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terça-feira, dezembro 30, 2003

Tive uma proposta de outro clube português
Depois de a SAD receber o faxe do Panathinaikos que dava permissão para iniciar a vida no novo clube, Panagiotis Fyssas treinou-se ontem pela primeira vez e foi apresentado formalmente à Comunicação Social. Simpático, muito sereno e com grande frontalidade, o lateral esquerdo revelou ter recebido propostas de Itália, Inglaterra e outra de Portugal (!) no corrente mês, mas já tinha a decisão tomada. Recusando prometer títulos, porque não quer ser demagógico, o internacional grego garantiu apenas... muito trabalho nos próximos dois anos e meio.

Não parece querer largar o sorriso. Os primeiros dias em Portugal têm sido preenchidos e, aparentemente, reconfortantes para o grego. O carinho dispensado pelos funcionários do clube, jogadores, equipa técnica e dirigentes estão a produzir um efeito de catapulta rumo à integração total de um atleta que tem a sua primeira experiência profissional fora do seu país aos 30 anos. Entrou na ampla sala de Imprensa do Estádio da Luz, na companhia de António Simões e as suas primeiras palavras, num inglês escorreito, seriam justamente sobre a satisfação que lhe vai na alma. Luís Filipe Vieira, António Simões e Camacho foram os primeiros visados: «Estou muito feliz. Tenho de agradecer ao presidente, a Simões, ao mister Camacho e a todas as pessoas do clube e quero fazê-los felizes. Não quero prometer muitas coisas, dizer que vamos ganhar tudo, que vamos ser campeões, porque essa não é a minha maneira de ser. Tenho apenas de treinar-me bem, jogar bem e ajudar a equipa a ganhar todos os jogos. Tenho sido bastante acarinhado e espero daqui a uma semana sentir-me em casa.» Apesar de estar autorizado a treinar-se, em termos formais Fyssas só passa a ser jogador do Benfica a partir do dia 1, pelo que, à luz dos regulamentos, é-lhe impossível actuar no derby — teria de estar inscrito três dias úteis antes da partida em causa. O lateral confessou-se triste por não participar no jogo com o Sporting: «Tenho muita pena. Tinha-me preparado mentalmente para fazer o primeiro jogo pelo Benfica contra o meu ex-treinador Fernando Santos — [treinou-o no Panathinaikos ]— mas teremos muitos jogos importantes pela frente. Espero ter trazido sorte à equipa e que vençamos no domingo.»

Fiel à primeira proposta

Evitando falar sobre os contornos do seu contrato, Fyssas explicou depois as razões que o levaram a preferir a Luz. Uma questão de fidelidade a quem chegou primeiro: «Foi a primeira equipa a manifestar muito interesse na minha contratação. Neste mês recebi algumas propostas de Inglaterra e Itália e uma de um clube português, mas coloquei-as de lado porque tinha decidido que iria para o Benfica e manter a minha promessa.» O grego não acabaria sem dar uma palavra às condições que encontrou na nova morada. «Joguei 50 jogos na Liga dos Campeões e estive no campo do Real Madrid, Barcelona, Shalke, Arsenal e este estádio é o mais moderno de todos. Pelo que vi, o clube também é organizado e tenho apenas de me preocupar em jogar futebol. Isso é bom.»

Fyssas encantado com Lisboa
Foi o primeiro dia de trabalho a sério de Fyssas às ordens de Camacho. Pela manhã jogador e futura esposa ainda viram casas, escolheram carro, mas à tarde, já devidamente autorizado pelo Panathinaikos, treinou-se e foi, enfim, apresentado. UFF!

Um dia cansativo. Fyssas começou ontem, verdadeiramente, a conhecer o peso da camisola que passará a envergar. O Benfica recebeu autorização, via faxe, do Panathinaikos para integrar de imediato o atleta no grupo de trabalho e assim o jogador já pôde realizar o primeiro treino sem qualquer tipo de restrição e ser apresentado como reforço, no novel Estádio da Luz. O dia do grego começou como acabara na véspera, ou seja, a ver casas. Estava previsto realizar exames médicos, mas tudo indica que apenas hoje semelhante processo aconteça. Na companhia de Peres Bandeira, elemento do departamento de futebol, jogador e namorada deslocaram-se então para a zona de Cascais e Estoril onde viram várias moradias. Na véspera, já havia visitado locais como Restelo, Belém, Bairro Alto e até mesmo a Lapa. Kristina, a namorada, tem uma palavra fulcral na decisão da futura casa, embora o jogador já tenha avisado que pretende ficar num local onde o trânsito não atrapalhe. A zona do Parque das Nações, onde residem atletas como Sokota ou Fehér, deverá ser a escolhida.

Aprender português

O casal está a adaptar-se perfeitamente ao quotidiano lusitano. As reacções sobre a capital portuguesa têm sido muito positivas, considerando Lisboa uma cidade «linda para viver». Nos primeiros dias apenas algumas dificuldades no tocante ao idioma de Camões. Daí que tanto Fyssas como Kristina considerem uma prioridade aprender a falar português, tendo já efectuado diligências para encontrar um explicador, um professor universitário que fala grego e ensinará português ao casal. Seja como for, já entendem ambos o essencial: Nem Fyssas nem a namorada necessitaram de ajuda para perceber a primeira página de ontem de A BOLA, onde Camacho anunciava o «Benfica favorito». Dos passeios, rápidos, efectuados por Lisboa, destaque para a paragem em Belém. «Kristina adorou os pastéis de Belém», confidenciou o jogador.

Casamento depois do Euro

O defesa esquerdo contratado pelo Benfica atribui grande importância à presença da sua namorada, formada em Psicologia e a preparar-se para uma pós-graduação numa Universidade de Lisboa. Fyssas sabe perfeitamente que um dos motivos pelos quais Machairidis nunca se adaptou ao nosso País foi devido «à solidão», daí que o jogador não dispense a presença da sua futura esposa, com quem casará, em Atenas, após o Euro-2004. Outra das actividades do dia de ontem passou pela escolha do automóvel, tarefa que obrigou o jogador a pedir a Camacho para se ausentar mais cedo do almoço que reuniu todo o grupo de trabalho na unidade hoteleira habitualmente utilizada pelos encarnados.

Tenho de acatar decisão
Está completo o plantel sob o comando de José Antonio Camacho com o regresso de Luisão. O brasileiro chegou a Lisboa com 24 horas de atraso, não participou no treino matinal mas esteve à disposição do treinador na sessão vespertina. Mal colocou o pé em Lisboa, o central garantiu que nunca escondeu a sua vontade em representar a selecção olímpica do seu país.

Com 24 horas de atraso em relação à data imposta pelo Benfica para se apresentar ao trabalho, o brasileiro Luisão aterrou ontem de manhã na Portela apresentando um semblante visivelmente toldado pelo cansaço provocado pela viagem, por um lado, e pela contrariedade que foi para si a recusa dos encarnados em o dispensarem para a selecção olímpica, por outro. «Nunca escondi a minha vontade, que era estar agora na selecção brasileira», admitiu o central mal pôs pé na aerogare da Portela, lamentando a falta de anuência por parte do Benfica relativamente à sua dispensa para a selecção comandada por Ricardo Gomes, que irá disputar um torneio no Chile de apuramento para os Jogos Olímpicos. «O Benfica achou melhor eu estar aqui, sou funcionário do Benfica e tenho de acatar a decisão», afirmou aos diversos órgãos de comunicação social presentes no aeroporto. Ao contrário do que irá suceder com Rochemback, jogador do Sporting, que irá disputar o derby da Luz e voltar para a selecção pré-olímpica, Luisão viu o seu lugar preenchido por outro atleta, Adailton. «Não vi os jornais, não sei o que se está a passar em relação a outros jogadores», disse relativamente a Rochemback. «Já recebi a notícia que fui cortado e substituído por outro jogador. A decisão do Benfica foi essa, nada posso fazer», argumenta o central, confessando que falou com Ricardo Gomes antes do Benfica ter vetado a sua presença no torneio do Chile: «Nas férias apenas soube da notícia que estava cortado da selecção. Antes disso tinha ligado para o seleccionador para lhe dizer que queria estar na selecção.» O central canarinho espera agora agarrar o lugar na equipa de Camacho. «Tentei explicar que seria bom para mim estar na selecção. Não foi possível, então o melhor é trabalhar aqui para ter novas oportunidades de voltar lá.»

Aguiar mais perto do «derby»
As águias não deverão apresentar grandes novidades no jogo com os rivais da 2.ª Circular. A equipa estabilizou somando por vitórias os últimos sete jogos, se incluirmos os da Taça UEFA e, por outro lado, as lesões reduzem as dúvidas que o técnico encarnado poderia ter para determinadas posições. É o caso de Petit, ainda à procura da melhor forma física...

Petit voltou a suportar, pelo segundo dia consecutivo, a carga de trabalho, essencialmente física, ministrada pela equipa técnica, confirmando ser um jogador com capacidade atlética invulgar e de grande disponibilidade para honrar a camisola do clube, a exemplo do que se sucedeu no primeiro jogo com o Molde. Lesionou-se gravemente ainda na primeira parte, mas enfrentou as dores, continuando em campo até ao final da partida. Para os benfiquistas, o regresso do pitbull é sem dúvida uma boa notícia, mais ainda por ter acontecido a tempo de poder defrontar o Sporting. Porém, apesar do entusiasmo à sua volta, é pouco provável que Petit inicie o jogo com o Sporting entre os titulares, relegando Fernando Aguiar para o banco. Com mais uma semana de trabalho, isso seria possível, mas o médio internacional português esteve quase dois meses de baixa, na sequência de uma intervenção cirúrgica complexa, uma vez que se tratava de uma dupla lesão, de âmbito meniscal e ligamentar. Por mais voluntarioso que seja Petit, os efeitos fazem-se sempre sentir e suportar 90 minutos de jogo é tarefa difícil nestas circunstâncias.

Aguiar continua

O mesmo é dizer que Petit tem, neste momento, pulmão para 45 minutos ou pouco mais e não para permanecer em campo do princípio ao fim. Faltam ainda alguns dias até à data do jogo, mas tudo aponta para que Fernando Aguiar mantenha a titularidade mais uma semana. Muito forte fisicamente, embora tecnicamente inferior ao seu colega de posição, Aguiar foi de grande utilidade a partir do momento em que entrou na equipa, sobretudo perla cobertura que dá à defesa. O seu ponto alto aconteceu na Madeira, quando inventou uma jogada espectacular nos últimos minutos da partida e ofereceu o golo a Simão. A sua inclusão no derby pode ser visto como um justo prémio pelo seu desempenho, mas na jornada seguinte, com o U. Leiria, já não terá as mesmas garantias. A última palavra pertencerá a José Antonio Camacho, mas parece não haver dúvidas quanto à sua opção neste caso. De resto, confirmada a presença de Ricardo Rocha no lado esquerdo, beneficiando das ausências de Fyssas e Cristiano, um dos principais pólos de interesse será ver como funciona a dupla Hélder/Luisão. Alinharam pela primeira vez frente ao Nacional da Madeira, mas o brasileiro lesionou-se ainda na primeira parte e só recentemente, com Académica de Coimbra e Estrela da Amadora voltaram a funcionar juntos. Nesses jogos, a equipa não sofreu golos, mas é perante um ataque muito mais concretizador que irão ter a verdadeira prova de fogo. Camacho espera muito da experiência do capitão e dos muitos centímetros do brasileiro.



segunda-feira, dezembro 29, 2003

Importante mas não decisivo
José Antonio Camacho serenou os seus jogadores a uma semana do derby com o Sporting. «É importante mas não decisivo», diz o treinador, que explicou depois a contratação de Fyssas, revelou que há alguns jogadores referenciados que podem vir já em Janeiro. E foi verdadeiramente surpreendente na hora de explicar a razão que o levou a dar folga aos seus jogadores no dia 1 de Janeiro: «Por vezes, dormir é o melhor trabalho.»

Vem aí o Sporting mas não há motivos para grandes preocupações. «Quem joga em casa tem de ser favorito», diz José Antonio Camacho, para quem este derby está longe de ser decisivo para a sua equipa no caminho para o título: «Decisivo com certeza que não será. É importante, isso sim. Em jogos como estes a motivação é enorme para todos os jogadores, mas mal seria se estivéssemos aqui a dizer que o último jogo da primeira volta vai ser decisivo. O de Alvalade, na derradeira jornada da SuperLiga é que o deve ser...» O Benfica regressou ontem ao trabalho depois das férias de Natal. O treinador preparou um treino muito físico e gostou da resposta dos seus jogadores: «Penso que regressaram em boa forma e com muita alegria, o que é bastante positivo. Temos agora uma semana para preparar convenientemente o jogo com o Sporting.»

Dormir é o melhor trabalho

O adversário regressou mais cedo e nem sequer vai ter direito a folga no dia 1 de Janeiro, ao contrário do Benfica. Nenhum problema, defende o espanhol: «Cada um tem os seus métodos e faz o que acha mais conveniente. Estes jogadores têm enfrentado uma sobrecarga de jogos muito grande e isso faz com que necessitem de algum repouso. Dia 31 é para celebrar e depois vão dormir. Por vezes, dormir é o melhor trabalho. Se o jogo fosse no sábado tudo seria diferente, mas assim...» Não se pense que os encarnados estão a olhar para o clássico com alguma sobranceria. Camacho sabe que terá muitas dificuldades: «O Sporting foi afastado da Taça UEFA e da Taça de Portugal, mas está muito forte na SuperLiga. É uma equipa com grandes jogadores e não nos podemos esquecer de que contrataram muitos reforços no início da época. A vinda de novos jogadores pode não funcionar no início, mas com o passar do tempo tem de dar bons resultados.»

Antecipação por Fyssas

Camacho recebeu como prenda de Natal o grego Fyssas, uma contratação que «só foi possível porque o Benfica se antecipou a muitos outros clubes». Uma alegria, diz o treinador: «Fyssas é um jogador internacional e está muito habituado a jogar ao mais alto nível, nas grandes competições do futebol europeu. Para além disso, vem ocupar uma posição que tinha falta de mais um jogador desde o dia em que aqui cheguei. Veja-se que o único especialista que tínhamos era Cristiano, o que nos levou a adaptar Ricardo Rocha e Armando.» Camacho afirmou ainda que o Benfica pediu ao Panathinaikos para Fyssas começar já a treinar-se. «Hoje ainda não tivemos autorização para o utilizar, mas amanhã talvez. Há regras que têm de ser cumpridas.» Frente ao Sporting o Benfica nem terá Fyssas, que não poderá ser inscrito a tempo, nem Cristiano, ainda lesionado. «É algo que nos causa algumas dificuldades, mas não temos que nos lamentar. Não jogam eles, jogará outro elemento...» Ficou provado que Camacho parte confiante para o derby. O favoritismo é assumido, mas fica também a mensagem para os seus jogadores de que este não é jogo de vida ou morte...

Fyssas já conheceu Camacho
O primeiro reforço de Inverno conquistado pelo Benfica, o grego Fyssas, ficou ontem a conhecer os seus novos companheiros, equipa técnica e instalações em Massamá. O jogador, ainda impedido de treinar, passou incógnito, mas j á começou a ambientar-se.

Têm sido loucas horas. Fyssas está a gostar dos primeiros passos em Lisboa, a cidade que o acolherá nos próximos anos. Ontem, depois das emoções da véspera— viagem e recepção entusiástica na capital portuguesa — o defesa esquerdo já teve tempo para respirar, para se inteirar da realidade que o espera nos tempos mais próximos. Impedido, para já, de se treinar com os novos companheiros, uma vez que ainda tem contrato em vigor com o Panathinaikos até dia 31, o defesa esquerdo não quis, contudo, perder a oportunidade de se apresentar a Camacho, conhecer os jogadores com quem irá conviver no futuro. Foi isso que fez ontem à tarde enquanto decorria o treino. Fyssas entrou discreto no balneário do Real Sport Clube, em Massamá, e mais discreto de lá saiu. Teve oportunidade para conhecer os cantos à casa, visitar as instalações onde o Benfica trabalha e exercitar-se um pouco no ginásio. Pelo meio uma conversa com o médico do clube, a primeira. Hoje, sim, os exames médicos, agendados para o Centro de Medicina Desportiva, em Lisboa.

À procura de casa

Hoje pela manhã os responsáveis do clube da Luz esperam receber um faxe proveniente da Grécia, do Panathinaikos, a expressar que não existe qualquer problema para que Fyssas comece de imediato a trabalhar junto da equipa do Benfica. Sem isso, os encarnados não arriscam a apresentação do defesa grego nem tão pouco o autorizam a treinar-se no relvado. Outra das prioridades do jogador ex-Panathinaikos passa por instalar-se o mais rapidamente possível na zona da capital portuguesa. Ontem, apesar de ser domingo, o jogador e futura esposa, Kristina, viram duas casas nos arredores de Lisboa, estando mais algumas visitas programadas para os próximos dias. Só lá mais para o final da semana o atleta decidirá qual a residência que escolhe. Para já sente-se bem na unidade hoteleira onde se encontra instalado. Ao final da tarde, A BOLA contactou o atleta que se mostrou entusiasmado acreditando que hoje já irá treinar.

Mar vermelho de confiança
Nem o muito frio que se fazia sentir impediu que Massamá fosse inundado por uma imensa maré vermelha. Com o jogo ante o Sporting cada vez mais próximo, os adeptos gritaram e não regatearam aplausos. Os jogadores sentiram-se galvanizados por tão escaldante ambiente e entregaram-se ao trabalho de alma e coração.

Era domingo, as águias treinavam-se pela primeira vez desde que Camacho concedeu umas miniférias aos jogadores. E o jogo com o Sporting está aí à porta. As consequências não se fizeram esperar e largas centenas de adeptos compareceram em Massamá para ver trabalhar a equipa e transmitir confiança aos jogadores. Mesmo habituados aos grandes palcos, os atletas sentiram-se galvanizados pelos incentivos provenientes das coloridas bancadas do campo de Massamá e foi com visível entusiasmo que se entregaram aos trabalhos. Fortes aplausos acompanharam minuto a minuto a sessão de trabalho, apesar de se tratar de um treino essencialmente físico, no qual apenas esporadicamente José Antonio Camacho trocou os exercícios pelo trabalho com bola.

Equipa escondida

Sem deixar-se levar pelo entusiasmo, Camacho dividiu os jogadores em dois grupos e orientou um exercício táctico que visava aprimorar a circulação de bola, sem, no entanto, dar pistas sobre a equipa em que irá apostar no grande jogo da próxima jornada. Neste contexto, Mantorras e Petit transformaram-se na principal atracção da tarde, por razões óbvias. O primeiro, sobre quem se levantaram muitas dúvidas no que se refere à possibilidade de voltar a jogar, treinava-se pela primeira vez com os companheiros, sem limitações. Camacho esclareceria, posteriormente, que isso só aconteceu porque se tratou de um treino ligeiro, com pouca bola, mas a evolução deixou, certamente, todos os benfiquistas satisfeitos. Petit, por sua vez, trabalhou normalmente, sem acusar indícios de ter estado parado quase dois meses. Coincidência ou não, o treino acabou com a chegada da chuva e instalou-se então a loucura na zona frontar o complexo desportivo, por onde entram e saem os carros dos jogadores. Mais de cem adeptos aguardaram heroicamente pelos ídolos, para pedir autógrafos, tirar fotografias ou, simplesmente, incentivá-los para o jogo com os histórico rival. O grego Fyssas era dos jogadores mais aguardados, mas poucos se podem gabar de tê-lo visto. Chegou cedo, quase incógnito e após sujeitar-se a algumas análises clínicas, a cargo de João Paulo Almeida, saíu pela porta traseira, numa altura em que toda a gente o aguardava do lado oposto. O ambiente, com cheirinho a «derby» irá, certamente, manter-se ao longo da semana e hoje, espera-se nova enchente...

Meio a zero já basta!
A menos de uma semana da recepção ao Sporting, os benfiquistas já não falam de outra coisa e naturalmente os jogadores apontam baterias e armas que devem ser utilizadas para derrotar o velho rival. Roger até poderá ser uma delas, ainda que na condição de joker, mas o mais importante é a cautela que se deve ter na abordagem ao derby. Para o baixinho, a obrigação de vencer não é uma expressão que deva ser utilizada em encontros com estas características, apesar de destacar o factor casa como uma muleta importante. «Tem tudo para ser um grande jogo», vaticina.

Pronto prévio: para calar quaisquer comentários menos abonatórios, o plantel teve o cuidado de não cometer excessos numa época de grandes tentações gastronómicas tendo em conta o jogo importante que está aí à porta. «Nós, jogadores, somos responsáveis e sabemos que teremos uma semana de trabalho dura pela frente para nos prepararmos o melhor possível para a partida», defendeu Roger, que chegou ontem de manhã do Rio de Janeiro, onde passou o Natal. E porque as energias estão direccionadas para o derby, é do derby que se fala. «São duas grandes equipas, que estão a atravessar uma boa fase no campeonato, estão em ascensão, o estádio vai estar cheio, pelo que as perspectivas apontam para um grande jogo», afirmou o camisola 8 da Luz, para quem a titularidade não se afigura iminente, como o próprio chegou a admitir nas entrelinhas: «Todos queremos jogar.»

Favoritismo virtual

Afinal, os encarnados são ou não favoritos, têm ou não a obrigação de ganhar perante o seu público, roubar a vice-liderança do campeonato aos leões e dar um passo firme na luta pelo ceptro? Há quem julgue que sim, como foram os casos de Sokota, Tiago, Zahovic ou mesmo José Antonio Camacho. Porém, Roger tenta esfriar os ânimos. «Qualquer jogo em que o Benfica entre é para vencer e este não é diferente. Mas obrigação é uma palavra que não se usa em jogos grandes como é o caso. Vamos querer ganhar, mas teremos pela frente outra grande equipa, que também vai tentar conquistar uma vitória. Temos uma ligeira vantagem por jogarmos frente ao nosso público, mas isso não significa que sejamos favoritos. O Sporting é forte no ataque, mas o nosso treinador está a estudar bem o adversário para montar uma boa armadilha», defendeu o médio ofensivo dos encarnados. Por isso, a resposta sobre o resultado ideal não podia ser outra, com a habitual boa disposição carioca: «Meio a zero basta!»

Luisão e Rochemback dão outro ar ao jogo

Como brasileiro, Roger sente-se satisfeito pelas presenças de Luisão e Rochemback no derby, em representação dos respectivos clubes, um dos grandes casos que alimentou a opinião pública nos últimos dias. O espectáculo só tem a ganhar: «Vão dar um outro ar ao jogo. São dois grandes jogadores e muito importantes para cada equipa», concluiu.

Petit e o sorriso de Mantorras
Petit está de volta. O médio do Benfica treinou-se ontem sem limitações e está pronto para defrontar o Sporting no tão esperado derby do próximo domingo. José Antonio Camacho terá agora de decidir se dá novo voto de confiança a Fernando Aguiar ou se volta a optar pela dupla de meio-campo que iniciou a época, composta por Tiago e Petit.

Boa notícia para os adeptos que assistiram ao treino de ontem. Petit cumpriu toda a sessão de trabalho sem demonstrar qualquer debilidade física, o que vem aumentar o leque de opções de José António Camacho para o clássico. Depois de várias semanas de ausência, Petit volta agora aos relvados com a ambição de dar continuidade às boas exibições que levaram Luiz Felipe Scolari a chamá-lo à Selecção. A infelicidade bateu-lhe à porta logo depois de o brasileiro o ter chamado pela primeira vez desde que chegou a Portugal, mas o médio já garantiu que quer recuperar rapidamente a titularidade para ainda lhe ser possível alimentar o sonho de estar no Euro-2004. O grande concorrente de Petit no Benfica é Fernando Aguiar. Nos últimos tempos tem-se assistido a uma azeda troca de palavras entre os dois e agora terá de ser o treinador a decidir se aposta na continuidade ou dará oportunidade a um jogador que perdeu algum ritmo competitivo na fase que durou a recuperação. Para já, é um dos mistérios que acompanharão o Benfica até bem perto do encontro mais aguardado da jornada. Ricardo Rocha esteve também a treinar-se sem limitações. Da operação ao nariz apenas um vestígio: a máscara protectora que lhe dá uma imagem como que de personagem de filme de ficção científica. O jogador está agora mais adaptado ao incomodativo artefacto e deverá ser titular com o Sporting. Surge aqui nova dúvida: será novamente adaptado a defesa-esquerdo ou volta à sua posição predilecta, a de central? Mais uma boa notícia: Mantorras cumpriu toda a sessão de ontem sem limitações e até matou fome de bola quando o treino foi interrompido e fez alguns remates certeiros à baliza. Camacho ficou feliz: «Tem de ser integrado aos pouco. Fizemos um trabalho essencialmente físico e como só houve bola cinco minutos ele teve oportunidade de fazer tudo. Claro que gostaria de o ter já, mas temos de ter calma. Um ano depois, querer adiantar uma semana pode fazer perder vários meses de trabalho...»



segunda-feira, dezembro 22, 2003

Benfica frente ao E. Amadora: 'Passeio' à Reboleira... Esteve lá o 'Pai Natal'
O Benfica fez um passeio" à Reboleira, onde esteve o "Pai Natal" personificado na defesa local, tantas prendas" distribuiu. Defender à zona frente ao Benfica foi um suicídio. Mas foi a equipa de Camacho que tornou as coisas fáceis ao entrar com a atitude competitiva adequada. O Benfica entrou determinado e disposto a resolver rapidamente o jogo. E fê-lo em pouco mais de meia hora. A 2ª parte teria sido dispensável. Os encarnados limitaram-se a gerir os golos

MOREIRA (3). Uma grande defesa com o pé, aos 5', evitou o 1-1. Foi o 'canto do cisne' do Estrela. Está num momento soberbo de forma, respira e transmite confiança.

HÉLDER (3). Aos 18' deixou passar a bola para Moreira e Rui Baião quase fazia o golo. Fora esse deslize, resolveu com serenidade os poucos problemas que o ataque do Estrela colocou.

LUISÃO (3). Boa estampa atlética, a impor respeito, e concentração chegaram e sobraram.

MIGUEL (4). É um sinal de stop para os defesas adversários. Não perdeu um lance no confronto directo com Semedo e teve sempre 'pulmão' e confiança para arrancar pelo seu flanco acima. Que Miguel sabia atacar não é novidade - o que é novo é que está a defender de forma soberba. Ganhou as rotinas e o posicionamento de lateral. A partir da meia hora, por causa da lesão de Cristiano, Camacho derivou-o para o flanco oposto. Acabou com o "show" de Davide, que estava a fazer "gato-sapato" de Cristiano. O extremo do Estrela não 'fez farinha" com Miguel, que esteve inultrapassável nos lances quer em velocidade (Davide deixou de parecer tão rápido) quer em poder de choque. Está feito um lateral e pêras!...

CRISTIANO (1). Meia hora de sobressalto. O seu opositor directo foi Davide - ou seria Davide sem e, o Beckham? Há lesões que vêm em boa altura...

FERNANDO AGUIAR (3). Uma exibição esforçada, útil na cobertura dos centrais e no equilíbrio colectivo. Mas aqueles pés...

TIAGO (4). Um golo magnífico, bem ao seu jeito, com um remate seco e colocado. O Estrela deu-lhe muito espaço de manobra e quando isso acontece Tiago joga e faz jogar a equipa. Aos 78', estava em posição na área para rematar ao golo, mas quis dá-lo a Zahovic, pior colocado. Má opção.

JOÃO PEREIRA (4). O lance do primeiro golo nasce de uma aceleração sua. Cedo se percebeu que João ia de mota e Rui Neves de trotinete. A partir da meia hora recuou para lateral-direito, sem quebrar de rendimento.

ZAHOVIC (3). Jogou como falso médio-esquerdo, posição à qual se adaptou com disciplina táctica e espírito colectivo. Não brilhou, mas trabalhou para a equipa.

NUNO GOMES (3). Fez um golo, ofereceu outro a Sokota e falhou ainda outro na cara de Veiga. Cumpriu.

SOKOTA (4). Boa movimentação e execução no terceiro golo. Melhor ainda o seu passe a isolar Nuno Gomes, aos 37'. Excelente a jogar de costas para a baliza e a explorar os espaços entre os defesas do Estrela.

ALEX (2). Algumas boas iniciativas à linha de fundo.

ROGER (1). Um livre contra a barreira.

HÉLIO PINTO (0). Alguns minutos em campo.

JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica)
Sem ter pressa

O resultado podia ter sido 5-0. Esta foi a principal conclusão a que chegou José Antonio Camacho, numa síntese em que só foram apontadas notas positivas. O técnico considerou «fantástica» a primeira parte da sua equipa e espera agora que as férias natalícias sirvam para recarregar energias e vencer o Sporting. E instado a fazer um balanço sobre o ano civil que está prestes a terminar, o espanhol realçou a diferença de estado de espírito dos seus jogadores. «A equipa está agora mais tranquila. Mas não há que ter pressa em sermos campeões!»

Camacho não tem gostado da exigência que se faz ao Benfica no sentido de a equipa produzir exibições de excelência, e por isso quando as primeiras perguntas residiram na diferença de comportamento da primeira e segunda partes do jogo, do técnico saíram palavras um pouco azedas, apelando à Crítica para dar valor ao que de bom os seus jogadores produzem. «Isso é o futebol!Há duas partes, mas no final do jogo é que se fazem as contas. A verdade é que fizemos uma primeira parte fantástica, onde podíamos ter feito seis ou sete golos. Fomos superiores durante todo o jogo e o resultado final podia ter sido 5-0 em vez de 3-0», fez questão de frisar o treinador do Benfica, refutando a ideia de um adormecimento da sua equipa na segunda metade: «Não lhes disse para parar. Qual é o treinador que pede isso? Simplesmente, a minha equipa está agora mais tranquila e sabe gerir o jogo.» Sobre a exibição de Luisão, e sempre naquele jeito de não individualizar, Camacho disse apenas que se trata de «um grande profissional». Já acerca da performance dos dois avançados, o técnico preferiu também relativizar: «Táctica diferente? A táctica passa por utilizar 11 jogadores em todos os jogos. Jogamos sempre com quatro avançados, mais os laterais que atacam e os médios que aparecem na área. Tudo isso é, portanto, muito relativo.» Com o Natal à porta, Camacho sabe que vai ter uma prenda, mas continua a recusar falar sobre Fyssas. «Só quando estiver cá falaremos sobre ele», limitou-se a dizer.

«Só nas taças dependemos de nós»

Com o final do ano à porta, é tempo de balanços. E aproveitando a ocasião, Camacho foi instado a fazer uma análise actual da equipa, para depois fazer uma revista deste ano civil. «Estamos dependentes de nós próprios apenas em duas competições: na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Na SuperLiga estamos atrás de FC Porto e Sporting. No entanto, isso não significa que tenhamos de ser derrotistas. Temos de continuar a trabalhar como temos vindo a fazer aqui e pensar positivo», disse, passando um olhar sobre os 365 dias de 2003: «A equipa está diferente relativamente há dois ou três meses. Está mais tranquila, sabendo das possibilidades que tem em ganhar as competições em que está inserida. Mas não podemos ter pressas. Aqui, no Benfica, há sempre a pressa de ser campeão. Temos de trabalhar tranquilamente. Estamos a construir uma equipa e há que ter calma.»

SOKOTA (jogaador do Benfica)
Venha o Sporting
«Toda a equipa está a jogar bem. Os golos aparecem e se continuarmos assim é difícil pararem-nos. Agora temos é que pensar no jogo com o Sporting. Vamos descansar e isso vai ser benéfico para todos. Não estamos obcecados com o título e pensamos em ganhar jogo a jogo»

2 m
0-1 por Nuno Gomes. João Pereira ganha a linha de fundo e cruza atrasado, Zahovic falha o remate e a bola sobra para Nuno Gomes, que, sozinho, mete a bola por entre as pernas do guarda-redes

10 m
0-2 por Tiago. Zahovic passa para o centro e Tiago remata, forte e para o canto inferior direito da baliza

32 m
0-3 por Sokota. Tiago passa para Nuno Gomes que de primeira solta para Sokota. O croata faz um chapéu à saída do guarda-redes



sexta-feira, dezembro 19, 2003

Defesa esquerdo
Grego Fyssas confirmado no Benfica

O director desportivo do Benfica, António Simões, confirmou hoje a contratação do defesa esquerdo internacional grego Panagiotis Fyssas, jogador que há muito se falava como hipótese para o lado esquerdo da defesa encarnada.

"Fyssas vai chegar em finais de Dezembro para integrar a equipa e melhorar o plantel", confirmou António Simões, em declarações à Rádio Renascença, garantindo que a aposta do Benfica não passa pela quantidade de reforços mas pela sua "qualidade".

Panagiotis Fyssas, 30 anos, actuou as últimas cinco temporadas na formação grega do Panathinaikos, depois de ter iniciado a sua carreira no Panionios (1990/99), e é um dos prováveis eleitos do seleccionador grego para a fase final do Euro 2004.



quinta-feira, dezembro 18, 2003

21 m
0-1 por Luisão. Foi Simão Sabrosa quem marcou o livre descaído sobre o lado esquerdo do ataque benfiquista. O remate saiu colocado, os jogadores da defesa estudantil tentaram colocar os homens da equipa da águia em posição de fora-de-jogo, mas fizeram a movimentação de forma deficiente. O central brasileiro Luisão conseguiu desviar muito ligeiramente a bola, com a cabeça, colocando o esférico no fundo das redes à guarda de Fouhami, guarda-redes que não está totalmente isento de culpas...

PAULO COSTA
Irritante do primeiro ao último minuto, apitando por tudo e por nada, raramente deixando que um lance de choque prosseguisse, teve a virtude de ser coerente até ao fim, afastando do jogo e do próximo jogo o número 20. Uma expulsão que fica para a história, ele que permitiu a Tonel passar incólume, apesar da sucessão de faltas. Quem sabe se o árbitro não vai corar de vergonha quando vir as imagens. Eventualmente até pode ficar com as faces da cor do gorro do Pai Natal.

SIMÃO
Sem recurso às imagens televisivas, fica a sensação de que o livre de Simão resultaria em golo mesmo que Luisão não tivesse aconchegado a bola com a cabeça. Por isso falámos num golo a meias. Mas Simão fez mais do que isso. Foi o jogador mais incisivo no ataque do Benfica, demonstrando ainda grande capacidade de sacrifício na hora de ajudar os colegas na defesa. Teve duas boas oportunidades para marcar, um oportuno remate de cabeça e, sem deslumbrar, é certo, dos seus pés saiu grande parte do que de melhor se viu no jogo. Foi expulso por um critério disciplinar demasiado severo. Não merecia.

JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica)
CAMACHO elogia atitude
JOSÉ ANTONIO CAMACHO ficou satisfeito com a atitude da equipa e apenas lamentou o facto de ter sido esforçado a esperar pelo apito final de Paulo Costa para suspirar de alívio. O treinador espanhol referiu o facto de, contra o Benfica, todos os adversários se esforçarem mais do que é habitual, algo que pode ser, em grande parte, combatido pela entrega e disposição para sacrifícios. Em termos físicos os jogadores corresponderam às exigências e Camacho deixou Coimbra com a noção de missão cumprida.
O Benfica voltou a sair de Coimbra com uma vitória, se bem que desta vez um pouco mais sofrida do que a alcançada quando os encarnados, a contar para a SuperLiga, bateram a Académica por 3-1. De resto, para José Antonio Camacho a principal diferença entre os dois jogos residiu precisamente nos golos. «O importante é ganhar sempre. Contra o Benfica as equipas trabalham sempre muito. Saímos a ganhar, podíamos depois ter sentenciado a partida, mas assim tivemos de aguentar até ao final. Penso que essa foi a principal diferença entre os dois jogos», afirmou. O técnico encarnado efectuou algumas alterações no onze e ficou bastante agradado com a exibição. Especialmente no que toca ao capítulo físico:
«Estamos a jogar consecutivamente e penso que a equipa provou estar bem em termos físicos. Num jogo difícil, debaixo de muita chuva e num terreno bastante rápido, os jogadores corresponderam. Estes jogos provaram que todos os elementos do plantel têm de trabalhar para estarem a cem por cento. É natural que possam existir algumas quebras nos últimos minutos, mas estou satisfeito.» Apesar das críticas feitas à equipa, a verdade é que o Benfica continua com as aspirações intactas nas três competições em que está envolvido. Algo que Camacho explica de forma peculiar.
«Acho que há muita gente equivocada. Muitos dizem e pensam que deveria chegar aqui e dizer que seríamos campeões. Não é assim. Temos problemas, alertámos para eles e, passo a passo, vão ficando resolvidos », referiu. De regresso à equipa, Luisão acabou por marcar o único golo. Bom para o brasileiro, garantiu Camacho. «Foi bom para ele, mas toda a equipa trabalhou. Para ele, que esteve algum tempo sem estar connosco devido a lesão, é motivador », disse. Roger, que ontem alinhou na direita, também mereceu um comentário de Camacho. «Não é a mesma coisa que jogar no centro, mas penso que trabalhou como todos. Às vezes jogas e melhor, outras pior.» Sobre a expulsão de Simão, o treinador espanhol não se alongou. Para Paulo Costa nem uma palavra, embora as declarações tenham denotado alguma ironia. «Não vou falar sobre o árbitro. Vamos ver o que acontece. Aqui nunca sei quando se é penalizado ou não. Se não puder jogar, encontraremos soluções.» A terminar, Camacho referiu-se às declarações de Rivaldo, que assumiu ter ouvido rumores sobre o interesso do Benfica na sua contratação. «Se falasse, tinha de o fazer sobre 20 jogadores. Sabemos que não estamos em grandes condições de contratar. Vamos ver, passo a passo.»

O homem e o modelo
O Conselho de Administração da SAD do Benfica deliberou nomear António Simões, que exercia o cargo de Director Geral da SAD, para novas e mais abrangentes funções, atribuindo-lhe a missão de Director Desportivo. A BOLA sabe que a escolha de António Simões representou o culminar de uma longa análise e reflexão, por parte do Conselho de Administração, que pretendeu definir, antes mesmo do nome a convidar, o novo modelo de orientação para todo o futebol do clube.

O Benfica assumiu um conceito de Conselho de Administração executivo, com funções de definição das políticas gerais e num quadro de acção directa em matérias tão decisivas quanto a da contratação de jogadores. Em conformidade, o Conselho de Administração da SAD há muito que tinha decidido não avançar para a contratação de qualquer Director Geral para o futebol. As escolhas haveriam apenas de recair num Director Desportivo, com funções específicas no futebol, e em mais dois elementos, cada qual com funções determinadas. O primeiro, na relação institucional entre a SAD e as diversas instituições do mundo do futebol, como a FIFA, UEFA, FPF, Liga, Sindicato, Associações diversas; o segundo, para se ocupar da responsabilidade disciplinar, num âmbito exterior às instalações do clube. Em nenhum destes casos é ainda conhecido qualquer nome, mas A BOLA sabe que a natureza da missão do relacionamento institucional da SAD com o exterior aponta para a possibilidade da preferência de Luís Filipe Vieira ir para António Carraça. Segundo A BOLA também apurou, o nome de Carraça, que alguns jornais chegaram a indicar como uma das hipóteses para Director Geral e também para Director Desportivo teria facto, particularmente importantes no novo modelo. Caberá a António Simões colaborar com a equipa técnica na definição do modelo de jogo do clube; competir-lhe-á, também, em consonância com a equipa técnica, a definição de um quadro de necessidades do plantel, indicando e sugerindo hipóteses concretas ao Conselho de Administração; será, ainda, das suas atribuições toda a área de prospecção e de formação do clube; terá a seu cargo a reestruturação do futebol jovem; por fim, terá incumbências na área médica e de recuperação.



quarta-feira, dezembro 17, 2003

Este jogo é uma final
JOSÉ ANTONIO CAMACHO lembrou ontem aos jogadores que este é um jogo sem segunda hipótese: ou o Benfica ganha em Coimbra e segue na Taça ou perde e fica apenas a lutar no campeonato e na UEFA. Em conferência de imprensa, o técnico espanhol pediu ambição e falou da sua equipa.

—O que espera deste jogo com a Académica?
— Espero entrar em campo para ganhar. A Taça é sempre uma final, cada jogo é uma final. Se não passas este jogo não tens uma segunda hipótese, há um jogo e acabou-se. Em disputa não estão pontos mas sim uma eliminatória e espero que os jogadores entrem para ganhar.
—Qual a expectativa sobre o adversário?
—Vai jogar no seu relvado e tem uma motivação extra. O mais importante numa equipa quando joga contra o Benfica é a sua motivação. Já jogámos em Coimbra mas cada jogo é diferente e eles vão querer fazer qualquer coisa de importante. É um jogo diferente e vai dar mais notícia.
— Porque não convocou Zahovic?
— Jogou ontem [anteontem] e veio de viagem. Joga outro.
—Vai aproveitar para rodar jogadores?
— Alguns, mas não todos. Primeiro está a equipa. Ela está a funcionar bem mas temos de mudar, até porque o Ricardo Rocha também não pode jogar.
— Luisão ou Argel, qual vai jogar?
— Até podem jogar os dois.
— E João Pereira?
— Para mim não é importante os nomes, não olho para isso mas para a equipa. Quem joga tem de ser para ganhar e é só com essa intenção, a pensar no Benfica, que escolho os jogadores para a equipa.
— A equipa não perde há vários jogos. Diria que esta é a melhor fase que já atravessou?
— Tivemos outra fase igual, antes do Beira-Mar, em que tivemos seis ou sete jogos sem perder. É sempre positivo, para o moral, para tudo. Mas o campeonato não está ainda na metade e tudo está a rodar. O mais importante é que continuemos nas três competições. Neste momento estamos em duas e vamos tentar continuar na Taça também.
— Como deve ser encarado este jogo frente à Académica?
— Quando vou para o relvado espero que o jogador esteja a 100 por cento. O adversário dará o máximo e se nós baixarmos a percentagem haverá maior igualdade. Se estivermos a jogar e a dar 100 por cento será difícil parar o ritmo do Benfica. As outras equipas vão baixar e o Benfica continuará superior.

TAÇA CHEIA
de oportunidades
NUNO GOMES, Luisão, Argel e Roger podem entrar na equipa titular que José Antonio Camacho vai apresentar hoje em Coimbra, frente à Académica. O jogo da Taça representa um punhado de oportunidades para os menos utilizados pelo treinador espanhol e muito espectáculo para os adeptos benfiquistas

Luisão já falhou 13 jogos do Benfica desde que se lesionou frente ao Nacional da Madeira, à sexta jornada do campeonato da SuperLiga. Voltou a ser convocado e tem fortes possibilidades de jogar hoje como titular frente à Académica. Ricardo Rocha foi operado ao nariz e deve ser substituído por Argel, mas, durante o treino de ontem, Camacho deu alguns indicadores de que também poderá fazer descansar Hélder e, nesta perspectiva, será o defesa-central brasileiro a saltar para a titularidade. Luisão veio do Cruzeiro de Belo Horizonte (sagrou-se campeão brasileiro) e chegou a Lisboa rotulado de craque. Os adeptos benfiquistas anseiam por vê-lo em acção e também José Antonio Camacho, que já fez saber que pretende, rapidamente, dar minutos de competição ao jogador. Frente à Académica poderá, portanto, formar-se a dupla Argel/Luisão, mantendo-se Cristiano à esquerda e Miguel à direita — não existem mais alterações para estas posições. E Bossio regressa à baliza encarnada..

Carlitos convocado e Roger na rampa

No meio-campo não devem processar-se alterações e, em princípio, alinham de novo Fernando Aguiar e Tiago, embora o sueco Andersson também espreite uma oportunidade para se mostrar. No lado esquerdo mantêm-se Simão Sabrosa, que assume um papel preponderante na estratégia encarnada, e na direita podem surgir novidades. Roger, artista brasileiro que amassa associativa continua a idolatrar, tem possibilidades de jogar a titular, relegando assim jovem João Pereira para o banco. Importa referir, também, o regresso de Carlitos aos lote de convocados.

Nuno Gomes de volta

É na frente de ataque que se concentram as atenções e os olhos dos adeptos. Com Zahovic fora dos convocados — o esloveno jogou segunda-feira, em Basileia, encontro promovido contra a pobreza e coma chancela de Zidane e Ronaldo — estão abertas as portas para o regresso à equipa do ponta-de-lança Nuno Gomes.A hipótese mais provável será mesmo que Camacho o faça alinhar juntam ente com Sokota , reeditando uma dupla que deu muitos e bons frutos no encontro que o Benfica disputou em Coimbra, para o campeonato— os benfiquistas ganharam esse jogo por 3-1, com golos de Sokota, Simão e Roger e uma exibição fantástica de Nuno Gomes.

Pai Natal já tem a prenda para Petit
O médio do Benfica voltou ontem a trabalhar no relvado da Luz, com o fisioterapeuta Armando Jorge. Corrida, exercícios específicos e trabalho com bola têm feito parte da última etapa de recuperação. Após as férias natalícias, deverá ser reintegrado. Lesionado desde 6 de Novembro, tudo indica que estará apto para o derby de 4 de Janeiro.

O regresso de Petit aos treinos sem limitações e à competição está cada vez mais próximo. O Pai Natal já embrulhou o «ok» clínico para o jogador encarnado, que abrirá a prenda durante as férias natalícias que o plantel vai gozar a partir da próxima segunda-feira (um dia depois do encontro com o Estrela da Amadora, na Reboleira). O regresso aos trabalhos está agendado para o dia 28, embora ainda dependente da data definitiva da recepção ao Sporting, para já programada para 4 de Janeiro. Nessa altura, Petit deverá juntar-se aos companheiros, já sem condicionalismos, por forma a procurar o ritmo físico necessário que lhe permita regressar aos relvados no duelo com o rival da Segunda Circular. Ontem de manhã o médio voltou a marcar presença no treino, acompanhado pelo fisioterapeuta Armando Jorge. Além de corrida, efectuou vários exercícios, alguns dos quais já com bola, sem se ressentir da lesão no joelho esquerdo, contraída no passado dia 6 de Novembro, diante dos noruegueses do Molde. Seguiu-se a intervenção cirúrgica. Até ao momento a recuperação decorre dentro dos timings previstos — mês e meio a dois meses.

Armando e Geovanni só para o ano

Além de Mantorras, cuja recuperação tem, como se sabe, contornos específicos, e de Ricardo Rocha (operado anteontem ao nariz), Armando e Geovanni são os restantes clientes do departamento clínico. O primeiro esteve também ontem no relvado, mas limitou-se a correr. O regresso de Geovanni parece estar mais demorado, uma vez que se tem limitado a trabalhar no ginásio, têm sido esporádicas as aparições nos treinos. Ambos os jogadores não serão utilizados antes do próximo ano.

Artilharia avançada
A Académica tem o condão de puxar os avançados da Luz a Coimbra. Foi precisamente para o encontro da SuperLiga que José Antonio Camacho convocou Nuno Gomes, Sokota e Fehér pela primeira vez esta época e é frente à Briosa, desta feita em jogo a contar para a Taça de Portugal, que o técnico volta a apostar na artilharia avançada. É reconhecia a qualidade da frente de ataque do clube, mas a verdade é que as lesões não têm permitido ao técnico espanhol apostar nos aríetes da Luz. Porém, a tempestade parece amainar, até porque a este trio juntar-se-á outro nome em breve: Pedro Mantorras.

Há mais de um ano no clube, José Antonio Camacho teve apenas um par de vezes a oportunidade de ter ao seu dispor os quatro avançados que moram na Luz. Não é um facto inédito, mas sem dúvida raro, principalmente quando se vasculha os arquivos da história recente da equipa e se conclui que no momento da recuperação de um, logo outro se lesionava, bem ao estilo da renovação celular de um organismo vivo. O Benfica versão 2003/04 tem-se mantido nos mesmos moldes. O regresso de Mantorras teve novo adiamento, Nuno Gomes começou a época ainda a convalescer de intervenção cirúrgica ao tornozelo esquerdo e, depois de voltar a competir, foi obrigado a nova paragem devido amazela muscular, falhando seis jogos; Sokota, por sua vez, nunca mais voltou a assustar-se com o tendão de Aquiles, mas ausentou-se em três jogos oficiais devido a lesão. Só mesmo Fehér ainda não teve qualquer problema clínico, mas sem que isso se traduza em muitos minutos jogados—só foi titular em dois jogos para a SuperLiga.

De novo no Calhabé

Por todas as razões apontadas, não causa surpresa, pois, que em 22 convocatórias para jogos oficiais, esta tenha sido apenas a quarta em que são incluídos os nomes dos três avançados— com o Gil Vicente, o primeiro jogo de Nuno Gomes depois de longa ausência, Fehér estava apto mas foi preterido por opção técnica. Mas a relevância deste dado não fica por aqui: foi justamente na véspera do encontro com a Académica, a contar para a SuperLiga, também no renovadíssimo Calhabé, que Camacho chamou o trio ofensivo pela primeira vez. Os encarnados venceram o jogo por 3-1. Estará a caminho um déja vu?

Rivaldo para o Benfica?
Rivaldo admitiu, na Suíça, em exclusivo a ABOLA, equacionar a hipótese de jogar pelo Benfica. O internacional brasileiro, sem clube desde que rescindiu com o Milan recentemente, irá anunciar, em princípio na próxima semana, o nome da equipa escolhida para prosseguir a carreira.

A estrela da selecção canarinha reconhece ter ouvido «comentários» sobre um eventual interesse do Benfica na sua contratação e confessou «não descartar» essa possibilidade. Seria a oportunidade para reencontrar-se com«o meu amigo Simão ». Rivaldo foi dos últimos jogadores a chegarem a Basileia para participar no jogo dos Amigos de Ronaldo com os Amigos de Zidane. À sua espera estavam dezenas de fãs que o impediram, durante alguns minutos, de chegar ao carro que o transportaria para o hotel. Não obstante raramente ter sido utilizado por Carlo Ancelotti no Milan, a popularidade de Rivaldo continua em alta. O avançado autografou camisolas, fotografias e muitas folhas de papel. Antes de partir para o centro da cidade disponibilizou-se a comentar para A BOLA a possibilidade de transferir-se para o Benfica. «Ouvi, na verdade, comentários, sobretudo na imprensa, que podia ir para o Benfica. Mas nenhum dirigente nem o presidente falaram directamente comigo », afirmou, sem mostrar qualquer admiração, para acrescentar, sem ser preciso outra pergunta, que «o Benfica é um grande clube, com história e tradição no futebol europeu».

Amigo Simão

O talentoso avançado continua a ser utilizado na selecção brasileira e está a preparar-se para regressar ao melhor nível em Janeiro. O jogador, segundo conseguimos apurar, pretende anunciar a sua decisão, salvo no caso de surgir alguma situação inesperada, na próxima semana. E Rivaldo analisará «com interesse» um convite do Benfica na eventualidade, naturalmente, de surgir. «A equipa do Benfica tem vários jogadores brasileiros. E tem Simão, que é meu grande amigo », justificou. Apesar de sublinhar que não foi «contactado» pelo presidente dos encarnados, o internacional brasileiro dispara: «Nunca vou descartar a possibilidade de jogar num clube como o Benfica, que tem dimensão mundial.» Rivaldo admitiu ser «difícil enviar uma mensagem ou dizer alguma coisa aos adeptos» da equipa da Luz, mas voltou a sublinhar. «De maneira alguma descartava o Benfica.» O internacional brasileiro pensa não ter havido qualquer contacto com o seu empresário, o brasileiro Carlos Arini, pois, avança, «seria informado.» «Fico a saber de tudo o que se passa por ele», acrescentou. Contactado ontem por A BOLA, o próprio Carlos Arini (que trabalha para a empresa de César Sampaio e Rivaldo, a CSR), confirmou ter sido «sondado» por uma gente em nome do Benfica, sem contudo revelar a sua identidade. «Foi apenas isso, sondagem », diz Arini.



terça-feira, dezembro 16, 2003

Responsabilidade é minha, braçadeira é de todos
NO relvado joga à defesa, fora das quatro linhas ataca as palavras com garra e em defesa do grupo de trabalho. Hélder, capitão do Benfica na sequência de uma eleição tudo menos pacífica, explica nesta longa entrevista o que se passou (ou não) em Jerez de la Frontera com Simão Sabrosa, fala sem receio da surpresa que sentiu ao sentar-se de novo no banco de suplentes e deixa uma mensagem para os que gostam de assobiar a equipa no jogos disputados na Luz.

A seis pontos da liderança da SuperLiga, Hélder assume que o título não é uma miragem, até porque nos últimos desafios a baliza de- Moreira esteve inviolada.
— Após um início de temporada algo conturbado, o Benfica não sofreu qualquer golo nas últimas quatro jornadas. Está encontrada a estabilidade defensiva?
— A estabilidade não se pode dizer que está garantida em termos definitivos. Estamos a viver período bom, conseguimos assimilar ideias que estavam um pouco no ar e que agora estão mais trabalhadas. O mérito não é só dos jogadores da defesa, mas de toda a equipa que interiorizou que também é necessário defender para depois marcar.
—Que ideias eram essas que estavam no ar?
— Estou a falar dos lances de bola parada. Quando acontece um golo nestas circunstâncias toda a gente diz que a culpa é da defesa, quando toda a equipa tem de fazer marcação. Se analisarmos os golos que o Benfica sofreu esta época, grande parte deles foram erros nossos, não jogadas com grande mérito do adversário antes pequenos erros que conduziram ao golo.
— E a que se deveu isso?
—Não sei, talvez alguma falta de concentração, confiava-se demasiado. Mas realmente esses erros aconteceram. Ultimamente já não é assim.
—Olhando para os números, o Benfica tem apenas mais um golo sofrido que o FC Porto. Será, então, a defesa do Benfica tão forte como a do FC Porto, ao contrário do que muitas vezes se diz?
—A resposta está no que aconteceu no ano passado: sofremos apenas mais um golo que eles, marcámos mais um que o FC Porto. Acho sinceramente que a nossa defesa não é inferior à de nenhuma equipa do campeonato português... apesar de um golo sofrido pelo Benfica ser muito mais falado que um golo sofrido pelo Porto ou pelo Sporting.
—Sente que tem existido alguma inconstância exibicional de jogo para jogo?
—Sim, nós não passamos à margem das nossas exibições. Tivemos um período menos bom a que se seguiu outro bem conseguido com seis vitórias (incluindo o jogo com o Nacional deMontevideu), até que surgiu a derrota do Beira-Mar. Estamos conscientes daquilo que temos feito, mas também temos de perceber que o futebol português está muito diferente. Há equipas muito bem organizadas, comvontade de jogar... pode ser um lugar-comum, mas hoje em dia já não há jogos fáceis. Acho que a nossa grande vitória nestes últimos encontros foi perceber exactamente isso, hoje em dia temos de trabalhar tanto ou mais que o adversário se queremos vencer os jogos.

«Sócios têm de nos ajudar em vez de critica»


—É verdade que quando uma equipa joga contra o Benfica tenta fazer a exibição da época?
— Essa é uma questão que comentamos no balneário, acontece isso mesmo. O FC Porto é que tem dominado nos últimos anos o futebol português,mas eu sinto que todas as equipas têm mais prazer, sentem mais gozo em complicar a vida ao Benfica, porque sabem que terão uma maior cobertura pela imprensa se isso acontecer.
— Por norma as equipas entram a medo nas Antas, na Luz nota-se que isso já não acontece...
—Isso explica-se pela trasjectória do Benfica nos últimos anos. Há nove anos que não é campeão, que não ganha nada, aconteceram resultados menos bons no Estádio da Luz e as outras equipas acreditam que podem ganhar. É isso que estamos a tentar mudar, a tentar intimidar as equipas que visitam a Luz, que nos ganhem respeito.
—O público nem sempre ajuda?
— Com o novo estádio e coma aproximação dos adeptos ao terreno de jogo pensámos que seríamos beneficiados com o apoio do nosso público... mas a realidade é que isso não tem acontecido e se calhar até nos tem prejudicado. Os jogadores e a equipa técnica, todo o grupo de trabalho não têm sentido o apoio dos nossos sócios e adeptos. É uma crítica que faço aos nossos apoiantes porque, tal como nós temos de ter a responsabilidade de ver que o futebol está a mudar, que o futebol do Benfica está amudar, os sócios têm de perceber que é preciso apoiar os jogadores que a equipa tem, jogadores que querem o melhor para o clube, querem títulos, mas têm também de nos ajudar e apoiar. Muitas vezes para se chegar ao golo é preciso fazer circulação de bola, ser paciente... mas eles não compreendem isso, ou não têm compreendido. Espero que esta mensagem seja bem aceite e que consiga levar mais gente ao estádio para apoiar a equipa.
—O treinador já abordou isso, dizendo que em casa a equipa sente mais dificuldades que fora da Luz...
—Veja-se, por exemplo, contra o Braga: aos 87 minutos de jogo, estamos no nosso meio campo, damos seis, sete toques na bola a fazer circulação e começaram de imediato os assobios.
—É um público demasiado exigente?
—Demasiado não, porque foram habituados a anos e anos de vitórias e títulos do Benfica. Sentimos que estamos no caminho, estamos unidos, todos sem excepção, para, se Deus quiser, levar o Benfica a bom porto.
Surpreendido com a condição de suplente

— Camacho tem variado muito de dupla de centrais. O Hélder já fez parceria com Argel, com Ricardo Rocha,comLuisão, já ficou no banco de suplentes... Isso origina algum tipo de intranquilidade?
— O treinador chegou com ideias novas depois de ter estudado a equipa durante a época passada. Sabia bem as potencialidades que podia tirar de cada um. A estabilidade demorou um pouco a chegar, mas chegou. Acho que se vê que a equipa já tem um conhecimento melhor, já joga melhor.
—Desde que regressou ao Benfica já passou por tudo um pouco. Quando está algum t empo no banco de suplentes sente-se a sua presença quando volta à titularidade e acaba por agarrar o lugar...
—Sinceramente devo dizer que foi com alguma surpresa que me vi relegado para suplente. Tinha terminado muito bema época, trabalhei bem na pré-temporada onde fui quase sempre titular e não estava à espera... São coisas do futebol, respeitei, levantei a cabeça e mantive a mesma atitude no trabalho, nos treinos. As oportunidades apareceram e quando surgiram acho que dei a melhor resposta.
—Houve alguma explicação para isso, falou como treinador...
—Não, não é normal que um treinador tenha de dar explicações a alguém quando não joga. O importante é estar concentrado e unido em redor da mesma causa. Preparado para quando a oportunidade chegar.
— Chegou a dizer-se que isso teria acontecido devido ao episódio da braçadeira...
— Não, nada a ver. Acho que o treinador tentou colocar em campo os jogadores que estavam melhor fisicamente no início da época, e o Argel e o Ricardo estavam muito bem em termos fisícos. Depois chegou o Luisão e seria normal que tivesse de ter oportunidade de mostrar o seu valor. Creio que é bom para um clube ter um leque de centrais de grande valor, que é o que acontece connosco.

O episódio da braçadeira

— No Benfica, ainda pesa muito a braçadeira de capitão?
— Pesa, pesa. Se não pesasse não se tinha dado tanta cobertura como se deu na altura de Jerez, não se tinham criado tantas histórias, não se tinha alimentado tanto esta novela. A responsabilidade é minha, a braçadeira é de todos. Assumo a responsabilidade, mas como devem reparar, a braçadeira tem lá o símbolo do Benfica, não tem o meu nome. Todos os jogadores podem envergá-la.
—Não houve nessa altura uma divisão no plantel?
—Não, não houve. O que aconteceu foi ter existido uma tensão natural devido também a estarmos fora de Portugal e recebermos notícias atrás de notícias pelo telemóvel. Talvez tenha sido isso que causou uma certa intranquilidade. Uma coisa é certa, o grupo continua bem, a divisão não chegou a existir.
—Mas o processo acabou por se arrastar...
— Não fomos nós que fizemos arrastar esse assunto. Tudo foi sanado logo em Espanha. Tudo foi feito de forma clara...
— Tem hoje uma boa relação com Simão?
—Sim, temos uma boa relação.
—Quem é afinal o terceiro elemento da hierárquia a poder ser capitão?
—Nuno Gomes. — Não ficou decidido que seria Zahovic?
— Zahovic é um homem com muita experiência. Podemos mesmo dizer que no meio de nós todos é o verdadeiro gentleman.É uma pessoa que sabe estar, que se habituou a viver em grandes clubes e foi ele o primeiro a dizer que nunca seria capitão ou subcapitão. Desde logo afirmou que queria apenas ser uma alternativa para desempenhar essa função.
—Miguel também chegou a envergar a braçadeira...
—Na altura eu não estava a jogar e o Simão não queria usá-la. Como Zahovic lesionado a escolha natural racaiu em Miguel. Mas penso que já se escreveu demais sobre isso. Chegou o momento de dizer basta.
— Quando chegou ao Benfica disse que o plantel tinha um valor bastante superior à maioria dos adversários. Continua a pensar assim?
—Nada mudou...
— O que falta, então, para se aproximarem do FC Porto?
—O FC Porto conseguiu rapidamente ter uma grande estabilidade, o que também aconteceu porque os resultados foram aparecendo. E assim conseguiram ganhar o Campeonato, a Taça e a Taça UEFA. O Benfica está a caminhar nesse sentido tem jogadores jovens e irreverentes, outros bastante experientes e essa mescla é importante. Neste momento está em construção uma grande equipa. Há que ter paciência.
— A paciência que os adeptos não têm?
—Os tempos são outros, as diferenças entre os clubes não são tão grandes, como se pode ver pela classificação. Temos de ser apoiados e a qualidade existente vai fazer a diferença.
— Voltando ao FC Porto, deram nova demonstração de classe frente ao Beira-Mar. É mesmo possível o Benfica chegar ao título?
—É verdade que eles estão muito fortes, mas é evidente que é possível. Se à 14 jornada estivéssemos aqui a dizer que não será possível recuperar seis pontos, então, aí sim, merecíamos os assobios dos adeptos. Tivemos alguns deslizes em casa, mas em Paços de Ferreira, por exemplo, fomos muito fortes. Há que pensar ganhar jogo após jogo e trabalhar para ganharmos vantagem no confronto directo e recuperarmos desta desvantagem.
— O afastamento da Liga dos Campeões às mãos da Lazio foiumbalde de água fria?
—Não, até deu para cair na realidade. Provavelmente, esse jogo serviu paramostrar que o Benfica não está ainda preparado para estar na Liga dos Campeões ao mais alto nível. Encontrámos uma equipa muito habituada a estar nessa competição, que vive uma realidade muito diferente da nossa e mesmo assim fizemos bons jogos cá e lá. Provou-se ali que a experiência conta muito.
—Ehouve alguma ansiedade...
—Também.Emuita vontade de resolver o jogo lá em Itália. Acabámos por ser infelizes, mas ganhámos experiência para podermos estar bem na Taça UEFA. Estamos bem e vamos estar na terceira eliminatória coma ambição de não parar por aqui.
— Vão de novo à Noruega. Será mais difícil agora?
— Sem dúvida que sim. Como disse José Antonio Camacho, cada equipa tem 50 por cento de hipóteses de passar. Todos temos de ter consciência que têm uma equipa habituada a este tipo de jogos e dificilmente perde em casa. Queremos chegar longe naUEFAe por isso temos de estar preparados para resolver qualquer problema.

«Dá-me gozo ver jogar Costa curta ou Maldini»



— Podemos dizer que Hélder é o patrão da defesa do Benfica?
— Sou o mais velho [risos]. Por falar nisso, julgo que aqui em Portugal se dá demasiada importância à idade. Dá-me gozo quando vejo jogadores como Costacurta ou Maldini nas grandes finais do futebol mundial e serem avaliados somente pela sua produção e não por terem 36 ou 37 anos. Aqui é sempre a velha história: se jogasbem é porque tens experiência e sabes onde deves estar; se jogas menos bem é pela idade, por estares velho... por seres lento.
—Mas sente-se ou não o patrão?
— Sinto que tenho uma voz mais autoritária que os outros no que toca à responsabilidade, ao chamar à atenção os meus companheiros. Aí sim, tenho uma palavra a dizer. Não só por ser o mais velho, mas também por ser o capitão. Sempre fui ouvido e respeitado.
— Voltando à idade, com 32 anos o que esperar?
—Penso que ainda tenho muito para dar. Ganhei a expeiência suficiente para saber o que tenho de fazer parame manter bem fisicamente, tanto nos treinos como nos jogos. Sinto que posso estar ao mais alto nível mais dois ou três anos.
—Está em final de contrato. Já houve conversas para renovar?
—Não, não houve. Mas penso continuar. Estou confiante de que será falado quando chegar a altura certa.
— Sente-se um jogador muito diferente daquele que chegou ao Benfica há 12 anos?
— Desgasto-me muito menos, mas a vontade é a mesma. Sei perfeitamente o que tenho de fazer para controlar da melhor maneira o adversário e qual o posicionamento que tenho de ter. Aos 18 anos queremos ir a todas as bolas, estar em todo o lado, mas acabamos por nos desgastar mais e abrir espaços na defesa. O segredo passa por tentar antecipar o pensamento do adversário.
— O Benfica tem neste momento a dupla ideal no centro de defesa?
—A dupla ideal é sempre aquela que não sofre golos e dá garantias à equipa. Penso quena época passada,com Argel, também se disse que formámos uma dupla muito forte. Fizemos uma época bastante boa, encurtámos o número de golos sofridos. Quero por isso deixar uma palavra de apoio ao Argel, que não tem estado a jogar. Tem-se falado muito na possibilidade de ele sair por acabar contrato, mas é um excelente profissional e será umaperda para o clube se ele não ficar. Se sair do Benfica por alguma razão, não terá dificuldade em encontrar clube.
— E Luisão?
—Perdeu alguma vantagem devido à lesão, mas é um jogador com grande futuro. Tem características físicas muito boas para o futebol europeu, o que me faz pensar que depois de se adaptar pode ser muito útil.
— Qual foi o jogador com que formou a melhor dupla ao longo dasua carreira?
— Mozer. Consegui ter uma adaptação e coesão acima da média. Transmitia aquela garra, aquela força e foi uma referência importante para mim.
— Tenta hoje seguir esse exemplo?
—Não, temos características muito diferentes. Retiro um pouco de Mozer ou Ricardo Gomes. William também foi um jogador importante... felizmente joguei com muitos e bons centrais ao longo da minha carreira, como Donato, Naybet... Tive a sorte de ter aprendido alguma coisa com todos eles.
— E qual o avançado que lhe deu mais trabalho em todos estes anos?
— Foi Kostadinov. Apanhei-o no meu primeiro ano de Benfica e vinha de jogar a líbero no Estoril. Coube-me marcá-lo porque era Mozer que actuava como líbero. Não posso dizer que me correu mal, mas passei por muitas dificuldades. Mozer acabou por disfarçar um certo nervosismo e falta de maturidade da minha parte.

Camacho defende-nos de forma intransigente
Quando se discute o futebol português, sempre se diz que nenhum clube pode habituar-se ao sucesso sem organização e o Benfica é apontado quase sempre como o paradigma desta verdade quase lapalissiana. Pois bem, o capitão garante que estão a ser dados passos seguros para mudar por completo esse cenário.
— Sinto que está mais estável, muito por culpa dos métodos e organização de José Antonio Camacho. Isso também acontece porque o grupo passou a ter uma colaboração mais estreita do senhor António Simões. É um homem que tem feito esforços no sentido de estar mais presente e ser o elo de ligação entre os jogadores e o presidente. Tem conseguido isso mesmo desde o início da época e isso ajuda a dar estabilidade.
— Camacho continua a ser o homem certo no lugar certo?
— Penso que sim. Porquê mudar o que pensávamos na época passada? Têm de o julgar somente no final da época, quando o trabalho acabar. Tem um discurso muito realista e fora do normal para a realidade portuguesa. É directo... frontal. É o nosso treinador e defende o grupo de trabalho intransigentemente.

Jogar com Nuno Gomes é sempre um prazer!
TUDO aponta para que Sokota e Nuno Gomes voltem a jogar lado a lado em Coimbra. O ponta-de-lança croata mostra-se entusiasmado com esta forte possibilidade. A atravessar um excelente momento, o camisola 25 elogia a união do grupo e mostra-se ambicioso. «O golo que marquei foi um prémio pela forma como tenho trabalhado nos jogos, mas quero mais», disse a A BOLA.

Embora as opções de Camacho para a deslocação a Coimbra estejam ainda envoltas em alguma neblina, tudo leva a crer que o treinador espanhol aposte em Sokota e Nuno Gomes para a frente de ataque. Isto porque Zahovic alinhou ontem pelo jogo contra a pobreza, em Basileia, e só hoje se junta ao grupo, pelo que deverá ser poupado, sentando-se no banco de suplentes. Naturalmente que há outros cenários possíveis, como por exemplo a utilização de Roger atrás de Sokota, ficando Nuno Gomes em standby, mas a hipótese mais provável aponta mesmo para a reedição da dupla luso-croata. «Ainda não sei se vamos alinhar juntos, o treinador é que decidirá, mas jogar com Nuno Gomes é sempre um prazer, todos sabem que é um grande jogador. Na verdade, é um prazer jogar com toda esta equipa. Nuno Gomes e eu entendemo-nos muito bem e esta é mais uma boa oportunidade para testarmos esse sistema. A confirmar-se, espero que consigamos marcar golos e ajudar a equipa a vencer», começou por dizer o ponta-de-lança croata ao nosso jornal.

Grato pelo apoio

Sokota constitui um caso curioso: trabalha que se farta durante os jogos e está na origem de inúmeras situações de golo da equipa (é o rei das assistências no plantel, com três passes para golo), mas até ao momento contabiliza apenas três golos na SuperLiga. Uma situação que de forma alguma o afecta, embora se mostre realista. Acredita que o golo apontado ao Sp. Braga terá sido o ponto de viragem. «Queria muito marcar e por isso fiquei tão feliz. Tenho trabalhando bem nos últimos jogos e penso que foi um justo prémio. Apesar disso, os pontas-de-lança vivem de golos e num clube como o Benfica os adeptos têm o direito de exigir mais golos a um jogador que actua na minha posição. É natural que assim seja e eles vão aparecer com naturalidade. Sinto que estou no bom caminho », expressou. «É tudo uma questão de ter o ritmo necessário para que as coisas possam sair naturalmente, sem ansiedade. Neste momento não posso pedir aos adeptos para esperarem mais, tenho de marcar e é isso que vou fazer, se possível já em Coimbra», acrescentou, embora sublinhando que o mais importante são mesmo as «vitórias e o bom futebol da equipa», não os seus golos. Sokota agradece o apoio que amassa associativa e os companheiros lhe têm prestado. «O golo foi para eles. Sinto um grande espírito no grupo, estamos a funcionar bem e no caminho certo. Só assim podemos voltar aos velhos tempos de glória», referiu, justificando. «Fui abraçar o Victor Fonseca porque também me tem ajudado muito a ganhar confiança. A união de que falo não é só entre jogadores, é entre todos os elementos do grupo. Ele é fisioterapeuta, por exemplo.»

Assistência como golo

Assumindo frontalmente que a sua missão principal é marcar golos, o dianteiro croata também gosta de servir os companheiros. «Gosto de fazer assistências, para mim é quase como um golo e é a prova do meu trabalho dentro do campo. Apesar disso, os adeptos querem que marque mais golos e tudo farei para os conseguir», prometeu , ambicioso.

Descontraído
O plantel voltou ontem a treinar-se em Odivelas, de forma ligeira e com muita animação e descontracção. Risos, brincadeiras e um espectáculo à parte oferecido por José Antonio Camacho.

As vitórias começaram a aparecer, somam-se os pontos conquistados e Camacho está agradado com o desempenho dos jogadores. Já não se sofrem golos de bola parada e melhorou-se o aproveitamento dos lances de ataque. Factores que, sem dúvida, ajudam a explicar o ambiente de descontracção que marcou o treino matinal de ontem, realizado no Estádio Arnaldo Dias, em Odivelas, e que demorou pouco mais de uma hora. Após o aquecimento, a sessão prosseguiu com remates do meio-campo... sem guarda-redes na baliza. Muitos aplausos e brincadeiras de jogadores e adeptos e uma vibração muito especial para Pedro Mantorras. O ponta-de-lança angolano continua a recuperar de lesão mas também tentou a sua sorte... falhou o golo, mas recebeu os incentivos mais reconfortantes da manhã. Ainda que a brincar, foi bonito vê-lo rematar. Num treino em que estiveram ausentes Zahovic participou no jogo contra a pobreza, em Basileia), Ricardo Rocha (operado ao nariz) e Petit, Geovanni e Armando (ficaram a fazer tratamentos e ginásio em Massamá), voltou a ser chamado o jovem guarda-redes da equipa B, Ricardo Campos. Uma referência inevitável a Nuno Gomes, que voltou a treinar-se sem limitações pelo segundo dia consecutivo. Está, portanto, totalmente recuperado de lesão.

Pé esquerdo que não esqueceu

O treino terminou com sessões de meiinhos e futvólei, nas quais foi novamente visível o estado de espírito dos atletas do Benfica. Um positivismo que certamente levarão para Coimbra. Antes do regresso aos balneários, um verdadeiro espectáculo à parte. José Antonio Camacho resolveu matar saudades e durante alguns minutos testou as capacidades de Bossio e Moreira, com remates à entrada da área. O técnico espanhol ganhou claramente os duelos e mostrou que o seu pé esquerdo não esqueceu como se joga futebol. Quase sempre com rematesmuito bem colocados —mais em jeito do que em força— foi somando golos e colocando os nervos em franja aos guarda-redes

Não estou magoado
O guerreiro está tranquilo. Apesar de preterido nos últimos três encontros, está feliz pelos companheiros e continua a trabalhar com motivação, lembrando que actuou no primeiro dos quatro jogos que a equipa leva sem sofrer golos. «O treinador é que decide se jogo ou não em Coimbra. Estou à disposição para ajudar», disse o forte candidato ao lugar de Rocha.

Com Ricardo Rocha indisponível para dar o contributo à equipa em Coimbra, amanhã à noite, Argel surge como forte candidato para ocupar a vaga. Luisão constitui a outra hipótese, mas ainda não foi utilizado desde que foi dado como clinicamente apto (ficou no banco de suplentes nos últimos dois encontros). A decisão final cabe a Camacho, pelo que Argel mostra-se sereno e aguarda. «Não sei se vou jogar... Faço o meu trabalho diariamente. Saí num momento bom da equipa, depois de termos alcançado uma vitória importante em Molde, e estou tranquilo. Na hora em que o treinador precisar de mim, estou à inteira disposição para ajudar o grupo. É ele quem define e estou às suas ordens», afirmou ontem o central, após o treino. «Se me escolher, jogo sem problema nenhum. Caso contrário, fico no banco igualmente sem problema nenhum», acrescentou. Apesar de preterido nos últimos três encontros, garante. «Não estou magoado nem triste, não tenho razões para isso. Fico contente quando a equipa está bem e, em particular, a defesa não sofre golos. É mérito de todos. As pessoas não podem é esquecer-se que esse mérito começou com o jogo em Molde. Só tenho de estar satisfeito porque joguei os 90 minutos desse jogo e vencemos por 2-0. Nas três partidas seguintes não fui opção, mas continuámos sem sofrer golos e a jogar bem. Isso deixa-me feliz pelos meus companheiros. O sucesso deles é também o meu», expressou. A este propósito refira-se que o nosso jornal escreveu ontem, por lapso, que Argel não alinhou na partida da Noruega. O seu a seu dono.

Deslocação difícil

Escusando-se a falar da renovação contratual, abordou a deslocação a Coimbra: «São sempre jogos difíceis. A equipa da Académica é forte e competitiva. Respeitamos muito o adversário mas vamos para ganhar.»

Regressa Bossio e fica Geovanni
BOSSIO deve regressar amanhã à baliza do Benfica, numa equipa titular que ainda não foi possível decifrar. Geovanni continua a recuperar de lesão e mais uma vez falha a convocatória.

José Antonio Camacho vai proceder a alterações na equipa titular e parece certo que o titularíssimo Moreira — totalista absoluto nas equipas encarnadas da SuperLiga e em grande forma — vai perder, momentaneamente, o lugar para o argentino Carlos Bossio. Na anterior eliminatória da Taça de Portugal, frente ao Estrela da Amadora, Camacho optou por colocar Bossio como titular e tudo indica que voltará a fazer o mesmo amanhã à noite. Quando ao resto da equipa subsistem muitas dúvidas. Se Camacho optar pela equipa mais lógica, tendo em conta as habituais soluções que encontra, deverá colocar em campo uma dupla de centrais formada por Hélder e Argel, com Miguel no lado direito e Cristiano no lado esquerdo. A meio-campo continuarão Fernando Aguiar e Tiago, dupla que se formou após a lesão de Petit e que boa conta tem dado do recado nas últimas jornadas. Na esquerda do ataque continuará o jovem João Pereira e na esquerda o fundamental Simão Sabrosa. Zahovic jogou ontem com os amigos de Zidane e de Ronaldo num encontro de beneficência contra a pobreza, em Basileia, na Suíça. Deve chegar a tempo de se treinar hoje, mas Camacho deverá poupá-lo para colocar Nuno Gomes, reeditando a dupla com Tomo Sokota.

Volta quando estiver bem

Geovanni volta a falhar a convocatória e continua a recuperar de lesão muscular. O jogador teve uma microrrotura nos gémeos da perna esquerda e acabou por se ressentir no primeiro treino que fez sem limitações, após a recuperação. As cautelas aumentaram e ficou decidido que Geovanni apenas regressará à competição quanto estiver a cem por cento. O jogador brasileiro lesionou- e no jogo com o Marítimo e já perdeu a possibilidade de jogar em seis jogos.



segunda-feira, dezembro 15, 2003

Nuno titular em Coimbra
Camacho deve voltar a apostar no sistema de dois avançados no encontro de depois de amanhã, em Coimbra, a contar para a 5.ª eliminatória da Taça de Portugal. Nuno Gomes está totalmente recuperado e demonstrou, no treino de ontem, que não perdeu ritmo competitivo. Por isso, é crível que o camisola 21 venha a fazer dupla de ataque com Tomo Sokota, levando o técnico a abdicar de um dos médios ofensivos titulares nos últimos três jogos. João Pereira e Zahovic são os candidatos a sair.

Passavam poucas horas do triunfo sobre a formação bracarense e o plantel voltava ao local do crime. Por via do encontro da Taça de Portugal, frente à Académica, agendado para quarta-feira à noite (21.15 horas), José Antonio Camacho não deu descanso à equipa e ministrou uma sessão com a duração de uma hora e quarenta minutos no relvado da Luz. Aí foi possível confirmar a boa notícia para os benfiquistas: Nuno Gomes está totalmente recuperado da lesão muscular que o afastou dos últimos cinco jogos da equipa. O avançado treinou-se pela primeira vez sem quaisquer limitações desde que lhe foi diagnosticada a mazela, e como se isso não bastasse, revelou o habitual sentido de oportunidade, ao marcar três golos na peladinha que dominou a parte final da sessão — disputada apenas pelos jogadores não utilizados frente ao Sp. Braga e pelo trio que actuou na segunda parte do encontro (Roger, Andersson e Fehér). Apesar de não ter sido um treino de conjunto, onde normalmente se percebe em quem o treinador vai apostar para titular, a verdade é que a lógica não tem mentido nos últimos tempos: estando em condições, Nuno Gomes é titular indiscutível e é o que deverá suceder em Coimbra.

João Pereira no banco?

Com o regresso do avançado, José Antonio Camacho deverá pôr fim ao ciclo de jogos sem mexer na equipa — três jogos, três vitórias. E fazem-se agora as apostas sobre o jogador a quem recairá a fava. Numa leitura inicial, Zahovic é o nome que surge em primeira instância, não só porque foi relegado para o banco quando o treinador apostou em dois avançados — e atravessando excelente momento de forma, Tomo Sokota manter-se-á na equipa — como só regressa ao trabalho amanhã, fruto da sua participação no jogo de hoje entre os amigos de Ronaldo e os de Zidane, que tem lugar na Suíça, com o objectivo de ajudar os mais necessitados. No entanto, o sacrificado poderá ser outro, podendo a escolha recair em João Pereira. O técnico já mostrou que Zahovic, Nuno Gomes e Sokota são compatíveis—uma das melhores exibições da equipa registou-se nas Antas, com a utilização do esloveno e dois avançados (Sokota e Fehér) — e pode ser igualmente uma medida para poupar o jovem médio-ala-direito: com a renovação do seu contrato em marcha, e com a consequente cobertura mediática, todos lhe exigem exibições como a de Paços de Ferreira. Mas ao primeiro deslize pode ter uma recaída. E como anteontem esteve abaixo do habitual...

Uma defesa de Rocha
DEPOIS das críticas ao rendimento da defesa, tempo de elogios. Há quatro jogos que o Benfica não sofre golos, sempre com o mesmo quarteto defensivo: Miguel, Hélder, Ricardo Rocha e Cristiano. Um dado curioso ressalta da pesquisa efectuada: para a SuperLiga, sempre que Ricardo Rocha jogou a lateral-esquerdo o Benfica sofreu golos; sempre que o ex-bracarense jogou a central nunca tal aconteceu.

Camacho foi o primeiro a reconhecê-lo no final do jogo com o Sp. Braga: desde que a equipa estabilizou na sua produção defensiva os resultados melhoraram a olhos vistos e as vitórias foram acontecendo com naturalidade. O Benfica vai já em quatro jogos consecutivos sem sofrer qualquer golo. Três para a SuperLiga (Rio Ave, P. Ferreira e Sp. Braga) e um para a Taça UEFA (Molde). O último golo sofrido aconteceu na Madeira, frente ao Marítimo, a 12 de Novembro. Ou seja, há mais de um mês que o Benfica tem mantido as suas redes imaculadas. Moreira agradece.

Quatro jogos, a mesma defesa

Camacho, por opção ou por necessidade, já utilizou oito combinações diferentes na composição do quarteto defensivo. Frente ao Sp. Braga conseguiu, pela primeira vez esta época, manter o mesmo quarteto quatro jogos consecutivos. Da esquerda para a direita, falamos de Cristiano, Ricardo Rocha, Hélder e Miguel. Coincidência ou não, o Benfica não sofreu qualquer golo nestes jogos. De resto, estes quatro jogadores actuaram juntos por cinco vezes e apenas sofreram um golo com o Molde, em casa. Assume-se, naturalmente, ser uma conclusão algo simplista, já que os restantes sectores, com muita importância para Moreira, também têm contribuído para a solidez defensiva dos últimos jogos.

O caso de Ricardo Rocha

Se é certo que a estatística vale o que vale, não deixa de ser, no futebol moderno, um importante instrumento de trabalho. E uma das conclusões que a estatística nos permite tirar vai para a prestação de Ricardo Rocha consoante foi utilizado a defesa-esquerdo ou a central. Se analisarmos apenas a SuperLiga, o Benfica sofreu sempre golos quando Ricardo Rocha jogou no lado esquerdo da defesa; nunca sofreu quando jogou a central, ao lado de Argel ou de Hélder. De resto, para a crítica de A BOLA, Ricardo Rocha tem uma média de 6,16 pontos como central e 4,6 como defesa-esquerdo. Razão a quem sempre o quis no miolo.

Há quanto tempo, senhor Benfica!
UM jogo entre Académica e Benfica era noutros tempos um desafio grande, que despertava paixões, reunia multidões e era vivido com incrível intensidade. Os anos foram passando, a fantasia desaparecendo e os estudantes perdendo, aos poucos, estatuto de gigante. Mas a história da Taça de Portugal tem páginas de ouro escritas por estas duas equipas, que se encontraram em três finais, duas meias-finais e duas vezes nos quartos-de-final.

Olhando para o historial da Académica e Benfica no futebol português, ninguém imaginaria que há mais de 36 anos que os encarnados não se deslocam a Coimbra para realizar um jogo daquela que continua a ser chamada de prova-rainha do futebol português. Mas é mesmo essa a realidade, num jogo que ganha, desta forma, estatuto de histórico: foi em1967 a última vez que o Benfica se deslocou a Coimbra para a Taça. E se a tradição ainda tivesse algum peso nestas coisas do futebol bem se poderia dizer que a Académica partia para este encontro com força suplementar. É que os estudantes venceram o referido embate por 2-0 e no final do jogo deixaram os jogadores do Benfica a dizer que só um verdadeiro milagre no Estádio da Luz — as eliminatórias eram disputadas a duas mãos — os poderia levar à meia-final. Não veio a acontecer, já que em Lisboa os encarnados não foram além do 2-1 e foram, assim, afastados por uma equipa que era nessa altura verdadeiramente temida nas competições nacionais.

A cabeça do rei

Dois anos volvidos, novo duelo. Aconteceu no palco mais desejado, o Estádio do Jamor. Final fantástica. Os estudantes em vantagem já durante a segunda parte, mas António Simões conseguiu empatar e levou o jogo para prolongamento. Emoção, muita emoção, até que Jaime Graça coloca a bola na cabeça do rei e... Eusébio deu mais um título ao Benfica. O capitão Coluna subiu a escadaria de tribuna e mostrou a Taça a uma multidão eufórica. Mudam-se os tempos... muda-se a confiança. A Académica já não é o que era e começa agora a falar-se da maldição do Municipal Cidade de Coimbra. Os estudantes teimam em fazer maus resultados no seu majestoso reduto—cinco derrotas, um empate e apenas uma vitória—e têm agora um teste complicado, frente a uma equipa bastante motivada pela vitória por 2- 0 frente ao forte Sp. Braga. E há mais dados estatísticos para lançar. O Benfica já venceu em Coimbra na presente temporada, por 3- 1, num jogo emque Simão, Sokota e Roger assinaram golos de belo efeito. Par além disso, diga-se que no último jogo para a Taça de Portugal a vitória também sorriu aos lisboetas. Foi na época 98/99, no Estádio da Luz, por claros 4-1. Mas — permitam-nos a frase feita—a Taça de Portugal é feita de surpresas e o Benfica tem de se precaver para não voltar a ser afastado numa fase tão prematura, o que até tem sido regra nos últimos anos.

Luisão pode ficar
Luisão está convocado para a selecção olímpica brasileira mas os encarnados ponderam seriamente a possibilidade de inviabilizar o afastamento do jogador durante um mês.

Durante esta semana o Benfica irá pronunciar-se oficialmente sobre a chamada de Luisão à selecção olímpica brasileira, orientada por Ricardo Gomes, que disputará um torneio no Chile. Por não se tratar de um evento que se rege pelas normas da FIFA, os clubes podem recusar deixar partir os jogadores... desde que os visados a isso não se oponham. Os dirigentes do clube da Luz já conversaram com o central, explicando-lhe que abdicando de participar nesta competição, Camacho poderá conceder-lhe novas oportunidades no centro da defesa. Luisão naturalmente que gostaria de ajudar as cores do seu país a carimbar o ingresso nos Jogos Olímpicos de Atenas, mas por outro lado não esconde que o facto de se afastar durante um mês da Luz poderá ser prejudicial em termos de rendimento na equipa orientada por Camacho. Não custa, por isso, adivinhar que o atleta deverá estar a passar por um momento de alguma pressão. Mesmo assim, os dirigentes encarnados acreditam que são fortes as possibilidades de Luisão não se afastar durante este período (falharia, por exemplo, o jogo com o Sporting, no primeiro fim-de-semana de Janeiro). Seja como for, e apesar de nada estar concertado, o Benfica mostra alguma expectativa relativamente ao que acontecerá no Sporting, onde Rochemback se encontra em situação idêntica.



sexta-feira, dezembro 12, 2003

Percurso do Rosenborg nas competições europeias



O adversário do Benfica na terceira eliminatória da Taça UEFA, os noruegueses do Rosenborg, surge nesta competição depois de terem falhado a entrada na Liga dos Campeões, onde ainda disputaram duas pré-eliminatória.


Tal como sucedeu com o Benfica, que «caiu» na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões frente à Lázio, também o Rosenborg falhou o apuramento para a «milionária» competição, contudo os noruegueses, ainda, defrontaram dois adversários (primeiro os irlandeses do Bohemian e, depois, sucumbiram perante o Desportivo da Corunha).

No percurso do Rosenborg na Taça UEFA até ao momento o destaque vai para a última eliminatória, na qual deixaram de fora o Estrela Vermelha.

Eis o percurso completo:

Segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões:
Bohemian Dublin (Irl) - Rosenborg(Nor), 0-1
Rosenborg(Nor) - Bohemian Dublin (Irl) -, 4-0

Terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões
Rosenborg(Nor) – Desp. Corunha (Esp), 0-0
Desp. Corunha (Esp) - Rosenborg(Nor), 1-0

Primeira eliminatória da Taça UEFA:
Ventspils (Let) – Rosenborg (Nor), 1-4
Rosenborg (Nor) – Ventspils (Let), 6-0

Segunda eliminatória da Taça UEFA:
Rosenborg (Nor) – E. Vermelha (Sm), 0-0
E. Vermelha (Sm) – Rosenborg (Nor), 0-1





Lei protege interesses do Benfica
A renovação de João Pereira tem feito correr muita tinta, mas a verdade é que a posição do Benfica não é, de forma alguma, desesperada. A lei concede ao emblema da Luz uma série de possibilidades para, ao abrigo do estatuto de clube formador, manter o jogador nas suas fileiras ou, se houver algum clube decidido a cobrir a parada, ser principescamente ressarcido. Para já, os encarnados têm ainda cinco meses e meio para formalizar uma proposta que marcará, por um lado, o que pretendem receber caso o jogador parta, e por outro, o valor do novo contrato de João Pereira. Tudo isto, claro está, se não houver, entretanto, acordo entre as partes, algo que, de momento, não está à vista...

João Pereira, 19 anos, tem sido a grande revelação da temporada benfiquista. A sua idade e o facto de estar em final de contrato têm aguçado o apetite dos prospectores nacionais e internacionais, que o referenciaram como um talento emergente. Esses factos, aliados a uma capacidade inegável, levam, também, o Benfica a procurar a renovação do contrato com o irrequieto extremo-direito. Porém, o entendimento entre clube e jogador está longe de ser alcançado, falando-se já no interesse de clubes nacionais e estrangeiros em João Pereira, que tem sido representado por José Veiga, relação que pode vir a ser alterada num futuro próximo. Neste contexto, a posição do Benfica tem sido apresentada como frágil, em função do final iminente do contrato. No entanto, os encarnados estão defendidos pela legislação vigente, que lhes permite tempo e meios para gerir este importante dossier...

O que diz a lei

O artigo 35 do Anexo III da CCT entre a Liga de Futebol e o Sindicato dos Jogadores, estabelece que o clube (neste caso, o Benfica) deve comunicar ao jogador, por escrito, até 31 de Maio, a vontade de renovar o contrato, devendo esse documento ser remetido à Liga e ao Sindicato até 11 de Junho. As condições mínimas do novo contrato deverão corresponder à soma do valor remuneratório do ano anterior, a que acresce um complemento sobre a inflação e ainda 10 por cento do montante estabelecido na Lista de Compensação. Assim, se, por hipótese, o Benfica estabelecer, na Lista de Compensação, o valor do passe de João Pereira em cinco milhões de euros, das duas uma: ou um clube cobre essa parada e o jogador é transferido; ou João Pereira continua na Luz, com a remuneração aumentada em meio milhão de euros, ou seja, 10 por cento do valor atribuído ao seu passe na Lista de Compensação. Perante este cenário, o Benfica não tem uma urgência especial em renovar o contrato com o seu jovem talento, impedido de assumir qualquer compromisso até 31 de Maio. Depois, será uma questão de, à falta de entendimento, serem seguidos os termos legais que tanto podem fazer entrar nos cofres da Luz uma soma importante, como podem impor a João Pereira a sua continuação na Luz, já com um salário de respeito, indexado àquilo que o Benfica entende ser o seu real valor de mercado.

Conto estar em Coimbra
Nuno Gomes ainda não pode ajudar a equipa nesta jornada, mas acredita que bastam mais alguns dias para recuperar totalmente de lesão e já conta estar em Coimbra, no jogo da Taça de Portugal. Também conta estar presente no próximo jogo da outra Taça, a da UEFA. O sorteio realiza-se hoje e o ponta-de-lança não tem nenhum adversário preferido. «Todos são difíceis, mas acredito que o Benfica pode seguir em frente.»

O ponta-de-lança internacional português fez anteontem uma ressonância magnética e o resultado do exame aconselhou a alguma cautela. Nuno Gomes continuará a recuperar de lesão muscular na coxa direita durante os próximos dias, mas o atleta acredita que falta pouco para regressar à competição. «Estou quase a cem por cento. Infelizmente ainda não vou poder ajudar a equipa neste jogo com o Sporting de Braga, mas já conto estar em Coimbra.» O Benfica joga quarta-feira frente à Académica, para a Taça de Portugal. Animar o campeonato O empate do FC Porto, na última jornada do campeonato, frente ao Marítimo, aumentou a expectativa do Benfica e Nuno Gomes admite que estão reunidas condições para aumentar a confiança dos benfiquistas. «Estamos a seis pontos do primeiro lugar e acredito que estamos no bom caminho. Temos de continuar a fazer tudo para nos aproximarmos do FC Porto, para continuarmos a acreditar no título e também para que este campeonato anime mais um pouco no que diz respeito ao interesse competitivo», afirmou o ponta-de-lança, confiante.

Podemos seguir em frente na UEFA

Hoje realiza-se o sorteio da Taça UEFA e Nuno Gomes, tal como todos os benfiquistas, está ansioso por conhecer o nome do próximo adversário da águia. Contudo, o ponta-de-lança não tem preferência. «Não prefiro nenhum, porque certamente que aquele que sair será difícil, hoje em dia são sempre. Pode haver um ou outro menos complicado, mas nenhum será fácil», explicou Nuno Gomes, sublinhando as possibilidades do Benfica: «Seja qual o adversário, sei que o Benfica tem condições para seguir em frente na Taça UEFA. Há algum tempo que não se qualificava e o facto de termos passado à terceira eliminatória já é um bom sinal. O Benfica é um grande clube. Todos os anos tem de estar nas competições europeias. Não conseguimos ficar na Liga dos Campeões, mas temos boas possibilidades na UEFA, até para chegar à final, quem sabe... agora é cedo para falar.»

Falta um título...

Nuno Gomes afirmou ontem sentir-se orgulhoso por representar o Benfica em ano de centenário e por figurar no almanaque do clube, apresentado ontem (ver caixa nesta página). Admite que lhe falta um título — ainda não conquistou nenhum desde que joga de águia ao peito — mas lembra a importância do novo estádio e refere que estão reunidas as condições para devolver o sucesso desportivo ao Benfica.

Ricardo Rocha em pleno
José Antonio Camacho aposta no aproveitamento dos lances de bola parada e na coesão defensiva para ultrapassar o Sporting de Braga. João Pereira mantém-se no onze e Ricardo Rocha também.

Confirmando indicações transmitidas durante a semana, Camacho vai apostar no mesmo onze que utilizou nas últimas três jornadas. O mesmo é dizer que o jovem João Pereira, sobre quem recaem as luzes da ribalta, muito por culpa do complicado processo de renovação em que está envolvido, irá manter o estatuto de titular frente ao Sporting de Braga, havendo, igualmente, a assinalar o regresso em pleno de Ricardo Rocha, que vai manter-se no eixo da defesa. Todavia, o central será operado na próxima segunda-feira ao nariz, uma intervenção simples e que não deve motivar longa paragem. Para o Sp. Braga, Camacho aposta no aproveitamento dos lances de bola parada e foi este pormenor a dominar o treino de ontem em Massamá. Primeiro, o técnico espanhol orientou um trabalho táctico destinado a rentabilizar os lances de bola parada, atribuindo a quatro guarda-redes (Moreira, Bossio, Hugo Pereira e Ricardo Campos) a missão de impedir que os jogadores de campo concretizassem os pontapés de canto apontados por Zlatko Zahovic. Nesta fase dos trabalhos, o treinador insistiu muito com Sokota, corrigindo-lhe a posição.

Equipa compacta

Trabalhando à toda a largura do terreno, José Antonio Camacho mandou posicionar os jogadores como se de um jogo oficial se tratasse, tendo do outro lado os quatro guarda-redes a servir de oponentes. E, ao mesmo tempo que instruía estes últimos sobre a zona onde deviam direccionar os passes, ia mostrando, com gestos largos e indicações bem audíveis, aos seus jogadores como deviam movimentar-se no terreno de jogo, de maneira a cortar as linhas de passe ao adversário. Uma vez mais, o técnico insistiu muito com Tomo Sokota, indicando-lhe as movimentações correctas. Por fim, Camacho deu atenção aos cruzamentos, a partir de lançamentos da linha lateral. Miguel lançava, retribuíam-lhe o passe e cruza para a área.

Um berço cheio de prendas!
Tiago, Cristiano e Armando estiveram ontem na Ajuda de Berço para distribuirem presentes às crianças que aquela associação acolhe. O grupo musical Instinto juntou-se aos futebolistas e deu voz a esta luta de uma associação que leva a cabo uma meritória acção social. A palavra solidariedade foi pronunciada vezes sem conta. Os sorrisos foram muitos....

Um dia diferente. Sentimentos fortes. Muitos sorrisos de crianças para quem um pequeno gesto de carinho é um autêntico tesouro. Um grito de alerta: há uma associação que luta pelo bem-estar de crianças desfavorecidas que deve ser ajudada. Mais do que a distribuição de prendas às crianças, foi esta a missão dos jogadores do Benfica. Com os futebolistas do Benfica esteve o grupo Instinto, que lançou um single de Natal intitulado «Lugar encantado», com um preço bastante simbólico mas cujas receitas revertem na íntegra para a Ajuda de Berço. Tantos autógrafos Chegaram depois da hora, mas não passaram despercebidos. Os moradores da Avenida de Ceuta espreitaram pela janela e quando os jogadores chegaram apareceram muitos jovens ao autógrafo. «Temos este papel importante na sociedade», afirmou Cristiano, ao mesmo tempo que Tiago e Armando diziam que «o mais importante é dar um pouco de alegria a quem mais precisa». Tiago não terminou sem dizer que as prendas que mais gostava de receber quando era menino eram bolas de futebol, mas que a que mais gostou de oferecer ontem foram os beijos que fizeram as crianças sorrir.



quinta-feira, dezembro 11, 2003

Fila para ver Nuno e Simão
As presenças de Nuno Gomes e Simão Sabrosa, para uma sessão de autógrafos, provocaram, ontem, ao final da tarde, uma verdadeira correria a um dos pisos de um centro comercial lisboeta. Muito antes da chegada dos dois jogadores encarnados ao local, já se tinha formado uma enorme fila, onde mais de uma centena de pessoas aguardavam, impacientes, o momento de se aproximar dos ídolos. A maioria, jovens admiradores mas outros, como a conhecida Zita Seabra, também aguardaram a vez até chegar à mesa onde se encontravam os jogadores. Os filhos devem ter agradecido. O ponta-de-lança foi o primeiro a chegar, despertando imediatamente a curiosidade dos fãs. Mas ainda houve que esperar bastante tempo até a chegada de Simão. Desde logo, a ninguém passou despercebido o penteado do «sub-capitão», que trocou as tranças por um novo visual. Passava quase meia hora da hora prevista quando teve início a sessão de autógrafos e, a partir daí seguiu-se uma verdadeira maratona, que se prolongou por quase duas horas. Sorridentes e sem revelar ponta de ansiedade, os jogadores quase esgotaram os postais com as respectivas fotos colocados à sua frente e, foi com grande receptividade que corresponderam aos inúmeros pedidos para posar com os fãs. Uma tarde diferente para dois dos mais mediáticos jogadores da Luz.

Estabilidade... inédita
Se não surgir (mais) nenhum caso clínico a atrapalhar os planos de José Antonio Camacho, tudo leva a crer que a equipa que defrontará o Sp. Braga será a mesma que alinhou diante do Paços de Ferreira e do Rio Ave. Uma situação inédita desde o início da temporada. De facto, nunca o treinador espanhol repetiu três vezes consecutivas o mesmo onze, fosse por razões técnicas, disciplinares ou clínicas. Os resultados têm sido positivos, com vitórias diante de Rio Ave (2-0) e Paços de Ferreira (3-0), além dos cinco golos marcados e nenhum sofrido. Este será talvez o dado mais relevante, a consistência apresentada pelo sector defensivo, que tantas dores de cabeça tem dado ao treinador (e adeptos, naturalmente) desde que começou a época. Hélder e Ricardo Rocha têm-se entendido bem, coadjuvados nas alas por Miguel e Cristiano (parece estar disposto a fazer séria concorrência ao grego Fyssas). Convém não esquecer, neste aspecto, a excelente forma que atravessa o guarda-redes Moreira, o último obstáculo às investidas e intenções adversárias. No meio-campo, Fernando Aguiar, mais em força do que em jeito, vai suprindo a ausência de Petit, com Tiago a seu lado e Zahovic um pouco mais à frente. João Pereira, Simão e Sokota completam o onze. Como costuma dizer-se, em equipa que ganha não se mexe e... não há duas sem três.

Devolver a glória ao Benfica
Camacho inaugurou ontem, em Ceutí, localidade espanhola dos arredores de Múrcia, um complexo desportivo com dois relvados sintéticos, ao qual foi atribuído o seu nome. Aos jornalistas espanhóis deu conta da satisfação pelo seu trabalho no Benfica, desmistificou a questão da renovação e falou do seu objectivo: fazer com que o Benfica reentre na senda dos êxitos.

Espanha e, em especial, a região de Múrcia continua a demonstrar um enorme carinho que tem pelo treinador do Benfica. Camacho é natural de Cieza, a poucas dezenas de quilómetros de Múrcia, e continua a ser homenageado pelos seus. Desta vez foi o ayuntamento de Ceutí, também dos arredores de Múrcia, a prestar-lhe tributo ao dar o seu nome ao complexo desportivo que o próprio, ontem à tarde, inaugurou. Na presença de muitos populares, autoridades locais e grandes amigos, como o ex-treinador do Real Madrid, Vicente del’Bosque. No seu discurso, o treinador benfiquista falou do «orgulho e satisfação» que sentia pela homenagem de que foi alvo. Camacho passou a noite com a família e dormiu em casa. Hoje de manhã, bem cedo, estará de regresso a Lisboa, chegando mesmo a horas de dirigir mais um treino.

Satisfeito na Luz

Os jornalistas espanhóis, naturalmente, questionaram Camacho sobre o Benfica. «Estou satisfeito em Lisboa. O trabalho está a correr bem e estamos a fazer um percurso que visa devolver ao clube as glórias do passado. Com passos seguros que nos permitam seguir em frente sem nenhum passo em falso que nos faça andar para trás», comentou. Questionado sobre o seu contrato, lembrou que o mesmo vigora até 30 de Junho, tal como enfatizou a sua filosofia de sempre: «Todos sabem que não gosto de assinar contratos longos. Se vou continuar? Não sei. É muito cedo para falar sobre isso, para dizer se continuarei ou não no Benfica. A seu tempo se verá essa questão.»

França favorita para o Europeu

A poucos meses de se dar início ao Europeu, que se realiza em Portugal, Camacho considerou que «a França é a principal favorita » à conquista do título. Lembrou o Europeu de 1982, em França, em que perdeu a final para os gauleses, durante a qual até desperdiçou uma grande penalidade, e vincou que «a Espanha terá sorte algum dia», aludindo à sina nas fases finais das grande competições. Colocada no mesmo grupo de Portugal, com a Grécia e a Rússia, «a Espanha é uma das selecções de referência a nível mundial, pelo que tem de tentar passar a primeira fase e esperar depois pela sorte...»

Nuno Gomes outra vez de fora
Ainda não é desta que Nuno Gomes vai regressar à competição, depois de já ter falhado os últimos cinco jogos. O ponta-de-lança voltou ontem a treinar-se de forma condicionada e à tarde realizou uma ressonância magnética cujo resultado continua a aconselhar precaução. Armando e Geovanni são igualmente baixas confirmadas para sábado. Ao invés, Ricardo Rocha, Argel e Moreira estarão disponíveis para a recepção ao Sp. Braga.

Há um mês que Nuno Gomes não entra em campo com a camisola do Benfica, fruto da lesão muscular na coxa direita. A última vez aconteceu precisamente no dia 9 de Novembro, frente ao Alverca (88 minutos em campo). Depois veio o Marítimo, mas apesar de ter viajado com a equipa para a Madeira o ponta-de-lança chumbou no teste realizado minutos antes do apito inicial. Apesar de lesionado, o n.º 21 da turma da Luz apresentou-se nos trabalhos da Selecção Nacional e acabou por não ser dispensado. Poupado diante da Grécia, actuou 25 minutos frente ao Kuwait, no segundo encontro da dupla jornada de preparação da equipa de Scolari, tendo apontado mesmo três golos. Foi no dia 19 do passado mês. Uma situação geradora de polémica, uma vez que poucos dias depois José Antonio Camacho veio a público dizer que o jogador não deveria ter sido utilizado pela Selecção. Seguiram-se compromissos com Estrela da Amadora (Taça de Portugal), Molde (Taça UEFA), Rio Ave e Paços de Ferreira (ambos para a SuperLiga), para os quais esteve indisponível. Nuno Gomes tem alternado o ginásio e tratamentos com treinos condicionados no relvado, à espera que a lesão cicatrize definitivamente. Ontem à tarde realizou uma nova ressonância magnética, em Caselas, que confirmou as melhorias na evolução da lesão mas deu igualmente a indicação de que não está completamente cicatrizada. «Será reavaliado amanhã [hoje] mas em princípio não estará apto para o jogo de sábado», afirmou Pedro Magro. Não estando o dianteiro a 100 por cento, jogar seria colocar em risco a recuperação. Mesmo que Nuno Gomes fosse dado como clinicamente apto até final da semana, Camacho não o utilizaria, pois é essa a prática corrente do treinador espanhol neste tipo de casos.

Armando e Geovanni ainda vão demorar

Ainda no plano clínico, as recuperações de Armando e Geovanni estão igualmente demoradas. O defesa realizou uma ecografia que revelou a existência de uma microrrotura na face anterior da coxa direita, pelo que estará indisponível para os próximos jogos. O extremo brasileiro efectuou um exame de controlo imagiológico da sua lesão muscular e, apesar desta estar cicatrizada, persistem alguns sinais inflamatórios, o que obriga à continuação dos tratamentos. Petit e Mantorras completam o lote de lesionados.

As boas notícias

Nem tudo são más notícias. Moreira contraiu uma lesão ligeira frente ao Paços de Ferreira mas ontem já se treinou sem limitações; Argel, ausente na véspera, também evoluiu sem problemas; Ricardo Rocha, com um traumatismo na pirâmide nasal, trabalhou limitado mas apenas para evitar contacto físico e cabeceamentos, pois estará disponível para jogar.

João Pereira protagoniza novela
Sem fumo branco! Promete transformar-se em mais uma novela mediática o processo negocial para a renovação de João Pereira. Ontem houve conversas entre as diversas partes envolvidas mas ficou tudo como estava... ou seja, na estaca zero!

Novela à vista! Benfica e João Pereira não se entendem no processo negocial para a renovação do vínculo. Ontem, o jogador conversou com o empresário, José Veiga, no escritório deste, numa reunião em que também esteve presente Luís Filipe Vieira, presidente do clube e da SAD. O objectivo passava por tentar pressionar o atleta a aceitar as condições oferecidas pelos encarnados, mas ainda não foi desta que o jovem se deixou seduzir pelos números propostos, qualquer coisa como 15 mil euros. Ainda assim, foram dados passos importantes para que a breve trecho as negociações conheçam o seu epílogo. Seja como for, o processo tende a arrastar-se, criando eventuais cisões junto das partes envolvidas no negócio. Começam a surgir indícios de que o atleta (que se faz acompanhar do seu pai nas reuniões já mantidas) não estará completamente satisfeito com a acção do seu representante. Nas escassas declarações produzidas, João Pereira tem garantido que o coração não se irá sobrepor aos seus interesses, como que avisando que quer renovar mas não por quantias abaixo das expectativas. Até porque as titularidades concedidas por Camacho fizeram com que o seu actual contrato (por objectivos) fosse subindo progressivamente de valores. Se for titular no sábado, com o Sp. Braga, passará a auferir cerca de 7500 euros/mês... quando começou a despontar, ganhava um quinto deste valor. Na Administração da SAD, por outro lado, há quem comece a ficar agastado com as posições assumidas pelo jogador, tendo em conta a sua idade e que ainda há bem pouco tempo alinhava na equipa B. Recorde-se que o vínculo contratual de João Pereira com o Benfica finda esta temporada, pelo que a partir de Janeiro próximo poderá legalmente comprometer-se por outro clube... apesar das cláusulas de compensação pela formação. Com 19 anos de idade, João Pereira assume-se como uma das mais recentes pérolas das escolas da Luz, que há muitos anos não davam qualquer fruto.

Centro de estágio recebe relva em Janeiro
É durante Janeiro que vai arrancar a colocação de relva nos campos 1 e 2 do Centro de Estágio do Benfica, no Seixal. De resto, os seis campos já estão demarcados no terreno, embora as atenções estejam focadas nos dois primeiros, por forma a que a equipa do Benfica ali possa trabalhar o mais cedo possível. Talvez no início de Abril, seguindo os trâmites normais. A bancada do campo número um, para 2500 pessoas, está também a emergir do chão.

No início de 2004 chega a máquina de fibrasand, que mistura areia com fibras. Esse tapete será colocado sobre o terreno já delimitado dos campos 1 e 2 e sobre o mesmo será implantada a relva. Este processo permite maior aderência das raízes da relva em idade jovem. Seguindo os prazos normais, o relvado deverá estar pronto a ser palco dos trabalhos da equipa de futebol em Abril. No Centro de Estágio é possível ver que os seis campos estão desenhados no terreno, embora a prioridade vá para o campo 1, com medidas oficiais e uma bancada, e o 2, do tamanho de duas grande áreas para treino específico de ataque. Sob o campo 1 está já montado o sistema de drenagem e uma série de estruturas que permitirão que se intervenha em sectores como a electricidade ou rega sem abrir buracos. Há muito trabalho invisível no subsolo ou na preparação do terreno, desde a movimentação de terras ou da limpeza do local. A bancada também emerge do solo. Terá capacidade para 2500 pessoas e dois pisos. No primeiro serão instalados quatro balneários, lavandaria, arrumos, oficina, posto médico e ginásio (os dois últimos terão instalações definitivas no edifício principal). No segundo piso, além da bancada propriamente dita, uma sala de imprensa, bar e quatro zonas de balneários. Ao lado, um edifício de apoio — para aquecimento, gás, etc.— bilheteira e uma pequena loja. Em breve será colocada a laje do tecto do piso 1. O edifício estará pronto, pelo menos, ao mesmo tempo de relvado. Abril deverá ser o mês da mudança. O centro fica com as condições mínimas indispensáveis, o resto [ver outra peça] seguirá o seu trajecto. Fica, apenas, água na boca.



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