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segunda-feira, maio 31, 2004
Conto os dias para vestir esta camisola Alcides é um moço alegre, daqueles muito certinhos, cujo maior sonho sempre passou por uma bola de futebol. Inesperadamente, o azar bateu-lhe à porta e ficará afastado dos relvados durante alguns meses. Confessou ao nosso jornal que a saudade já aperta, à medida que convive a cada minuto com a recuperação. Foi um Alcides nostálgico e sentimental, já a pensar no Benfica, que fomos encontrar em São Paulo. — A sua lesão surgiu, de facto, na pior altura... — Parece que acordei de um pesadelo que me transportou do relvado para esta cama. Mas tenho de conviver com isto e Deus tem-me dado força para superar tudo da melhor maneira possível. Não vejo a hora de calçar umas chuteiras e chutar uma bola. — Ainda não caiu na realidade? — Já! Minha ficha já caiu e acordei para a realidade. Foi tudo muito rápido e só espero que daqui para a frente ainda seja mais. Quando fui operado deram-me um calmante e nada senti. Quando acordei estava meio zonzo, desconfiado, nervoso. Três horas depois, com o conforto da família, fui-me encontrando. Mas esta rotina atormenta-me, embora a cada dia que passa vá ficando entusiasmado com a reacção das pernas e do joelho, que já desinchou. Apoio fundamental —Ser operado no Brasil foi a melhor solução? — Essa decisão não dependia de mim, mas agora sinto que foi realmente o melhor. A minha mãe, a minha irmã e os amigos têm-me dado um apoio muito grande. O dr. Moisés Cohen é uma figura maravilhosa e não me tem faltado atenção. Não está em causa o valor de outrosmédicos, mas a verdade é que me sintomais confiante e até feliz por ter sido operado por uma autoridade como o dr. Cohen. Esse facto elevou muito a minha moral e confiança para o futuro. — Tem aprendido algumas coisas ao longo da recuperação? — Sem dúvida. Claro que a cada dia mais me interesso pelo meu caso, através das conversas com médicos e fisioterapeutas. Além disso tenho procurado ler sobre o assunto. Isso tem sido fundamental para não mergulhar numa realidade que não é a minha. A grande nostalgia que sinto é pela ausência de bola. Mas é assim... — Que tem feito para passar o tempo? — Leio, vejo televisão, converso com os amigos. Tudo isso é uma ajuda muito grande. Apoio não me tem faltado. Além disso vou contando os dias para me ver de encarnado, de águia ao peito, para vestir a camisola do Benfica. Não o posso fazer já porque ainda te nho contrato com o Santos, até 30 de Junho, e isso iria colocar-me problemas face à verba que recebo proveniente dos direitos de imagem. Mas a camisola do Benfica, que pela primeira vez tenho em mãos, já me conquistou e quero defendê-la com todo o carinho e determinação. — Passou pela sua cabeça não poder jogar mais? — No primeiro instante passa tudo pela cabeça... É um momento de incerteza que se vive. Especialmente para uma pessoa como eu, que sou jovem e nunca tinha passado por algo idêntico. Daí ter sido fundamental a realização da operação no Brasil, onde me foi possível aceitar toda esta situação com mais naturalidade e confiança. Fui tomando conhecimento de que no futebol há muitos casos iguais ao meu, de muitos jogadores famosos. Casos de Rivaldo, Raí, Vampeta e tantos outros, que voltaram a jogar normalmente. Acidente de percurso — O seu maior desejo neste momento é voltar a jogar? — Não penso noutra coisa e chego a sonhar com isso. Já me vejo vestido de encarnado. Sei que vou para um clube grandioso, glorioso e isso enche-me ainda mais de orgulho. Quero agarrar esta oportunidade na minha carreira e ser feliz. No princípio pouco sabia do clube, mas hoje, pela informação constante que vou tendo do Benfica e do futebol português, o meu entusiasmo vai crescendo. O que me aconteceu foi apenas um acidente de percurso, é assim que tenho de encarar as coisas. O meu coração disparou RICARDO ROCHA nem queria acreditar quando ouviu que uma alegada irregularidade na sua inscrição poderia custar ao Benfica a Taça de Portugal e o segundo lugar. «O meu coração disparou», comenta, lembrando momentos de nervosismo que só cessaram quando contactou os responsáveis do Benfica, que o tranquilizaram. Em tempo de férias, descansa de uma «época complicada», mas com final feliz e fala ainda do sonho que tinha de estar no Europeu. Ricardo Rocha esteve ontem em Ribeirão, perto de Famalicão, como convidado de um torneio que juntou cerca de 400 crianças de diversas escolas de futebol. A equipa vencedora, refira-se, viajou de Caxinas: Escola de Futebol Hélder Postiga. Ricardo Rocha esteve mais de uma hora a dar autógrafos e, diga-se, nenhuma das crianças terá deixado de pedir uma recordação do jogador do Benfica, independentemente das cores clubistas de cada um. No final, abordou pela primeira vez a polémica gerada em torno da sua alegada inscrição irregular e que poderia ter posto em causa não só a Taça de Portugal como o segundo lugar na SuperLiga e o acesso à Liga dos Campeões. «Ouvi a notícia no Jornal da Noite da SIC e confesso que não vivi esses momentos com tranquilidade. O meu coração disparou», começou por revelar o central encarnado. «Fiquei muito nervoso por ver o meu nome envolvido numa coisa como esta. Diziam que o Benfica podia perder a Taça e o segundo lugar. Ver o meu nome, mesmo sem culpa, ser responsável por uma coisa dessas deixou-me muito nervoso. Mas depois falei com as pessoas do Benfica, que me tranquilizaram», juntou, satisfeito por nada se confirmar. Nova época, com confiança Ricardo Rocha está em gozo de férias, a recuperar energias. «Não foi uma época fácil, com muitos dramas, como as mortes do Miki e do Bruno Baião», frisou, em lamento. «Tivemos de ultrapassar muitas dificuldades, mas a época acabou por terminar bem. Ganhámos a Taça, conseguimos o segundo lugar, por isso ficámos todos felizes», juntou. Agora, sublinha, «é tempo de descansar e de preparar a próxima época com confiança». Paralelamente, Ricardo Rocha não vai perder pitada do Europeu e, naturalmente, estará a apoiar as cores lusas. E não esconde que chegou a alimentar o sonho de ter sido um dos eleitos de Scolari. «É claro que fiquei triste por não ter sido convocado, porque guardamos sempre alguma esperança.» Um desabafo que não esconde um grande sentido da realidade. «Eu já estava mais ou menos preparado para isso. Sabia que seria complicado ser convocado. Por várias razões. Até porque para a minha posição a concorrência era fortíssima e há jogadores que já tinham sido chamados com maior regularidade», concluiu. Objectivo é ficar no plantel Mesmo ao serviço da Selecção Nacional de sub-20, que se encontra em França para disputar a 32.ª edição do Torneio de Toulon, Amoreirinha não esquece o Benfica, clube ao qual se vinculou por cinco épocas. O defesa-central, formado nas escolas do Alverca, está «muito feliz» com a mudança de emblema e, confrontado com a hipótese de ser cedido a título de empréstimo na próxima época, não hesitou em revelar forte ambição: «O meu objectivo é ficar no plantel.» Portugal estreia-se depois de amanhã no Torneio de Toulon versão 2004. Entre os 20 convocados por Rui Caçador, Amoreirinha é um dos oito que ajudaram a conquistar a edição 2003 da competição que tantos talentos tem revelado ao longo dos anos. Sem querer desviar atenções da equipa das quinas, o defesa-central, de 19 anos (completa 20 a 8 de Agosto), confirmou a notícia avançada ontem por A BOLA. «Assinei pelo Benfica por cinco anos», disse, junto à entrada principal do Estádio Louis II, no Mónaco, onde a comitiva lusa passou a tarde de ontem: «Julgo que este não é o contexto ideal para falar de clubes. Digo apenas que estou muito feliz por ir representar o Benfica.» E nem a possibilidade de passar a próxima época a rodar noutro emblema, antecâmara da entrada definitiva na Luz, parece desanimar o jogador lançado no Alverca por José Couceiro: «Só penso emficar no plantel. É esse o meu objectivo.» Para já, Amoreirinha — nome completo Euripedes Daniel Adão... Amoreirinha — só quer pensar na Selecção de sub-20: «Este grupo é excelente. Temos qualidade para repetir o primeiro lugar alcançado em2003.OBrasil é um dos favoritos, a quem vamos tentar ganhar na quarta-feira, aquando da nossa estreia no torneio. Quanto ao Japão e à Suécia, os outros adversários, também têm valor.Pensaremos neles a seguir ao jogo diante dos brasileiros.» «Grande salto» (Rodolfo Lima) Quase uma semana depois de ter rubricado contrato com o Benfica—assinado na passada segunda-feira —, Rodolfo Lima ainda fervilha de emoção. Primeiromais comedida, enquanto o negócio esteve no segredo dos deuses, mas, depois da notícia vir a público, exteriorizada em pleno.Repetiram-se os telefonemas de parabéns e ainda ontem se multiplicava em contactos com a comunicação social. «Éumgrande salto, um momento muito bom para mim e estou extremamentefeliz », disse aABOLA, pouco preocupado com a tão propalada possibilidade de ir rodar noutros clubes da SuperLiga: «Se vou ser emprestado ou não, não sei, mas não me importo que isso aconteça.Emdois anos conseguiumcontrato com o Benfica e agora só quero continuar jogar na Super- Liga. Mas não sei mais nada.» Seja como for, Rodolfo Lima, ainda sem saber em que data terá de apresentar na Luz, uma vez que até pode ser cedido de imediato (Belenenses é forte hipótese), não se dá já por vencido quanto à conquista deumlugar no plantel encarnado da próxima temporada e promete tudo fazer para jogar o mais rápido possível de águia ao peito. domingo, maio 30, 2004
Miguel pode sair SAÍDA em estudo? A SAD do Benfica está a equacionar a hipótese de realizar encaixe financeiro necessitando para isso de ceder um dos seus activos mais valiosos. Miguel é dos jogadores com mais propostas, sendo que o nome de Tiago também tem sido solicitado. Apesar da aposta em manter as principais referências do plantel, tudo indica que uma delas poderá sair. Se há um ano a filosofia passou por não ceder nenhuma das figuras da equipa, de modo a poder garantir um plantel equilibrado, desta f e i t a a SAD equaciona a cedência de um dos seus activos de maneira a poder realizar encaixe financeiro necessário para reforçar o orçamento destinado ao f u t e b o l e equilibrar as contas da soc i e d a d e . Deste modo, um dos jogadores mais apreciados pelo mercado europeu é o do lateral Miguel, que actualmente se encontra a representar a Selecção Nacional. Têm sido diversos os clubes a sondar os encarnados, perguntando pelos valores exigidos para libertar o passe do internacional portug u ê s . Manchester e Newcastle, de Inglaterra, e Marselha e Paris Saint- Germain, de França, são os clubes melhor colocados na corrida ao jogador que na última época e meia se transformou num dos laterais com maiores potencialidades no futebol europeu. Uma garantia, no entanto: é certo que o Benfica apenas o deixará sair perante a certeza de um encaixe financeiro bastante vantajoso e no caso de a proposta agradar igualmente ao jogador. Ou seja, os encarnados não farão qualquer negociação à revelia do atleta, nem que para tal tenham de esperar pelo final do Euro- 2004, prova que, caso lhe corra de feição (se for uma das opções de Scolari para a titularidade), poderá inflacionar ainda mais o seu passe. Tiago também cobiçado Se é certo que é em nome de Miguel que mais propostas têm surgido na SAD benfiquista, não deixa igualmente de ser verdade que Tiago também é apontado por diversos clubes europeus como sendo um alvo apetecível face às suas características de incansável batalhador no meio-campo. Há um ano, a possibilidade de trocar o Benfica pelo Barcelona foi bastante forte, mas o processo não se consumou acabando por permanecer na Luz, tal como José Antonio Camacho pedira. Ainda assim, e apesar de este ano os encarnados mostrarem alguma disponibilidade para negociar (desde que as propostas sejam aliciantes, insistase), a política a seguir passa igualmente por não permitir a saída dos activos mais preciosos para a equipa, de maneira a formar um conjunto de jogadores que criem uma identidade própria no clube... uma medida, de resto, preconizada por Camacho e que Luís Filipe Vieira e José Veiga pretendem levar a efeito. Daí que apenas um jogador poderá sair, não mais que isso Rui Duarte na lista? E se Miguel sair, quem o substitui no lado direito da defesa? Sem ter de recorrer ao mercado, o treinador que chegar à Luz terá em Armando e João Pereira as primeiras opções. Mas é possível que este seja um dos sectores a reforçar. Rui Duarte, lateral direito do Estoril, foi seguido com atenção durante a época que ditou a ascensão da equipa da linha de Cascais à Super- Liga e as apreciações foram bastante favoráveis. A concretizar-se seria a mudança de toda a ala direita do Estoril para a Luz, tendo em conta que Carlitos irá assinar em breve por cinco épocas. Amoreirinha, que acabou de assinar por cinco anos [ver pág. 21], poderá cumprir este sector, embora o objectivo seja o de emprestar o jovem proveniente do Alverca. Para já, no entanto, a prioridade dos encarnados é definir rapidamente a constituição da equipa técnica que substituirá a que foi liderada por Camacho. O que deverá acontecer, o mais tardar, até ao final da próxima semana. Vieira traça perfil do treinador LUÍS FILIPE VIEIRA, presidente do Benfica, enunciou ontem aos benfiquistas de Vila Real de Santo António os cinco requisitos que o novo treinador terá de cumprir. Mostrou-se orgulhoso da época desportiva , prometeu que não sairá nenhum dos bons jogadores, virão mais reforços e espera ser campeão em breve. Ao mesmo tempo, mostrou-se agastado com alguns ataques que entende estarem a ser feitos ao Benfica. «Um treinador com forte personalidade; que não se deixe influenciar; com grande capacidade de trabalho; profissional sério; conhecedor do futebol moderno». Eis o perfil do treinador que oBenfica vai contratar, traçado no jantar da inauguração de mais uma Casa no Algarve. «Não deixaremos sair nenhum dos principais jogadores. Contamos com eles para construir uma grande equipa e sermos campeões, se possível no próximo ano», frisou. Prometendo mais reforços, o presidente mostrou-se «orgulhoso» desta época, num «percurso sério» e «grande força mental», apesar dos «contratempos e fatalidades», falando de Fehér e Bruno Baião, cuja memória foi aplaudida de pé. Depois, enviou abraços a jogadores e a José Antonio Camacho. Filipe Vieira está orgulhoso também pelos seis jogadores chamados à Selecção, «todos portugueses», e acredita que a espinha dorsal das quinas será da Luz. O presidente falou no novo cartão de sócio, a lançar em Julho. «Não esperem que seja o presidente a resolver tudo. Temos de ser um Benfica único, com todos a lutar pela instituição.» Lembrou o percurso de credibilização junto da banca e anunciou para breve a renegociação de todo o passivo. Falou ainda de profissionalização e elogiou os novos quadros do Benfica. «Achincalhar, não!» O presidente do Benfica está agastado com alguns «ataques» que estão a ser feitos ao Benfica. Assumiu a ruptura com a SIC e diz estar «farto do recorde de mentiras». Desmentiu qualquer dívida à Polícia, como noticiava um diário. Por isso, pede que todos «castiguem quem está a fazer mal ao Benfica». «Houve tempos em que nos achincalhavam. Onde houver um benfiquista terá de haver quem o impeça. Não vou permitir que falem mal da instituição », reiterou. Foi emeuforia que terminou o discurso para 500 convivas, a mesma euforia com que foi recebido na Câmara, cuja recepção tantas vezes foi interrompida com cânticos e vivas. Cerca de mil benfiquistas invadiram as ruas desta cidade, atrás do presidente, parando o trânsito e espantando turistas, rumo à bonita casa inaugurada. Com Filipe Vieira esteve João Salgado, MárioWilson, José Bastos, José Gomes (AF Algarve), autarcas, entre outros. Águias caçam em Alverca QUATRO jogadores do Alverca assinaram contrato por cinco anos e um por quatro, com o Benfica. Rodolfo Lima, Amoreirinha, José Rui e Artur Futre vincularam-se por cinco épocas e Manú por menos uma. Todos eles deverão ser emprestados a clubes da SuperLiga, para rodarem, estando o Estoril à cabeça. Amoreirinha pode ser a excepção. O Benfica está disposto a alterar radicalmente a sua filosofia de trabalho e a primeira prova acaba de ser dada, com a contratação de cinco (!) jogadores do plantel do Alverca.Rodolfo Lima, Artur Futre, José Rui e o polivalente Amoreirinha comprometeram-se com os encarnados para as próximas cinco épocas, enquanto o vínculo contratual de Manúé de apenas quatro. Aaposta nestes jovens reforços visa, fundamentalmente, precaver o futuro do clube, pelo que todos eles deverão ser emprestados, à excepção de Amoreirinha, que pode vir a ser integrado no plantel da equipa principal. Este último já tinha merecido, na época passada, a atenção do FC Porto,que tencionava colocá-lo, inicialmente, na equipa B, de modo a ganhar rodagem antes de subir à formação principal. Caso não fique na Luz, Amoreirinha poderá rumar ao Vitória de Setúbal, por empréstimo, tendo em conta que José Couceiro conhece muito bem as suas características. Goleador Rodolfo Lima Se o internacional sub-20 é tido como um promissor defesa, Rodolfo Lima, 24 anos, pode ser visto como a grande revelação do Alverca, na época finda. Além de ter sido o melhor marcador, com dez golos, foi o jogador que mais golos obteve fora de casa (sete), apenas superado por Liedson, que apontou oito, e foi muitas vezes observado por emissários estrangeiros. Não será desta que vai vestir a camisola do Benfica uma vez que está acertada a cedência, por empréstimo, ao Estoril.Massemantiver onível pode muito bem regressar à Luz na próxima temporada. Por sua vez, Manú é um velho conhecido do departamento de futebol doBenfica, que já o tinha referenciado no passado recente, chegando-se a especular sobre a possibilidade de ter assinado um pré-acordo, o que não veio a confirmar-se. Concretiza agora o velho sonho, desconhecendo-se, no entanto,em que clube irá rodar. Segue-se José Rui,umesquerdino que começou a dar nas vistas com o Alverca na II Liga e só a espaços teve oportunidade de demonstrar o seu valor na SuperLiga. Jogou em 17 ocasiões e apontou apenas um golo, mas o seu forte são os dribles e as assistências. Por último, Artur Futre, 21 anos, sobrinho da ex-estrela de Sporting, FC Porto, Benfica e Atlético de Madrid. Foi o menos utilizado de todos, participando apenas em quatro jogos, mas ainda vai a tempo de seguir as pisadas do tio. sábado, maio 29, 2004
Luís Filipe Vieira e Mantorras no Algarve O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, estará este sábado em Vila Real de Santo António, no Algarve, para inaugurar mais uma casa do Benfica. O líder encarnado estará acompanhado por Mantorras, além de Carlos Colaço, responsável pelo pelouro das Casas, Filiais e Delegações, João Salgado, chefe de gabinete da presidência, e as ex-glórias Palmeiro Antunes, José Bastos e Mário Wilson. As festividades começam às 19 horas, com a tradicional recepção nos Paços do Concelho, pelo presidente da autarquia. Meia hora depois a comitiva encarnada dirige-se para a sede, que será oficialmente inaugurada pelo presidente do Benfica. Segue-se um megajantar para algumas centenas de benfiquistas. Uma jornada de confraternização que ficará concluída com o discurso de Luís Filipe Vieira. Só se o Benfica não me quiser... O ponta-de-lança croata não quer confusões em torno da sua continuidade na Luz. «É natural ter propostas e o Benfica tem conhecimento de algumas, mas não vou falar com outros clubes porque acredito que vou continuar no Benfica. Só não fico se o clube não quiser», esclareceu a A BOLA. Sokota entende merecer um «bom contrato», mas reconhece que o processo de renovação «não está fácil». O processo de renovação contratual de Tomo Sokota está num impasse e o jogador tem recebido propostas de outros clubes europeus, como o nosso jornal noticiou na sua edição de ontem. Não era intenção do jogador pronunciar-se sobre esta situação, mas as palavras proferidas a um jornal croata acabaram por assumir proporções que o próprio não esperava. «Admiti a um jornal croata que tinha propostas mas nunca falei em Alemanha. O que o jornal publica não corresponde totalmente à verdade», começou por dizer o dianteiro, prosseguindo. «Começa a gerar-se muita confusão em torno desta matéria e sem justificação. As pessoas ainda começam a pensar que eu quero sair do Benfica, o que não faz qualquer sentido. Quero ficar e não penso em sair», garantiu. Sokota admite a cobiça de outros clubes europeus, mas recusa falar nos nomes ou nos países de origem. E justifica. «É natural ter propostas e penso que o Benfica tem conhecimento de algumas, mas já disse ao meu empresário que não quero saber de nada e que não falarei com nenhum outro clube porque o meu pensamento é continuar no Benfica, é essa a minha prioridade. Só não fico se o clube não me quiser. Nesse caso sim, teria de estudar as alternativas », referiu. Mereço um bom contrato O ponta-de-lança croata esperava negociações mais fáceis com vista à renovação contratual, mas não desanima. «Penso que fiz uma boa época e mereço um bom contrato, mas não está fácil. Estamos a negociar e acredito que podemos chegar a um entendimento. Caso contrário, não sei como será... Tenho mais um ano de contrato. Já expressei a minha vontade, agora é com os meus empresários e o Benfica, quero apenas concentrar-me no Europeu», disse. Sokota termina contrato em 2005, pelo que em Janeiro fica livre para se comprometer com outro clube. Quanto vale esta dupla? Não é fácil calcular, pois não? Seguramente seriam precisos muitos milhões e a generosidade de vários empresários como o russo Abramovich (patrão do Chelsea) para juntar na mesma equipa o benfiquista António Simões e Johan Cruyff, glória do Ajax e futebolista que encantou o Mundo na década de 70. A BOLA testemunhou o reencontro destes dois génios do futebol, no início desta semana, na Holanda. «Claro que sim, como não iria lembrar-me do António?» Foi desta forma, simples e simpática, que Johan Cruyff recebeu António Simões em Amesterdão, durante uma iniciativa patrocinada pela universidade à qual dá o nome e que distinguiu António Simões como o melhor aluno num curso de gestão desportiva, realizado em Lisboa. A cerimónia decorreu no velhinho Estado Olímpico, onde, curiosamente, decorreu o primeiro dos três encontros que Ajax e Benf i c a disputaram em 1968/69, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus. Foi essa a única vez que Cruyff e Simões se defrontaram enquanto jogadores. O benfiquista estava no final de uma carreira gloriosa e o holandês, com apenas 18 anos, crescia para se tornar naquele que muitos consideram o melhor jogador europeu de todos os tempos. «Com quantos anos estás? Estás em forma!» A cumplicidade entre os dois é própria de quem fala a mesma linguagem. A do futebol. «Estivemos juntos há cerca de um ano e curiosamente temos tendência para falar das mesmas coisas, dos nossos encontros», explicou António Simões. E é mesmo assim, porque nos olhos e nas palavras de Johan Cruyff jogam ainda as memórias de 68/69. «Joguei com o António, contra o Benfica. Lembro-me que perdemos aqui, em Amesterdão, e nevava muito. É sempre um prazer reencontrá-lo.» O director desportivo do Benfica (termina contrato em breve) também se recorda dessa época. «Perfeitamente. Lembro-me que no primeiro jogo o Benfica foi muito feliz e ganhou por 3-1. Ele não jogou muito bem, mas Otto Glória alertou-nos para o talento de Cruyff e que o jogo em Lisboa não seria fácil. Perdemos por 3-1 e jogámos a finalíssima em Paris... Acabámos por levar três golos já no prolongamento. Foi aí que começou a nascer aquele grande jogador e a grande equipa do Ajax, que em 1973/74 se reflectiu na selecção holandesa.» Este reencontro foi simbólico. Apertaram as mãos na frente do estádio que anos antes os abraçou num jogo memorável. «Com quantos anos estás Johan? Estás em forma!» O holandês já tem 57 anos. O ciclo tem de continuar mesmo sem Camacho António Simões deixará em breve de ser director desportivo, mas pode continuar no clube, com outras funções. Por isso mesmo, porque o Benfica se encontra numa fase delicada de início de temporada, Simões aborda os temas com cautela. O caso muda de figura quando se fala de Camacho, com quem construiu uma relação além da profissional. O futuro de António Simões no Benfica ainda não está definido. Em breve deixará de ser director desportivo, mas é provável que continue no clube, talvez no sector da prospecção de mercado. Por enquanto, Simões não o confirma. «Vou aguardar com tranquilidade. Tenho falado com as pessoas que devo e sinto que há vontade em que eu continue, mas agora não é o momento certo para falar sobre isso. Durante estes anos tenho trabalhado de forma serena e também o devo ser agora.» Quando o assunto é José Antonio Camacho, o director benfiquista fala com outra disponibilidade e reconheceu a importância do treinador espanhol para o Benfica. «Desde que o conheci em Madrid, até ao dia em que foi embora, construímos uma relação profissional e sobretudo de amizade, que não vai depender dos clubes que representemos. José Antonio Camacho, e pessoas como ele, iniciaram um trabalho muito importante no Benfica. É preciso que não se interrompa esse ciclo, que ele continue. Penso que o novo treinador deverá ter um perfil muito semelhante ao de Camacho. É evidente que parece não ter havido condições para que ele continuasse, mas este é o rumo. Os clubes também se fazem com convicções e é este o rumo», frisou. Simões entende que o Benfica ainda «continua numa fase crucial» da sua vida. «Ainda não conseguiu consolidar todos os projectos que iniciou. Está numa fase de continuidade e a escolha do treinador é extremamente importante para que o ciclo continue.» «Festa será quando ganharmos o campeonato» O director reconhece que foi «muito importante» o Benfica ganhar a Taça de Portugal, mas sublinhou que o clube deve querer mais: «Continuam por atingir objectivos fundamentais, como são ganhar o campeonato e começar a rentabilizar os jogadores da formação. Não me parece que um clube da dimensão do Benfica possa estar contente, ou satisfeito, só com a Taça de Portugal. Não se podem cometer excessos nos festejos, porque a grande festa será feita no dia em que ganharmos campeonato, no dia em que conseguirmos estar com regularidade na Liga dos Campeões.» Hélio Pinto em conversações O Benfica já iniciou conversações com vista à renovação contratual de Hélio Pinto, mas ainda sem sucesso. O médio foi uma das apostas de José Antonio Camacho na temporada passada, embora a sua projecção tenha ficado aquém da conseguida por João Pereira e Manuel Fernandes. Ainda assim, treinou-se quase toda a época com o plantel principal e chegou mesmo a estrear-se na SuperLiga e na Taça UEFA. Hélio Pinto tem 20 anos e o seu vínculo com o emblema da Luz expira em 2005, ou seja, em Janeiro fica livre para se comprometer com outro clube. A primeira proposta avançada pelo Benfica previa a renovação por uma temporada, com outra de opção, mas as condições não terão agradado ao jovem internacional. As conversações vão prosseguir nos próximos dias, sendo certo que o Benfica pretende resolver a situação com celeridade, por forma a segurar uma das suas promessas. Espero cumprir o meu contrato A gozar férias nos Estados Unidos, Daniel Gaspar, treinador de guarda-redes, espera cumprir o contrato até ao fim, apesar da saída de José Antonio Camacho. O treinador dos guarda-redes encarnados sente-se orgulhoso por Luiz Felipe Scolari se ter lembrado de Moreira mas, acima de tudo, pede apoio para o titular, Ricardo... Consumada a saída de José Antonio Camacho, Álvaro Magalhães e Daniel Gaspar deverão ser, tudo indica, os únicos membros da anterior equipa técnica a permanecer na Luz. A gozar férias nos Estados Unidos, mas com os dias totalmente ocupados com as suas escolas de futebol, o treinador dos guarda-redes encarnados diz ter recebido ordens para se apresentar no dia 5 de Julho e é isso que tenciona fazer. «A indicação que recebemos foi que os que têm contrato devem apresentar-se a 5 de Julho. Sinto-me muito satisfeito pela forma como as coisas correram na primeira época e também, por saber que os dirigentes do Benfica revelam confiança no meu trabalho », exprimiu. Admirador confesso de José Antonio Camacho, Daniel Gaspar vê com naturalidade a sua saída: «Não posso dizer que tenha ficado surpreendido, porque quando um treinador obtém bons resultados, é natural que os grandes clubes estejam atentos aos seus serviços. No caso de Camacho, regressou ao clube onde jogou toda a vida. O Real Madrid era para ele um sonho e o mérito de tê-lo concretizado é dele.» Além de Moreira, o técnico encarnado já trabalhou com Vítor Baía, Quim e Ricardo, na Selecção, mantendo uma boa relação com todos eles. Como qualquer português, Daniel Gaspar também tem seguido a polémica à volta dos guarda-redes da Selecção e tem a sua opinião pessoal sobre o assunto: «Nada tenho contra Vítor Baía. É um grande guarda-redes e ficará na história como um dos maiores de sempre, em Portugal. Infelizmente, não foi convocado e resta-nos apoiar os que foram chamados. Ricardo tem sido o titular e há que transmitir-lhe confiança. Não podemos esquecer-nos que fez belíssimas exibições na pré-qualificação para o Mundial de 2002 e que marcou a história do Boavista, por tudo o que fez na Superliga e na Liga dos Campeões.» Principal responsável pela evolução de Moreira no último ano, Daniel Gaspar destaca, igualmente, as qualidades do jovem guarda-redes. «Para ele, foi a cereja no topo do bolo. É um jogador com grande impacto nos sub-21 e sinto-me orgulhoso por terem reconhecido a grande época que realizou. Pessoalmente, se tivesse de optar, preferia vê-lo apenas nos sub-21, porque aí as possibilidades de jogar são muito maiores. Mas, Moreira é já um guarda-redes de créditos firmados e nesse aspecto, o seleccionador pode dormir tranquilo», considerou. sexta-feira, maio 28, 2004
Benfica e Real Madrid em cimeira da amizade Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, Florentino Pérez, homólogo do Real Madrid, e José Antonio Camacho deverão juntar-se em Lisboa na próxima semana, como forma de reconhecimento da lisura do processo de contratação do ex-treinador encarnado pelos merengues e para que as duas instituições estreitem ainda mais os laços de amizade. Foi a A BOLA que José Antonio Camacho deu a conhecer a intenção de se deslocar a Lisboa para jantar com Luís Filipe Vieira, a fim de se despedir, não só do presidente, com quem realça ter criado relações de amizade, mas também do próprio Benfica, clube que serviu no último ano e meio. Mas tudo indica que não virá sozinho. Camacho vai trazer igualmente o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, e, provavelmente, mais algum responsável madridista. Jorge Valdano era a opção provável, mas dada a sua situação com o clube da capital espanhola poderá ser Emílio Butrageño, director geral adjunto, a fazer companhia a Camacho e Florentino Perez. Por seu lado, naturalmente será Luís Filipe Vieira a marcar presença nesse encontro, talvez acompanhado por José Veiga. Ao que tudo indica, num restaurante da região da capital portuguesa, para almoço ou mesmo jantar. Este encontro está ainda numa fase embrionária. Houve já uma manifestação de vontades, sem compromissos definitivamente assumidos. As partes começaram por pensá-lo para a próxima semana, salvo qualquer contratempo, mas falta o agendamento desta verdadeira e significativa cimeira ibérica. Se não for já, será em breve, de certeza. Obrigado Benfica e amigos para sempre Com esta iniciativa, que partiu do próprio treinador e a que o clube espanhol se pretende juntar, visa-se não só que Camacho se despeça do Benfica como que o Real Madrid manifeste a sua solidariedade com o clube português. No fundo, o que as partes farão questão de realçar é a lisura e transparência com que a saída de Camacho do Benfica para o Real Madrid se processou. Lisura de todas as partes, em que cada qual procurou o melhor para si mesma, mas com conhecimento dos restantes intervenientes e sem que se provocasse qualquer tipo de melindre. O treinador espanhol, mesmo que em final de contrato e livre para decidir sobre o seu futuro, sempre mostrou a preocupação de sair do Benfica com a elegância com que entrou. De resto, foi Camacho que aproximou ainda mais Benfica e Real Madrid no passado recente, é ele também o elo de ligação para um futuro onde as duas instituições, que têm tanto em comum, podem vir a cooperar ainda mais. Em todos os capítulos. Por isso, é o Benfica o primeiro a querer salvaguardar a elegância de todo este processo, sabendo que terá em Camacho não só um amigo e embaixador como terá no Real Madrid um parceiro disponível para cooperar na medida das necessidades e possibilidades de cada um. Sokota tem propostas de outros clubes europeus As conversações entre Tomo Sokota e o Benfica, com vista à renovação contratual, estão paradas desde que o croata rumou ao seu país. As condições desejadas pelo jogador (cujo vínculo termina em 2005) ainda não foram aceites pela SAD e, segundo A BOLA apurou, o jogador tem propostas de outros clubes. O entendimento ainda é possível e o Benfica tem prioridade. O processo de renovação entre o Benfica e Tomo Sokota não está fácil e alguns clubes europeus já procuram tirar proveito da situação, na iminência de uma possível aquisição do jogador a custo zero. As reuniões efectuadas entre as partes não resultaram num entendimento e desde que o jogador rumou à Croácia, onde se encontra ao serviço da sua selecção, não mais existiram contactos. A bola estará neste momento do lado da SAD encarnada, a quem cabe a decisão de aceitar ou não as condições pretendidas pelo camisola 25. Em causa estão a duração do vínculo — jogador pretende renovar por mais de três anos — e as questões salariais. Sokota tem apenas mais um ano de contrato com o Benfica e, no actual cenário, em Janeiro fica livre para se comprometer com outro clube. A boa época realizada despertou o interesse de alguns emblemas e acresce o facto de Sokota ter conquistado o estatuto de titular na selecção croata, que deverá manter-se no Europeu. Situação que contribuirá) para uma valorização ainda maior. A qualidade inquestionável do jogador, aliada à trémula situação contratual, tornam-no, naturalmente, num alvo apetecível no mercado e, segundo o nosso jornal apurou, já existem mesmo algumas propostas na mesa. Pensamento na Luz Não é menos verdade que, como afirmou recentemente em entrevista de fundo concedida a A BOLA, a vontade do jogador é permanecer na Luz e renovar quanto antes para ficar tranquilo e encarar de cabeça limpa a próxima temporada. A prioridade é totalmente encarnada e, para já, aguarda uma palavra dos responsáveis do Benfica para definir o futuro. Contactado pelo nosso jornal, Sokota escusou-se a fazer qualquer tipo de comentário, manifestando apenas a sua total «concentração» na selecção croata e a firme «vontade» de renovar pelo Benfica. Benfica continua atento a Renato A SAD volta a apontar baterias para jogadores do Santos. Desta feita é Renato o alvo, há muito referenciado pelos encarnados para ocupar a posição n.º 10. Internacional pela selecção principal brasileira, Renato termina contrato com o peixe a 31 de Julho, mas os seus direitos desportivos pertencem a um grupo empresarial liderado por Giulliano Bertoluci, o mesmo agente que intermediou a transferência de Luisão para a Luz. No entanto, os encarnados não estão sozinhos na corrida pelo talentoso centro- campista, pois o Bayern Munique também o pretende e já terá feito, inclusive, uma proposta muito tentadora. Depois de Paulo Almeida e Alcides, o Benfica poderá voltar à carga em Vila Belmiro, sede e estádio do Santos FC, do Brasi. Renato, de talento inquestionável, titularíssimo da formação orientada por Wanderley Luxemburgo e internacional pela selecção A canarinha, pode um dos alvos da SAD liderada por Luís Filipe Vieira, segundo informações chegadas do Brasil. Por enquanto ainda não foram desenvolvidos contactos formais com o atleta ou o seu empresário, Cláudio Guadenho, até porque uma contratação deste calibre dependerá igualmente da definição equipa técnica. Seja como for, num frémito os encarnados poderão avançar com as devidas diligências junto deste médio de 25 anos, que nesta madrugada teve um jogo importantíssimo ao serviço do Santos, frente aos colombianos do Once Caldas, a contar para a segunda mão dos quartos-de-final da Taça Libertadores da América. Livre a partir de Julho À semelhança de muitos jogadores com nome consolidado no Brasil, Renato não é um jogador que obrigue a um esforço financeiro demasiado avultado para um clube (especialmente europeu) que o queira contratar. A crise instalada no futebol mundial levou os emblemas brasileiros a adoptarem uma táctica que se aplica ao atleta do eterno clube de Pelé: contratos curtos (ou mesmo empréstimos), cedência de direitos desportivos a um grupo financeiro e eventuais ganhos na transacção. Renato termina a sua ligação ao Santos no dia 31 de Julho, mas na época passada vendeu o seu passe a um grupo financeiro representado pelo empresário Giulliano Bertolucci, o mesmo que interveio na transferência de Luisão do Cruzeiro para o Benfica. E é aqui que os encarnados poderão encontrar uma via para consumar a contratação do médio que recentemente roubou o lugar na selecção a Emerson, jogador da Roma. Proposta de renovação Contactado po r A BOLA, o empresário de Renato, Cláudio Guadenho, através da sua assessoria, preferiu não estender-se em comentários acerca do interesse benfiquista, afirmando apenas a existência de «uma boa proposta de um clube alemão », o qual, apurou A BOLA, trata-se do Bayern Munique, e uma outra do próprio Santos, no sentido de estender o seu vínculo. «Renato sente-se bem no Santos porque é uma boa forma de continuar na selecção, agora que conseguiu um lugar. Até 15 de Julho o seu futuro ficará definido», foi a informação prestada ao nosso jornal. Médio de múltiplos recursos Renato é um médio de múltiplos recursos. Tanto joga a médio-centro como pode desempenhar as funções de playmaker, dada a sua visão de jogo e criatividade. Não é um goleador mas faz muitas assistências, predicados que despertaram o interesse da SAD encarnada. Carlitos por cinco épocas O Benfica assegurou mais um reforço com vista à próxima temporada. Carlitos, extremo-direito do Estoril, vai vestir a camisola encarnada nas próximas cinco épocas. O acordo está feito e o jogador assina após o Europeu de sub-21. Há muito que A BOLA havia anunciado o pré-acordo entre o Benfica e o Estoril para a transferência de Carlitos. O negócio estava apenas dependente do aval de José Antonio Camacho, cuja lista de reforços para a próxima temporada não englobava o nome do jovem estorilista (nem o de qualquer outro jogador a actuar em Portugal). Confirmada a saída do treinador espanhol para o Real Madrid, Carlitos vai mesmo rumar à Luz, com um contrato válido para as próximas cinco temporadas. O jogador é uma das firmes apostas dos responsáveis encarnados para a próxima época, pelo que está totalmente descartada a possibilidade de ser emprestado a outro clube da SuperLiga. Carlitos ruma à Luz para ficar e são grandes as esperanças depositadas nas suas capacidades, unanimemente reconhecidas depois de uma época verdadeiramente sensacional que em muito contribuiu para a subida do Estoril ao escalão principal do futebol português. O dianteiro está actualmente ao serviço da Selecção Nacional de sub-21, que disputa o Europeu da categoria na Alemanha, pelo que o contrato com os encarnados será assinado logo que regresse a Portugal. Seja como for, o acordo entre as partes está feito. Junta-se a Alcides e Paulo Almeida Carlitos junta-se a Alcides e Paulo Almeida na lista de jogadores já contratados pelos encarnados para a próxima época. Luís Filipe Vieira e José Veiga procuram preencher as lacunas do plantel com recurso a transferências de custo zero (caso dos dois brasileiros do Santos) ou que não envolvam avultadas somas (caso de Carlitos). Nesse sentido, os mercados nacional e estrangeiro continuam a ser analisados com todo o cuidado e tranquilidade, sendo certo que o avanço para algumas contratações está dependente da escolha do novo técnico. Este é, no momento, o dossier prioritário para os responsáveis encarnados. Faltam seis... Com a contratação de Carlitos fica preenchida uma das vagas no plantel encarnado, para a posição de extremo, uma vez que Alex será emprestado. O ex-Estoril junta-se a Simão, Geovanni e João Pereira. Restam ainda seis alvos: dois guarda-redes, um defesa-central, um lateral-esquerdo, um médio-ofensivo (nº10) e um ponta-de-lança. Yannick poderá ser um dos concorrentes de Moreira, numa transferência a custo zero, embora o guarda redes Fábio (Vasco da Gama) esteja igualmente referenciado. Na defesa, Fernando Couto é o central desejado, mas existem alternativas. Alex, do Cruzeiro, chegou a ser equacionado para a posição de médio-ofensivo, mas os encarnados terão recuado perante as elevadas somas a envolver numa eventual transferência e analisam já outras opções. De referir ainda que Jorginho, Rui Duarte e Amoreirinha são jogadores seguidos com muita atenção. De saída da Luz estão Zach Thornton, Hélder, Fernando Aguiar (terminam contrato), Cristiano, Alex (serão emprestados) e Bossio (convidado a rescindir), enquanto se procura uma solução para Zlatko Zahovic. quinta-feira, maio 27, 2004
Questões financeiras devem afastar Scolari do Benfica Questões financeiras deverão afastar a possibilidade de ser Luiz Felipe Scolari o sucessor de José Antonio Camacho no comando do Benfica. A SAD encarnada não cometerá qualquer loucura financeira na contratação da futura equipa técnica, e o presidente Luiz Filipe Vieira e o futuro administrador para o futebol José Veiga respeitarão o orçamento e o equilíbrio económico dos quadros profissionais do futebol. Assim, A BOLA está em condições de garantir que o Benfica não tem, de momento, contactos adiantados com qualquer treinador. Pronto o orçamento do futebol profissional para a nova época, o Benfica parte agora para o trabalho de encontrar o sucessor de José Antonio Camacho, numa perspectiva considerada financeiramente razoável para o clube. Se a opção Scolari parecia, à partida, interessante para os responsáveis da Luz, a questão financeira poderá inviabilizar qualquer tentativa de conseguir o acordo do actual seleccionador de Portugal. É muito simples: o Benfica quer respeitar o seu plano orçamental e de modo algum estará disponível para se desviar desse rumo. Nesse sentido, a política de Luís Filipe Vieira ganha com José Veiga um enorme aliado; também o futuro administrador do futebol trabalha com o objectivo de reduzir as despesas e equilibrar o orçamento de modo a poder, até, fazer um pouco mais de investimento no reforço da equipa. Diminuir investimento na equipa técnica Ganhar, sim, mas não a qualquer preço, é o lema dos responsáveis encarnados. Muito menos, ganhar pondo em causa o esforço e o trabalho de recuperar financeiramente o clube e dando à SAD equilíbrio suficiente para que o futebol profissional continue financeiramente saudável como até aqui, ou seja, com todos os pagamentos em dia. Por razões várias (num cenário em que se impunha correr algum maior risco) o Benfica apostou o ano passado na renovação de Camacho por uma verba considerada elevada, demasiado elevada para os objectivos actuais. Querendo diminuir o investimento na equipa técnica, tendo em conta a tal necessidade de conseguir o equilíbrio financeiro indispensável à saúde económica da SAD, o Benfica poderá afastar-se definitivamente da hipótese Scolari, um técnico que recebe, actualmente, uma verba anual líquida na ordem do milhão e meio de euros (cerca de 300 mil dos antigos contos), o que, incluídos eventualmente os seus adjuntos, poderia elevar para um patamar incomportável o custo dessa equipa técnica para os cofres da Luz. Nenhuma dúvida que só esse aspecto seria, na perspectiva do Benfica, um obstáculo à ideia de contratar Luiz Felipe Scolari. De resto, o treinador brasileiro da nossa Selecção é muito considerado pelos responsáveis benfiquistas e visto como tendo o perfil adequado aos desejos do clube. Fernandez é boa hipótese Poderá assim ganhar forma a possibilidade de o Benfica voltar a equacionar outros nomes, entre os quais o do francês Luiz Fernandez, cujo recente trabalho à frente do Espanhol de Barcelona é tido como quase um milagre. Fernandez salvou o clube da Catalunha da descida de divisão, quando todos previam que fosse incapaz de o conseguir dada a péssima situação que foi encontrar. Fernandez é um homem do futebol europeu e indiscutivelmente habituado a desafios difíceis. Refira-se que o futuro do treinador no Espanhol ficou adiado para a próxima semana, após mais uma reunião com a cúpula dirigente, período durante o qual examinará não só o projecto que lhe foi desenhado para o clube catalão como estará aberto a eventuais convites. De momento, porém, o Benfica limita-se a observar atentamente todos os alvos possíveis (os holandeses Guus Hiddink e Ronald Koeman estão absolutamente fora de hipótese, bem como o brasileiro Wanderley Luxemburgo), sendo certo que fará tudo para respeitar o seu plano orçamental. Hungria na Luz em tributo a Fehér O Benfica vai transformar o jogo de apresentação do plantel 2004/ /2005 aos sócios em nova homenagem a Miki Fehér. O adversário — não poderia ser de outra forma — será a Hungria, a família do jogador deverá estar toda presente e o encontro terá lugar na primeira semana de Agosto. Não custa adivinhar: estádio cheio. Depois da sentida dedicatória no dia em que conquistou a Taça de Portugal, o Benfica continuará a recordar aquele que se transformou num dos seus maiores símbolos depois de ter morrido em campo quando, em Guimarães, defendia as cores do clube num jogo da SuperLiga. Os responsáveis da SAD encarnada contactaram a federação húngara para saber qual a possibilidade de a selecção magiar se deslocar a Lisboa no início da próxima temporada para participar no jogo de apresentação dos encarnados, que se realizará em Agosto, e logo receberam resposta positiva. Neste momento falta apenas definir-se em que dia se realizará o encontro, sendo certo que este será disputado nos primeiros dias de Agosto, na Luz. Em disputa estará um troféu denominado Taça Miki Fehér. A ideia agradou também à família enlutada do jogador, que viajará para Portugal para assistir à homenagem que será feita a um jogador que era um grande ídolo na Hungria e que em Portugal continua a ser recordado com muita saudade. Desde o dia da morte de Fehér que as claques do Benfica transformaram num verdadeiro culto tudo o que esteja ligado ao jogador. De bandeiras da Hungria a fotos gigantes de Miki, tudo serve para enviar para o campo a mensagem de que há que lutar até à exaustão e terá sido esse um dos factores que contribuíram para o excelente final de época. A data poderá também servir para se inaugurar um busto do jogador no museu do clube, uma promessa feita há muito por Luís Filipe Vieira. Mais um dia intenso no Estádio da Luz, que certamente voltará a encher para recordar Miki Fehér. O facto de o adversário ser a Hungria torna tudo mais simbólico. Vida difícil na pré-eliminatória A vitória do FC Porto frente ao Mónaco eliminou qualquer hipótese de os encarnados integrarem os 16 cabeças de série na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelo facto de os monegascos não terem ficado nos dois primeiros lugares do campeonato francês. Ou seja, não se afigura fácil a vida do Benfica, podendo vir a defrontar o Real Madrid de Camacho, o Manchester United de Cristiano Ronaldo ou o Corunha de Jorge Andrade. Mais acessível poderá ser o confronto com um velho conhecido dos benfiquistas: Karel Poborsky (Sparta Praga). Eram poucas as esperanças mas o que se passou em Gelsenkirchen arrumou por completo todas e quaisquer hipóteses de o Benfica ter a vida facilitada nos dois jogos que poderão colocar as águias na prova milionária. Até ao dia de ontem, teriam de ser cumpridos dois de três pressupostos para a formação portuguesa ter o seu nome nos 16 cabeças de série: o Dínamo Kiev não ficar nos dois primeiros lugares do campeonato ucraniano, o Wisla Cracóvia não se sagrar campeão nacional e o Mónaco vencer a Liga dos Campeões para entrar directo na prova . Ora, além da derrota dos monegascos, neste último fim-de-semana o Wisla conseguiu assegurar matematicamente o primeiro lugar (tem sete pontos de vantagem sobre o segundo classificado Legia Varsóvia, a duas jornadas do fim) — já nem seria necessário esperar por um mau desempenho do Dínamo Kiev, pois está a uma vitória de resgatar o segundo posto na Ucrânia. Venham os tubarões Posto isto, é de esperar uma tarefa árdua para o Benfica entre os dias 10 e 25 de Agosto — o tempo que separa as duas mãos da terceira pré-eliminatória. Tal como aconteceu na época passada, em que defrontaram a Lazio de Roma, os encarnados estão sujeitos a ter com o adversários alguns dos gigantes europeus, casos de Real Madrid, Manchester United, Corunha, Juventus ou o Inter de Milão de más recordações. Isto é, se o destino quiser pregar uma partida a Camacho, os merengues poderão vir a ter como adversário a ex-equipa do técnico espanhol. Mas as bolas da sorte poderão igualmente ditar um reencontro de Jorge Andrade (Corunha), Cristiano Ronaldo (Manchester United) ou mesmo Karel Poborsky (Sparta Praga) com os relvados nacionais, este último com um certo simbolismo, não tivesse sido o checo um dos ídolos da massa associativa nos últimos anos. Razoável dentro do mau O facto de o Benfica não pertencer a essa elite, fruto do posto que ocupa no ranking (18.ª) das equipas apuradas para a terceira pré-eliminatória, não é bom mas dos 16 possíveis adversários, há alguns teoricamente ao alcance [ver quadro à parte]. Seja como for, antes de poder respirar, o novo técnico terá um grande teste pela frente. quarta-feira, maio 26, 2004
Sem razões para punição O director-executivo da Liga, Cunha Leal — que neste momento assume interinamente a presidência daquele organismo, por força do impedimento legal a que está sujeito Valentim Loureiro—está convicto de que «não foi praticada qualquer ilegalidade» na inscrição de Ricardo Rocha, quando o defesa-central ingressou no Benfica, vindo do Sp. Braga. «Não vejo motivos para que se levante o cenário de o Benfica poder vir a perder a Taça e o segundo lugar do campeonato, pela simples razão de que a inscrição foi homologada pela Federação. Todos os jogadores utilizados pelo Benfica esta época estavam correctamente inscritos», garantiu. A bomba tinha sido lançada anteontem: o Benfica poderia correr o risco de perder os últimos três jogos da época (em Alvalade e com o Leiria para a SuperLiga e a final da Taça) por força de uma alegada irregularidade na inscrição de Ricardo Rocha. O central tinha sido contratado ao Sp. Braga em Janeiro de 2002, na mesma altura em que os encarnados concretizaram as aquisições de Tiago e Armando, mas o registo desse contrato só entrou nos serviços da Liga em Maio desse ano, uma vez que, ao contrário dos outros dois futebolistas, Ricardo Rocha ainda cumpriu o resto desta época desportiva no clube minhoto. Perante a obrigatoriedade, prevista no artigo 32.º do Regulamento de Competições, de o «original do contrato de trabalho desportivo» ter «assinatura do jogador reconhecida presencialmente, em data posterior a 1 de Abril da época anterior», nos casos em que se efectua uma transferência de um clube para o outro, as dúvidas quanto à licitude da inscrição de Ricardo Rocha foram levantadas. Porém, Cunha Leal fez questão de manifestar a sua convicção de que «o processo de inscrição foi feito correctamente», lembrando que «a homologação definitiva feita pela Federação retira quaisquer dúvidas quanto à legalidade da inscrição». «Uma hipotética irregularidade no registo de inscrição teria sido sanada com a homologação da Federação». Questão de interpretação Por tudo isto, Cunha Leal está «tranquilo» quanto a possíveis repercussões deste caso e «nem quer admitir» a possibilidade de a homologação dos campeonatos desta época vir a ser adiada por causa deste problema: «Não vejo por que é que se admite essa hipótese. Não, há neste momento, qualquer dado que aponte nesse sentido...». Para sustentar as suas posições, historiou o processo de transferência de Ricardo Rocha do Braga para o Benfica e citou o artigo 117.º do Regulamento Disciplinar: «Dado que a transferência se processou com o consentimento dos dois clubes, a obrigatoriedade de o contrato ser celebrado após 1 de Abril não se torna necessária». Esta obrigatoriedade existe para assegurar que o clube que perde o atleta não seja prejudicado, enquanto possui o jogador nos seus quadros. 117: o artigo da discórdia... Vejamos o que diz o artigo 117.º do Regulamento Disciplinar: «O jogador que, antes de 1 de Abril se vincula para a época seguinte, por contrato de trabalho definitivo com clube diferente daquele que representa, sem conhecimento deste ou sem que esteja rescindido o seu contrato, é punido com pena de suspensão, com cumprimento no início da época seguinte, de 2 a 6 meses e multa de 500 euros a 2500 euros». Muchas gracias! Na hora do sentido adeus, Camacho falou ao nosso jornal dos momentos bonitos que passou na Luz. A primeira palavra foi para os adeptos. «Lutei muito pelo Benfica, mas compreendam-me. O Real Madrid é a minha vida, não podia dizer que não numa altura destas», expressou. Um agradecimento especial também aos jogadores: «Tenho de dizer-lhes muchas gracias [muito obrigado] por todo o esforço e dedicação.» Confiante no futuro risonho dos encarnados, diz que Luís Filipe Vieira é um «verdadeiro amigo» que deixa em Portugal e expressa um desejo. «Que o meu substituto seja tão bem tratado quanto eu fui», sublinhou. José Antonio Camacho teve um verdadeiro dia de loucos, quase sem tempo para respirar. Após a apresentação oficial como treinador do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, teve apenas tempo para almoçar, iniciando em seguida uma ronda pelos principais órgãos de comunicação social que acompanham a vida dos merengues (as redacções da Marca e do As, por exemplo). Já passavam das 17 horas locais (menos uma em Portugal) quando o técnico ex-Benfica regressou ao recinto do Real, ao qual chegaria pouco depois Fernando Gaspar, preparador físico que acompanha o chefe de equipa na mudança da Luzpara o Bernabéu (e que optou por se manter em silêncio, para já). O relógio já marcava 21 horas quando Camacho saiu, em passo extremamente apressado, não tivesse ele outro compromisso em agenda, desta feita uma entrevista na televisão. Apesar de não dispor de muito tempo, o treinador espanhol concedeu alguns instantes à reportagem de ABOLA para trocar algumas impressões sobre a sua passagem pela Luz, pedindo desde logo compreensão aos sócios pela sua decisão. «Os adeptos devem saber que trabalhei e lutei muito pelo Benfica, mas o Real Madrid pediu-me para voltar, dizendo que precisava de mim. Compreendam-me, o Real Madrid é a minha vida, não podia dizer que não numa altura destas», começou por dizer. Aliás, quando questionado sobre as melhores recordações de Portugal, a resposta foi direitinha ao calor sempre demonstrado pela massa apoiante do clube. «Fiquei impressionado coma forma como os adeptos do Benfica vibram com a equipa. Comparecem em todo o lado com uma enorme vontade de vencer. Com a grandeza do Benfica e com o caminho que está a ser seguido, se calhar não vão ter de esperar muito mais tempo para vibrarem com os sucessos que pretendem», frisou. Devo muito aos jogadores Talvez Camacho não se tenha despedido dos jogadores da forma que gostaria, embora lhes tenha deixado, após a vitória na Taça de Portugal, a nítida sensação de que poderia não voltar. Ainda assim, para todo o grupo de trabalho encarnado endereçou palavras bonitas de sincero agradecimento. «Tenho a agradecer a todos os jogadores pelo esforço que fizeram, trabalhando sempre com muita ilusão. Muitas das coisas boas que aconteceram comigo, enquanto estive em Portugal, devo-as a eles. Por isso lhes digo muito obrigado!», expressou. E será que algum deles teria lugar no Real Madrid? «Todos poderiam ter lugar no plantel do Real Madrid porque são grandes jogadores, a maioria deles internacionais por países como Portugal, Grécia e Croácia. Têm muito nível. O Real Madrid tem seguido uma política de contratações que aponta noutro sentido, mas nunca se sabe». Título está próximo Camacho faz um balanço positivo do trabalho na Luz e encara o futuro do clube com muito optimismo. «Saio do Benfica deixando um balneário organizado e as coisas planificadas. O futuro só pode ser positivo O clube ficou em segundo lugar duas épocas consecutivas e ganhou a Taça de Portugal. É nesta linha que deve continuar, se assim for o título está próximo. Estou convencido que, com trabalho, dentro de pouco tempo o Benfica vai recuperar a hegemonia em Portugal. Prova disso é que tem neste momento seis jogadores na Selecção de Portugal, como acontecia nos seus tempos áureos», analisou. Jantar com o amigo Luís Filipe Vieira Sobre a sua substituição no comando técnico do Benfica o espanhol preferiu não tecer comentários, naturalmente, mas deixou uma mensagem: «Não me posso pronunciar sobre isso. A única coisa que desejo é que, seja quem for que vier, seja tão bem tratado quanto eu fui.» Entretanto, Camacho tem já agendado um jantar com Luís Filipe Vieira, na próxima semana. «É um verdadeiro amigo que deixo em Portugal», garantiu. Avanços sobre Scolari A SAD vai apostar na contratação de Luiz Felipe Scolari e por isso irá desenvolver, nas próximas horas, contactos formais com o empresário do seleccionador nacional, Gilmar Veloz, que esteve ontem Lisboa, soube A BOLA. O representante do brasileiro será, durante o Euro-2004, o interlocutor por excelência dos encarnados, já que Felipão quer concentrar-se única e exclusivamente nos trabalhos da Selecção Nacional. A SAD vai canalizar esforços no sentido de se inteirar da vontade de Luiz Felipe Scolari treinar o Benfica nas próximas épocas. Os contactos vão avançar nas próximas horas com o empresário do técnico, Gilmar Veloz, o qual esteve ontem em Lisboa, sendo provável que regresse em breve. Veloz é homem de confiança do seleccionador nacional e, portanto, verdadeiro procurador e conhecedor das suas intenções quanto ao futuro profissional. Luiz Felipe Scolari já fez questão de comunicar que não está disposto a entrar em negociações enquanto não terminar o seu trabalho com a Selecção no Campeonato da Europa. Ou seja, Gilmar Veloz terá um papel fundamental no processo. Saliente-se que caso as negociações com o Scolari falhem, Luiz Fernandez e Wanderlei Luxemburgo são as alternativas a equacionar. Madail expectante Gilberto Madail não está muito agradado com as notícias que dão conta das intenções benfiquistas. O presidente da FPF garante nada saber sobre o tema, tendo por base a palavra do seleccionador. «Scolari é um homem de palavra e se tivesse havido qualquer contacto já teria falado comigo», disse ontem o dirigente. Para Madail, a manutenção de Scolari na Selecção continua a ser um dos seus principais objectivos. «Vou fazer os possíveis para o manter na Selecção. Já para o contratar foi um grande problema mas sei bem que se for campeão europeu será mais complicado mantê-lo. As carreiras dos treinadores dependem sempre dos resultados», frisou, expectante. terça-feira, maio 25, 2004
Ninguém nos tira a Taça de Portugal O Presidente do Benfica teve ontem, ao fim da noite, uma aparição pública inesperada, ao entrar no estúdio da SIC Notícias onde se realizava o programa «O Dia Seguinte» que debatia uma alegada irregularidade na inscrição de Ricardo Rocha, passível de retirar a Taça de Portugal ao clube da Luz... O painel de comentadores da SIC Notícias, composto por Dias Ferreira, Fernando Seara e Guilherme Aguiar, discutia acaloradamente, em termos jurídicos, uma alegada irregularidade na inscrição de Ricardo Rocha — teria assinado pelos encarnados em Janeiro de 2002 quando só podia fazê-lo a partir de Abril — quando Luís Filipe Vieira, para surpresa absoluta dos comentadores e até do próprio pivot, Pedro Mourinho, só avisado in extremis do convidado-surpresa, tomou lugar na discussão, apresentando documentos que inverteram o rumo dos acontecimentos. Até à entrada de Luís Filipe Vieira, os argumentos que se esgrimiam eram de natureza jurídica e enquanto Guilherme Aguiar se remetia a um prudente silêncio e Dias Ferreira remetia a questão para uma posterior apreciação pelos órgãos jurisdicionais da Liga, Fernando Seara tratava de demonstrar a impossibilidade de o Benfica ser desportivamente punido por algo que, perante os documentos que estavam em cima da mesa, não apresentava mais do que um vício de forma na inscrição, sanado pela aceitação da Liga e pela homologação por parte da Federação Portuguesa de Futebol. Com a entrada do presidente do Benfica as coisas mudaram, porque Vieira exibiu um documento até então desconhecido que provava que o Benfica registara a inscrição de Ricardo Rocha em 8 de Maio de 2002, dentro do prazo legalmente previsto. Ou seja, apesar de o negócio com o Sp. Braga ter sido feito em Janeiro (englobando também Armando Sá e Tiago) e de o Benfica ter deixado Ricardo Rocha no clube minhoto até ao final da época, a Liga recebera, em tempo certo, o registo da assinatura do defesa-central pelos encarnados. Num estilo muito vivo, mostrando um enorme à vontade e usando os argumentos de que dispunha com autoridade, Luís Filipe Vieira movimentou-se pelo estúdio da SIC, mostrando, ora a este ora a outro comentador os documentos de que dispunha. «Ninguém tira a Taça ao Benfica, nem o segundo lugar », disse com veemência, garantindo que «os tempos da bandalheira já passaram ». «Precisam de respeitar o Benfica», continuou Vieira, para, a seguir, lembrar que «agora que o Benfica tem os ordenados em dia é que procuram criar problemas onde eles não existem. Mas vão ver se, a partir de dia 1 de Junho, vão, ou não, respeitar o nosso clube». Ataque de Vieira a Guilherme Aguiar Seguiu-se um ataque cerrado a Guilherme Aguiar, à altura dos factos Director executivo da Liga, que garantia nada ter sabido do assunto. Aliás, fontes próximas da SAD encarnada vêem em todo este processo uma «rasteira» a Cunha Leal, no sentido de precipitar eleições na Liga de Clubes. Cunha Leal, ontem em Lisboa, prometeu para hoje o esclarecimento possível sobre factos que se reportam a um momento anterior à sua entrada na Liga. Impulso presidencial rumo a Carnaxide Luís Filipe Vieira não tinha prevista qualquer deslocação à SIC. Quando o programa foi para o ar, o presidente do Benfica jantava com outros dirigentes, no intervalo da reunião de Direcção, quando decidiu assumir pessoalmente a defesa do clube, ao vivo e a cores. «É um novo Benfica que está a crescer», garantiam, já de madrugada, alguns dirigentes encarnados. Real Camacho José Antonio Camacho foi, finalmente, confirmado como treinador do Real Madrid para as próximas duas épocas. Para Florentino Pérez, o carácter do treinador, aliado à condição de madridista desde a cantera foram determinantes e será a pessoa ideal para impor autoridade e disciplina aos galácticos. Só Florentino Pérez e o ex-treinador do Benfica poderão dizer se o acordo anunciado ontem, perante uma sala repleta, onde não houve lugar a euforias, terá sido selado apenas na véspera, como referiu o líder dos merengues. Ainda atarantado pela paupérrima imagem transmitida na noite anterior pela equipa de futebol, o presidente do Real Madrid também não tinha tempo a perder e, com ar circunspecto, rapidamente deu início à conferência de imprensa. «Falemos claro, hoje é um dia triste para todos nós. A época foi muito má, o que aconteceu dói-nos na alma, mas este momento não pode ser de melancolia e sim de reflexão». Em contraponto com as críticas dirigidas ao português Carlos Queirós, os elogios não podiam ser mais rasgados para o conterrâneo que conduziu os destinos do Benfica nos últimos 17 meses, levando-o à conquista da Taça de Portugal. Reiterando sempre que o contacto com o novo treinador teve lugar no domingo à tarde, e a disponibilidade do técnico foi imediata, Florentino Pérez explicou as razões que o levaram a rescindir contrato com a anterior equipa técnica e apostar em José Antonio Camacho. «Ele vem para o Real Madrid com grande ilusão e vai aplicar-se num projecto económico-desportivo que conhece muito bem. Apostámos em Camacho porque queríamos, preferencialmente, um treinador espanhol, que soubesse impor autoridade. Pelas suas características e por ser um madridista de toda a vida, Camacho tem não somente essa autoridade, mas sobretudo a autoridade moral para conduzir o futebol do Real Madrid», justificou. O líder do Real adiantou ainda que o acordo contempla apenas as duas próximas épocas porque o próprio treinador assim o impôs: «Conversámos sobre o assunto, mas ele entende que a vida de um treinador é curta e as mudanças de ciclo são muitas vezes positivas. Continuaremos a conversar, mas ele conhece a estratégia deste clube, sabe que aqui só podem jogar os melhores do mundo e vai, certamente, constituir uma equipa competitiva.» Voltando a vincar as diferenças que, em sua opinião, existem entre José Antonio Camacho e os dois treinadores que estiveram à frente da equipa desde que chegou à presidência, Florentino Pérez assumiu a mudança de política nesta área. «Camacho é diferente de Del Bosque e Carlos Queirós. Passamos de um tipo de treinador para outro, onde além dos aspectos técnicos contem também a ordem e a disciplina», sentenciou. Por último, o presidente do Real revelou ter abordado com o novo treinador a contratação de Walter Samuel, por enquanto o único reforço: «Coloquei-o ao corrente da contratação de Walter Samuel e ele mostrou-se agradado. Parece-lhe que é um dos melhores centrais do mundo.» Enfim, como sempre, as contas serão feitas apenas no final. Mas, Camacho volta a ser o rei de Madrid... Scolari encaixa no perfil traçado Luís Filipe Vieira falou com mágoa da saída de José Antonio Camacho para o Real Madrid. O presidente do Benfica confessou que já esperava um telefonema com a notícia que mais temia, garantiu que não falou com Scolari nem com qualquer outro treinador, mas acabou por traçar o perfil desejado e aí cabe quem nem uma luva o Seleccionador Nacional. Luís Filipe Vieira falou com tristeza da saída de Camacho para o Real Madrid: «Já esperava. Ele disse-me que se fosse para o Real Madrid, o clube da vida dele, nem eu nem o Benfica poderíamos levar a mal. Sei que se não chegasse a acordo queria continuar.» O presidente disse depois que não fez ainda qualquer sondagem no mercado, mas traçou o perfil do homem pretendido: «Quero dizer-vos que não contactei ainda com nenhum treinador, nem ninguém mandado por mim o fez. Começaremos agora a pensar num substituto para Camacho, sendo certo que será um homem com o mesmo perfil. Tem de ter uma personalidade muito vincada. Será um profissional competente, que não se deixe influenciar por ninguém, que pense pela sua cabeça, que não deixe que se intrometam no seu trabalho.» Insistência no nome de Scolari. Seria um treinador com a qualidade suficiente para treinar o Benfica? Resposta célere: «Toda a gente sabe quem é Scolari: é o campeão mundial. Quem sou eu no futebol para estar a avaliar Scolari? Se é treinador da Selecção poderá ser de qualquer clube do Mundo...» Mas lá que o Seleccionador Nacional cabe no perfil traçado ninguém duvida. «Não sei. Não conheço o perfil dele», afirmou Vieira, garantindo também que não falou com o brasileiro nos últimos meses: «Não é verdade que o tenha contactado. A única vez que conversámos foi quando saiu o senhor Jesualdo Ferreira. Como não tivemos hipótese de o contratar, ficámos por aí e veio Camacho.» O presidente encarnado afirmou, depois, que nos próximos dias poderá haver novidades: «Na altura própria, quando o contrato estiver assinado com o futuro treinador, será emitido um comunicado para dar a conhecer o nome. Talvez na próxima semana. Sai Camacho mas o Mundo não pára». Vieira serena os ânimos: «Um projecto desta grandeza não fica condicionado pela presença de ninguém. Amanhã, posso cair para o lado e o clube continuará. Passe a imodéstia, serei mais importante do que qualquer outra pessoa e se cair para o lado não farei falta. Esta instituição já deu provas disso, sabendo resistir a todos os atentados que lhe fizeram. O clube já chorou tanto que não tem mais lágrimas para chorar.» Camacho teve falta de condições? «É um homem muito emotivo e frontal. Ele já o reconheceu que lhe demos todas as condições que estavam ao nosso alcance. Uma delas era fundamental para ele; cumprir escrupulosamente com os salários e isso aconteceu sempre», diz o presidente benfiquista. Scolari está na maior! É impossível alguém neste momento, excepção, talvez, para aqueles que mais de perto com ele coabitam, afirmar que Luiz Felipe Scolari prosseguirá o seu trabalho na Selecção Nacional ou que após o Campeonato da Europa assumirá funções no Benfica. A verdade é que, e isso podemo-lo confirmar, o capital de simpatia do treinador tem aumentado a uma velocidade vertiginosa, mas quando algum adepto identificado com as cores benfiquistas lhe toca no assunto... limita-se a sorrir. Luiz Felipe Scolari tem sentido nos últimos dias que já é um treinador querido dos adeptos portugueses, pelo menos nesta zona do País onde a Selecção Nacional ganha embalagem para as complicadas jornadas do Europeu. Fez as escolhas que entendeu serem as melhores para colocar Portugal no caminho da glória, as pessoas aceitaram a sua decisão, não se sente qualquer tipo de contestação, mas paralelamente ouve-se, fala-se, diz-se insistentemente que será ele o técnico que vai ocupar a vaga deixada em aberto por José Antonio Camacho. Quanto a isso ninguém lhe arranca uma palavra, apenas sorrisos quando confrontado por adeptos do Benfica, pois como grande profissional que é—e já se percebeu desde há muito que o é —, a sua concentração está completamente centrada naquilo que a Selecção Nacional tem de fazer. Nem podia ser de outra maneira, pois qualquer outra atitude em sentido contrário seria deitar por terra o que de muito bom já fez ao longo de uma carreira marcada por sistemáticos êxitos. A verdade é que, seja pelo ambiente que envolve a Selecção Nacional e também a sua figura, pois o seu capital juntos dos adeptos já é enorme—no final do treino de ontem já estava toda a gente dentro do autocarro e o treinador não parava de distribuir autógrafos, a miúdos e graúdos, tendo até colocado um numa camisola do Sporting —, seja por aquilo que se diz relativamente ao seu possível ingresso no Benfica, Luiz Felipe Scolari é um homem o mais tranquilo possível, bem-disposto e profissional a tempo inteiro. Técnico de múltiplos predicados Ninguém sabe, portanto, a não ser, eventualmente, aqueles que mais de perto com ele colaboram - não pretendemos ferir susceptibilidades, mas estamos a referir-nos, concretamente, ao seu parceiro de muitas jornadas e seu fiel companheiro Flávio Murtosa, assim como a Darlan Schneider, que são próximos por laços familiares - , qual será o futuro de Scolari, mas, sinceramente, não ficaremos nada admirados se prosseguir a carreira em Portugal. E sem ponta de especulação... no Benfica. Não temos grandes dúvidas de que os dirigentes do Benfica têm estado atentos ao posicionamento do treinador desde que chegou a Portugal e encontram nele o homem ideal para dar seguimento à mudança pretendida e na qual Camacho deu os primeiros passos. Para além dos predicados a que fizemos alusão, Scolari é homem de ir à luta, de dar a cara, de defender o grupo que comanda até à morte — veja-se o que se passou com Rui Jorge. Por outro lado, a sua experiência em clubes é fantástica, somando muitos e muitos títulos. Ora, sabendo o Benfica que o treinador é homem atento a tudo o que diz respeito ao futebol português, que já conhece tão bem como outros as equipas, os técnicos, os sistemas, quem gosta de provocar, nada melhor do que aproveitar este capital de 18 meses de permanência entre nós. segunda-feira, maio 24, 2004
Futebol com Veiga e mais dois O Benfica espera que José Antonio Camacho comunique hoje ou amanhã a sua decisão antes de se sentar eventualmente à mesa com os responsáveis do Real Madrid, como é garantido em Espanha que sucederá nas próximas horas. Pelo menos, o presidente do Benfica confia que Camacho lhe diga alguma coisa, como estava aliás previsto antes de ambos deixarem Portugal no início da última semana. Entretanto, José Veiga vai reestruturando o sector do futebol profissional. É seguro: só trabalharão duas pessoas directamente com o futuro administrador. O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, regressa hoje a Lisboa após uma semana no Brasil e aguarda por uma resposta de José Antonio Camacho sobre a sua decisão de aceitar ou não permanecer à frente da equipa encarnada na próxima época. Para Luís Filipe Vieira, apurou A BOLA, é garantido que Camacho lhe comunicará a sua vontade antes mesmo de eventualmente se dispor a negociar com o Real Madrid. Em Espanha, é dado adquirido que o presidente do Real, Florentino Pérez, procurará já hoje, o mais tardar amanhã, sentar-se à mesa com Camacho, imediatamente após conseguir rescindir o contrato com o português Carlos Queirós. Camacho tinha inicialmente marcada para hoje a sua viagem de regresso a Lisboa mas já a adiou para amanhã. Até ver. Ao chegar hoje a Lisboa, tendo, de imediato, uma reunião, ainda da parte da manhã, na Benfica, Estádio, Filipe Vieira aguarda que Camacho seja fiel ao princípio da boa amizade que ambos dizem uni-los. Ou seja, que, no mínimo, telefone ao presidente encarnado. Enquanto isso, o futuro administrador José Veiga continua o seu trabalho de reestruturação do sector do futebol profissional. À partida, é seguro, já, que apenas mais duas pessoas irão trabalhar directamente com Veiga: Shéu, há anos director do departamento, e Lourenço Pereira Coelho, um jovem da confiança de Veiga, formado em gestão desportiva, até agora ligado ao Estoril. É hoje, Camacho? Agora parece ser de vez. Camacho deverá chegar hoje a acordo com Florentino Pérez e assinar contrato válido por dois anos com o Real Madrid. Esta terá sido a principal razão para o ainda técnico dos encarnados ter adiado o regresso a Lisboa para amanhã, quando estava previsto rumar ao nosso País durante o dia de hoje. Mas é certo que qualquer decisão será comunicada pelo próprio a Luís Filipe Vieira. Ou seja, a SAD poderá ter nas próximas horas via verde para partir à busca de um novo treinador. Com Luiz Felipe Scolari à cabeça. Ninguém o confirma oficialmente mas é só juntar as peças para chegar a uma conclusão inevitável: é hoje que Camacho se reúne com o presidente do Real Madrid (os merengues voltaram a perder, ontem, por 4-1), é provavelmente também hoje que fará a vontade a Florentino Pérez e assina contrato com o seu clube de coração, com a duração de dois anos, apurou o nosso jornal. Tal como o próprio afiançou a A BOLA na entrevista que nos concedeu em Múrcia, o técnico não teve qualquer contacto formal com dirigentes do emblema merengue durante o fim-de-semana, passando o dia de ontem no baptizado do neto de Pedro de Felipe, seu amigo e empresário, ficando assim tudo concentrado para o primeiro dia de trabalho da semana, terminada que está a Liga espanhola, e indo assim de encontro aos desejos do técnico: por respeito a um colega de trabalho, qualquer abordagem só teria lugar com Carlos Queirós de férias. No entanto, é por demais evidente que bastará uma conversa de cavalheiros para formalizar a vontade de Camacho, Florentino e da afición madridista. Como se não bastasse a ligação afectiva, o Real parece estar a fazer o que não fez com Queirós, ou seja, colmatar lacunas evidentes no plantel e garantir assim melhores condições de trabalho à equipa técnica. A contratação do central Walter Samuel à Roma foi apenas o primeiro dos ajustes, outros jogadores criteriosamente escolhidos se seguirão. Regresso a Lisboa... ou talvez não Até ontem, a informação recolhida por A BOLA apontava para o adiamento por 24 horas da viagem de regresso a Lisboa, mas Camacho até pode nem sequer apanhar o avião. Tudo dependerá do que sair da reunião de hoje com a Direcção do Real Madrid e da resposta dos encarnados. Ao que tudo indica, Luís Filipe Vieira aceitará sem contrapor a decisão do espanhol, sendo assim desnecessária a sua presença na capital, até porque quarta-feira está prevista a sua presença em Múrcia para a inauguração de uma estátua relacionada com uma das marcas a que o técnico empresta a sua imagem. O senhor que se segue Caso o puzzle se construa de acordo com o previsto, a SAD poderá ainda hoje avançar em definitivo para a contratação do substituto de Camacho. Luís Filipe Vieira sempre disse que iria entrar em contactos formais com o novo treinador só após ouvir a resposta do espanhol, mas porque urge definir o futuro certamente que o presidente da SAD e José Veiga vão jogar com celeridade — nas próximas horas — sendo o alvo principal o actual seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari. A novela pode estar prestes a acabar. Moreira pode falhar pré-eliminatória O novo treinador dos encarnados corre o risco de não poder contar com Moreira no início da época, caso a Selecção sub-21 se qualifique para os Jogos Olímpicos de Atenas e este seja naturalmente convocado para o torneio. Se esse cenário se confirmar, o guarda-redes falha os dois jogos da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e a Supertaça, frente ao FC Porto. Seria assim um Verão completamente louco para o jovem guardião. Moreira poderá vir a ficar na história ao jogar três competições internacionais a nível de selecções num espaço de outros tantos meses: o Europeu de sub-21 (também conhecido como esperanças), que começa no dia 28 e termina a 8 de Junho, o Euro-2004 com início marcado para 12 de Junho e conclusão a 4 de Julho e os Jogos Olímpicos de Atenas, cujo torneio de futebol dá o pontapé de saída a 11 de Agosto, terminando a 28. Se a presença nos dois primeiros certames está garantida, já a inclusão do nome de Portugal nas Olimpíadas depende do que os nossos sub-21 vão fazer na fase final do Europeu, que vai decorrer na Alemanha. É que só os três primeiros classificados recebem o passaporte para o maior evento desportivo do ano. Ou seja, o seleccionado de José Romão terá de passar a primeira fase da prova (ficar entre os dois primeiros num grupo constituído por Portugal, Suécia, Suíça e Alemanha), jogar as meias-finais e, caso não vença, lutar pelo bronze no encontro de atribuição dos terceiro e quarto lugares. Pedido de dispensa? E é aqui que os interesses do Benfica e das selecções entram em choque. Se as esperanças conseguirem a qualificação para Atenas, como todos os portugueses esperam, e no pressuposto da chamada de Moreira — uma hipótese perfeitamente viável, pois os responsáveis federativos vão pretender levar a equipa na máxima força — o (novo?) treinador dos encarnados poderá não contar com o jovem guardião em três jogos importantíssimos para a equipa: a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões (primeira mão a 10 ou 11 de Agosto e a segunda a 24 ou 25) e a Supertaça de Portugal, ante o FC Porto, a 22 de Agosto — esta data ainda pode sofrer alteração a pedido da SAD benfiquista. E numa perspectiva demasiado optimista, e imaginando que Portugal consegue aceder à final dos Jogos Olímpicos, agendada para 28 de Agosto, o guardião poderia falhar a primeira jornada do Campeonato (joga-se a 29 e o guardião não teria tempo para descansar). Tudo isto não passa, no entanto, de um mero exercício académico, até porque, mesmo antevendo o sucesso das esperanças lusas, a SAD irá pedir certamente a dispensa do jogador junto da FPF, de modo a não o sobrecarregar. Ainda que jogadores como Walter Samuel (Real Madrid) ou Saviola (Barcelona) tenham já manifestado a sua vontade de marcar presença no berço das Olimpíadas, tornando o torneio bem mais apetecível. Por aqui se percebe a necessidade de a SAD contratar outro guarda-redes que dê fortes garantias. Foi um prazer trabalhar com Camacho A primeira época no Benfica não correu como Alex esperava. Apesar de tudo, o médio não guarda rancor e elogia os métodos de trabalho de Camacho. Existe a possibilidade de ser emprestado, mas Alex apresenta-se ao trabalho no dia 5 de Julho, com vontade de vencer na Luz. Alex tem mais quatro anos de contrato e por isso acredita que ainda vai conseguir vencer no clube, apesar de esta primeira época não lhe ter corrido bem. «Individualmente correu mal, porque joguei pouco, mas o sucesso do grupo também foi meu. Fizemos uma boa época e fico muito contente por isso», começou por dizer Alex, que no início da temporada trocou o Moreirense pelo Benfica. «Foi a minha primeira época e é sempre diferente, mas não foi por isso que joguei pouco. Se o técnico não me colocou mais em campo é porque achou que outros faziam melhor o trabalho», afirmou, esclarecendo que não ficou magoado com Camacho: «De forma nenhuma, não guardo rancor. Camacho é um treinador muito experiente e foi um prazer trabalhar com ele.» Não vou baixar os braços Na época passada, Alex apenas participou em 14 jogos da SuperLiga, um total de 485 minutos em campo, sendo que apenas uma vez conseguiu jogar os 90 minutos. Números que naturalmente não satisfazem o jogador. «Não vou baixar os braços e vou continuar a lutar. Agora já conheço melhor a cidade e o clube, já sei melhor o que pretendem dos jogadores e por isso vou empenhar-me ainda mais. Mas não foi por falta de empenho que não joguei mais vezes, isso aconteceu apenas por decisão do treinador», explicou. Tendo em conta os poucos minutos que foi utilizado, é forte a possibilidade Alex ser emprestado a outro clube na nova temporada. O jogador desconhece essa hipótese. «Quando se despediram de mim apenas me disseram que a apresentação é no dia 5 de Julho e conto apresentar-me nessa data. Não sei de mais nada. Tenho consciência do meu valor e vou lutar por um lugar no Benfica», assegurou, confiante. O jogador tem consciência de que o seu futuro no plantel está dependente de quem seja o novo treinador e, tal como os restantes elementos do plantel, aguarda ansiosamente pela definição da equipa técnica para a nova temporada. sexta-feira, maio 21, 2004
Scolari é o preferido À procura de sucessor. Os responsáveis da Benfica, SAD já definiram o perfil do substituto de Camacho e Scolari encaixa na perfeição. Forte liderança, disciplinado, trabalhador e habituado a ganhar. Scolari já foi opção do Benfica antes de chegar Camacho. Recupera-se a vontade. Há até quem o considere muito mais forte num clube do que numa selecção. Irreversível: Camacho deverá deixar o Benfica, Luiz Felipe Scolari é o mais desejado para o substituir. A opção é mais fácil do que a concretização do desejo. Mas sendo Scolari a primeira escolha, como já aliás tinha sucedido, em Dezembro de 2002, antes de o Benfica se virar para Camacho, existem outros nomes estudados como alternativa, como é o caso do do francês Jacques Santini, actual seleccionador francês, com trabalho bem feito enquanto liderou os destinos do Lyon. A esperada entrada de José Antonio Camacho no Real Madrid, onde deverá substituir no cargo o português Carlos Queirós, leva os responsáveis da SAD do Benfica, nomeadamente o seu novo administrador José Veiga, a não perder tempo e procurar no mercado nomes que se enquadrem no perfil definido para orientar a equipa encarnada. Não foram ainda estabelecidos contactos formais, apenas consultas e sondagens. A administração analisa o cenário tendo em conta a saída de Camacho. Desde logo uma premissa fundamental: o eventual substituto do espanhol terá de ser alguém cujos métodos, filosofia de trabalho e organização se assemelhem... aos de Camacho. E nesta linha, o perfil aponta para um nome: Luiz Felipe Scolari, actual seleccionador português, cuja permanência à frente da Selecção de todos nós deverá ser interrompida após o Euro-2004, independentemente dos resultados que obtenha. De resto, o próprio Scolari já terá confidenciado a colaboradores próximos a ideia de abandonar a Selecção, não avançando, contudo, o que o futuro lhe poderá reservar. O nome do treinador brasileiro é bem visto na Luz, e muitas das nossas fontes apontam-no como o preferido para conduzir o Benfica a partir de Julho. Para se concretizar esse desejo, o Benfica teria de esperar pela conclusão do Euro, caso Portugal, comoé intenção de todos, chegue à final da competição, uma vez que antes disso dificilmente haverá lugar a qualquer tipo de conversações oficiais. Scolari já conhece o futebol português, está identificado comas virtudes e problemas que o Benfica atravessa... e chegou a ser sondado para substituir Jesualdo Ferreira, ainda antes da contratação de Camacho. Neste sentido, seria muito possível que outro elemento actualmente ao serviço da Selecção pudesse acompanhar Scolari: Carlos Godinho, secretário técnico, o homem pretendido por Veiga para reorganizar o departamento de futebol independentemente da continuidade em funções de António Simões no papel de director desportivo. Jacques Santini também falado Scolari é o preferido para suceder a Camacho, mas caso alguma questão essencial venha a falhar, existem outros nomes. A BOLA sabe que nos últimos dias o nome de Jacques Santini, o actual seleccionador francês, tem sido falado na estrutura directiva encarnada e igualmente bem visto para substituir o espanhol. Santini foi campeão de França em 2002, ao serviço do Lyon (onde também ganhou uma Taça), substituiu Roger Lemerre após o último Mundial, também em 2002, e em 22 jogos a França ganhou 18, empatou três e perdeu apenas um. Do seu currículo consta ainda uma Taça das Confederações, conquistada em 2003. Impossível de alcançar? O que se sabe é que Santini pretende, igualmente, abandonar a selecção gaulesa após o Europeu. E por que não aceitar convite de Portugal? Couto e Alex na agenda ALEX, internacional brsileiro, número 10 do Cruzeiro, volta a ser um dos alvos do Benfica para a nova época. O jogador já foi muito desejado na Luz, acabou por renovar contrato até Junho com o clube de Belo Horizonte, e continua a estar muito bem referenciado entre os responsáveis encarnados. O presidente do Benfica está desde ontem no Brasil e pode aproveitar para tentar saber se a transferência de Alex é viável. Aparentemente, a viagem de Luís Filipe Vieira é particular (fez-se acompanhar pela esposa), aproveitando também para descansar da pressão do final de época. Mas os assuntos do Benfica estão sempre na sua agenda. Outro alvo do Benfica é o capitão da nossa Selecção, Fernando Couto. Um velho sonho que poderá concretizar-se, agora que Couto tem mais facilitada a saída da Lazio. Resolvida a questão em torno da continuidade de José Antonio Camacho no Benfica — o espanhol fez saber na terça-feira que a sua aventura no clube da Luz terminou — Luís Filipe Vieira viajou para o Brasil, onde se encontra desde ontem. Objectivo: afastar-se um pouco da pressão que foi o final de época para os encarnados e tentar, seguramente, saber a viabilidade de alguns negócios que possam ser interessantes para o Benfica. Nessa linha, Luís Filipe Vieira poderá aproveitar esta viagem para voltar a estudar a possível contratação do camisa 10 do Cruzeiro, o categorizado Alex (curiosamente, jogador que agrada muito a Luiz Felipe Scolari, provavelmente o mais desejado treinador para substituir Camacho). Alex já esteve na agenda encarnada, mas a opinião de Camacho inviabilizou à partida qualquer tentativa de negociação. Alex acaba contrato com o Cruzeiro em Junho e os seus direitos desportivos ficam na mão dos empresários Giuliano Bertolucci e Juan Figger, com os quais o Benfica tem trabalhado muito ultimamente (casos dos negócios de Luisão, Paulo Almeida e Alcides). Enquanto isso, o novo administrador José Veiga ficou em Lisboa com a missão de fazer avançar outros processos pendentes, em permanente contacto com o presidente. Sonho de ter Fernando Couto Velho sonho do Benfica é conseguir contratar Fernando Couto, um dos grandes líderes da Selecção Nacional, cuja saída da Lazio se tornou mais facilitada depois da enorme crise que assolou o clube italiano. É verdade que Fernando Couto pode, se quiser, ficar mais um ano na Lazio (conseguiu impôr essa condição quando o clube de Roma quase abriu falência)mas também é verdade que o seu futuro está nas suas mãos, podendo mesmo deixar Itália a custo zero. A necessidade de o Benfica contratar mais um defesa-central (tem Luisão, Ricardo Rocha, Argel e o jovem Alcides, a recuperar por muito tempo de uma operação) mais aguça o sonho de atacar Fernando Couto, que certamente não desdenharia regressar a Portugal após o Euro-2004. Ver-se-á se o sonho é concretizável. Camacho : Florentino falará na segunda-feira Pela primeira vez desde que tiveram início os rumores sobre o interesse do Real Madrid nos seus serviços, Camacho admitiu que Florentino Pérez apenas se pronunciará sobre este assunto na próxima segunda-feira. Uma pequena inconfidência que desfaz, praticamente, quaisquer dúvidas sobre o seu destino. Cheira a adeus, na Luz. Incontornável! O homem é rei e senhor neste cantinho de Espanha. Políticos, cidadãos anónimos, crianças de todas as idades, ninguém fica indiferente à presença do treinador, que se diz estar prestes a trocar o Benfica pelo mais mediático clube da actualidade, a nível mundial. Por todas as razões deste mundo, o Real Madrid é actualmente um destino pouco menos que incontornável para Camacho, mas da parte do principal interessado, não há sinais de estados de ansiedade ou entusiasmo desmedido, se bem que ontem, já tenha deixado escapar um pequeno indício, ao admitir que Florentino Pérez não falará do assunto até segunda- feira. Enquanto não chega a confirmação oficial, José Antonio Camacho desfruta da companhia dos seus amigos de Múrcia e Cieza, a sua terra natal, com uma alegria e simplicidade que poucos têm o privilégio de ver no dia a dia em Portugal. Ontem, o técnico espanhol foi, provavelmente, o nome mais falado na região de Múrcia, ao deslocar-se ao Palácio de San Esteban para receber das mãos do presidente da Comunidade, Ramon Luis Valcárcer, um pergaminho que dá conta da atribuição do seu nome a uma rua da cidade, numa cerimónia em que se pretendeu homenagear, simultaneamente, a conquista da Taça de Portugal por um filho da terra, ao comando do Benfica. «Felizmente, na minha região tenho tudo aquilo que poderiam oferecer-me. Já tinha uma praça e uma rua em Cieza e agora, passo a ter uma rua com o meu nome na cidade de Múrcia. Sou grande amigo do presidente da Comunidade e para mim, é uma honra receber tão grande distinção», confidenciou A BOLA, enquanto procurava satisfazer a numerosa prole de conhecidos e caçadores de autógrafos que clamavam pela sua atenção. Respeitar Carlos Queirós Os momentos de alegria continuariam à noite, quando se deslocou ao modesto estádio de La Condomina para assistir à final do campeonato regional, que opôs as equipas do Yeclano e do Mar Menor. Foi mais uma oportunidade de conviver com amigos de infância e desta vez nem houve perguntas sobre o Real Madrid, porque Camacho já tinha dito tudo o que havia a dizer da sua parte, durante a cerimónia em San Esteban. E que disse o (ex?) treinador do Benfica? Além de parafrasear Florentino Pérez, notando que o presidente do Real Madrid só falará na segunda-feira, mostrou-se também preocupado com o lado ético da questão, designadamente a intenção de respeitar Carlos Queirós, que até prova em contrário é ainda o treinador do Real Madrid. «Se digo que quero treinar o Real Madrid, vai parecer que quero tirar o lugar ao seu treinador, que é meu colega de profissão. Se disser o contrário, vão pensar que não quero ir. Se exijo respeito para mim, também devo tê-lo por Carlos Queirós», frisou. Recordações de Fehér e Baião Claro que o Benfica foi tema na conversa que Camacho manteve com os jornalistas, até porque a conquista da Taça de Portugal estava, igualmente, a ser comemorada na sala e o técnico espanhol não escondeu a sua tristeza pelos trágicos acontecimentos que vitimaram Miki Fehér e o jovem Bruno Baião. «A época foi muito bonita em termos desportivos, mas fora disso foi muito feia», considerou, pondo uma pedra sobre o assunto. Terá sido o único momento em que se viu alguma tristeza no semblante de Camacho, que dando sequência a um dia agitado, mas compensador, jantou em grupo, a seguir ao jogo, que teve início às 21 horas locais. Hoje, o técnico regressa a Madrid e pode-se adivinhar o número de contactos que irá manter durante o fim-de-semana. Depois, na segunda-feira, se verá se é ele ou não o novo timoneiro da galáxia madrilena... Mais do que nunca, a expectativa é grande na Luz. Atentos aos galácticos Assim que se confirme a entrada de Camacho no Real Madrid, o que poderá acontecer já na segunda-feira, dia em que Florentino Pérez promete novidades, o Benfica estará atento à lista de dispensas do clube merengue. As razões são óbvias: por um lado a excelente relação do treinador espanhol com o Benfica e, por outro, as igualmente profícuas relações institucionais entre os dois clubes. Não seria por isso de estranhar que alguns dos dispensados do Real Madrid venham a ser colocados à disposição do Benfica. Não nos referimos, naturalmente, aos galácticos intocáveis que compõem o plantel dos merengues, mas sim às jovens promessas do Real Madrid ou até a alguns altetas que, já sendo certezas, teriam poucas oportunidades de jogar com regularidade sob as ordens de Camacho. Para mais, se a formação espanhola avançar mesmo com uma proposta por Luisão, deverão ser oferecidos jogadores como contrapartida. Um assunto que deverá ser discutido nas próximas semanas. Luz para Jorginho e Carlitos A lista de reforços de José Antonio Camacho para a próxima temporada não incluía quaisquer jogadores a actuar em Portugal, fossem eles da SuperLiga ou Liga de Honra. Daí a reacção, por exemplo, do treinador espanhol a propósito das notícias em torno da contratação de Yannick. Este cenário não invalida que, ao longo da época, tenham sido feitas observações e elaborados relatórios sobre vários atletas que se foram destacando nos respectivos campeonatos (não só em Portugal, mas também no estrangeiro). São os casos de Carlitos — já tem pré-acordo com o emblema da Luz, como A BOLA oportunamente anunciou —e de Jorginho. A possibilidade de contratação do brasileiro do V. Setúbal chegou a ser equacionada em Janeiro, mas não se concretizou, face à irredutibilidade de Camacho. Com a saída do espanhol voltam a abrir-se as portas do mercado nacional e, neste cenário, Jorginho torna-se num dos alvos preferenciais para Luís Filipe Vieira e seus pares. O dianteiro, fundamental na campanha de regresso do V. Setúbal à SuperLiga, tem apenas mais um ano de contrato com os sadinos e estes estarão dispostos a negociar o jogador por uma verba aceitável. António Teixeira, empresário de Jorginho, garante, contudo, que «até ao momento» não recebeu qualquer «proposta concreta» pelo atleta. Certo é que Jorginho tem despertado a atenção de vários emblemas nacionais e internacionais, fruto das excelentes exibições. Rui Duarte, Amoreirinha... No mesmo contexto voltam a ser equacionados outros nomes. São os casos dos defesas Rui Duarte (Estoril) e Amoreirinha (Alverca), dois jovens jogadores referenciados de forma muito positiva pelas águias — sobretudo o primeiro — e que poderiam ser contratados por verbas aceitáveis para as finanças encarnadas. As portas da Luz voltam assim a abrir-se para o mercado nacional, onde se vislumbram boas oportunidades. Alcides com estatuto de igualdade de direitos O brasileiro Alcides deverá ter, quando puder jogar pelo Benfica, o estatuto de igualdade de direitos, uma vez que, aquando da sua passagem por Lisboa, há cerca de um mês, o clube da águia e o defesa começaram, desde logo, a tratar do processo. Assim, quando estiver completamente recuperado da lesão que o apoquenta, o central não deverá contar como estrangeiro nas contas do treinador encarnado—seja ele quem for... Recorde-se que Alcides se lesionou no joelho direito a 25 de Abril, num jogo para o campeonato brasileiro entre o Santos e o Botafogo. O agora benfiquista abandonou o jogo ao intervalo, após choque com o médio Têti. Fez, depois, uma ressonância magnética que acusou lesão de alguma gravidade, o que levou os médicos do Santos a optar pela intervenção cirúrgica. Meia dúzia de dias depois, o jovem de 19 anos foi operado ao joelho e realiza, desde então, a recuperação da lesão. Quando os encarnados regressarem aos trabalhos, cujo início está marcado para o próximo dia 5 de Julho, Alcides começará a sua recuperação junto da equipa médica do Benfica, de modo a que, entre Outubro e Novembro, esteja apto para a competição. quinta-feira, maio 20, 2004
Camacho já está em Madrid JOSÉ ANTONIO CAMACHO viajou ontem de manhã para Espanha, mas voltará a Lisboa. Para tratar de assuntos particulares e para uma última conversa com Luís Filipe Vieira. O técnico ainda não recebeu propostas concretas do Real Madrid ou do Benfica, mas o início da próxima semana será decisivo. Camacho encontra-se desde ontem em Espanha, ainda sem conhecer o seu futuro na próxima temporada. Falou com o presidente do Benfica, ainda em Lisboa, e, de acordo com informações que chegam do país vizinho, disse a Luís Filipe Vieira que a sua experiência no futebol português estaria perto do fim. Embora não tenha recebido uma proposta formal de Florentino Pérez e do Real Madrid, o treinador espanhol já tem conhecimento de que em breve isso acontecerá. O início da próxima semana é a data apontada, até pelo próprio presidente madrilista, para a definição do processo. De qualquer forma, na segunda-feira, José Antonio Camacho vai regressar a Portugal. Para tratar de assuntos particulares — os filhos estudam no nosso País — e também para uma última e definitiva conversa com o presidente do Benfica. O clube da Luz apenas pode, nesta altura, alimentar uma ténue esperança de manter o técnico na nova temporada, porque todos os caminhos parecem ir dar a Madrid e ao Real Madrid, no que a José Antonio Camacho diz respeito. Tendo a consciência de que muito dificilmente Camacho continuará no Benfica, os responsáveis pelo futebol benfiquista já estão a sondar o mercado à procura de alternativas para o cargo de treinador. Segundo apurámos, Luís Filipe Vieira já tem uma viagem agendada para o exterior, que provavelmente estará relacionada com o assunto. Todavia, o Benfica mantém a posição de não avançar para a formalização de qualquer proposta a outro treinador sem que estejam esgotadas todas as possibilidades de manter Camacho. Ou seja, até que o Real Madrid concretize a intenção de contratar o técnico espanhol e este diga, formalmente, que não ficará no Benfica e que aceita a nova aventura. O início da semana promete muitas novidades, em Madrid e também em Lisboa. Camacho elogiou-me? Fico muito feliz PAULO ALMEIDA viu pela primeira vez confirmado o seu nome como futuro reforço do Benfica no passado domingo, quando na conferência de imprensa que se seguiu à vitória dos encarnados na final da Taça de Portugal José Antonio Camacho deu como garantida a presença na Luz do internacional sub-23 brasileiro nas próximas épocas. «É um grande jogador», disse o técnico espanhol a propósito do médio. Confrontado por A BOLA, Paulo Almeida confessou a sua satisfação. Não que precisasse disso, mas assim dissipam-se todas as dúvidas. Ninguém da SAD ou da equipa técnica tinha dado qualquer confirmação oficial sobre o assunto, mas Camacho fê-lo pela primeira vez no final do encontro do Jamor, até porque terminara ali a época e assim já não havia razão para esconder o que A BOLA tinha avançado em primeira mão: Paulo Almeida vai ser jogador do Benfica nas próximas três épocas — com mais uma de opção. Disse o treinador que o médio estava contratado e que era «um grande jogador». A BOLA obviamente confrontou o brasileiro com esse dado e a resposta foi pronta. «A sério, ele confirmou e elogiou-me? Não sabia disso. Mas fico muito feliz, é sinal de que o meu trabalho é valorizado. E se ele confirmou... está confirmado! », disse o ainda médio do Santos, com vários sorrisos à mistura, ele que por questões éticas não se pode alongar em comentários sobre a transferência para o emblema encarnado quando ainda está ligado ao peixe mais um mês e 10 dias — termina contrato no dia 30 de Junho—e tendo pela frente jogos importantíssimos, quer para o campeonato brasileiro quer para a Taça dos Libertadores (a Liga dos Campeões da América do Sul), tendo inclusive alinhado ontem na primeira mão dos quartos-de-final da prova. Refira-se ainda que a final jogase a 30 de Junho — precisamente o dead line do seu vínculo ao clube. Há dois anos sem férias Se o Santos exigir a sua presença até ao fim, Paulo Almeida terá apenas cinco dias de descanso — os trabalhos da nova época dos encarnados começam a 5 de Julho. Por isso, é muito provável que o internacional canarinho peça à SAD mais alguns dias de férias, algo que o jogador não goza há dois anos por via dos compromissos com a selecção. Argel renovou por dois anos ARGEL já está no Brasil e só regressará a Portugal nos primeiros dias de Julho. O central renovou por dois anos e já faz questão de ir avisando aos colegas que para o ano a equipa tem de conseguir ainda melhor. Argel viajou ontem, feliz da vida por ter renovado contrato com o Benfica, por mais dois anos. Ainda no aeroporto, o central perspectivou a próxima época. «Esta foi uma época desgastante e agora a intenção é descansar e preparar a próxima, sabendo que temos de entrar na Liga dos Campeões e fazer um campeonato ainda melhor do que este», afirmou. Sem esconder a alegria por ter renovado, Argel estoriou todo o processo que conduziu à sua continuidade na Luz. «Graças a Deus, vou ficar mais dois anos. Sempre foi minha vontade e procurei fazer o melhor, apesar das notícias que apontavam para a minha saída. Tenho consciência de que sou útil e inclusive estava numa forma extraordinária quando saí da equipa. Sofri uma lesão nos gémeos que atrapalhou a minha afirmação, mas não mudou nada porque as pessoas que mandam no clube estavam atentas.» Recusando-se a dizer se houve melhoria ou redução de salário, Argel reiterou a sua satisfação: «Estou com 29 anos e sou útil, independentemente de ser titular ou não. Jogo ao mais alto nível há doze anos e serei mais um à disposição do treinador.» Foi sem dramatismos que o brasileiro se pronunciou sobre a possível saída de Camacho. «Dizer se o treinador fica ou são é assunto da SAD, que tem pessoas competentes e sérias para resolver o problema. O Benfica profissionalizou-se em tudo e os resultados estão à vista. Quebrámos o enguiço de 8 anos e agora temos obrigação de fazer melhor», referiu. Brasileiro e com passagem por muitos clubes de top no seu país, Argel conhece melhor Paulo Almeida que Alcides e elogia as capacidades do compatriota: «Quando jogava no Santos, Paulo Almeida era juvenil. Joga ao estilo de Petit, com muita alma e garra. Alcides é mais jovem, mas sei que tem grande potencial. O que importa é que quem vier vai encontrar um plantel unido, que respeita a mística do clube. Quem vier será bem recebido e aprenderá rapidamente a representar esta camisola. » Argel congratulou-se com a presença de seis benfiquistas na lista de Scolari: «Estão de parabéns, especialmente Moreira. Cresceu muito em termos profissionais e nos ajudou muito durante a época.» Luisão : Quero afirmar-me na selecção e sonhar com o Mundial-2006 Agosto de 1996. Donizete, avançado do Benfica, representava o Brasil em dois jogos particulares com a Rússia e a Holanda. Oito anos se passaram até que a águia voltasse a jogar garras ao escrete. Autor da proeza? Luisão. Esse mesmo. O homem que foi capaz de dividir os benfiquistas entre a paixão e o cepticismo. O defesa-central que hoje, já com uma Taça de Portugal no bornal, se afirma disposto a reabrir um trilho de qualidade que se fechara desde que Ricardo Gomes, Mozer e Aldaír povoavam o império vermelho. A BOLA foi atrás de Luisão e do seu sonho lindo, no mais belo dos palcos, na mais bela das cidades. Hoje à noite, Luisão será, tudo o indica, titular da selecção do Brasil no jogo com a França, em Paris, no mítico Stade de France, ponto alto das celebrações do centenário da FIFA. E Luisão dispôs-se a falar de alguns dos temas que fazem a realidade do Benfica e não só. Tentámos abordá-lo, primeiro, no recato de uma unidade hoteleira de luxo, no centro da Cidade Luz. Mas o jogador do Benfica dormia. E folheava as páginas de um livro de ilusões para o qual está, agora, a acordar. Encontrá-lo-ía-mos mais tarde, para a conversa prometida, no coração da magnífica catedral de futebol onde o Brasil se treinou para preparar o duelo com França. No meio de uma zona mista onde se acastelavam jornalistas às dezenas, vindos dos quatro cantos do Mundo, Luisão apareceu à distância e acenou em sinal de concordância. O interesse dos media na presença de gente como Ronaldo, Ronaldinho ou Kaká, permitiu-lhe a discrição suficiente para uma conversa mais prolongada. A sós. Onde falou do Benfica, da Taça de Portugal, de Camacho, do Euro-2004 e, claro, do desejo de se afirmar como opção para Carlos Alberto Parreira, o homem que tem a honra de guiar uma equipa que tem brilho próprio. Como brilhante é a quimera de Luisão: «Quero afirmar-me na selecção e sonhar com o Mundial.» Vitória na Taça deu-me a percepção da grandeza do Benfica Ter a força de Mozer e a técnica de Ricardo Gomes é sonho que povoa a mente de Luisão. Humilde, sente-se obrigado a honrar a tradição de bons defesas-centrais brasileiros no Benfica. Mas essa não é a sua única ilusão. Conduzir o Benfica a mais e mais sucessos é objectivo de quem se sente, finalmente, vingado depois das críticas de que foi alvo. Confissões de um jogador que cresce no campo, nas ambições e na certeza de quem se vê num clube capaz de oferecer emoções singulares. «Tenho sete títulos em quatro anos, mas nunca vi coisa igual», disse a propósito da vitória na Taça de Portugal. — Aldaír, Ricardo Gomes e Mozer foram referências como defesas centrais do Benfica e do Brasil. Considera-se sucessor dessa casta? — Acho que tenho a obrigação de honrar as coisas boas que eles fizeram. Mas é óbvio que todos eles tinham características diferentes das minhas. Procuro beber da sabedoria que fazia deles jogadores notáveis e tento assimilar as suas peculiaridades, enquadrando-as no meu estilo. Que é só meu. Apreciava muito a técnica do Ricardo e a força do Mozer. E gosto de aliar esses elementos ao meu futebol. — Sabia que remonta aos tempos de Donizete a última presença de um jogador do Benfica na selecção do Brasil? — É mesmo? Não sabia. Mas fico feliz. O objectivo de qualquer jogador é estar num grande clube, representar o seu país e, neste caso, poder voltar a levar o nome do Benfica a ser falado como era antigamente no seio da selecção do Brasil. — Agora que regressa ao escrete, imagina-se a disputar dentro de dois anos o Campeonato do Mundo, na Alemanha? — É o objectivo de todos os que estão nesta convocatória, bem como de todos os que não estão. E são muitos... Quero afirmar-me na selecção e sonhar como Mundial. — Quando chegou a Lisboa tinha uma ideia definida sobre o Benfica. Hoje, o que mudou na forma como vê o clube? — O que mudou foi seguramente para melhor. Só depois de conquistar a Taça é que tive uma real percepção da grandeza do Benfica. Fiquei felicíssimo com o que vi. Se me surpreendeu? Já sabia que a massa adepta era imensa. Mas tão grande assim? Meu Deus... A nossa vitória no Jamor foi apenas uma pequena amostra daquilo que será quando, um dia, conquistarmos a SuperLiga. Tenho sete títulos em quatro anos, mas nunca vi coisa igual. Ganhei muita coisa enquanto joguei no Brasil, mas as comemorações não foram tão impressionantes como as que vi. Estava à espera de uma festa linda, mas não tanto quanto foi. Humildade foi o segredo — O que é que o FC Porto teve a mais que o Benfica para ser campeão e dominar de forma tão clara a temporada a nível nacional e internacional? — Acho que a consistência do elenco do FC Porto foi fundamental. Mas o Benfica está a agora a conseguir formar uma equipa sólida, com a ajuda de Camacho. Os jogadores já estão juntos há algum tempo e terminaram a época em grande, a crescer. O Benfica conseguirá, aos poucos, ter essa solidez do FC Porto, que dispõe de jogadores muito entrosados e que sabem perfeitamente o que fazer em cada posição no terreno. E é isso que já está a suceder na nossa equipa. — Se defacto o FC Porto tem uma equipa mais forte e rotinada, como se pode explicar a vitória do Benfica na Taça de Portugal? — Acho que foi a força e a humildade que tivemos de reconhecer que o FC Porto era melhor. Tínhamos de correr mais. Ganhámos no conhecimento da real situação de uma e outra equipas. — A vitória na Taça de Portugal é o estímulo que faltava ao Benfica para conduzir a uma realidade de sucessos? — Sem dúvida que é. Há muito tempo que o clube não conquistava qualquer título. Conseguiu-o, finalmente, diante do grande rival que é o FC Porto. E isso traz confiança. Era isso que precisávamos para levantar a equipa. |
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