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sexta-feira, outubro 31, 2003

Atraso da edição de hoje deveu-se a presença do editor nas eleições do Benfica, aconselha-se a todos a entrada pelo Alto dos Moinhos, com a cota de Agosto pelo menos, todos os sócios que não tiverem as cotas em dia podem actualizar a sua situação junto ao local de votação.

J.C.
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Novo pavilhão para o novo presidente
Estas eleições do Benfica registam um pormenor significativo, também ele de mudança: os sócios exercem o seu direito de voto no novo pavilhão do clube. O recinto é mais pequeno que o anterior, mas acaba por oferecer maior comodidade aos sócios.

O novo pavilhão ainda não está totalmente construído e faltam acabamentos, mas já está em condições de, durante o dia de hoje, ser o palco de mais um acto eleitoral da vida do Benfica. Para chegar ao pavilhão acaba por ser mais fácil entrar no complexo do estádio pelo Alto dos Moinhos e não pela entrada do centro Comercial Colombo, normalmente a preferida dos sócios. As urnas vão estar abertas aos votantes das 10 às 24 horas e posteriormente será feita a contagem dos votos e o anúncio do novo presidente, já de madrugada. Inicialmente ficou estabelecido que seriam colocadas, no pavilhão, 12 mesas de voto, mas durante a tarde de ontem decorreu uma reunião para reordenar a colocação das mesas, admitindo-se que passem a ser menos as urnas disponíveis. Os sócios confirmam o respectivo número à entrada do recinto e depois são encaminhados para as respectivas urnas, de acordo com o número de votos a que têm direito. Dado curioso é que existe uma cobertura maior para que as pessoas não estejam à chuva enquanto esperam pela sua vez. Está montado um sistema de segurança para evitar problemas que eventualmente possam surgir, até por se tratar de um local novo. A Comunicação Social estará credenciada e terá lugar específico no pavilhão. Embora mais pequeno que o anterior, o pavilhão oferece garantias de comodidade para os sócios que hoje participam activamente na vida do Benfica.

Tomada de posse agendada para segunda-feira

Terminadas as eleições e conhecido o vencedor, a tomada de posse do novo presidente e Órgãos Sociais do Benfica está agendada para segunda-feira, às 21.30 horas. Embora ainda não tenha sido revelado, admite-se que a cerimónia também decorra no pavilhão onde hoje acontecem as eleições.

Se tivessem vergonha nem se candidatavam
Luís Filipe Vieira celebrou o encerramento da campanha com mais de 400 apoiantes, em ambiente apoteótico. No entanto, o candidato não acredita em sondagens e apela à comparência em massa dos sócios no acto eleitoral.

Não podia ser mais triunfante a entrada de Luís Filipe Vieira no jantar do encerramento da campanha, na FIL. Aclamado por centenas de apoiantes, o candidato pareceu inicialmente surpreendido por tão caloroso acolhimento e o sorriso de satisfação e confiança acompanhou-o durante toda a noite. Ainda antes do início do jantar, Luís Filipe Vieira revelou-se mordaz em relação às promessas dos outros candidatos. «Não faremos as promessas que os outros estão a fazer. Estão a prometer coisas que não podem cumprir, mas os benfiquistas sabem perfeitamente que no último acto eleitoral, antes do Dr. Manuel Vilarinho e no tempo de Vale e Azevedo, fizeram-se mil e uma promessas e por isso é que o Benfica está no estado em que está», acusou, concluindo que «se tivessem vergonha na cara, nem sequer se candidatavam». No entanto, findo o jantar, e já depois de Fonseca Santos, candidato a vice-presidente ter desbravado caminho, reincidindo nas acusações ao candidato da lista B, o qual acusou de «tudo ter feito para se confundir com o candidato da lista C», Luís Filipe Vieira voltou à carga: «Prometi que não apresentaria jogadores para ganhar votos e assim foi. Sei que muitos sócios gostariam que apresentasse o Luís Fabiano, o Rui Costa ou o Rivaldo. Ou ainda que apresentasse Carlos Alberto, Caneira, Júnior e até Beckham. Mas quem quiser viver de promessas que não vote na lista A.»

Não a espectáculos

Luís Filipe Vieira justificou a ausência de debates entre as três listas por não querer ver o nome do Benfica na lama e voltou a referir-se aos seus adversários de forma irónica. «Alguns queriam que pegasse nos jornalistas e os levasse ao banco para mostrar o dinheiro que estava lá, outros queriam que mostrasse o Rui Costa, mas ainda não houve um único jogador que confirmasse estar contratado », frisou. Respondendo ainda a acusações dos outros candidatos, Luís Filipe Vieira referiu que todos os que viram ou ouviram as suas entrevistas a jornais, rádios e televisões sabem que ele nunca se escondeu. «Simplesmente, não quis dar espectáculos, porque estou aqui para servir o Benfica e não para promover-me à custa do Benfica», justificou. Várias vezes interrompido pelos apoiantes, Luís Filipe Vieira apelou à presença massiva dos sócios, minimizando as sondagens que lhe garantem a vitória no acto eleitoral. Mostrando-se confiante na vitória, o candidato deixou uma promessa aos apoiantes, entre eles Luís Tadeu, António Figueiredo e Abílio Rodrigues: «Caso seja eleito, espero começar a trabalhar já amanhã com o Benfica, para o Benfica e pelo Benfica!»

Paciência dos adeptos esgota-se no final da época
Fonseca Santos, candidato a número dois na estrutura directiva da lista A, tem um discurso desconcertante, em que mistura ambição e realismo. Elogia a capacidade e o papel de Luís Filipe Vieira. Defende o seu projecto e coloca o dedo na ferida: os sucessos desportivos serão fundamentais. A fasquia que coloca a si próprio é elevada e pretende que se poupem doze anos de atraso no próximo mandato.

— Luís Filipe Vieira é o homem certo para a presidência do Benfica?
— O meu convencimento íntimo é que Luís Filipe Vieira representa para o clube a possibilidade de o Benfica recuperar nos próximos três anos um atraso de 12. Digo isto porque foi fundamental nos dois anos em que esteve no Benfica. Com a sua intervenção, foi possível resolver uma série de problemas extremamente complicados.
— Que problemas?
— Cito quatro ou cinco situações mais evidentes que foram resolvidas: o caso Euroárea, o processo mais complicado que o Benfica tinha; organizar todas as condições que permitiram os meios financeiros do project finance que funcionam como capitais próprios; acordo com a Câmara Municipal de Lisboa com vista à regulamentação de interesses; a capacidade de o Benfica gerar os meios para cumprir os compromissos dos impostos; a resolução do contencioso com a Adidas e ainda celebrar o melhor contrato algumas vez feito em Portugal e dificilmente igualável na Europa; o contrato com a TBZ; o lançamento do novo cartão de sócio, com parcerias de grandes empresas e benefícios claros para os sócios.
— Que qualidades revelou Luís Filipe Vieira?
— Em primeiro lugar, a capacidade de reagir com serenidade para resolver os problemas. A capacidade de congregar as pessoas em equipa. A capacidade de se relacionar com o sistema financeiro. A coragem de se envolver, até no plano patrimonial, quando a situação o exigia. Está em causa recuperar 12 anos de atraso; um projecto coerente, pessoas com capacidade e que já deram provas.

Não somos coro alentejano

— Aceita a classificação de braço direito de Luís Filipe Vieira?
— O Benfica é gerido por um órgão colegial. O presidente tem liderança e qualidade humana para motivar e trabalhar em equipa.
— Há uma relação de perfeito entendimento entre ambos?
— Nunca tive nenhuma situação de mau entendimento com Luís Filipe Vieira. Mas discordei algumas vezes das suas opiniões e ele sempre tomou em devida conta as minhas. Aquilo não é um coro alentejano, que tem de estar afinado e todos a cantar para o mesmo lado. A formação da vontade colectiva resulta das diferentes posições das pessoas.

Fundamental o êxito desportivo

— Quais as prioridades da lista A?
— Sem repetir o programa, exemplar na definição de objectivos e quadro de relações entre o Benfica e empresas participadas, transmito-lhe a minha preocupação de candidato...
— ...que é...
— Temos de ter êxito desportivo. Fundamental para o êxito de tudo quanto está estabelecido; para o êxito do novo cartão; do project finance; do aumento das receitas; da possibilidade de irmos buscar à Adidas verbas previstas referentes às partes variáveis do contrato. Não nos será perdoado não fazermos o necessário para termos êxito desportivo.
— Os benfiquistas têm fome de títulos...
— Certo. Estamos convencidos de que já não sobrará grande margem de tolerância para a não melhoria dos resultados desportivos.
— Que outra ordem de prioridades defende?
— Insistir no plano das receitas. E voltamos ao mesmo: para aumentarmos as receitas temos de revelar capacidade de mobilizar. A mobilização é feita por ganhar e jogar bem.
— E isso passa por reforçar a equipa?
— Não interessa termos aquele estádio; o centenário; um bom treinador; um conjunto assinalável de bons jogadores, se não preenchermos algumas das vulnerabilidades que estão identificadas e para as quais existem as condições de preenchimento. No sentido de melhorar, com jogadores de grande qualidades, a performance competitiva da equipa.
— Sob pena de...
— Dou um exemplo: a minha família é benfiquistas como eu. E eu sou muito índio. Nem eles, nem eu, confesso, temos paciência para continuarmos sem ganhar. E sobretudo, já ninguém tem paciência para continuarmos a não jogar bem.

Manter activos

— É sustentável não vender activos? Como gerar receitas para os reforços?
— Temos cinco instrumentos essenciais: aumentar o número de sócios, com o incentivo dos benefícios do novo cartão; incentivar uma inter-relação profícua com as casas do Benfica; o estádio, que deixou de ser um centro de custos, para passar a ser um centro de proveitos; uma participação assídua na Liga dos Campeões, cujas receitas são essenciais; por fim, a optimização dos contratos com a TBZ e a Adidas, cujos proveitos são directamente proporcionais aos êxitos desportivos.

Acreditar sempre no título

— É legítimo esperar reforços em Janeiro?
— Luís Filipe Vieira já disse durante a campanha que tem consciência da reabertura dos mercados e que tudo fará para ajudar a cumprir os pressupostos de competitividade que há pouco enunciei.
— Acredita que este projecto pode dar frutos desportivos já esta época, entenda-se títulos?
— Respondo-lhe com tranquilidade e a título meramente pessoal: o período de tolerância dos benfiquistas terminará no final desta época. Nessa altura as pessoas têm de ficar convencidas de que o que foi feito foi muito melhor do que anteriormente. Isto não significa obrigatoriamente ganhar o campeonato, mas o ideal seria ganhar o campeonato. Se as pessoas não ficarem com esse convencimento, a erosão provocada será muito, muito preocupante. Todos temos de fazer tudo para que esta época seja melhor do que a anterior, com um limite mínimo de assegurar a participação efectiva na Liga dos Campeões. Isso é decisivo para o futuro do projecto.

O Benfica é dos bancos!
Jaime Antunes diz que ganhará as eleições. Caso o sonho se transforme em realidade, João Carvalho ficará responsável pela área mais delicada: a gestão. Diz que é preciso imaginação para gerar receitas extraordinárias, promete acabar com o esbanjamento. Assegura que irá arregaçar as mangas e ser um trabalhador incansável. Critica Filipe Vieira por vender ilusões, por cometer graves erros de gestão e por se querer apoderar de uma obra que é de todos os benfiquistas: o estádio.

— Caso a lista B ganhe as eleições, fica com a área mais sensível, a gestão. Sente que irá herdar uma situação dramática?
— Sim, sem dúvida. O Benfica está numa situação dramática. Graças a um problema estrutural, não conjuntural. Há que ser optimista, a equipa que temos terá condições de salvar o Benfica.
— Salvar?
— Não pense que estou a exagerar ao utilizar o termo. O Benfica tem um passivo de cerca de 80 milhões de euros e gera somente receitas de 40 milhões. Só uma equipa credível e estável pode recuperar o Benfica. Os sócios têm de entender que enfrentamos um problema estrutural. Não vale a pena metermos a cabeça na areia e dizermos que vamos ser a melhor equipa do Mundo daqui a não sei quantos anos, ou vamos ter não sei quantas centenas de milhar de associados. Não devemos iludir os benfiquistas, temos de estar disponíveis para arregaçar as mangas e atacar este défice com todas as nossas forças.
— Tem dito que se cometeu um erro ao antecipar-se receitas de três ou quatro anos. Não é essa a única saída?
— É completamente impossível ir por aí. A dona Branca também acabou... Isto tem um fim. O Benfica tem de gerar receitas de exploração corrente para conseguir fazer face a estes elevados encargos. Temos também de conseguir ter imaginação para captarmos mais proveitos extraordinários. É por isso que tem de ser feita uma aposta séria na formação.
— Em momento de crise não se torna fundamental aparecer um presidente multimilionário?
— É evidente que não. Nenhum presidente deixou dinheiro no Benfica. O clube tem vivido à base da banca. De uma coisa pode estar certo, ganhe a lista que ganhar, os bancos irão apoiar essa lista. Não vale a pena estarmos a iludir os benfiquistas dizendo que só se empresta a uma determinada pessoa.
— Mas a verdade é que para a construção do estádio foi determinante um aval pessoal de Luís Filipe Vieira. Não é verdade?
— O grande motor do estádio acabou por ser o senhor Vítor Santos [apoiante da Lista B], eu sou testemunha disso. Depois, a mais duas pessoas da Direcção: José Santos e Mário Dias. O estádio é de todos os benfiquistas, de mais ninguém.
— Não é dos bancos?
— É evidente que se olhar para as contas, o Benfica é dos bancos. Nesta altura, os activos estão todos hipotecados. Se me perguntar de quem é o clube terei de dizer que é de um sindicato bancário. Mas voltemos aos avais. Olha-se para o relatório e contas e não vemos esses avais. Os avais são essencialmente dos jogadores. É por isso que não podem vender jogadores, todos estão hipotecados, é uma falácia populista dizer-se que se manteve a equipa devido à política desportiva.
— Poderiam ser vendidos...
— Poder, podiam. Mas tinham uma menos valia e lá iam as contas do Benfica... e lá ia o Project finance sofrer consequências...
— Tem também apontado alguns erros na contratação de jogadores...
— Comprar um jogador chamado Ronald Garcia por 300 mil contos é estar a esbanjar dinheiro. Foi Camacho quem disse que nem o conhecia... Quem está por detrás disto? Há que assumir responsabilidades.

Promessas, muitas
Jaime Antunes finalizou ontem a sua campanha eleitoral com muitas promessas de jogadores. Contratos não apresentou; assegurou acordos com futebolistas, e negociações com clubes. Por exemplo com Carlos Alberto, Caneira e Júnior. Mas há mais. E até referiu uma conversa que um grupo de benfiquistas terá mantido com Denilson, internacional brasileiro do Bétis de Sevilha.

Uma mão cheia de craques é o que Jaime Antunes promete mesmo em cima das eleições. Para já, promessas (nenhuma concretizada) que levam o candidato a exultar: «Para além de uma estratégia de gestão existe nesta lista a capacidade de reunir boas vontades e encontrar meios para investir de imediato e dar ao treinador os reforços que ele tem pedido e a actual administração da SAD não tem capacidade para lhe dar». O candidato tem esperança que as suas promessas convençam os benfiquistas: «Com estes jogadores está definido o objectivo do título já esta época. Uma grande equipa não pode ter só 11 jogadores, tem de ter um excelente banco para que todos se tornem mais competitivos. É isso que estamos em condições de dar ao Benfica desde já.» Jaime Antunes explicou que, caso vença as eleições, há que tomar decisões com quem tem responsabilidades de gerir o futebol profissional: «Todos os jogadores estão condicionados a eu ganhar as eleições, mas também à avaliação do director-desportivo [Ricardo Gomes é o alvo, embora o ex-internacional brasileiro tenha afirmado a A BOLA recusar o convite] e da equipa técnica.»

Desejo de Caneira e conversas com clubes

Jaime Antunes procura explicar as suas promessas e fala dos jogadores com os quais apenas diz ter acordos: «O guarda-redes Isaksson é titular da selecção da Suécia e estará no Euro-2004. Também aqui temos a preocupação de dar ao treinador dois grandes jogadores para a mesma posição. Moreira é um grande guarda-redes, não duvido que será brevemente o titular de Portugal, mas ganhará muito com a concorrência.» A lista B afirma ainda ter direito de opção sobre o médio sueco Kim Kallstrom. Para o lado esquerdo da defesa, Antunes diz ter um acordo com um brasileiro bem conhecido dos benfiquistas: Júnior. «Todos os benfiquistas o conhecem e nós firmámos um acordo com o representante e com o próprio jogador. Falta agora conversar com o Parma, mas estou convencido que serão negociações fáceis.» Mas não só de estrangeiros vive esta estratégia final de Jaime Antunes. «Falei com Caneira e ele está desejoso de voltar para o Benfica caso eu vença as eleições. É um jogador que faz todo o sentido no Benfica. » Jaime Antunes dá também a garantia de contactos com o brasileiro Denilson, do Bétis. O jogador disse à SIC ter sido realmente contactado pelos «senhores Vítor Santos e Luís Evaristo», que, pelos vistos, fazem parte do tal grupo de benfiquistas disposto a auxiliar o candidato. «Fui informado por um grupo de benfiquistas que tinham falado com ele e houve abertura. Na altura própria analisaremos a situação», disse Jaime Antunes. Promessas, como se vê, não faltam. Jaime Antunes está confiante. Só faltou mesmo provar que, caso vença, todos estes jogadores virão para o Benfica.

O número 10 está de volta
O médio esloveno do Benfica, Zlatko Zahovic, regressou aos treinos sem quaisquer limitações e encontra-se à disposição do treinador do Benfica, José Antonio Camacho, para o jogo com o Beira-Mar. O número 10 encarnado foi, aliás, a atracção da manhã de ontem, em Massamá, e não desiludiu. Apontou um golaço de pé esquerdo e recebeu as boas-vindas dos colegas.

O Benfica conta, desde ontem, com mais um valiosíssimo reforço. Não houve pompa ou circunstância, nem tão pouco apresentação formal, mas o craque chegou mesmo. Zlatko Zahovic voltou a treinar-se sem qualquer espécie de limitação, colocando-se, por conseguinte, às ordens de José Antonio Camacho, que poderá, se assim o entender, chamar de imediato o esloveno a integrar a convocatória para o encontro de domio, frente ao Beira-Mar. Uma excelente notícia para o grupo benfiquista, como ficou bem patente durante a sessão de trabalho realizada ontem de manhã no relvado do Real Sport Clube, em Massamá, já que o esloveno recebeu muito apoio dos colegas, depois de uma situação em que ficou bem patente a qualidade que pode acrescentar ao futebol encarnado, ao qual apenas Roger, e quase sempre a espaços, tem fornecido alguns ingredientes de verdadeiro médio de ataque. Mas Zahovic é realmente o número 10 do Benfica e promete dar luta ao colega brasileiro e dores de cabeça a José Antonio Camacho.

Um golaço como aperitivo

O jogador cumpriu integralmente a sessão de trabalho, mas o ponto alto só apareceu quando o treinador espanhol mandou fazer exercícios de finalização. O próprio Camacho se encarregava de passar a bola, que deveria encontrar o jogador na zona da marca de grande penalidade. Os primeiros minutos foram de tal forma desastrados por parte de alguns jogadores (entre os quais não estavam os titulares da partida com a Académica) que o espanhol interrompeu o exercício para gritar a plenos pulmões. Não podia permitir, falhar tantos golos daquela zona. Então, chegou novamente a vez de Zahovic, que desta feita apanhou a bola a meia altura e bem a jeito para o seu pé esquerdo. Resultado: fuzilou o guarda-redes e arrancou um coro de incentivos dos colegas que se treinavam a seu lado. O outro grupo, que assistia de fora, e onde estavam aqueles que haviam sido utilizados de início anteontem, também não se ficou e do meio surgiu um voto de boas vindas para o esloveno, que continuou no centro das atenções até ao final do ensaio, já que ainda trocou algumas palavras com o médico da equipa, Pedro Magro, possivelmente para lhe dizer como se sentiu no primeiro treino.

Moreira à beira dos cinquenta jogos
A um passo de atingir uma marca de prestígio — ou não se tratasse de um guarda-redes com apenas 21 anos e dono de uma baliza que já foi defendida por homens tão insuspeitos como Costa Pereira, Bento ou Michel Preud’Homme — a Moreira não faltam razões para festejar. Tem um estádio novo para descobrir, o Benfica começa a ganhar com alguma regularidade e o treinador confia nele. Que melhores razões do que estas, portanto, para celebrar 50 jogos na SuperLiga e dois anos sobre a sua estreia?

O dia 3 de Novembro de 2001 nunca há-de desaparecer, certamente, da memória de Moreira. Foi precisamente nessa data, há quase dois anos, que o guarda-redes se estreou na SuperLiga com a camisola do Benfica. A baliza era de Robert Enke, mas o português, paciente, soube esperar pela sua vez, que chegou no decorrer de uma partida frente ao Vitória de Guimarães. Rendeu o colega e esteve 66 minutos no relvado. Muitas jornadas passaram sem que voltasse a experimentar a titularidade, mas ainda cumpriu os derradeiros nove jogos da temporada de 2001/2002, num total de 876 minutos. A época seguinte foi de afirmação e Moreira não a desperdiçou. Durante as primeiras 31 jornadas o lugar foi seu. Outros tantos jogos completos somaram 2790 minutos em campo. Finalmente, na temporada vigente, Moreira foi guarda-redes titular nos oito encontros realizados pelo Benfica até ao momento, o que significa que está à beirinha de completar a bonita marca de 50 partidas no escalão mais alto do futebol português. Ee todas elas com a camisola do clube da Luz.

Média de golos sofridos inferior a um por jogo

O jovem guarda-redes entrou para a época em curso com 41 encontros disputados e 33 golos sofridos. Média inferior a um golo por jogo, que se mantém, apesar de em oito partidas disputadas em 2003/2004 ter sofrido outros tantos golos. Ainda assim, em números gerais, um total de 49 partidas e 41 golos sofridos. Na primeira temporada, 2001/2002, apenas foi batido sete vezes em 10 desafios. Na época seguinte, Moreira disputou 31 partidas e foi buscar a bola dentro da baliza em 26 ocasiões. Curiosamente, ou nem por isso, o primeiro jogo, o tal de há quase dois anos diante do Vitória de Guimarães, acabaria sem golos, pelo que se tratou, sem dúvida, de um bom prenúncio. Agora, frente ao Beira-Mar, vai certamente procurar manter inviolada a sua baliza, para que possa, no dia seguinte, gabar-se de não ter sofrido golos e comemorar duplamente. E José Antonio Camacho não será, obviamente, desmancha-prazeres, pelo que só mesmo a sorte pode impedir o jogador de conquistar mais uma memória na sua ainda curta carreira de jogador profissional.



quinta-feira, outubro 30, 2003

AGRADECE E JUSTIFICA INFLUÊNCIA
Manuel Vilarinho: «Veiga tinha crédito de 500 mil contos»

Manuel Vilarinho justificou e agradeceu ontem a influência do empresário José Veiga no Benfica. "Se não fosse ele não tínhamos feito a equipa em tão curto período de tempo", afirmou o presidente do Benfica, em entrevista à Sport TV, sublinhando: "José Veiga tinha um crédito de 500 mil contos que transformou em acções da SGPS."

O líder directivo dos encarnados admitiu igualmente que se recandidataria à presidência, caso Luís Filipe Vieira não avançasse. "Se calhar, teria de fazer mais um sacrifício", referiu. "Sempre tive um 'feeling' para escolher colaboradores e raramente me enganei", acrescentou, sublinhando a importância da "continuidade" no Benfica. "Luís Filipe Vieira conhece bem o clube. Os problemas do Benfica só ficam resolvidos daqui a três anos, no final do próximo mandato."

Neste contexto, Vilarinho acredita que daqui a três anos os encarnados poderão ser campeões de forma sustentada. "Campeões sustentados, com uma retaguarda forte, só daqui a três anos. O que não quer dizer que se não apanharmos um FC Porto superforte não seremos campeões mais cedo."

O presidente benfiquista justificou ainda a troca de Marchena por Zahovic - "Marchena não era um activo e estava a ser um enterra"; "nenhum treinador deixou de apostar em Zahovic" -, e agradeceu a colaboração de Joaquim Oliveira, Diogo Vaz Guedes, António Laranjo, além de José Veiga.


O COMENTÁRIO AOS ALEGADOS CRIMES
Guerra Madaleno: «Invenção estúpida»

Guerra Madaleno garante que as investigações judiciais a que, alegadamente, está a ser sujeito são falsas e insinuou que as mesmas podem ser originadas pelos adversários.

"Isso é estúpido e mais que infundado. O que existe é um inquérito e mesmo isso é absurdo", afirmou à Antena 1, explicando que tudo se deve à venda de uns apartamentos há 11, 12 anos. "É um crime impossível. Trata-se de um erro de investigação e só com má vontade é que envolvem nisto. Alguém inventou roupa suja", acusou, acrescentando: "Não sei por que razão não falam dos processos que correm contra os outros candidatos."

Hoje, às 12.30 horas, Guerra Madaleno divulga, em conferência de Imprensa, um novo jogador e a metodologia de investimento.

MINUTO A MINUTO, JOGADA A JOGADA
ACADÉMICA-BENFICA, 1-3 (Argel [npb] 6'; Sokota 21', Simão 26', Roger 82')

22:56 - Final do encontro.

90' - Alex recupera a bola a meio-campo, corre isolado e cruza rasteiro para Fehér atirar ao poste. No entanto, o fora-de-jogo ao húngaro já tinha sido assinalado.

88' - Última substituição no Benfica. Nuno Gomes dá o lugar a FEHÉR.

87' - Moreira tem que se aplicar para deter um cruzamento de Pedro Henriques que ia entrando na baliza.

83 - Roger vai festejar para junto dos adeptos fora das quatro linhas e vê o CARTÃO AMARELO.

82' - Livre directo para o Benfica. Simão dá um pequeno toque e ROGER, com um remate magnífico de pé esquerdo, encaixa a bola no ângulo superior esquerdo de Pedro Roma.

79' - Remate de fora da área de Simão... A bola sai à figura e Pedro Roma recolhe sem problemas.

75' - Miguel entra na área pelo flanco direito, mas é desarmado... Alex ganha o ressalto e estoira para uma defesa espectacular de Pedro Roma, que estava muito atento.

74' - Fábio Felício remata de muito longe, mas a bola acabou por morrer nas mãos de Moreira.

70' - Depois de uma primeira parte empolgante e, por vezes espectacular, o futebol praticado agora decaiu bastante. Apenas os lances de bola parada levam perigo às balizas.

66' - Livre na esquerda do ataque dos 'estudantes'... Alvim responde com um cabeceamento por cima da barra.

65' - CARTÃO AMARELO para Argel, depois de uma falta sobre Dionatan, que se isolava no corredor esquerdo.

62' - DELMER rende Marinescu na Briosa.

58' - Dupla substituição no Benfica. ROGER e ALEX rendem Geovanni e Sokota.

52' - Agora é um livre para a formação da casa. Pedro Henriques atira forte, mas à figura de Moreira, que segura.

47' - Livre directo para Petit, que sai por cima da baliza da Académica.

22:06 - Começa a segunda parte. Na Académica, Fiston foi rendido por FÁBIO FELÍCIO.

......................................................

21:53 - Intervalo em Coimbra.

45' - Vai-se jogar mais um minuto.

38' - Mais um 'raid' de Simão na esquerda, agora a ir à linha de fundo e a cruzar rasteiro para trás, mas Nuno Gomes, que ainda tenta o carrinho, chega atrasado e o lance perde-se.

35' - Vítor Oliveira reforça o ataque academista. Sai Paulo Adriano, entra MARCELO.

33' - Espectáculo no Cidade de Coimbra. Livre na esquerda para Petit, que cruza tenso para uma cabeçada certeira de Tiago, que Pedro Roma defende por instinto. Na marcação do canto, Simão acaba por rematar ao lado da baliza da Briosa.

26' - GOLO DO BENFICA... Um golaço de SIMÃO. Livre à entrada da área... O internacional português coloca a bola minuciosamente no ângulo superior da baliza de Pedro Roma.

21' - Grande jogada de Simão Sabrosa da esquerda para o meio, a desmarcar Nuno Gomes e este a assitir SOKOTA, que de costas para a baliza, roda e estoira para o golo do empate.

20' - Livre descaído na esquerda do ataque encarnado... Petit marca com muita força mas Pedro Roma defende.

15' - Livre directo em posição frontal para a Briosa. Marinescu atira por cima da trave de Moreira.

6' - GOLO DA ACADÉMICA... Livre directo na esquerda apontado por Pedro Henriques. Tonel, ao segundo poste, pressiona ARGEL, que, com a coxa, acaba por introduzir a bola na própria baliza.

3' - Simão flecte da esquerda para o meio e remata forte, mas Pedro Roma defende com uma 'sapatada'.

21:00 - Início da partida. Sai o Benfica com a bola.



Mudarei tudo!
Mudar, mudar e mudar... tudo. Jaime Antunes quer um Benfica novo, mas que tenha muito a ver com o velho Benfica dos tempos de glória. E já falou com Ricardo Gomes, numa tentativa de fazer dele o director desportivo do clube, o elo de ligação ao presidente, sempre mas sempre o máximo responsável pelo futebol.

— O que mudaria no futebol do Benfica?
— Ao nível da gestão do futebol mudarei tudo - os métodos, as atitudes e as pessoas. Desde logo criarei uma hierarquização clara das funções das pessoas que têm responsabilidade de gestão no futebol. O presidente terá a responsabilidade total no futebol e nas coisas boas e nas más. Comigo nunca vão ouvir dizer que o jogador «X» foi contratado e tudo correu mal, porque o treinador é que mandou. Isso não existe comigo. Eu contrato o jogador, se tudo correu mal a decisão errada foi minha. Comigo o Artur Jorge não destruiria uma equipa campeã assim. Nunca!, porque eu não deixava. Comigo não se contratavam Ronaldo Garcia, Anderson Luís, Peixe e George Jardel, por muito que os treinadores o quisessem.
— Isso obriga ao tal director desportivo...
— Sem dúvida. Ele é o profissional para trabalhar em colaboração estreita com o presidente. No futebol do Benfica tem de haver três pessoas determinantes: o presidente, responsável por toda a política e decisões, assessorado directamente e no terreno pelo director desportivo, que tem de ser uma pessoa que conheça muito bem o mercado, que seja de uma honestidade a toda a prova. É ele que vai negociar os contratos.
— Já falou de Ricardo Gomes...
— Adiantei essa ideia, já falei com ele, preenche as condições, mas está comprometido com a selecção olímpica do Brasil. O que lhe disse é que se vencer vou ao Brasil e negoceio com a Confederação Brasileira de Futebol a sua desvinculação.
— E se não conseguir?
— Se assim for logo se verá.
— Com tanta glória no futebol que foi do Benfica não encontra em Portugal um nome?
— Com aquela capacidade de liderança que ele tem? O Ricardo foi capitão de equipa do Benfica, da selecção do Brasil...Quando entrava em campo impunha respeito só com a sua presença. Temos saudades de ter um capitão de equipa assim, tal como foi também o Humberto Coelho e antes o Mário Coluna. Quem é que hoje transporta essa mística? Aquela braçadeira de capitão tinha uma força!... Hoje, infelizmente, isso perdeu-se no Benfica. Depois: — E, depois, vem o treinador, que tem uma palavra a dizer na definição do plantel, ele tem de estar sintonizado com a filosofia do director desportivo. E as aquisições ou dispensas têm de ter em linha de conta essa filosofia de jogo que se pretende impor na equipa. Mas uma coisa é o treinador aconselhar, ser ouvido, propor contratações, porque na altura em que o Benfica for para o mercado o treinador está de fora da negociação. Se o treinador está envolvido na contratação, isso cria alguma dificuldade no objectivar do quem joga e não joga. Estou a falar no abstracto, mas o treinador pode ter a tentação de pôr a jogar só os jogadores que ele aconselhou na contratação a fim de os valorizar. Isso seria mau. O director desportivo tem de ser o elo de continuidade da política desportiva, independentemente dos treinadores que entram ou saem do clube em função dos resultados, como é evidente.

Sou visceralmente independente
É frontal. Fala do Benfica com à vontade e...profundidade. Não esconde que é um homem de gestão, que conhece bem o mercado de valores. Mas mostra, também, que tem ideias muito próprias para o futebol do Benfica. Reestruturar tudo pela base é uma ideia que defende. Desde a formação, aos olheiros, chegando ao tal director desportivo que até já contactou — Ricardo Gomes. O edifício encarnado, segundo o seu ideal, tem de ser diferente, muito diferente do que Luís Filipe Vieira preconiza. Para Jaime Antunes, o Benfica é grandeza, mas também independência.

— Diz que não ataca pessoalmente ninguém, mas ataca a política de continuidade no Benfica...
— Claro que ataquei, porque a política de continuidade significa mais do mesmo no Benfica. Significa que continuamos a ter o senhor Vieira a gerir uma instituição que hoje é uma instituição complexa. E complexa do ponto de vista das diferentes disciplinas da gestão, que são necessárias para ter resultados positivos. É preciso saber montar e gerir uma equipa de futebol competitiva, com custos aceitáveis e comportáveis. Até aqui isso não tem sido conseguido. O último consulado no Benfica foi um desastre do ponto de vista dos resultados desportivos. E foi um desastre financeiro. Os passivos aumentaram, os prejuízos continuaram a aumentar. A SAD do Benfica nos últimos três anos deu um prejuízo de quase 50 milhões de euros. Ninguém pode sobreviver assim.
— Por isso diz que o Benfica vive uma recuperação financeira virtual?
— É verdade. A tão apregoada recuperação é tão somente uma mudança de dívidas de um sítio para outros. Aumentou-se drasticamente o endividamento bancário. Não digo que isto é negativo. No mandato anterior as dívidas à Banca quase não existiam. Agora houve a possibilidade de aumentar significativamente a dívida à Banca pagando através dessa dívida as obrigações fiscais. Era uma necessidade urgente. Não critico isso, foi positivo. São medidas lógicas de quem está no poder. Mas uma coisa é tomar essas medidas que são decorrentes dos cargos que as pessoas ocupam, outra é insinuar que foi graças à iniciativa ou património pessoal de determinadas pessoas que essas responsabilidades foram pagas. Isso não é verdade.
— Lá vem a questão dos 25 milhões de contos...
— Disse-se no início desta campanha que o Benfica pagou 25 milhões de contos. Isso é uma falácia. Como é que uma instituição e uma SAD que tem prejuízos todos os anos gerou meios financeiros para pagar 25 milhões de contos?! Finalmente corrigiram o discurso. Agora já dizem que não pagaram nada, que reorganizaram contratos. —Não fazia o mesmo?
— É possível. O problema não é esse. O problema é saber se é possível, todos os anos, antecipar receitas. As receitas antecipadas também acabam, tal como acaba o património.
— Essa é uma das críticas fortes que faz a Luís Filipe Vieira, a da antecipação de receitas...
— Só antecipa receitas e não fez nada de reestruturação da despesa do Benfica. É racional que o Benfica, num determinado período de tempo, por dificuldades na conta de exploração, tenha de antecipar receitas para fazer face aos seus compromissos. O que não é racional é que essa política seja utilizada sistematicamente e para cobrir prejuízos correntes. Ou seja, não se faz nada para reduzir os custos, mantém-se as instituições a produzir prejuízos sistemáticos, caso da SAD e do Benfica/clube, aumenta-se passivo e dívida e, depois, vende-se património. Estamos a gastar hoje o que só devia ser gasto daqui a dois, ou quatro anos. E isso está a acontecer com o contrato da Adidas, da TVZ e da Olivedesportos.

«O activo está hipotecado, penhorado ou comprometido»

— Para si o Benfica é um clube hipotecado?
— Tem a quase totalidade do seu activo hipotecado, penhorado, comprometido, como garantia dos financiamentos da Banca. De vez em quando fala-se de avales, mas se vermos o Relatório e Contas de 2000/2001(o consolidado), quer o Relatório do Benfica/ clube e da SAD que foram aprovados nas últimas AG, não há uma única referência a património pessoal do sr. Luís Filipe Vieira no Benfica.
— Se for eleito também tem de trabalhar com a Banca...
— Claro! A Banca que está comprometida no Benfica, e que tem lá grandes montantes, o que quer é uma equipa de gestores capaz. A Banca quer uma gestão eficaz e competente, não quer os prédios do sr. Vieira.
— Mas se esta gestão fosse assim tão má com a Banca como conseguia o Benfica ter um bom relacionamento com ela?
— Ou então, o Benfica se tivesse uma melhor gestão, tinha o seu património muito menos comprometido.
— E trabalha com investidores particulares?
— Também, desde que sejam benfiquistas e numa base de ajuda ao Benfica sem que existam dependências. Quem me conhece sabe que sou visceralmente independente. Não recuo perante as dificuldades. Tenho-o mostrado nas AG do Benfica. Habituei-me a ser independente, tenho possibilidades disso.
— E teimoso...
— Há quem diga isso, mas costumo dizer que sou persistente

Simão é uma referência
Cada vez mais perto, as eleições do Benfica tendem a agudizar-se, tanto mais que os candidatos têm consciência de que se queimam os últimos cartuchos e é o momento de tudo ou de nada, a fim de convencerem os associados benfiquistas. Pois bem, Luís Filipe Vieira falou dos jogadores, mas num plano de garantia. Simão dificilmente deixará o Benfica, pois é já uma referência. Isto, e não só, foi dito em entrevista à Sport TV.

Candidato à presidência do Benfica, Luís Filipe Vieira voltou a primar pelo pragmatismo, desta feita em entrevista à Sport TV, realizada pouco antes do encontro de ontem entre os encarnados e a Briosa. Numa altura em que os seus rivais na corrida à presidência, Jaime Antunes e Guerra Madaleno, procuram reforços que lhes permitam convencer a onda vermelha, Luís Filipe Vieira remeteu-se a um discurso sereno. «Simão é uma referência. Quando foi comprado era para ser vendido. Vinha para fazer apenas um trajecto de um ano. Agora, dificilmente sairá do Benfica», disse, antes de explicar que o regresso de Rui Costa «tem o seu timing» e que «Ricardo poderá um dia arrepender-se» de não ter vestido a camisola encarnada. O novo Estádio da Luz, a justiça feita ao vice-presidente para a área do Património, Mário Dias, «verdadeiro pai do novo estádio» e «grande mentor da sua construção», dominaram também um tom que se endureceu quando chegou o momento de falar de contas. Os passes de alguns jogadores estão, ou não, penhorados? E há, ou não, jogadores que não pertencem ao Benfica? «Só o passe de Fehér não pertence à SAD, enquanto os de Mantorras e Petit são, em 50 por cento, pertença de Alverca e Boavista e o restante do Benfica. Outra coisa é a história dos 15 milhões de euros. Os passes de Simão, Ricardo Rocha, Armando e Mantorras foram deixados como garantias. Já o havíamos feito com o passe de Fernando Meira e não foi por isso que não foi vendido. Não queremos abdicar de activos e também nunca ouvi falar em jogadores penhorados», comentou Luís Filipe Vieira, que admitiu não ter, por enquanto, convidado José Antonio Camacho a prolongar o seu vínculo. «Ainda não conversámos sobre isso», explicou, antes de frisar que «Camacho colocará o lugar à disposição se outro candidato vencer as eleições». Ora, no que concerne ao acto eleitoral propriamente dito, Luís Filipe Vieira começou por apelar fortemente a uma «presença massiva dos sócios do Benfica» junto das urnas, mas acabou por direccionar, igualmente, algumas palavras para os seus concorrentes, Jaime Antunes e Guerra Madaleno. «Se tivessem ido ter com os presidentes do clube ou da assembleia geral para saberem em que estado está não vinham dizer certas coisas para a praça pública. E se calhar nem se candidatavam», afirmou, sem deixar de endurecer o discurso que apontava direitinho aos opositores: «Para quem diz que é economista, não sei que curso tiraram.» Luís Filipe Vieira manifestou ainda muita confiança no seu project finance, que poderá fazer do Benfica, dentro de três anos, um dos grandes clubes do mundo. «Há condições para isso», disse.

Em nome da transparência
A candidatura de Jaime Antunes e a Benfica Estádio emitiram ontem comunicados sobre a conta criada para gerir as verbas da venda dos bilhetes de inauguração do estádio às casas do Benfica. A primeira com críticas e muitas questões, a segunda com lamentos e alguns esclarecimentos.

As casas do Benfica que compraram ingressos para o jogo de inauguração da nova Luz receberam indicações para depositarem o dinheiro da venda dos bilhetes, segundo denunciado por Jaime Antunes, numa conta pessoal. A candidatura questiona se a conta pessoal não serviu antes para cativar as receitas da inauguração, «quando se sabe que as contas da Benfica Estádio estão penhoradas». Quer saber «quanto dinheiro circulou nessa conta» e se «também é auditada pela KPMG». Questiona ainda se existem mais contas «em situação semelhante» e pede uma posição do Conselho Fiscal. Fala ainda de «explicações contraditórias», nomeadamente as que foram prestadas por Cunha Vaz, assessor de campanha de Luís Filipe Vieira, que explicou anteontem todo o processo nos mesmos termos da Benfica Estádio, e as de João Salgado, secretário geral do clube, «que afirma pertencer a conta à Benfica Estádio, com assinaturas de Luís Filipe Vieira e Mário Dias»

Benfica Estádio explica

A Benfica Estádio emitiu um esclarecimento, onde começa por lamentar não ter sido contactada pela candidatura de Jaime Antunes para esclarecer as dúvidas. E explica: «a) A cada jogo que se realiza no Estádio da Luz assiste um número variável de membros das casas do Benfica. b) Num acto de boa gestão — que, aliás, se impõe — a Benfica Estádio não permite a saída de um único bilhete sem a correspondente entrada do valor do mesmo. c) O director das Casas, Filiais e Delegações, de forma a não atrasar o envio dos bilhetes para as mesmas, entregou à Benfica Estádio cheques como caução para o levantamento dos bilhetes e procedeu à distribuição dos mesmos pelas Casas/Filiais/Delegações. Só assim foi possível que os sócios destas de todo o País e todos os emigrantes que propositadamente se deslocaram a Portugal para a inauguração tivessem recebido atempadamente os seus títulos de ingresso. d) Até sexta-feira, dia 24 de Outubro — véspera da inauguração do Estádio da Luz—o director das Casas do Benfica transferiu, da conta bancária onde as casas foram depositando as verbas efectivamente por si cobradas aos sócios, a totalidade das mesmas para a Benfica Estádio. e) Após confirmação dessa transferência, a Benfica Estádio devolveu ao director das casas do Benfica os cheques caução que havia depositado na sede da sociedade. f) Assim se continuará a proceder até que, como em breve acontecerá, todas as casas/filiais possam emitir os seus próprios bilhetes.» A Benfica Estádio disponibilizou-se ainda para prestar qualquer esclarecimento adicional às casas, filiais e delegações, nomeadamente fornecendo o acesso a «fotocópias dos documentos mencionados: cheques caução, documentos comprovativos das transferências entre contas e carta de quitação da Benfica Estádio para o director das casas do clube». Já anteontem Cunha Vaz justificou o uso da conta pessoal em nome de Carlos Colaço, que caucionou os bilhetes, em nome da funcionalidade e celeridade, e defendeu a transparência do processo.



quarta-feira, outubro 29, 2003

Sorteio da Taça de Portugal :

No sorteio da quarta eliminatória da Taça de Portugal em futebol realizado ao fim da manhã desta quarta-feira deu o Benfica a receber o Estrela da Amadora.

Os jogos realizam-se a 23 de Novembro.





ANGOLANO PROMETE
Mantorras: «Serei prenda para os sócios»

Pedro Mantorras está ansioso pelo regresso aos relvados. O avançado angolano vai voltar a treinar-se na próxima segunda-feira e ontem comprovou que a sua qualidade de ídolo junto dos jovens está intacta, levando um "banho de multidão" no campo do Pescadores da Costa da Caparica.

"Continuo a sentir-me um ídolo para todas estas crianças. Estou muito ansioso pelo regresso aos relvados. Segunda-feira começo a trabalhar, mas tenho de ir com calma", começou por afirmar, garantindo aos sócios que vão ser presenteados em breve: "Vou ser a prenda de Natal dos sócios do Benfica. Espero que antecipada."

Mantorras descreve como um "calvário" os 10 meses em que esteve lesionado. "Foram os piores dias da minha vida. O velho Mantorras vai voltar. Luís Filipe Vieira foi, durante esta fase, um pai para mim e António Gaspar um deus que apareceu na minha vida. Ambos foram muito importantes nesta fase negra da minha carreira", confessou.

O internacional angolano promete voltar em alta na nova Luz. "O estádio é lindo e ainda vou brilhar muito naquele relvado", garantiu.

LÍDER DA SAD EM GRANDE ENTREVISTA
Luís Filipe Vieira: «Candidato-me com espírito de missão»
Assenta o discurso em meia dúzia de frases fortes, entre as quais a continuidade e a vontade de prosseguir no caminho da recuperação do Benfica são as mais marcantes. E não se arrepende de nada que tenha feito na condução do futebol

Record – Nas últimas eleições houve uma vaga de fundo interessada em vê-lo avançar. Na altura não foi a votos, mas vai agora. O que mudou?
Luís Filipe Vieira – Tinha de se dar continuidade ao trabalho que está a ser desenvolvido na instituição e no grupo empresarial do Benfica. Nesta altura seria muito mau que não houvesse coerência, que não se mantivesse boa parte das pessoas que estavam na Direcção anterior. O que é importante para o Benfica é manter a estabilidade. O Benfica tem vivido isto a cada mandato: as pessoas, quando chegam, encontram problemas tão grandes que, quando querem desenvolver algo, não têm tempo até serem substituídos.

R – Mas quando viu avançar Vilarinho ficou aliviado?
LFV – Sim, até porque ele dava garantias aos benfiquistas. E
sempre foi claro, tanto para mim como para quem estava comigo, que se Vilarinho confirmasse que seria candidato eu não teria pretensões. A vantagem terá estado no facto de, até à última hora, eu ter fechado o espaço a mais alguém. Mas estávamos unidos. O que importava era haver uma candidatura para concorrer contra Vale e Azevedo.

R – O facto de ter preferido primeiro conhecer o clube por dentro e de avançar agora parece indicar uma personalidade cautelosa. É assim?
LFV – Sou um homem de projectos. Quando esta Direcção chegou encontrou o Benfica destruído, falido. Voltar a credibilizar a instituição foi o primeiro passo. E o importante é dar-lhe continuidade. E a continuidade, connosco, está assegurada.

R – Quando é que lhe passou pela cabeça pela primeira vez ser
presidente do Benfica?
LFV – Há dois meses e meio?

R – Nunca teve esse sonho?
LFV – Não. E se têm aparecido outras pessoas a candidatar-se, se têm dialogado seriamente com o meu presidente, eu não avançava, pois estes dois anos também me desgastaram. Se têm aparecido candidaturas que dessem continuidade ao projecto, eu não estaria disponível. Tomei a decisão muito recentemente, porque isso passava pela minha família e, em termos empresariais, pelos meus sócios. Era preciso que tanto uns como os outros aceitassem a situação.

R – Ser presidente do Benfica é mais uma missão do que um sonho?
LFV – Candidato-me mais com espírito de missão que na ânsia de protagonismo. Quem me conhece sabe que o protagonismo que me têm dado até me tem criado dissabores.

R – O que fará se perder as eleições?
LFV – Se perder as eleições? [Pausa] Tal como entrei discretamente, sairei discretamente. Não hostilizarei ninguém, nem discutirei o Benfica na praça pública. E se necessitarem de algum apoio meu, estarei disponível.

R – E o que diz aos que o acusam de pretender acabar com o controlo do Benfica-clube na SAD?
LFV – Só os ignorantes é que admitem isso. Se eu, desde que estou no Benfica, o exemplo que dei foi proteger sempre a instituição... Basta ver as contas da SAD para chegar a essa conclusão. A SAD tem apoiado, e de que maneira, o Benfica.

R – Afasta essa situação?
LFV – Nem passa pela cabeça de nenhum benfiquista que isso suceda. Os que fazem as acusações são ignorantes ou não sabem o que dizem.

R – Falou da continuidade como um dos pontos fundamentais da candidatura. A história recente no Benfica tem penalizado a continuidade...
LFV – Mas o tempo das promessas e da demagogia já passou. Os benfiquistas sabem o que se passou nos últimos três anos. A obra está lá. A recuperação do Benfica está a fazer-se e, se não houver continuidade, vamos penalizar tudo o que está a ser conseguido. Há hoje parcerias que só apareceram porque alguém apresentou um projecto com credibilidade a médio e longo prazo. Foi isso que se fez e com uma virtude: o Benfica passou a ser um parceiro transparente, tanto na relação com os fornecedores como com as instituições financeiras. Hoje as contas são auditadas, estão consolidadas. Qualquer fornecedor, qualquer instituição financeira, sabe a verdade. Hoje, as contas não estão debaixo da mesa, estão em cima da mesa, são transparentes. É preciso que o Benfica crie uma estrutura que permita que quem venha um dia mais tarde possa continuar dentro deste princípio.

R – Acha que as soluções de continuidade têm sido penalizadas porque o trabalho não justificava outra coisa?
LFV – Não me compete a mim analisar isso. Passado é passado. O que conta para nós é o presente e o futuro. O que conta são as metas que traçamos. É sabermos qual foi o ponto de partida e qual será o ponto de chegada. O ponto de partida foi traçado há dois ou três anos. Quanto ao ponto de chegada, seria complicado para quem viesse agora saber como se lá chegaria. A não ser que esses potenciais candidatos – vários nomes existiam que dariam excelentes candidatos?

R – Vai dizer-me quem?
LFV – Não. Mas desenvolveriam o mesmo projecto, dar-lhe-iam continuidade sem defraudar os parceiros.

R – Nem todos os que estavam com Vilarinho fazem parte da continuidade. Além de José Santos, há Paulo Olavo Cunha e Seara Cardoso. Eram eles os "papagaios"?
LFV – Não falemos nisso. Seara Cardoso continua connosco. Ele é muito importante no projecto. Não está na Direcção porque assumimos que os órgãos eleitos não seriam remunerados. Mas será administrador da Benfica Estádio, como poderá ser administrador de outra empresa.

R – Não falou de Olavo Cunha?
LFV – Não tenho que falar. Falo de quem continua. Tenho que ter opções. Há quem seja importante na continuidade. Tinoco Faria, por indisponibilidade de estar numa administração, será presidente da mesa da Assembleia Geral, porque é uma referência da instituição. Paulo Olavo Cunha não continua, mas não quer dizer que haja algo contra ele.

R – Que papel tem para Vilarinho?
LFV – Vai continuar connosco. Na última Assembleia Geral, aliás, foi proposto para Águia de Ouro.

R – Já falou num órgão consultivo que poderá juntar ex-presidentes?
LFV – É o Conselho Superior, onde terá assento quem tiver prestado serviços relevantes à instituição.

R – Não tendo necessariamente sido presidente do clube, nem tendo lá lugar todos os ex-presidentes?
LFV – Serão as pessoas que prestaram serviços relevantes à instituição.

R – Que comparação faz entre o Benfica do dia em que lá entrou pela primeira vez e o de hoje?
LFV – Hoje está credibilizado.

R – Financeiramente está melhor?
LFV – Fez recuperações, mas não foi com mecenas, foi pela própria marca. Por isso é que digo que são importantes as parcerias de médio e longo prazo que temos feito.

R – Colocou dinheiro no Benfica?
LFV – Nunca. Sou accionista da SAD, mas outros benfiquistas também são. Terei feito o meu papel no seio de um grupo que soube credibilizar a instituição. Sei o papel que tive, mas não é nada que se possa pessoalizar. Hoje a instituição tem uma credibilidade que não tinha. Por isso é que é um parceiro, só por isso é que fez estas parcerias e pode sentar-se com qualquer fornecedor.

R – Recusa então a ideia segundo a qual o Benfica só mudou de credores, segundo a qual deixou de dever a fornecedores para dever à banca?
LFV – Quanto muito deixou de dever a "off-shores"? Hoje o que é importante é que é tudo transparente. Está tudo no Relatório e Contas. Qualquer sócio, qualquer accionista pode saber onde está o endividamento do Benfica. Não podemos é esquecer que o clube está em fase de investimento e não de desinvestimento. Aquilo a que apelamos não é à criação de mais-valias desfazendo-nos de activos. Não é a criar mais-valias em jogadores que resolveremos o problema. Isso passa por um projecto que já é conhecido de todos, que é o do cartão de sócio que queremos lançar, através do qual pensamos que conseguiremos aglutinar a família benfiquista. E quando não temos as mesmas opiniões, é importante que elas sejam debatidas internamente. As pessoas, quando se candidatassem, deviam tentar saber o que iam encontrar. E então poderiam dizer que alternativas tinham. Mas o que tenho ouvido é que se contratou o Rui Costa, que se contratou o Júnior, o Fabiano. Do outro lado é a gestão, a gestão, a gestão. É o Peixe, o Ronald Garcia. Não é uma abordagem séria. Por isso, quem a fez, será seriamente penalizado.

R – O que é que pode saber-se já do tal novo cartão de sócio?
LFV – Queremos que os simpatizantes venham para o universo da instituição, que tenham uma relação com ela. E quando este projecto chegar ao ponto a que julgamos que pode chegar, o investimento em quotização será recuperável pelo cartão. E não será um cartão de crédito. É um cartão de sócio do Benfica.

R – Será um trunfo para fazer do Benfica um dos maiores do Mundo?
LFV – Sim. E há potencial para isso.

R – Mas fala em quê? Na grandeza do clube, no número de sócios, em títulos, na competitividade da equipa?
LFV – Falo da instituição. Os números, às vezes, não podem ser analisados friamente. Era muito fácil para nós criar um resultado positivo vendendo um ou dois jogadores. Mas se o fizesse em relação a três casos concretos que tivemos, tinha uma manifestação à porta de casa. Além de ser um projecto empresarial com rigor, com transparência, este projecto tem a paixão colada a ele. E é essa paixão que tem de ser arrastada para a instituição. Aí, o Benfica será muito mais forte e competitivo. As pessoas querem títulos e nós também queremos ser campeões. Assumimos isso. O primeiro passo demo-lo quando não nos desfizemos de nenhum activo importante. E, além disso, o Benfica só fará reajustamentos com jogadores de primeiro nível.

R – Que Benfica teremos consigo?
LFV – Um Benfica para vencer, transparente, com rigor e, acima de tudo, dentro das bases que criámos, definitivamente consolidado. O único apelo que fazemos à massa associativa é que, no dia 31, vá votar de uma forma maciça. É nesse dia que se fazem as sondagens.

«A Luz é o orgulho de todos os benfiquistas»

R - O novo Estádio da Luz é a menina dos seus olhos?
LFV - É o orgulho de todos os benfiquistas. A única coisa que temos de avaliar é o que seria do Benfica se não o tivéssemos feito. Aí, penso que todos estamos em sintonia. Os que não gostavam, que não tinham capacidade ou que diziam não por uma birra, devem estar também orgulhosos e felizes.

R - Mesmo os que eram contra já são a favor?
LFV - O problema de algumas pessoas é que não estão habituadas a grandes desafios. Estão habituados a olhar muito para papéis, fazem muitas somas mas normalmente até se enganam. E há outros para quem a vida é feita de desafios. Toda a minha vida empresarial tem sido feita de desafios. E até no futebol, no Alverca, foi assim. Houve um desafio e as infra-estruturas estão lá. Houve muita gente para quem era impensável fazer o estádio novo. E outros que, por um capricho qualquer, só diziam "não e não". Não diziam era porquê.

R - Deu-lhe gozo falar agora com essas pessoas?
LFV - É lógico que ficámos felizes com a inauguração. Principalmente quem esteve envolvido. E aí o caso do Mário Dias é exemplar. Recordem-se do que era o Mário Dias há três anos e o que ele é hoje. Recordem-se para ver o que é sofrer, o que é servir uma instituição.

R - Manteve o "low profile" na inauguração por achar que a obra falava por si ou teve medo que o acusassem de estar a fazer campanha?
LFV - Na qualidade de presidente da Benfica Estádio, eu até podia ter discursado na cerimónia. Mas as pessoas podiam interpretar isso erradamente e eu entendi que não deveria fazê-lo.

R - Vai continuar como presidente da Benfica Estádio?
LFV - Em princípio presidirei a todas as empresas do Benfica.

R - Sempre com um administrador executivo forte?
LFV - Logicamente. Pretende-se uma linha de orientação onde quem for eleito irá delegar e onde haverá administradores executivos que sejam o garante do sucesso deste projecto e, em termos futuros, de alguma continuidade.

R - O que sentiu quando viu Durão Barroso ser apupado?
LFV - Política não é comigo. Não faço comentários.

«Modalidades deixarão de ser o parente pobre»

R - Se for eleito, deixa de ser o patrão do futebol para comandar todo clube. Como tenciona inverter a situação actual, em que o hóquei segue em último, o basquetebol é penúltimo?
LFV - Vamos ter um vice-presidente e um director-geral para coordenar todas as modalidades. Uma prioridade do Benfica, por ser instituição de utilidade pública e por ter dois belos pavilhões, é a formação. Queremos um índice de ocupação de 100 por cento, que passará por protocolos camarários e escolares. E definiremos quais serão as modalidades de alta competição, nas quais entraremos sempre para ganhar. As modalidades deixarão de ser o parente pobre do Benfica. Não podem exigir-nos que mudemos a situação de um dia para o outro mas, passado pouco tempo, as pessoas verão que as coisas irão mudar.

R - Isso passa pela reconstituição da equipa de ciclismo?
LFV - O Benfica fez um protocolo com uma empresa, que até 31 de Dezembro terá de provar a viabilidade de uma equipa de ciclismo auto-suficiente. Estou optimista e acho que o ciclismo será uma realidade. Mas isso não quer dizer que apareçamos a dizer que vamos logo ganhar a Volta a Portugal. Passos precipitados prejudicaram muito o Benfica. Por isso, os passos que dermos têm de ser consolidados e firmes.

«Camacho é importante para um Benfica campeão»

R – A política de não vender jogadores importantes é para continuar?
LFV – Tem de ser.

R – Mas é ou não verdade que, mesmo que vendesse, o Benfica não lucraria, pois parte dos passes pertencem a pessoas exteriores ao clube?
LFV – Os passes são todos propriedade do Benfica. Excepto o do Fehér. Há ainda o caso do Petit e do Mantorras, dos quais o Benfica só tem 50 por cento, com o Boavista e o Alverca. Mas os direitos são nossos. O que se passou foi que, ao fazer um determinado empréstimo para comprar jogadores, o Benfica deu como garantias os passes desses jogadores a instituições financeiras. Não foi a particulares. E isso está no Relatório e Contas. A um determinado banco são 15 milhões de euros. Estão nesse caso o Ricardo Rocha, o Tiago, o Simão, o Mantorras e o Armando. E sabemos quais foram as propostas só para dois destes jogadores.

R – Quer dizer que se o Benfica vender, recebe tudo?
LFV – Sim, o Benfica está liberto. Dou-lhe um exemplo: o Meira
esteve incluído num pacote desses e foi transaccionado. Mas,
voltando aos 15 milhões de euros, havia um jogador daquele grupo que, se quiséssemos tê-lo vendido, não chegaria a esse número mas ficava lá perto.

R – E o Luisão?
LFV – Está nas contas também. O Benfica só tem 25 por cento do passe. O negócio foi feito com um fundo, como iremos fazer mais vezes.

R – Nos casos do Tiago e do Simão, se o Benfica os vender, a
receita reverte integralmente para o clube?
LFV – Sim. O Simão quando veio para o Benfica estava em trânsito para outro clube. Eu dizia que as pessoas não deviam preocupar-se com os valores que o Simão custava, pois tínhamos um ano de carência de pagamento. As pessoas deviam era ver as mais-valias que o Benfica ia ter.

R – Ele ia para o Atlético de Madrid?
LFV – Não digo qual era o clube. O Simão sabia para onde ia. Infelizmente ele teve a lesão, mas hoje faz parte dos activos que já começam a ser referências desta instituição.

R – Na gestão do futebol, faria hoje alguma coisa de maneira
diferente?
LFV – Não há ninguém que não erre, mas nunca me arrependo do que faço. Nem sei como é possível falar só do George Jardel, do Peixe ou do Ronald Garcia. Isso é até uma ofensa, pois são jogadores do Benfica.

R – Não se arrepende sequer da afirmação acerca do "dream team"?
LFV – Não. Nessa altura havia muitos benfiquistas que se calhar tinham vergonha de ser do Benfica. Lembra-se da média de assistências nos treinos do Benfica nesse ano?

R – Quer dizer que quando falou em "dream team" queria sobretudo galvanizar os sócios?
LFV – Sim. As receitas que o Benfica fez? Lembra-se da chegada de um jogador depois das 23h30 [ndr: Zahovic]? Foi uma euforia como nunca se tinha visto. A família benfiquista estava em sintonia comigo. Galvanizámos as pessoas, elas voltaram a acreditar. E isso era importante. Nestes dois últimos anos foi assim. Este ano - e repare como às vezes as coisas são –, como não vieram jogadores, parece que ficou tudo murcho. Mas pela primeira vez alguém teve a coragem de cortar com a feira de vaidades. Terá sido mau para os jornais, para as televisões, mas foi bom para o Benfica.

R – A ausência da Liga dos Campeões foi o preço dessa política?
LFV – Não. O Benfica saiu de cabeça levantada. Quem viu os jogos percebeu que não era só um sonho. Tínhamos capacidade para ir em frente. Mas infelizmente no futebol também é preciso ter sorte. Qualidade, capacidade e disponibilidade física demonstrámo-las.

R – Foi um golpe muito duro do ponto de vista financeiro?
LFV – Foi penalizante. Mas vamos ser criativos e encontrar formas de compensar essa perda.

R - Camacho é o seu treinador?
LFV – É o treinador do Benfica. É o responsável do futebol: ninguém entra nem sai sem autorização dele, porque eu não sou treinador de futebol. Camacho vai ser importante para o Benfica campeão.

R – O que é que ele quis dizer quando colocou o lugar à disposição?
LFV – Ele é genuíno e frontal. Quis dizer que quem viesse tinha o lugar dele à disposição. Foi correcto. É sinal de que não está
agarrado a nada.

R – Mas acha ou não foi um modo de dizer que só fica consigo?LFV – Os candidatos falam em jogadores contratados sem ele ter sido consultado. É uma maneira de ele se ir embora. Logo! Porque quem escolhe é ele, não é o presidente. O tempo de os dirigentes serem treinadores, entrarem pelo balneário a dar palpites, acabou no Benfica. O Camacho fez crescer muito o Benfica.

R – Foi ele então que avalizou a contratação do Fyssas?
LFV – O que lhe digo é que estamos felizes com os jogadores que temos. Mas o mercado abre em Janeiro. Se o treinador entender que deve fazer este ou aquele reajustamento, desde que seja dentro das possibilidades da SAD, logicamente que o faremos.

R – É uma estupidez falar do Jardel para o Benfica?
LFV – ?

R – Ele disse recentemente que gostaria de regressar a Portugal e até sabia para onde.
LFV – Qualquer jogador gostaria de vestir a camisola do Benfica, mas fazê-lo é cada vez mais difícil.

«Os empresários têm que aceitar as regras»

R – Que relações tem hoje com Vítor Santos?
LFV – Eu sou o mesmo.

R – E com Paulo Barbosa?
LFV – É um empresário que o Benfica trata como os outros.

R – Mas já trabalhou mais com ele do que trabalha hoje?
LFV – Vamos ao Veiga?

R – Você é que falou dele?
LFV – Desde que aceite as regras do jogo impostas pelo Benfica, nenhum empresário tem a porta fechada. Hoje, no plantel, temos sete ou oito empresários representados. O Tiago mudou do Veiga para o Jorge Mendes e ninguém o tratou mal. Pelo contrário. Têm é que aceitar as regras de jogo, que são claras, e das quais o Benfica não vai abdicar. Só há comissões na venda.

R – Quer esclarecer o que queria dizer quando falou em comissões na compra do Roger?
LFV – Diz-se que o Veiga manda no Benfica, que ele recebe comissões. E o que eu disse foi que o Benfica, naquela altura, além de ter feito um grande investimento, pagou em dinheiro. E ainda pagou comissões. E que comigo não era assim.

«Temos esperança que Mantorras recupere»

R - Mantorras continua a ser como um filho para si?
LFV - Toda a gente sabe da relação que a minha família tem com a família do Mantorras. Ele brevemente vai viver para o pé de mim. É uma relação que se mantém mas que não é só comigo, é com toda a minha família.

R - Está então a viver o drama dele de uma forma muito especial?
LFV - É lógico que me custa ver um jovem com aquela lesão. A lesão foi bastante grave, mas temos esperança que o Mantorras recupere e volte a ser ele mesmo, para nos dar bastantes alegrias e voltar a fazer aquilo que ele mais gosta na vida que é jogar futebol.

R - Acredita então que ele possa voltar a ser o Mantorras de antigamente?
LFV - Eu não sou médico.

R - Mas o que é que lhe dizem os médicos?
LFV - A única coisa que posso dizer-lhe é que a lesão do Mantorras é bastante grave. E que vamos ter fé e esperança.

R - Tem mais algum Mantorras escondido no Alverca à espera de vir para o Benfica?
LFV - O Alverca continua com a mesma filosofia que tinha quando eu de lá saí: tem uma equipa B e foi no ano passado campeão nacional de juniores. Nada disso é por acaso. Se os nossos técnicos acharem que algum jogador do Alverca pode interessar ao Benfica, porque não? Há jovens naquela cantera, que se calhar nem estão tão expostos porque estão no Alverca.

«Não sei mentir»

R - Como tem corrido a campanha eleitoral?
LFV - Fizemos coisas muito positivas. Não prometemos sonhos nem ilusões, prometemos rigor, dedicação e trabalho. E na altura própria os sócios saberão escolher. Há uma coisa que não podem pedir-me: que eu venha prometer o Rui Costa. Isso não faço.

P - Como avalia os seus adversários?
LFV - Não me compete fazê-lo. Os sócios do Benfica é que têm de nos avaliar a todos.

R - Mas acredita nas promessas de jogadores que foram feitas?
LFV - Os sócios do Benfica estão mais maduros. Se o caminho que traçaram foi o do passado, serão os sócios a responder-lhes.

R - Mas acredita ou não?
LFV - Se dizem que contrataram é porque contrataram. Sei as conversas que tive com o Rui Costa. O Rui Costa é profissional, vive do futebol. E por muito que goste do Benfica, tem família. E tem dois anos de contrato com o Milan. Como eu não sei ser demagogo e não sei mentir?


As dúvidas de última hora
Andersson lesionou-se no treino de ontem e não integra o leque de convocados, enquanto Hélder acabou a sessão com queixas no pé direito. O onze deverá ser o mesmo do jogo de inauguração do estádio, mas a inclusão de Cristiano no lado esquerdo da defesa é uma das dúvidas suscitadas.

Comecemos pelo provável onze, onde Camacho não deverá mexer. De qualquer forma, a maneira como o treinador espalhou as peças durante o treino de ontem suscitam a dúvida quanto ao jogador que ocupará o lado esquerdo da defesa. Camacho distribuiu os jogadores prováveis titulares por duas equipas, é certo, mas por parelhas: Argel/ Hélder; Petit/Tiago e Nuno Gomes/Fehér de um lado; Simão/Geovanni, os alas, do outro, tal como Miguel/ Cristiano. Quererá dizer algo? Só Camacho sabe. Em termos de jogadores impossibilitados, Mantorras, Luisão e Zahovic eram baixas confirmadas, a que se juntou Andersson. O sueco abandonou o treino mais cedo, devido a uma pancada da qual resultou um traumatismo na perna direita. Zahovic e Luisão voltaram a fazer corrida, Mantorras é esperado na próxima semana. Refira-se ainda que Hélder acabou o treino com queixas no pé direito, fazendo gelo logo de seguida. Um problema que não aparenta qualquer gravidade de maior, não aparecendo sequer no relatório clínico.

Pepe dirigiu o treino

O treino teve a duração de cerca de uma hora. Com os habituais exercícios físicos e treino de conjunto, que terminou empatado a um golo, assinados por Fehér e Sokota. Ao contrário do que é habitual, coube ao adjunto Pepe Carcelén dirigir os trabalhos, com Camacho a supervisionar à distância e a intervir apenas no final para rectificar a movimentação dos guarda-redes, que defendiam grandes penalidades, enquanto Daniel Gaspar, responsável pelo sector, conversava longamente com o jovem Hugo Pereira.

Mentalidade ganhadora
José Antonio Camacho espera o «máximo» dos seus jogadores e só admite que entrem hoje em campo, frente à Académica, para vencer. Para os estudantes será «o jogo do ano», para os encarnados mais uma partida em que os três pontos serão importantes na perseguição ao FC Porto.

— O que espera dos seus jogadores no jogo com a Académica?
— Espero sempre o máximo. Que entrem em campo com uma mentalidade ganhadora. Para o adversário será o jogo do ano, para nós mais uma partida em que estão em causa três pontos. Queremos essa mentalidade ganhadora do primeiro ao último minuto.
— Que análise faz ao adversário?
— Temos o cuidado de observar o adversário, analisá-lo, escalpelizar a forma como joga. O problema é que contra o Benfica as coisas são diferentes. Os adversários correm mais, lutam mais. Isso é normal. A Académica está necessitada de pontos, joga no seu estádio em dia de inauguração, defronta o Benfica, terá uma tripla motivação.
— O Benfica disputa o primeiro de dois jogos em atraso e, se os vencer, sobe ao segundo lugar. São jogos decisivos?
— O mais decisivo é sempre o próximo. Queremos os três pontos, para mais num dia de inauguração de um novo estádio do Europeu.
— Sente que a equipa está mais solta do que há umas jornadas?
— Penso que está ao mesmo nível. Se me perguntar isso dentro de cinco ou seis jogos, poderei dizer se a equipa está ou não mais solta, mais forte.

Atacar sim, mas com cabeça

— Vai apostar no modelo dos últimos jogos, com vocação ofensiva?
— Não temos uma mentalidade defensiva. Temos a mentalidade em que todos os jogadores vão atacar. Mas isso também pode ser um problema, porque se atacarem muitos elementos, o contra-ataque do adversário pode causar estragos.
— Manterá o mesmo onze?
— Veremos. Não gosto de dar o onze na véspera, para evitar qualquer percalço. Um exemplo: o Andersson levou uma pancada no treino de hoje [ontem] e não pôde ser convocado. Se tivesse dito que ele ia jogar, tinha de chamar outro e ele saberia que só jogava pela lesão do colega, o que, psicologicamente, não é a situação ideal. Por isso não gosto de dar a equipa de forma antecipada.
— A equipa do Benfica inicia um ciclo de muitos jogos em poucas semanas. Os jogadores estão preparados?
— Sim, acredito que estão. Independentemente da gestão de esforço que teremos de fazer, com dois jogos por semana. Faremos uma avaliação permanente, doseando trabalho com descanso conforme entendermos ser o melhor.

Inauguração inesquecível

— A inauguração do novo estádio pode traduzir-se num novo fôlego para a equipa?
— Jogar num estádio como este é mais uma segurança para nós. Inaugurar um estádio em ano de centenário, palco do Europeu, é muito importante para o Benfica e para Portugal. O Benfica já tem um grande estádio de futebol, mas precisa de outras coisas igualmente importantes, como relvados para se treinar, escolas de futebol. Mas não se pode fazer tudo de uma vez.
— O que representou para si essa inauguração?
— Já disse que representa um motivo de orgulho, de satisfação, algo que não se pode esquecer na minha vida pessoal e profissional. Esteja onde estiver, será algo que recordarei para sempre.
— Luís Filipe Vieira afirmou que já falou consigo sobre o desejo do Benfica em renovar contrato. Confirma?
— Sobre isso não falo. Sou o treinador, estou aqui para treinar e não me cabe pronunciar sobre o que este ou aquele dirigente diz.
— A poucos dias das eleições, pensa que a equipa foi incomodada pela campanha?
— Não. Os jogadores estão a trabalhar bem, nada disso entra no balneário. Se nos respeitaram? É isso que tem de acontecer. Esta é a equipa de todos os candidatos, não outra.

Défice pelos ares
Com sete jogos oficiais realizados para a SuperLiga (a equipa começa hoje a acertar calendário com o embate de Coimbra, referente à terceira jornada), os encarnados ainda não conseguiram marcar qualquer golo de cabeça. Ou melhor, já o fizeram mas... na própria baliza, por Argel, nas Antas. Um aspecto que merece análise e deve estar a preocupar José Antonio Camacho. Ainda para mais quando há 15 equipas que já o fizeram. O ataque das águias parece sofrer de vertigens.

José Antonio Camacho vem afirmando que o Benfica é a equipa que mais situações de golo cria em Portugal. Mas além de esse caudal ofensivo não ter reflexo na quantidade de golos apontados – é o sétimo melhor ataque da prova, com 12 golos marcados (menos 11 que os dragões), mas com duas partidas a menos (a de hoje, frente à Académica, e ante o Marítimo, a 12 de Novembro) -, regista-se pelo menos um preocupante e claro défice no que respeita à eficácia em lances de jogo aéreo, através dos quais a equipa ainda não conseguiu violar por uma única vez as redes adversárias, apesar de ter 12 jogadores (!), descontando os guarda-redes, com altura igual ou superior a 1,80 metros. Mas o problema não se resume às competições internas, pois também nas quatro partidas europeias disputadas — pré-eliminatória da Liga dos Campeões, frente à Lazio (golo de Simão), ou na Taça UEFA, ante o La Louvière (golos de Simão e Fehér), nunca a cabeça foi utilizada como gazua para abrir muros defensivos difíceis de transpor.

Uma questão de... sulistas?

Analisando o quadro à parte, constata-se que os problemas no jogo aéreo parecem afectar em especial as equipas do Sul, pois também Alverca e E. Amadora ainda não se estrearam a marcar nas alturas. Ao contrário do FC Porto, que já facturou por seis vezes, com destaque para o líder dos marcadores, Derlei — que até nem é um matulão por aí além... — que obteve de cabeça quatro dos oito golos marcados na prova. Como dizia Liedson —autor de dois dos três golos leoninos de cabeça — em recente entrevista a A BOLA, explicando a razão de marcar tantos tentos de cabeça sendo um jogador relativamente baixo, é importante ter «bons jogadores a cruzar», e o segredo, neste caso, está «na antecipação» e também «estar sempre bem colocado».

Seguir o exemplo de Nuno Valente

Ora no que respeita a cruzamentos, o Benfica vem denotando grandes dificuldades neste início de época. Senão, repare-se: o maior criador de golos da formação da Luz é Sokota (5 golos), seguido de um extremo, Alex ( 3 ) , depois Fehér (3) e só então surgem especialistas como Geovanni, Miguel e João Pereira (fabricaram dois golos cada). E incrivelmente, ou talvez não, Simão ainda não cruzou para qualquer golo nesta edição da SuperLiga. E com municiadores deste calibre, não há cabeceadores que resistam... Como exemplo para justificar a importância de bons cruzadores, refira-se que o jogador com mais assistências para golo do campeonato é o lateral-esquerdo do FC Porto, Nuno Valente... Já no que respeita a golos sofridos, o Benfica consentiu sete, dois deles de... cabeça — Leonardo (Belenenses) e o tal de Argel, frente aos campeões nacionais



terça-feira, outubro 28, 2003

Hélder lesionou-se no treino desta manhã

Hélder, defesa-central e «capitão» do Benfica, saiu hoje a meio do treino dirigido por José António Camacho, lesionado num joelho, não devendo poder defrontar esta quarta-feira a Académica num jogo que inaugurará o Estádio Cidade de Coimbra e diz respeito à terceira jornada da SuperLiga.


O jogador sofreu uma contusão e recebeu os primeiros tratamentos no relvado, saindo com gelo. Afigura-se que Camacho faça derivar Ricardo Rocha para o eixo da defesa, jogando ao lado de Argel. Para defesa-esquerdo deverá ser chamado Armando Sá (ou Cristiano).

Outro dos lesionados do Benfica é o sueco Anderson que também não deverá ser opção para o técnico espanhol.




Mantorras dentro de uma semana

Antes esperar mais um pouco para que não surjam complicações. Esta parece ter sido a ideia defendida por quem recupera Pedro Mantorras, o ex-fisioterapeuta do clube, António Gaspar.

Chegou a equacionar-se a possibilidade de o angolano regressar ao convívio com os colegas, no que ao trabalho diz respeito, durante a manhã de ontem, mas optou-se por esperar mais uma semana.

Depois de ter estado na festa de inauguração do novo estádio, o número 9 manifestou o desejo de treinar-se com o grupo na primeira sessão da presente semana, em grande parte devido ao profundo desejo de voltar a sentir o cheiro da relva, ele que está afastado dos campos de futebol há dez meses.

Se não surgirem mais indefinições sobre esta matéria, os adeptos poderão voltar a encontrar-se com os seus alegres dribles na segunda-feira. Resta saber qual a resposta do joelho direito de Mantorras.

Zahovic apto esta semana

Zahovic deverá regressar aos treinos sem limitações ainda no decorrer da presente semana. Poderá mesmo vir a ser uma surpresa nas escolhas de Camacho para o encontro com o Beira-Mar, no Estádio da Luz, agendado para o próximo domingo (20.15 horas).

O número 10 lesionou-se no pé esquerdo durante o encontro com o FC Porto, ficando, a partir daí, impedido de se treinar. Nas últimas semanas, Zahovic tem-se submetido a trabalho muscular, através de sessões de piscina, pelo que em termos físicos não apresentará grande défice relativamente aos colegas.

Receita histórica

A avaliar pelos números que já foram calculados pelos responsáveis da Benfica Estádio, a receita global do jogo de sábado, dia da inauguração do novo estádio, estará entre as maiores de sempre dos cofres benfiquistas: qualquer coisa como três milhões de euros (600 mil contos).


As contas fazem-se do seguinte modo: sensivelmente dois milhões de euros de receita de bilheteira, mais 300 mil euros de receita de publicidade estática e ainda 700 mil euros de receita televisiva (o que constituiu, por si só, a maior verba paga por um canal televisivo envolvendo a transmissão de um desafio).

Dinheiro que os cofres da Luz bem agradecem, agora que o novo recinto está apto a receber os jogos da equipa orientada por José Antonio Camacho.

Falando de outros números, ainda à volta da inauguração do último sábado, todos eles são impressionantes, acomeçar pelo número de pessoas que directamente estiveram envolvidas na organização: 3600, divididas entre relações públicas, assistentes, «stewards», polícia, pessoal de apoio aos bares, «catering», bem como os elementos do espectáculo.


Camacho convidado a renovar
Em entrevista à TSF, Luís Filipe Vieira revelou que a renovação de contrato com José António Camacho, o treinador, já foi abordada entre ambos. Isto porque o Benfica precisa do treinador espanhol para ser campeão. Falou, entre outros temas, da redução do plantel, da manutenção dos melhores jogadores e da renovação de Miguel. Reconhece que o defesa tem sofrido pressões mas garante que não se repetirá mais um caso Maniche.

Luís Filipe Vieira não tem dúvidas: «Para o Benfica ser campeão precisa de um treinador como José António Camacho. Ele faz parte deste projecto». Questionado sobre se já tinha falado com Camacho para prolongar o contrato — o espanhol tem vínculo com o Benfica até ao final desta temporada — o presidente da SAD começou por ser lacónico: «Falo sempre com ele, estamos em permanente contacto». E a renovação foi um dos temas abordados por ambos. Luís Filipe Vieira anuiu: «Já falámos sobre isso. Camacho é como é, tem a sua maneira de pensar e o seu timing». Em relação ao futuro da equipa profissional, Luís Filipe Vieira quer continuar a manter uma política de estabilidade, sossegando os benfiquistas quanto aos melhores jogadores do plantel. «É assumido pela Administração da SAD e pelo clube, o maior accionista, que não sairá nenhum desses jogadores », garantiu o candidato da Lista A. Ao mesmo tempo que avançou com uma nova vertente dessa política, a redução do plantel principal. «Passará a ter entre 18 e 20 jogadores. O restante será preenchido com jogadores do nosso sector de formação», aproveitou para anunciar.

«Casos como o de Maniche não se repetirão»

Um dos temas abordados na entrevista da TSF foi a renovação do lateral-direito Miguel, uma das mais-valias do plantel, à volta do qual se começa a levantar alguma poeira relacionada com uma hipotética repetição do que se passou com Maniche, que acabou por se transferir para o FC Porto, segundo os encarnados, com base documental, depois de um acordo celebrado quando o jogador ainda tinha dois anos de contrato por cumprir. «O Benfica irá sempre respeitar o FC Porto. Mas vou ser intransigente a defender os interesses da nossa instituição. Comigo, casos como o de Maniche não se irão repetir», sublinhou. E sobre Miguel? «Conheço-o bem. Sei das pressões que têm feito sobre ele, já conversámos diversas vezes e acho que após as eleições existem todas as condições para renovar contrato», garantiu. Recorde-se que Miguel está a sensivelmente ano e meio de terminar o contrato.

«José Veiga não tem monopólio»

As relações com o empresário José Veiga foram também abordadas. Luís Filipe Vieira começou por reconhecer que «muitos empresários interiorizaram que trabalhar com o Benfica é proibido». Mas contraria tal ideia. «José Veiga não tem o exclusivo do Benfica. É mais um empresário e o Benfica trabalha com todos. Damos é preferência a quem nos trouxer os melhores. Ele não tem o monopólio, apenas se regista o facto de ser o que representa mais jogadores no Benfica», concluiu.

Vieira sem coragem nem projecto
Jaime Antunes lança o último desafio a Luís Filipe Vieira. «Tenha coragem e venha debater ideias para que o futuro do Benfica seja melhor». Para o candidato a presidente da Lista B há duas razões para que o seu principal opositor não aceite o debate: «Não tem coragem nem um projecto para o Benfica.»

Jaime Antunes assume-se como a única solução para alterar o estado a que o Benfica chegou. É preciso uma liderança forte e acreditar nos ventos de mudança. Para ele, «votar em Luís Filipe Vieira» significa «mais do mesmo». «Significa a continuidade de uma política desportiva totalmente falhada, justificada por uma virtual recuperação financeira.» Para Jaime Antunes, Luís Filipe Vieira não aceita o debate precisamente por não saber explicar «onde estão os 25 milhões de contos que diz ter pago». O candidato avança com respostas: «Foram penhorados jogadores, as quotas presentes e futuras dos sócios e todos os outros activos. Não conseguirá também explicar porque o passivo foi aumentando ano após ano. Basta ler o Relatório e Contas, está lá tudo. As penhoras, os aumentos dos prejuízos. Tudo.» Jaime Antunes lamenta que «se utilize o estádio como bandeira eleitoral», lastima a «antecipação das receitas dos contratos celebrados com a Adidas, a TBZ ou a Shell». É isto que a Lista B pretende ver debatido. Que sejam dadas «explicações claras e transparentes». «O Benfica não pode ter um presidente sem coragem», diz.

À semelhança de Manuel Damásio

Fale-se de futebol. «Erros e mais erros de gestão», diz Jaime Antunes, defendendo que «Luís Filipe Vieira foi incapaz de apresentar resultados e fez uma gestão parecida com Manuel Damásio, quando este destruiu uma equipa campeã para comprar uma mão-cheia de jogadores sem talento». «Os responsáveis por isso estão todos na sua lista», diz. Há que falar abertamente. Os nomes vieram depois: «É o apoio do próprio Damásio. A exclusividade de José Veiga. As parcerias com o Estoril ou o Alverca. É isto que queremos evitar. Esta dependência dos lobbies instalados acabará de uma vez por todas. É esta a alternativa que apresentamos aos sócios.» Jaime Antunes diz também que «é de estranhar que aquele que hoje se diz o grande defensor dos interesses do Benfica» tenha estado sempre ausente. «Nunca o vi numa Assembleia Geral. Provavelmente, estava a vender Deco ao FC Porto com o Benfica em grandes dificuldades.» Último desafio: «Sejam transparentes, digam que compromissos levam o presidente da Câmara Municipal de Lisboa a fazer campanha no novo estádio...»

mesma equipa da festa
Serão os mesmos que iniciaram o encontro com o Nacional Montevideu os escolhidos pelo técnico espanhol para o encontro de amanhã, em Coimbra. Saem de uma inauguração... para outra inauguração. Mas, Camacho já deu o alerta para os atletas ignorarem, desta vez, o carácter festivo. Agora é a doer.

O futebol português vive um momento único, com os palcos do Euro-2004 terminados e com direito às respectivas cerimónias alusivas. No caso dos encarnados, a equipa participará em duas festas únicas num espaço de cinco dias. No sábado viveram o primeiro dia da nova Luz, amanhã são os convidados de honra da abertura do renovado recinto de Coimbra. Razão suficiente para dar confiança aos mesmos onze jogadores que alinharam de início frente ao Nacional Montevideu? Talvez, mas o principal motivo é de outra ordem: trata-se, em teoria, da melhor equipa que José Antonio Camacho tem ao dispor. A juntar a isto, não se registaram quaisquer mazelas no confronto com os uruguaios, pelo que, à excepção de Zahovic, Mantorras e Luisão [ver peça à parte] todo o plantel está na plenitude das suas capacidades físicas, logo, o leque de opções é alargado.

Roger terá de esperar

Os encarnados devem apresentar-se em Coimbra, portanto, com um quarteto defensivo formado por Miguel no lado direito (o jogador abandonou prematuramente o encontro de sábado por indicação de Camacho, no sentido de o poupar, encontrando-se em perfeitas condições), Argel e Hélder no centro e Ricardo Rocha novamente na lateral esquerda; Petit e Tiago continuarão a formar dupla no meio-campo, enquanto Nuno Gomes e Sokota deverão manter a confiança do treinador. Nas alas é que poderá surgir a única surpresa, apesar de a lógica de Camacho não aponte nesse sentido: Simão é indiscutível mas Geovanni está longe do desempenho evidenciado a época passada. Mas porque é um jogador em quem o espanhol confia, certamente lhe quer dar minutos para recuperar o ritmo competitivo e aumentar os níveis anímicos — o brasileiro foi assobiado no sábado em quase todas as acções em que interveio. Quer isto dizer que Roger terá, ao que tudo aponta, de esperar mais uma vez pela sua oportunidade em integrar a equipa inicial, não obstante ter rubricado ante o Nacional Montevideu uma excelente exibição. Mas o camisola 8 não está longe de ganhar o prémio: foi utilizado nos últimos quatros jogos que a equipa disputou, sempre em crescendo. Não espantará, por isso, que seja o primeiro suplente a entrar no decorrer do encontro com a Briosa.

Na Luz é outra alegria

O plantel realizou ontem de manhã um curto treino no Estádio da Luz, com a duração de aproximadamente hora e meia. Oportunidade para o técnico insistir em mais simulações de jogo, ensaiando várias jogadas que partiam da defesa em direcção à baliza contrária, passando por todos os sectores, com a bola a ser tocada por muitos jogadores, seguindo assim um dos grandes princípios de Camacho. No seguimento da sessão, os médios e avançados submeteram-se a um trabalho específico de finalização sob as ordens do treinador principal, enquanto os defesas ficaram com o adjunto Pepe Carcelén. Mas o que ressaltou do treino de ontem acabou por ser uma boa disposição diferente no plantel. E a razão é simples: no Estádio da Luz os jogadores têm outras condições de trabalho, que vão desde a imponência do edifício ao facto de poderem estacionar os automóveis bem juntinho aos balneários...

Coimbra tem mais encanto
na hora de recuperar pontos
Após a vitória de ontem do FC Porto no Estádio do Bessa, o Benfica está a 11 pontos da liderança, com dois jogos por disputar. A reposição do calendário começa amanhã, na estreia futebolística do Estádio Cidade de Coimbra, com os números da história a jogarem a favor dos encarnados. Recuperar pontos e terreno é a palavra de ordem. Proibido falhar.

Duas inaugurações de estádios estiveram na origem do adiamento de outros tantos compromissos do Benfica. Na 3.ª jornada, a pedido da Direcção da Académica, os encarnados aceitaram alterar a data do encontro para proporcionar a estreia em competição do Estádio Cidade de Coimbra. É amanhã, precisamente. No sábado foi a vez de as águias trocarem as voltas ao calendário por forma a festejarem com pompa e circunstância o corte de fita da sua nova catedral. Desta forma, a visita à formação do Marítimo ficou agendada para o dia 12 de Novembro, às 21.15 h. No que ao primeiro acerto de calendário diz respeito— amanhã, às 21 horas, com transmissão em directo na Sport TV — a necessidade de o Benfica conquistar os três pontos assume contornos de obrigatoriedade, pois a distância para o líder FC Porto é, neste momento, de 11 pontos. No caso de os encarnados vencerem os dois compromissos em atraso poderão encurtar a distância para cinco pontos, mas caso contrário poderão ficar perigosamente longe do topo da classificação da SuperLiga. Cumpridas apenas nove jornadas...

Domínio encarnado

Num olhar sobre os números da história, constata-se que o Benfica não perde em Coimbra há 30 anos, em jogos para a SuperLiga. A última derrota foi no dia 9 de Dezembro de 1973, por 2-0. Deve sublinhar-se, contudo, que após a época de 73/74 foram apenas 13 as presenças dos estudantes no escalão principal do futebol português. Desde o citado desaire, 11 vitórias para os encarnados e apenas dois empates. Neste mesmo período o Benfica conseguiu uma sequência de sete triunfos consecutivos, até consentir novo empate a zero na temporada de 86/87. O trilho vitorioso foi então retomado e nas últimas quatro deslocações as águias venceram sempre, com destaque para os números folgados das duas últimas partidas: 3-0 na época de 98/99 e 4-1 em 2002/2003. No total dos 51 confrontos de que reza a história, a contar para o campeonato nacional, o Benfica venceu em 34 ocasiões, empatou 12 vezes e perdeu apenas cinco encontros. Um domínio avassalador dos visitantes, sem dúvida. A confirmar ou não amanhã.

Ninguém duvide da nossa força!
O camisola 20 da Luz expressou ontem, no seu site oficial, as «fortes emoções» sentidas na festa de inauguração do novo estádio. Confessando que, por várias vezes, «os olhos humedeceram de tanta paixão», Simão elogia o trabalho que tem sido realizado para recolocar as águias na «rota do sucesso» e diz que o momento é de «união» e não de «divergências».

«Clube mítico, adeptos galácticos.» Foi este o título escolhido por Simão na crónica publicada no seu site oficial, a propósito da inauguração da nova Catedral. «Não há palavras para descrever a grandiosa festa. Numa altura em que tanto se fala de galácticos no futebol, provámos que temos seis milhões de adeptos do outro mundo!», começou por referir, embalado pelas «fortes emoções» vividas no sábado à noite, em que «por várias vezes os olhos humedeceram de tanta paixão, e amor clubista». O extremo saiu do novo ninho das águias com uma certeza. «O nosso clube é único e o misticismo é uma realidade comprovada no dia-a-dia da nossa história», refere, elogiando o caminho que tem sido percorrido: «Foi a retoma da estabilidade, o avanço para a realização de grandes projectos e o esforço na manutenção de uma estrutura-base da equipa que permite, realística e sensatamente, chegar a níveis competitivos que voltem a colocar o clube na rota do sucesso.»

Unir e não desunir

Para Simão, depois da festa de sábado ninguém deve ter «dúvidas» sobre a «impressionante força do Benfica», deixando um recado especial aos «mais cépticos » dos últimos cinco, seis anos. «Desenganaram-se», afirma, expressando os intensos laços afectivos que o ligam ao clube: «Todas as manifestações de carinho que tenho recebido nestes últimos três anos ficaram gravadas no meu coração e, sábado à noite, foram decalcadas a vermelho para toda a vida!» A terminar, considera que o clube atravessa o momento ideal para a «união», para o «fim das divergências que possam existir». Daí o seu apelo. «Temos de nos unir nas fases menos boas para chegarmos rapidamente às grandes vitórias que, com certeza, iremos alcançar », profetizou, confiante no futuro.



segunda-feira, outubro 27, 2003

"Caso Maniche" vai chegar à FIFA
O departamento jurídico do Benfica vai enviar para a sede do organismo máximo do futebol mundial, em Zurique, uma exposição dos contornos do processo que envolve Maniche, denunciando o comportamento do agente FIFA Paulo Barbosa. No limite, o empresário arrisca-se a perder aquele estatuto
C. A. F./V. R.

Depois de ter denunciado à Comissão Disciplinar (CD) da Liga a existência de documentação alegadamente reveladora da existência de atropelos aos regulamentos da FIFA (com a assinatura de um contrato entre Maniche, a SAD do FC Porto e Pinto da Costa quando faltava ano e meio para o fim do vínculo com o Benfica), o departamento jurídico do clube da Luz prepara o passo seguinte. Nos próximos dias fará seguir para a FIFA uma exposição pormenorizada sobre o assunto que poderá revelar-se comprometedora, numa primeira análise, para o empresário Paulo Barbosa, segundo defende a própria Benfica, SAD. Embora a assinatura do agente FIFA não surja nem na primeira nem na última página do documento assinado em Maio de 2000, é ele o segundo outorgante num contrato em que é legível a assinatura de Maniche.

A uma história de contornos jurídicos complexos o Benfica promete juntar novos elementos, desmontando a tese de falsificação avançada pela SAD do FC Porto no último sábado. Recorde-se que Tinoco Faria, vice-presidente para a área jurídica dos encarnados, já afirmou não ter "nenhuma dúvida" de que o contrato desportivo enviado à CD da Liga foi assinado pelo presidente do clube das Antas. A própria Comissão Disciplinar anunciou na última sexta-feira a instauração de processos disciplinares ao FC Porto, à SAD do FC Porto, a Maniche e a Pinto da Costa. Quanto a Paulo Barbosa, deverá ter de explicar o contrato à FIFA se o organismo que superintende o futebol mundial reconhecer fundamentos para averiguação.




À espera de julgamento

Candidato à presidência do Benfica acusado de burla e associação criminosa

Guerra Madaleno contraía ilicitamente empréstimos bancários e deixava de pagar as
prestações

Reinaldo Guerra Madaleno é acusado de oito crimes de burla qualificada e um de associação criminosa. O candidato à presidência do Benfica está a aguardar julgamento depois do Tribunal de Loulé ter fechado há um mês o processo de instrução com a pronúncia de Madaleno. Este não é primeiro problema de Guerra Madaleno com a Justiça: em 1998 foi afastado da Ordem dos Advogados por falta de idoneidade moral para o exercício da profissão.

A acusação parte do Ministério Público. Neste momento Reinaldo Guerra Madaleno e mais dois colaboradores são arguidos num processo que decorre no tribunal de Loulé e estão a aguardar julgamento.

Diz o despacho proferido pelo juiz de instrução, ao qual a SIC teve acesso, que "o candidato à presidência do Benfica é acusado de ser co-autor de nove crimes: oito de burla qualificada e um de associação criminosa". Tanto num como noutro caso estão implícitas penas de prisão até oito anos.

Durante a investigação, Guerra Madaleno ainda tentou apresentar provas para desfazer a acusação, mas sem sucesso.

O juiz de instrução já proferiu o despacho de pronúncia onde diz que:

"A prova apresentada pelo arguido Madaleno é inócua para abalar aquela que o inquérito recolheu, bastante segura".

Mais à frente lê-se que "os testemunhos e os documentos recolhidos são provas que, devidamente conjugadas persuadem [indiciam] pela culpa dos arguidos e é suficiente para os levar a julgamento".


Significa que caiu por terra a tentativa dos arguidos que vão mesmo sentar-se no banco dos réus.

No processo a acusação diz que Guerra Madaleno e os outros dois colaboradores, um homem e uma mulher, contraíam ilicitamente empréstimos bancários em nome de indivíduos em situação carenciada.

Depois, compravam em nome de terceiros apartamentos no Algarve que arrendavam, ao mesmo tempo que deixavam de pagar aos bancos as prestações dos empréstimos.

De acordo com a acusação, o procedimento arrastava-se até à chegada dos apartamentos a hasta pública, garantido a Guerra Madaleno proveitos económicos considerados ilícitos.


O candidato à presidência do Benfica defende-se: alega que todos os empréstimos já foram liquidados e que os atrasos nos pagamentos são comportamentos normais em sociedade.

O juiz fecha a instrução e conclui, no despacho de pronúncia, que:

"O meio astucioso utilizado pelos arguidos foi apresentarem como proponentes nos empréstimos toxicodependentes com declarações de rendimentos e condições pessoais falsas".

Desta forma, diz o juiz, "induziram em erro os bancos [e, em última instância, o próprio Estado] levando-os à concessão de créditos".


Em antecipação a esta reportagem, Guerra Madaleno fez chegar à SIC, no passado dia 20, um fax informal a admitir que "esteve preso durante quatro meses mas que acabou por ser absolvido". Um erro e uma injustiça que o levaram já a instaurar um processo contra o Estado para pedir indemnização.

Afastado da Ordem dos Advogados

A polémica à volta de Madaleno é antiga. Licenciado em Direito foi afastado da Ordem dos Advogados em 1998, ficando impedido de exercer advocacia por falta de idoneidade moral para o exercício da profissão.

A decisão de afastar o advogado foi tomada, em primeira instância.

"Por acórdão proferido pelo Pleno do Conselho Distrital de Lisboa [da Ordem dos Advogados] em 6 de Janeiro de 1997, na sequência de um processo de Averiguação de Idoneidade Moral, aberto em 1995.


A pena era a máxima: cancelamento da inscrição na Ordem, o equivalente à expulsão.

O agora candidato à presidência do Benfica decidiu recorrer da pena para o Pleno do Conselho Superior da Ordem dos Advogados mas, enquanto esperava a decisão do recurso que seria a definitiva, antecipou-se e pediu o cancelamento da inscrição, que lhe foi concedido.

Mas isto não implicou com o julgamento do processo em curso e, em 27 de Junho de 1998, o recurso foi chumbado.

O acórdão do Pleno do Conselho Superior da Ordem dos Advogados diz que Madaleno:

"Para além de ter sido condenado por crime gravemente desonroso, não possui idoneidade moral para o exercício da profissão, pelo que ficou como necessária e directa consequência determinado o cancelamento imediato da sua inscrição como advogado".



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