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sexta-feira, novembro 28, 2003
APRECIAÇÃO À EQUIPA Benfica frente ao Molde: Tiago arrumou casa com frieza nórdica TIAGO (4). A frieza nórdica esteve na cabeça e nos pés de Tiago. Os dois golos tiveram a sua assinatura, mas no primeiro deixou a sua marca: 'abriu' o corredor direito a Miguel com uma boa abertura e foi à área finalizar a jogada com remate enviesado, num lance em que a sua leitura de jogo foi determinante. No segundo estava, mais uma vez, no sítio certo na área e beneficiou de um ressalto para aplicar remate cruzado rasteiro. Quando joga com um trinco mais fixo [Fernando Aguiar], e o adversário lhe concede espaços, como ontem, Tiago está como 'peixe na água'. Foi clarividente com a bola nos pés, e como tem boa técnica, deu fluidez ao jogo ofensivo, arrumou a casa a jogar ao primeiro toque e subiu sempre com muito perigo à área adversária. Quando não o pressionam e deixam 'voar' é letal a aparecer de trás para a frente. O Benfica não fez um grande jogo, nem foi preciso. É tecnicamente muito superior ao Molde e bastou conter o ímpeto inicial norueguês, assumir o controlo do jogo e marcar quando a oportunidade se deparou. Mantendo o adversário longe da sua área, o Benfica evitou o perigo que aquele poderia, eventualmente, criar nos lances de bola parada. Tiago foi o homem do jogo, pela clarividência com que pôs ordem no meio-campo e pelos dois golos que marcou. MOREIRA (3). Logo no início do jogo teve uma saída corajosa aos pés de um adversário, mas o ataque do Molde foi simplesmente inofensivo. Aos 26', noutra saída dos postes a antecipar-se a um adversário, chutou contra Miguel. Na 2ª parte teve uma saída em falso a permitir um remate à barra da sua baliza. Foi a sua única falha num jogo relativamente tranquilo. MIGUEL (3). Defendeu mais do que atacou, mas esteve seguro e subiu somente pela certa. Esteve no lance do primeiro golo de Tiago, excelente na desmarcação e no cruzamento. Nunca sentiu dificuldades perante o seu adversário directo, Mork, que não conseguiu ganhar-lhe um lance em velocidade ou drible. ARGEL (3). Revelou dificuldades iniciais a entrar no ritmo do jogo, mas quando o fez esteve muito seguro e autoritário no 'jogo aéreo'. Na 2ª parte, o Molde pressionou menos e passou a ter menos trabalho, mas manteve o mesmo sentido prático na suas acções. HÉLDER (3). Deixou escapar um adversário logo no início, ao meter o pé onde aquele meteu a cabeça, mas aos 19' e 31' assinou dois bons cortes, em situação de maior pressão nórdica. Fez valer a sua tranquilidade e experiência, o que chegou e sobrou para os toscos avançados noruegueses. RICARDO ROCHA (2). Logo aos 6' devia ter visto o cartão amarelo por uma entrada dura sobre um adversário. Uma retaliação por outra entrada dura sobre ele pouco antes. Deve ter mais autocontrolo. Não acertou um passe com o pé esquerdo e esteve muito faltoso. Como atenuante o facto de Simão nunca o ter ajudado a defender, ao contrário do que aconteceu no flanco oposto com Miguel e João Pereira. FERNANDO AGUIAR (3). Fartou-se de recuperar bolas e esteve mais seguro e certeiro nos passes do que lhe é habitual. Na 2ª parte, com os espaços que os noruegueses concederam no meio-campo, sentiu-se tão à vontade que subiu a zonas perto da área norueguesa e ousou o remate. Cumpriu plenamente no plano defensivo e libertou Tiago para as funções ofensivas. JOÃO PEREIRA (3). Na segunda vez que foi titular esta época, o miúdo voltou a corresponder. Fez sempre o que quis do lateral-esquerdo norueguês, graças ao seu baixo centro de gravidade que lhe permitia mudanças de direcção susceptíveis de 'quebrar os rins' a Thorsteinsson. Mais defensivo do que Simão, facilitou a tarefa a Miguel, com quem teve algumas boas combinações. Desinibido e autoconfiante a partir para cima do adversário. Pena que a cruzar não estivesse ao mesmo nível. ZAHOVIC (2). Falhou muitos passes, o que não é habitual nele. Procurou trabalhar para a equipa, mas esteve pouco inspirado. SIMÃO (3). Não fez um grande jogo, mas foi o avançado mais perigoso do Benfica, com as suas mudanças de velocidade e diagonais para dentro, a enquadrar-se com a baliza. Perdeu alguns lances com o lateral-direito Strande, mas criou os de maior perigo, num dos quais ofereceu o golo a Sokota. Era só empurrar para o fundo das redes, mas o croata falhou inacreditavelmente na pequena área com a baliza escancarada. SOKOTA (2). Fez o mais difícil aos 22', ao encostar o pé esquerdo à bola na pequena área e ao fazer com que ela saísse por cima da barra. Noventa por cento do golo estava feito. Ganhou muitas bolas de cabeça aos centrais noruegueses, mas esteve manifestamente desinspirado, sobretudo a finalizar. Aos 57', Simão voltou a oferecer-lhe outro golo, mas ficou sem reacção e não chegou à bola. Ontem, decididamente, não era o seu dia... HÉLIO PINTO (2). Entrou bem no jogo, desinibido, a trocar a bola e assumindo a iniciativa. ROGER (1). Inconsequente. Forçou a iniciativa individual e não se saiu bem. Não chegou a apanhar o ritmo do jogo. ANDERSSON (1). Esteve poucos minutos em campo e o resultado estava feito... TIAGO Uff! Pôs um ponto final à tremideira sentida na defesa cada vez que o adversário passava a linha do meio-campo em velocidade ao apontar o golo aos 30 minutos. Entrou com pezinhos de lã, passando despercebido, fez a leitura aos jogadores que lhe faziam a marcação e foi então que gradualmente começou a surgir com mais perigo junto da área de Gustafsson. Iniciou a jogada do primeiro golo, Miguel devolveu-lhe a bola e foi só fuzilar. E pronto, a eliminatória estava resolvida. Depois foi só ampliar a vantagem. Outra vez por Tiago, claro! Estes nórdicos nunca mais se vão esquecer dele ODD BERG (treinador do Molde) Missão impossível Odd Berg fez ontem o último jogo como treinador principal do Molde. O homem que passará agora a adjunto mostrou-se conformado. «Se com 0-1 sentimos que era difícil, com 0-2 tornou-se impossível», disse. Sem surpresa: «Sabíamos que seria difícil recuperar de uma desvantagem de dois golos frente a um adversário como o Benfica.» De seguida uma análise serena ao encontro: «Procurámos pressionar na primeira parte, mas não fomos precisos no passe. O Benfica aproveitou os espaços e assim nasceram os dois golos.» Odd Berg reconheceu ainda que amaior arma da sua equipa foi anulada: «Tentámos criar perigo em lances de bola parada, mas o Benfica estava muito bem preparado.» JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica) Camacho já pode respirar O estado de espírito de José Antonio Camacho era, no final do jogo, o de um treinador tranquilo, contente com os seus jogadores e com a certeza do dever cumprido. Por isso mesmo a análise do jogo foi lúcida e realista. «Foi um jogo sem grandes problemas para o Benfica. Estivemos sempre melhor, desde o início. O problema era ganhar as segundas bolas e penso que o conseguimos muitas vezes», começou por dizer o técnico espanhol, admitindo que o resultado poderia até ser mais dilatado: «Podíamos ter feito mais, nunca se sabe, mas onde o Benfica vai é sempre para ganhar, independentemente do adversário. Não podemos esquecer-nos de que a outra equipa também queria vencer o jogo e entrou a pressionar... mas tínhamos uma vantagem de 3-1. A sobrecarga de jogos, para o Benfica, diminuiu e Camacho tem mais tempo para pensar e preparar a equipa. «Agora, o Benfica só volta a jogar para a UEFA em Fevereiro. Temos a SuperLiga e a Taça de Portugal. Podemos respirar um pouco mais, já fizemos os jogos em atraso, mas mesmo assim o calendário não deixa de ser apertado e daqui a quatro dias já temos novo jogo.» Final da UEFA é o objectivo? A pergunta é legítima e também o é a cautela demonstrada por Camacho: «O nosso objectivo é trabalhar, organizar e criar uma equipa forte. Onde vamos chegar nunca se sabe. Na Taça de Portugal, por exemplo, pode calhar-nos uma equipa acessível, aqui, na Taça UEFA, isso não acontece e é mais difícil do princípio ao fim da competição.» Viagem a Coimbra para a Taça O sorteio da Taça de Portugal ditou uma deslocação do Benfica a Coimbra, para defrontar a Académica... «É mais outro jogo forte, já dentro de pouco tempo,mas jogamos sempre para ganhar. Às vezes é uma questão de ter mais ou menos sorte mas vamos a Coimbra com a mesma determinação com que estivemos aqui», assegura o treinador, reafirmando que o Benfica pensa sempre na vitória. João Pereira é jogador de futuro É com muito cuidado que José Antonio Camacho fala de João Pereira, jovem que ontem fez mais uma boa exibição e, aos poucos, começa a conquistar o carinho e admiração do futebol português. «Temos de continuar tranquilos e dar-lhe tempo. Ele está à procura da sua oportunidade e é um jogador de futuro. Vai entrando na equipa aos poucos e poucos, como acontecerá também com Hélio Pinto, que jogou este encontro», esclareceu Camacho. Camacho e os jogadores deixam a Noruega sem frio e muita confiança HESTAD (jogador do Molde) Sem reacção «Começámos a pressionar bastante e notámos que conseguimos entrar bem no jogo. O problema é que do outro lado do campo esteve o Benfica, que é uma equipa com um valor que não podemos desprezar. Tem bons jogadores, que jogaram de forma muito profissional. Na primeira parte tiveram três oportunidades de golo e marcaram dois. Ai o jogo acabou para nós, que nunca conseguimos reagir. A nossa temporada na Noruega já acabou e por isso também não estivemos na nossa melhor forma» HÉLDER (jogador do Benfica) Mau relvado «O nosso objectivo era precisamente marcar um golo durante a primeira parte. Sabíamos perfeitamente que o nosso adversário iria fazer tudo por tudo para ganhar vantagem nesse período, mas acabámos por ser nós a conseguir matar o jogo na hora certa. O espectáculo? É verdade que nem sempre se jogou bonito, muito por culpa das más condições em que estava o relvado do Molde. O nosso adversário pressionou bastante, tentou desde o primeiro minuto complicar a nossa tarefa, mas hoje o Benfica soube ultrapassar todos os obstáculos que apareceram no caminho. É com inteira justiça que passámos para a próxima eliminatória e alcançámos o objectivo de vencer os dois encontros. Foi, de facto, muito positivo o que conseguimos fazer aqui na Noruega. Provámos que somos mais fortes que o Molde aqui e no Estádio da Luz» BENFICA ESTREOU NOVO EQUIPAMENTO Assistência muito fraca Ao contrário do que estava inicialmente previsto, as bancadas do Estádio do Molde não encheram na recepção ao Benfica. No dia anterior à partida, tinha-se vendido apenas dois mil dos 11 mil lugares disponíveis no recinto da equipa nórdica. Ontem, a assistência cifrou-se nos cinco mil espectadores, menos de metade da capacidade do estádio. Segundo os noruegueses, o facto de Eusébio estar doente e não ter viajado, aliado ao resultado de Lisboa, esfriou o interesse do público nórdico. Cem metros de autocarro A unidade hoteleira em que ficaram instalados os encarnados em Molde distava a escassos cem metros do Estádio da equipa norueguesa orientada por Odd Berg. Apesar de terem percorrido esta distância a pé no dia anterior, quando realizaram o treino de adaptação, ontem, jogadores e restante comitiva optaram por percorrer este curto trajecto (não durou mais de um minuto) de autocarro. A explicação esteve no transporte do necessário material que sempre acompanha as equipas nestas deslocações. Equipamento com nova cor O Benfica estreou neste encontro da Taça UEFA um novo equipamento de cor amarela, com riscas vermelhas. Nos últimos tempos, como é sabido, os encarnados têm privilegiado maioritariamente os tradicionais vermelho e branco (por vezes também o preto), mas ontem, diante dos noruegueses do Molde, a equipa envergou novas cores. Aliás, o amarelo não é propriamente uma novidade, até porque, há alguns anos, o clube da Luz chegou a optar por esta cor para o seu equipamento alternativo. Último jogo de Hestad Hestad, considerado um dos melhores jogadores desta formação do Molde (capitão da equipa), disputou ontem, frente ao Benfica, o último encontro ao serviço do conjunto norueguês. O jogador prepara-se para se transferir para o campeonato holandês, onde, na próxima temporada, alinhará pelo Heerenven. Os adeptos noruegueses despediram-se do seu capitão com uma enorme faixa colocada nas bancadas do Estádio do Molde. quinta-feira, novembro 27, 2003
Sorteio da «Taça»: Benfica em Coimbra O Benfica visita a Académica de Coimbra na quinta eliminatória da Taça de Portugal de futebol (16 avos-de-final), que está agendada para 17 de Dezembro, ditou o sorteio hoje realizado em Lisboa. Optimismo antes da batalha com os vikings O Benfica já conhece o frio e o vento de Molde. Conhece também a relva que vai pisar e a luz que iluminará o seu confronto com os vikings. E enquanto Camacho garante que as ausências de alguns notáveis não vão fazer mossa, o ambiente na comitiva encarnada é de franco optimismo. O Benfica está a 90 minutos de atingir a terceira ronda da Taça UEFA, meta que não alcança desde 1999/00, época em que, após ultrapassar Dínamo de Bucareste e PAOK de Salónica, acabou por naufragar em Vigo, afundado por sete torpedos galegos. Esta noite, os encarnados têm um encontro marcado com a história, podendo continuar a recuperação de uma balado prestígio europeu. Para tal deverá bastar que joguem o que está ao seu alcance, não se preocupando com a anunciada fúria viking. Ontem à noite, no Molde Stadium, a adaptação do Benfica não foi apenas à luz e à relva. Foi também à temperatura a rondar os zero graus e ao vento que sopra do mar, intenso, gelado, cortante. Não neva, é certo, e a situação climatérica, embora pudesse ser bem pior nesta altura do ano, está longe de ser agradável. E quanto a adaptações, uma mais para compor o ramalhete, à bola. Os encarnados estão habituados à Adidas e vão ter de jogar com Umbro, que é um pouco mais dura, dificultando a recepção quando bate no relvado. No treino, Camacho baralhou o jogo, por todas as razões e mais uma ainda, a de tanto o treinador do Molde Odd Berg, como o guarda-redes que jogará hoje, Eddie Gustafsson, terem assistido à sessão de trabalho, ontem com parede de vidro. Quem joga e como joga O Benfica vai defrontar um adversário que tem uma estratégia assumida e definida para esta partida. Embalado pela reviravolta que conseguiu contra o U. Leiria, o Molde vai assentar o seu jogo em dois pressupostos simples: quando o Benfica tiver a bola, a ordem vai ser pressionar tão alto quanto possível; quando for a vez de os noruegueses partirem para o ataque vão ou optar por um futebol directo para as costas dos centrais contrários ou lateralizar o jogo, criando condições para cruzamentos que suscitem o jogo aéreo. Perante este cenário, e atendendo aos condicionalismos por que passa a equipa do Benfica, Camacho deve optar pelo reforço do meio-campo, utilizando, em simultâneo, Fernando Aguiar, Andersson e Tiago, deixando aos avançados três missões distintas: Zahovic como pivot da organização da posse de bola e lançador do contra-ataque; Sokota a segurar os centrais e a abrir espaços para as entradas de Tiago; Simão a assumir as despesas da velocidade, na qualidade de rei do contra-ataque. Esta é a forma como o Benfica deve entrar em campo. No entanto, José Antonio Camacho, se estiver numa onda de risco, pode abdicar de um dos médios (eventualmente Andersson), lançando de início o miúdo João Pereira. Se tal acontecer, os encarnados apresentarão um 4x2x3x1 mais capaz, é certo, de chegar à baliza de Gustafsson, mas, por outro lado, mais vulnerável à fúria inicial da armada viking. Na nossa casa é mais difícil Sentimento comum. Camacho e Hélder garantem que o Benfica tem capacidade para superar o Molde e continuar em prova. O treinador atira a pressão para cima do adversário, por jogar em casa e estar em desvantagem, enquanto o capitão garante que os encarnados querem vencer. Chegou a hora de mostrar quem tem mais argumentos para continuar na Taça UEFA. A equipa da Luz beneficia de uma vantagem de dois golos, mas os noruegueses não se dão por vencidos. Os encarnados estão prevenidos, a avaliar pelas declarações de José Antonio Camacho e Hélder. Optimismo quanto baste, com o treinador espanhol a assumir que a pressão estará do lado do Molde. «O Benfica encontra, por norma, mais dificuldades quando joga em casa, devido à pressão do público e à obrigatoriedade de marcar rápido. Quando isso não acontece começa a surgir alguma impaciência nos jogadores e no público, o que é prejudicial. Aqui, é o Molde que joga perante o seu público, precisa recuperar da desvantagem, mas nós queremos entrar a mandar no jogo, como fizemos em Roma, com a Lazio Mas temos também de saber esperar pela nossa oportunidade, ser pacientes. É diferente de jogar em Lisboa, pois a pressão estará do lado deles», explicou. O treinador afirmou ainda que está a par do poderio futebolístico do Molde: «Há muito que conheço esta equipa, já desde o tempo em que participaram na Liga dos Campeões. Independentemente de quem joga, são disciplinarmente muito rigorosos, nunca perdem a compostura.» Mossa na Madeira Depois de conhecer o relvado e avaliar o frio, o capitão Hélder transmitiu aos jornalistas que «o Benfica está avisado para as dificuldades. Estamos aqui para vencer, temos equipa para ganhar.» Hélder garante que a equipa tem feito trabalho específico para corrigir os lances de bola parada, salientando que «apesar das muitas individualidades que decidem jogos, o Benfica também tem colectivo». O capitão, ainda assim, não esconde que a equipa tem oscilado: «Estamos numa fase em que caminhamos para o nosso melhor. Creio que, por exemplo na Madeira, aquilo que provocou mossa não terá sido tanto o resultado, antes a exibição. Era o momento ideal para nos aproximarmos do FC Porto. A desvantagem para o primeiro lugar é grande, mas quem sabe se isso até não será positivo para nós. Vamos ver se no final chegamos à conclusão de que até ganhámos um ponto na Madeira. » Deslumbrados com os fiordes Foi o primeiro teste à temperatura que se faz sentir na Noruega. O único treino agendado por Camacho realizou-se somente à tarde, daí que jogadores e técnicos tenham aproveitado a manhã para visitar a cidade, efectuar algumas compras e... sentir o frio na pele. O dia amanheceu com uma temperatura ligeiramente mais baixa que a da véspera, quando a comitiva benfiquista chegou a Molde. Ainda assim, e aproveitando a manhã livre, jogadores, equipa técnica e alguns elementos que integram a comitiva encarnada fizeram questão de sentir na pele as primeiras impressões sobre o frio que se faz sentir nesta altura do ano nesta região. Nada que não se suporte, mas a aconselhar um bom agasalho para evitar resfriados. Foi assim que, após o pequeno-almoço, por volta das 11.00 horas locais, os jogadores, na companhia de José Antonio Camacho, se aventuraram a sair do hotel. Os mais desprevenidos tiveram de voltar para trás em busca de roupas mais quentes. Bossio foi um deles: chegou à porta da unidade hoteleira, sentiu o frio, fez uma cara estranha, reentrou e regressou momentos depois, já devidamente apetrechado com luvas e um casaco bem quente. E, apesar de tudo, a esta hora a temperatura até nem era tão baixa como aquela que se haveria de verificar à hora do treino. A beleza dos fiordes não deixa ninguém indiferente. Para mais o hotel onde os benfiquistas se encontram instalados situa-se mesmo ao lado de uma marina e do porto onde se apanham os ferries para os mais diversos locais. Deslumbrados com a beleza do local, atletas houve, como Tiago, por exemplo, que fizeram uso das novas tecnologias para guardar imagens para mais tarde recordar. Agora já nem é preciso andar de máquina fotográfica a tiracolo, basta tirar o telemóvel do bolso... O passeio durou até bem próximo da hora do almoço, pelo que poucos deixaram escapar a oportunidade para, desde já, comprar algumas recordações da terra dos vikings. Até porque, durante o dia de hoje, haverá pouco mais tempo disponível, há que pensar a sério no desafio com os homens da terra gelada. Bons rapazes do Molde já a pensar na férias O adversário do Benfica, que entra de férias grandes depois de amanhã, realizou ontem o derradeiro treino antes de medir forças com os encarnados. O palco escolhido foi o campo de Aureosen, a 30 quilómetros de Molde, um pequeno relvado à beira-lago, perdido no meio de nada. Odd Berg, treinador dos noruegueses, preferiu poupar a relva do estádio de Molde e fez com que os seus pupilos se deslocassem, já perto do meio-dia, ao lugarejo dos arrabaldes onde se situa o improvisado recinto. Mantendo um registo absolutamente informal, os jogadores equiparam-se no estádio de Molde, aí tomaram o pequeno-almoço e mantiveram contactos com a imprensa (maioritariamente portuguesa) ,viajando, a seguir, para o treino, nos próprios carros. Foi uma verdadeira excursão, O frio era muito, o vento gelado, vindo do lago, cortava até a respiração e Odd Berg realizou uma sessão de cerca de uma hora em que procurou afinar os pontapés de canto, «uma lacuna dos portugueses que vamos tentar aproveitar», afirmou. Eainda as movimentações com extremos bem colados à linha, sempre preparados para centrar para o coração da grande área. O treinador norueguês, que hoje se despede do comando da equipa e passa a adjunto qualquer que seja o desfecho da eliminatória, colocou a tónica do discurso oficial em dois pontos: «Ainda temos hipóteses, é difícil mas não impossível». Para Odd Berg, «o Benfica vai tentar circular a bola e jogar em contra-ataque enquanto nós procuraremos pressionar muito, de olhos apenas postos na baliza contrária ». No final do apronto, cada jogador regressou à viatura que o transportara, concentrando- e hoje, no estádio, poucas horas antes do jogo com o Benfica. O ambiente entre os noruegueses dificilmente podia ser mais descontraído e não há quem não afirme que a passagem à ronda seguinte da Taça UEFA é possível. Fazem-no, porém, sem grande convicção, certos de que o Benfica é, pelo menos, mais forte individualmente. No entanto, sempre deixam no ar o velho chavão, «em futebol tudo é possível». Jogadores a vender bilhetes no centro Curioso, muito curioso. Durante a tarde de ontem, alguns dos principais jogadores doMolde estiveram a vender bilhetes para o jogo de hoje... no centro comercial da cidade. quarta-feira, novembro 26, 2003
Vamos mandar no jogo PRESTAR atenção aos lances de bola parada e jogar como se fosse em casa, são as receitas de José Antonio Camacho para ultrapassar a eliminatória em Molde. O técnico encarnado mostrou confiar, também, na veia goleadora do desconcertante Roger. José Antonio Camacho era um homem confiante à partida para a Noruega e desvaloriza a opinião, pouco simpática, do treinador do Molde sobre a fragilidade do Benfica nos lances de bola parada. «É verdade que temos concedido facilidades nesse tipo de jogadas, mas temos oito jogadores grandes e fortes. Eles têm de assumir a responsabilidade e nem sempre vão sofrer golos em lances de bola parada», garantiu. Camacho sabe que o frio será um obstáculo a ter em conta, mas lembra que o Benfica não será o único a ser afectado pelas condições climatéricas: «O frio também vai afectar o Molde. Vamos a ver como estará o relvado, mas os jogadores estão motivados. No futebol, há uma crise muito grande e quando se ganha, mesmo que seja a uma equipa da 4.ª Divisão, parece que tudo fica resolvido.» Embora considere que o resultado da 1.ª mão não garante a passagem à eliminatória seguinte, o treinador não se deixa intimidar. «Os noruegueses jogam sempre da mesma maneira. Não creio que o Molde tenha capacidade para dominar o jogo durante 90 minutos e jogar ao ataque, concedendo espaços, não é o seu estilo de jogo. Em minha opinião, o Benfica vai mandar no jogo», afirmou. «Roger não vai mudar» José Antonio Camacho referiu ainda que não tenciona mexer na equipa, defendendo a exibição, algo cinzenta, da equipa frente ao Estrela da Amadora: «As equipas que vêm à Luz jogam normalmente à defesa e raramente passam do meio-campo. Não nos podemos precipitar e perder o sentido do nosso jogo, mas não é fácil marcar golos a equipas que concedem pouco espaço. Normalmente, nos últimos 20 minutos, os adversários baixam fisicamente e nós mantemos o nosso ritmo, conseguindo, por vezes, marcar golos.» As palavras do técnico sugerem que Roger possa manter a titularidade, apesar da presença de Zahovic. «Os dois são compatíveis, mas não podem desempenhar a mesma função em campo. No jogo da Taça o Roger jogou fora da sua posição, mas está a aguentar mais e pode decidir um jogo. O Zahovic está a jogar de forma diferente, trabalhando mais defensivamente. Roger é como é e não vai mudar a forma de jogar. Não me importa se falha passes perto da grande área adversária, pois isso é normal num atacante, outra coisa é perdê-la numa zona proibida, para o adversário lançar o contra-ataque. Atenção às bolas paradas CAMACHO voltou, no treino de ontem, a trabalhar os lances de bola parada. A ordem é clara: cuidado! Definitivamente, os lances de bola parada assumiram uma importância inusitada na estratégia dos treinadores, para o jogo de amanhã, em Molde. Enquanto o técnico norueguês diz, sem papas na língua, ter detectado aí o ponto frágil da equipa portuguesa, Camacho contrapõe com a estatura e a concentração dos seus jogadores, para evitar que episódios recentes se repitam numa eliminatória que não está ainda ganha. A verdade é que as palavras do treinador do Molde não caíram em saco roto e o último treino dos encarnados, ontem, antes da viagem serviu para testar o antídoto para o derradeiro trunfo esgrimido pelos possantes avançados nórdicos. Sem contemplações, Camacho insistiu com o posicionamento dos centrais, parou por diversas vezes o treino para corrigir o que estava mal, antes de dividir o plantel em dois grupos para um mini jogo, com Moreira e Bossio nas balizas. Chamou atenção o facto de Argel, Hélder e Ricardo Rocha terem alinhado na mesma equipa, mas o facto dos laterais Miguel e Cristiano, possíveis titulares, terem alinhado pela equipa adversária, esvaziou a possibilidade de o treinador jogar na surpresa, alterando o esquema táctico. Armando poupado Ausente esteve Nuno Gomes que fez tratamento no ginásio, tal como Petit. No relvado, a fazer corrida, estiveram Pedro Mantorras, Geovanni e Luisão, que trocaram passes longos com o preparador físico Fernando Gaspar. Armando, que também correu, fez uma ecografia que acusou um ligeiro edema nos músculos da coxa direita e, segundo José Antonio Camacho, poderia fazer a viagem. No entanto, optou por poupá-lo. Aterrar a cantar O Benfica chegou a Molde, na Noruega, à hora prevista, sem atrasos. A viagem decorreu sem sobressaltos... até ao momento em que o avião se fez à pista. Alguns saltos, umas quantas abanadelas fizeram aquecer o ambiente no interior do aparelho. A solução para afastar os nervos passou por cantar o nome do clube. Resultou, a aterragem foi perfeita. Antes do choque térmico resultante da diferença de temperaturas, a comitiva que acompanha a equipa encarnada na deslocação a Molde teve de enfrentar uma ligeira alteração de nervos face aos ventos que sacudiram o avião da TAP no momento da aproximação à pista. Foram quatro minutos que pareciam não ter fim, em que o aparelho tremeu em virtude de alguns poços de ar. Nada que os mais experientes nestas andanças, como por exemplo Zahovic, temam, mas que certamente mexeu com o sistema nervoso de alguns jovens, casos de João Pereira ou de Hélio Pinto, convocado pela primeira vez para uma competição europeia ao serviço da equipa principal da Luz. Notou-se alguma tensão na cabina, ambiente prontamente desanuviado pelos adeptos que acompanham a equipa (que lotaram o avião de 140 lugares ) entoando os habituais cânticos de incentivo, que por norma se escutam nos estádios. Foi assim que o aparelho poisou na pista, e a partir daqui tudo correu de forma perfeita. Havia quem comentasse que face às escassas centenas de metros da pista (uma das mais pequenas da Noruega) a aterragem podia ser a pior parte, mas a experiência do piloto da TAP (porventura habituado à outrora pequena pista do Funchal) foi determinante para que a comitiva chegasse a Molde sem mais sobressaltos. Uf! Temperatura amena Amanhã à noite, quando os encarnados entrarem em campo para defrontar o Molde, a temperatura não deverá oscilar muito da encontrada à chegada, ou seja três graus Celsius. Frio, mas perfeitamente suportável. No que a apoio diz respeito, serão pouco mais de centena e meia de adeptos lusos. A comunidade portuguesa radicada em Oslo e na Suécia deverá fazer- se representar. De Lisboa vieram cerca de 80 apoiantes. E só não vieram mais porque o avião não o permitia... e era impossível requisitar um aparelho maior, pois não conseguiria aterrar na pista desta localidade norueguesa. Sem pensar em desculpas DIZ-SE por aí que o frio da Noruega pode ser o grande inimigo do Benfica. «Não», diz Zahovic. «Não há desculpas. Esta eliminatória com o Molde é para ganhar.» É grande a confiança do esloveno. Para ele, não há motivo para tremer frente à equipa nórdica. Zahovic partiu para o frio da Noruega já a pensar nos bons ventos da Primavera. Confiante, o esloveno diz que «a vantagem conseguida em Lisboa deve ser suficiente para que o Benfica carimbe o passaporte para a próxima eliminatória». Mesmo assim, é fundamental «concentração máxima para evitar problemas » e continuar a caminhada. «Sabemos que ficar na Taça UEFA depois do Inverno é muito importante .A próxima eliminatória é já na Primavera e aí tudo pode acontecer...» As exigências vão aumentar, Zahovic diz que não há motivos para temer ninguém: «O Benfica também é um grande da Europa. Estaremos preparados para jogar com qualquer equipa a pensar na vitória.» Os noruegueses, loiros, altos e fortes praticam um futebol bem diferente do que se joga por cá. Pode o Benfica contar com bolas pelo ar, a sobrevoarem a área. «Temos de fazer o nosso jogo, com a bola colada ao relvado », contrapõe Zahovic. «Estamos avisados para todos os perigos», diz, acrescentando que «os lances aéreos foram muito trabalhados nos treinos e por isso os jogadores do Benfica estão preparados para tudo». Futebol é mais do que fintar... Uma coisa é certa, o estilo de jogo do Molde não é o que mais favorece Zahovic, que gosta de ter espaço para criar. Nenhum problema quanto a isso: «O futebol é muito mais do que fazer umas fintas e alguns passes. Todos temos de estar preparados para defender, para evitarmos que o nosso adversário parta para o ataque em vantagem.» Falando em vantagem, diga-se que para Zahovic o 3- 1 conseguido na primeira mão deve ser suficiente para que o Benfica siga em frente: «É uma vantagem importante. Temos de jogar como sabemos e estarmos concentrados para evitarmos sobressaltos. É importante, no entanto, interiorizarmos que na Taça UEFA já não há jogos fáceis. Basta ver como na primeira eliminatória foram afastadas equipas que partiam como favoritas, mas não conseguiram demonstrar no campo que eram melhores que os adversários que diziam ser mais modestos.» Zahovic foi a voz da confiança que reina na comitiva do Benfica, que é liderada por Luís Filipe Vieira. O presidente não falou, mas chegou ao aeroporto visivelmente bem disposto. Um sorriso vale, por vezes, mais do que mil palavras... Molde vai ao estádio O entusiasmo pelo jogo que vai opor amanhã, às oito da noite (menos uma hora em Portugal), o Molde ao Benfica é grande nesta pequena cidade costeira do centro da Noruega. Para já as manifestações exteriores de entusiasmo são raras mas isso deve-se mais à maneira de ser reservada dos nórdicos que a qualquer falta de interesse pela partida. Apesar da desvantagem que os noruegueses carregam, e não obstante o favoritismo do Benfica, fruto de uma maior qualidade, um em cada dois habitantes de Molde vão afrontar o frio cortante da noite para não perderem pitada de um dos jogos mais importantes da história desta cidade que tem no jazz, nas rosas e no futebol os maiores motivos de orgulho. O Molde, clube de formação por excelência, que já deu ao mundo do futebol um craque da categoria de Solskjäer, atravessa uma fase de menor brilho, traduzida no nono lugar obtido no campeonato de 2003, que acabou há três semanas. Porém, uma vitória sobre o Benfica que permitisse à equipa ascender à terceira eliminatória da Taça UEFA, proeza nunca antes alcançada, seria susceptível de apagar a má imagem. É nisso que apostam os responsáveis do clube. Ontem, nas instalações do Molde, a procura aos bilhetes, cujos preços oscilam entre os 10 e os 21 euros, era intensa e os prognósticos, embora prudentes, mostravam que a esperança, na Noruega como em Portugal, é sempre a última coisa a morrer. «Conheço Lisboa, admiro muito o tipo de jogo técnico das equipas portuguesas, mas acredito que uma noite boa pode levar o Molde a eliminar o Benfica», disse Bjorn Faarlund, de 78 anos, imediatamente corroborado pelo amigo Rune Strand, que apostava no frio «para derrubar os portugueses». Para já, com muito ou pouco frio, o ambiente está... a ferver A moda da Luz para o centenário A festa do centenário do Benfica está a ser preparada com todo o cuidado pelos responsáveis do clube, que pretendem deixar uma verdadeira imagem de marca. Nas comemorações e no.. equipamento RICARDO LEMOS Como O JOGO hoje noticia em exclusivo, será efectuada uma aposta muito forte na nova "farda" dos jogadores da Luz, que se apresentarão aos adeptos com uma indumentária alusiva à comemoração dos cem anos de história. O Benfica, em parceria com a marca germânica "Adidas", foi o único dos grandes em Portugal a não entrar na nova época com um equipamento a estrear. Uma decisão que contraria a aposta habitual e que teve como objectivo aumentar a expectativa de sócios e adeptos quanto à moda 2003/4 que será apresentada. Segundo O JOGO apurou, o novo modelo já foi aprovado e segue agora o processo normal de produção, que está envolvido no maior dos secretismos, e apenas estará disponível para venda no final do ano. No sítio oficial do clube, aliás, já é possível reservar a aquisição do novo equipamento, mesmo sem ser desvendado qual o "corte" que o mesmo terá. Os jogadores da Luz irão envergar a nova indumentária no princípio do próximo ano, mantendo, aliás, o equipamento, durante todo o ano civil, em homenagem ao centenário. O equipamento de jogo, como se pode avaliar pelas imagens em anexo, aludirá aos pergaminhos do clube, sendo uma réplica do usado pelos briosos fundadores do Benfica. Na vestimenta alternativa, é o branco que sobressai, retomando uma escolha que nos últimos anos, por questões de estratégia, foi descartada. O "traje" dos guarda-redes também sofrerá alterações e, previsivelmente, Moreira apresentar-se-á com um fraque, perdão, equipamento todo preto, tendo como alternativa o amarelo torrado. A escolha, como é óbvio, será tomada em função da... ocasião. terça-feira, novembro 25, 2003
Armando e Nuno Gomes ausentes da convocatória As ausências de Armando e Nuno Gomes, ambas devido a lesões musculares, constituem as maiores notas de destaque da lista de convocados do Benfica tendo em vista a partida desta quinta-feira frente ao Molde, referente à Taça UEFA. Na lista de 18 convocados divulgada ao final desta manhã pelo técnico José Antonio Camacho destaque para a presença do jovem Hélio Pinto, isto enquanto Luisão, Petit, Geovanni e Mantorras continuam de fora. A comitiva «encarnada» parte rumo à Noruega ao início desta tarde, tendo agendado um treino de adaptação ao Estádio do Molde para esta quarta-feira. Eis a lista de convocados: Guarda-redes: Moreira, Bossio; Defesas: Miguel, Hélder, Ricardo Rocha, Argel e Cristiano; Médios: Fernando Aguiar, Andersson, Tiago, Hélio Pinto, Alex, João Pereira, Roger e Zahovic; Avançados: Simão, Fehér e Sokota. Encarnados na rota do gelo O regresso ao frio. A formação comandada por José António Camacho deixa hoje Lisboa rumo à Noruega, onde na quinta-feira tentará defender o resultado conquistado na Luz frente ao Molde. É certo que o frio será o pior inimigo da equipa portuguesa, mas o sangue quente dos lusitanos promete quebrar o gelo norueguês. Quis o sorteio que à segunda eliminatória da Taça UEFA, Benfica e Molde da Noruega se encontrassem para medir forças. Precisamente numa altura em que os clubes do sul da Europa costumam fazer figas para não ter de efectuar viagens rumo aos países nórdicos. A neve e o frio não ganham jogos, mas constituem um argumento de peso a favor das equipas adaptadas a este tipo de condições climatéricas. Outro factor desfavorável poderá ser o estado do relvado, que certamente não deverá encontrar-se nas melhores condições devido ao mau tempo. A turma de José Antonio Camacho vai prevenida para lutar contra estes factores adversos, mas não deixa de ser interessante constatar que nas últimas deslocações aos países nórdicos, o Benfica não obteve resultados de que se possa orgulhar. Veja-se a derrota contra oHalmstads, da Suécia, por 1-2 (2-2 na Luz) e que ditou o afastamento da edição da Taça UEFA 2000/2001 logo na primeira eliminatória. Já dois anos antes, em Helsínquia, na última participação benfiquista na Liga dos Campeões, a equipa então orientada por Graeme Souness não se deu bem com o gelo finlandês: derrota por 2-0. O jogo realizou- se em finais de Outubro de 1998, a neve foi obstáculo incontornável. Recuando mais ainda, na temporada 87/88, a contar para a Taça dos Campeões Europeus, a formação da Luz foi à Dinamarca defrontar e empatar com o Aarhus por 0-0, vencendo pela margem tangencial na segunda volta disputada em Lisboa. Ainda assim, feitas as contas (ver quadro) o balanço acaba por sair positivo para o sangue quente dos encarnados face ao gelo nórdico, mas pela margem tangencial: cinco vitórias obtidas pelo Benfica nos países acima dos 55ºN de latitude, três empates e quatro derrotas. Em Molde, com a curiosidade de ser a segundo desafio disputado mais a norte do Equador, os homens de Camacho têm o resultado da primeiramão a favor... mas irão lutar contra o gelado passado recente. Trio não vai ao frio norueguês ESTÃO desfeitas as dúvidas em torno da utilização de Nuno Gomes, Geovanni e Armando no encontro com o Molde. Os três atletas vão mesmo ficar em Lisboa, uma vez que Camacho entende não estarem em condições de jogar. O treinador espanhol prefere não arriscar o agravamento das respectivas lesões e ter os atletas a cem por cento nos compromissos que se seguem. Além de Petit, Luisão e Mantorras, baixas já conhecidas para a deslocação à Noruega, são mais três os elementos do plantel que não poderão dar o seu con- tributo à equipa na gélida viagem ao reduto do Molde. Nuno Gomes (lesão no adutor da perna esquerda), Geovanni (microrrotura no gémeo da perna esquerda) e Armando (lesão na coxa esquerda) não vão integrar a lista de convocados de José Antonio Camacho, em virtude dos problemas musculares com que se debatem. Nuno Gomes, autor de dois golos no encontro da primeira mão, surge como a principal baixa. Depois de criticar a utilização do ponta-de-lança no jogo da Selecção Nacional com o Kuwait, o treinador do Benfica assume uma linha de coerência e opta por não arriscar, por forma a evitar complicações de maior. Geovanni é igualmente poupado, uma vez que também não está a cem por cento. Na mesma situação está Armando, o caso clínico mais recente. Ainda ontem os dois primeiros limitaram-se a trabalhar de forma condicionada, ao passo que o defesa — realizou um exame complementar de diagnóstico à tarde—nem subiu ao relvado. Perante este cenário, José Antonio Camacho prefere abdicar destas peças do seu xadrez e esperar que recuperem tranquilamente por forma a que se apresentem nas melhores condições nos jogos que se seguem. João Pereira, Sokota e Cristiano aos seus lugares Face a estas ausências, viajarão para a Noruega todos os atletas disponíveis. Aliás, foi mesmo solicitada à Federação Portuguesa de Futebol a dispensa de João Pereira do estágio de observação da Selecção de sub-20, que ontem se iniciou em Rio Maior. O jovem extremo deverá mesmo alinhar a titular. Tal como Moreira, Hélder, Cristiano e Sokota, depois da rotatividade registada na Taça de Portugal. Argel, Roger e Fehér, tudo indica, ficarão no banco de suplentes. Camacho dá o exemplo CAMACHO, algo desconcertado com o desacerto de pontaria dos seus pupilos, aproveitou um intervalo no treino para rematar à baliza e mostrar como se faz. Curiosamente, os primeiros dois remates saíram muito por alto. Depois, afinou a bota, marcou alguns golos de enfiada e virou-se para os jogadores, bem-disposto: «Estão a ver? Se marcarem sempre assim entram todas... É o apelo ao golo. Parte do grupo de trabalho foi submetido a uma sessão de cruzamentos e remates, mas a pontaria, definitivamente, não estava muito afinada. Marcaram-se alguns bonitos golos, é certo, mas muitos remates acabaram por sofrer mudanças bruscas de rota, o que não terá agradado muito a Camacho, que assistia ao apronto, com alguns incentivos e palavras de ordem pelo meio. O espanhol acabou mesmo por querer dar o exemplo. Colocou a bola a 20 metros da baliza e começou a rematar. O primeiro saiu por cima, o segundo idem, Camacho não estava a gostar. Concentrou-se e começou a acertar, com competência. Sempre junto ao poste, que chegou a devolver muitos remates. Mas depois de uma série de cinco tiros vitoriosos, desafiou os seus pupilos: «Estão a ver?» Rapidez, rapidez Uma das palavras mais utilizadas por Camacho foi rapidez. Diversas vezes no treino se fez ouvir a sua voz, pedindo aos seus pupilos celeridade na transposição entre a defesa e o ataque, na troca de bola, no cruzamento e no remate. Ingredientes fundamentais para o volume de jogo atacante e que será muito importante no jogo com o Molde, na quinta-feira, para a Taça UEFA. Num terreno de jogo que se prevê algo duro, devido ao mau tempo, e face a uma equipa que vai ter de arriscar um pouco mais para chegar aos golos que necessita, os jogadores do Benfica são aconselhados a deixarem de lado o rendilhado do futebol para apostarem num jogo mais prático, directo, veloz, que permita à equipa chegar ao golo e não permitir aos noruegueses que ousem sonhar com a qualificação. Grande carreira no clube do coração SER futebolista de um grande clube implica envolver-se em acções de carácter social e cultural. João Pereira, o mais jovem elemento do plantel da Luz, começa a assimilar esta realidade. Ontem, em Caneças, juntou-se a Susana Feitor e Nuno Delgado, num debate onde assumiu o sonho de continuar no clube do seu coração. João Pereira foi um dos convidados em foco no debate sobre a escola e o sistema desportivo, que teve lugar em Caneças. A iniciativa de ontem foi uma das muitas que a Câmara Municipal de Odivelas está a levar a cabo no âmbito de um programa mais amplo, denominado «Desporto em Debate». Acompanhado da atleta Susana Feitor e do judoca Nuno Delgado e tendo a seu lado dirigentes como Vicente de Moura, presidente do Comité Olímpico, e Carlos Cardoso, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, o jovem benfiquista falou da sua própria experiência, identificando os obstáculos que teve de ultrapassar para poder conjugar a sua actividade de futebolista de alta competição com a de estudante. O herói do jogo com o Estrela da Amadora considerou-se ele próprio um produto do «triângulo amoroso» constituído pela escola, o clube e autarquia, e resumiu o seu percurso desde que se iniciou no futebol até chegar à primeira equipa do Benfica. «Comecei a jogar muito cedo. Saía da escola e ia jogar no Domingos Sávio. A minha vida era essa, mas no 12º ano criou-se uma situação complicada, porque nessa altura os treinos dos juniores eram realizados de manhã, coincidindo com o horário das aulas. Tive de deixar de trabalhar com os jogadores da minha idade, pôr em causa a minha evolução como futebolista, para ir treinar com os juvenis, para poder completar o 12º ano. Felizmente, correu tudo bem». Já perto do final, garantiu que «na maioria das escolas não existem condições para a prática desportiva». Foi então que o moderador o desafiou a falar da situação do Benfica. Hesitou, sorriu e respondeu: «Não estou autorizado a falar dessa situação, mas o que posso dizer é que o meu sonho é continuar no Benfica e fazer uma grande carreira no clube do meu coração.» segunda-feira, novembro 24, 2003
JOGADOR CONSIDEROU MUITO BAIXA A OFERTA PARA RENOVAR CONTRATO 4500 euros para Pereira O acordo entre Benfica e João Pereira para a renovação do vínculo contratual do jovem jogador encarnado está ainda longe de ser alcançado. A SAD encarnada, mormente Luís Filipe Vieira, já teve uma reunião com o "menino-prodígio" e o seu representante, mas a oferta do clube da Luz esteve longe de satisfazer as pretensões do atleta. Segundo Record apurou, o líder encarnado ofereceu a João Pereira um contrato válido por quatro temporadas, com um salário base na ordem dos 4500 euros (cerca de 900 contos). Esta primeira tentativa foi prontamente recusada pelo atleta, quando soube dos valores envolvidos, considerados muito baixos pelo próprio, tendo em conta que se trata de um jogador de apenas 19 anos, internacional nos vários escalões da Selecção Nacional. Recorde-se que, actualmente, João Pereira aufere um vencimento de 1500 euros, aumentando para cinco mil caso consiga realizar três jogos a titular. Até agora, integrou apenas por uma vez o onze inicial. O jovem continua à espera de um contacto por parte da SAD encarnada para voltar a discutir a renovação do contrato, com valores mais de acordo com aquilo que é pretendido pelo atleta, que pode assinar por outro clube a partir do próximo dia 1 de Janeiro. Declarações públicas proibidas pela SAD Tem causado grande estranheza a permanente indisponibilidade de João Pereira para falar à Imprensa. Contudo, a atitude do jogador deve-se unicamente a uma proibição expressa por parte da SAD benfiquista, desde que o camisola 47 começou a trabalhar com o plantel principal. No sábado, os jornalistas presentes no Estádio da Luz tentaram mais uma vez ouvir João Pereira, após o jogo com o Estrela da Amadora, em que foi um elemento fundamental. Em vão. O jogador foi chamado à Sala de Imprensa, um pedido que nem sequer foi comunicado ao próprio atleta. Sócios, adeptos e público em geral ficaram uma vez mais impedidos de saber o que vai na alma do jovem atleta. João Pereira é prioridade A renovação de contrato de João pereira é uma das prioridades da SAD do Benfica e poderá conhecer esta semana desenvolvimentos significativos. O jovem jogador das camadas de formação do Benfica assumiu de novo um papel importante ao marcar o primeiro golo do jogo com o Estrela da Amadora e há algum tempo que se iniciaram conversações preliminares com o seu empresário, José Veiga, para prorrogação do vínculo. A par de João Pereira, outros dois jogadores merecem especial atenção quanto à renovação de contrato e respectiva melhoria salarial: Tiago e Ricardo Rocha. Isto depois de Miguel, na semana passada, ter renovado contrato e visto as suas condições significativa e progressivamente melhoradas. A conclusão dos dossiers em causa está também ligada à reestruturação do departamento de futebol, pela mão do recentemente eleito, Luís Filipe Vieira. A figura do director desportivo é a face mais visível de uma alteração organizacional mais vasta e da revisão de procedimentos e métodos de trabalho. O homem dos golos bonitos Roger voltou a marcar e a encantar os amantes do futebol com mais um golo muito bonito. Já é o terceiro esta época. Aos poucos, também Tiago começa a dar um ar da sua verdadeira graça e também João Pereira voltou a reivindicar para si os holofotes do sucesso. Foram eles que carimbaram a passagem do Benfica à quinta eliminatória da Taça de Portugal. Goste-se ou não de Roger, reivindique-se ou não mais espaço na equipa, numa coisa todos estarão de acordo: o brasileiro revela esta época a invulgar capacidade de só marcar golos bonitos. Aliás, muito bonitos. Contra o Moreirense, em Braga, marcou o primeiro golo da época: recebeu um passe de Ricardo Rocha e, de primeira, com o pé esquerdo, rematou para a baliza de Nuno Claro. A bola fez um arco e entrou pelo ângulo superior esquerdo da baliza do Moreirense. Mais tarde, em Coimbra, frente à Académica, Simão marcou um livre, oferecendo a bola a Roger, a poucos metros de si. O brasileiro encheu o pé e fez a bola entrar pelo ângulo superior esquerdo de Pedro Roma. Anteontem, desenhou novo arco e fez com que a bola entrasse junto ao poste direito da baliza de Veiga. Três remates feitos fora da grande-área, todos nos últimos 10 minutos e que ajudaram a matar o jogo, numa altura em que o Benfica já estava em vantagem. E se é verdade que parte dos adeptos e crítica consideram que Roger pouco mais fez que isso, esquecem-se que isso é o sal do futebol: o golo e, para mais, fruto de um gesto técnico muito bonito. Roger foi titular pela primeira vez frente ao Estrela e há algumas semanas que relançou a discussão sobre o seu papel na equipa. Certo é que o próprio treinador, Camacho, já reconheceu a sua melhoria e o facto de jogar mais para a equipa. Foi suplente utilizado em sete das 11 jornadas já disputadas e em três dos cinco das competições europeias. Camacho tem preferido a fiabilidade de Zahovic à imprevisibilidade de Roger. Ambos despertam paixões e ganham adeptos. Sábado, jogaram juntos: Zahovic no centro, Roger à direita, mas caindo para o centro. O futuro dirá da evolução do brasileiro Tiago de novo De regresso aos golos esteve também Tiago, o segundo melhor marcador da equipa da época passada. Começou a presente de forma mais discreta, mas, aos poucos, lá vai regressando aos golos, sendo ele o primeiro a reconhecer que não é essa a sua principal missão. Tiago marcou três golos na SuperLiga, esta época, dois deles no último jogo, com Alverca. Anteontem marcou o quarto da época. Então, e eu? Este sábado, o primeiro golo foi apontado pelo jovem João Pereira. O segundo da época. Também foi ele a marcar o primeiro de três golos no jogo com o Belensenses, mas neste caso os azuis viraram o jogo até ao empate. Já participou em sete jogos esta época, tendo sido titular contra o Belenenses: cinco da SuperLiga,umda Taça e um da Taça UEFA. Pelo golo que voltou a marcar e pela forma como ajudou a mexer com a equipa, João Pereira começa, gradualmente, a passar pela ombreira da porta que separa as jovens promessas das certezas do presente e do futuro. Não espanta por isso que a renovação do seu contrato seja prioritária. Três golos, três jogadores, três percursos diferentes e um denominador comum: a vitória do Benfica. Armando confiante Armando lesionou-se na coxa esquerda no jogo com o E. Amadora. Vinte e quatro horas depois as dores diminuíram bastante: «Sinto-me muito melhor, mas ainda estou sob o efeito de medicamentos. Amanhã [hoje] vou ser reavaliado e só então saberei, em concreto, a gravidade da lesão.» Afastando cenários negros: «Estou a atravessar uma fase muito boa, sinto-me mais solto, com mais ritmo e quero aproveitar as oportunidades que me são dadas». E avança uma hipótese sobre a lesão: «Pode ter sido provocado pela viagem a Moçambique. O voo foi desgastante, estive muitas horas sentado. Cheguei quinta-feira, treinei-me no dia seguinte e joguei no sábado. Senti o músculo prender na face anterior da coxa, não sei se terá sido uma contractura...» Quanto ao jogo da Taça, um balanço positivo: «O Semedo é o avançado mais perigoso do Estrela, julgo que não lhe dei hipóteses. Ele é muito veloz e foge bem às marcações, mas tenho consciência de que cumpri bem a missão». Por favor, comprem os bilhetes mais cedo Carlos Colaço, responsável pela organização dos jogos do Benfica, num departamento liderado pelo vice-presidente Mário Dias, apelou ontem aos benfiquistas para que «adquiram os ingressos para os jogos do Benfica na Luz com antecedência, em vez de se guardarem para a última hora». Apelo feito no dia seguinte ao jogo com o Est. Amadora, antecedido, uma vez mais, por grande contestação quanto à venda de ingressos. Milhares de pessoas concentraram-se junto à entrada do Colombo, pouco antes do jogo, onde apenas funcionavam duas bilheteiras. Uma vez mais muita gente voltou para trás. A organização, também por uma questão de segurança, acabou por abrir as portas à meia hora de jogo, o que permitiu a entrada de mais de mil pessoas. «Durante toda a semana os ingressos foram vendidos no showroom, nas bilheteiras do Estádio, nas bombas da GALP e em quatro casas do Benfica. Estiveram as bilheteiras às moscas e a maioria afluiu perto da hora do jogo», lamentou Carlos Colaço. De facto, 15 minutos antes do início do jogo ainda estavam a chegar pessoas para comprar bilhete. Este responsável lembra que «o Benfica não tem capacidade para responder neste quadro comportamental». E coloca a tónica em questões financeiras, alertando para uma mudança de mentalidades. «O processo de emissão de bilhetes alterouse. Cada impressora térmica usada custa 300 contos, falando na moeda antiga. Temos ainda de pagar aos seguranças que vendem os bilhetes. Os custos disparavam de alterássemos tudo para responder apenas à afluência do próprio dia. O Benfica é de todos nós, dos adeptos também, e todos devíamos contribuir para racionalizar a venda de bilhetes e minimizar os altos custos que esta operação envolve». Apesar do apelo, a Benfica Estádio equaciona reforçar as bilheteiras nos dias de jogos. Duas revelou-se insuficiente para a entrada do Colombo, o número pode aumentar, mas apenas ligeiramente, devido aos custos operacionais. Os responsáveis do Benfica pedem pois que os adeptos comprem o ingresso ao longo da semana, na Luz, nos postos GALP ou nas casas já aderentes: Tires, Palmela, Famalicão e Torres Novas. No futuro, serão dezenas as casas disponíveis. Apela-se ainda que os adeptos não se concentrem pela entrada do Colombo, já que na do Alto dos Moinhos tudo se passa com muito maior fluidez. Ao mesmo tempo, foi já lançado o pack de seis jogos, que ajudará a minimizar os problemas. O tema será alvo de uma intervenção pública, esta semana, por parte de Mário Dias. sexta-feira, novembro 21, 2003
Miguel renova até 2008 Miguel reuniu-se ontem com Luís Filipe Vieira e chegou a acordo para renovar contrato com o Benfica até 2008. Está assim resolvido um dos problemas mais urgentes do plantel, que acabou por atrasar outros processos. Nos próximos dias será a vez de Tiago e Ricardo Rocha prolongarem a ligação ao clube por mais um ano. Há várias semanas que o assunto vinha sendo discutido mas apenas ontem ficou resolvido. Miguel chegou a acordo com o Benfica para renovar contrato até à época 2007/08, numa reunião que decorreu durante a tarde, no edifício da Lisboa Gás, e que contou com a presença do presidente da SAD e do clube, Luís Filipe Vieira, do jogador e de um advogado da confiança de Miguel. Paulo Barbosa, empresário de atleta, está no estrangeiro e por essa razão não pôde participar no encontro, mas confirmou para A BOLA o sucesso da reunião: «Confirmo que houve acordo e que o Benfica sempre esteve interessado na continuidade do Miguel e ele em continuar a jogar no Benfica, ao contrário de algumas insinuações que se fizeram. Não pude estar na reunião, mas o jogador manteve-me sempre a par do negócio. Estivemos sempre em sintonia.» O contrato de Miguel terminava na próxima época e o protagonismo que ganhou no plantel, na Selecção Nacional e no mercado do futebol tornaram urgente, para o Benfica, segurar o talentoso jogador. Esta foi, inclusive, uma das promessas de Luís Filipe Vieira na campanha para a presidência do clube. Embora não a tenha feito de forma formal, o líder encarnado garantiu que iria manter os melhores jogadores no plantel. Já no final da noite de ontem, o próprio Benfica anunciou o acordo, através de um curto comunicado no site oficial. Seguem-se Tiago e Ricardo Rocha Por ser complexo, o processo de renovação de Miguel acabou por adiar outros casos no plantel que a SAD também pretende rever brevemente. Nos próximos dias vão decorrer negociações com Tiago e Ricardo Rocha -mais dois jovens jogadores que o Benfica também pretende segurar e valorizar - para o prolongamento dos respectivos contratos, por mais um ano. Esta revisão de contratos implica, naturalmente, o melhoramento de salários, uma questão já debatida com os próprios atletas e que só agora poderá ser debatida em profundidade. Paralelamente, Luís Filipe Vieira continua a trabalhar no reforço do plant e l já em Janeiro. O lateral-esquerdo grego Fyssas, em final de contrato com o Panathinaikos, deverá ser o primeiro a integrar os quadros da Luz. Abel Xavier, internacional português cuja polivalência será do agrado de José Antonio Camacho, também é forte hipótese. Fernando Aguiar: «Adversários têm medo de mim» RECORD - O Fernando começou a época no onze, depois saiu da equipa e voltou agora por lesão do Petit. Desta vez é para ficar? FERNANDO AGUIAR - Espero bem que sim. O objectivo de qualquer jogador é agarrar a titularidade e ficar lá. Comecei a época a titular, mas, em Roma, infelizmente, o resultado não foi bom. A equipa até esteve muito bem, só que cometemos erros que uma equipa não pode cometer e acabámos por perder o jogo. Julgo que isso prejudicou-me um bocado. R - O lance do primeiro golo da Lazio deixou marcas? FA - Acho que muita gente me quis culpar nesse lance. É certo que não estava nas costas do Claudio López, mas consegui chegar e fiz o corte. Infelizmente, o Argel pensava que o Moreira ia sair e aconteceu o golo. Posso ter parte das culpas, mas penso que não é justo dizer que o Fernando Aguiar é o culpado desse golo. Fiz um corte normal, quem percebe de futebol sabe disso, mas, desde que cheguei ao Benfica, tem sido normal culpar o Fernando Aguiar... R - Sente-se injustiçado, é isso? FA - Sim, sim. Isso vê-se pelos comentários sobre mim e a maneira como jogo. As pessoas sabem perfeitamente que não sou tecnicamente perfeito, mas acho que sou eficaz naquilo que faço que é recuperar bolas e destruir jogo do adversário. Penso que até sou muito eficaz nisso. Agora, sou como sou, quando me foram buscar já sabiam qual é a minha forma de jogar e, por isso, não me podem exigir outras coisas. R - Acha que os adeptos já o compreenderam como jogador? FA - Há adeptos que gostam muito de mim e há outros que não gostam nada. É como tudo. Alguns vêm falar comigo e elogiam-me bastante porque não paro de trabalhar e dou o "litro". Muitos deles gostam disso e outros já não tanto porque querem mais técnica. Não posso agradar a todos... R - A sua alcunha de Robocop incomoda-o ou, pelo contrário, até concorda haver algumas semelhanças? FA - Em casa não fico ligado a máquinas nem preciso de óleo (risos). A minha alimentação é normal, mas é bom ter essa alcunha. Os adversários têm muito respeito por mim, um pouco de medo até, porque sabem bem que nunca fujo ao choque. Noto isso algumas vezes e é bom. R - Ainda no último jogo, frente ao Marítimo, o Fernando demonstrou ter uma enorme capacidade física no lance do golo ao deixar três "inimigos" no solo. A que se deve tanta energia? FA - Acho que é dos hamburgueres que comia no Canadá (risos). Deve ser da alimentação que os meus pais me davam. Na Madeira senti as pancadas dos três adversários e de que maneira! Uma pessoa também não é de ferro e, no dia seguinte, senti o meu gémeo e mancava bastante. Mas, se for para fazer mais jogadas de golo, podem bater à vontade que não há problema (risos). R - É graças a essa força que é dos poucos jogadores do plantel que ainda não se lesionaram nesta época? FA - Nunca tive grandes lesões. Quando era miúdo ainda parti alguns ossos, mas nunca tive uma lesão muscular nem problemas nos joelhos. De vez em quando, posso torcer um tornozelo, mas nunca fiquei de fora de um jogo por lesão. Nada de segredos especiais, Deus fez-me assim. R - Já que estamos a falar de lesões, qual a razão para tantos problemas musculares no plantel? FA - É estranho. Às vezes comentamos o assunto, mas cada pessoa é diferente em termos de estrutura. Por exemplo, posso ter dores, mas aguento melhor do que outro jogador qualquer. Também é melhor parar uns dias do que continuar a forçar e agravar o problema. R - Quando Simão marcou o golo, foi a correr para o banco dar um abraço a Andersson com uma expressão de raiva. Foi isso que sentiu? FA - Quando um jogador se sente criticado, a melhor resposta que pode dar é fazer uma jogada que dá golo. É isso que tenho de continuar a fazer apesar de não ser o meu estilo de jogo agarrar na bola e fintar três ou quatro adversários. Quanto ao Andersson, ele vinha de uma lesão provocada por mim num "meiinho" e ele mereceu aquele abraço porque essa lesão era mais grave do que pensei. R - Há quem o considere um pouco "caceteiro". Concorda com esse rótulo? FA - Não, porque nunca fui maldoso. Já é de mim, está no meu coração. Agora, é claro que às vezes há contactos. Posso dar um exemplo: se o Simão fizesse o mesmo contacto que eu e o adversário caísse, toda a gente começava a rir e achava engraçado que o Simão tivesse feito aquilo. Quando é o Fernando Aguiar, já é diferente. Mas, os árbitros também já compreenderam isso e sabem que muitas vezes consigo chegar à bola sem fazer falta. R - Em princípio, o Petit vai ficar mais três jogos de fora. Acha que vai provar de vez o seu valor nesse período? FA - (...) Em Alverca estive mais em destaque porque a equipa em geral esteve melhor. Já na Madeira, a equipa não esteve tão bem, mas penso que cumpri em termos defensivos. Nesses dois jogos marcámos quatro golos e sofremos apenas um, de livre directo. Portanto, defensivamente a equipa está a cumprir. Estou um pouco cansado de tentar provar o meu valor às pessoas. Tenho de jogar o meu futebol e, passado um tempo, isso bate e já não entra. R - Com um terço de SuperLiga disputada o Benfica já está a oito pontos do FC Porto. O título ainda é possível ou o líder é muito forte? FA - Na minha opinião, o FC Porto não está tão forte na SuperLiga. Pode estar na Liga dos Campeões, mas não em termos internos. Estão a cumprir o dever deles enquanto o Benfica perdeu dois pontos com o Belenenses e perdeu com o Beira- -Mar, em casa. São estes dois resultados que nos estão atravessados na garganta. R - A que se deve a irregularidade exibicional da equipa ao longo dos 90 minutos? FA - É difícil de explicar. Os adversários também têm mérito, mas o FC Porto também já ganhou alguns jogos sem jogar bem. Estou a lembrar-me, por exemplo, do jogo com o Boavista, que foi um dos piores que vi, mas ninguém se lembra disso. O que interessa é que o FC Porto ganhou e somou três pontos. Penso que o Benfica também tem de saber jogar mal em certas alturas. Quando não dá para trocar a bola e estamos a ganhar, é meter a bola para fora ou para a bancada. R - Mas, os adeptos não gostam de ver a equipa a fazer isso... FA - Desde que estou no Benfica, a equipa não é a mesma quando joga fora e em casa. Jogamos melhor fora e em casa parece que estamos mais limitados. Isto acontece porque sabemos que, passados dez/quinze minutos, somos assobiados. Vivi muitos anos no Canadá, assisti a muitos jogos de hóquei no gelo e outras modalidades, onde o público está ali para apoiar. Quem gosta de desporto tem de aceitar algumas fases menos boas da sua equipa. R - Lembra-se do jogo de estreia na I Divisão? FA - Perfeitamente. Foi contra o E. Amadora, entrei a dois minutos do final quando já estava 1-1. Lembro-me que o Paulo Alves bateu com a cabeça no poste e aleijou-se. R - Curiosamente, é o próximo adversário do Benfica numa prova em que o Benfica foi eliminado logo à primeira na época passada... FA - Como não estava cá o ano passado e cheguei à final da Taça com a U. Leiria, a minha mentalidade é diferente. Penso que os jogadores sabem o que têm de fazer, vamos dar tudo e não se vai repetir o sucedido no ano passado! Queremos ganhar e ir longe na Taça. R - Está prestes a completar 100 jogos na I Divisão. Algum sentimento especial? FA - Pensava que nunca mais chegava esse dia. É bonito, mas ainda vou tentar fazer mais alguns. Nunca se sabe se chego aos 200... «Não tive sucesso no Marítimo porque fazia muitas noitadas» R – Chegou a praticar outras modalidades? FA – Quando tinha 13 anos, joguei hóquei no gelo numa equipa amadora de Toronto e até era bom jogador apesar de ser pequenino e franzino (risos). R – Quando é que surgiu o futebol na sua vida? FA – Comecei a jogar futebol aos 9 anos. Até aos 15, alinhei sempre a avançado, mas depois comecei a crescer, deixei de ser tão rápido, tive de arranjar outra posição e passei a jogar no meio. Ainda bem, porque depois fui para os Toronto Blizzards e, aos 18 anos, cheguei à selecção olímpica. R – Por que razão veio para Portugal aos 21 anos? FA – Bom, não foi propriamente um sonho meu. O meu pai impôs-me isso porque me dizia que não queria fazer nada da minha vida. Ele achou que só tinha jeito para o futebol e mandou-me para o Marítimo à experiência. Ofereceram-me cinco anos de contrato, mas só estive lá cinco semanas e 'bazei'. R – Mas, acabou por voltar... FA – Voltei para o Canadá, mas o meu pai ficou zangado. Chateei-me com ele e saí de casa para ir viver com um amigo. Depois, fizemos as pazes e ele trouxe-me à experiência para o Belenenses, mas acabei por ir para o Marítimo. Fiz amigos fora do futebol e, claro, fazia noitadas e saía muitas vezes. Por isso, não tive sucesso no Marítimo, mas era jovem e vinha de uma mentalidade completamente diferente. «Não tenho esperança de continuar no Benfica» R - O Fernando termina contrato no final da época. Já sabe alguma coisa sobre o futuro? FA - Queremos sempre continuar no clube onde estamos, sobretudo se nos sentimos bem. Só que sei perfeitamente que isso não vai acontecer. Acho que me vou embora no final da época. Não tenho esperanças de ficar! Há certos factores dos quais não posso falar em público, mas sei que não vou ficar. Mas, isso também não me preocupa porque sei que há clubes interessados. R - Quais os motivos para essa descrença? FA - É um "feeling" que tenho. Mesmo sendo o técnico a mandar, acho que vão aparecer mais opções para este lugar, com menos idade, e pressinto que no final da época faço as malas. Mas, repito, não estou muito preocupado porque tenho algumas possibilidades de continuar a carreira na SuperLiga... «Petit não parece tão bruto como eu» R - Como analisa os seus rivais no plantel, começando pelo Tiago? FA - É um jogador que não é um concorrente directo. Aparece muito bem na área, é um excelente jogador, mas não o considero um rival porque joga mais avançado no terreno. Tal como o Andersson, que também é um jogador completamente diferente de mim. R - Sobra o Petit... FA - Tem a mesma raça que eu. Como tem uma estatura mais baixa, já dá para enganar algumas pessoas. Não parece tão bruto como eu. Já disfarça um bocado... Nuno Gomes pé quente e Bossio acrobata Nuno Gomes parecia ontem que ainda tinha o pé quente, o mesmo que assinou, na véspera, um soberbo golo, de chapéu, à selecção do Kuwait. Numa sessão de remate à baliza apontou bonitos golos, geometricamente desenhados, delícias da estética do futebol. E foi imitado mais tarde por Bossio, numa sessão de futvólei. Qual acrobata, ou mestre de artes marciais, fez um ponto de pontapé de bicicleta. Tão bonito que o treino terminou ali. Com a maioria dos jogadores a fazerem trabalho de ginásio, poucos foram os que, ontem de manhã, subiram ao relvado do Real Sport Clube, em Massamá [ver peça à parte]. Para o espectador, o ponto mais interessante do treino foi o exercício de cruzamentos e remates à baliza de Moreira e Bossio, protagonizado por Armando, Andersson, Tiago e Nuno Gomes. E o ponta-de-lança — na ressaca de mais uma noite mágica em que marcou três golos em poucos minutos pela Selecção, o último dos quais após execução de um chapéu de cortar a respiração — parece respirar confiança. E isso nota-se nos pormenores. É que mesmo nos treinos menos exigentes, na execução dos gestos mais banais, é possível aquilatar não só da qualidade como do grau de confiança de um jogador. Ontem, Nuno Gomes voltou a marcar alguns golos e muito bonitos. Um deles, após remate teleguiado, com a bola a desenhar um arco esteticamente bonito e a entrar na baliza pelo ângulo superior esquerdo. Simples, bonito e eficaz. Para repetir nos próximos jogos? Cinturão preto? O ponto alto do treino estava, no entanto, guardado para a parte final. Os jogadores disponíveis disputaram uma animada partida de futvólei. A dada altura, Bossio lembrou-se de fazer um remate acrobático, de bicicleta, fazendo a bola passar sobre a rede e, com violência, a bater no campo adversário, fazendo ponto. Ao melhor estilo de um mestre em artes marciais. Até um grupo de treinadores visitantes coreanos, dados a estas artes, abriram a boca, incrédulos. Os colegas deram um grito festivo de espanto. E porque depois daquele gesto nada se poderia equiparar em beleza, Camacho deu o treino por concluído. Já tinha saudades! A frieza de sempre. Aquele instinto de goleador que permanece intacto. Voltou o velho Nuno Gomes. Três golos em apenas 25 minutos devolveram a Portugal e ao Benfica aquele matador temível que tantas alegrias tem dado. «Estou cada vez mais confiante», diz o avançado, garantindo que o Estrela da Amadora vai encontrar na Luz «uma equipa que quer ser imune a surpresas». O sonho de estar presente no Euro-2004 acompanha Nuno Gomes em cada jogo que faz, ganha forma em cada golo que marca. Passados meses e meses de sofrimento, o primeiro passo foi dado com o regresso à titularidade no Benfica. Faltava, pois, submeter-se ao teste de Scolari. Passou. Com distinção. O adversário era modesto (Kuwait) mas marcar três golos em apenas 25 minutos só está ao alcance de um predestinado. O seleccionador deve ter sorrido de satisfação. Para Nuno Gomes, a noite de anteontem tornou-se inesquecível. «Já tinha saudades de jogar pela Selecção», confessa, dando mais valor ao seu regresso do que propriamente aos golos. «Claro que para um avançado o grande objectivo tem mesmo de ser marcar. Por isso, fiquei ainda mais feliz. Foi fantástico também pelo resultado e por reviver aquele ambiente de estágio.» Imunes a surpresas Nuno Gomes já tinha marcado na inauguração do Estádio da Luz. A vítima foi o Nacional de Montevideu. O Molde também já sentiu o quão perigoso pode ser este goleador, na primeira mão de segunda eliminatória da Taça UEFA. Agora, falta apenas encontrar o caminho do golo na SuperLiga. «É apenas uma coincidência ainda não ter conseguido marcar», diz, ao mesmo tempo que deixa uma garantia: «Estou cada vez mais confiante. Desde o dia que voltei que me sinto cada vez melhor. Posso prometer que os golos vão aparecer...» Que se cuide o Estrela da Amadora, na quarta eliminatória da Taça de Portugal José Antonio Camacho já poderá contar com o avançado em pleno e, pelo que se tem visto, com a veia de goleador devidamente apurada. «Queremos ser uma equipa imune a surpresas», diz. Mas há que ter cautelas, adverte: «O Estrela não virá à Luz para facilitar. Temos consciência de que no futebol de hoje não há vencedores antecipados. É obrigatório estarmos concentrados durante os 90 minutos e não facilitarmos. Nós é que podemos tornar o jogo difícil, temos de estar preparados para que isso não aconteça...» O favoritismo, esse, deve ser dado ao Benfica. Sem temores: «É um jogo a eliminar e a vantagem está do lado de quem joga em casa. É como digo, temos de assumir as nossas responsabilidades e demonstrar em campo que somos os mais fortes.» quinta-feira, novembro 20, 2003
Luisão está para breve ASF Luisão encontra-se na fase final da recuperação da lesão muscular contraída no encontro da SuperLiga frente ao Nacional da Madeira, no Estádio Nacional. O brasileiro submeteu-se anteontem a uma ecografia que revelou melhorias na cicatrização. Ontem, voltou a realizar corrida contínua em torno do relvado, na companhia do treinador adjunto Pepe Carcelén e de Pedro Mantorras, também ele a recuperar de lesão, como é público. No entanto, o departamento médico ainda não deu qualquer previsão referente ao regresso do defesa central à competição. Quanto ao caso de Petit, que foi submetido a uma artroscopia ao joelho esquerdo, o departamento de comunicação, na voz do seu director, João Malheiro, anunciou que o médio vai «retirar os pontos na sexta-feira». Três centrais em teste Camacho é um treinador conservador e raras são as vezes em que altera o sistema táctico. Porém, para o encontro com o Estrela da Amadora, a inclusão de Ricardo Rocha junto a Argel e Hélder é uma hipótese a considerar, tendo em conta aquilo que se viu ontem no único treino do dia. João Pereira também espreita a titularidade... Apenas por uma única vez nos últimos 13 meses o Benfica apresentou uma equipa com três centrais em jogos oficiais e isso verificou-se precisamente no primeiro realizado após a saída de Jesualdo Ferreira do comando técnico. Foi Fernando Chalana quem assumiu o lugar de treinador na vitória sobre o Sporting de Braga, com Camacho a assistir na bancada. Argel, Hélder e Ricardo Rocha actuaram juntos no centro da defesa, a equipa teve um bom desempenho, mas a partir daí nunca mais os três centrais voltariam a ser utilizados nesse sistema. Para o jogo com o Estrela da Amadora, a contar para a quarta eliminatória da Taça de Portugal, não causaria surpresa que o técnico espanhol optasse por este modelo. Tendo em conta as muitas ausências ao longo desta semana nos trabalhos da equipa, e porque o técnico poderá duvidar da capacidade física de jogadores submetidos a muitos minutos de competição ao serviço das respectivas selecções, a apresentação de um sector mais reforçado poderá disfarçar as carências atléticas do plantel, além de poder ser uma alternativa viável para ajudar a reduzir os muitos erros defensivos cometidos pela equipa nos últimos jogos. João Pereira na vez de Geovanni Com três defesas centrais, e face à ausência mais que certa de Geovanni no encontro com os estrelistas, João Pereira deverá merecer a titularidade no sábado. O internacional pelas camadas jovens de Portugal tem estado em destaque nas últimas sessões de trabalho da equipa e em representação da formação B, e ontem voltou a marcar um golo no jogo de treino com os juniores [ver peça à parte]. Porém, só hoje se poderão confirmar os intentos do espanhol para o seu primeiro jogo na prova rainha. Com o regresso previsto dos internacionais, e mediante a condição física, Camacho vai mostrar quem será titular no Estádio da Luz. Espero não ter mais lesões! Geovanni está a lutar contra uma microrrotura no gémeo da perna esquerda, lesão que o afasta do encontro de sábado, frente ao Est. Amadora. A extensão da mazela é considerável, prevendo-se uma ausência da competição num prazo de 15 dias, mas o brasileiro garante que tem estado a fazer todos os possíveis para jogar a Taça UEFA. E nem se esquece dos trabalhos de casa. Um sprint no Estádio dos Barreiros atirou-o para fora do jogo com o Marítimo logo à passagem da meia-hora e agora tenta a todo o custo reduzir o tempo de paragem que uma microrrutra num gémeo provoca. Para já, a sua utilização no encontro de sábado, ante o Estrela da Amadora, a contar para a quarta eliminatória da Taça de Portugal, está praticamente colocada de parte, mas existem hipóteses de actuar na partida seguinte, dia 27, com o Molde, em solo norueguês. Pelo menos é esse o desejo de Geovanni. «Estou a fazer tratamentos aqui [Massamá] e em casa e estou a recuperar muito bem. Espero voltar o mais rapidamente possível para ajudar o Benfica a conquistar vitórias», vincou o médio ofensivo, admitindo que a paragem veio na «pior altura»: «Estava a atravessar um bom momento. Mas o que importa agora é recuperar para participar nos próximos jogos. Espero jogar com o Molde. Vamos fazer um teste para ver se estou bem para esse encontro. Acima de tudo não quero ficar parado. Passei por isso no Barcelona e não quero parar mais. Espero não ter mais lesões!» Plantel tem substitutos à altura O brasileiro é baixa quase certa para o embate de sábado com os tricolores mas confia na capacidade de jogadores como João Pereira, Alex ou Carlitos. «O grupo tem bons jogadores e se eu não puder jogar, quem entrar vai corresponder», garantiu o camisola 11, considerando esta lesão um mero contratempo: «Não é azar. Todos os jogadores estão propensos a jogar mal ou bem e a terem lesões. É o futebol...» Vou prosseguir em Portugal! O treinador do Panathinaikos, Itzhak Shum, castigou Panagiotis Fyssas devido às suas declarações em Aveiro no final do encontro particular entre Portugal e Grécia, em que confirmou as adiantadas negociações com o Benfica. Nesse sentido, o técnico israelita decidiu retirar do onze o lateral-esquerdo — será rendido por Pantelis Konstantinidis — com vista ao escaldante encontro do próximo sábado com o Olympiakos, num dos encontros antecipados da 11.ª jornada do campeonato grego. Para já, Fyssas será suplente, mas há ainda a hipótese de nem sequer incluir o lote dos convocados. Itzhak Shum tentou que o internacional helénico lhe elucidasse quanto à sua situação. «Já assinaste pelo Benfica?» e «é verdade que vais sair em Janeiro?», terão sido as perguntas directas ao defesa. Este terá respondido: «Vou prosseguir a minha carreira em Portugal!» No entanto, o jogador prontificou-se a esclarecer que está apto para o desafio com o Olympiakos: «Estou disponível para ajudar a equipa no sábado ». A verdade, porém, é que o treinador, perante o cenário de Fyssas estar disposto a abandonar o clube para o Benfica já num futuro próximo, decidiu antecipar a saída e há quem diga que Fyssas não vestirá mais a camisola do Panathinaikos até ao final do contrato, que expira a 31 de Dezembro. Itzhak Shum alega que o defesa, a fim de preservar a sua integridade física, não colocará o pé nos lances mais complicados, no sentido de se apresentar nas melhores condições em Lisboa, em Janeiro de 2004. A confirmar-se a ausência de Fyssas no duelo com o Olympiakos, o defesa falhará pela primeira vez em cinco anos o derby de Atenas. Diga-se, entretanto, que há adeptos que estão do lado do jogador, isto é, levantam a seguinte questão: Será correcto o treinador prescindir de um jogador com larga experiência — 242 jogos na I Divisão grega e 45 encontros nas competições europeias (31 na Liga dos Campeões) — só porque Fyssas, sem colocar em causa o bom nome do Panathinaikos, já deu a entender que prefere sair para o estrangeiro? Mais: o jogador revela estar em boa forma, como, aliás, ficou demonstrado no novo Estádio Municipal de Aveiro, Mário Duarte, no passado sábado. «Boa viagem até Portugal», parece ser o pensamento de Shum para com Fyssas. JOÃO PEREIRA DEIXA OS 1500 EUROS SE FOR TITULAR Ordenado pode subir dez vezes O contrato que liga João Pereira ao Benfica tem várias cláusulas que podem alterar, a qualquer momento, o vencimento do jogador. O jovem lateral/extremo tem um ordenado base de 1500 euros (300 contos) mas, caso consiga alcançar determinada marca de jogos, como titular, terá forçosamente de ser aumentado pela SAD encarnada. Em última análise, poderá ganhar dez vezes mais, ou seja, decuplicar o ordenado. Segundo apurámos, o simples facto de João Pereira integrar, por três ocasiões, o onze inicial da equipa principal, significa que passará a receber 5000 euros/mês (1000 contos). Caso alcance a marca das cinco partidas, o ordenado sobe para 7500 euros (1500 contos). E se chegar aos dez jogos, terá um salário de 15 000 euros (3000 contos). Até esta altura, cumpridas onze jornadas na SuperLiga, João Pereira só fez um jogo como titular. Foi frente ao Belenenses, embate em que apontou o primeiro tento dos encarnados. A partir daí, foi suplente utilizado por três vezes, passando alguns fins-de-semana sem ser convocado, jogando pela equipa B. Isto numa altura em que surgiram notícias dando conta de algumas dificuldades negociais em torno da renovação de contrato. João Pereira termina o vínculo esta época, é livre de assinar por outro clube já em Janeiro e, para já, as propostas apresentadas pela SAD benfiquista ao empresário do jogador - José Veiga - ficaram aquém das expectativas. O processo deverá ficar resolvido no decorrer de Dezembro. SITUAÇÃO CLÍNICA DO MÉDIO EVOLUI FAVORAVELMENTE Petit tira amanhã os pontos do joelho O médio Petit vai tirar, amanhã, os pontos resultantes da artroscopia ao joelho esquerdo a que foi submetido na semana passada. Ontem, o internacional português foi observado por Pedro Magro e António Martins, respectivamente, elemento do departamento clínico dos encarnados e o médico que conduziu a intervenção cirúrgica, tendo ambos concluído que a recuperação do jogador está a evoluir favoravelmente. Aliás, durante uma pausa dos tratamentos com o fisioterapeuta Armando Jorge, Petit deu uma espreitadela ao treino, aparentando boa disposição. Quanto a Luisão e Mantorras - os outros dois lesionados do plantel -, voltaram ontem a efectuar corrida em redor do relvado do Real Sport Clube, em Massamá, acompanhados pelo técnico adjunto Pepe Carcelén. O defesa-central brasileiro já fez trabalho de campo e corrida contínua devido ao resultado animador da última ecografia (revelou melhoria da cicatrização). No que diz respeito a Pedro Mantorras, prossegue o plano proposto pelo médico espanhol Ramon Cugat. O angolano está a evoluir favoravelmente após o primeiro tratamento em Barcelona e efectuou trabalho de campo sem bola, complementado com trabalho de ginásio. quarta-feira, novembro 19, 2003
Agradava-me regressar Abel Xavier confessou a A BOLA que o regresso a Portugal é, de momento, «muito viável». Não obstante recusar fazer alargados comentários sobre a possibilidade de transferir-se para o Benfica, o defesa reconheceu, porém, que «essa hipótese agrada». As portas da Selecção poderiam, então, voltar a abrir-se. Ligado ao Liverpool até Junho de 2005, Abel Xavier tem, todavia, total liberdade para comprometer-se com outro clube a custo zero. Após rescindir com o Galatasaray — estava emprestado até Dezembro mas desvinculou-se depois da pré-temporada—vários clubes mostraram interesse em contratar o defesa internacional português, que acabou, ainda assim, por ficar a trabalhar individualmente. Com a perspectiva da reabertura das inscrições, aproxima-se a hora de decisão. Escolher uma nova equipa ou regressar a Liverpool. Abel Xavier dá preferência às opções nacionais: «Neste momento o regresso a Portugal é muito viável. Não vou, porém, identificar o nome do clube. Vamos ver se será possível. Talvez este seja o momento ideal para voltar a jogarem Portugal. » O objectivo é, em primeiro lugar, «voltar a jogar ao mais alto nível» e, depois, «aumentar as possibilidades de jogar pela Selecção Nacional ,uma das minhas grandes ambições». Hipótese agradável Embora não confirme contactos com o Benfica, que representou de 1993 a 1995, Abel Xavier não esconde, contudo, que essa solução, a concretizar-se, seria interessante: «Benfica? Agradava-me, naturalmente, regressar. Posso dizer apenas que é uma hipótese.» Abel Xavier está a cumprir, de momento, um plano de trabalho elaborado pelo fisioterapeuta do São Paulo e da selecção brasileira, Luiz Alberto Rosan, com quem trabalhou, no Brasil, no mês passado, no sentido de atingir a melhor forma física quando voltar a treinar-se com os novos companheiros de equipa. Os resultados atingidos nos testes, como explicou Luiz Alberto Rosan a A BOLA, foram «notáveis». O «investimento», como qualificou Abel Xavier a viagem ao Brasil, por recomendação de Roberto Carlos e Ronaldo, pode estar próximo de dar resultados. Para breve pode estar o anúncio do novo clube. Volto a jogar mais cedo do que pensam Pedro Mantorras abriu ontem o coração e falou sobre o regresso aos treinos na companhia do restante plantel do Benfica. Continua a trabalhar à parte dos outros jogadores— na recuperação da lesão que sofreu no joelho direito — mas todos os obstáculos lhe parecem, agora, mais fáceis de ultrapassar. O ponta-de-lança angolano continua determinado e assegura que vai voltar a jogar mais cedo do que as pessoas podem pensar. Mantorras voltou ontem a treinar-se com o plantel, pelo segundo dia consecutivo após longa ausência. «Há dez meses que não treinava juntamente com os meus companheiros e isso é muito importante para mim, eles sempre estiveram comigo, mas agora fui muito bem recebido por todos e é bom estar de volta», confessou o jogador, no momento em que abandonou as instalações do Real Sport Clube, em Massamá. «Só falta mesmo começar a treinar-me com eles», completou, sorrindo. Durante todo este longo e delicado processo de recuperação — recorde-se que Mantorras fez duas operações ao joelho direito — o ponta-de-lança mostrou uma confiança inabalável no regresso à competição. Esse sentimento aumentou ainda mais desde que voltou a conviver com os outros jogadores do plantel. «Estou a sentir-me muito melhor, isso é verdade. Sei que vou voltar a jogar mais depressa do que se calhar as pessoas pensam.» Quando voltas a competir, Pedro? «Não quero dar prazos, não quero falar num dia específico. Só digo isto: vou voltar a jogar mais cedo do que as pessoas pensam», frisou insistentemente o jogador, que procura refrear o entusiasmo com a cautela que a sua situação clínica merece. «Já disse que estou a sentir-me muito melhor. Se o tratamento em Barcelona está a resultar ou não é um assunto, uma realidade que apenas eu sei e as pessoas que me estão a tratar. Não quero falar sobre isso e só posso assegurar que irei voltar em muito boas condições. É esse o meu objectivo e tenho de continuar a trabalhar com tranquilidade para o conseguir.» Tratamento em Barcelona Mantorras está a cumprir um tratamento aconselhado por Ramon Cougat, conceituado médico espanhol que observou o jogador numa rápida deslocação a Barcelona. O tratamento consiste em três injecções (uma por semana) que ajudam o fortalecimento e crescimento da cartilagem do joelho de Mantorras. Este tratamento, em sintonia com o trabalho orientado pelos médicos do Benfica, visa garantir o regresso em pleno do atleta e diminuir o risco de uma recaída. Especial carinho dos adeptos Já anteontem, dia em que pela primeira vez voltou a trabalhar com o plantel, Mantorras sentiu o carinho dos adeptos que assistiram ao treino. Ontem, apesar de poucos, os curiosos que assistiram ao treino, em Massamá, voltaram a incentivar Pedro Mantorras, sempre que ele passou a correr junto à vedação do campo. No final do treino alguns ficaram à espera de um autógrafo, mas Mantorras demorou — ficou em tratamento—e foram poucos os resistentes. Mas uma coisa é certa: Mantorras voltou a a casa. Kafka, a cobra e os coreanos O que fazer quando não há nada a fazer? Sorrir. Foi o que fez José Antonio Camacho no final do treino de ontem à tarde, realizado no campo número 4 do Estádio Nacional. As condições e cenas que rodearam a sessão mais pareceram saídas de uma obra kafkiana ou, se quiserem, um argumento para uma sitcom com uma hora de duração... A história merece assumir uma pura narrativa, porque tudo correu de forma cronológica e sequencial, bem ao estilo de um argumento linear. Mas com contornos kafkianos, daqueles em que não se sabe se se deve sorrir ou simplesmente ficar perplexo, tendo em conta que se trata de um treino de um clube grande. E como qualquer história, começa com um... então foi assim: A sessão estava agendada para as 16 horas, mas acabou por começar 30 minutos depois. Porque estava previsto que a equipa se treinasse no campo número três do Estádio Nacional, depois de terminado o treino da selecção do Kuwait— que joga hoje frente à Selecção Nacional, em Leiria — mas os asiáticos acabaram por prolongar os trabalhos até mais tarde. Posto isto, Camacho f o i obrigado a procurar uma alternativa: o campo número quatro, com a relva em mau estado e sem iluminação. Ou seja, grande parte do treino decorreu quase... às escuras. Mas isto não foi tudo. A dado momento, jogadores, técnicos de equipamento, o médico João Paulo Almeida e treinadores, incluindo Camacho, apercebem-se de um elemento estranho ao futebol—e que estranho!: uma cobra, pois então, (de água, certamente), que terá desviado o seu rumo para se anichar junto aos canaviais contíguos ao referido campo. É que mesmo ali passa a ribeira do Jamor... Vai daí, José Antonio Camacho teve de reordenar o seu trabalho, pedindo aos jogadores para não se distraírem mais, pois há um jogo para a Taça de Portugal para preparar — com o Estrela da Amadora, no sábado, às 19.30 horas. «Discípulos» orientais Estava reservado ainda mais um take — ou capítulo, se preferirem—para um epílogo de excelência. De repente, e vindos da zona de ninguém, uma vasta comitiva de coreanos invadiu as imediações do campo. Não eram meros turistas mas um grupo de dez treinadores da Coreia do Sul que se encontra a estagiar em Portugal. São patrocinados pela Hyunday e foi através do empresário Fernando Emílio que viajaram para o nosso país com o objectivo de aprender novas metodologias de trabalho. Já visitaram as instalações de Boavista e Leixões, viram os jogos Paços de Ferreira-Sporting e Leixões-Salgueiros, já se reuniram com a Associação Nacional de Treinadores e vão hoje para Faro. Amanhã, provavelmente, voltarão a observar as instruções de Camacho. E segundo garantiu a A BOLA Fernando Emílio, a equipa profissional da Hyunday deverá estagiar em Portugal daqui a três semanas. Foi vê-los a fotografar e filmar tudo o que mexia, com o apoio de um bloco de apontamentos. No final do treino, pediram a Camacho uma fotografia de grupo. Aplaudindo, sorrindo e meneando a cabeça bem ao estilo oriental. «Arigato», ironizavam os jogadores. Fim. Vieira nega António Carraça Luís Filipe Vieira nega a existência de convites a António Carraça, presidente do Sindicato de Jogadores, para reforçar os quadros da estrutura do futebol encarnado. «Não fiz qualquer convite», disse a A BOLA, desejando colocar uma pedra sobre os desenvolvimentos registados nos últimos dias no que concerne ao cargo de director desportivo. António Carraça sem convites da Luz. A garantia foi dada, ontem, pela voz de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica e da SAD, em declarações a A BOLA. Face à insistência das mais variadas notícias, garantindo a existência de contactos entre o presidente do Sindicato de Jogadores e dirigentes do Benfica para ocupar o cargo de director desportivo — apesar dos desmentidos por intermédio de comunicados emitidos via Internet — Luís Filipe Vieira procura desta forma colocar uma pedra sobre o assunto e trabalhar com calma nas reformulações que pretende efectuar no edifício do futebol da Luz. Luís Filipe Vieira é peremptório: «Não fiz qualquer convite a António Carraça», garantindo que em matéria de alterações no departamento de futebol «será o Benfica a definir o timing e não a comunicação social». Carraça em silêncio As palavras de Luís Filipe Vieira estão em consonância com os dois comunicados emitidos pelo clube nos últimos dias em resposta a várias notícias envolvendo os nomes de António Figueiredo, primeiro, e António Carraça, depois, ambos dados como potenciais candidatos a assumir o cargo de director desportivo na estrutura do futebol encarnado. É um facto que este cargo irá ressurgir, pretendendo os dirigentes da Luz alguém que desempenhe um papel de charneira entre os administradores da SAD directamente responsáveis pela política para o futebol—ou seja, o próprio Luís Filipe Vieira e Fonseca Santos — e os treinadores e jogadores da equipa profissional de futebol. No meio de tudo isto, não deixa de ser comprometedor o facto de António Carraça ainda não ter vindo a terreiro clarificar esta situação, como que alimentando ainda mais a novela desenvolvida nos últimos dias. Apesar da tranquilidade de Luís Filipe Vieira, este tema deverá ficar resolvido em breve, até porque são vários os domínios que aguardam pelas remodelações que o presidente pretende efectuar. SER INTERNACIONAL É ARGUMENTO DECISIVO Fyssas aprovado "Grande personalidade e forte a defender." Fyssas, o futuro reforço dos encarnados, é retratado desta forma por Dimas. Os antigos laterais-esquerdos do Benfica mostram, no entanto, algum desconhecimento relativo às características do jogador, mas fazem questão de sublinhar a qualidade de internacional. O modo como se adaptará ao clube é um factor aduzido como importante para o sucesso de um jogador que Fernando Mendes considera desnecessário Duas notas 4 e três notas 3 permitem a Fyssas passar no exame. Os antigos laterais-esquerdos do Benfica aprovam a contratação do jogador do Panathinaikos que, em Janeiro, reforçará a defesa do clube da Luz. O inquérito efectuado por Record deixou transparecer algum desconhecimento em relação às características do jogador, mas o facto de ser internacional da Grécia (e titular indiscutível do Panathinaikos) é um argumento de peso que, praticamente, todos os inquiridos sublinharam. O jogo recente com a selecção portuguesa possibilitou, no entanto, uma melhor percepção do que poderá valer o jogador. Ângelo, por exemplo, frisa o potencial do actual futebol grego, acreditando que Fyssas "poderá ser uma mais-valia para o Benfica." Dimas assistiu a alguns jogos do atleta no Panathinaikos. E, devido ao facto de este vir para o Benfica, não deixou de estar atento. "Parece-me um jogador com capacidade para vencer na Luz. Tem personalidade e é forte a defender." Jogar no Panathinaikos e ser titular da selecção Grécia é um facto também recordado por Fernando Mendes, Veloso e Pedro Henriques, mas que diz pouco e não convence Pietra. Mendes revela, no entanto, uma opinião muito curiosa, sustentando que o Benfica não necessita de qualquer lateral-esquerdo. "Sinceramente, julgo que o Benfica tem dois bons laterais-esquerdos: o Cristiano, que só precisa de mais confiança, e o Cabral, que é um excelente jogador. O Benfica precisa é de jogadores para outras posições." Análise dos antigos laterais-esquerdos (de 0 a 5) ÂNGELO (4) - "O facto de ser internacional indicia que é um bom jogador. É preciso não esquecer que a Grécia tem actualmente uma bela selecção, que já garantiu a qualificação para o Europeu" DIMAS (3) - "Pelo que já observei trata-se deum jogador com grande personalidade, forte a defender. Vamos ver depois como é que decorrerá a adaptação, que tem necessariamente de ser rápida." FERNANDO MENDES (3) - "Se é internacional grego é porque é bom jogador. Mas Camacho não deve contratar por contratar e julgo que o Benfica não precisa de qualquer lateral-esquerdo." PEDRO HENRIQUES (3) - "Julgo que é um bom jogador, embora o jogo realizado cá não tenha permitido uma grande avaliação, até porque foi uma partida difícil para a Grécia que ficou reduzida a dez." PIETRA (-) - "Não o conheço bem, pelo que é muito difícil avaliá-lo. O jogo com Portugal não deu para ver grande coisa. Julgo que o facto de ser um jogador internacional não é um garante de nada." VELOSO (4) - "Parece-me ser uma boa opção. Trata-se de um jogador fisicamente forte. Se é titular nesta selecção da Grécia, é porque tem valor. O modo como decorrer a adaptação será fundamental." terça-feira, novembro 18, 2003
Luz, Rosa e maratona Causou surpresa, mas os dirigentes do Benfica estavam de sorrisos rasgados durante a tarde de ontem. Afinal, o estádio teve a visita de uma das maiores figuras do desporto português, que trocou dois dedos de conversa com outro monstro, de nome Eusébio. Sim, ela mesmo: Rosa Mota, adepta do clube... Portugal. Talvez por isso tenha deixado o desejo: que a Selecção Nacional vença neste palco no dia 4 de Julho. Era sinal de que a maratona de Seul de 1988 não seria a melhor recordação desportiva nos últimos 15 anos. Acabou por ser uma coincidência. No dia posterior à inauguração do Estádio do Dragão, a portuense Rosa Mota visitava a nova Luz. «Não fui convidada para a inauguração do estádio do FC Porto, tal como não fui convidada para a inauguração de outros estádios. Não tem nada a ver, hoje [ontem] tive de vir a Lisboa e aproveitei o convite que me tinha sido endereçado há uns tempos para conhecer o Estádio da Luz», esclareceu a ex-maratonista, como que em jeito de ponto prévio. Por isso, desviem-se as polémicas que o motivo principal do evento foi outro. Ver, in loco, o local onde se irá disputar a final do Euro-2004. E foi a condição de portuguesa – porque revelou não ter preferências clubísticas – que toldou as palavras de Rosinha. E porque a empatia entre o povo e a equipa das quinas já teve dias (muito) melhores, nada melhor que um apelo especial: «Espero que Portugal vença o jogo da final neste estádio. Faço um apelo à população: o Euro é uma realidade e temos todos de o abraçar, recebendo bem os estrangeiros. Foi isso que aconteceu durante a Expo e o turismo em Lisboa cresceu. Se eles foram bem tratados, voltam com certeza.» «Ainda faltam 30 quilómetros» A visita demorou cerca de uma hora. Tempo para conhecer a maior parte das entranhas do estádio. Desde os balneários até ao centro do relvado, passando pelo camarote presidencial e um dos 156 camarotes de empresa. Curiosa foi a frase de Rosa Mota quando Mário Dias – Luís Filipe Vieira acompanhou a comitiva na primeira parte da corrida e depois foi-se embora – lembrava que havia mais coisas para ver. «Ainda faltam 30 quilómetros », brincava, pouco antes de reservar alguns minutos a sós com Eusébio, já em pleno relvado, enquanto o marido e ex-treinador pessoal, José Pedrosa, ouvia atentamente algumas explicações do vice-presidente do clube para a área do património, inclusive o tempo que demorou a construção. «É um estádio espectacular, muito giro e seguro, por aquilo que vi. Está bem sinalizado. Mas quem sou eu para falar sobre uma obra tão grandiosa?», interrogou. Já sobre o facto de não haver pista de atletismo, aí já se viu uma Rosa Mota com legitimidade moral para abordar a matéria: «Não acho que seja uma pena. Porque se calhar não ia haver público suficiente e seria mau ter um estádio às moscas. Não haverá aqui alegrias de uns Jogos Olímpicos mas espero que hajam outras, como a conquista da Selecção do Euro-2004, por exemplo.» Director desportivo mediador A Administração da SAD irá ter uma ampla acção executiva no que concerne a gestão do futebol. Os poderes do director desportivo não deverão ser tão abrangentes como se previa, exercerá antes uma posição de charneira entre os administradores, técnicos e jogadores. Um papel mediador. O Benfica emitiu ontem novo comunicado em resposta a diversas notícias relacionadas com os nomes pretendidos pelo clube para liderar a estrutura do futebol na SAD. Depois de António Figueiredo, foi agora a vez de António Carraça, presidente do Sindicato de Jogadores, surgir conotado estando próximo do cargo. Algo que, relativamente ao cargo em questão, não se confirma conforme o garante o comunicado ontem emitido no site do clube (ver peça à parte). De resto, a Administração da SAD, pelo que se perspectiva, procurará ter uma intervenção executiva não se perspectivando a existência de um director desportivo com poderes relativamente alargados. Os administradores da SAD pretendem efectivamente alguém que se posicione no topo da estrutura do departamento de futebol, sendo que o perfil aponta para alguém que domine o «terreno», que sirva de charneira entre as posições pragmáticas da SAD e as dos técnicos e jogadores da equipa profissional de futebol. No fundo, aquilo que António Simões tem feito até aqui, embora os administradores da SAD entendam que o ex-magriço possa nesta nova estrutura ser mais útil em outras funções, nomeadamente na área da prospecção. A escolha, aliás, de um director desportivo não era, segundo confidenciaram a A BOLA, prioridade da Administração da SAD. Seja como for, Luís Filipe Vieira está a preparar uma série de reformulações, abrangendo diversas áreas do clube e empresas associadas, sendo que, naturalmente, o departamento de futebol é uma das áreas mais sensíveis. Tudo aponta para que ao longo desta semana possam surgir novidades, clarificando e colocando ponto final às especulações que têm surgido na imprensa. Até porque existem determinados assuntos que começam a ficar dependentes desta clarificação, nomeadamente renovações. Título ainda está em aberto Apesar de, neste momento, o pensamento de Sokota estar concentrado na selecção croata, o ponta-de-lança não deixa de respirar o Benfica. Reconhece que a caminhada da equipa na SuperLiga tem andado aquém das expectativas, mas acredita na recuperação. «O FC Porto não está tão regular e os oito pontos de diferença são recuperáveis em dois ou três jogos. Depois deste ciclo complicado, acredito que vamos melhorar», convicto de que ainda é muito cedo para dar como terminada a discussão do título. «Estamos na luta», garante. O camisola 25 da Luz admite que não é fácil explicar as oscilações exibicionais do Benfica esta época, nomeadamente nos últimos dois meses, mas concorda com uma teoria. «Talvez os jogadores não estejam realmente habituados a este ritmo de dois jogos por semana, ao contrário do que acontece com o FC Porto». As recordações mais recentes são penosas. «Apesar das lesões e do cansaço, era fundamental termos vencido na Madeira, por forma a encurtarmos a diferença para o FC Porto. É óbvio que ficámos todos muito tristes com o resultado e a exibição. As folgas concedidas pelo treinador serviram para recuperarmos energias e começarmos a preparar da melhor forma mais um ciclo que se aproxima. Temos de olhar em frente, não adianta estarmos com lamentações. O importante agora é regressarmos rapidamente às vitórias e darmos a volta por cima», sublinha. Aproveitar deslizes Considerando estar provado que «não é fácil para qualquer equipa, seja ela qual for, ganhar todos os jogos do campeonato», o ponta-de-lança não tem dúvidas de que todos os candidatos vão perder pontos até final: «Temos de continuar a lutar e a acreditar. O campeonato é longo, ainda não acabou. É verdade que oito pontos já é bastante para esta fase, mas se quisermos olhar as coisas de outro ponto de vista são recuperáveis em dois ou três jogos. Além disso, não me parece que o FC Porto esteja tão regular como na época anterior. Só temos de estar bem e aproveitar qualquer deslize.» Fica então a certeza. «Não estamos mortos em relação à luta pelo título, longe disso. Estamos a lutar e ainda podemos ganhar, nada está decidido. Se todos acreditarmos vamos conseguir», concluiu. Mantorras regressa Os olhos brilhavam quando Mantorras subiu ao relvado para nova etapa na sua recuperação. Terminaram os dias dolorosos a treinar-se sozinho, longe dos colegas, muito distante do olhar e carinho dos adeptos. O palco não poderia ter sido mais edílico neste dia carregado de simbolismo: o novinho Estádio da Luz. O angolano limitou-se a fazer corrida durante 40 minutos, mas deu um passo que aguardava com ansiedade há quase um ano. Depois de longa ausência, Pedro Mantorras voltou a encontrar-se ontem com os seus companheiros de equipa. Uma nova etapa se inicia para o angolano, que ontem se limitou a fazer corrida durante cerca de 40 minutos. Falta ainda muito para que Mantorras possa começar a treinar-se com bola, mas a alegria era visível. Os adeptos já podem ver o menino angolano que chegou de Alverca e maravilhou tudo e todos com o poder do seu futebol e com aquele perfume africano. Mesmo assim, e apesar do simbolismo que este dia tem para o avançado, os responsáveis pelo clube não lhe concederam autorização para falar com os jornalistas. «Foi importante e senti-me bem», limitou-se a dizer. Acredite, porém, que se lhe tivessem permitido dizer algo mais se perceberia que a alegria era imensa. O sofrimento deixou de ser o que era ainda há alguns meses. Na companhia de Carcelén Mantorras foi acompanhado no relvado do Estádio da Luz por Pepe Carcelén, adjunto de José Antonio Camacho. Foram conversando um pouco durante o trajecto e a boa notícia é que o angolano não teve qualquer queixa durante o exercício. João Paulo Almeida optou por utilizar o site oficial do clube para fazer o ponto da situação. «Inicia hoje o processo de recuperação no departamento médico do Benfica, seguindo o esquema proposto pelo professor Ramon Cougat [médico de Barcelona que observou o joelho esquerdo de Mantorras na semana passada]. Consoante a evolução do jogador, os tratamentos serão diários», pode ler-se. Mantorras foi operado a 16 de Dezembro de 2002 e só agora deu este passo. O processo de recuperação será ainda muito longo, mas o angolano tem demonstrado grande vontade em estar em plenas condições o mais rapidamente possível. Muita é a esperança no médico Ramon Cougat, um verdadeiro especialista em casos tão delicados como este. Mantorras terá ainda de se deslocar a Barcelona para continuar o tratamento, mas neste momento o jogador está a cumprir rigorosamente o plano elaborado pelo clínico espanhol. Mantorras já prometeu aos adeptos que irá pagar com golos todo o apoio que tem recebido. O assunto é delicado e os médicos do Benfica têm sido muito cautelosos quando abordam a situação. Mas para Pedro Mantorras o objectivo está traçado: reaparecer nos relvados ainda esta época. EM COMUNICADO NO 'SITE' OFICIAL Direcção contesta dívida a Eriksson A Direcção do Benfica decidiu contestar os termos da acção interposta por Eriksson, reclamando ao clube encarnado a quantia de 460 mil euros referentes ao IRS de 1991 e 1992. Num comunicado difundido pelo "site" oficial, os responsáveis defendem "não existirem fundamentos jurídicos para a pretensão do antigo treinador". No documento, o Benfica ressalva e louva o trabalho desenvolvido pelo seleccionador inglês, e justifica a medida tomada "pela defesa dos interesses do clube". GREGO OFICIALIZA SAÍDA DO PANATHINAIKOS Fyssas: «Alcançar no Benfica o que não consegui» É oficial. Fyssas finalmente admitiu a saída do Panathinaikos, em Dezembro, e o consequente ingresso no Benfica. Depois de "traído" pelo seleccionador da Grécia, Otto Rehhagel, que, em Portugal, lhe desejou "as maiores felicidades", o lateral anunciou a sua saída antes do "derby" do fim-de-semana, frente ao Olympiakos. "Espero alcançar no Benfica o que não consegui ao serviço do Panathinaikos nos últimos seis anos", declarou à Comunicação Social helénica. Fyssas vai continuar a representar a equipa ateniense até ao dia 21 de Dezembro, data em que disputará o derradeiro encontro na liga grega, frente ao Paniliakos, em casa. Depois estará livre para viajar para Portugal e defrontar o Sporting, logo no dia 4 de Janeiro, se Camacho assim entender. Recorde-se que Fyssas tem um acordo com o Benfica válido por ano e meio. No final desse período o clube encarnado terá opção por mais uma temporada. Consistente Na Grécia Fyssas é considerado um jogador muito consistente. Como demonstrou no sábado passado frente à Selecção portuguesa, o futuro lateral-esquerdo do Benfica não sobe muito no terreno mas é extremamente seguro a defender o seu corredor. Outra qualidade do jogador é o poder físico, que lhe permite subir à área contrária com perigo nos lances de bola parada. Segundo os críticos gregos, Fyssas marca, em média, cinco golos por temporada. Razões monetárias e procura de novos desafios Fyssas aceitou o convite do Benfica por duas razões. A primeira é de ordem financeira, uma vez que ao serviço do Panathinaikos aufere 100 mil euros/ano. Apesar de não ter revelado os valores que ganhará no Benfica, Fyssas garante que o novo vínculo será compensador. A segunda razão prende-se com a ambição. O Benfica representa um novo desafio e o jogador acredita que na Luz conquistará os títulos pelos quais anseia. |
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