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quarta-feira, março 31, 2004

Ausências marcam treino «encarnado»

O Benfica regressou esta manhã aos treinos depois de dois dias de folga, após a vitória frente ao Alverca, mas José Antonio Camacho só pôde contar com 14 atletas tendo chamado dois elementos do plantel B.

O apronto desta manhã em Massamá, ficou marcado por 12 ausências, onze ao serviço das selecções e Mantorras lesionado.

Petit, Miguel, Simão, Nuno Gomes e Tiago, estão a representar Portugal nos «AA», nos Sub-21 encontram-se Moreira e João Pereira. Já ao serviços de selecções estrangeiras estão: Fyssas, na Grécia, Zahovic na Eslovénia, Fernando Aguiar no Canadá e Sokota na Croácia.

No apronto de hoje em Massamá só estavam presentes 14 jogadores tendo o técnico espanhol chamado Hélio Pinto e João Vilela da equipa B para aprimorar o trabalho de finalização.




Nuno Gomes na equipa da semana da Gazzeta dello Sport

A Gazzetta dello Sport elegeu Nuno Gomes como um dos avançados da equipa ideal da semana.

Numa formação de sonho, o avançado do Benfica tem a companhia do nosso bem conhecido Jimmy Hasselbaink (jogou no Campomaiorense e Boavista e está agora na equipa milionária do Chelsea) e ainda do brasileiro Ailton (Werder Bremen), melhor marcador do campeonato alemão.

Por falar em jogadores que já passaram pelo campeonato português, diga-se que na defesa estão o defesa- direito Ibarra (já alinhou no FC Porto) e Marchena, central do Valência que já vestiu a camisola do Benfica. Refira-se ainda que David Beckham foi escolhido para um trio de médios também composto por Lampard (Chelsea) e De la Pena (Espanhol).

Não faltam estrelas neste onze que integra Nuno Gomes. O jornal italiano diz mesmo que o jogador do Benfica foi «brilhante no jogo com o Inter e também no campeonato».

Esta oportunidade foi Deus que me deu!
Nos últimos dias furtou-se a comentar o tema, mas a A BOLA decidiu falar num cenário que o próprio diz ainda não ser real mas que para lá caminha. Da sua boca não se ouve qualquer confirmação sobre a transferência para a Luz mas não deixa de sorrir com os olhos quando lhe perguntamos a vontade que tem em representar o Benfica. «Vou torcer para que as negociações dêem certo», é a frase que dispara sem lhe forçarem, consubstanciando o desejo íntimo de dar o salto para a Europa. Eis Paulo Almeida, em discurso directo.

Admite que tem andado confuso e pressionado pela exigente Imprensa brasileira, mas ao mesmo tempo não esconde o orgulho de ser falado como provável jogador do Benfica para as próximas três épocas. Como todos os brasileiros da sua idade (faz 23 anos no dia 20 de Abril), tem três sonhos: vestir a camisola da selecção principal do seu país, participar num Campeonato do Mundo e jogar num clube europeu. Em parte, alguns desses objectivos começam a ser cumpridos. Já representou a equipa canarinha no escalão sub-23 e estão mais que franqueadas as portas para o salto para o outro lado do Atlântico. Lisboa é a cidade que o vai acolher, o Benfica é o clube que vai representar. Mesmo sem admitir directamente o facto, até porque ainda tem de jogar pelo Santos até 30 de Junho, data do final do seu contrato, o médio vai deixando nas entrelinhas o que vai acontecer brevemente na sua carreira. E os conselhos que recebeu não podiam ter sido melhores. «Fiquei muito feliz ao saber do interesse do Benfica. O Paulo César, que jogou no Paris Saint-Germain e agora é meu colega, disse-me que deveria aproveitar logo a oportunidade porque se trata de um grande clube e que Lisboa é uma cidade maravilhosa. E isso dá para perceber através da televisão, quando vemos o futebol português. Vou ficar muito honrado se tudo der certo e assinar pelo Benfica », começa por afirmar, não escondendo o nervoso miudinho quando lhe falamos da nova realidade do clube: estádio novo, futuro centro de estágio, política de contratações rigorosa e seleccionada: «Isso deixa-me ainda mais alegre e vou torcer para que as negociações dêem certo. É claro que gosto muito do Santos , mas chega uma determinada altura em que pensamos buscar novos ares.»

Ídolo Argel e o grande Luisão

Em determinadas alturas da conversa Paulo Almeida começa já a imaginar o amanhã e a conjugar os verbos no futuro e afirmativamente. «Jogar em Portugal será muito bom. A língua é a mesma e isso permite que tenhamos estabilidade. Isso é importante porque a minha esposa está grávida e precisamos de tranquilidade. Se o Benfica é uma ponte para outro clube? Não, não. Esta oportunidade foi Deus que me deu. Gostava e quero fazer história no Benfica, tal como fiz no Santos, e ajudar o clube a ultrapassar essa crise de 10 anos sem vencer o campeonato. Quero que o meu nome seja reconhecido no Benfica», afirma, taxativamente. Jogar no Benfica será como jogar em casa. Ar gel (um ídolo de miúdo quando o central jogava no Santos e este estava nas camadas jovens), Geovanni e o amigo e colega de selecção Luisão já deram o passo europeu. E a propósito: Luisão ainda não mostrou o que realmente vale? Fala que o conhece: «Esse não é o Luisão que eu conheço. Esperem para ver! O Luisão que conheço é um grande jogador, forte na marcação, mete o pé, faz muitos golos de cabeça e é um líder dentro de campo.» Curioso serão os confrontos com... Carlos Alberto, do FC Porto. «Somos amigos mas tivemos muitos duelos acesos no Brasil. Felizmente saí sempre por cima, pois o Santos venceu sempre o Fluminense», recorda. Está marcado, então, o confronto. Mas desta feita em solo português.

Respirar, enfim, com a meta à vista
O Benfica inicia hoje um novo e derradeiro ciclo até final da temporada. Depois de um mês de Março desgastante, com oito jogos disputados, os encarnados têm mais sete para disputar até final da época. Em causa o segundo lugar e a conquista da Taça de Portugal. O ritmo competitivo abranda, o quadro clínico é o mais desanuviado da época e há muito por conquistar.

Será às 11 horas de hoje, em Massamá, que o Benfica dará o pontapé de saída para as grandes decisões que ainda tem de disputar até final da época. Afastado da Taça UEFA, dois objectivos assumem especial importância: a conquista do segundo lugar no Campeonato e respectivo acesso à terceira e última pré-eliminatória da Liga dos Campeões— falar de título, neste momento, nada mais representa do que um exercício de pura matemática— e a conquista da Taça de Portugal, tendo a equipa garantido lugar na final do Jamor. Em relação ao primeiro objectivo, a distância de quatro pontos para o Sporting aconselha a um comedimento de expectativas e o desejo de que o leão continue a tropeçar, pelo menos o suficiente para permitir que o Benfica-Sporting da penúltima jornada seja decisivo. Quanto à Taça de Portugal, que foge da sala de troféus da Luz desde 1996, tudo dependerá dos jogadores do Benfica. Estão na final e encontram o FC Porto pela terceira vez esta época, com fé na primeira vitória, depois de uma derrota nas Antas e um empate na Luz.

Um jogo por semana

O Benfica vai disputar até final da época sete jogos. Seis para a SuperLiga, um na final da Taça de Portugal. Ou seja, em cerca de mês e meio os encarnados disputarão menos um jogo que em pouco mais de três semanas em Março. Neste mês terrível, combateu nas três frentes, ao ritmo de dois jogos por semana, averbando cinco vitórias, um empate e duas derrotas. O novo quadro em termos de calendário permitirá a Camacho uma gestão do trabalho de forma diferenciada, tal como o da própria equipa, sem a necessidade de rotatividade num plantel algo curto nas opções. Um jogo por semana, onde o Benfica poderá fazer de cada um deles uma verdadeira final, praticamente na máxima força.

Quadro clínico desanuviado

Outra nota de destaque vai para o facto de o Benfica ter nesta fase o quadro clínico mais desanuviado da época. Praticamente apenas Mantorras se encontra a recuperar de lesão, pelo que Camacho tem um leque mais alargado de opções em comparação com tantas outras fases da temporada. Hoje ainda não poderá contar com todas, por ausência de dez jogadores nas respectivas selecções. Mas amanhã voltarão a estar juntos. Quer com isto dizer-se que o Benfica se encontra com todas as armas para lutar pelos objectivos ainda em curso.

Respeito pelo plantel
CONFIANÇA. Na sessão especial de bolsa de apresentação dos resultados da subscrição pública de obrigações do Benfica —15 milhões de euros em caixa—, Luís Filipe Vieira deixou antever novidades no futebol .Mas ainda é cedo para confirmar a contratação de Paulo Almeida ou o nome do seu braço direito na SAD. Tudo a seu tempo.

Sala cheia no quinto andar do Edifício Atrium Saldanha, mas sem vista para a estátua altaneira do marechal. Sessão especial de bolsa para apresentar os resultados da operação pública de subscrição das obrigações do Benfica. Sala cheia, com o director de comunicação encarnado, Cunha Vaz, o vice-presidente Fonseca Santos e o vogal da direcção Rui Cunha a la- dearem Luís Filipe Vieira na primeira fila. Ouviram, com regozijo, o director de negociação do Euronext, Miguel Geraldes, a confirmar o sucesso absoluto da operação: vão entrar na tesouraria 15 milhões de euros (cerca de três milhões de contos), mas a procura suplantou largamente a oferta: as ordens de compra chegavam para 21,353 milhões de euros.

Respeito pelo plantel

Nem ali o presidente do Benfica e da SAD se esquivou a, por instância dos jornalistas, satisfazer a curiosidade geral e o ponto da situação dos temas quentes do futebol do clube. A começar pela contratação de Paulo Almeida, médio internacional brasileiro de sub-23 que termina contrato com o Santos no Verão e com quem, como A BOLA adiantou em primeira mão, o Benfica tem já uma cordo para as próximas três épocas. «Desminto categoricamente esse ou outro nomes, por respeito ao plantel profissional que temos, que é o do Benfica e que está envolvido em competição até Maio. Não seria correcto de outra forma», afirmou o presidente eleito com a maior percentagem de votos na história centenária do clube da águia. O mesmo argumento, de não ser o timing ideal — nem a ocasião, nem o local, nem a altura certa —, vingou quanto a confirmar que o agente FIFA José Veiga poderá ser a sua escolha para braço direito na SAD encarnada. «Vocês sabem que há reestruturações em curso. É óbvio que alguma coisa vai suceder, mas ainda é cedo para falar de nomes. Se José Veiga tem os conhecimentos para exercer o cargo? Não respondo», disse Luís Filipe Vieira.Há que aguardar.



terça-feira, março 30, 2004

Luís Filipe Vieira assiste à sessão da Bolsa

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, estará hoje nas instalações da Euronext, em Lisboa, para assistir à sessão que avaliará o empréstimo obrigacionista do Benfica, que decorreu de 3 a 26 de Março.

Esta sessão especial da Bolsa está agendada para as 17 horas e serão analisados os resultados da operação, os quais foram um sucesso. Foram disponibilizados, para subscrição, 15 milhões de euros, mas, feitas as contas, ascendeu a 21,353 milhões de euros, ou seja, ultrapassou largamente as obrigações disponibilizadas.

Assim sendo, será necessário proceder a rateio, na proporção dos valores das ordens de subscrição efectuadas junto das entidades bancárias que conduziram o processo.

Este empréstimo obrigacionista é vital para o reescalonamento do passivo do Benfica, que se compromete a uma remuneração de cinco por cento ao ano, num prazo de três anos.




A raça de Amaral e o pulmão de Mauro Silva
Já não causa espanto para ninguém. A mais que provável saída de Paulo Almeida do emblemático clube de Pelé rumo a Portugal é encarada com naturalidade, quando as pessoas do Santos e os adeptos se apercebem da presença de A BOLA nas imediações do Estádio Vila Belmiro. Não deixam de sentir alguma pena pela saída do capitão que levantou a taça correspondente ao último título, mas encaram o facto com leveza. Paulo Almeida não tem o cartel de Robinho ou Diego, mas gera forte onda de respeito. E quando confrontámos aqueles que conhecem a fundo as suas características como jogador, as respostas vão neste sentido: tem a raça de Amaral e a impetuosidade de Mauro Silva.

Há muito tempo que dirigentes, equipa técnica, membros do clube e Imprensa local se aperceberam da impossibilidade de Paulo Almeida continuar a vestir as cores do peixe — nome como é conhecido o Santos. O facto de o jogador ter rejeitado várias propostas para renovar contrato — termina a 30 de Junho — elucidou quem tinha dúvidas e por isso ninguém estranha que o seu próximo passo seja atravessar o Atlântico rumo a Lisboa, mais propriamente o ninho da águia. Foi por essa razão que quando A BOLA se fez notar nas imediações do clube e dos seus locais de culto fizeram a associação natural. «Ele vai para o Benfica, não é?», perguntavam, como em jeito de afirmação. E, afinal, que opinião tem a torcida do Santos sobre o internacional sub- 23 brasileiro? As respostas são semelhantes e vão todas dar no mesmo lado: não é um craque que faça humedecer olhos de satisfação, mas é um jogador que qualquer equipa gosta de ter. Porque as suas características são fundamentalmente defensivas e raramente vai para cima de uma defesa contrária — daí se explica o facto de em mais de 150 jogos oficiais nunca ter marcado um golo — não faz dele um ídolo, mas a quantidade de bolas que ganha aos adversários e a forma como rapidamente entrega o esférico aos artistas — um verdadeiro ladrão escondido — são predicados que agradam a qualquer treinador, como é o caso de Emerson Leão, actual técnico do Santos. Como certamente agradou aos técnicos que passaram no Benfica a pres e n ç a de Amaral, ou mesmo a Carlos Alberto Parreira acerca do papel de Mauro Silva na selecção tetracampeã do Mundo em 1994. É que Paulo Almeida tem, segundo os jornalistas que acompanham o dia-a-dia do Santos, características dos dois: a raça do ex-benfiquista e o pulmão e impetuosidade do ainda jogador do Deportivo La Coruña.

O mais jovem capitão do clube

Foi a Paulo Almeida a quem coube a responsabilidade de erguer a taça correspondente à vitória no campeonato brasileiro em 2002, um título que fugia ao Santos há 19 anos. Como se isso não bastasse para se perceber a importância do médio no contexto do futebol deste país, foi também ele, aos 21 anos, o capitão mais jovem de sempre do clube, algo que o jogador certamente colocará, com orgulho, no topo do seu curriculum vitae. É certo que nesse ano o peixe apresentou-s e em competição com uma equipa muito jovem, destacandose deste lote Robinho e Diego, mas Leão viu nele maturidade e espírito de l id e r a n ç a únicas: desde jovem, Paulo Almeida sempre teve uma voz de comando e soube incentivar os colegas. E se isso não é suficient e para os adeptos andarem a correr para a caça ao autógrafo, é no entanto fulcral par a ajudar uma equipa a ganhar títulos.

Chegou a hora, Luisão!
AOS poucos, Luisão começa a colocar os trunfos na mesa. O gigante que o Benfica foi contratar ao Cruzeiro, no Brasil, tem demorado a justificar os atributos com que vinha rotulado. Aos poucos, a sua produção vai subindo. Frente ao Alverca, está na origem do primeiro e marcou o segundo golo.

Que se acuse o benfiquista que não equacionou já o valor de Luisão e o elevado investimento que o clube fez. Quantos serão os que ainda hoje se questionam sobre a real valia do central brasileiro? Luisão fez frente ao Alverca um dos jogos mais conseguidos da época. Se é verdade que os ribatejanos não criaram muito trabalho, Luisão foi uma pedra decisiva, já que participou activamente no primeiro golo encarnado, concluído por Sokota, e marcou o segundo. De cabeça. Será este o início de uma nova fase na sua carreira? Uma crítica isenta diz-nos que o trabalho mostrado pelo brasileiro ainda é curto. Ou seja, que tem de mostrar mais para justificar as referências que trazia de terras de Vera Cruz. Mas alguns indicadores permitem-nos concluir que Luisão iniciou já o processo de recuperação anímica e desportiva.

Malditas lesões

Dois factores têm contribuído para que Luisão ainda não tenha mostrado porque razão era peça fundamental no Cruzeiro e na selecção olímpica brasileira. Em primeiro lugar, um processo de adaptação um pouco mais demorado do que o próprio desejaria. «Depois de uma sequência menos conseguida, estou a adquirir a forma ideal. Conheço o meu potencial e sei que posso render muito mais. Com o tempo que já passei em Portugal já deu para me adaptar a um estilo diferente. » Estas são declarações de Luisão após o jogo com o Alverca. Que atestam uma análise crítica e da constatação de que pode render muito mais. As lesões musculares também impediram Luisão de se afirmar na equipa. A primeira no jogo com o Nacional, da sexta jornada da SuperLiga, que o levou a uma paragem de dois meses. A segunda em Leiria, à 17.ª, com mais um mês de ausência. Assim é difícil, reconheça-se.

Só quatro jogos seguidos

A tente-se noutro dado: Luisão apenas conseguiu disputar quatro jogos consecutivos. Entre 14 e 28 de Setembro de 2003 defrontou o Belenenses, FC Porto e Nacional (SuperLiga) e La Louviére (Taça UEFA). Lesionou-se. Depois, de 17 de Dezembro a 11 de Janeiro de 2004, jogou com Académica (Taça de Portugal), Est. Amadora, Sporting e U. Leiria (SuperLiga). Lesionou-se. Recuperado, tem alternado entre a titularidade e o banco, numa política criteriosa de gestão do plantel, por Camacho, a que a sobrecarga de jogos obrigou. Agora, em melhores condições físicas e com um calendário mais desanuviado, chegou a hora de Luisão mostrar aquilo que vale.

Estão a enganar as pessoas
e estão a enganar o Benfica
RUI COSTA voltou a garantir ontem que não tem qualquer acordo com o Benfica e, de forma clara e concisa, decidiu colocar um ponto final no assunto. «Quem disse ou escreveu que já existia uma cordo entre mim e o Benfica está enganado ou, então, está a enganar as pessoas. Portanto, e para encerrar de vez este tema, não tenho qualquer acordo com o Benfica e nunca falei com o clube acerca de um possível contrato. Portanto... não se falamais nisso, está bem?», declarou no momento em que chegou ao estágio da Selecção Nacional para o desafio de amanhã com a Itália. Visivelmente cansado, irritado mesmo, com todas as especulações que nos últimos dias voltaram a colocá-lo na rota do clube da águia, Rui Costa voltou a esclarecer que tem «mais dois anos de contrato com o Milan» e que o seu futuro imediato passa pelo clube do Norte de Itália. «Não percebo porque insistem neste assunto. Repito: estão a enganar as pessoas, estão a enganar o Benfica. Porque, se disserem que o Benfica me pretende ou que, um dia, eu pretendo regressar ao clube da Luz, estão a dar notícias verdadeiras. Agora, fazer primeiras páginas e aberturas de jornais a dizer que já tenho contrato assinado com o Benfica ou a levantar dúvidas se assinei por um ou dois anos porque depois quero ser director desportivo, etc, etc, isso já é entrar completamente no domínio da mentira, da falsidade e do erro. E, por tudo isto, obviamente, sinto que estou a ser usado», desabafou, por fim, o número 10 da Selecção Nacional, seguindo de imediato para junto dos restantes companheiros que, entretanto, já haviam integrado o estágio de preparação para o jogo particular com a squadra azzurra. Ponto final, portanto, no tema Benfica.

Mais fácil chegar à Luz
ACABARAM-SE as filas intermináveis para entrar no Estádio da Luz. As acessibilidades foram ontem inauguradas com pompa e circunstância— presentes estiveram o ministro adjunto do Primeiro Ministro, José Luís Arnaut, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Santana Lopes e, claro está, Luís Filipe Vieira líder directivo do Benfica.

Tudo construído em tempo recorde. Onde há bem pouco tempo estava um amontoado de terra e pedras, uma confusão enorme com máquinas constantemente em movimento e um verdadeiro caos quando aumentava o tráfego — principalmente em dia de jogos—existem agora vias rodoviárias que prometem facilitar a vida aos adeptos.
José Luís Arnaut, ministro-adjunto do primeiro ministro chegou à nova catedral ainda não eram 18 horas. Reuniu-se depois com Luís Filipe Vieira. O encontro decorreu no interior do estádio e por essa hora já Santana Lopes aguardava pacientemente junto ao local onde decorreu a inauguração dos acessos rodoviários. Chegaram alguns minutos depois e logo se iniciou a visita. Muito frio, mas também muitos sorrisos. Os ilustres visitantes, não restam dúvidas, gostaram do que viram.
A viagem ao coração do estádio foi longa. Os elogios foram muitos. Não falou Luís Filipe Vieira. Falou José Luís Arnaut: «Viemos mostrar que está tudo concluído. Fico feliz por estar aqui a inaugurar uma obra que foi concluída um mês antes do prazo estabelecido e que cumpriu religiosamente o orçamento previsto, que rondava os 11 milhões do euros.»
Santana Lopes não deixou também de elogiar a obra — «quero dar os parabéns ao Instituto de Estradas de Portugal, ao Governo e ao Benfica» —, passando depois a falar das boas relações entre a Câmara e o clube: «A Direcção do Benfica deu a sua palavra ao município de que iria cumprir o protocolo que foi celebrado em 1995 e hoje fico feliz ao ver que foi finalmente cumprido o que havia sido acordado. As contrapartidas pelos terrenos cedidos são agora uma realidade e a população de Lisboa tem o privilégio de ter mais equipamento ao seu dispor.»
Palavras de políticos que deixaram orgulhoso Mário Dias, responsável do Benfica pela área do património: «Sinto-me honrado por ouvir dizer que mais uma vez o Benfica cumpriu as suas promessas.»
Os adeptos também não foram esquecidos. Mário Dias fala de algo importante: «Há mais entradas e saídas, portanto, é mais fácil chegar aqui em dias de jogo.»



segunda-feira, março 29, 2004

Benfica a meio-gás «poupa» Alverca à goleada

O Benfica construiu o resultado (2-0) muito cedo e depois «descansou» do desgaste de quinta-feira em Milão, «poupando» o inofensivo Alverca à goleada e mantendo, assim, os quatro pontos de distância para o Sporting, na luta pelo segundo lugar da Superliga.


Depois da vitória de ontem do Sporting sobre o Paços de Ferreira (1-0), ao Benfica só a vitória interessava para se manter na corrida pelo segundo lugar da Superliga. Em boa verdade, os «encarnados» nem precisaram de «suar» para marcar os dois golos, logo na fase inicial da partida, tais as «facilidades» concedidas por ribatejanos praticamente inofensivos, mas depois tiraram o pé do acelerador e «pouparam» o Alverca à goleada. Foram tantas as oportunidades de golo criadas pelos «encarnados» que o resultado poderia ter sido bem mais expressivo, mas é justo dizer que na baliza do Alverca esteve um senhor guarda-redes (Yannick) que também contribuiu para que a sua equipa não sofresse autêntica «cabazada».

Sem Zahovic (lesionado) e João Pereira (castigado), Camacho apostou na dupla Nuno Gomes-Sokota para a frente de ataque, enquanto Hélder rendeu Ricardo Rocha no eixo defensivo e Geovanni regressou ao flanco direito. Com Petit e Tiago muito seguros no «miolo» e Fyssas (boa exibição) a combinar bem com Simão na esquerda, o Benfica apenas se revelava improdutivo na «asa» direita, onde Geovanni não correspondia às expectativas.

Depois da pressão inicial, o primeiro golo surgiu com naturalidade aos seis minutos, nascido de um canto apontado por Petit (boa exibição) e concluído por Sokota, numa jogada em que ainda intervieram Luisão e Nuno Gomes. Tudo muito fácil, tanto mais que o Alverca nem sequer esboçou reacção digna de registo ao primeiro golo. A pressão encarnada continuou e, volvidos escassos dez minutos, o Benfica «matava» o jogo, em jogada de laboratório: livre muito bem executado por Petit, em arco por cima da barreira, Luisão a antecipar-se e a cabecear com êxito, marcando o golo 600 da Superliga.

Tudo muito fácil para o Benfica. Houve quem pensasse que a goleada estava à vista, mas assim não aconteceu, porque um Benfica a meio-gás e a desperdiçar muitas oportunidades flagrantes de golo não soube aproveitar as «facilidades» do Alverca, que até final da primeira parte apenas por uma vez rematou à baliza de Moreira (33 m), por Alex Afonso, mas sem perigo de maior, enquanto o Benfica desperdiçou um punhado de ocasiões de golo: Simão (35 e 39 m), Tiago (40 m), Geovanni (40 m) e novamente Simão, à barra (41 m).

A toada de jogo manteve-se na segunda parte, com o Alverca ligeiramente melhor, mas ainda assim incapaz de pôr em prática o contra-ataque. O domínio encarnado mantinha-se, mas sem expressão no marcador. Aos 59 minutos, mais uma perdida: Geovanni cruza na direita, Luisão e Nuno Gomes estavam em boa posição para desviar, mas falharam a intercepção; aos 64 Sokota, bem posicionado, remata para fora; aos 66, Nuno Gomes remata para grande defesa de Yannick, com Simão a falhar a recarga; aos 74, Tiago endossa a bola a Simão e este remata ao lado, com Yannick batido; aos 83, remate de Simão, com o pé esquerdo, mas Yannick «voa» e evita o golo; aos 87, remate espontâneo de Fernando Aguiar, obrigando o guarda-redes do Alverca a grande defesa.

Em suma, muitas oportunidades desperdiçadas na segunda parte e assim perdeu, o Benfica, uma excelente oportunidade de construir um resultado bem mais folgado, perante um Alverca que só por duas vezes levou perigo (relativo) à baliza encarnada.

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Hélio Santos (Lisboa)

BENFICA – Moreira; Miguel, Hélder, Luisão e Fyssas; Geovanni (Manuel Fernandes, 68 m), Petit, Tiago (Fernando Aguiar, 84 m) e Simão; Nuno Gomes (Alex, 84 m) e Sokota.

ALVERCA – Yannick; Amoreirinha, Marco Almeida, Veríssimo e Nandinho; Ramires (Vargas, 46 m), Torrão, Diogo e Gabriel (José Roberto, 62 m); Alex Afonso (José Rui, 74 m) e Rodolfo Lima.

Ao intervalo: 2-0

Golos:

8 m
1-0 por Sokota. Canto apontado por Petit do lado direito, ao segundo poste, onde Luisão, sem que ninguém o incomodasse, colocou em Nuno Gomes, situado junto da marca de grande penalidade. O avançado assistiu Sokota que, à meia volta, atirou a contar, com a bola a entrar no canto superior direito

16 m
2-0 por Luisão. Livre apontado da meia esquerda por Petit, com força, e o defesa brasileiro a antecipar-se aos defesas do Alverca, cabeceando para o fundo da baliza

Resultado final: 2-0

Cartão amarelo a Amoreirinha e José Roberto

Arbitragem :

HÉLIO SANTOS (7)
Muito boa exibição do trio de arbitragem de Lisboa. Excelente a discernir que Simão, no segundo tempo, quando caiu na área, não sofreu qualquer falta. Antes, a abrir o segundo tempo, um cruzamento de Fyssas encontrou o braço de Amoreirinha no trajecto: bola na mão ou mão na bola? Hélio Santos estava perto e decidiu-se pela primeira possibilidade. Quer-nos parecer que acertadamente, sem motivos para assinalar a respectiva grande penalidade.

Melhor em Campo :

SIMÃO (7)
Assumiu claramente a iniciativa atacante do desafio, colocou os olhos nas redes de Yannick e foi por aí fora causando perigo, pavor por vezes, à frágil defesa ribatejana. Teve nos pés boa meia dúzia de oportunidades de remate com qualidade para golo, mas ora Yannick ora os postes, ora os remates mal direccionados impediram-o de ser bem sucedido no capítulo da finalização. Raramente terá gozado de tantas facilidades para romper área dentro. Foi o rei das oportunidades falhadas. A boa exibição não será estranha à disponibilidade revelada por Fyssas para apoiar o extremo.

JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica)
CAMACHO pede mais golos
O treinador do Benfica, José Antonio Camacho, elogiou a atitude dos seus jogadores no jogo de ontem mas, perante tantas oportunidades construídas, o espanhol queria mais. Queria ver mais vezes a bola dentro da baliza do Alverca.
Depois da eliminação da Taça UEFA no terreno do Inter de Milão, o Benfica teve um jogo tranquilo. Apesar disso, José Antonio Camacho gostou da forma como os seus jogadores abordaram a partida. «Desde o primeiro minuto que os meus jogadores partiram em busca da vitória e foi assim que conseguimos criar inúmeras oportunidades de golo», afirmou.
O treinador mostrou-se satisfeito com o empenho da sua equipa, mas pouco agradado com a falta de pontaria: «Podia pedir-se mais golos a um conjunto que faz uma exibição assim. Chegámos muitas vezes à área adversária, as suficientes para construirmos um resultado mais contundente. » José Antonio Camacho falou ainda da meta que ontem atingiu: fazer 50 jogos ao serviço do Benfica: «Não tem nenhum significado especial, sinto o mesmo que sentia se fossem 40 ou 60. O importante é que estou a trabalhar, a fazer o melhor que sei para ajudar a equipa. »
No início do encontro, o espanhol esteve uns minutos à conversa com Petit. Foi dar-lhe o conselho de evitar lances que pudessem pôr em causa a sua condição física? «Não», garantiu. «É um jogador que trabalha muito em campo mas é também muito experiente e um atleta internacional. Não tenho, por isso, de lhe dar conselhos, pois ele sabe perfeitamente o que tem de fazer. Mas não quero falar mais sobre isso, pois não gosto de individualizar as questões. Cada jogador tem as suas características, só isso.» Abordado sobre a debilidade do Alverca nos primeiros 45 minutos, o treinador do Benfica não se mostrou muito surpreendido: «O problema somos nós e não os outros. Quando circulamos bem a bola torna-se muito difícil para as outras equipas. O Alverca tem as suas limitações, como nós temos as nossas, mas quando a minha equipa está bem espero que tudo possa acontecer. Até resolver um jogo tão cedo. »
Ontem o Benfica voltou a jogar com Nuno Gomes e Sokota e o resultado voltou a ser positivo. Apesar disso, Camacho recusou-se a dizer que a equipa joga melhor com esta dupla: «Com os dois em campo mudamos um pouco. Somos diferentes, mas não podemos dizer que somos melhores.»
A terminar, um olhar sobre o Sporting: «Sim, parece que estão a fraquejar, mas a verdade é que eu gostava de estar na posição que eles ocupam. Estão a trabalhar muito e têm tido a felicidade de marcarem no último minuto. É a sorte que nós não temos tido. E ponto final, não gosto de falar nas outras equipas.»

Paulo Almeida jogou meia-final
Paulo Almeida, futuro reforço do Benfica, foi ontem titular do Santos no empate a três bolas com o São Caetano, na meia-final do Campeonato Paulista. O médio defensivo actuou durante os primeiros 45 minutos, sendo substituído ao intervalo, quando a sua equipa perdia por 2-0 e o treinador Emerson Leão decidiu apostar tudo no ataque.

O jogador, que está a poucos meses de vestir à Benfica, termina contrato em Junho e pode sair do Santos a custo zero, circunstância que, se facilita a sua transferência para a Europa, não deixa de, simultaneamente, colocar-lhe alguns problemas no seio da equipa. O Santos joga a segunda mão da meia-final no próximo dia 3 de Abril, enquanto que a outra «rodada», entre o Palmeiras e o Paulista (de Carlos Alberto Silva), que registou um empate na primeiramão, será jogada a 4 de Abril. Paulo Almeida, médio internacional sub-23, jogador de características defensivas, tem sido, normalmente, capitão do Santos e uma das suas pedras mais in- fluentes, pelo que a possibilidade de rumar a Lisboa está a criar grande frisson no clube que ficou famoso graças a... Pelé.



domingo, março 28, 2004

Três anos na Luz
Paulo Almeida chegará a Lisboa no início de Julho e assinará com os encarnados um contrato válido por três temporadas. O jogador do Santos reconheceu ontem que tem em mãos uma proposta do Benfica, mas ao que A BOLA apurou o acordo está mesmo feito e o internacional sub-23 do Brasil será o primeiro reforço para o Benfica versão 2004/05.

O Santos sabe que perderá Paulo Almeida já este Verão. O jogador tem conhecimento do negócio que o Benfica formalizou com o seu empresário, mas como seria de esperar vai dizendo que é ainda muito cedo para falar na mudança para outro clube, pois tem ainda alguns meses para jogar com a camisola da equipa que o rei Pelé tornou célebre em todo o Mundo. O Benfica consegue, desta forma, um reforço importante para o meio-campo, um dos sectores que José Antonio Camacho pretende reforçar por ter visíveis lacunas. Paulo Almeida é ainda um jogador jovem (faz 23 anos a 20 de Abril),mas tem já uma experiência importante. O seu perfil de líder já fez com que fosse capitão da sua equipa, na qual tem neste momento mais de cem jogos realizados.

Ergueu último troféu do Santos

Depois de duas épocas fulgurantes (foi o capitão que ergueu o troféu de campeão brasileiro, identificada como a mais importante conquista do Santos nos últimos 20 anos), Paulo Almeida tem sido esta temporada menos utilizado do que num passado recente, facto a que não é estranha a recusa do jogador em prolongar contrato com o clube daVila Belmiro. Apesar de ter deixado de ser titular indiscutível nos últimos encontros do Santos, Paulo Almeida temsido presença constante na selecção de sub-23 — até há pouco orientada por Ricardo Gomes (defesa - central que encantou os benfiquistas durante várias épocas) —, onde esteve várias vezes na companhia de Luisão, o defesa-central que o Benfica contratou em Dezembro, aproveitando a reabertura de mercado. Como características principais, Paulo Almeida tem o facto de ser muito forte fisicamente e ter uma leitura de jogo acima da média. Não se pense que este jovem é um daqueles brasileiros talhados para o futebolarte que tanta magia leva para os relvados , mas compensa o facto de não ser um tecnicista nato com a grande facilidade de passe. É apresentado como um mestre na escolha das melhores soluções e, digamos assim, por ser um jogador capaz de jogar de uma área à outra. Parece estar encontrado um dos três ou quatro jogadores que Camacho tem pedido e que o presidente, Luís Filipe Vieira, tem dito que reforçarão a equipa na tentativa de conquistar o título nacional já na próxima época.

Camacho vezes 50
JOSÉ ANTONIO CAMACHO atingirá, hoje, frente ao Alverca, o sempre especial número de 50 jogos à frente dos destinos da equipa do Benfica. O treinador espanhol chegou à Luz a meio da época transacta, numa altura particularmente delicada para as águias, com Jesualdo Ferreira a ser alvo de chicotada psicológica, após a escandalosa eliminação na Taça de Portugal, às mãos do Gondomar, da II Divisão B.

A estreia de José António Camacho na SuperLiga não podia ter corrido melhor, com uma vitória por 3-0 sobre o Sporting de Braga, e nos 21 jogos que se seguiram até ao final da prova, os encarnados somaram mais 15 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. A mais dolorosa terá sido, sem dúvida, aquela que os encarnados sofreram na Luz perante o (então) surpreendente F. C. Porto de José Mourinho, na 24.ª jornada, e que entregou definitivamente o título aos dragões. Porém, mais que pelos resultados, Camacho transformou- se rapidamente numa referência do Benfica ao reintroduzir conceitos de disciplina e de trabalho há muito arredados da Luz. O seu estilo directo e personalizado cativou, naturalmente, jogadores e adeptos e foi com o coração na mão que estes últimos o viram dizer sim a Luís Filipe Vieira para a renovação do contrato, após uma autêntica novela estival, que só terminou no defeso. Esta época, Camacho dirigiu a equipa em 27 ocasiões, mas ainda não será desta que vai ser campeão em Portugal. A 11 pontos do FC Porto, que podem passar para 14 se os mais que prováveis campeões vencerem o jogo em atraso com o Nacional, a história repete- se e resta-lhe lutar novamente pelo segundo lugar.Mas, em abono da verdade, há um antes e depois de Camacho na Luz. Chegar à final da Taça de Portugal e aos oitavos- de-final da Taça UEFA, em que foi eliminado de forma inglória por umdos colossos de Itália, tem de ser considerado umbom augúrio. Se mantiver os jogadores nucleares, corrigir o défice na finalização e der maior estabilidade à estrutura defensiva, o Benfica ameaça tornar-se uma equi- pa mais competitiva. O espanhol tem tudo para se manter pela terceira época à frente do Benfica. O que é obra nos últimos tempos.

Clube tem de ter fome de vitórias
CAMACHO não admite que os jogadores espelhem em campo qualquer sinal de desmotivação por terem sido eliminados da Taça UEFA. Para o técnico espanhol o segundo lugar está ao alcance da sua equipa, bastando para isso que o Sporting volte a tropeçar, e nessa altura haverá que tirar proveito da situação...

Três dias após terem sido eliminados da Taça UEFA, às mãos do Inter, os encarnados terão de demonstrar que não ficaram sequelas daquele desaire.Teoricamente, o Alverca é um adversário acessível, mas a tradição demonstra que os jogos entre os dois clubes têm sido bastante nivelados e, por outro lado, os ribatejanos tentarão tirar proveito dos efeitos da sobrecarga de jogos que afecta o poderoso anfitrião. Camacho diz-se satisfeito com a atitude dos jogadores nesta fase de grande desgaste, mas espera vê-los com a mesma motivação logo à noite. «O Benfica tem de ter fome de vitórias. Muitos grandes da Europa caíram também, tal como nós, mas têm outras motivações, na Liga e noutras competições que se realizam nos respectivos países. Temos metas importantes para alcançar nos sete jogos que faltam até final da época. Quatro deles serão no nosso estádio e três fora. Temos de procurar vencê-los e esperar que o Sporting escorregue», considerou. O técnico encarnado não espera facilidades da parte do Alverca e até sabe a estratégia que a equipa de José Couceiro irá adoptar: «É verdade que tivemos problemas com o contra-ataque de equipas adversárias, mas estamos a falar de clubes como Inter e Lazio, que sabem tirar proveito desse sistema de jogo. O Alverca vai tentar surpreender- nos mas se estivermos concentrados e a cem por cento, dificilmente a vitória irá fugir-nos.»

«Dependemos do Sporting»

Sendo, assumidamente, o segundo lugar a grande meta, agora que a Taça UEFA já pertence ao passado, José Antonio Camacho não esquece que para atingir esse objectivo o Benfica vai ter de contar com o apoio, indirecto, de terceiros. «A nossa obrigação é lutar para chegar ao segundo lugar. Na Taça dependemos de nós mas na SuperLiga dependemos do Sporting. Se eles desperdiçarem pontos nós tentaremos aproveitar. Espero que eles percam mais pontos, mas nós temos de ter motivaçãoem todos os jogos», avisou. Camacho só não esclareceu se a sua continuidade na Luz dependerá da conquista de um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões, como aconteceu a época passada. Sem vontade de desenvolver o tema, o técnico espanhol foi o mais sintético possível: «Quando tudo estiver definido sentar-me-ei àmesa com o presidente», cortou.

Tiago não pára segundo os espanhóis
MAIS uma vez, os conselhos dos especialistas espanhóis deverão fazer lei. Tiago foi anteontem avaliado por um fisioterapeuta do Real Madrid que depois de observar o médio, achou que este não necessita parar para curar a pubalgia. Camacho também não parece disposto a abdicar do camisola 30 e diz que se Tiago quer jogar no Europeu terá de o fazer no Benfica.

As indicações de Portugal apontavam para a necessidade de Tiago parar por um período máximo de três semanas demodo a debelar as dores na púbis,mas Camacho veio ontem defender a tese de Pedro Chueca, fisioterapeuta do Real Madrid que observou anteontem o médio: «Porque a partir de agora vamos jogar só de oito em oito dias, Tiago terá oportunidade de descansar dois dias depois de cada partida, à semelhança dos outros colegas, e só vai trabalhar mais intensamente nos últimos dois dias antes dos jogos. Isso chega.» Sem se estender em detalhes clínicos, o técnico espanhol adiantou ainda que o problema do internacional português deriva de uma descompensação muscular que envolve também a zona lombar, pelo que estará em condições de jogar em todos os encontros, a começar pelo de hoje, com o Alverca.

Precisa de jogar para estar no Euro

Uma das preocupações de Tiago reside na presença no Euro-2004 na máxima força e por isso é natural que venham a ser tomados cuidados extra na forma como o jogador vai evoluir nas próximas semanas. Apesar de o treinador dos encarnados ter garantido ontem que o camisola 30 não vai parar, a verdade é que está igualmente em aberto a hipótese de Camacho poupá-lo em alguns jogos. De qualquer forma, há algo que para o treinador é inquestionável: os interesses do clube são neste momento imperiais comparativamente aos da Selecção Nacional. Até pela ordem natural das coisas. «Se não jogar no Benfica não joga no Europeu», vincou o treinador, acrescentando que se a opção passasse pela intervenção cirúrgica, seguramente Tiago não iria ao Campeonato da Europa. «Falta praticamente um mês para o fim do Campeonato e por isso Tiago não terá problemas. Terá dois dias para descansar depois de cada jogo, mais um dia de compensação», disse. Aplicar-se ao máximo... nos jogos Posto isto, pode dizer-se com propriedade que Tiago terá autorização apenas para se aplicar ao máximo nos jogos, já que o trabalho semanal será feito emregime de poupança. Resta saber se é o suficiente para terminar a época na plenitude das suas capacidades.




Paulo Almeida será o primeiro reforço
O Benfica já tem um pré-acordo para a próxima época com o médio brasileiro do Santos, Paulo Almeida, que termina contrato com o seu clube em Junho deste ano. A notícia foi avançada a A BOLA por fontes seguras próximas do clube brasileiro e do próprio jogador e só é preciso esperar pela confirmação oficial do Benfica, o que nunca deverá acontecer antes de Maio, com o aproximar do final da temporada. Luís Filipe Vieira começa assim a cumprir a sua promessa de reforçar o plantel com jogadores de qualidade.

Paulo Almeida deve tornar-se o primeiro reforço do Benfica para 2004/05. O final do seu contrato com o Santos facilitou o pré acordo com o Benfica, que está a negociar o jovem jogador através do empresário uruguaio Juan Figger, a quem os encarnados também recorreram para a transferência de Luisão do Cruzeiro para a Luz. Paulo Almeida completa 23 anos no próximo mês e é um médio volante, como se designa no Brasil, um jogador com características defensivas mas igualmente capaz de integrar bem a fase ofensiva. Paulo Almeida é internacional sub-23 pelo Brasil e integrou a selecção olímpica, chamado por Ricardo Gomes, no torneio pré-olímpico deste ano, que decorreu no Chile, e no qual o Brasil não logrou o apuramento para os Jogos de Atenas, em Agosto. Com cinco jogos como titular pela selecção canarinha naquele torneio (em sete disputados), Paulo Almeida jogou com o sportinguista Fábio Rochemback e só não teve a companhia do benfiquista Luisão porque o Benfica, recorde-se, não libertou o jogador para o pré-olímpico sul-americano.

Campeão brasileiro em 2002

Paulo Almeida actua no meio-campo do Santos habitualmente ao lado de Renato, outro médio pelo qual o Benfica chegou a mostrar algum interesse em Dezembro último, quando abriu o chamado mercado de Inverno. Paulo Almeida (quase 23 anos) é mais novo do que Renato (25 anos), mas este já atingiu a selecção principal do Brasil (tirando o lugar a Emerson, da Roma) e, sobretudo por isso, entrou num processo de valorização provavelmente insuportável para o Benfica do ponto de vista financeiro. Nascido na localidade de Itarantim, estado da Baía, a 20 de Abril de 1981, Paulo Almeida (1,76 e 74 kg) chegou ao Santos em 2000 e integrou (com 28 jogos) a equipa campeã do Brasileirão em 2002, junto de grandes figuras como os jovens Diego e Robinho, também seus companheiros na selecção de sub-23. Por via da selecção mas também do Santos, Paulo Almeida já ganhou alguma experiência internacional; no ano passado fez 13 jogos na dificílima Taça dos Libertadores (a taça dos campeões sul-americanos) e integrou ainda a selecção (já então de sub-23, para preparar o pré-olímpico) que o Brasil levou à Taça de Ouro, nos Estados Unidos. Nesse torneio, Paulo Almeida fez cinco jogos, numa equipa onde pontificava, por exemplo, Kaká, hoje o novo herói do Milan, de Itália.

Jogador bravo... para cumprir promessa de Vieira

De 2000 até ao momento, Paulo Almeida já fez mais de cem jogos pelo Santos, apesar de toda a sua juventude. Sem ser um dotado tecnicamente, Paulo Almeida é visto como um jogador bravo e capaz de fazer de modo competente as funções de um 6 (médio mais defensivo) ou mesmo um 8 (médio que entra também de forma mais sistemática na construção ofensiva). A sua idade faz com que disponha ainda de enorme margem de progressão. A oficializar-se esta contratação, Luís Filipe Vieira começará a cumprir a promessa, efectuada durante a viagem aos EUA, de que irá reforçar o plantel com três ou quatro jogadores de grande qualidade.

Tiago vai parar três semanas
TIAGO deverá ausentar-se da competição durante três semanas, ao que tudo indica depois do Portugal-Itália de quarta-feira, jogo para o qual foi convocado. Isso será o suficiente para contornar a pubalgia e apresentar-se ao melhor nível no final do campeonato e, consequentemente, no Euro-2004. O médio deslocou-se ontem a Espanha para consultar um especialista, o qual ter-lhe-á aconselhado a não submeter-se a intervenção cirúrgica, pois isso colocaria em causa a sua presença no torneio organizado pelo nosso País.

Tiago deslocou-se ontem a Espanha para consultar um especialista de modo a tomar a decisão mais correcta para debelar a pubalgia que o tem perturbado nos últimos jogos. A operação é um cenário que não se coloca neste momento, uma vez que isso poderia pôr em causa a sua presença no Euro-2004—quando são francamente reais as hipóteses de ser chamado. É que o tempo de recuperação de uma intervenção cirúrgica desta natureza ronda sempre os dois meses e como tal seria praticamente impossível ser convocado por Luiz Felipe Scolari — precisamente o tempo que falta para o início do Euro.

Disponível para a final Taça

Posto isto, Tiago vai submeter-se brevemente a um tratamento intensivo que passará para ausência competitiva num período de três semanas. Será o tempo suficiente para trabalhar os abdominais e adutores e reduzir praticamente a zero as dores na zona da púbis. Em princípio, o período de recuperação deverá começar depois do jogo da Selecção Nacional frente à Itália , agendado para quarta-feira, em Braga. Depois de cumprido esse trabalho específico, Tiago ainda estará a tempo de ajudar a equipa nas últimas jornadas — com uma explosiva deslocação a Alvalade — e na final da Taça de Portugal, dia 16 de Maio, frente ao FC Porto. Consequentemente, estará em condições para o Euro.

Sobrecarga de jogos

Tiago padece deste problema há mais de um ano mas só recentemente os sintomas se agudizaram. Isso deve-se ao facto de o Benfica ter feito muitos jogos num curto espaço de tempo (fruto da presença em três frentes) e sempre com o camisola 30 em plano de destaque. Na época passada, por exemplo, os encarnados apenas competiram no campeonato, com jogos de oito em oito dias e, por vezes, com o intervalo de duas semanas, o que permitiu a Tiago recuperar as dores de jogo para jogo e apresentar-se sempre em grande plano, como comprovam os 13 golos apontados.

A Corda teria de rebentar...
A equipa já estava a evidenciar enorme desgaste e o jogo de Milão acabou por pôr a nu a fadiga de algumas pedras nucleares do plantel que, pura e simplesmente, não têm conseguido descansar. Basta fazer-se uma comparação entre as gestões de Camacho e José Mourinho para perceber o estado em que estava a corda encarnada. Com o mesmo número de jogos, os portistas têm conseguido seguir um regime de poupança, algo que não se verifica na Luz...

Eram até anteontem as únicas equipas portuguesas em três frentes e, curiosamente, somam neste momento o mesmo número de jogos oficiais: 41. Benfica e FC Porto conseguiram ombrear ao nível da longevidade em, pelo menos, duas competições (Taça de Portugal e respectiva taça europeia), mas os encarnados ficaram para trás na UEFA, enquanto os dragões estão perto de chegar às meias-finais da Liga dos Campeões. E é a partir desta comparação que se podem descobrir algumas das razões para que a botija de gás tivesse esgotado na Luz. A chave está no planeamento da época e a forma como o plantel foi constituído. Só assim se compreende que não obstante a enorme qualidade de individualidades como Maniche, Deco, McCarthy ou Alenitchev, tenham conseguido descansar mais que Tiago, Simão, Sokota ou Zahovic nas mesmas circunstâncias. Proteger os craques é a chave? Não será novidade dizer-se que Mourinho tem maior margem de manobra para implantar a rotatividade no FC Porto relativamente a Camacho no Benfica, mas quando se olha para a estatística percebe-se que é ao nível dos craques, aqueles elementos decisivos na equipa, que se encontra a chave. Como se pode constatar no quadro em anexo, a importância de fazer descansar elementos do meio-campo defensivo e ofensivo é fulcral. E no Benfica os craques raramente descansam. Simão é tão importante para os encarnados como Deco é para os azuis-e-brancos, e no entanto o luso-brasileiro tem sido submetido a menos esforço, o lhe que permite, na teoria, apresentar-se quase sempre no top em termos físicos (uma diferença de 562 minutos a menos, o equivalente a uma poupança de 6,2 jogos). O mesmo acontece com Tiago. Um jogador que padece de uma pubalgia apenas falhou quatro encontros dos 41 que a sua equipa disputou, enquanto Maniche, apesar da diferença não ser muita, conseguiu descansar mais 221 minutos. É certo que no comparativo encontram-se situações inversas (Petit/Costinha, Ricardo Rocha/Ricardo Carvalho), mas globalmente os portistas conseguem poupar mais que os benfiquistas. O fosso está aí: 1085 minutos a mais para os encarnados, o equivalente a 12,2 jogos extra nas pernas destes atletas.

Página negra da Taça UEFA
A agressão de Francesco Toldo a Tomo Sokota, no minuto 80 do Inter-Benfica de quinta-feira, continua na ordem do dia. Sendo certo que o internacional italiano devia ter sido expulso e a sua equipa punida com uma grande penalidade, é hora de explicar detalhadamente o lance e analisar a técnica normalmente usada pelos guarda-redes nestas circunstâncias...

O Benfica foi muito prejudicado, em San Siro, pelo erro cometido pela equipa de arbitragem, que não puniu, como devia, uma agressão de Toldo a Sokota, aos 80 minutos, quando o Inter vencia por 4-3. Torna-se difícil, no caso vertente, dar o benefício da dúvida aos juízes gauleses porque, se é admissível que o árbitro principal não estivesse na melhor posição, já um dos seus assistentes estava no enfiamento do lance. Mas passemos a identificar, passo a passo, cada momento dessa jogada-capital do Inter-Benfica. Na imagem A, vê-se que o guarda-redes italiano, com Sokota a cerca de um metro de distância, já tem a bola bem segura e ainda não esticou a perna. A defesa está consumada e Toldo não está, sequer, a ser incomodado pelo avançado encarnado. A imagem B mostra-nos o keeper do Inter, dono e senhor do lance, a provocar o contacto, preparando-se para atingir, com o pé, Tomo Sokota, que nunca se aproximou da área utilizada por Toldo para recolher a bola. Na imagem C, o enorme pé de Francesco Toldo (calça o 47,5!) atinge Sokota, decorrendo a acção completamente fora da luta pela posse do esférico. É uma agressão, ardilosamente maquilhada com um choque, que só aconteceu por ter sido provocado pelo número um do Inter. Na imagem D, com os jogadores já em queda, o pé de Toldo continua a atingir Sokota, mantendo-se uma distância muito razoável entre guarda-redes e avançado. Ou seja, Toldo, 32 anos, internacional italiano e habitual suplente de Buffon na squadra azzurra, jogador experiente, com 331 jogos disputados na Série A, teve um momento de desnorte e só não foi expulso (seguindo-se a consequente grande penalidade) porque o árbitro não... quis.

O que fazem os guarda-redes

Nas saídas a cruzamentos é normal que os guarda-redes saltem com o joelho à frente. Fazem-no por questões de impulsão (a chamada é feita apenas com uma perna, devendo a outra recolher-se para potenciar o movimento de elevação) e de autodefesa, procurando evitar, dessa forma, que os avançados os carreguem. Trata-se de um gesto técnico absolutamente legítimo, onde não se enquadra, de todo, a acção de Toldo com Sokota. Relativamente ao keeper do Inter, habitualmente correcto e pacato (apenas expulso uma vez, esta época, num jogo da Taça, com a Juventus, quando cometeu falta para evitar um golo), há um argumento que o incrimina sem apelo nem agravo: Toldo defende a bola, sem problemas nem oposição, mantendo, apenas, o joelho esquerdo flectido; o lance deveria ter morrido nesse momento. Mas o que aconteceu foi que Toldo, seguidamente, passou da flexão à extensão da perna esquerda, até provocar o contacto com Sokota, num acto enquadrável na figura da agressão. O Benfica, por certo, lembrará por muitos anos a derrota em San Siro por 4-3. E este penalty por marcar resultará como uma página negra no historial da Taça UEFA.



sexta-feira, março 26, 2004

Benfica de Roma a Milão
O Benfica, após cumprir a sua melhor participação europeia dos últimos 10 anos, foi eliminado da Taça UEFA. Com os vice-campeões nacionais saíram também outros dois ex-campeões europeus, Liverpool e Barcelona, e ainda a poderosíssima Roma, afastada pelo modesto Villarreal...

Quis o destino que o Benfica começasse a aventura europeia desta época em Roma, coma Lazio, na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, e a desse por concluída também em Itália, mas um pouco mais a norte, na casa do Inter de Milão. O regresso do Benfica a San Siro, 39 anos depois de aí ter perdido uma final da Taça dos Campeões Europeus com os nerazzurri, esteve muito perto de entrar na galeria das grandes proezas internacionais dos encarnados. Pode dizer-se, até, que este só não foi, para o Benfica, o jogo da glória, porque o árbitro «esqueceu-se» de assinalar uma grande penalidade por agressão de Toldo a Sokota. Aliás, pela memória de muitos passou o jogo de há uma década (13 de Março de 1994), entre o Benfica e o Bayer Leverkusen, que terminou com uns fabulosos 4-4 (Kirsten, 2, Schuster e Happal, para os germânicos e Abel Xavier, J. Pinto e Kulkov, 2, para os portugueses), que permitiram à turma de Toni continuar na Taça das Taças. Depois de várias épocas em que a equipa da Luz arrastou o seu prestígio pela lama dos estádios europeus, 2003/04 marca o reencontro dos encarnados com a sensação do dever cumprido.

NUNO GOMES
Que herói! Sozinho contra Córdoba, Adani e Gamarra, fez tudo o que se lhe podia exigir — ganhou bolas de cabeça, trabalhou, funcionou como pivot do ataque, arregaçou as mangas e foi-se a eles. E marcou, ainda na primeira parte, num remate espectacular cheio de intenção, e acertou no poste três minutos depois, momento de infelicidade que podia ter resolvido a eliminatória. E assim que teve a companhia de Sokota apareceu a marcar o segundo. Uma noite em grande, que merecia muito mais.

ALAN SARS (França)
Fechou os olhos a duas agressões de Vieri (que abusou do cotovelo com Petit e Ricardo Rocha); fechou os olhos à agressão de Toldo (ver-se-á se a UEFA, que castigou Roberto Carlos, também fecha). Impossível não classificar a arbitragem de péssima. Definitivamente, os árbitros franceses são uma espinha cravada na garganta dos portugueses.

JOSÉ ANTÓNIO CAMACHO (treinador do Benfica)
Ficámos pela metade
José Antonio Camacho não escondeu o desalento pela eliminação às mãos do Inter, também ele ficando com a sensação de que faltou muito pouco para o Benfica conseguir o seu objectivo. O treinador espanhol não escondeu que a sua equipa «podia ter vencido a eliminatória por mérito próprio» mas perdeu-a «por demérito.» «O Benfica entrou muito tranquilo, muito desperto, mas depois ficou a sonhar. Praticou bom futebol durante a primeira parte, mas depois relaxou e pagou por isso. Penso que na segunda parte não foi o Inter que entrou a perder a eliminatória mas nós», analisou, considerando «inacreditável que o Benfica a jogar em casa do Inter sofra três golos de contra-ataque». O treinador lembrou que «não se podem oferecer lances daqueles a jogadores como Vieri, Martins ou Recoba». Mostrando-se desiludido, um pouco zangado mesmo pela forma como a sua equipa abandona as competições europeias, Camacho lembrou que o Benfica deu muito espaço para o ataque dos italianos. «Não é normal na Taça UEFA uma equipa estar em vantagem, tendo o adversário a responsabilidade de atacar mas fomos nós que atacámos e deixámos espaço para o contra-ataque.» Desconsolado, salientou que o Benfica «lutou, marcou golos mas ficou pela metade»... «e eu não gosto de metades», anuiu. E Agora? «Agora temos de ter dignidade para lutar em todos os jogos, vamos esperar pela final da Taça e lutar pelo segundo lugar no campeonato.» Questionado sobre se não deveria ter colocado Sokota mais cedo em campo, respondeu de forma curiosa: «Isso é para os entendidos, nós os treinadores quando perdemos não entendemos nada», disse com ironia. Levantar a cabeça Simão disse no final do jogo ter sido «pena» a forma como o Benfica perdeu. «Fizemos uma primeira parte muito boa, mas estivemos mal na segunda. Agora há que levantar a cabeça e seguir em frente.»

TIAGO (jogador do Benfica)
Não é normal
«Jogar fora e sofrer golos de contra-ataque não é muito normal na Taça UEFA, mas aconteceu connosco. O golo que sofremos antes do intervalo afectou-nos muito, mas temos de levantar a cabeça. Quando marquei, senti que ainda havia tempo, infelizmente não conseguimos. Mas ver aqui 5000 adeptos fez-nos sentir que este clube é realmente especial. Senti algumas dores, mas estou melhor. Com a eliminação, é menos um jogo por semana, agora vou tratar-me com especialistas. Quem são eles? Não sei... »



quinta-feira, março 25, 2004

Emissão obrigacionista quase concluída

A SAD do Benfica já colocou, junto de investidores, 92,3 por cento da emissão obrigacionista, segundo apurou hoje a Agência Lusa de fonte ligada ao processo.

Do tecto máximo de 15 milhões de euros de obrigações a emitir pelo Benfica, já foram subscritos 13,85 milhões de euros, garantiu a mesma fonte.

O período de subscrição termina amanhã, enquanto a sessão de apuramento dos resultados da operação acontecerá a 30 de Março, nas instalações da Euronext Lisboa, segundo confirmou à Lusa fonte oficial da Bolsa portuguesa.

A operação consiste na emissão de até três milhões de obrigações, com o valor nominal de cinco euros. A quantidade mínima de subscrição é de 20 obrigações, numa operação que terá uma duração de três anos, sendo remunerada a uma taxa de juro de ciinco por cento ao ano.

Os juros vencer-se-ão semestralmente, com o primeiro pagamento a ocorrer a 2 de Outubro de 2004, terminando a operação em Abril de 2007, com o reembolso total.

O montante angariado destina-se a reforço de tesouraria e cumprimento de obrigações anteriormente assumidas.




Para ganhar!
José Antonio Camacho está preparado. Preparado para um Inter a atacar mais do que em Lisboa, preparado para suportar o público italiano e, sobretudo, preparado para ganhar a eliminatória. Afirma que não tem dúvidas sobre os onze jogadores que colocará de início e assegura que o Benfica entrará em campo para procurar o golo, o ataque directo. Se for preciso, a equipa benfiquista também jogará no contra-ataque, pois já demonstrou que tem personalidade, defende o técnico espanhol.

— Este é o jogo mais importante do ano para o Benfica?
— Não. Estamos a falar de oitavos de final da Taça UEFA. Acho que para os jogadores é muito mais importante a final da Taça de Portugal. Um é oitavos de final e o outro uma final. Mas este jogo é muito importante para os jogadores, pois alguns deles estão a jogar pela primeira vez contra equipas como a da Lazio e agora o Inter.
— Ainda tem dúvidas sobre a equipa que vai jogar de início?
— Não. Já sei a equipa que vai jogar, não tenho dúvida nenhuma e será uma equipa muito competitiva, com certeza.
— Jogará Zahovic ou Sokota?
— Onze. Vão jogar onze.
— Petit está em boas condições?
— Não sei... Treinou-se bem nos últimos dias. Faltam 24 horas para o jogo e acho que não vai haver problema.
— E Tiago?
— Acho que também não.
— Espera um Inter mais forte do que em Lisboa?
— Acho que sim. Está a jogar em casa, tem o apoio do público e normalmente as equipas tornam-se mais fortes. Estão a atravessar um momento em que a competição europeia se torna muito importante. Não sei se será mais forte, mas deverá jogar de maneira diferente do que fez em Lisboa. Lá, o Inter queria marcar golo no contra-ataque, aqui é ele, em teoria, que tem de assumir o jogo. Vamos ver como reagimos.
— Já tem mais opções na equipa. Isso dá-lhe mais confiança?
— Tenho sempre confiança na equipa que joga. É sempre importante ter mais alternativas, pois os jogos podem mudar de um momento para o outro. Agora temos mais soluções e isso é importante, mas é a única diferença. Temos um plantel curto e é bom que todos estejam em condições de jogar.
— Recoba pode jogar mais recuado, isso torna mais perigoso o Inter?
— Sempre digo o mesmo. Tenho respeito por todos os adversários, mas os favoritos têm de o demonstrar. O Inter tem grandes jogadores e não acredito que vá ser uma surpresa a forma como vai jogar, pois está a jogar de forma igual todas as semanas. Se mudar contra o Benfica será pior para ele. Mas não acredito. Pode mudar um ou outro avançado, com diferentes características, só isso.

Benfica deveria ter resolvido em Lisboa

— Não marcou em Lisboa, isso complicou a eliminatória?
— Acho que num jogo europeu, como se trata, o Benfica deveria ter solucionado a eliminatória em Lisboa. Não conseguimos marcar golos. Agora é zero a zero e temos uma possibilidade, porque os golos fora de casa são muito importantes. Mas este jogo será totalmente diferente. Se voltássemos a jogar em Lisboa também seria diferente. Tivemos muitas oportunidades, mas agora, em Milão, será totalmente diferente.
— Vai tentar ganhar o jogo logo de início?
— Sempre entramos em campo para ganhar e já o demonstrámos. Outra coisa é a força da equipa rival e a forma como está a tua equipa, mas de uma maneira ou de outra sempre saímos para ganhar. Creio que o Benfica tem de ter a sua identidade. Se estiver a perder tem de ser porque o rival está melhor, mas não porque não procurámos a vitória logo desde o início. O Inter tem bons jogadores e pode ganhar. Estamos no campo do Inter, um grande da Europa.
— Vieri já pode jogar, isso preocupa-o?
— O Benfica tem as suas características e possibilidades. Se não formos capazes de ganhar é porque os outros foram melhores ou, como já ocorreu em alguns jogos, tiveram mais sorte. Mas o Benfica não tem de olhar para os demais. Estão a jogar pela primeira vez na Europa, muitos dos atletas, e temos de olhar só para o Benfica.
— Vai jogar em contra-ataque?
— Estamos no campo do Inter e não creio que o jogo possa correr como em Lisboa. Nem os adeptos permitiram. É claro que vamos tentar atacar directamente, mas temos de estar preparados para o contra-ataque. Certamente que o Inter vai atacar mais do que em Lisboa.

Coragem!
Em teoria, bastaria jogar tanto como em Lisboa e ter só um pouquinho mais de sorte para o Benfica vencer o enorme desafio de logo à noite. Mas todos sabemos que dificilmente será assim. Muito dificilmente o Benfica será o mesmo, dificilmente terá a possibilidade de ser tão ofensivo, e é muito improvável que o Inter se resguarde tanto na defensiva. O que espera o Benfica é uma batalha enorme e, como em todas as grandes batalhas, será precisa sobretudo muita coragem para a superar. A expectativa é a de que 35 a 40 mil pessoas estejam logo à noite em S. Siro, no Giuseppe Meazza. O Inter esperaria mais, mas os seus adeptos não andam lá muito satisfeitos.

Não vale a pena agora fazer contas à tremenda injustiça do resultado da primeira mão, há quinze dias, em Lisboa. O que o Benfica não foi então capaz de fazer deve apenas acrescentar-se à força indispensável para enfrentar, hoje, o Inter de Milão, no inferno de S. Siro. Ou seja: deve o Benfica ir ao fundo da sua alma buscar o que lhe faltou em Lisboa para derrubar os italianos e poder então olhar para a oportunidade fantástica de estar presente nos quartos-de-final da Taça UEFA. O Benfica tem de enfrentar este desafio esquecendo os 90 minutos já jogados, mas sabendo também que não haverá mais tempo para lá do tempo de jogo de logo à noite; para os encarnados, é como se tudo estivesse no seu início. Ou melhor: para os encarnados, como para o Inter, tudo se joga aqui, como numa final. Com uma única diferença: mesmo tendo de fazer golos (um que seja, se o Inter se ficar também por aí), poderá o Benfica não precisar de vencer. Esse é um factor a favor dos portugueses; mas sabe-se como pode ser perigoso pensar nele.

O exemplo de Petit

O Benfica está num bom momento, tendo em conta as circunstâncias e os recursos do seu plantel profissional. Debate-se apenas com o problema de Tiago, cujo sofrimento provocado por pubalgia o impede de estar a cem por cento. De resto, parece o Benfica ter tudo aquilo que se consideraria indispensável nesta altura; confiança, condição física boa na generalidade e os seus melhores jogadores disponíveis, depois de se saber que Petit pode dar o seu contributo, não se sabe ainda se como titular, mas em qualquer caso sempre um trunfo fundamental pela enorme força do seu carácter, pela qualidade sobretudo do seu jogo defensivo e pela profunda disponibilidade com se entrega ao jogo e à equipa. Petit é aliás o exemplo de coragem que o Benfica deve seguir. Mas também Tiago, a confirmar-se as dificuldade que tem vindo a superar, reafirma-se, pelos problemas de pubalgia que o devem forçar, até, a submeter-se, proximamente, a intervenção cirúrgica. Claro que mais tranquilo estaria Camacho se Petit (vindo agora de uma lesão) e Tiago estivessem na plenitude das sua faculdades; mas pelo menos à partida não parece que possam os seus casos ser obstáculo decisivo ao rendimento global da equipa.

Maldito Inter

O Inter não está bem. Começa por não estar psicologicamente bem, sofrendo de uma instabilidade que ninguém sabe explicar, cujas razões parecem mais ligadas a aspectos de natureza conjuntural do próprio clube do que a factores técnico-profissionais. O Inter possui um lote de grandíssimos jogadores, tem um treinador campeão em Itália (Zaccheroni, pelo Milan), mas vá lá perceber-se porquê não consegue encontrar o caminho do sucesso. O Inter é visto em Itália como um clube maldito; que destrói jogadores e treinadores. Nos últimos anos, o Inter não logrou conquistar qualquer título importante mas estrelas que vestiram a sua camisola (e as que vestem) dariam para formar uma selecção imbatível. O Inter teve Peruzzi, Roberto Baggio, Ronaldo, Roberto Carlos, Seedorf e Pirlo (hoje a brilharem no rival Milan), Crespo, Sérgio Conceição, Hakan Sukur; e tem Toldo, Cannavaro, Javier Zanetti, Córdoba, Almeyda (a regressar de prolongada ausência por lesão), Kily Gonzalez, Álvaro Recoba, Christian Vieri, Adriano, Martins... O Inter não está bem; mas não é por isso que deixará de ser um adversário dificílimo. Já joga Vieri (ausente em Lisboa por castigo), embora Cannavaro não jogue.

A afirmação de Simão

Não tem jogado bem o Inter e tem-lhe sido muito complicado ultrapassar as suas próprias dificuldades psicológicas, de tal modo que festejou o último êxito, sobre o Ancona (último classificado da Série A sem qualquer vitória, imagine-se) como se tivesse ganho qualquer coisa de verdadeiramente importante. Acontece que o Inter tem jogadores de grande experiência; sabe defender-se de forma cerrada e num qualquer golpe de teatro (uma bomba de Vieri, um livre do talentoso Recoba) pode decidir um jogo. Esperemos que não o consiga hoje à noite; esperemos que Simão tenha razão quando diz que o Benfica não chegou ainda ao seu limite; esperemos que a capacidade de o Benfica fazer golos (marcou sempre nos últimos 22 jogos do campeonato português, e isso é alguma coisa) não seja traída pela sua propensão para os sofrer também; esperemos que a equipa tenha a coragem suficiente para perceber que este é um momento crucial e uma fantástica oportunidade de abrir outras perspectivas ao seu futuro. É a este Benfica, que tanto sofreu ao longo da época, que se pede uma dose mais de grande sacrifício; mas também se lhe deseja que venha a ter a pontinha de sorte que, pelo que fez diante do Inter na Luz, bem merece.

Fórmula repetida
A óptima exibição do Benfica na Luz, frente ao Inter, na primeira mão dos oitavos-de-final da Taça UEFA, deverá fazer Camacho apostar em fórmula idêntica para a partida desta noite. Com uma alteração, a entrada de Nuno Gomes para o lugar de Sokota, mas mantendo o dispositivo táctico que tanto baralhou os italianos.

O Benfica fez o seu único treino em terras italianas ontem à noite, no Estádio Giuseppe Meazza, numa sessão ligeira que teve como principal objectivo a adaptação à luz e às condições do recinto. Surpreendentemente, Camacho abriu o jogo... ou talvez não. Desde o início, o espanhol dividiu os 18 jogadores de campo em duas equipas. Numa delas, Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Armando, Petit, Tiago, João Pereira, Simão e Nuno Gomes. Com Moreira e Zahovic ou Sokota, a equipa que iniciará o jogo de hoje? Talvez não... Apesar do divórcio entre adeptos e Inter, o San Siro (assim é mais conhecido o estádio) tem fama de inferno. E a responsabilidade é muita, um pouco mais, talvez, do lado dos nerazzurri, mas em doses largas nas costas dos encarnados, afastados do título português. Por isso mesmo, Camacho estará inclinado a confiar, de início, em jogadores mais experientes, que não abanem com a pressão. E nesse sentido, Geovanni tem a seu favor dose de maior experiência - e de menor intempestividade, que sendo uma qualidade boa para virar um jogo, por exemplo, pode não trazer vantagens quando se prevê que os primeiros minutos do Inter possam ser sufocantes - que João Pereira. O jovem formado nas escolas do Benfica contrapõe com maior auxílio na defesa, graças à rotina de lateral, o seu posto natural, importante dada a vocação ofensiva de Miguel. A balança deverá pender para o brasileiro, no entanto, porque Camacho quererá aproveitar o balanço da primeira mão. E na primeira mão, ainda que sem arrancar grande exibição, o titular foi Geovanni. E colectivamente, pelo menos, o Benfica esteve fantástico, coeso. O treinador estará, por isso, inclinado para manter a estrutura. O que também deverá significar a titularidade de Zahovic. Com Nuno Gomes (castigado na primeira mão) e Sokota disponíveis, não está afastada a hipótese de Camacho apostar de início em dois pontas-de-lança. Nuno Gomes deverá entrar no onze - está num bom momento, decidiu em Aveiro, onde foi poupado de início, e é um dos poucos jogadores da equipa que já actuou no Giuseppe Meazza. Ontem, Sokota e Zahovic alinharam do lado dos suplentes. Mas Zahovic é mais experiente, dará maior consistência ao meio-campo, importante dada a fragilidade física de Tiago e Petit, e a sua presença em campo pode baralhar os três centrais do Inter, apenas com um jogador para marcar directamente. Em torno destes cinco jogadores (para três lugares) terão andado as dúvidas de Camacho, a esta hora certamente desfeitas.

falso, não há acordo Benfica-Rui Costa!
A Rádio Renascença abriu ontem o seu noticiário desportivo do final da tarde com a revelação de que está tudo acordado para Rui Costa ser jogador do Benfica a seguir ao Euro-2004. O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, desmente categoricamente a A BOLA: «É falso; não há nada entre o Benfica e o Milão, entre o Benfica e Rui Costa e entre Rui Costa e o Benfica. Ele é um grande jogador, todos sabem como o admiro, mas o Rui é jogador do Milan e luta para ser campeão de Itália e outra vez campeão europeu. Rui Costa é um benfiquista, nunca o escondeu, mas antes disso é chefe de família e tem de olhar pelo seu futuro», diz Filipe Vieira.

O desejo de o Benfica fazer regressar Rui Costa e o de Rui Costa regressar à Luz já está muito longe de ser uma surpresa. Por isso se considera como quase inevitável que mais tarde ou mais cedo esse facto se torne realidade. Mas até ao momento, nenhum dado se alterou. Rui Costa tem ainda dois anos de contrato com o Milan, para lá desta época. E se há realmente uma possibilidade (uma única) de Rui Costa deixar o Milan e voltar a casa, ela não depende do Benfica nem de Rui Costa; depende do clube italiano. Só os responsáveis do Milan podem decidir se libertam Rui Costa no final da presente temporada, quando o internacional português cumprir o seu terceiro ano como n.º 10 milanista. Rui Costa nem quer pronunciar-se sobre a questão. Está cansado de repetir que não é este o momento de falar disso. Por agora, limita a sua concentração ao campeonato italiano e Liga dos Campeões. O Milan está bem nas duas provas, como o demonstra a liderança da Série A e os 4-1 com que despachou o Corunha. «Foi uma vitória importantíssima. Não digo que estejamos já nas meias-finais, mas os 4-1 são muito confortáveis». Rui Costa pronunciou-se a ABOLA igualmente sobre o FC Porto, possível adversário do Milan nas meias-finais se ambos seguirem em frente; ele ficou muito satisfeito com o êxito dos portistas. «Não quero falar muito para não dar azar, mas será um prazer defrontar o grande FC Porto. É muito bom para o futebol português que isso possa suceder».

Gostava que marcasse muitos golos pelo Benfica
Eusébio confunde-se com o Benfica e o Benfica deve uma boa fatia da glória passada a Eusébio. Aos 62 anos, o king, como é hoje carinhosamente tratado pelos amigos, mas que, quando chegou à Metrópole, há 44 anos, tinha outro petit nom, Catemba, é um cidadão do Mundo, embaixador dos embaixadores de Portugal, encantado com uma novidade: ontem nasceu o seu primeiro neto. A dinastia eusebiana está garantida.

Isso mesmo. Eusébio, pai de duas raparigas, foi ontem avô de um rapaz. «Chama-se Luís Pedro Eusébio», revela o pantera negra, manifestamente encantado com o petiz que veio ao Mundo no Hospital da CUF/Descobertas, na zona do Parque das Nações (ver página 48). Eusébio, mesmo garantindo que «o mais importante é que o menino estude», não deixa de sonhar com a possibilidade de o neto dar uns pontapés a sério na bola. «Gostava que marcasse muitos golos pelo Benfica», diz o king com os olhos a brilhar de emoção. A seguir, de coração aberto, como é seu timbre, Eusébio foi ainda mais longe: «Estou feliz, é o meu primeiro neto e é rapaz. E, quem sabe se, quando eu já estiver do outro lado, não vou ouvir que ‘o neto do Eusébio já está a jogar no Benfica’»? Eusébio, símbolo da vida a falar da morte? «Um dia tenho de morrer, temos todos, não é?» filosofa o king, «gosto de viver mas não tenho medo da morte. Antigamente tinha muito medo, hoje não. Sei que tenho o meu dia marcado. Procuro preservar a saúde, mas nem isso é garantia de nada. Veja-se a tragédia do Fehér... Peço sempre a Deus que me dê a sorte de viver bem com a família, os amigos e o Benfica». Apesar de católico, Eusébio não receia revelar dúvidas metafísicas, assumindo não saber «se há vida depois da morte. Provavelmente não. Nunca vi. Apesar de católico, sou como São Tomé, tenho de ver para crer».

Honras para um homem simples

Eusébio-eterno-menino, que pensa e fala, muitas vezes, como o jogador que deixou de ser há um quarto de século, contou a ABOLA o que sente por ter uma estátua, algumas ruas e um... avião, honrarias impensáveis para o comum dos mortais. Mas o king é especial.... A quantas pessoas, no Mundo, foi dada a distinção de ter uma estátua em vida? A muito poucas, seguramente. Eusébio conta como foi lá em casa quando isso aconteceu: «Quando me fizeram a estátua conversei com a minha mulher e as minhas filhas e, em casa, ao almoço, fiz-lhes ver o que isso representava. Estas homenagens são, normalmente, póstumas, e eu estou bem vivo e tenho uma estátua, que está à vista de todos, tem projecção e mostra o meu futebol. E sabe que há outra estátua minha, do mesmo autor, nos Estados Unidos?» Mas, se o bronze eterniza o king dos dois lados do Atlântico, um pássaro de ferro, qual águia gigante, transporta o nome de Eusébio por todo o Mundo. Essa sensação o pantera negra ainda não digeriu completamente e, para já, desfaz-se em agradecimentos. «No que respeita a homenagens, também há ruas com o meu nome e, ainda há poucos dias, a TAP deu o meu nome a um avião», lembra, para a seguir não esquecer quem lhe fez bem, «A FPF e o dr. Madail fizeram muita força para que isso pudesse acontecer, no âmbito do Euro-2004 e nunca esquecerei esse esforço e a amizade. Por tudo isto, eu sou uma pessoa profundamente grata. Quando penso nisso, nem quero acreditar, foi algo que nunca me passou pela cabeça que pudesse acontecer, porque não há notícia de um futebolista dar nome a um avião... todas estas manifestações de carinho me sensibilizam profundamente». Como síntese de tanta homenagem, um raciocínio simples e certeiro, à Eusébio: «As pessoas talvez não se apercebam da felicidade que me invade a alma quando vejo com os meus olhos, o avião, a estátua... É sinal de que fiz alguma coisa de bom na minha profissão e não só. Julgo que a minha maneira de estar na vida também contribuiu, porque a humildade é muito importante. Enquanto joguei, respeitei sempre os meus adversários e nunca me julguei superior aos meus colegas».

O Benfica centenário

Eusébio diz, amiúde, que o Benfica faz parte da sua família. Daí que sinta bastante a data que os encarnados agora assinalam. «Estou há 44 anos no clube, são dois terços da minha vida e quase metade da vida do meu Benfica. Tenho orgulho em pertencer a esta família e espero voltar a ver, em breve, grandes sucessos. Nos últimos anos não têm sido proporcionadas aos sócios as alegrias a que estavam habituados e eu faço votos que, com a força do centenário, a equipa de futebol possa vencer uma das competições em que ainda está empenhada, a Taça UEFA e a Taça de Portugal, já que o Campeonato está demasiado longe». Ganhador nato, como se vê pelo apelo que faz ao plantel do Benfica, Eusébio também perdeu. Mas nunca gostou, nem se acomodou. E ainda chora alguns desaires. «As derrotas, enquanto jogador, sempre foram fonte de sofrimento. Em 1966, sofri muito com a derrota com a Inglaterra nas meias-finais do Mundial e ainda hoje posso garantir que não me conformo. Quase 40 anos depois, cada vez que revejo mentalmente esse jogo, o meu coração sofre um aperto. No Benfica, ainda me custa muito pensar como acabámos por perder as duas finais mais fáceis que tivemos na Taça dos Campeões Europeus: contra o AC Milan, em Wembley e contra o Inter, em San Siro. Já como treinador-adjunto, sofri imenso com aquela final com o PSV...

Uma história de sucesso

Chegar, ver e vencer, eis a história de Eusébio na Luz em Dezembro de 1960. Antes, ainda em Lourenço Marques, o ingresso no Sporting local, depois de ter sido chumbado no Desportivo. «Era o clube do meu coração e fui lá três vezes fazer testes e não me quiseram. A minha mãe, D. Elisa, deu me sempre força porque sabia que eu era o melhor do bairro. Quando assinei pelo Sporting, o primeiro jogo, quis o destino, foi contra o Desportivo e vencemos por 3-0 com três golos meus. No dia seguinte nem queria sair de casa porque a minha equipa tinha perdido...» Mas a história não acaba aqui. «Mais tarde, os dirigentes do Desportivo foram a casa da minha mãe para me levarem para o clube, argumentando que já tinham despedido quem me recusara. Mas a D. Elisa, que também torcia pelo Desportivo, só tinha uma palavra». Já em Lisboa, Eusébio passou a descobrir um admirável mundo novo, longe da família, dos amigos e dos 40 graus de Lourenço Marques... «A minha entrada no futebol profissional», recorda, «foi tão rápida que nem me apercebi bem do que estava a acontecer. Cheguei a 17 Dezembro de 1960 e comecei a jogar pouco depois. Seguidamente, foi uma vertigem: campeão europeu, campeão nacional, 7 bolas de prata, 5 das quais seguidas e... Bola de Ouro, em 1965. Mas 1965 foi um dos momentos de maior felicidade, porque, francamente, não esperava que me considerassem o melhor futebolista da Europa. A seguir veio o Mundial de 1966, a estreia de Portugal na competição e logo com um brilharete daqueles, e eu a sagrar-me melhor marcador... É difícil encontrar palavras que descrevam bem tudo o que senti nesses momentos, mas essas sensações continuam a acompanhar-me».

O calvário, de Buenos Aires...

Eusébio, que quase perdeu a conta às vezes em que foi operado, foi uma grande vítima da violência de um futebol sem cartões, muitas vezes sem caneleiras e sem regras que protegessem os génios. O king recorda, com emoção, que «as lesões foram um martírio. Os avançados, na década de sessenta, não tinham a protecção da lei que hoje recebem . Por altura da minha quarta operação fui a Fátima pedir a Deus que o sofrimento parasse por aí, coisa que, infelizmente, não aconteceu. Bom, mas nem mesmo as operações fizeram com que deixasse de defender as cores do Benfica. Joguei muitas vezes sem estar recuperado, mas sempre com grande força de vontade ». Esta realidade atingiu, muitas vezes, o nível do surrealismo. Eusébio conta aquele que, provavelmente, foi o maior dos atentados contra a sua integridade física: «Dezoito dias depois de ser operado ao joelho fui com o Benfica numa digressão pela Argentina e acabei por regressar mais cedo para me abrirem novamente o joelho. O problema era que o cachet do Benfica era um com o Eusébio e outro, bastante menor, sem o Eusébio. Eu sempre olhei para o interesse do Benfica e pensava: porque não vou jogar 15 ou 20 minutos, o tempo que aguentar, e o clube recebe o cachet por inteiro?» Segue-se o relato arrepiante de um joelho assassinado... por um punhado de dólares. «O lance da minha lesão deu muito que falar mas a verdade é que o Rattin, com quem choquei, não teve culpa nenhuma», recorda Eusébio, cavalheiro até na forma como desculpa o capitão do River Plate, um dos duros mais duros de que há memória no futebol internacional. «Foi um choque joelho com joelho e eu é que choquei com ele, não houve nenhuma intenção de me lesionar. O meu joelho, imediatamente, ficou com o aspecto de uma bola de andebol», conta Eusébio com uma naturalidade arrepiante, «e lá regressei a Lisboa para ir, novamente, à faca».

... a Munique

Mas a saga das lesões esquecidas para aumentar o cachet do Benfica tem outro capítulo emblemático. Narrado na primeira pessoa e com todo o detalhe pelo principal protagonista: «Uma vez fomos jogar à Alemanha, com o Bayern, empatámos 2-2 (quem marcou os golos deles foi o Muller) e eu estava lesionado. Íamos em digressão para a Ásia e eu teria tempo de recuperar para um dos jogos que se seguiriam, mas naquela tarde tinha o dedo grande do pé esquerdo cheio de sangue pisado e mal podia andar, deslocando-me com o auxílio de canadianas. O Jimmy Hagan disse-me logo que não jogava, porque não tinha condições. Os meus colegas foram equipar-se e eu fiquei sentado no banco». Até aqui, tudo normal. Depois é que começa a história. «Acontece que empresário», diz Eusébio, «um húngaro que era amigo do Béla Guttmann, viu-me à civil e veio perguntar-me por que não jogava. Eu expliquei-lhe e ele disse que não podia ser, porque o público estava ali para me ver. Foi então falar com o nosso dirigente Fernando Neves e depois com Jimmy Hagan, que lhe disse que eu não podia jogar. Vendo aquela confusão toda, fui falar com o mister Hagan e o médico a quem perguntei se havia hipótese de me extraírem o sangue pisado. O médico disse-me que se podia tentar, mas que ficaria sempre dorido. Bom, lá fui para a cabina, fizeram o que tinham a fazer e depois o Hamilton, que era o nosso massagista, ligou-me o dedo, fiz um pequeno teste e fui para dentro do campo. O empresário ficou encantado, o público que me tinha visto a coxear antes do jogo ficou em delírio e o Beckenbauer, a quem eu tinha dito que não podia jogar ficou muito surpreendido ao ver-me equipado». Uma história de tanto sofrimento só podia ter um final feliz. «O que aconteceu durante o jogo foi excepcional, lembra Eusébio com um brilhozinho nos olhos, «logo a abrir, o Jaime Graça cruzou e eu fiz um golo de cabeça e a seguir marquei o segundo. Saí aos 20 minutos e o estádio levantou-se para me ovacionar». E assim se acrescentou mais um capítulo à lenda do rei. A encerrar o capítulo/lesões, Eusébio acedeu recordar os momentos de dor e lágrimas, com pormenores raras vezes revelados. «Às infiltrações, perdi a conta. Mas na fase final da carreira, já estava habituado e era capaz de suportar a dor. Normalmente mordia uma toalha enquanto era injectado. A páginas tantas era quase uma rotina, ia para casa e colocava gelo no joelho para poder continuar a competir no dia seguinte. À quinta e à sexta operação já só pedia a Deus que não me cortassem a perna acima do joelho. Hoje, estou um bocado «paralítico »mas ando bem e guio sem problemas, o que dá para fazer a minha vida normalmente».

O amigo Béla Guttmann

Se não há amor como o primeiro, também não é treinador como o primeiro. Quarenta anos depois, Eusébio ainda venera Béla Guttmann... «Tive bons treinadores no Benfica, mas Béla Guttmann foi o melhor. Deu-me o empurrão na hora certa e acreditou em mim. Era um homem que percebia muito de futebol. Logo nos primeiros treinos, em que passei mal com o frio de Dezembro e tinha de vestir dois e três fatos de treino de flanela (eram cinzentos e parecíamos presidiários...), Guttmann apercebeu-se da minha velocidade e da forma como tratava a bola e apreciava a maneira desinibida como disputava os lances contra o Ângelo, o Cruz, o Saraiva, o Artur, o Germano e disse logo a dirigente Gastão Silva que tratasse de toda a papelada com a maior urgência. Ele dizia muitas vezes ao seu adjunto, Fernando Caiado, ‘este menino é ouro, este menino é ouro’. Deu-me sempre bons conselhos...»



quarta-feira, março 24, 2004

PETIT a cem por cento
Aí está a notícia que todos os benfiquistas aguardavam: Petit treinou-se ontem sem limitações e poderá defrontar o Inter de Milão. Uma semana depois de se ter lesionado, frente ao Belenenses, confirmou-se a recuperação relâmpago. Camacho ganha uma opção de luxo que chegou a ser miragem e a equipa reconquista uma parte importante da sua alma.

Quando Petit caiu por terra, ao minuto 43 do encontro com o Belenenses, na passada quarta-feira, os adeptos encarnados esqueceram por instantes a presença na final da Taça de Portugal—o resultado já se cifrava em 3-0 — e desde logo foram inundados pela desilusão de, eventualmente, o médio não poder dar o seu contributo à equipa no importante compromisso de San Siro. No final, as palavras de José Antonio Camacho e as próprias indicações médicas apontavam precisamente nesse sentido. A lesão, contudo, acabou por revelar-se menos grave e desde logo o jogador e os elementos do departamento médico arregaçaram as mangas para conseguirem a recuperação da contractura na coxa esquerda. Anteontem o camisola 6 já dava conta da sua confiança — «Espero estar a cem por cento», afirmou— e ontem confirmou-se o melhor dos cenários, até mais cedo do que seria de prever: o jogador treinou-se sem limitações e, a não ser que surja um qualquer volteface, está em plenas condições de utilização. Desfeitas as dúvidas em torno da lesão de Petit, os benfiquistas podem colocar de lado a apreensão e sorrir. Isto porque o médio encarnado é uma peça fundamental na manobra da equipa, não só ao nível da circulação do esférico e da marcação de lances de bola parada, mas também pelo seu espírito guerreiro, no qual reside uma boa parte da alma encarnada. Tem sido assim ao longo da temporada.

Quanta vontade!

Na sessão de ontem, Petit trabalhou sem problemas (ainda que com uma coxa elástica) e cumpriu todos os exercícios sem qualquer tipo de limitações, visivelmente bem-disposto e motivado. De tal forma que, após o treino, ficou mesmo no relvado para algum trabalho suplementar, nomeadamente a marcação de cantos e livres. No final, esteve alguns minutos à conversa com Camacho e com o fisioterapeuta Armando Jorge, apontando para a coxa esquerda e gesticulando. Para explicar que se havia sentido em boas condições. Ainda assim, continuará a realizar trabalho específico até à hora do jogo.

Vieira não vai ao jogo
Luís Filipe Vieira não vai estar no Estádio Giuseppe Meazza para assistir ao jogo de amanhã. O susto que o coração lhe pregou em Trondheim, no final do jogo com o Rosenborg, foi suficiente para ser aconselhado a não se entusiasmar em demasia. Mesmo assim chefiou a comitiva que ontem viajou para Itália, conversou comos jogadores no avião e seguiu no autocarro que transportou a equipa ao hotel. «Eles merecem que esteja presente», foi o desabafo do presidente. O Benfica já está em Milão. E chegou confiante. Céu coberto, temperatura amena, era o estado do tempo à chegada.

As emoções do jogo com os noruegueses do Rosenborg, na terceira eliminatória da Taça UEFA, foram grandes para o coração de Luís Filipe Vieira, que se sentiu mal e foi aconselhado pelo médico a evitar este tipo de situações. É por essa razão que amanhã não poderá assistir ao encontro do Benfica com o Inter de Milão, apesar de ter chefiado a comitiva. «O que se passou em Trondheim marcou-me e de que maneira! Estou aqui com muito sacrifício mas os jogadores merecem que eu esteja com eles», explicou Filipe Vieira. No voo charter fretado pelo clube encarnado— e no qual seguiram mais de 200 pessoas — viajaram também o vice-presidente Fonseca Santos, o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Tinoco de Faria, e muitas outras personalidades do clube. Mas foi, sem dúvida, a boa disposição de Luís Filipe Vieira que marcou pontos. O líder esteve pouco tempo sentado e passou a maior parte da viagem a conversar. Primeiro deslocou-se à zona onde estavam os jogadores, onde trocou impressões com Nuno Gomes, Miguel e outros; depois percorreu o avião e falou com os adeptos que seguiram a equipa nesta importante deslocação. O treinador, José Antonio Camacho optou por um comportamento mais discreto, como aliás sempre faz nas deslocações do Benfica.

Tinha dois carros e não quis nenhum

Luís Filipe Vieira tinha dois carros disponíveis para o transportar ao hotel, quando chegou a Milão, mas o presidente recusou o convite e preferiu seguir no autocarro da equipa. Mais um sinal de aproximação ao plantel, que nos últimos meses têm sido vários. A viagem de avião, essa, decorreu de forma tranquila, com os habituais gritos de viva o Benfica! a fazerem-se ouvir mal o avião aterrou em solo transalpino. Petit viajou com um sorriso, como que a dizer que está pronto para jogar; e todos os jogadores se apresentaram de forma serena e concentrada. Apenas à partida, ainda em Lisboa, alguns atletas extravasaram os comportamentos, à medida que cumprimentavam amigos que jogam no Amora e também se preparavam para viajar. Foi uma águia muito tranquila, a que ontem aterrou na cidade da moda.

Estamos convictos da vitória
Apesar de ter regressado dos Estados Unidos apenas na véspera, Luís Filipe Vieira seguiu viagem para Itália. O presidente está cada vez mais satisfeito com a atitude dos jogadores e, depois do que viu no jogo da 1.ª mão, acredita na passagem aos quartos-de-final...

Luís Filipe Vieira lidera a comitiva encarnada, que já se encontra em Milão, desde ontem. Ainda em Lisboa, o presidente encarnado mostrou-se confiante num bom resultado, justificando o seu optimismo com o que viu no jogo da primeira mão. «Estou confiante e não espero outra coisa a não ser a passagem da eliminatória, que é o objectivo de todos nós. Todo o grupo pensa da mesma maneira e estamos todos convictos de que vamos passar à fase seguinte. Depois do jogo que fizemos na Luz, não vamos ter receio do Inter e entraremos dispostos a ganhar», afirmou. Para lá da injecção de moral que a sua presença junto da equipa possa significar, Luís Filipe Vieira mostra-se extremamente satisfeito com o comportamento dos jogadores nos últimos jogos. «Este grupo está a crescer todos os dias e a identificar-se com a nossa instituição, algo que no passado não existia. Eu costumava dizer que vão dez e vêm dez, havia jogadores que nem sabiam onde ficavam os balneários; mas agora começam a ter noção do que significa esta instituição e a vestir a camisola. Já começam a deixar de ter medo de jogar no Estádio da Luz, estão a crescer», enfatizou, mostrando-se determinado em segurar os jogadores nucleares: «Importante é que o Benfica consiga manter esta estratégia, mantendo os activos todos e não vendendo nenhum deles. Essa é uma tarefa que compete a todos os benfiquistas, por isso é que está a decorrer um empréstimo obrigacionista. No princípio da próxima época, logo se verá o que vai acontecer, mas é muito importante para o Benfica não se desfazer dos seus activos.»

«Madail meditou muito»

Na ordem do dia da conversa com Luís Filipe Vieira, esteve também a final da Taça de Portugal, confirmada para o Jamor, depois de o presidente da FPF ter sugerido a sua realização num dos estádios que vão receber o Euro-2004. O presidente do Benfica explicou a razão por que desaprovou a mudança: «A decisão de manter a final no Jamor não vai ao encontro das minhas pretensões mas sim ao da grande maioria dos portugueses. Desde que se definam previamente as regras, para o ano podem levar a final para o Estádio da Luz, Alvalade ou Antas. Agora, não se pode é frustrar expectativas sobre uma final que será disputada entre Benfica e FC Porto, algo que não se via há muito tempo. O Estádio Nacional é o estádio de todos os portugueses, onde a romaria começa às 8 horas e, pessoalmente, acho que seria um verdadeiro atentado ao futebol.» Não obstante o Estádio Nacional manter-se como palco da final, Luís Filipe Vieira não escondeu algum mal-estar pela atitude de Gilberto Madail. «Há afirmações que, por vezes, as pessoas não devem emitir sem consultar as duas partes, neste caso concreto, o presidente do Benfica. Não falou comigo, mas acho que meditou muito depois do que eu disse, dizendo que era uma opinião pessoal. Mas ele deve entender que, pelo cargo que tem, não pode emitir opiniões pessoais, principalmente quando envolve a instituição Sport Lisboa e Benfica. Deve respeitá-la», advertiu.

Dupla Nuno Gomes/Sokota vai estrear-se na Europa
21+25=Golos
A dupla de ataque que tem feito sonhar os benfiquistas estará na linha da frente em Milão. Nuno Gomes (8 golos) e Sokota (11 golos) serão, mais uma vez, irmãos de armas num encontro em que marcar é fundamental. Será a primeira vez que actuam juntos na Taça UEFA.

Salta à vista: Nuno Gomes e Sokota não são uma qualquer poção mágica de vitórias, tão-pouco milagreiros da glória, mas juntos formam um eixo atacante de enorme respeito. Algo que se reflecte no futebol da equipa, não só pelo jogo canalizado mas também pela maior capacidade de finalização na zona de tiro. A verdade é que, numa fase em que a época entra na sua recta final, não foram assim tantas as vezes em que actuaram juntos de início, pelo que o entrosamento só pode melhorar. Na Taça UEFA, por exemplo, Nuno Gomes e Sokota nunca actuaram lado a lado desde o apito inicial. Por razões clínicas, disciplinares ou somente de gestão do plantel, os dois jogadores têm andado desencontrados. No palco de Milão, pelo que foi dado a ver no treino de ontem, Camacho não terá dúvidas em apostar na dupla. Valem 19 golos Tal como na Europa, também na Taça de Portugal não se registou uma única ocasião em que o português e o croata integrassem juntos o onze. Já na SuperLiga, foram nove as vezes em que tal aconteceu. Contas feitas, 4 vitórias, 3 derrotas e 2 empates, com 19 golos marcados e 16 sofridos. De referir ainda que, nas três competições, Sokota já apontou 11 golos (só não marcou na Taça UEFA) e Nuno Gomes 8 (três dos quais no percurso europeu), o que resulta em 19 tentos. É um daqueles casos em que a união faz a força, ou seja, Nuno Gomes e Sokota rendem mais lado a lado do que sozinhos no ataque. Será assim em Milão?

Tiago: «Se estou aqui é para jogar»

Tiago está pronto para defrontar o Inter de Milão e ajudar o Benfica a alcançar os quartos-de-final da Taça UEFA. Apesar de estar fisicamente condicionado, ontem à tarde, já na cidade de Milão, o jogador afirmou: "Se estou aqui, é para jogar". Esta frase proferida ao nosso jornal desfaz o mal-entendido surgido com o desabafo à partida, quando, colocado perante a possibilidade de jogar, respondeu com um suspiro: "Que remédio..."

Na presente temporada, o internacional português não tem sido capaz de mostrar a regularidade patenteada na época transacta. A principal causa deste problema tem sido uma pubalgia, que lhe provoca dores intensas e, naturalmente, afecta o seu rendimento desportivo.

Como Record noticiou após o encontro com os transalpinos, o médio deve parar por alguns dias, restringindo-se aos exercícios de ginásio para tentar debelar os efeitos da mazela. Com este tipo de tratamentos, Tiago poderá dar o seu contributo em alguns jogos mais importantes, como também garantir a sua participação no Euro'2004. Recorde-se que a outra forma de debelar as pubalgias é através de uma intervenção cirúrgica, solução afastada pelo atleta que, como é natural, não pretende perder a oportunidade de representar a Selecção.

Ontem, ainda no aeroporto da Portela, Tiago mostrava-se resignado com a situação clínica que atravessa. Questionado sobre a sua eventual participação no encontro, desabafou com um sorriso amarelado: "Que remédio...", ao mesmo tempo que garantia aos jornalistas estar a sentir menos dores.

Mesmo em deficiente condição, Tiago já fez saber ao treinador que está pronto a alinhar em sacrifício, caso tal seja benéfico para o Benfica. Cabe agora a José Antonio Camacho decidir-se pela inclusão do internacional português no onze inicial. Em princípio, será titular.

Poupado no treino que antecedeu partida para Itália

Tiago não trabalhou com os restantes companheiros ontem de manhã, no Estádio da Luz. O médio foi poupado da sessão que antecedeu a partida para Milão, tendo realizado apenas tratamentos e trabalho de ginásio. Perto do final, o jogador compareceu à entrada do túnel de acesso aos balneários envergando já o traje de viagem.



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