<$BlogRSDUrl$>


Adquira Já o KIT Novo Sócio          Leia Assine e Divulge o Jornal do Benfica

domingo, fevereiro 29, 2004

Esperados mais de 40 mil adeptos no jogo do centenário

A venda de ingressos para o encontro desta noite com o Moreirense tem decorrido em bom ritmo. Sobretudo no dia de ontem, registou-se grande afluência às bilheteiras, com filas constantes.

Naturalmente que para esta situação muito contribuíram os vários eventos que tiveram lugar, a propósito do centenário, e que levaram muitos adeptos a deslocarem-se ao Estádio da Luz. Espera-se, por isso, uma casa bem composta (acima dos 40 mil espectadores) quando a partida principiar, pelas 19 horas.

Antes, porém, os adeptos que se deslocarem ao recinto encarnado terão oportunidade de assistir ao desfile das casas e filiais do Benfica, no relvado, assim como ao desfile dos atletas de todas as modalidades e da formação de futebol do clube.

A música também marcará presença, com artistas benfiquistas a actuarem antes do apito inicial e ao intervalo. No final, um espectáculo de fogo-de-artifício a encerrar a fim de semana de comemorações do centenário.

Logo pela manhã, a partir das 9 horas, 36 equipas representantes das Casas do Benfica, vão medir forças no Pavilhão da Luz, em futsal, sendo que a equipa vencedora receberá um prémio e defrontará, à tarde (15 h), após o almoço livre (13.30 h), a formação de futsal do Benfica.




Rui Costa prioritário
Assegurar o regresso de Rui Costa ao Benfica é uma das prioridades de Luís Filipe Vieira, que pretende construir um Benfica de sucesso para a próxima temporada. A enorme qualidade do camisola 10 do AC Milan, aliada ao inegável prestígio que possui, seria um "trunfo" mágico para 2004/05
RICARDO LEMOS

O regresso de Rui Costa ao Benfica pode acontecer no fim da temporada e até é uma das prioridades de Luís Filipe Vieira na reestruturação a fazer no plantel. As conversações entre o presidente do Benfica, o jogador e os responsáveis do AC Milan já decorrem há algum tempo e, inclusive, segundo O JOGO apurou, foi feita uma tentativa de recrutar o atleta em Janeiro passado, quando as transferências foram possíveis. Na altura, Adriano Galliani, vice-presidente e administrador delegado do AC Milan, mostrou-se irredutível em prescindir de um dos melhores atletas do plantel e o próprio jogador sentiu que ainda não era a altura de voltar ao clube do seu coração.

Rui Costa sempre deixou claro que pretende voltar a vestir a camisola com que se projectou no futebol europeu, assumindo como ponto de honra regressar às origens, mas enquanto se sentir com capacidade para, de facto, assumir o papel que lhe está reservado na Luz: ser o símbolo do clube, dentro e fora dos relvados. É nesse sentido que surge a possibilidade de Rui Costa regressar á Luz no fim da época em curso. O jogador já deixou claro que tinha como metas principais conquistar a Liga dos Campeões e o campeonato italiano; a primeira, atingiu-a na época passada e a segunda está ao alcance nesta, com o AC Milan a liderar a Série A.

Rui Costa está a par de todos os passos dados por Luís Filipe Vieira, tendo papel determinante em todo o processo. Com mais um ano de contrato com o colosso italiano, o seu regresso a Portugal dependerá, e muito, do papel que assumir junto dos responsáveis do AC Milan. A cotação internacional de Rui Costa está a anos-luz dos valores que o Benfica pode despender, por isso é fulcral que o atleta consiga a desvinculação, prescindindo dos valores do contrato... É um facto que os encarnados nunca poderão competir com o vencimento que o "regista" aufere hoje em dia, o que exigirá a redução do salário.

Há mais de uma década em Itália, Rui Costa e a família desejam, segundo O JOGO apurou, voltar a Portugal. O jogador tem, deste modo, dois factores em contrapeso para analisar: por um lado, actua num dos melhores clubes do Mundo, onde é pago de forma mais do que principesca; por outro, tem o apelo do coração e de um projecto que pode relançar o clube da Luz na rota dos triunfos, projecto no qual, aliás (caso, obviamente, aceite), terá papel principal. É o verdadeiro caso de Rui Costa... mais 10.

Os responsáveis do Benfica continuam, no entanto, a ter forte concorrência internacional, como dos espanhóis do Barcelona e dos ingleses do Chelsea, dispostos a negociar com o AC Milan. Rui Costa tem respondido o mesmo a todos os convites: até ao Euro'2004 não decidirá nada.

Surge o apelo do coração e de um projecto que pode relançar o clube da Luz na rota dos triunfos. Um projecto, aliás, onde (caso, obviamente, aceite) terá o papel principal. É o verdadeiro caso de Rui Costa... mais 10.

Com objectivos claros sou o primeiro a ficar
Eis o primeiro jogo do centenário. O Moreirense é o convidado de honra para participar no aniversário do Benfica e aquilo que os encarnados esperam é que o adversário não estrague a festa. É nisso que Camacho tem o pensamento. A quatro meses do fim do contrato, o espanhol deixou no ar a hipótese de renovar... desde que a administração da SAD lhe apresente objectivos bem definidos.

— Qual é o significado desta data, 100 anos, para o treinador do Benfica?
— Cem anos é muito tempo. Estou orgulhoso por poder estar aqui numa altura destas e ser o treinador do Benfica. Todos os clubes têm os seus momentos altos e baixos. O Benfica foi uma equipa muito gloriosa, tanto em Portugal como na Europa e tenho a certeza de que o voltará a ser. Penso que este é um momento de transição, muito difícil, mas há que aceitá-lo, ainda que possa custar um pouco. Mesmo a mim está a custar muito, pois por um lado sinto-me orgulhoso por estar nesta equipa, mas por outro sei que é preciso trabalhar certas coisas sem as quais dificilmente se pode fazer uma equipa importante. Tenho, todavia, a certeza de que nestes 100 anos de história do Benfica dificilmente houve alguém que tenha treinado em 19 campos.
— Não faltará algo mais ao Benfica para festejar em grande o centenário?
— Isso quem pode dizer é o presidente. Quando me contrataram já sabia que ia festejar-se o centenário do Benfica e havia duas soluções. Uma delas era fazer uma grande equipa, com dinheiro, que nunca chegou, a outra era trabalhar para o futuro, procurando fazer a venda de um jogador para poder contratar outro. Mas isso também não aconteceu, pois o Benfica não vendeu. Mas aceitei-o. Sabia que não se podiam fazer contratações, mas também não sabia que passaria tanto tempo. Aceitei, porque era um gesto bonito. Mas é difícil, porque toda a gente quer um Benfica campeão. Esta transição é complicada, mas penso que estamos a fazê-la muito bem. Estamos em terceiro lugar, estamos nas competições europeias e estamos na Taça de Portugal.
— O centenário do Benfica ainda agora começou. O que espera ainda conquistar no Benfica?
— Já disse que estamos a atravessar um momento de transição no Benfica. Deitou-se um estádio abaixo, ergueu-se outro, estamos a construir um centro de estágio e estamos a fazer uma equipa que volte a fazer do Benfica o clube glorioso que já foi. Mas isso, vou repetir, necessita de várias coisas. Dinheiro, que não nos foi dado, ao contrário do que sucedeu com outras equipas, e tranquilidade, para fazer uma equipa com o que temos. Aproveitar jogadores das camadas jovens, que é o que estamos a fazer, é a única solução, não há outra. É esta a segunda opção. Aceitei-a, porque é muito bonita e porque não se podia fazer outra coisa.
— Aceitaria ficar no Benfica mais um ano, mesmo sem dinheiro?
— Isso já não é comigo. É outro problema. Sim, mas posso ficar, não tenho problema algum. Somente preciso de saber os objectivos do clube. Quando são claros o primeiro a ficar sou eu.
— E quais são os objectivos?
— Isso tem de ser perguntado à Administração.
— E ficaria, também, se o Benfica não fosse à Liga dos Campeões?
— Ainda estamos a jogar a Taça UEFA. Tenho ouvido dizer que seria um fracasso não ir à Liga dos Campeões, mas penso que não, não há qualquer fracasso quando se trabalha.
— Mas ficaria satisfeito apenas com a Taça UEFA?
— A nível pessoal estou muito satisfeito com o trabalho que está a ser feito pelos jogadores e também pelos resultados que estamos a conseguir. Porque nós também temos nove pontos de vantagem do quarto, do quinto e do sexto lugares, sensivelmente, que são ocupados por equipas que se reforçaram muito mais do que o Benfica. Mas penso que também temos possibilidades de chegar à Liga dos Campeões e é esse o novo objectivo, que vamos perseguir até ao fim. Quer dizer, à Liga dos Campeões, não. À pré-eliminatória.
— Quando vai começar a pensar sequer ficar ou não no Benfica na próxima época?
— Para já estou a pensar no que devemos fazer no jogo contra o Moreirense, se ganhamos este jogo, se ganhamos ao Rosenborg... Tudo mais não interessa por agora. Não tenho pensado nisso. Quando estava para renovar pelo Benfica tinha tempo para escolher uma coisa ou outra. Mas eu não estava a negociar com mais ninguém. E agora volta a suceder o mesmo. Enquanto as coisas não estiverem resolvidas eu não vou falar com ninguém. Então, as decisões serão tomadas no momento certo. Só falei como Benfica depois de deixar a Selecção de Espanha. Parece que esta forma de estar não é normal, mas para mim é.

Nuno Gomes de novo só
Sokota está recuperado, mas o próprio treinador, José António Camacho, considera que poderá ser prematuro apostar já na sua titularidade. Assim, Nuno Gomes vai ser, de novo, o único avançado em campo. Pelo menos no início do jogo. No meio-campo, é certo que Fernando Aguiar vai ocupar a vaga do castigado Tiago.

Camacho tem até à hora do jogo deste final de tarde para tomar uma decisão. Ontem, interrogado sobre a utilização de Sokota no onze, não deu uma resposta conclusiva, mas, ainda assim, revelou qual a sua inclinação. O treinador espanhol queria esperar pela evolução do jogador nas 24 horas que antecediam o jogo, mas considerou que poderia ser prematura, já que o croata vem de paragem por lesão, colocá-lo a jogar de início ao lado de Nuno Gomes. O que não impede que possa usar Sokota como trunfo, hipótese dependente, claro está, da forma como o jogo decorrer para os encarnados e da necessidade, ou não, de dotar a equipa de maior poder e soluções na zona de ataque.

Fernando Aguiar no lugar de Tiago

A ausência de Tiago, que tem de cumprir castigo após série de cinco cartões amarelos, será colmatada por Fernando Aguiar. O jovem Manuel Fernandes seria outra das hipóteses, mas o treinador Camacho prefere apostar na solidez e experiência de Fernando Aguiar, enquanto Manuel Fernandes faz o seu trajecto de amadurecimento. Em equação, mais uma ou outra alteração de pormenor, partindo do princípio que Camacho não surpreenderá como fez na Madeira, frente ao Nacional. No quarteto defensivo, admitem-se dúvidas sobre um possível regresso de Fyssas, por troca com Armando, e na asa direita do ataque um grande ponto de interrogação: Geovanni ou João Pereira? O treinador encarnado tem apostado no brasileiro, mas nos últimos jogos acabou sempre por emendar a mão, fazendo entrar o jovem português. No jogo com o Rosenborg, João Pereira revolucionou o jogo e justificou a discussão sobre a titularidade. Pode dar-se também o caso de Camacho entender que João Pereira deve ser uma arma no banco para apostar na hora certa. Veremos.

rir também se trabalha
Num treino que durou cerca de 50 minutos, os jogadores do Benfica viveram ontem uma manhã divertida, fruto dos exercícios físicos que foram ministrados pelo preparador físico Fernando Gaspar.

Inicialmente marcado para as 10 horas, o treino passou para as 11 mas só 20 minutos depois o autocarro chegou ao Estádio Arnaldo Dias, em Odivelas. Talvez inspirado pelo aniversário do Benfica, o grupo aparentava boa disposição. Mais animado ficou com os exercícios físicos de aquecimento. Exercícios diversificados, simples, originais e que se prestavam à saudável gargalhada. E, enquanto o espírito desanuviava, o corpo fazia o seu trabalho. Mas também houve direito a castigos, como flexões, para aqueles menos expeditos na realização do que lhes era proposto. Mas até aqui o ambiente era de boa disposição. O castigo calhou a todos, pelo que ninguém se riu de ninguém, que não de si próprio.

Com Simão e João Pereira às costas

Um dos momentos mais divertidos aconteceu quando dois grupos de jogadores içaram para o ar Simão e João Pereira. O objectivo era fazer circular os jogadores como se andasse num tapete rolante. Os da frente passavam sucessivamente para trás e os jogadores no topo tinham de ficar inertes. De preferência convinha que não caíssem ao chão, o que veio a acontecer. Depois destes exercícios Camacho voltou a dividir o grupo em dois para uma descontraída partida de futvólei. Para compor o treinador espanhol integrou uma das equipas, num exercício muito apreciado pelo grupo de trabalho. Cinquenta minutos depois os jogadores regressaram à Luz. Foi um treino leve, é certo, mas adequado à necessidade de gestão de esforço, já que a equipa defrontou o Rosenborg na quinta-feira, joga hoje com o Moreirense, na quarta-feira de novo com o Rosenborg, num ritmo competitivo que se vai manter elevado, em especial, como se deseja, se for garantido o apuramento para mais uma eliminatória da Taça UEFA. O ambiente que se vive no grupo é de boa disposição. O que é meio caminho andado para que as pernas também respondam ao esforço intenso a que os jogadores do Benfica têm sido submetidos. «Não são máquinas», referiu ontem o treinador Camacho. Por isso há que gerir bem o trabalho.

Este será sempre um clube ecléctico
O Benfica inaugurou ontem a primeira fase do novo Pavilhão da Luz que estará definitivamente concluído em Maio próximo, com a entrada em funcionamento da zona comercial. Luís Filipe Vieira presidiu à cerimónia inaugural do recinto n.º 1, que servirá as modalidades de hóquei em patins, basquetebol e futsal, e garantiu todos os esforços futuros para as modalidades amadoras. «O Benfica será sempre um clube ecléctico», frisou o presidente encarnado.

Foi ontem inaugurado, sem grande pompa mas com a devida circunstância o recinto n.º 1 do novo Pavilhão da Luz. É a concretização da primeira fase de um conjunto de infra-estruturas pensadas para as modalidades amadoras do Benfica e que, além do espaço ontem apresentado aos benfiquistas, contempla ainda um outro recinto, ali mesmo ao lado, que servirá o voleibol e o andebol e que estará em funcionamento ainda no decorrer da primeira quinzena do próximo mês de Março, e também um complexo de piscinas e ginásio que será inaugurado dentro de um mês. O recinto n.º 1 será utilizado pelo hóquei em patins, futsal e basquetebol, dispondo de quatro bancadas com 2440 lugares sentados e um rol de comodidades que fazem desta infra-estrutura uma das mais modernas e funcionais do nosso país. Na cerimónia de inauguração, ontem de manhã, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, discursou para cerca de um milhar de benfiquistas, frisando a importância que as modalidades têm para o clube da Luz e recordando, num momento particularmente simbólico do Benfica como é o centenário da colectividade encarnada, que «uma parte significativa do que é o Benfica hoje em dia foi conseguida com os êxitos das várias modalidades ao longo dos anos». Luís Filipe Vieira garantiu ainda que o esforço dos actuais dirigentes do Benfica não se centra no futebol como muitas vezes parece transparecer publicamente. «O Benfica é muito mais do que apenas futebol. O Benfica será sempre um clube eclécticco», lembrou o líder encarnado, recebendo em troca uma enorme ovação. Quatro meses depois da vistosa inauguração do novo Estádio da Luz, o Benfica apresenta a conclusão da primeira fase do projecto para as modalidades amadoras. Quando em finais de Maio todas as infra-estruturas estiverem inauguradas, nomeadamente com a zona comercial adjacente em funcionamento, o complexo da Luz fica definitivamente concluído e o Benfica será proprietário de um dos mais modernos e funcionais parques desportivos da Europa.

Regresso a casa

Com esta primeira inauguração, o hóquei em patins, futsal e basquetebol, três importantes modalidades do Benfica, regressam a casa, quase um ano depois de se terem despedido do velhinho Pavilhão da Luz. Realizaram jogos um pouco por todo o país, de Paços de Ferreira ao Fundão, de Ponte de Sor a Portimão. As modalidades do Benfica percorreram o país com a casa às costas, num périplo nem sempre fácil, com os naturais prejuízos financeiros e desportivos. Ontem, pela primeira vez, o basquetebol e o futsal jogaram na sua nova morada...



sábado, fevereiro 28, 2004

Inaugurado o novo pavilhão da Luz

Precisamente no dia em que comemora o seu centésimo aniversário, o Benfica inaugurou esta manhã o novo pavilhão da Luz, numa cerimónia marcada pelo discurso do presidente Luís Filipe Vieira sob a presença de cerca de mil adeptos.


«Não tenham dúvidas que o Benfica vai regressar às vitórias e conquistas do passado», afirmou o presidente dos «encarnados», aproveitando para relembrar que a história do clube não é feita apenas de futebol, mas sim de outras várias modalidades.

A cerimónia serviu ainda para entrega de vários emblemas para comemorar os anos de sócios, entre os quais se destaca o antigo presidente Ferreira Queimado que recebeu a «Águia de platina» (75 anos de sócio).

É o ano do Benfica!
QUIS o destino que Luís Filipe Vieira se cruzasse com o Benfica num momento histórico do clube. Primeiro, como principal impulsionador da construção do novo Estádio da Luz; depois, ao ter a honra de presidir à Direcção encarnada no ano do centenário. Vieira está perfeitamente consciente da responsabilidade que tem sobre os ombros e nesta entrevista a A BOLA deixa, fundamentalmente, duas mensagens aos sócios: o clube será aquilo que os benfiquistas quiserem e a solução definitiva dos problemas passa pela adesão aos projectos que a Direcção se apresta para lançar; o futebol do clube está cada vez mais forte e 2004/05 pode ser a época do reencontro do Benfica com o título nacional.

Luís Filipe Vieira, orgulhoso pelo que já fez, aborda, sem tabus, nas páginas que se seguem, os tem as mais quentes da actualidade benfiquista, de Fonseca Santos a Camacho, da renovação com Simão à normalização das relações com o Sporting, do futuro da indústria do futebol à mudança que a tragédia de Fehér provocou na sua maneira de estar no futebol...
— O Benfica, aos 100 anos, tem razões para ser um clube optimista?
— O Benfica tem todas as condições para construir um futuro risonho. Independentemente de uma ou outra oscilação, o passado do Benfica foi brilhante, hoje há linhas de orientação perfeitamente traçadas e há que encarar o futuro com ânimo e optimismo, assim todos os benfiquistas entendam as mensagens e adiram aos projectos que vamos lançar.
— Qual é a maior riqueza do Benfica?
— A sua História. Somos, inequivocamente, a maior instituição portuguesa.
— Este é o centenário que gostaria de ter?
— Tenho a certeza de que todos os benfiquistas vão ter orgulho nas celebrações do centenário. Havia quem pensasse que se devia fazer um grande jogo no próprio dia do centenário e isso, até pela Taça UEFA, foi impossível, mas teremos jogos e eventos fantásticos ao longo deste ano.
— Que mensagem tem para os benfiquistas neste dia tão especial?
— Gostava de ver o estádio, no domingo, completamente cheio, a comemorar 100 anos de história e glória. E desejo que nos sintamos, neste fim-de-semana carregado de simbolismo, muito perto uns dos outros.

O futebol, sempre o futebol

— Como caracteriza a época em curso?
— O Benfica está a consolidar-se, dando continuidade a um trabalho iniciado há 30 meses, quando cheguei ao Benfica, e creio que há alguns indicadores muito positivos: há muito tempo que o Benfica não tinha quatro/cinco jogadores na Selecção Nacional; no Campeonato somos terceiros, e aí não escondemos que, porventura, as nossas expectativas seriam outras; está na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Não estou desiludido, sei que estamos a aprender, a ficar mais fortes e é assim que continuará a ser.
— A ideia é manter e melhorar?
— Manter e melhorar. Não abdicamos disso.
— Que filosofia vai ser implementada no futebol, o treinador é contratado para treinar ou para construir um plantel?
— Bom, desde já, quero clarificar que Camacho foi e é uma mais valia para o Benfica e que continua ser o homem de confiança da Direcção. Sei que, até ao dia em que sair, Camacho vai só pensar no nosso clube e que, a cada dia que passa, o Benfica está mais forte. Camacho não é um oportunista, não exigiu este ou aquele jogador e já temos na equipa principal elementos das nossas escolas. A seguir, posso garantir que vamos continuar a apostar na lógica de manter os principais valores, procurando fortalecer pontualmente o grupo de que já dispomos. Não está no nosso horizonte desfazermo-nos de qualquer jogador importante. Dentro desta política, conseguimos a renovação com Simão Sabrosa. Trata-se de um jogador muito identificado com a nossa instituição, quis continuar no Benfica, não exigiu nada e mantiveram-se as condições do contrato que estava em vigor. Simão quer, acima de tudo, ser campeão pelo Benfica.
— O presidente do Benfica tem a expectativa de, na próxima época, construir uma equipa de futebol mais forte do que a desta temporada?
— Vamos ser muito mais competitivos.
— Para isso é preciso ter mais e melhores jogadores...
— Lógico. Sem cometer loucuras, vamos reforçar a equipa nalgumas áreas. A filosofia é manter e melhorar. — Isso acontecerá sob orientação de Camacho?
— Tudo o que está a ser feito é em consonância com o nosso treinador.
— Então, o Benfica está plenamente satisfeito com o trabalho desenvolvido por Camacho?
— Todos nós, benfiquistas, temos Camacho como uma referência.
— Se Camacho sair amanhã do Benfica, entende que deixa o futebol do clube melhor do que recebeu?
— Inequivocamente. Ele mudou a mentalidade do grupo de trabalho. E até podemos ir mais longe. Ele mudou o Benfica.
— E se o técnico sair no final da época, isso será muito mais por vontade dele do que do Benfica?
— Não é assunto para agora. Estamos numa fase crucial da época e não é benéfico comentar estas matérias. Mas que fique claro que estamos muito satisfeitos com o trabalho do Camacho. Se ele entender que não deve continuar, nem valerá a pena negociar isto ou aquilo, porque não será, por certo, um problema de dinheiro. Para já, penso que todos os benfiquistas estão satisfeitos com José António Camacho.
— Continua a falar muito com José António Camacho?
— A nossa relação vai para além do futebol, por isso é normal que conversemos bastante. Mas nunca vou falar com ele de opções técnicas. Isso não faço. Do resto sim, de coisas do Benfica, falamos abertamente.
— Considera Camacho exactamente da mesma forma que o considerava quando foi a Vigo renovar-lhe o contrato?
— De forma clara e inequívoca. Quem trabalha com a seriedade que ele põe no que faz, só pode atingir bons resultados. E Camacho representa algo perante os sócios do Benfica. É verdade que quer mais e mais para o clube e às vezes isso não é possível; mas, pelo menos, não lhe estamos a tirar o que já tem e a cada dia que passa somos mais fortes.
— Simão renovou o contrato. Quem se segue?
— Na altura própria se saberá. Ninguém sonhava que o Simão ia renovar... Para nós, o importante é saber se o jogador sente a camisola e quer continuar no Benfica.. Quem estiver no nosso clube com o pensamento de sair para o estrangeiro, não serve e não está bem.
— O Benfica, que não tem capacidade para comprar no primeiro mercado, vai continuar a apostar em soluções imaginativas, nomeadamente empréstimos, para reforçar a equipa?
— Temos o centro de estágio em construção, o que indica que faz parte do nosso programa um investimento muito grande na formação. Mas não deixaremos de estar atentos ao mercado, numa óptica selectiva. Vamos ser muito cuidadosos nas aquisições. Sei que cometemos alguns erros, mas é preciso ver a conjuntura em que nos encontrávamos. O clube estava desmotivado e quando falei da equipa-maravilha recebi muitas críticas, mas os sócios do Benfica acreditaram e a média de espectadores aumentou imenso. E aquilo que sempre disse está a verificar-se, ou seja, que íamos ser cada vez mais competitivos e que procuraríamos criar um núcleo duro cada vez mais identificado com a instituição. Hoje, dentro do balneário, uma derrota e sinónimo de grande sofrimento.
— Há um regresso da mística?
— Só a voltaremos a ter se mantivermos uma estrutura estável. Temos de ter jogadores com seis e sete anos de clube que passem a mensagem aos mais novos.

Lutar pelo título

—Se o Benfica não se qualificar para a Liga dos Campeões isso será uma grande derrota?
— Não. O importante é que se traçaram projectos e houve evolução. Acredito que o próximo ano é o ano do Benfica. Desde que haja sintonia, com o sucesso do empréstimo obrigacionista e do cartão de adepto, temos todas as condições para formarmos um grupo capaz de nos dar a grande alegria que ambicionamos há alguns anos de termos o Benfica campeão. Este objectivo não se consegue apenas com um ou outro jogador. É preciso acompanhar e motivar diariamente o grupo. Na próxima época temos todas as condições de concretizarmos o sonho de todos os benfiquistas e de sermos mais do que candidatos ao título.
— Com mais jogadores portugueses ou mais estrangeiros?
— Com aqueles que vierem enriquecer de facto o plantel. Sem complexos. Desde que venham para somar. E garanto que não é qualquer jogador que vestirá a camisola do Benfica.
— No início da época o Benfica fartou-se de falhar contratações...
— Quais? Muitas vezes é o que dizem os jornais...
— Ricardo, Júnior, Atouba, mais recentemente o Ricardinho...
— Na minha óptica não houve contratações falhadas. Porque, nesses momentos, nunca abdiquei de certos princípios que defendo. No caso do Ricardo fomos muito correctos como Boavista. A seguir, a opção de não vir para o Benfica foi do jogador. Ele seguiu a vida dele e nós a nossa. O Moreira deu provas de valor, está de pedra e cal e nós estamos muito satisfeitos com ele. Mas já me habituei, a propósito de contratações, a que determinadas pessoas nos ofereçam jogadores e que os nomes apareçam, um dia ou dois depois, nos jornais. Usam-nos apenas para valorizarem os jogadores. Também nesse aspecto temos aprendido bastante.

— Estava no vosso pensamento reforçar mais a equipa no mercado de Inverno?
— Assumi um compromisso com o plantel do Benfica e nunca os trairia. Porque acredito no valor dos nossos jogadores. Se tivesse havido uma lesão grave, ou então uma daquelas propostas do outro mundo, teríamos pensado nisso. Assim, não fomos à procura.
— Mas o plantel continua a ser curto e desequilibrado e isso nota-se cada vez que aparecem lesões...
— O grupo cresceu e há jogadores que evoluíram muito. Mas admito que será preciso realizar alguns reajustamentos.
— É possível chegar à final da taça UEFA?
— Eu acredito que sim. Mal de mim se não acreditasse neste grupo de trabalho.
— O caso Mantorras é, para si, sinónimo de uma grande mágoa?
— Custa-me. Mas o Mantorras vai ser uma realidade. E, se calhar, teremos, em breve, alguma surpresa.
— Continua a acompanhar muito de perto o sofrimento do Mantorras?
— Para dar uma pequena ideia, digo-lhe que o Mantorras passou a viver numa casa muito perto de mim.

Como é dirigir o Benfica

— Ao longo do tempo que já tem de Benfica, primeiro como gestor do futebol e depois como Presidente, viu os sócios e adeptos sempre solidários coma equipa, ou percebeu movimentações críticas, susceptíveis de travar o desenvolvimento do clube?
— Não vejo o Benfica apenas como uma equipa de futebol. Vejo a instituição, como elemento fundamental e depois, num plano inferior, várias empresas, uma das quais a SAD do futebol, que tem, sem dúvida, uma grande importância na consolidação de todo o projecto. Quanto ao que se diz ou deixa de dizer, tenho uma certeza: não podemos cair no ridículo de todos os anos mudarmos de treinador e esse treinador arrastar nove ou dez jogadores. Não é essa a nossa estratégia. A visão que temos para todas as empresas do universo Benfica passa pela profissionalização, pela estabilidade, competência e responsabilização. No caso do futebol, estamos a fazer o que prometemos durante a campanha eleitoral. Manteremos os principais activos, que serão a base para fazer o Benfica reviver o seu passado glorioso.
— É possível construir o sucesso no Benfica, sem que se parta do sucesso da equipa de futebol? Ou seja, em jeito de caricatura, haverá alguém disponível para comprar uma camisola de um clube perdedor?
— O futebol é a mola real do projecto. E, neste momento, ainda é o futebol a alimentar a instituição. Mas a capacidade de construirmos uma equipa forte, capaz de alavancar todo o projecto, passa pela disponibilidade dos sócios e simpatizantes do Benfica. Que ninguém pense que haverá mecenas no Benfica. O clube vale pela sua marca, pela história da instituição e pela legitimidade que a sua Direcção, sufragada por 90 por cento dos votantes, possui. E na altura em que lançarmos o cartão do benfiquista, esperamos que todos venham a aderir. Da mesma forma que vai acontecer com o empréstimo obrigacionista.
— Mas, então, necessitam tornar o projecto empresarial de alguma forma blindado quanto à bola que entra ou vai ao lado?
— Tudo dependerá, sempre, em boa medida, do aspecto desportivo, mas é preciso criar mecanismos que limitem essa dependência.
— Com a adesão dos benfiquistas aos projectos da Direcção isso acontecerá?
— Sem dúvida. O cartão do benfiquista, que será lançado em breve, visa não apenas os sócios e adeptos que vão ao futebol, mas um universo mais largo. Há quem me acuse de ser megalómano, mas quando se pensa num projecto sério, que tem por base a maior instituição portuguesa, tem de se ser ambicioso e procurar trazer para o seio do clube o maior número possível de adeptos.
— Que passos estão a ser dados para colocar de pé esse projecto?
— O primeiro, que está a correr, é o empréstimo obrigacionista; o segundo passa pelo lançamento do cartão, que tudo leva a crer será activado em finais de Maio; depois, passa pela profissionalização de todas as áreas de negócios do Benfica, de forma a potenciar o rigor da gestão, libertando o presidente do clube para estar mais perto das comunidades benfiquistas, em Portugal e por esse mundo fora. É minha convicção que a nossa instituição possui condições para se tornar um caso ímpar a nível mundial.
— Já encontrou as pessoas certas para preencher os lugares nas várias empresas do Benfica?
— Nunca farei nada, no clube, sem que a Direcção esteja solidária. Quanto à profissionalização, não há dúvidas de que esse é o caminho a seguir. Os nomes, a seu tempo, serão apresentados, discutidos e, por fim, tornados públicos. Mas os benfiquistas podem estar certos de que vamos profissionalizar, modernizar, planear e credibilizar, enquadrando tudo numa filosofia empresarial. Acabou o tempo emque as pessoas serviam o Benfica e também se serviam do Benfica para criar protagonismo.

O «caso» Fonseca Santos

— A Direcção já está novamente solidária, após o solavanco dado por Fonseca Santos?
— Sejamos claros. Escreveu-se muito em torno de Fonseca Santos e quero deixar bem claro que não há, nem houve, divergências entre nós. Provavelmente, todo o alarido provocado só serviu para reforçar a nossa união. Aliás, pela distribuição das administrações das empresas, percebe-se que as pessoas comungam das mesmas ideias. Concretamente em relação a Fonseca Santos, temos uma relação fabulosa há muitos anos, ajudou-me a resolver alguns problemas , está normalmente, perto de mim, colaborando em todas as decisões. Tudo o que foi escrito e muitas vezes empolado vale o que vale. Importante é que toda a Direcção sabe quem é o presidente do Benfica. Mas vou mais longe. É muito difícil, mas muito difícil mesmo, que alguém, algum dia, consiga arranjar um problema entre o Luís Filipe Vieira e o Fonseca Santos, ou entre mim e o resto dos Órgãos Sociais do Benfica. Sei do que sou capaz, até onde posso ir, com quem conto e, curiosamente, o Benfica não teve, nos últimos anos, uma Direcção tão complementar quanto esta. Se isto preocupa algumas pessoas, deixo um conselho: não vão por aí, que não conseguem... Mas digo mais, para que não venham especular: o dr. Fonseca Santos vai estar fora do País em missão de grande importância para o Benfica e estará ausente do jantar de aniversário (ontem à noite, no Estoril, n.d.r.) e do jogo com o Moreirense, na Luz. Que fique já clara a situação para que não venham, depois, criar conflitos onde eles não existem. Repito que está a cumprir missão fundamental para a vida da instituição.
— Vai alargar o Conselho de Administração da SAD do futebol de 3 para 5 membros?
— Primeiro, vou falar com a Direcção.
— Mas tem ideias definidas?
— Tenho ideias muito claras. Haverá, brevemente, mudanças nas estruturas do Benfica, especialmente nas áreas de negócios. Profissionalizar e responsabilizar, eis o lema.
— Depois da recomposição da estrutura vai afastar-se da condução directa do futebol?
— Independentemente das reestruturações nunca abdicarei de que seja a administração da SAD do futebol a definir a contratação ou a venda de um jogador. Porém, em algumas situações, nomeadamente operações-relâmpago, terei de decidir por mim, se avaliar que se trata de uma boa oportunidade para o Benfica.
— Os benfiquistas causam mais problemas à Direcção do Benfica que os não-benfiquistas?
— Vamos ver... eu ando na rua todos os dias e ainda não ganhei nada no Benfica; e sei o que represento para os sócios e como eles falam comigo. Há sintonia. O que falta é haver mais unidade em torno de uma Direcção que foi eleita por 90 por cento dos votos, mesmo que esta possa cometer um erro ou outro. Agora, os benfiquistas podem estar certos de que elegeram um grupo de pessoas que defenderá o clube até às últimas consequências, dentro de parâmetros de rigor e transparência. O Benfica, nestes últimos três anos, evoluiu bastante; o que era e o que é, são duas realidades completamente diferentes. O passivo, por exemplo. Hoje está identificado porque está no sistema financeiro e não em off-shores ou contas marginais E as pessoas têm de ter a noção exacta de que a recuperação completa da instituição só poderá ser feita como concurso de todos os benfiquistas. Nós não podemos, como alguns sustentam, vender os melhores jogadores e apostar apenas nos jovens. Costumo dizer, como caricatura, que isso levaria a que o passivo ainda aumentasse, porque deixaríamos de gerar receitas.

O empréstimo obrigacionista

— Relativamente a algumas questões específicas, gostávamos de fazer o ponto da situação: empréstimo obrigacionista...
— Em primeiro lugar e com a maior transparência, digo que lançamos o empréstimo porque precisamos do dinheiro. Estou convencido de que teremos um sucesso a 100 por cento, para o montante previsto de 15 milhões de euros. Há situações de curto prazo que queremos passar para o longo prazo, aliás uma operação a que Sporting e FC Porto já recorreram, precisamos de injectar dinheiro na tesouraria e reestruturar o passivo bancário. No âmbito do centenário do Benfica, e para apresentar todas as acções, incluindo as de natureza financeira, nomeadamente o empréstimo obrigacionista que, em Portugal, estão a ser levadas a cabo, estarei nos Estados Unidos e Canadá em Março, junto das comunidades lusitanas.
— Casas do Benfica...
— Foi A BOLA que disse que as Casas do Benfica devem ser o braço armado do clube e a sua presença na comemoração do centenário será visível. É fundamental que o vínculo dos benfiquistas não seja apenas a esta ou àquela Casa, mas também à instituição. Não me parece normal que os simpatizantes estejam filiados nas Casas e não sejam sócios do Benfica. Em termos estatutários, creio que, após debate, há larga margem de manobra. Desejo, também, informatizar todas as casas do Benfica e colocá-las em rede, no sentido de aproximar o clube aos adeptos.

Futebol, espectáculo para as famílias

— Gostou do exemplo de fair-play que foi o Benfica-FC Porto?
— Todos os intervenientes naquele espectáculo estão de parabéns. Inclusivamente, as claques do Benfica e do FC Porto deram o verdadeiro exemplo do que deve ser a sua o espectáculo num estádio de futebol. Já no jogo com a Académica o comportamento do público foi excepcional, embora, nessa noite, houvesse associada uma carga emocional muito grande.
— Os dirigentes devem, ao longo da semana, por acção ou por omissão, dar o exemplo e criar condições para um bom espectáculo?
— Os dirigentes têm de defender a indústria e ajudar o espectáculo. Há todas as condições para, em prol do futebol, nos sentarmos a uma mesa e definitivamente resolvermos o que há para resolver. O futebol tem de ser abordado de forma séria, é preciso dialogar ...
— E isso é possível, com o presidente do FC Porto, com o presidente do Sporting? Está a lançar um desafio?
— É possível. Só se as pessoas não estiverem de boa fé... se houver quem entenda que vale a pena ganhar a qualquer preço, então não terá lugar. O futebol é um espectáculo que é a paixão do nosso povo e temos de lhe dar credibilidade, embora saibamos que a arbitragem será sempre complicada, que haverá erros. O que é preciso é dar aos árbitros as melhores condições possíveis...
— Defende a autonomia do sector da arbitragem?
— Claramente. E demos o primeiro passo nesse sentido aquando da eleição do major Valentim Loureiro. Não acredito em sorteios e creio que a arbitragem deve ser completamente autónoma, com um responsável de corpo inteiro. O que acordámos, quanto à Liga, foi que seria a APAF a indicar o presidente da Comissão de Arbitragem.

Com convicção, sem arrependimento
— Não está arrependido da aventura em que se meteu no Benfica?
— Nunca me arrependo. Deram-me uma grande responsabilidade e espero estar à altura. Não vou esconder aos benfiquistas que os últimos dois anos me desgastaram um pouco e que tenho mais três à minha espera. Porém, as pessoas que foram escolhidas para os órgãos sociais do clube não vão desiludir os sócios e simpatizantes.
— O momento de maior alegria que viveu no Benfica foi a inauguração do estádio?
— Foi um momento importantíssimo da história do Benfica. Mas eu manifesto as minhas alegrias para dentro, no silêncio. Ninguém me vê gritar num golo, nem do Benfica...
— E manda em tudo, no Benfica?
— Creio que se toda a estrutura que temos prevista para o Benfica for implementada rapidamente e eu não for solicitado a cada minuto para todas as soluções o clube me pode aproveitar naquilo em que posso ser muito útil, ou seja, na estratégia e na proximidade aos adeptos.
— O Luís Filipe Vieira é um controlador nato, como dizem?
— Se eu tivesse esse defeito não tinha tempo para estar no Benfica. Se não descentralizasse nas minhas empresas, não podia ser presidente do Benfica. Ora, é uma organização desse tipo que quero, para que o Benfica nunca fique dependente de um presidente.

Aconselhei Simão como um pai

— Fala muito com os jogadores?
— Dou um exemplo: na renovação de Simão, aconselhei-o como um pai, mostrando-lhe o que era aliciante para ele e para a sua família e, ao mesmo tempo, para a nossa instituição. Se calhar, no dia em que negociei com o Simão, falei mais como um pai do que como presidente do Benfica. Mas há outros casos de jogadores que falaram directamente comigo e que aconselhei mais como amigo do que como presidente. Daí, provavelmente, a grande sintonia existente entre mim e os jogadores.
— A sua presença no treino após a derrota com o Nacional insere-se nessa linha de acompanhamento?
— Há momentos especiais e apesar de os jogadores saberem que estou sempre com eles, a minha presença por vezes é importante. Para o clube, para os adeptos, julgo que também se trata de uma mensagem de solidariedade positiva.
— Como é conviver comum Director de Comunicação que não é benfiquista?
–– Num projecto desta natureza, a única coisa importante é a competência e o profissionalismo. Se alguma vez mudar esta posição, é sinal que alguma coisa vai mal e me tornei permeável a recados. Sou incapaz de coabitar com a incompetência.
— Há lugar para José Veiga num futuro projecto empresarial do Benfica?
— Não vou personalizar. Tenho ideias definidas em relação ao clube e às suas participadas. Vou aprofundar a questão na próxima reunião de Direcção.
— Quem são as pessoas?
— Brevemente se saberá.
— Mas quando? Até ao final da época tudo ficará definido?
— Antes disso; até ao final do mês de Março.

Sete presidentes e um rei
FORAM e são referências de um clube que ao longo dos seus 100 anos se habituou a conviver com as vitórias e as derrotas, alegrias imensas, algumas tristezas. Foram eles que conheceram algumas das mais graves crises directivas. Tudo isto faz parte da história do Benfica. Tudo isto está nos ombros de ex-presidentes como Ferreira Queimado, Fernando Martins , João Santos, Jorge de Brito, Manuel Damásio e Manuel Vilarinho.

Luís Filipe Vieira é o homem que procura agora imitar as alegrias e evitar as tristezas. A BOLA juntou-os durante a semana que antecede o centenário para, todos unidos, recordarem um pedaço da história do emblema que usam na lapela. Aos presidentes juntámos o rei, o maior futebolista português de sempre: Eusébio da Silva Ferreira.

25 anos de presidência

Foi um encontro a que ninguém quis faltar, todos se associaram com orgulho à iniciativa do nosso jornal. João Santos era aquele que à partida maiores reservas poderia colocar face ao seu debilitado estado de saúde. Há dois anos foi vítima de um AVC, ficou paralisado do lado direito e com os médicos a dizerem-lhe que nada mais havia a fazer. Não desistiu, procurou medicinas alternativas e hoje está quase completamente recuperado. Anda pelo seu pé, embora tenha surgido acompanhado de um enfermeiro particular: uma gripe atirou-o novamente para a cama. «Estive três dias sem sair de casa e foi como se tivesse perdido três meses de tratamento. » Ferreira Queimado, o decano dos dirigentes, o primeiro a chegar ao Hotel Altis, o local da reunião, já não tem a visão de outrora, mas fez questão marcar presença para brindar ao Benfica, aos 100 anos. À hora marcada, todos os convidados presentes. Luís Filipe Vieira encontrou um intervalo na sua preenchida agenda para conviver com aqueles que , como destacou depois, se habituou a «admirar» através dos jornais. Bem disposto, com um monte de fotografias debaixo do braço chegou Jorge de Brito. «São para oferecer ». Eram fotografias da maior enchente de sempre do Estádio da Luz, de jogadores que conquistaram títulos atrás de títulos, algumas recolhidas pela objectiva de Nuno Ferrari, fotógrafo eternamente recordado desta casa. Todos juntos como poucas vezes foi possível vê-los. Fizeram-se contas: «Estão aqui representados 25 anos de presidência do Benfica, um quarto de século.» Bonita soma, sem dúvida.

Cabelos brancos e abraços sentidos

João Santos foi um dos últimos a chegar. Mal entra na sala, Jorge de Brito abre os braços e surge um comovido abraço. Nota-se o brilho nos olhos de ambos. Mais tarde, após o almoço, trocaram elogios ao trabalho desenvolvido por ambos na Luz. João Santos foi mesmo o mais incisivo, ao garantir que muito poucos «se aperceberam do valioso contributo que Jorge de Brito deu ao Benfica», explicando que «foi sempre um homem disponível para ajudar, investiu muito dinheiro naquele clube, poucos terão percebido as suas boas acções. » Caloroso foi também o abraço entre Fernando Martins e João Santos. Bem disposto estava Manuel Damásio, que ostenta os dois últimos títulos (Campeonato e Taça): «Vejam lá as dores de cabeça que o Benfica dá, foram tantas as dores de cabeça que os cabelos brancos floresceram. Repare-se em Luís Filipe Vieira, não tinha um cabelo branco quando chegou... ».

Cem anos, cem velas

O almoço (só Vilarinho apostou na carne) decorreu em franca cordialidade, relembrando episódios mais ou menos conhecidos, mais ou menos secretos. Com bastantes recomendações para Luís Filipe Vieira... que fez questão de as anotar, quiçá para mais tarde colocar em prática. E eis que chega o momento de apagar as velas, tantas como os anos de vida do Benfica. Serviu-se champanhe , brindou-se aos êxitos . Aos que passaram e aos que estão para chegar.

Seis ilustres papoilas na máquina do tempo
ESTAVA um final de manhã de domingo chuvoso aquele em que fomos ao encontro de seis das maiores glórias de sempre do futebol benfiquista. Nomes que não carregam o mediatismo de Eusébio, Simões, Coluna ou Águas mas ajudaram o clube a crescer dentro e fora de portas. Falamos de Julinho, Rogério pipi, Bastos e Rosário (quarteto que esteve na conquista da Taça Latina), Artur Santos (marcou presença na conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus) e Espírito Santo (a mais antiga de todas as glórias do Benfica).

O Convento do Beato foi o ponto de referência para nos encontrarmos. Foi Rogério quem nos indicou o nome do restaurante, pertença de um amigo seu de infância, onde iríamos aconchegar o estômago enquanto revíamos os golos de Rogério e Julinho, as defesas de Bastos ou a classe de Espírito Santo a percorrer o campo. Cavalo Branco, uma leitaria com 72 anos de existência, era nosso destino. Aí chegados depressa nos apercebemos da sensação de estarmos a recuar várias décadas, de entrarmos numa máquina do tempo que nos levaria até aos dias em que aqueles homens que estavam à nossa frente deslumbravam plateias, faziam os miúdos sonhar, ganhavam jogos e marcavam golos que muitos anos depois haviam de ser recordados. Homens que agora comemoram o centenário do clube como se do seu próprio centenário se tratasse.

Ó tempo, volta pra trás!

O senhor Armando, filho de um ferrador que deu nome à leitaria, dá as boas-vindas ao grupo. Rogério, Espírito Santo e Rosário são os primeiros a chegar. É certo que a idade lhes retirou a frescura física de outrora mas as feições não mudaram radicalmente. Guilherme Espírito Santo (de quem Peyroteo disse um dia:«É muito melhor jogador que eu») é o decano dos jogadores do Benfica. Nasceu em Luanda no final de Outubro de 1919... um mês e poucos dias antes de Julinho. Quando viu a luz do sol pela primeira vez o Benfica comemorava 15 anos de existência. Com 84 anos, mantém-se no peso ideal, nota-se que ainda pratica algum exercício e continua perfeitamente lúcido apesar de a memória já lhe pregar algumas partidas. Rogério, aquele a quem chamavam pipi pelo seu jeito elegante de vestir e de andar, pela forma eloquente como marcava cada golo, e foram muitos, faz ainda jus ao nome: Aos 81 anos o cabelo já lhe falta mas consegue manter um penteado bem composto e continua a andar todo aperaltado. Rosário, um dos avançados que integraram os cinco diabos vermelhos, está também em muito boa forma. E eis que chegam os restantes convidados: Artur Santos, Bastos e Julinho. Este último é, a seguir a Espírito Santo, o mais idoso, com poucos dias de diferença, mas o seu espírito conserva-o como se tivesse a mesma idade do dia em que marcou o golo na final da Taça Latina, concedendo ao Benfica o primeiro grande troféu internacional do seu historial. Ao seu lado, José Bastos, o guarda-redes dessa final e o mais novo guardião a chegar à titularidade da baliza benfiquista, apresenta-se todo de preto, afinal a cor preferida dos equipamentos de um guarda-redes que se preze. Artur é o mais novo, os restantes tratam-no por miúdo.

Em África 18 jogos em 40 dias

Avançamos sem restrições para o bacalhau com grão e feijoada à brasileira. Enquanto a comida chega e não chega circulam estórias fantásticas, contadas na primeira pessoa, acompanhadas por azeitonas, torresmos, regados por tinto e branco do lote, especialidade da casa, a condizer com o modesto restaurante de Marvila. Recordam-se companheiros de balneário, aventuras e desventuras a caminho dos campos de treino, realizados apenas duas vezes por semana, falando sobre o companheirismo existente no grupo, muito diferente do que acontece actualmente: «Antes terminava-mos os treinos e íamos todos para a tasca mais próxima. » Julinho toma conta da mesa e conta aventuras umas atrás das outras. Recorda que em Guimarães e em Braga, para tomar banho no final dos jogos, «era preciso ir ao poço, encher o balde e despejá-lo cabeça abaixo».Fala como se tivesse acabado de chegar da longa digressão por África (40 dias, 18 jogos), das escapadelas dos hotéis para os bailes, das partidas que se faziam nos quartos dos companheiros... e até do treinador, Ted Smith: «Ele gostava de beber uns copos... Um dia, estávamos na Madeira, pusemos um boneco de trapos sentado numa cadeira do quarto dele, quando estava a entrar assustou-se porque pensou que se tinha enganado na porta. Só depois percebeu que era mesmo aquele e, como lhe tínhamos desmanchado a cama toda, acabou por ir dormir para a banheira.» «Bom, se calhar para a próxima é melhor vocês convidarem só o Julinho, ele fala por todos», atira Bastos. O visado não acusa o toque e continua a desfiar memórias. Espírito Santo faz de moderador, interrompe a palavra, concede-a a outro companheiro, para poder ser ouvido. Estamos numa verdadeira máquina do tempo. Eis que surge um pequeno foco de polémica: serão os cinco diabos vermelhos (Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Mário Rui e Rogério) anteriores aos cinco violinos do Sporting? Julinho garante que sim, faz finca-pé disso mesmo, os restantes colocam restrições. Fazem-se contas de cabeça e, afinal, o autor do golo na final da Taça Latina tinha mesmo razão. «Ninguém diria que com esta idade ele tivesse uma memória tão impressionante, recorda-se de tudo», sorri Rogério.

As camisolas ... berrantes

Para a sobremesa reservámos pequena surpresa. Colocámos os nomes e números dos nossos convidados nas camisolas oficiais do centenário do Benfica. Espírito Santo, com um brilho nos olhos, garantiu que não guardou «uma meia que fosse» daquele tempo, no que foi secundado por Rosário. Todos as vestiram, saíram do restaurante com elas. Pareciam autênticas papoilas saltitantes, preparadas para entrar outra vez em acção estimuladas pelos acordes do eterno hino de Luís Piçarra.

Tiago obriga a mudar
JOSÉ ANTÓNIO CAMACHO terá novamente de mexer na equipa titular. Tiago somou cinco cartões amarelos e tem de cumprir castigo no jogo de amanhã, frente ao Moreirense. Fernando Aguiar é o substituto lógico, mas é possível que o jovem Manuel Fernandes possa ter uma oportunidade.

É um dos jogadores mais regulares da equipa e muito importante na estratégia do treinador espanhol, mas amanhã Tiago apenas na bancada e como apoiante poderá participar no jogo com o Moreirense. O médio completou um lote de cinco cartões amarelos e terá de cumprir castigo disciplinar. Camacho tem novamente de mexer no onze. A opção mais lógica para fazer dupla no meio-campo com Petit será Fernando Aguiar. Foi neste jogador que o treinador apostou várias vezes e é provável que seja novamente ele o eleito para jogar de início. Todavia, mais um nome surge como alternativa a Tiago: o do jovem Manuel Fernandes. Na quinta-feira passada o jogador viveu um momento inesquecível na sua ainda curta carreira, estreou-se pelo Benfica nas competições europeias, frente ao Rosenborg, na Taça UEFA. Amanhã pode ter a oportunidade de jogar mais minutos na SuperLiga, porque já entrou em campo, mas apenas por escassos minutos. O jovem têm mostrado qualidade nos treinos — capacidade defensiva e criatividade no ataque — e deixa água na boca aos adeptos, pelo que até pode confirmar os créditos já neste fim-de-semana, na recepção ao Moreirense. No treino de ontem foram poupados vários jogadores e outros trabalharam com limitações, pelo que ainda não foi possível ter uma ideia mais concreta de quem Camacho irá escolher para substituir Tiago.

Mais jogadores em risco de suspensão

O plantel benfiquista tem, neste momento, três jogadores em risco de suspensão. Armando — que vem sendo utilizado como lateral-esquerdo—e os defesas Hélder e Argel. Este último é um caso digno de registo, pois tem quatro cartões amarelos há seis jornadas. Ou seja: desde a primeira volta que o defesa-central brasileiro joga em cima da linha e à beira da suspensão. O caso torna-se ainda mais fantástico porque joga na defesa e tem mais probabilidades de cometer falta.

Recuperado e mortífero
DEPOIS de falhar os encontros com Nacional e Rosenborg, Tomo Sokota vai regressar à competição frente ao Moreirense. O ponta-de-lança croata voltou a trabalhar com os companheiros, não sentiu dores e está praticamente a cem por cento, apesar da precaução ainda a ter em conta. Cheio de vontade em voltar a jogar e marcar, esteve simplesmente fantástico no treino de ontem. Os guarda-redes que se cuidem.

A recuperação da entorse no tornozelo esquerdo, contraída frente ao FC Porto, demorou um pouco mais do que inicialmente se previa, mas aí está Tomo Sokota. No regresso da equipa ao trabalho, depois da vitória sobre o Rosenborg, o croata trabalhou sem qualquer tipo de limitações e não se ressentiu. A ressonância magnética realizada antes do encontro com o Nacional acusou um derrame na zona afectada, situação merecedora de cautela, mas, quase uma semana volvida, Sokota já se apresenta sem dores e praticamente a cem por cento. É dado adquirido que o camisola 25 será convocado para a recepção ao Moreirense, sendo para já prematura qualquer previsão sobre o estatuto. Ou seja, Camacho pode optar por poupar o ponta- de-lança, guardando-o no banco e lançando-o depois, ou, ao invés, apostar logo de início na técnica, força e capacidade de concretização de Sokota. Uma coisa é certa, o croata está recuperado e cheio de vontade. No treino de ontem, no Estádio da Luz, uma palavra apenas para caracterizar a sua prestação: fantástica. Numa sessão que incidiu quase exclusivamente na finalização, Sokota esteve mortífero. Cabeça, pé direito ou pé esquerdo, a bola parou invariavelmente no fundo das redes defendidas por Bossio e Zach Thorton. Uma eficácia e um instinto goleador notáveis. Até nos lances de um contra um demonstrou os seus apurados recursos técnicos. Salta à vista que o segundo melhor marcador da equipa na SuperLiga, atrás de Simão, atravessa um excepcional momento de forma que nem a recente lesão foi capaz de suster. E quando assim é, os remates parece que têm olhinhos...

Sokota e Nuno Gomes?

Sokota tem sido uma peça fundamental da equipa de José Antonio Camacho, ao longo da época, e Nuno Gomes (ainda à procura da melhor forma) não conseguiu fazer esquecer o companheiro nos últimos dois encontros. Os dois complementam-se muito bem e Camacho espera apenas o momento certo para voltar a colocar em acção uma dupla temível. Será já amanhã, frente ao Moreirense, que a dupla volta?

Mantorras deixou as canadianas
PEDRO MANTORRAS iniciou na quinta-feira uma nova e importante fase da sua recuperação: deixou as canadianas e já está autorizado a fazer esforço. Na próxima sexta-feira volta a Barcelona para fazer novo exame ao joelho direito.

Quando fez a terceira operação ao joelho direito, há menos de um mês, o ponta-de-lança angolano deixou no ar a promessa de que voltaria a competir ainda antes do final desta época. Está empenhado em concretizar este cenário e na passada quinta-feira deu mais um importante passo nesse sentido. Mantorras deixou as canadianas que o auxiliavam a andar e, assim sendo, já está autorizado a fazer esforço intenso e passa ao trabalho de fisioterapia e fortalecimento dos músculos. Recorde-se que no dia 25 deste mês o jogador completou dois anos desde que pela primeira vez foi operado ao joelho direito. Desde então já se passaram três operações provocadas pela mesma lesão no menisco e muitos meses de lenta e dolorosa recuperação. Os clínicos benfiquistas acreditam que Mantorras vai recuperar totalmente e que poderá voltar, em breve, a entusiasmar os adeptos benfiquistas. Aconselham, contudo, muita calma e paciência no processo de recuperação, que terá de ser segmentado e muito paciente, de forma a não se cometerem erros.

Na próxima semana volta a Barcelona

Mantorras vai voltar a Barcelona, na próxima sexta-feira, para ser observado pelo médico espanhol Ramón Cugat. Este clínico tem tratado o jogador nos últimos meses, injectando factores de fortalecimento no seu joelho, mais concretamente na cartilagem que envolve o menisco. Foi Cugat quem aconselhou a última operação a Mantorras, de forma a limpar o joelho de pequenas partículas que poderiam causar inflamação. As declarações do médico espanhol estão em sintonia com as do atleta e também com as dos médicos do departamento benfiquista. Pedro Mantorras começará em breve a trabalhar com os fisioterapeutas do clube e a próxima fase será o regresso ao relvado para efectuar corrida, já em contacto com os companheiros de plantel.



sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Sokota sem limitações

O avançado croata Tomo Sokota trabalhou sem qualquer limitação na sessão de treino desta manhã do plantel do Benfica, mostrando-se assim apto para regressar às opções do técnico José Antonio Camacho após dois jogos de ausência.

Na manhã após a vitória frente aos noruegueses do Rosenborg, Camacho dividiu o plantel para uma sessão ligeira. Os titulares de ontem e João Pereira limitaram-se a fazer corrida e alguns exercícios, enquanto o restante plantel cumpriu a sessão normal, na qual se pôde constatar a total integração de Sokota.

Já o defesa-central Luisão esteve no relvado, mas limitou-se a fazer corrida, complementada com tratamento. Mantorras e Cristiano foram as ausências notadas, numa sessão que se iniciou com uma fotografia para comemorar o centenário do clube.

Apesar do dia de festa, amanhã o plantel volta a trabalhar pelas 10 horas, em Odivelas, naquela que será a última sessão de treino antes da recepção ao Moreirense, aprazada para domingo (19 horas).




«Dívidas ao fisco totalmente liquidadas», garante presidente do conselho fiscal

A dívida do Benfica ao fisco está totalmente sanada. Depois de grande parte da verba ter sido abatida durante o mandato anterior, o actual presidente do Conselho fiscal do clube, Valter Marques, garante que só agora a dívida ficou totalmente resolvida.

«O Benfica realizou uma das mais importantes operações para se dignificar. Para além de ter alienado alguns activos recorrendo ao crédito, conseguiu liquidar totalmente as dívidas ao fisco e colocar-se numa posição legal completa», revelou Valter Marques à Renascença, mostrando-se ainda satisfeito com este passo, até porque «é extremamente importante para as relações do clube com o Estado, com os municípios e com as empresas públicas.»

O presidente do Conselho Fiscal do Benfica garante ainda que «vários contenciosos e processos judiciais também foram resolvidos ainda no decorrer da anterior gestão, mas completados já pela actual».

Ainda assim, Valter Marques refere que a emissão de obrigações no valor máximo de 15 milhões de euros a acontecer em Março deverá «limpar situações passadas de endividamento, que ainda não são poucas».




Centenário do Benfica: as 100 velas serão esta noite apagadas

O Casino do Estoril vai ser hoje palco do Jantar de Gala que lançará a comemoração do Centenário do Benfica, clube que às 00:00 de sábado «apagará» as 100 velas, com a ajuda de Eusébio e Guilherme Espírito Santo.

O «Pantera Negra» e o presidente honorário do Centenário vão juntar-se no palco do Casino do Estoril aos presidentes dos órgãos sociais do clube, Luís Filipe Vieira (Direcção), Tinoco Faria (Assembleia Geral) e Valter Marques (Conselho Fiscal) para apagar as 100 velas de um bolo gigante de aniversário.

Depois dos discursos de Luís Filipe Vieira e Tinoco Faria, será a vez de Eusébio entregar formalmente a Guilherme Espírito Santo, que representou o Benfica no futebol, atletismo e ténis, o título de presidente honorário do Centenário.

Este Jantar de Gala assinala o arranque oficial das comemorações dos 100 anos do Benfica, que no fim-de-semana terão como pontos mais altos a inauguração oficial do Pavilhão N.º 1 do novo Estádio da Luz (sábado) e o jogo Benfica-Moreirense (domingo), da 24.ª jornada da SuperLiga de futebol, que encerrará com um espectáculo de fogo de artifício.




JOSÉ ANTÓNIO CAMACHO (treinador do Benfica)
Camacho queria mais
O treinador do Benfica ficou satisfeitíssimo com o rendimento da sua equipa na segunda parte do jogo com o Rosenborg. José Antonio Camacho lamenta apenas que os seus jogadores não tenham aproveitado «as oportunidades que tiveram para construírem um resultado mais confortável», mas garante que «é bem melhor vencer por 1-0 do que por 3-1». Afinal, «o importante era não sofrer qualquer golo».

José Antonio Camacho tinha avisado na véspera que ninguém poderia esperar que o jogo com o Rosenborg tivesse muito golos. Ontem, referiu que «o Benfica perdeu uma excelente oportunidade de sentenciar a eliminatória já em Lisboa, tantas foram as oportunidade de golo que conseguiu criar». Visivelmente satisfeito com a resposta dos seus jogadores, o espanhol referiu ainda que «este resultado é curto se se olhar para a exibição do Benfica», mas que na Noruega os encarnados muito dificilmente se deixarão surpreender: «Temos todas as condições para marcarmos no segundo jogo. Para que o nosso adversário passe à eliminatória seguinte tem demarcar por duas vezes e não sofrer qualquer tento e sabemos que frente ao Benfica isso é muito complicado.» E fica também a garantia de que o Benfica não está a pensar em remeter-se à defesa em Trondheim: «Esta equipa não sabe entrar em campo somente para defender. Quando tivermos a bola vamos fazer o nosso jogo e procurar o golo. Que ninguém tenha dúvidas quanto a isso.» A receita parece passar pela atitude que o Benfica teve no segundo tempo. «Na primeira parte ainda demos ao nosso adversário demasiado espaço, mas na segunda entendemos muito bem o jogo, não deixámos o nosso adversário pensar e só não resolvemos tudo mais cedo porque tivemos a infelicidade de não aproveitar as situações que conseguimos criar», afirmou o treinador. Existe confiança no balneário do Benfica. José Antonio Camacho chega mesmo a dizer que não espera encontrar um Rosenborg sufocante na segunda-mão: «Certamente que o jogo da Noruega será mais difícil, mas não creio que eles se lancem para o ataque abertamente. É verdade que têm de arriscar mais, até porque jogam perante o seu público, mas esta equipa é sempre igual, nunca perde a compostura.» Falou-se ainda no sub-rendimento de Geovanni, com Camacho a sair em defesa do seu jogador—«por vezes um atleta não se adapta a determinado jogo, foi por isso mesmo que saiu» —, e ainda na condição física dos encarnados: «Não é fácil jogar a este ritmo durante os 90 minutos mas o Benfica tem feito isto em todos os jogos. Estão muito bem...» A terminar, Camacho falou de novo nas bolas paradas: «Os meus jogadores não estiveram mais motivados. A única diferença é que não sofremos golos em cantos ou na marcação de faltas.»

Nuno Gomes: «Benfica costuma marcar nos jogos fora de casa»

O avançado benfiquista Nuno Gomes encara com confiança o encontro da segunda mão da terceira eliminatória da Taça UEFA, agendada para a próxima quarta-feira, apesar da magra vantagem que a formação da Luz leva para a Noruega. "O Benfica gosta de jogar fora de casa. Costumamos marcar nessas situações", sublinhou o internacional português à TVI, no final da partida com o Rosenborg.

O camisola 21 das águias admitiu que "o resultado melhor seria outro", mas lamentou: "Infelizmente, não marcámos". E referiu-se, de seguida, aos nórdicos: "O Rosenborg é uma equipa fisicamente forte e que nos deu muito trabalho. Tentou controlar a partida."

Nuno Gomes, que foi substituído por Alex em cima do final da partida, comentou ainda o duelo com os defesas-centrais da formação nórdica, Riseth e Hofthun. "São dois centrais experientes. Foi difícil, mas tentei fazer o melhor", afirmou o ponta-de-lança, adiantando: "Tentámos marcar mais golos."

Nuno Gomes assusta

Nuno Gomes foi substituído já nos tempos de compensação, com queixas na coxa direita. O avançado sentiu uma dor e, por precaução, José Antonio Camacho tirou-o imediatamente da partida.

Em princípio, o problema não será grave, como confirmou o próprio treinador, posteriormente, na sala de imprensa. Contudo, após o jogador ter saído do relvado, e com o jogo ainda a decorrer, por breves instantes Camacho virou as costas à partida e dirigiu-se para Nuno Gomes, questionando-o sobre o seu estado físico. A resposta do internacional português sossegou o treinador dos encarnados, que ainda não sabe se pode contar com Sokota para o desafio de domingo, com o Moreirense.

Refira-se que a preocupação de Camacho é perfeitamente compreensível, pois Nuno Gomes recuperou recentemente de uma rotura muscular na mesma coxa. Quando o jogador começou a coxear, o espanhol não hesitou e colocou Alex no lugar de ponta-de-lança.

Melhor em Campo

TIAGO
Apesar de a entrada de João Pereira ter sido determinante para a vitória, foi na capacidade organizativa e na dimensão do jogo de Tiago que a equipa encontrou estabilidade para dominar do princípio ao fim do encontro. O médio roubou bolas, muitas bolas, e conseguiu esquematizar o jogo de forma inteligente o suficiente para que o Benfica não caísse no erro de jogar forte e feio, de forma conveniente para o adversário. Tiago foi o cérebro e ainda rematou para golo.

Golos

59 m
1-0, por Zahovic. João Pereira arranca pela direita, flectindo para o centro. O jovem extremo, que anteontem completou 20 anos, cruza rasteiro para o coração da área, na direcção de Nuno Gomes. O ponta-de-lança, de costas para a baliza, vê Zahovic e atrasa de primeira, para o remate fulminante, também de primeira, do esloveno. À quinta tentativa de meia-distância, o número 10 do Benfica enche finalmente o pé, rematando com tanta força que Espen Johnsen, apesar de ainda tocar na bola, não consegue desviar a sua trajectória.

Seis em seis
RESULTADO magro, exibição convincente, perspectivas bem animadoras. Aliás, para os amantes das estatísticas, que valem aquilo que quisermos que elas valham, podemos dizer que sempre que o Benfica ganhou por 1-0, em casa, o jogo da primeira mão, seguiu em frente na prova: aconteceu por seis vezes. Espera-se agora que, em Trondheim, na próxima quarta-feira, os homens de Camacho provem que os números, no futebol, ainda valem alguma coisa.

A estória começou a 19 de Setembro de 1973, dia em que o Benfica venceu pela primeira vez por 1-0, em casa, o jogo da primeira mão de uma competição europeia. Os encarnados receberam, na Luz, o Olympiakos e partiram para o jogo na Grécia com a vantagem de um golo. Havia dúvidas que no Pireu, em ambiente tão adverso, o jogo da segunda mão pudesse ser bastante complicado. Porém, os comandados de Fernando Cabrita venceram de novo por 1-0 e seguiram em frente. Por mais cinco vezes o Benfica terminou um jogo da primeira mão, na Luz, com vantagem idêntica. B 1903 Hellerup (1977/78), Dniepr Dnieprpetrovsk (1989/90), GKS Katowice (1993/94), Roda (1995/96) e Lokomotiv Moscovo (1996/97) foram as equipas sacrificadas. Com outro pormenor agradável para os benfiquistas: nunca perderam o jogo da segunda mão (quatro vitórias e dois empates). Assim, para quem acredita que a tradição ainda tem algum peso, fica a sugestão de que o Benfica seguirá em frente, não perdendo na Noruega, dentro de seis dias. E o seis em seis que nos serve de título desta peça passará a sete em sete.




Golo solitário de Zahovic dá vitoria ao Benfica

Um golo solitário de Zahovic deu esta noite ao Benfica a vitória sobre os noruegueses do Rosenborg, na primeira mão da terceira eliminatória da Taça UEFA, no dia em que os «encarnados» cumpriram o seu 250.º jogo europeu.

Com mais de 47 mil espectadores nas bancadas do Estádio da Luz, em Lisboa, a assistir ao último jogo do primeiro centenário do Benfica - que o clube celebra no sábado -, os pupilos de José Antonio Camacho rectificaram na segunda parte a pobre exibição dos 45 minutos iniciais, embalados pela velocidade de Miguel e João Pereira.

Perante um Rosenborg num «4x3x3» de cariz defensivo - com Basmas, Riseth, Hoftun e Stensaas à frente do guarda-redes Johnsen, um trio no meio-campo formado por Frode Johnsen, Berg e Winsnes, Storflor, Karadas e Brattbakk no ataque -, o Benfica iniciou o jogo em «4x2x3x1» e com uma defesa remodelada depois do «desastre» no Funchal.

Moreira tinha à sua frente Miguel e os regressados Argel, Ricardo Rocha e Armando, com Petit e Tiago a responsabilizarem-se pela luta no «miolo» e Geovanni, Zahovic e Simão a ficarem com a tarefa de «alimentar» o único ponta-de-lança, Nuno Gomes, completamente entregue às «torres» da defesa norueguesa.

Sem velocidade e cheio de hesitações, durante a primeira parte o futebol «encarnado» raramente procurou as faixas laterais, tornando muito fácil o trabalho da defesa do Rosenborg, apesar de os campeões noruegueses dos últimos 12 anos não esconderem a falta de ritmo provocada pela ausência de competição oficial desde 27 de Novembro.

Apesar disso, o Rosenborg confirmou que é uma equipa sólida e experiente, procurando sempre o contra-ataque pela certa e tentando explorar a principal deficiência do Benfica – o jogo aéreo da sua defesa.

O Benfica teve quase sempre o domínio do jogo, mas no primeiro tempo raramente criou problemas a Johnsen, salvo em remates de longe ou na marcação de livres, e a partir dos 20 minutos começou a ouvir-se a insatisfação dos adeptos «encarnados», perante a falta de soluções da sua equipa.

O melhor lance do Benfica na primeira parte aconteceu aos 42 minutos, num entendimento entre Simão e Armando, que ficou isolado na meia-esquerda, mas, já bem dentro da área, preferiu atirar com o pé direito... muito ao lado.

Brattbakk também teve dois lances perigosos no final da primeira parte: aos 40 minutos, obrigou Moreira a boa defesa num remate de longe; aos 45, surgiu isolado num contra-ataque, mas atirou fraco e à figura do guarda-redes da casa.

Ao intervalo, Camacho substituiu o muito assobiado Geovanni por João Pereira e o Benfica ganhou velocidade, agressividade e... um flanqueador, mas foi o Rosenborg a primeira equipa a criar perigo nos segundos 45 minutos.

Aos 47 minutos, uma corajosa saída de Moreira negou o golo ao isolado Storflor, mas o Benfica recompôs-se e Nuno Gomes falhou duas vezes o golo num minuto - primeiro viu uma emenda a um remate de Petit sair a rasar o poste, depois atirou para as mãos do guarda-redes, quando estava sobre a linha fatal na sequência de um canto.

O golo surgiu finalmente aos 60 minutos, com a interferência preciosa de Nuno Gomes, que amorteceu para a entrada da área um cruzamento de João Pereira, surgindo o esloveno Zahovic a «encher o pé» e a bater Johnsen.

Os noruegueses subiram então mais no terreno e não se cansaram de cruzar bolas por alto para a área de Moreira, mas o Benfica dominava o jogo e teve várias ocasiões para aumentar a vantagem.

Aos 68 minutos, Simão atirou de pé esquerdo ao lado; aos 71, Miguel, isolado após grande jogada de João Pereira, não teve a calma suficiente para desviar a bola do guarda-redes; aos 87, Simão concluiu por cima um bom cruzamento de João Pereira que Nuno Gomes deixou passar para o «capitão» com uma simulação.

Num encontro bem arbitrado pelo belga Paul Allaerts, que não mostrou qualquer cartão, o Benfica conseguiu apenas uma vantagem mínima para o encontro da segunda mão, a disputar em 3 de Março em Trondheim, mas assegurou que viaja à Noruega com o trunfo importante de não ter sofrido qualquer golo em casa.

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Paul Allaerts (Bélgica)

BENFICA – Moreira; Miguel, Argel, Ricardo Rocha e Armando; Petit e Tiago; Geovanni (João Pereira, 46 m), Zahovic (Manuel Fernandes, 73 m) e Simão; Nuno Gomes (Alex, 89 m).

ROSENBORG – Espen Johnsen; Basmas, Hoftun, Riseth e Stensaas; Frode Johnsen, Berg e Winsnes (Solli, 64 m); Storflor, Karadas e Brattbakk (Enerly, 82 m).

Ao intervalo: 0-0

Golo: Zahovic (60 m)

Resultado final: 1-0



quinta-feira, fevereiro 26, 2004

CMVM regista oferta pública de subscrição de obrigações da Benfica, SAD

O Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou hoje ter «deliberado aprovar o registo de oferta pública de subscrição de até 3.000.000 obrigações, escriturais, nominativas, de valor nominal de 5 euros, a emitir pela Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD.»

A deliberação, hoje divulgada através de comunicado, foi aprovada na reunião de ontem daquele organismo, tendo sido decidido que o prazo de oferta decorrerá entre os próximos dias 3 e 26 de Março.

Ainda de acordo com o comunicado hoje divulgado, «as ordens de subscrição poderão ser entregues junto dos intermediários financeiros legalmente habilitados, nas sociedades corretoras e nas sociedades financeiras de corretagem», podendo ainda os interessados solicitar as ordens de subscrição juntos dos balcões do Banco ActivoBank (Portugal), SA., Banco BEST – Banco Electrónico Serviço Total, SA., Banco Comercial Português, SA, Banco Espirito Santo, SA e Banco Internacional de Crédito, SA.




Ao ataque sem Sokota
AO contrário do que se previa, Sokota não está em condições de defrontar o Rosenborg e ficou fora dos convocados. Má notícia para Camacho, que não pode ainda contar com Luisão (lesionado) e Fyssas (já jogou nas competições europeias pelo Panathinaikos). Abrem-se assim as portas ao regresso de Zahovic e Armando. Ricardo Rocha e Argel voltam a formar dupla de centrais. Fernando Aguiar deve ser sacrificado.

Esta noite, frente ao Rosenborg, a ordem é para atacar. Mas sem Sokota. O croata, peça fundamental da equipa durante esta época, volta a não poder dar o seu contributo à equipa, depois de não ter igualmente viajado para a Madeira, Na SuperLiga. O croata parecia estar recuperado da entorse no tornozelo esquerdo, mas ontem voltou a treinar-se condicionado e ficou fora da lista de convocados. A recuperação tem demorado mais tempo do que inicialmente se previa e o ponta-de-lança está também em dúvida para o encontro com o Moreirense. A pressa é inimiga da precaução e Camacho já provou que não gosta de correr riscos. Ou seja, prefere não contar com um jogador durante um ou dois jogos do que utilizá-lo e provocar um agravamento que resulte num ou dois meses de paragem.

«Za» e Nuno Gomes no eixo de ataque

Face a este cenário, e tendo em conta o que foi possível observar no treino de ontem, tudo se conjuga para o regresso de Zahovic à titularidade. O esloveno esteve ausente no jogo com o Nacional da Madeira devido a alguns problemas físicos (embora a explicação oficial tenha referido opção técnica), mas está já em plenas condições. Ficará no eixo de ataque com Nuno Gomes. Tiago desempenhou essas funções no terreno do Nacional, mas desta feita deverá recuar para o lado de Petit, saindo Fernando Aguiar da equipa. Simão e Geovanni estarão encarregues de furar pelas alas do Rosenborg, de olhos postos na baliza.

Defesa quase nova

Na retaguarda, em relação à última partida, surge um quarteto quase novo -— Miguel é excepção — com Armando na esquerda (Fyssas não pode ser utilizado) e R. Rocha e Argel no centro (Luisão está lesionado e Hélder ficará no banco).

Falta mais motivação e agressividade
JOSÉ ANTONIO CAMACHO referiu ontem que não teme o Rosenborg porque não tem «medo de nada». Mas avisa que esta eliminatória não terá muitos golos e que para resolver o grande problema do Benfica—os muitos golos sofridos em lances de bola parada—os jogadores têm de estar atentos. «Falta mais motivação e agressividade», diz.

— O que conhece deste Rosenborg?
— Muito. Temos informações sobre todos os jogos que fizeram. Para além disso estiveram por duas vezes em Espanha e sabemos tudo o que fizeram.
— Que conclusões?
— É uma equipa a quem é muito difícil marcar golos. Já o provaram na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e na Taça UEFA. Sofreram dois golos em oito jogos, isso diz tudo.
— Qual o melhor resultado para o Benfica na primeira mão?
— 5-0 [risos]. Sem brincadeiras, será muito difícil marcar golos, seguramente que a eliminatória se resolverá na Noruega.
— Seria desejável não sofrer qualquer tento em casa...
— Logicamente que sim. Na Europa é determinante que isso aconteça. O único problema são as bolas paradas.
— Terá cuidados especiais nesse capítulo?
— Não. Não podemos ter cuidados especiais. Faz falta um pouco mais de motivação e de agressividade individual. A verdade é que temos uma percentagem altíssima de golos sofridos de bola parada. Não me lembro de uma equipa em que isto aconteça, sobretudo quando se tem jogadores com uma altura tão considerável. Pode ser uma questão psicológica...
— O treinador do Rosenborg já avisou que vai explorar essa fragilidade...
— O que podemos fazer? Tentaremos não ceder muitos cantos e faltas mas isso é muito difícil...
— Quais os pontos fortes e fracos desta equipa?
— Repito, o ponto forte é o facto de sofrerem poucos golos. São muito disciplinados tacticamente e quando jogam com equipas semelhantes ninguém pode esperar um resultado muito diferente de 1-0, 0-1 ou coisa parecida.
— O que mais teme no Rosenborg?
— Nunca tenho medo de nada. É uma equipa disciplinada e que defende muito bem, só isso.
— Tem caído muita neve na Noruega. É uma contrariedade?
— É um problema mas o relvado estará preparado para isso. A UEFA tem de mudar, é preciso jogar em Dezembro e descansar nesta fase. Tem sido sempre assim nos últimos anos, nestes meses há muita neve e muito gelo e isso não é bom para o futebol.
— Continua a defender que a UEFA não é prioritária?
— Este é um torneio importante mas não é decisivo para o Benfica. Pode dar prestígio seguir em frente mas o mais importante é poder estar na Liga dos Campeões.
— Simão renovou recentemente. Que importância tem isso?
— É muito importante para o clube.

Rosenborg analisado em vídeo
O plantel benfiquista está em estágio num hotel de Lisboa mas ontem à tarde regressou ao Estádio da Luz para analisar vídeos do Rosenborg. O director-geral, António Simões, assistiu ao treino dos noruegueses e tudo se conjuga para que os adeptos compareçam em força neste confronto europeu.

O Benfica instalou um ecrã num dos auditórios do Estádio da Luz e foi nessa sala, durante a tarde de ontem, que José Antonio Camacho e os jogadores encarnados analisaram a forma como habitualmente joga a equipa do Rosenborg. Uma pausa estratégica no estágio que os benfiquistas iniciaram anteontem e que se prolongará até à hora do encontro de hoje. O Rosenborg treinou-se na Luz, também durante a tarde, e o director-geral do Benfica, António Simões, foi um espectador atento a todos os movimentos. Posicionado no túnel de acesso ao relvado, o director observou e certamente recolheu algumas indicações que posteriormente transmitiu a Camacho. Recorde-se que o Rosenborg treinou muito os lances de bola parada durante o estágio que realizou em La Manga, Espanha. Portanto, todas as ajudas que permitam auxiliar a estratégia para o jogo de hoje são preciosas para o técnico espanhol que comanda o Benfica. Boa casa em perspectiva Não se espera casa cheia, mas os responsáveis benfiquistas acreditam que o estádio vai estar bem composto. Como tal, vão ser concedidas todas as condições para que os adeptos possam comprar bilhetes de última hora, durante o dia de hoje. Estarão disponíveis 39 bilheteiras. 16 serão colocadas junto ao centro comercial Colombo, outras tantas no Alto dos Moinhos, mais cinco no Showroom e outras duas localizadas na área periférica do Estádio da Luz. Nos postos de abastecimento Galp e nas agências Cotacâmbio já só existem bilhetes destinados aos sócios. Tudo leva a crer que apoio não faltará hoje à equipa benfiquista e todos os dados se conjugam para uma grande noite europeia, apesar das condicionantes do grupo treinado por José Antonio Camacho.

Renovar com Sokota é grande prioridade

Os dirigentes do Benfica pretendem renovar contrato com Tomo Sokota. Depois de terem garantido o concurso de Simão até 2010, o avançado croata é a grande prioridade dos encarnados. Neste sentido, os dirigentes do clube da Luz vão efectuar uma proposta concreta ao jogador, de 26 anos, no decorrer dos próximos dias.

Sokota termina contrato no final da próxima temporada e, para precaver qualquer eventualidade, a sociedade desportiva para o futebol benfiquista quer renovar o vínculo contratual o mais rapidamente possível, antes da realização do Campeonato da Europa, a ter lugar no mês de Junho, em Portugal.

O contrato em equação pelos encarnados deverá ter a duração de três a quatro temporadas, questão a definir nas negociações com o atleta, e contemplará, como é natural nestas circunstâncias, um aumento salarial.

Depois da grave lesão sofrida no tendão do pé direito, Sokota, que vai na terceira época de águia ao peito, tem-se afirmado esta temporada como titular indiscutível. A época não começou particularmente bem para o dianteiro que, todavia, superou o momento menos bom e já contabiliza nove golos, marca só superada por Simão.

Além do subcapitão e de Sokota, os encarnados já estão a tratar dos processos de Moreira, Ricardo Rocha e Tiago, tal como o nosso jornal noticiou.

Na agenda benfiquista está igualmente o processo de renovação de Argel, que termina o contrato que o liga ao clube da águia já no final desta época.



quarta-feira, fevereiro 25, 2004

250 jogos na Europa
A versão europeia do Benfica começou em Sevilha, corria o ano de 1957, e não mais se deteve. Amanhã, frente ao Rosenborg, da Noruega, estarão cumpridas duas centenas e meia de jogos contra equipas do Velho Continente.

O domínio que o Benfica assegurou dentro das fronteiras portuguesas deu-lhe o direito de conhecer melhor que ninguém o Velho Continente. As competições europeias são parte integrante da história do emblema, que amanhã reclama, uma vez mais, o direito a um lugar de destaque com a celebração de duas centenas e meia de jogos na Europa. Tudo começou em Sevilha, no dia 19 de Setembro de 1957, e o Benfica perdeu por 1-3. Todavia, depressa de recompôs, justificando rapidamente o respeito que ainda granjeia por essa Europa fora. Da memória dos adeptos não mais sairiam as cinco finais perdidas na Taça dos Campeões Europeus e outra na Taça UEFA mas no coração, qual museu vivo para os benfiquistas, ainda permanecem dois troféus conquistados na mais prestigiada e mediática competição internacional de clubes. Mas não foi apenas a conquista das taças que marcou o clube.. Jogos houve que marcaram igualmente o emblema de tal forma que até hoje merecem ser recordados. Seja para o bem seja para o mal. A goleada (0-5) sofrida peranteo Dortmund, em 1963/64, os cinco golos com que o Real Madrid foi brindado na Luz (5-1), em 1964/65, os dez golos sem resposta ao Stade Dudelange, em 1965/66, o empate (4-4) em Leverkusen, em 1993/94, ou a derrota (0-7) em Vigo, em 1999/ /00, são exemplos entre muitos outros que figuram no historial do clube.

Ataque reforçado e retoques na defesa
CAMACHO sentiu que tinha de gerir o desgaste do plantel e apostou em mexer na defesa para o jogo com o Nacional. Acabou por perder a aposta e tudo indica que frente ao Rosenborg volte a retocar um sector que não tem correspondido às expectativas. No ataque, ressurgirá a dupla Nuno Gomes/Sokota.

Os noruegueses do Rosenborg são muito altos e poderosos no jogo aéreo. Um problema para a defesa do Benfica que tem sofrido um número impensável de golos de cabeça, em lances de bola parada. Depois do que se viu na Madeira, frente ao Nacional, tudo indica que José Antonio Camacho faça alguns retoques na defesa. Com Miguel na direita e Fyssas na esquerda, as alterações deverão surgir no centro da defesa. Camachonão deu grandes indicações sobre as suas opções nos últimos dois treinos, o que faz com que tenha surgido uma grande dúvida nas últimas horas: Voltaremos a ver a aposta na dupla Argel/ Ricardo Rocha ou o treinador confiará nos muitos centímetros de Luisão para contrariar o ataque do Rosenborg? A resposta será dada pouco antes do jogo... Caso a aposta em Luisão se verifique, resta saber se José Antonio Camacho continuará a confiar na garra de Argel ou se opta por colocar o central Ricardo Rocha ao lado do brasileiro.

Os homens-golo

Do que o Rosenborg não se livra é de defrontar uma dupla que nas poucas vezes que tem estado junta funciona em pleno. Passámos agora a falar do ataque encarnado que voltará a ser composto por Sokota—perdeu o jogo como Nacional devido a uma entorse no tornozelo esquerdo mas já se treina sem limitações — e Nuno Gomes. Juntamse os dois homens-golo e fica a promessa de que o poderio ofensivo da equipa portuguesa dê muito trabalho à frágil defesa dos noruegueses. Com os dois homens de área recuperados, o treinador do Benfica voltará ao sistema 4x4x2, com Tiago e Petit no centro e Geovanni e Simão a romperem pelas alas. Será esta a forma que o Benfica utilizará frente ao Rosenborg. Camacho já afirmou que a Taça UEFA não é o grande objectivo do Benfica, mas em jogo está o prestígio e mesmo como grande desgaste que o plantel tem sofrido não é crível que sejam feitas alterações de vulto nestes dois encontros frente ao Rosenborg.

Adeptos empurram a equipa na UEFA
O jogo de amanhã, frente aos noruegueses do Rosenborg já agita os adeptos benfiquistas. A prova é que mais de quinhentos assistiram ao treino da manhã de ontem e foram incansáveis no apoio aos jogadores, mesmo após a derrota de domingo passado, frente ao Nacional da Madeira. É hora de empurrar a equipa da Taça UEFA e a massa associativa percebeu isso. Um bom prenúncio que aumenta a expectativa de um estádio bem composto neste importante confronto.

O treino da manhã de ontem, em Odivelas, deixou bem claro o apoio da massa associativa aos jogadores do Benfica. Foram mais de cinco centenas os adeptos que se concentraram nas bancadas do Estádio Arnaldo Dias e incrível a manifestação de carinho que alguns atletas receberam. Nem a derrota na Madeira arrefeceu a sintonia com a equipa treinada por José Antonio Camacho e, ontem, foi dado o primeiro empurrão para que a equipa consiga um bom resultado na Taça UEFA, amanhã, frente aos noruegueses do Rosenborg. Durante a sessão, o treinador espanhol do Benfica não forneceu indicações sobre a equipa que pretende apresentar como titular, mas perspectivam-se alterações (ver peça na página n.º 18). O jogo com a equipa norueguesa realiza-se no Estádio da Luz, às 21.15 horas, e será transmitido em directo pela TVI. Também já está escolhido o árbitro que vai dirigir a partida. O eleito é o belga Paul Allaerts, que será auxiliado pelos compatriotas Rombout Hennissen e Danny Vanderhoven. Este trio já apitou outros encontros em que estiveram envolvidas equipas portuguesas, como foi o caso do jogo entre o FC Porto e o Partizan de Belgrado, a contar para a Liga de Campeões desta época.

Estágio europeu começou ontem

Apesar de Camacho já ter afirmado que o objectivo primordial não é a Taça UEFA, mas sim a conquista de um lugar na Liga dos Campeões, o Benfica prepara cuidadosamente o encontro de amanhã e, para tal, iniciou um miniestágio. Como é habitual, os benfiquistas ficam instalados no Hotel Marriott, em Lisboa, e só o deixam para a realização de treinos. Para hoje está marcada nova sessão de trabalho, desta vez às 10 horas, em Massamá. Os atletas que se encontram com limitações físicas fazem recuperação no Estádio da Luz, onde já se encontra instalado o departamento médico. O Rosenborge chega hoje e trabalha ao final da tarde no Estádio da Luz.

GRANDE ASSISTÊNCIA FRENTE AO ROSENBORG
Mais de 40 mil

O Benfica já vendeu sensivelmente 40 mil bilhetes tendo em vista o jogo de amanhã à noite, diante do Rosenborg, relativo aos oitavos-de-final da Taça UEFA. A um dia do encontro com os noruegueses, os encarnados garantem, assim, uma das maiores assistências da época.

Os responsáveis do clube da Luz esperam, aliás, que a afluência se intensifique principalmente no dia do próprio jogo, marcado para as 21.15 horas de amanhã, pelo que a Luz contará certamente com uma lotação superior a 40 mil espectadores.

Ao contrário do que seria de prever, o entusiasmo dos adeptos em redor da equipa não esfriou com os recentes desaires desportivos. Os encarnados empataram com o FC Porto e perderam com o Nacional da Madeira nas duas últimas jornadas da SuperLiga, mas nem assim os treinos deixam de registar significativas afluências de público.

A sessão de trabalho de ontem, efectuada em Odivelas, contou com a presença de cerca de 500 adeptos, um bom número, mesmo levando em linha de conta que se tratava de um feriado. Os jogadores foram brindados com palmas e, salvo uma ou outra "boca" relativa à derrota na Madeira, tudo decorreu como se a sessão de treino se tivesse realizado após uma concludente vitória.

No centro das atenções do muito público presente no recinto odivelense esteve Simão Sabrosa. O facto de ter ampliado o seu contrato com o clube da Luz até 2010 mereceu que o camisola 20 benfiquista ouvisse muitos elogios por parte dos adeptos que o parabentearam pelo novo contrato e o incentivaram de forma constante.

Rocha em risco

Ricardo Rocha contabiliza dois cartões amarelos na presente edição da Taça UEFA, pelo que, na eventualidade de ser admoestado no jogo de amanhã à noite na Luz, não poderá defrontar o Rosenborg no jogo da segunda mão, a ter lugar
em Trondheim.

Manuel Fernandes destaca-se

Manuel Fernandes continua a reclamar uma oportunidade a José Antonio Camacho. O jovem médio estreou-se na SuperLiga com escassos minutos na partida frente ao Belenenses, mas tem vindo a destacar-se nos treinos da equipa encarnada.

Ontem, Fernandes foi a grande figura da sessão que decorreu ao final da tarde, em Odivelas. Boa técnica, boa recuperação de bolas e, acima de tudo, uma garra evidente na disputa de cada lance são características que o tornam numa espécie de Makelele em "ponto pequeno", já que o seu estilo de jogo bem como as parecenças físicas se assemelham em muito ao ex-companheiro de Figo no Real Madrid, de onde se transferiu esta época para o Chelsea. Após a saída de Andersson para o Belenenses, Manuel Fernandes assume-se como o substituto natural de Tiago na equipa encarnada.

Ainda na ressaca da derrota na Madeira, Camacho orientou um treino de cerca de hora e meia que se baseou num minitorneio disputado por três equipas num espaço de terreno muito reduzido, que proporcionou alguns lances disputados no limite. Mantorras e Luisão foram os ausentes do treino, enquanto Fyssas se limitou a efectuar exercícios de corrida no início da sessão na companhia do preparador físico Fernando Gaspar.

Vieira com a equipa

Presente no treino esteve Luís Filipe Vieira. O presidente encarnado fez questão de marcar presença na sessão, numa altura em que a equipa passa por um dos momentos mais conturbados da temporada, depois da inesperada derrota sofrida frente ao Nacional.

Refira-se que apesar de não ser uma prática comum, Vieira já marcou presença em vários treinos da equipa, como aconteceu recentemente nas Caldas da Rainha.

Argel por pouco não ficou em terra

A multidão que assolou os jogadores encarnados no final do treino em busca de um autógrafo por pouco não fez com que Argel ficasse em terra. O brasileiro foi dos últimos a sair do relvado e o autocarro chegou a arrancar ainda com o central em terra. Valeu o aviso dos adeptos ao motorista.

Treino esta manhã em Massamá

Os encarnados realizam esta manhã o derradeiro treino antes de defrontar o Rosenborg, amanhã à noite, na Luz. A sessão está marcada para as 10 horas, em Massamá, seguindo-se a habitual conferência de imprensa de José Antonio Camacho, onde o espanhol fará a antevisão do jogo.

Plantel seguiu ontem para estágio

Ao contrário do que é habitual, o plantel encarnado entrou em estágio 48 horas antes do jogo. Assim, a equipa orientada por Camacho concentrou-se ontem, após o treino, numa unidade hoteleira de Lisboa, onde permanecerá até amanhã à noite, altura em que defronta o Rosenborg.



terça-feira, fevereiro 24, 2004

Simão até final de 2009/10

Simão Sabrosa será jogador do Benfica até ao final da temporada de 2009/10. O extremo renovou, ontem, após uma reunião decisiva com Luís Filipe Vieira. Os encarnados seguram assim um dos jogadores mais importantes da equipa, garantindo a continuidade do subcapitão no clube pelo menos até aos 30 anos.

Simão tinha contrato até ao final da próxima temporada, mas Luís Filipe Vieira não quis correr qualquer risco de perder o actual melhor marcador da equipa (soma 12 golos esta época). É que o extremo poderia comprometer-se com outro clube já em Dezembro, cenário que os dirigentes da Luz desfizeram de imediato.

Na prática, Simão não renovou por mais cinco épocas, visto que anulou o anterior contrato, rubricando um novo vínculo por valores muito semelhantes aos que auferia, que já eram relativamente altos.

A renovação do contrato de Simão insere-se numa estratégia ambiciosa para atacar a próxima temporada e que passa por não deixar sair os jogadores mais importantes. Nesse contexto, já estão a ser ultimadas as propostas a apresentar a Moreira, Ricardo Rocha e Tiago, três elementos do núcleo duro do actual plantel.

Além da manutenção das pedras-base, os responsáveis do Benfica têm já reforços na calha, preparando-se para apostar forte na próxima época.

Argel garantido

Entretanto, conforme o nosso jornal adiantou, Argel é o único jogador em final de contrato, cuja renovação é praticamente um dado adquirido.

O brasileiro vai receber a curto prazo uma proposta para renovar, pois as últimas exibições satisfizeram os dirigentes dos encarnados. Quanto a Hélder, a saída do capitão no final da época será uma realidade.

Sokota sem limitações

Tomo Sokota integrou ontem o treino matinal sem limitações, pelo que deverá ser uma opção para o jogo de quinta-feira com o Rosenborg. O croata, que sofreu uma entorse no tornozelo esquerdo, fez apenas trabalho condicionado na semana passada, o que o impediu de ser convocado para a partida com Nacional.

Zahovic, por seu lado, fez corrida com os jogadores titulares e continuou o exercício com o fisioterapeuta Vítor Fonseca. O internacional esloveno não foi chamado para jogo com o Nacional, aparentemente por opção do técnico espanhol, que o quis poupar para o importante embate desta quinta-feira, da Taça UEFA, com os noruegueses do Rosenborg.

A revolta de Nuno
A confusão surgida no túnel após o encontro com o Nacional teve origem ainda no decorrer da partida. Nuno Gomes não gostou da forma como, alegadamente, o treinador e, sobretudo, o massagista dos madeirenses incitaram Fernando Cardozo a disputar os lances com o benfiquista. "Pega nele, bate forte", terão dito os responsáveis alvinegros. No final, valeu a intervenção de atletas e dirigentes para evitar que a situação assumisse outros contornos

Nuno Gomes "explodiu" no final do encontro de domingo na Choupana, após uma troca de ofensas verbais com o massagista Rui Bettencourt e o técnico Casemiro Mior.

Segundo fontes próximas do clube da Luz, o avançado não gostou da forma como os responsáveis madeirenses incitaram o central Fernando Cardozo a marcar o internacional português.

"Pega forte nele", disse alegadamente o técnico brasileiro, enquanto o massagista terá ido mais longe, apelando a que o central brasileiro disputasse de forma violenta os lances com o camisola 21 encarnado.

Ainda durante o encontro, Nuno Gomes terá repudiado o tipo de declarações dos responsáveis madeirenses: "Então, vem cá bater!", terá dito para o massagista. Mal Augusto Duarte deu por terminada a partida, o avançado benfiquista não conseguiu esconder a sua revolta e confrontou no túnel de acesso aos balneários os responsáveis da formação da Choupana.

A confusão alastrou-se então aos jogadores e demais responsáveis das duas equipas que tentaram evitar que o avançado chegasse a vias de facto com os responsáveis madeirenses com que já havia trocado insultos durante a partida.

Nuno Gomes mostrou-se indignado com a alegada falta de "fair
play" dos adversários e a situação só não tomou contornos de maior gravidade devido à pronta intervenção de alguns jogadores das duas equipas.



segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Simão renova até 2010

Benfica e Simão Sabrosa avançaram esta segunda-feira para uma renovação a «longo prazo». Com o novo vínculo, o jogador fica ligado ao clube até 2010.

A assinatura do novo vínculo já foi oficializada através de um comunicado divulgado pelo site oficial do clube, onde o Benfica se congratula «por ter garantido os préstimos de um jogador de grande nível e uma das maiores referências da actual equipa».

Contratado em Julho de 2001 ao Barcelona, Simão tem actualmente 24 anos e, caso cumpra na íntegra o contrato agora acertado, ficará no clube, pelo menos, até quando completar 31 anos.



O Jornal

Acervo de Noticias sobre o
Sport Lisboa e Benfica nos Pasquins





Contacto



Agenda

Agenda dos próximos dias

Sites

- Sport Lisboa e Benfica
- Futsal Benfica
- SerBenfiquista.com
- A Voz da Águia
- SLB Camisolas Originais
- SLBenfica deviantART

- Fórum Sons



Blogs

- Alma Benfiquista
- Anti anti Benfica
- Boca do Túnel
- Calcio Rosso
- Diario de um Benfiquista
- Diario de um Ultra
- Domingo Subjectivo
- E Pluribus Unum: SLB
- Encarnados
- Encarnado e Branco
- Especulação Recordista
- Furacão Vermelho
- Glorioso Benfica
- A Lei da Bola - Pedro Ribeiro
- Mar Vermelho
- Mágico SLB
- Memórias Encarnadas
- Memória Gloriosa
- Não Se Mencione o...
- Nunca Caminharás Sozinho
- Planeta Benfica
- Quero a Verdade
- Tertúlia Benfiquista
- Um Zero Basta

- Jornalistas Desportivos
- Livre-Indirecto
- O Antitripa

- Corpo Dormente
- Gato Fedorento
- Fórum Sons


Arquivos



Baião Plantel20042005 Plantel20032004 Féher
Velha Luz Nova Luz
This page is powered by Blogger. Isn't yours?