época marquei quatro golos de bola parada, [num total de cinco golos], na anterior foram três [seis no total]. Por vezes marco golos dessa maneira e é algo que gosto de fazer — Qual o seu principal objectivo? — Ajudar é sempre o meu principal objectivo. Mas sem prometer o que quer que seja. Conheço bem as minhas características e o negócio aqui é trabalhar e ajudar os meus colegas do ataque, como o Geovanni, por exemplo. — Tem alguma mensagem para os adeptos? — Podem contar comigo para o que der e vier. A minha chegada ao Benfica é para mim algo de fantástico na minha carreira. É um clube de enorme prestígio. Cheguei aqui como corolário do trabalho de uma carreira e é a esse trabalho que quero dar continuidade aqui em Portugal. Estou feliz com o plantel LUÍS FILIPE VIEIRA, presidente do Benfica, confessou-se ontem «feliz com o plantel». «É com estes jogadores que lutaremos até ao fim», garantiu. Fala do espírito ganhador, da candidatura real ao título e só admite contratar mais alguém se aparecer no mercado um grande jogador que combine a vertente desportiva com a financeira. «Estamos aqui a dar continuidade ao nosso trabalho de reforço da equipa. Queremos um plantel bastante forte. Queremos assumirnos como os principais candidatos a ganhar todos os jogos. » Foi assim que o presidente Luís Filipe Vieira deu por início a conferência de imprensa de apresentação de Everson, num discurso em que voltou a revelar o seu optimismo quanto à época que se aproxima. «Assumimos que queremos ser campeões. Os dirigentes, os treinadores, os jogadores, todos», garantiu. De resto, «todos estão preparados e empenhados em ganhar todos os jogos». Para que essa filosofia se possa traduzir em realidade, a SAD está a fazer o seu papel, ou seja, «construir um plantel bastante forte». Um plantel com boas opções não só para o onze base, «como também, como costuma dizer-se, com um bom banco, com excelentes alternativas». O grupo de trabalho terá, assim, 24 jogadores, número que satisfaz plenamente o treinador Giovanni Trapattoni, um plantel «preparado para qualquer eventualidade, estável e com espírito ganhador». Plantel fechado, mas... Com a apresentação de Everson o Benfica dá por concluída as inscrições de jogadores para a Liga dos Campeões. E, em princípio, para as competições nacionais. «Estou feliz com o plantel que temos. Todos foram escolhidos por critérios bem definidos e criteriosos. É com estes jogadores que lutaremos até ao fim», sublinhou o presidente. Que apenas admite uma excepção: «Só virá mais alguém se aparecer um grande reforço, combinando a vertente desportiva e financeira. Estamos sempre atentos». Ou, como disse José Veiga, «há sempre lugar para um grande jogador». Falta malícia táctica GIOVANNI TRAPATTONI está entusiasmado com o futebol português e com a capacidade do Benfica, embora não queira colocar a fasquia demasiado alta e reconheça faltar experiência e malícia táctica à equipa. Em entrevista ao site da UEFA, o treinador italiano diz que no nosso País encontrou um futebol mais real, sem os devaneios financeiros de outros campeonatos. Mais apaixonante, portanto. Trapattoni abordou, de forma muito interessante, o Benfica e a realidade do futebol português, não se esquivando a assuntos incómodos e falando com alguma sensibilidade do entusiasmo encarnado para esta época e, sobretudo, da possibilidade de conquista do campeonato. «Não quero colocar a fasquia demasiado alta e dizer que vou competir com o FC Porto pelo título nacional. No entanto, com o que já sei da equipa e com a chegada dos internacionais, tenho a certeza de que temos a capacidade necessária, que combinada com o espírito certo e ambição nos permitirá ter esperança de alcançar resultados muitos bons», explica o técnico italiano. Trap recorda, também, alguns dos contornos da sua contratação para o Benfica: «Sempre pretendi voltar às minhas raízes, ao que sempre foi a minha grande paixão, que é o futebol. Tive esta oferta e também outras, mas este é um clube muito famoso e não hesitei em aceitar este desafio. » «Aqui o futebol é diferente» O treinador do Benfica está entusiasmo com o futebol português e explica porquê: «Aqui o mundo do futebol é um pouco diferente, continua a ser real. Os factores económicos são um pouco menos importantes e conseguimos formar uma equipa razoavelmente barata. Esta equipa tem muita capacidade técnica, mas falta-lhe experiência e também a malícia táctica que ganha títulos.» Apesar das limitações Giovanni Trapattoni acredita que o Benfica tem condições para jogar bem em Portugal e também nas competições europeias. «Como as outras equipas, queremos alcançar o objectivo da Europa, apesar de estarmos na terceira pré-eliminatória. Se tivermos sorte no sorteio [Trap desconhecia ainda o nome do adversário], e com o regresso dos internacionais para completar a equipa, podemos competir a um nível internacional e alcançar bons resultados.» O técnico benfiquista está, enfim, entusiasmado. Karadas já marca OS olhos estiveram todos virados para ele. Foram 100 os adeptos que quiseram observar os atributos de Azar Karadas, que realizou ontem à tarde o seu primeiro treino com a camisola do Benfica. E porque a maior parte da sessão foi dedicada à finalização, o norueguês esteve como peixe na água, ainda que ficando atrás de Zahovic ou Sokota, estes sim, verdadeiramente inspirados. O reforço ex-Rosenborg mostrou mais uma vez possuir bom jogo aéreo, a sua grande especialidade, mas também marcou golos com os pés. Ao contrário de outros reforços, não foi com muito entusiasmo que os adeptos receberam Azar Karadas. O norueguês quase passou discreto, no campo n.º 3 do Estádio Nacional, não fosse a meia dúzia de benfiquistas que começou a apontar para o avançado. «Ele é mesmo grande!», comentava-se. Mas à medida que os adeptos se foram instalando, a curiosidade em torno dos atributos do nórdico foi aumentando. De início, o jogador não teve direito a tocar na bola, limitando-se a realizar alguns exercícios físicos com o preparador Fausto Rossi — recorde-se que Karadas já se encontrava em plena fase competitiva ao serviço do Rosenborg, equipa cuja pré-temporada teve lugar nas vésperas do jogo com o Benfica para a Taça UEFA — mas a determinado momento da sessão o número 22 integrou os trabalhos do restante plantel. Em primeiro lugar, o norueguês participou num jogo de treino incluído na única equipa em que podia marcar —a outra limitava-se a circular a bola—mas ficou em branco. Só que depois chegaria o que jogadores e adeptos mais gostam: exercícios de finalização pura, ora de remates de primeira à baliza, à entrada da área, ora na sequência de cruzamentos. E foi aqui que Karadas começou a originar aplausos. É certo que não foi o mais matador da tarde — Zahovic e Sokota foram os que mostraram ter os pés a escaldar — mas marcou, ora de pé esquerdo, ora de pé direito, ora de cabeça. Numa primeira análise, Karadas mostrou ter rapidez de execução, bom jogo aéreo, mas menos eficaz em determinados aspectos técnicos. Resta agora deixar correr o tempo até o avançado se integrar e deixar sobressair o que de bom tem para dar à equipa. Bruno Aguiar ausente Bruno Aguiar não marcou presença na sessão de ontem à tarde. Se durante a manhã o médio se treinou sem limitações, já no segundo treino do dia foi poupado, permanecendo na Luz. O departamento médico do clube não esclareceu qual a razão para a sua ausência, mas é possível que tenha sido poupado devido a fadiga muscular. Nuno Gomes ,Carlitos e Alcides voltaram a não participar na sessão, pois continuam sob vigilância médica. Já Tiago Gomes terminou a recuperação de uma mialgia contraída durante o estágio de Nyon, tendo regressado imediatamente aos trabalhos da equipa B. Chocolate belga ou presente envenenado? Não se pode dizer que seja um adversário fácil, mas comparado com nomes como Real Madrid, Manchester United, Juventus, Liverpool, Corunha ou Inter—e mais uns quantos de que o Benfica se livrou—podemos dizer que a sorte foi simpática para a águia. Nos dias que correm, o Anderlecht está longe de ser um colosso europeu e nos corredores da sede da UEFA até vigorava a ideia de que o favoritismo é português. O Benfica pode agradecer ao destino, mesmo que tenha de exibir o seu melhor futebol diante do campeão belga, se quiser entrar para a fase milionária da Champions.O sorteio de ontem era de... alto risco para a águia, votada ao pote dos mais modestos, entre os 32 concorrentes nesta terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões — mas não por acaso grande parte dos cabeças de série só pedia para que não lhes calhasse o Benfica... Entre vários oponentes nada desejáveis, havia seis particularmente temíveis: Real Madrid, Manchester, Juventus, Inter, Corunha e Liverpool, representantes das três ligas mais ricas da Europa: Espanha, Inglaterra e Itália. A sina italiana dava para assustar: nos últimos dois anos, Sporting e Benfica foram afastados da fase de grupos por Inter e Lazio, respectivamente. Surgia, depois, uma segunda linha de receios, onde entravam clubes como Mónaco, Bayer Leverkusen, Glasgow Rangers, Sparta de Praga, PSV Eindhoven, PAOK Salónica, Dínamo de Kiev ou Anderlecht.Efoi dessa zona que saiu o adversário do Benfica: da camada das equipas difíceis, mas não totalmente indesejadas. Para mais, a viagem é curta e o futebol belga costuma ser acessível às equipas portuguesas. Podia ter sido pior... Uff, que alívio... Foi mesmo isso — alívio —que sentiu José Veiga, o representante do Benfica no sorteio de ontem, quando ouviu o nome Anderlecht. Dos 16 acasalamentos, o confronto entre portugueses e belgas foi o 12.º a ser conhecido, numa altura em que já se temia o pior. É que nessa fase ainda estavam para sair o Real Madrid, o Corunha, o PAOK e o Mónaco. Os dois espanhóis eram particularmente indesejados; com os gregos, hoje em dia, o melhor é não arriscar; e os monegascos, convém não esquecer, são os finalistas vencidos (pelo FC Porto) da última edição. O Anderlecht acabou por ser, por isso,uma solução providencial. Esperemos que este chocolate belga não se revele um... presente envenenado. sexta-feira, julho 30, 2004
Sou homem de área! Estão encerradas as contas do plantel do Benfica no que a pontas-de-lança diz respeito. Azar Karadas assinou por quatro anos e começa hoje a trabalhar com os novos companheiros. A torre norueguesa já desempenhou a função de central, mas a sua missão agora é outra: marcar golos. No primeiro dia, a timidez não calou a ambição. Luís Filipe Vieira e Karadas — continua a aposta na contratação de jovens promissoresAlto (1,89m), louro e matador. É este o cartão de visita de Karadas, ex-Rosenborg, que ontem chegou a Lisboa ao final da manhã. As primeiras palavras foram de circunstância. «Estou muito feliz por estar no Benfica e em Lisboa. É um grande clube, espero marcar muitos golos e ganhar títulos», disse. Sem tempo para mais, rumou ao Estádio da Luz, onde realizou alguns dos exames médicos. Os restantes ficaram adiados para esta manhã, numa unidade hospitalar, pelo que deverá falhar o treino matinal. Primeiro treino hoje à tarde A integração está, assim, prevista para a sessão de trabalho vespertina, igualmente no Estádio Nacional, altura em que conhecerá a equipa técnica e os novos companheiros. Também os adeptos do Benfica o poderão ver em acção pela primeira vez. Camisola 22 Azar Karadas foi apresentado, no Estádio da Luz, pouco depois das 18 horas. O ponta-de-lança, que assinou um contrato por objectivos, válido por quatro temporadas — a transferência custou 1,75 milhões de euros — vai vestir a camisola 22 (precisamente a sua idade) e promete dar muito trabalho aos defesas adversários. «Vou tentar marcar muitos golos, mas neste momento é difícil dizer um número em concreto», começou por responder. Ganhar campeonato Nos primeiros passos da nova realidade, Karadas revelou alguma timidez, mas não poupou ambição no discurso: «Estou num clube europeu de top e agora quero ajudar o Benfica a ganhar o campeonato e a ir o mais longe possível na Liga dos Campeões.» Sobre as suas características foi claro. «Sou o típico homem de área. Gosto de estar na área, a lutar e a finalizar. Espero marcar muitos golos e ser o homem em quem o Benfica pode confiar», voltou a sublinhar. Consciente da mudança para um futebol «mais técnico e bonito», Karadas admitiu que precisará de algum tempo de adaptação. «Vou ter de falar muito com os técnicos, sobretudo sobre as questões tácticas», disse. Concorrência forte O norueguês afirmou conhecer muitos jogadores do Benfica, mas apenas «de nome». Elogiando os concorrentes directos, mostrou-se preparado. «Vai ser uma luta dura. O Benfica tem atacantes muito bons e tentaremos fazer o melhor pela equipa», frisou. Queremos ser o principal candidato ao título Luís Filipe Vieira voltou ontem a frisar que o plantel não está fechado, aumentando a expectativa em relação à contratação de um médio. Em jeito de brincadeira, deixou escapar que o novo reforço pode ser apresentado ainda durante o dia de hoje, mas seguramente foi com convicção que afirmou querer fazer do Benfica o principal candidato ao título. Luís Filipe Vieira com o mestre Júlio Pomar, que deu vida à águia numa tela. À frente, a escultura de João Cutileiro«Este ano queremos assumir-nos como o principal candidato ao título e para isso estamos a fazer um esforço bastante grande para salvaguardarmos todos os sectores do plantel, que não está fechado. Se em algum jogo surgirem percalços, é importante estarmos prevenidos», explicou ontem o presidente do Benfica, que não revelou nomes, nem se o jogador (ou jogadores) a contratar chegam antes da pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Disse apenas, em tom de brincadeira e depois de apresentar Azar Karadas, que «amanhã [hoje] há outro...» O líder encarnado frisou que a politica de contratações passa pela juventude dos jogadores e lembra as dificuldades financeiras: «O Benfica deve estar feliz com os reforços, não são os possíveis, são aqueles que nós quisemos. Em termos financeiros sabemos onde podemos chegar. Hoje fala-se de dinheiro, no futebol, com uma simplicidade muito grande Chego a pensar que o dinheiro até perdeu valor, quando vejo transferências de milhões de contos... É o mercado e, assim, naturalmente não sei onde isto vai parar.» «Deveria haver mais apoio» Apesar de orgulhoso, Luís Filipe Vieira não está totalmente satisfeito com a resposta dos sócios e adeptos, nomeadamente nas presenças em jogos realizados na Luz, como aconteceu no domingo, frente ao Real Madrid. «Pelo esforço que a instituição está a fazer, os adeptos do Benfica deveriam estar mais próximos do clube, são seis milhões e deveria haver mais apoio», afirmou o presidente, lembrando que o Benfica «apenas pode ser demolidor se os adeptos e sócios estiverem com ele». E acrescentou: «Não vale a pena estarmos a pensar que o dinheiro cai do céu. Lentamente temos conseguido mudar a mentalidade das pessoas. Gosto de estar em projectos com rápida eficiência, mas se calhar as coisas vão demorar um pouco mais. Se as pessoas tivessem interpretado bem as minhas palavras, as mensagens... se calhar já estávamos com outra dimensão.» Venda dos cativos Não está totalmente feliz, mas Luís Filipe está satisfeito com a forma como está a decorrer a venda dos lugares cativos do estádio. «Temos consciência de que seria impensável vendermos o estádio de uma vez só, mas estamos contentes com o andamento das coisas», afirmou o presidente, que continuou a insistis na aproximação dos adeptos ao clube: «Não temos dúvidas de que somos a maior instituição portuguesa, tão delapidada ao longo dos anos mas que, mesmo assim, teve coragem de , por exemplo, construir um estádio novo. Foi uma forma de mostrar a todos os benfiquistas que a instituição tem força e empolga.» Filipe Vieira acredita que existem sinais de vitalidade, de grandeza e de corte com o passado. José Veiga em Genève a pensar nos reforços José Veiga já está em Genève desde ontem à noite e hoje representa o Benfica no sorteio da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Mas o homem forte do futebol encarnado também está com cabeça no reforço do plantel e é possível que nas próximas horas Giovanni Trapattoni veja chegar ao plantel o médio que lhe falta. A prioridade de Trapattoni é o reforço do meio-campo, desejo que José Veiga pode satisfazer nos próximos dias, talvez ainda hojeInicialmente não estava previsto que fosse José Veiga a estar presente no sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, que hoje se realiza em Nyon [ver págs. 8 e 9], mas acaba por ser o homem-forte do futebol benfiquista a saber, em primeira-mão, quem vai ser o adversário da equipa portuguesa na luta por uma presença na liga milionária. Veiga viajou ontem para a Suíça, mas antes terá dado sequência aos muitos contactos que neste momento se desenvolvem para a tentativa de contratação de um médio, o reforço que falta para satisfazer os principais desejos de Giovanni Trapattoni. Tiago saiu para o Chelsea de José Mourinho e o técnico italiano quer um médio para reforçar este sector, além das alternativas que nesta altura se apresentam no plantel. José Veiga está a tratar do negócio há vários dias e é provável que em breve, nos próximos dias, talvez ainda hoje, surjam novidades a este respeito. Várias possibilidades em carteira Tal como A BOLA adiantou, o italiano Omar Millaneto, que representa o Modena e já trabalhou com Trapattoni na Juventus, é uma das possibilidades em carteira. Mas não é a mais forte. Segundo apurámos, o facto de o jogador estar vinculado ao Modena por mais dois anos e a cobiça de outros clubes tornam complicada a contratação. A prioridade vai para outro jogador. Apesar de estar em Genève, Veiga está a negociar o reforço pretendido, que virá da Europa e se enquadra perfeitamente nos parâmetros traçados pela SAD, no que diz respeito ao perfil para as contratações e também de acordo com as possibilidades financeiras do Benfica. Além do médio, o departamento de futebol encarnado, com o auxílio de Trap, continua atento ao mercado e especialmente às oportunidades de contratação de um defesa-central. Esta não é uma prioridade e poderá ser analisada com calma, mediante as necessidades do plantel. Ontem chegou à Luz Azar Karadas... Hoje pode haver mais novidades. Teste final em Braga Para ontem estava marcada, apenas, uma sessão de banhos e massagens, mas Trapattoni acabou por orientar um treino no relvado do Estádio da Luz. Começou a preparação para o encontro de apresentação aos adeptos, domingo, em Braga... O último antes da pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, a 10 ou 11 de Agosto. Dos banhos e massagens os jogadores passaramao relvado da Luz«Temos de ganhar em Braga.» Sokota lançou o desafio no final do jogo com o Bétis de Sevilha, que correu muito mal aos benfiquistas (0-3), e certamente que Trapattoni terá o mesmo pensamento. O jogo com o Sporting de Braga, marcado para o próximo domingo, às 19 horas, no Estádio Municipal, significará a apresentação oficial aos adeptos, mas também um bom teste para a equipa titular que Trapattoni tem na cabeça para o arranque do campeonato e, antes disso, o ataque à Liga dos Campeões. A preparação para o encontro de Braga já começou e ontem à tarde os jogadores treinaram-se no relvado da Luz. Inicialmente na agenda encarnada constava apenas uma sessão de banhos e massagens — os jogadores jogaram quarta-feira com o Bétis, em Ayamonte, e viajaram para Lisboa nessa noite — mas Trapattoni acabou por mandar os jogadores para o relvado, onde, à excepção dos lesionados, realizaram uma curta sessão de corrida e exercícios físicos. Esboço da equipa Frente ao Sporting de Braga, Trapattoni deverá apresentar uma equipa muito próxima da que escolheu para este arranque de época, à excepção de Geovanni, lesionado. Existem, no entanto, incógnitas. Moreira ou Yannick na baliza? A dupla de centrais será formada por Rocha e Argel, ou Rocha e Amoreirinha? Dúvidas que o desafio de Braga pode ajudar a esclarecer. Geovanni examinado hoje Geovanni vai fazer exames hoje de manhã e à tarde já será possível saber quanto tempo vai parar o jogador brasileiro, que se lesionou na coxa direita durante o jogo de quarta-feira passada, em Ayamonte, frente ao Bétis de Sevilha. Geovanni não vai jogar em Braga e o seu substituto deve ser Zahovic. Trapattoni já confessou que está preocupado com a situação clínica do brasileiro GeovanniA equipa do Benfica apresenta-se, oficialmente, aos adeptos no próximo domingo, em Braga, num jogo frente ao Sporting local. Nesse encontro não participará Geovanni, que se lesionou no jogo particular que o Benfica realizou com o Bétis de Sevilha, em Espanha, na quarta-feira, e que resultou na primeira derrota da equipa encarnada nesta pré-época: 0-3. O jogador brasileiro entrou na segunda parte do desafio, mas esteve apenas sete minutos em campo, pois sentiu dores na face inferior da coxa direita e foi imediatamente substituído, para não agravar a lesão. Prognóstico traçado Geovanni apenas fez tratamento durante o dia de ontem e hoje fará exames para concluir, com rigor, qual a lesão, o tratamento e o tempo de paragem que a recuperação vai exigir. À partida o jogador parece ter apenas um estiramento, ou contractura, mas todos os cuidados são poucos, principalmente quando se aproxima cada vez mais a participação do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões — hoje o sorteio ditará o adversário da equipa portuguesa e também se o primeiro jogo é a 10 ou 11 de Agosto. A lesão veio, pois, na pior altura para jogador e Trapattoni. Brasileiro tem papel importante Este ano, Geovanni assume um papel importante na estratégia da equipa e muito diferente daquele que desempenhou durante a temporada passada. O brasileiro tem sido utilizado por Trapattoni no centro do terreno, muitas vezes como playmaker, no apoio directo ao ponta-de-lança; ou então divide essa tarefa com Zahovic. Deverá ser precisamente Zahovic a opção que Trapattoni vai tomar para coordenar o jogo benfiquista no encontro de domingo. Paulo Almeida e Petit guardam-lhe as costas. Zahovic começou a temporada em grande forma e já marcou quatro golos nos desafios particulares que o Benfica realizou. Todavia, o treinador conta com outras opções para o lugar, como, por exemplo, os jovens Bruno Aguiar e também Manuel Fernandes. Fartos de italianos O Benfica conhece hoje, pouco depois das onze horas da manhã, o adversário da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Depois de, no ano passado, terem falhado a presença na fase de grupos, caindo aos pés da Lazio, os encarnados esperam agora um pouco mais de sorte no sorteio. Mas há adversários temíveis... Real Madrid, Manchester United, Juventus, Inter, Corunha. Talvez os cinco maiores nomes do sorteio desta manhã, em que o Benfica conhecerá o seu adversário no caminho para entrar na Liga dos Campeões. Mas há outros nomes fortes, como Liverpool, Mónaco, PSV Eindhoven ou Bayer Leverkusen. Sobram sete adversários teoricamente mais acessíveis, três deles vindos da segunda pré-eliminatória: Sparta Praga (ou Apoel Nicósia), Club Brugge (ou Lokomotiv Plovdiv) e Rosenborg (ou Sheriff Tiraspol), que se juntam a Anderlecht, Glasgow Rangers, PAOK e Dínamo Kiev. Seja o que for que o sorteio de hoje ditar, certamente que o Benfica não terá tarefa fácil. A condição de não ser cabeça de série assim obriga. Mas é diferente defrontar a Juventus (ou a Lazio no ano passado) ou o Rosenborg, que também no ano passado os encarnados eliminaram na Taça UEFA, antes de caírem frente ao Inter — curiosamente, outro dos possíveis adversários de hoje. Mais sorte Esta é a terceira vez que um clube português parte para o sorteio da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões sem ser cabeça de série. Há um ano, infelicidade no sorteio: calhou ao Benfica a Lazio, a equipa com melhor ranking de clubes dos 16 possíveis adversários. Em 2002/2003 não se pode dizer que o sorteio tenha sido muito melhor para o Sporting: outro adversário italiano, neste caso o Inter, quarto na ordem das melhores equipas, estabelecida pela UEFA. Seria bom, pois, ter uma equipa da segunda metade da tabela, para variar. O que permitiria evitar os italianos, carrascos habituais dos portugueses nas competições europeias, carrascos concretos nas duas últimas tentativas de entrar na Champions League. Como decorre o sorteio A UEFA dividiu as equipas em 16 cabeças de série e outras tantas não cabeças de série, de acordo com o seu ranking de clubes, feito com base nos últimos cinco anos de participação nas competições europeias. No sorteio haverá pois dois potes, cada qual com 16 bolas. Para determinar cada jogo, os responsáveis da UEFA retiram uma bola de cada pote, que depositam num terceiro pote vazio. A primeira dessas duas bolas a ser retirada indicará o clube que joga a primeira mão em casa, embora, mais tarde, a ordem dos jogos possa ser invertida, em função de critérios geográficos. Clubes do mesmo país não podem encontrar-se, existindo apenas dois riscos de isso acontecer: um emparelhamento entre Sparta Praga e Banik Ostrava (República Checa) ou entre Dínamo Kiev e Shakhtar Donetsk (Ucrânia). Se as duas bolas tiradas ao mesmo tempo forem do mesmo país, a segunda passará para o jogo seguinte, como visitante. Se isso acontecer no último jogo, o segundo clube sorteado troca com o equivalente (cabeça de série ou não) sorteado para o primeiro jogo. As partidas da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões estão marcadas para 10/11 e 24/25 de Agosto (terça ou quarta-feira). quinta-feira, julho 29, 2004
Chamo-me Azar mas vou dar sorte! AÍ está o ponta-de-lança que Trapattoni desejava. Karadas, 22 anos, ruma à Luz por pouco mais de 1,5 milhões de euros, num negócio fechado ontem à tarde. O jogador chega hoje a Portugal para fazer exames médicos, assinar por quatro anos e ser inscrito a tempo de alinhar na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. A BOLA contou a Karadas o significado do seu primeiro nome, na língua de Camões, e este sorriu, garantindo que vai dar sorte ao Benfica. Operação rápida e bem-sucedida: Karadas é jogador do Benfica. Há algum tempo que o avançado fazia parte da lista de possíveis reforços e nas últimas horas tudo se concretizou. José Veiga a entrou, ontem, em contacto com o director desportivo do Rosenborg, Rune Bratseth, oficializando o interesse do emblema português. À primeira oferta do Benfica — 1,5 milhões de euros — o Rosenborg respondeu com a exigência de mais 500 mil euros. O entendimento acabaria por assentar nos 1,75 milhões de euros (350 mil dos antigos contos) segundo a imprensa norueguesa. Após intensos contactos telefónicos e trocas de faxes entre as partes, o acordo acabaria por ser selado ontem à tarde, numa sala do aeroporto de Lisboa, na presença dos representantes do atleta. Karadas já havia expressado a sua vontade de sair do clube. Nos últimos tempos o dianteiro não tem sido muito utilizado pelo técnico Ola By Rise, pelo que procurava um novo rumo para a sua carreira .O treinador do Rosenborg, de resto, disse à imprensa norueguesa que não colocou entraves à saída do avançado, pelo facto de não querer jogadores contrariados. Na retina de Trapattoni Azar Karadas é um velho conhecido do Benfica, uma vez que na temporada passada defrontou a equipa da Luz na terceira ronda da Taça UEFA, tendo mesmo apontado um dos golos da vitória da sua equipa em Trondheim. Também Trapattoni conhece o ponta-de-lança. Há cerca de dois anos, altura em que Trapattoni desempenhava as funções de seleccionador italiano, o Rosenborg cruzou-se com o Inter de Milão na Liga dos Campeões e Karadas acabaria por marcar dois golos. Ansioso e ambicioso Karadas, uma das grandes esperanças do futebol norueguês, não chegou a actuar pelo Rosenborg ontem à noite, em partida referente à segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente aos moldavos do Sheriff Tiraspol, pelo que fica livre para vestir a camisola do Benfica na ronda seguinte da champions, agendada para dia 10 ou 11 de Agosto. Para tal terá apenas de ser inscrito na UEFA até à meia-noite de hoje. O jogador viajou ontem à noite para Oslo, onde pernoitou, rumando esta manhã a Lisboa. Depois dos testes físicos assinará um contrato válido por quatro épocas. Em conversa com A BOLA, Karadas mostrou-se radiante. «Estou muito feliz, é a concretização de um sonho. Vou para um grande clube e espero ter sucesso. Estou ansioso por conhecer o treinador, os novos companheiros de equipa e começar a trabalhar», começou por dizer. Ambição também não lhe falta: «A concorrência é forte, mas quero ajudar o Benfica a conquistar o título português e fazer o melhor possível na Liga dos Campeões.» Confrontado com o facto de o seu primeiro nome ser Azar—o nosso jornal explicou-lhe o significado da palavra em português — Karadas sorriu. «Não me diga?!, Chamo-me Azar mas vou dar sorte, pode dizer isso aos adeptos», disse. Trapattoni só quis testar Não estava muito insatisfeito, apesar de ter sofrido a primeira derrota na pré-temporada. Giovanni Trapattoni desvalorizou o resultado, pois, explicou, o mais importante são os dois jogos para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Fundamental para o italiano foi ver como alguns jogadores se comportavam, casos de Mantorras, Amoreirinha e Fyssas. Mas as conclusões ficaram consigo... Expressão serena, simpatia emprestada nas palavras e a tentativa de explicar para o grande público que o resultado foi o menos importante. Foi assim que surgiu na sala de Imprensa Giovanni Trapattoni. «O mais importante neste jogo era fazer com que a equipa praticasse bom futebol. Na primeira parte acho que conseguimos criar algumas oportunidades de golo e o João Pereira esteve muito perto, ao enviar a bola ao poste. Mas eu queria ver, acima de tudo, como a equipa se comportava. Era importante fazer descansar alguns jogadores como Paulo Almeida e Sokota, que efectuaram cinco jogos em quinze dias», começou por explicar o técnico italiano. Seja como for, esta foi a primeira vez que a equipa não marcou qualquer golo. Trapattoni desvalorizou, preferindo, novamente, bater na tecla do descanso. «Mais importante é não falhar em Agosto. Hoje era fundamental rodarmos a equipa», acrescentou. Karadas é potente Azar Karadas vai reforçar o ataque. No final do desafio de ontem Trapattoni ainda não queria abrir o jogo, mas face à insistência dos jornalistas (e porque o próprio Rosenborg já tinha confirmado o negócio) lá decidiu falar sobre o norueguês. Na opinião do treinador, o nórdico vem trazer força à equipa. «É um jogador potente. Controla bem a bola e é bom no jogo aéreo. É semelhante a Sokota, mas porque precisamos ter alternativas é importante a sua vinda. Conheço-o bem, é internacional pela Noruega e é um jovem», anotou. Equipa está completa... à excepção de um médio Apesar dos erros defensivos — Trapattoni classificou-os, no entanto, de «acidentes», principalmente o terceiro —, é seguro que os encarnados não vão reforçar o eixo mais recuado. «Temos Luisão, Ricardo Rocha, Argel e Amoreirinha para já [o técnico não inclui, por enquanto, o nome de Alcides], e por isso não acho que necessitemos de mais jogadores», frisou. Quanto aos restantes sectores, a velha raposa apenas admitiu a inclusão de mais um médio, para colmatar a saída de Tiago. «Temos várias alternativas para cada lugar. E dou exemplos: temos Fyssas e Manuel dos Santos para o lugar de lateral-esquerdo, o Carlitos, Geovanni, João Pereira, Bruno Aguiar, Simão para apoiar os avançados e por isso só acredito que venha um centro-campista», afirmou. Trapattoni só não disse se se tratava de Milanetto. Temos de ganhar em Braga Tomo Sokota não gostou da exibição da equipa e espera que as coisas corram melhor em Braga. Para o croata, seria um bom teste para os jogos da 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões... Tomo Sokota não quer repetir uma exibição como a de ontemApesar do carácter amigável do jogo, o semblante dos jogadores revelava alguma tristeza pelo resultado, francamente desfavorável às cores encarnadas. Poucos tinham vontade de falar, sendo Tomo Sokota um deles. Mas o croata não teve problemas em reconhecer o mau desempenho da equipa. «Não sei o que se passou, mas foi um jogo difícil, em que nos permitimos sofrer golos fáceis. Contra uma equipa como o Bétis, não era fácil dar a volta», reconheceu, sem rodeios. O próximo desafio, em Braga, será o último antes do embate da 3ª eliminatória da Liga dos Campeões e Sokota espera ver a equipa confirmar tudo o que mostrou de bom nos jogos que antecederam este: «Temos de voltar às vitórias em Braga, porque hoje estivemos mal. Não podemos repetir mais jogos destes.» Sempre frontal, o croata abordou também a chegada de Azar Karadas para reforçar o ataque. «O Benfica precisa de reforços e o melhor irá jogar ...» Aguiar optimista Também Bruno Aguiar deu a sua versão sobre o jogo, destacando a boa exibição da equipa. «Este resultado não interessa, mas na primeira parte fizemos uma boa exibição. Na segunda, estivemos igualmente bem, mas na primeira vez que foram à nossa baliza, marcaram», considerou. No entanto, o jovem médio não vê razões para alarmes: «Temos de levantar a cabeça e vencer os jogos que nos vão garantir a presença na Liga dos Campeões. O Benfica é uma equipa com mentalidade ganhadora e não é por termos perdido este jogo que vamos baixar os braços.» Utilizado novamente por Geovani Trapattoni durante os 90 minutos, Bruno Aguiar mostra-se disposto a agarrar a oportunidade com as duas mãos. «O mister está a dar oportunidades a todos e, especialmente os mais jovens, temos de saber aproveitá-las. Estamos empenhados na luta pelos objectivos do clube e vamos consegui-lo», reiterou sem rodeios e pleno de confiança. Já no que se refere ao novo reforço, Karadas, tinha pouco a dizer. «O Benfica é que sabe...» quarta-feira, julho 28, 2004
Proposta por Karadas O Benfica já fez uma proposta por Karadas, ponta-de-lança do Rosenborg. O clube nórdico acusa a recepção de uma tentativa de aquisição no valor de 1,5 milhões de euros, valor que consideram escasso. O jogador está na expectativa. Os encarnados estão igualmente em negociações com um médio. E, para já, desistem de avançar para mais um central. Azar Karadas, avançado do Rosenborg, marcou dois golos ao Benfica na Taça UEFA. Agora pode vestir de vermelhoO Rosenborg, pela voz do seu director-geral, Rune Bratseth, acusou ontem a recepção de uma abordagem do Benfica por Azar Karadas, ponta-de-lança que reúne os requisitos exigidos por Giovanni Trapattoni: é possante e tecnicamente forte no jogo aéreo. Bratseth, em declarações à imprensa norueguesa, confirmou que chegou ao clube «uma proposta, através de um empresário italiano, em nome do Benfica oferecendo 13 milhões de coroas norueguesas [1,5 milhões de euros] pelo passe de Karadas». Ainda segundo a imprensa nórdica, o Rosenborg já respondeu e pediu outros números: 17 milhões de coroas norueguesas, ou seja, dois milhões de euros, afinal aquilo que há muito exigem pela libertação do passe do ponta-de-lança, cujo contrato finda em Dezembro deste ano. Existe, assim, uma diferença de 500 mil euros entre o que é oferecido e o que é pretendido. Vários nomes em cima da mesa Os encarnados pretendem assegurar a contratação de um ponta-de-lança no imediato, a tempo de o inscrever na UEFA para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões (o prazo termina amanhã). Azar Karadas é um dos alvos, mas não é o único. Paralelamente o Benfica negoceia outro jogador com características idênticas, mas cujo nome se desconhece. Um deles poderá chegar à Luz nas próximas horas, sendo certo que o tempo escasseia. Outro dos sectores que Trapattoni pretende ver reforçado é o meio-campo. José Veiga, homem forte para o futebol, já encetou negociações para satisfazer esta pretensão, mas é provável que para já o ponta-de-lança seja mesmo a prioridade. De lado ficou, pelo menos por enquanto, a hipótese de ser contratado mais um central. O croata Stjepan Tomas esteve com um pé na Luz, mas face a uma melhor proposta do Galatasaray [ver peça nesta página] optou por assinar pelo clube turco. Assim, e face às opções existentes — Amoreirinha é mesmo reforço, juntando-se a Luisão, Ricardo Rocha, Argel e Alcides —, os encarnados preferem centrar atenções em outros sectores. Vou ser muito mais respeitado Os testes efectuados a Luisão nada acusaram de grave, apesar da fractura, e o jogador poderá chegar amanhã a Lisboa, embora a data esteja ainda sujeita a confirmação. Valorizado pela conquista da Taça América ao serviço da selecção brasileira, o central diz ter a cabeça no Benfica, que considera estar em condições de conquistar o título na próxima época... Luisão, ao fundo, regressou ao Brasil ao lado do troféu sul americanoLuisão já está totalmente restabelecido do susto que apanhou na final da Taça América, contra a Argentina, e agora só tem cabeça para o Benfica. O internacional sofreu uma cabeçada quando disputava um lance aéreo com Ayala e caiu inanimado, tendo sido transportado mais tarde para o hospital. Sem querer alimentar polémicos, Luisão considera, mesmo assim, que Ayala foi maldoso. «Ele não tinha necessidade de subir naquele lance, não tinha condições de chegar à bola. Eu não faria isso a um colega de profissão mas, paciência, é futebol. Tenho de aceitar que essas coisas acontecem», considerou. A violência do choque fez com que Luisão fosse observado, de forma minuciosa, na unidade hospitalar para onde foi transportado, mas os exames nada acusaram. O central encarnado mostra-se satisfeito pelo facto: «Felizmente, está tudo bem. Neste momento, estou tranquilo. Observaram-me o cérebro, a coluna, e os exames nada acusaram. Apenas tenho o rosto inchado.» O passo seguinte será o regresso a Lisboa, mas se, inicialmente, a viagem estava marcada para amanhã, o jogador já não tem certeza de que isso vá acontecer. «Ainda não falei com ninguém, mas vou fazê-lo agora com o meu procurador, para saber quando é que parto. Luís Filipe Vieira telefonou-me, mas foi antes do jogo, para me desejar sorte. Sei que estão preocupados comigo no Benfica, mas está tudo bem», reafirmou. Vontade de jogar pré-eliminatória Mas, para lá deste infeliz episódio, a Taça América consagrou Luisão como um dos melhores centrais brasileiros do momento e o jogador do Benfica não deixou passar em branco a oportunidade de pôr em sentido os seus detractores. «Para mim foi óptimo, porque o pessoal vai respeitar muito mais o meu trabalho. Na época passada fui um pouco desrespeitado, graças a Deus consegui dar a volta por cima e o que fiz na Taça América mostra que tenho algum valor», frisou. Luisão não se deixa, no entanto, iludir pelo propalado interesse de outros clubes e jura fidelidade ao seu ao Benfica: «Estou tranquilo, só penso no Benfica. Não tive oportunidade de ver jogar o time, mas pelo que vi na net e nos jornais, está muito bem. O Porto continua forte, mas o Benfica também e vamos, certamente, lutar pelo título.» A convicção de Luisão tem muito a ver com a forma como a equipa encarnou certos jogos na época passada, cenário que não espera ver repetir-se na época prestes a começar. «Perdemos pontos bobos a jogar em casa e isso não se irá repetir desta vez. Vamos começar a ganhar e esses pontos vão ser úteis quando fizermos as contas no final do campeonato.» Também no plano internacional o brasileiro diz ter ambições e para isso, tudo fará para integrar a equipa nos jogos da 3ª eliminatória de acesso à liga dos Campeões. «Quando chegar, vou ser observado pelos médicos do Benfica e serão eles a dizer quanto tempo devo ficar parado. Mas se da minha vontade depender, quero participar nesses jogos», anuiu. Mister, queremos treinar! A fúria da juventude encarnada vai fazendo sentir-se na nova época. Ao talento emergente junta-se a firme determinação de ganhar espaço no plantel. Ontem de manhã, numa sessão de trabalho apenas destinada aos atletas internacionais, lá estavam Amoreirinha, Manuel Fernandes e João Vilela. Trabalho extra, por opção própria, numa manhã em que podiam ter gozado folga. O treino era para ser apenas para internacionais mas acabou por ter mais intervenientesVontade de mostrar serviço não lhes falta. Empenhados em ganhar rapidamente a melhor forma física, os três jovens pediram a Trapattoni para integrar o treino que, inicialmente, se destinava apenas aos atletas internacionais (só à tarde o grupo trabalhou todo junto, no Estádio Nacional). O treinador italiano aceitou e o trio de voluntários terá subido alguns pontos na sua consideração, ao trocar uma manhã livre para suar as estopinhas. Amoreirinha, Manuel Fernandes e João Vilela estiveram em muito bom plano no estágio realizado em Nyon e não restam dúvidas de que o talento emergente de cada um tem alicerces na firme determinação de singrarem no plantel principal. Num grupo equilibrado e com várias opções de qualidade, naturalmente que os mais novos têm de pedalar mais para poderem estar em condições de merecer a confiança de Trap. Ficou o registo e saúda-se a fúria da juventude encarnada. Uma hora no duro O treino iniciou-se pelas 9.30 horas e foi inteiramente dedicado à componente física, sob orientação de Fausto Rossi. A tareia durou cerca de uma hora e incluiu corrida, mudanças de velocidade e exercícios de fortalecimento da zona abdominal, com a bola a ser utilizada em algumas situações. Moreira e Quim trabalharam sob as ordens do treinador de guarda-redes, Adriano Bardin, ao passo que Nuno Gomes, Carlitos, Alcides e Tiago Gomes prosseguiram no ginásio a recuperação das respectivas lesões. Apenas à tarde estava prevista a subida do quarteto ao relvado da Luz, com supervisão do enfermeiro Rodolfo Moura. Penúltimo teste no Guadiana Será à beira do Rio Guadiana que os encarnados farão o penúltimo teste a doer antes do primeiro jogo oficial da época. O adversário é o Bétis e Trapattoni deverá apostar na mesma equipa que defrontou o Real Madrid. E frente aos espanhóis a velha raposa quer ver aplicadas as lições que tem vindo a ministrar. Paulo Almeida e Petit são elementos-chave na estratégia do italiano. Yannick deverá continuar a merecer a confiança de Giovanni Trapattoni: Moreira vai ausentar-se em AgostoA cada dia que passa, Giovanni Trapattoni vai dando verdadeiras lições tácticas. Interrompendo constantemente as sessões para corrigir erros e conversando insistentemente com Petit e Paulo Almeida, em particular este último, considerado fundamental pelo técnico na estratégia que quer ver implementada — fulcral na circulação de bola e a tapar as subidas ora de Miguel, ora de Petit. Ontem à tarde, numa sessão que teve a duração de hora e meia, realizada no campo número 3 do Estádio Nacional, foi possível observar os objectivos de Trap: muito pressing, sectores muito próximos e futebol muito apoiado, a partir da sua grande área, mesmo que a equipa esteja a ser submetida a intensíssima pressão. Por esta razão o treinador italiano tem insistido com os médios defensivos para puxarem por toda a sua técnica a visão de jogo, de modo a que a equipa mantenha a posse de bola e desgastar o adversário, conseguindo assim reunir condições para criar jogadas ofensivas com uma avalanche de seis jogadores — Miguel e Petit (subindo estes dois no terreno), Geovanni, Zahovic, Simão e Sokota. Parece ser esta a grande alteração do Benfica relativamente à era Camacho e o Bétis deverá sentir hoje o novo futebol praticado pelos encarnados. Dúvida na baliza Trapattoni não deverá fazer hoje grandes mexidas no onze que iniciou o encontro com o Real Madrid. Este será o penúltimo teste antes da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões — restará apenas o encontro com o Sp. Braga, no dia 1 de Agosto, em Braga, para a apresentação aos adeptos e sócios do Norte do País —, o que pressupõe a exigência de alinhar aquela que será a equipa a ser utilizada na difícil missão de entrar na liga milionária. E é na baliza que começam as definições. Face à ausência de Moreira devido à participação nos Jogos Olímpicos, Trapattoni quer desde logo dar confiança ao seu substituto. Por enquanto, Yannick parece ganhar vantagem a Quim — é preciso lembrar que o francês jogou no último domingo quando estava em perigo a sua utilização, o que não deixa de ser significativo. Miguel, Argel, Ricardo Rocha, Dos Santos, Paulo Almeida, Petit, Geovanni, Zlatko Zahovic, Simão e Tomo Sokota completam o onze. Refira-se que viajam para Ayamonte todos os jogadores disponíveis, incluindo Mantorras, que provavelmente jogará alguns minutos frente à formação da Andaluzia. terça-feira, julho 27, 2004
Luisão pára três semanas Luisão arrisca-se a ficar fora dos relvados por um período que vai de três a quatro semanas. Depois do enorme susto sofrido no momento em que chocou com o argentino Ayala e caiu desamparado no relvado, em plena final da Copa América, o defesa-central brasileiro ficou a saber que a fractura que sofreu no lado esquerdo do rosto o forçará a nova paragem. Luisão chegou ontem a São Paulo, deve viajar nas próximas horas para Lisboa, onde será submetido a novos exames para avaliar a gravidade da lesãoOs médicos da selecção brasileira pensaram no primeiro momento que a lesão de Luisão não seria grave. Enganaram-se, assumiu Rodrigo Lamar, médico da selecção canarinha: «Não nos apercebemos no campo, mas o jogador sofreu uma fractura interna simples.» Uma lesão que não é de extrema gravidade mas que requer alguns cuidados: «Luisão recebeu alta do hospital e viajou com o plantel para o Brasil. Terão de ser feitos novos exames, provavelmente logo depois de chegarmos a São Paulo, para avaliarmos se não tem problemas de equilíbrio ou quaisquer outras complicações. O que se recomenda agora é repouso completo e uma vigilância apertada para que não surjam complicações.» Quanto ao tempo de paragem, os médicos falam com alguns cuidados: «Como foi referido anteriormente, o jogador não fez ainda todos os exames, o que faz com que seja prematuro estar a falar nisso. Temos, antes de tudo, de localizar o local da fractura e só depois calcularmos quanto de recuperação necessitará. O que poderemos dizer neste momento é que em situações similares um jogador não poderá ser utilizado antes de três ou quatro semanas.» Antes de serem feitos todos os exames por um especialista, será cedo para se saber se o internacional brasileiro poderá estar às ordens do Trapattoni no primeiro jogo oficial da época, que se realizará no dia 10 do próximo mês, a contar para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O adversário dos encarnados será conhecido na próxima sexta-feira. Mais um início de temporada complicado para Luisão. Já no ano passado o brasileiro se lesionou mal chegou a Lisboa e acabou por não ter vida fácil nos primeiros meses com a camisola encarnada. Recorde-se que nessa fase choveram críticas ao jogador e houve muito quem tivesse posto em causa a sua qualidade. Luisão recuperou depois e acabou a época em grande estilo, o que lhe valeu a chamada à selecção do Brasil para esta Copa América. O atleta do Benfica até marcou um dos golos que ajudaram os canarinhos a conquistar o título, mas no desempate na marcação de grandes penalidades já estava hospitalizado... Recuperar o tempo perdido Recuperar o tempo perdido é o lema dos internacionais, que não cumpriram o estágio em Nyon, por terem estado ao serviço da Selecção. Ontem, trabalharam sozinhos, enquanto os colegas gozavam o dia de folga e esta manhã, bem cedo, voltam a fazer trabalho específico na Luz. O jogo com o Bétis é já amanhã e Trapattoni conta com todos eles para o segundo embate consecutivo com uma equipa espanhola... Os jogadores que estiveram no Euro-2004 procuram recuperar a forma na LuzOs internacionais do Benfica continuam a merecer atenção especial por parte da equipa técnica liderada por Giovanni Trapattoni, de modo a recuperarem do atraso na preparação, em relação aos colegas. Ontem, quase 24 horas depois do jogo com o Real Madrid, Simão, Petit e Miguel, jogadores utilizados na véspera, com apenas quatro dias de trabalho, cumpriram durante meia hora um programa de trabalho delineado pelo preparador físico, Fausto Rossi, antes de regressar aos balneários, onde concluíram os exercícios de recuperação. Mais tempo de trabalho teve o internacional Fyssas, o último a chegar à Luz, não só por ter representado a Grécia, a tal selecção que conquistou surpreendentemente o Euro- 2004, derrotando Portugal na final, mas também por ter passado alguns dia sem lua-de-mel, após o casamento no país natal. A recuperação destes jogadores é um tema que vem preocupando Giovanni Trapattoni, que ainda na Suíça já lamentara por diversas vezes a ausência dos elementos mais representativos da equipa no estágio em Nyon, por se tratar de um trabalho decisivo para o rendimento dos jogadores ao longo da época. Porém, o técnico italiano deve ter ficado algo sossegado, após ver em acção os jogadores que não integraram o estágio na Suíça, especialmente Miguel, que impressionou toda a gente com a sua exibição. Mesmo assim, recuperar o tempo perdido continua a ser o lema para estes jogadores, que hoje, pelas 9 horas, vão voltar a trabalhar sozinhos na Luz, sob a orientação de Fausto Rossi. À tarde, pelas 18.30 horas, será altura de trabalharem com os restantes jogadores, numa sessão em que caberá ao chefe da equipa, Giovanni Trappatoni, assumir o protagonismo, no treino com bola. Apesar do pouco tempo de treino, todos eles, à excepção de Nuno Gomes, voltarão a ter oportunidade de mostrar-se ao treinador, em Ayamonte. Reforços vêm da Europa O Benfica espera conseguir a inscrição de mais dois jogadores no tempo limite para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, com as prioridades a apontarem para um médio e um jogador de área. Os alvos estão definidos e sairão do mercado europeu. A lesão de Luisão pode obrigar a apressar contratação de mais um central. Giovanni Trapattoni deverá ver o plantel alargado com mais dois jogadoresReforços. Esta semana deverá ser decisiva para a consumação de diversos negócios que os encarnados têm em agenda. O Benfica está no mercado à procura, prioritariamente, de um ponta-de-lança e de um médio versátil no transporte de bola, habitualmente conhecido por número oito, um pouco à imagem de... Tiago. Ou seja um jogador que efectue o transporte de bola entre o sector defensivo e a zona avançada da equipa, aquilo que se designa por médio box to box. Trapattoni tem no seu plantel um jogador que encaixa nestas características, Manuel Fernandes, mas o italiano não se cansa de lembrar que pretende dois jogadores de semelhante valor para cada posição. Os elogios para o jovem têm sido muitos, mas a sua idade aconselha a naturais prudências. Mais adiantadas poderão estar as negociações com o ponta-de-lança. Luís Filipe Vieira e José Veiga querem resolver esta questão igualmente nas próximas horas. Para isso encontram-se a trabalhar em várias frentes, existindo uma lista de três elementos que preenchem as características definidas pelo treinador italiano: um jogador de área possante e forte no jogo aéreo. O perfil assenta que nem uma luva em Azar Karadas, do Rosenborg, um dos elementos da referida lista, e onde Marcus Allback, sueco do Aston Villa, também se encontra referenciado. No que concerne ao central, Trapattoni já revelou que estabeleceu contacto com Stjepan Tomas, croata vinculado ao Vicenza, com o próprio a anunciar que espera ver clarificado hoje o seu futuro (ver peça à parte). A lesão de Luisão e a mais que provável ausência dos desafios da pré-eliminatória para a Liga dos Campeões, poderá levar os encarnados a avançarem mais depressa que o previsto para reforçar o centro da defesa. Certo é que o mercado europeu é, definitivamente, o alvo de todas atenções e de onde deverão chegar os reforços para Trapattoni... que espera por jogadores que possam ser utilizados já na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Com prioridade ao médio e ao avançado. A UEFA aceita inscrições até quinta-feira... segunda-feira, julho 26, 2004
Águia centenária A festa dos cem anos do Benfica começou antes mesmo do jogo com o Real Madrid. Em minutos, os benfiquistas fizeram uma viagem fotográfica aos grandes momentos do passado. A águia Vitória encantou com o seu voo picado e gracioso. A festa terminou com um singelo Parabéns a Você e fogo preso. O fogo-de-artifício ajudou a marcar a noite benfiquista, com milhares de adeptos nas bancadas a cantar o «Parabéns a Você»De forma cadenciada, os ecrãs gigantes dos Estádio da Luz começaram por mostrar fotos alusivas a alguns dos momentos mais marcantes da história do Sport Lisboa e Benfica. 100 anos, 100 fotos foi o lema de uma viagem ao passado em poucos minutos, através de imagens que fizeram história, cheia de glórias para o Benfica. A viagem, naturalmente, começou em 1904 e acabou com a conquista da Taça de Portugal em 2004. O povo benfiquista olhava embevecido. Muitas das fotos eram já familiares, outras constituíram surpresa, em especial aquelas que evocavam um passado glorioso também nas modalidades, como o atletismo, o boxe, o hóquei em campo ou o hóquei em patins. O silêncio só foi interrompido quando a assinalar os gloriosos anos de 1961 e 1962 foram mostradas as fotografias das equipas que se sagraram esses anos campeãs da Europa. Tão perto e tão longe, mas a provocar um arrepio nas bancadas de quem sabe ter sido o maior do Mundo e agora sonha com o regresso desses tempos de glória suprema. Sob o signo da águia Na festa de Centenário do Benfica, uma das linhas condutoras foi mesmo a águia, o símbolo que orgulhosamente todos os benfiquistas exibem ao peito. E a Vitória, águia real que chegou à Luz para encantar, lá fez o seu voo picado até ao trono que lhe estava destinado. Fez-se silêncio primeiro, para não assustar a águia, e por momentos se pensou que algo não ia correr bem. Juan Bernabé, o seu treinador, gritou por ela. Gritou bem algo, com toda a gente de respiração suspensa. E a Vitória lá fez a vontade ao seu treinador e desceu do cimo do quarto anel do Estádio da Luz. Um voou picado, pleno de graça e esplendor, a arrancar palmas de um povo maravilhado e que se revia naquele símbolo vivo. A Vitória teve o prémio que merecia do seu treinador e antes mesmo de posar para a posteridade, foi colocada por segundos nas mãos do presidente Luís Filipe Vieira. Uma alegoria. À missão do homem que se comprometeu a fazer voar bem alto essa águia sedenta de caminhos de glória. Então e a tal surpresa? O jogo foi vivido com intensidade. O estádio não estava cheio, é certo, mas o preço dos bilhetes e a época estival que vivemos acabou por não ajudar muito. E as conversas de muita gente acabavam por girar à volta das especulações sobre uma possível surpresa, que Luís Filipe Vieira tudo faria para concretizar. No estádio, especulava-se numa faixa se seria Rui Costa. Havia quem olhasse os céus à espera de um helicóptero com o menino mais querido da Luz. «Era lindo, não era?», comentava-se. Os olhos regressaram ao relvado e os ouvidos escutaram, pelo sistema sonoro, a promessa de uma «pequena surpresa» no final do jogo. Será jogador? Não era, que Trapattoni já dissera na véspera que jogadores novos só dentro de alguns dias. Era um simbólico Parabéns a Você, cantado por todos a esse jovem de 100 anos que volta a rejuvenescer com a esperança de novos títulos. Houve também fogo preso e uma despedida. Até breve. E já agora, Benfica: que contes com mais cem anos. Ou melhor, que vivas para sempre. Repleto de glória, desejou-se. Em Lisboa para ver os amigos Uma viagem-relâmpago a Lisboa para homenagear o centenário do Benfica levou a equipa do Real Madrid a abandonar os 47 graus do estágio de Jerez de la Frontera para os mais frescos 30 e muitos da capital portuguesa, para uma permanência de cerca de 11 horas em Lisboa. Luís Figo foi dos mais solicitados quando o Real chegou ao aeroporto de LisboaA comitiva chegou ao aeroporto da Portela às 12.30 horas. Primeiro apareceu Ronaldo, em mangas de camisa — como todos os companheiros — e, mal foi identificado, criou-se logo um burburinho no local. Seguiu-se o sempre discreto Zidane, em passo rápido, à imagem de Raúl. E depois Figo (mais gritos) e restantes jogadores, nem todos reconhecíveis pelos adeptos. Como de costume, nem uma palavra e qualquer tentativa de falar comos artistas foi prontamente desencorajada por elementos que tudo fizeram para impedir o contacto com jornalistas e adeptos. Pior foi quando a porta giratória bloqueou e David Beckham e companhia ficaram desprotegidos, à mercê de pedidos de autógrafos e fotografias, com máquinas e também telemóveis. Pouca sorte a dos espanhóis. Luís Figo, bem-disposto, distribuiu sorrisos e, já dentro do autocarro, não parou de acenar a quem o cumprimentava. A viagem foi rápida e incógnita até ao Hotel Marriott, onde a tarde foi de vários encontros. Vieira com Camacho O presidente do Real Madrid, Florentino Peréz, chegou a Lisboa via Madrid, pouco antes da equipa. Almoçou com Luís Filipe Vieira e seguiu depois para o hotel onde a equipa se instalou, onde esteve à conversa comos vários adeptos espanhóis que enchiam o lobby. O presidente do Benfica chegou a meio da tarde e quis logo ver Camacho, o treinador que abandonou o comando da equipa técnica no final da temporada passada. Antes ainda trocou um forte abraço com Pepe Carcelen, adjunto de Camacho. Teve ainda tempo de conversar com adeptos, entre eles uma divertida... varina, que não parou de dirigir piropos ao presidente, entre muitas gargalhadas. Peseiro com Peréz Outro reencontro da tarde ocorreu entre José Peseiro, actual treinador do Sporting e ex-adjunto de Carlos Queirós no Real, e o presidente merengue. De repente, novo momento de frisson: Ronaldo desceu do seu quarto, dirigiu-se à recepção e, numa viagem que desejaria rápida, foi surpreendido pelos muitos adeptos presentes e assaltado por crianças, e até funcionários de hotel, com pedidos de autógrafos. Entretanto, Florentino Peréz atendia alguns membros dapeña madridista de Lisboa, que pretende fortalecer os contactos entre a Casa e o clube. Antes de subir ao quarto, cumprimentou ainda o pai de Figo, que esteve no hotel para matar mais algumas saudades do filho. Pelo átrio circulavam vários dirigentes dos dois clubes, destacando-se um sóbrio Emílio Butragueño, antigo avançado da equipa merengue, que desempenha actualmente funções de subdirector-geral e supervisor do futebol. Já perto da hora de partida para a Luz chegou o recentemente nomeado seleccionador espanhol, Luís Aragonés, que assistiu à partida. Pelas 17.30 horas, ainda sob calor abrasador, nova movimentação e mais um difícil regresso ao autocarro, com Figo a ser o mais solicitado para os autógrafos, apesar do aparato de segurança. Depois da partida na Luz, e de 11 horas intensas, a equipa regressou a Madrid e não pára, partindo já esta manhã rumo ao Japão, para uma digressão. A Figura MIGUEL De regresso ao local do crime, exactamente três semanas depois da final do Campeonato da Europa, parecia ter passado o tempo todo a treinar. Porque começou a todo o gás, naquelas correrias loucas pelo seu flanco. Claro que a brilhante primeira parte (não só a atacar como também a defender, com um tempo de corte excelente) tinha de ter um preço. Jogou os 90 minutos, mas para o final, cada vez que tentava subir, já não conseguia recuperar. Não estava lá no lance do segundo golo, como já no primeiro não conseguira subir tão alto como Zidane. Sala de Imprensa GIOVANNI TRAPATTONI (treinador do Benfica) Aprova teste Giovanni Trapattoni, treinador do Benfica, elogiou o comportamento dos seus jogadores e confessou alguma surpresa pela resposta física dos internacionais. Todos passaram no teste, mas ainda há aspectos a melhorar. Não só a condição física, como a necessidade de se jogar mais com a cabeça e não só com o (grande) coração. Giovanni Trapattoni estava satisfeito com o comportamento da equipa e anunciou nota positiva para a qualidade do futebol praticado. «Creio que fizemos um bom espectáculo, o que não é de admirar, já que estavam em campo duas equipas que poderiam proporcionar esse bom espectáculo. Cumprimos a promessa feita na véspera de jogar bem e o jogo teve quatro golos. Foi emocionante, pelo menos na minha opinião», começou por referir o treinador. Na opinião de Trap, os jogadores passaram no teste que o próprio anunciara na véspera. «Estou muito contente com a resposta dos jogadores, que corresponderam ao tal teste de que falei», reforçou Giovanni Trapattoni. A resposta tem de ser avaliada à medida da grandeza e da dificuldade do adversário. «Jogámos contra uma equipa não só muito famosa, como dotada de grandes jogadores, com grande capacidade técnica e de grande capacidade táctica», frisou. De resto, com «um pouco mais de experiência» Trapa acredita que a equipa poderia ter ido até «um pouco mais longe». Isto porque, «contra o Real os jogadores jogaram com muito coração.» Mas, lembrou, «jogar com o coração não basta». O Benfica sofreu ontem os primeiros golos nos quatro jogos de preparação já efectuados, os primeiros três encontros realizaram-se no estágio da Suíça. Algo que não merece especial preocupação por parte do treinador. «Contra uma equipa como o Real Madrid tanto se podem sofrer dois golos, como três, como quatro...», ironizou Giovanni Trapattoni, acrescentando: «O Real Madrid tem jogadores de grande qualidade, que podem fazer a diferença. De resto, este foi o jogo mais exigente desta pré-temporada, já que defrontámos uma equipa de classe mundial.» Esperamos ganhar o título Olhando já para o futuro, Giovanni Trapattoni lembrou as palavras da conferência de imprensa da véspera. «Disse que vamos melhorar a condição física dos atletas e incrementar a convicção de que esperamos ganhar o título. Esperamos», sublinhou. Miguel, Simão e Petit impressionam «Miguel, Simão e Petit estiveram muito bem», desabafou Giovanni Trapattoni, questionado sobre a resposta física dos internacionais, que só há pouco se juntaram ao restante grupo. De resto, o treinador encarnado revelou que Miguel lhe confidenciou que não gostava mesmo nada de perder o jogo. No fundo, o reconhecimento de que mesmo os jogadores mais atrasados na preparação física estavam motivados para defrontar o Real Madrid. JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Real Madrid) Emocionado No regresso ao Estádio da Luz, José Antonio Camacho não conseguiu conter as emoções. Alvo de inúmeras manifestações de carinho e de ovações imensas, o ex-técnico do Benfica, agora no Real, disse estar «muito feliz por voltar a uma casa» da qual guarda «apenas boas recordações.» «É bom saber que tenho aqui tantos amigos», expressou. «Obrigado!» Pela primeira vez depois do ano e meio em que serviu o Benfica, Camacho regressou à sala de imprensa do Estádio da Luz, agora, como convidado. E, assim sendo, com direito a falar em primeiro lugar. Trapattoni deu-lhe a palavra. Emocionado, como raras vezes se viu durante o seu reinado na catedral das águias, o treinador dos merengues agradeceu todas as manifestações de carinho que sentiu nas curtas onze horas que passou em Lisboa. «Jamais esquecerei o ano e meio que vivi no Benfica, um período muito bonito. E o que aconteceu hoje é igualmente inesquecível. São tantas as vezes em que abandonamos os clubes com problemas... Mas é tão bom saber que a única coisa que deixei na Luz foi bons amigos», expressou. O Benfica dominava mesmo os primeiros instantes da conversa com Camacho que, antes de encerrar o tema, desejou todo o sucesso ao antigo clube: «Espero que o Benfica tenha muitos êxitos esta época e que consiga o tão desejado título de campeão. Mas terá de trabalhar com tranquilidade, como tantas vezes disse, e a pressão não pode estar do seu lado, tem de estar do lado dos outros, porque este é um grande clube. Hoje [ontem], o Benfica voltou a demonstrar força e complicou muito a nossa tarefa. Já mostrou ritmo, bom futebol e mentalidade forte. Boa sorte para esta época.» E que tal se a sorte ditasse um novo Benfica-Real na pré-eliminatória da Liga dos Campeões? «Nem pensar! Isso é a última coisa que desejo, porque uma das equipas teria de cair e prefiro que estejam as duas na Champions», afirmou. sábado, julho 24, 2004
Campeão da popularidade POUCO menos de dois milhares de espectadores coloriram aquele que foi o primeiro treino do novo Benfica no Estádio da Luz. Os jogadores que cumpriram o estágio na Suíça juntaram-se finalmente aos companheiros que participaram no Campeonato da Europa e o resultado foi o esperado: uma sessão de trabalho descontraída, alegre e moralizadora. Pedro Mantorras, depois da lesão, dos golos falhados e da questão do passaporte, não poderia ter encontrado melhor forma de redenção. Voltou a marcar e o público rejubilou, dirigindo-lhe a maior ovação da tarde. No início tudo são rosas. Os mais exigentes adeptos benfiquistas juntaram-se aos indefectíveis e celebraram como se de golos da Liga dos Campeões se tratasse. Ontem foi mesmo assim. Quando seis dos jogadores encarnados que participaram no Campeonato da Europa— Moreira, Quim,Petit, Simão, Miguel e Fyssas— entraram pela primeira vez no relvado ouviu-se imediatamente um grande aplauso. O público que coloriu o piso zero da bancada Centenarium estava desejoso de celebrar, quase não se contendo a cada passagem da meia dúzia de atletas pela sua frente. Giovanni Trapattoni não deixou, claro está, de merecer idêntica recepção, tanto mais que era a primeira vez que estava à vista desarmada de muitas centenas de benfiquistas, ansiosos por observar atentamente cada passo e gesto de um homem que se habituaram a ver na televisão. A ansiedade aumentava a cada minuto que passava sem a presença do lote que chegara da Suíça, mas tal sensação desapareceu pouco antes das seis da tarde. Entravam os primeiros jogadores e todos procuraram Mantorras. O jogador, que anteontem havia saltado para as primeiras páginas por motivos em tudo alheios ao futebol, marcava, afinal, presença no treino. Talvez tivesse em mente que as pessoas pudessem estar magoadas consigo. Talvez tivesse em mente que os adeptos se tivessem esquecido dos seus dribles. Talvez temesse que os mais atentos lhe pudessem cobrar as oportunidades perdidas nos jogos com Ètoile Carouge, Saragoça e Marselha. Talvez. Mas redimiu-se. Rapidamente se atirou à bola, aos companheiros e aos dribles, que causaram a sensação de sempre. Mas foi um golo, o tal golo que procurava, que recebeu a maior ovação da tarde. O público agradecia e maravilhava-se. Foram os primeiros passos do novo Benfica, abrilhantados por mais um bonito golo de Zahovic, pelas defesas de Quim e Moreira, pelo espectáculo que Argel sempre proporciona. Mantorras constituído arguido Pedro Mantorras foi detido anteontem no aeroporto de Lisboa mas acabaria por sair em liberdade, já de madrugada, sob termo de identidade e residência e na condição de arguido por suspeita de falsificação de passaporte. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tem até ao final do mês para encaminhar o processo completo para o Ministério Público, que depois decidirá se o angolano vai, ou não, a tribunal. Arquivamento, multa ou pena de prisão, esta pouco provável, são cenários que neste momento se colocam ao jogador. Mantorras acabou por apresentar um passaporte válido até 2006 e só por isso se livrou de passar a noite de anteontem no aeroporto de Lisboa, à guarda dos funcionários do SEF, mas o jogador ainda corre sério risco de ter de responder em tribunal pela acusação de falsificação de documento. Mantorras poderá ser acusado de ter rasurado a data de validade de umoutro passaporte— caducado em Janeiro de 2004—com o qual viajou para a Suíça e tentou novamente entrar em Lisboa, integrado na comitiva benfiquista que esteve a estagiar na cidade helvética de Nyon. O ponta-de-lança angolano foi interrogado pelo Ministério Público, ontem à noite, ainda no aeroporto, e saiu em liberdade por volta das duas horas da madrugada de ontem, mas sob termo de identidade e residência e na iminência de ainda ser chamado a tribunal. Em princípio, até ao próximo dia 26 o SEF entregará o processo completo ao Ministério Público, que nesta altura já considera Mantorras arguido e decidirá, após análise detalhada da situação, se avança ou não para julgamento. Ou seja, se arquiva ou não o processo. Em caso de subir à barra do tribunal, Mantorras pode ser absolvido ou condenado. A moldura penal prevê, em casos mais graves, a condenação a prisão de seis meses a cinco anos, ou então, com atenuantes, uma multa pecuniária a definir pelo juiz. A segunda medida parece a mais provável neste caso. História rocambolesca Os contornos da história da detenção e libertação do angolano são complexas. As primeiras indicações, que surgiram no final da tarde de quinta-feira, apontavam para a suspeita de falsificação e para a inevitabilidade de Mantorras passar a noite nas instalações do SEF, no aeroporto de Lisboa, para no dia seguinte, pela manhã, se apresentar no Tribunal de Instrução de Criminal (TIC), onde seria ouvido. Posteriormente, a mulher do jogador, Maria Júlia, terá comparecido no aeroporto para alertar que colocara nas malas do jogador o passaporte válido, com o desconhecimento de Mantorras — recorde-se que o angolano terá rasurado o passaporte antigo e caducado no pressuposto de que não teria com ele o correcto. Após revista às malas do angolano, até à altura retidas na alfândega, foi encontrado o passaporte válido e, mediante esse documento, a libertação foi o procedimento habitual e correcto para qualquer passageiro. O alegado crime de falsificação continua, no entanto, por esclarecer e cabe agora ao Ministério Público decidir como encaminha o caso. Nuno Gomes falha Real Madrid BAIXA de vulto para o grande jogo de amanhã: Nuno Gomes não poderá jogar frente ao Real Madrid, encontro integrado nas comemorações do centenário do clube. O avançado ainda não recuperou de uma lesão no joelho direito, contraída ao serviço da Selecção Nacional, mas deverá estar apto para a primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O avançado falha o espectáculo mas não os compromissos oficiais. Todos o queriam ver na Luz, frente ao Real Madrid, esperando que repetisse a veia goleadora que tem demonstrado, mas não será desta que os adeptos poderão ver Nuno Gomes em acção. O avançado padece de uma lesão no joelho direito sofrida durante o Euro-2004 e ainda não se encontra em perfeitas condições para jogar no imediato. De resto, a sua recuperação aconselha largos dias de exercícios condicionados com o objectivo de não forçar a zona afectada. Não se trata, no entanto, de um problema demasiado grave, estando prevista a sua integração em pleno nos trabalhos do plantel a tempo de poder jogar a primeira partida oficial da época: a 10 ou 11 de Agosto (o sorteio que terá lugar dia 30, em Nyon, ditará o adversário e data exacta) os encarnados disputam a primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Aí sim, Giovanni Trapattoni agradece os seus golos. Carlitos forçou e Trapattoni não gostou Carlitos também ficará de fora do encontro frente à formação treinada por José Antonio Camacho. Foi uma novidade vê-lo a trabalhar sem quaisquer condicionalismos — contraiu um traumatismo no joelho direito no estágio de Nyon da sessão quando o extremo se ressentiu da lesão e teve de abandonar. Quem não gostou foi Giovanni Trapattoni, gesticulando com o ex-estorilista por este ter forçado o joelho quando, a priori, teria instruções para não o fazer. Mas na ânsia natural de mostrar serviço, Carlitos fez um centro-remate potente, o que lhe provocou dores imediatas. Eis então que o técnico lhe retirou o colete, de forma um pouco brusca, vestindo-o posteriormente e entrando em campo no lugar do pupilo, que entretanto recebeu ordens para se deslocar ao departamento médico. Alcides aumenta carga Mas nem tudo são más notícias. Alcides recupera francamente bem da grave lesão sofrida no joelho direito, ainda ao serviço do Santos, e já se submete a cargas mais intensas, sob a supervisão de Rodolfo Moura. Tiago Gomes, a contas com uma mialgia de esforço, continuará a recuperar junto da equipa principal até voltar a cem por cento. A equipa B será, depois, o seu destino. Benfica negoceia Stjepan Tomas O Benfica está a envidar esforços para contratar o defesa central croata Stjepan Tomas, actualmente no Vicenza. As negociações estão em curso e o jogador, para já, remete-se ao silêncio, mas A BOLA sabe que o central está a fazer força para se transferir para o Benfica. Este o alvo, no dia em que Adani deixou de ser hipótese. Na edição de anteontem A BOLA avançara com a informação de que Stjepan Tomas estava na lista de possíveis reforços do Benfica. Hoje é já um alvo. Os encarnados já se colocaram em campo.O Benfica está neste momento e tentar negociar com o Vicenza, detentor do passe por mais uma época, a desvinculação do jogador. Por parte de Stjepan Tomas a sua vontade é muito clara: jogar num clube de maiores ambições e comparticipação nas competições europeias. Juntando o prestígio do Benfica com o facto deste ser treinado pelo conceituado Giovanni Trapattoni, o central já manifestou a sua vontade de se transferir para a Luz. Um outro aliciante ajudou a uma resposta positiva de Stjepan Tomas: poder ser companheiro de Sokota, também ele croata e colega de selecção. Stjepan Tomas tem 28 anos e foi contratado peloVicenza ao Dínamo de Zagreb por 450 mil euros, em 2000. Aequipa desceu à Série B de Itália e o jogador nunca escondeu o desalento pela vertente desportiva. Por isso, e também pelos salários, altos para um segundo escalão, acabou por ser emprestado na última época ao Fenerbahçe, da Turquia. Regressou entretanto ao Vicenza, ainda na Série B, e veria com o melhor dos olhos a transferência para a Luz. Algo que ainda não se pode concretizar porque os clubes continuam a conversar para chegaram a entendimento financeiro. As notas do estágio A Suíça já ficou para trás, arranca agora uma nova fase da preparação encarnada, rumo ao primeiro objectivo da época: a qualificação para a Liga dos Campeões. Importa, por isso, fazer uma primeira abordagem à forma como Trapattoni e seus pares pegaram na equipa e no modo como esta respondeu. A BOLA apresenta lhe, de zero a vinte, as notas do estágio em Nyon. 19 Equipa técnica – Os métodos de trabalho introduzidos não só por Trapattoni, mas fundamentalmente por Fausto Rossi, preparador físico, deixaram todo o grupo de trabalho positivamente impressionado. A parte física assumiu uma preponderância capital como há muito tempo não se via numa pré-temporada. Houve mesmo quem arriscasse que desde Angel Vilda (preparador físico escolhido por Jupp Heynkes) que não se via algo semelhante. E basta fazer um pequeno esforço de memória e comparar o número de baixas durante este período e as que haviam acontecido já há um ano. Lembram-se? Menos visível foi a forma como o treinador de guarda-redes, Adriano Bardin, trabalhou com os dois pupilos, embora tanto Yannick como Rui Nereu não regateiem elogios. Álvaro Magalhães tem, por seu turno, papel bem distinto do que tinha na época passada. Está mais interventivo, fala muito com Trapattoni, anda com outra alegria. 15 Reforços – Para um início de temporada, já deu para constatar que existe gente que promete dificultar as escolhas ao treinador. Bruno Aguiar quer fazer desta a sua época de afirmação, Amoreirinha foi boa surpresa quando chamado ao papel de central e Paulo Almeida dissipou algumas dúvidas que podem existir quanto à sua contratação. Yannick não dará descanso aos outros dois guarda-redes. Apenas Carlitos não se mostrou, devido a lesão. 15 Permanências – Trapattoni quer dar nova vida a Geovanni e essa promete ser uma das curiosidades maiores para esta época. O médio brasileiro tem-se apresentado mais alegre, mais solto, com vontade de impressionar. O que, por arrasto, obriga Zahovic a não se acomodar, ele que foi o goleador do estágio, com três golos, e com uma forma física como há muito não se via nele. 17 Miúdos – À partida para este estágio falava- se no risco de o trabalho a ser desenvolvido poder dar poucos frutos. Os internacionais não iriam estar presentes, a ausência foi colmatada com o ingresso de sete jovens das camadas de formação. Que, 14 dias volvidos, deixaram boa impressão e a garantia de que podem ser uma autêntica mais-valia no futuro. Miúdos como João Vilela, Hélio Roque, João Coimbra ou João Fonseca (este último tem apenas 17 anos, mas um porte físico impressionante), serão seguramente presença constante nos treinos da equipa principal, ao longo da época. 11 Mantorras – Voltou a jogar mais de ano e meio depois da grave lesão no joelho direito e a sua fama continua intacta. Basta entrar em campo para provocar ondas de euforia. Mas está a reclamar um apurado trabalho a nível mental. Quer fazer já tudo como se nunca se tivesse lesionado, o que prejudica as suas exibições. 17 Organização – José Veiga foi o rosto mais visível da nova estrutura organizativa dos encarnados. Se é certo que ainda há muitos que desconfiam dos reais interesses que estão na base da ascensão do ex-empresário à administração da SAD benfiquista, a verdade é que tem sido o novo homem forte para o futebol a empenhar-se a fundo para dotar a equipa com os meios necessários para a longa caminhada que se adivinha. Primeira conquista, a contratação de Trapattoni, que a avaliar pelos primeiros dias de trabalho promete ser autêntica mais- -valia. Pormenores como a contratação de um cozinheiro, a fixação do grupo de trabalho no Jamor, à falta de um centro de estágio e ainda a mudança de unidade hoteleira nos estágios em Lisboa (do Marriott, no centro de Lisboa, para a Quinta da Marinha, em Cascais) dizem bem da importância que se reveste o chamado trabalho invisível das equipas profissionais. Trabalho esse executado não só por Veiga, mas também por Lourenço Pereira Coelho e Shéu Han. Alguém deu por eles neste estágio? O certo é que quase nada falhou, contando também com a ajuda da GamaSport, empresa que organizou o estágio. E já agora também o relacionamento com a comunicação social, pelo menos neste estágio, mudou... para melhor. Fundamental que assim continue. 0 Incidentes – Nada a apontar ao apoio dos emigrantes, principalmente nos treinos realizados em Gland, mas o estágio ficou manchado pelas invasões de campo no jogo com o Carouge e com o Marselha. Se no primeiro caso ainda haverá a desculpa das más condições do campo e do excesso de violência usado pelos seguranças, no segundo foram alguns adeptos portugueses que provocaram a ira dos apoiantes do Marselha. sexta-feira, julho 23, 2004
Passaporte rasurado quase tramou Mantorras PEDRO MANTORRAS ficou ontem detido no aeroporto de Lisboa e correu o risco de passar a noite à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O ponta-de-lança angolano do Benfica esteve sob suspeita de ter falsificado o passaporte. A BOLA sabe que o jogador viajou para a Suíça com o documento caducado e quando deu conta disso... rasurou-o pelo próprio punho. A situação acabou por ficar resolvida com a ajuda da mulher de Mantorras, que foi ao aeroporto dizer que tinha colocado o passaporte correcto na mala do jogador... E lá esteve ele. Já de madrugada, o jogador foi então libertado! A comitiva do Benfica terminou ontem o estágio de pré-época na Suíça e viajou para Lisboa, onde chegou ao início da tarde. Paul o Almeida e Alcides demoraram um pouco mais do que os outros a passar a barreira do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mas resolveram o problema. Mantorras, para surpresa de todos, ficou retido e ao final da tarde acabaria por ser detido, sob suspeita de ter falsificado o passaporte. E só não foi logo presente ao juiz porque isso teria de acontecer antes da 16 horas. Ansiedade que resultou em asneira Segundo A BOLA apurou, Mantorras tem dois passaportes. Um válido até 2006 e outro que caducou no passado mês de Janeiro. Na altura em que viajou para Suíça, integrado na comitiva benfiquista, a ansiedade era tanta que acabou por se enganar e levar consigo o passaporte antigo (pensou ele). Mais tarde, quando se apercebeu do engano, rasurou o documento, alterando a data da validade para Janeiro de 2005. Um erro provocado pela ansiedade de seguir viagem com os companheiros para o estágio de pré-época e que o jogador terá cometido pelo próprio punho, de acordo com informações fornecidas ao nosso jornal por uma fonte do SEF e outra da PSP do aeroporto de Lisboa. A desatenção do angolano esteve à beirinha de resultar num caso grave. Em primeiro lugar teria de passar a noite no aeroporto, nas salas de detenção do SEF, ainda na zona internacional (onde costumam ficar os passageiros que não chegam a entrar no território) à guarda dos agentes do SEF, como é hábito. Depois, seria apresentado em Tribunal logo pela manhã, correndo riscos de pena grave. A mulher salvou a noite Tomando conhecimento do que se passa va, a mulher de Pedro Mantorras dirigiu-se ao aeroporto e garantiu que tinha colocado o passaporte correcto — o que tem validade até 2006 e que Mantorras julgava não ter levado para a Suíça — nas malas do jogador. Perante a insistência, os serviços de alfândega libertaram a bagagem de Mantorras (até aí, igualmente retida) e os funcionários do SEF puderam então revistá-la e descobrir o passaporte correcto, válido até 2006, para surpresa e alívio de Mantorras. O angolano deixou o aeroporto já de madrugada e não ganhou para o susto. O que é de espantar, além do desfecho desta história, é a forma como Mantorras conseguiu viajar de Lisboa para a Suíça e regressar, sempre com visto e o passaporte rasurado. Terá existido desatenção dos serviços de aeroportos, facto que, naturalmente, não desculpa o comportamento do jogador do Benfica. Paolo Conti falou com Trapattoni Paolo Conti, empresário de Adani, falou ontem como treinador do Benfica, Trapattoni, comprometendo-se a dar uma resposta do jogador durante o dia de hoje. O prazo tem sido adiado consecutivamente, mas desta vez é o empresário italiano a prometer dar uma resposta ao Benfica: «Precisávamos de mais um dia para pensar bem. Esta sexta-feira daremos uma resposta ao Benfica », frisou. Por parte do Benfica, a posição é clara: não pagar ao Inter e esperar que o jogador se desvincule do clube italiano. Uma posição que joga com a necessidade do Inter dispensar o jogador mas que corre riscos face a outros concorrentes: «O Bolonha e a Sampdoria estão no terreno com propostas concretas e essa pode ser uma hipótese para o jogador caso não vá para o Benfica»,vincou Paolo Conti. Por seu lado, José Veiga já admitia ontem que Adani poderá não ser o central quem vem reforçar o Benfica, avançando com a chegada de um central e de um avançado proximamente. Mas um novo dado pode fazer reequacionar a contratação de um central: Trapattoni ficou impressionado com a exibição de Amoreirinha como central e retirou pressão para o reforço desta posição. De adiamento em adiamento, e depois de dois limites ultrapassados, todos se comprometeram, salvo algum imprevisto, a dar hoje um desfecho ao dossier Adani. Finalmente juntos TRAPATTONI teve ontem, finalmente, o primeiro contacto com os internacionais que estiveram a gozar um período de férias pós-Euro. Durante uma hora, o técnico italiano fez questão de acompanhar os jogadores nas corridas e nos restantes exercícios físicos. Mas só hoje o técnico contará com todo o plantel. Prevê-se romaria das antigas ao Estádio da Luz. Eram poucos mas a qualidade exigiu a presença dos mais altos responsáveis pelo futebol encarnado. Moreira, Quim, Miguel, Petit e Simão Sabrosa (com o cabelo rapado) trabalharam ontem pela primeira vez com Giovanni Trapattoni e restante equipa técnica, numa sessão que decorreu ao final da tarde, no Estádio da Luz, e que mereceu a presença de Luís Filipe Vieira, José Veiga e do chefe do departamento médico, João Paulo Almeida. Durante uma hora, o técnico italiano fez questão de acompanhar a maior parte dos exercícios físicos — a bola não fez parte do treino — à semelhança do que fez com os restantes jogadores no estágio realizado no estágio de Nyon. Foi a oportunidade para os internacionais conhecerem a forma de trabalhar do sucessor de José Antonio Camacho e as primeiras impressões deverão ter sido as melhores, pois além de acompanhar os atletas até nos abdominais, Trapattoni também conversou bastante com este quinteto de ouro. A ausência mais marcante foi a deNuno Gomes, que não subiu ao relvado para realizar trabalho de ginásio. Fyssas também não compareceu, pois àquela hora ainda estava a preparar a viagem para Lisboa, onde acabaria por chegar já de noite. Romaria à Luz A reunião da grande família dar-se-á, portanto, no decorrer do dia de hoje. De manhã todo o plantel juntar- se-á para uma sessão de banhos e massagens e à tarde, aí sim, estarão reunidos todos os motivos de interesse: será a primeira vez, desde que reabriu a oficina da Luz, que Giovanni Trapattoni irá orientar uma sessão no relvado com todo o plantel. Prevê-se grande afluência de adeptos — ontem eram muitos os que queriam ver simples corridas — até porque as portas estarão abertas. APLAUSOS à chegada VINHAM cansados mas a forma como foram recebidos compensou algumas complicações no aeroporto. É que, de uma forma espontânea, jogadores, técnicos e dirigentes foram agraciados com muitos aplausos das pessoas que marcavam presença na zona das chegadas. Além disso, à espera da comitiva lá estava o novíssimo autocarro há tanto tempo prometido. Vermelhão, pois claro... Chegaram atrasados, com cara de poucos amigos. E as razões eram óbvias. A comitiva encarnada ficou retida durante muito tempo na zona da alfândega e jogadores como Paulo Almeida e Alcides tiveram alguns problemas com os documentos de identificação — mas nada comparado com o caso de Mantorras [ver página 14]. No entanto, ultrapassada, finalmente, a porta das chegadas, o filme mudou. Muitas das pessoas que marcavam presença naquela zona do aeroporto, que esperavam amigos e familiares, ovacionaram a equipa com muitos aplausos — foi mesmo um gesto espontâneo, pois não se tratavam de adeptos que se deslocaram com o propósito de esperar o Benfica — e as expressões começaram a alterar-se. «O estágio correu bem, vamos continuar a trabalhar assim», dizia Yannick, antes de entrar no novo autocarro do clube. Todo vermelho, sem primar pela espectacularidade, mas moderníssimo e... tecnológico. Sinal da nova era. Quero ser feliz no Benfica! O campeão europeu do Benfica regressou ontem a Lisboa. Fyssas ficou de férias mais alguns dias, devidamente autorizado pelo Benfica, que foi sensível ao facto de o jogador grego ter casado recentemente e ter ficado com pouco tempo para a lua-de-mel —participou no Euro 2004. Fyssas chegou confiante e com vontade de integrar o projecto do clube: «Estou com muita vontade de voltar a trabalhar com os meus companheiros. Quero ser feliz no Benfica, como fui no ano passado.» À Luz terá chegado uma proposta para a transferência do defesa grego, mas Fyssas nem quer ouvir falar disso: «Não sei de nada e não quero falar sobre esse assunto. O Benfica sabe o que é melhor e estou muito contente e orgulhos por estar a jogar no Benfica. Estou feliz com a conquista da Taça de Portugal... Este ano vamos ver como corre.» Este ano vai ter a concorrência de Manuel da Silva... «Todos os bons jogadores são bem-vindos.» quinta-feira, julho 22, 2004
Eusébio foi «rei» no Brasil Eusébio foi hoje homenageado na Galeria da Fama do Estádio do Maracanã, ao colocar os pés no cimento, perpetuando a sua fama ao lado de jogadores como Pelé, Zico, Didi, Garrincha e Nílton Santos, entre outros. Eusébio ASF De resto, Eusébio foi o primeiro jogador estrangeiro a receber tal honra por parte da Superintendência do Estádio, a que se seguirão nomes como Beckenbauer, Bob Charlton e Maradona. Eusébio não escondeu a emoção e vincou estar a viver um dos momentos mais importantes da sua vida: «O Maracanã é uma autêntica catedral do futebol e aqui disputei diversos jogos. Lembro-me de um Santos-Benfica e de um Brasil-Portugal, na final de uma Minicopa, perante 180 mil pessoas. Ficar aqui perpetuado junto de Pelé, um irmão e um amigo, e de Garrincha, uma figura maravilhosa que sempre admirei, ainda me deixa mais honrado. Não tenho palavras, a emoção é indescritível. Sempre tive um grande carinho pelo Brasil e pelos brasileiros. Em meu nome, dos portugueses, dos benfiquistas e dos africanos, o meu obrigado.» Adani pediu 24 horas ADANI reuniu-se ontem com o presidente do Inter de Milão, Giacinto Facchetti, para manifestar o seu desejo de representar o Benfica e tentar acertar o pagamento das verbas a que tem direito. Após três horas e meia de reunião, agendou novo encontro para hoje e pediu ao Benfica 24 horas antes de tomar uma decisão. O central abandonou de repente o estágio do Inter, em Riscone di Brunico, e fez quase 400 quilómetros de carro até Milão para se reunir, ao lado do empresário Paolo Conti, com o presidente do Inter, Giacinto Facchetti. A reunião começou às 15 horas e o presidente quis ouvir da boca de Adani o que o empresário lhe vinha contando: que, a não ficar em Milão, gostaria de trabalhar com Trapattoni no Benfica. Depois, avançaram as negociações quanto ao dinheiro que o Inter tem de pagar a Adani: trinta por cento que os jogadores aceitaram receber a menos e que seria liquidado quando saíssem. Três horas e meia de reunião não foram suficientes para desbloquear a situação. No final, Adani foi muito parco empalavras: «Não posso ainda dizer se saio se fico mais um ano. Estivemos a conversar sobre uma possível desvinculação do Inter, mas não tenho novidades. Dependerá do Inter. Não sei quando se resolverá esse assunto. O Benfica? Prefiro não falar», concluiu. O Benfica avisara que só esperaria até hoje por uma resposta, pelo que o jogador já falou com os dirigentes encarnados a pedir mais 24 horas até haver uma decisão. Quanto custa Adani? Para o Inter, o passe de Adani está avaliado em 700 mil euros. É isso que tem pedido a outros clubes. Já José Veiga disse publicamente que o Benfica aceitaria o jogador se não tivesse de pagar a transferência ao Inter. Aparentemente contraditórias, estas posições são conciliáveis: como o Inter tem de pagar a Adani uma verba a rondar os 900 mil euros, se este aceitar receber apenas 200 mil fica livre para ir para onde quiser. E o jogador que se entenda com o Benfica, que poderia suportar parte dessa dívida, em prestações mensais, a juntar ao ordenado. Mas os cofres da Luz, embora mais desanuviados, não aconselham esta operação. De resto, não podem oferecer os 20 mil contos mensais que Adani aufere. O regresso à Fiorentina era ontem aventado. Adani, no fundo, quer perder o menos possível. Enquanto espera, fica a treinar-se em Milão. Mais fortes que na época passada Se em 2003/04 a equipa conseguiu devolver aos adeptos alguma da alegria perdida durante quase uma década no que toca a títulos, com a vitória na final da Taça de Portugal, em 2004/05 os benfiquistas poderão, finalmente, festejar a conquista do campeonato. Esta é a convicção de Miguel, fundamentada numa análise objectiva que faz ao actual plantel: comparativamente à temporada passada, o grupo está mais rico em qualidade e por isso estão reunidas todas as condições para os encarnados se apresentarem como reais candidatos ao título. Defeso é sinónimo de expectativas nos píncaros mas desta vez há qualquer coisa no ar que permite descortinar uma grande dose de confiança nos discursos dos jogadores do Benfica. Miguel é um bom exemplo. Autor de excelentes exibições no Euro-2004, o lateral-direito ganhou estatuto e é daqueles que transpiram autoridade cada vez que falam. Regressado de férias, começou ontem de manhã os trabalhos da nova época, no Estádio da Luz, e à saída não teve problemas em projectar com os jornalistas o que o Benfica pode fazer na presente temporada. «Já estamos juntos há muito tempo e penso que temos uma equipa mais forte que na época passada. Estiveram jogadores do Benfica no Euro que mostraram qualidades e por isso vêm mais confiantes. Este ano temos todas as condições para lutar por algo mais», frisou o camisola 23, desejando que a nível pessoal repita, no mínimo, as exibições rubricadas na última temporada. Juventude com qualidade Miguel esteve de férias e confessou não ter visto os dois primeiros jogos que a equipa realizou no estágio que teve lugar na Suíça, e que hoje conhece o seu fim. Mas tentou manter-se informado, quer em contacto telefónico com os colegas quer através da imprensa. E as impressões que tem retirado são positivas. «Pelo que tenho lido nos jornais a equipa está muito bem, com gente nova e boa», frisou. Certamente que ontem à noite já teve oportunidade de ver o encontro com o Marselha ficar com melhor noção dos jovens valores que despontam na Luz... Trap, ou o vício de ganhar Três jogos, três vitórias, cinco golos marcados e nenhum sofrido, eis o cartão de visita do Benfica possível, face à ausência da maioria dos jogadores envolvidos no Euro-2004, que estagiou na Suíça, preparando a nova época. Ontem, perante um Olympique de Marselha arrogante e violento, os pupilos de Trapattoni deram uma lição de rigor e organização, vencendo com absoluta justiça. Giovanni Trapattoni pegou num grupo de jogadores, muitos deles praticamente desconhecidos do grande público, e, em menos de 15 dias, dotou-os de noções precisas de organização táctica, aplicadas exuberantemente ao longo dos três jogos de preparação que o Benfica realizou na Suíça. Trata-se, para já, da primeira chapelada que o experiente técnico italiano merece, na qualidade de responsável pelo futebol encarnado. É bom que ninguém duvide que os nomes que vão compor o onze inicial do Benfica, logo que os ausentes sejam incorporados, integrará poucos dos que tão boa conta de si deram em terras helvéticas. Mas, a qualquer momento, Trapattoni saberá que tem qualidade e juventude no plantel, a que pode deitar mão, ao longo da época. E esse foi, sem dúvida, um dos méritos destes jogos, o primeiro contra o incipiente Carouge, o segundo contra o Saragoça, detentor da Taça de Espanha, que vendeu cara a derrota, e ontem, contra o finalista da Taça UEFA, que mostrou mau perder e pouca educação. Viva a organização Sem Quim, Miguel, Luisão, Adani?, Fyssas, Petit, Nuno Gomes e Simão, o Benfica de Genève só derrotou o Marselha porque agiu como uma equipa, organizada, com pensamento colectivo e entreajuda notável. Do mais pintado, por exemplo Zahovic, ao menos cotado, por exemplo João Vilela, todos actuaram em bloco, com entrega e muita lucidez, cumprindo à risca as instruções de Trap. Oitaliano, desta feita, optou por mudar a táctica, passando do 4x1x4x1 dos jogos anteriores para um 4x4x1x1 interpretado a rigor. Foi assim: à frente dos centrais, o Benfica apresentou um duplo pivot formado por Paulo Almeida e Bruno Aguiar, ficando João Vilela na direita e Geovanni na esquerda. À frente, Zahovic posicionava-se nas costas de Sokota, bem metido entre os três centrais franceses. Logo aí começaram as dificuldades dos arrogantes gauleses, que não atinaram com a melhor marcação ao capitão encarnado, solto para rematar com sucesso, à entrada da área, no golo de abertura. O Marselha, metido a brios, sentiu o toque, mas não encontrava espaços para incomodar por aí além a defesa do Benfica, onde João Pereira se confirmou, Argel manteve os adversários em respeito, Manuel dos Santos mostrou argumentos que devem preocupar Fyssas e Amoreirinha (fixem bem este nome!) deu um festival de bem jogar ao longo dos 90 minutos (é só pena aquele vício pateta de aplaudir o árbitro assistente cada vez que este assinala um fora-de-jogo). Os franceses apenas tiveram uma ocasião (30m), mas Yannick salvou com classe e logo no minuto seguinte foi a vez de Gavanon evitar o 2-0, por Tomo Sokota. Mais contenção Na segunda parte, o Benfica apenas realizou duas mexidas (contra seis dos gauleses), como se de um jogo a sério se tratasse. Já se viu que Trap não gosta de perder, nem a feijões e esse vício ganhador começa a contagiar a equipa. A entrada de Manuel Fernandes (54m) para o lugar de João Vilela deu mais consistência ao meio-campo, numa altura em que Paulo Almeida e Geovanni (que trocara com Bruno Aguiar) denotavam dificuldades. Trap mexeu bem na equipa e o sufoco foi-se atenuando. Já Mantorras deu mais alegria ao ataque e segurou os defesas marselheses, desesperados pela forma como Zahovic, com requintes de malvadez, fez o 2-0 que acabou com todas e quaisquer dúvidas. Ganhou o melhor. Este foi o teste mais difícil Giovanni Trapattoni somou, ontem, a terceira vitória à frente da equipa do Benfica, mas nem por isso embandeirou em arco. O técnico italiano gostou da atitude defensiva da equipa, mas reconheceu ter havido dificuldades em sair para o ataque. Três vitórias sem sofrer um golo é sempre motivante para qualquer equipa, mas para Giovanni Trapattoni, ainda há muitos aspectos a melhorar. «Sofremos muito na segunda parte, mas penso que demos mostra de uma boa organização defensiva. Naturalmente que temos quatro ou cinco jogadores muito jovens e para eles é importante ganhar experiência. Jogaram com entusiasmo, mas nota-se alguma ingenuidade » resumiu. Curiosa foi a forma como Trapattoni exemplificou o que acabara de dizer: «Viram o golo de Zahovic? Isso é importante, tem experiência. Estes jovens vão também aprender tudo aquilo que o futebol internacional tem de bom e se assim for poderemos fazer um bom trabalho na Liga.» Trapattoni explicou depois a ausência de Ricardo Rocha e a utilização de Argel. «Foi um grande problema. Falei com Argel na véspera, disse-lhe que tínhamos o jogo com o Real Madrid e valia a pena arriscar. Afinal, o Ricardo tinha febre e quem esteve para jogar foi Eduardo Simões. Não sei se teríamos ganho ou não, mas o futuro da equipa é mais importante ». Por último, o técnico encarnado elogiou a qualidade do adversário. «Diria que este foi o teste mais difícil. Primeiro porque o Marselha tinha menos um jogo e por isso mais frescura física. Depois, porque todos os seus jogadores são rápidos, e não se pode conceder-lhes espaços», concluiu. Equipa está forte Entre os jogadores o entusiasmo de Argel foi mais evidente e deu voz a esse estado de espírito. «Sinto-me cada vez melhor e estou feliz por ver o Benfica no caminho certo», referiu. Novamente em foco, pela garra que demonstrou, o brasileiro preferiu destacar o trabalho do grupo, mesmo admitindo estar em boas condições físicas: «Só peço a Deus que não surja nenhuma lesão. No ano passado, estava em boa forma e lesionei-me. Espero crescer ainda mais de forma e ajudar o Benfica.» O mesmo desejo tem o guarda-redes Yannick: «Não tive muito trabalho, mas é bom sinal. Significa que a equipa está mais forte. O meu objectivo era preparar-me fisicamente. Fiz três jogos, os outros terão também as suas oportunidades. Somos três e todos querem jogar.» |
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