<$BlogRSDUrl$>


Adquira Já o KIT Novo Sócio          Leia Assine e Divulge o Jornal do Benfica

terça-feira, setembro 30, 2003

Inauguração do novo Estádio da Luz «só para sócios com quotas em dia»



Luís Seara Cardos, vice-prsidente do Benfica, explicou hoje, em declarações ao «site» oficial do clube encarnado, alguns dos pressupostos que irão orientar a direcção encarnada para a organização da inauguração do Novo Estádio da Luz, agendada para 25 de Outubro.


O Nacional de Montevideo foi o clube convidado para a «festa» encarnada, numa medida que o dirigente justifica com o preenchido calendário da maioria dos principais emblemas europeus no dia escolhido para a inauguração do recinto: «O Nacional de Montevideo é um clube de renome mundial. Os grandes clubes da Europa durante o mês de Outubro têm um calendário muito sobrecarregado, pelo que era impossível o Benfica jogar com uma equipa europeia. Assim, fomos à procura de clubes em outros continentes com títulos mundiais e decidimos escolher o Nacional de Montevideu que, simpaticamente, aceitou o nosso convite», referiu Seara Cardoso.

Relativamente aos festejos propriamente ditos, naquele que, defende, será um «dia de orgulho para a nação benfiquista», o dirigente garante que a prioridade para a venda dos bilhetes – disponíveis a partir de 10 de Outubro – será dada aos sócios do clube: « É ponto de honra desta direcção e da administração da Benfica Estádio que, nesse dia, o estádio seja para os sócios», revelou, sublinhando que somente os associados «com quotas em dia é que poderão adquirir os bilhetes para a inauguração do novo estádio».




O fabuloso destino da águia
Está cumprido o fabuloso destino que a actual Direcção do Benfica abraçou. Lutaram contra o tempo, contra moinhos de vento, quais dom quixotes. Mas a obra nasceu, em tempo recorde. Dois anos depois do lançamento da primeira pedra o estádio está concluído.

Agora que a aventura está a chegar ao fim, há um nome incontornável em todo o processo: Mário Dias. Ganhou o cognome de pai do novo estádio e foi com mérito que o conseguiu. Livrou-se das indesejadas burocracias, abraçou todos os pormenores como que se fosse de um filho que estivesse a tratar, enfrentou com coragem os problemas e tornou o sonho real. O vice-presidente para o património disse um dia que queria ver o seu clube rumo à modernidade e foi incansável desde esse momento. Hoje, os benfiquistas olham com orgulho a sua nova casa, sentem que têm um dos mais belos estádios do Mundo e sorriem quando pensam que a final de uma prova tão importante como um Campeonato da Europa tem associado o nome Benfica. Em tempo de carpir mágoas — desportivamente falando, evidentemente — haja algo que traga felicidade. Vai-se aproximando o dia histórico da inauguração do novo estádio e, esquecidos os problemas, lá se vai ouvindo os mais saudosistas dizerem que perderam um local onde viveram intensamente algumas das maiores conquistas do futebol português mas que olham com esperança para a nova era. Para a história fica um processo que chegou a pôr-lhes os nervos em franja...

A BOLA abre-lhe as portas da catedral
A BOLA convida-o a fazer uma arrepiante viagem pelo novo Estádio da Luz. Sinta a imponência de uma verdadeira catedral, o conforto de um anfiteatro destinado a acolher noites mágicas e a estética que faz os benfiquistas sonharem com um grande futuro ao mesmo tempo que se respeitou as linhas do mítico e velhinho estádio que ali existiu e que por essa Europa fora ficou conhecido como Inferno da Luz.

Podem os benfiquistas estar orgulhosos. A nova catedral está praticamente pronta. Faltam alguns detalhes — coisa pouca, de pormenor — para a bola começar a rolar. Do velhinho estádio já nem o pó paira por ali. Só a recordação... Pensaram alguns que era utópico pensar-se que o Benfica poderia estar na rota do Euro-2004 com um recinto construído de raiz. Enganaram-se. Foram batidos todos os recordes, a obra foi galgando, avançando, recuperando o atraso e até se conseguiu que os prazos estipulados pela UEFA fossem cumpridos. Basta de falar de passado que é para o futuro que se olha. Acompanhe-nos. Chegámos pela manhã. As máquinas ainda em movimento. Um corrupio. Andámos uns metros e eis-nos na entrada principal. Ninguém pode esquecer o passado: lá está a águia que orgulhosamente adornava o antigo recinto. Restaurada. Um símbolo com poder. Aventurámo-nos depois por balneários, locais de lazer de fazer inveja. Por restaurantes, bares, camarotes luxuosos. Chegámos ao relvado. Ficámos esmagados pela imponência da nova Luz. Imaginámos como será bonito repleto de público. Vá lá. Sinta você também...

Espero ser campeão
Quinta-feira marcará o regresso ao convívio com Camacho de um dos jogadores mais carismáticos do plantel encarnado.

Nuno Gomes foi uma das presenças mais notadas no lançamento do livro de Luís Miguel Pereira, «A Luz não se apaga» ontem, na FNAC do Colombo. O avançado do Benfica chegou acompanhado do fisioterapeuta António Gaspar, o homem que se encarregou da sua recuperação e entreteve-se a conversar com os colegas de equipa, ao mesmo tempo que ia autografando livros que os jovens fãs lhe estendiam. Esta terá sido a última aparição social de Nuno Gomes antes de regressar aos treinos livres. Na quinta-feira, será ele a grande sensação do treino, em Massamá ou no estádio nacional, quatro meses depois da sua última aparição com a camisola do Benfica. «Em princípio, volto a trabalhar com o plantel nesta semana. Tudo indica que seja quinta-feira», confirmou o jogador. Esse vai ser, certamente, um momento de grande alegria, para o jogador e para o numeroso grupo de fãs, mas Nuno Gomes preferiu guardar para si o sentimento que o inunda neste momento e exteriorizar, isso sim, as memórias que guarda do velho estádio e perspectivar a nova era, quando os jogos passarem a ser disputados no novo recinto. «Infelizmente, não tive grandes vitórias para festejar, nem fui campeão nos anos em que joguei no velho estádio, mas espero sêlo este ano. Para mim, a recordação mais importante foi o dia do meu regresso à Luz», confessou.

«Devemos honrar a camisola»

O avançado benfiquista espera ver esta situação alterada quando começarem os jogos na nova «catedral»: Temos de proporcionar bons espectáculos num estádio daquela natureza. Como jogadores do Benfica, temos de honrar a camisola e impressionar quem for assistir aos jogos.» Confrontado com a pouca assistência nos jogos que a equipa tem vindo a realizar no estádio nacional, Nuno Gomes notou que «se calhar, a maioria não chegou a conhecer o verdadeiro ambiente nos jogos do Benfica ». E sublinhou: «Com um novo estádio, melhores exibições e mais vitórias, os adeptos vão apoiar-nos muito mais e tornar o ambiente parecido com o do antigo estádio», acrescentou. De forma diplomática, Nuno Gomes evitou comentar a intranquilidade revelada pela equipa neste início de campeonato, como se viu no jogo da véspera, com o Nacional. O jogador limitou-se a fazer uma promessa, extensiva aos seus colegas da equipa. «Vamos continuar a trabalhar»

Acabei de chegar... Estou triste!
LUISÃO foi ontem examinado e confirma-se que tem uma lesão muscular na face posterior da coxa esquerda, podendo tratar- se de uma rotura. É impossível que o jogador recupere a tempo de defrontar o Moreirense e amanhã fará uma ecografia que determina quanto tempo ficará sem jogar. Luisão está desalentado, mas promete ter força para recuperar rapidamente.

Para já é certo que o defesa-central não estará em condições de jogar nesta jornada, mas a lesão contraída anteontem, no encontro com o Nacional da Madeira, pode obrigar Luisão a parar mais do que um jogo. O diagnóstico apenas ficará completo quando amanhã, 72 horas após a lesão, for efectuada uma ecografia para determinar a extensão do problema. Durante o dia de ontem, o jogador fez alguns exames na companhia do coordenador médico do Benfica, João Paulo Almeida, e ficou confirmada a lesão muscular na face posterior da coxa esquerda que impedirá o defesa de alinhar nesta jornada, em Moreira de Cónegos, frente ao sempre incómodo Moreirense. Existe uma forte suspeita de rotura, cuja real gravidade ficará confirmada com a ecografia agendada. Recorde-se que o jogador se lesionou sozinho, depois de se ter esticado para tocar a bola e impedir que ela chegasse ao adversário, ao minuto 38 do jogo entre o Benfica e o Nacional. Luisão ficou imediatamente estendido no relvado e agarrado à coxa esquerda. Segundos depois abandonou o campo, a coxear e apoiado nos clínicos encarnados para poder andar. Logo se percebeu que a lesão poderia ser grave, o que, infelizmente para o jogador e para os benfiquistas, se confirma.

Em casa, triste e a descansar

Depois dos exames, Luisão passou o dia de ontem a descansar e, naturalmente, triste com tudo o que se está a passar. «É claro que estou chateado! Acabei de chegar e já vou ter de parar...», desabafou o defesa-central brasileiro. Apesar de ainda estar a assimilar o trauma da lesão e de ainda não saber, ao certo, quanto tempo vai estar ausente da competição, Luisão promete tudo fazer para voltar rapidamente: «É triste ter este problema que me vai impedir de ajudar a equipa nos próximos compromissos, mas é lógico que sinto muita força para voltar rapidamente a jogar.» Por curiosidade, macabra, refira-se que Luisão, na sua ainda curta carreira de jogador — tem 22 anos — teve outra lesão grave, semelhante a esta só que na coxa direita.

Um azar nunca vem só

Luisão não pode jogar frente ao Moreirense, no sábado, mas não é apenas este o azar de Camacho. Zahovic fracturou um dedo do pé esquerdo e também está indisponível... Tiago viu dois cartões amarelos — e o consequente vermelho — e também estará ausente desta jornada. Contas feitas são muitos os azares, traduzidos em lesões estranhas e graves e incidentes vários. O expoente máximo destes problemas será Pedro Mantorras, que continua a recuperar de uma operação à cartilagem do joelho direito. Com ele, mas quase a regressar, esteve Nuno Gomes. O pontade-lança português também teve de enfrentar uma operação à cartilagem do tornozelo esquerdo. Azares que condicionam um plantel onde não abundam as opções.

Acordo iminente com Euroárea
Está à beira de se concretizar o entendimento entre Benfica e a empresa Euroárea, que se encontram em litígio na sequência da anterior gestão presidida por Vale e Azevedo. Têm sido constantes as reuniões entre ambas as partes, nas últimas semanas, com o intuito de obter um acordo conclusivo para um delicado processo que se arrastou durante todo o mandato de Manuel Vilarinho. À beira de novo acto eleitoral, o presidente encarnado não tenciona deixar de herança umdossier que será, seguramente, dos mais delicados que teve de enfrentar. Recorde-se que a Euroárea havia dado como prazo para entendimento entre as partes o dia 15 de Setembro, altura em que terminaram as férias judiciais, sob pena de fazer seguir o processo para as instâncias judiciais. Apenas a liquidação imediata de parte substancial da dívida e calendarização da restante fará os dirigentes da empresa de construção civil assinar o acordo com o Benfica. «Encarnados» responsabilizam Vale e Azevedo Ainda na sequência deste processo, o Benfica reiterou recentemente, junto do Ministério Público, o pedido de prisão preventiva para Vale e Azevedo, expresidente do clube da Luz, caso este seja colocado em liberdade condicional. Recorde-se que Vale encontra-se a cumprir pena no âmbito daquele que ficou conhecido como processo Ovchinnikov, condenado a dois anos e meio de prisão. O ex-dirigente poderá sair a breve trecho em liberdade condicional, mas os actuais elementos directivos não perdoam a sua má gestão e renovaram o pedido de prisão preventiva, tendo em conta que já corre no na BoaHora o julgamento em que Vale e Azevedo é réu neste processo.




segunda-feira, setembro 29, 2003

Benfica – Miguel renova mas avisa que quer mais dinheiro



Miguel está preparado para renovar o seu contrato com o Benfica mas para tal pretende ver melhoradas as condições financeiras que actualmente lhe são oferecidas pelo clube.


De acordo com o empresário do jogador, «Miguel está disponível para permanecer na Luz pelo menos até 2007, devendo as negociações com o Benfica terem início na próxima semana».

«Trata-se de um jogador que tem valorizado a equipa que representa. Tem cometido os seus erros, é verdade, mas mereceu a defesa por parte dos seus colegas e equipa técnica. Para além do mais, estou convencido que o Miguel será uma mais valia para o Benfica, no caso do clube o pretender vender no futuro», declarou Paulo Barbosa à Renascença.

Miguel recebe actualmente metade do vencimento que o Benfica paga aos seus estrangeiros. Para o empresário do jogador «o Benfica terá que estar preparado para pagar pelo menos o mesmo que está a pagar aos estrangeiros», adianta Paulo Barbosa.



JOÃO VILAS-BOAS (2)
Um trabalho mau, preocupantemente mau, uma vez que os seus erros foram, praticamente, de sentido único. Tanto no aspecto técnico, quanto no campo disciplinar, o Benfica foi nitidamente prejudicado. A arbitragem passa por momentos conturbados e os juízes andam sobre brasas; até que o mau tempo passe, as nomeações têm de ser particularmente cuidadas e haverá absoluta necessidade de pedir contas aos árbitros por erros que não são, pura e simplesmente, admissíveis.

JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica)
Vê-se que jogamos para ganhar
Camacho, depois de várias questões sobre as críticas dos adeptos à equipa, saiu em defesa do balneário: «Esta equipa técnica e estes jogadores entram sempre em campo para ganhar e isso vê-se.» Ou seja, Camacho considera inatacável a postura global da equipa. Mas ontem houve excesso de oportunidades falhadas. Este foi o aspecto negativo que José Antonio Camacho identificou, embora desse mostras de querer deixar claro que se o resultado tivesse sido bem mais gordo não haveria lugar a questões sobre a baixa produção dos encarnados ou o nível exibicional aquém do esperado. Mas a primeira conclusão do técnico espanhol foi óbvia: «O resultado são três pontos e isso é sempre bom.»
Camacho disse depois que «a equipa manteve sempre a atitude» ao longo dos 90 minutos e «em situações difíceis soube sempre manter o controlo do jogo». Mas como o segundo golo não surgia, um fantasma chamado Belenenses começou a pairar no ar.
«Contabilizámos sete ou oito oportunidades, mas a partir de determinado momento pareceu que nos estavam a passar a factura do Belenenses sempre que havia um canto ou uma bola por alto», sublinhou, por entre uma crítica indirecta aos jogadores sobre a falta de aproveitamento na finalização: «Simão teve três. Tiago marcou um e podia ter feito outro, Geovanni também teve três oportunidades. Os golos é que mandam e a tranquilidade vem com eles. Parecia que sempre que o Nacional atacava e lançava bolas por alto podia empatar. Mas o que aconteceu com o Belenenses não está sempre a acontecer.»
Questionado sobre as críticas dos adeptos à equipa e sobre a pressão em redor desta, respondeu com outra interrogação: «Vão ver os últimos jogos do Benfica e digam-me quantas equipas há que tenham tantas oportunidades de golo?» «Sei que os adeptos querem um Benfica melhor, mas é esta a equipa que vai responder e jogar pelo Benfica e não outra», frisou, recusando depois a ideia de falta de amor à camisola: «Falar de amor à camisola é fácil, difícil é mostrar. Uma coisa é não haver entrega e outra é querer mais. Mas nem sempre temos o que queremos.»

CASEMIRO MIOR (treinador do Nacional)
Caímos de pé
O treinador do Nacional, Casemiro Mior, não estava, apesar da derrota, descontente com os seus jogadores. Gostou. «Obviamente que sim. Ao intervalo entendemos que seria bom aguentar 15 ou 20 minutos e depois tentar aproveitar a pressão do público. E isso aconteceu. Mas infelizmente não conseguimos marcar e chegar ao empate», lamentou o treinador, que arriscou tudo... e não petiscou: «O Benfica estava a jogar em sua casa e nós só tínhamos 10 jogadores em campo... Não podíamos atirar-nos de cabeça, mas quando tirei o Serginho não meti um defesa. Podíamos ter sofrido 2, 3, 4 golos, mas procurámos o empate. Não foi possível. É futebol. Não tivemos a felicidade de fazer um golo...»
Casemiro Mior comentou a forma como o Benfica chegou ao único golo da partida, que considera ter sido fruto de alguma sorte. «Uma bola chutada pelo Tiago, que bateu no Ávalos e enganou o Nuno Carrapato», disse, antes de lançar a frase que havia de ficar nos ouvidos de todos: «Caímos, mas caímos de pé. Tacticamente a equipa esteve bem.»
Finalmente, instado a pronunciar-se sobre a arbitragem de João Vilas Boas, tendo em conta a expulsão de Alexandre Goulart, o técnico, que nessa fase já estava com muita pressa de abandonar a sala de Imprensa, preferiu passar a bola ao presidente do Nacional, Rui Alves, que não se encontrava, todavia, nas proximidades, o que impossibilitou qualquer reacção sobre o assunto.

NUNO CARRAPATO (jogador do Nacional)
Prova cabal
«Penso que foi uma prova cabal daquilo que somos capazes de fazer e julgo que esta é uma exibição que nos dá confiança para o futuro. Preferia que tivéssemos pontuado, pois o mais importante é o grupo»

Tiago mais feliz do que triste
O médio benfiquista Tiago esteve em alguns dos lances mais importantes do encontro, embora nem todos estivessem relacionados com futebol... jogado. O futebolista destacou-se ao apontar o único golo do desafio, golo esse que acabou por render três preciosos pontos ao Benfica, que assim mantém a distância para o F. C. Porto e fica à espera de uma escorregadela do outro rival, o Sporting.

«Marcar é sempre motivador. Um golo também ajuda», comentou Tiago, no final do encontro, à equipa de reportagem da RTP, que conseguiu arrancar algumas palavras ao jogador por força dos regulamentos vigentes. É que, apesar das solicitações dos jornalistas, que fizeram chegar a quem de direito os nomes dos jogadores desejados, nenhum futebolista encarnado compareceu na sala de Imprensa do Estádio Nacional.
Assim sendo, apenas umas poucas declarações de Tiago foram recolhidas, declarações essas que, ainda assim, deixaram bem patente o contraste de emoções que o jogador viveu na noite de ontem. «Senti-me bem, principalmente na segunda parte», confessou o atleta, que viu, precisamente numa fase do encontro em que se estava a exibir a grande altura, o segundo e decisivo cartão amarelo, que acabou por custar-lhe a expulsão. «Foi uma decisão do árbitro...», comentou, encolhendo os ombros, resignado com algo que é, agora, perfeitamente irreversível. Terá de assistir ao encontro com o Moreirense, fora de casa, à margem do relvado, situação que nada abona em favor da equipa de José Antonio Camacho, que muito beneficia com a qualidade do jovem médio.

Luisão tem lesão muscular

O defesa-central do Benfica, Luisão, tem uma lesão muscular e vai justificar uma avaliação precisa por parte do departamento médico encarnado. O relógio indicava que o jogo começara há 37 minutos, o brasileiro disputava um lance com o compatriota, mas adversário, Adriano, ainda conseguiu direccionar a bola para um colega, mas ficou estatelado no relvado, agarrado à perna. Imediatamente fez sinal para o banco dos suplentes, solicitando o auxílio do médico e do massagista, e Adriano, sem hesitações, esboçou um sinal, com os braços, que não deixava dúvidas: substituição.

Sintam a camisola!
O empate com o La Louvière está longe de ser esquecido pelos adeptos, assim como as incursões nocturnas de alguns jogadores que têm vindo a público, situações que originaram recados duros vindos dos Diabos Vermelhos no jogo de ontem.
«Tolerância zero para faltas de empenho; Sintam a camisola que vestem; Não envergonhem a sua história», foram algumas das mensagens escritas nas tarjas mostradas aquando da entrada das equipas em campo. E redundaram na primeira ovação do público, que viu e... aplaudiu. E os jogadores, que terão pensado?

Armado e Hélder estrearam-se...

O jogo de ontem marcou a estreia de Armando e Hélder a titulares na equipa encarnada na presente edição da SuperLiga. Hélder havia sido suplente utilizado — um minuto em campo — com o Belenenses, enquanto o lateral, que substituiu o castigado Ricardo Rocha, não tinha ainda qualquer minuto somado e nem convocado era desde o jogo com o V. Guimarães.
A titularidade de Hélder teve um duplo significado, uma vez que permitiu que a braçadeira de capitão regressasse ao seu... dono, neste caso ao braço esquerdo do central encarnado. Isto, recorde-se, depois de no jogo da Bélgica, e com surpresa geral, Simão ter assumido esse papel dentro de campo.

Próximo treino

Os jogadores do Benfica têm direito a dois dias de folga. Hoje e amanhã, actividade só mesmo para quem necessitar dos cuidados do Departamento Médico, já que o próximo treino está agendado para terça-feira de manhã, em Massamá, naquele que será o início da operação Moreirense.



sexta-feira, setembro 26, 2003

Sou eu que decido!
Luís Filipe Vieira não regressou no avião da equipa. Questões da vida do clube obrigaram-no a um desvio por uma capital europeia e a chegar a Lisboa, apenas, ontem à tarde. Confrontado com a questão das eleições, voltou a referir que ainda não é candidato, muito embora se percebessem sinais de que essa candidatura está no horizonte. Porém, para Filipe Vieira, o momento do anúncio não é importante: «O meu timing sou eu que decido — e mais ninguém».

Instado a explicar melhor a sua posição, o presidente da SAD encarnada foi elucidativo:
— As pessoas não sabem, mas, neste momento, o Benfica tem prioridades mil vezes mais relevantes do que o anúncio da minha ou de qualquer outra candidatura.
O presidente da SAD do Benfica deixava a ideia de que grande parte do esforço da sua gestão se concentrou nos compromissos assumidos pelo Benfica e que obrigam a constante actividade nos sectores financeiros. Por isso, Luís Filipe Vieira afirma que não tem pressa em avançar para uma candidatura que parece cada vez mais inevitável, mas quer fazer uma demonstração clara de que as eleições não são a sua prioridade. Vai mais longe:
— O meu projecto no Benfica nunca será um projecto pessoal de poder, mas sim um projecto colectivo, que tem, entre outras, a missão de unir os benfiquistas.

Hoje não sou candidato

A convicção de Luís Filipe Vieira é a de que a convocatória da Assembleia Geral irá apontar para o espaço entre 1 e 10 de Outubro para apresentação oficial das listas. Por isso não hesita em dizer que «é manifestamente prematuro avançar já, neste momento, com dados definitivos ». Não foge, no entanto, à evidência de uma candidatura a lançar nos próximos tempos:
— Se me perguntar, em verdade tenho de dizer que, hoje, não sou candidato, mas é evidente que admito que o Benfica tem um programa de acção definido e que eu, inserido num projecto colectivo, posso vir a ter uma palavra a dizer.

«Não me passa pela cabeça que não se candidate!» (António Figueiredo)

Um dos sócios com assento na praça pública benfiquista é António Figueiredo que, em conjunto com Rui Santos, se preparava para elaborar uma candidatura à presidência do clube. Em várias conversas mantidas com Luís Filipe Vieira, percebeu entretanto que ambos tinham pontos comuns e a alternativa ficou por aí. Por isso, o actual administrador da SAD do Estoril espera apenas conhecer o programa eleitoral de Vieira para se juntar no apoio «dos muitos benfiquistas» ao líder do futebol encarnado. Mas o timing terá de ser decidido por Vieira «É a ele que compete decidir o dia. Mas até nem poderá precisar de pré-campanha. Ao contrário dos outros candidatos, ele tem obra feita e os sócios vão votar mediante o que ele fez: deu a estabilidade que a equipa não tinha e foi decisivo para a construção do estádio, como o próprio Mário Dias referiu. Por isso, não me passa pela cabeça que não se candidate, pois deixaria o clube numa situação de orfandade », disse Figueiredo a A BOLA. Sobre a possibilidade de vir a assumir um lugar na estrutura do clube, desmentiu liminarmente essa possibilidade e revelou um dado curioso: «Luís Filipe Vieira disse-me que não faria uma lista de consenso, que seria composta por pessoas da sua confiança. Se não me convidou anteriormente, não seria agora que o faria. Além disso, estou ocupado com as funções que exerço no Estoril.»

falta de talento e de competência
«Por um Benfica grande em tudo!» É este o slogan da candidatura de Jaime Antunes, que ontem inaugurou a sede de campanha e apresentou o manifesto eleitoral e linhas programáticas do projecto. Não se preocupa por ser ou não favorito, ser ou não popular, pretende sim oferecer aos sócios uma alternativa à actual gestão, que considera carecer de talento e competência. Mostra-se agora ansioso pelo confronto de ideias com Luís Filipe Vieira.

É no n.º 18 da Avenida António José de Almeida (junto ao Instituto Superior Técnico) que funcionará o quartel-general da lista encabeçada por Jaime Antunes. O desafiador de Luís Filipe Vieira sublinhou a «baixa média de idades» do seu grupo de trabalho, assim como as «formações profissionais variadas e complementares» de «benfiquistas de uma só cor».
Garantindo que irá até ao fim, prometendo apenas o que é passível de ser cumprido, justificou o seu avanço pela «má gestão» existente. «Fruto de erros gerados por falta de competência e, sobretudo, falta de talento», acrescentou. Entre as principais inovações destacam-se a criação da figura do provedor dos sócios, de uma rede intranet entre as casas do Benfica, de um órgão de apoio à Direcção do clube, formado por ex-dirigentes do Benfica. Deixou ainda a garantia de que as modalidades de competição vão continuar, «custe o que custar».
Jaime Antunes aguarda agora, no palco eleitoral, pelo seu adversário. «Estou ansioso pelo avanço de Luís Filipe Vieira, pelo frente a frente, pelo debate. Esse confronto é inevitável», expressou.

Desperdício de dinheiro

O objectivo do candidato é profissionalizar, reorganizar e revitalizar o clube, com o futebol em plano de destaque. «O Benfica terá de lutar sempre pelo título», frisou, destacando o «desperdício de dinheiro» a que tem assistido: «Não vamos anunciar, desde já, contratações. O Benfica tem bons jogadores e um bom treinador. Então porque não temos resultados? Não me peçam para ir aos catálogos dos empresários contratar meia dúzia, não é essa a nossa política. E se for preciso um defesa-esquerdo não vamos comprar um central...»
Sobre a vertente financeira, pediu aos sócios para se questionarem. «No relatório de contas consolidadas 2001/2002, publicado pelo Benfica, as receitas efectivas foram na ordem dos 50 milhões de euros. Se temos mais receitas que os outros como é que temos mais dificuldades e menos resultados? Alguma coisa está mal na forma como estas receitas estão aplicadas», disse, concluindo: «Se não houver saúde financeira, nunca haverá competitividade desportiva.»

«Não concebo Luís Filipe como presidente do clube» (Gaspar Ramos)

Entre os cerca de cinquenta presentes no lançamento da candidatura de Jaime Antunes estiveram algumas caras conhecidas. Além de Silva Vieira e Manoel Barbosa (trabalharam com a actual Direcção), assim como o advogado Arrobas da Silva e o ex-dirigente Manuel Botto, também Gaspar Ramos, que explicou a sua presença. «Ainda não é um apoio. Apenas posso dizer que sou contra a candidatura do senhor Luís Filipe Vieira. Entendo que não tem perfil para o lugar, não o concebo como presidente do meu clube. Quanto a Jaime Antunes, vim aqui para o ouvir e perceber melhor as suas posições. Fiquei satisfeito com muitas das coisas que disse», referiu, garantindo: «Jamais voltarei à direcção desportiva, mas continuo a viver com intensidade o Benfica pois dei parte da minha vida a este clube.»

Camacho é inteligente
Manuel Vilarinho concordou com a decisão tomada por José António Camacho quanto ao novo portador da braçadeira de capitão do Benfica. «O treinador é uma pessoa inteligente, sabe o que faz. Se ele entendeu depositar essas funções no Simão, entendeu muito bem. O jogador aceitou e o problema termina aqui», afirmou o presidente da direcção do clube, à Antena 1, ontem de manhã.

Vilarinho acompanhou a equipa no regresso a Lisboa e a ressaca após o empate frente ao La Louvière ainda era evidente. «Não entendi certas coisas. Os jogadores têm valor para fazerem mais. Isto não quer dizer que a equipa tenha de vencer todas as competições em que intervém, mas eles têm mais qualidade do que aquela que demonstraram», frisou, revelando ter ficado «desiludido» com a exibição da equipa. Vilarinho aproveitou também para desdramatizar a frase polémica proferida pouco depois do final do encontro com os belgas:
«Utilizei a expressão burros porque simplesmente não o devemos ser. Noto uma grande ansiedade nos jogadores, que querem fazer bem mas com excesso de ansiedade. Os erros dos últimos jogos dão para ver que estão a jogar sobre brasas. E isso leva-os a perderem a concentração e fazerem asneiras. O que quis dizer é que eles devem ser mais frios.»
Mesmo assim, Manuel Vilarinho acredita na passagem à segunda eliminatória da Taça UEFA. Porque confia no treinador:
«Tenho total confiança em Camacho. É claro que ele não joga, mas dá ordens. É o homem indicado para fazer a ressurreição do Benfica.» Oposição reage independentemente de Vilarinho se ter retractado, os candidatos ao seu lugar vieram a público criticar a gestão do dirigente.
«O Benfica não é nenhum jardim zoológico. Aquilo é uma equipa de futebol», asseverou Jaime Antunes à Rádio Renascença, antes da apresentação pública da sua candidatura, condenando a compostura de Manuel Vilarinho ao longo do seu mandato: «Habituou-nos a uma intervenção inconstante, muitas vezes sem sentido.» Também Guerra Madaleno se insurgiu contra o actual presidente e não concorda com decisão de Camacho sobre a braçadeira de capitão: «Não se aceita que haja uma alteração da eleição democrática!»

Benfiquistas aplaudem Vilarinho

Manuel Vilarinho, presidente do Benfica, recebeu ontem muitas mensagens de apoio de benfiquistas anónimos, que apreciaram o murro na mesa que deu após o jogo com o La Louvière. «Houve falta de inteligência, de compenetração e concentração. É preciso não ser burro.» Esta a frase mais forte da noite de anteontem e que mereceu o aplauso dos benfiquistas. Durante o dia de ontem, ao Benfica chegaram muitas dezenas de faxes e de telefonemas, na esmagadora maioria de benfiquistas anónimos que apreciaram o raspanete do presidente à equipa. A frase, proferida logo após o final do jogo, provocou algum incómodo na restante estrutura do Benfica. O presidente justificou as declarações como um desabafo proferido a quente. Mais a frio talvez não fosse tão cáustico e mais tarde, à Antena 1, contextualizou a frase polémica. Muda o tom do discurso, mas mantém-se o descontentamento e as razões de fundo do que antes dissera. Um murro na mesa que, a avaliar pelas reacções, agradou aos benfiquistas, agastados com o comportamento da equipa.

Se o rei não vai nu...
«É preciso não ser burro», disse Manuel Vilarinho em Charleroi, logo após ter terminado o jogo, referindo-se à exibição da equipa. «Tenham vergonha na cara e joguem à bola!», gritaram alguns adeptos para os jogadores, no Aeroporto de Lisboa, assim que Simão e companheiros se deram a ver no caminho até ao autocarro do clube. Duas críticas — de quem pertence aos órgãos sociais e de quem faz parte da massa associativa — que, por virem de onde vêm, abrangem um universo benfiquista que começa a interrogar-se: «Se não ganhamos ao La Louvière, vamos ganhar a quem?»

O Benfica regressou à Europa do futebol e, não o fazendo da pior maneira, porque não perdeu, fê-lo no entanto através de uma exibição decepcionante perante um adversário que lhe é perfeitamente acessível porque gravita numa galáxia de menor, muito menor dimensão que a sua. O Benfica não só não ganhou, e por números que correspondessem à diferença de potencial e de pergaminhos existentes entre a sua equipa e a do La Louvière e que deixassem desde já a eliminatória resolvida, como também realizou uma exibição a deixar a grande família benfiquista de coração nas mãos, com razões de sobra para duvidar do futuro do futebol que lhe alimenta a paixão clubística.
Depois da comprometedora exibição diante do Belenenses, denotando fragilidades no capítulo técnico e psicológico que levaram a que, estando por três vezes a vencer por outras tantas se deixasse empatar, e da maneira, não menos preocupante, como sofreu os golos frente ao F. C. Porto, aquilo que se viu ao Benfica em Charleroi veio demonstrar, sem margem para dúvidas, que o rei, se não vai nu, pelo menos desfila envergando roupagem... interior. Na verdade, aquilo que fez, ou melhor, o que deixou por fazer no Le Stade Du Pays de Charleroi tem forçosamente de suscitar uma onda de reflexão no espaço da águia.

Sorte e azar

Foram de tal ordem as fragilidades evidenciadas pela equipa benfiquista frente à do La Louvière, quando, afinal, pelo escasso valor desta e da sua inexperiência em competições uefeiras, aquilo que se esperava dos benfiquistas era uma exibição convincente, redentora e de reencontro consigo próprios e com a sua imensa massa de adeptos, que José Antonio Camacho, até agora a viver tranquilamente à margem da crítica construtiva e da que é feita com o coração e não com a razão, vai ter de começar a deitar contas à vida, por não ser plausível não haver, em tanto desconchavo exibicional, pelo menos alguma dose de responsabilidade sua.
Como explicar, por exemplo, a equipa jogar como se o fizesse sobre brasas ou como se a bola levasse dentro dela o Diabo? Quais as razões para tanto desacerto a defender, tanta falta de ideias a construir, tanta fragilidade a concretizar? Viu-se-lhe, mais uma vez, em Charleroi. O Benfica joga (?) aos repelões, sem uma linha de rumo, sempre com o credo na boca, como se tivesse medo de si próprio — será? —, como uma intranquilidade tamanha que mais parece perseguido por almas do outro mundo, como se estas existissem, ou como se desconfiasse das suas próprias capacidades. E não há também neste cenário pintado de cores negras responsabilidade do treinador? O mal do Benfica não se deve apenas a uma questão de sorte ou de azar, como referiu o seu treinador, após o jogo com o La Louvière, porque analisar assim tanta imperícia, tanto desacerto, é demasiado simplista e distanciado. O estado de graça de Camacho corre o risco de começar a desvanecer-se...

Só ganhar é pouco

Sejamos realistas: o Benfica, com o plantel que tem, com carências notórias de vária ordem, muito dificilmente poderá chegar à final da Taça UEFA, como prognosticou (desejou) Manuel Vilarinho, à partida para Charleroi. Mas possui valor suficiente para produzir um futebol qualitativamente mais atraente e ganhador que aquele que tem rubricado no Campeonato ou como o por si exibido frente ao modesto La Louvière, deixando tão angustiados quão apreensivos, e de que maneira!, todos os benfiquistas.
Tem o Benfica a eliminatória comprometida? Claro que não. Ganhar ao La Louvière, no Bessa, no dia 15 de Outubro, está-lhe mesmo ao alcance da mão. Aliás, para esse efeito até o empate a zero lhe chega. Mas ganhando, afinal não fará mais que a sua obrigação, tratar-se-á, em qualquer circunstância, de uma vitória reflexo natural e espontâneo da sua superioridade sobre quem consigo esgrima a continuidade na Taça UEFA. O que se lhe pede, para não dizermos o que se lhe exige, é que o faça alicerçado numa exibição consentânea com a sua responsabilidade e o seu prestígio.

Voltas e reviravoltas de uma... braçadeira
Inesperadamente, Simão capitão no jogo com o La Louvière. Depois da caricata novela sobre quem desempenharia o cargo, o n.º 20 disse que não, obrigado, recusou ser sub depois de vários episódios ainda filmados no estágio em Jerez de la Frontera.
Por exclusão de partes — Hélder suplente, Zahovic lesionado e Nuno Gomes ainda sem poder ser utilizado —, o capitão frente ao clube belga seria Miguel. Não foi, como é sabido. Numa presumível reunião (com a participação de quem?) em Lisboa, realizada na véspera da partida para Bruxelas, ficou decidido (por quem?) que Simão tinha de ser subcapitão.
A verdade, como o azeite, vem sempre ao de cima. Mas, por enquanto, ainda está submersa. Parece, no entanto, que alguém, naturalmente com responsabilidades, democraticamente impôs a Simão o uso da braçadeira com o estatuto de subcapitão mas, na prática, capitão, porque Hélder, com a chegada de Luisão, parece ter reduzidas hipóteses de calçar, o mesmo é dizer de jogar. E como, para já, Zahovic e Nuno Gomes não jogam, e Miguel, que é titular, estará numa situação de condicionado para o desempenho do cargo... O plantel, depois de tanta recusa de Simão em usar a famigerada braçadeira, é que parece estar algo incomodado com a nova voz de Camacho dentro de campo. Mas sendo a verdade como o azeite... espere-se.

Titulares poupados para o Nacional
José Antonio Camacho dividiu o plantel em dois grupos, deixando os titulares em Massamá a fazer um ligeiro treino de recuperação, enquanto os reservistas defrontavam a equipa B, num jogo-treino realizado no Estádio Nacional. Roger lesionou-se no ombro direito, mas não parece ser grave...

Após os incidentes da manhã, no aeroporto, os profissionais do Benfica tiveram uma tarde muito mais tranquila, especialmente os titulares, que apenas fizeram treino de recuperação, sob o comando do preparador físico, Fernando Gaspar. Enquanto isso acontecia em Massamá, a poucos quilómetros dali, no Estádio Nacional, os habituais reservistas defrontavam e goleavam a equipa B, por quatro golos sem resposta. Roger, Carlitos - que bisou - e Hélder foram os seus autores.
Tudo teria decorrido dentro da normalidade se Roger não se tivesse lesionado, ao cair desamparado no relvado. O brasileiro queixou-se, imediatamente, de dores no ombro direito e foi substituído por Tiago Gomes, elemento da equipa B que fez a pré-época com o plantel principal em Jerez de la Frontera.
Além de Roger, que inaugurou o marcador, Camacho apostou inicialmente numa defesa constituída por João Pereira, Hélder, Frederico Runa (equipa B) e Armando, colocou Fernando Aguiar e Andersson no miolo e lá na frente, Carlitos à direita, o júnior Manuel Curto como homem de área e Alex, à esquerda. À baliza, começou Hugo Pereira, que foi depois substituído por Rui Neréu. A superioridade sobre a segunda equipa foi inquestionável e os quatro golos foram corolário desse domínio. Mas o treinador espanhol teve também a oportunidade de apreciar os dotes futebolísticos de alguns dos jovens futebolistas que tomaram parte no jogo-treino, a começar pelo ponta-de-lança Manuel Curto, que apesar da extrema juventude, integrou-se com naturalidade no ritmo de jogo da equipa como se tivesse feito sempre parte do plantel. O segundo golo de Carlitos nasceu de um cruzamento perfeito do internacional sub-17, culminando uma arrancada pelo corredor esquerdo. Em fase de adaptações no lado esquerdo da defesa, assinale-se, igualmente, a prestação de Armando nessa função.

Nuno Gomes regressa na próxima semana

Nuno Gomes vai regressar aos treinos na próxima semana. Confirmando-se as previsões feitas pelo médico que o operou, Marc Maertens, na sua última visita a Antuérpia, o sub-capitão da equipa encarnada experimentou melhorias significativas e, quatro meses após a intervenção cirúrgica a que foi submetido, volta ao convívio com os colegas e a equipa técnica liderada por José Antonio Camacho. Nesta fase, a primeira tarefa do ponta-de-lança será recuperar o ritmo competitivo, desconhecendo-se o tempo necessário para que tal venha a acontecer. Depois, sim, caberá ao treinador decidir de que maneira poderá retirar os máximos dividendos das reconhecidas capacidades do internacional português. Quem sabe se não está na forja uma dupla com Sokota?



quinta-feira, setembro 25, 2003

Futebol – Equipa do Benfica mal recebida pelos adeptos



Vida difícil para a equipa de futebol do Benfica e o seu técnico. Primeiro foram as declarações «explosivas» do presidente do clube, ainda no estádio em Charleroi. Vilarinho enviou a mensagem de que «é preciso não ser burro», considerando «estar farto dos erros dos jogadores».


Depois, foi a viagem até Lisboa que decorreu em ambiente bastante carregado até que, já no aeroporto da Portela, jogadores e técnicos ouviram «das boas» com alguns adeptos a mostrarem a sua fúria face à paupérrima exibição e resultado alcançados frente a um modesto La Louvière.

«Parece que não sabem jogar à bola. Isto é o Benfica, não é qualquer clube. Haja respeito pelo emblema!», podia ouvir-se às primeiras horas da madrugada na altura em que a comitiva «encarnada» se dirigia para o autocarro do clube.




CRÓNICA
La Louvière-Benfica, 1-1: Uma equipa displicente à beira do precipício
Foi uma noite de tormenta, da qual se salvou o resultado. E desta vez, o problema não se pode reduzir a simples erros individuais

Um Benfica com tendências suicidas, a viver com permanente tentação pelo precipício, salvou o essencial de uma noite surpreendentemente tormentosa e na qual chegou a estar muito próxima do colapso total. E salvar o essencial neste caso significa não ter perdido, ou seja, levar a decisão da eliminatória para um segundo confronto. A primeira parte da actuação encarnada no relvado de Charleroi foi simplesmente inacreditável, a rondar a vergonha pura e simples. Esta é a verdade.

O Benfica foi uma equipa macia, sem alma, que perdeu em todos os capítulos do jogo para um adversário entusiasmado e ciente, a cada minuto que passava, de que podia estrear-se a ganhar nas competições europeias.

Inconcebível

O arranque benfiquista foi inconcebível. A qualidade de passe dos portugueses foi péssima, provocando recepções todas deficientes que, por sua vez, criaram condições que os belgas aproveitaram para pressionar cada vez mais perto da defesa contrária; por outro lado, o portador da bola nunca teve opções de passe, primeiro sinal de uma equipa pouco solidária, fustigada pela inércia de jogadores escondidos.

Perante aquele cenário de catástrofe eminente, muita gente se entregou às marcações. O golo do La Louvière foi um excelente exemplo do desvario: duas desconcentrações seguidas - mau passe de Sokota, má recepção de Luisão - e lá estava Moreira, uma vez mais, à mercê dos carrascos. Ontem, Camacho viu repetir os erros de que se tem queixado e nem queria acreditar na displicência dos movimentos colectivos, como se um vírus tivesse atacado não um mas todos os seus jogadores.

Confiança

Apesar da grande oportunidade desperdiçada por Sokota (21'), o perigo rondou muito mais a área portuguesa. Os belgas começaram, então, a acreditar que era possível não só ganhar o jogo como criar até condições para vencer a eliminatória. E, depois de 45' de superioridade total, não custa adivinhar vê-los a falar entre si, com comentários que não deviam andar longe da confissão mais óbvia: "Mas estes tipos não sabem jogar futebol."

Um desastre explicado pela atitude negligente de uns, pela desinspiração de outros e pelo facto de todos terem perdido momentaneamente o prazer de jogar juntos; assim como a noção do significado da camisola que envergam e a responsabilidade moral perante uma falange de emigrantes dedicados que, não obstante a emoção da aproximação à terra, chegaram, também eles, a desacreditar. O intervalo serviu como a salvação de um "boxeur" à beira do "KO".

Sinais vitais

Os minutos iniciais da segunda parte trouxeram um Benfica mais aplicado, mais mexido, mais empreendedor. Aos 50' a equipa lograva o primeiro lance com cabeça, tronco e membros, desperdiçado por Sokota, que chegou ligeiramente atrasado ao bom centro de Geovanni. Dois minutos volvidos, também num lance fabricado pelo flanco direito, os encarnados chegaram à igualdade.

Numa altura em que, por fim, revelavam os primeiros sinais vitais da noite, os portugueses pressionaram pela primeira vez o adversário em todos os capítulos: porque as trocas de bola começaram a fazer sentido; porque as progressões se tornaram mais coerentes e incisivas, em suma, porque a equipa passou a funcionar minimamente como tal, o Benfica causou finalmente ao La Louvière a ideia da confirmação dos dados prévios ao jogo. Isto é, aqueles que apontavam para uma superioridade indiscutível perante um conjunto que, segundo as palavras do antigo treinador de guarda-redes, Lucien Huth, não passa (será mesmo?) do "Alverca da Bélgica". Palavras que não são para seguir à risca, mas das quais devemos tirar o significado fundamental.

Desacerto

O gás foi-se aos poucos. No percurso até final valeu ao Benfica não ter perdido posição a defender e ter garantido mínima consistência estrutural, também à custa das alterações introduzidas por Camacho. A primeira das quais no sentido de dar mobilidade na zona de ataque - em vez dos dois pontas-de-lança lado a lado, passou a jogar com um (Fehér) mais um (Simão) - que surgiu pouco depois de Ricardo Rocha ter evitado de forma brilhante o segundo golo belga.

Quando o cansaço passou a pesar na contenda, o Benfica voltou a sofrer. O treinador espanhol tirou então um Geovanni a meio gás e colocou Andersson, mudança que visou dar músculo à zona central do campo, onde os belgas estavam cada vez mais fortes. Até final houve mais luta que jogo, enquanto do lado de fora se faziam contas ao verdadeiro significado do resultado. Bom, na análise restrita de um embate como eliminatória europeia; mau, como balanço de um momento pouco prestigiante para o Benfica. Uma noite de estranho sofrimento que não estava nos planos mais pessimistas, diante de um adversário que, afinal, vale mais do que era previsível.

Yuri Baskakov (3)

Sem erros de palmatória, o juiz russo desperdiçou uma boa oportunidade para assinar um grande trabalho. Teve critério disciplinar largo, tão largo que chegou a ser amigo dos portugueses: o amarelo mostrado a Andersson, aos 85', merecia outra punição. O sueco travou um contra-ataque, ainda no meio campo belga, mas o problema tem a com a gravidade da falta: aquilo foi uma agressão sem bola.


Manuel Vilarinho : "om Luís Filipe Vieira o clube poupa dois anos"
Manuel Vilarinho, presidente do Benfica, considerou ontem que a eleição de Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica poderia representar uma poupança de dois anos ao clube, já que o presidente da SAD conhece bem todos os dossiers em curso num emblema que «dentro de 3 ou 4 anos» poderá recuperar a grandeza do passado.

No final da recepção que ontem teve lugar na câmara municipal de La Louvière, Manuel Vilarinho manifestou o desejo de que esta eliminatória seja o «início da ressurreição» do Benfica na Europa e que o clube regresse à grandeza do passado. «Num processo que começou há três anos, acredito que dentro de mais três ou quatro isso possa acontecer», frisou.
A pouco mais de um mês do final do mandato, Manuel Vilarinho fez um resumo do ponto de situação do Benfica: «Sempre procurámos equilibrar as vertentes desportiva e financeira. Hoje posso dizer que a casa está arrumada, existe já alguma saúde económica, falta assegurar a saúde financeira». Um processo que dividiu por três etapas: «Apesar de já conhecer bem o Benfica quando assumi a presidência, demorámos um ano a diagnosticar com precisão todos os problemas; um ano a vermos qual a melhor forma de estruturar tudo e encontrar as melhores soluções; um ano a implementar essas soluções».

«Fico descansado com Luís Filipe Vieira»

Para Manuel Vilarinho, a estabilidade do percurso é fundamental. Se ela for conseguida, «o próximo presidente não perde dois anos do seu mandato». Está disponível para «ajudar qualquer que venha a ser o presidente do Benfica». Mas adverte: «Uma coisa é eu explicar a uma pessoa toda a situação. Outra é essa pessoa ter vivido, sentido e conhecido em profundidade todos os dossiers». Ou seja, a razão pela qual anunciou em entrevista a A BOLA o seu apoio a uma candidatura de Luís Filipe Vieira. «Defendo a continuidade. É um homem competente e não perde dois anos de mandato. Claro que fico descansado se for o próximo presidente. Vou acompanhá-lo como ele sempre me acompanhou. Estou a expressar a minha opinião, os benfiquistas ouvir-me-ão ou não», concluiu.

JOSÉ ANTONIO CAMACHO (treinador do Benfica)
Sorte não nos tem acompanhado
José António Camacho, treinador do Benfica, não concorda nada com os que entendem que a equipa deu uma imagem pálida do seu valor frente ao La Louvière. Está satisfeito com as oportunidades de golo criadas, com o domínio do Benfica e só lamenta o erro do golo, que resulta, acima de tudo, do azar. «A sorte não tem estado connosco».
«Penso que estão equivocados», disse Camacho aos jornalistas, quando questionado se não concordava ter a equipa feito uma exibição cinzenta. «A equipa entrou em campo para ganhar e teve todas as condições para o fazer. O problema é que o La Louvière marcou um golo contra a corrente do jogo e nós desperdiçámos as oportunidades que tivemos», frisou.
Para o treinador espanhol, «jogar nas Antas e dominar, jogar aqui e voltar a dominar, não está ao alcance de qualquer equipa».
Camacho referiu que «os golos é que mandam no futebol». Ou seja, não era por estar a vencer ao intervalo que os belgas estavam a jogar melhor. Atacámos, criámos oportunidades, mas sofremos um golo que resultou de um erro». À semelhança do que já aconteceu noutros jogos. Por isso, queixa-se do azar que considera perseguir a equipa: «Penso que a sorte não tem acompanhado a equipa. Dominámos durante 80 minutos, tivemos tudo para ganhar», frisou. E só reconheceu alguma «ansiedade» na equipa.
No cômputo geral, o treinador encarnado considera que «o resultado é bom, já que um empate a um golo, em casa do adversário, é positivo numa competição europeia».

Ponto final sobre Simão

Camacho só não se quis alongar sobre o dossier Simão, que ontem voltou a entrar em campo com a braçadeira de capitão. «O Simão será o capitão sempre que o Hélder não jogue. Foi uma decisão minha e ponto final. Não há que falar mais sobre o assunto. Simão é líder? Ser líder não é uma questão de estatuto, é algo que se conquista dentro de campo», sublinhou.
Por último, questionado sobre as declarações de Manuel Vilarinho, que damos conta noutra peça, foi taxativo: «Não comento declarações do presidente».

ARIEL JACOBS (treinador do La Louvière)
Não será turismo
O treinador do La Louvière, Ariel Jacobs, mostrou-se satisfeito pelo desempenho dos seus jogadores, começando, contudo, por salientar o apoio do público aos visitantes: «Jogámos em casa, mas pelo ambiente, com tantos portugueses, parecia que era fora. O público empurrou o Benfica.» Sobre o encontro, fez uma análise realista. «A minha equipa dominou nos primeiros quarenta e cinco minutos e só no segundo tempo vimos do que o Benfica era capaz. Começámos bem, sem complexos ou nervos, e tivemos duas boas oportunidades para fazer o 2-0. Ao intervalo o senhor Camacho deve ter sacudido os seus jogadores, já que depois tiveram vinte minutos muito bons», disse, sublinhando que o La Louvière não fará turismo na segunda mão: «Continuo a achar que temos dez por cento de hipóteses, mas posso garantir que não seremos um grupo de excursionistas no Estádio do Bessa.»

ARGEL (jogador do Benfica)
La LouviÈre não é tão mau assim
«Foi um jogo difícil, perante um adversário bom. Reconheço que poderíamos ter feito um resultado melhor face às oportunidades que criámos, mas tratando-se de uma competição da UEFA, um empate fora não é mau resultado. O la Louvière tem sete ou oito bons jogadores, muito rápidos e com habilidade. Não é uma equipa tão fácil assim. Na primeira parte não estivemos tão bem, mas na segunda foi tudo melhor, com bola no chão, jogo fluido e boas oportunidades»

PETIT (jogador do Benfica)
Condições para passar
«O resultado dá-nos condições para na segunda volta passarmos a eliminatória. Defrontámos uma equipa difícil, que actua sempre em contra-ataque. Ficámos surpreendidos com o seu valor, já que eles trabalham muito. Lamento as oportunidades que criámos e não conseguimos concretizar»



quarta-feira, setembro 24, 2003

Vai ocupar o lugar de Zahovic
Geovanni certo no onze
José Antonio Camacho deve manter a confiança na equipa que perdeu com o FC Porto. A única mexida esperada é o regresso de Geovanni para ocupar a vaga criada pela lesão de Zahovic. Quanto ao resto, tudo deve ser igual, com a dupla Sokota/Fehér a manter-se na frente de ataque. Isto apesar de o treino de adaptação ao estádio que assiste ao retorno dos encarnados às noites europeias ter sido ligeiro e pouco esclarecedor quanto à formação titular

O Benfica deve subir esta noite ao relvado do Stade du Pays de Charleroi com um onze muito parecido com aquele que iniciou o clássico frente ao FC Porto. A única alteração deve ser mesmo a entrada de Geovanni para o lugar de Zahovic, o qual ficou em Lisboa devido à fractura do primeiro dedo do pé esquerdo contraída no encontro diante dos portistas.

Quanto ao extremo brasileiro, recuperou da lesão muscular que sofreu durante um jogo-treino com a equipa B e que o impediu de alinhar nas Antas, viajou com a equipa e deve ser titular frente ao la Louvière.

Essa foi uma das poucas indicações deixadas por José Antonio Camacho na sessão de treino realizada, ontem à tarde, no palco do desafio que marca o regresso dos encarnados às competições europeias. Tratou-se de um treino ligeiro, com pouco mais de uma hora, em que o grande objectivo, além da natural adaptação ao relvado e à iluminação - apesar de o treino ter sido realizado de dia, as torres de iluminação estiveram ligadas -, foi o de desanuviar um pouco o ambiente no seio do grupo de trabalho. Daí os quinze minutos de maior descontracção antes do início dos trabalhos com bola.

Primeiro, Camacho quis aperfeiçoar a finalização através da ida dos laterais e dos extremos à linha de fundo de onde cruzavam para a conclusão dos pontas-de-lança e dos médios. Depois, o técnico dividiu os jogadores em duas equipas, inconclusivas quanto ao onze planeado para esta noite.

Apesar disso, foi nítida a preocupação em mecanizar Geovanni com Miguel no flanco direito, o mesmo sucedendo com Ricardo Rocha e Simão no flanco oposto. No eixo da defesa, Argel fez dupla com Hélder, mas tudo leva a crer que Camacho mantenha a confiança em Luisão para ser titular ao lado do compatriota.

Muitos abraços no aquecimento

Durante o aquecimento foi visível o esforço dos atletas em deixar transparecer para o exterior a ideia de que tudo está bem no seio da equipa. Muitos abraços e brincadeiras entre todos foi a forma encontrada para expiar a derrota nas Antas.

Daniel Gaspar brilha na baliza

Na parte final do treino, Daniel Gaspar ocupou uma das balizas e desafiou Fehér, Hélder e Petit. E diga-se que o treinador de guarda-redes defendeu alguns remates daqueles que levam selo de golo, tendo merecido alguns aplausos.


Camacho decidiu
Simão é o capitão

Simão Sabrosa vai voltar a ser o capitão do Benfica. Isto, pelo menos, no jogo de hoje frente ao La Louvière, no regresso dos encarnados à UEFA. A decisão é de Camacho, que a comunicou ontem aos jogadores, após o treino já em território belga.

O jogador encarnado fez uma grande exibição nas Antas e a decisão do técnico espanhol surge após a lesão de Zahovic, o subcapitão, sendo que o capitão Hélder está de momento afastado das primeiras escolhas de Camacho.

Resta agora saber se o treinador pretende que Simão conserve a braçadeira após o jogo ou se esta é uma situação passageira, para dar confiança a um jogador que muito preza.

Recorde-se que Simão deixou de ser capitão após uma votação ganha por Hélder, num processo atribulado e em que o médio havia recusado ser subcapitão.

Optimista apesar dos resultados
Camacho: «Seja onde for jogo para ganhar»
Na ressaca da derrota nas Antas, o treinador reafirma o seu optimismo e aponta o caminho: prosseguir o trabalho e olhar em frente

Record - Acredita que os jogadores vão acusar a derrota com o FC Porto?
Camacho - Em causa estão competições diferentes. Por outro lado falamos de jogadores que estão habituados a viver ao mais alto nível, para quem três ou quatro dias são suficientes para ultrapassar os efeitos de um mau resultado. Aliás, uma equipa que pretenda ser grande, como nós queremos, tem de estar mentalizada para reagir às derrotas e saber lidar com as vitórias.

R - Mas não sentiu uma quebra anímica depois do mau resultado do passado domingo?
C - Logo a seguir ao jogo com o FC Porto sim, mas agora isso já lá vai. Há outro jogo à porta e os futebolistas encontram sempre soluções no sentido de se motivarem para a partida seguinte.

R - Teremos então um Benfica apostado em resolver, aqui na Bélgica, esta eliminatória?
C - Onde quer que vá, com quem quer que jogue, o Benfica entra sempre para ganhar. É assim por princípio e, comigo à frente da equipa, não podem esperar outra coisa. Agora se vamos ganhar, empatar ou perder; se vamos marcar um, dois ou três golos não me perguntem. A isso não sei responder.

R - Não teme que a equipa volte a fracassar num momento decisivo, apesar do favoritismo para esta eliminatória?
C - Estamos mentalizados para tudo. O futebol, de resto, é sempre igual: à partida pode haver um favorito mas se o adversário mais fraco se superar no empenho tudo se equilibra. O que eu sei de fonte segura, neste caso concreto, é que se trabalharmos o mesmo que o nosso adversário venceremos.

R - Quanto a isso não faz críticas aos seus jogadores?
C - Eles entraram sempre para dar o máximo, cumpriram as indicações, apresentaram um jogo colectivo ordenado e lutaram os 90'. Mostraram qualidade e deixaram-me satisfeito. A questão é que houve infelicidades individuais em momentos muito importantes que deitaram tudo a perder. Mas a má sorte não vai durar sempre. Esse género de coisas não é eterna e nós estamos perfeitamente conscientes disso mesmo.

R - Acredita, pois, que esses erros não vão ter consequências nefastas no rendimento do conjunto...
C - A cabeça é, de facto, muito importante na vida de um futebolista. E eles sabem-no melhor que ninguém. Continuo a confiar neles e no potencial colectivo que possuímos, porque os referidos erros cometidos nesses jogos de grande visibilidade - foi assim com o FC Porto, mas já tinha acontecido quase o mesmo nos dois embates frente à Lazio - foram claras infelicidades de momento, desconcentrações, azares que não beliscam, a meu ver, o trabalho desenvolvido desde o início da época. É por isso que estou muito confiante de que vamos ultrapassar esta fase menos boa.

«Confiança a mais não foi problema»

Respondendo a uma declaração concreta do treinador do La Louvière, na sequência da observação dos jogos com o Belenenses e FC Porto, Camacho afirmou: "Não, o excesso de confiança nunca foi problema para a nossa equipa. Jogamos com raça, com nervo, a questão é que nem sempre somos felizes. Por vezes fazemos as coisas bem e resultam; outras vezes fazemos tudo mal e dá golo. O que ele define como excesso de confiança é, no meu entender, a vontade de ganhar que manifestamos em cada jogo."

«Sokota e Fehér? Isso não importa»

Confrontado com a probabilidade de manter a dupla atacante com Sokota e Fehér, Camacho respondeu com indiferença: "Se vamos manter os dois atacantes que actuaram nas Antas? Isso não tem qualquer importância, depende das necessidades da equipa. Falam de Sokota e Fehér; está bem, mas para mim, por exemplo, Geovani e Simão também são avançados. Não é por colocar mais gente à frente que se marcam mais golos. E todos sabemos que isso é bem verdade..."

«Que o Zahovic recupere rápido»

A lesão de Zlatko Zahovic constituiu mais um revés nos planos de José Antonio Camacho. O esloveno vai estar afastado por um período de quatro ou cinco semanas: "O que posso dizer a esse respeito? Em primeiro lugar que lamento e depois que desejo o seu rápido restabelecimento. De qualquer modo estamos preparados para viver sem ele durante este período. Quanto ao regresso de Geovani aos convocados: "Está totalmente recuperado. Caso contrário tinha ficado em Lisboa."

Podemos ir à final da UEFA
A sensivelmente um mês de terminar o seu mandato, Manuel Vilarinho vê o Benfica regressar em pleno às competições europeias. Ainda não foi possível chegar à Liga dos Campeões, mas acredita que a formação de Camacho tem condições para atingir... a final da Taça UEFA.

Uma questão de fé! Manuel Vilarinho, presidente que dentro de um mês cessa funções, foi o único à partida de Lisboa, rumo a Bruxelas, na Bélgica, onde hoje o Benfica inicia nova caminhada nas competições europeias, a abordar as expectativas no regresso a uma competição que os encarnados nunca conquistaram. Nunca, até agora. Porque no entender do dirigente, a equipa liderada por José Antonio Camacho tem todas as condições para fazer um brilharete e chegar à final. «É tudo uma questão de momento e de a equipa estar bem psicologicamente e desportivamente, e, claro, também em função dos adversários. Mas acho que podemos ir até à final», anuiu, salientando que mal assumiu funções, há três anos, logo adivinhou o que se passaria a seguir: «Quando tomei posse e vi o estado da nação disse para comigo que dificilmente seria campeão durante o meu mandato, tal como provavelmente iria passar uns anos sem ir à UEFA.» Assim foi. O Benfica está agora com outro fôlego, garante: «Se a estratégia que temos na cabeça continuar a ser implantada pelos vindouros, dentro de pouco tempo teremos outra vez o Benfica na Liga dos Campeões, seremos novamente campeões. Aliás acredito que o Benfica ainda pode ser campeão esta época.»

Arbitragens habilidosas

Vilarinho não se coibiu, abordado pela Antena 1, de falar sobre os lances polémicos das Antas, dirigindo críticas implícitas a Lucílio Batista. «O que me chocou mais foi a entrada de Costinha sobre Simão, perigosíssima merecedora de expulsão. Parto sempre do princípio que os árbitros querem fazer o seu melhor, mas quando os erros são demais e sempre para o mesmo lado, dá para desconfiar... até porque não é a primeira vez que o árbitro do jogo frente ao F. C. Porto faz arbitragens habilidosas», argumentou. Manuel Vilarinho soube, no entanto, reconhecer que nas Antas, o Benfica perdeu por culpa própria: «Devo sublinhar que primeiro temos de olhar para nós e depois para os factores externos e se o Benfica não tivesse cometido erros, talvez o resultado fosse outro.»

Silenciosos e sisudos
Uma entrada em passo rápido no Aeroporto de Lisboa, todos os jogadores – e não só – silenciosos e sisudos para uma viagem até à Bélgica a marcar o regresso do Benfica a uma competição da UEFA. Um ambiente que não diríamos pesado, mas sem dúvida muito pouco... leve. Talvez porque lhes esteja demasiado fresco na memória, mais que a derrota nas Antas, a maneira como ela aconteceu. Para desanuviar o ambiente, o Benfica precisa de vencer o La Louvière por uma margem de golos substancial. Porque vencer, por si só, não lhe chega para voltar a sorrir.

O primeiro a entrar no Aeroporto de Lisboa foi Manuel Vilarinho. A emoldurar-lhe o rosto o esboço de um sorriso. Só um esboço. Foi o único elemento da comitiva que não fugiu aos jornalistas. Bem pelo contrário. Começou por tecer frases de circunstância, como que a adaptar-se ao terreno, mas depois optou pelo discurso crítico, nomeadamente quando versou o recente jogo nas Antas [ver página 8]. Derrota com o F. C. Porto à parte, o presidente da Direcção do Benfica utilizou por quatro vezes a palavra «sempre» para falar desta viagem que marca o regresso da águia a uma competição da UEFA, precisamente a taça que lhe leva o nome, afastada que foi da milionária Liga dos Campeões às mãos da Lazio. Diria então Manuel Vilarinho que, em termos uefeiros, o Benfica «está onde deveria estar sempre », mas que tal não foi possível nos últimos três anos como resultado de «más administrações»; que, em seu entender, «é sempre favorito» para qualquer jogo, apesar de, à cautela, acrescentar «futebol é futebol»; que confia «sempre» na equipa benfiquista; e que, finalmente, os emigrantes «sempre estiveram com o clube», daí esperar grande apoio para o jogo de hoje.

Emigrantes onde estão?

Para o jogo de hoje parece que sim, que o Benfica terá nas bancadas do Stade Pays Du Charleroi talvez mais de cinco mil gargantas a gritar pelo seu nome, naturalmente todas de portugueses que por aqui ou por áreas, como o Luxemburgo ou a França, labutam na procura de uma vida melhor do que aquela que teriam no seu País, mas quanto à chegada a Bruxelas, um verdadeiro deserto estava à sua espera. Emigrantes nem vê-los. Foi, na verdade, uma recepção diferente, bem diferente daqueles banhos de multidão que se viram em tempos não distantes. Outros tempos, pois... Não estavam emigrantes à espera do Benfica. Estavam alguns dirigentes do La Louvière. Mas como os seus homólogos do Benfica não foram previamente avisados da sua presença, passaram por eles como se eles... não estivessem no aeroporto. Houve no entanto alguém que deu o alerta. E a normalidade foi rapidamente reposta. Tratara-se, apenas e tão-só, de uma dessincronização, como dizia o inimitável António Silva no eterno filme O pátio das cantigas.

Buenos dias

Ainda uma curiosidade: o avião que transportou a comitiva benfiquista até Bruxelas pertence à companhia espanhola Spanair. Uns «buenos dias», abrilhantados por um sorriso, para cada viajante, à entrada da aeronave. O mesmo é dizer que, durante a viagem, todas as comunicações da tripulação foram feitas em castelhano, naturalmente. Ou seja, dos 95 passageiros a bordo – para uma lotação de 170 lugares –, só José António Camacho se sentiu, não diremos em casa, mas perfeitamente à vontade.

Jogar para ganhar
Os jogadores do Benfica não podem entrar hoje em campo para defrontar o La Louvière transportando no pensamento a derrota frente ao F. C. Porto porque se está em presença de dois jogos de características completamente diferentes. Esta é uma das ideias fortes de José Antonio Camacho. A outra é a de reconhecer o claro favoritismo da sua equipa para continuar na Taça UEFA, mas para que ele se transforme em realidade é fundamental trabalhar mais, muito mais que o adversário.

Cada jogo tem a sua história. É assim quando se trata de uma mesma competição, mais o será quando em causa estão provas diferentes. A equipa benfiquista acusou psicologicamente o desaire averbado nas Antas, foi o próprio José Antonio Camacho a reconhecê-lo, mas tem de levantar a cabeça. Ou, dizendo-o de uma maneira mais directa, tem de entrar para o jogo com o La Louvière com esse estado de espírito completamente ultrapassado. O treinador benfiquista não escamoteia uma realidade. A de a sua equipa reunir claro favoritismo para deixar a do La Louvière apenas - e não será tão pouco quanto isso - satisfeita com os milhares de euros que vão entrar nos cofres do clube, que não há muito tempo esteve à beira da falência. Mas para que essa grande percentagem de favoritismo tenha expressão a seu favor no desfecho da eliminatória, Camacho fez já ver aos seus jogadores que têm de trabalhar muito mais que o adversário. Foi isso que transmitiu na conferência de imprensa realizada a seguir ao treino realizado ontem, ao fim da tarde, no mesmo palco do jogo. «Nestas circunstâncias, as equipas inferiores trabalham muito e, por vezes, conseguem surpreender o adversário, por mais poderoso e superior que ele seja. Para que isso não aconteça amanhã [hoje], temos de trabalhar muito mais que eles».Para bom entendedor...

Só pensar no jogo seguinte

Ainda em relação ao desaire nas Antas, e tendo por base o facto de sua equipa se encontrar animicamente afectada, Camacho não perde tempo com jogos de palavras. Antes assume a situação. E disse, a propósito, quando questionado por um jornalista, que os futebolistas só têm de se preocupar em jogar, não podem ficar agarrados a derrotas porque estas, «em futebol, fazem parte de três resultados possíveis ». Portanto, quem veste a camisola da águia só deve pensar no jogo seguinte e esquecer aquele que ficou para trás. Aliás, para não deixar qualquer tipo de dúvida no ar, rematou: «Nem sempre se pode ganhar». Quanto à lesão de Zahovic, o treinador dos encarnados também recusou palavras feitas ou choradinhos de circunstância. «A qualquer momento um jogador pode lesionar-se, faz parte da sua profissão, faz parte do futebol, temos, portanto, de estar preparados de maneira a podermos ultrapassar essas contrariedades». Se um determinado jogador não está disponível, o plantel tem de ter soluções para o substituir. Uma filosofia a reter.

Trabalhar muito

Potencialidades e correspondentes capacidades de cada equipa colocadas à parte, Camacho tem a opinião de que a formação belga «é muito competitiva». E deixou, relativamente ao que dela espera, uma espécie de aviso, talvez com endereço bem definido: «Foi muito importante para o La Louvière entrar na UEFA e tenho a certeza de que irá trabalhar muito durante os 90 minutos. Não sabemos o que amanhã [hoje] vai acontecer, mas o Benfica tem de jogar para ganhar». Agora são os jogadores do Benfica que têm a palavra.



O Jornal

Acervo de Noticias sobre o
Sport Lisboa e Benfica nos Pasquins





Contacto



Agenda

Agenda dos próximos dias

Sites

- Sport Lisboa e Benfica
- Futsal Benfica
- SerBenfiquista.com
- A Voz da Águia
- SLB Camisolas Originais
- SLBenfica deviantART

- Fórum Sons



Blogs

- Alma Benfiquista
- Anti anti Benfica
- Boca do Túnel
- Calcio Rosso
- Diario de um Benfiquista
- Diario de um Ultra
- Domingo Subjectivo
- E Pluribus Unum: SLB
- Encarnados
- Encarnado e Branco
- Especulação Recordista
- Furacão Vermelho
- Glorioso Benfica
- A Lei da Bola - Pedro Ribeiro
- Mar Vermelho
- Mágico SLB
- Memórias Encarnadas
- Memória Gloriosa
- Não Se Mencione o...
- Nunca Caminharás Sozinho
- Planeta Benfica
- Quero a Verdade
- Tertúlia Benfiquista
- Um Zero Basta

- Jornalistas Desportivos
- Livre-Indirecto
- O Antitripa

- Corpo Dormente
- Gato Fedorento
- Fórum Sons


Arquivos



Baião Plantel20042005 Plantel20032004 Féher
Velha Luz Nova Luz
This page is powered by Blogger. Isn't yours?